As Terças Podem Se Inverter


Escrita porLi Santos
Editada por Natashia Kitamura


Capítulo 4 • Sensational

"Sensacional, é
O que posso fazer por você, garota?
E sei, e sei, e sei, garota, que ajo como um bobo por você
O amor é como um enigma, é
Me dê as pistas, resolva o enigma, oh-ah-oh"

– Sensational, Chris Brown feat Davido & Lojay –

  — Yo no creo en eso! (Eu não creio nisso!)
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  Rigoni bradou furioso quando confrontou as informações que recebeu com %Ali%. Para ilustrar, há cerca de três dias Rigoni recebeu uma mensagem no Instagram dizendo que %Ali% e Calleri foram vistos aos beijos após o jogo no Morumbi, o último dentro de casa. Amanhã toda equipe viaja para Medellín, cidade equatoriana, onde farão um jogo válido pela Copa Sulamericana. Rigoni não quis acreditar na mensagem e a ignorou. Mas recebeu fotos que, ainda que tremidas e um pouco longe, dava para identificar as figuras de Calleri e %Ali%. Os cabelos cacheados e volumosos dela são uma marca registrada, difícil de confundir.
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  Agora, a social media tricolor está sentada no sofá do apartamento de Rigoni tentando acalmá-lo. Ao ser confrontada, ela admitiu que beijou Calleri sim, mas não admitiu tudo que sentiu no momento. O que leva Rigoni a crer que Calleri agarrou a mulher à força.
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  — Por que ele te beijou? — Rigoni está confuso com toda situação, então %Ali% decide explicar parte dela.
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  — Eu tive um relacionamento com ele em 2016.
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  — Disso eu já sabia — revela, surpreendendo a mulher.
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  — Como?
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  — Depois que recebi a mensagem no Instagram eu resolvi pesquisar sobre a primeira passagem dele pelo São Paulo — diz, sentando-se ao lado dela. — Aí vi as reportagens sobre seu namoro com o Calleri — o verbo faz %Ali% suspender os olhos, prendendo a respiração.
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  — Ah, a maldita imprensa — lamenta-se. — Há muita coisa %Ali% que não é verdade.
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  — Não li tudo — desconversa o atacante, desviando seu olhar do rosto dela e engolindo em seco. — Quero saber uma coisa, cariño.
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  — Pode perguntar.
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  — Ele te pressionou pra isso acontecer? O que ele quer de você?
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  Me deixar louca, foi o pensamento que veio na mente de %Ali%, mas que não foi externado.
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  — Cariño? Me diz que ele não-
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  — Me desculpa, Emi.
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  — Vou acabar com ele se-
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  — Ele não me forçou a nada. Foi uma fraqueza minha acreditar no que ele me disse.
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  — O que ele te disse?
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  Ela tenta sorrir e responder de um jeito que não magoe Rigoni.
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  — Que ainda gosta de mim e que… bom, isso é passado. Eu não quero mais namorar com ele e-
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  — Cariño, tem certeza? — %Ali% o encara, confusa. — Ele não te agarrou à força? — por um breve instante, ela achou que ele perguntava sobre seus sentimentos, suspirou aliviada.
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  — Tenho, por favor, não brigue com ele.
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  — Ele merecia um soco por ter te beijado sabendo que estamos saindo — ele fecha os punhos e %Ali% segura o braço do jogador, fazendo-o relaxar.
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  — Não, Emi, não faça isso.
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  — Esse canalha não respeitou ninguém! — diz, exaltado. — Nem a mim, nem a você. Não posso deixar isso passar. Não vou, cariño.
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  — Emi!
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  — Você ficou balançada com esse beijo?
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  — Não — a responde mal a convence. — Fiquei quando o vi logo quando voltei de férias, mas nada demais. Estou saindo com você, não estou?
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  — Sí… — ele fecha os olhos, se acalmando.
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  — Esquece isso.
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  Ela o seduz acariciando seu rosto, Rigoni mantém os olhos fechados, aproveitando o carinho, mas logo os abriu para ver o olhar de sua querida parceira lhe encarando. %Ali% o beija e cala qualquer outra pergunta que a mente de Rigoni continua produzindo sobre a conversa. Não tinha importância agora.
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  O atacante puxa a cintura de %Ali% com força suficiente para que ela sentasse no colo dele sem interromper o beijo. Rigoni sente o tesão se expandir pelo seu corpo e o homem é tomado por seu sentimento por %Ali%, esquecendo-se momentaneamente da raiva que sentiu de Calleri.
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  Pelo menos, por enquanto.
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[⚽]

