Solo Para Ti

Escrito por Queen B | Revisado por Mariana

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  Quando fui ao encontro de , ela pulou de susto e acabei rolando os olhos com a visão. Ela estava sempre se assustando.
  - Pronta? – Perguntei, vendo a garota assentir em seguida, evitando meu olhar ao se levantar da mureta em que estava sentada no corredor e guardar o celular no bolso. Arqueei as sobrancelhas, achando aquilo no mínimo suspeito. A maioria das coisas a respeito de , na verdade, eram um pouco suspeitas, ou pelo menos incomuns, mas aquilo era suspeito. Ela estava nervosa e a constatação foi o suficiente para que o início de um sorriso brincasse em meus lábios. – Está com medo de ir comigo, ? – Perguntei, com uma pontada de diversão na voz ao me aproximar, fazendo a garota corar.
  Precisei conter o ímpeto de sorrir mais, sabendo quanto o fato dela corar o tempo todo lhe incomodava, mas era difícil não gostar de vê-la daquela forma. O vermelho em suas bochechas lhe tornava pura de um jeito cativante, fazia você ansiar para saber o que ela tinha em mente e porque ela achava que aquilo era incriminador o suficiente para deixa-la envergonhada.
  - Não sei. – Ela sussurrou por fim, corando ainda mais e mordendo o lábio por isso, desviando nervosa o olhar e colocando o cabelo para trás da orelha, sem jeito. Eu precisava lembrar a mim mesmo constantemente mesmo que ela odiava se sentir daquele jeito, porque, céus, ela ficava linda assim. – Não sei, não sei se estou com medo, não sei o que estou sentindo. Estou pensando, . Pensando demais. – Soltou, como se as palavras pesassem dentro dela e precisasse se livrar delas, erguendo o olhar agoniada para mim e eu, honestamente, não notei que sorria até ela fechar a cara para mim, desviando, frustrada, o olhar. – Quer saber, esquece, isso tudo foi uma péssima ideia e eu... – Fui obrigado a me mover e agir ao notar o rumo daquela conversa, trazendo a garota para meus braços e segurando em seu rosto ao lhe beijar, fazendo a primeira coisa que me veio em mente para fazê-la parar.
   segurou com as duas mãos em minha nuca de imediato, subindo em seguida para meus cabelos enquanto eu aprofundava o beijo, trazendo seu corpo para mais perto do meu e sentindo aquele calor que começava atrás de minhas orelhas e invadia todo meu corpo sempre que eu a beijava. O sabor dos lábios de era completamente viciante e aquilo era novo para mim, porque por mais que já houvesse beijado outras antes, que já houvesse experimentado muito, com muitas outras, o que sentia com ela era diferente e eu nem sabia explicar. Talvez fosse o fato de tudo ser novo para ela, de saber que eu estava lhe mostrando cada uma daquelas coisas que sentíamos quando estávamos juntos, talvez fosse ela, simplesmente. Eu não sabia e talvez nem me importasse.
  No momento em que soltou o ar contra minha boca, no entanto, obriguei-me a romper o contato de nossos lábios. Aquilo era perigoso demais, estar com ela, lhe ensinar as coisas e eu sabia o porquê. Não tinha só a ver com perder o controle, com sexo. Sabia que, quanto mais tempo passava com ela, mais gostava dela e aquilo era preocupante.
  Estava ofegante quando lhe encarei, me perdendo nos traços da garota por um instante, em seus olhos e em tudo nela, tudo que, de alguma forma, já parecia gravado em minha mente.
  - Deixe que eu me preocupo com os pensamentos. – Murmurei por fim, ainda com seu olhar preso ao meu, tentando garantir a ela e a mim mesmo que estava tudo sob controle. Que eu não estava fazendo a maior loucura da minha vida. Ela assentiu minimamente. – Vamos? – Perguntei, então. assentiu da mesma forma de antes e saímos dali, seguindo em direção ao estacionamento.
  Abaixei um pouco a cabeça quando notei as primeiras gosta de chuva caindo sob mim, sentindo um pequeno choque térmico por ser atingido pela água gelada da chuva depois de ter me sentido tão quente com a garota ao meu lado em meus braços pouco antes, mas acabei, no entanto, erguendo novamente a cabeça quando chamou minha atenção.
  - Está chovendo. – Murmurou surpresa ao notar as gotas, molhando seu rosto, os ombros e seguindo pelos braços e mais para baixo. Acabei rindo de sua expressão maravilhada, como se nunca houvesse presenciado água caindo do céu antes.
