Our Son II - Custody
Escrito por Samara Dias | Revisado por Paulinha
Prólogo
A história até aqui...
A única coisa que queria era um filho. Tinha perdido sua família há pouco tempo e apenas um bebê poderia preencher aquele vazio que ficou por isso ela optou por uma inseminação artificial. Não queria dividir seu filho com ninguém.
O problema foi que, por obra do destino, ela e o dono do espermatozoide se conhecem, e descobre que ele é um integrante do One Direction. A partir dali ela apenas quer esquecer que sabe a identidade do pai de seu filho. Ela não quer ter nada a ver com ele.
havia doado seu espermatozoide por culpa de uma aposta idiota com seus colegas de banda. Ele não queria nem se lembrar do fato, mas assim que fica sabendo que uma mulher havia escolhido o seu espermatozoide para fazer uma inseminação artificial, uma pequena curiosidade começa a surgir dentro de si.
Por culpa do acaso, ele acaba descobrindo a identidade dessa mulher e que entre eles há amigos em comum. resolve ajudar por fora, sem se envolver, mas ao participar do nascimento do pequeno Samuel, no primeiro olhar, ele se apaixona completamente pelo garoto e quer apenas poder vê-lo, participar da vida dele.
O problema de tudo é que não quer isso, não quer toda a bagagem que vem junto do jovem, lindo e famoso . Mesmo sentindo algo diferente em seu coração sempre que está na presença dele.
Após anunciar sua decisão de querer que o mesmo se afaste dela e do filho, não se vê com outra alternativa: ele pede a guarda do Samuel. Depois de mostrar na audiência todos os problemas financeiros pelos quais estava passando, o juiz determina um acordo no qual tem permissão de ver o filho uma vez na semana. E se vê desolada por ter que dividir o Samuel com ele, e com um ódio mortal do pai de seu filho.
Capítulo. 01
Julho de 2013
A única coisa que queria era andar o mais rápido possível até o seu carro. Sua garganta estava sufocada com o choro contido e ela não sabia quanto tempo mais iria aguentar.
Saiu de dentro da sala com as pernas bambas, mas ainda assim não demonstrando fraqueza alguma. Tinha consciência de que estava andando logo atrás dela e juntou o resto das forças que ainda possuía para continuar firme. Olhou com alívio o imenso corredor que levava até a saída do local e começou a dar passos rápidos até lá.
- ? - Quase perdeu o equilíbrio quando escutou a voz de chamando seu nome tão próximo. Virou um pouco sua cabeça e o viu andando ao seu lado. - Precisamos conversar. - Ela parou de andar e ele também.
- Não temos nada pra conversar agora. - disse com a mágoa e a raiva bem presentes em sua voz. - Você conseguiu o que queria, . Não posso te impedir de ver o Samuel. - Ela deu meia volta e continuou a andar, agora mais apressadamente. ficou parado por alguns segundos, mas voltou a segui-la. Correu um pouco pra conseguir alcançá-la, mas ela não parou.
- Mas nós precisamos conversar! - Ela o ignorou. bufou de frustração. - Precisamos combinar o dia que eu vou poder ver o Samuel! - parou de supetão, fazendo ter que retroceder alguns passos por tê-la ultrapassado.
- , você tem o número do meu celular. Liga no dia que você puder ir e eu vou ver se vou poder te receber. Agora não tem como eu ignorar suas ligações mais, infelizmente. - Ela suspirou, massageando as têmporas e fechando os olhos. - Só, me deixa em paz hoje, ok? - Voltou a encará-lo e ele percebeu seus olhos cheios de lágrimas. Não conseguiu reagir além de acenar positivamente com a cabeça.
Quando se virou para ir embora mais uma vez, ele não impediu. Apenas ficou observando ela se afastar e pensando que, pela primeira vez, ele conseguiu fazer uma mulher odiá-lo.
Julho de 2013
- Ah, amiga! Não fica desse jeito! - só conseguia soluçar nos braços da Gio. - Pensa bem, você só vai ter que suportar o uma vez na semana! A guarda do Samuel ainda é sua!
- Você não entende Giovanna! Ele estragou tudo! Eu o odeio com todas as minhas forças! - Giovanna soltou um suspiro e se calou, já que pelo tempo que conhece , tinha o conhecimento de que aquele ódio não sumiria tão cedo.
se acalmou depois de alguns minutos, principalmente quando escutou o choro vindo do berço. Ela se levantou, enxugou as lágrimas e respirou fundo. Nove meses. Ela só precisaria suportar tudo aquilo por nove meses. Teria a guarda do seu filho depois disso e daria um jeito de manter afastado.
Ela era forte, iria conseguir suportar mais aquele tormento.
Procuraria fazer com que tropeçasse que ele fizesse algo fora das regras daquele acordo para que perdesse as poucas chances que tinha de tomar seu filho dela. A partir daquele dia ela saberia tudo sobre e, se possível, faria da vida dele um inferno.
Ele se arrependeria amargamente de fazê-la passar por tudo aquilo.
observava Samuel dormir em seu colo pensando em como o filho era a única razão dos seus sorrisos nos últimos meses. Ele havia preenchido o vazio do seu coração com alegria e amor. Sentimentos que há muito tempo tinham sido distanciados da vida dela. Não havia nada que não fizesse por seu bebê. Ela agora entendia o que a sua mãe queria dizer quando falava que ela e os irmãos eram tudo na vida dela.
Sorriu ao ver o filho cuspir o bico, depois abrindo e fechando a boquinha algumas vezes. Seu cabelo já começava a dar sinais de que iriam escurecer um pouco, o loiro já estava sendo preenchido por alguns fios castanhos. Ela sabia que era uma questão de tempo os fios se tornarem ondulados já que havia fotos dela quando criança com o cabelo bem liso. Só depois dos cinco anos que ele começou a ondular.
