The Sweetest Sin

Escrito por Anna Lazo | Revisado por Hels

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Prólogo

  - ! Porra, a gente vai se atrasar! Juro que se você passar mais uma gota de rímel, eu corto sua cabeça fora. - , uma de suas melhores amigas, disse.
  - Novidade, ! A sempre se atrasa. Vou começar a mandar ela se arrumar pras coisas com um dia de antecedência. - , a outra melhor amiga, brincou.
  - Mano, ainda são 23h! Temos tempo de sobra ainda, a festa não vai sair correndo. Bom, pelo menos não antes das 6h da manhã. - respondeu, arrancando risadas de todas.
  Faltavam exatos 60 minutos até a virada do ano. As três haviam decidido que, naquele ano, não passariam o Réveillon em casa, com suas famílias. Queriam algo diferente, algo excitante.
  - Ok, estou pronta! Vamos? - disse, saindo do quarto em que estava trancada havia, pelo menos, duas horas.
  - Amém, Jesus! - e falaram juntas, já andando em direção à porta.
  - Eita, esqueci o meu celular! Esperem só um pouquinho! - disse, correndo de volta ao seu quarto em busca do celular perdido. Estava logo em cima de sua mesa, tocando energicamente.
  - Oi? - ela atendeu.
  - Oi, Bia? É o . - seu irmão respondeu, do outro lado da linha. - Então... É que eu queria saber se você não vem mesmo passar o Réveillon aqui em casa.

  De novo a mesma pergunta. havia passado a semana inteira tentando convencer a irmã a passar a comemoração em casa, com a família. Provavelmente a mando de seu pai, já que nem ele ou sua mãe faziam muita questão. Contanto que soubessem onde ela estava, tudo bem.
  - , quantas vezes eu vou ter que falar? Além do mais, eu já estou saindo.
  - Hum... Ok, então. Vejo você ano que vem, beijo!
  - Beijo!

  - Quem era? - perguntou, embora já soubesse a resposta. Ela e haviam tido uma ?coisa? no começo desse ano e, aparentemente, nenhum dos dois haviam totalmente superado um ao outro.
  - Meu irmão. Enfim, vamos, né? Se demorarmos mais um pouquinho, eu mesma desisto de ir.

+++

  - Não acredito no que eu estou vendo. É sério, alguém me belisca. - disse, parecendo que tinha acabado de entrar num sonho muito, muito bom.
  As três estavam sentadas no bar ao fundo do salão de festas, e provavelmente havia avistado algum pretendente.
  - Anda, quem é? - perguntou , olhando em volta.
  - Oh, oh... Erm... Ninguém, Bia! - respondeu rapidamente, nervosa. a olhava com cara de curiosidade, não entendendo sua mudança de humor instantânea assim como .
  - , eu sei que você viu alguém. Me mostra, vai! Juro que se for feio eu não vou rir de você. - tentou mais uma vez, brincando, a fim de melhorar um pouco a situação.
  - Ali, Bia. - respondeu, apontando para o canto esquerdo, onde dois garotos estavam parados. - Eu sabia que você não ia gostar, por isso não queria falar.
   não sabia quem era o garoto que falava, mas definitivamente sabia quem era o outro. , seu ex-namorado.
  - É, pois é... Essa é uma festa grande, certo? Nós apenas mudamos de lugar e não precisaremos vê-los de novo. - disse, já levantando de sua cadeira.
  - Não, senta sua bunda aí, ! Está tudo bem, sério! Foda-se, eu não ligo mais pra ele. - respondeu dando de ombros, escondendo os verdadeiros sentimentos.
  - Certeza, Bia? - perguntou, preocupada.
  - Absoluta.

+++

  - Bia, melhor você diminuir um pouco na bebida, não? - perguntou assim que se sentou ao seu lado. Ela e a haviam feito ?amizades? - com o tal amigo de - e estavam a maior parte do tempo na pista de dança, uma ou outra vindo de vez em quando checá-la.
  - É Réveillon, foda-se.
  - Estou falando sério, Bia.
  - Eu também, ! Além do mais, você está exagerando. - insistiu .
  - Ah, olha! Já vai começar a contagem regressiva, vamos pra lá! - chamou, levantando-se rapidamente.
  - Pode ir, vou só terminar esse copo aqui e te alcanço. - respondeu. Pura mentira.
  Não estava se sentindo bem e decidiu que seria melhor voltar pra casa. As meninas provavelmente iriam embora com seus pares e, se não fossem, poderiam muito bem chamar um táxi. realmente precisava ir para casa. Pegou as chaves do carro, que estavam em cima do balcão, e saiu.

