Say you'll remember
Escrito por Natashia Kitamura
O SOM DOS FLASHES soavam por todos os lados. Ecoavam em contraste aos gritos dos fotógrafos que os disparavam e dos fãs que clamavam por uma mísera atenção.
Olhe para a direita. Sorria e acene. Agora para a esquerda. Sorria e acene.
Era praticamente impossível enxergar algo além de pontos de luzes piscando, mas eu já estava acostumada. Durante anos havia treinado para onde olhar quando não se via nada.
Basta sorrir e acenar.
Perfeito.
Ouvir a voz da moça responsável por me conduzir entre todos os pontos importantes do tapete vermelho era como música para meus ouvidos.
Próxima entrevista. Autógrafos. Outra entrevista. Mais autógrafos.
Fotos. Fotos. Fotos.
Sorria e acene.
– Você está indo bem, falta pouco – ouço a voz da minha agente logo atrás de mim.
Grande mentira, mas que bom que você tem um pingo de empatia, penso. Levo mais 40 minutos até caminhar com toda a graça que treinei a um salão onde centenas de pessoas conversavam entre si. Muitos sorrisos, pouca honestidade.
Era um grande evento; a estréia do filme documentário de uma grande personalidade mundial. Estar ali era um privilégio, já que somente o círculo favorito da maior cantora pop do mundo pisava no tapete vermelho. Anos de trabalho árduo, luta contra o machismo, o racismo e o sexismo fizeram dela uma guerreira admirável.
Eu tirei uma dúzia de fotos com ela após assistir o documentário – totalmente enviesado a favor dele – e não esperei pelo after. Chega de acenar e sorrir.
Queria poder sorrir de verdade. Com os olhos. Com o corpo.
Deixei a festa por um corredor feito para os artistas saírem e entrarem sem serem vistos. Sorri para alguns que não compareceram ao tapete vermelho – porque não eram tão importantes assim –, mas que foram permitidos entrar no after. Cumprimentei um ou outro, mas já estava com a cabeça em outro lugar; ou melhor, em outro alguém.
O ronco do Aston Martin soou não muito longe da saída. Meus olhos brilharam.
– Até outro dia, Diana – digo à minha agente, que resmunga alguma resposta enquanto digita algo em seu celular.
– Não esqueça da sessão de fotos no domingo às seis. Se precisar que te busque, preciso que me avise até as 18h do sábado!
Não respondi, porque é óbvio que ela me ligaria no sábado para confirmar se eu iria precisar de motorista ou não. Minhas pernas doíam por conta do salto. O evento foi uma droga. Mal pude sentar ou beber algo.
– Oi, gata. - ouvi sua voz aveludada soar assim que sentei no banco passageiro.
Ele me passou uma coberta para esconder meu vestido e um boné para ocultar meu rosto quando passássemos próximo aos milhares de fotógrafos e fãs interessados em ter mais uma perspectiva dos artistas. Suspirei aliviada quando ele virou a segunda esquina, acelerando para longe daquele caos.
– Onde vamos? - pergunto quando vejo que estamos longe o suficiente e posso me livrar da coberta e do boné.
– Para longe.
é exatamente a personalização do diabo.
Aos 28 anos, é dono de uma das maiores empresas de tecnologia do mundo. Aos 18, foi contratado pela antiga maior empresa de tecnologia, após resolver em 2 horas o caso de um vírus destruidor que gerou um apagão de 24 horas no servidor de milhares de sites ao redor do mundo – grande parte, bancários e redes sociais –, gerando um caos econômico. Boatos dizem que ele mesmo quem implantou o vírus.
Aos 19, foi efetivado como coordenador da equipe principal da empresa.
Aos 20, se formou com honra na MIT.
Aos 21, criou um novo sistema de segurança que salvou a vida de milhares de pessoas durante a guerra no Oriente Médio.
Aos 22, abriu sua própria empresa quando a antiga se recusou a torná-lo CEO.
