Paralyzed

Escrito por Nindy P. | Revisado por Andressa

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  Terminamos o ultimo show da turnê, em New York, e depois do show atenderíamos alguns fãs para autógrafos. Nós fomos para a sala onde faríamos isso, e lá aguardamos uns dez minutos. Seriam apenas cinco fãs, atendidos individualmente. O primeiro fã, ou um mini fã, foi um garoto de aparentemente uns oito anos.
  - Carlos, onde está seu capacete? - o menino perguntou.
  - Cara, eu acho que o Logan escondeu ele de mim! – Carlos riu, e o menino me olhou assustado.
  - Juro que não tenho nada a ver com isso. – eu disse.
  - Espero que não. – Carlos me olhou falsamente bravo.
  Depois de alguns minutos o garoto teve que sair por ordem dos seguranças.
  - Engraçado como sempre perguntam do seu capacete, e quase nunca do meu pente da sorte. – James resmungou a Carlos, e todos rimos.
  - As vezes acho que eles levam a série a sério demais. – Kendall observou.
  O segundo fã entrou na sala, era uma garota baixinha e de cabelos cacheados e muito pretos.
  - Oi, sou Irina. Tenho catorze anos e adoro o trabalho de vocês! – ela anunciou.
  - Obrigado! – dissemos em coro.
  Em seguida a moça nos abraçou, e começamos uma animada conversa sobre possíveis covers que deveríamos fazer.
  A terceira fã era uma garota tímida, loira e de olhos claros. Nós fizemos algumas gracinhas para quebrar a tensão em que a menina se encontrava, mas não sei se adiantou muita coisa. Ou ela era extremamente nossa fã, e por isso estava nervosa; ou a gente realmente conseguiu assustá-la.
  A quarta fã, era do tipo maluca. Portanto a permanência dela na sala, não durou quase nada, já que os seguranças tiveram que tirá-la a força do local. Tudo porque ela havia tentado beijar Kendall, sem a permissão dele, é claro.
  Por fim estávamos aguardando o quinto e ultimo fã. Quando uma as portas se abriram, uma linda moça caminhou até nós, sorridente.
  - Oi! – ela disse.
  - Oi! – respondemos.
  Ela deu um abraço em cada um, me abraçando por ultimo. Quando ela o fez, pude sentir o doce perfume de sua pele. Era maravilhoso. Fiquei estudando a garota com os olhos. Queria dizer algo a ela. Algo quem nem mesmo eu sabia o que era, mas eu me sentia paralisado.
  - Sim, eu sou daqui mesmo. É uma pena que seja o ultimo show de vocês aqui em NY, nessa turnê. Vou ter que esperar até a próxima para vê-los novamente. – a garota disse respondendo a uma pergunta de algum dos garotos; a qual eu não ouvi.
  - Qual de nós é seu preferido? – Carlos perguntou piscando em seguida. Aquilo estranhamente me incomodou.
  - Eu gosto de todos, oras.
  - Nããão, sempre tem um favorito! – James disse.
  - Ah, é estranho responderessa pergunta diante de todos vocês; é meio... sei lá. – ela disse claramente constrangida com a pergunta.
  - Pode dizer, não tem problema. Estamos acostumados com a rejeição. – James disse dramaticamente, brincando.
  A garota riu e finalmente respondeu:
  - Tudo bem. Vocês venceram! Meu preferido é o Logan.
  Dito isso, ela me olhou e sorriu. E eu tenho certeza que estava parecendo um idiota, olhando-a com um largo sorriso no rosto.
  - Eu tenho até uma tatuagem em homenagem a ele. – ela comentou.
  - Posso ver? – perguntei bobamente.
  - Claro! – disse sorrindo.
  Então a garota afastou a manga da blusa que usava, e eu pude ver em seu ombro; tatuado em sua pele, o meu nome: “Logan P. Henderson’’ era o que estava escrito, e do lado havia um pequeno coração.
  - Eu também quero ver! – exclamou Carlos, e a garota foi para perto dele.
  - Limpa a baba. – Kendall cochichou para mim.
  - Cala boca. – respondi.
  Em seguida o segurança se aproximou dizendo que a moça devia sair. E assim ela fez, depois de abraçar a todos novamente. Ela se foi. Mas seu perfume havia ficado.