O celular dela começou a tocar I Want, a única música do One Direction que ela conhecia, apenas porque foi o Tom quem a escreveu. Ela havia colocado aquela música para o número do na época que ele estava em turnê, assim ela nem se incomodava em atender.
Samuel tomou um susto com o barulho e abriu seus olhos . começou a niná-lo mais uma vez enquanto se levantava e pegava o celular que tocava alto em cima da cômoda.
- Oi. - Falou assim que atendeu, silenciando o barulho. Samuel fechou os olhos quase que automaticamente, mas não deixou de niná-lo.
- . - disse com a voz baixa.
- Você acordou o Samuel. - Ela disse com raiva, para provocá-lo. queria provar que ele não era um bom pai e jogaria na cara dele todos os indícios que conseguisse identificar.
- Ah, desculpe! Você não me disse que horas eu poderia ligar. - bufou antes de ir até o berço e deitar o Samuel lá com cuidado para não acordá-lo.
- Eu me lembro de ter dito pra você me deixar em paz hoje! - Ela acusou controlando a voz para não gritar. Andou pra fora do quarto levando a babá eletrônica com ela, assim não acordaria o filho se perdesse o controle.
- Desculpe. - Foi a única coisa que ele disse. soltou o ar pesadamente.
- O que você quer ?
- Quero ver o Samuel. A última vez que eu o vi foi naquele dia... - Ele não precisava completar pra saber a que dia ele se referia. O dia que ele havia voltado da turnê. - Posso ir amanhã? - mordeu o lábio inferior com força.
- Que horas você pretende vir? - Disse com ar cansado. Não tinha como fugir daquelas visitas, era melhor que acontecesse logo de uma vez.
- Tenho que encontrar os caras pela manhã, mas estou com a tarde de folga. Depois de 13h, pode ser?
- Tudo bem. - soltou o ar, aliviado. Imaginou que não iria cooperar com o acordo, que iria dificultar suas visitas ao filho, mas agora ele viu que não.
- , eu...
- Até amanhã . - desligou o telefone no mesmo segundo. O único assunto que ela e tinham pra tratar, era sobre suas visitas. Nada mais.
Voltou para o quarto para dormir, já sabendo que aquela noite ia ser longa e que a insônia iria persegui-la. Tudo por causa da preocupação em saber que no dia seguinte estaria em sua casa.
Julho de 2013
- Oi. - ignorou o cumprimento e apenas se afastou indicando pra ele entrar. o fez, parando ao lado da porta e vendo a mesma sendo fechada por . Deu uma olhada ao redor e percebeu que, apesar dela não ter muita condição financeira, tinha uma casa bem bonita, organizada e móveis de bom gosto. - Bonita casa! - Disse assim que passou por ele. Ela parou alguns passos à frente e virou para olhá-lo. - Tá tudo bem com você? - Ele perguntou, começando a ficar constrangido com o silêncio e a frieza da parte dela.
- Não é da sua conta ! - respondeu com grosseria. Ele ficou surpreso. - Vamos esclarecer uma coisa por aqui. - Ela disse, gesticulando com as mãos. - Eu estou sendo obrigada a isso, mas não vou usar a minha educação com você. Você está vindo aqui para ver o meu filho e só. Não precisa conversar comigo mais do que o essencial, tanto pessoalmente como por telefone. Entendeu?
estava sem palavras. Assim que compreendeu o que ela queria dizer realmente, deu um sorriso debochado.
- Quer dizer que nós só vamos conversar sobre as minhas visitas ou sobre o Samuel? - Ela concordou com a cabeça, cruzando os braços juntos ao peito e erguendo o queixo pra parecer superior. - Meu Deus! Você é muito difícil de lidar, sabia? - Ele continuava sorrindo, o que irritou muito a .
- Sou assim com quem merece. - Respondeu de um jeito rude. concordou com a cabeça.
- Tudo bem! Entendi! - Ele ergueu as mãos, em sinal de defesa. - Eu só estava tentando ser educado, mas não faço questão de conversar com você. - tentou controlar a pequena dorzinha que preencheu seu coração. Que merda era aquela?
- Ótimo! - Foi o que ela disse assim que conseguiu encontrar a sua voz. - Vou te mostrar onde fica o quarto do Samuel. - Ela não esperou confirmação, começou a andar em direção ao quarto.
observou o local e viu como tudo era bem simples, mas bonito. Ao longo do corredor alguns quadros de fotos preenchiam as paredes dos dois lados. Ele enxergou uma foto onde cinco pessoas estavam entre elas. Havia uma menina abraçando ela de lado, um pouco mais alta e do outro lado um rapaz.
Os irmãos dela, ele imaginou.
Logo ao lado do rapaz estava uma mulher de óculos e um homem alto. O cenário era com certeza uma festa de Natal por causa da presença da árvore ao fundo e outros enfeites.
Ele não pôde deixar de notar que era uma família bonita. Imaginou que aquela fosse a última foto que eles tivessem tirado, todos juntos, lembrando-se do que havia lhe contado na festa de ano novo na casa dos Fletchers.
Entrou dentro do quarto assim que conseguiu parar de observar as fotos. Encontrou já com Samuel nos braços, sentada em uma cama de casal. sorriu automaticamente ao ver seu filho. reparou que ele estava parado ali, observando-os, e se levantou. Contra a vontade estendeu o filho para que o segurasse.
Ele o pegou ainda apavorado e um pouco desajeitado. Sorriu largamente ao encontrar a cópia de seus olhos no garoto, encarando-o com fixação.
- Cara, eu estava com tanta saudade sabia? - Cochichou para o filho antes de beijar sua testa. - Mas agora papai vai te ver toda semana. Legal né? - segurou a vontade de sorrir ao vê-lo conversando com Samuel.
Capítulo. 02
Julho de 2013
- Como foi a segunda visita do ? - deu de ombros, entregando Samuel para a Gio segurar. - Oi afilhado lindo! - Ela começou a fazer uma voz manhosa que arrancou uma gargalhada da .
