Woooow, Eu Te Conheço?
Escrito por Sabrina Pires | Revisado por Natashia Kitamura
- , anda a gente já está atrasada! - gritava da cozinha. Sem pressa alguma, continuava me arrumando enquanto ouvia a doce e melodiosa voz do meu amor platônico, Alexander Turner. Esse era meu ritmo matinal: não importa o quanto me apressem, eu apenas saio do meu quarto quando estou satisfeita de ouvi-lo. "Ok, mentira. Se não eu nunca sairia daqui", eu ri. Se dependesse de mim, passaria o dia todo ouvindo a discografia do Arctic Monkeys.
- Já vou! - gritei do meu quarto, mas sem me importar com quanto tempo ainda demoraria a sair dali.
Podia ouvir os passos na escada. já vinha bater na porta do meu quarto. Eu a abri exatamente na hora em que a garota ia bater e comecei a rir de sua cara, como se não soubesse que ela faria isso.
- Po, se depender de você, a gente chega lá no show só amanhã! Nem parece que você é louca por esses guys.
- Você está muito enganada; nós estamos exatamente dentro do meu horário programado. É que sabe que eu não saio de casa sem antes ouvir o cd deles. - sorri, piscando meus olhos.
- Eu bem sei disso. - ela revirou os olhos. - Agora vamos logo, antes que eu desista de ir nesse show e lhe deixe em casa.
- Você não faria isso? Faria? - fiz bico.
- Anda logo sua poia, antes que eu realmente desista de ir nesse show! - disse revirando os olhos novamente e voltando para a cozinha, onde o café da manhã estava na mesa.
Terminei de me maquiar e fui tomar o café da manhã. A ansiedade começa a bater. Eu nem acredito que vou ir ao show da minha banda favorita! Vou poder ver meus amores e, principalmente, poderei babar loucamente pelo meu . Awn, como eu amo esse guy.
Finalmente tudo já estava pronto; documentos, ingressos, capa de chuva (caso chova; sou uma pessoa precavida); algumas guloseimas para comer durante o tempo que passaremos na fila. Mas eu sei... Sei que valerá a pena. Acho que esse é o momento mais feliz da minha vida.
- Sabe de uma coisa, ? - Eu digo olhando-a. Um sorriso brincava em meus lábios, estava que não cabia dentro de mim. Não conseguia encontrar palavras que descrevessem tudo o que se passava na minha cabeça no momento; todas as emoções que eu estou sentido... é realmente inexplicável.
- O quê, ? Diga-me tudo, esconda-me nada! - Ela disse, rindo.
- Eu nem sei o que falar... sabe quanto tempo eu esperei para que eles viessem fazer um show aqui no Brasil? Quantas noites passei em claro sonhando com esse dia? Pensando no que eu falaria para o quando o visse? Tantas coisas que planejei dizer e que eu não sei se conseguirei dizer caso o veja! - Falei. Senti meus olhos cheios de lágrimas de tanta emoção. - Eu vou surtar muito nesse show, certeza disso! - Eu sorria intensamente.
ria dos meus sonhos que tive com meus "boys", enquanto contava para ela. Tantas coisas que nem me lembrava mais... Mas que ainda estão guardadas na minha memória e sei que pra sempre ficarão; são histórias que contarei para meus netos.
Depois de algumas horas, já estávamos no local do show. Como seria apenas daqui a duas noites, havia algumas poucas pessoas, mas nenhuma das meninas que eu conhecia do fã clube "Arctic Maniacs".
Corri para a fila deixando a para trás. Logo me enturmei com as meninas: já estávamos compartilhando histórias, trocando MSN, rindo e nos divertindo. Brigamos por causa dos nossos favoritos. Eu, lógico, estava morrendo de ciúmes do meu .
- Ok, ok! Vamos parar de falar do meu futuro marido, please! - eu disse e caí na gargalhada. Logo a já estava enturmada com as meninas e ria conosco, apesar de não ser fã da banda e não ser loucamente apaixonada por eles como nós somos.
- Ah, tais brincando? - Uma menina de cabelos ruivos na altura dos ombros e de olhos verdes disse. - Não sabias que o é meu marido? Nós casamos faz umas três semanas, mas sabe como é né... ele não quis que fosse divulgado, porque a mídia adora ganhar dinheiro falando da vida dos outros. E outra: gostam de inventar mentiras, dizendo que já há brigas, etc. - ela ria loucamente.
- Só em sonho! Ele ME pediu em noivado! - Eu disse, fingindo estar mordida. Tá, eu confesso, eu estava mordida. Ri. - Vamos nos casar ainda este mês. Mas sabe como é... estamos guardando segredo. - pisquei para a mesma.
As outras garotas começaram a "brigar" por causa de seus garotos, cada uma contando uma história de como havia se casado ou estava noiva deles. Confesso que apesar de todo o ciúme que eu sinto do meu , estava me divertindo.
As primeiras estrelas já surgiam no céu, indicando que a primeira noite na fila para o show havia chegado.
