The Mortician's Daughter

Escrito por Eva Mohn | Revisado por Marii Luch

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   olhou para o relógio e fechou os olhos, impaciente. Seu voo sairia em menos de quinze minutos e ainda não havia chegado. Sentia-se ansioso, sentia-se animado, sentia-se com medo.
  Medo.
  Naquele exato momento, o medo corria rapidamente por suas veias e enchia sua cabeça de hipóteses tolas e improváveis. tentava a todo custo contornar o medo e se focar na realidade, no que realmente aconteceria naquele dia.
   só estava um pouco atrasada, repetia a si mesmo, contrariando seu subconsciente. Eles iam pegar o avião juntos, iriam começar sua vida juntos e seriam felizes. A decisão final dela seria ele, sempre seria ele.
  Era assim que o amor era.
  Levantou os olhos e avistou uma mulher correndo em sua direção, o cabelo bagunçado e uma pequena bolsa na mão. Ela parecia procurar alguém, seus olhos mostravam desespero, mas suas feições mostravam calma e decisão.
   caminhou até e olhou dentro dos olhos dela. Nenhum dos dois conseguia dizer sequer uma palavra.
  - Onde estão suas malas? - sussurrou.
  - ...
  - ONDE ESTÃO SUAS MALAS, ? - gritou irritado.
  - Eu não vou .
  - Por favor, diz que é piada. Me diz que alguém está escondendo suas malas e que você está fazendo apenas mais uma de suas piadas. - continuou séria, encarando o chão - Você não pode fazer isso.
  - Pelo contrário, eu posso e vou fazer. É a minha vida e eu decidi ficar. ... Eu decidi ter um futuro sem você.
  - Você não está falando sério, não está falando sério... Não pode estar.
  Ele falava mais para si mesmo do que para ela. Seus olhos ameçavam deixar as lágrimas transbordarem, seus lábios tremiam em nervosismo. Seus maiores medos se tornavam reais.
   continuava impassível. Seu olhar duro, seus lábios juntos e uniformes, a decisão estampada em seu rosto.
  - Eu sinto muito, . Eu tive que vir me despedir... E eu devia uma explicação, não é? - forçou um sorriso - Eu não te deixaria partir sem antes dizer Adeus, sem me explicar. ... Eu não acho que ir embora seria o melhor para mim. Eu não acho que minha vida deva ser resumida em estar ao seu lado. Você não é "o cara". Eu sinto muito por isso.
  - Diga olhando nos meus olhos. Olhe dentro dos meus olhos e diga que não me ama, que todos esses anos não significara nada para você. - ele disse segurando com força o punho dela, deixando suas lágrimas escorrerem.
  - Eu não te amo, . Todos esses anos significaram sim algo para mim, mas não o que significaram para você. - disse sem pensar duas vezes, sua expressão ainda dura - Agora me deixe ir... Você vai peder seu voo.
   soltou o braço de sua amada e continuou fitando-a, sem saber o que fazer ou dizer. Ela colocou uma mecha de cabelo atrás da orelha e suspirou. Sem pensar muito, deu um passo para frente e jogou os braços sobre os ombros de , apertando-a o máximo que poderia contra si. Ela não rejeitou a ação, apenas o abraçou de volta. Ele respirou fundo, sentindo o cheiro dela e beijou o topo de sua cabeça.
  - Se cuide. - ela disse.
  - Você também. Eu amo você, de verdade. Eu amo a que deixei aqui, e sempre vou amar. A mesma que até ontem era minha. Sentirei sua falta.
  - Eu sinto muito.
  - Eu vou voltar.
  Ela ajeitou a bolsa nos ombros e virou de costas. Andou com passos largos até a saída e não olhou para trás. Não se arrependeu. Não voltou. Nunca teve dúvidas.
  Deixou com suas lágrimas, com sua dor, com seu coração nas mãos. Ele nunca soube o que aconteceu com sua , com a garota que até um dia antes dizia que eles ficariam juntos para sempre. A garota que era dele desde quando se conheceram. A garota que ele amava.

