The Weasley Twins



Escrito por Naya R. | Instagram
Revisado por Natashia Kitamura

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Prólogo

  Hogwarts – 02 de maio de 1998 – Momentos antes da batalha.

  null viu os cabelos flamejantes dos seus dois melhores amigos e aproximou-se incerta, já que não queria atrapalhar um momento íntimo dos dois. Por sorte, Fred a viu e seu sorriso denunciou que ela poderia ir até eles.
  A garota não conseguiu conter um sorriso, nunca conseguia quando estava perto deles, era como se as áureas daqueles dois transmitissem uma alegria que contagiava seu peito.
  – Como estão as coisas lá dentro? – A voz de George ressonou, quando ela estava próxima o bastante, era nítido em sua voz que ele estava nervoso. Todos naquele ambiente estavam.
  null havia sido designada pela professora McGonagall a ajudar os demais professores com os alunos mais novos que haviam ficado. Fred e George foram designados para cuidar das entradas não oficiais do castelo, entradas estas que conheciam melhor do que ninguém.
  – Agitadas. Tive que sair um pouco, e no caminho pensei: Que tal uma cerveja amanteigada quando tudo acabar? – Perguntou a garota, unindo as mãos atrás das costas e mordendo o lábio inferior. Os gêmeos deram uma risada nasalar sincronizada.
  – Só se você pagar, baixinha – George disse, aproximando-se dela e a abraçou. A garota com certeza foi pega de surpresa, mas retribuiu o abraço com entusiasmo.
  – Por favor, se cuida Forge. – Ela disse, usando o apelido que havia inventado e ele a apertou com mais força quando o ouviu. – Não queremos você sem as duas orelhas, vai ficar mais feio do que nunca!
  – Há há há! – George respondeu irônico, soltando-a do abraço e apertando o nariz da garota com os dedos dobrados. – Mesmo sem a orelha continuo sendo o gêmeo mais bonito.
  – Você bem que queria – Fred defendeu-se rindo, descruzou os braços sob o peito e empurrou o irmão, para que ele entendesse que agora era o momento dele com a sua namorada.
  – Tá bom, se cuida null. Vou cobrar aquela cerveja amanteigada depois – Piscou para a amiga e se afastou para dar privacidade ao casal.
  – Hey – Fred disse com um meio sorriso, pousou suas mãos na cintura da garota, que deslizou suas mãos até seus ombros.
  – Como você está? – Perguntou ela, olhando nos olhos do homem que fazia as borboletas do seu estômago revirarem. Fred amava os olhos de null, eram sua parte preferida do corpo dela, ele podia mergulhar naquele oceano castanho durante horas e quando via as ramificações de suas írises, aquela cor lhe lembrava do chocolate quente que sua mãe fazia, doce, aconchegante e delicioso, os olhos dela eram um lar.
  – Estou bem nervoso, na verdade. Não vou mentir. Estou nervoso de saber que minha família inteira está aqui, que você está aqui, e que não estaremos todos juntos para nos proteger – Fred nunca havia sido tão honesto, e não havia motivos para mentir para ela.
  – Ei, vai ficar tudo bem. Você vai ver, logo estaremos todos juntos n’A Toca, comendo tortinhas de abóbora comemorando a morte de Você-Sabe-Quem.
  Fred sorriu incerto com a fala da garota.
  – Ou você está sabendo de algo que eu não sei? – Emendou ela, unindo as sobrancelhas enquanto Fred deslizava suas mãos da cintura dela para as costas, puxando-a para um abraço que logo foi retribuído.
  – Gred? – A voz da garota chegou baixa em seu ouvido, ele afundou o nariz em seu pescoço, sentindo o aroma doce de baunilha que sempre exalava dela, aroma este que ele sempre sentia quando estava produzindo poções do amor para a sua loja de artigos e logros. – Aconteceu alguma coisa?
  – Não, eu só estou com um pressentimento ruim... – Suspirou. – Professora Trelawney passou por mim agora pouco e me deu um abraço esquisito. Muito longo e muito esquisito. Desde então não consigo tirar da cabeça que talvez ela tenha visto algo. Algo de verdade, para variar – Ele admitiu afastando o rosto para olhá-la nos olhos mais uma vez.
  A garota riu, uma risada gostosa que o fez sorrir junto.
  – Passou pela sua cabeça que ela pode ter te abraçado apenas porque é meio doida? Ou porque fazia tempo que não te via?
  – É, você está certa. Estou ficando maluco – Suspirou ele, ligeiramente aliviado. – Ah, quero te dar algo.
  null soltou-se do abraço para olhar para ele com curiosidade, as sobrancelhas arqueadas em tom de dúvida. Ela conhecia o namorado o suficiente para saber que, às vezes, os presentes dele explodiam, gritavam ou soltavam fumaças estranhas. Ao invés disso, Fred levou a mão até o pescoço e retirou uma corrente de prata muito fina, com um pingente na frente e outro atrás, como um escapulário. Os pingentes eram redondos, e em um deles tinha a letra F e no outro a letra G.
  – Mãe nos deu isso faz alguns anos. Não gosto muito, mas uso por baixo da roupa quase sempre. – Disse o ruivo, passando a corrente por cima da cabeça da garota, deixando a letra F virada para frente. O ato fez com que ela segurasse o queixo dele com uma mão e colasse suas bocas.
  O garoto não perdeu tempo em puxar o corpo dela mais para perto, as mãos na altura das costelas dela, enquanto a garota corria os dedos para os seus cabelos. O beijo não durou muito, o momento não era propício e Fred ainda tinha mais uma coisa para falar com ela.
  – Eu preciso te pedir uma coisa – A voz dele saiu rouca e ligeiramente ofegante, quase inaudível.
  – Claro.
  – Caso algo aconteça hoje, me promete que vai cuidar do George?
  – Gred, não fala isso – A garota uniu as sobrancelhas novamente, algo recorrente quando se tratava de Fred Weasley.
  – Eu estou falando sério, ele não vai aguentar sozinho, ele é o mais mole de nós dois. Me promete? Promete que vai cuidar dele? – Perguntou ele, pondo as mãos nos ombros dela, e abaixando um pouco para que seus olhos ficassem da mesma altura.
  – Tá, tá, eu prometo, seu chato – A garota deu a língua para ele, que sorriu aliviado. – Vou te dar um presente também. Não quero que se sinta sozinho – Ela retirou um anel dourado do seu dedão, o anel era aberto, de modo que era regulável, e tinha o desenho de uma lua e um sol em cada ponta. O ruivo riu com o ato, e entregou seu dedo mindinho para que ela colocasse o anel.
  – Obrigado, te devolvo quando estivermos tomando as cervejas amanteigadas que você prometeu – Ele disse, esticando a mão para ver o anel de longe e ela riu. Ela sempre ria, era outra coisa que ele amava nela.
  – Tá bem. Vou voltar lá para dentro ou a McGonagall vai vir me buscar pela orelha pessoalmente – Brincou a garota, abraçando-o mais uma vez. Fred tinha um cheiro amadeirado que ela adorava, mas junto sempre vinha bem ao fundo, um cheiro de fumaça de tantas explosões e fogos de artifício que ele e o irmão sempre soltavam. Era o cheiro que ela mais gostava.
  Selaram os lábios mais uma vez.
  – Eu te amo, null – Ele sussurrou ao ouvido dela, fazendo todos os pelos do corpo dela se arrepiarem.
  – Também te amo, Gred – Ela disse sorrindo. – Até mais.

