Respect

Escrita porNatashia Kitamura
Revisada por Any

Capítulo 1

Tempo estimado de leitura: 28 minutos

Ser um dos homens mais influentes e ricos do mundo não significa ter apenas o poder total dele. Significa também ter o controle dele. O mundo em suas mãos; era isso o que o próprio mundo queria. Infelizmente, não são todos que nascem com este dom. Felizmente, eu sou o 0,01% escolhido para ser o dono do planeta Terra.
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  O que quero dizer, é que o que eu quiser que o mundo faça, eles irão fazer. Isso não significa que eu possa trazer a paz mundial. Que eu possa fazer mendigos saírem das ruas, acabar com a criminalidade, prostituição, adultério, entre outros. Significa que se a minha economia cair, o mundo está perdido, pois eles dependem de mim para gerar seus próprios lucros. A economia gira em torno da minha lucratividade. E pode soar um tanto egocêntrico ou exagerado, mas o respeito que eu recebo nos países não é como o respeito que recebe o presidente dos Estados Unidos ou a rainha da Inglaterra. O meu respeito é generalizado. Afinal, por que eles me odiariam? Não sou eu quem os deixo na miséria, que os demito, que os fazem se sentirem miseráveis. Não sou eu quem os envio para a guerra, quem não se importa com suas vidas ou não lhe dá teto para se proteger da chuva e mantas para afastá-los do frio. Eu sou aquele que cria o que antes era impossível de se criar. Sou aquele que levanta um prédio gigante e o adoto como hospital. Eu invisto na moradia, criando lugares para pessoas de baixo nível, até aqueles que possuem uma renda tão alta que poderiam escolher nunca mais trabalharem na vida viverem. Eu faço um bem geral. Claro que nem sempre a vida é da maneira que gostaríamos que ela fosse. Eu colaboro para a obstrução da camada de ozônio. Eu incentivo na deixa do uso da mão de obra, gerando alguns desempregos. Eu não me importo se você está em uma crise interna, deveres são deveres, e se sequer desconfiasse que não pudesse pagar o que me deve, talvez não devesse fazer um acordo comigo.
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  Meu nome é %Ethan% %Hart%, e você com certeza já o ouviu em algum lugar. Seja na rádio, na televisão, da boca de um amigo ou do próprio presidente. Eles me adoram, os presidentes. Todos eles. Tentam me manter satisfeito para que eu possa manter minha empresa em seus países, gerando lucratividade e emprego para alguns engenheiros. Incentivando na educação e investindo nela. Eu sou o dono de todas as empresas de aço do mundo. Consequentemente, sou também dono das empresas petrolíferas. Não sei se você é muito familiarizado com a geografia, mas um barril de petróleo de uma tonelada que antes custavam 2 dólares, agora podem ter alguns zeros acrescentados em seu resultado final. Além do mais, acabei de me tornar também dono das empresas eólicas. E sabe o que isso quer dizer? Que a energia gerada pela ação do vento é toda minha.
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  Isso é poder. Isso é ter o controle da situação. Isso é ser rico. Você pode achar que tendo mais de mil dólares em sua carteira e um cartão de crédito com um limite de quinhentos mil signifique você é alguém. Sinto dizer, mas não é. Ser alguém agora é ser o que eu sou. Ao mesmo tempo em que me odeiam, me amam, e ao mesmo tempo em que querem minha decadência, não a querem. O segredo é: nasça rico e ao invés de pensar em gastar o que tem, pense em ganhar mais. Ambição para alguns é um defeito, para mim e meu modo de vida, é uma qualidade.
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  Meu pai era dono da empresa de aço de todo o Ocidente Sul. Obviamente, só com ele nosso lucro era de 2 bilhões anuais. Quando nos acostumamos a ter um salário destes, não há como nos contentarmos com menos. São as regras da vida, você aprende a ganhar uma coisa e quer sempre ganhar mais. Comigo não foi diferente. Meu pai veio a falecer quando eu ainda tinha 17 anos, o que deu o período de um ano para seus conselheiros e administradores fazerem a festa dentro da empresa. E é o que dizem: se não é seu, você não dá o devido valor. Logo que completei meus dezoito, fiz questão de liderar toda a empresa de modo que a fez sair da vergonha que estava, mesmo continuando ganhando meus 2bi anuais. Em dois anos, minha fortuna havia triplicado e minhas ações já não se limitavam apenas no aço, como também no petróleo. E agora, sete anos depois, o ar também pertence a mim.
