Savin' Me
Escrito por Leeh Way | Revisado por Natashia Kitamura
Prólogo
Se você pudesse se libertar de todos os seus problemas, mas tivesse que deixar pra trás as pessoas que ama, você se libertaria? Essa pergunta girava na minha cabeça por dias. Na verdade, desde o momento em que minhas decisões passaram a serem todas decididas pelas outras pessoas a ideia me parecia tão tentadora. Eu jamais recusaria uma proposta como essa, porém, eu tinha medo do que viria depois, das consequências. Eu já fora mais corajosa.
Era imaturo da minha parte querer fugir o tempo todo dos meus problemas e da minha vida?? Não quando fugir era minha única defesa. Às vezes eu pensava que poderia ser pior fugir, talvez fosse melhor ficar e enfrentar todas as regras e coisas que me impunham. Mas me conhecia o muito bem e sabia que logo eu me renderia. Então, fugir não era nem de longe a escolha mais imatura que eu já fizera.
Um suspiro longo escorreu por meus lábios quando eu liguei o computador e deixei que minha imaginação fluísse em linhas e palavras. A estória se formava a minha frente, com seu enredo impossível e suas palavras tão complexas. Seus personagens nada mais eram do que uma pequena caricatura das pessoas que eu conhecia na vida real. Nada ali era tão fictício quanto parecia e muito menos fácil, mas eu preferia ali por ser o local mais seguro. Local aonde minhas escolhas seriam eternamente respeitadas.
As lagrimas começaram a cair, lavando o meu rosto de toda a fúria, de toda a dor. O alivio fluindo por meus dedos em forma de estórias e coisas loucas que somente eu seria capaz de compreender. Era bom ter a imaginação como refúgio, ainda mais em um mundo em que as pessoas haviam perdido o dom de imaginar e sentir. Ninguém mais se importava, era banal sentir, banal imaginar e deixar-se guiar por estas coisas.
Não sentia medo e nem insegurança, eu estava com raiva. Porque diabos, as pessoas tinham que se importar tanto com dinheiro e coisas materiais se havia algo muito mais bonito do que isso? A maioria das pessoas a minha volta só se importavam com o dinheiro e meus pais eram assim. Eles queriam que eu deixasse meus amigos, meus planos em prol de um casamento arranjado em pleno século XXI que geraria lucros para ambos os lados. Era o tipo de coisa que eu jamais conseguiria aceitar.
E assim, eu seguia com os olhos cheios de lagrimas, deixando com que meus dedos deslizassem pelo teclado, colocando cada frustração e cada problema pra fora. Me libertando. Era isso o que a imaginação fazia comigo, me libertava, me levava pra outros lugares e eu finalmente me sentia bem. E a cada palavra escrita, uma decisão ia sendo tomada. Não faria o jogo deles, não me deixaria levar pela ganância e pelo apego ao que era matéria. Haviam coisas mais importantes dentro de mim.
Dei as costas para as futuras consequências, suspirei, sentindo a intensidade daquela escolha. Tudo a minha volta pareceu ter mudado sem que eu percebesse. Tudo parecia muito diferente de antes eu não entendia o por que. Estava me libertando de tudo, por um preço que eu desconhecia, ruma ao futuro, desconhecido, amedrontador e mágico.
A Casa de Espelhos
Encostei minha cabeça no travesseiro exausta. O dia inteiro as pessoas me disseram o que eu devia e o que eu não devia fazer; nem é preciso dizer o quanto eu estava irritada. Não era nenhuma novidade eu já deveria ter me acostumado com essa atitude das pessoas a minha volta, mas mesmo assim eu me irritava. Não podia evitar. Mesmo depois de ter escrito um pouco no meu notebook a continuação de uma estória que eu começara á um mês atrás - e que servia como válvula de escape - ainda me sentia cheia de raiva e estressada. Não havia muito o que fazer.
