Vamos Comemorar
Escrito por Cáàh | Revisado por Pepper
“Fizemos planos para muitos anos, mas aqui estamos dizendo adeus.”
- Vamos comemorar, Capital Inicial
-
- !
O rapaz ergueu os olhos do seu violão e esperou pelo terremoto.
- Que foi? – Perguntou exasperado ao ver que era apenas um ofegante que irrompia pela porta da cozinha com o celular em mãos.
- O . – começou, colocando a mão no peito.
- Que tem o ? – perguntou não se importando muito e voltando a se concentrar apenas no violão.
- ELE LIGOU. VAMOS TOCAR HOJE À NOITE! – gritou, erguendo o celular como se ele fosse um ser divino que merecia veneração.
- QUÊ? – gritou também, deixando o violão de lado e indo abraçar .
Busted estava no começo. havia saído cedo porque insistia que iam achar algum lugar para tocarem ainda naquele final de semana. E havia conseguido. Iriam tocar...
- Na festa da Hurley? – perguntou indignada, tentada a desligar o celular na cara de .
A amiga havia ligado a poucos minutos e estava se enrolando para falar o porquê de ter ligado.
- É, . Vai ser legal. Vamos, vai! É hoje à noite...
- Eu sei quando é essa maldita festa. – resmungou.
- E vai ter uma banda tocando. Eles são novos e...
- Ruins? – perguntou irônica.
- Cale a boca! Que chata você e eu também não quero ouvir mais nada. Você vai! E eu te pego às dez horas. Beijo, se arrume, se cuide. Não cometa suicídio só pra não ir à festa. Te amo.
encarou o aparelho depois de ouvir o famoso ‘tu, tu, tu’ que fazia quando a ligação era finalizada.
- Se arrume, se cuide, nanananan. Vou me matar mesmo. – resmungou irônica.
Olhou novamente para o celular. Eram onze horas ainda. Rolou os olhos e se levantou, para, segundo depois, cair novamente na cama e ficar se revirando de lá para cá e de cá para lá, esperando a hora que teria que se arrumar.
- Então garota, como estou? – perguntou dando uma voltinha assim que abriu a porta da casa.
- Normal. – rolou os olhos. E murchou.
- Obrigada, você está boni-
- Cala a boca, . Estou indo obrigada nessa droga dessa festa. E não estou bonita, estão normal. Como você. Calça, camisa, blusa caso esfrie, tênis. Normal!
arregalou os olhos. estava mais chata que o normal, que isso.
Dando de ombros, foi ao carro e esperou a garota fechar a casa e a seguir.
- A festa vai ser na casa dela? – perguntou depois de estarem em completo silencio dentro do carro.
- Não falou que sabia onde era a droga da festa? – Afinando a voz e deixando-a estridente imitou a garota. Que, por incrível que pareça, riu.
- Eu sabia que era hoje à noite, só não sei o local. – deu de ombros.
, e desceram do carro juntos. Na parte de trás do pub, que estava lotado. O estacionamento não estava diferente.
- Quem é essa Hurley? – perguntou assombrado.
- Alguma garota popular de algum colégio popular. – deu de ombros e fez sinal com a cabeça, apontando para uma porta, quase invisível na escuridão, na parte de trás do prédio.
- Legal. – comentou em um sussurro. riu e seguiu .
- Nossa. – comentou quando entraram no estacionamento. – Ela chamou todas as pessoas do mundo, foi?
riu e saíram do carro.
- Vamos lá.
- À caça? – perguntou sorrindo.
- Sim, colega, à caça. – confirmou e riram.
- Garotos, vocês vão tocar daqui uns minutos, enquanto isso, aconselho que fiquem em alguma mesa aí perto do palco.
assentiu para o homem, que deveria ser o dono do local, e saiu atrás de e que já procuravam alguma mesa.
- Estão todas ocupadas. – falou rolando os olhos.
- Tanto melhor, significa que vamos ter um bom público. – falou animado.
- Vamos detonar. – falou distribuindo socos nos braços dos amigos.
- Vamos, mas antes disso vamos achar uma mesa. – pediu. Os comentários dos amigos tiveram apenas um efeito: suas pernas tremerem. E se fizessem feio? Estariam mortos.
- Pode ser naquela? – perguntou apontando, discretamente, para uma mesa ali perto. Duas garotas apenas a ocupavam.
- Pode. – e responderam juntos, sorrisos idênticos no rosto.
- Aqueles três patetas não param de olhar para cá. – resmungou semicerrando os olhos.
