Capítulo 1
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WARD • UM ANO ANTES
Localização Confidencial.
Um clic suave do cartão destrancou a porta revestida e quase impenetrável de
titânio.
Edmund fez uma careta coçando com a ponta de seu polegar o pescoço, justamente onde a gola de seu jaleco estava incomodando-o, deixando sua pele sensível, irritada. Era frustrante, mas o material de
poliéster costumava a causa alergia nele desde que era pequeno. Uma falha, dizia seu pai sem com um tom condescendente e austero. Coçar seu pescoço a fim de aliviar os sintomas de sua própria alergia o lembram, tardiamente que suas unhas estão grandes novamente, e ele, sem conseguir conter o impulso, passou a roê-las novamente. Era um habito de sua
infância quando a ansiedade chegava a seu limite e ele precisava extravasá-la de alguma forma, suas mãos estão
trêmulas quando a porta do elevador se abriu a sua frente dando uma visão ampla do corredor pálido e austero que se estendia pelos laboratórios. O cheiro intenso de álcool
etílico, produtos de esterilização e até mesmo o aroma suave de
gazes percorre o ambiente de maneira quase familiar se não fosse pelo ardor constante em seu nariz.
Edmund fez uma careta, esfregando instintivamente sua mão em seu rosto, tentando aliviar a pressão de sua alergia enquanto projetava-se para fora do elevador, quase tropeçando em seus pés enquanto unia as sobrancelhas, tenso. Edmund endireitou o colarinho de seu jaleco, tencionando a mandíbula com força enquanto uniu as sobrancelhas, inspirando fundo, mesmo que o ar estivesse queimando suas narinas.
– Doutor Ward? Doutor Ward! – A voz impaciente de Doutora Vidal ecoa pelos ouvidos de Edmund que se obrigou a piscar diversas vezes para se concentrar no momento em mãos e não nos estímulos externos que estavam o desorientando.
Scarlet Vidal era uma mulher alta, mas com os saltos altos finos ficava
ainda mais alta e estranhamente mais parecida com uma modelo do que uma cientista de fato. Usava óculos grandes e pesados, que emolduravam seu rosto em formato de coração, as maçãs do rostos altas e elegantes possuíam uma quantidade considerável de sardas suaves, o que fazia com que o nariz pequeno e delicado avermelhado a fizesse parecer
surpreendentemente mais meiga do que de fato era. Os cabelos loiros e encaracolados estavam presos em um coque alto e perfeitamente ordenado, algumas mechas pendiam por seu rosto, lembrando-o das bonecas de porcelanas russas, embora ela fosse a pessoa
mais americana que ele já havia visto. Verdade seja dita, era difícil esperar algo diferente da herdeira da
Atlas Foudantions, a ideia utópica do
American Way of Life andando elegantemente por entre os corredores dos laboratórios demandando respostas e informações. Edmund tenciona a mandíbula piscando e voltando a si mesmo enquanto assentia em concordância para a loira a sua esquerda, unindo as sobrancelhas.
– O que aconteceu desta vez? – Questionou Ward enquanto retirava a prancheta com as avaliações recentes dos
subjetos da ala noroeste. Os olhos escuros de Edmund percorrem rapidamente as fichas, analisando os
status atuais dos projetos e percebendo com uma ponta de desgosto e impaciência que mais
nove subjetos haviam morrido aquela manhã. Ward tencionou a mandíbula assentindo em um cumprimento silencioso para dois outros colegas quando os dois viravam para a esquerda, descendo as escadarias, caminhando em direção a
Geladeira.
– Houve
remissão nos subjetos 721 e no 316, ainda não confirmado, Doutor Trevino e Peterson estão trabalhando para analisar o que aconteceu, mas provavelmente os corpos estão rejeitando os componentes da
injeção – Vidal informou com um tom firme e distante, quase inexpressivo de tão monótono. Scarlet retirou o crachá de seu pescoço para desbloquear a parta dupla revestida a frente deles, antes que Edmund escutasse o pequeno ruído de descompressão do ambiente. Ele lutou contra o impulso de engolir em seco.
De todos os lugares da
Indústrias Atlas, a
Geladeira era o que
mais o incomodava.