Aos 23, lançou um novo site IA acessível para qualquer pessoa.
Aos 24, lançou um sistema que diminuiu em 80% a problematização de investimentos na bolsa de valores.
Aos 26, desbancou a antiga empresa e tornou-se a maior do mundo.
Aos 27, tornou-se bilionário.
Aos 29, tudo o que faz é mexer com meu ego e brincar com meu corpo.
Vejo o Rolex com diamantes encravados por ele todo brilhar toda vez que um poste de luz passa pelo carro. A estrada para o Hamptons é tediosa e longa. Não podemos dizer que estamos saindo da cidade, mas, de fato, estamos indo para longe da muvuca que é Manhattan.
Seus dedos compridos segurando o volante me fazem pensar nas sensações que me causam quando passeiam pelo meu corpo. pode ser muita coisa, mas, em primeiro lugar, é um homem que sabe como tocar uma mulher.
Nos conhecemos quando ele ainda estava na faculdade e eu brilhava nas grandes telas dos cinemas. Era uma festa organizada por uma amiga em comum e, apesar de eu estar proibida de frequentar fraternidades, eu tinha 18 anos e queria sentir um pouco da vida ordinária dos jovens da minha idade.
Naquele dia não trocamos muitas palavras. Foram mais beijos, admito. Mas nunca foi de falar. Sempre foi de agir. E se ele sabia quem eu era, na época não demonstrou. Seu desinteresse na minha pessoa foi o que me atraiu. Ser tratada como alguém comum tornou-se uma droga para meu sistema simpático. A adrenalina de pensar se seria descartada ou não me fazia sentir viva. Tê-lo me chamando para sair era sempre uma vitória pessoal.
Nasci em berço de ouro. Meu pai é dono de um dos bancos com maior credibilidade mundial, enquanto minha mãe é uma atriz que foi muito famosa nos anos 90. Os dois, juntos, trabalharam para construir a imagem do casal perfeito, doando milhões de dólares a instituições e mantendo tudo relacionado à vida pessoal em completo sigilo.
O que tornou minha estréia mundial um evento. A garotinha que era vista em uma foto ou outra duas vezes ao ano, no máximo, apareceu uma adolescente cuja beleza lembrava à da mãe, somada ao que o dinheiro do pai poderia comprar. O que ninguém acreditava, era que eu pudesse ter talento. Ao ser escalada para a adaptação de uma fantasia muito aguardada, eu fui minimizada à filhinha do papai que conseguiu um papel principal. 2 anos depois eu estava confirmada para a continuação, com uma legião de fãs e a crítica praticamente inteira ao meu lado.
– Achei que você havia vendido a casa.
Casa é uma maneira modesta de descrever sua mansão. Com direito a estufas, mansão dos empregados, haras e uma casa de piscina com 5 quartos, a mansão de 11 suítes de sempre foi alvo de curiosidade. Ele, no entanto, nunca a abria para qualquer um.
– Achei que você havia parado de ler essas merdas.
Fiz uma careta e virei a cara para sua grosseria. Ele já havia me dito milhares de vezes para parar de acompanhar fofocas infundadas, mas eu gostava. Gostava de saber sobre o que estavam falando de mim, e queria saber se havia alguém à vista dele.
Nunca houve. Mas não é certeza de que nunca haverá.
Descemos do seu carro enquanto um homem vestido com um uniforme preto nos recebe. não o cumprimenta, apenas deixa a porta do motorista aberta para o homem levar o veículo para a garagem coberta.
Sinto sua mão em minha lombar, me guiando até a entrada da mansão. Em um dia comum seríamos recebidos por um a três funcionários, mas hoje não havia nenhum.
– Onde está Emiliano? - pergunto pelo governante da residência.
– De folga.
