Esta é uma obra de ficção destinada ao público adulto.
A narrativa retrata personagens universitários maiores de idade inseridos em um contexto de privilégio social, poder econômico e conforto estrutural. Ao longo da história, são abordados temas sensíveis como uso de substâncias químicas, relações sexuais, dinâmicas familiares disfuncionais, exclusão social, comportamentos moralmente questionáveis e consequências emocionais silenciosas.
As situações apresentadas não têm como objetivo romantizar excessos ou servir como modelo de conduta, mas observar personagens em suas contradições, escolhas conscientes e limites éticos dentro de um sistema que frequentemente os protege.
Capítulo Seis
Acordei com o peso do braço de %Connor% em cima da minha cintura; eu conhecia muito bem esse gesto. Algo possessivo vindo dele, me mantendo o mais perto possível, apesar das coisas que foram ditas na noite anterior.
O quarto estava silencioso, mergulhado na penumbra, mas minha mente era o completo oposto. A briga da noite anterior estava fresca em minhas memórias, e as palavras de %Connor% iam e vinham o tempo todo, como se fosse um filme.
Acho que minha inquietação acabou o acordando, pois ele se mexeu ao meu lado, colando seus lábios no meu ouvido.
— Eu conheço você, Sparky. Mesmo dormindo seu corpo não relaxa.
— Até a pessoa mais paciente do mundo perde a paciência em algum momento. — Me desprendi do seu braço e me sentei na cama. — Você acha que me prender nos seus braços a noite toda irá resolver a merda que falou ontem?
Minhas palavras pareciam engraçadas para %Connor%, pois ele deu uma risada antes de se sentar e me encarar com aquele olhar de quem estava julgando e avaliando ao mesmo tempo.
— Sparky, eu disse que você dorme comigo, não que eu iria pedir desculpas. — Sinto seus dedos roçando na minha coluna. — Pensei que, nesta altura do campeonato, você soubesse disso.
— Idiota. — Resmunguei, sem me afastar dele.
— Estou apenas sendo honesto. — Virei automaticamente para encará-lo.
— Sua honestidade não vale de nada quando é da boca pra fora. — Retruquei.
— Vindo de pessoas como nós, a honestidade é algo escasso; não a uso para qualquer um. — %Connor% segurou meu queixo por um segundo, forçando meu olhar no dele.
— Quer dizer que pra você sou
qualquer um? — Tentei me afastar, mas o aperto em meu queixo ficou um pouco mais forte.
— Somos crus e nus quando se trata de sentimentos, então não, você não é qualquer um. Esse é o lance.
Ele não falou mais nada, apenas me soltou lentamente e se levantou, caminhando em direção ao banheiro sem se importar com absolutamente nada. Essa era a coisa do %Connor%, ele tinha um apreço em ser a pessoa com a palavra final, o que me irritava completamente, porque ele sabia muito bem que eu não aceitava isso.
Fiquei encarando as costas dele por alguns segundos depois que ele entrou no banheiro, ponderando se eu ia ou não atrás dele para começar uma briga, mas desisto. Eu precisava de algo para acabar com a minha ressaca e por meus pensamentos de volta nos eixos, então me levantei da cama e peguei uma blusa do %Connor% de dentro do seu closet. Claro que poderia pegar uma roupa minha, mas eu queria usar algo confortável e %Connor% costumava ter as melhores camisas pós-sexo, então escolho uma blusa preta a visto, sem me importar de colocar um short.
A blusa era como um vestido em mim. Desci as escadas sentindo a camiseta roçar na minha coxa. A casa parecia começar a despertar e sorri involuntariamente ao sentir o cheiro de café passado. Meus amigos e eu temos o mesmo pensamento, apenas um café forte e novo poderia ser capaz de curar uma ressaca.
A primeira visão que eu tive ao pisar no último degrau da escada era de uma sala completamente bagunçada. Não lembrava muita coisa da noite anterior, mas o pouco que lembrava, eu sabia que não tinha deixado aquele cômodo daquele jeito.
— Bom dia para quem teve a brilhante ideia de dormir em um quarto, enquanto os outros acabaram dormindo no chão da sua sala.
%London% estava jogada em uma poltrona, com uma caneca em mãos, enquanto %Trevor% estava concentrado em seu notebook.
— Não começa, %London%. — Caminhei até a cozinha, enchi uma caneca com o suficiente de café e volto para a sala.
— Minha cabeça está explodindo. O que bebemos ontem? — Ela me perguntou assim que voltei para a sala.
— Muitas coisas? Mas no final tenho quase certeza de que viramos muitos shots de Jager. — %London% cobre o rosto horrorizado, o que me faz rir.
— Nunca mais irei beber Jager. — Ela tirou os óculos que usava para me encarar e arregalei meus olhos.
