Um Momento Inesquecível

Escrito por Ju Mondadori | Revisado por Danne

Tamanho da fonte: |


  Finalmente posso dizer: acabou. Definitivamente, até que eu decida o meu futuro, mas até lá, nada de escola; colegas chatos; professores que cheiram a mofo; provas e trabalhos. Após um ano corrido de estudos, a paz chega trazendo o último acampamento de férias. Isso não é ótimo? É, foi exatamente o que eu pensei!
  – , vem para cá com a gente! – Eidan, um dos meus amigos, me chama para ir bagunçar no fundo do ônibus.
  – Não, obrigada Dan, estou esperando a Heither. – nego e volto a me concentrar em meu fone de ouvido.
  No fundo, os populares dão o show com violões e batuques improvisados com os bancos. Não dou a mínima, aliás, dou sim, dou dez minutos para o diretor entrar e acabar com a bagunça.

  Tento cochilar durante a viagem, já que minha amiga desistiu do acampamento não sei por que e agora estou aqui sozinha, a única acordada e sã no meio desses retardados, dos quais educadamente deveria chamar de colegas, mas educadamente é o caramba, isso acabou ontem, sou eu!
  – ! – , o popular menos insuportável senta ao meu lado. – Posso ficar aqui com você? É que só nós estamos acordados.
  – Claro.
  – Onde está sua amiga? – ele olha em volta, mas claro que não a encontra.
  – Está vendo ela aqui? Pois é, parece que não veio! – sem paciência alguma, respondo-o.
  – Uau, que educação. O que eu fiz para ser tratado assim?
  – Ah, me desculpe! Estou brava com a Heit. Estou sozinha nessa merda graças a ela.
  – Ou não, graças a minha companhia!
  – Obrigada, mas você não me aguentará! Qual é ! É seu último acampamento, aproveite-o.
  – Posso passá-lo junto com você, que tal? Meu melhor amigo não veio. – seus lábios torcem e formam uma careta engraçada, sorrio e aceito a ideia.    rouba um dos meus fones de ouvido e meu celular e começa a olhar minhas músicas, sem ao menos pedir permissão. Fico olhando e ele escolhe uma música meio praiana, um ritmo acústico criado por violão e uma voz masculina. Mexo meus dedos na batida e deixo meu corpo escorregar no banco, até ficar quase deitada.
  – Você vai ficar com dor nas costas.
  – Você se importa? – olho-o seriamente.
  – Se não me importasse, não falaria! – ele sorri. – Troca de lugar comigo? Prometo que ficará mais confortável.
  Eu o faço, fico de pé no corredor enquanto ele senta na poltrona da janela, se escora na mesma e levanta o braço de escora.
  – Agora sim, vem! – sua mão vem de encontro a minha, fazendo que eu use-o de escora. Não me lembro de exatamente a que momento, mas eu dormi, e foi bem mais confortável.

  – Nomes de letra A, no camping um. – todos os alunos com essas respectivas letras seguiram para lá. – Letras B e C, camping dois. – eu sigo pelo caminho e paro de prestar atenção na listagem do professor. Apenas carrego minha mochila no ombro e vou à busca de uma barraca.
  – Se importa? – pigarreia e aponta para a minha barraca.
  – Vai me perseguir agora, é? – brinco enquanto respondo a sua pergunta positivamente.
  – Certo. Meu lado, seu lado!
  – Tá brincando? Eu escolhi a barraca, então o lado maior é meu! – falo jogando minha mochila lá.
  – Ou podemos nos unir! – diz pensativo.
  – Ah, claro, tudo para não ficar com o menor lado!
  – Não seja mal humorada, ! Ops, posso chamar você assim? É bom perguntar antes que eu seja insultado por apelido indevido. – divertidamente ele fala e senta-se no meio da barraca.
  – Não me provoca, ! – aponto o dedo mantendo pose de séria, e claro que ele não cai, então gargalhamos.

  Dividir a barraca com até que seria legal porque ele é engraçado e consegue descontrair qualquer situação, além de ser carismático, lindo e carinhoso, pois bem, isso não vem ao caso, certo? Yep!
  – O que lê aí, ?
  – Um momento inesquecível do Nicholas Sparks. – mostro-lhe a capa e ele se mostra tão interessado que senta ao meu lado na barraca.
  – Sobre...?
  – Um momento inesquecível, ué. – brinco. – Conta sobre dois adolescentes em seu primeiro amor, London, de início um idiota e Jamie, uma garota simples. A história desenvolve quando os dois são escalados para uma peça, mas até então para London ela era a chacota, até que aos poucos ele se apaixona por ela pouco a pouco e passado um mês ele se declara lhe dando as três palavras fortes e Jamie se obriga a contar coisas, que eu estou para descobrir. – sorrio marcando a página e fechando o livro. [N/A: vão ter que ler o livro para saber, haha, sem spoiler]
  – Ah, deve ser triste. E sobre você? Quem foi o seu primeiro amor?
  – Até agora, nenhum. E o seu? – retorno a pergunta a ele.
  – Acho que ainda não o vivi e espero saber quando for ele.
  – Você saberá, sempre sabem! É como dizem nos livros, são sentimentos novos. – explico o pouco que sei sobre o amor.