Olho ao redor do imenso lobby. O cômodo não possui quase nenhum móvel. O piso é uma verdadeira obra de arte, com ladrilhos preto e branco enfeitando toda a extensão. No teto, um lustre de cristal que deve pesar uma ou duas toneladas e custar uma fortuna. Em um canto ou outro, uma estátua de mármore ou uma peça de arte que ele arrematou em algum evento beneficente. não gosta de arte, mas, ironicamente, tem um ótimo gosto para elas.
– Todos? - pergunto, vendo-o afrouxar o nó da gravata.
Não obtive resposta, uma vez que seus lábios se ocuparam em me beijar.
O impacto de sua boca na minha trouxe imediatamente um incêndio em toda extensão do meu corpo. Suas mãos foram direto para minha cintura e, em um impulso, minhas pernas enlaçaram sua cintura e ele caminhava comigo em seus braços, beijando-o como se fosse a última vez.
Em seu quarto, ele não se deu ao trabalho de tirar o meu vestido. Deu apenas um jeito de livrar meus seios da parte de cima e erguer a saia da seda. Chutei meu sapato para longe enquanto o via se livrar da calça social.
– Quantas vezes você sorriu hoje? - ele perguntou assim que voltou para cima de mim.
Soltei um gemido ao sentir seus dedos chegarem no ponto entre minhas pernas. Eu estava muito molhada. Senti a mordiscada em meu ombro quando ele percebeu que não havia empecilho ali. Eu estava sem calcinha.
– Muitas.
– E quantas vezes o alvo era um homem?
– Eu… ah! E-eu não sei…
O som de seus dedos entrando e saindo de dentro de mim, somado aos meus gemidos, era a única coisa que soava no quarto. era a personificação da calma. Seu rosto angulado, os olhos azuis e os cabelos loiros bagunçados era tudo o que eu enxergava. Os braços enormes estavam flexionados e pequenas veias saltavam, mostrando o esforço em me fazer enlouquecer.
Lindo como um anjo. Gostoso como o diabo.
– Pense um pouco mais, querida.
Ele podia me pedir muitas coisas, e faria quase todas elas de muito bom grado, mas pensar enquanto seus dedos me fodiam não era uma delas. Apertei seus bíceps e foi como tocar uma pedra. Movi meu quadril quando o senti diminuir a velocidade.
– Você estava desprotegida durante todo o evento - ele sussurrou em meu ouvido enquanto me matava com a lentidão de seus dedos –, por quê, ? Esperava ser fodida?
Resmunguei qualquer coisa, porque não estava em condições de dar uma resposta coerente. conseguiu diminuir ainda mais a velocidade de seus dedos.
– Você queria ser fodida como uma vadia, ? Por um estranho? Ou está saindo com alguém? Está abrindo as pernas para outro homem?
– N-não! , por favor…
– O que foi? O que você quer?
Sinto seus lábios beijarem meu colo e descerem até meus seios, mordiscando o bico e me fazendo gritar.
– Eu preciso… !
– Esqueça, querida – ele ronrou em meu ouvido –, você só vai gozar quando eu deixar.
– Por favor…
– Não terminamos nossa conversa. Você me mandou uma mensagem dizendo que chegava hoje. Quando vem para mim, está com a buceta toda desprotegida para quem quisesse te comer… acha que merece gozar?
– E-eu não… ah! - meu corpo estremece quando mete mais um dedo dentro de mim. – Eu juro que não tinha ninguém. Era para você. Para agora.
– Como você acha que me sinto sabendo que minha mulher estava sem calcinha em um evento cheio de homens?
– Eu sequer olhei para eles.
– Mentirosa.
A mordiscada em meu mamilo me fez gritar. Eu devia falar para ele tomar cuidado, pois tinha uma sessão de fotos dali a três dias. Mas eu não queria. Queria que ele continuasse. Que me torturasse e voltasse a me chamar de sua mulher.
Pois ele poderia ter qualquer uma.
Mas escolheu a mim.
– Diga o que você quer.
– Você.
– Seja mais específica, querida.
Abro os olhos, um pouco atordoada, e vejo em todo seu esplendor, nu e faminto, pronto para acabar com toda minha dignidade.