- Suportável. - Respondeu, sentando-se ao lado dela no sofá. - Ele quis aprender a trocar a fralda do Sammy.
- Sério? - Giovanna estava surpresa. acabou sorrindo ao se lembrar da cena.
- Foi muito hilário Gio, o Sammy fez xixi nele. - Giovanna soltou uma gargalhada estridente. - E ele usou praticamente todo o vidro de talco. Sem contar a quantidade de lenços umedecidos.
- E você nem pra ajudar o cara ? Coitado! - Ela negou coma cabeça.
- Eu até tentei no início, mas ele fazia tudo achando que quanto mais usar melhor. É orgulhoso demais pra seguir minhas dicas.
- Parece que vocês dois não estão se dando tão mal assim. - O sorriso que estampava o rosto de sumiu.
- Não sonha Fletcher, não sonha. Foi só um momento de descontração, nada mais. - Gio soltou um “sei” descrente enquanto brincava com a mãozinha do Samuel. - Eu odeio aquele cara, nada vai mudar isso.
- Não! Claro que não! - Debochadamente, Gio disse. - Ele ser muito bonito não mexe nem um pouco com você! - franziu a testa.
- Ele não mexe comigo, não! - Gio rolou os olhos.
- Vai , mente pra si mesma! - preferiu não responder pra não se irritar com a amiga. Tinha outras preocupações em mente.
- Recebi uma ligação do escritório. Eles querem que eu apareça lá amanhã. Será que dá pra você ficar com o Samuel? - Gio abriu um sorriso, mesmo odiando o fato de ela ter mudado de assunto.
- Claro que sim! Mas você não tinha que voltar lá só dia 29?
- É, mas parece que é só uma reunião. Eles disseram que ainda não é pra eu voltar a trabalhar. - Ela deu de ombros vendo o filho apertar o dedo da amiga com sua mãozinha gorducha. - Forte? - Perguntou apontando a mão do filho. Gio sorriu, concordando com um aceno de cabeça.
- Muito forte! Com certeza puxou o pai! - emburrou a cara e Giovanna gargalhou. Sempre que ela se referia ao quanto Samuel parecia com o e não com ela, ficava louca. - To brincando boba. - Ela deu um empurrão de leve com o auxílio de seu ombro, arrancando um pequeno sorriso da .
Julho de 2013
- Hey ! Você está ótima! - Ela sorriu, agradecendo o elogio de seu chefe. - Nem parece que você teve um filho há pouco tempo!
- Obrigada Charlie! Você também não está mal! - Não era verdade, mas ela tinha que ser educada. O seu chefe tinha uma péssima feição em seu rosto, estava bastante abatido.
Ele sorriu e apontou a cadeira pra que ela se sentasse. aguardou alguns minutos até que escutou ele começar a falar.
- Então , eu vou direto ao ponto. Eu te chamei aqui hoje porque eu tenho uma notícia pra te dar, e ela não é boa, infelizmente. - se mexeu desconfortável na cadeira, não gostando nem um pouco do início daquela conversa. - O escritório decretou falência essa semana. Todos os funcionários estão sendo demitidos inclusive você e eu.
- O quê? - Charlie se limitou a concordar com a cabeça. - Como isso aconteceu?
- A maldita crise na Europa, claro! O escritório até resistiu muito à crise se formos analisar. Não há nada que possamos fazer . Eu sinto muito. - Ela estava espantada.
Desempregada.
Ela não podia ficar desempregada agora! Como pagaria as contas?
- Eu fiz uma excelente carta de recomendação pra você levar e entregar com seu currículo. Eu sei que você precisava tanto desse emprego como eu, mas não há mais nada que eu possa fazer, além disso. - Ela apenas concordou com a cabeça, atordoada. - Aqui está o seu acerto.
deixou o lugar no piloto automático. Sua cabeça girava e girava de preocupação. Como ela faria pra pagar as contas agora? O acerto mal, mal, daria para o próximo mês, mas ainda tinha a hipoteca da casa, as parcelas atrasadas. E com essa crise ela não conseguiria um emprego tão cedo!
Já havia tantos desempregados em Londres que virou até notícia mundial. nunca pensou que seria um deles! Os donos do escritório sempre diziam que estavam aguentando bem a crise, que os empregados não precisavam se preocupar. Ah, como os odiava!
Ela precisava procurar um emprego urgentemente! Se descobrisse o que aconteceu ela estaria completamente ferrada! Ele contaria ao juiz que daria a guarda do Sam para ele, com certeza! Que juiz deixaria um bebê nas mãos de uma mãe desempregada se o pai dele era um cantor famoso e milionário?
Merda, merda, merda!
Agosto de 2013
pegou as cartas na caixa de correio e já se preparou mentalmente para a bomba. Já estava procurando emprego há dias e não havia conseguido nada. Sempre lhe prometiam que retornariam em questão de um ou dois dias, mas as ligações nunca vieram. Ela estava começando a se arrepender de ter devolvido todo o dinheiro para o meses antes.
Contas, contas e mais contas.
respirou fundo antes de olhar do que se tratava o último envelope e perdeu o ar com o que leu. Sua mão tremeu e as palavras se embaralharam em sua visão. Ela não poderia ter lido direito, não poderia!
A carta era um comunicado. O banco dizia que se ela não quitasse a dívida até o final do mês, a casa de seus pais iria a leilão. Ela teria que abandonar a casa de seus pais, o lugar que ela cresceu recheado de tantas lembranças.
Ela não podia perder aquela casa! Era a última lembrança da família! Era a última coisa que restou.
Mas o que fazer? ainda não tinha conseguido emprego, tinha gastado todo o dinheiro da poupança. E ela não pediria emprestado de jeito nenhum! Tinha seu orgulho. Deu um jeito de se virar nos últimos dois anos sozinha, nunca precisou da ajuda financeira de ninguém e continuaria assim!
