She Needed An Angel

Escrito por Miu ! | Revisado por Mah

Tamanho da fonte: |


  "Ela não acreditava naquilo que estava presenciando. Sua amiga havia ganho. Sua melhor amiga, sua irmã, fora a ganhadora de um jogo onde a vitória significa a libertação de toda a maldade, falsidade e hipocrisia deste mundo..."

Capítulo 1 - I Have to Tell a Tale

  Ninguém nunca imaginara que pudesse surgir uma amizade daquela relação.
  As irmãs, que se conheceram aos oito anos de idade, odiavam-se com todas as forças. Bom, digamos que odiava com todas as forças.
   não aceitava a separação dos pais, ainda mais quando soubera que tinha uma irmã que fora fruto de uma traição da parte de seu pai.
  , a irmã "bastarda" de , tinha a mesma idade desta e, para piorar a relação das duas, ela nascera apenas um mês após a meia irmã.
  Ambas as meninas estavam confusas com a situação: para a outra era uma intrusa em sua família, além de ter caído em uma forte depressão causada pela separação de seus pais. não sabia o que fazer, queria consolar a pobre irmã, mas esta sequer baixava a guarda para que se aproximasse por um minuto.
  A situação pela qual passava era realmente difícil, e a criança não era forte o suficiente para carregar todo o peso que fora jogado em seus ombros.
  No dia de sua festa de aniversário de oito anos de idade, seu pai descobrira que sua mãe o havia traído. E então toda a festa que sonhou por anos foi destruída diante da fúria do homem, que covardemente bateu em sua mãe na frente de todos.
  E foi nesse mesmo dia que ela descobrira que tinha uma irmã.
  O circo em que sua festa se tornou virou piada para todos os coleguinhas da escola, e então perdeu as forças. Desistiu da luta.
  A pequena havia perdido tudo: perdera seus "amigos", seus pais, sua família e até mesmo seu cachorro. Mas ela demorou a perceber que havia ganho uma irmã.
  Enquanto deixava-se corroer pela tristeza, queria ajudar a irmã. Ela não se sentia culpada por nada, como a acusava, mas sabia que poderia ajudar. Era madura para sua idade. Aprendera isso com sua mãe, que sempre teve de ser forte para desempenhar os papéis de mãe e pai ao mesmo tempo.
  Quando conhecera , a menina já havia criado um ódio por ela, por isso a aproximação estava quase impossível. Mas ela iria tentar até vencer a outra pelo cansaço. E foi o que aconteceu.
  Depois de muita briga e discussão entre as mães de ambas, elas estavam unidas. Mas, apesar disso, continuava triste. Continuava em depressão.
  A cada dia ficava mais triste, com menos vontade de viver. Apesar de ser tão nova, a pequena queria morrer.
  Talvez as pessoas não compreendessem os motivos de ter-se deixado abalar dessa maneira, não entendiam porque havia se fechado de tal maneira. A resposta era simples: na casa de sua mãe ela ouvia as reclamações sobre o quão ruim era seu pai, na casa do pai ela ouvia o quão "vagabunda" era sua mãe por tê-lo traído, além de sua madrasta, que a humilhava toda vez que podia.
  E na escola, bom, na escola era o pior. Era difícil ver seus coleguinhas correndo para abraçar seus pais enquanto ela corria para não perder o ônibus. Ver as menininhas falando que queriam ter um casamento como o de seus pais. Era difícil aguentar as pessoas julgando tudo o que fazia tendo como exemplo os erros de seus pais.
  Ela sempre era zombada; as pessoas mais populares da escola não perdiam nunca a chance de tirar sarro com a cara dela. Ela não ligaria se não fosse simplesmente para magoá-la. Era julgada pelos erros de sua mãe. Mas ninguém sabia o motivo para o que ela fez.
   descobrira que seu pai nunca fora um herói, como ela pensava, e que todas as vezes que chegou a casa e viu os olhos de sua mãe roxos não era porque a mais velha caíra, como sempre diziam. O motivo real era que seu pai chegava a casa depois de suas bebedeiras e descontava em sua mãe suas raivas e frustrações.
  Foi nessa época, difícil para qualquer pessoa, e ainda mais para uma criança, que percebera que tinha uma amiga verdadeira, com quem poderia contar. esteve ao seu lado sempre, em todas as dificuldades, todas as lágrimas que saíram dos olhos de fora quem as enxugou.
  Ninguém nunca poderia imaginar o quanto elas se amavam, apenas quem as via. Ou talvez nem isso; apenas elas sabiam disso.
   era a força que nunca teve dentro de si, era tudo aquilo de bom que ela não tinha forças pra ser. Mas, de alguma maneira, passou cada uma dessas positividades a , e os laços de sangue nada mais eram diante do laço que agora elas tinham.
  Eram mais que amigas, eram mais que irmãs.

  Era como se elas precisassem uma da outra para viver.
  O amor era muito mais do que o DNA que as duas compartilhavam. O amor era parte delas.

Capítulo 2 - Me, You and Our Music

  - Pelo amor de Deus, ! Nós precisamos ir logo, a gente vai se atrasar! - quase berrava com a menor para que ela se apressasse.
  Estavam se arrumando para irem a um show da banda Babyshambles que ocorreria em um pub no Soho, em Londres.
   era apaixonada pela banda, principalmente por seu vocalista, o tão polémico Pete Doherty.
  - Calma, , eu preciso ficar gata! É o primeiro show pequeno do Pete que nós vamos. Dessa vez ele com certeza vai nos ver, então eu tenho que ficar bem gata, entende? - A menina tentou justificar sua demora, mas só serviu para fazer a outra dar uma gargalhada.
  - , você é linda. Aposto que ele te notou em todos os shows que você foi.
  - Impossével. Até alguns meses atrás eu era pirralha, e os três shows dele que eu fui até hoje ele ainda namorava a Kate Moss.
  - Fala sério, . Ela é linda, mas isso não significa nada.
  - É óbvio que significa, . Ele é roqueiro, quer pessoas bonitas e ricas ao lado dele.
  - , ele é roqueiro mas é bem feinho, e a Amy Winehouse, amiguinha dele, não é nada bonita.
  - Mas é rica.
  - , ele quer pessoas que compartilhem a cocaína com ele.
  - Eu compartilho qualquer coisa com meu drogado mais lindo de todos!
  - Você é problemática.
  - Ah, para , me deixa ter minhas crises de fã louca em paz, tá?
  - Eu deixo sim, mas dá pra você terminar logo de se arrumar?
  - Calma, eu preciso achar minha jaqueta de couro!
  - Você não consegue viver sem essa jaqueta, não é?
  - Eu to indo num show de rock, eu necessito dessa jaqueta!
  - Eu to de vestido, , eu to feia? - perguntou, fazendo carinha de criança triste.
  - É lógico que não! Mas nós somos diferentes, você é delicada e meiga e eu sou toda roqueira e sem noção!
  - Ah, entendi. - Respondeu a menina, fazendo um 'joinha' com a mão e abrindo um enorme sorriso.