Capítulo 1

  Condado de Cornwall – 09 de maio de 1998 – Residência dos null.

  Ponto de vista: null

  Uma semana da minha última conversa com Fred.
  O sentimento em meu peito dizia que poderia ter acontecido ontem ou há dois anos, é impossível conseguir quantificar exatamente o que era real e o que não era. Ainda parecia mentira, eu ainda sentia o seu cheiro em minhas roupas e ainda ouvia sua risada em minha cabeça com tanta clareza que era realmente impossível dizer que já havia passado uma semana.
  Perdi a noção do tempo encarando a foto ao lado da minha cama que tiramos em Hogwarts três anos antes: Lee carregava Angelina nas costas fingindo que a deixaria cair, Fred e George me seguravam no colo, cada um agarrado em uma perna minha, eu dava uma risada genuína levando a cabeça para trás enquanto fazia chifrinho na cabeça dos dois. Aquele momento brotou em minha cabeça, apenas cinco estudantes se divertindo antes de sair para um passeio em Hogsmeade; ir ao povoado com os gêmeos e Lee era tão difícil quanto uma prova de Transfiguração, absolutamente tudo virava uma arma em suas mãos, qualquer piar de um passarinho era motivo para eles darem sustos em nós e qualquer olhar torto era motivo para mais piadas e brincadeiras. Angelina e eu sempre voltávamos com a barriga doendo de tanto rir.
  Agora eu estava ali, há uma semana deitada em minha cama. O rosto inchado e o corpo dolorido, exausto e sem forças para fazer qualquer coisa.
  Minha avó não entendia a gravidade da situação, afinal, eu não quis preocupá-la com a realidade: Como eu iria dizer à uma senhora de oitenta anos que meu namorado havia morrido na maior batalha entre bruxos já vista na humanidade? Como eu diria a ela que ele faleceu defendendo uma causa nobre que era questão de vida ou morte? Como eu diria que também estava lá?
  Apenas a poupei de detalhes mais sórdidos e disse que nós terminamos o namoro.
  Vez ou outra ela entrava em meu quarto, me trazia sopa, acariciava meu cabelo e me trazia cartas que alguma coruja deixava na entrada do correio em sua porta da frente.
  As cartas estavam empilhadas ao lado da nossa foto que mexia-se calorosamente, minha risada ecoando pela eternidade.
  – Querida, você precisa sair desta cama em algum momento... – Ela disse certa vez, acariciando meu pé que estava para fora da coberta. – A vida tem que seguir.
  E se eu não quisesse?
  – Você vai ficar bem, meu amor, têm pessoas que estão preocupadas com você. – Ela disse, abanando mais uma carta e colocou sob a pilha de cartas que já estavam na cômoda.
  – Talvez você pudesse pelo menos responder seus colegas? – Insistiu.

  A morte já era uma velha conhecida minha. Quando eu havia recém feito dois anos, meus pais foram assassinados por dois homens de capa preta que nunca foram identificados pela polícia, porém um andarilho, a única testemunha ocular presente no momento, deu seu testemunho dizendo que os dois homens estavam com gravetos nas mãos e um raio verde saiu de um deles depois de algumas palavras irreconhecíveis serem ditas. Na época o homem foi dado como louco, porém minha avó nunca esqueceu desta história, e depois que recebemos minha carta para Hogwarts, recebemos também uma visita do próprio Dumbledore, que explicou tudo à minha avó. Conseguimos finalmente entender o que realmente havia acontecido e qual o motivo de meus pais terem sido assassinados. Estavam no lugar errado e na hora errada, Comensais da Morte acharam que seria divertido tirar a vida de dois nascidos trouxas e eu acabei sendo criada por minha avó paterna.
  Depois que minha avó saiu do quarto, sentei-me na cama sentindo minha cabeça pesar uma tonelada, e comecei a ver as cartas que havia recebido.