  – Vamos almoçar e depois dar uma volta? De acordo com esse mapa, existe uma lagoa perto daqui, ao norte! – chama minha atenção com um mapa.
  – Desde que você saiba como voltar depois! – brinco e ele gentilmente mostra-me seu dedo do meio.
  Saímos da nossa barraca e fomos até a casa, onde tem os banheiros, comida e quarto de todos os professores. Pego um prato e sirvo apenas um pouco de massa com molho e uns pedaços de tomate.
  – Quer um refrigerante? – larga seu prato na mesma mesa que eu e levanta-se para ir até a máquina. Respondo positivamente com a cabeça e logo ele retorna com os dois copos.
  – Obrigada, !
  – Qual seu problema com primeiros nomes? – ele ri.
  – Nenhum, ora. Apenas gosto de parecer um pouco séria, afinal eu sou conhecida como a nerd da escola! – dou de ombros e como minha comida.
  – OLHA ALI! VÊ SE NÃO É A DEPRAVADA COM O MARS! – alguém grita e de repente todos os olhares se voltam para mim.
  – EM SEU PRIMEIRO AMOR! CUIDADO HEIN, MARS! – outra pessoa grita e um coral de risos se forma. Tapo meu rosto com as mãos e abandono todos, inclusive minha comida, e volto para a barraca, de onde eu nem deveria ter saído.
  – ! Espera! – tenta me alcançar.
  – Fique longe, , por favor! – falo sem ao menos olhar para ele e entro na maldita barraca.
  Pego meus fones de ouvido e ligo uma música aleatória com o volume no máximo. Só quero ter a paz com meus ouvidos quase estourando. Por que será que eu acreditei que esse ano as coisas seriam diferentes? Só porque eu troquei de turma graças aos idiotas lutadores? Que agora eu realmente seria esquecida e poderia curtir meu último acampamento em paz como uma pessoa normal que acabara de fazer uma nova amizade? Porra!

  Sento-me na beira da lagoa, que era perto do acampamento e me concentro em meu livro. Ao menos aqui ninguém me acharia e incomodaria.
– Por que será que eu sabia que você estaria aqui? – a voz do ecoa.
– Cai fora!
– Não vai perguntar como eu sabia que estaria aqui?
– Qual é, , me deixa sozinha! – digo e escondo meu rosto nas mãos de vergonha pelo que falaram ontem, até agora eu ainda não tinha nem olhado para ele, apenas o evitava.
– Tudo bem, eu falo mesmo sem você perguntar. Eu sabia que estaria aqui porque eu descobri esse lugar, aqui você teria paz, e no fundo, talvez só eu pudesse te encontrar aqui. Qual é digo eu , não haja como se não ligasse, você liga sim para o que aqueles caras falam, mas eu não, nem para o que você diz. Poxa! Eu sei como você se sente, e não é porque eu ando às vezes com eles que eu seja como. Eu não estou me aproximando de você por pena, ou por qualquer que seja o motivo, e sim para mostrar para eles e principalmente para você mesma, que existe alguém muito melhor aí. Eu me importo com você! – ele suspira e senta-se ao meu lado.
... – sua mão toca meu ombro e eu finalmente olho-o nos olhos.

  – Psiu! – me balança um pouco e eu acordo assustada.
  – Qual o seu problema, ?
  – Desculpa! Eu descobri um lugar legal e roubei umas coisas da cozinha, podemos passar a noite lá vendo a lua, o que acha? – seus olhos brilham um pouco, então eu sorrio e me apresso para estar fora dali com ele.
  – Eu acho que você é louco! – ele ri um pouco e segura minha mão.
  Até que pegássemos certa distância dali, nós andamos em silêncio e por precaução, entrelaçou nossas mãos.
  – Tá com medo? – ele pergunta enquanto íamos mato adentro.
  – É claro, estou com um louco e não enxergo um palmo a minha frente. – respondo. Ele para no meio do caminho e começa a revirar a mochila.
  – Pronto, toma! – entrega-me uma lanterna.
  – Como você encontrou isso?
  – É um acampamento, sempre devemos ter lanternas! – ele dá de ombros e continuamos nosso caminho ao tal lugar.
  Meu coração batia acelerado e eu estava morrendo de frio. Nem o caminho pouco alto que subíamos fazia eu me aquecer.
  – Chegamos! – ele larga a mochila e abre um espaço entre os milhares de galhos a nossa frente, só agora percebo o quanto subimos.
  – Você entende de mapas, hein! – essa era a minha forma de elogiar.
  – Eu disse que valeria a pena! – e essa era a forma dele de agradecer.
  – Só está frio aqui! – falo me abraçado com meus próprios braços e me inclino um pouco para ver além da pedra onde estamos. Lá embaixo tem a lagoa e árvores.
  – Eu pensei em tudo. – responde e volta a revirar a mochila, retira duas cobertas e me entrega uma.