(...)

  Estava em casa. Deitado em minha cama, quando o rosto dela veio aos meus pensamentos, pela trigésima vez no dia. Já se faziam duas semanas, mas a garota da tatuagem era presença constante em minha mente. Ela nem havia dito seu nome. Quando uma pessoa fica presa em seus pensamentos, já é algo embaraçoso. Imagine então quando só se viu essa pessoa uma única vez, e não se sabe seu nome, endereço, e muito menos se algum dia voltaria a vê-la. Atormentado, me levantei, peguei a chave do carro, e saí decidido a ir até a casa de Kendall, ele me ajudaria. Precisava falar com alguém, antes que eu ficasse louco.
  Chegando lá, Kendall me recebeu animado, me chamou para uma partida de vídeo-game, mas eu neguei; queria falar logo o que eu tinha pra falar.
  Contei a ele sobre a garota que visitava meus pensamentos frequentemente. Que seu rosto, seu perfume, seu sorriso, não saíam dos meus sonhos.
  - Cara, suspeito que você está apaixonado. – foio que ele disse.
  - Cara, acho que isso eu podia suspeitar sozinho. – respondi irônico. – O problema é: o que eu faço?
  - Você tem duas opções, caro amigo.
  - Quais seriam estas?
  - Esquecê-la ou procurá-la.
  - Eu já tentei esquecer, mas se isso fosse fácil, eu não estaria aqui. Simplesmente não é possível.
  - Então só te resta procurar a garota.
  - Mas como? Eu não sei nada sobre ela.
  - Na verdade sabe. Ela mesma disse que era de NY.
  - Sim, e que ela iria no nosso próximo show lá. Mas sabe quando que voltaremos lá? Só na próxima turnê! Se eu continuar assim, vou enlouquecer até lá.
  - Vai atrás dela! Procure informações, sei lá.
  - Como? A única coisa que sei é que ela é de NY. Mas você sabe quantas pessoas existem em NY? São muuuitas pessoas! As chances de esbarrar com ela na rua são muito remotas.
  - Pois é. Isso é um problema... Mas não é só isso que sabemos sobre ela. Você também sabe que ela tem uma tatuagem em sua homenagem.
  - E em que isso ajuda?
  - Espera aí.
  Kendall saiu da sala e voltou pouco tempo depois trazendo seu notebook em mãos.
  - Olhe e aprenda. – ele disse.
  Abriu o pequeno computador e entrou em sua página no twitter. Em seguida, tweetou:
  "@HefronDriveHeyGuys! Tudo certo? Tô com uma curiosidade... Por acaso alguém aí, tem uma tatuagem em homenagem ao BTR?"
  Eu realmente pensei: "Que ele pensa que tá fazendo? Até parece que aquilo ia adiantar alguma coisa". Olhei pra ele e disse:
  - Você bebeu? Tem noção de quantas replyes você vai receber? – Não que eu achasse que todas tinham uma tatoo ou coisa do tipo, mas as fãs sempre mandam reply quando tweetamos algo, seja o que for. – Acha mesmo que vai dar pra achar ela aí?
  - Bom... – ele pensou um pouco – Já sei!
  Então ele começou a digitar um segundo tweet.
  "@HefronDrive Quanta gente! Vamos fazer assim: mandem a foto da tatoo, o nome de sua cidade e usem a tag #TatooRusher".
  - Melhorou né?
  - Agora, talvez, pode ser que ajude.
  - Vamos esperar um tempo.
  Passados alguns minutos; Kendall então fez uma busca no twitter por "@HefronDrive NY #TatooRusher." Apareceram alguns resultados, e fomos olhando de um em um. Tinhas tatuagens bem legais, mas nenhuma era a que eu procurava. Quando Kendall ia fechar a página, apareceu ‘’1tweet’’.
  - Cruza os dedos. – ele me disse.
  Clicou na atualização, e em seguida no link da foto anexa a ela. Lá estava, "Logan P. Henderson" e um coração. Achamos quem eu procurava.
  - Woo Hoo! – Kendall brincou.
  - Cara você é genial!
  - Agora né? – ele exclamou – mas nem precisa agradecer. E agora você sabe que o nome dela é .