***

  Cinco anos depois.

   respirou fundo e jogou suas malas no fundo do táxi. Olhou ao redor e viu sua velha cidade exatamente do jeito que deixara cinco anos antes.
  Cinco anos... Depois de cinco anos ele finalmente estava de volta e admitia francamente que havia um único motivo para sua volta: .
  A garota que lhe tirou noites de sono durante cinco anos. A garota que sempre se mostrou amorosa e de repente se tornou fria e impassível, abandonando-o sem olhar para trás.
  E por cinco anos ele reprimiu o desejo de voltar, de vê-la sorrir novamente, olhar em seus olhos, tocá-la.
  E ele havia voltado com apenas essa finalidade: Encontrá-la. Prometeu a si mesmo que a veria por uma última vez e então seguiria sua vida.
  O Táxi parou em frente ao velho prédio onde morava. Sabia por amigos que ela ainda mantia residência ali, apesar de passar pouquissimo tempo em casa. Esperava que a sorte estivesse a seu favor naquele dia.
  Subiu as velhas escadas e parou em frente ao apartamente de número vinte e sete, que para sua infelicidade tinha uma placa de "aluga-se" na porta.
  - Com licença, você conhecia a garota que morava aqui? - perguntou a um senhor que por ali passava.
  - Você quer dizer a jovem ? - concordou - Ah sim, ótima garota - disse com um ar triste - O que tem ela?
  - Faz muito tempo que ela se mudou?
  - Na verdade, algumas poucas semanas.
  - Você não teria o novo endereço dela?
  - Ah, sim. Me dê um papel e eu anotarei para você.
  Ele pegou um papel qualquer em sua mochila e entregou ao senhor. Ele anotou um endereço e devolveu a , sorrindo fracamente.
  - Obrigado.
  - Não por isso. Boa sorte.
   saiu rapidamente do prédio e pegou outro táxi, entregando o endereço a ele. Para sua surpresa, dez minutos depois o táxi parou na porta de um dos hospitais da cidade.
  - Tem certeza de que é aqui?
  - Sim, exatamente aqui. - devolveu a o papel.
  Confuso, ele entrou no hospital e parou em frente a mesa da recepção. Uma atendente loira mascava um chiclete, irritantemente e fazia algo no computador. Olhou ao redor algumas vezes e imaginou o que poderia estar fazendo ali. Não conseguiu.
  - Estou procurando por .
  - Você é da família? - a atendente disse, ríspida.
  - Sim.
  - Precisa me passar seu nome, se não estiver na lista, não entra.
  - É , .
  A mulher parou or um segundo de mascar o chiclete e mecheu nos óculos, procurando algo em um papel. Olhou novamente para ele, mas dessa vez seu olhar não era ríspido ou mal educado. Era apenas piedoso.
  - Quarto duzentos e trinta. É só pegar o elevador. - indicou com a mão.
  - Obrigado.

[Coloque a música para tocar]