  - Achei!
  - Ótimo, agora nós podemos ir?
  - Podemos sim, mon Amour!
  Elas sorriram uma para outra e saíram às ruas escuras de um Barnet (bairro ao norte de Londres), que se deitava para dormir naquele momento.
  Andavam de braços dados, rindo à toa e conversando baixo sobre a vida das vizinhas mal amadas, moralistas e hipócritas que viravam os rostos todas as vezes que as viam na rua.
  Elas sempre foram aquelas com quem as outras crianças não poderiam andar; estavam acostumadas com toda essa hostilidade.
  Pararam em uma esquina para esperar , um amigo que as levaria até o pub onde o show aconteceria, já que nenhuma das duas sabia.
  Segundo o papel que elas viram, o pequeno show seria em um pub que ficava 'escondido' atrás de outro que era mais conhecido.   O local onde aconteceria o show foi, segundo fontes que não eram tão confiáveis, o lugar onde Pete e Carl fizeram o primeiro show do The Libertines.

   estava completamente animada, sequer conseguia se segurar.
  - Tomara que eles toquem as músicas antigas de quando o Pete estava no Libertines. - dizia, esperançosa, enquanto esfregava uma mão na outra, na intenção de esquentá-las.
  - Tomara mesmo. Eu não gosto muito das músicas do Babyshambles, prefiro as do Libertines.
  - Mas é o mesmo compositor!
  - Mas o Pete era genial compondo junto com o Carl, sem mais.
  - É, isso é verdade.
  - Olha, chegou.
  Um carro preto antigo parou ao lado delas. se debruçou na janela do carona, exatamente como uma prostituta, e sorriu para o rapaz.
  - Comprou seu tão sonhado Impala! - Disse , com um enorme sorriso, enquanto abria a porta e entrava no carro.
   riu e entrou no carro.
   e com certeza tinham algo, só não admitiam.
  - Quem mais vai ao show, ? - Perguntou enquanto acendia um cigarro e dava a primeira tragada.
  - O Caleb e o Josh já estão lá, e pelo que me disseram, a Emma e a Jayde vão também.
  - Eu adoro a Emma. - Disse , mais para si mesma do que para os outros.
   soltou a fumaça do cigarro e deu uma risadinha.
  - É, a Emma é legal. Mas a irmãzinha dela, Jayde, é muito mais. - ironizou.
  - Não entendo por que vocês não gostam dela. - Disse , esticando o braço e pedindo o cigarro de .
  - Ah, não entende? Bom, vou te explicar. - A menina começou, virando-se de frente para e desandando a falar. - Você sabe que eu e a brigamos o tempo inteiro por qualquer merda. Nós vamos pra casa e choramos durante horas, mas menos de 3 horas depois da briga nós sempre voltamos a nos falar. E um dia aquela vaca da Jayde viu uma briga nossa, que como todas as outras se resolveu rápido. Mas ela não sabia, e no dia seguinte veio pro meu lado falando mal da . Eu fiquei quieta né, falei nada que tínhamos nos reconciliado. E ela se sentiu ignorada, certamente, e então foi pro lado da me xingando e falando mal de mim!
  - É, ela foi bem falsa. - Admitiu .
  - Falsa?! Ela foi uma filha da puta, isso sim! - Xingou uma revoltada do banco de trás do carro.
  - Calma, ! - Disse .
  - Calma nada, aquela garota foi mesmo uma enorme...
  - Se vocês chegarem lá desse jeito vão arranjar briga. , você quer que o Pete te ache uma completa barraqueira? - Provocou , alertando-as da possibilidade.
  - Vai à merda, . - Disse , fazendo cara de raiva e olhando pela janela do carro enquanto tragava seu segundo cigarro.
  Instalou-se um silêncio quase fúnebre no carro, até que resolvera ligar o rádio. Assim que ela apertou o botão e sintonizou a rádio desejada, começou a tocar a música Factory Girl da The Pretty Reckless e as duas quase enlouqueceram.

  I am a factory girl, won't you pardon me?
  Eu sou uma garota irresistível, você não vai me perdoar?
  I can make my whole world in the back seat
  Eu posso fazer meu mundo inteiro em um banco traseiro
  Hunts Point, what a joint, show me how to treat a John
  Caíando um ponto, que baseado, me mostre como tratar John
  Can someone save me, save me from what I'm on?
  Alguém pode me salvar, me salvar daquilo em que eu estou?
  Wait a minute, girl, can you show me to the party?
  Espere um minuto, garota, você pode me mostrar a festa?
  And wait a minute, girl, can you show me to the party?
  E espere um minuto, garota, você pode me mostrar a festa?

  As duas praticamente gritavam a música enquanto mexiam o corpo de acordo com a batida.

  Just let me in through the backdoor
  Só me deixe entrar pela porta dos fundos
  Just let me in through the backdoor, baby
  Só me deixe entrar pela porta dos fundos, baby
  Just let me in through the backdoor, just let me in
  Só me deixe entrar pela porta dos funods, só me deixe entrar
  Wait a minute, girl, can you show me to the party? (It's gonna be a real good time)
  Espere um minuto, garota, você pode me mostrar a festa? ( Vai ser realmente uma diversão)

  Elas passavam a mão por todo o tronco e as jogava pra cima enquanto mexiam o corpo sensualmente, cantavam, riam e brincavam entre gritos animados que vinham das duas.

  I'm waitin for my man on Hollywood and Vine (so fine)
  Eu estou esperando pelo meu homem na Hollywood and Vine (então ok)
  Gettin done in L.A. Sun I'm on NY time
  Feita no sol de L.A., estou no tempo de Nova York
  Take a look at those red lights, green lights, blowin my mind
  Dê uma olhada nessas luzes vermelhas, luzes verdes, explodindo minha mente
  I'll show you something if you show me a good time
  Eu te mostrarei algo se você me mostrar a diversão

  As duas eram desafinadas mas nem se importavam com isso, queriam apenas se divertir.

  Wait a minute, girl, can you show me to the party?
  Espere um minuto, garota, você pode me mostrar a festa?
  Hey, wait a minute, girl, can you show me to the party?
  Ei, espere um minuto, garota, você pode me mostrar a festa?
  I'll let you in through the backdoor
  Eu te deixarei entrar pela porta dos fundos
  I'll let you in through the backdoor, baby
  Eu te deixarei entrar pela porta dos fundos, baby
  I'll let you in through the backdoor, I'll let you in
  Eu te deixarei entrar pela porta dos fundos, eu te deixarei entrar
  Wait a minute, girl, can you show me to the party?
  Espere um minuto, garota, você pode me mostrar a festa?

   apenas ria da situação e as chamava de loucas, mas toda vez que olhava para as duas, seus olhos brilhavam como diamante. Ele ficava feliz em ver a felicidade de suas amigas.

