Saturday Afternoon

Escrito e Revisado por Cáa Pardine

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Música para acompanhar

  O tempo escureceu mais cedo naquele final de tarde. O mundo, pelo menos naquela parte específica, parecia entender o verdadeiro significado da dor humana e banhava os presentes com uma garoa fina, fazendo com que o sentimento de melancolia se expandisse desproporcionalmente no coração de todos. Pelo menos era assim como eu me sentia. Tentei me proteger um pouco dos respingos da chuva, mas era inútil, então só fiquei na minha. Encostei-me no tronco de uma àrvore, nem me importando com os musgos que agora grudavam na minha jaqueta. Assim como o tempo, eu também estava inquieto por dentro.

  Para começar, aquele não era um lugar muito comum para se visitar. A grama bastante verde aparentava bons cuidados e existiam várias àrvores espalhadas pelo terreno espaçoso. No entanto, toda aquela paisagem era acompanhada por muitas lápides. Aham, pois é. Eu estava em um cemitério. Tentei olhar pelas brechas dos galhos da àrvore, mas o céu ainda parecia o mesmo de cinco minutos atrás. Olhar para a chuva me trazia lembranças de um passado não muito distante. E essas lembranças automaticamente me levavam para o principal motivo da minha visita àquele lugar.

  A alguns metros de distância, várias pessoas se reuniam em volta do local onde o caixão seria enterrado. Alguns usavam capas para se proteger do tempo, outros usavam guarda-chuvas. Mas todos, sem exceção, usavam a mesma tonalidade de roupa: preta. Aquela atmosfera só me deixava ainda mais melancólico. Apesar de eu ter reconhecido vários rostos mergulhados em profunda tristeza, apenas um chamava a minha atenção.

  O rosto de parecia não denotar expressão alguma, mas eu sabia que ela estava apenas tentando esconder vários sentimentos conflitantes dentro de si mesma. Ela apertava uma mão na outra, enquanto seu olhar vagava pelo caixão, já fechado, pronto para ser colocado em um lugar de onde jamais sairia. Por dentro, eu também guardava sentimentos conflitantes. Eu queria muito sair de onde eu estava escondido, acompanhando tudo de longe, e poder segurar na mão dela, tentar fazer o máximo possível para confortá-la naquele momento de dor. Mas eu sabia que aparecer na frente dela depois de tanto tempo e sem ser anunciado seria ainda pior do que se o pai dela abrisse aquele caixão e se levantasse sorrindo. Não era como se nada tivesse acontecido entre eu e ela.

  Ela havia falhado. Eu havia falhado.

  O meu coração recebera tanto amor, para no final ter sido pisoteado... Fraco demais para bater de frente e lutar, ou apenas tentar entender a nossa situação, eu me acovardei e fui embora da vida dela. Chegava a ser irónico. A única pessoa que me dava forças foi também a única que tirou tudo de mim em um piscar de olhos. Vários sentimentos ainda conflitavam dentro de mim agora que eu a via tão perto, me deixando puto, desnorteado, dilacerado. Enfim, estúpido e tolo, como o cara que eu sou. E era só quando eu me lembrava disso que eu entendia o porquê de ter fugido de toda aquela situação.