“Querida null,

Faz tempo que não recebo notícias suas, estou preocupado com você.
Se quiser me fazer uma visita para conversar um pouco, estou na casa de minha avó como sempre.

Não me arrisco a ir até você pois você sabe que reprovei na prova prática de aparatar.

Estou com saudades,
Neville Longbottom.”

null,

Não tive notícias suas e muito menos de George, estou realmente preocupado.
Se você não me responder até sábado, irei aparecer aí.

Lee Jordan”

null,

Por favor, me responde. É a terceira carta que eu te mando.
George também não me responde e não sei mais o que fazer!
Lee está muito preocupado também.

Com carinho,
Angelina Johnson"

“Prezada Srta. null,

Gostaria muito de conversar com você pessoalmente sobre uma possível oferta de emprego na Escola de Magia e Bruxaria de Hogwarts.
Sei que os momentos são difíceis, e que muita coisa aconteceu, então me mande uma coruja quando sentir que está mais disposta.
Estarei aguardando.

Cordialmente,
Minerva McGonagall”

  Quando estava prestes a abrir a próxima carta, ouvi batidas leves em minha porta.
  – null, querida. Um amigo seu está aqui – Minha avó disse sem abrir a porta. Já era sábado?
  – Tudo bem, vó, pode deixar ele entrar.
  Lee era íntimo o suficiente para me ver naquela situação deplorável.
  – É a primeira vez que ouço a voz dela em uma semana – Ouvi minha avó dizer a ele antes dele abrir a porta.
  – Oi – Ele apenas disse, quando estava na minha frente. Eu encarava as cartas abertas em meu colo. Abaixou-se de modo que seu rosto entrasse em meu campo de visão. – null, eu sinto muito.
  E me abraçou, fazendo as malditas lágrimas brotarem de novo em meus olhos. Agarrei suas vestes com força e soltei todos os soluços que estavam presos em minha garganta, enquanto ele alisava minhas costas tentando me dar algum tipo de suporte. Chorei alto sem conseguir segurar tudo o que meu peito sentia, e chorei sabendo que ele também sentia aquilo, por mais que conseguisse segurar as lágrimas, ou pelo menos os soluços. Senti seu pulso se mexer um pouco atrás de mim e ouvi a porta do meu quarto fechar lentamente.
  Ficamos abraçados até eu conseguir controlar meu corpo.
  – Não estou sentindo minhas pernas – Ele quebrou o silêncio, fazendo-me soltá-lo do abraço dando uma risadinha sem graça entre as lágrimas, só agora notei que ele ainda estava de cócoras.
  Ele sentou-se ao meu lado na cama, e segurou minhas mãos.
  – null, eu sei que está difícil. Acredite, eu sei. Também perdi meu melhor amigo – Disse ele, olhando em meus olhos. – Mas você não pode deixar que isto leve a sua vida junto.
  – Eu não consigo, Lee.
  – Consegue sim. Eu te ajudo – Apertou minhas mãos com mais força. – Espera aqui um pouquinho.
  Ele se levantou e rodeou meu quarto, como se fosse íntimo daquele lugar, abriu a porta do banheiro e entrou lá. Meio segundo depois ouvi o barulho de água e Lee voltou até mim, puxando-me pelos braços. Levantei sentindo minhas costas clamarem por misericórdia.
  – Vem, coloquei um energizante na água. Toma um banho e eu te espero aqui – Ele disse com um sorriso doce.
  Lee era uma das pessoas mais alegres e empolgadas que eu conhecia, vê-lo tão calmo e compreensivo comigo era tão estranho quanto ver um centauro que não gostasse de astrologia.
  Fiz o que ele pediu, tomei um banho que realmente parecia ter ativos que me deixaram com um sentimento melhor dentro de meu peito. Saí do banheiro e o encontrei com a foto que eu encarava poucos minutos atrás nas mãos.
  Ele levantou os olhos até onde eu estava e secou a lágrima que escorregou por sua bochecha rapidamente com a mão, apontou para o seu lado na cama.
  – null, eu preciso conversar com você.
  Sentei-me ao seu lado, virada de frente para ele.
  – George precisa da sua ajuda – Ele simplesmente disse, como se eu fosse a resposta de todos os seus problemas. É claro que George precisava da minha ajuda, Fred havia me informado aquilo antes da sua morte, e eu fui egoísta o suficiente para não conseguir cumprir a promessa que havia feito. Aquilo me atingiu com uma força que eu não esperava. Meus olhos encheram-se de lágrimas novamente.
  – Eu sei – Disse com a voz embargada. – Me desculpe Lee, eu não quis me fechar desse jeito, eu só... Não tive forças. É o Fred, o meu Fred.
  – Não precisa se desculpar, null. Cada pessoa tem um processo de cura com o luto. É normal. – Ele novamente segurou em minhas mãos, atencioso como um melhor amigo deveria ser. Atencioso como eu deveria estar sendo com George.
  Ficamos em silêncio por um instante.
  – Ele não quer sair do quarto, não deixa ninguém entrar. Nem Sra. Weasley, nem eu, nem Angelina... Todos estão preocupa-
  – Eu vou tentar falar com ele. – Interrompi, ouvindo a voz de Fred em minha cabeça.
  Promete que vai cuidar dele?

