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História NÃO RECOMENDADA PARA MENORES ou PESSOAS SENSÍVEIS.

Esta história pode conter descrições (explícitas) de sexo, violência; palavras de baixo calão, linguagem imprópria. PODE CONTER GATILHOS

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The Runes

Escrita porSoldada
Revisada por Lelen

[01] • Lado A - 01 Track: She Ain’t no Saint

Tempo estimado de leitura: 63 minutos

EMPIRE • DEZEMBRO

  HUGO FONSECA (Cofundador da Alta’s Records e Empresário da The Runes): Tinha algo sobre ele, sabe? Quando bati meus olhos em %Thommy% %Riggs% eu soube que ele seria alguém! Era difícil dizer como, mas eu senti isso ele tinha esse… esse… como eu posso dizer? Esse olhar que dava às pessoas e um jeito de falar que fazia com que você ficasse na dúvida se você realmente o amava ou odiava. Ele é carismático de um jeito assustador, como se tivesse controle sobre você, e acho que ele tinha isso, sabe? Essa nota a mais. Essa coisa… magnetizadora. Acho que fazia você querer ser controlado também. Não parecia humano, mas era, e acho que isso é o mais admirável nele. Com tantas pessoas desejando e detestando você ao mesmo tempo, é bem difícil encontrar um meio termo aceitável, mas se quer saber? %Thommy% %Riggs% é o que a gente, na área corporativa, poderia assimilar com uma alegoria próxima de Rei Midas, sabe? O cara é ouro nas mãos certas, era impossível algo dar errado com %Riggs% no meio.
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  OSCAR JAMES (Produtor musical da Alta’s Records): Olha, trabalhei com muita gente na indústria. É algo difícil, sabe? Ou você tem o que é necessário ou não tem, não tem meio termo nisso aí. Eu vejo essa criançada mais nova, e, bem, eles tentam, mas falta algo ali, sabe? Um molho (risos). %Riggs% sempre teve isso, sabe?
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  LISA GARRET (Cantora de Blues, Vencedora de 5 Grammys): Tá brincando comigo? O garoto é uma sensação! Oh, querida, deixa eu te dizer uma coisa: aquele menino nasceu pro palco! Não só isso, olha, Hank (Hansen Spade, ator, produtor e diretor de Hollywood, pai de %Thommy% %Riggs%) tem o talento e o dinheiro, eu sei, eu entendo, todo mundo em Hollywood sabe disso, mas, garota, quando eu digo que %Thommy% nasceu com sorte, eu realmente digo! Cabelos %pretos% e olhos %azuisescuros%? Cheio de tatuagens no corpo e aquele sorriso? Ho (risos), qual é, o garoto é um pedaço de mau caminho, e uma delícia se quer saber, não que eu já tenha provado (risos), ele tem idade para ser meu filho. Mas bem, se homens podem desfilar com garotas de 18 anos recém completos, por que mulheres não poderiam? Girl Power, certo? (risos) Desde que ele tinha uns 12 anos e eu bati meus olhos naquele menino, eu soube na hora: ele viria a ser um destruidor de corações. Ele já tinha aquele charme que sem dúvidas herdou do pai, era um completo galãzinho desde pequeno. Oh, querida, Paris (Paris Vale, socialite) foi a primeira dele, e nem mesmo ela conseguiu esquecê-lo (risos), até hoje tenho para mim que se ele ligasse no meio da noite ela iria na hora.
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  ANGELINA LEDGER (Ex-Assistente Pessoal de Hansen Spade): Ele tinha literalmente 12 anos, era uma criança, sabe? Às vezes tenho a sensação que as pessoas em Hollywood passaram a desassociar a realidade como uma maneira de sobreviver à forma com que Hollywood te vende para todos. Veja bem, estamos em um ambiente de trabalho e seu trabalho, a atuação, sua aparência, céus, seja lá o que você for tentar vender, acaba se tornando um produto que as outras pessoas irão consumir. É, literalmente, o que você é treinado para fazer, mas porra, caralho, qual é? O menino tinha só 12 anos! Onde uma criança de 12 anos poderia ser considerada um galã? E que deveria ser admirada dessa forma?
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  LISA GARRET: Garota, se eu te contasse (risos). Sabe que Hansen é conhecido por essa festa de Halloween gigante, certo? Pois bem, %Thommy% era uma figurinha presente ali desde pequeno. É claro que não era o lugar para se deixar uma criança andar livremente, mas sejamos honestas, quem diabos não gostaria de estar rodeado por celebridades e famosos na adolescência? É claro que eu desaprovo muitas coisas que haviam acontecido ali, mas, bem, %Thommy% é filho de Hansen, se quer saber, e é igualzinho ao pai, ninguém consegue dizer não para ele. Ninguém quer dizer não para ele.
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  HUGO FONSECA: Demos ao mundo o que o mundo queria, e então mais. E %Thommy% virou uma lenda.
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  OSCAR JAMES: É uma história meio complicada se quer saber. Eu (pausa longa) olha, muita coisa aconteceu na vida do garoto, em sua maioria foram erros de seus pais que o trouxeram ao ponto que ele está agora. Digo, é claro que nomes importam, mas lembro-me vividamente daquele período. Eu era mais próximo de Alba (Alba %Riggs%, Ex-Top Model Internacional, falecida, mãe de %Thommy% %Riggs%), a gente cresceu próximo da mesma vizinhança, meus avós eram íntimos dos pais dela, então era bem como visitar um parente distante. Veja, não vou esconder meu privilégio, eu cresci em um ambiente mais do que privilegiado, com acesso a tudo o que eu desejasse e sem ter que me preocupar com o futuro ou o dia de amanhã para perseguir meus sonhos, sabe? Então seguir a carreira de Produtor Musical foi como apenas respirar para mim. Eu já tinha alguns tios dentro da indústria que me ajudaram a trilhar o caminho que eu desejava e o resto veio com esforço e trabalho duro.
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  Mas Alba foi por anos uma amiga minha. Para ser honesto, sempre gostei mais dela do que de Hansen. A verdade é que, mesmo naquela época, quando éramos apenas crianças com sonhos maiores do que responsabilidades, eu nunca pensei que Alba quisesse ser algo que usasse sua imagem como base para venda. Não, na verdade, lembro-me vividamente de que ela queria ser advogada mais ou menos como meu avô era. E se quer saber? Me arrependo de nunca a ter incentivado a seguir esse caminho, talvez as coisas tivessem acabado de maneira diferente, suponho (pausa longa). A pior parte da culpa é a certeza de que não há mais nada que você possa fazer.
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  VERONICA DELANEY ([REDACTED INFORMATION] Editora Chefe da revista EMPIRE): Alba era uma garota brilhante, com um futuro brilhante, com um futuro marcante pela frente. Ela era aquele tipo de beleza natural que é difícil de se achar hoje em dia. O rosto em formato oval, como porcelana, olhos grandes e expressivos, sobrancelhas bem marcantes, mas eram os olhos que pesavam o componente todo. Carismática e gentil, era impossível não se apaixonar por ela. Quer dizer, havia filas e mais filas de pretendentes quando ela debutou pela primeira vez na indústria. Eu estava também na festa de lançamento, e ela era a grande promessa para as passarelas. Roupas lhe caíam bem, como uma luva, e, céus, era divertido ver como havia especulações sobre como ela era.
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  Alba era como uma fantasia. Desejada por muitos, admirada por quase todos, quer dizer, se você a odiasse, certamente haveria alguma coisa errada com você, isso ninguém tinha dúvidas. E, bem, não tinha como não se apaixonar por ela. Mas, sendo honesta, eu nunca imaginei que seria ela a se apaixonar por alguém.
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  OSCAR JAMES: Estudamos na mesma escola, a St. Margaret, por alguns anos antes de ela completar 15 anos e estrear nas passarelas. Olha, ela era bem tímida e tão meiga, que era meio difícil sequer achar que ela faria mal a alguém. Uma vez, acho que durante um dos almoços, lembro de ter visto Alba praticamente discutir com duas pessoas para poder retirar uma aranha sem precisar matá-la (pausa). Ela era assim, sabe? Pura e doce. Costumava me ajudar com as matérias mais complexas e falar como ela gostaria de garantir uma vaga na empresa de advocacia de meus pais. Para ser honesto, meus pais a adoravam, viam ela como se fosse a herdeira que haviam desejado aquele tempo todo, e que eu havia falhado em me tornar (risos). Nossa, eu morria de ciúmes. Eu sei, eu sei, culpado, sim eu me arrependo de como eu me sentia na época, mas nós éramos adolescentes, e Alba, mesmo tendo os holofotes nela, parecia querer mais estabilidade do que uma posição de prestígio. Não dá para culpar ela, dá? Às vezes me questionava se ela possuía realmente algum tipo de sonho, ou se ela apenas havia calculado o que poderia lhe oferecer mais estabilidade e estava seguindo à risca uma lista de execuções. Sempre senti que Alba queria apenas a certeza de não ter que se preocupar com futuro ou com alguém para impressionar. Ela estava desesperada por estabilidade, não se importando em onde a encontraria, apenas em tê-la.