  - Está chovendo. – Repeti suas palavras e ela sorriu, me encarando por um instante, enquanto eu também sorria apenas por ver aquela expressão de alegria e surpresa em seu rosto, constatando de novo quão linda ela era.
  Ela riu, concordando.
  - Achei que nunca mais veria isso acontecer depois que me mudasse para cá. – confessou, ainda rindo e eu ri também ao lhe ouvir, recostando-me ao meu carro sem tirar os olhos dela.
  - Acontece em, no máximo, cinco noites por ano. – Contei e ela virou, surpresa, para me encarar. Acabei rindo do choque em seus olhos. – Bem-vinda à Califórnia.
  - Ah, eu amo a Califórnia, mas chuva me lembra de casa. Estou só pensando... Vou ter apenas cinco noites para me lembrar de casa, por ano. – Ela explicou, com uma camada de sombra atingindo seu rosto, provavelmente pensando em tudo que deixara para trás. Nas incertezas que a nova aventura em Los Angeles trazia. Eu não precisei pensar muito para me dar conta que, na verdade, lhe entendia. Eu me lembrava de me sentir exatamente assim quando cheguei em Los Angeles, nem sempre era fácil lidar com o modo como tudo mudava num piscar de olhos.
  Eu mantinha a cabeça um pouco inclinada até então, esquivando-me da chuva, mas ergui o rosto ao me aproximar de , perto o suficiente para lhe tocar, pousando a mão em seu rosto gelado pelas gotas de chuva que caíam nele, sendo atingido outra vez pelo choque térmico, mais forte dessa vez. Era tudo mais forte com ela e, pouco a pouco, eu vinha percebendo isso.
  - Toda vez que pensar no sorriso da sua mãe, no olhar do seu pai quando contava uma piada, nos lugares em que você e sua irmã gostavam de ir, onde costumavam brincar, em sua mãe cantando em espanhol para vocês, no viveiro de pássaros na janela de seu quarto, toda vez que pensar nessas coisas, .... Você estará em casa. – Falei, porque parecia errado demais que ela achasse que, de alguma forma, tinha perdido todas as suas boas lembranças de casa só porque não estava mais lá. Aquelas coisas eram parte da gente. – Sua casa está nessas coisas, nas suas lembranças e não necessariamente nas cinco noites de chuva que você terá aqui. Sua casa está em tudo que você se tornou graças aos seus pais. – Acrescentei, me permitindo me perder em seu olhar, parado ali de frente para ela, debaixo da chuva como se nada mais importasse. Como se o tempo houvesse parado para nós dois.
  Por um longo instante só me olhou de volta e aquilo foi tudo, seus olhos nos meus, a carga que aquilo parecia ter de alguma forma me atingindo em cheio, mas não pude demonstrar nenhuma reação de verdade, com ela ficando na ponta dos pés para trazer o rosto para perto do meu em seguida. Acabei por fechar os olhos, impelido por sua proximidade, sentindo meus lábios se entreabrirem em seguida, quando roçou timidamente nossos lábios, os juntando, finalmente, em seguida.
  Segurei em seu cabelo, juntando-os num bolo e tocou meu rosto ao mesmo tempo em que eu lhe puxava para mais perto, acabando com qualquer espaço entre nossos corpos. Eu sentia os dedos da garota explorando a pele de meu rosto, deslizando por todo ele, em minha barba, subindo até perto da testa e dos olhos e então deslizando para baixo, para o pescoço e a sensação pareceu boa, esquentando, aos poucos, meu rosto frio por conta da chuva. desfez o contato de nossos lábios em seguida, mas se manteve ali, perto demais e, por algum motivo, eu deixei. Sabia que não tinha como ser um caminho seguro o que estávamos percorrendo, mas permiti ainda assim, sentindo seus lábios explorando meu rosto, experimentando-o. Ela tocou suavemente, devagar, o canto da minha boca, então minha mandíbula, raspando levemente os dentes e depois desceu para meu pescoço, pousando os lábios quentes sob minha pele molhada e causando-me um arrepio gostoso, uma sensação borbulhante no estomago e, céus, eu quis agarrá-la. Queria senti-la, a queria, beijando-me os lábios.