+++

  Barulho. Muito barulho. Vidros estilhaçados. Luzes vermelhas. Dor.
   não conseguia distinguir nada do que estava a sua volta, exceto isso. A dor vinha, principalmente, do seu braço direito. Não queria olhar para baixo e ver o tamanho do estrago, mas foi inevitável. Sangue escorria livremente e, de um segundo para o outro, ela estava inconsciente.


Capítulo 1

  - Ela está bem, Sra. . O pior já passou. Deve estar recebendo alta em uma semana. - ouviu o médico falar, do outro lado da porta.
  Havia acabado de acordar e não tinha ideia do que estava fazendo deitada numa cama de hospital. Tentou sentar-se, mas logo percebeu que seu braço direito estava completamente enfaixado, imóvel. Alguns outros curativos espalhavam-se pelo seu corpo, mas aquele era o principal. Sua mãe a viu e entrou no quarto rapidamente.
  - , meu amor! Você acordou! - ela disse, abraçando a filha.
  - Ai, mãe... Calma aí. - ela reclamou. Ainda estava dolorida demais para um abraço apertado.
  - Oh, desculpe... Então, do que você se lembra? - sua mãe perguntou, sentando na beirada da cama.
   se esforçou para lembrar de alguma coisa, mas apenas imagens rápidas e sem muito sentido vieram à sua mente.
  - Não muito... Eu me lembro de ter ido à festa de Réveillon com as meninas e de ter saído mais cedo, mas depois, nada. - sacudiu a cabeça, tentando clarear seus pensamentos. - Cadê o e o meu pai?
  - saiu pra comprar algum lanche, mas já deve estar de volta. - ela respondeu. não pode deixar de notar que seu pai não havia sido mencionado.
  Ele não se importa mesmo, pensou.
  - Mas o quê aconteceu, mãe? - perguntou, com medo da resposta.
  - Eles disseram que você ultrapassou o sinal vermelho e um carro que vinha na direção bateu. Por sorte foi do lado do passageiro. Desde então, você está aqui no hospital. - respondeu. Ela provavelmente ficaria nervosa depois, mas agora estava mais concentrada em ter certeza de que sua filha estava realmente bem.
  - Há quanto tempo?
  - Uma sem ana. Eles disseram que não foi nada realmente grave, fora o seu braço. Você deve ter alta logo. - ela respondeu, segurando a mão da filha.
  Ao ouvir sobre o que havia acontecido, algumas coisas começaram a fazer sentido novamente para . A imagem de seu braço jorrando sangue voltou à sua mente, fazendo com que ela estremecesse.
  - Hey, você acordou! - exclamou assim que chegou à porta. Suas mãos estavam ocupadas com um pacote de Cheetos e uma latinha de Coca-Cola. Típico.
  - Bom, vou deixar você um pouquinho com seu irmão... Volto depois, ok? - sua mãe disse, dando um beijo em sua testa. Assim que viu o que tinha nas mãos, completou: - , você tem certeza que pode entrar com esse tipo de coisa aqui?
  - Não sei. Se eles reclamarem, eu saio. - respondeu, dando de ombros.
  - Hum... Enfim, depois eu volto, ok? - sua mãe disse, saindo.
  - Ok. - concordou. - Vem pra cá, !
  - Não, eu não vou te dar meu Cheetos, maninha. - ele brincou, andando até chegar à beirada da cama.
  - Chato! Mas eu nem sei se posso comer esse tipo de coisa aqui... Saco. - respondeu, fechando a cara em brincadeira. Era incrível como, sempre que estava por perto, tudo parecia mais alegre.
  - Mas e aí, como você está se sentindo? - ele perguntou, colocando alguns Cheetos na boca.
  - Bem... Eu acho. E as meninas, onde estão? - perguntou, só agora se lembrando de que tinha deixado-as sozinhas naquela festa.
  - Estão bem. Assim que souberam do acidente vieram pra cá correndo, e só saíram algumas vezes desde então. Acho que a foi em casa tomar banho, mas a deve estar em algum lugar do hospital. Depois eu trago ela aqui. - ele respondeu, parecendo estranhamente animado em falar o nome da . Essa coisa de ficar pelo hospital deve ter os aproximado novamente.