  Here she comes, she's comin around again
  Aqui vem ela, ela vem vindo outra vez
  Here she comes, she's comin around again
  Aqui vem ela, ela vem vindo outra vez
  Here she comes, yeah, she's comin around again
  Aqui vem ela, ela vem vindo outra vez
  Here she comes, she's comin around again
  Aqui vem ela, é, ela vem vindo outra vez

  Elas já estavam descabeladas, jogando a cabeça de um lado para o outro.

  Wait a minute, girl, can you show me to the party?
  Espere um minuto, garota, você pode me mostrar a festa?
  I said: wait a minute girl, can you show me to the party?
  Eu disse: espere um minuto, garota, você pode me mostrar a festa?
  Wait a minute, girl, can you show me to the party?
  Espere um minuto, garota, você pode me mostrar a festa?
  Wait a minute girl, wait a minute, wait a minute girl
  Espere um minuto, garota, espere um minuto, espere um minuto, garota
  Wait a minute, girl, can you show me to the party?
  Espere um minuto, garota, você pode me mostrar a festa?
  Hey girl, can you show me to the party?
  Ei, garota, você pode me mostrar a festa?
  Girl, want you show me to the party?
  Garota, você quer me mostrar a festa?

  A música terminou e elas estavam lá, rindo feito loucas. Olhando-se como se quisessem dizer "Nós somos loucas mesmo, mas eu te amo desse jeito".
  - Vocês são loucas! - Disse entre risos.
  - É, nós somos mesmo.- Confirmou , também rindo.
  - Então espero que o 'esquenta' de vocês já tenha terminado, pois nós já chegamos.
   parou o carro e saiu. e ficaram lá dentro por mais alguns minutos para se recomporem.
  Após estarem prontas, elas saíram do carro e acompanharam .
  A rua principal era bastante movimentada, afinal, o Soho tinha uma das noites mais animadas de toda a Londres, ainda mais sendo uma sexta feira.
  Os três entraram em um local que parecia ser sem saída e que era infestado de ratos e cheio de lixo.
  - , tem certeza que é aqui? - Perguntou , morrendo de nojo do local.
  - Tenho sim, .
  - É bom que seja mesmo. - Ameaçou .
  - Por que, hein, mano? Se não for, o que você acha que vai fazer? - Ameaçou , indo na direção de . Uma brincadeira comum entre eles.
  - Quebro a tua cara em duas e ainda te castro, valeu?! - Respondeu , peitando o rapaz.
   abraçou com uma força enorme, tirou-a do chão e girou-a no ar, tirando várias risadas da menina.
  - Gente, vamos entrar por favor? - Chamou , que parecia estar com medo do local sujo e escuro aonde se encontrava.
  - Não precisa ter medo não, , eu te protejo, meu amoooor! - Disse , abraçando-a.
  - Ah, com certeza fortona! - Ironizou , rindo do que a amiga tinha falado.
  - Poxa, , sua fé em mim é algo incrível!
  - Fé em você eu tenho, querida, eu não tenho fé é na sua força. Você é uma fracote, !
  - Também te amo, !
  Elas riram e olharam para , que observava a cena com um sorriso no rosto.
  - E então, , vamos entrar?
  - Claro!

  Então os três voltaram a andar lado a lado por mais uns 5 minutos até as meninas se certificarem de que aquilo era realmente uma rua sem saída.
   parou em frente a uma grande porta preta de ferro e cheia de parafusos. Abriu-a com certa dificuldade, pelo peso, e deu espaço para que as duas meninas passassem.
  Elas entraram no local e se impressionaram.
  Assim que colocaram os pés lá dentro viram luzes de tom fúcsia, que iluminavam um corredor que era todo de pedra. Continuaram andando e logo o corredor abriu-se, dando vista para um bar em estilo medieval.
  Todas as paredes eram feitas de uma pedra que parecia paralelepípedo, mas que era bem menor (do tamanho de um tijolinho maciço). As mesas eram todas de madeira rústica e o balcão do bar era de uma madeira negra.
  Via-se atrás do balcão um forno, também de pedra, que era tampado com uma tela de ferro preto, o que só deixava o local com um ar mais antigo.
  A luz da parte de dentro era amarelada e fraca, e nas paredes tinham quadros que continham imagens de várias bandas de rock consagradas.
  Os cheiros de bebida, erva e madeira se misturavam e deixavam o local com um aroma único. Na visão das duas, o local era perfeito, principalmente pro show que começaria dali a poucos minutos.
  Cabiam lá dentro no máximo umas 50 pessoas, já que tinha aproximadamente esse número de pessoas no local e ele já estava cheio.

  Os três dirigiram-se para uma das primeiras mesas e sentaram-se com Josh e Caleb, que os informara de que Emma e Jayde não puderam ir. Os cinco pediram suas vodkas e acenderam seus baseados enquanto esperavam o início do show.
  Eles não queriam conversar, deixavam-se distrair pelo ritmo animado da música que tocava.
   mais uma vez pegou-se admirando as duas meninas à sua frente. O rapaz tinha um mau pressentimento, sabia que algo ruim aconteceria, mas não queria pensar nisso. Ele achava que era coisa que seus, já lesados, neurónios estavam inventando.
  Um homem gordo de aparência feia e carrancuda foi ao meio do pequeno palco improvisado no local. A música que tocava parou, e logo, todos que estavam no local olharam na direção do pequeno palco improvisado.
  Já era possível notar a movimentação na parte de trás do bar, e logo a ponta do chapéu de Pete Doherty apareceu, para, em seguida, revelar todo o corpo do rapaz que vinha na direção do microfone, sendo seguido pelos outros quatro membros da banda.
  Cada um pegou seu determinado instrumento e logo começaram a tocar. A primeira música foi 'Don't be shy', para o delírio de , que constatou que eles tocariam as músicas da época de The Libertines.
  Seguiram-se algumas músicas e todos estavam sentados, apenas apreciando a banda, mas após algumas doses de álcool e um comprimido de LSD, e levantaram-se e começaram a dançar ao som de 'Dreaming of You'. Elas estavam de olhos fechados, deixando que seus corpos movessem-se ao ritmo da música, com seus baseados em uma mão e a vodka na outra.
  Jogavam a cabeça pra trás e o sorriso não saía do rosto de ambas um minuto sequer durante a enorme música. De inicio eram apenas elas de pé, mas logo outras pessoas levantaram e começaram a dançar também. Hora ou outra elas abriam os olhos e sorriam carinhosamente uma para outra, abraçavam-se e dançavam juntas.
  Tragavam seus baseados e bebiam suas vodkas como se fossem as coisas mais prazerosas do mundo.
  A adrenalina pela possibilidade de serem presas pela pouca idade, a viagem que a droga lhes proporcionava, o torpor da erva e a música as deixavam felizes.