  Por sorte ou azar, no entanto, um segundo de racionalidade fez com que eu a segurasse suavemente, lhe fazendo parar. corou quando nossos olhares se encontraram e eu soltei o ar de maneira pesada, esforçando-me para pensar com clareza.
  - Se eu deixar você fazer isso, não vou conseguir parar, , e nem você vai conseguir me parar, então, por favor, não faça. Sei o suficiente para saber o que vai acontecer se fizer e você não está pronta. – Murmurei por fim, devagar, tentando garantir que ela entendia e, mais ainda, que eu mesmo entendia. Que eu ainda sabia o que estava fazendo, ainda tinha o controle.
   apenas mordeu os lábios, não parecendo completamente de acordo, como se ainda tentasse despertar do transe que parecia ter experimentado, como se algo dentro dela tentasse lhe fazer despertar para o que acontecia agora, para o que eu falava.
  - Como vou saber quando estiver pronta? – Perguntou por fim, corando em todos os tons de vermelho assim que as palavras saíram de sua boca e eu sorri levemente com a visão, me sentindo mais seguro com aquilo. Ela estava pensando de novo.
  - Você só vai. – Garanti delicadamente, sem desfazer o sorriso e seguimos para o meu carro quando tudo pareceu melhor. Sob controle.

+++

   passou praticamente o caminho inteiro em silencio, distraída com seus devaneios, fazendo algum comentário apenas quando saímos da auto estrada, entrando na estrada de barro, cercada de arvores, que dava acesso a minha casa.
  - Está planejando me levar por meio do mato e me matar? – Ela brincou.
  - Estamos chegando. Aí você vai ver. – Falei no mesmo tom e rimos, adentrando a imensidão de verde.
  Pouco depois, eu estava estacionando em frente a minha casa, rindo um pouco ao ver prender o ar, saindo do carro e olhando perplexa em volta. Desliguei o carro, mas não sai de imediato, aproveitando de sua distração para me preparar, pelo menos um pouco, para aquele momento. Era difícil estar com sem ter medo de perder o controle e estávamos em minha casa agora. O pensamento fez com que eu fechasse os olhos, jogando a cabeça para trás no banco por um instante antes de, por fim, descer do carro. Eu conhecia os limites de , mas precisava conhecer os meus agora. Precisava daquilo para saber se conseguiria continuar fazendo aquilo com , lhe ensinando tudo que ela queria aprender.
  - E você ainda nem viu por dentro. – Comentei com humor ao me aproximar da garota, lhe abraçando de lado e arrastando para dentro de casa depois de empurrar a porta. Nunca foi preciso trancar, afinal eu vivia, basicamente, no meio do mato. Não era exatamente alvo fácil para assalto e coisas do tipo. Ninguém nem tinha meu endereço; fãs, impressa, ninguém.
   olhou vidrada em volta, saindo de meus braços quando entramos em casa e eu fechei a porta, observando com humor enquanto ela parecia despir minha casa, tentando ver tudo que havia para ver mesmo que só estivéssemos na sala. Seu olhar parou no piano, no qual ficou por mais tempo.
  - Você toca? – Virou, parecendo surpresa, para me encarar. Sorri de lado.
  - E canto, mas você devia saber dessas coisas, fangirl. – Provoquei, rindo quando corou em resposta a minhas palavras. – Vem, eu te mostro. – Peguei sua mão, trazendo a garota para perto do instrumento, embora ela ainda houvesse parado longe demais, sem jeito. Rolei os olhos ao notar isso, sentando-me no banco em frente ao piano. – Ele não vai te morder, pode chegar mais perto. – Murmurei e estirou a língua em minha direção, aproximando-se. Assenti, satisfeito, e arqueei as sobrancelhas, como quem diz: não falei?, fazendo rolar os olhos, sorrindo de maneira irônica para mim. Não me importei, focando nas teclas a minha frente, não precisando pensar muito para saber o que tocar para ela. Havia algo, uma música, que eu sabia que ela devia conhecer, mas, mais ainda, fazia com que eu pensasse nela também.