Meus olhos não demoraram pra fechar, ainda doloridos por eu ter chorado de raiva durante uma hora seguida. Mas eu demorei pra dormir. Havia tanta coisa pra se pensar, tantas decisões pra tomar e tantas pessoas pra deixar ou apenas esquecer. Isso havia ficado bem claro quando minha mãe dissera - Você não tem muitas escolhas, é casar se com Tom ou ir para Instituto Venturi e perder seus amigos?. Digamos que a primeira escolha era a correta se eu cogitasse a ideia de perder meus - poucos, porém, importantes - amigos. Mas e quanto as minhas decisões? Todo aquele problema me deixava de mau-humor, porque eu não podia escolher entre minha solteirice, meu futuro na faculdade estudando arte e meus amigos, ninguém poderia escolher. Mesmo assim eles me colocavam em duvida.
Cansada de tudo aquilo, minha mente simplesmente se desligou do mundo real, abandonando todos os meus problemas e dúvidas, indo á um lugar que nunca estivera antes. Olhei a minha volta confusa, mas algo dentro de mim pedia para que eu apenas sorrisse. Estava livre por algumas horas ou minutos dos meus problemas - ou como queira chamar. Um suspiro aliviado escorreu de meus lábios.
Minha felicidade não durou muito. Quando eu percebi aonde estava; o medo tomou conta de cada centímetro do meu ser. Estava em uma espécie de labirinto. Como eu sairia dali? Tentei me acalmar e dizer a mim mesma que aquilo não passava de um mero sonho... ou pesadelo. Não adiantava, eram poucas as coisas que conseguiam me acalmar ultimamente. Tratei então de manter minha frieza e analisar o local para tentar encontrar uma saída.
Não havia como se acalmar, eu estava presa em um labirinto - ou sei lá o que era aquele lugar - e não sabia como sair. Por dentro eu tremia de medo, porém, por fora eu só observava o local silenciosamente, anotando cada detalhe. As paredes eram de pedra, coberta por algo que no escuro parecia ser musgo ou aquelas plantas que chamavam de trepadeiras. Senti uma leve onda de nojo agitar meu estomago. O chão era coberto de folhas secas, como um tapete, que craquelava ao mínimo movimento meu. Olhei para cima, o céu completamente estrelado - como eu nunca vira - iluminava o local, deixando possível que eu visse pelo menos por onde andava. Um leve suspiro desapontado escorreu por meus lábios e eu cruzei os braços, esfregando uma das mãos em meu suéter roxo tentando me esquentar. Fazia frio.
O que eu faria? Sair correndo em qualquer direção só me deixaria mais perdida do que eu provavelmente já estava. Meditei em silêncio, tentando encontrar pelo menos duas possíveis soluções para aquele novo desafio e a única que eu achei fora - Seguir em frente?. A frase apareceu em minha mente como um sussurro e involuntariamente comecei a andar rápido e cuidadosamente pelo corredor a minha frente.
O único som que eu ouvia era das folhas craquelando sob meus pés e minha respiração ofegante. Não estava nervosa, mas estava tensa com aquela situação mesmo sabendo que era só um pesadelo vividamente estranho. Estava presa em um labirinto, sem saber como sair dele, não era familiar tudo isso?
- ... ! - a voz masculina me chamou implorando por algo e eu apertei o passo praticamente passando a correr. Mas eu não corria de medo ou assustada, eu corria em direção a voz, como se eu soubesse quem estava me chamando.
Ofegante, parei de correr encostando me a parede. O voz já não me chamava havia alguns minutos. Devia ser coisa da minha cabeça... aliás, aquilo era somente um sonho, não era?! A duvida era maior do que todas outras sensações.
- ... - sussurrou novamente e um sorriso estranho postou-se em meus lábios, fazendo com que eu voltasse a caminhar.
- ... preciso de você... eu... - eu fraquejei ao sentir o tom doce com que aquela voz pronunciava meu nome; Meus joelhos automaticamente tremeram e eu trinquei os dentes, tentando me manter no mínimo sã.
- Eu devo estar ficando louca... - sussurrei para mim mesma; E sem duvidas, estava ficando louca mesmo. Aquele sonho me parecia real demais.
- Por favor, eu preciso de você! - voz implorou mais uma vez e cada parte de mim se arrepiou com aquele pedido; Sem pensar duas vezes segui pelo labirinto inicialmente correndo e depois caminhando lentamente.
- Por favor, , eu preciso de você... - sua voz ficava frágil no final de cada frase, quase rouca; Sentia dor, agonia e tristeza vindo de algum canto daquele labirinto. Estranho ou não era somente isso que eu sentia.