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  Quando se vê uma vida assim, o que mais querem saber - principalmente as mulheres - é sobre minha vida pessoal e amorosa. Felizmente, posso dizer que nunca fui muito apegado às emoções. Mulheres na vida de um homem como eu significa gastar o dinheiro que eu consegui e aproveitar do meu status para aparecer. Para não complementar um visual de que minha vida é perfeita, há uma ligeira, mas importante restrição de que os conselheiros, apesar de eu querer extingui-los, ainda fazem parte da minha vida e ainda controlam parte dela. A parte pessoal, que, como puderam perceber, não é importante nem para mim.
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  O que acontece é que um homem renomado de vinte e sete anos e solteiro, de acordo com eles, não cria uma boa imagem do que se possam ver de administração pessoal. Ou seja, eu posso ser um sucesso em minha carreira profissional, mas nada se indica o mesmo em minha vida pessoal. Não sinto falta de mulheres ou vontade de ter animais com elas, nem muito menos filhos.
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  - Você precisa de filhos, senhor %Hart%. - depois de horas tentando me convencer de que eu precisava encontrar alguém para mim, Eiken, o único conselheiro a quem eu realmente presto atenção, disse pesaroso. - Sei que não faz questão, mas um herdeiro...
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  - Eu só tenho vinte e sete anos, pelo amor de Deus! - digo já nervoso, me levantando em frente aos vinte e sete homens e mulheres presentes na enorme sala de reunião no prédio empresarial da %Hart% e Co. - Vocês não fazem pesquisas sempre? Pois pesquisem então a idade média para um casal se casar e ter seus filhos. Já se passam dos trinta a época das mulheres finalmente terem seus bebês!
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  - Senhor %Hart%, o senhor pode ter certeza de que a vida dessas pessoas não é a mesma vida que o senhor carrega. - e lá vai começar a encheção de saco. Reviro meus olhos e coloco as mãos na cintura, uma pose que eles com certeza sabiam, de que eu estava impaciente e lutando para não aumentar meu tom de voz para falar alguma besteira. - A questão é que o senhor está perto dos trinta e não tem um plano pessoal para sua vida, senhor. O que estamos tentando...
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  - Eu sei o que estão tentando. - o corto grosseiramente. - Eu sei o que é bom para mim ou não, assim como também sei quando devo achar uma parceira. Mas que culpa tenho eu de toda mulher que se aproxima de mim, ser uma riquinha que acha que pode comigo?
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  - O senhor deve se esforçar, senhor %Hart%.
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  Olho para Eiken, que se mantinha calado, atento a tudo o que todos me diziam. O motivo pela qual ele tem o meu respeito, é porque ele sabe dizer as coisas em seus devidos momentos. Ele observa, analisa e então expõe suas opiniões. Posso dizer que dessa vez, não foi a meu favor:
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  - Vamos fazer um trato, senhor %Hart%. - o encaro sério. - Saia com algumas mulheres. Tente ter algo com elas. Não significa que o senhor estará se comprometendo a um casamento. Mostre que o senhor tem controle sobre sua vida pessoal. Se daqui um ano entendermos que o senhor tem razão, passaremos a não aborrecê-lo mais com este assunto.
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  Me endireito e encaro o resto da mesa. Ninguém o contradiz.
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  - Muito bem. Vou fazer isso. E espero que os senhores estejam cientes de que não irei aceitar nenhuma mulher que venha para cima de mim com uma desculpa de que me ama, sendo que seu amor é mesmo direcionado para minha conta bancária. - não ouço nenhuma contradição. Bato na mesa, descontando parte da minha raiva e me levanto. - Reunião terminada.
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  Assim que saí da sala de reuniões, minha secretária, Kara, veio até mim confirmando uma entrevista que eu teria de dar para a Oprah. Oprah, a rainha das causas sociais. Por que negros têm sempre de chamar a atenção por causa de sua cor? Não é porque somos brancos ou amarelos que não fazemos bem maiores como eles. Levanto a mão concordando e vejo algumas pessoas saírem de minha frente rapidamente ou desviando seus caminhos ao me verem nele.