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  ANGELINA LEDGER: Acho que foi durante uma das gravações de Golden by Silver que Hank Spade soube sobre a existência de Alba e ficou obcecado com ela. A gente estava alocado fazia alguns dias nos Alpes, e o tempo estava até confortável para o inverno lá. Lembro-me que parte da equipe estava ilhada no hotel, então adiamos as gravações externas para focar nas internas, e assim conseguiríamos ter um pouco de tempo a mais para a margem de erro com as externas. E então, lá estava: esse… esse grupo de mulheres altas e deslumbrantes, conversando no saguão em outro idioma e acho que qualquer homem acharia que estava no paraíso. Tipo, elas eram lindas mesmo, lindas que davam inveja (pausa). Estavam ali para participar de algum tipo de desfile de alta costura que aconteceria no fim de semana. Acho que Hansen ficou tão encantado com Alba que não conseguiu deixar a oportunidade passar, sabe? No outro dia, lembro-me de que Hansen havia descartado todas as minhas outras tarefas para convencer Alba %Riggs% a fazer uma pequena participação no filme dele. Foi… foi uma experiência, eu digo a você. Levei três dias insistindo com ela até que, não sei… (pausa longa) ela só aceitou (pausa longa). Às vezes me arrependo de como fui insistente com ela, mas, se quer saber, não posso dizer que me arrependo da amizade que acabei desenvolvendo com ela. Foi uma das melhores coisas que já tive em minha vida. Engraçado como a gente não percebe o que tem na mão até estar completamente fora de alcance.
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  VIVIAN DE LA RUE(Estilista da marca Versa): Oh, Alba %Riggs% era magnifique! O perfeito manequim se quiser chamar assim. Muitas modelos podem ter tido inveja dessa mulher, mas poucas poderiam ser como ela, e, Deus, eu queria que fossem! Faria o trabalho ser muito mais fácil.
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  OSCAR JAMES: Ela se apaixonou, cara. Se apaixonou feio, sabe? Olha… essa ideia de amor que se vende nos filmes é ridícula, sabe? É uma fantasia, não acontece. Mas Alba não era alguém que amava de maneira saudável e consequente. Não… (pausa longa) Alba era intensa por natureza e raramente se apaixonava, mas quando o fazia? Era avassalador. Então, um dia, ela me liga do nada, no meio da madrugada, a gente iria se encontrar em Milão, uma vez que ela estava na Suíça e eu estava perto da França. Então, ela me ligou do nada, no meio da madrugada, meio rindo, meio chorando, contando todos os detalhes sobre a surpresa que Hansen Spade havia feito para ela no hotel. Um amontoado de rosas, a música preferida dela tocada por alguns violinistas e um colar? Ele era um príncipe que havia acabado de entrar na vida dela. Lembro-me que ficamos por horas conversando sobre. Hansen havia feito tudo aquilo para chama-la apenas para sair, o cara não estava jogando para perder, entende? E é claro, qualquer mulher que visse algo assim ficaria encantada, Hansen, o Hansen em pessoa, convidando você para um encontro, dando flores e lembrando-se de sua música preferida? É claro que qualquer garota ficaria caidinha.
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  E então foi isso, sabe? Ela se apaixonou perdidamente por ele e, por um tempo, acho que ele até havia gostado dela, quer dizer, ele não a teria pedido em casamento e se casado com ela se não a amasse, certo? Mas não acho que isso foi o suficiente para ela. Na época, Alba não ouvia ninguém, quer dizer, Ronnie e Angel costumavam avisá-la constantemente de que talvez fosse melhor encontrar uma outra pessoa. Alba teria quem desejasse a seus pés se assim quisesse, ela era bonita, engraçada e doce, lembro-me de inúmeros pretendentes baterem na porta de minha gravadora e questionarem sobre ela, tentando encontrá-la, e até mesmo um dos Príncipes da Noruega havia se dito determinado a tê-la como esposa, até mesmo disse-me que iria pedir para ser desligado da Monarquia se assim ela quisesse (Aksel Von Benzon, Príncipe coroado, Segundo na linha de sucessão), bastava ela pedir. Alba tinha essa caixinha com longas e inúmeras cartas do Príncipe Aksel e ele costumava a chamar de (corte).
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  (...) Mesmo com tudo isso, Alba só queria Hansen. Olha eu não sei o que ela via nele, mas certamente era alguma coisa. Então, quando ela completou 18 anos, ela não hesitou em se afastar de sua família e ir morar em Los Angeles com Hansen. Lembro-me de vê-la acompanhando-o em suas viagens e premières, e, deus, eles formavam um casal lindo, sabe? Mas ao mesmo tempo, observar minha melhor amiga ser deixada de lado, usada como um acessório, me doeu profundamente, especialmente quando os escândalos com as traições de Hansen começaram a aparecer.
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  ANGELINA LEDGER: Olha, nessa indústria fidelidade não é algo esperado, posso dizer que seja superestimado, mas o mínimo que se pode ter, ao menos com seu parceiro, é respeitar a imagem da pessoa. Hansen nunca o fez. (pausa longa) Ele a traia constantemente, e, de certa forma, me destruía ter que ajuda-lo a acobertar, mas Alba estava sozinha em Los Angeles, sem apoio de sua família e vulnerável, e… (pausa longa) ah, Deus, eu não queria piorar a situação dela! Sabe, ela sempre foi tão doce e gentil, ela era genuinamente uma das melhores pessoas que eu já conheci na minha vida, e, por vezes, tentei convencê-la a simplesmente terminar com Hansen e vir morar comigo (risos). Eu disse a ela que a ajudaria, que seríamos uma pela outra, e cumpri minha palavra. Mas Hansen passou a ficar descuidado e então as manchetes começaram a aparecer junto com os tabloides, e a mídia começou a dar espaço e palco para essas… (pausa longa) para essas amantes que Hansen tinha, e… eu não sei, acho que Alba ainda tinha esperanças de que Hansen pudesse voltar a ser o príncipe que era, até que ela ficou grávida.
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  VERONICA DELANEY: Fui eu que liguei para um colega de trabalho antigo (Sean Broderick, advogado e professor em Oxford) para que ele redigisse os papeis de divórcio de Alba e Hansen. É claro, com a humilhação pública dos affairs de Hansen e as suas amantes fazendo declarações bem ousadas para a época, ficou fácil conseguir metade de tudo o que Hank Spade possuía, mas o estrago já estava feito. As pessoas gostam de drama, e Hansen havia entregado o drama perfeito. Lembro-me de ter sempre uma legião de paparazzi na frente de onde quer que Alba fosse, gritos e pedidos de explicações, e, muitas vezes, aconselhei a ela não sair para evitar esses transtornos. É claro, ela não me escutou, Alba nunca me escutava, mesmo quando era algo sensato a se fazer, mas com o divórcio redigido, tudo ficou mais fácil para ela, suponho.
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  OSCAR JAMES: Ela estava grávida nessa época. Quando o divórcio foi finalizado completamente, Alba já estava com sete meses, a barriga já estava bem nítida, e eu e meu marido (Michel Andersen-James, publicitário) decidimos nos mudar para perto de Alba e oferecer suporte para ela, sabe? Foi até mesmo bom, Mike costumava ficar de olho em Alba durante o dia, e eu ficava com o turno da noite (pausa longa). Alba entrou em uma depressão profunda após o divórcio com Hansen. Acho que a fantasia que ela tinha do relacionamento com Hansen começou a desmoronar aos poucos, entende? E isso era doloroso para ela, mas ao mesmo tempo, Hansen não conseguia deixá-la em paz.
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  Começou primeiro como tentativas “inocentes” de aproximação em prol da criança que ela estava esperando, e então mais flores, mais joias caras, ele nunca havia terminado com ela diretamente, então havia sempre aquela esperança no ar. Alba não conseguia deixá-lo ir, mesmo que tivesse na porta um claro pretendente melhor para ela (corte) (...) e então Hansen assumiu o relacionamento dele com Jacqueline Fontaine (atriz, roteirista) e o fato de Hansen a ter traído com Jacqueline por vezes no passado foi o suficiente para destruir o que havia restado de Alba. Sua única felicidade era %Thommy%, para ser honesto.
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  ANGELINA LEDGER: Eu estava lá quando %Thommy% nasceu, meio que me senti um pouco mãe dele também, sabe? Alba estava determinada, tão feliz! Foi lindo. Ele era a luz dela, sabe? E, Deus, era um garotinho tão atencioso, tão gentil, poderia ter a aparência escarrada do pai, mas a personalidade (pausa longa) ah, a personalidade era de Alba, sabe? Lembro-me dele, pequenino, correndo pela casa para pegar a coberta dele, bem velhinha e usada já, acho que ele tinha uns cinco aninhos só, para cobrir Alba que havia dormido na poltrona (risos). Eu vi aquele garotinho de bochechas gigantes e olhinhos brilhantes se esforçando para conseguir cobrir a mãe dele, a expressão mais séria possível, dizendo para eu não fazer barulho porque Alba estava dormindo, e eu sabia, sabe? Eu tinha certeza que ela ficaria bem, ela tinha %Thommy%, e %Thommy% a tinha. %Thommy% era tudo o que ela precisava.
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  OSCAR JAMES: (pausa longa)… então Alba se suicidou.
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  ANGELINA LEDGER: (pausa longa)… nada foi o mesmo depois da morte dela.
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  NORA JAMES (Atriz, Produtora, Compositora, Cantora, atual esposa de Hansen Spade): Ah, o %Thommy%… (pausa longa) É, bem… nossa (risos) hm, certo, o %Thommy% (pausa) bom, o %Thommy% é um homem… bem, complexo. Ele é como… céus, ele é como estar em um precipício e ao invés de ter medo de saltar, você está ansiosa para saltar. Ele é como uma aventura maluca de última hora, sabe? Improvisada e inconsequente, e que se torna inesquecível simplesmente porque você não esperava o que iria acontecer. Se torna a melhor viagem que você já poderia ter feito em toda sua vida. Você (pausa longa) você (pausa longa) bem, você não consegue esquecer (risos) hm, (pigarro) por mais que você tente, você não consegue esquecer. %Thommy% é esse tipo de pessoa: te faz sentir única e como se fosse algum tipo de… primeira maravilha do mundo, o bem mais precioso que já existiu (pausa longa) então ele some, e você precisa esquecer ele. Mas como alguém consegue esquecer %Thommy% %Riggs%?
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  %MYRA% AGORA.
Los Angeles, California.

