Uma Linda Mulher

Escrito por Bruh Fernandes | Revisado por Júlia

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  Vocês têm noção de como é difícil acordar todos os dias sabendo que seu marido não te ama? Bocejar, abrir os olhos e espreguiçar-se, antes de somar mais um dia no calendário em que você e seu marido não fazem amor?
  Foi dessa maneira que eu comecei a escrever. Casada, com duas filhas e um marido que me trai. Um belo espetáculo durante todos os dias, ao fingir que está tudo as maravilhas para as filhas.
  Como eu me sinto? Completamente acabada, vazia e com chifres. E eu, sinceramente, não me importo com os chifres. me trai com quem ele quiser, a única objeção é ser em minha casa. Eu ainda o amo, muito, mas se o sentimento não é recíproco, e ele arranjara casos com secretárias de qualquer modo, apenas submeto as regras. Longe de casa, longe de mim e das minhas filhas.
  No começo, quando ele me falava com quem havia dormido (ele sempre preferiu não me esconder), eu segurava as lágrimas ao máximo até chegar ao quarto das minhas crias e me jogar no canto, finalmente deixando as lágrimas escorrerem, agarrada ao ursão de pelúcia delas. Depois, simplesmente me acostumei, embora às vezes lágrimas insistam em cair...
  Nossa, esses episódios só eram melhores do que os episódios com minha mãe. Minha família, principalmente minha mãe, sempre foi regrada, religiosa e certíssima. Até que a filha, que até então era a honra da família, que casaria virgem, aparece grávida as 19 anos, sem ao menos estar namorando. Todos piraram e armaram um casamento forçado com o pai da criança, .
  Desde então, quando conto à minha mãe a greve de sexo, carícias ou beijos, ela coloca a culpa em mim, por eu não estar fazendo meu papel de esposa, ela diz. Mas o que ela quer que eu faça? Vista-me com a melhor camisola de seda e uma capciosa e mini lingerie? Agora me digam, adianta tudo isso se nunca me amou? Ok, eu vou seduzi-lo e nós vamos transar. Oh céus, eu vou cumprir meu papel de esposa, o papel que ele anda procurando e substituindo por qualquer mulher, e daí? Se no dia seguinte ele nem vai olhar na minha cara direito e me dar um beijo sincero? E eu, que o amo? Ficarei ainda pior. Porque pior do que uma relação de fachada e um casamento forçado, um casamento baseado em sexo. Ok, os dois estão com tensão. Ok, os dois acham o próximo gostoso. Eles transam a noite e não se falam ao dia. Não se falam ao dia e transam a noite. Realmente, não desejo isso para ninguém; Por isso, não há nenhum tipo de relação entre nós, a não ser em frente as nossas filhas. Ele me respeita, eu o respeito. Ponto, só isso. Embora o que eu sinta se chame amor...
  Ok, eu estou chorando. E vou chorar ainda mais quando eu realmente começar a contar a historia – belíssima, devo acrescentar – de minha vida: Nos casamos há sete anos, época em que estava grávida de minha primeira filha, Louise.
  Três anos depois meu marido chega com uma notícia: Rachel estava esperando um filho, dele. Rachel foi uma secretaria dele. Belíssima, olhos verdes, cabelos negros, corpo com curvas. Lembro-me como se fosse hoje quando ele chegou. Eu estava sentada no sofá trançando o cabelo de Louise, enquanto assistimos desenhos animados. A porta se abriu e ele apareceu, extremamente nervoso, com a testa enrijecida e os olhos vermelhos. Falou aquela famosa frase: "Precisamos conversar”. Subimos até o quarto e, puf, ele soltou a bomba. Eu simplesmente desabei na cama e olhei para o teto: O que fazer?
  Depois de muito pensar e xingá-lo, eu decidi. Nosso casamento – que já havia começado abalado – quase acabou, se não fosse Louise tão pequena. Ele comunicou que iria assumir o filho e eu deixei apresentá-lo como irmã(o) para nossa filha.
  Complicações e mais complicações acabaram com a vida de Rachel na sala de parto, bagunçando nossos planos e vidas. Logo depois, eu a peguei no colo. Era tão pequena e não tinha culpa de nada. Decidimos assumir a criança juntos, como filha dos dois. Rachel, em homenagem à mãe.
  E assim eu vivo. Um amor não compreendido, uma vida infeliz, uma filha de sangue e outra de coração.
  – Manhêêêêêê!! – Louise gritou estridente, interrompendo meus devaneios. Deixei o notebook de lado, sequei as lagrimas e desci as escadas rapidamente até a cozinha.
  – O que meu amor? – perguntei.
  – Eu não alcanço o pacote de biscoito – respondeu tentando esticar os bracinhos.
  – Por isso que existe a caixinha dos biscoitos, por que não vai até lá?
  – Eu fui, mas acabou e eu quero mais!
  – Ok, ok, vai fazer companhia para sua irmã na sala enquanto eu pego os biscoitos – disse. Ela concordou, sorrindo, e foi saltitante até a sala.
  – Aqui está, suas gulosas – falei chegando à sala com a caixinha de biscoitos cheia. Elas pegaram o pote completamente absortas ao filme que passava na TV.