   nunca chegou a entender por que seu nome estava naquela lista. Tudo o que sabia era que os minutos que levou para chegar ao quarto duzentos e trinta foram os mais longos e dolorosos de toda a sua vida.
  Parou em frente a porta e respirou fundo. Ele tinha medo do que viria a seguir.
  Pela segunda vez em sua vida, o medo o sufocava de uma forma inimaginável. Prendia seus membros, latejava em suas veias.
  Ele bateu duas vezes na porta e segundos depois uma mulher que ele reconheceu como a irmã de , , abriu a porta.
  - ? O que está fazendo aqui?
  - Procurando por . O que diabos está acontecendo, ? - disse nervoso.
  - É melhor você ver.
  Ela abriu completamente a porta, deixando ver o quarto completamente. No momento em que seus olhos pararam naquele cama de hospital, sentiu seu coração parar de bater.
   estava lá, mas não parecia a que um dia ele conheceu. Seus olhos estavam entreabertos e ela respirava com dificuldade. Sua pele estava delicadamente grudada aos seus ossos, não havia carne. Os lábios dela estavam pálidos e rachados, seus olhos não tinham mais vida ou brilho, seu cabelo estava mais curto do que o do próprio .
  Ele entrou no quarto e parou em frente a cama, sem saber o que fazer.
  Sentiu seu corpo se arrepiar quando finalmente o viu. Mais uma vez, ela não esboçou sequer um sentimento, mas dessa vez era diferente. Ela não tinha forças para esboçar qualquer coisa em sua triste e cansada face.
  - O que aconteceu?
  - Eu sinto, . De verdade.
  - O que ela tem? - disse, ainda estático.
  - Começou com câncer de pulmão, mas agora está em muitos de seus orgãos.
  - Ela vai...? - ficou calada e suspirou.
  - Eu sinto muito. - limpou as lágrimas que já escorriam por seu rosto e abraçou com força.
  E eles ficaram apenas lá, se abraçando por incontáveis minutos. Sabiam exatamente o que o outro estava sentindo. sentiu as lágrimas escorrerem por sua face também, mas sua ficha ainda não havia caido. Ele ainda não havia se dado conta de que ela estava morrendo.
  - Por que ninguém me contou que ela estava morrendo? - soluçou - Eu era a porra do namorado dela, alguém deveria ter me contado, me ligado!
  - Ela não quis te contar, não deixou que nenhum de nós contasse. Não é nossa culpa.
  - Há quanto tempo isso começou?
  - Cerca de cinco anos, eu acho. Eu não estou entendendo, ela te disse que estava doente, não disse?
  - O quê?
  - Ela me disse que havia te contado que tinha câncer. , ela disse que você a deixou por que não queria cuidar dela, que era demais para você. Achei que pelo menos soubesse que ela esteve doente.
  - Ela nunca disse nada - disse confuso - No dia em que eu parti, ela disse que não me amava e que não queria uma vida comigo. Me disse para ir embora e eu fui.
  - Ela já sabia que estava doente. - fechou os olhos com força - Eu jamais entenderei minha irmã.
  - Quanto tempo ela tem?
  - Horas. - balbuciou - Eu estou esperando. Quis estar aqui quando fosse a hora... - soluçou - A hora de ela partir.
   ouvia as palavras, mas não parecia entende-las. Não conseguia fazê-las entrarem em sua cabeça. Não tão rápido. Não queria acreditar que perderia sua amada assim, sem sequer se despedir como deveria. Não queria acreditar que tudo aquilo estava acontecendo com ele.
  - Você pode ficar, se quiser. Ela não pode falar, mas ainda ouve.
   assentiu calado e sentou-se numa cadeira ao lado da cama de . Cuidadosamente, segurou a mão dela e olhou mais uma vez para seu rosto. Não parecia a , ele não queria acreditar que era ela. Tão fraca e desprotegida, tão sem vida. Os lábios dela tentavam se mover, mas sem sucesso. deixou mais algumas lágrimas escorrerem. Depois de algum tempo, conseguiu ler os lábios dela.

  "Eu sempre amei você"