  A música era ouvida com o coração, e penetrava em suas almas, tirando-as da realidade e fazendo-as irem para outro mundo, enquanto seus corpos eram levados pelo ritmo da música.
  Eram apenas , e a música. Mais nada existia para as duas.

Capítulo 3 - Boys in the Band

  Nada mais importava, ela estava com os caras da banda. Ela estava com o Pete Doherty, a vida parecia-lhe melhor agora.
  Os membros da banda não acreditaram quando viram a galera dançando; em todos os shows pequenos que haviam feito até aquele dia, a platéia ficara sentada, apenas ouvindo, aplaudindo e batendo palmas. Ver aquelas garotas enlouquecendo ao som de sua música e levando todo o publico junto foi uma cena incomum.
  Eles convidaram as meninas para o camarim, e obviamente elas aceitaram sem titubear.
  - E então, garotas, vocês conhecem a banda desde quando? - Perguntou o vocalista, Pete Doherty, enquanto bebia um gole de seu uísque e fumava seu cigarro.
  - Eu conheço o Babyshambles desde que foi formado, já era sua fã desde 99 por causa do Libertines. - Respondeu com um sorriso enquanto tragava seu cigarro, já que ela resolveu que ficar idiota por causa da erva no momento estava fora de questão.
  - Caralho! Muito tempo, hein? - Falou Pete, fazendo cara de surpreso.
  - Minha amiguinha é louca por você.
  - Cala a boca, !
  - Por quê?
  - Você é tão fofoqueira. - Disse , com raiva da amiga por falar aquilo na frente de Pete.
  O vocalista gargalhou e abaixou a cabeça, olhando pra em seguida.
  - Então você é louca por mim?
  - É, um pouco.- Respondeu a garota, com vergonha.
  - Não precisa ter vergonha.
  - Deve ser normal, não é?
  - Depende.
  - Depende de quê?
  - As garotas que ficam conosco, na sua maioria, são groupies, todas loucas por todos os vocalistas que encontrarem.
  - Nossa! - falou simplesmente. Não sabia o que dizer, apesar de ele estar dando liberdade para ela.
  - Mas a não é assim. Ela é louca por poucos além de você. A lista musical dela é muito seleta, garanto. Ela só tem um pequeno fraco por drogados.
  - Porra, , dá pra calar a boca?! - estava ficando desesperada pelo que a amiga estava falando.
  - Fraco por drogados, é? - Disse Pete entre risos.
  - É, isso mesmo. Não se ofenda, mas, né... - Respondeu , deixando com ainda mais raiva.
  - Acho que sua amiga tá ficando com raiva por você estar entregando-a.- Disse o vocalista enquanto pegava um pacote transparente com um conteúdo branco em uma gaveta.
  - Eu tenho certeza.
  - E não era para eu estar? - Perguntou , olhando com raiva para .
  - Que tal isso aqui pra te acalmar? - Disse Pete, despejando o pó branco, cocaína, em cima da mesa e dividindo-o em várias carreirinhas.

   sorriu, e o rapaz entendeu como um sim, enrolou um papel branco em formato cilíndrico e aspirou uma carreirinha, entregando o papel a em seguida. A menina fez o mesmo que o rapaz e logo entregou o papel a , e por aí foi, até que todos os membros da banda e elas estavam chapados demais pra fazer algo além de rir e se agarrar.
   e Pete estavam se beijando loucamente em um sofá enquanto e Drew, o baixista, se agarravam do outro lado. O resto da banda já tinha se arranjado com as groupies.
  Pete perguntou a se ela queria sair dali, e obviamente ela aceitou, mas disse que não sairia dali sem , então foram os quatro para a casa de Pete.

  Chegando a casa de Pete, os quatro beberam e se drogaram mais um pouco e então caíram no sono, sem forças sequer para fazerem aquilo que os levou até a casa de Pete.

***

  No dia seguinte foi a primeira a acordar, assustando-se na hora que percebeu que estava de calcinha e sutiã e que não estava em sua casa. Olhou para os lados e viu um Pete Doherty dormindo pesadamente. E ao lado deles estavam Drew e dormindo, também seminus.
  Ela não se lembrava de nada que acontecera depois de tomar aquele comprimido. Sequer acreditava no que poderia ter acontecido e ela não lembrava. Queria bater em si mesma por isso. Era inacreditável como era idiota.
  Pensou também em , Josh e Caleb. Como será que eles estavam? Será que haviam voltado para casa?
  A menina levantou e começou a juntar suas roupas e as vestir. Quando ia acordar sua amiga, foi interrompida pela voz de Pete.
  - Ei, o que você tá fazendo? - Perguntou um Pete com cara de sono.
  - Ah... E.... Meu Deus... É... Eu vou embora, mas tenho que acordar a .- Respondeu enfim, após gaguejar.
  - Você não se lembra, não é mesmo?
  - Não me lembro do quê?
  - De tudo, oras?
  - Não, eu não lembro.
  - Deixa a sua amiga dormir em paz e vamos lá pra cima, eu te conto.

  Pete levantou e trouxe consigo. Eles entraram em um quarto no segundo andar. Não era muito grande, mas parecia ser o quarto de Pete.
  Tinha as paredes de um azul 'sujo' e tinha quadros de bandas como The Beatles, The Kinks e até mesmo The Strokes. A cama era grande e tinha lençóis, colcha e travesseiros pretos. Não havia TV no quarto, apenas uma lareira, um pequeno sofá em frente a esta e um som de ultima geração.
  - Então, a gente não fez nada.- Disse Pete, de repente, tirando a menina de seus pensamentos.
  - Nada, o quê? - Perguntou, sem entender direito.
  - Nós não transamos.
  - Mas fora isso, o que nós fizemos? - Perguntou , não conseguindo conter a curiosidade.
  - Nos drogamos até não termos forças pra transar.- Respondeu o rapaz, pegando um baseado na gaveta de cabeceira da cama.
  - Ruim.
  - O quê?
  - Se drogar até não conseguir transar.
  - Por quê? Você queria? - O rapaz perguntou curioso, virando-se de frente para a garota e oferecendo-lhe uma tragada.
  - Bom, se eu vim até aqui imagino que era essa nossa intenção.
  - Mas você estava chapada. E agora, sóbria, ainda quer?
  - Não sei, talvez. - A garota disse, olhando para algo muito interessante em seus pés.
  - Precisa de um incentivo?
  - Talvez.
  O rapaz foi até a menina e começou a beijá-la para "incentivá-la".