  — Ah, estávamos pensando em realizar a cerimônia na Padua Hills Theatre mesmo, já que estava pago de qualquer forma. %Gray% não irá se incomodar, certo? Pode ser seu presente de casamento para nós!
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  Ergo meu olhar brevemente do copo de vinho à minha frente, esforçando-me para não engolir em seco quando meus olhos se encontram com os de Rowan. Houve uma época que olhar para ele faria meu coração disparar, e seria tudo o que eu desejava ver após um dia cansativo de correria e gritos. Céus, como eu queria simplesmente acordar desse pesadelo, que ele me abraçasse novamente e me dissesse que não havia passado de um sonho. Que eu estava apenas estressada demais com o trabalho e que nada daquilo era real. Que ele me amava… que ele não havia me traído com minha meia-irmã e agora, o que deveria ter sido o nosso jantar de noivado era o de Maya e Rowan.
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  Sei que não deveria culpar nenhum dos dois, como meu pai havia dito, às vezes o amor acontecia, o que nos restava fazer era lutar e se agarrar com todas as nossas forças à nossa felicidade, mas ainda assim era um golpe duro de digerir, especialmente quando todos os outros estavam agindo como se nada tivesse acontecido entre mim e Rowan. Como se fôssemos meros conhecidos e não tivéssemos ficado juntos por mais de 4 anos. Como se ele não tivesse me pedido em casamento um ano atrás com o mesmo anel que agora Maya exibia a todos, como se não tivesse escolhido a localização do casamento porque eu gostava da ideia de um casamento a céu aberto, como se os dois não estivessem utilizando de minhas economias e planejamentos para o casamento dos meus sonhos, mas do qual, agora, eu não seria a noiva. Maya era.
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  Parte de mim quer gritar a plenos pulmões a Rowan por me destruir, roubar tudo o que tinha e agora tem um final feliz. Parte de mim quer gritar com Maya por seu cinismo, por ter me traído da maneira mais baixa possível. Parte de mim quer gritar com meu pai, Ravi, por ter me obrigado a aceitar toda essa palhaçada e me silenciar pelo bem de Maya e Indira, minha madrasta — a irmã mais velha de minha mãe, Priya, que, inescrupulosamente havia tido um affair completo com meu pai enquanto minha mãe batalhava e perdia a batalha contra o câncer, mesmo que Indira tivesse sido casada com outro homem na época; talvez a inescrupulosidade fosse de família, mas esse nem era o problema.
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  Dane-se a conduta ou comportamento nojento de Indira, e, especialmente de Maya, o problema era Rowan! Rowan havia sido meu parceiro por anos, Rowan havia sido meu porto seguro e meu futuro, Rowan que deveria ter sido melhor do que aquilo! Rowan que deveria ter nos escolhidos. Mas não o havia feito. E enquanto o encaro, sinto minha garganta se apertar ao perceber o quão pouco eu devo ter significado para ele. Odeio que os olhos cinzentos dele, normalmente uma variante entre cinza ou azul suave, bem claro, dependendo da iluminação do local, evidenciaram pena direcionada a mim. Como se fosse eu quem havia perdido algum grande prêmio, mas eles não podiam evitar, o coração queria o que o coração queria. Odeio que os cabelos dele estão desalinhados do jeito que sempre havia achado atraente, e que as sardas suaves que permeiam o nariz e as maçãs do rosto dele o faziam ficar adorável. Odeio que um dia eu o tenha amado e apresentando-o à minha família, à Maya. Odeio que todos ao meu redor pareçam felizes enquanto meu coração está despedaçado.
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  Sinto o chute discreto de Isha, minha irmã mais nova, sentada à minha esquerda, e então percebo que estou o encarando por um tempo já, então forço-me a controlar minhas emoções, mascarando-as da melhor forma que consigo, antes de voltar meu olhar para Maya, que espera com curiosidade e uma ponta de satisfação pela minha resposta. Maya está linda no vestido azul, os cabelos perfeitamente alinhados em uma trança lateral elegante, enquanto os brincos e joias de presente pelo noivado dados por meu pai — que havia apenas me mandado um cartão do Walmart parabenizando-me pelo meu aniversário de 18 anos; eu tenho 25 anos. Esforço-me a oferecer um sorriso na direção de Maya e Rowan. A sensação é horrível, angustiante, como se minha pele tivesse se tornado plástico por algum motivo e se estendesse pelo meu rosto de maneira seca e dolorosa. Minha pele coça, de repente estou completamente ciente de cada espaço, cada poro, cada membro meu, e estou desesperada para escapar de mim mesma. Desesperada para rastejar para o mais longe que eu pudesse conseguir. Eu não respondo, mesmo se eu desejasse, sabia que minha voz não sairia, então apenas balanço a cabeça em concordância com Maya.
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  Que bela merda de jornalista eu era, huh?
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  Maya bate palmas com um sorriso largo e satisfeito, se voltando na direção de Rowan e o abraçando como a personificação da jovem apaixonada e pura — o que destoava completamente da vadia de quatro que estava sendo fodida em minha cama, no apartamento que eu havia pagado para viver com Rowan, que eu havia pegado pelo menos três meses atrás por “acidente” — enquanto Rowan ria consigo mesmo, satisfeito, beijando a têmpora de Maya. O casal perfeito.
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  Alço a taça de vinho e viro de uma vez. Puta merda, eu preciso de algo mais forte. Meus olhos percorrem pela mesa novamente, observando o olhar satisfeito e até mesmo superior de Indira, como se ela silenciosamente estivesse zombando de mim, por ser inferior a eles, ou tivesse provado algo com aquele espetáculo todo. Observo como meu pai me lança um olhar severo, como se estivesse tentando deixar claro para mim que ele não toleraria nenhuma “tentativa” de chamar atenção; que ele não toleraria sequer uma emoção minha que não fosse felicidade pelo casal feliz. Porque ninguém poderia estragar o dia feliz de sua preciosa filha — que nem seu sangue possuía.
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  — Maravilha! May, já que a gente tinha conversado antes, eu já escolhi algumas paletas de cores para que você dê uma olhada, aqui, olha só, não vai ficar bem mais bonito na sua pele! — diz Summer Kennedy com um sorriso largo e olhos verdes cintilando uma mistura de divertimento e satisfação.
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  Eu a encaro silenciosamente, enquanto observo minha suposta melhor amiga de infância — a garota que havia vivido muitas das coisas comigo, que eu achava que sempre teria minhas costas como eu havia tido a dela durante todos aqueles anos — se voltar para Maya com uma familiaridade gritante enquanto assumia rapidamente o posto de Dama de Honra. Como se elas tivessem discutido aquilo há muito tempo. O celular em suas mãos, sendo o mesmo que ela relutantemente havia mostrado para quando eu havia lhe pedido para ser minha Dama de Honra.
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  Percebo naquele momento que Summer nunca havia sido minha melhor amiga. Percebo, com um golpe no estômago, que eu estava completamente errada em ter pensado tal coisa. Summer era amiga de Maya. Repasso em minha mente todas as vezes que havia confidenciado segredos a ela, inseguranças e até mesmo as minhas desconfianças em relação a Rowan. Ela sabia. Summer Kennedy e Juniper Dragavei sabiam. Sinto uma mão envolver a minha e um aperto gentil se segue. Volto meu olhar para Isha. Os olhos são parecidos com os meus, embora a cor seja semelhante aos de Indira, sua expressão doce e compreensiva, até mesmo pesarosa, naquele momento, percebo que talvez valha a pena engolir meu orgulho e manter a paz com meu pai e sua família, e o casal de traidores, se eu pudesse continuar tendo Isha em minha vida.
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  Vai, Isha sussurra sem dizer palavra alguma, e eu tenho vontade de abraça-la, de desabar em seus braços por ser a única que me enxerga ali. Sussurro um obrigada à minha irmã mais nova, confiando que Isha irá inventar a desculpa perfeita para cobrir minha retirada daquela mesa, enquanto, discretamente, me levanto de lá.
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  Não é como se alguém fosse perceber minha saída da mesa. Summer e Juniper, minhas, até então, supostas melhores amigas, estão entretidas com Maya, planejando os detalhes de seu casamento com Rowan, rindo entre si com piadas que eu, tardiamente, percebo que vinham de muito tempo, muito mais tempo do que os meros três meses desde o meu término com Rowan. Estão animadas em finalmente terem uma noiva à altura desta vez. Summer e June deveriam ter sido minhas Damas de Honra, eu havia confiado tanto nelas… céus, como eu pude ser assim tão burra? Suponho que eu tenha merecido isso. Indira tem sua atenção voltada para meu pai, como sempre, reclamando de alguma coisa, provavelmente de minha expressão, pela maneira com que o rosto de meu pai se retrai. Isha está com os olhos fixos no celular, digitando ansiosamente — suponho que para alguns de seus amigos da faculdade, provavelmente planejando seu retorno para Duke. E se o olhar de Rowan me acompanha, não posso dizer que me importo muito. Não mais.
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  Toda escolha tinha uma consequência, afinal.
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  Adentro o banheiro, indo direto para a pia a fim de respirar o máximo de ar que podia e tentar controlar minhas emoções. Retiro meu celular do bolso da saia que está por baixo de meu saree verde água, desbloqueando a tela e abrindo o chat com Samantha Murray e Lucien Karella. Suspiro pesado, mas com uma ponta de alívio ao observar a discussão dos meus colegas de trabalho, e, agora, colegas de quarto, sobre o ensaio fotográfico que aconteceria amanhã para o editorial da revista de novembro que trabalhávamos, mas, acima de tudo, sobre um tópico bem mais importante: o que iriam comer hoje à noite.
