A Longa Vida de Matusalém – Temporada 2


Escrita porShakhbah
Revisada por Lelen


Capítulo 8 • Últimas Semanas — A Infância de Naamah

  %Enoque%, pai de %Matusalém%, andara com Deus por mais cinco anos. Naamah agora tinha nove anos, no ano seis da vida de Lameque, seu sobrinho. O sol se iluminava e com ele se iluminava as festas do outro lado da montanha. Sons de música, pessoas se divertindo. Naamah via tudo aquilo com fascinação, ela queria sair da montanha e se divertir, mas seu pai %Enoque% não deixava:
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  — Por que não, pai? — perguntou Naamah.
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  — Porque você tem uma missão na terra, os outros estão perdidos.
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  — Eu entendo, mas por que não posso me divertir? — perguntou.
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  Os eventos que se desenrolaram até aqui foram marcantes. Cada pessoa tinha uma história. Uma jornada. Desde o pai de %Matusalém%, %Enoque%, até o próprio %Matusalém%, muito tempo se passou. Até aqui conhecemos a história da parentela de %Matusalém% e sua juventude, mas agora vamos mergulhar nas planícies dele, até porque ainda há muito a se explorar. E sucedeu que após gerar %Matusalém%, %Enoque% andou com Deus trezentos anos e foi arrebatado aos céus. E todos os seus dias foram trezentos e sessenta e cinco anos e morreu. E seu filho %Matusalém% herdou a benção da primogenitura. E %Matusalém% governou como um profeta com justiça, mas todas as suas palavras não foram o suficiente para fazer o povo se arrepender de seus pecados, pois a maldade, os furtos, só assolaram tudo. E esta é a história de A Longa Vida de Matusalem. Ele viveu mais de 170 anos e gerou Lameque. E Lameque cresceu e se tornou um adolescente carismático e divertido. Naamah o mimava, pois era seu irmão favorito.
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  ERA DE NAAMAH,

  — Por que não posso ir para a cidade? — perguntou Naamah ao sobrinho Lameque. — Me deixa ir junto vai. Por favor irmãozinho! — pediu Naamah.
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  — Tudo bem, mas o pai não pode saber — concordou Lameque.
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  E como a maldade era sempre muito atraente, até mesmo as filhas de Deus se corromperam...
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  JUVENTUDE DE NAAMAH

  — Vamos, Naamah — disse Rasual. — É só uma festa. Não custa nada.
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  — Você bem sabe o que acontece nestas festas, Rasual. Meu pai nem meu irmão aceitariam.
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  — Por isso mesmo, vamos aproveitar! — disse Rasual.
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  Naamah assentiu.
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  Naamah e Rasual chegaram na festa. As pessoas todas pareciam estar se divertindo. Todos estavam rindo, festejando, ouvindo músicas e se divertindo. Um jovem de cabelos negros, pele branca e vestes marrom estava pintando a feição de algumas meninas. As mulheres da cidade pareciam apreciar a pintura.
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  — Vamos nos pintar também — disse Rasual animada.
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  — Tudo bem — concordou Naamah.
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  As duas foram até o jovem que observava Naamah com interesse. Ele sorriu para ela, que sorriu timidamente. Ele começou a passar a espécie de pincel na cara dela. Os momentos continuaram.
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  — És bonita — disse o jovem para Naamah.
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  Ele continuou a pintá-la.
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  — Me chamo Hernan, e você? — perguntou.
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  — Naamah — respondeu ela.
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O que será que me dá
Que me bole por dentro, será que me dá
Que brota à flor da pele, será que me dá
E que me sobe às faces e me faz corar
E que me salta aos olhos a me atraiçoar
E que me aperta o peito e me faz confessar
O que não tem mais jeito de dissimular
E que nem é direito ninguém recusar
E que me faz mendigo, me faz suplicar
O que não tem medida, nem nunca terá
O que não tem remédio, nem nunca terá
O que não tem receita

  — Volte mais vezes, Naamah — disse o jovem com um sorriso enigmático nos lábios.
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  Quando Naamah chegou em sua casa na montanha, %Matusalém% pareceu chocado ao ver a irmã produzida. Ele pareceu horrorizado por ela participar da decadência do povo.
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  — Meu irmão... — começou ela.
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  — NAAMAH! — gritou %Matusalém%. — É assim que tu ages com tua família! Se deixa levar pelas festas da cidade.
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  — Eu...
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  — Vá orar e refletir! Papai estaria envergonhado.
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  Naamah assentiu.
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  Mas as coisas não seriam fáceis para Naamah. A jovem descobriria que servir a Deus era muito mais complicado do que ir às festas. Nas festas, era ela. Ali não. Ali ela tinha que ser santa, mesmo não sendo. E isso a incomodou profundamente. Já sua sobrinha e amiga Rasual parecia se divertir nas festas por demasiado.
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  — O pai foi arrebatado aos céus! — disse Naamah para si mesma. — Eu não posso ser eu mesma. O que me resta!
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  E foi naquele momento que Deus viu as inseguranças de Naamah. Ela estava em conflito. E naqueles dias, alguns anos depois, Lameque tomou uma mulher para si dentre as filhas de seu avô, %Enoque%, e a escolhida foi Ashmua Betenos. E ele a trouxe para sua casa e a tomou por mulher, e ela concebeu.
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  PARTE ASHMUA

  — Deus?! — perguntou Ashmua chocada. — É isto que vejo. Deus falando comigo.
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  — Deus te diz que este filho que terás será importante. Será chamado Noé, pois Deus viu a aflição de tua cunhada-tia e esse bebê será o descanso.
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  — Assim seja, meu senhor — disse Ashmua.
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  Destinos começavam a ser escritos...
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Capítulo 8
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