  As lágrimas ficaram mais intensas. Ele jamais a entenderia. Ele desejou ter feito tudo diferente, desejou ter ficado, mesmo que contra a vontade dela. Desejou ter ficado ao lado dela por cada segundo daqueles cinco anos, ter aproveitado todo o tempo que podia com ela.
  A verdade ainda parecia distante para . Não podia acreditar que morreria em pouco tempo. Estava tudo sendo rápido demais para ele, ainda estava em choque, mas sabia que se não falasse agora, ela jamais saberia. Era sua última chance.
  - Você sempre me pregou tantas peças ... Sempre foi tão confusa, tão diferente. Eu não acredito que fez isso consigo, comigo, conosco. Eu teria ficado. Se eu soubesse que você estava doente, eu jamais teria saído do seu lado, eu teria cuidado de você. Eu estaria aqui por todo esse tempo, até agora. Você não tinha o direito... - ele apertou a frágil mão dela - Não tinha o direito de não me contar. É a minha vida também, você é parte da minha vida ... Você é minha vida, sempre foi. Eu amo você mais do que eu jamais poderia gritar... Muito mais. Eu não quero te perder , por favor, eu não quero te perder, não agora que eu voltei... Eu prometi , não foi? - soluçou - Eu prometi que ia voltar e agora eu estou em casa de novo, por você. Você é a pessoa mais incrível que eu já conheci na minha vida e eu jamais vou me perdoar por ter te deixado, jamais. - beijou a mão dela, com os lábios trêmulos - Você vai ser sempre minha e eu serei sempre o seu . Para sempre.
   se entregou a um choro angústiado e silencioso. chorava também, encolhida em um sofá do outro lado da sala. Observava calada a toda a cena, com o coração nas mãos. olhava para , que respirava com dificuldade. Ele viu um fino filete de água escorrer pela bochecha dela e o enxugou, beijando sua bochecha e em seguida seus lábios.
  - Um último beijo, querida. Para sempre.
   nunca conseguiu explicar o que sentiu naquelas próximas horas. Sabia que horas depois, deu seu último suspiro e sorriu para ele, apertando sua mão. Como se com ao seu lado ela finalmente pudesse partir. E assim partiu. Ele nunca havia se sentido tão vazio.
  O resto daquele dia continua sendo um mistério para ele e para todos que o conheciam. Entregou-se ao desespero ao ver o bip do aparelho que media o batimento cardíaco de sua amada parar. Gritou diversas vezes para que ela não o deixasse. As mãos de o seguravam com força, mas ele ainda gritava. Agarrou o corpo sem vida da amada e não o soltou nem quando os médicos tentaram o obrigar. Beijou os lábios sem vida da amada e gritou cada vez mais alto.
  Nunca soube-se ao certo o que aconteceu depois disso.
  Tudo o que sabia-se era que o entregou um bilhete que havia endereçado a ele e dado específicas intruções que só fosse entregue depois de sua morte. leu o bilhete, em prantos desesperados e se atirou do último andar do hospital.
  Levou consigo o bilhete, que ensopado por seu sangue nunca foi decifrado. Um mistério. Mas é isso que o amor é, não? Um eterno mistério.
   e foram enterrado juntos, suas almas seladas juntas no céu.
  Para sempre.

  "Querido ,
  Eu sinto muito por tudo isso e quero deixar claro que nada disso é sua culpa e nunca será.
  Não queria ter deixado você ir daquele jeito, jamais quis. Mas entenda, essa doença terrível destruiria tudo para nós e eu não queria nos destruir desse jeito. Eu não queria estragar sua vida, não queria que disperdiçasse tempo cuidando de mim... Não quando ainda tinha tanta coisa para viver. Ah, , como sinto sua falta. Esses anos todos, eu rezei por um milagre, por uma salvação, por você. Sempre me perguntava se você havia me esquecido, se um dia iria voltar... Mas você não voltou. E eu entendo, sei que é minha culpa. Mas não me arrependo do que fiz, eu fiz o que era certo para você. E quanto a mim? Bem, eu já estava condenada a morrer de qualquer jeito, mas você não. Não queria que você me vesse morrer. , eu menti. Menti para você querido. Eu amo você, amo você mais que qualquer coisa nesse mundo, até mais que a mim mesma. Ficar com você sempre foi o certo para mim, só não era o certo para você. Eu ainda vou esperar por você, não importa onde eu esteja. Na terra, no céu, no inferno. Estarei sempre sentada na mesma cadeira da varanda, esperando você surgir no horizonte. Para sempre. Adeus, querido.
  Sempre sua,
  ."

FIM



Comentários da autora

  Hello! Espero que tenham gostado e comentem. Eu pessoalmente gostei da fanfic, deu para descontar minha raiva nela. HAHAHA.
  Vejo vocês por aí.
  xoxo