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  Luc: Pizza.
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  Sam: não.
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  Luc: Pizza!
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  Sam: ô meu consagrado, você não pode viver de Pizza!
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  Sam: @%Myra% diz pra ele que ele não pode comer só pizza!
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  Luc: Pizza, mulher.
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  Sam: Eu odeio você.
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  Luc: E estrelinha energético estrelinha.
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  Sam: eu quero o divórcio.
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  Luc: Dorme que amanhã é outro dia.
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  Luc: @%Myra%, teu pedaço tá dentro do forno elétrico se chegar com forme, ok? Liga quando tiver a caminho ou manda a localização para a gente acompanhar.
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  Abro um sorriso, sentindo falta dos dois idiotas que haviam se tornado, de uma hora para outra, meu único suporte além de Isha. Envio apenas um emoji em concordância a Luc, recebendo uma figurinha dele com algum membro de uma banda de K-Pop fazendo coraçãozinho. Então bloqueio a tela do celular, fechando meus olhos. Sinto o peso das lágrimas por trás de meus olhos, e, por um segundo, quase sinto-me quebrar.
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  Não posso chorar. Ainda não. Preciso ser forte. Penso em minha mãe e em como sentia sua falta. Em como o buraco que ela havia deixado para trás nunca havia desaparecido, em como eu tinha tanto para dizer a ela, mas sabia que ela jamais ouviria. Não podia. Penso em como queria o abraço dela, em como desejava enterrar meu rosto no pescoço dela e me agarrar a ela como se minha vida dependesse disso, e só chorar, desabar completamente e esperar que ela ao menos me prometesse que tudo ficaria bem, mesmo que não fosse ficar. Penso em como odeio que ela tenha me deixado para trás, em como trocaria tudo para tê-la de volta. Eu não hesitaria em condenar a vida de meu pai para que minha mãe estivesse do meu lado. Em como sinto falta dela. Em como eu só queria mais um minuto, por menor que fosse. E penso em como tudo isso era inútil porque não importava o que eu fizesse, ela não voltaria. As pessoas só são capazes de oferecer o que têm, não seja dura consigo mesma, só porque o mundo é cruel não significa que você o deva ser também, odeio que estas tenham sido suas últimas palavras para mim e odeio em como eu sei que ela estava certa.
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  Não posso controlar o que alguém faz a mim, só posso controlar o que eu faço, e como reajo.
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  Não havia bem algum em continuar chorando pelo que havia acontecido. O melhor que se poderia fazer era aceitar e seguir em frente da melhor forma que se pode seguir em frente. Respiro fundo, tentando engolir o nó em minha garganta e suprir as lágrimas que ameaçavam escorrer por meu rosto, voltando a abrir meus olhos e me encarando no espelho. Eu posso fazer isso. Eu posso fazer isso. Forço um sorriso e odeio que pareça frágil e pouco convincente. Respiro fundo novamente, com mais força, irritada com a minha incapacidade de oferecer um sorriso genuíno. Forço novamente um sorriso, observando-o meio insatisfeita, mas mais genuíno que o anterior e convenço-me que tudo o que eu preciso fazer é continuar repetindo que estou bem. Se eu continuasse contado essa mentira, então, eventualmente, eu acabaria por acreditar nela.
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  Exalo o ar que estou prendendo, tentando limpar as lágrimas rebeldes que haviam escorrido por minhas bochechas, apertando meus lábios em uma linha fina pela maneira com que a máscara de cílios havia manchado consideravelmente, e eu tento concertá-la da forma que dá, torcendo para que pelo menos não fosse visível, antes de dar um passo para trás, ajeitando o saree verde água em meu corpo, observando o tecido delicado e com bordados em dourado nas barras se mover suavemente ao meu redor. Eu giro para o lado, ajeitando-o e verificando se tudo está no lugar, impecavelmente, na parte de trás, enquanto tento me convencer de minha mentira.
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  Posso fazer isso. Só mais 30 minutos e então aquele jantar estaria acabado e eu não precisaria pensar em meu pai e sua família pelos próximos meses até o casamento de Maya e Rowan. Até lá, eu sabia que já estaria melhor. Não demorava para que eu superasse as coisas, eu conseguia superá-las e sabia que iria superar Rowan eventualmente, o problema é que era uma ferida constantemente aberta para mim. Certo, certo, eu posso fazer isso! Só mais 30 minutos e tudo acaba. Só mais 30 minutos…
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  Assenti para meu reflexo antes de puxar a saia de meu saree recolhendo-a um pouco para que não se molhasse acidentalmente com algumas pequenas poças de água questionáveis no banheiro requintado, enquanto saio do banheiro. Eu lanço um olhar ao meu redor, brevemente na direção da mesa onde meu pai e sua família estão sentados, o semblante de meu pai parece crispado, contido, mas ainda irritado enquanto faz perguntas para Isha que o responde respeitosamente, mas de maneira calma. Essa é minha garota. Mas ao mesmo tempo que meu peito se enche de orgulho pela minha irmã mais nova, sinto-me culpada, a última coisa que eu desejava era que meu pai descontasse sua frustração de mim em Isha. A garota não tinha culpa nenhuma naquela situação. Rowan é o culpado.
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  Preparo-me para enfrentar meu pai, para caminhar em direção à mesa outra vez, quando algo — ou melhor dizendo, alguém — esbarra bruscamente em mim, fazendo-me cambalear para o lado, meio desequilibrada enquanto instintivamente seguro os braços da pessoa para que esta não caia no chão.
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  Ouço-o rir, murmurando alguma coisa inteligível antes de ver seu rosto. Meu cenho se franze com surpresa, para o quão bêbado ele deve provavelmente estar. Posso sentir o cheiro do álcool a passos de distância dele. O cigarro cai de sua boca no chão, quase queimando a barra de meu saree e eu o puxo bruscamente da melhor forma que consigo, pisando no cigarro para apaga-lo antes de voltar minha atenção para o homem, e…
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  Puta merda
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  Ele é lindo.
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  Puta merda! Não, não, não é simplesmente só lindo ou algum derivado de “oh, ele é bonitinho” ou sequer ordinariamente bonito, sabe? Porra, não! Ele é simplesmente… deslumbrante. Do tipo que está em passarelas da Runway. Do tipo que teria qualquer um a hora que quisesse. Do tipo que Taylor Swift escreveria músicas sobre, e que teria pelo menos milhares de mulheres na internet apaixonadas em algum tipo de relacionamento questionável parassocial. Do tipo que você sabe que iria esmigalhar seu coração no final da noite, e que nunca passaria de uma aventura de uma noite, mas que ainda assim valeria apena, porque você teria seus 70 anos e contaria a seus netos sobre essa noite com o homem deslumbrante e completamente desconhecido como sua melhor experiência. Do tipo que sabia que era de tirar o fôlego. Sinto meu rosto imediatamente queimar, agradecendo mentalmente que minha pele não revelava muito o rubor em minhas bochechas, enquanto congelei no lugar. Muito provavelmente encarando-o, para minha completa humilhação, boquiaberta.
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  Os cabelos dele eram perfeitamente estilizados e cortados em um wavy long mullet, parecendo ser macios e sedosos ao toque, mas levemente encaracolados de maneira rebelde, atraente, um pouco maior do que o esperado, dando um ar de desleixo que teria ficado estranho em qualquer outra pessoa, mas nele… céus, nele ficava sexy! Por que diabos ficava sexy?! Alguns fios de seus cabelos grudavam-se em sua pele suada, branca, com um bronzeado bem leve, de fundo amarelado quase, embora tivesse um tom de pêssego suave. O nariz era anguloso e reto, suave em seus traços fortes e marcantes, os lábios eram cheios e avermelhados, e ele tinha a mandíbula bem marcada, cortante como uma navalha, quadrada. Mas não era somente sua aparência que o deixava surpreendentemente atraente, era o composto de tudo.
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  Eram os piercings na orelha esquerda, sobre a sobrancelha direita, e no lábio inferior, uma argola discreta mas presente que reluziu suavemente com a luz amarelada do restaurante quando ele sorriu daquela maneira preguiçosa que pessoas alteradas sorriem. Eram as tatuagens que cobriam sua pele como um manto intrínseco de desenhos e padrões que provavelmente contavam inúmeras histórias que eu era leiga demais para sequer considerar imaginar o que significavam, surpreendente se quase deixar espaço para a pele real dele que não fosse o rosto aparentemente. Eram os anéis e colares de prata que ele usava destacando-se em sua roupa all black. Mas acima de tudo, eram os olhos dele. Marcantes, intensos e de %azuisescuros% tão vívidos que, por um breve momento, eu me esqueço de tudo, pego-me apenas tentando decorar a cor, tentando decifrá-la.