+++

  - O que você está fazendo? - perguntou , ouvindo o barulho de mexendo no celular rapidamente.
  - Ligando para a . - respondeu, colocando o celular no ouvido e andando de um lado para o outro.
  - De novo, cara? Sério, era eu quem devia estar ligando pra ela e não você. Além do mais, ela já deve estar cansada de te dar notícias sobre a . - ele insistiu. Desde a tal festa do Réveillon, ele e estavam cada vez mais próximos.
  - Deixa de ciúmes, mano. Eu só vou perguntar sobre a , e pronto. - respondeu, fazendo um sinal com a mão para avisá-lo de que ela tinha atendido a ligação.
  - Hey, ?
  - Oi, ! E aí, tudo bem? - respondeu a garota, parecendo mais tranquila do que nas últimas vezes em que se falaram.
  - Tudo... E você? Tem notícias novas sobre a ? - ele perguntou, indo direto ao ponto. Precisava saber como estava indo. Desde o acidente, não parava de pensar que era o culpado por tudo; se ela não o tivesse visto na festa, provavelmente não teria bebido tanto e causado o acidente.
  - Ela está melhor! Disseram que ela já está acordada, mais tarde vou dar uma passada lá.
  - Jura? Finalmente! E você sabe quando ela vai receber alta?
  - Eles não falaram nada concreto, principalmente por causa do braço. Mas acho que em uma semana, por aí.
  - Mas pelo menos ela já está acordada, certo? Enfim, valeu pela notícia, ! - respondeu, pretendendo já desligar o celular.

  - Não, desliga não! Deixa eu falar com ela! - pediu, estendendo o braço para que pudesse entregar o celular.
  - O está quase chorando aqui querendo falar com você, vou passar pra ele, ok? Se cuida! - despediu-se de e passou o celular para , que o fuzilava com os olhos.

+++

  Uma semana depois

  - Ah, nem acredito que finalmente vou sair dessa cama de hospital! Tudo bem que eu ainda estou um pouco doída, mas sério, dá um tédio do caramba. - reclamou enquanto passava pela saída do hospital, ao lado de sua mãe, e . Ainda estava com o braço enfaixado, mas a dor já diminuira bastante.
  - Dramática! Estávamos fofocando com você o tempo todo, você mal tinha tempo de dormir. - disse, fazendo todas rirem, inclusive sua mãe.
  - Droga, está chovendo! - exclamou.
  - Não tem problema. Vocês fiquem aqui enquanto eu vou buscar o carro, ok? - a Sra. disse, abrindo seu pequeno guarda-chuva e andando até onde o carro estava.
  - Olha quem está ali, Bia! - disse, apontando para um carro preto, um pouco distante. estava encostado do lado de fora, olhando para onde elas estavam. Sua expressão era uma mistura de seriedade, preocupação e alívio.
  - Eu não sei por que vocês estão tão fãs dele agora, sabe. Tudo bem, eu sei que ele se preocupou comigo enquanto eu estava no hospital e tudo mais. Mas isso não muda o passado e ponto final. - respondeu. Na verdade, ela queria ir até lá e falar com ele. Pelo menos um ?obrigada?. Mas não, o orgulho era mais forte do que todos os outros sentimentos.
  - Não te entendo, Bia. Sério. - respondeu, falando tanto por si, quanto por .
  - Ah, olha ali sua mãe! Vamos? - disse, puxando todas para mais perto, a fim de protegê-las do frio enquanto caminhavam até o carro.

Capítulo 2

  Alguns minutos depois, já estava em casa. Foi recebida com abraços e beijos de seus avós maternos, seguidos por segurando um pequeno embrulho. Seu pai estava sentado mais ao fundo, calado. Ela não o vira desde o ano interior, pois ele não a visitara enquanto estava no hospital; pelo menos não enquanto estava consciente.
  - O que é isso, ? Está zoando de mim de novo? - ela brincou, desembrulhando o presente. Era seu antigo - e preferido - chaveirinho; uma bailarina rosa, presente de sua avó paterna, já falecida.
  - Eu sei que você guardava o chaveirinho pendurado no retrovisor interno do carro, então dei um jeitinho de conseguí-lo de volta. - ele sorriu envergonhado.
  - Awn, eu não acredito! Obrigada, ! - ela disse, dando-lhe um abraço apertado.
  - Agora deixa sua irmã fazer as coisas dela, ! Ela deve estar cansada. - sua avó materna disse, dando uns tapinhas em suas costas. - E nós também temos que ir, meu amor. Melhor aproveitarmos enquanto a chuva ainda não está tão forte. Se cuida, viu? E vê se toma juízo nessa cabecinha!
  - Isso mesmo, siga o conselho da sua avó, . - seu avô disse, abraçando-a.
  - Ok, vô! Pode deixar! - respondeu, batendo continência. - E se cuidem também!
  Dito isso, seus avós se despediram de todos os outros e foram embora. Seu pai havia apenas lhe dado um breve abraço, mas ainda sem falar nada além do obrigatório. Ela não entendia sua reação, mas não iria perguntar também. Se ele quisesse falar alguma coisa, que fosse procurá-la.