Capítulo 4 - Family Portrait

  Após saírem da casa de Pete, as duas foram a uma Starbucks e compraram uns Cappuccinos e alguns Muffins para chegarem a casa já bem alimentadas.
   foi para casa de sua mãe e para a dela. Elas moravam longe uma da outra, suas mães se odiavam.
  Quando chegou a casa, foi recebida por sua mãe completamente enfurecida.
  - GAROTA, ONDE É QUE VOCÊ ESTAVA? EU PASSEI A NOITE INTEIRA TE ESPERANDO. VOCÊ FALOU QUE IA A UM SHOW E NÃO VOLTOU PRA CASA POR QUÊ?
  - Mãe, por favor, me desculpa! Eu bebi um pouco e desmaiei, então o me levou pra casa dele. Desculpa não ter te ligado assim que acordei. - tentou se explicar para sua mãe.
  A garota sempre teve uma ótima relação com a mais velha, eram como unha e carne. Melhores amigas uma da outra. Odiava fazer sua mãe sofrer ou dar preocupação a ela.
  - EU VOU LIGAR PRO ENTÃO!
  - Tá bom, mãe, liga pra ele. - A menina incentivou a mãe. Ela estava com medo mas confiava em . Precisava confiar.

  - Alô...- Falou sua mãe após alguns segundos esperando que alguém na casa de lhe atendesse. - , sou eu Clarice... Então, eu queria saber se a passou a noite na sua casa... Ah, tá bom então... Obrigada... Fica com Deus, meu filho.
  A menina olhava para a mãe como se nada tivesse acontecido, mas por dentro estava explodindo.
  - Ele confirmou. Disse que você bebeu um pouco por descuido dele e que por isso ele te levou pra casa e te deixou no quarto de hóspedes enquanto ele estava com outra menina.
  - Essa sua mania de desconfiar de tudo e todos me cansa, viu?
  - Desculpa, .
  - Tá, eu vou dormir mais um pouco. Minha cabeça ta explodindo.
  - Isso que dá ficar bebendo com aquela garota.
  - Aquela garota se chama . E eu quero que você a respeite. - sempre perdia a paciência quando a mãe falava de sua amiga daquela forma.
  A menina sequer esperou a resposta da mãe, simplesmente virou as costas e foi para o quarto relembrar cada detalhe daquela manhã.

***

   chegara a casa e não encontrou ninguém, como sempre. A cada dia sua mãe estava menos presente. Antes elas eram próximas, demais, mas agora estavam a cada dia mais afastadas.
  Tomou um bom banho, comeu um cereal e sentou no sofá para fazer nada até que sua mãe chegasse.
  Contrariando suas decisões, o telefone resolveu tocar e encher seu saco.
  - Alô.
  - "Filha!"
  - Hã? Desculpa querido, mas comigo essa brincadeirinha de criança não cola, ok? Minha mãe está trabalhando no momento, eu não tenho pai, ou seja, VÁ SE FUDER! - Ela disse, e já ia colocar o telefone no gancho quando ouviu tudo o que não queria.
  - "Como você não tem um pai se tem até uma irmã por minha parte?"
  - Olha aqui, seu desgraçado, você nunca foi e nunca será nosso pai. Você nos envergonha, tanto a mim quanto a , ok?
  - "Por que você é uma filha tão má? Eu estou arrependido, eu sinto falta de vocês."
  - Olha aqui, não se atreva a me ligar outra vez, tá certo? E nem pense em ligar para a !
  A garota desligou o telefone e sentiu um ódio descomunal subir por suas veias. Pegou o telefone e o jogou na parede, quebrando-o. Começou a jogar na parede tudo o que estava em seu alcance, a raiva subia-lhe a cabeça e ela não podia controlar.

  - AAAAAAAAAH! DESGRAÇADO, POR QUE DEPOIS DE TANTO TEMPO VOCÊ RESOLVEU VOLTAR PRA NOSSA VIDA?
  A menina gritava e quebrava tudo dentro de casa, até que se cansou. Encostou as costas na parede e deixou-se cair até o chão, onde ficou em posição fetal, chorando e chorando.
  Passaram-se horas e a menina continuava ali, sem forças. Como a voz daquele homem poderia lhe fazer tão mal depois de uma noite tão boa quanto a que teve?
  Ela apenas conseguia pensar em , não queria que a irmã soubesse da volta daquele crápula. Se isso acontecesse ela poderia regredir todo o avanço que teve em relação à depressão. Ele não podia querer voltar, não podia.
  Ela não deixaria que ele estragasse a vida de sua irmã outra vez. Não permitiria que ele fizesse isso de novo.
  A menina conhecera seu pai com oito anos de idade, e logo soubera tudo o que o homem havia feito com a mãe de . E por esse motivo criara um ódio sem tamanho pelo homem que a fez.

  Sua mãe chegou a casa e deparou-se com tudo quebrado; ficou desesperada, e a situação só piorou ao ver o estado de sua filha. A mulher sentou-se no chão ao lado da filha e a puxou para o seu colo.
  Logo a menina voltou a chorar, e quando ela ia fazer menção de falar, foi interrompida.
  - Por favor, , apenas chore. Não se preocupe em me explicar nada agora, só chore. Os olhos são a porta da alma, e as lágrimas servem para lavá-la e levar junto de si todos os sentimentos negativos contidos nela. Apenas chore, deixe que a raiva se vá. A dor está no seu coração, e só será curada quando você estiver aberta a isso. Mas primeiro você tem de se libertar da raiva.
  E então a menina o fez, deitou a cabeça no ombro da mãe e continuou chorando.
  Após pouco mais de uma hora a menina finalmente estava mais calma. Olhou para a mãe e sorriu um sorriso triste.
  - Mãe, o Mark voltou. Ele me telefonou hoje.
  - O que ele disse?
  - Não quis escutar.
  - Certo.
  - Mas mãe, eu não quero que ele fale com a . Você sabe, ela pode ter uma recaída.
  - Eu vou telefonar pra ela. Agora vá para o quarto, tá bom?
  - Desculpa pela bagunça. Eu vou arranjar um emprego e te ajudo a comprar as coisas de novo.
  - Pra mim basta que você e a fiquem bem. Nada mais.
  - Obrigada mãe.
  As duas trocaram um sorriso cúmplice e a mais nova foi para o quarto.

Capítulo 5 - A Night to Remember

   ficou desesperada quando soube da volta de seu pai. Estava com ódio, queria ir à casa daquele homem e mandar ele se fuder.
  A mãe de havia dito que a menina estava preocupada com ela, mas não aceitava isso.
  Quando seu pai soube da gravidez de Verónika, mãe de , ele mandou que ela vendesse a criança e usasse o dinheiro pra pagar os gastos que teria durante a gravidez.
  Verónika não fez isso, óbvio. Mas a dor continuava ali, ele havia abandonado a filha antes mesmo que ela nascesse.
  As irmãs sabiam que o pai era envolvido com drogas, sabiam que ele ainda batia na mulher e que tinha um caso com uma menina mais nova que elas. E isso era revoltante. A presença do homem as enjoava, assim como a voz dele.