Precisava ir ao banco, tentar negociar. Precisava fazer algo!
Agosto de 2013
Alguma coisa estava errada. já havia ligado para a casa de , para o celular dela e até para o celular da Giovanna, mas ninguém atendeu em nenhuma das vezes. Ele tinha acabado de deixar o aeroporto, voltando de uma entrevista que o One Direction teve que fazer em Manchester. Ficou fora apenas dois dias, mas não conseguiu falar com desde então. Estava preocupado. Será que tinha acontecido algo com seu filho? Com a ? Ele não queria nem pensar na possibilidade.
Chegou a sua casa e tomou um banho rápido. Mesmo que já fosse tão tarde – dez da noite – ele iria até a casa dela. Precisava saber o que estava acontecendo. Vestiu a primeira roupa limpa que colocou as mãos e correu para seu carro. Não deu importância ás indagações de , não tinha tempo.
Tentou falar com ela mais uma vez pelo telefone enquanto dirigia, mas não conseguiu. Ela não atendeu. soltou o ar pesadamente, frustrado. Odiava ficar sem saber deles. Ficava com medo de ela estar o ignorando como da última vez, mas logo ele espantou o pensamento. não faria nada que prejudicasse as suas chances de continuar com a guarda do Samuel.
Assim que estacionou em frente a casa dela, ele percebeu aliviado que o carro de Tom também estava lá. Talvez ela apenas esteja com problemas no telefone, talvez não seja nada demais.
não sabia o quanto estava enganado, mas percebeu assim que a porta da casa dela foi aberta depois de ele tocar a campainha.
Tom soltou um suspiro de alívio ao ver ali. Deram um pequeno cumprimento antes de entrarem na casa. logo escutou os soluços de que chorava abraçada a um urso de pelúcia, com sua cabeça deitada no colo da Gio. Ele deu uma olhada na sala e viu Samuel dentro do carrinho de bebê, ao lado do sofá.
- O que tá acontecendo? Por que você está assim? - Disse ao se aproximar da mulher que chorava descontroladamente. Giovanna fez com que se levantasse pra que ela pudesse se afastar, dar certa privacidade aos dois. Talvez conseguisse acalmá-la.
voltou a se deitar no sofá.
- Fala comigo, pelo amor de Deus! - Ele cochichou, ajoelhando-se e ficando com o rosto no mesmo nível do dela, que escondeu seu rosto inchado de tanto chorar no pescoço do urso.
- Gio? - deu sinal para que a amiga explicasse. não tinha mínimas condições de dizer nada naquele momento. Estava naquele estado desde aquela tarde.
- , você sabe que a casa está hipotecada, não é? - Ele apenas concordou com a cabeça, a testa franzida, tentando entender. - A ficou desempregada um mês atrás. O escritório que ela trabalhava faliu e ela, por ser orgulhosa demais, não contou pra ninguém, achando que conseguiria um novo emprego rapidamente.
- Mas ela não conseguiu. - Quem se pronunciou dessa vez fora o Tom. - Por conta dos atrasos nas parcelas da hipoteca, o banco resolveu levar a casa dela à leilão. Por isso ela está assim.
- Ah Não! Por que você não pediu ajuda, ? Por que você tem que ser tão orgulhosa? - disse baixo, passando a mão pelos cabelos dela, tentando ampará-la. Ele simplesmente não conseguia entender por que ela havia arriscado a casa dela para não ter que pedir ajuda.
- Eu queria resolver sozinha, mas essa maldita crise acabou com tudo! - Respondeu em meio aos soluços. estava desolada.
- , a gente tem que ir. - Tom disse percebendo que os dois precisavam de um tempo sozinhos. Talvez fosse fazer bem para a . - Você cuida deles? - concordou com a cabeça e se inclinou para se levantar e acompanhar o casal até a porta, mas Tom negou com um aceno de sua mão. - Nós temos a chave. Trancamos a porta quando sairmos.
Depois que o casal Fletcher foi embora, ficou em silêncio refletindo o que acabara de descobrir enquanto tentava controlar as lágrimas que encharcavam seu pequeno urso de pelúcia.
O que ele poderia fazer? Se os bancos já haviam anunciado o Leilão, não havia mais nada a ser feito além de aguardar o mesmo e comprar a casa de volta, mas até lá onde a e o Samuel viveriam?
Para o , havia apenas uma opção considerável, mas ele sabia que a enlouqueceria assim que escutasse sua proposta. Depois de todas as demonstrações do quanto ela o odiava, sabia que ela não pensaria duas vezes antes de dizer não, mas tinha que tentar mesmo assim. Não poderia vê-los desamparados.
- ? - Ela fungou algumas vezes antes de levantar o rosto para encarar o rapaz ajoelhado em sua frente. - Você tem que ir embora quando? - mordeu o lábio inferior para reprimir um soluço.
- O cara que me ligou disse que eu precisaria sair daqui amanhã, mas que os móveis poderiam ficar até a casa ter um novo proprietário. - concordou com a cabeça.
- , eu tenho uma proposta pra você. Por favor, pensa bem antes de responder qualquer coisa tá? - Levantando-se da posição deitada e ficando sentada no sofá, enxugou seu rosto e abraçou forte o seu ursinho antes de concordar com a cabeça.
respirou fundo antes de dizer, ainda na mesma posição, ajoelhado.
- Vem morar comigo.
Capítulo. 03
Agosto de 2013
- O quê? - soltou um suspiro ao ver a cara de descrença dela.
- Eu quero que você e o Sam venham morar comigo, na minha casa. - A boca dela se abriu consideravelmente. - O já me disse que pretende se mudar no fim dessa semana então eu vou ficar morando sozinho. Lá tem bastante espaço! Você vai ter seu próprio quarto com o Samuel e eu juro que vou fazer de tudo pra você se sentir em casa! - Falou tudo com rapidez, jogando as informações em cima dela, com medo que ela não o escutasse a qualquer segundo.