As temperaturas eram reduzidas a baixo níveis para que os subjetos entrassem em estado de dormência
autoimposto pelo sistema acelerado pela
mutação agora presente em seus corpos. Os procedimentos eram caros e não havia
desculpas ou tampouco
tempo a serem perdidos, portanto havia uma necessidade inerente dos protótipos serem mantidos sob uma temperatura amena para
conservá-la e seus estados de
hibernação. Era verdade que os experimentos
ainda estavam em fase de
desenvolvimento, muito
prematuro para que se pudesse ser
desperdiçados os recursos ao
reiniciá-los novamente, do zero, em outros subjetos. Embora ainda estivesse sendo feitos, os protótipos que possuíam um avanço
positivo no experimento eram propositalmente conservados para uma melhor avaliação para o relatório dos avanços feitos para a empresa.
A mutação era um assunto complexo,
ainda em processo de descoberta. Não haviam muitos detalhes sobre, apenas uma potencial
predisposição para que ela se
despertasse. Uma
EQM, uma
Experiência de Quase Morte. A predisposição causada pela compreensão do cérebro dos
traumas ocorridos apresentavam um maior fluxo de
adrenalina e os tornava sensíveis, e
era aí que eles deveriam agir. Era necessário rapidez para manter o estado de adrenalina em constante alta para que as
injeções fossem devidamente absorvidas. O problema disto, era justamente
o cérebro.
– Algum dano cerebral? – Ward questionou, entregando a prancheta de volta para Doutora Vidal e então virando-se para a direita, arregaçando por um breve momento as mangas de seus jalecos, apertando os lábios enquanto seus olhos registravam as numerações dos subjetos e os status.
– Apenas no
Córtex Parietal, alguns traumas na
amígdala apresentando
instabilidades e alterações de humor vigentes. O subjeto 252 apresentou
agressividade desde a última intervenção. – Ward uniu as sobrancelhas, por um breve momento encarando a mulher a sua esquerda, observando-a por um longo momento em completo silêncio.
Ward ainda não sabia dizer exatamente o porquê, mas algo dentro de si parecia ter ficado em alerta com as falas de Vidal. Vidal era muitas coisas, mas a ultima que ele deveria fazer era
subestimá-la. Havia algo de
felino em Vidal, algo de perigosamente observador e
criteriosa, uma mente brilhante por trás da postura despreocupada, e até mesmo, submissa, de herdeira de uma companhia do tamanho da
Atlas. A filha do chefe não iria se sujeitar a andar por entre reles mortais se não tivesse uma
agenda pessoal igualmente. Ward poderia ser muitas coisas, poderia questionar-se profundamente de suas ações e a
ética de seus atos, mas ele não era
igualmente estúpido.
– Vou assumir que a senhorita não teve contato nenhum com os subjetos em questão por pelo menos as últimas três horas, correto? Ou está indo contra as diretrizes de funcionamento deste local outra vez? – Ward questionou por fim, estreitando os olhos enquanto a observava atentamente. O barulho contínuo dos freezers em funcionamento ecoava pelo estado como um zumbido irritante, a essa altura transformando-se em algum tipo fundo musical desconfortável, mas imperceptível.
Scarlet lançou um olhar enviesado para Ward, os cantos de seus lábios se curvando suavemente em um sorriso que não chegava a seus olhos.
– Não senhor. Hierarquia é o componente essencial para o melhor funcionamento desta empresa, eu
jamais... – Scarlet como sempre, o respondeu com um tom de voz formal e precisamente ensaiado, como se tivesse aprendido a recitar aquelas palavras de tantas as vezes que o precisou fazer no passado. Ward estreitou os olhos, sequer ouvindo-a antes de bruscamente interrompê-la com um olhar sugestivo para a parte interna da manga do jaleco dela. As manchas de carmesim eram evidentes pelo tecido pálido, apesar de cuidadosamente ocultados para não chamar a atenção de outra pessoa.
– Então esconda melhor o
sangue de suas roupas, da próxima vez – Ward não esperou por uma resposta vinda da loira, apenas voltou a caminhar sério e tenso em direção as celas e câmaras criogênicas da geladeira.
O eco das solas dos sapatos italianos dele ecoam pelo porcelanato branco, impecavelmente lustrados e encerados. O brilho fluorescente das lâmpadas de led rebatendo contra o chão branco, quase transformando-o em uma espécie de espelho. Ward levou sua mão esquerda novamente em direção ao seu pescoço afim de coçá-lo outra vez, prendendo a respiração enquanto as câmaras mais ao fundo revelavam os corpos aprisionados em estado de hibernação.