***

  Aparatei no terreno d’A Toca sozinha, caminhei por alguns metros dentro de um mato alto antes de encontrar a clareira em que a casa se encontrava. Respirei fundo encarando a casa alta e torta que só podia estar em pé por causa de magia, e senti meu coração apertar quando bati os nós de meus dedos na porta grossa de carvalho.
  Aquele lugar representava tantas coisas, foram tantas as vezes em que passei minhas férias ali, aprendi a jogar quadribol, ajudei senhora Weasley a retirar gnomos do seu jardim, ensinei o senhor Weasley a usar vários artefatos trouxas em sua garagem, ajudei Percy a escrever cartas românticas à Penélope (só para depois contar à Fred e George aos risos) e convenci Rony a colocar uma gota da versão de testes do “baba de trasgo” no suco de abóbora de Harry, que ficou pingando uma saliva espessa durante a tarde inteira e compartilhei segredos com Gina.
  A senhora Weasley abriu a porta.
  – null! – Ela soltou animada e me agarrou pelo pescoço, puxando-me para um abraço aconchegante que apenas uma mãe poderia dar. Me aninhei em seu colo, sentindo o amor que ela transmitia aquecer meu corpo como um bom gole de whisky de fogo.
  Novamente senti meus olhos arderem.
  – Entre, meu bem. Vou fazer um chá para você – Entrei pela porta, vendo a casa estranhamente vazia. Aquilo fez meu peito doer novamente. A Toca nunca esteve tão silenciosa. – Como você está? Sente, sente.
  Eu sabia que Molly estava destruída por dentro, que ela estava tão devastada e quebrada quanto qualquer outro naquela casa, mas sua casca era dura e resistente como uma mãe de sete filhos deveria ser.
  – Eu… Estou bem. – Menti, não queria que ela se preocupasse comigo, já tinha tantas preocupações, tantos desafios a serem enfrentados, a última coisa que eu queria era que perdesse um espacinho que fosse pensando em como eu estava ou deveria estar.
  – Não precisa mentir para mim, querida. – Seu sexto sentido materno de sempre funcionou muito bem comigo. Mesmo assim, decidi ficar em silêncio enquanto ela acendia o fogão com sua varinha.
  – Onde estão todos? – Perguntei mudando de assunto.
  – Ahh, Arthur e Percy estão no Ministério. Ron, Hermione, Gina e Harry estão em Hogwarts, ajudando com os reparos do castelo. E George… – Ela suspirou, olhando para o nada. – George está no quarto. Ele não sai mais de lá.
  A senhora Weasley sentou-se na cadeira em frente à minha, o semblante exausto denunciava as noites mal dormidas.
  – Senhora Weasley, eu quero que você me desculpe.
  – Pelo quê, minha filha?
  – Por eu não ter vindo antes, eu… Eu também estava em um lugar horrível e precisei de um empurrãozinho para conseguir sair. Me desculpe por largar vocês aqui assim. É só que… Eu amava demais o seu filho, acho que ainda não consegui entender muito bem como é que vai ser a minha vida a partir de agora. – Admiti insegura, olhando minhas mãos sobre a mesa ao invés de encará-la.
  – null, você não precisa se desculpar por nada! Eu sou grata em saber que meu Fred se foi sendo amado pela pessoa que ele também amava – Ela foi a segunda pessoa que segurou em minhas mãos hoje. – Você é da família, querida, você sempre foi.
  – Eu… – E lá estavam as lágrimas traiçoeiras novamente. – Obrigada, senhora Weasley, isso significa muito para mim.
  Molly acariciou meu rosto e secou a lágrima teimosa que insistiu em descer. Levantou-se com calma quando a chaleira começou a chiar e preparou duas xícaras de chá fumegante para nós.
  – Você acha que George vai querer falar comigo? – Perguntei incerta, bebendo o chá delicioso que ela havia preparado.
  – Eu espero que sim, querida. Você é minha última esperança, Angelina esteve aqui duas vezes e ele não quis desbloquear a porta. Lee também tentou, mas sem sucesso. – A senhora Weasley suspirou fechando os olhos. – Não sei mais o que fazer…
  – Eu vou dar um jeito nisso, eu prometo.
  Se eu soubesse que sair de casa e falar com senhora Weasley iria me fazer tão bem, teria vindo antes. Tudo naquela casa me lembrava Fred. Eu nunca tinha ido ali sem que ele estivesse junto e saber que George estava lá também, e provavelmente em uma situação pior do que a que eu estava era de partir o coração. Nesse momento lembrei de Lee me falando que cada um tem um processo de cura do luto diferente, e sendo filha única, eu nunca entenderia o que é perder um irmão. Nunca.