- , não... - começou, negando com a cabeça, quando conseguiu se recuperar do choque do pedido.
- , pensa bem. Onde você vai ficar agora? - Ele se aproximou ainda mais, pegando as mãos dela nas suas e apertando. Abaixou a cabeça e suspirou. - Se você não for fazer isso por si mesma, faça pelo Samuel. Eu vou ficar tão feliz por poder ter mais tempo com ele! - Voltou seus olhos para a mulher, mordendo o lábio inferior. mordeu o dela também, como de praxe. - Quando você recuperar a sua casa, vai estar livre pra voltar. Eu mesmo vou ajudar você com isso! Por favor?
Ela olhou no fundo daqueles olhos pela primeira vez. Poderia imaginar todas as opções que ele poderia sugerir, mas nunca imaginou que ele a pedisse pra morar com ele. Dividir sua casa com uma mulher estranha, sem emprego e agora, sem casa.
Se ele fazia tudo aquilo pelo filho, talvez ele não fosse tão ruim. Tinha tentado tomar o Sam dela, claro, mas não pretendia dedurá-la para o juiz, pelo contrário, queria acolhê-la em sua casa.
Era um cara muito estranho, pensou ao observar seus olhos implorando, esperando pela resposta que ele queria escutar. Talvez ela fosse maluca por estar cogitando aquela hipótese, mas o que ela podia fazer? Não iria morar embaixo da ponte e, muito menos, com o Tom e a Giovanna. Jamais atrapalharia a vida do casal!
Só lhe restava...
- Ok . Nós vamos morar com você.
Agosto de 2013
Fizeram a mudança no dia seguinte com a ajuda dos Fletchers e os outros quatro integrantes do One Direction. agradeceu mentalmente a presença de todos eles, porque assim, a mudança virou uma imensa festa, desviando os pensamentos dela de que estava saindo de sua casa sem ter nenhuma previsão de quando voltar.
Samuel foi muito mimado o tempo todo, passava de braço em braço e se esbaldava com os cabelos dos tios do One Direction, puxando e arrancando. estava flutuando de tanta felicidade. Agora, poderia ver o filho em sua casa, a hora que quisesse. Participaria do seu crescimento assim como deve ser e eles seriam uma família de verdade.
Sorria sempre que se lembrava de como pensava antes de conhecer o filho, antes de amá-lo. nunca quis ser pai, achava um desperdício de vida ter que se ocupar com uma criança que só saberia chorar e dar trabalho. Jamais se imaginou passando horas sem dormir, preocupado durante suas turnês com um serzinho que mal sabia de sua existência, mas ali estava ele, sentindo tudo aquilo e mais por Samuel.
Não precisaram levar muitas coisas para a casa nova de e Samuel. Apenas as roupas dos dois e suas coisas pessoais, assim como os brinquedos do Sam, seu carrinho de bebê, o bebê conforto e a banheira que ele tomava banho. havia insistido em comprar tudo novo pra eles. Tanto os móveis do bebê como os móveis do quarto da .
foi contra, mas com a ajuda da Giovanna, saiu para fazer as compras pela manhã, antes de tirarem as coisas da casa da . Comprou tudo do melhor, sem querer poupar nem um centavo sequer. Quem era a Gio pra discordar, já que nunca havia visto o tão feliz na vida.
Os amigos dele também pensavam o mesmo. Depois que descobriram quem a realmente era e que o era o pai do Samuel, zoaram o amigo durante toda a turnê que aconteceu após o parto da , por ele estar agindo como um papai babão. Eles também tentaram tirar da cabeça dele a história de pedir a guarda do garoto, mas não conseguiram. Foi ai que eles perceberam o quanto estava ligado a aquele bebê.
Quando todas as malas e caixas de mudança foram deixadas em seus devidos lugares, a ficha de caiu. Ela olhou ao redor do enorme quarto - que agora era seu - e se assustou com tamanha beleza e luxo. Parecia um quarto da realeza com a gigantesca cama de casal, os criados mudos de cada lado, com porta-retratos e abajures. Um tapete preto muito fofo e enorme cobria todo o chão, como um carpete. Havia o guarda roupa branco com duas portas de espelhos que mostravam a imagem dos pés à cabeça e, do outro lado do quarto, a área do Samuel. Berço branco com detalhes em azul, três prateleiras cobertas de brinquedos. Uma continha só carrinhos em miniatura, a outra ursos de pelúcia e a última com bonequinhos estilo soldado, policial, bombeiro... Tinha de tudo ali!
- Se você não gostar de alguma coisa eu posso trocar amanhã. - começou a dizer. nem havia reparado que ele estava parado no batente da porta, esperando sua reação.
- Não . Eu estou impressionada com o quarto, só isso. - Negou com a cabeça e abriu um meio sorriso. - Amei tudo, é lindo!
- Tem um banheiro no seu quarto, atrás daquela porta. - Ele apontou o local, um sorriso de alívio se apossando de seu rosto. - Quero te mostrar o resto da casa. - concordou com a cabeça e o seguiu para fora do quarto.
Em frente à porta de seu quarto, estava o quarto do . Um lugar também preenchido de móveis luxuosos, mas totalmente masculinos. Eram de tons neutros de cinza e branco, havia uma pequena desordem em cima da cama, e tênis jogados pelo chão do quarto. O cheiro do perfume do impregnava o ar e teve que controlar o impulso de inspirar profundamente. Pôsteres de algumas bandas nacionais e internacionais preenchiam uma das paredes brancas, além de alguns quadros dos prêmios que ele ganhou com o One Direction.
Depois do quarto ela conheceu o quarto do , o banheiro de visitas, os dois quartos de hóspedes e a sacada no fim do corredor do segundo andar que mostrava a vista da piscina mais embaixo e de uma área de churrasco. Uma grama verdinha estava ao redor da piscina enorme, com cadeiras de madeira e mesas com guarda sóis.
