Esta é uma obra de ficção destinada ao público adulto.
A narrativa retrata personagens universitários maiores de idade inseridos em um contexto de privilégio social, poder econômico e conforto estrutural. Ao longo da história, são abordados temas sensíveis como uso de substâncias químicas, relações sexuais, dinâmicas familiares disfuncionais, exclusão social, comportamentos moralmente questionáveis e consequências emocionais silenciosas.
As situações apresentadas não têm como objetivo romantizar excessos ou servir como modelo de conduta, mas observar personagens em suas contradições, escolhas conscientes e limites éticos dentro de um sistema que frequentemente os protege.
Capítulo Sete
Voltar para casa sempre teve um ar dramático, mas dessa vez minha mãe parecia avaliar cuidadosamente suas palavras, uma atitude um pouco estranha, ainda mais vindo de uma pessoa como ela. Claro que minha mãe faria de tudo para eu não desistir do %Connor%. Meus pais o queriam na família para expandir o nosso capital, então não fico nenhum pouco surpresa ao chegar à faculdade apenas para descobrir que meus pais tinham feito uma doação muito generosa para Pepperdine. Se o objetivo era chamar a atenção dos pais dele, eu tinha certeza de que ambos conseguiram.
Eu caminhava pelo pátio do campus enquanto %London%, ao meu lado, tagarelava sobre a nova bolsa que a Prada lançou, quando algumas pessoas se aproximaram de nós.
— Vocês deviam ter vergonha!
Encarei o garoto parado na minha frente e cruzei os braços. Já estava ficando chato; todos os dias um bolsista tentava chamar nossa atenção apenas por termos algo que, na maioria das vezes eles não tinham,
dinheiro. — Quem deveria ter vergonha é você, olhe onde você está. Pelo amor de Deus! — Sorri de lado. %London% não era uma das pessoas mais pacientes que eu conhecia. E bem… Ela tinha razão. Nós não tínhamos nada para nos envergonhar, pelo contrário.
— Me fale! Temos que ter vergonha do que exatamente? — Arqueei a sobrancelha e mantive minha postura imponente. — Até onde sei, você é uma das pessoas que usufrui das nossas generosas contribuições, não é mesmo?
Ele claramente queria retrucar, mas talvez lhe faltasse coragem para isso. Vamos lá, obviamente não falei nada demais. Nossos pais faziam doações para a universidade e todos acabavam usufruindo disso. E quando falo todos, me refiro aos bolsistas também.
— Não perca seu tempo, %Emma%. Ele claramente queria um minuto de fama. — %London% enlaçou seu braço no meu, me puxando delicadamente.
Alguns estudantes tinham parado para observar a cena, fazendo com que eu revirasse os olhos. Aparentemente, ninguém tinha nada melhor para fazer por aqui.
Eu estava longe o suficiente, mas foi possível escutar ele berrando em meio ao pátio.
— Não é de hoje que vocês compram tudo! Notas, influência… Vocês falam que somos a escória do mundo, mas são vocês!
Parei de caminhar imediatamente, respirando fundo. Eu sabia que precisava controlar meus sentimentos, mas a raiva beirava o precipício. Senti a mão de %London% apertar levemente meu braço, um gesto silencioso me pedindo para deixar pra lá, mas eu simplesmente não conseguia. Pessoas como ele deveriam saber seu lugar e cabia a mim mostrar onde era.
Caminhei de volta até onde ele estava, ignorando os cochichos que começavam a se formar ao redor...
— Você fala sobre integridade? — As palavras deslizam da minha boca como se fossem veneno. — Se esqueceu que você estuda em um lugar que meu avô ajudou a erguer? Que a biblioteca que você perde horas estudando, leva o nome dele?
— %Emma%… — %London% murmurou atrás de mim, mas a ignorei.
— Você tem coragem de chamar de escória as pessoas que financiam sua bolsa de estudo? Se esqueceu que se não fosse por ela, jamais estaria aqui? — Perguntei, abrindo um sorriso ao vê-lo engolir em seco. — Lembre-se, antes de falar asneiras por aí, revise suas falas. Afinal, não queremos ninguém perdendo uma bolsa, não é mesmo?
Os sussurros pararam imediatamente e eu nem precisava me virar para saber quem era o dono daquela voz. %Connor% se aproximou, e logo senti seus braços enlaçar minha cintura, me puxando para perto dele com uma naturalidade que pegou todo mundo de surpresa. %Trevor% vinha logo atrás, com as mãos nos bolsos do jeans que usava, parando ao lado de %London% e beijando sua bochecha.
— Nada demais, apenas uma pessoa mal agradecida. — Respondi.
%Connor% olhou para o garoto de cima a baixo. Como se estivesse avaliando se valia a pena ou não gastar saliva.
— Olha… Não gosto de pessoas que incomodam minha garota tão cedo. — Ele falou, com a voz baixa e perigosa. — Apenas agradeça pelas oportunidades que você tem. Não é inteligente puxar briga com quem literalmente paga suas contas aqui.