- Eu não ligaria que eles viessem aqui. Tem dois ali muito lindos. – comentou soltando uma risadinha.
- Vadia. – resmungou, mas riu. – Vadia.
- Já entendi. – reclamou.
- Não, ou. Eu estava formulando uma frase, idiota. Anyway, só ia falar que os babacas estão chegando.
- Quê? – perguntou esganiçada e corou ao ver que os três já estavam na mesa.
- Olá garotas. Podemos ficar aqui por alguns segundos? – O mais alto perguntou.
- Segundos, minutos, horas. – sussurrou olhando para um dos garotos. sorriu sapeca.
- Claro que podem, e ignorem a . – pediu rindo.
- , legal, e você quem é? – perguntou sentando-se ao seu lado.
- . – Ela respondeu boba, encarando aqueles olhos lindos. forçou uma tosse. – Erm, e você? Qual seu nome? – perguntou perdida, atropelando as frases.
- . – Ele respondeu, tentando não rir.
- E eu sou . – O garoto se apresentou, não escondendo a risada, e piscou. – E ele .
, corada, assentiu.
- Eles são idiotas. – explicou, olhando nos olhos de . – Não se importe com eles.
- Ok. – Ela falou sem saber realmente o que falar. – . – Ela se virou, de repente, para amiga. – Isso confirma que ela chamou o mundo todo. – E se virou para os garotos. – Nunca vi vocês no colégio.
- É porque não somos do colégio. – piscou novamente. – Somos... Contratados? – Ele perguntou incerto, olhando para os amigos, que, dando de ombros confirmaram. – É, contratados.
- Para...? – perguntou ainda sem entender.
- Tocar. – respondeu feliz. – Nós temos uma banda.
- Ah, legal. – falou assentindo, tentando ignorar que falara mais cedo que eles deveriam ser ruins. – Qual o nome da banda?
- Busted. – Os três responderam juntos, sorrisos nos lábios e os olhos brilhando.
- Gostei. – As duas falaram ao mesmo tempo, rindo.
Aos poucos , e começaram uma conversa sobre filmes, bandas e seriados. É, tudo junto. E e ficaram excluídos.
- Legal essa amiga que te coloca em escanteio. – falou fingindo empolgação. riu.
- Quando fazem isso, o jeito é acharmos algo para fazer. E eu já achei. – Ele informou. – Me fale sobre você.
- Fala sério! – exclamou rindo.
- Que foi? Foi a única coisa que pensei, desculpa. – pediu, forçando um sorriso.
- Não, tudo bem. Quer dizer... Eu não sei falar sobre mim. – Ela falou por fim, arregalando infantilmente os olhos. – Bom... Meu nome é e você já sabe disso. Eu estou terminando o colégio, graçaDeus e não sei o que fazer ano que vem. – Ela respondeu e sorriu. Falara, falara e, na verdade, não falara nada. riu, como se tivesse pensando na mesma coisa. – E você?
- . Tenho uma banda. E nós dependemos mais da sorte do que de planos. – o olhou com o cenho franzido. – Assim, nós queremos ser reconhecidos, sabe. Com a Busted. Nós estamos fazendo a nossa parte e esperamos conseguir alguma coisa. Não temos planos, realmente, e nem precisamos deles. E você tem planos? – Ele emendou logo, prevendo que o silêncio reinaria.
- Não realmente. Meu único plano e achar emprego ano que vem pra não morrer de fome. – Riram.
- E planos para um futuro não muito... Distante? – perguntou corando levemente.
- Como assim? – perguntou confusa.
- Namoro. – Ele respondeu simplesmente, chegando perigosamente perto.
- , e , corram aqui. – O homem que falara com eles a pouco chamou de cima do palco. – Vocês irão conhecer, agora, a Busted.
Mais corado do que jamais tivera na vida, e pensando que teria chance até o fim da noite, foi puxado da mesa por .
- Droga. – resmungou depois de respirar fundo. Não percebera que não estava respirando.
- O é tão legal. Está tão empolgado com a banda e com a apresentação de agora. – falava sem parar ao seu lado. – Tá tudo bem?
- Sim. O quase me beijou, mas é, está tudo bem. – rolou os olhos.
entortou os lábios e abraçou a amiga de lado. Nisso o som da guitarra se fez ouvir e todos prestavam atenção na banda.
- BRILHANTE! – gritou quando os três saíam do palco e vieram na direção delas.
Os três a olharam estranho.