- Aonde você esta? - questionei; Parei no meio de um dos muitos corredores e olhei para os dois lados e para todos os lugares possíveis, tentando enxergar algo além de sombras. O esforço fora em vão e voz não me respondeu mais.
Sem resposta, resolvi seguir meus próprios instintos. Comecei a correr sem direção dentro do labirinto; Tropecei algumas vezes e me machuquei muitas vezes. Mesmo dolorida eu sentia urgência naquela voz e urgência em sentir que o dono daquela voz estaria finalmente bem
Depois de muitos minutos praticamente correndo em círculos, uma iluminação um pouco diferente daquela do labirinto atingiu meus olhos os fazendo arder e doer um pouco. A iluminação alaranjada, quase vermelha vinha de uma pequena rachadura na parede de pedra. A observei por alguns momentos receosa, tive medo do que aquilo poderia ser. O que me fez criar coragem e tocar a parede - coberta por folhagens que pareciam ser trepadeiras - fora lembrar de que alguém necessitava de minha ajuda, de mim.
Encostei as mãos na rachadura, sentindo um calor atingir a palmas das minhas mãos. Era um calor confortável. Tateei a parede a procura de alguma alavanca que abrisse aquela parede - pela iluminação, eu supus que ali fosse alguma sala ou algo do tipo -, mas o máximo que consegui foi um arranhão nas palmas das mãos provindo das trepadeiras.
- Hey, , você está ai!! - comecei me surpreendendo ao perceber que sabia o nome dele e me sentindo louca, fora do meu juízo normal - Se você estiver ai dentro, por favor, me dê um misero sinal de vida! - pedi torcendo para que ele simplesmente resmungasse.
Nada aconteceu e eu sorri frustrada. Estava provavelmente ficando louca e aquilo não passava de um pesadelo - ou um sonho - maluco que parecia tão real que me confundia. Não restava duvidas de que eu estava enlouquecendo. Comecei a me beliscar feito uma idiota, pensando que aquela atitude me acordaria. Não adiantou. Bufei ficando extremamente irritada. Não queria mais estar em um sonho estúpido, onde coisas estranhar aconteciam me deixando completamente louca.
- Isso deve ser um sonho e eu vou acordar!! - murmurei para mim mesma, enquanto me beliscava freneticamente. Um barulho estridente de porta velha se abrindo ecoou no labirinto fazendo com que eu parasse imediatamente de me beliscar.
A parede a minha frente - com a rachadura que emitia a luz laranja - abriu-se como se eu tivesse proferido as palavras mágicas para uma passagem secreta e sem pensar duas vezes adentrei na sala que se abria a minha frente.
Era uma sala enorme com paredes cobertas por espelhos límpidos que refletiam tudo perfeitamente sem nenhuma rachadura ou algo do tipo. Me sentia observada naquela sala, mas mesmo assim quis permanecer lá. Havia uma pessoa que precisava de mim em algum lugar daquela sala ou daquele labirinto e minha consciência pesaria se eu não ajudasse. Instantaneamente algo me disse que não só mente a consciência pesaria.
- Acho que não tem ninguém aqui, não é?! - questionei, em voz alta; A sensação de estar sendo observada a todo momento me dava aflição como nenhuma outra situação seria capaz.
Ouvi meu voz num sussurro muito baixo, quase inaudível, escorrer pelas paredes daquela sala espelhada, só então percebi que não estava sozinha. Um pouco a frente, havia uma parede que não coberta por um espelho como as outras, era algo como uma janela. Do outro lado dessa janela um garoto me observa com os olhos brilhando, cheios de um sentimento que eu não reconhecia. Instantaneamente, um sorriso se abriu em meus lábios.
Foi como um deja vu, como se eu já conhecesse aquele menino mesmo não conhecendo de fato. Os olhos dele tinham um brilho que eu nunca havia visto e mesmo tendo uma cor comum, eram os olhos mais lindos do mundo. Ele me encarou sorrindo aliviado e eu sorri de volta, ao mesmo tempo tentando entender a parte sã daquela situação toda.
- Eu pensei que você me deixaria aqui pra sempre... - murmurou a voz frágil; Ele estava sentado ao chão do outro lado da 'janela' e seu corpo se apoiava no vidro de forma frágil, como se ele pudesse quebrar e não o vidro.