  Parei para observá-las. Louise estava com seis anos e meio, como gostava de dizer. Era loirinha, olhos mel como o meu. Brincalhona e moleca.
  Rachel tinha um pouco mais que três anos. Tinhas olhos azuis como os do pai e cabelos pretos como o da mãe. Era mais quieta e observadora. Mesmo não sendo minha filha de sangue, eu a amava.
  Embora ajudasse Louise com os deveres, eu pegava no colo Rachel toda hora, e ela adorava. Dava banho nela e lhe colocava para dormir. Minha relação com ela era mais próxima do que com Louise. Talvez por Louise ser mais velha. Talvez por Louise ser mais moleca e não gostar de lacinhos e vestidinhos que botava quando mais nova. Rachel gosta quando a encho de vestidinhos e bolsinhas e eu sempre quis ter uma filha perua daquele jeito. Um detalhe, eu não sou nem um pouco perua. Eu só acho que crianças vestidas de mini-adultos ficam lindas.

  Pouco depois do filme, já era hora da caçula dormir.
  – Rachel, hora de mimir – falei levantando do sofá, em direção a ela.
  – Não, mãe, deixa mais um pouco. – exclamou ela.
  – Nope. Ande, vamos. – falei esticando os braços. Ela pulou em cima de mim, rodeando os bracinhos em meu pescoço. Subi a escada com ela em meu colo e a despejei na caminha dela. Como sempre, peguei um livro e comecei a contar uma história.

  Hoje, diferente de outros dias, ela não dormiu na metade da historia. Finalizei o livro e ela me olhava atentamente. Analisava-me.
  – O que foi, filha? – perguntei fechando o livro e tirando a franja que insistia em cair em meu rosto.
  – Seus cabelos mamãe, eles são diferentes do meu – ela exclamou, passando a mão em meus cabelos loiros.
  – Claro que é filha, ninguém tem o cabelo igual – esclareci.
  – Não mãe – ela balançou a cabecinha negativamente – a cor. O meu é bem preto e o seu bem amarelo. – Oh, eu tinha medo desse dia chegar. e eu éramos loiros. E o meu cabelo, particularmente, quase era branco de tão loiro.
  – Oh filha, isso não tem nada a ver – disse passando a mão pelo rostinho dela. Ok, isso tem tudo a ver, mas não é a hora de entrar nesse assunto. – Olha, vemos isso depois, ok? Agora está na hora de você dormir – ela assentiu. Eu a cobri e dei um beijinho na bochecha dela. Desliguei a luz e fechei a porta, torcendo para que ela não lembrasse mais disso.