  - E esse foi mais um show, BANAs lindas da minha vida! - disse no microfone com sua voz fofa e logo depois fez uma dancinha engraçada com enquanto dançava sozinho em outra ponta do palco e e se abraçavam e apertavam suas bochechas de um jeito bem cómico.
  Todas as fãs começaram a gritar histéricamente enquanto todos os integrantes da B1A4 dançavam e faziam gracinhas entre eles, muitos aegyos da parte do maknae e abraços da parte de todos.
  Suspirei longamente por ver tão fofo e apertável no palco e, antes de começar a armar planos doidos para encontrá-lo depois do show ou coisas parecidas a esse grau de loucura, saí do local. Ajeitei meu casaco e segui em frente.
  Andava para casa sem pressa nenhuma. Era sábado e o sol brilhava em Seoul. Amava aquele lugar, várias pessoas circulavam entre as ruas do centro, aproveitando o dia bonito para ir a algum lugar, fazer alguma coisa. O show tinha acabado pontualmente às 15h, era engraçado comparar horários de shows entre a Coréia e o Brasil. Ri sozinha e aproveitei para aumentar o volume do meu iPod.
  Ouvia OK do B1A4 porque me recusava a deixar de ouvir alguma música do B1A4 já que tinha acabado de sair do show e estava na vibe. Caminhava sem rumo e depois de um tempo andando, fiquei com sede.
  Morava perto do local onde o show acontecera, por sorte. Decidi parar em uma cafeteria de estilo bem simples e aconchegante para tomar um café e enrolar para ir para casa e ter que fazer minha lição de coreano. Há cinco meses estava na Coréia para estudar o idioma e aprender mais sobre a cultura do país.
  - Um capuccino, por favor. - Disse, simpática para a atendente e ela sorriu de volta.
  - Para levar ou tomar aqui?
  - Tomar aqui. - Falei e logo peguei a quantia exata em moedas para entregar para a funcionária, mas uma moeda caiu. Entreguei o restante para a moça e dei um sorriso amarelo para ela enquanto me abaixava para pegar, não notando que a pessoa atrás de mim também tinha abaixado. - O-obrigada! - Disse quando a pessoa atrás de mim pegou minha mão e colocou a moeda lá, bem no centro. Levantei o rosto para olhar para o garoto simpático e sorri mais ainda.
  - De nada! - Ele disse e enrugou um pouco o nariz, fazendo uma expressão fofa. estava na minha frente em uma cafeteria perdida por Seoul. Virei bruscamente para a atendende, entreguei a moeda que faltava e fiquei do lado, esperando meu pedido. Logo pediu também e olhou para mim, sorrindo. Suas bochechas estavam vermelhas e ele mexeu desajeitado no cabelo, sem saber o que fazer.
  - Er... - Tentei começar um assunto, mas fui cortada.
  - Eu te vi hoje! Lá no show! - Ele falou, suas bochechas ficando mais vermelhas ainda.
  - O quê? - Como assim ele tinha me visto? COMO ASSIM?
  - O seu casaco, eu quase comprei um assim! - Ele apontou pro casaco de panda que usava e sorri, entendendo o motivo da lembrança.
  - Sério?
  - É! Eu amo pandas! - colocou as duas mãos fechadas em cada lado do rosto e sorriu. - Aí eu vi o seu casaco hoje mais cedo e agora. Não podia ser outra pessoa a não ser voc^r.
  - Eu... Eu comprei porque eu amo pandas também. - Retruquei contente. Adorava pandas, eles eram tão lindos e apertáveis.
  - Que legal! E qual é seu nome?
  - . - Falei e não perguntei o de , estava na cara que eu sabia o nome dele afinal, estava no show de agora a pouco.
  Nesse momento, meu capuccino chegou e a bebida de também. Pegamos e nos olhamos, em dúvida.
  - Eu vou ficar - apontei para alguma mesa. - por aqui, .
  - E eu tenho que ir, . - Ele disse, triste.
  - Sem problemas, . - Balancei a cabeça e ele aumentou seu sorriso.
  - É que eu tenho que treinar e... - começou, mas se cortou. - Hey! Olha só! - Colocou uma mão na cabeça e imitou uma orelha, dobrando os dedos. Meus olhos brilharam por ver fazendo aegyo para mim.
  - Isso parece um coelho! Olha só. - Fiz o mesmo movimento com a mão livre, mas fechei um pouco a mão, fazendo parecer uma orelha de panda.
  - Fofo! - Ele disse, sorrindo. - Eu sempre venho aqui, espero te encontrar mais vezes. - esperou uma reação minha e o máximo que consegui fazer foi sorrir e concordar com a cabeça, repetidamente. Igual a uma boba.
  - Claro!
  - Tchau, . - imitou a orelha de coelho de novo e sorriu, imitei novamente minha orelha de panda com a mão que não estava segurando o capuccino e enruguei um pouco o nariz, rindo. Logo em seguida, ele saiu da cafeteria. Sentei em um lugar qualquer e logo senti uma lágrima descendo pela minha bochecha. Eu amo sábados.

FIM



Comentários da autora

  AIN, NÃO É A COISA MAIS FOFA ESSE MEU GONGCHAN? <3
  Ok, já vou dizendo que a primeira fic que escrevo nesse K-POP world e estou com o cu na mão porque não acho que fui muito bem. ER
  Mas espero que vocês gostem, foi uma cena que veio na minha cabeça e também porque a Minsuh e a Minji me obrigaram (amo vocês -q). LOL
  Espero que esse fandom cresça porque quero meu Gongchan lindo, pois é.