A luz falhou; por uma fração de segundos, ela piscou, irregular, antes de voltar ao normal, mas Ward não percebeu tal coisa, os olhos dele desviaram-se no meio do caminho para uma câmera pequena e muito especifica em sua construção e estrutura, inclinada à 45º graus, perpendicular, como uma espécie de berço feito de metal, fios e criogenia. A única daquela forma, e dentro desta, o corpo pequeno de uma garotinha de no máximo 14 anos, os cabelos loiros como fios de ouro, a pele pálida doentia e os batimentos fracos irregulares. Maddelyn Stryker.
Ward arrancou sangue de seu pescoço sem perceber.
Ele praguejou baixo, tentando normalizar sua respiração, buscando algo para limpar o sangue de seu pescoço sem contaminar ainda mais suas luvas, agora, inutilizadas e demandando descarte imediato.
O cientista praguejou entre dentes, retirando as luvas contaminadas e então buscando com o olhar por algo na Geladeira que ele pudesse usar para cobrir suas mão e mantê-las longe de contaminar quaisquer dos
subjetos até que o procedimento de verificação fosse feito em todos os subjetos ali. Para seu completo azar, ele não havia achado nada, apenas um pequeno dispositivo com álcool em gel disposto nas paredes, o que, apenas fez com que o interior das unhas de Ward ardessem mais, o sangue em contato com o álcool tornando-se absurdamente desconfortável. A luz se apaga outra vez, e desta, Edmund
percebeu com uma ponta de incômodo.
Havia três geradores naquela instalação, o primeiro sendo o de emergência, o segundo para
contingência e o terceiro para
recalibração: quando o sistema elétrico dos laboratórios falhava, e sofria um desligamento, o gerador de emergência seria imediatamente acionado quando houvesse a primeira queda de energia. A possibilidade de novas quedas eram restringidas para a uma mísera falha no servidor que estava preparado para suportar potenciais instabilidades na rede elétrica, só ocorreriam
falhas posteriores em caso de algum
ataque em potencial – o que não era algo comum, mas igualmente, havia uma razão para que as diretrizes do laboratórios desejassem manter seus avanços sobre segredo de estado; não eram os
únicos buscando pela
evolução daquele projeto. A segunda queda, muito provavelmente viria diretamente do primeiro gerador, desligada
manualmente.
Era neste ponto em que eles entrariam no sistema de
contingência dos laboratórios. Os alarmes ainda não seriam acionados, mas o sistema de segurança seria imediatamente disparados. Os elevadores iriam parar e as saídas, como entradas seriam bloqueadas proibindo quaisquer movimentações, tanto externas, quanto internas. O sistema de segurança era liderado pelo time Delta, ou como alguns funcionários dos laboratórios haviam os apelidados de
Watch Dogs – Cachorros de Segurança, em um termo depreciativo, porque não eram exatamente
melhores do que os animais em questão –, que iria verificar cada um dos cômodos e espaços do laboratório em busca da identificação rápida e remoção
efetiva do problema em questão. O inimigo seria capturado e eliminado com eficiência, como o esperado.
Ward nunca havia os vistos falhar. Mas embora ele tivesse presenciado ataques, é claro, eram ocasiões extremamente raras e lideradas por uma companhia
Chinesa concorrente da
Atlas –
Zhao, era o nome, pelo o que Ward se lembrava –, ninguém nunca havia
saído de dentro daquele laboratório que não devesse sair. Bem, ninguém, é claro... ninguém até...
As lâmpadas oscilaram outra vez, e então tudo ficou escuro. A terceira era a última etapa de segurança dos laboratórios Atlas, e talvez, a mais significativa de todas. Era basicamente um
recomeço autoinduzido. Quando o segundo gerador falhasse, significava que o que quer que estivesse atacando-os ou se infiltrado dentro, estava vindo de
dentro. Um dos
subjetos, para ser mais específico. Algum
subjeto estava tentando escapar. Não era algo comum, após os desenvolvimentos de novas metodologias para se assegurar que os subjetos seriam submissos e facilmente contidos, – um autor russo havia dito uma vez que a prisão mais efetiva era aquela que o prisioneiro sequer percebia em que estava –, não havia mais motins ou tentativas de
fuga, exceto por um
único subjeto...