— Meu Deus, o que aconteceu? — Tentei prender uma risada, mas foi em vão.
— Porra, eu caí no chão ontem depois que você e %Connor% subiram. — Parecia difícil acreditar em suas palavras, mas ao ver sua expressão me senti tão horrorizada quanto ela.
— Puta que pariu! Você tem um olho roxo. — Provoquei.
— Isso não é a única coisa roxa no meu corpo. — Ela levantou um pouco a blusa, apenas para eu ter um vislumbre dos chupões que %Trevor% fez questão de deixar.
— Pelo visto sua noite foi regada de putaria. — Tomei um gole do meu café. — Esqueceu os modos em casa, %Trevor%? Resolveu ser um animal selvagem? — O provoquei.
%Trevor% nem se deu ao trabalho de tirar seus olhos da tela do computador, mas um sorriso surgiu em seus lábios enquanto ele me mostrava o dedo do meio.
— Minha garota ama meu lado selvagem, %Emma%. Talvez eu deva dar algumas dicas para o %Connor%. — Ele rebateu.
%London% soltou uma risada, colocando os óculos novamente, sem demonstrar um pingo de vergonha.
— Amiga, se você tivesse %Trevor% pelado na sua frente, você jamais iria negar um entretenimento de qualidade. — Ela piscou para mim e fiz sons de ânsia de vômito, me sentindo apavorada com a imagem que veio em minha mente.
— Cala a boca. Que visão dos infernos. — Tive uma crise de risos, enquanto tentava apagar as imagens do corpo nu de %Trevor% da minha mente.
— E você, Em? A noite foi boa? — Eu sabia que ela analisaria a roupa, ou melhor dizendo, a blusa que estava usando e tiraria suas próprias conclusões.
— Dormimos, nada demais. — Respondi.
— Corta essa, eu ouvi seu grito aqui debaixo. — Porra, achei que tinha sido silenciosa.
— Quero dizer, quando subimos, eu realmente dormi. — Me aconcheguei mais um pouco no sofá.
— E depois os dois tiveram uma boa dose de sexo selvagem. — %Trevor% me encarou pela primeira vez pela manhã. — Eles falam da gente, mas se esquecem que os dois fodem como coelhos, %London%.
Eu iria dar uma boa resposta para %Trevor%, mas naquele momento, %Connor% resolveu dar o ar da sua graça.
— Pelo pouco que ouvi, cheguei à conclusão de que vocês dois têm inveja do quanto %Emma% e eu fodemos por aí.
Ele estava vestindo apenas uma calça jeans, seu cabelo ainda úmido por causa do banho. Cara, ele parecia o Adônis, e sabia muito bem disso quando parou ao meu lado.
— O café está forte? — Sinto o hálito quente batendo em meu ouvido.
— Do jeito que precisamos para aguentar o resto do dia. — Inclinei meu corpo para o lado, para que %Connor% me olhasse.
— Pelo visto, %Connor% finalmente resolveu as pendências que tinha com a %Emma% e está marcando muito bem o território. — %Trevor% provocou %Connor%.
— Por que você não cuida do seu relacionamento, ou melhor, das marcas que você deixa na sua namorada? — %Connor% rebateu, apontando para %London% enquanto se sentava ao meu lado no sofá.
%London% parecia se divertir com a situação, porque ela coloca o óculos na ponta do nariz e dá um olhar de superioridade ao %Connor%.
— Acho que você tem mais coisas com o que se preocupar, e meu pescoço não é a pauta desse assunto. — Ela avisou.
— E o que seria? — Entreguei minha caneca de café para %Connor% beber, enquanto via ele começar uma pequena discussão com %London%.
— Você e %Emma%, claro! Vai ser tão bom quando nossos pais saberem sobre vocês; assim quem sabe eles largam do meu pé sobre o papo de casamento. — Tinha me esquecido completamente que alguns dias atrás %London% estava lamentando sobre a pressão que as famílias estavam fazendo em torno desse assunto.
— Não projete a infelicidade de vocês nos outros. — %Connor% murmurou por detrás da caneca de café.
— Ah, cala a boca! Me deixe ser feliz. — A caneca na mão de %Connor% não impediu que %London% jogasse uma almofada nele.
Não tivemos tempo nem de reagir, pois o som estridente da campainha tomou conta do lugar. %London% suspirou e me deu um olhar de quem estava esperando por isso.
— Se for um comissário do inferno, vou avisar que eu ainda não tomei banho para partir. — Ela solta uma piadinha, mas é a única disposta a atender a porta.
Nem me dei ao trabalho de me afastar de %Connor%, e ele não demonstrava interesse em soltar; pelo contrário, ele aperta um pouco mais a minha cintura. Só não esperava que Chloe fosse passar por aquela porta que nem um furacão e ao mesmo tempo que eu queria que ela visse %Connor% e eu juntos, tinha minhas ressalvas.