   sorriu, parecendo reconhecer a música e eu fiquei satisfeito com isso, começando a cantar em seguida:
  - Where do you go, with your broken heart in tow?! [Aonde você vai, com o seu coração partido em reboque?] – Soube que tinha acertado assim que comecei a cantar e os olhos de pareceram brilhar em minha direção, deixando-me perfeitamente satisfeito e talvez até um pouco orgulhoso. – What do you do with the left over you?! And how do you know, when to letgo? Where does the good go, where does the good go?! [O que você faz com o seu antigo eu? E, como você sabe quando esquecer? Pra onde foram as coisas boas, pra onde foram as coisas boas?] – Continuei, sorrindo de leve para antes de continuar, vendo a garota corar em resposta e gostando muito mais do que poderia explicar da visão. - Look me in the eye and tell me you won’t find me attractive, look me in the heart and tell me you won’t go, look me in the eye and promisse me no Love is like your love, look me in the eye and unbreak the broken, it won’t happen [Olhe me nos olhos e me figa que não me acha atrativo, olhe me no coração e diga que não vai, olhe me nos olhos e prometa que nenhum amor é como o nosso amor; olhe me nos olhos e conserte o quebrado, isso não acontecerá] – Parei nesse ponto sem nenhum motivo em especial, talvez fosse o olhar de , eu não sabia.
  A maneira como ela me encarava parecia não permitir que eu simplesmente continuasse, exigindo que eu desse atenção a ela e apenas a ela. Passei algum tempo encarando as teclas do piano a minha frente, com as mãos no colo enquanto tentava pensar com clareza, ter certeza que tudo estava mesmo sob controle, porém desisti assim que meu olhar caiu, teimoso, sob ela.
  Me pus de pé, com os olhos presos aos seus e, sentindo coisas demais, pensando em coisas de menos, parando a sua frente e trazendo a garota para mim ao, finalmente, moldar nossos lábios. Eu gostaria de poder dizer que fui cuidadoso, que sabia o que estava fazendo, mas àquela altura ela não era a única que havia simplesmente parado de pensar, tornando aquele beijo completamente diferente de todos os outros que trocamos. Eu não estava e nem podia lhe ensinar nada naquele momento, preso na sensação de estar me descobrindo também, naquele e só naquele momento, o toque de sua pele na minha, seus lábios nos meus, quente e viciante demais.
  Antes que me desse conta do que fazia, coloquei sentada no piano, com ela me segurando contra si e impedindo que eu me afastasse quando um pequeno lampejo de razão me tomou e, tão rápido quanto veio, ele se foi depois disso. Eu movia a boca contra a sua sem realmente pensar a respeito do que fazia, sem pensar a respeito de nada, entregue a sensação completamente viciante de tê-la em meus braços, soltando o ar contra seus lábios quando suas unhas se afundaram em minha nuca, fazendo uma dor aguda atingir a região. Ainda assim, aquilo pareceu muito pouco para minha mente enuviada, os pensamentos distantes demais para que eu parasse, explorando o corpo da garota em meus braços ao apertar sua cintura e logo depois sua coxa, subindo para seu cabelo e o segurando num bolo como adorava fazer, aumentando o ritmo do nosso beijo quando a garota me puxou para mais perto em resposta a cada um de meus toques. Gemi, no entanto, contra a boca de quando ela apertou mais as pernas ao redor de meu corpo, fazendo com que eu sentisse cada pedaço dela contra cada pedaço de mim e eu soube que já havíamos ido longe demais. Eu precisava voltar ao controle.
  - Você nunca me beijou assim. – soltou em seguida, assim que rompi o beijo e ergui o olhar para ela, mordendo o lábio para parar de ofegar.
  - Eu não estava pensando. – Confessei num sussurro e piscou, surpresa.
  - Eu... Eu fiz isso? – Perguntou no mesmo tom que eu usara, sem conseguir não soar surpresa, lisonjeada até e eu acabei sorrindo um pouco, sentindo-me, aos poucos, mais leve. Com os pensamentos voltando numa enxurrada, num alivio.
  - Você faz isso há muito tempo, . – Murmurei simplesmente e ela não respondeu então estendi a mão para lhe ajudar a sair de cima do piano. – Vem, vou preparar algo para comermos. – Chamei e, ainda meio fora de si, ela concordou, então seguimos para a cozinha.

   ficou perplexa com a cozinha também e eu acabei rindo da cena, vendo a garota olhar para todos os lados como se tentasse gravar todos os detalhes do cômodo.
  - Você fica olhando para os lados como se estivesse numa exposição e não pudesse perder nada pelo que passa. – Comentei, fazendo com que ela virasse corada para me encarar, constrangida por ter sido pega olhando de maneira abobalhada para os moveis e eletrodomésticos ao redor.