  Desci as escadas lentamente e escutei o barulho da porta sendo aberta no hall de entrada. Logo depois, surgiu com as pastas na mão.
  – Oi filha!
  – Oi papiiiii! – ela desviou o olhar da TV e abraçou fortemente o pai pelo pescoço. – Senti sua falta.
  – Eu também, amor. – respondeu, tentando soltar-se dos braços dela. O que foi bem difícil, devo acrescentar. Louise sempre gostou mais do pai do que de mim. Rachel, entretanto, sempre gostou mais de mim do que de . Oh, a vida é engraçada.
  – Oi falou quando conseguiu sair dos braços de Louise.
  – Oi – respondi fracamente. Sem perceber, lágrimas caiam de meus olhos.
  – Aconteceu alguma coisa? – ele perguntou, baixo, perto de mim. Louise já estava com atenção na TV novamente. Na verdade eu não sabia por que estava chorando. Talvez por causa do episódio com Rachel. Talvez por minha única filha – de sangue – preferir o pai a mim. Talvez por ter relembrado ou reforçado como minha vida está nesses sete anos: Uma merda.
  – Algumas, a gente pode conversar?
  – Claro. Vamos fazer assim: enquanto eu tomo um banho você coloca a Louise para dormir. Depois conversamos – assenti. Ele subiu as escadas e eu fui até minha filha.
  – Louise, hora de mimirrr – cantarolei.
  – Ah, mãe, tá passando o desenho que eu mais gosto – essa adorava uma televisão.
  – Nananinananão. Está na hora de dormir e acabou – falei desligando a TV. Ela me olhou emburrada. Eu continuei: - Eu podia te pegar no colo, mas você já está muito moça pra isso – ela se rendeu e abriu um sorriso – Vamos, levantando e subindo a escada.

  Ela subiu as escadas em meu encalço. Entramos no quarto e vimos que Rachel dormia profundamente abraçada ao ursinho. Louise foi até a cama e deitou lá.
  – Então, você quer que eu conte uma história? – ela negou. – O que você quer?
  – Quero que o papai me coloque para dormir.
  – Mas filha, seu pai está tomando banho, depois ele te dá um beijinho de boa noite – ela negou novamente.
  – Eu quero o meu papaiiiiii! – ela gritou. Eu tampei sua boca rapidamente e ela mordeu minha mão sem piedade. Meus olhos enchiam de lagrima, não pela mordida, mas pela situação.
  – Ok, estou indo chamá-lo. – falei, levantando da cama e saindo do quarto.

  Fui até o quarto em que dividíamos, chegando a porta do banheiro.
  – , eu tentei, mas Louise só vai dormir se você a colocar – gritei.
  – Ok, já estou saindo – ele respondeu antes de suspirar.

  Eu sentei na cama e esperei. Minutos depois saiu do banheiro, trazendo a fumaça do banho quente.
  – Nossa, ainda está chorando? – levantei a cabeça. Já estava vestido.
  – Louise. Louise mordeu minha mão porque eu não queria chamar você – esbocei tristonha.
  – Poxa, doeu tanto assim? – ele ironizou, abrindo um sorriso. Um sorriso que logo se desfez quando eu o olhei com uma cara de: “eu não estou de brincadeira”. – Ok, me desculpe – ele veio até mim e sentou ao meu lado na cama. O perfume dele chegou as minhas narinas. – Olha, eu sei que ela não fez por mal – ele tirou a franja de meus olhos.
  – Eu sei , mas... – não consegui continuar. Ele saiu do quarto sem falar mais nada. Eu continuei parada, imóvel.

  Minutos depois um tornado entrou no meu quarto.
  – Desculpa, mamãe. Eu não queria te machucar – Louise disse me apertando num forte abraço. As lagrimas encheram meus olhos novamente.
  – Oh, filha, não me machucou – exclamei.
  – Mas você tá chorando, mamãe.
  – Mamãe só ficou um pouco chateada, mas está tudo bem, ok? – disse beijando-lhe o cabelo. Ela balançou a cabeça em concordância e sorriu – Agora vai dormir.
  – Me coloca para dormir? – ela perguntou e eu a olhei confusa. – Por favor – implorou. Eu sorri e a peguei pela mão antes de sairmos em direção ao quarto.