  Não é porque a senhora Weasley está sendo simpática e doce comigo, que ela não está sentindo a dor da perda de um filho. Eu perdi um melhor amigo e um namorado. George perdeu o melhor amigo e um irmão. Nada nunca iria suprir aquela perda.
  Terminei meu chá e olhei cúmplice a ela enquanto me encaminhava para a escada que dava aos quartos. Subi os degraus lentamente, sentindo meu coração pulsar em minha garganta e náuseas que enchiam minha boca de saliva e deixavam minhas mãos suando frio. O nervosismo era gritante. Tinha medo que George também não quisesse falar comigo, e principalmente, tinha medo de falhar na única promessa que fiz à Fred.
  Cheguei na porta do quarto dos gêmeos com o coração na mão. Eu tinha que estar preparada psicologicamente para muitas coisas: a primeira e mais importante era de saber lidar com George, acolher e amparar qualquer uma de suas angústias; a segunda era conseguir entrar no quarto de Fred sem deixar aquilo me abalar de forma que eu não conseguisse dar a devida atenção a George; e a terceira era que eu não estava preparada psicologicamente para nenhuma dessas opções. E mesmo assim bati na porta.
  – Forge? – Falei para a porta ainda fechada. – É a null. Posso entrar?
  O silêncio ensurdecedor manteve minhas pernas firmes onde estavam. Bati mais uma vez.
  Nada.
  Peguei minha varinha contrariada. Eu não queria usar magia para entrar no quarto, era uma falta de ética tremenda, pela invasão de privacidade, pela completa falta de noção e pelo fato de que outras pessoas provavelmente já haviam tentado fazer aquilo e falharam. George provavelmente trancou a porta com um feitiço mais poderoso do que um simples:
  – Alohomora – Sussurrei para a porta que destravou com um clique.
  Empurrei a porta devagar até o final. George encontrava-se deitado na cama de Fred, encolhido como um filhotinho, os joelhos apertados contra o peito e as mãos abraçando as pernas.
  Senti meu corpo fraquejar por um segundo, vendo-o daquele jeito. Em meu peito uma sensação triste de traição, por não conseguir ter ido antes até ele, dar o apoio que ele precisava.
  Ao contrário do que eu imaginei, o quarto estava com as janelas abertas e bem arejado, o cheiro de fumaça era forte ali dentro, e um misto do cheiro de Fred e George me abraçou como o cheiro de torta recém assada. Minhas pernas amoleceram e me vi obrigada a me apoiar no batente da porta antes de entrar completamente no quarto. Tranquei a porta.
  – Hey, grandão – Me agachei em sua frente e pude finalmente ver seu rosto contra a luz do sol que entrava pela janela.
  George estava péssimo. Os olhos fundos rodeados de olheiras arroxeadas, as bochechas antes bonitas e coradas, agora tinha sulcos abaixo das maçãs do rosto, seus cabelos estavam opacos e sem o brilho vermelho habitual, seu olhar era vazio, como se nem percebesse que eu estava realmente ali.
  – Georgie – Minha voz saiu afetada pelo nó que se fechava em minha garganta; enquanto as lágrimas brotavam em meus olhos vendo a situação em que eu deixei meu melhor amigo chegar.
  – Georgie, eu estou aqui e não vou a lugar algum.
  Dei a volta na cama, enfiando-me entre ele e a parede e o abracei por trás, encaixei meu braço por baixo do seu, enlacei sua cintura com minha perna, beijei o topo de sua cabeça e apenas fiquei ali, ouvindo sua respiração, sentindo a pulsação do seu coração e tentando sugar de qualquer maneira, um pouco da sua dor para mim.
  Perdi a noção de quanto tempo fiquei assim até que George se desse por vencido e se movesse na cama, virando-se de frente para mim. Ele não disse nada e muito menos eu, ao invés disso, passou os braços em volta do meu tronco, puxando-me mais para perto, agarrou a malha da minha blusa como se sua vida dependesse daquilo, enterrou seu rosto em meu pescoço e chorou.
  Chorou do mesmo jeito que eu havia chorado com Lee, um choro alto e descontrolado, com soluços que o deixavam sem ar por alguns segundos até ele conseguir respirar.
  Acariciei seus cabelos, enquanto deixava as lágrimas lavar meu rosto novamente, não sei como era possível que meu corpo ainda tivesse capacidade de criar novas lágrimas, mas ali estavam elas.
  Fiquei ali até ele parar de chorar e pegar no sono, já era escuro lá fora quando isso aconteceu, mas eu não fazia ideia de que horas eram. Fechei a janela do quarto, peguei uma manta dentro do guarda-roupas e coloquei por cima dele, dei um beijinho em sua têmpora e saí do quarto.

