Respect 2

Escrita porNatashia Kitamura
Revisada por Natashia Kitamura

Capítulo 1

Tempo estimado de leitura: 12 minutos

  DEZOITO ANOS DEPOIS...

  O amanhecer estava acontecendo e eu ainda não havia terminado de revisar o relatório das finanças mensais. Por causa do aniversário de Belle, minha filha caçula, não tive tempo de pensar em trabalho, pois, caso eu fizesse, minha mulher entraria em colapso. O tempo que me sobrava era a madrugada, hora esta em que eu perdia entre fazer meu próprio café e conseguir não fazer barulho para não acordar ninguém em casa. Digito palavras sem fim em meu computador, e apenas depois de horas que fui conseguir terminar. Respirei aliviado e encostei em minha cadeira, olhando janela afora. O céu já estava completamente claro, o sol já havia raiado e era possível ouvir os gritos de Jonathan e Ezra no andar de cima. Respiro fundo e desligo o computador, colocando meu roupão por cima do pijama e saindo de meu escritório.
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  Assim que subo as escadas, encontro com Summer descendo as escadas em seu uniforme rebeldemente arrumado.
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  - Não acha que está frio demais para essa barriga aparecer? - comento parado no pé da escada, enquanto ela me encarava como se eu fosse um pé no saco. - Achei que houvesse uma regra na sua escola sobre os sapatos. - olho para as botinas de cano alto que ela trajava e me pergunto o que sua mãe dizia sobre isso.
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  - Pai, dá um tempo. - fora a maneira que ela dissera seu 'bom dia', passando por mim e se dirigindo à sala de jantar, onde realizávamos todas as refeições.
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  Eu não conseguia entender aonde eu havia errado. Por todos os anos em que eu e %Jennifer% tivemos filhos e os criamos, estive presente em todos os momentos importantes da vida deles. Todos eles me tratavam como se eu fosse apenas aquele que lhe dava a mesada no final do mês, época esta que eu era paparicado por eles.
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  Subo as escadas, enervado, e vejo Jonathan e Ezra prontos com seus uniformes passarem por mim sem dirigir suas atenções. Procuro dizer algo antes de vê-los descer as escadas, mas ouço a voz de minha mulher chamando no quarto de Belle:
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  - Nós devíamos conversar sobre nossos filhos. - falo sério e vejo %Jennifer% com seu robe de seda por cima de sua camisola e nossa menina de um ano em seus braços mais pálida do que o costume.
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  - Pode ser mais tarde? Belle acordou vomitando. - ela diz em expressão preocupada, me fazendo aproximar das duas. - Acho melhor ligar para o doutor Maxwell.
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  - Vou fazer isso. E então poderemos ter a conversa sobre nossos filhos? - coloco as mãos nos bolsos de meu roupão e a vejo concordar com a cabeça, provavelmente não me dando atenção. Vejo então seu olhar se desviar para mim e, como sempre, me surpreendeu:
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  - %Eth%, se for para falar sobre Will, eu acho que nós já chegamos...
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  - %Jennifer%, fui bem claro em dizer 'filhos' e não 'filho'. - digo sério e a vi levantar as sobrancelhas.
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  - Tudo bem, assim que Belle se acalmar, conversaremos sobre todos.
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  Sorrio e deposito um beijo em seus lábios, me virando e saindo do quarto. Entro em nosso quarto e pego o telefone, ligando para a secretária do médico da família, método mais eficaz de chamá-lo, já que Max estava tão caduco que não ouvia mais direito o toque de seu celular, muito menos o sentia vibrar em seu bolso.
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  Disse que estaria em casa dentro de uma hora. Respirei fundo e tomei uma ducha, sentindo meus olhos finalmente pesarem. Joguei-me na cama assim que me coloquei de volta em meu pijama e apaguei sem perceber.
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  Fui despertado pelo carinho recebido em meu rosto. Não pude deixar de abrir um sorriso ao sentir o doce aroma de minha mulher.
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  - Você precisa ir para a empresa.
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  - Estou exausto. - resmungo e ouço-a suspirar.
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  - Ficou acordado a madrugada novamente, não é?
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  - Tive que terminar alguns relatórios. - respondo com meus olhos fechados, sentindo o cafuné de %Jennifer%.
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  - %Eth%...
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  - Já falamos sobre isso. - minha voz sai autoritária e ela nada mais responde. O carinho é interrompido e abro um dos olhos a tempo de vê-la pegando o telefone e se dirigindo até a sacada.
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  - Olá Cynthia, é %Jennifer%. - sorrio ao ouvir a voz cheia de segurança de minha mulher; parecia que estávamos voltando há dezenove anos, quando ela me conquistava aos poucos com sua eficiência. - %Ethan% não comparecerá hoje na empresa, poderia adiar os compromissos para outro dia, por favor? - ela continuava tão eficiente como antes. - Sim. Peça para alguém vir buscar os relatórios que ele estava devendo, estarei em casa para atender. Obrigada.
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  Apesar de %Jennifer% não estar mais trabalhando, era inevitável eu recusar a ajuda dela, que tanto me conhecia, em alguns momentos de minha vida profissional. Ela sabia que o papel dela era me apoiar, além de cuidar e educar nossos filhos, mas, além disso, ela ainda tinha muito tempo para se dedicar somente a mim. Durante todos os nossos anos de casado, não houve um momento em que eu reclamei por falta de atenção de minha mulher. Sempre ao meu lado não só nos eventos e reuniões, mas também em minhas viagens e todos os dias na mesma cama que eu. Sua vida era dedicada a mim e à nossa família.
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  Ouço o telefone ser colocado de volta à sua base e a cama voltar a se mexer com um peso a mais. Abro os dois olhos e a vejo sorrindo para mim.
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  - Você é maravilhosa. - respondo com um sorriso.
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  - Eu tento. - ela se aproxima e deposita um leve beijo em meus lábios. - Quer que eu traga algo para comer?