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  Meu primeiro relacionamento fora com Catherine, uma herdeira colombiana não muito bonita, mas muito inteligente. Meu amigo %Sean% me dizia que quando saíamos todos juntos, não parecia exatamente que nós éramos um casal, uma vez que nós apenas conversávamos sobre economia e quando estávamos sozinhos, ela apenas queria fazer sexo.
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  - Você tem certeza que quer tentar algo com ela? - ele me perguntou uma hora quando estávamos em minha casa fazendo um churrasco. Minhas programações de diversão geralmente eram com a companhia de meus três e únicos melhores amigos. %Sean%, %Jason% e %Rick%, que eu sabia que não iriam nunca desejar a minha decadência. Nós agíamos em setores diferentes da economia. %Sean% cuidava da diversão com as produtoras de música e das maiores casas de show dos Estados Unidos, como a da Broadway. %Jason% podia ser considerado o dono de Las Vegas, já que, apesar de os donos terem seus nomes sempre redigidos em notas, quem tinha suas ações na verdade era %Jason%. %Rick%, por fim, estava ligado ao ramo de entretenimento indireto, as maiores emissoras de rádio, cinema e televisão era dele, portanto, todo o lucro que você via canais como a Warner, E!, HBO, Telecine e outros recebiam, grande parte ia para a conta bancária de %Rick%.
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  Para a minha surpresa, os três concordaram de que estava mesmo na hora de eu me arranjar com alguém. Mesmo eles não fazendo o mesmo que eu, era possível vê-los sempre com alguma companheira, com quem o relacionamento durasse mais de um ano.
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  - Eu tenho certeza de que não será ela a pessoa com quem eu irei criar uma vida pessoal. - respondo molhando a carne no sal grosso.
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  - Então por que está saindo com ela? - %Jason% pergunta.
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  - Porque quero mostrar para o conselho de que não é procurando que eu irei achar uma mulher que irá me satisfazer. - ouço a risada de %Rick% e desvio minha atenção para ele:
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  - %Eth%, você diz isso, mas se contradiz. - levanto uma sobrancelha. - Na entrevista com a Oprah há alguns meses, a resposta que você deu quando ela disse o que uma mulher deve fazer para te conquistar, você foi bem claro dizendo que...
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  - Aquela que me convencer de que poderá criar uma vida familiar comigo, será aquela que eu irei dar o meu sobrenome... Eu sei, %Rick%! - digo nervoso. Aprendi que não devo dar entrevistas para mulheres que acham que podem dar conta do mundo e doar metade de seu dinheiro a causas sociais e achar que melhorou o planeta onde vive. - Que culpa eu tenho das mulheres terem pensado automaticamente em se juntarem a mim para terem filhos?
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  - Bom, mulheres em geral quando pensam em família, a primeira coisa que se vem à cabeça depois de um casamento, são os filhos. Achei que soubesse disso, %Eth%. - %Jason% me questiona e eu balanço a cabeça.
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  - Quanto mais elas pedem para eu tirar a camisinha, mais eu tenho certeza de que não há mulher no mundo que não se importe comigo sem antes lembrar quem eu sou.
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  - Estarei eu enxergando uma ponta de mágoa no meio de toda essa dureza? - %Sean% brinca com minha cara e taco um pouco do sal grosso nele. - Hey! Só estou perguntando!
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  - Não estou magoado. Estou nervoso por ter de aturar tudo isso por causa de uma simples concepção do conselho. Ele é composto por 27 pessoas, não poderia algumas delas concordar comigo?
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  - %Ethan%. Nós não concordamos com você, espera alguma coisa do seu conselho idiota?
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  Não retruco %Jason% porque sabia que ele estava certo. Mas tê-los concordando com toda esta situação não me fez muito melhor.
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  Depois de dois meses juntos, Catherine estava um tanto acomodada com nosso relacionamento. As revistas e programas de televisão não paravam de falar sobre nós e haviam sempre paparazzi em todos os lugares possíveis. Ela pedia que eu fosse ao menos um pouco mais carinhoso com ela na frente dos outros, pois a observação de algumas revistas femininas era que ela não conseguiu me conquistar por completo. Sem reclamar ou pestanejar, passei a caminhar com ela envolta em meu braço, que apoiava ao redor de seu ombro. Fora questão de algumas horas para nossas fotos saírem na capa de alguma revista com a notícia de que nosso relacionamento estava indo de bom para melhor e que era possível ver o amor do novo casal. E eu me pergunto aonde eles viam algum resquício de amor.