  A família Weasley estava reunida na mesa de jantar, Hermione e Harry estavam também. Todos me olharam com expectativa quando desci o último degrau da escada e Gina correu para me abraçar quando me viu. Respirei fundo para não chorar mais uma vez.
  – Ele está bem – Falei por fim, um suspiro cansado acompanhou a minha voz.
  Todos respiraram aliviados, Gina me puxou para sentar ao seu lado na cadeira que normalmente era minha quando eu ia passar as férias lá.
  – E você, como está? – Hermione perguntou, acariciando meu antebraço. O olhar de todos recaiu sobre mim mais uma vez.
  – Eu estou... – Eu iria mentir novamente, não precisava berrar aos sete cantos que estava despedaçada por dentro, todos ali sabiam disso e todos ali sentiam-se do mesmo modo. Seria redundante ficar repetindo esses passos toda vez. Antes de eu conseguir terminar minha frase, vi o olhar de Molly para mim, sua cabeça balançou negativamente como se dissesse “Não precisa mentir para a sua família”. – Na verdade, não sei como eu estou.
  – Coma um pouco, meu bem – Sra. Weasley disse do outro lado da mesa.
  O clima da mesa era denso, silencioso e preocupado. Ninguém se atrevia a falar mais do que uma frase e depois do jantar, pedi a Sr. Weasley para usar o seu telefone (pouquíssimo utilizado naquela residência) para eu avisar minha avó que passaria alguns dias ali.
  Pedi a Molly que fizesse uma sopa e deixasse sob o fogão, que mais tarde eu tentaria convencer George a descer e comer um pouco. Ela me agradeceu com o olhar, e eu não precisava de nada mais do que aquilo.
  Voltei às escadas e subi até o último quarto antes de voltar ao quarto dos gêmeos. Cumprimentei cada um devidamente, os quatro estavam sentados no chão, Rony e Mione estavam abraçados, Harry e Gina também, não havia muita conversa envolvida no momento, eles estavam apenas curtindo a presença um do outro, e dando o suporte necessário, afinal, Rony e Gina também haviam perdido o irmão. Todos nós perdemos muitas pessoas, amigos, colegas, parentes, professores... Conversamos coisas banais, perguntei como estava em Hogwarts e eles me contaram em poucas palavras.
  Quando saí do quarto de Rony para deixá-los mais à vontade, ouvi a voz dele me chamar.
  – Obrigado por estar fazendo isso.
  – Isso o quê?
  – Cuidando de George, você sabe.
  – Não estou fazendo nada que nenhum de vocês não fariam um pelo outro – Falei apontando para cada um.
  Voltei ao quarto dos gêmeos, a porta agora estava destrancada e tenho certeza de que senhora e senhor Weasley vieram espiar o filho antes de irem ao seu quarto. Roubei um par de meias grossas no guarda-roupas e deitei-me junto com George mais uma vez. Seus braços me envolveram quase que imediatamente e peguei no sono ouvindo sua respiração regular e calma de quem estava em sono profundo.