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  Sinto um arrepio percorrer meu corpo, sem saber ao certo como categorizá-lo, se é a admiração estética que eu claramente havia sentido pelo desconhecido, ou se é a sensação familiar de alerta causada por um perigo iminente que eu costumava ter todos os dias em situações questionáveis. Talvez fosse apenas minha ansiedade atacando finalmente. Minha respiração se perde em minha garganta enquanto observo-o piscar, primeiro confuso, e então desorientado, e então surpreso. Puta merda, ele me parece tão familiar! Posso jurar que já vi o rosto dele em algum lugar antes! Quer dizer, eu seria incapaz de esquecer o rosto dele se o tivesse visto antes — de modo geral, não apenas porque ele é bonito, mas porque rostos me vinham com facilidade, mas não os nomes. E, todavia, talvez seja a confusão de sons contraditórios no restaurante, talvez sejam as minhas emoções que estão em uma espiral descontrolada há horas, mas eu não sou capaz de puxar ao fundo de minha mente de onde o conheço. Só sei que já o vi antes.
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  E puta merda, se ele não está caindo de bêbado!
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  — Com licença, o senhor está bem? — Observo-o cambalear para trás algumas vezes, rindo sozinho consigo mesmo enquanto quase derruba um garçom junto, e eu solto um chiado por entre meus dentes. Puta merda! Ele não só deve estar bêbado, ele deve estar drogado também.
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  Seguro a frente da jaqueta do desconhecido, tentando ajuda-lo a se equilibrar, e então volto-me na direção do garçom observando-o xingar baixinho pelo desastre com a comida. Aperto meus lábios, verificando o estrago. Dois pratos destruídos, um está no chão, o outro uma completa bagunça na bandeja. Faço uma careta. Eu deveria simplesmente deixar aquele estranho se virar sozinho. Não era problema meu, afinal, mas então… meus olhos se encontram com os do garçom, e eu sinto meu peito se apertar. Se eu não fizer nada, então este garçom levará a culpa. O preço dos pratos sairá de seu salário mesmo que ele alegue que foi um acidente, e os clientes fariam suas reclamações sobre a demora dos pratos a serem servidos. Céus sabiam a ingratidão que era trabalhar como garçom a noite toda para não receber quase nada e ainda ouvir merda. Ah, mas que caralho…
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  — Senhor! Espere, por favor, coloque os pratos na conta de %Grayson%. %Myra% %Grayson%, estou com a mesa 21? Próxima à janela panorâmica, pode debitar o prejuízo, por favor, os dados do meu cartão devem estar junto com a minha reserva aqui. — Tento ser o mais gentil e compreensível em meu tom de voz, desesperadamente tentando desarmar qualquer potencial briga antes de voltar na direção do desconhecido familiar. — Venha, é melhor se sentar, por favor!
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  Por favor, aceita sem lutar, por favor aceita sem lutar, por favor
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  Mordo meu lábio inferior, fazendo uma careta enquanto seguro os braços do desconhecido familiar, lançando um olhar ao meu redor até encontrar do lado de fora do restaurante, próximo do estacionamento, um banco de ferro vazio. Ótimo, perfeito. Exatamente o que eu precisava! Conveniente até!
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  Volto meu olhar na direção da mesa onde meu pai e sua família estão, agradecendo mentalmente ao desconhecido por ter aparecido em meu caminho por dar a desculpa perfeita para não voltar à mesa. Sinto o olhar de Rowan e Maya em mim, por algum motivo, mesmo Indira me lança um olhar insatisfeito, o que me incomoda, afinal, Indira, mais do que ninguém, havia deixado claro que minha presença naquela mesa era um incômodo, e que eu não era bem-vinda ali, apenas um estorvo a ser tolerado, e, no entanto, enquanto tento convencer o desconhecido teimoso a sair do restaurante para se sentar e tomar um ar, posso vê-la se empertigar mais e mais ainda. Gesticulo para Isha que estaria ajudando o desconhecido, e depois nos falaríamos. Sua reação me diverte, primeiro ela parece apenas curiosa e sorrindo consigo mesma, mas então sua expressão se altera para completo choque, e os olhos se arregalam. Seja lá o que tinha dado em Isha, eu não me preocupo em tentar descobrir, quase sendo levada junto pelo desconhecido quando ele abre a porta, rindo baixo.
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  Por uma fração de segundos, bem rápido, genuinamente questiono-me o que diabos Indira quer de mim? Ela já havia pegado meu pai para si, a casa de minha mãe para si, já havia dado meu antigo quarto e pertences para Maya, porra, até o genro ela havia entregado e abençoado para sua própria filha, o que diabos mais Indira quer de mim? A porra da minha alma? Balanço a cabeça sufocando meus próprios sentimentos e pensamentos, focando na tarefa em minhas mãos que é encontrar um local seguro para esse desconhecido bêbado e notificar os amigos dele, antes que este se envolvesse em mais problemas.
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  Aperto meus lábios, usando toda a minha força para guiar o desconhecido até o banco, e fazendo uma careta quando ele me derruba junto com ele ao tropeçar no degrau da entrada. O vento gélido envia uma onda de alívio e tristeza por meu peito, enquanto minha bunda acerta o ferro com mais força que deveria. Eu solto um gemido irritada, baixo, praguejando, vai ficar a marca, tenho a certeza disso.
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  — Aí está, amigão, fica sentado um pouco, certo? Eu vou procurar por algo que você possa tomar ou… sei lá que merda você usou para ter que voltar ao normal… — Uma vez sentado, tento dizer o mais gentilmente para ele, sem resmungar, enquanto o vejo afundar para trás no banco de ferro novamente. Olhos vibrantes presos em meu rosto, por um breve momento nublados com uma mistura de álcool e o que quer que ele havia usado, e eu não tenho certeza se ele realmente está me vendo ou se está alucinando, porque o sorriso que se abre em seu rosto bonito parece estranhamente amortecido. Praguejo baixo, que merda, eu tava fazendo?! Eu não deveria me envolver nisso! Nem o conheço, apesar de ser estranhamente familiar, que diabos eu estava fazendo?! Mas então, se eu não fizesse, quem o faria…?! — Sabe me dizer onde estão seus amigos? Posso ir busca-los, prometo ser rápida, eu realmente acho que você precisa ir para casa, ou o hospital…
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  Ele solta um riso nasalado e os olhos vibrantes parecem ficar mais claros, mais… cientes pelo menos. E estão fixos em mim. Puta merda, o instinto que eu tenho de me jogar no primeiro buraco que eu encontrasse é quase gritante, mas o contenho. Aperto meus lábios um pouco mais, unindo minhas sobrancelhas, tensa e ao mesmo tempo preocupada com ele enquanto coloco-me de pé novamente. Será que havia batido a cabeça?
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  — Porra… — Uma lufada de ar escapa dos lábios dele, o hálito se condensando com o ar gélido do inverno que se aproxima, enquanto um sotaque, levemente pesado, escapa pela maneira com que ele fala.
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  Eu tento obrigar-me a encará-lo, mas a maneira com que ele me observa, como se tivesse, de repente, algo estranho em mim, ou digno de observação mais profunda, me incomoda. Eu dou um passo para trás, instintivamente, discretamente tentando abanar meu rosto para afastar o cheiro pungente de seu hálito de meu rosto. Ele pode ser bonito, mas sua boca está fedendo pra porra com a mistura de bebidas. Sinto o olhar dele fixo em meu rosto, quase vidrado. Lanço um olhar na direção da entrada do restaurante, pronta para gritar por fogo e atrair o máximo de olhares em minha direção se necessário, calculando quanto tempo eu teria para correr se aquele estranho sequer considerasse se aproximar de mim, já que eu não teria ninguém para me defender. Mas então, ouço-o suspirar pesado. Franzo o cenho voltando, dessa vez, meu olhar para o rosto dele confusa. Mas que merda, por que ele estava…
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  — Te dizer uma coisa, amor, esse dever ser o sonho mais louco que já tive. — Sua voz é arrastada, lenta e as palavras soam escorregadias de sua boca, irregulares, e o sotaque pesado revela-se britânico, brummie britânico, o que o faz soar estranhamente estiloso? Que diabos, eu devo estar prendendo a cabeça completamente! Mas especialmente com o sotaque e o fato de estar bêbado, é quase impossível de se compreender direito o que ele está dizendo, preciso me esforçar e manter minha total atenção nele para que compreenda o que ele diz. — Puta merda…
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  Pisco, pega desprevenida e ainda mais confusa que antes. Pera, o quê? Que porra esse cara está falando?
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  Observo-o levantar-se meio atrapalhado do banco, parecendo ter certa dificuldade de encontrar seu ponto de equilíbrio antes de segurar a lapela de sua jaqueta de couro. Por baixo do suor, do cheiro pungente de álcool e cigarros, eu quase posso sentir algo amadeirado, perfume, e pelo cheiro, só deveria ser algo caro. Ele dá um passo em minha direção, os olhos cintilando como os de um gato enquanto o rosto dele parece adquirir por um momento uma expressão maravilhada, quase infantil. Eu exalo por entre os dentes cerrados, me arrependendo do impulso de ajudar aquele desconhecido familiar, mas uma vez no fogo, que ardente, certo? Acho que me fodi. Me fodi feio. Porra…
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  — Você… você é mesmo real? — balbucia ele, o sotaque britânico mais carregado dessa vez, e eu dou mais um passo para trás, apenas para tê-lo imitando o gesto. Levo minha mão esquerda em direção ao meu braço direito, coçando-o nervosamente. Não é que o tecido do saree estivesse me incomodando, é que minha própria pele estava desconfortável. Os olhos dele, céus, os olhos dele são %azuisescuros% demais. — Por favor, me diz algo, qualquer coisa, eu não posso ter perdido a cabeça ainda… — pede ele, e, surpreendentemente, seu pedido tem uma leve conotação vulnerável que soa esperançosa, e eu pisco, ainda mais confusa do que antes. O que diabos era aquela interação?