Percebi que o garoto estava ficando cada vez mais pálido. Engraçado, porque quando estava falando comigo, era um machão,
— Vá. — %Connor% o dispensou com a mão.
Mas eu não podia deixar de falar o que estava entalado na minha garganta depois desse gesto de puro pavor do garoto.
— Ah! Mas antes de ir, tenho um recado para você. — Me desvencilhei de %Connor% e dei um passo à frente, sussurrando no ouvido do bolsista. Minha voz é tão baixa que apenas ele poderia escutar. — Dá próxima vez que você quiser cantar de galo pra cima de mim só porque eu sou mulher, lembre-se, o %Connor% pode até parecer um cara legal com aquela atitude de não se interessar por nada, mas eu? Eu garanto, querido… que da próxima vez,
eu mato você. Porque ele pode ser piedoso, mas eu não sou.
Dei dois tapinhas no ombro dele antes de me afastar e voltar para o meu pequeno grupo.
— Qual foi o motivo disso tudo? Eu não estava por perto. — %Connor% questionou, seguindo meus passos.
— Tudo isso porque minha mãe decidiu fazer uma doação generosa para o centro de artes. — Dei de ombros.
Eu não tinha ideia do valor exato que ela tinha repassado dessa vez, mas sabia que havia doado um quadro de alguns milhões para compor a entrada do salão de artes recém reformado.
— Sua mãe jamais enviaria algo com menos de sete dígitos. — %Trevor% soltou uma risada. — Não me surpreende se seu sobrenome estiver sendo colocado no local.
— Meus pais, seus pais, nossos pais… Eles amam isso. — Bufei. — Típico de gente velha.
Já estávamos distantes o bastante dos olhares curiosos, então podíamos falar livremente.
— Agora me fale, Sparky. O que você sussurrou para o garoto? — %Connor% inclinou a cabeça para o lado, me encarando.
— Apenas um conselho amigável. — Olhei de soslaio.
— É por isso que eu gosto de você, Sparky. — Ele sorriu, roubando um beijo rápido. — O que vocês acham de irmos para o terraço?
— Uma boa ideia. Hoje de manhã me encontrei com o fornecedor, tenho algo bom para nos divertirmos.
O terraço da faculdade era um dos lugares mais privilegiados; todos disputavam por aquele espaço, mas nós tínhamos o controle absoluto sobre ele. Ninguém ousava subir quando estávamos lá, e os seguranças conheciam bem o protocolo, apenas baixavam a cabeça e fingiam não ver nada. Assim ambos saiam ganhando.
— Eles são tão patéticos. — Comentei, encostada no guarda-corpo, enquanto observava os alunos correndo de um lado para o outro.
— Eles se esforçam para chegar onde estamos. — %Trevor% riu, jogando a cabeça para trás. — Mas não vamos falar deles, vamos focar nisso aqui.
Meu amigo ergueu um pequeno frasco transparente que continha um pó.
— O que você tem aí? — %Connor% pegou o frasco, avaliando o conteúdo sobre a luz.
— MDMA… Carga nova. — %Trevor% explicou, e um brilho cúmplice surgiu em seus olhos.
— E você pretende usar isso agora? Não estou afim de ficar com as pupilas dilatadas e correr o risco da universidade ligar para os meus pais. — Cruzei meus braços.
— Não, idiota. Pensei em fazermos uma festinha mais tarde. — Ele comentou.
— Em plena segunda-feira? — Claro que não tínhamos hora para festas, mas nunca era sempre bom manter as aparências.
— E por quê não? Está se sentindo cansada para isso? — Revirei meus olhos e me aproximei dele.
— Espero que isso seja realmente bom, já que sabemos muito bem que amanhã não vamos aparecer nas aulas. — Alfinetei.
— Fica tranquila. Meu contato garantiu que essa é das boas e que não deixa aquele cansaço no dia seguinte. — Ponderei.
— Vou acreditar em você. — Finalmente cedi.
— %Emma%, o %Trevor% jamais faria usarmos algo ruim. — %London% interveio.
— %London% tem razão. %Trevor% é muito exigente com o que consome, ele jamais nos ofereceria algo ruim. Alguma vez, ele já falhou conosco, Sparky? — %Connor% entregou o frasquinho para o nosso amigo e caminhou em minha direção, sorrindo por ter vencido o argumento
Fiz uma careta, mas tive que concordar silenciosamente; %Trevor% nunca decepcionava quando o assunto eram substâncias ilícitas e corridas.
— Irritante. — Sussurrei assim que ele me segurou pela cintura.
— Vamos lá, Sparky! Uma noite selvagem pra iniciar bem a semana. — %Connor% parecia estar achando graça da situação.
— Onde vai ser? — Perguntei, sentindo o vento bagunçar meu cabelo.
— Podemos fazer no meu loft… — %Trevor% respondeu. — Posso dispensar os meus funcionários e então vamos ter o lugar apenas para nós.