  O sono foi leve e cada vez que George se mexia, eu abria os olhos para me certificar de que ele estava bem. Me peguei fazendo carinho em seu cabelo vez ou outra, como eu fazia em Fred quando sentávamos na beira do lago para conversar sobre qualquer coisa. Levantei, mesmo estando exausta, para tomar um copo de água e respirar um pouco.
  Sentei na cadeira que normalmente Fred usava, ao lado da minha, e perdi a noção de quanto tempo fiquei ali com meu copo de água nas mãos, intocado.
  Era impossível não me pegar pensando nele.
  Seu cheiro agora estava impregnado em minha roupa e por um segundo me senti abraçada novamente, respirei fundo tentando controlar as emoções em meu coração. O vazio que eu sentia dentro de meu peito parecia que nunca mais seria preenchido, era a dor mais íntegra que jamais pensei em um dia sentir. Me peguei chorando silenciosa quando ouvi passos descendo as escadas.
  – null? – Era a voz de Potter.
  – Ah, oi, Harry – Minha voz saiu mais chorosa do que eu esperava.
  Ele veio até mim e sentou-se ao meu lado.
  – Não está sendo fácil, não é? – Perguntou ele, sem realmente esperar uma resposta. Ele também havia perdido algumas pessoas, e sabia exatamente pelo que eu estava passando, sabia também que a amizade era indispensável nesse momento. Ele estava ali por Gina e Rony.
  – Não. Não achei que fosse ser tão difícil – Admiti suspirando. Eu sempre tive uma intimidade com Harry que nunca tive com Rony e Hermione. Gosto de pensar que o fato de sermos órfãos ajudou nesse processo de aproximação, mas é claro que termos melhores amigos da mesma família ajudou também.
  – Você vai conseguir, tá bem? Vai passar, eu te prometo. Às vezes demora mais do que a gente quer. Mas passa – Ele acariciou meu antebraço. Pus minha mão sobre a dele.
  – Obrigada Harry, sei que não está sendo fácil para você também – Suspirei.
  – Não está, é verdade. Mas vou te admitir algo que está preso dentro de mim e não tive coragem de falar para ninguém: estou tão aliviado que tudo isso finalmente acabou, que não consegui digerir as perdas ainda. Estou com a mente tão ocupada lá na escola, que não tive tempo de parar e chorar, sabe? Isso é muita insensibilidade?
  – Cada um lida com a perda de um jeito – Parafraseei Lee. – Não se martirize por isto, Potter, se você não chorou ou não perdeu o apetite, não quer dizer que você é uma má pessoa. Você é só humano. – Tentei ser a mais sensata que eu pude, e o garoto se abalou um pouco.
  – Eu só não consigo tirar da cabeça que todas essas pessoas morreram por minha causa – Sua voz saiu esganiçada, presa por uma angústia palpável.
  – Não. Não foi sua causa, todos que estavam lá queriam lutar contra Você-sabe-quem. Todos sabiam das consequências, todos decidiram ir. Harry, você tem que parar de se culpar pelas coisas que ele fez, só por que você era o Escolhido.
  – Eu entendo o que você diz. Só não consigo visualizar dessa maneira.
  – É a maneira certa. Logo você vai conseguir compreender isso. Não foi culpa sua, nada disso. Nada teria sido diferente se outra pessoa fosse a escolhida. Teríamos lutado do mesmo jeito – Continuei defendendo-o de seus próprios demônios. – Com certeza ser seu amigo ajudou muito nesse processo, mas não considere como culpa. Porque não é.
  – É, você está certa.
  – É claro que estou – Brinquei e ele sorriu fraco.
  – Eu sinto muito pelo Fred – Harry disse depois de alguns minutos de silêncio.
  Apenas suspirei, finalmente tomando um gole da minha água.
  – Dói muito, sabia? Eu não perdi um namorado, eu sinto que perdi minha família. E eu sei que você é um dos poucos que entende esse sentimento.
  – Sim, eu sei exatamente o tipo de dor que você está sentindo – Harry aproximou sua cadeira da minha e me abraçou de lado, deitando sua cabeça em meu ombro. – Mas vai passar, estamos todos aqui para isso, para curarmos uns aos outros.
  Ficamos abraçados por alguns minutos, em silêncio.
  – Estou preocupada com George.
  – Ele vai sair dessa, mas ele precisa de você, null – Harry soltou nosso abraço. – Ele tem uma conexão contigo, não tem com Lee e nem com a Angelina. É você. Estamos a semana inteira tentando abrir a porta do seu quarto. Ele pôs algum feitiço que nem mesmo Hermione soube dizer qual era, só você conseguiu abrir.
  – Acho que sei o que pode ter sido. – Falei, levando minhas mãos até meu pescoço e retirando a correntinha prateada que Fred me deu antes da batalha de dentro de minha blusa – Fred me deu no dia da batalha.
  – Brilhante! – Harry exclamou, costume que pegou de Rony. – Ele devia te amar bastante, para te confiar essa tarefa.
  – Eu só tenho medo que eu não esteja preparada para essa tarefa.
  – Está sim, George confia em você. E Fred também confiava, se não ele não te daria isto – Indicou a corrente que provavelmente tinha algum tipo de magia que abriu a porta do quarto deles e guardei-a por dentro da blusa.
  – Você tem razão.
  – É claro que tenho. – Ele brincou e empurrei seu ombro antes de me levantar.
  Ele me acompanhou até a porta do quarto dos gêmeos e me abraçou mais uma vez antes de seguir ao quarto de Rony.
  Entrei no quarto e me aconcheguei ao lado de George, segurei minha correntinha na mão antes de pegar no sono, confiante de que se Fred havia me pedido para ajudar George, era porque ele depositava em mim uma confiança extraordinária.