— Por que ninguém atendeu minhas ligações ontem? — Ela coloca a mão na cintura nos encarando, como se estivesse coberta de razão.
Mas ao bater os olhos onde eu estava e, melhor, com quem eu estava, ela se calou imediatamente.
— O que você estava falando, Chloe? — %Trevor% baixou a tela do computador e olhou para ela. — Não estava prestando atenção.
— Puta que pariu! O que é isso? — Parece que ela resolveu ignorar a pergunta de %Trevor%, encarando %Connor% e eu como se fôssemos as pessoas mais erradas da face da terra. — Por que você está usando uma roupa dele? — Ela apontou para %Connor%.
— A pergunta certa seria por que não. — Sinto seu peito balançar nas minhas costas.
O desgraçado estava rindo.
— Que tipo de piada é essa? Primeiro vocês não me chamam para a festa e agora eu tenho que ver isso? — Chloe joga as mãos para cima.
— Não tem piada nenhuma rolando, aconteceu. — Me levanto do sofá, parando um pouco à frente dela. — O que eu posso fazer se as nossas famílias querem isso?
— Nossas famílias? Você quer dizer a
sua família. — Seu rosto era um pimentão, tornando as coisas ainda mais engraçadas.
%Connor% tinha razão em rir.
— Chloe… A noite passada foi muito louca. Quando eu vi, %Emma% já estava na minha cama. — Revirei meus olhos. Ele estava tentando acalmar os ânimos.
— Você, de todas as pessoas… Como caiu no conto da cobra? — Me senti levemente incomodada com a alusão que Choe faz.
Eu estava prestes a dar uma boa resposta para ela, mas %Connor% se levantou, ficando na minha frente, fazendo questão de deixar uma mão na minha cintura.
— Cuidado com as suas palavras, Chloe. — Ele faz uma pausa. — Você está na minha casa e, principalmente, falando mal de uma pessoa que significa boa parte da minha vida.
Chloe deu um passo para trás, a cor deixando seu rosto conforme ela ia entendendo o peso das palavras de %Connor%. Acho que ela esperava que ele fosse concordar com ela, que fosse tratar a nossa
ficada como algo que tinha acontecido e fugido do controle, não o contrário.
— Significa
o quê? — Vejo o momento que ela quebra.
— Que eu sou a
vida dele. — Falo aquilo de propósito.
— Não estou falando com você, vadia! — Ela grita, e é nesse momento que estou prestes a perder toda a paciência e classe que eu tinha, mas %Connor% segura minha mão, impedindo que eu pudesse bater nela.
— Chloe, você está perdendo a razão…
— Perdendo a razão? %Connor%, acorda pra vida, ela é uma Beaumont. Eles só querem o seu dinheiro.
— Como se a sua família fosse diferente. — Sussurro para que apenas %Connor% pudesse escutar.
— Olha, o que nós temos não é da sua conta. — Ele se adianta, antes que ela pudesse assimilar o que eu tinha dito. — %Emma% é minha prioridade, sempre foi. E eu nunca dei falsas esperanças para você, certo?
— Eu pensei… Pensei que com o tempo você iria me considerar parte da sua vida. — Chloe estava prestes a chorar e esse teatro estava indo longe demais.
— Isso jamais passou pela minha cabeça, e eu sempre deixei muito claro para você e pra sua família. — Escondo meu rosto nas costas de %Connor% para abafar uma risada. Ele estava partindo o coração dela.
— O que nós temos não é da sua conta, Chloe — %Connor% a interrompeu, a voz baixando um tom, o sinal de que a paciência dele tinha evaporado. — O que você precisa entender é que, nesta casa, a %Emma% é a prioridade. Se você não consegue respeitar isso, a porta continua exatamente no mesmo lugar.
— Você vai se arrepender disso, %Connor%! — Ela ameaçou, enquanto girava nos calcanhares e saía em disparada.
O som dos saltos ecoa furiosamente contra o piso, seguido por um estrondo da porta sendo batida com força. O silêncio que se seguiu foi quase cômico, se não tivesse sido quebrado pelo som do computador de %Trevor% sendo usado novamente.
— Nota sete. — %Trevor% pisca para mim. — A briga foi interessante, mas faltou puxões de cabelo ou ela quebrar alguma coisa.
— %Connor% me impediu. — Resmunguei, me afastando. — E vocês dois ficaram quietinhos. — Balancei minha cabeça.
— O que você queria que eu fizesse? — %London% parecia ofendida. — Eu queria era ter um pote de pipoca. Parecia que eu estava assistindo um filme onde a mulher pegou o marido e a amante juntos.
— Ah! Claro! Isso combinaria perfeitamente, já que você seria a vizinha fofoqueira. — Respondo ironicamente e mostro o dedo do meio para ela.