Eles retornaram para o primeiro andar e conheceu a cozinha, bem como as duas empregadas da casa. Debbie, a cozinheira e jardineira, e a Hanna que cuidava da limpeza da casa. As duas já mais velhas, com seus trinta e poucos e quarenta e poucos, respectivamente. explicou que Hanna cuidou dele quando era pequeno, sempre trabalhou na casa de seus pais. Desde que ele havia mudado para Londres, ela viera junto pra cuidar dele à pedido da mãe.
Conheceu os aposentos restantes e, no fim do “passeio”, já estava exausta. Jogou-se no sofá confortável da sala de estar e soltou um bocejo. estava com o Samuel no colo enquanto ele o exibia para a Debbie e a Hanna, que chorava de emoção na entrada da cozinha.
- Oh Deus, eu nunca pensei que te veria ser pai tão cedo ! E o bebê é tão bonito e se parece tanto com você! E que garota adorável é a sua namorada! - A testa de franziu quando o não corrigiu a fala da mulher. Eles não eram namorados! - Você escolheu muito bem! - Ela se surpreendeu ao ver concordando com a fala da mulher. Que negócio era aquele? Seu coração já batia forte contra suas costelas.
- Quer ficar com ele um pouco? Eu vou ali ver como a está. - Viu Hanna concordar com a cabeça e pegar o Sam no colo, caminhou até onde ela estava logo depois. - Tudo bem? - Perguntou baixo. se sentou no sofá e imitou seu gesto.
- Que negócio é esse de namorada? - sussurrou, dando uma olhada em Hanna e Debbie. As duas só tinham atenção para o Samuel.
- Você quer que eu conte sobre a inseminação? - Ele questionou no mesmo tom de voz.
- Não! Mas... - sorriu.
- Então temos que ser namorados. - O ar começou a falhar para a .
- Mas elas não vão estranhar se nós não dormirmos no mesmo quarto? - Quase gaguejou, imaginando ela e juntos, na mesma cama. Oh Deus!
- Elas só vão ao segundo andar pra limpar, e fazem isso só depois que não tem ninguém lá em cima. Não se preocupe. - mordeu o lábio inferior com força. - Ou será que você quer que a gente durma no mesmo quarto?
- Tá maluco, ? É claro que não! - Mas não tinha certeza disso já que seu coração ficou ainda mais louco dentro de seu peito. sorriu antes de morder o lábio inferior.
- Bom, a proposta ainda está de pé. Se você mudar de ideia... - Agora sim ela ficou sem ar.
Com o dedo indicador e a testa franzida demonstrando concentração, ele a tocou percorrendo da bochecha esquerda até o maxilar, deixando um rastro de calor. Passou pelo queixo e subiu até o lábio inferior dela que prendeu a respiração quando sentiu o toque que queimou sua pele.
Seus olhos se encontraram por um segundo antes de soltar um suspiro e retirar seu dedo. Ele sacudiu a cabeça duas vezes e se levantou. Deu uma última olhada em uma atordoada , e saiu da sala.
Setembro de 2013
- ? - Depois de duas batidas na porta, entrou no quarto da , encontrando-a trocando a fralda do Sam. Sorriu imediatamente. - Oi filhão! - Disse dando um beijo na mãozinha gorducha do filho que sorriu ao ver o pai.
- Com foi seu dia? - Perguntou terminando de colocar a fralda no filho. - As fãs estavam bem animadas no twitter. - ergueu uma sobrancelha e sorriu.
- Tá acompanhando o One Direction agora, é? - rolou os olhos e começou a vestir a cueca box no filho. Já era sexy desde bebê! - O que aconteceu com, “meu coração é só do McFLY”, hun?
- Como agora eu já fui apresentada para a imprensa como a namorada de um dos integrantes, eu tenho mais é que saber alguma coisa da banda. - Deu de ombros.
- Viu as fotos da nossa primeira aparição juntos no lançamento do “This Is Us”? - Ela sorriu ao concordar com a cabeça, colocando a calça do moletom no Sammy.
- Até que não ficaram ruins. Parece que todo mundo acreditou mesmo que nós somos namorados. - Ela mordeu o lábio inferior, mas não estava mais sorrindo.
- Ainda recebendo muitos xingamentos? - Ele perguntou, subitamente ficando mais sério.
- Acho que isso sempre vai ter, mas elas adoram quando eu posto foto do Sam com você lá. - Os dois sorriram. - O foda é receber xingamento por algo que eu não fiz. No caso, que eu não sou. - O sorriso do murchou.
- Se é tão ruim pra você ser conhecida como a minha namorada, a gente termina. - Em sua postura dava pra perceber que ele ficara irritado.
- E continuar morando na sua casa? Não . Tenho que ser sua namorada até conseguir minha casa de volta. - Ela pegou Samuel no colo. - O leilão é no mês que vem, lembra? - concordou com os braços cruzados.
- Isso é bom, pois eu recebi uma ligação da minha mãe pela manhã. Ela está vindo pra cá. Chega agora à noite.
- O quê? - Ele sorriu do desespero dela.
- Ela está vindo conhecer a minha namorada e o meu filho. - tentou falar, mas de seus lábios não saiu som algum. - Eu tive que escutar por duas horas ela me atacando com perguntas e me xingando horrores por eu não ter contado que engravidei uma moça. Tenho certeza que ela vai me matar assim que me ver.
- Ah meu Deus! Mas a Hanna está de folga! Eu tenho que fazer alguma coisa para o jantar! Por que você me avisou tão em cima da hora ? - Estendeu Sam para que ele o pegasse e saiu como uma louca do quarto. gargalhou ainda mais.
- ! Eu e o Sammy já estamos indo pra casa com as coisas que você queria. - Ela colocou o telefone no viva voz e voltou a mexer no molho branco que fazia para acrescentar à sua receita de macarrão ao forno. Único prato rápido e prático que ela sabia fazer além de macarronada. - Minha mãe já chegou?