Todas já haviam montado suas barracas, mas continuamos sentadas em uma roda ainda falando dos "Arctics". Contamos sonhos, histórias que já inventamos sobre eles. Tudo o que vocês podem imaginar, foi falado nessas conversas. Das histórias mais dramáticas até as mais picantes.
Uma das garotas contou que, uma vez, sonhou que estava deitada na cama do Matt Helders, somente com uma camisola vermelha feita de um tecido fino e transparente que mostrava todas as suas curvas e podia ver sua pele, com uma calcinha fio dental vermelha também. Ele chegou em casa depois de um show e deu de cara com ela deitada. Assustou-se e saiu correndo. Mas depois, quando se deu conta de quem ela era, - confesso que essa menina se achou a Nina Dobrev. - ele voltou, deitou-se na cama dela, alisando-a. O resto do sonho fica muito pesado para ser contado, e confesso que tenho até vergonha. Como essa menina é pervertida.
Todas nós rimos do que ela contou e continuamos conversando por tanto tempo que nem nos demos conta e quando percebemos, o céu já estava se tornando um azul límpido. O Sol começava a nascer no horizonte. Foi uma cena tão incrível ver o sol nascer, que tive que pegar minha câmera para registrar esse momento.
No lado leste, onde o sol nasce, havia montanhas. Os primeiros raios surgiam timidamente, deixando o céu em tons de amarelo e laranja. Tão lindo que nenhuma das meninas conseguiu falar nada, apenas ficamos imaginando como seria estar sentada em uma paria, vendo o sol nascer, com os nossos garotos.
Foi incrível; estávamos eu e o deitados em uma manta que estava esticada sob a área, abraçados e trocando carinhos. Tinha um sorriso bobo brincando em meus lábios, eu podia sentir, essa era uma noite especial... nunca havia passado por nada parecido. Parecia um sonho: os raios de sol, aos poucos, iam surgindo no céu, colorindo-o tons de laranja que antes era negro.
Ainda podia sentir a respiração quente de em meu pescoço; seus braços estavam em torno da minha cintura e seus dedos, entrelaçados aos meus. Virei-me lentamente para não acordá-lo, assim poderia observá-lo dormindo. Eu poderia ficar assim com ele até o fim da minha vida. Mas como dizem: sonho de pobre dura pouco e então logo acordei com o meu celular despertando; já era manhã. E eu estava sozinha em minha barraca.
Por um momento fiquei decepcionada... ele realmente poderia estar aqui. Levantei-me e fui dar uma caminhada. As meninas ainda estavam dormindo, então não havia problema algum de dar uma volta.
Caminhei até uma padaria ali perto e comprei alguns pães e doces para comermos por lá. Seria um dia longo, mas seria "o dia". Essa noite, realizaria um dos meus sonhos: poder ver meus garotos. E bastava apenas isso para me animar. Nada mais.
Retornava para a fila ouvindo música, totalmente distraída e mal observava por onde caminhava. Quando ergui meus olhos, já não havia mais tempo de desviar. Esbarrei em um rapaz. Ele vestia um moletom branco, boné de mesma cor, uma calça jeans e usava óculos escuros.
No segundo seguinte estávamos no chão, com ele por cima de mim. Meus pães tinham voado e estavam todos pelo chão.
- Mas que merda, você não olha por onde anda não? - eu falei irritada, empurrando o rapaz para que saísse de cima de mim.
- Me desculpe, eu estava distraído. - ele disse, seu sotaque era-me familiar. P-E-R-A-Í. Não. Não pode ser verdade!
Minha mente já funcionava rapidamente, mas não consegui me segurar. A raiva tomava conta de mim.
- Você não olha onde anda? Agora vou tomar café com o quê? - estava furiosa; minha raiva era maior do que a curiosidade de ter certeza de quem era esse rapaz!
- Desculpe. Faço questão que tome café comigo! - ele disse, estendendo a mão para que eu a segurasse e levantasse.
- Não, eu não quero. - respondi rispidamente.
- Eu faço questão, venha, por favor. - Finalmente levante-me e olhei para a pessoa que me convidava para tomar café. Já se encontrava sem o boné e os óculos escuros. - Não aceitarei um não novamente como resposta, eu derrubei todo o seu café da manhã. - ele sorria encantadoramente.
- E-eu t-te conheço. - fiquei sem reação. Não podia ser, não mesmo. - Você é... , do Arctic Monkeys. - minhas pernas ficaram bambas. Sempre pensei em como o conheceria, o que falaria para ele, e sinceramente... nunca havia passado por nada parecido com isso que aconteceu.
- Sim, sou eu. - ele riu como se isso fosse natural de se acontecer. - E posso saber o nome da garota que eu acabei de atropelar?
- . - eu respondi ainda atordoada. - Ain, me desculpa por ter te xingado. - Senti minhas bochechas esquentarem; sabia que nesse momento elas estavam vermelhas.
Eu realmente estava morrendo de vergonha. Como é que eu fui tão burra e falei mal educadamente o meu amor platônico?