— Uma festa privada? Isso é perfeito pra mim. — %London% concordou, mas não parecia tão feliz. — Mas minha mãe acabou de me mandar uma mensagem. Ela estava com a mãe da Chloe e a mulher estava afogando as mágoas com a minha.
— E o que isso tem a ver com a nossa festa? — Saí dos braços de %Connor%.
— Isso quer dizer que minha mãe quer que eu me redima com a Chloe, ou seja, teremos que chamar ela hoje. — Suspirei ao me lembrar do último drama que ela fez.
— Não podemos pular só essa noite? — Fiz uma careta.
— Não! E não ficaria surpresa se você também recebesse uma ligação da sua mãe sobre isso. — %London% rebateu. Minha mãe tinha acabado de ganhar o que queria. Seria muito estranho eu receber uma ligação dela pedindo para eu chamar Chloe para sair.
Chloe era um obstáculo aos olhos da minha mãe, e eu fiz questão de descartá-la o mais breve possível.
— Ok… Quem vai fazer a ligação? — Eu não a queria lá de jeito nenhum, mas também não pretendia dificultar a vida de %London%.
— Deixa que eu ligo pra ela. — %London% deu de ombros, pegando o celular com uma expressão de poucos amigos. — Só pra deixar claro, irei fazer com que pareça um privilégio ela ser convidada. Quem sabe assim ela mantém a boca fechada.
A conversa continuou atrás de mim, mas não dei muita importância. Me afastei deles e voltei a me apoiar no guarda corpo. A movimentação das pessoas tinha aumentado desde o momento que chegamos ao terraço; observei, de longe, o bolsista que insistiu em brigar comigo mais cedo. E ele parecia ainda mais insignificante aos meus olhos.
Sorri, sentindo o leve frescor do vento batendo no meu rosto. Eu estava exatamente onde deveria estar, no topo da cadeia alimentar. Qualquer uma das pessoas ali de baixo poderiam falar sobre moralidade ou até mesmo injustiça, mas, no fim do dia, as regras seguiam o fluxo que nós desejávamos, e não o contrário.
Ficamos ali por mais um tempo antes de descermos as escadas em direção ao pátio novamente. %London% e %Trevor% caminhavam um pouco mais a frente, conversando sobre alguma coisa que não me interessava.
Eu estava prestes a me despedir para seguir para minha sala quando as mãos de %Connor% agarraram a minha cintura novamente, me fazendo girar e bater diretamente contra seu peito. Suas mãos subiram para o meu rosto, o acariciando. Ele não hesitou por nenhum momento quando inclinou a cabeça e me beijou.
Com ele, nada era tão simples ou discreto. Por isso, a possessividade em seu beijo não me deixou nenhum pouco surpresa. Era o show dele, e nós éramos os protagonistas; uma encenação clara de mostrar para todos a quem eu pertencia.
Ouvi vários murmúrios, e tinha certeza de que muitos já estavam filmando esse momento para poder divulgar na internet. Eu quase podia ver as hashtags com o nosso nome ou os comentários falando sobre o casal do ano. Meus pais ficariam muito felizes com isso, assim como os pais de %Connor%.
Ele me segurou um pouco mais em seus braços. Prolongando o show.
— Agora… — Ele sussurrou no meu ouvido, sugando levemente meu lóbulo. Tranquei a respiração. — Ninguém irá supor mais nada…
%Connor% se afastou, seus olhos brilhando de satisfação.
Não falo nada. Essa foi a primeira vez que fui pega com a guarda baixa, e o desgraçado sabia muito bem disso. Por isso o sorriso de satisfação estampado na cara dele.
— É minha amiga, o beijo durou pouco, mas o estrago foi feito. Devo falar estrago? Acho que não né? — %London% se aproximou assim que %Trevor% puxou %Connor% pelo braço para um abraço de lado.
Meus amigos sabiam muito bem como encenar.
— O que quer dizer com isso, %London%? — Perguntei.
— O beijo já está circulando na internet, você sabe muito bem que o povo é fofoqueiro. Sempre irá ter um hater aqui, e um admirador ali. — Ela deu de ombros, enquanto eu revirava os olhos.
— Pelo menos meu caso com %Connor% não foi anunciado por meio de um conferência de imprensa. — Resmunguei.
— Ah, mas pode ter certeza de que é bem capaz de ter uma hoje. — Ela piscou para mim.
Apertei a alça da minha bolsa Prada, e respirei profundamente, enquanto mantinha um sorriso estampado no meu rosto.
Eu queria estar no topo e ter o controle de tudo, e %Connor% fez questão de me deixar com as mãos cheias ao marcar o território daquele jeito. Nossas ações iriam valorizar muito nos próximos dias, então chegou o momento de eu ser a
it girl que todos amam odiar. Ninguém, absolutamente
ninguém conseguiria acabar com isso, porque a coroa finalmente era minha.
N/a: Hello! Hello!
A única coisa que eu tenho pra falar pra vocês é que vocês não imaginam o que vai acontecer no próximo capítulo.