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  - Que horas são?
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  - Já passam das dez e meia. - ela olha o relógio de pulso que eu havia lhe dado em seu aniversário de trinta e dois anos, há dez anos. Ela gostara tanto, que não o trocara por nenhum outro que lhe dei depois.
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  - Talvez seja melhor esperar as crianças para o almoço.
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  - Summer hoje tem treino da equipe de torcida, ficará até às dez no colégio. Os gêmeos tem aula de karatê depois da aula, só voltam às seis. Belle está adormecida por causa do soro que teve de tomar, imagino que só vá acordar depois do almoço.
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  - O que ela tem?
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  - Parece que é alérgica a abacaxi. Tive que jogar fora tudo o que tivesse essência de abacaxi em casa. - ela se deita comigo e me arranjo para tê-la em meus braços. - Pobrezinha, estava mesmo mal, adormeceu só há pouco.
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  - Mas irá melhorar? Precisa de algum tratamento ou medicamento em especial? – encaro-a preocupado. Seu sorriso fora o suficiente para me acalmar.
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  - Está tudo sobre controle. Foi só uma inchação, logo ela estará mais calma. Max disse que até domingo ela estará melhor, até lá, acho que vou dormir no quarto com ela.
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  - Pode trazer ela aqui. - murmuro e ouço sua risada.
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  - Você consegue ficar sem mim durante duas noites. E eu estarei apenas no quarto ao lado, se sentir tanto minha falta, poderá me fazer uma visita.
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  Abro um sorriso com seu humor matinal e beijo-lhe o topo da cabeça. %Jennifer% agora estava bem mais madura do que há anos atrás. Parecia que finalmente se acostumara com a posição de mulher milionária e ter toda a mídia atrás dela. Há dez anos, quando os gêmeos nasceram, tive de colocar mais seguranças e criar um seguro para ela, Will e Summer. Os paparazzis estavam impossíveis e ninguém da nossa família podia sair de casa sem serem quase assaltados pelas máquinas. Nenhum paparazzi poderia chegar a menos de dois metros de distância de qualquer um deles. A multa poderia ser até de trinta mil dólares, algo grande para quem apenas é contratado para conseguir uns bons flashes. %Jennifer% e as crianças são constantemente mencionadas em redes sociais e sites. As pessoas se sentem interessadas em nosso estilo de vida, e as mulheres, principalmente, no estilo de vida de %Jennifer%. Demorou um tempo para ela conquistar o respeito do mundo, mas, sendo da maneira que é, o mundo não lhe importava, desde que eu e nossos filhos estivéssemos felizes.
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  - O que quer conversar sobre as crianças? - ela pergunta depois de um tempo que nos mantemos calados e suspirei:
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  - Você me acha um bom pai?
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  Senti uma certa hesitação com a resposta e apenas quando ela se virou para mim com um olhar confuso que fui perceber que ela não havia entendido a pergunta:
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  - %Eth%, você é pai há dezoito anos, não acha um pouco tarde para se questionar sobre isso?
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  - Eu sei, eu sei. - falo impaciente. - É só que, vendo o comportamento deles comigo... Você me entende? Não parece que lhes eduquei bem.
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  Ouço-a suspirar e então a vejo se sentar, virando-se para mim sorrindo:
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  - Amor, você é um ótimo pai. Não há no mundo pai mais dedicado do que você, e sabemos que isso é um grande feito. - solto uma risada. - Não fique se preocupando com isso, as crianças apenas estão naquela fase que não se importam com a família e só querem se divertir.
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  - Você não acha que é um fardo muito grande carregar meu sobrenome?
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  - Você está perguntando isso à única pessoa desta família que escolheu por livre e espontânea vontade ter seu sobrenome? - ela responde com um sorriso irônico e dou outra risada. - %Eth%, não se preocupe. As crianças são bem educadas, você verá mais para frente.
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  - William já é maior de idade, achei que estivesse mais interessado na empresa. Na verdade, achei até que Summer tivesse algum interesse.
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  Quando toquei no assunto, vi a expressão de %Jennifer% diminuir para um pequeno sorriso. Eu sabia que ela estava sentindo o mesmo que eu, que também esperava que nossos filhos tivessem mais interesse em saber como seria o trabalho que teriam de fazer em breve pelo resto de suas vidas. E bem feita, como eu faço. Mas William apenas faz administração de empresas porque nós queríamos que ele fizesse isso, e Summer, que está no ano de decidir para que universidade irá, só pensa em escolher algo longe de nossa casa.
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  - Devemos apoiá-los em suas decisões. Independente de quais sejam. - ela diz séria. - Se eles acham certo quererem criar suas próprias carreiras, não seremos nós quem irá impedi-los.
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  - Mas...
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  - %Eth%. Nós havíamos concordado que seria assim. Eu sei que é preocupante ter cinco filhos e nenhum deles demonstrar interesse no negócio da família, mas não se desespere ainda, querido, há os gêmeos e nossa pequena Belle. Pode demorar alguns anos ainda, mas tenho certeza de que você não se importará de trabalhar por mais todo esse tempo. - ela sorri calma, me passando sua tranquilidade.
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  - Onde está aquele %Ethan% %Hart% autoritário, a quem ninguém nunca se atreveu a questionar? - pergunto com um sorriso. %Jennifer% se vira levemente para meu lado e diz:
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  - Ah, ele existe ainda sim, querido. - sinto sua mão acariciar meu rosto. - Fora de casa. - e dá uma piscadela, me fazendo soltar uma risada e beijar-lhe os lábios.
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