Trying not to love you

Escrito por Virginia Camões | Revisado por Lelen

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  Eu estava farta. Dos joguinhos, das provocações, da bipolaridade. Por que raios em um dia ele era extremamente atencioso comigo e em outro ele me ignora por completo, como se eu não nem estivesse ali?

  Ele se levantou. Por um impulso, que só Merlim sabe o motivo, me levantei e fui atrás dele. Seria hoje que eu fico sabendo o porquê de tanta “bipolaridade”.
  Fiquei esperando em um pequeno corredor que levava ao campo de quadribol enquanto ele estava no banheiro. Assim que saiu, o interceptei.

  - Podemos conversar,Malfoy?
  - Claro, .
  - Já disse pra me chamar de .
  - Mas é que eu gosto tanto do teu nome que me dá dó colocar um apelido.
  - Ok, Malfoy. – frisei seu sobrenome. Sabia que ele o odiava. Ele se contorceu. – Agora sabe porque eu te peço pra me chamar de .
  - Entendo, . Vem, vamos sentar na arquibancada. – entramos no campo e sentamos na arquibancada que havia do outro lado. – Então, sobre o que você quer conversar?
  - Você, na verdade.
  - Eu?
  - É, você. Porque essa sua bipolaridade já tá me cansando. Eu já tô cansada, na verdade. Cansada de receber olhares seus em um dia e você me ignorar completamente no outro. Cansada de você não se decidir se fica com Pansy, ou com a Arostia, ou comigo, ou com sei lá mais quem! Cansada de só imaginar como é teu abraço, teu beijo, tua mão na minha. E principalmente, eu tô cansada de gostar de você e você só me retribuir com essas patadas! – a essas alturas já estava com lágrimas nos olhos. Eu havia me declarado para Draco.
  - Você... Você gosta de mim? – ele me olhava boquiaberto. Provavelmente perplexo pelo que acabara de ouvir.
  - Gosto. Não sei desde quando. E se você vai ficar me olhando como se eu fosse “O grito”, daquele maluco que eu não sei o nome, com licença que eu vou voltar pra aula de Feitiços. – fiz questão de voltar pra classe, mas ele se levantou e segurou meu pulso.
  - Você quer mesmo saber o porquê de eu vir agindo assim? – assenti com a cabeça – Porque eu odeio. Odeio o modo como você olha carinhosamente pra mim. Odeio o modo como você sorri quando te olho de volta. Odeio seus amigos, que se sentam do seu lado. Odeio como você solta aquela risada quando o Weasley conta algum episódio que aconteceu com ele. Odeio não poder falar de você pras meninas. Odeio o modo como você fica com ciúmes. Me odeio por dizer que tudo isso que eu disse acima é mentira. Mas acima de tudo, me odeio por não conseguir não gostar de você, nem por um instante.
  - Você também...?
  - Espera, . Deixa eu acabar de falar. Eu também não sei quando isso foi acontecer. Aquele dia da aula de poções, eu só perguntei do bezoar porque eu queria ter algum assunto contigo. Quando a gente foi resolver aqueles exercícios do pergaminho eu nunca me senti tão nervoso, porque eu nunca tinha ficado tão perto de você assim.
  - Ok, Draco. Minha vez de falar. Você não tem ideia do quanto me machucou ver você com a Pansy aquele dia, na aula de transfiguração. E quando você veio atrás de mim, te tratei daquele jeito porque eu realmente estava pistola da vida. Mas assim que cheguei ao dormitório, abri o maior sorriso do mundo, porque VOCÊ tinha me procurado. E na aula de poções... Ah céus!... Gina sabe que eu fiquei repassando aquela cena na minha cabeça zilhões de vezes, porque você tava ali, do meu lado. E você me elogiando, céus, acho que não teve coisa melhor!
  - Hey, . Você disse que imagina, em suma, como nós dois ficaríamos juntos. Eu penso nisso direto, como agora.
  - Então por que raios você ainda não tomou uma atitude? Sabe Draco, eu fui criada às antigas, ou seja, quem tem que fazer alguma coisa aqui é você.
  - Como você quiser, . – ele me abraçou.

  Perdi a conta de quanto tempo ficamos ali, só nós dois. Quando fiz menção de me soltar, ele me puxou pela cintura. Em seguida, afastou uma mecha do meu cabelo que teimava em ficar no meio da minha testa.
  Fechei meus olhos. Sabia onde isso iria acabar, ou melhor, como. Senti sua respiração próxima a minha e logo em seguida, o contato dos nossos lábios. Não era o meu primeiro beijo, mas o nosso. Assim que permiti que o beijo se aprofundasse, pude sentir o gosto de canela, bala que ele tanto comia. Fomos interrompidos por palmas.
  - Parabéns, Draquinho. Você realmente conseguiu enganar a ! – era Pansy.
  - Enganar? Draco, que história é essa?
  - Você acha mesmo, , que eu gostaria de alguém como você? Poupe-me. Foi uma pequena aposta entre Pansy e eu. E agora, Pansy, eu quero meu prêmio.
  - Com todo o prazer. – ela o beijou. Quase comeu a cabeça dele, na verdade.
  - Draco – eu estava com os olhos marejados – me diz que isso é mentira... Draco...

  - DRACO! – levantei da cama num pulo. Foi só um pesadelo.
  - Que foi, meu amor? – ele disse se colocando ao meu lado.
  - Céus, Draco. Tive um sonho terrível. Sonhei que no dia que nos acertamos, tudo não tinha passado de uma aposta sua com a Pansy.
  - Hey, minha pequena. Você sabe que eu te amo, certo? Não trocaria, não troco e nem vou te trocar por qualquer mulher no mundo.
  - Nem a sua secretária bunduda?
  - Não, . Nem ela. Porque tudo que um homem precisa, eu tenho em casa. Você. Agora vamos dormir porque amanhã é o casamento do nosso filho e nós precisamos estar descansados.
  - Você está certo, vida. Obrigada por estar do meu lado, sempre.
  - Eu que te agradeço, anjo, por sempre ter feito parte da minha vida. – ele me beijou – boa noite, linda.
  - Boa noite, lindo. – voltei a me deitar. Pronta pra casar nosso filho amanhã.
  Scorpius sairia de casa. Mas o que importa é que Draco e eu temos um ao outro. Pra sempre.

FIM



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