  - Não... Olho não. – retrucou, desajeitada e eu arqueei as sobrancelhas em sua direção, deixando claro que não acreditava naquilo. corou mais. – Não olho, você está olhando, vai queimar... O que está fazendo aí, hein? – Se aproximou do fogão, tentando olhar o que eu cozinhava, mas fiquei na sua frente por implicância, rindo de sua tentativa de fugir do assunto.
  - Hambúrguer. – Respondi de uma vez e ela me olhou de maneira irônica. Imitei – O que foi? Eu nunca disse que cozinhava bem. – Retruquei para sua acusação muda e riu, afastando-se para sentar na mesa de frente para o fogão e esperar que eu acabasse.
  - Tudo bem, eu gosto de hambúrguer. – Murmurou e eu desviei o olhar para ela, olhando por sob o ombro e descendo os olhos para seu corpo sem que pudesse me conter, desejando poder explorá-la, experimentar cada pedaço de seu corpo, descobrir como era lhe enlouquecer mesmo sabendo que não era de jeito nenhum saudável pensar naquelas coisas.
  Balancei a cabeça e desviei o olhar novamente para o fogão, tentando desviar aqueles pensamentos. Aquilo não faria bem para ninguém.
  - Todo mundo gosta de hambúrgueres. – Respondi por fim, após um minuto de silencio. não respondeu e espiei a garota outra vez sem que ela notasse. Ela encarava um ponto fixo em minhas costas, distraída e lhe dei as costas novamente, desligando o fogo. – Quer refrigerante, suco ou vinho? – Perguntei, me afastando do fogão para ir abrir a geladeira, rindo de sua careta com a menção do vinho. – Ok, nada de vinho. Entendi.
  - Tem gosto de ferrugem, . – A garota reclamou enquanto eu enchia dois copos com Coca-Cola e eu lhe olhei como se fosse louca, entregando para ela um dos copos.
  - Sangue tem gosto de ferrugem, .
  - Bom, então tem gosto de sangue. – Insistiu em forma de resmungo e eu acabei rindo de suas palavras. – E não ria de mim por falar o que ninguém tem coragem. Bebidas alcoólicas são convenção da sociedade, quase nenhuma é realmente boa. – Ela acrescentou, incomodada com minha risada. Rolei os olhos para ela.
  - Quase nenhuma?!
  - Eu gosto de tequila. – Murmurou, num fio de voz, e eu ri, concordando com a cabeça, obviamente me lembrando do que aconteceu quando ela ficou sob efeito de tequila na minha frente no outro dia.
  - É claro que gosta, mas, e se eu te disser que sexo também é uma convenção da sociedade e, se não for feito direito, também não é bom? – Ergui as sobrancelhas, arrancando uma careta da garota.
  - Achei que tinha que ser bom pra, hm... Você sabe. – Ela apontou, corada, a região entre minhas pernas, fazendo sinal para cima. Fiz que não, segurando a risada.
  - Qualquer coisa é boa para os homens, mas com a mulher é diferente. – Expliquei, apontando com a cabeça em direção ao seu corpo. – É muito mais difícil para vocês chegarem ao orgasmo do que para a gente. – Falei e ela só assentiu, não parecendo inclinada a falar mais nada.
  - Vou comer agora. – Avisou, deixando claro que não queria mais falar daquilo. Tudo que eu fiz foi rir e concordar com a cabeça, dando um pulo para sentar de frente para ela, na pia.
  Observei comer em silencio, mesmo que estivesse com meu próprio sanduiche em mãos também. Eu estava distraído com a garota, esquecendo-me dele. Ela não vestia nada demais, usava blusa de alça e calças jeans, tudo muito colado ao corpo graças a chuva que tomara mais cedo e eu só conseguia me perguntar como ela não sabia. Como era possível que ela não soubesse quão linda era, que se surpreendesse que as pessoas lhe achassem desejável porque, porra, ela era incrível. Não dava para olhar para e ver essa menina, essa menina que lhe incomodava tanto achar que era, porque, céus, ela não era mesmo. Ela era uma mulher e, de repente, fiquei curioso. Me perguntei o quanto ela sabia, o quanto ela já fizera e conhecia a si mesma, ao próprio corpo. Eu podia e ia adorar mergulhar nela, descobrir cada detalhe sobre seu corpo, sobre como tocá-la e o que fazê-la sentir, mas me perguntei se ela sabia. Pelo menos um pouco.