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  Quando estava chegando ao fim do terceiro mês, eu já não aguentava mais ela exigindo minha atenção ou querendo que eu estivesse com ela em absolutamente todos os lugares. Fui até sua residência na Colômbia e rompi com ela. Foi um escândalo. Ela fez um escândalo, e no mesmo dia lá estávamos nós novamente nas capas das revistas e nos noticiários, desta vez, separados.
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  No mês seguinte fui apresentado à Charlotte, uma modelo francesa muito bela e com uma atitude muito forte. Me senti atraído por seu charme e seu perfume. Mulher esperta para mim sabia que usar um tipo de perfume só perante um homem, fazia com que marcasse o cheiro nele. Não durou dois meses. Charlotte, na verdade, era uma garota mimada de vinte e três anos que sonha em se casar, ter filhos e nunca mais precisar trabalhar. Era melosa, infantil e definitivamente se aproveitava de meu status e meu dinheiro para seu bem próprio. Antes mesmo de chegarmos ao um mês e meio juntos, eu já estava me encontrando com Keite, a australiana despreocupada com os deveres mundiais e preocupada com os problemas ambientais.
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  Keite era o oposto de Charlotte, o que no início me fez sentir seguro de que estava indo no caminho certo. Ia até a Austrália visitar o lugar onde ela morava - um espaço afastado da cidade, até demais. Fora uma das que eu mais gostei da companhia e que mais durou o relacionamento. Ela não gostava dos Estados Unidos, então eu me esforçava para ir visitá-la em seu país de origem, o que levava os tabloides a dizerem que eu finalmente estava sendo conquistado. Doce ilusão. Quatro meses depois eu estava dando adeus à Keite e seu coala de estimação, Hunk. Ela era uma mulher adorável e agradável de se conviver. Mas pouco preocupada com o dinheiro. Na verdade, sua preocupação com a economia era de menos dez. E uma mulher que não se importasse com a minha vida e o meu status social não era uma mulher que eu procurava. Ela poderia não gastar o meu dinheiro, mas não iria me parabenizar por meus ganhos e nossas conversas iriam ser apenas sobre os problemas ambientais de lugares como a Amazônia, no Brasil. De problemas em minha vida, já bastam os meus.
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  A próxima fora Alessandra, uma brasileira médica renomada. Durou um mês. Conversas sobre partos e doenças causadas por transmissão não era um assunto muito bom no meio de uma refeição. Além do mais, Alessandra culpava às indústrias pela poluição e diminuição da expectativa de vida da população mundial. Ela que me perdoe, mas as indústrias são minhas, e qualquer mulher que não respeite o meu modo de vida, não merece minha atenção.
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  Já fazia quase dez meses que eu estava nesta situação. Enrolando e desenrolando. Gostando e desgostando, mas nunca me apaixonando. Depois de um tempo, eu ganhara o título de 'O solteiro impossível'. Havia diversas mulheres ousando para cima de mim nos eventos que eu era obrigado a ir. Algumas eu levava para hotéis, outras para motéis, e outras sequer dava um indício de que daríamos certo. No final das contas, nenhuma dera certo.
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  Um ano se passara e eu tive mais de dez mulheres para provar ao conselho de que mesmo eu me esforçando - oras, eu fui até a Austrália, França, Brasil e Colômbia, não? - não havia mulher no mundo para mim. Eles pareceram se contentar com o caso e não questionaram mais o assunto, me deixando em paz com minha vida de solteiro. Pelo menos minha vida sexual fora agitada.
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  O que as pessoas não entendem, é que eu valorizo o que eu tenho. Eu mantenho intacto tudo o que eu ganho. Meu trabalho é minha vida. E é com ele que eu sou casado. O trabalho trás felicidade, dinheiro, bens materiais, o que traz uma mulher de bom? Um orgasmo. Talvez dois. Nunca três. O fato é que, por não aparecerem mulheres que me mostrem que podem ser valorizadas e merecem o meu respeito - nem mesmo minha mãe, devo acrescentar - a imagem delas comigo é de nada mais do que um pecado cometido por alguns. Um objeto que todo homem deseja ter, mas não manter. Não é à toa que há mais gays do que lésbicas no mundo, mesmo com o percentual de mulheres ser incomparavelmente maior do que o de homens.