- Ah, qual é, sempre tive vontade de falar isso. Me senti o Rony Weasley agora. Legal. – Ela falou empolgada, rindo e fazendo os olhos rirem também.
- Adorei, sério. Manda muito. – comentava animada, quase dando pulos no lugar.
a olhou e, sem pensar direito, a puxou para si e a beijou.
- Perdi minha amiga. – falou triste vendo os dois se afastarem, e afundou na cadeira novamente.
- Bom, eu vou à caça, já que aqui não vou conseguir nada. – piscou e saiu dali.
- Não fique assim. – pediu, sentando-se ao lado da garota. – Sua amiga está em ótima companhia. E, modéstia à parte, você também. – piscou e riram.
- Obrigada, mas mesmo assim... Não estou animada para uma festa, sabe. Acho que vou embora. – falou e levantou-se.
- Vocês vieram juntas? – perguntou se levantando também. assentiu. – Vai abandonar a ?
- Não. – riu. – O carro é dela, eu vou chamar um táx-
- Eu te levo. – falou e colocou-se ao lado da garota. Enquanto saiam dali, mandou um SMS rápido para .
“Vou levar a embora, avisa a . Liga quando for pra te buscar. Boa caçada, colega.”
- Então, onde você mora mesmo?
riu e falou. assentiu e abriu a porta para ela. o olhou de lado, tentando não demonstrar que gostara do ato e entrou no carro.
- Tem um atalho muito bom. Vamos por ele, ok? – perguntou e virou no primeiro contorno que acharam.
- Você quem manda, chefia. – respondeu rindo.
Conversavam sobre tudo. E de tudo. O silêncio não conseguia se impor, para a sorte dos dois.
- Meia noite. – comentou baixinho, mais para ela do que para , ao olhar no celular. Então, olhando pela janela, ela viu que só tinha árvores por ali. Olhou para o lado do e, também, só árvores. Nenhum carro passava por eles. – , você sabe onde estamos?
Charlie’s POV
Parei de balançar a cabeça, ao som da musica que tocava na rádio, para olhar incrédulo para .
- Claro que eu sei. – Arregalei inocentemente meus olhos. – Estamos indo para a sua...
Cortei a frase ao sentir o solavanco que levamos.
Olhei para a frente e então para os lados. Não me lembrava de ter uma ponte naquele atalho.
Pior: uma meia ponte!
Estamos parados no meio dela, à nossa frente só existia o vazio e, há uns 70 metros, a estrada continuava.
- Minha morte? – perguntou. Era visível que ela estava tentando fazer uma piadinha, mas o medo em sua voz se sobressaia. Outro solavanco. – , o que está acontecendo? – perguntou esganiçada. Eu não queria responde-la.
Estamos quase caindo.
Desliguei o rádio, não conseguia pensar. Ouvira, há umas três semanas, que estavam arrumando a ponte que havia caído. Aqui. Mas eu achei que já haviam arrumado. Mas não, arrumaram apenas um trecho. E arrumaram muito mal, já que não está aguentando com o peso do meu carro.
Outro solavanco. O último. Não adiante mentir mais, olhei para o lado, a janela estava toda aberta. O chão estava se aproximando.
...
Não, nós estávamos nos aproximando. pegou no meu braço e apertou com força. Muita força. Chegou a doer. Olhei para ela. Ela olhava para frente, os olhos arregalados. Poderia jurar que ela estava petrificada, se ela não estivesse quase quebrando o meu braço.
- . – Chamei. A voz falha. Tentando não demonstrar o meu medo, coloquei cada mão em uma bochecha dela e a obriguei a olhar-me. Aquela era a minha última chance de terminar o que havia começado mais cedo. Aproximei-me na velocidade da luz e selei os nossos lábios. Eu vi o medo abandonar o seu olhar. Ela sorriu, tentando não demonstrar o seu medo, como eu. Ela abriu, levemente, os lábios me dando passagem e fechou os olhos.
Senti o choque da sua língua antes de sentir o do carro com o chão.
Apesar de tudo eu estava feliz. Querendo aproveitar o momento antes de morrer, eu fechei os meus olhos também.
Para sempre.
FIM
(24/06/2012) ...
Não acredito que escrevi essa Fanfic, não acredito!
Desculpe por eu ter te matado e ao seu amado também, mas é. Gostei do fim, apesar de não ter ficado tão triste quanto era pra ser ):, Capital me inspirando como sempre, haha.
Anne, você foi a primeira a saber dessa Fanfic como sempre *-*
Minush e Way, chegaram ao fim? Milagre ein, haha.
Amo vocês <3

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