- Jamais deixaria você esperando, . - respondi um sorriso terno e satisfeito se desenhando em meus lábios - Pensei que você não se lembrasse, mais de mim. - confessei, suspirando aliviada por aquele meu temor não ter se realizado.
Ele sorriu e desencostou o rosto da vidro, abrindo um sorriso sincero o aliviado; Seus olhos brilharam como estrelas e eu involuntariamente me aproximei da 'janela' sentando me ao chão frio e encostando uma das mãos no vidro como se pudesse tocá-lo. Não, eu não podia, mas simbolicamente o sentia mais perto de mim e isso me fazia bem.
- E você acha que eu a deixaria para trás um segundo da minha vida? - perguntou sorrindo e eu o acompanhei; Permanecemos em silêncio um encarando o outro como se nos conhecemos a milhões de anos.
E nos conhecíamos. Eu só não sabia como e nem de onde. Ainda estava tentando compreender de onde eu tirara toda aquela intimidade. Era assustador o modo como as coisas mudaram e eu parecia ser outra pessoa... uma pessoa com amigos diferentes e que eu jamais pensei em conhecer.
- Sei como as coisas andam difíceis pra você! - exclamou me lançando um olhar de pena que foi ignorado; Detestava que me olhassem com pena.
Mesmo assim, eu não conseguia ficar com raiva de .
- Você não faz ideia. Sinto falta de quando as coisas eram mais fáceis pra mim e pra você - confessei soltando um suspiro decepcionada; ele me olhou, tão decepcionando quanto eu e também suspirou me encarando por alguns segundos.
Nos dois nos olhamos por alguns minutos e eu me perguntava intimamente, quem era ? No sonho eu o conhecia melhor que a mim mesma, porém, ao mesmo tempo não conhecia. Aquela , não era a mesma ... não éramos a mesma pessoa, mesmo usando do mesmo corpo. Parecia que aquela garota era meu subconsciente adormecido, que tomara todo o meu lugar exercendo e tomando conta de tudo que eu fiz o favor de destruir durante este 17 anos.
- Você me chamou aqui, então, certamente precisa de minha ajuda. - eu parecia um pouco preocupada demais. Jamais exibira olhar tão preocupado e torturado quanto aquele.
Observei o rapaz a minha frente - o tal de - e ele parecia pálido, abatido como se tivesse sofrido os piores tipos de tortura do mundo. Era assustador olhar pra ele perceber que apesar da dor estar estampada em seu rosto, ele apenas sorria e fingia que estava tudo bem.
- Não preciso de sua ajuda... é você que precisa da minha. - corrigiu sério e eu abaixei a cabeça; Algumas coisas começaram a finalmente fazer sentido. Realmente precisava da ajuda de alguém para fugir daqueles problemas frustrantes da minha vida real. Mas se isso era apenas um sonho, no que , o garoto que eu conhecia, porém não me recordava poderia me ajudar?
- Você não pode me ajudar, . - avisei balançando a cabeça decepcionada - Os problemas são tantos... Talvez ninguém possa me ajudar. - terminei parando de encará-lo e abaixando a cabeça, mordendo o lábio.
Ele riu e tocou o vidro, emitindo um ruído mínimo. Levantei a cabeça rapidamente para encará-lo. Aqueles olhos sinceros e tão profundos me faziam bem.
- Você não muda. - ele ria e eu fiz uma careta, rindo junto com ele como se fossemos velhos amigos - Os séculos passaram e você continua a mesma teimosa de sempre! - nos dois rimos alto e depois nos encaramos como se estivéssemos se comunicando pelo olhar e estávamos.
Aquele olhar dele me dizia que ficaria tudo bem em breve e que eu não deveria me desesperar e muito menos ter medo. Confiei em cada palavra que ele dissera.
- Talvez a única coisa que o tempo não tenha arrancado de mim seja a minha teimosia. - murmurei com um tom acido na voz; Ele revirou os olhos de um jeito familiar me fazendo rir novamente.
De repente, nossa conversa descontraída de velhos amigos tomou um tom sério e me encarou com um sorriso triste.