- Ainda não. Lembrou-se de comprar tudo? - Desligou o fogo e, com auxílio de uma luva, derramou o conteúdo da panela na travessa de vidro.
- Lembrei! Comprei até um vinho que a minha mãe adora. - soltou um suspiro de alívio. Começou a despejar o macarrão e o queijo ralado. - Vai dar tudo certo . Tenho certeza que ela vai amar você. Quem vai morrer hoje sou eu! - não pôde deixar de gargalhar.
- Vem logo ! E não se preocupe, eu não vou deixar sua mãe te matar. - Dessa vez quem gargalhou foi o antes de interromper a ligação. desligou o telefone e se concentrou em colocar os outros ingredientes na travessa.
Depois que a travessa já estava no forno, ela desligou o fogo da panela de arroz e se colocou a arrumar à mesa de jantar da melhor forma possível. Pesquisou no Google onde colocar todos aqueles talheres e copos de uma forma que a mesa ficasse elegante. não conhecia a mãe do , não fazia ideia do tipo de pessoa que ela era. Mas queria agradar.
Não sabia o motivo, mas sabia que queria muito agradá-la. Ser aceita.
A campainha da casa tocou e ela imaginou que fosse o , que esquecera a chave. enxugou as mãos em um pano de prato e foi abrir a porta. Ficou surpresa ao ver que não era o , mas sim uma mulher muito parecida com ele. A única diferença era o tom de pele. Ela tinha a pele um pouco mais corada que o filho.
- Olá! Você deve ser a ! - As duas sorriram depois de uma breve análise. - Eu sou a , mãe do .
- Muito prazer senhora . Entre, por favor! - ajudou a mulher com a pequena mala de rodinhas que ela estava trazendo, antes de fechar a porta da casa.
- Ah, me chame de ! Nada de senhora, porque eu me sinto velha! - gargalhou ao concordar com a fala da mulher. - Onde está o meu filho irresponsável? - Colocou as mãos na cintura e fez uma cara de brava que qualquer um sairia correndo. começou a cogitar a hipótese do , de que a mãe dele o mataria hoje.
- Por favor, sente-se . O foi comprar algumas coisas que eu pedi, para o nosso jantar. - As duas andaram até o sofá e se sentaram uma de frente pra outra. - Ele já deve estar chegando.
- Meu netinho está com ele? - sorriu largamente e concordou. - Ah! Mal posso esperar para vê-lo! - Bateu palmas antes de inclinar o tronco pra frente como se fosse dividir um segredo com a . - Claro que antes eu vou matá-lo por ter cometido tamanha irresponsabilidade! Engravidar uma moça antes do casamento e ainda não me contar nada? Pena de morte, com certeza!
- Não foi bem assim , o ...
- Não foi assim? Querida, não precisa defender o meu filho. Pelo que ele me contou, vocês dois nem namoravam quando aconteceu! - A mãe do estava revoltada. - Me lembro de quantas vezes eu conversei com ele sobre a importância de se proteger, de respeitar uma moça no relacionamento! - Negou com a cabeça algumas vezes antes de voltar a olhar a e sorrir. - Mas ele deve gostar muito de você pra ter te convidado a morar com ele. vivia dizendo que não queria ter filhos, não queria uma família, só pensava em curtir! Mas aqui está você! - Apontou para ela com as duas mãos. - Fico tão feliz em saber que ele sossegou!
- , eu vou ser sincera com você! Eu e o não estamos namorando. - começou a explicar tudo depois de ver a empolgação da mulher. Não podia mentir para ela, não depois de ver como ela ficara animada com tudo.
Sabia que se continuasse com a farsa, quando fosse embora da casa do em alguns dias, deixaria a muito triste e ela não queria isso. Havia gostado demais da mãe do , por isso diria a verdade.
- Tudo aconteceu quando...
Capítulo. 04
Setembro de 2013
- Ah querida, sinto muito por sua família! Por tudo isso! - esticou as mãos e acolheu as de nas suas. sentiu uma lágrima teimosa cair assim que acabou todo o relato da sua vida nos últimos anos. - Eu agradeço por sua sinceridade ao me contar tudo. havia me dito sobre essa doação um tempo atrás. Lembro-me de ter ficado preocupada, mas ele me garantiu que não teria contato com a pessoa que escolhesse seu espermatozoide. Quem diria que isso aconteceria, não é?
- ! Cheguei! - As duas mulheres viram aparecer com Samuel sendo segurado pelo braço direito, e no esquerdo algumas sacolas de supermercado, e outra de uma adega.
deu um sorriso para antes de se levantar e pegar as sacolas da mão do . Este que foi levar o filho para sua mãe conhecer, logo em seguida.
- Oi mãe! Esse aqui é o Samuel. - A mulher pegou o bebê do colo do filho e sorriu largamente.
- Você é mais bonito do que nas fotos querido! - Ela abraçou o Sam e foi até a cozinha terminar de preparar o jantar. Só o que faltava era fazer a salada com as frutas e folhas que tinha comprado pra ela. - Se parece muito com você filho!
- O quê? Sem xingamentos, ou tapas, ou morte? - negou com a cabeça e soltou um suspiro de alívio.
- A me contou toda a história da gravidez. Você se salvou dessa vez! - e sua mãe foram até a cozinha onde o cheiro do macarrão ao forno da impregnava todo o local.
- Eu disse que não deixaria ela te matar! - sorriu para a e se aproximou dela. Abraçou-a pela cintura e depositou um beijo demorado em sua bochecha.
- O que eu faria sem você pra me salvar? - Disse sorrindo, o rosto bem próximo do dela, que estava tão surpresa com o gesto que não conseguiu se mover.
De longe, observava a cena e percebia que, por mais que dissesse que ela e não tinham nada, não demoraria para que o sentimento surgisse entre os dois. Olhou para o neto e pensou que logo, logo, ele teria uma família de verdade.