  - O que está fazendo? – perguntou de repente e eu dei de ombros, voltando aos poucos ao focar nela, me dando conta que divagara lhe encarando. era a última pessoa no mundo com quem alguém devia poder fazer isso.
  - Comendo. – Respondi, no automático, tentando parar de pensar no que estava pensando, de lhe encarar daquele jeito, pois sabia que, enquanto o fizesse, ela não acreditaria em mim.
  - Além disso. – Ela insistiu e eu pisquei.
  - Estou olhando para você. – Arqueei as sobrancelhas, duvidando que ela fosse mais longe que aquilo com as perguntas.
  - Por quê? – Ela imitou minha expressão e acabei rindo, em parte pela surpresa.
  - Por que estou olhando para você? – Repeti, como quem não havia entendido sua pergunta e ela assentiu, com um quê de firmeza no olhar. Dei de ombros, completamente ciente que estávamos seguindo por um caminho perigoso quando fiz a próxima pergunta. – Honestamente? – assentiu, um pouco hesitante e, obviamente, corada. – Estava me perguntando quanto você sabe. – Confessei por fim e ela piscou, confusa.
  - Quanto eu sei? – Ela repetiu, tentando entender o que eu dizia. Assenti. – Quanto eu sei sobre...? – Assenti novamente quando ela se interrompeu e, como esperado, corou mais ao entender em que pé estávamos, mordendo o lábio ao ver que eu ainda lhe encarava, esperando que ela dissesse. Podia ser esperar demais dela, mas não dava para chegar tão longe e não esperar uma resposta. – Eu não sei... Hm... Quanto eu sei. – Confessou, num fio de voz.
  Me pus de pé, limpando a boca com o guardanapo e avançando em sua direção, parando a sua frente. estava corada em todos os tons de vermelho e me esforcei para não a intimidar ainda mais.
  - Você já se tocou antes? – Eu perguntei, tentando não transparecer que aquilo era grande coisa e fazê-la relaxar, ciente que ela já estava nervosa o suficiente. fez que não, movendo as pernas para frente, para mais perto de mim quando pousei as palmas em seus jeans. Ela não sabia o que fazer, aquilo ficou se repetindo em minha mente, de novo e de novo e me dei conta de novo do quão inexperiente ela era. Pensei em todas as coisas que podia fazê-la sentir, em todo o prazer que ela estava perdendo, subindo lentamente os dedos até os botões de sua calça. – Sabe o que fazer? – Perguntei e, novamente, ela fez que não. Assenti, olhando em seus olhos enquanto puxava o zíper de sua calça, sem pensar demais enquanto o fazia. – Vou te mostrar, se quiser. – Murmurei e assentiu, muda. – Você quer? – Perguntei, sem ter certeza que podia fazer aquilo sozinho. Precisava que ela falasse, que dissesse que era o que queria, porque, por mais que eu quisesse, que a ideia me excitasse para caralho, eu não podia perder o controle. Tinha que dar um passo de cada vez. – Você precisa falar. Não vou fazer nada se não falar. – Insisti perto de seu ouvido, fazendo a garota soltar o ar de uma vez só e beijei atrás de sua orelha em resposta.
  - Eu quero. – Ela sussurrou por fim, deixando escapar um gemido quando meus lábios desceram para seu pescoço, apoiando as mãos atrás do corpo enquanto jogava a cabeça para trás e eu quis parar para lhe encarar, admirar a beleza que era se entregando a mim como fazia agora, como se seu gemido, por si só, já não houvesse despertado meu membro, que ia crescendo entre as pernas conforme eu tocava a garota, me deliciando com aquilo tanto quanto ela.
  Levei os dedos para o cós de sua calça, puxando-a para baixo e moveu os quadris para me ajudar, meus dedos triscando em suas pernas conforme as despia, sentindo quão quente ela estava. Raspei os dentes em seus ombros, fazendo a alça da blusa escapar pelo braço, quase gemendo só por ouvir o gemido entrecortado que soltou para mim. Seu gemido era delicioso, céus. Tudo nela era e a garota soltou outro som incrivelmente viciante, pelo qual eu nem conseguia imaginar o que não faria, quando eu deixei que minha mão entrasse por sua barriga, subido até seu seio.
  - No que você pensa quando está excitada? – Perguntei em seu ouvido depois de trilhar o caminho de volta até a região com mais beijos, lhe chamando novamente um segundo depois quando ela não respondeu e soltou o ar, parecendo ter dificuldades para raciocinar.