- Você sabe que eu não posso te esperar pra sempre né?! - perguntou, em um tom enigmático; Meu corpo tremeu ao cogitar a ideia de que alguma coisa seria perdida e que esta coisa fosse ele.
- C-como assim? - perguntei gaguejando e já tremendo; Perder era uma palavra que me assustava profundamente.
- Eu não tenho muito tempo, você também não. - explicou tranquilamente com se aquilo não fosse muito importante - se não nos encontrarmos na vida real, eu morro e você morre também. É simples e doloroso, como tem que ser todas as vezes. - ele deu de ombros ainda com aquele sorriso triste nos lábios enquanto eu o encarava séria, sentindo as lagrimas se formarem no canto do olho.
Eu não entendia o que ele queria dizer com tudo aquilo e ao mesmo tempo entendia. Era tudo muito confuso.
- Não vou deixar que o tempo acabe! - decidida eu bati no vidro, o rachando. sorriu ao ver que o vidro que nos separava aos poucos rachava, acabando com a distancia entre nos dois.
Deixei que as primeiras lagrimas escorressem por meu rosto. Pela primeira vez desde que aquele sonho louco havia começado, eu pude tocá-lo e senti-lo, como se tudo aquilo fosse mais do que apenas um sonho e fosse somente realidade. Não hesitei ao voar nos seus braços e abraça-lo com se fosse a ultima vez. Era estranha a forma como me sentia conectada a , mesmo sabendo que não o conhecia na vida real, fora daquele sonho.
- Precisa tanto te abraçar... ter você perto de mim. - sussurrou no meu ouvido sem me soltar; Sua voz me causara arrepios.
- Precisava de você perto de mim pra sempre! - exclamei o largando para olhar em seus olhos sem ter o reflexo do vidro atrapalhando.
Ele sorriu e beijou meu rosto, minha testa e por fim meus lábios timidamente. Foi como se alguma coisa se conectasse dentro de mim; Como se mil lâmpadas tivessem sido acessas dentro de mim; Como se um fogo de artifício tivesse explodido dentro de mim. Daria cada segundo da minha vida real para que aquele beijo durasse mais do que dois minutos.
- Você pode vir comigo!! - exclamou, me puxando para mais perto dele o possível; Um sorriso se acendeu em meu rosto. Obviamente eu iria com ele pra aonde quer que fosse.
- Eu... eu vou! Quando quiser! - exclamei sem nem pensar; Não era necessário avaliar a situação para que o pedido fosse finalmente aceito.
Como resposta, voltou a me beijar e eu interpretei aquilo como um sim. Meus lábios dançaram nos de tranquilamente a melodia imposta por minhas batidas cardíacas e tudo que eu conseguia pensar era como tudo ali era louco, insano e sem sentido. Sonhos começam assim, sem nenhum sentido.
- Queria que você pudesse ficar mais! - confessou, quebrando o beijo arfando delicadamente; Sua respiração atingia meu rosto causando-me arrepios. - Mas você precisa voltar...
Abaixei os olhos, triste. Não queria voltar pra minha realidade problemática. Se eu pudesse ficar ali presa em uma sala cheia de espelhos junto com para toda eternidade, eu ficaria sem problema nenhum.
- Não, eu posso ficar se quiser. - murmurei, sendo interrompida bruscamente. Ele selou nossos lábios rapidamente e depois alisou meus cabelos.
- Você não pode ficar. As coisas precisam acontecer na vida real para que eu fique junto com você, finalmente. - explicou de forma sabia; Fiquei alguns minutos em silêncio apenas analisando seu rosto e pensando se eu me sentiria uma completa louca quando acordasse.
Sonhos não faziam sentido. Não precisava me preocupar.
- Mas e se eu esquecer desse sonho...? - perguntei agoniada com a ideia de que se eu esquecesse nossa chance de ficarmos juntos seria mais do que somente nula. Praticamente não existiria.
me apertou no seu abraço carinhoso e firme e sussurrou no meu ouvido:
- quando você acordar, vai saber exatamente o que fazer. Você sempre sabe. - explicou e eu sorri sentindo arrepios percorrerem meu corpo a cada palavra que ele dizia. Ele inspirava confiança e pela primeira vez me senti tranquila; Se dissera que eu saberia o que fazer então quer dizer que eu saberia mesmo.