  Flashback – 01 de setembro de 1989 – Estação King’s Cross.

  – Com licença – Minha avó abordou um homem de pele negra que estava com o filho que parecia ter a minha idade. O homem parou e nos deu atenção, e segurou a mão do garoto que guiava um carrinho com uma bagagem um tanto excêntrica, assim como a minha, não haviam dúvidas de que eles eram bruxos a caminho de Hogwarts assim como eu. – O senhor também está indo até o Expresso de Hogwarts? – Vovó sussurrou a última parte, olhando para os lados com medo que o homem a achasse uma lunática. Segurei um risinho enquanto notei os olhos do garoto em mim, ele tinha os cabelos despojados com dread locks curtos, usava vestes compridas que eu só tinha visto igual quando fomos comprar meu material escolar no Beco Diagonal.
  Eu usava roupas comuns, calça jeans e um suéter fino azul claro que minha avó me obrigou a usar com medo que eu passasse frio durante a viagem.
  – Ah sim, estou. Você nunca foi até lá? Deixe-me adivinhar, são trouxas? – Perguntou o homem em um tom divertido. Minha avó suspirou aliviada por ter encontrado de primeira, alguém que fosse capaz de nos ajudar.
  – Sim, eu sou, mas minha neta, null, não. E é por isso que estou um pouco perdida com essa passagem de trem – Falou ela, abanando a passagem no ar.
  – É bem confuso para os principiantes mesmo. Mas se vocês quiserem me acompanhar, eu mostro como funciona.
  – Seria de grande ajuda! Obrigada – Ela disse e acompanhamos o homem e o garoto.
  – Bom, sou Eddard Jordan – O homem esticou a mão até minha avó que a apertou com simpatia. – E este é meu filho Lee.
  – É um prazer, sou Lucille null. E esta é minha neta null.
  Estiquei minha mão com certa cordialidade desnecessária até o garoto que apertou meio sem graça.
  Seguimos até parede de tijolos que compunha o arco entre as plataformas nove e dez, e Eddard explicou como funcionava a entrada. Ainda com um pouco de receio, nós duas fizemos o que o homem explicou, logo atrás deles.
  Ainda era difícil de acreditar que tudo aquilo ali era real, a passagem pela parede de tijolos, o trem gigantesco que nos aguardava já ligado, ou a quantidade de pessoas andando para um lado e para o outro, crianças e adultos se misturando em grande quantidade, tudo parecia realmente mágico. Me despedi de minha avó quando vi que Lee estava abraçando seu pai, entregamos nossas bagagens juntos em um vagão específico para isto e seguimos para dentro do trem à vapor.
  Por mais que fosse um bruxo nascido em uma família de linhagem bruxa, Lee mostrava bastante nervosismo em deixar o pai e subir no trem. Fingi não notar como ele ficou abalado quando entrou, e o acompanhei pelo corredor, tentando o distrair, comentei:
  – É melhor quando tem alguém junto, não acha? É menos assustador.
  Andamos alguns vagões cheios de alunos mais velhos, até encontrarmos uma cabine vaga e corremos para a janela para darmos um último adeus à nossa família. Minha avó acenou docemente, enxugando uma lágrima que desceu por sua bochecha. Eu sorri tentando deixar ela mais calma.
  – Você acha que é muito longe? – Lee perguntou ansioso, olhando pela janela que agora mostravam um lindo campo verde, o dia era ensolarado e fresco.
  – Não faço ideia! Eu sou a nascida trouxa aqui – Dei uma risada, e ele riu junto dando um tapa na testa.
  – Verdade, esqueci de fazer este tipo de pergunta ao meu pai – Ele refletiu. – Você acha que vamos ser selecionados para a mesma casa?
  – Casa? Do que você está falando?
  – Ah, por Merlin, esqueço que você não sabe nada sobre Hogwarts!
  Lee entrou em uma conversa animada sobre as casas da escola, explicou as características de cada uma e disse que seu pai era da Corvinal e sua mãe da Lufa-lufa.
  Enquanto a gente conversava animados sobre nosso futuro na escola, dois garotos entraram na cabine: Ambos tinham cabelos ruivos e eram idênticos.
  – Estamos fazendo um teste – O ruivo da esquerda disse, ele era pouca coisa mais alto do que o seu gêmeo.
  – Um teste oficial da Escola de Magia e Bruxaria de Hogwarts – O outro completou animado, uni as sobrancelhas em desconfiança enquanto eles ficavam mais à vontade na cabine.
  – Que tipo de teste? – Lee perguntou, olhando de soslaio para mim, sua expressão era tão desconfiada quanto a minha.
  – É bem simples. – O ruivo da esquerda falou enquanto pegava em suas vestes um pacote de tirinhas de jujubas já aberto.
  – Cada um de vocês têm que pegar uma jujuba e comer. O sabor da jujuba dirá se vocês estarão aptos a fazer o teste das casas quando chegarem em Hogwarts. – O ruivo da direita disse, sentando-se ao meu lado como se me conhecesse há bastante tempo, enquanto o outro fazia o mesmo sentando ao lado de Lee.
  – Isso não me parece nem um pouco verdadeiro – Deixei escapar, unindo as sobrancelhas, encarando o pacote aberto de jujubas e depois olhando para o gêmeo que estava ao lado de Lee.
  – Não precisa acreditar, apenas lembre-se de mais tarde ir falar com o Diretor Dumbledore sobre como você se negou a fazer um simples teste de triagem para a seleção das casas. – O gêmeo ao meu lado disse, dando de ombros.
  Pensei por um segundo. Tinha certeza de que era uma pegadinha, não existia a menor chance de que aqueles dois garotos, tão jovens quanto eu, terem sido encarregados de algo tão importante. Mesmo assim, poderia ser divertido fazer algumas amizades a mais do que Lee. Afinal, e se não fossemos para a mesma casa? E o que poderia ter de tão ruim naquela jujuba?
  Sem falar nada, arranquei uma jujuba do pacote e no exato instante em que meus dentes deram a primeira mordida, a jujuba explodiu com um estalo seco, sumindo de minha mão e da minha boca, deixando um gosto de fumaça no lugar. Quando abri os olhos ainda pude ver a fumaça se dissipando. Engoli seco por conta do susto, e a cabine ficou em silêncio por um segundo, todos esperando a minha reação. Decidi que não ficaria brava, afinal, quem pegou a jujuba fui eu, e sem mais nem menos, dei uma gargalhada alta, desatando a rir descontroladamente vendo o rosto dos garotos que ainda estavam em choque pela minha reação. Poucos segundos depois, os três meninos caíram na gargalhada.
  – Eu amei! Quero fazer com alguém! – Eu disse ainda entre risos. – Já fizeram em alguma outra cabine?
  – Não, vocês foram os primeiros – O gêmeo ao meu lado disse, enxugando a lágrima que escorria por seus olhos de tanto rir.
  – Por quê? – Lee perguntou curioso, o sorriso ainda estampado no rosto.
  – Era a cabine mais vaga, queríamos lugares para nos sentar durante a viagem.
  – Queriam lugar para sentar e fizeram isso?! – Perguntei indignada, porém de maneira leve.
  – Ah, era para quebrar o gelo. – O gêmeo ao meu lado esbarrou o ombro no meu, sorrindo ladino.
  – Tudo bem, vocês conseguiram. – Me dei por vencida, ainda dando risos escassos que fugiam de minha boca sem controle.
  – Sou Fred. E esse é o George. – O gêmeo ao lado de Lee disse.
  Nos cumprimentamos de verdade dessa vez, e os três me ajudaram a limpar o rosto esfumaçado para colocarmos o plano de enganar mais cabines com as jujubas em ação.
  A viagem quase inteira nós quatro ficamos enganando outros alunos nas cabines, sempre variando a dupla para que ninguém desconfiasse. As jujubas surpresa que os gêmeos levaram variavam entre explodir, gritar, soltar fumaças com cheiro de pum, entre outros. Não demorou muito para ficarmos conhecidos dentro do vagão.
E demorou menos tempo ainda para percebermos que aquela amizade seria duradoura.

  Fim do Flashback


  Nota da autora: Eu SEMPRE quis escrever uma fic de Harry Potter, mas sempre tive muito medo de entrar nesse mundo que amo tanto pois tenho medo de estragar. Decidi que minha primeira aventura tinha que ser depois dos acontecimentos principais para que eu não tivesse que alterar muitas coisas da história original. E aqui estou eu, sofrendo calada a morte de Fred que sempre foi algo que me tocou muito.
  Algumas informações importantes: Todo capítulo terá um flashback da vida deles antes do acontecido, vou sempre tentar não alterar muito as informações durante os anos de Harry na escola, mas achei que seria importante mostrar o desenvolvimento da amizade desse Trio de Ouro tão diferente do Trio de Ouro original.
  Espero muito que vocês gostem e abram o coração de vocês para esse momento tão delicado na vida dos Weasley’s. Um beijão, e deixem aquele comentário gostoso <3



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