  – Obrigada – agradeci entrando no quarto. Havia acabado de deixar Louise dormindo no outro quarto. fez cara de interrogação. – Por favor, né , eu sei que foi você quem conversou com ela.
  – Ok, ok, mas aquela cena toda aqui foi ela. Fiquei até com ciúmes – ele emburrou a cara, fingindo estar afetado. Rimos. Uma coisa que sempre gostei nele era o senso de humor. Bem humorado sempre. – Vi que você ficou triste – abri um sorriso tristonho, voltando a ficar sério.
  – É, sabe, às vezes acho que a Rachel gosta mais de mim do que a Louise. Ela gosta tanto de você ...
  – Não fale besteiras – ele me interrompeu. Sentamos os dois na cama. – Ela nos ama igualmente.
  – Igual eu amo minhas duas – exclamei.
  – Igual eu amo as minhas duas – ele repetiu. Sorrimos. – Obrigado por aceitá-la – eu sabia de quem ele estava falando: Rachel.
  – Ela é minha filha de coração. Mesmo – ele assentiu com um sorriso nos lábios.
  – Ok, me diga por que estava chorando quando cheguei – pediu.
  – Rachel me perguntou por que os cabelos dela eram pretos e os meus amarelos – parei e olhei nos olhos dele – O que eu ia responder, ?
  – Nossa, eu sabia que essa hora ia chegar. E eu não sei, mas vou conversar com ela, depois – concordei. – Você está tão triste e eu me sinto tão mal por isso – ele falou passando a mão pelas minhas bochechas.
  – , sabe há quanto tempo nós não nos tocamos? Nós somos casados e mesmo que para você isso seja um sacrifício...
  – Não é um sacrifício.
  – Olhe , reconheço que você melhorou depois de Rachel, mas chegar em casa de madrugada, com perfume barato de mulher impregnado no paletó, simplesmente não falar comigo... Nossa, eu não acreditava que fosse possível um casal com sete anos de casado e uma filha, que tem no histórico menos de cinco transas em todo esse tempo. Que deram no máximo dez beijos apaixonados... Não sabia que isso era possível até acontecer comigo. Conosco – ele abaixou a cabeça. Eu continuei a fitar meus pés. – A cada dia , eu sinto mais remorso, mais arrependimento, mas ao mesmo tempo, eu faria tudo de novo. Sim, por causa de Louise, de Rachel, e também porque eu sempre te amei – meus olhos derramavam lágrimas incontrolavelmente. – Eu não me vejo com outro homem a não ser você, eu nunca te trai, nunca, porque apesar de eu estar infeliz, eu gosto de ver você com Louise e Rachel, gosto de quando chega do trabalho, quando saímos para o parque no domingo, gosto quando você fala, quando gesticula, eu te amo, porra! Muito – ele ficou sem reação.
  – chamou minutos depois, puxando minha cabeça para cima, obrigando-me a encará-lo. – Eu sinto muito, muito mesmo. Sinto muito se trai você tantas vezes, se estive ausente, se apareci com uma filha, se fui um péssimo marido. E você sempre aceitou tudo tão bem – ele balançou a cabeça. – Claro, triste, mas aceitou. E eu me sinto tão culpado – uma lagrima teimosa caiu de seu olho esquerdo. – Tão culpado por não te amar – fechei os olhos quando recebi a facada. Eu sabia, mas saindo da boca dele a coisa ficava muito pior. Sinceridade, às vezes tão dolorida. – Você é tão legal, bonita, simpática, divertida, meu Deus, eu me sinto tão tolo por não te amar... E ao mesmo tempo eu te prendo. Você podia estar feliz agora, eu podia estar feliz – lagrimas escorriam por meu rosto. Ele tentava limpá-las em vão.
  – Por favor, – o interrompi – Pare. Por favor – implorei chorosa. Ele tentou me acalmar. – Sabe, eu já sabia disso tudo, mas você falando eu me sinto tão pequena, porque você estava muito arrependido desde o começo do casamento, mas eu... Eu tinha esperanças. E eu faria tudo de novo. Eu sei que se você pudesse mudava tudo isso, mas eu não mudaria. E... Ah, desculpe.
  – Oh, , por favor, não chore – ele me envolveu com seus braços, enquanto eu apoiava a cabeça em seu ombro. – Eu sinto tanto. Eu não mereço você . Não mereço.
  – Nunca mais repita isso, ok? – perguntei fitando os seus olhos um tanto indignada. Se eu estava ali é porque ele merecia, independente de seus erros.
  – Eu vou tentar, te merecer – ele grudou os olhos fortemente antes de puxar meu rosto para mais perto do seu. Me beijou. Lentamente, com esforço. E eu não queria que ele se sentisse obrigado a me beijar ou amar, porém, quando sua língua pediu passagem, eu não aguentei e coloquei meus braços em seu pescoço, me entregando.