- Não quero acordar. Não quero te deixar aqui... você precisa de mim. - continuei teimosamente. apenas riu e continuou me beijando outra vez e estendendo nosso beijo um pouco mais.
- Sempre estou com você, não precisa se preocupar . - afirmou olhando profundamente em meus olhos. Seu olhar era tão profundo que eu tinha a leve impressão de que ele via a minha alma... e talvez visse mesmo.
- Eu te amo, nunca se esqueça. - ele estreitou um pouco mais nosso abraço, olhou profundamente em meus olhos.
Acordei arfando na cama. Quem era e porque eu o amava tanto? A perguntas fizeram minha cabeça rodar duas três vezes até que um bilhete no criado mudo chamasse minha atenção. Peguei o papelzinho minuciosamente dobrado e liguei o abajur roxo, esfregando os olhos para entender o que estava escrito naquele papel.
', você sabe a coisa certa a fazer.
Arizona é lugar. Vou estar lá a sua espera... por favor, não perca tempo se decidindo apenas faça sem pensar nas consequências.
Te amo.... '
Não tive reação. Não sabia se deveria esmagar o papel e voltar a dormir - já que provavelmente aquilo era uma alucinação - ou deveria levar cada palavra escrita, em consideração. Meu coração acelerou. Mesmo não o conhecendo eu sabia que precisava conhece-lo e tê-lo por perto. Meu coração dizia isso. E eu sabia que iria até o fim do mundo pelas regras que meu coração ditava.
Eu sorri intensamente. Aquele sonho, de fato, não fora apenas um sonho e mesmo que eu não me recordasse de , havia algo bom nele, algo relacionado a mim e a minha vida. Mesmo tudo naquela noite parecendo mais estranho do que realmente era, minha única e correta reação fora me levantar, pronta para enfrentar as consequências das minhas escolhas, sendo elas qual fossem. Eu estava pronta para isso.
Epílogo
Era assustador como todos os meus sentidos me diziam que tudo ali dito era a mais pura verdade e ao mesmo tempo me diziam que eu deveria ter medo. Eu tinha medo, mas não conseguia me render aquele sentimento porque o que resultaria de tudo aquilo era mais lindo e verdadeiro do que qualquer coisa que eu fizesse se ficasse.
Uma mochila, roupas e o dinheiro que eu guardara por tanto tempo. Meu destino?? Algum lugar do Arizona. A sensação de estar indo embora era boa e ruim. Boa por estar livre de todas as responsabilidades que me empunham e ruim por estar deixando pra trás as pessoas que eu amava, inclusive meus pais, apesar de tudo. Mas eu não ficaria hesitando, minhas escolhas haviam sido feitas e eu precisava ir embora, fugir de verdade de tudo aquilo.
Havia uma vida esperando por mim, em algum lugar e eu precisava salvá-la. Não entendia como eu podia saber tanto sobre algo que eu nem ao menos conhecia, mas mesmo assim eu sabia. Assustador ou não, essa era a mais pura verdade. A noite estrelada me esperava, o brilho da lua apenas iluminando o único caminho que eu deveria seguir, ocultando os desvios e paradas desnecessárias. Era apenas eu e uma estranha lembrança de tudo que me havia sido dito no sonho e que eu sabia que aos poucos se apagaria.
Não queria perder aquela lembrança e aquele rosto pra sempre. Estava indo atrás de uma palavra que significa muito pra mim: Liberdade e estava disposta a pagar o preço que fosse por ter deixado todos os meus problemas pra trás, por mais que uma noite. Estava disposta a tudo se no final eu o tivesse por perto esta noite e por todas as outras noites seguintes.
Hey cupcakes, então essa é a minha primeira fic do fandom the maine então espero que entendam os outros meninos não terem aparecido. Mas como é uma série, esperem pela continuação que eles vão sim aparecer pra alegria de vcs. Anyway, desejo do fundo do meu coração de a Lari tenha gostado da primeira parte do presente dela (haha só eu pra fazer uma série de presente de amigo secreto) e é isso ai, adorei me aventurar nesse fandom, depois da série quem sabe não vem outras fics?!
É isso ai pessoas espero que tenham gostado porque eu fiz com todo o coração <3
xoxo Leeh

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