  As duas estavam abraçadas na cama quando o celular de tocou.
  - Quem é? - Perguntou , enxugando uma lágrima que teimou em passear pelo rosto da irmã.
  - .
  - Ainda não atendeu por quê? - Perguntou , tirando uma risadinha de .
  - Heey, !
  - "Fala, Little ."
  - Você que ligou, fala você. - Os três riram; , e .
  - Coloca no viva-voz. - Sussurrou , e prontamente atendeu ao pedido.
  - "Então, essa noite vai ter uma sessão de jogos lá na casa da Amy, vamos?"
  - Não sei , acho...
  - Vamos sim, , só você buscar a gente! - interrompeu e a olhou de lado.
  - "Ok. Às sete e meia eu passo aí na casa da . Beijos, meus amores."
  - , é melhor nós não irmos.
  - E ficar aqui corroendo de tristeza por causa daquele babaca vai adiantar de quê? , lembre-se: a depressiva sou eu, não você.
  - Cala a boca, ! Você não é depressiva, ok?
  - Tá, mas eu fui.
  - Tá, a gente vai. Mas que horas são?
  - Hmmm... Seis e quarenta, segundo o meu relógio.
  - Vou tomar banho, depois você vai.
  - Yes Sir!
  - Vai à merda, !

***

  - AAAH, Não! Nem cinco minutos foram! - Gritava enquanto Emma e Caleb saiam do armário.
  - Vai tomar suco de caju, ! - Gritou Emma para a menina.
  - Fala sério, não dá nem pra fazer um filho no tempo que vocês estiveram ali dentro.
  -Pior que dá, dude! - Disse .
  - Ah, , morre! Para de cortar minha onda, valeu? - Disse , dando um soquinho no ombro do rapaz.
  Estavam jogando 7 minutos no paraíso. O grupinho que haviam montado ainda aos oito anos de idade estava todo reunido. , Emma, Caleb, Josh, , , Amy e Danny, além da presença de Jayde.
  A noite até ali havia sido tranquila; eles não beberam, fumaram ou cheiraram nada. Queriam, por algum motivo, ficarem sóbrios até o fim.
  - Cala a boca todo mundo, hora de girar a garrafa outra vez! - Gritou , atraindo a atenção de todos.
  - , sua delicadeza é cativante. - Disse Emma, a abraçando de lado.
  - Eu sei, eu sou foda. - Disse com um sorriso de orelha a orelha.

   girou a garrafa, que caiu apontando para e . Nesse momento TODOS gritaram.
  - PORRA DUDE! ATÉ QUE ENFIM ESSA MERDA DESSA GARRAFA ACERTOU! - Gritou Caleb.
  - VAI REALIZAR O SONHO DELE, GENTE! TODO MUNDO FAZENDO CORAçÃOZINHO PROS DOIS!- Gritou Josh com voz de gay.
  - Porra, ! Que sorte man, teu sonho se realizando também! - Disse Emma com cara de romêntica.
  - Porra, vão lá pra dentro e façam tudo que eu faria! - Disse , empurrando eles.
  Antes de entrar, virou pra todos e disse:
  - VÃO TODOS TOMAR NO CÚ! EU AMO ESSA GAROTA, SEMPRE AMEI E SEMPRE VOU AMAR. NÃO SÃO SETE MINUTOS DENTRO DE UM ARMÁRIO QUE VÃO REALIZAR O MEU SONHO DE PASSAR O RESTO DA MINHA VIDA AO LADO DELA.
  Todos ficaram com o queixo no chão diante da declaração do garoto. Ninguém acreditou que enfim ele estava assumindo seu amor por ela.

***

   fechou a porta atrás de si e olhou apreensivo para a garota. lhe sorriu e olhou para baixo.
   não sabia o que falar, do nada sentiu que aquele era o momento pra admitir a todos aquele sentimento que sempre teve por ela.
  - Então... Aquilo foi verdade ou você tava zoando com eles? - Perguntou , bastante interessada em algo nos seus tênis Converse All Star.
  Com as pontas dos dedos indicadores e polegar levantou delicadamente o rosto da menina pelo queixo. Quando seus olhares se encontraram ambos sorriram.
  - Eu quero falar agora, só pra você e olhando nos seus olhos, toda a verdade e tudo o que eu guardei no meu coração durante todos esses anos. - O rapaz pigarreou e voltou a falar. - Quando eu te conheci nós estávamos passando por situações difíceis. Você e a com o pai de vocês, eu com a descoberta da adoção e tudo o mais. Você esteve ao meu lado, você sempre me ajudou.
  Você sempre vai ser a minha pequena, você e a . Mas eu sempre te quis ao meu lado de outra forma. Não menos "pura" que a amizade, só mais física, eu diria. - Ele fez uma pausa e olhou para a menina, que deu uma leve risadinha. - Eu quero ficar com você por toda a minha vida. Quero poder cuidar de você e estar ao seu lado. E eu quero que você seja sincera em relação a tudo o que eu te falei agora. Por favor.
  - Eu não sei o que te dizer.- Ela disse, sorrindo e olhando pro rapaz. Suas bochechas estavam coradas, ela estava com vergonha. - Eu nunca sei o que dizer. Acho que será bem mais fácil se eu mostrar.
  Após dizer isso a menina o beijou.
  O beijo era calmo, cheio de doçura e rodeado por sentimentos. Todo ódio, toda dor, tudo de ruim que ela havia sentido naquele dia desaparecera ali. Nada se comparava àquela sensação. Era amor, e ambos sabiam disso.
  Era a mais pura forma de amar alguém, sem querer nada em troca, apenas a presença do ser amado.
  Eles ficaram ali se beijando por um tempo, até que ouviram os gritinhos histéricos do lado de fora. Extrapolaram os sete minutos.
   abriu a porta e todos olharam para eles. Cada uma das pessoas naquela sala sabiam do que sentia por , eles sempre deram força pro rapaz se declarar, mas isso nunca aconteceu.
   riu da cara de idiota que todos estavam e logo se sentou no seu lugar de antes e fez o mesmo. O casal estava com um sorriso no rosto e com a boca inchada e vermelha por causa do beijo.