+++

  O silêncio de seu pai já estava passando dos limites. Desde que voltara para casa, ele só falava com ela quando não tinha mais outras opções.
  - É, já chega. Ele precisa falar porque está agindo tão estranho. - falou consigo mesma, descendo as escadas a caminho de seu escritório.
  Sua mãe e haviam saído, portanto os dois estavam sozinhos em casa. Se ela não conseguisse uma resposta dele agora, não conseguiria mais.
  - Pai? Posso entrar? - perguntou, batendo na porta.
  - Pode. - pôde ouvi-lo responder de dentro do escritório.
  - Estou aqui porque, bem... Eu não consigo entender o jeito que você está agindo, pai. Não tem trocado uma palavra comigo desde que eu cheguei, não me visitou no hospital... O que está acontecendo? - ela perguntou, soando mais calma do que imaginava.
  - O que está acontecendo? Eu quem te pergunto! - ele exclamou, levantando-se de sua cadeira num rompante, como se tivesse acabado de cutucar uma ferida.
  - Eu não sou vidente e não consigo ler seus pensamentos. Você tem que me dizer, caramba! - retrucou, sua voz aumentando o tom a cada sílaba.
  - Você vai a uma festa sem a minha permissão, bebe e ainda bate o carro! Como você acha que eu tenho que te tratar? - ele continuou, seu rosto ficando vermelho, como sempre ficava quando estava muito nervoso.
  - Sem a sua permissão? Olha a minha idade, pai! Além do mais, se não quisesse que eu fosse, podia ter falado ao invés de ficar usando o !
  - Então você acha que eu sou errado aqui? Sugiro que você volte pro seu quarto e pense melhor, porque eu tenho trabalho a fazer. - ele disse, sentando-se em sua cadeira novamente e voltando sua atenção para o computador.
   não conseguia acreditar no que acabara de acontecer. Seu pai ainda a tratava como se ela fosse uma garota mimada que precisa aprender algumas lições. Ela sabia muito bem que tinha errado em ter bebido e dirigido, e a conseqüência estava bem ali, no seu próprio corpo. Mas, ainda assim, ela não via motivo para que ele não trocasse uma palavra com ela ou, ainda, visitasse-a no hospital.
  Mas pra quê ele se daria o trabalho, hein, ?, ela pensou enquanto subia as escadas de volta para o seu quarto. Arrumaria as coisas e voltaria para o apartamento que dividia com e o mais rápido possível.

+++

  - Menina, mas que urgência é essa? - perguntou assim que abriu a porta do apartamento para .
  - Briguei com meu pai. - respondeu, sem mais delongas.
  - Deixe sua mochila em cima da sua cama, depois eu te ajudo a arrumar. - apontou para a porta ao final do corredor. - Enfim, senta aí no sofá e me conta essa história.
  - Bem... Basicamente, eu fui perguntar pra ele o porquê de todo esse silêncio que ele está desde que eu voltei pra casa, além de não ter ido me visitar nenhuma vez no hospital. - começou. Contou todos os detalhes, até a parte que ela decidiu voltar para o apartamento.
  - Ah, Bia... Eu posso ser sincera? - perguntou, sentando-se ao lado dela.
  - Ué, cadê a ? - perguntou, percebendo que a amiga não estava no apartamento. - Ah, desculpe ter te interrompido. Enfim, pode.
  - Ela disse que iria o cinema, mas que não demoraria muito. - respondeu. rapidamente lembrou-se do que havia falado mais cedo:
  - Estou indo ao cinema, ok? A mãe disse que foi ao supermercado, mas já deve estar de volta. - ele disse para , que estava sentada na sala assistindo televisão.
  - Cinema? Ué, com quem? Você me disse que seus amigos estavam todos viajando! - perguntou, arqueando as sobrancelhas.
  - Bem, é uma velha amiga. Enfim, vou lá! Qualquer coisa me liga. - ele respondeu, acenando para que ela fechasse a porta depois que ele saísse.