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  Depois deste ocorrido, eu decidi observar as mulheres ao meu redor. Na empresa, nos eventos, nos consultórios. Todas, sem exceção, possui um 'quê' de desejo quando as pego me encarando. Como homem, sei que devo fazer minha parte retribuindo, as fazendo entrar em meu carro, nunca em minha casa. Como o que sou, nenhuma me deu um gosto de 'quero mais'.
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  Cinco meses depois, tudo continuava a mesma coisa. Ações aumentando, dinheiro nascendo em minha árvore e eu mudando de carro e comprando uma ilha nas Bahamas. Eu compro para lidar com minha satisfação de saber que eu tenho, pois ir até todas as casas que comprei ao redor do mundo seria desgastante e não valeria a pena. Afinal, sozinho nada é divertido e mulheres não entram em minha casa, se não for para limpar ou levar um bom resultado do relatório mensal de minha empresa.
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  Acontece que desta vez, depois de seis anos dentro da empresa, não fora Kara quem tocara a campainha de casa, mas sim uma garota bem vestida, com o que eu identifiquei como uma de minhas empregadas, uma vez que ela carregava em mãos, uma pasta com o logo da minha empresa.
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  - Quem é essa? - pergunto ao segurança, a vendo pela câmera de segurança de meu escritório, quando este me interfonou pedindo a permissão de deixá-la entrar.
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  - %Jennifer% %Mendes%, senhor, se diz ser a assistente de Kara.
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  - Trouxe os relatórios do mês de Junho. - ouço a voz da garota de fundo e levanto uma sobrancelha. - Diga que Kara está no hospital com licença médica por causa da gravidez e eu fiquei responsável no lugar dela.
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  - Deixe-a entrar. - respondo, desligando na cara do funcionário. Passo meu olhar para meu computador e digito algumas coisas, antes do mordomo bater à porta, apresentando a tal %Jennifer%. Faço um sinal com as mãos para que ela entrasse e ele logo se retirou ao vê-la parada no meio de minha sala, de frente para mim. Digito mais algumas coisas em meu computador, enquanto digo: - Vai ficar parada aí ou vai me entregar o relatório? - estendo meu braço para receber o documento e ouço um 'desculpe', sentindo a pasta em minhas mãos logo depois.
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  - O senhor deseja...
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  - Desde quando Kara está de licença e por que não fui informado disso? - digo ainda não a encarando, as estatísticas não estava muito boas para um final de semestre. - Diga a Reitor que se o setor de criação não melhorar em quarenta e sete por cento, ele pode se considerar rebaixado de cargo.
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  - Sim senhor. - levanto meu olhar a tempo de vê-la com uma caneta em mãos e um pequeno caderno.
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  - O que diabos está fazendo? - ela levanta seu olhar para mim.
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  - Anotando o pedido...
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  - Faça isso agora. - perco minha paciência. - Por que não me respondeu sobre Kara?
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  - Kara está afastada já faz uma semana. Irá ficar os próximos seis meses de licença por causa da gravidez. Disse que informara o senhor há sete meses, quando...
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  - Ela espera que eu me lembre o que ela disse há sete meses atrás? - que audácia de mulher! - São vocês quem devem se lembrar do que eu falo a até três anos atrás!
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  - Sim senhor.
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  - Por que não ligara para Reitor?
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  - Já vou...
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  - Por que está saindo da sala? Afinal, Kara te deu algum treinamento?
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  Ela se manteve calada. Respiro fundo e massageio minhas têmporas.
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  - Há quanto tempo você está na empresa?
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  - Quatro anos.
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  - Quatro anos... - repito. - E durante esses quatro anos, o que você aprendeu?
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  - Que não devo me relacionar com outros empregados ou dirigir a palavra ao senhor.
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  Levanto minhas sobrancelhas. Uma empregada minha foi treinada a não me dirigir a palavra. Isso é interessante.
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  - Quem te ensinou isso?
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  - Senhorita Guill. - ponto. Tina Guill e eu tivemos um longo relacionamento de um ano e três meses há cinco anos e ela continua até hoje achando que podemos voltar a reatar. Uma mulher sensata que me faz perder trezentos milhões por recusar uma oferta do que então se tornou meu maior concorrente definitivamente não poderia cogitar a ideia de um reato. Definitivamente Guill não tem o dom da sensatez.