  - Já que nos atingimos nosso objetivo com esse jogo, agora é hora de partir pra outro, certo? - Disse , rindo.
  - Então era esse o plano maquiavélico de vocês, seus feios!? - Gritou , forçando uma cara indignada.
  - Morre , você entendeu. - Disse .
  - Então tá gente, vamos jogar o jogo da verdade? - Sugeriu Emma e todos gritaram em confirmação.
  - Ok, mesma coisa. Tampa é pergunta e 'bundinha' é resposta. - Disse , se referindo à função de cada lado da garrafa.
   girou a garrafa e ela parou de Jayde para si.
  - Jayde pergunta, responde. - Disse Caleb, e todos sentiram a tensão no local.
  - Você transou com o Pete Doherty? - Perguntou Jayde com um sorriso.
   havia jurado que não iria ter nenhuma relação desse tipo com o Pete. Disse que ele era seu ídolo e que não queria que ele a confundisse com uma groupie qualquer. Bom, ela caiu em contradição, mas sua sinceridade nunca cairia.
  - Sim, essa manhã. E, só pra constar, foi muito bom.
  Todos soltaram breves risinhos, enquanto deu um risinho irónico para Jayde, que voltou com sua eventual cara de bunda.
  - Bom, roda de novo. - Pediu Josh.
   atendeu ao pedido e girou a garrafa outra vez.
  - Emma pergunta para Jayde. - Disse .
  - Jayde, minha irmã, você transou com o Harry enquanto ele e a Amy namoravam? - Perguntou Emma com a maior cara de santa do mundo.

  Sua pergunta deixou todos chocados, menos Amy e Jayde.
  - Sim, minha querida e amada irmã. EU... TRANSEI... COM... O... HARRY! E dei muito mais prazer àquele babaca do que a sua amiguinha que você tanto defende enquanto me atira pedras!
  - Você é uma invejosa, Jayde! Sempre quis que nossa relação fosse como a da e da , mas como nunca conseguiu isso tentou separá-las! Você é patética, sequer acredito que pode ser minha irmã! - Emma cuspiu as palavras na cara de Jayde, que logo se enfureceu e foi pra cima da irmã.

  Os homens presentes no local seguraram as duas.
  - Olha aqui, eu não fico aqui se essa garota continuar! - Jayde gritou.
  - Então pode ir embora, ninguém quer que você fique. Ninguém te suporta, garota, nem sua própria irmã. - Amy, a dona da casa, levantou-se e respondeu a pergunta da garota enquanto abria a porta da saída.
  Jayde soltou-se dos rapazes e pegou sua bolsa. Saiu pisando forte com seu salto no assoalho da casa, causando um barulho irritante. Ela parou na porta e olhou todos.
  - Eu quero que vocês morram. Principalmente você. - Ela disse a última parte olhando para , que ficou assustada e se aninhou nos braços de .
  Todos voltaram aos seus lugares e ficaram se olhando por algum tempo.
  - Que tal mudarmos de jogo? - Perguntou Amy com cara de criança querendo fazer traquinagem.
  - O que sua cabecinha está planejando, senhorita Amy? - Perguntou .
  - Já ouviram falar em Roleta Russa? - Amy perguntou.
  - EU JOGO! - gritou com um sorriso enorme no rosto.
  - , larga de ser sanguinária! Amy, você tá louca? - Perguntou , quase que com medo de suas amigas.
  - Fala sério , vamos jogar? - perguntou com os olhos brilhando.
  - Ninguém vai jogar, ! - Respondeu , sendo desmentida por todos na sala.
  - Então? - estava quase se jogando em cima da amiga.
  - Vamos. - se jogou em cima de .
  - Aee! Sabia que minha amiga era corajosa e não iria me decepcionar nunca! - Gritou enquanto dava tapinhas na cabeça de .
  - Amy, vai buscar a arma com apenas uma bala. - Disse pra Amy.
  - Sim, Senhor!
  Amy subiu as escadas com pressa. E logo todos começaram a fazer uma roda perfeita em volta da mesa de centro.
  Danny levantou e apagou a luz, deixando apenas a iluminação da luminária que Amy tinha para ler. O rosto deles estava pouco iluminado, e a luz sobre a mesa não era das melhores, mas a lua que naquela noite resolvera estar linda os ajudava no fator iluminação.

  - Caralho gente, que merda é essa? - Perguntou Amy, sentando-se no seu lugar.
  - O quê? - Perguntou Caleb.
  - Essa coisa sinistra. Parece que a gente vai evocar o capeta. - Amy disse, tirando risadas de todos.
  - Bom, cala a boca todo mundo. Cadê a arma, Amy?
  - Caralho, , você parece uma assassina falando assim. Medo de você. - Disse Amy enquanto entregava a arma para .
   deu uma pequena risada e depositou a arma no centro da mesa.
  - Vai girar em sentido horário, então começa comigo. - Disse . - Alguém disposto a fazer uma oração ou algo do tipo?
   colocou as mãos na mesa e logo todos estavam de mãos dadas.

  "Senhor, pedimos que envie seus anjos para que protejam-nos do que poderá vir se essa for a nossa hora. Pedimos que proteja-nos e que perdoe-nos de nossos pecados, pois cada um deles foi cometido na ânsia de viver intensamente e gozar de nosso livre arbítrio.
  Senhor envie-nos seus anjos, proteja-nos. É tudo o que pedimos. Amém."

  Abriram os olhos e entreolharam-se. Medo, adrenalina e pressentimentos nada bons, era tudo o que cada um daquele circulo sentia.
   esticou a mão direita e pegou a arma Smith & Wesson Modelo 60 e girou o tambor da mesma. Ela colocou a arma em sua cabeça, respirou fundo e então puxou o gatilho.
  Nada.
  Emma esticou a mão e pegou a arma da mão de . Girou o tambor, apontou-a para sua cabeça e puxou o gatilho.
  Nada.
  Danny era o próximo. Ele pegou a arma, girou o tambor e apontou-a para sua cabeça. Puxou o gatilho.
  Nada.
  Caleb estava ao seu lado. Girou mais uma vez o tambor, apontou-a para a cabeça e puxou o gatilho.
  Nada.
  Amy pegou a arma, girou o tambor e puxou o gatilho.
  Nada.
   pegou a arma, girou o tambor e puxou o gatilho.
  Nada.
   pegou a arma, girou o tambor e puxou o gatilho.
  O barulho do disparo poderia ser ouvido por toda a vizinhança.

Epílogo - Where Did Jesus Go?

  's Pov

  Acabou. Tudo acabou. Ela se foi para nunca mais voltar. Eu me culpo por isso. Seria impossível não o fazer, afinal, fui eu quem a incentivei a jogar.
  Mas acho que havia um pouco de tudo. Éramos jovens fudidos e sem nada de bom além de nossas próprias amizades. Cada um de nós quis morrer, alguns até tentaram isso. Mas só ela havia conseguido.
  Não quero que isso vire melancolia, mas eram os fatos.
  A morte pode não ser um fim, talvez seja um recomeço. Uma nova chance.
  Nós passamos tanto tempo pensando em como a vida é ruim pra nós que esquecemos de vivê-la, esquecemos de aproveitar as chances e de amar as pessoas com todas as forças, por mais que no fim isso nos machuque. Mas até a dor e o sofrimento são melhores do que uma vida fria.
  Nós duas viemos a esse mundo com tudo a perder, mas, de que importa, se nos ganhamos uma à outra? E cada momento, cada instante, será lembrado com amor. Sem tristeza, sem pensar o porquê de você não estar aqui.
  É essa a vida.
  Nós nascemos para viver e vivemos para morrer. Nada, além disso. As pessoas dificultam, colocando etapas e fases que são inexistentes diante do verdadeiro significado da palavra 'amor'.
  Eu te amo, , é só o que importa. E onde quer que você esteja, eu sei que estamos juntas. Sempre estaremos.