- Que isso, . Não peça desculpas, eu que fui inconveniente e esbarrei em você porque estava distraído. Deveria ser mais cuidadoso. - Ele sorriu - E por sinal, é um nome muito bonito.
- Obrigada. E sim... eu aceito tomar café com você. - Eu disse - Afinal, eu xinguei você e não deveria ter feito isso.
Começamos a andar lado a lado, com um silêncio meio constrangedor pairando entre nós.
- Er... hm... quanto tempo você conhece nossa banda? - o garoto do meu lado disse, tentando puxar qualquer assunto. Fiquei grata por ele ter feito uma pergunta fácil de ser respondida.
Contei-lhe toda a minha história de como havia conhecido a banda e de toda a minha paixão por eles. Ficamos por muito, muito tempo conversando sobre várias coisas. Sei lá quanto tempo ficamos ali sentados jogando conversa fora.
Já estava quase perto do meio dia quando retornei para a fila. já estava louca da vida comigo, pois eu tinha sumido logo cedo e não deixei nenhum recado de onde havia ido.
Contei para as meninas sobre como havia conhecido o , mas é claro de que ninguém acreditou no que eu falei. Mas eu sei que provarei à elas que minhas palavras são verdadeiras!
Exatamente às 19h30min, os portões foram liberados para que pudéssemos entrar.
Apesar da fila, foi uma correria pra ver quem ficaria na grade mais perto dos guys. Eu, como sempre, fui rápida e consegui ser uma das primeiras a chegar na grade e garantir o meu lugar e o da . A ansiedade começou a tomar conta de mim. Minhas mãos estavam suando, meu estômago levemente revirado. É uma emoção inexplicável estar aqui para poder vê-los, principalmente em saber que eu pude ter a oportunidade de conhecer "my love".
Assim que o show começou, comecei a cantar todas as músicas e não parei um segundo.
- , esse show está maravilhoso. - Eu disse olhando para o meu que, nesse momento, deu ma piscadinha com o olho direito para mim.
- Aham, . Pena que essa é a última música. - falou fazendo bico. Apesar de não ser fã deles, pude ver em seus olhos que ela adorou ter me feito companhia neste show.
Continuamos ali, curtindo o restinho do show, quando de repente, ela grita:
- , O ESTÁ CHAMANDO VOCÊ NO PALCO!
- , você está viajando! - eu falei. Não havia me dado conta de que a música tinha terminado e que o estava falando.
- Não estou não, , eu estou falando sério. - Ela disse fitando-me, com uma das sobrancelhas erguidas.
- Eu não acredito, é verdade! Acho que tenho que ir lá, né?! - Respondi e meus olhos se encheram de lágrimas. Como pode isso estar acontecendo, ele me chamando para o palco?
- Ui, nojeeeenta. - Ela mostrou a língua para mim.
- Invejosa! - Eu gritei e caminhei para próximo do palco.
- Parem vocês duas. , deixa ela ir e deixa de inveja. - uma das meninas do nosso "fã clube" falou.
- Quem disse que eu estou com inveja!? - Disse a , já brava.
Enquanto eu me dirigia ao palco, dei de cara com o me esperando no meio do caminho. Nem tinha reparado que enquanto eu discutia com a , ele havia saído do palco.
- , me desculpa mais uma vez, por favor, pelo modo como nos conhecemos. Essa música é dedicada a você.
"Well oh they might wear classic Reeboks
Or knackered Converse, or tracky bottoms tucked in socks
But all of that's what the point is not
The point's that there ain't no romance around there"
Ele cantava só para mim. Não aguentei e comecei a chorar de tanta emoção. se aproximou de mim e enxugou uma das lágrimas que estavam escorrendo.
- Venha comigo, tenho que terminar um show. - Ele disse, segurando minha mão.
Fiquei sem palavras. A única coisa que consegui fazer foi ir com ele para o palco.
Enquanto isso, no camarote, e Jamie, que havia escapado do palco, se entendiam muito bem. Só não me perguntem como ela conseguiu essa façanha.
- Sabe, nós nos conhecemos de um modo meio estranho, mas no fim, acabou que nos divertimos, passamos a manhã toda conversando depois que eu esbarrei nela, e, ainda por cima, acabei caindo por cima dela, derrubando todo o seu café da manhã. - Ele olhou para mim e sorriu - E posso dizer que foram horas em que eu me esqueci totalmente de que sou um cantor famoso e que a maioria das garotas se aproximam de mim com um interesse. Mas dessa vez foi diferente.
- Obrigada. - eu sussurrei.
- Essa música, eu dedico à você . - Ele voltou a cantar.
"And there's the truth that they can't see They'd probably like to throw a punch at me And if you could only see them, then you would agree Agree that there ain't no romance around there" (?)
se aproximou de mim após terminar a canção, e beijou meus lábios, me deixando totalmente tonta, com as pernas bambas.
FIM
Essa fic é especial, ela é dedicada a Victoria Neri, minha amiga secreta. Espero de coração que você goste! E confesso foi um pouquinho difícil conseguir finalizar ela, mas está aí! Beijos, @sabriinapires.

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