  - E o que eufaço agora?
  - Sei lá. – rimos nervosos.
  Peguei o notebook das mãos de Kendall, e entrei em minha conta no twitter, em seguida entrando na página dela. Na bio do twitter dela, por sorte, havia um endereço de email. Então eu soube o que fazer.
  "Gostariamos de fazer uma entrevista, para um documentário sobre fãs. Chegou ao nosso conhecimento, que a senhorita possui uma tatuagem em homenagem a banda BTR. Mandaremos uma equipe para New York. Aguardamos sua confirmação, e sugestão para o local da entrevista.
  Obs: Pedimos sigilo quanto a esse convite. Agradecemos.
  Equipe Big Time Rush."
  Foi o que eu escrevi no email que mandei a ela.
  - UAU! – Kendall disse. – Você devia ser ator! – ele brincou e eu bufei.
  - Você não queria que eu dissesse a "verdade" – fiz aspas no ar – por email, não é?
  O notebook deu sinal de que havia chego um novo email. Abri de imediato.
  "Oi! É claro que eu quero participar. Podem contar comigo, não vou espalhar. Podemos fazer a entrevista em um parque que existe aqui perto de casa (mandarei fotos e endereço em anexo). Lá é bem tranquilo. Se concordarem, me mandem data e hora, e estarei lá.
  By: ."
  Sorri ao ler o e-mail. Meu plano estava dando certo. Respondi-o, marcando o encontro para uma semana depois.
  Saí da casa de Kendall, depois de ter agradecido muito pela grande ajuda. Fui pra casa, tentando pensar em uma maneira de dizer a ela que ela não saía de meus pensamentos, e imaginado qual seria sua reação. Quase não dormi naquela noite. E assim se passaram os dias.
  Lá estava eu, em NY; indo ao encontro daquela que me tirava o sono. . Cheguei ao tal parque; propositalmente atrasado, e de longe pude vê-la. A reconheci de imediato, fiquei impressionado ao perceber que minhas lembranças não faziam justiça a beleza de . Ela era linda. Fui chegando perto dela, devagar; mas ela logo notou minha aproximação e se virou. Me encarou por alguns segundos, ainda sem reação, e de repente me abraçou. O toque da pele dela na minha, me fez arrepiar. O cheiro dela indo de encontro a minhas narinas me fez estremecer. Nunca tinha me sentido assim.
  - Eu não posso acreditar que é mesmo você! – ela disse, ainda em meio ao abraço.
  - Eu precisava te ver. – eu disse e ela me soltou do abraço e olhou e meus olhos, confusa. – Preciso falar com você.
  - A tatuagem? Pro tal documentário?
  - Não existe documentário algum. Eu inventei isso, pra poder te achar. – confessei e ela me olhou ainda mais confusa. Então continuei. – Olha, eu não sei o que tem acontecido comigo. Desde quando eu te vi, você não sai da minha cabeça, eu penso em você o tempo todo. Até quando eu durmo você aparece nos meus sonhos. Eu não consigo entender, nem espero que você entenda, mas é mais forte do que eu. Sinto que preciso de você.
  - Mas eu entendo. - ela disse e foi a minha vez de olha-la confuso. – É assim que me sinto em relação a você. Desde que vi você pela primeira vez, na TV, você passou a ser parte de mim, Não consigo me imaginar sem você. É forte, é diferente.
  - Será que é... amor? Digo, será que é mais que amor fã-ídolo?
  - Eu não sei, adoraria descobrir. – ela sorriu tímida e baixou a cabeça em seguida.
  Em um movimento impulsivo, coloquei a mão em seu queixo, e levantei seu rosto; fazendo com que seus olhos ficassem fixos nos meus.
  - Então vamos descobrir juntos. – eu disse e selei nossos lábios, sentindo coisas que as palavras não conseguiriam descrever. Ali era o começo de uma grande estória.

FIM



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