  - Deve ser coincidência. Mas de qualquer forma, depois eu pergunto pra ela. - pensou alto.
  - O quê? - perguntou, não entendendo nada do que ela havia dito.
  - Oi? Ah, nada! - ela disse, dando de ombros. - Mas então? Você disse que ia me dar sua ?opinião sincera?.
  - Ah, é mesmo! Então... , você sabe que te conheço, né? Se brincar, melhor do que você mesma! - brincou. - E, se tem uma coisa forte em você, é o seu orgulho. Acho que você deveria pensar melhor sobre isso, sabe? Não estou dizendo que seu pai está certo, mas acho que você deveria dar uma chance a ele de se explicar. Sem brigas, entende? Vai de mansinho, você vai ver que ele vai acabar abaixando a guarda e explicando o que ele realmente sente.
  - Você acha? - perguntou, insegura.
  - Acho! Além do mais, não custa tentar! - encorajou-a.
  - É, pode ser. De qualquer forma, depois eu vejo isso. - ela respondeu, mudando de insegura para indiferente.

Capítulo 3

  - Acho que vou me mudar pra Fenda do Biquíni, mano. Sério, lá deve ser um lugar bem melhor do que aqui. - disse seriamente, colocando algumas pipocas na boca. Estava assistindo Bob Esponja, um de seus desenhos preferidos.
  - Bia, para de assistir desenho e vai fazer alguma coisa útil! - reclamou, mesmo gostando de Bob Esponja tanto quanto .
  - Não tem nada pra fazer. E olha, a campainha está tocando! Deixa que eu atendo. - ela disse, correndo para abrir a porta.
  - Hey, chata! A... - disse e, antes que pudesse terminar sua frase, o interrompeu:
  - Meu pai te mandou aqui, não foi? Eu não vou voltar pra lá por agora, já falei!
  - Ei, calma aí, Sra. Nervosinha. e eu vamos sair, lembra? - disse, passando por e ficando ao lado dele.
  - Ah, é mesmo. Tinha esquecido que vocês estão cheios de gracinha de novo. - suspirou. - Enfim, divirtam-se. E , se você fizer merda, eu volto pra casa só pra arrancar sua cabeça.
  - Você precisa controlar sua agressividade, sério. - ele respondeu, fingindo estar assustado. - Enfim, estamos indo. - finalizou, andando até o elevador acompanhado de .
  - Se sentindo forever alone, Bia? - perguntou quando viu que estava andando até a cozinha, indo buscar um pote de sorvete.
  - Cala a boca, ! - respondeu, rindo.
  - Mas eu vou ficar em casa com você, não precisa se afogar no pote de sorvete. - ela disse, arrastando a amiga de volta para o sofá da sala.
  - Certeza? Acho que não, hein. - disse, apontando para o celular de que tocava desesperadamente em cima da mesa.
  - Porra, eu quase esqueci! - respondeu, num estalo. Tinha acabado de lembrar que combinara de sair para jantar com , o que com certeza arruinaria sua maratona Bob Esponja com . - É o .
  - Anda, vai! Não se preocupe comigo, vou ficar bem. Tenho o Bob, poxa! - ela brincou, apontando para a TV.
  - Tem certeza? - perguntou, insegura. Não queria deixar a amiga sozinha; da última vez que o fez, acabou num hospital por duas semanas.
  - Tenho! Agora vai, antes que ele desista. - ela afirmou, levantando para abrir a porta.
   fez o que a amiga disse e saiu para jantar com . continuou assistindo TV por uma hora, embora o silêncio estivesse ficando cada vez mais torturante. Sua mente estava sendo invadida pelas imagens do acidente e a briga com seu pai, misturadas com as palavras de : ?E, se tem uma coisa forte em você, é o seu orgulho?. Não conseguiria mais conviver com aquilo, precisava fazer alguma coisa.
  Pegou seu casaco em cima da mesa e saiu do apartamento apressadamente. Embora já tivesse tirado as faixas de seu braço no dia anterior, ainda estava sem carro; sem outra saída, prosseguiu seu caminho através do primeiro táxi que passara na rua.