  - E-e... Em você. – Disse por fim, suspirando enquanto eu brincava com os dedos em seu mamilo, quente e endurecido com meu toque. Acabei por soltar o ar contra seu pescoço, envolto no quão deliciosa, macia e sensível ao toque era sua pele.
  - Nos seus pensamentos, o que eu faço? – Perguntei, me esforçando para continuar focado naquilo quando tudo que eu queria era beijá-la de uma vez e estar dentro dela, experimentar sua intimidade quente e convidativa como meus dedos já haviam provado.
  - . – A garota resmungou em resposta e eu só assenti, me dando conta que aquilo era de se esperar. não ia simplesmente falar qualquer que fosse a sua fantasia.
  - Tudo bem, não fale, mas quero que pense nisso. Em tudo que você pensa em mim fazendo. Pense nisso e se toque, toque as partes de seu corpo que imagina a mim tocando. – Instrui, mas ela não se moveu inicialmente e eu só esperei, pacientemente.
  - Não vou conseguir. – Ela sussurrou depois de um instante e eu fiz que não.
  - Vai sim. – Garanti, pegando sua mão e pondo no lugar da minha em seu seio. – Eu te ajudo. – Disse, fazendo com que ela estimulasse a mim mesma, fazendo pressão no mamilo e a garota soltou o ar em resposta, com os olhos fechados.
  Por um instante, apenas admirei quão linda ela era, quão excitante era vê-la daquele jeito, entregue ao próprio prazer e continuei guiando seus movimentos, abrindo os botões da blusa com a outra mão e a colocando de lado, logo depois fazendo o mesmo com o sutiã, tornando o contato de nossas mãos com seu corpo muito mais intenso, puxando lhe pela cintura e então descendo a mão até sua calcinha, sentindo meu membro endurecer quando toquei sua intimidade, sentindo sua excitação por sob o pano da calcinha antes de alcançar a região do clitóris por cima do tecido, fazendo com que jogasse a cabeça para trás outra vez e gemesse, mais alto.
  Puxei sua mão em seguida para sua calcinha, fazendo com que ela passasse por dentro do tecido e a própria levou os dedos para sua entrada molhada, parecendo agir como um reflexo e fechou os olhos, suspirando. Puxei em seguida sua calcinha para baixo e ela deslizou para seus pés, ao mesmo tempo em que eu penetrava um dedo junto com o seu dentro dela, sentindo o membro, novamente, doer nas calças por sentir sua intimidade tão deliciosa em meus dedos, tão absurdamente convidativa.
  Segurei em sua perna com a mão livre e voltei a levar os lábios para seu pescoço, sugando lentamente a pele da região e fazendo se agarrar mais a mim, torcendo os dedos com força em meus cabelos, mesmo que eu mal tenha sentido seu toque, acordando para suas reclamações apenas quando ela tentou me livrar da camisa, finalmente entendendo o que acontecia, me afastando para tirar a peça do corpo, jogando de qualquer jeito no chão, junto com as roupas dela.
  Voltei a subir a mão até seu clitóris e vi morder o lábio, tentando conter um grito quando movi o polegar na região, observando a expressão de êxtase da garota e desejando poder manter seu rosto daquela forma para sempre, levar lhe ao paraíso quantas vezes ela quisesse só para poder admirar o quão incrível ela parecia quando estava excitada e acabei por parar o que fazia, ignorando seu resmungo de reprovação e beijando seus lábios, se afastando, no entanto, antes que ela pudesse retribuir como tentou, descendo e deixando um beijo leve, gentil, em seu pescoço antes de descer pelos ombros e depois seus seios, raspando os dentes bem levemente em um deles, seu corpo deslizando cada vez mais para trás graças ao suor. Meus lábios foram para seu ventre e ela cedeu ao peso do corpo, deitando o tronco na mesa e se entregando ao toque de meus lábios em seu corpo.
  Chupei o interior de suas coxas e tive a sensação que estava tão excitado e ansioso por aquilo quanto ela, mesmo que a garota não tivesse como saber realmente o que eu faria. gritou quando minha língua invadiu sua entrada, espalhando um espasmo por todo seu corpo e eu não pude gostar mais da visão, ou de seu gosto, da sensação de tê-la tão entregue a mim, com as pernas agarradas a meu pescoço enquanto ela parecia buscar um apoio para se manter ali.