  – Onde vocês estavam? Acham que só porque demos um pouco de liberdade vocês tem o direito de sumir assim? – o diretor pergunta, fedendo ao seu habitual cheiro de mofo.
  – Não, senhor! – eu e respondemos juntos.
  – Onde vocês estavam? E o que faziam?
  – Estávamos na pedra vendo a lua. – eu respondo rapidamente.
  – Para sua barraca agora , depois conversaremos. – sua voz sai rudemente e eu obedeço, deixando se acertar sozinho com ele.
  Eu ainda podia ouvir a conversa deles e segundo depois, abre a barra sorrindo um pouco de lado. Sorrio de volta e me deito de qualquer jeito enquanto ele entrava.
  – Ei, , não sabe que é proibido entrar na barraca de garotas? Está querendo ser levado embora? – o diretor cruza os braços e eu me estico um pouco e observo-o do canto d’olho.
  – O senhor já viu coisas impróprias acontecerem entre pessoas da mesma família? Porque eu não! E nem quero que nada aconteça entre eu e a . – responde e eu coro um pouco ao mesmo instante que seguro uma gargalhada.
  – Vocês são parentes? É verdade, ? – o velho pergunta. É claro que ele não acreditaria em .
  – Somos diretor, descobrimos recentemente e estamos nos dando bem, apesar da chatice do ! – esforço tudo que posso para mentir e parecer convincente.
  – Hm, certo! Eu estou de olho em vocês dois! Se vocês aprontarem irão se...
  – Fica tranquilo diretor, não quero ser o lado negro da nossa família. – fala extremamente sério e por segundos me deixo levar pela história, e logo o diretor some de perto de nós e eu finalmente solto todas as risadas que segurava. me acompanha.

  – Queridos formandos, novamente venho lhes parabenizar e desejar uma boa sorte na vida que vocês começaram a buscar a partir de agora. Espero ver vocês em breve, então, uma boa noite de fogueira a todos, espero que aproveitem ao máximo sua última noite de acampamento e estejam dispostos amanhã cedo, esperarei vocês no ônibus! – o diretor fala animado e cumprimenta alguns alunos que ficam em seu encalço.
  Me acomodo do lado da fogueira que tem poucas pessoas, pego um galho e coloco meu marshmallow no fogo. Espero a casquinha esfriar um pouco e quando vou comer, uma mão aparece e o pega, faço uma careta e o ri.
  – Olá! Você tá linda, aliás... Você é. – ele se complica um pouco na fala e eu coro com o elogio. Eu vestia um vestido floreado soltinho e um casaquinho; já usava uma camiseta e sobre ela uma flanela jeans; nas pernas uma calça e nos pés seu usual all star surrado.
  – Obrigada, . – pego outro marshmallow. – Espero que você não me roube esse e esteja ciente de que está me devendo um marshmallow! – falo brincando e ele ri.
  – Até fiquei com medo. – ele entra na onda e imita meus movimentos.
  Fico em silêncio por uns minutos e paro pensar que nessa semana o conheceu muito sobre mim, sobre os meus problemas, meus desejos, e até insatisfações da vida, já eu, quase não sei nada sobre ele, apenas certas manias que todos têm.
  – , eu estava pensando, você sabe tanto sobre mim e eu não sei nada sobre você! – brinco com o meu galho e me viro um pouco para ele, mantendo minha atenção no galho.
  – Talvez você seja mais interessante do que eu, ! – ele ri e bate se galho no meu. – Mas o que quer saber?
  – O que achar interessante para contar!
  – Mas eu nem sou interessante. – ele fala e eu olho seu par de olhos brilhantes e sorrio.
  – Claro que é.
  – Se você diz... Acredite, eu acho você bem interessante, pudera eu ter te conhecido melhor antes do fim do ano. – fala e leva sua mão em meu rosto devagar, talvez com um pouco de medo da minha reação, e quando finalmente toca-me, eu sorrio. Aos poucos seu carinho vai aumentando conforme a distância entre nossos rostos vai diminuindo.
  Qualquer um que passasse por nós saberia o que estava prestes a acontecer, e dessa vez, eu não estava ligando nem para quem visse nem que talvez isso pudesse chegar aos ouvidos de algum professor e possivelmente do diretor, que diferença fará se a partir de amanhã estamos fora da escola?