+++

   havia decidido seguir o conselho que havia dado há dois dias, e acabou voltando para casa. Sua mãe estava na cozinha preparando alguma coisa pra comer, enquanto seu pai continuava trancado no escritório. , como de esperado, ainda estava com .
  - Pai? Eu só quero falar com você um minutinho, sem brigas. - disse, abrindo a porta de seu escritório.
  - Pode.
  - Erm... Acho que você ainda deve estar bravo comigo. Eu não tinha vindo aqui com a intenção de brigar com você, pai. Perdão. Eu só queria mesmo alguma explicação, algum motivo que me explicasse porque meu pai estava tão estranho comigo... - começou, esperando que ele falasse alguma coisa para que ela pudesse continuar.
  - Eu sei. - ele respondeu, soltando um suspiro cansado e abaixando a cabeça. - E eu também sei que você não é mais uma criança, . Eu te conheço e você mesma já deve ter se punido o suficiente pelo seu erro. E me desculpe se eu tenho agido assim, principalmente por não ter ido te visitar no hospital. Naquelas primeiras semanas eu não conseguia entender o que eu estava sentindo. Culpado porque te deixei ir naquela festa, mas ao mesmo tempo nervoso porque você foi beber e dirigir. Eu não conseguiria te ver num hospital, só pioraria. Enfim, perdão, minha filha. - ele terminou, estendendo os braços para que ela fosse abraçá-lo.
  - Está tudo bem, pai. - disse, abraçando-o e se segurando para que as lágrimas não caíssem.
   estava certa. Era tudo questão de orgulho. Um orgulho que muitas vezes te impede de enxergar as coisas incríveis que estão à sua frente e que, se você não souber identificá-las, logo não estarão mais.
  - Pai, tem uma coisa que eu preciso fazer. - disse, lembrando de outra pessoa com quem precisava conversar. - Não sei se volto pra dormir, provavelmente vou ficar no apartamento com as meninas, ok? Beijos! - ela completou, saindo de seu escritório correndo e entrando num táxi que, coincidentemente, estava estacionado na rua de frente à sua casa.