  A garota torceu os dedos em meus cabelos e a cada novo instante sugando sua excitação tive mais certeza que havia acertado, vendo a garota completamente entregue ao que eu fazia com ela. Parei de penetrar a língua em seu interior em seguida, abrindo mais suas pernas e sugando gentilmente seu clitóris, cada vez mais empenhado em enlouquece-la simplesmente porque aquilo era incrível de assistir.
  Eu estava cada vez mais excitado por assisti-la entregue, gemendo enquanto segurava em meus cabelos, se esforçando para permanecer sentada e ver o que eu fazia, gemendo incansavelmente por mais e ao lhe encarar eu soube que não pararia até que ela estivesse completamente entregue ao prazer que aquilo devia ser. E então ela gozou.
   era linda, era linda o tempo todo, mas eu nem sabia explicar aquilo que via nela quando gozava, mas podia olhar para sempre e parei de chupá-la para observá-la desfalecer em minha frente, completamente entregue ao orgasmo que eu lhe causara e nem precisei de mais que aquilo para levar as mãos para as calças, esquecendo-me de todo o resto, cego pela ereção que doía dentro das calças e pela visão estonteante que era aquela garota, pensando apenas nela, em chegar ao lugar mais claro e perfeito; com ela e por ela.
  Quando toquei meu membro, soltei um gemido baixo, me dando conta do quanto eu precisava daquilo, pensando em ao fechar os olhos e começar a movimentar as mãos contra meu membro, parando, no entanto, logo em seguida quando tocou meu pulso, chamando minha atenção para si, fazendo com que eu erguesse o olhar para , sentindo o corpo quente demais.
  - Me deixa ver. – Pediu num sussurro e eu desviei o olhar para seu corpo completamente nu em cima da minha mesa, depois novamente para seu rosto, piscando devagar.
  - Quer ver enquanto eu...? – Ela assentiu antes que eu terminasse a frase e, sem desviar o olhar do seu, terminei de desabotoar a calça, vendo a garota se remexer no lugar antes de desviar o olhar para meu membro ereto, agora exposto para ela, então, com os olhos ainda focados nela, recomecei os movimentos, inevitavelmente gemendo enquanto o fazia.

+++

  Nós fomos jogar vídeo game depois.
  Ainda estávamos sem roupa, mas aquilo não era o principal foco no momento. Na verdade, só ficamos sem roupa porque eu desafiara e ela não era exatamente a pessoa mais madura do mundo para ignorar um desafio, obviamente ficando sem roupa para provar que podia. Que conseguia.
  Ela não conseguia e eu já perdera a conta de quantas vezes ela corara por me encontrar olhando para seus peitos quando não devia, mesmo que, na teoria, eu devesse ficar envergonhado por ter sigo pego no flagra e não ela.
  Enfim, estava dormindo agora, por volta das duas da manhã. O principal foco era aquele. Estava tarde para caramba e eu nem vira o tempo passar, sequer sentia sono até se recostar em mim e fechar os olhos, mesmo que, na maior parte do tempo, bastava dez minutos sentado e eu estava pegando no sono. Me surpreendi ao me dar conta daquilo, mas também não perdi muito tempo pensando no assunto, dando um jeito de carregar até o quarto ao em vez disso, lhe cobrindo com meus lençóis e indo atrás de outro para mim, sabendo que não ia ser bonito se ela acordasse nua e, ainda por cima, dividindo cobertor comigo. O fato é que ela ia surtar de qualquer jeito, mas era provavelmente melhor minimizar os danos e foi isso que eu optei por fazer.
  Quando voltei com uma manta para o quarto, deitei-me ao lado da garota e suspirei, fechando cansado os olhos, porém os abrindo de novo no instante seguinte, desviando o olhar para . Fazia muito tempo desde que eu trouxera uma garota para casa e a constatação me atingiu como um tapa na cara. Eu gostava demais dela, muito mais do que devia. Eu estava entregue, sem precedente, completamente e exatamente como eu era; só para ela.
  Estava apaixonado por aquela garota.



Comentários da autora


Olá, espero que tenham gostado desse spin off tanto quanto gostei de escrever. Essa fanfic é meu xodó todinho, assim como esse PP, pra quem eu daria o mundo todinho se não posso. Como não posso, dou apenas muito espaço com vários especiais que, aos poucos, estarei postando aqui pra vocês irem lendo, tá? Não esqueçam de dizer o que acharam!
Beijos!