  Depois da fogueira, acordar cedo não foi um problema, eu estava radiante. Acordei muito mais disposta e animada. Durante a viagem de volta para a escola foi a mesma coisa, eu e conversamos muito e diversas vezes trocamos carinho.
  – Posso ir com você até sua casa? – pergunta ele assim que descemos do ônibus na escola. Minha casa era algumas ruas atrás da escola, apenas.
  – É claro! – brinco com meus próprios dedos meio inquieta e ele percebe.
  – Eu sei o que você quer saber! – diz ele e eu olho-o. – Eu vou para a Califórnia em duas semanas. Vou correr atrás do meu desejo de ser músico. – entrelaça nossas mãos.
  – Eu espero que consiga!
  – E você vai descansar, procurar um emprego e decidir sua faculdade, quem sabe não rola uma chance de você ir parar na Califórnia? Terá uma estadia grátis na minha casa. – eu concordo rindo.
  – Você além de entender de mapas, tem uma boa memória. – era um elogio.
  – E você sempre contorcendo seus elogios! – e ele sabia disso, sabia muito mais do que eu mesma podia imaginar.
  – Chegamos, ! Uma boa viagem para você! – no fim das contas, essa aproximação teria um preço.
  – , se cuida, tá? Espero eu tenha feito você descobrir o quão interessante você é. – ele beija minha testa e eu olho para os nossos pés, frente a frente.
  – Obrigada. Vejo seu nome em alguma revista famosa por aí em algum tempo. Se cuide também!
  – Olha para mim! – ele pede e eu obedeço. Meus olhos já estavam um pouco úmidos, mas eu não iria fazer isso em sua frente, não de novo. – Esse foi o melhor acampamento do qual eu já participei! – sorri e eu também. Passo meus braços em seu corpo e o abraço fortemente, sentindo quem sabe, pela última vez aquele perfume que eu aprendi a gostar.
  Fico na ponta dos pés e uno nossos lábios sem pressa, não era uma despedida, era um adeus.
  – Tchau, ! – solto sua mão e me afasto um pouco.
  – Tchau, ! Foi um prazer! – ele solta uma piscadela e se afastas, seguido seu caminho.

  As férias iniciaram e terminaram e nunca mais foi ouvido o nome de , nem dele, nem de , nenhum de seus conhecidos sabia do paradeiro deles, mas cada um havia seguido sua vida da forma que achava ser o certo, correndo atrás de seus próprios desejos tendo em mente algo que descobriram juntos, a felicidade nas coisas simples da vida.
  Passou-se dez anos desde o acampamento. Agora o nome de estava estampado em várias revistas e suas músicas tocavam constantemente nas rádios, como um replay instantâneo, não tinha ninguém que não o conhecesse depois de tamanho sucesso. Ele definitivamente correu atrás.
  Já estava feliz, já tinha seu filho em seus braços e seu marido ao seu lado. Ela também conseguiu o que queria. Fez sua faculdade e conheceu seu atual marido, tendo por fim seu sonho realizado, a família.
  Ambos separados por sonhos diferentes.

  Era quase Natal e eu estava aproveitando que o estava dormindo para limpar a sala e espalhar os enfeites de Natal pela mesma. As mulheres da nossa família chegariam a poucas horas para que pudéssemos adiantar a ceia e eu precisava terminar com aquilo logo.
  Passei o pano na prateleira com alguns poucos livros que eu decidi que não doaria, antes de me mudar para cá, e um específico me chamou atenção. Um momento inesquecível do Nicholas Sparks. Não importa os anos que se passe, eu sempre irei me lembrar desse livro e consequentemente de e nossa conversa sobre primeiro amor, o qual em comum ainda não havíamos tido, mas poucos dias depois em específico no final do acampamento eu descobri o meu primeiro amor, o meu momento inesquecível, e o nome dele é ! Você certamente o conhece não é?

FIM



Comentários da autora

  Nem acredito que terminei, enrolei tanto, tive tanta preguiça que até pensei em excluir tudo, mas fiquei com pena porque com o decorrer dos acontecimentos eu fui me apegando a ela até que por fim decidi que iria sim terminar e postar. Uhul! Espero que tenham gostado.
  Acho que eu meio que viciei nessa coisa de shortfic interativa, e a cada linha que escrevo tenho mais vontade de continuar, então sim, um spoiler sobre a próxima: My Darkness, aguardem! Uma hora termino! :P uauhsuah.