  Uma semana depois…

  %Ali% está passando por um inferno astral.
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  Bom, ela não sabe se é exatamente isso que está vivendo, mas explicaria o caos que está sua vida amorosa. De um lado tem o Rigoni, um amor de pessoa que a adora e faz de tudo para agradá-la. E do outro o Calleri, que é seu amor do passado e ainda mexe com sua cabeça e, principalmente, com suas emoções.
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  Os beijos que deu nele foram de sua vontade. Disso ela não tinha dúvida. Mas o que a intriga, é se ele diz a verdade quando fala que ainda a ama. E, mais ainda, o motivo disso preocupá-la. Ela está com o Rigoni, não é? Nem deveria dar bola para o que o Calleri diz ou faz. Mas o olhar amendoado e os lábios do argentino não saem da mente de %Ali%.
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  A mulher caminha pelo CT atrás de mais jogadores. O aniversário de Calleri é apenas em setembro, mas ela está recolhendo depoimentos para criar um vídeo de parabéns. No caminho entre o campo e o vestiário, %Ali% aborda Nahuel.
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  — Não fuja de mim, Ferraresi, eu já vi você! — diz ela, rindo porque o zagueiro se escondeu atrás de uma árvore. Ele sai detrás da árvore também rindo.
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  — Droga, me escondi tão bem — brinca, se aproximando dela e lhe dando um abraço lateral.
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  — Com 1,90m não tem como eu não te ver, Nahuel.
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  — O lado ruim de ser alto — eles caminharam devagar na direção do vestiário.
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  — Preciso de um favor seu — ela faz uma expressão fofa, encarando o homem ao seu lado.
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  — Pode dizer, chiquita.
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  — O aniversário do Calleri está chegando e eu preciso de um depoimento seu sobre ele.
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  — Aquele sacana não merece um depoimento meu — solta o zagueiro, aparentando estar irritado.
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  — Ele fez algo errado? — %Ali% franziu o cenho, parando de andar. Nahuel também parou ainda abraçado a ela.
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  — Ele tá me devendo uma garrafa de vinho — a informação faz %Ali% rir. — Não ria, chiquita, Jonathan é um mal perdedor.
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  — Ai, Nahuel, só você mesmo — ela continua rindo. — Pode falar isso no depoimento, se quiser.
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  — Vou gravar porque foi você quem me pediu e eu não resisto a essas bochechas gostosas — o homem aperta as bochechas dela. — Vai gravar agora?
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  — Se não estiver ocupado, seria bom.
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  — Vamos, então!
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  Os dois foram até uma das salas de reunião, que o Dorival, técnico do São Paulo, usava para conversar com os jogadores antes das partidas para ajustar algumas coisas com todos juntos, e se acomodaram %Ali%. A mulher posiciona o equipamento sobre uma cadeira e pede para Nahuel sentar-se na mesa principal. O zagueiro começa a falar quando %Ali% dá o sinal, iniciando seu depoimento com um xingamento ao Calleri, o que faz %Ali% rir. Mas depois ele segue tecendo elogios ao amigo, dizendo o quanto se sentiu acolhido desde que chegou ao clube. Calleri foi um dos primeiros a puxar assunto com o venezuelano, tornaram-se grandes amigos mesmo com o pouco tempo de convivência.
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  Após gravar o depoimento de Nahuel e se emocionar com ele, %Ali% se despede do zagueiro, que segue pro vestiário, e vai atrás de mais jogadores. Tecnicamente, Calleri não deve ter acesso antecipado às gravações, por isso %Ali% evita ir até o campo onde está a maior parte dos jogadores. Na academia estão os que foram apenas para fazer algum trabalho de recuperação física. %Ali% caminha equilibrando sua mochila em um dos ombros, a câmera e o tripé nas mãos, sem contar o celular que ela leva embaixo de um dos braços, preso ao seu corpo. Com a pressa de gravar logo, e o medo de Calleri aparecer e estragar a surpresa, %Ali% dá uma leve corrida até a academia. Péssima ideia.
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  — Meu Deus, o que foi isso?
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  Luan, volante tricolor, que está dentro da academia, sai para ver o que aconteceu e encontra %Ali% caída no chão, os equipamentos espalhados, e ela com a expressão de dor.
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  — Você está bem, %Ali%? — indaga ele se aproximando.
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  — Acho que machuquei o braço — diz, gemendo um pouco. Luan ajuda a mulher a se levantar. — E quebrei minha câmera, mas que merda! — deduz ao ver uma peça solta.
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  — Vem, vou te levar pra enfermaria. O importante é você não ter quebrado nada em você — brinca, caminhando junto com ela.
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  Outros jogadores ajudaram a recolher as coisas de %Ali%, colocando-as na mochila, e levaram pro vestiário dos funcionários. A câmera dela realmente havia quebrado junto com a tela de proteção do celular dela, que foi devolvido à mulher na enfermaria do CT. %Ali% deslocou o ombro, uma leve luxação. O médico que a atendeu colocou seu ombro no lugar, colocando uma tala ortopédica travando o ombro esquerdo da moça, junto com uma tipoia.