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  — Hm… sim, eu acho… que… é, eu acho que sou sim? — Odeio como minha voz soa incerta, mas há algo nele, na maneira que me encara, que… puta merda…
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  Eu pisco, balançando a cabeça comigo mesma, tentando manter meus pensamentos no lugar, centrados. Permito-me analisa-lo de cima a baixo, rapidamente, não usa roupas simples, sequer baratas, a blusa por baixo da jaqueta de couro, preta, com os dois botões superiores abertos, revelando um pouco da clavícula, e peito firme, musculoso dele. Calças jeans de lavagem escura, mas propositalmente desgastadas e botas coturno, que mais pareciam ter saído de um catálogo de loja de grife do que dos pés de um motoqueiro de fato. Bem, ele é algo certamente, parecia ter 1,90 de altura, no mínimo, e era bem vestido, mesmo que seu estilo fosse meio estrela do rock duvidosa. Porra de onde eu o estava reconhecendo? E por que não conseguia lembrar agora?
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  — Por que não me diz onde seus amigos estão e eu vou chama-los, huh? Parece uma ótima ideia…
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  Ele solta novamente um riso, suave dessa vez, parecendo surpreendentemente aliviado, enquanto balançava a cabeça de maneira negativa. Dá um passo em minha direção e eu dou outro, espelhando-o, para trás.
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  — Não acredito que acabei de conhecer a Jasmine em pessoa. Eu tô na porra da Disney — resmunga ele consigo mesmo, e eu aperto meus lábios um pouco mais, encarando-o. Que merda ele havia usado? De onde diabos ele havia tirado Jasmine… pauso por um breve momento, e então encaro meu saree, franzindo o cenho, e em seguida o desconhecido familiar bêbado para caralho. Fala sério
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  Só eu poderia encontrar uma maneira de piorar uma noite que já estava sendo péssima. Não, mas não era possível! Primeiro que eu nem queria estar ali! Fui obrigada por meu pai a comparecer no noivado da minha irmã de “consideração” que não havia hesitado em tornar-se a amante de meu ex-noivo mesmo sabendo que estávamos juntos há anos. Meu pai havia dado um excelente ultimato ao dizer que cortaria contato comigo caso eu continuasse com minha “imaturidade” por ficar com raiva de Maya e Rowan — é claro que traidores se defendiam, praticamente se expunham dessa forma. Então eu sou publicamente humilhada pelo meu ex, por Maya, pela família de meu pai e, porra, até pelas mulheres que eu considerava minhas melhores amigas por uma hora e meia, fingindo que estava tudo bem, e que Rowan e eu nunca havíamos acontecido. A única naquela merda de mesa que se salvava era Isha, que era só uma criança — de 18 anos, mas para mim, sempre seria minha criança. Puta merda, e como se não pudesse piorar, aqui estou eu, tentando ajudar um completo maluco, visivelmente drogado e bêbado que havia assumido que eu era alguma propaganda ambulante da Disney só porque eu estava usando um saree!
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  Tenho vontade de gritar. Mas não vou.
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  Aperto meus lábios um pouco mais, calculando a melhor decisão para aquela situação: larga-lo à sua própria sorte antes que eu me tornasse algum tipo de estatística, o que, sendo bem honesta, seria a minha melhor decisão aquela noite toda, ou… fecho os olhos, praguejando baixo, eu encontrava uma forma de ajuda-lo a pelo menos retornar para casa, são e salvo, e eu iria imediatamente embora dali. Embora tudo em minha mente grite para que eu escolha a primeira opção, pela lógica e por ser o melhor a ser feito, não consigo. A culpa que me atinge é mais pesada do que deveria. Se eu o abandonasse à própria sorte, quem diabos iria ajuda-lo? Certamente alguém se ofereceria, mas… merda, eu não conseguiria parar de pensar nisso pela próxima semana! Certo, certo, foco %Myra%! Foco!
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  — Vamos lá, amigão, senta de novo, pode ser? Continuar cambaleando só vai resultar em um machucado, ok? E você não me parece o tipo de pessoa que quer ter um galo na cabeça. Não sai daqui, eu volto em alguns minutos, prometo, ok? — Ajudo-o a se sentar novamente no banco, ouvindo-o rir baixo, enquanto erguia as duas mãos para cima e se afundava no banco novamente. Ele apoia a cabeça no encosto do banco enquanto abre as pernas como qualquer homem  folgado faria. Eu tento não fazer uma careta, quem sou eu para julgá-lo? Mas porra se eu não o estava julgando agora. Ele deveria ser bem folgado.
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  Assentindo para mim mesma, puxo rapidamente a saia de meu saree e disparo novamente para dentro do restaurante, buscando com o olhar onde o bar estava, lançando olhares periódicos na direção de onde o desconhecido estava sentado, certificando-me de que ele não sairia de onde estava, aproximando-me do bar.
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  — %Gray%, espera! Oi, %Gray%! Espera, será que a gente pode conversar por um… — Ouço a voz de Rowan, era Rowan? Partindo de minha direita enquanto passo correndo, e embora meu coração tenha saltado e eu sinta curiosidade, não volto meu olhar para ele. Não tenho tempo para isso!
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  Prendo minha respiração enquanto me projeto no bar, pedindo por uma garrafinha de água ou café, o que quer que eles tivessem ali, de preferência café enquanto o bartender sorri para mim. Não faço ideia do que digo quando o bartender me entrega a garrafinha, mas vejo-o retribuir meu sorriso aliviado, surpreendentemente gentil, antes de eu voltar a correr em direção a onde eu havia deixado o desconhecido sentado.
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  — Jesus… aqui! Aqui! — Ofego, entregando para ele a garrafa com água gelada, abrindo-a com o máximo de rapidez que tenho e então finalmente me permitindo sentar ao lado dele outra vez. Abano o ar à frente de meu rosto, as pulseiras e braceletes que envolvem meu pulso esquerdo tilintando suavemente antes de eu passar as mãos pelos meus cabelos, enrolando-o para improvisar um coque que tenho certeza que não duraria por muito tempo. — Ouça, vou ligar para alguém que você conheça para vir te buscar, mas preciso que me empreste seu celular, ou me passe um número, certo? Você lembra de alguém que…?
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  Mas tudo o que ele faz é me encarar. Por que diabos ele está me encarando assim?
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  — Puta merda, você é realmente uma princesa, não é? — As palavras somem de minha boca e, de repente, eu só consigo encará-lo de volta.
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  Suponho que suas palavras deveriam ser uma ofensa, que eu muito provavelmente deveria me sentir ofendida, ele não parecia estar dizendo isso com uma conotação positiva, parecia, na verdade, estar estupefato. Mas igualmente não parece que seja uma ofensa. Há uma… céus, que diabos? Uma suavidade na voz dele que me incomoda de imediato. Mas antes que eu sequer possa considerar o que ele diz, vejo-o apontar o indicador em direção ao meu rosto, a ponta de seu indicador deslizando pela lateral de minha bochecha, desenhando um traço suave em minha pele, sem tocá-la diretamente, enquanto eu prendo minha respiração sem saber como reagir a ele. Ele traça com o indicador gentilmente a lateral de minha bochecha até terminar na minha mandíbula, parecendo seguir a trilha onde as minhas lágrimas rebeldes haviam escapado, e eu me pergunto se minha maquiagem estava intacta ou deixava sinais de que havia chorado. Merda, eu deveria ter sido mais cuidadosa!
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  — Estava chorando. — Não é uma pergunta, não uma acusação. Uma simples conclusão.
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  Percebo, somente agora, que a voz dele é linda. De onde eu a conheço? Posso jurar que já havia ouvido antes. Talvez algum ex-namorado de Summer? Ele parecia bem o tipo de Summer, todo tatuagens e jaqueta de couro.
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  Céus, eu estou enlouquecendo apenas.
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  Aperto meus lábios outra vez, respirando fundo, antes de me obrigar a forçar um sorriso para ele, balançando a minha cabeça para ao menos diminuir qualquer que fosse a conclusão que ele havia chegado, tentando convir silenciosamente para ele que não importava sua preocupação com o que havia me feito chorar, era desnecessária. Talvez eu tenha chorado por pura futilidade. Observo-o franzir o cenho, parecendo absorver minha ação, antes de seu olhar lentamente se tornar mais sombrio. Eu prendo minha respiração, sentindo-me desconfortável de repente, mas sem conseguir desviar meus olhos do rosto dele, de repente repassando tudo o que eu havia dito até o momento que poderia tê-lo irritado tanto assim. Ele deixa a mão dele repousar novamente em seu colo, fuzilando-me com o olhar com uma fúria contida.
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  E eu sequer o conhecia! Mas que merda ele…
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  — Pode me emprestar seu celular por um momento, por favor, eu vou ligar para alguém vir te buscar — insisto, e ele não responde. Mordo meu lábio inferior, praguejando mentalmente e me condenando porque aquilo é estúpido, mas ao mesmo tempo, eu não poderia deixá-lo ali, à própria sorte, especialmente quando ele parecia alterado o suficiente para sequer conseguir andar direito. Ergo minhas mãos para cima, para que ele as observe, e acompanhe a movimentação que faço, os olhos dele se estreitam com um pouco mais de irritação, mas ele não se move um centímetro, apenas me observa com aqueles malditos olhos vívidos e sufocantes.