– Quero que você me foda.
– Como se fosse minha puta?
– Como se fosse sua puta.
Ele abre um pequeno sorriso. Seus olhos azuis como o céu no inverno se tornam quentes como o verão no deserto. Tudo o que eu penso é: acabou. Nada mais me salva dele.
Sem aviso prévio ou qualquer cuidado, mete seu pau inteiro dentro de mim. Grito, porque é tudo o que consigo fazer.
segura minhas pernas, mantendo-as bem abertas, enquanto ele arremete para dentro e para fora como o pistão de um carro de corrida. Vejo os gomos de seu abdômen surgirem com o exercício e a expressão violenta em seu rosto.
Sem misericórdia, ele queria dizer. Repetidamente.
Sinto o orgasmo se formar. Ele sente logo em seguida.
– Segure. - ordena. Quero dizer que não consigo, mas tenho essa urgência de obedecê-lo.
mete em mim três, quatro, cinco vezes mais. Na sexta, ele solta minhas pernas e cai em cima de mim, sendo apoiado somente por seus braços.
– Goze.
Em seguida, beijou minha boca, sufocando meu grito. Arranho suas costas para tentar deixar uma marca nele, pois em mim ele já estava tatuado.
Sonolenta, vejo-o me encarar deitado ao meu lado.
Desgrenhada com o vestido que havia usado na festa, preparado para o evento, mas escolhido para agradar aquele homem. Tudo o que pensei foi na visão que ele teria de mim naquele vestido de seda verde oliva.
Agora eu era uma mistura de respiração ofegante, lábios vermelhos, bochechas rosadas e sonolência.
– Durma - ele diz. Sua mão inicia um carinho em minha cabeça, alisando meu cabelo. Fecho os olhos com um sorriso nos lábios.
Antes de adormecer, desejo que ele não me deixe nunca mais. Mesmo que só em seus sonhos.
VEJO SUA IMAGEM EM DIVERSOS OUTDOORS espalhados por toda Nova Iorque.
O resultado da sessão de fotos que aconteceu logo após o final de semana que passamos junto foi de puro sucesso. havia renovado mais uma vez um contrato milionário com uma marca de joias. Diversas peças brilhavam em seu corpo, mas a estrela da foto era ela.
Fecho os olhos e a enxergo sentada na poltrona próxima à janela, bebendo seu chá com o texto do script de seu próximo filme, gastando alguns minutos para admirar o pôr do sol.
Naquele dia, me livrei de todas aquelas peças, assim como havia me livrado do lindo vestido verde oliva que ela usou no evento em que a busquei.
– Senhor - ouço um dos homens na sala de reunião chamar por mim.
Olho para as dezenas de cabeças me encarando, esperando por uma resposta.
– Se eles querem contratar nossos serviços, terão de fazer por merecer. Reunião encerrada. – me levanto antes de ouvir os protestos dos funcionários por não ter oferecido a resposta que eles queriam. Mas eles eram pagos para saberem o que eu queria.
Sucesso. Dinheiro. Amassar qualquer inimigo ou concorrente como se fossem insetos.
.
Afrouxo o nó da gravata enquanto caminho em direção ao meu elevador particular.
– Cancele minha agenda até a próxima segunda.
– S-senhor? - minha secretária gagueja.– E a reunião com o Chefe da Segurança do Estado…
– Não me faça repetir.
– S-sim senhor…
– Onde ela está? - olho para meu assistente pessoal, que imediatamente faz uma ligação.
– Flórida. Há um evento–
– Ligue para o piloto. Quero sair em até 40 minutos.
– Sim, senhor.
4 horas.
É o tempo que suportarei até vê-la novamente.
– Ligue para a Dolce & Gabbana. Mande-os enviar o vestido verde oliva que usou no último evento para Miami.
Se havia uma coisa que faria antes de dormir, seria vê-la novamente naquele vestido.
Para em seguida arrancá-lo de seu corpo mais uma vez.