  Suas mãos agarraram minha cintura fortemente enquanto eu levantei um pouco sua camisa para arranhar suas costas. Oh, quem ligou o aquecedor? As temperaturas de repente ficaram muito elevadas.
  Tão rápido quanto o aumento da temperatura, me vi tirando a blusa de com um pouco de esforço, para não quebrar o beijo. Eu não conseguia fazer minhas mãos pararem, e na verdade, eu não queria isso. não ficou para trás, logo puxando meu vestido leve por cima de meus braços enquanto beijava cada pedaço de meu corpo que ia ficando desnudo.
  Eu passava minhas mãos pelo abdômen definido dele enquanto ele colocava todo corpo sobre mim, obrigando-me a deitar na cama. apertava minhas coxas enquanto oscilava os lábios entre minha boca, colo e seios. Seios, uma parte do corpo que foi bastante apreciada por ele. Ainda com o fino sutiã de renda sobre ele, pôs-se a beijá-los enquanto, atrapalhadamente, tentava desafivelar os fechos do sutiã. Com minha pequena ajuda, logo eles estavam sendo sugados e beijados diretamente, alternando entre meus suspiros. Sua ereção roçou fracamente em minha vagina e eu tratei de tirar sua calça depois dos gemidos dos dois.
  Numa atitude ousada, desci minha mão por seu tórax e desenhei seu abdômen até chegar à dobra de sua cueca. Não hesitando, coloquei sutilmente a mão para dentro, o que o fez soltar alguns suspiros.
  Logo depois, a cueca e a calcinha rolaram pelo quarto e finalmente nos uniu. Arqueei as costas ao sentir a profundidade e intensidade dos movimentos de , enquanto abafávamos os gemidos de excitação, para não acordar as meninas.
  Eu gritei e gemi seu nome, ele, talvez, não raciocinei muito bem. Estava anestesiada pela incrível sensação de prazer.
  Prazer, desejo, amor, paixão, satisfação, dor... Sentimentos e mais sentimentos rodeavam aquele quarto.


  – Por que não podemos ser sempre assim? – perguntei. Estávamos deitados, abraçados e ainda um pouco anestesiados pelo termino da terceira transa seguida em poucos minutos.
  – Ah, sem perguntas que me façam pensar agora, por favor – suplicou divertido. Ri, encostando minha cabeça no vão de seu pescoço confortavelmente. Ele por sua vez afundou o rosto em meus cabelos uns tanto emaranhados no momento.
  – Obrigada – agradeci.
  – Pelo que exatamente? – ele perguntou. Sabia que ele estava com uma expressão confusa no rosto, mesmo sem conseguir vê-lo da posição em que estava.
  – Por essa noite – esclareci. Ele mexeu a cabeça levemente e depositou um beijo em minha testa.
  Ficamos calados, prestando atenção um na respiração do outro. O jeito como seu abdômen dilatava e depois o ar quente saindo do nariz e da boca entreaberta, ainda em minha testa.
  – Posso fazer um pedido? – perguntei quebrando o silencio que imperava no quarto. nada respondeu, esperando minha continuação. Assim fiz: - Só queria que amanhã você não se esquecesse do que rolou hoje. Não me trate como se nada estivesse acontecido – pedi.
  – Desculpe-me, ok? Mas acho que nunca passamos por essa situação e entendo que você sofra. Sinceramente, eu não quero pensar no amanhã, quero viver o presente, agora – respondeu. – De qualquer forma, as coisas não vão ser mais iguais – me explicou. Eu respondi com um ‘ok’.

  Nisso, mais uma vez, ficamos em silencio, absorto em pensamentos. O cansaço me abateu depois de um longo dia e meus olhos já lutavam para se manterem abertos.
  – – escutei me chamar, fracamente.
  – Oi – respondi simplesmente, lutando para simplesmente não cair de sono naquele momento.
  As próximas palavras foram soltas ao pé do meu ouvido, enquanto meus olhos já se fechavam e minha respiração ficava bem leve.
  E numa imensidão entre a realidade e a ficção, ainda escutei a voz de : Eu prometo aprender a te amar.

FIM



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