Epílogo

  Nota da Autora: Sugiro que ouça essa música aqui a partir de agora :B

   subia as escadas até o segundo andar rapidamente; estava ansiosa por, mesmo depois de tanto tempo, estar de volta àquele lugar. Chegando à porta do apartamento 202, tocou a campainha. Estava mordendo os lábios, como sempre fazia quando se sentia envergonhada ou insegura.
  - Olá? - uma moça respondeu, assim que abriu a porta. Pelo jeito que estava vestida, tinha acabado de sair do banho.
   olhou instintivamente para a porta do apartamento, conferindo se tinha tocado a campainha do certo. 202. Era esse mesmo o apartamento.
  - Erm... O mora aqui? - conferiu mais uma vez, não acreditando no que seus olhos viam.
  - Sim, mora. Você quer falar com ele? - a garota perguntou, fazendo sinal de que ele estava ali e que poderia chamá-lo.
  - Oi? Ah, não. Não precisa. Depois eu volto. - disse, virando e saindo dali o mais rápido que pôde.
  Acho que depois dessa eu poderia ganhar um prêmio. A Mais Estúpida do Ano. Não, não. Burra cabe melhor na situação. Argh!, pensou.
  A chuva havia começado a cair, fazendo com que a noite ficasse ainda mais escura. O táxi que a havia lhe deixado ali já tinha ido embora e, para sua sorte, quando foi pegar o celular e chamar outro, o mesmo caiu na poça de água que se acumulava na calçada.
  - Ah, great! Agora estou presa aqui. Lindo, simplesmente lindo. - resmungou, sentando-se do outro lado da calçada. Tentaria fazer seu celular funcionar e, se não conseguisse, entraria e pediria por um telefone para o porteiro do prédio.
  - O que você está fazendo aqui, ? - perguntou, assustando-a. Sua respiração estava ofegante, o que indicava que havia descido as escadas com pressa.
  - Você é louco ou o quê? Da próxima vez, dê algum sinal de que está chegando, porra! - ela reclamou, batendo o pé e espalhando água por todo lado, especialmente em seus sapatos.
  - Bia, eu já estou molhado, caramba. E você não me respondeu! O que veio fazer aqui? - ele insistiu, agachando-se para ficar na mesma altura que ela.
  - Eu estava passando por perto e então começou a chover. Meu celular caiu e eu não consigo fazê-lo funcionar para chamar um táxi e ir embora. Satisfeito? - ela mentiu, não conseguindo disfarçar a raiva em sua voz.
  - Eu sei quando você está mentindo, Bia. Além do mais, Summer me disse que você esteve lá em casa e perguntou por mim.
  - Ah, então esse é o nome dela! Summer! - disse, sem pensar.
  - Ah, então é isso! - concluiu o porquê de estar brava, começando a rir. - Você está com ciúmes da Summer! Ele é minha irmã, sua boba!
  - Você nunca me disse que tinha uma irmã, seu idiota! - ela disse, ainda brava. Desistiu de tentar mexer no celular, jogando-o na poça e voltando suas atenções ao .
  - Não? Tem certeza? - ele disse, ainda rindo.
  - Ok... Talvez você tenha dito. - rendeu-se, suspirando em derrota. - Mas eu não tinha como adivinhar!
  - Esquece isso, Bia. De qualquer forma, ela já foi embora mesmo. Estava só passando uns dias. - explicou-se, levantando e estendendo a mão para . - Anda, vamos subir. Está muito frio aqui pra quem saiu do hospital há poucos dias.
   pegou a mão de e logo já estavam de volta ao conforto e calor do apartamento. Summer já havia ido embora, assim como ele disse.
  - Vou buscar uma toalha pra você e já volto. - ele disse, desaparecendo ao final do corredor.
  Enquanto esperava, analisou à sua volta. Basicamente, estava do jeito que se lembrava; talvez uma luminária ou um porta-retratos diferente. Tudo estranhamente convidativo naquela noite.
  - Aqui. - ele disse, voltando para a sala. Entregou a toalha para , que apenas a segurou. Estava ocupada demais observando , que rapidamente retribuiu o olhar.
  A distância entre os dois, antes significativa, agora não passava de alguns centímetros. Suas respirações tornando-se uma só. tocou seu rosto, como se estivesse matando a saudade de algo que há muito precisava. Ele estremeceu com o toque, seus pensamentos ficando cada vez mais confusos; estava perdendo o controle.
  - Shh, está tudo bem. - murmurou, ainda acariciando seu rosto.
  Como se ele tivesse acabado de receber permissão para o que mais queria, beijou-a. Ela o beijou de volta, entrelaçando seus braços em seu pescoço. Um beijo forte, ardente, preenchido com desejo, amor, carinho e tudo mais que estavam sentindo. Não demorou muito para que passasse os braços por suas pernas, levando-a para o sofá.
  - Tendo problemas? - perguntou, ofegante, percebendo que parecia ter dificuldades com o zíper de sua calça.
  - Não mais. - ele respondeu, abrindo um sorriso ao ver que tinha conseguido. Aquele foi apenas o primeiro passo; logo depois, blusas e calças haviam sido jogadas para longe. - Estou começando a pensar que você andou treinando isso em outros lugares.
  - É? Vou te mostrar o que eu aprendi, então. - respondeu, olhando-o com desejo. Deslizou suas mãos por seu peitoral, chegando até o conhecido volume entre suas pernas, ainda protegido pela sua boxer preta. Ainda.
  Sem poder esperar mais um minuto, pegou um preservativo - não tinha ideia de onde ele tirara aquilo, mas pouco importava - e entregou-o para que ela colocasse. Feito isso, olhou-a novamente, que fez sim com a cabeça. Começou a penetrá-la devagar, dando investidas leves.
   gemeu baixinho com a dor que, após alguns minutos, já havia ido embora, dando lugar somente ao prazer. aumentava a velocidade gradativamente, fazendo com que seus gemidos ficassem cada vez mais altos, chegando ao ápice.
  - Eu senti sua falta. - disse, ofegante.
  - Eu também. - respondeu, deitando ao seu lado no sofá e puxando-a para mais perto. Estava quase tão ofegante quanto ela. - Eu te amo.
  - Eu também. - respondeu, encostando a cabeça em seu peito.

FIM



Comentários da autora

  Minha primeira shortfic, minha primeira cena de sexo. Vocês não imaginam como eu estou nervosa, LOL. Espero que vocês tenham gostado, MESMO! Quero agradecer às minhas amigas lindas (Hels e Erikah) por me aguentarem pedindo ideias, opiniões e tudo o mais que possam imaginar, e vocês, que conseguiram terminar de ler essa fanfic :B Comentem! xx