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  Aproximo-me com cautela dos bolsos de sua jaqueta, buscando pelo aparelho celular e solto um suspiro de alívio no segundo que encontro no bolso interno do lado direito de sua jaqueta. Puta merda, eu nunca fiquei tão feliz de alguém guardar o celular no bolso interno de uma jaqueta e não no bolso de sua calça! Balanço minha cabeça novamente, como se isso fosse me ajudar a me concentrar de alguma forma — é claro que não funciona —, levantando-me em um salto rápido do banco em que ele estava sentado a fim de colocar o máximo de distância entre mim e o desconhecido familiar completamente bêbado e alterado.
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  O aparelho tem senha, e eu duvido muito que consiga convencê-lo de desbloqueá-lo para mim, especialmente porque isso iria levar mais tempo do que eu desejava passar ali com ele, sozinha. Céus, eu estou brincando com o perigo como se fosse a coisa mais normal do mundo. Uma coisa era ajudá-lo e certificar-me de que ele estaria entregue são e salvo a quem quer que viesse busca-lo, outra coisa inteiramente diferente era fazer companhia para um homem desconhecido, esquisito, completamente bêbado em um restaurante caro onde meu único resgate era Isha, a meia-irmã que me odiava menos ali, suponho. Não. Eu poderia ser bem idiota, mas não ao ponto de custar minha vida. Mordo o lábio inferior abrindo a parte de contatos de emergência do celular dele, prendendo a respiração e tocando no primeiro nome que encontro.
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  %Eddie%.
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  Levo o celular em direção ao meu ouvido, o zunido da chamada ecoando de maneira incômoda enquanto, sem perceber, levo minha mão em direção ao meu lábio inferior, distraidamente arrancando a pele ali. O ato é instintivo, um alívio de estresse, pode-se dizer, mas, sendo honesta, era o único hábito que conseguia me acalmar ultimamente, ninguém iria perceber que o estava fazendo se não estivesse olhando diretamente para meus lábios, além disso, apesar de às vezes arrancar um pouco de sangue ou fazer algum machucado um pouco mais fundo, o batom sempre cobria qualquer vestígio do que eu estava fazendo, o que era mais fácil ocultar do que usar mangas longas outra vez. Considero mentalmente ligar para Sam assim que tivesse certeza que o amigo do homem bêbado estaria a caminho. Pensar em Sam e Luc é o pouco de alívio que eu havia tido aquele dia inteiro.
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  É claro que eu sabia que eles iriam fazer um discurso sobre como eu estava sendo ridícula com tudo aquilo, que estava sendo estúpida e conivente com a traição de Rowan, mas bem, ao menos eles entendiam por que eu estava fazendo… eu já havia perdido minha mãe, agora meu noivo, eu não queria perder meu pai também. Eu não podia. Mesmo que, agora, eu não tenha muita certeza se sequer o tive alguma vez na minha vida, para começo de conversa.
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  — Oi! Seu punheteiro do inferno! Puta que pariu, %Riggs%! Que porra você pensa que tá fazendo, cara?! Caralho, toda vez isso! A gente tá te esperando desde as 6 para gravar essa merda de faixa, aonde você tá, porra?! — O grito é alto o suficiente do outro lado da linha quando o tal “%Eddie%” atende a ligação que eu me encolho instintivamente, fechando meus olhos, e afastando o aparelho de meu ouvido um pouco. Meu coração dispara e sinto o instinto de cobrir meu rosto. Céus, eu odiava gritos. Prendo minha respiração, buscando em minha mente o que eu havia ensaiado e me preparado para dizer a esse tal %Eddie%, amigo do bêbado, as informações do lugar e implorar, se necessário, para que esse %Eddie% viesse buscá-lo.
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  — Ah, olá, então, você deve ser o %Eddie%! Desculpa te ligar nessa hora, é que eu estou no… no… — Faço uma careta dando um passo para trás e buscando desesperadamente a logo com o nome do restaurante, praguejando mentalmente de não ter me certificado de descobrir qual era o nome do restaurante em questão antes de ligar para o tal %Eddie%. Onde estava… onde estava… onde estava… ali! Céus, finalmente! — Hm, desculpe, eu estou no Tropical, aquele restaurante italiano que abriu recentemente próximo da Broadway, sabe? Na Spring Street! E acabei de encontrar o seu amigo aqui, ele não parece muito bem, precisa de ajuda, está bem alterado, pode vir buscá-lo, por favor?
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  Mordo minha cutícula ansiosamente, enquanto, do outro lado da linha, o homem se silencia por um longo momento. Minha respiração está presa em minha garganta, enquanto espero ansiosamente por uma resposta. Por favor, por favor, venha buscá-lo! Como eu vou conseguir carregar esse homem até a casa dele? Pior, como eu posso ajuda-lo oferecendo um teto pelo menos pela noite, se isso seria a coisa mais estúpida e arriscada que eu poderia fazer?! Além disso, desde que havia terminado com Rowan, estava vivendo no apartamento de Sam e Luc!
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  — Há muitas pessoas aí? — Faço uma careta. Que pergunta era aquela?! O que eu respondo, porra?! Puta que pariu, no que eu havia me metido de novo? Volto meu olhar na direção do desconhecido que ainda está me encarando, mas, por algum motivo, não tenho certeza se ele está realmente me vendo desta vez. Seu olhar está fixo em mim, mas seus pensamentos parecem estar a quilômetros de distância. Eu duvido muito que seja eu que ele veja no momento. Parte de mim se questiona o que diabos ele está vendo?
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  — Hm, não?
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  — Bom. Estarei em cinco minutos aí, ok? Pode ficar de olho nele por mais um pouco, e não o deixar sair de onde vocês estão. Se conseguir ser discreta, prometo que irei encontrar uma maneira de compensar você por… — Mas “%Eddie%” não tem a chance de terminar o que estava dizendo, porque solto um gritinho baixo ao perceber, tardiamente, que o desconhecido havia se levantado, pior, estava a apenas um passo de distância de mim.
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  Observo-o segurar meu pulso, afastando o aparelho celular dele do meu rosto, e então clicando para desligar a ligação enquanto %Eddie% terminava de falar alguma coisa. Os olhos %azuisescuros% permaneciam fixos em meu rosto, intensos e eu ofego baixo, assustada pela situação. O aperto dele é firme, não machuca, mas não é lá amigável igualmente. É silencioso e ameaçador. Eu empurro o celular dele contra seu peito, a fim de convir que não desejava roubá-lo ou coisa do tipo, girando meu pulso para me livrar do aperto dele, mas ele não me solta. Merda, merda, merda…
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  — Eu não quero problemas, por favor, só estou…
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  — O saree. — É tudo o que ele diz.  Sua voz baixa e até mesmo agressiva, mas contida. O que o havia irritado tanto? Pisco confusa com o que havia acabado de ouvir dele, e então encaro meu saree. Franzo o cenho e volto meu olhar para ele. Quê? — Me dê o saree — ele praticamente ordena e meus olhos se arregalam, encarando-o como se ele tivesse acabado de perder completamente a cabeça. E talvez, realmente o tenha feito.
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  Tá vendo, e é por isso que não deveria se ajudar ninguém na vida, você acabava em uma situação como aquela!
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  Eu tento formular uma palavra, mas não há nada que eu possa dizer. Ele solta meu pulso bruscamente, retirando a jaqueta de couro dele, e então enterrando-a em minha mão esquerda, antes de alçar meu saree. Tenho o instinto de acertá-lo no meio das pernas e fazer uma corrida com tudo o que tinha, mas aperto meus lábios, seja lá o que ele estivesse pensando, era mais fácil apenas colaborar com o que ele demandava, e fazer uma corrida para valer. Então, eu giro no lugar para que o tecido do saree se desenrosque de meu corpo, o mais rápido que posso, e então retiro a parte do tecido que era dobrada e se prendia na lateral de minha cintura, ficando apenas com o top e a saia longa que se usava por baixo do saree. Agradeço mentalmente por não estarmos na Índia e nem no passado, quando saree eram usados sem nada no corpo, ou, ao menos, sem o top. Nunca pensei que agradeceria aos britânicos por isso, mas porra…
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  Ele me observa por um breve momento, antes de recolher o tecido para si, e, por algum motivo, que nem mesmo a pessoa mais racional seria capaz de responder com lógica, ele enrola a merda do tecido ao redor de sua cabeça, improvisando uma balaclava ou capuz ocultando seu rosto, deixando apenas os olhos expostos antes de cambalear pela calçada sabe-se Deus lá para onde.
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  Exalo a respiração que estava prendendo, enquanto observava a jaqueta dele em minha mão. Couro original, bem cara. Que porra havia acabado de acontecer? Acabei de ser roubada por um completo maluco? Faço uma careta vestindo a jaqueta dele. É mais pesada do que parecia, cria uma sensação até confortável de pressão em meu corpo, apesar do cheiro pungente de perfume importado e cigarros. Nego com minha cabeça, abraçando-me enquanto sigo na direção do apartamento de Luc e Sam.
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  A vantagem de tudo isso? Eu nunca mais teria que ver ele outra vez. Bom. Muito bom.
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  NOTA DA AUTORA: eu reescrevi, porque não faço ideia, só não gostei de como ficou o primeiro capítulo daquela outra vez. Ainda não to gostando, mas pelo menos tá do jeitinho que eu tava planejando. Um pedido sincero de desculpas pra Natashia que doou a ideia, e eu sinto que estou destruindo o conceito todo ksksksksk nessa fic não tem certo nem errado, tá? Você tira suas conclusões e decide o que apoia e o que não apoia, eu não to aqui para determinar nada. Lelen, desculpa a quantidade desse capítulo!