– Feche a porta! – Ward praticamente gritou, voltando-se na direção de Vidal, com os olhos arregalados e uma expressão tensa, no momento que a iluminação retornou. – SCARLET, A PORTA!
A iluminação desligou mais uma vez, e então os
alarmes soaram. Altos, intensos e
impiedosos, reverberando pelas as paredes consideravelmente grossas e revestidas para o único propósito de
contenção, da
Geladeira, enquanto a iluminação oscilava, ora acesa, ora apagada. Ward soltou um chiado entre dentes, disparando na direção da câmara criogênica de Maddelyn Stryker, as mãos espalmadas contra o metal gélido e espesso da câmara enquanto ele desesperadamente tentava digitar o mais rápido que conseguia na pequena tela de segurança ao lado da câmara criogênica, o código de segurança que iria retirar a câmara criogênica e ocultá-la sob um sistema reforçado de contenção.
– Vidal, a
porta! – Gritou Ward, batendo na pequena tela com o código de segurança, quando demora para ser lido, e então o cientista congelou em seu lugar, franzindo o cenho ao voltar seus olhos na direção da porta.
O código de segurança da câmara criogênica de Maddelyn Stryker é acionado, com um clique suave, e então, a câmara criogênica funcionou, recolhendo-se para dentro das paredes, acidentalmente fazendo com que Ward desabasse bruscamente no chão. O cientista praguejou entre dentes, inspirando fundo com um soluço enquanto disparava, meio engatinhando, meio correndo para trancar a porta.
Ward se levantou praticamente esmurrando o botão de emergência quando a energia oscilou outra vez, desligando-se completamente. Ao longe ele podia ouvir o eco distante dos gritos que percorriam pelos corredores. Gritos desesperados seguidos de golpes violentos.
Ward tremeu, dando alguns passos para trás enquanto a porta soltava um sonoro chiado de descompressão, começando a se mover para trancá-lo dentro da
Geladeira. Uma vez dentro da
Geladeira,
nada de
fora poderia alcançá-lo. Ainda assim, os gritos estavam ficando mais altos, mais dolorosos de escutar, e por um breve momento , antes da porta se fechar completamente, Ward
ainda conseguia ver um de seus colegas cambaleando por entre seus pés, as duas mãos agarradas a própria cabeça enquanto os olhos se reviravam em suas órbitas, o cheiro denso de carne queimada se espalhando pelo ar, atingindo as narinas de Ward como um
soco. Ward arregalou os olhos, tremendo no lugar enquanto os olhos dele capturavam, antes da porta densa de ferro se fechar a sua frente, a visão
aterrorizante de uma queimadura no formato
ramificados, espalhando-se pela pele inteira de seu colega, até este desabar no chão
Ward engoliu em seco, virando-se na direção das celas que se abriam a sua frente dentro da
Geladeira. Não haviam muitas, apenas 13 no total – ainda assim, eram
treze subjetos bem sucedidos, potenciais sucessos preparados para
uso. Todas as celas estavam trancadas, as baixas temperaturas do espaço categoricamente para manter os
internos em estado de
hibernação profunda. O coração de Ward martelou em seu peito, irregularmente, de maneira quase dolorosa, uma onda de adrenalina amortecendo as mãos dele, trêmulas demais para que pudesse sequer segurar algo por muito tempo, sua respiração tornando-se mais e mais rápida, o ruído acelerado e
rápido, formando uma fumaça esbranquiçada acima de seus lábios, esvanecendo-se pelo ar enquanto os olhos disparavam de um lado para o outro. Não, não, a tentativa de
fuga não vinha dali de dentro,
não podia.
Com a pulsação acelerada, Ward avançou na direção das celas, puxando uma das alavancas de metal para baixo e abrindo o painel de controle da cela, digitando rapidamente os códigos de ativação dos
gazes de
contenção, praguejando alto por suas mãos estarem
tão trêmulas que ele mal
conseguia sentir a porcaria de seus dedos, tão mole que ele não sentia o toque. Ward grunhiu alto, pressionando com os nós dos dedos.
Thud. Ward avançou para a cela ao lado, digitando novamente o código de ativação dos gazes de contenção, tossindo alto enquanto tentava cobrir com o braço esquerdo seu rosto, o formigamento em suas mãos aumentando lentamente com o cheiro forte dos gazes escapando por entre as portinholas de comida na parte de baixo da porta.
Thud!