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  %Ali% deixou o CT mais cedo que de costume sem se despedir de ninguém que normalmente fala. Apenas os funcionários, os jogadores não a viram ir embora e até estranharam a ausência da mulher. Apenas quando Rigoni viu a mensagem dela informando sobre a luxação, que todos descobriram o que aconteceu.
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  Calleri ficou preocupado.
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  No apartamento de %Ali%, a mulher tenta manter sua rotina mesmo com um braço imobilizado parcialmente. Rigoni insistiu para ir ajudá-la, caso precisasse, mas ela disse que não precisava se incomodar. Que ficaria bem. Ainda assim o jogador apareceu lá, levando um pequeno buquê de flores pra ela, mas não demora, já que %Ali% praticamente o expulsou do apartamento.
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  A campainha toca.
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  — Mas como é teimosa, Emiliano — diz pra si mesma, caminhando até a porta. — Eu disse que estou- — ela paralisa ao ver quem está parado à sua porta. — Calleri?
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  — Olá, %Ali% — diz o atacante. — Posso entrar?
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  — O, o que faz aqui?
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  — Soube que alguém se machucou e vim ajudar — diz com um sorriso de canto. Pare de sorrir assim, Jonathan!, pensa a mulher, controlando-se.
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  — Eu não preciso de-
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  — Não seja orgulhosa, %Fernandéz% — %Ali% o encara, sentindo-se desafiada.
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  — Você sabe que odeio que me chamem assim, Jonathan Calleri!
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  — Com licença — ele passa por ela, entrando no apartamento.
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  — Jonathan! — espanta-se, virando-se para ele e fecha a porta. — Não disse que podia entrar, seu enxerido!
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  — Já jantou? — o jogador ignora a bronca dada por ela e vai até a cozinha, sendo seguido pela social media.
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  — Ainda não, mas-
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  — Quer comer o quê? — pergunta, interrompendo %Ali%.
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  — Jonathan, eu disse que não preciso de ajuda. Ainda tenho dois braços.
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  — Não duvido que possa fazer as coisas sozinha mesmo com um braço machucado, %Ali% — esclarece. — A questão é que você precisa ficar em repouso ou a luxação piora, sabia disso?
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  — Sabia, Jonathan.
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  — Pois então, sente no sofá e espere seu jantar ficar pronto, linda — provoca o homem, rindo da expressão irritada que ela faz. — Fica mais fofa quando está irritada — comenta Calleri, de costas pra %Ali%, enquanto separa os ingredientes do choripán que fará para ambos comerem.
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  — E você está bem enxerido pro meu gosto, Jonathan — rebate, encostando-se no balcão. — O que vai fazer? — pergunta, curiosa. Sem ela ver, Calleri sorri vitorioso.
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  — Choripán — diz.
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  — Veio até aqui para fazer um sanduíche pra mim?
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  — Para nós — corrige ele.
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  — Vai comer também?
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  — Claro que vou, te farei companhia — ele vira o rosto para piscar pra %Ali%.
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  — Você quer é comer de graça — rebate, rindo.
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  — Eu quem vou cozinhar, linda — diz ele, lavando os tomates. — Me conte, como se machucou?
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  — Caí quando ia pra academia.
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  — Só? — ele volta a olhar para ela. — Eu sou o atleta e você quem se lesionou? — brinca, risonho. %Ali% estreita o olhar. — Também sei estreitar o olhar, querida.
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  — Eu estava com pressa, acabei perdendo o equilíbrio — %Ali% se defende, cruzando os braços sobre o busto.
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  — Tem que aprender a esperar, %Ali%.
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  — Você me falando sobre pressa, Calleri? Justo você? — enfatiza com o olhar suspenso.
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  — Não quero brigar — diz o jogador, defensivo. — Só falo porque me preocupo com você.
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  %Ali% respira fundo e se desarma. No fundo, ela também não quer brigar. Achou fofo o fato dele aparecer lá de surpresa para ajudá-la. Rigoni fez o mesmo, ela também adorou vê-lo lá, mas com o Calleri é diferente. %Ali% está mais confusa ainda. Por que o sentimento de 2016 tinha que aparecer junto com a presença de Jonathan no São Paulo?
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Capítulo 4
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