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Lelen

A minha cara de ranço pra todas as pessoas ao redor da pp:
🤢🤢🤢
Nossa, e essa “família”? Tô mais é esperando que o capeta em pessoa venha buscar cada um deles porque olha, não salva um (só salvou a mãe, mas nem vou por a mão no fogo por ela não HAHAHHA). Alguém dá uns tapas na Amara e na Elisa porque elas tão precisando (e que eu não saiba do passado delas porque é capaz de eu ter dó e não quero ter dó não – a não ser que seja um passado do tipo Dolores Umbridge, que nada, NADA, justifica as atitudes horrorosas dela). E alguém da uns chutes no pai da Myra porque ele precisa parar de pensar com a cabeça de baixo e voltar a pensar com o cérebro, não é possível.

Agora vamos ao cast da banda HAHHAHA:
Imagino o Thommy como o Brandon Boyd do Incubus, só que xovem, então maomenos a voz dele no pp;
Quando eu li “Eddie” e “guitarrista” não consegui não pensar no Joseph Quinn montado de Eddie Munson, então é isso, Eddie Munson como meu Eddie na história (talvez mude quando eu ler mais da personalidade dele HAHAHA);
Pro Lenny, como ele tem o sobrenome “Madden”, eu meio que automaticamente imaginei os irmãos Madden em 2010 HAHAH;
Pro Johnny eu ainda não consegui pegar muito dele, então vou esperar pelos próximos capítulos pra tentar achar um cast pra ele :B

Soldada

A PP é a Juliette tadinha, mas é aquele ditado né: a gente aceita a quantidade de amor/respeito que a gente acredita merecer. KSKSKSKSSKSKSKSKS A mãe dela é de boa, confia. A Elisa parece ruim a primeira vista, mas vale lembrar que ela tem a mesma idade que a PP, e querendo ou não as duas são vítimas da Amara e do pai da PP, mas tem muita coisa pra desenterrar aí dentro. KSKSKSKS menina tu agora foi luz, REALMENTE É INSPIRADO NO EDDIE de Stranger Things (minhas inspirações estão num armário de vidro, eu to chorando ksksksks) o Brandon eu não conhecia ainda, mas GOOD CHARLOTTE SIIIM (apesar de ter usado mais como referência o Richard Madden, a cópia britânica do Sebastian Stan). O Johnny foi inspirado em mistura do Spiderpunk (Hobie Brown) e no Soap de Call of Duty então tá valendo tudo. Muito obrigada pelo comentário, Lelen!

Lelen

Mudou a história (maomenos) mas o ranço por essa “família” continua. MEU DEUS DO CÉU! Ainda bem que pelo menos um ser humano ali se salva, né, GRAZADEUS. E tomara que o Rowan se arrependa em um nível que eu chegue a ter pena, tá? Mas se arrependa bem arrependido. Eu vou estar com um sorriso maior que a cara olhando pra ele e pensando “toma, trouxa” HSAOIDHASDO
E A-MEI essa primeira interação dos dois no capítulo (embora eu ache que meu favorito vai acabar sendo o Eddie pelos mesmos motivos ditos anteriormente) e mal posso esperar pra ver mais desses dois juntos e separados nas vidas deles.
PS: RANÇO do Hansen, que ele carregue o inferno de culpa nas costas pelo que fez com a mãe do Thommy. Nem a decência de agir como ser humano correto ele teve.

Soldada

O Hansen é um ser humano bem complexo, eu não defendo não kslsksks se quer um spoiler aqui vai, o Rowan vai sim se arrepender, mas não pelos motivos certos, KSKSKKSS a Isha é a melhor de todos aí, tirando o Johnny. Uma curiosidade é que: o filme preferido do Thommy era JUSTAMENTE Aladdin, e tem motivo, vai aparecer mais pra frente

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