  I have to tell a tale about a girl who's so screwed
  (Eu tenho que contar a história de uma garota que era muito fodida)
  She was born into a life with everything to lose
  (Ela nasceu em uma vida com tudo para perder)
  Her father sold her to the trade when she was just a child
  (Seu pai a vendeu pro tráfico quando ela era apenas uma criança)
  She was seventeen and never ever learned to smile
  (Ela tinha 17 anos e nunca aprendeu a sorrir)
  She took a bullet and she blew out her brains
  (Ela pegou uma arma e explodiu seu cérebro)
  She didn't say goodbye, she just went away
  (Ela não disse adeus, apenas se foi)
  And now he's missing and he wish she was here
  (E agora ele sente sua falta e queria que ela estivesse aqui)
  Her name is Angel and she had a bad year
  (Seu nome era Angel e ela teve um ano ruim)
  So you wanna call me the devil's advocate
  (Então você quer me chamar de advogada do diabo)
  But you don't know the half of it
  (Mas você não sabe nem a metade)
  'Cuz I was raised to believe in miracles
  (Porque eu fui criada para acreditar em milagres)
  My life is so cold
  (Minha vida está tão fria)
  Where did Jesus go? Where did Jesus go?
  (Aonde Jesus foi? Aonde Jesus foi?)
  Where did Jesus go? Where did Jesus go?
  (Aonde Jesus foi? Aonde Jesus foi?)
  He disappeared
  (Ele desapareceu)
  Where did Jesus go? Where did Jesus go?
  (Aonde Jesus foi? Aonde Jesus foi?)
  Where did Jesus go?
  (Aonde Jesus foi?)
  (Aonde Jesus foi? Aonde Jesus foi?)
  He disappeared
  What's the point of screaming out if no one gives a damn?
  (Qual o objetivo de gritar se ninguém está nem aí?)
  What's the point of reachig out if no one lends a hand?
  (Qual o objetivo de subir se ninguém dá uma mão?).
  She had passed the point where there's nothing left to give
  (Ela tinha passado o ponto onde não havia mais nada para dar)
  She was seventeen and never ever learned to live
  (Ela tinha 17 e nunca tinha aprendido a viver)
  So you wanna call me the devil's advocate
  (Então você quer me chamar de advogada do diabo)
  But you don't know the half of it
  (Mas você não sabe nem a metade)
  'Cuz I was raised to believe in miracles
  (Porque eu fui criada para acreditar em milagres)
  My life is so cold
  (Minha vida está tão fria)
  Where did Jesus go? Where did Jesus go?
  (Aonde Jesus foi? Aonde Jesus foi?)
  Where did Jesus go? Where did Jesus go?
  (Aonde Jesus foi? Aonde Jesus foi?)
  He disappeared
  (Ele desapareceu)
  Where did Jesus go? Where did Jesus go?
  (Aonde Jesus foi? Aonde Jesus foi?)
  Where did Jesus go?
  (Aonde Jesus foi?)
  He disappeared
  (Ele desapareceu)
  Where did Jesus go?
  (Aonde Jesus foi?)
  He disappeared
  (Ele desapareceu)
  She needed an angel to love
  (Ela precisava do amor de um anjo)
  And no one sent her an angel
  (Ninguém enviou seu anjo)
  She needed an angel to love her
  (Ela precisava de um anjo que a amasse)
  But no one sent her an angel
  (Mas ninguém enviou um anjo)
  So you wanna call me the devil's advocate
  (Então você quer me chamar de advogada do diabo)
  But you don't know the half of it
  (Mas você não sabe nem a metade)
  'Cuz I was raised to believe in miracles
  (Porque eu fui criada para acreditar em milagres)
  My life is so cold
  (Minha vida está tão fria)
  Where did Jesus go? Where did Jesus go?
  (Aonde Jesus foi? Aonde Jesus foi?)
  Where did Jesus go? Where did Jesus go?
  (Aonde Jesus foi? Aonde Jesus foi?)
  He disappeared
  (Ele desapareceu)
  Where did Jesus go? Where did Jesus go?
  (Aonde Jesus foi? Aonde Jesus foi?)
  Where did Jesus go?
  (Aonde Jesus foi?)
  He disappeared
  (Ele desapareceu)
  Where did Jesus go?
  (Aonde Jesus foi?)
  He disappeared
  (Ele desapareceu)
  Where did Jesus go? Where did Jesus go?
  (Aonde Jesus foi? Aonde Jesus foi?)
  Where did Jesus go?
  (Aonde Jesus foi?)
  He disappeared
  (Ele desapareceu)

THE END



Comentários da autora


É tão difícil escrever essa nota. Talvez seja porque sei que você está lendo, ou porque mais pessoas sabem da nossa história.
Espero não ter errado sua música, mas eu acho que não errei na história, certo?
É tão estranho lembrar daquela época, não é? Eu sequer consigo lembrar da minha vida sem você, é algo tão estranho.
Porque você chegou nada discreta e me impôs a sua presença sem a mínima educação, mas com o tempo eu me apaixonei por esse seu jeito decidido.
Sabe, eu amo você mais do que uma irmã, mais do que uma amiga. Não sei exatamente o que você é pra mim, mas sei que você é isso tudo.
Não vou exagerar e dizer um milhão de coisas lindas. Mas vou falar poucas coisas e ser sincera. Eu odeio quando você fica jogando na minha cara que eu to errada.
Odeio seu jeito prepotente e convencido de ser. Odeio suas brincadeirinhas sem graça. Odeio seus amiguinhos que te roubam de mim (EU TENHO CIUMES SIM , AE?)
Odeio sua mania de querer roubar meus ídolos de mim. Eu odeio várias coisas em você. Mas por algum motivo, eu aprendi a amar o conjunto que todos os seus defeitos formam.
A gente briga, a gente cai na porrada, a gente se xinga, a gente fala um monte de merda. Mas nós fazemos isso juntas e isso muda completamente a nossa situação.
Engraçado essa relação de amigos, não é ? Se eu to em casa sem fazer nada é um tédio desgraçado. Mas se nós estamos em casa sem fazer nada, é incrível!
Ah, eu te amo coisa branca! Você é a pessoa em quem eu mais confio no mundo depois da minha mãe! Eu te amo de verdade,sem exageros. <3
E agora, que eu já chorei o bastante quando ?você? morreu e enquanto escrevo essa nota eu vou terminar de uma vez.
Beijos :*