—
Touché! — %London% riu. — Pelo menos eu seria a vizinha fofoqueira com o figurino impecável.
— Ou não, né? Se olharmos para como você está agora… — Arqueei a sobrancelha.
— Pensando bem… Você está certa, Sparky. — %Connor% começa a rir e sei que coisa boa não sairia. — Um figurino que inclui olho roxo e marcas no pescoço deixa claro que nossa fofoqueira não tem controle na própria vida.
— Ou ela apenas gosta de coisas selvagens. — %London% dá uma piscadela para %Connor%, arrancando uma risada sincera de mim.
— Idiota. — Ele resmunga e olha para mim. — Satisfeita agora, Sparky?
— Sim. — Sorri para ele, esquecendo completamente nossa discussão da noite anterior. Eu sabia que, no fim, ele sempre fazia o que eu queria.
— Ótimo! É sempre um prazer fazer suas vontades, princesa. — O ignoro e praticamente corro para a cozinha. Eu queria mais um pouco de café.
Quando voltei para a sala, %London% estava sentada no colo de %Trevor%, olhando para algo que ele estava mostrando em seu notebook, e %Connor% jogado no sofá.
— Quem quer ir pra praia? — Pergunto, chamando a atenção de todos.
— A praia parece perfeita pra mim. — %London% sai do colo de %Trevor%, concordando quase que imediatamente com a minha ideia.
%Trevor% finalmente parecia ter terminado o seu trabalho, porque fechou o notebook com um estalo e se espreguiçou.
— Se isso significa que não vou ter que ficar ouvindo vocês duas berrar pelo resto do dia, eu topo. — Ele se levantou. — Vou pegar as pranchas, %Connor%.
Revirei meus olhos e dei um tapa nas costas de %Trevor% assim que ele passou por mim.
— Enquanto vocês surfam, %Emma% e eu iremos beber. — %London% vai até o bar de %Connor% e pega uma bebida e dois copos. — Vamos nos arrumar, gata, esse bebezinho nos espera. — Ela segurava uma garrafa de
Whispering Angel, enquanto ia para o quarto que ela e %Trevor% tinham tomado como seu, assim que %Connor% comprou a casa.
Por falar em %Connor%, ele se aproxima de mim assim que minha amiga se afasta.
— Espero que você use aquele biquíni vermelho… — Sinto seus lábios roçando no meu ouvido.
— Sabemos que não tem nenhum jeito de eu sair dessa casa se eu vestir esse biquíni. — Me viro para ele, passando meus braços pela sua cintura. — Pensei que iriamos aproveitar com nossos amigos.
— Minha prioridade sempre vai ser ver você nua na minha cama. — Ele beija meu cabelo. — Mas você tem razão, vamos ficar com os nossos amigos hoje.
— Que bom que temos um acordo,
Ace. — Dei um tapinha no seu peito, me soltando dele.
Minha intenção era ir até o quarto, trocar de roupa e aproveitar o dia de sol, mas ao chegar lá, peguei o celular e senti meu estômago dar um nó. Eu tinha muitas mensagens da minha mãe. Uma mais chocante que a outra.
“Onde você está, %Emma% Beaumont?”
“Espere até você chegar em casa!”
“Juro que se você fizer qualquer coisa que manche a reputação da nossa família, irei deserdar você!”
“Querida, acabei de receber a notícia de que você e %Connor% passaram a noite juntos. Peça para ele vir jantar em casa.”
“Não use camisinha, um filho de vocês irá valer milhões!”
“Esqueça o que eu disse, vocês têm que se casar primeiro, depois você faz a sua parte em dar um filho para ele.”
Joguei meu celular na cama bagunçada como se ele estivesse pegando fogo.
Não sei porque eu ainda me surpreendia com as atitudes da minha mãe, mas ler isso com meus próprios olhos era chocante. Ela não tinha pudor algum quando o assunto era a empresa da nossa família. E isso era bem escancarado, afinal, minha mãe tinha acabado de falar para eu não usar camisinha. Quando isso seria abordado em uma família normal?
Céus, eu precisava me livrar dela logo. No entanto, tudo o que eu sentia era o peso das palavras que li, quase como se fossem sufocantes demais para mim.
Vou até o espelho no closet de %Connor% e me encaro, tentando recuperar minha postura. Eu vivia com a minha mãe, sabia como ela agia; não poderia deixar isso me abalar como aconteceu anos atrás. Eu não era mais uma garotinha fraca e indefesa; pelo contrário, me tornei uma mulher poderosa.
Só precisava mostrar isso para ela de uma vez.
CONTINUA...
N/A: Hello! Hello!
A única coisa que tenho pra falar pra vocês é se preparem, temos uma bomba chegando.
Até a próxima att.