Crack! Ward congelou no lugar por uma breve fração de segundos, unindo suas sobrancelhas, com o eco do ruído. Sua respiração se alterando para um hiperventilar baixo. Os olhos, arregalados, se voltam para o restante do corredor obscurecido pela a queda da energia.
– Senhorita Vidal? – Ward tentou chamar, mas não houve resposta.
Trincando os dentes com ainda mais força, Ward passou a correr para a próxima cela, desta vez, atrapalhando-se com os códigos e errando, uma, duas vezes até conseguir acertar o código.
Thud.
Thud.
Thud.
BOOM!
Ward não teve tempo de sequer registrar direito o que estava acontecendo. Em um momento, o barulho de algo atingindo constantemente uma das portar das celas ao fundo do corredor, e em outro, a porta
explodiu de
dentro para
fora. Pedaços de metal fincam-se violentamente contra as outras e até mesmo a parede, e o
Subjeto 305 estava, então, em cima de Ward.
Os olhos verdes agora completamente obscurecidos de um
preto profundo –
a Cólera, a deterioração do cérebro do subjeto, ou, o
estágio final da injeção –, enquanto lágrimas igualmente escuras escorriam pelo rosto contorcido do Subjeto 305 em uma raiva
animal, deixando manchas pela pele dele como
tinta. A respiração estava acelerada atingindo o rosto de Ward com uma mistura esquisita, impossível de ser definida, mas lembrava vagamente de
carne queimada, ou ao menos
carne queimando, enquanto a mão do subjeto 305 se fechava violentamente ao redor da garganta de Ward, puxando-o para cima, deixando-o suspenso do chão.
Uma onda
elétrica percorreu pelo corpo inteiro de Ward. Ele sentiu o impulso de se encolher, mas não tinha outra alternativa, se não agarrar com toda as suas forças, e seu desespero, o pulso da
criatura a sua frente.
Ao fundo de sua mente, Edmund tentou se lembrar das informações que tinha
daquele subjeto. Não havia sido o
primeiro, mas certamente havia sido um dos subjetos
mais promissores. Estrutura muscular
atlética, cérebro
intacto e perfeitamente
saudável, e excelente
adaptação aos processos, fossem celulares ou até mesmo
físicos. O que mais...? O que mais...?
–
Diga meu nome – o subjeto gritou entre dentes.
– Comando três, vinte e sete, noven... – Ward começou a tentar dizer, esforçando-se desesperadamente para pronunciar a numeração correta do código de desativação do subjeto 305, mas ouvir os números apenas faz com que o subjeto 305 apertasse com
mais força a garganta de Ward. Ward começou a se sufocar, os olhos se escurecendo nos cantos enquanto se debatia, tentando encontrar um
apoio que pudesse decorar seu pé e aliviar a pressão em sua cabeça e pulmões. Ward, todavia, falhou miseravelmente.
–
Diga meu nome! – Demandou o subjeto 305, e Edmund entrou em completo pânico. Soluços desesperados por ar escapavam pelos lábios entreabertos dele, enquanto se debatia com mais intensidade. A eletricidade parece aumentar, e uma onda
latente de
dor percorreu o corpo de Ward, como se estivesse em
chamas. Lágrimas escorreram pelos cantos dos olhos de Edmund que começou a ficar mais e mais desorientado. Então, foi como se tivesse um
botão e o subjeto 305 tivesse o girado bruscamente completamente para o lado oposto, liberando uma sensação
excruciante de
pura dor.
Edmund teria gritado, se ele sequer conseguisse o fazer.
–
Diga meu nome! – O subjeto 305 gritou, mais uma vez.
– Eu não... eu não...
sei... – A voz esganiçada de Edmund é bruscamente cortada com uma onda elétrica de alta voltagem que o
queimou, de
dentro para
fora. O que caiu aos pés do subjeto 305 era nada mais, nada menos do que apenas um
amontoado de
cinzas.
As cinzas grudam nos pés do subjeto 305 quando esteve voltou a andar, deixando para trás um
rastro que desapareceu completamente quando ele finalmente entrou no elevador dos laboratórios Atlas.
E então, há apenas silêncio quando a porta se fechar. E uma música irritante.
Nota da Autora: ideia doada por: Carol Caputo. Usado aqui como inspiração e referência para o desenvolvimento da história; Deadpool (o primeiro filme); Vicious da V. E. Schwab; Six of Crows da Leigh Bardugo, Resident Evil da Capcom e The Boys.