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  - E o que você faz?
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  - Sou secretária de Kara. Ela me deixou seu cargo assim que soube que iria se ausentar por seis meses.
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  - E o que ela te ensinou?
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  - Todo último dia do mês, no fim da tarde, devo vir até sua residência lhe entregar as estatísticas e relatórios do mês. O senhor as recebe e eu vou embora. Devo sempre anotar tudo o que o senhor pede para completá-las longe do senhor.
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  Me mantenho calado. Se era isso o que Kara fizera nos últimos seis anos, talvez eu devesse ser mais perceptível. Não pude retrucar as orientações, então fiz o que devia fazer para me deixar pensar no assunto:
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  - Vá ligar para Reitor e volte aqui.
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  - Com licença. - ela rapidamente se afasta, saindo da sala. Respiro fundo mais uma vez e volto a encarar os relatórios. Demorara cerca de quinze minutos até ela retornar à sala.
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  - Então... - a incentivo vendo que ela não iria começar a falar sem que eu desse a deixa.
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  - Disse que fará o possível.
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  Dou uma risada.
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  - Fará o possível! - encosto em minha poltrona e então desencosto a encarando. - Me diga, %Jennifer%, é %Jennifer%, não é? - a vejo concordar com a cabeça. - Me diga, %Jennifer% - repito. - Se recebesse uma ordem dessas, você diria que 'fará o possível'?
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  - Talvez...
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  - É claro que não! - bato a mão na mesa, a fazendo pular com o susto. - Uma coisa que deve aprender, %Jennifer%, sente-se. - aponto para a poltrona em minha frente. - É que eu não gosto do 'possível'. Eu gosto do 'certeza'. - apoio minhas mãos em minha mesa, vendo-a me dar toda sua atenção e não mostrar uma expressão nervosa ou receosa. Ela parecia acomodada. - Eu não gosto de ficar na dúvida, se é que você consegue me entender. Dúvidas não me trazem lucratividade.
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  A espero concordar comigo, mas ela nada diz.
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  - O que você faria? - pergunto e ela imediatamente abre a boca para responder:
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  - Tiraria Reitor da direção e colocaria Querr.
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  - Querr? Adam Querr? Você o colocaria na direção? - levanto as sobrancelhas. Querr é o homem nerd com os olhos fora de foque e uma imaginação inimaginável. Era bom com design gráfico, mas péssimo para se comunicar. Colocá-lo na direção seria suicídio. - A senhorita tem alguma relação com ele?
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  - Não devo me relacionar com outros empregados. - ela diz calma. - O indiquei porque não o vejo apenas como o nerd esquisito como todos os outros empregados da empresa e o senhor, senhor %Hart%. Vejo o potencial dele em enxergar o futuro de uma maneira diferente e agradável aos olhos de nossos clientes. Se essa energia dele passar para o resto da equipe, será uma equipe de pessoas com uma visão do futuro melhor para a empresa, aumentando a criação e consequentemente a lucratividade que o senhor tanto valoriza.
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  Não pude deixar de me sentir ofendido com a última afirmação dela, mas sua ideia não era tão má. Kara geralmente dizia que concordava comigo e fazia tudo o que eu mandava. Mais um ponto de interesse acrescentado à secretária da secretária.
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  - Kara não mencionou que eu não gosto de ser questionado?
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  - Mencionou.
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  Levanto minhas sobrancelhas mais uma vez. Dois pontos a mais. Então ela era excêntrica. Bom, bom.
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  - E mesmo assim você arrisca a fazer o que não se deve?
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  - Ninguém nunca me disse que expor uma opinião para meu chefe quando ele me pergunta era proibido.
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  Volto a encostar em minha poltrona com um cotovelo apoiado no braço dela. A observo e então encaro o relatório, jogando-a em sua frente.
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  - Faça isso. Coloque Querr na direção e diga que eu mandei. - a vejo pegar a ficha. - Se o lucro da empresa crescer em no mínimo vinte e cinco por cento, você continua na empresa, senhorita %Mendes%. Senão estará demitida.
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  - Sim senhor. - havia algo nela que me perturbava. E eu sabia exatamente o que era.
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  Ela não tinha medo de mim e do meu poder.
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