- O cheiro está ótimo, ! - disse mais para cortar o embaraço que se estalou entre o casal quando eles repararam o quão próximos estavam. sorriu em retribuição e foi se ocupar com o jantar pra tentar esquecer o cheiro do , que tomou conta de seu nariz e apagou todo e qualquer outro cheiro que existisse ao redor.
- Querida o jantar estava excelente! Acho que agora vou subir e descansar, afinal passei algumas horas viajando. - As duas se abraçaram. - Até amanhã filho! - Deu um beijo em . - Vou passar no seu quarto para dar um beijo no meu neto! - Voltou a dizer para a que concordou com a cabeça antes de subir as escadas e desaparecer no andar de cima.
- O que você acha? - se encostou à bancada da cozinha, mordendo o lábio inferior.
- Minha mãe está totalmente encantada por você. Ela nunca agiu desse jeito com nenhuma das minhas namoradas! - Ele se aproximou dela, ficando em sua frente e encarando-a nos olhos.
- Namoradas? Foram muitas? - Ela não se aguentou de curiosidade. Um pequeno sorriso de lado se abriu nos lábios de .
- Não, . Tive duas namoradas. - Desviando o olhar, concordou com a cabeça. - E você?
- Eu só tive o Nick. - Deu de ombros, ainda sem encará-lo.
- E você e esse cara, terminaram por quê? - Ela voltou seus olhos para vê-lo. Tentou entender de onde vinha àquela curiosidade sobre sua vida pessoal, mas não conseguiu ver motivos. No fim, resolveu responder.
- Eu queria ter um filho, ele não. - prendeu a respiração quando se aproximou ainda mais, o corpo a um centímetro de tocar o dela.
- Você queria um filho dele? - Indagou inclinando a cabeça pra que seus rostos ficassem próximos ao ponto de seus narizes se tocarem a medida que respiravam.
- Essa era a intenção, mas quando ele disse que não queria, eu resolvi fazer a inseminação. - Sua voz era mais baixa que um sussurro. Ela conseguia escutar as batidas de seu coração à medida que falava.
- Você o amava ao ponto de ter um filho com ele? - ficou hipnotizada com os olhos de . Ela conseguiu ver um brilho diferente em suas íris, algo que fez todo o seu sangue ferver.
- Não. Eu... Gostava dele. - Gaguejou ao responder quando depositou suas mãos na bancada, uma de cada lado da cintura dela, prendendo-a no lugar.
- Gostava? Não amava? - Ela apenas conseguiu concordar com a cabeça. - Você já amou alguém ? - se afastou um pouco para observá-la. Ela precisou piscar algumas vezes para reorganizar seus pensamentos.
- Só o Danny Jones. - Ele sorriu largamente com a resposta. - E você?
- Eu achava que sim, mas agora... - Deu de ombros deixando-a curiosa ao extremo. - Quer dizer que se o Jones aparecer aqui, querendo levar você com ele, você vai? - percebeu naquele instante que o seu corpo já estava todo colado ao de . A única parte que ainda tinha centímetros de separação eram seus rostos.
- Eu amei o Jones há algum tempo atrás. Agora eu acho que só gosto dele como fã. - Mordeu o lábio inferior, o que chamou a atenção de para aquele local.
- É tentador quando você morde o lábio assim. - Ele sussurrou fechando os olhos e soltando um suspiro pesado.
Um segundo depois, abriu os olhos e viu um sentimento de desejo ali, estampado em suas íris. Parou de morder o lábio imediatamente, em expectativa para o que estava por vir. Ele pendeu a cabeça para o lado e roçou a ponta de seu nariz pelo pescoço dela. fechou os olhos ao sentir o toque e ergueu o queixo para facilitar o acesso dele, que sorriu. Sua respiração fazendo cócegas boas na pele dela.
Subiu seu rosto para que seus lábios estivessem no nível de seu ouvido. mordiscou o lóbulo da orelha da bem fraquinho, mas o mínimo toque a fez soltar um pequeno gemido que fez todos os sentidos de se intensificarem.
As mãos dele apertaram a bancada com força quando ele respirou profundamente o perfume dela. Os dentes mordiscaram a pele da mandíbula até chegar ao queixo. Depositou um selinho demorado no local, os olhos abertos para ver as reações da . Ela só sabia sentir, não tinha forças nem para ficar com as pálpebras levantadas.
Os lábios de continuaram depositando beijos castos do queixo para cima. Assim que ele beijou a lateral da boca dela, parou. abriu os olhos pra ver o que havia acontecido apenas para encontrá-lo olhando pra ela, como se pedisse permissão.
Ela não tinha nenhuma intenção de impedi-lo. Percebendo isso, não perdeu tempo.
Se aproximando devagar, ele encostou seus lábios no dela e ali permaneceu por alguns segundos. estava imóvel, apenas aguardando o próximo movimento. entreabriu os lábios e envolveu o lábio inferior dela, sugando um pouco antes de mordê-lo. Ela gemeu mais uma vez.
se afastou segundos depois e abriu os olhos, sem entender. Viu que ele estava sorrindo pra ela.
- Você não sabe o quanto eu esperei por isso. - Sussurrou com a voz rouca que fez as pernas dela tremerem como loucas, a comida do jantar revirar como se estivesse em uma montanha russa dentro de seu estômago.
Com o auxílio de suas mãos no rosto dela, colou seus lábios mais uma vez, de um jeito urgente, como se sua vida dependesse daquele beijo. cedeu completamente quando suas línguas entraram em contato. A dele tão quente, molhada e habilidosa. Ela agarrou a cintura dele e apertou com força, as unhas apareceram e essa foi a vez de gemer.
Um choro de bebê assustou os dois. Eles se separaram de supetão, procurando de onde surgiu o barulho. foi a primeira a localizar a babá eletrônica em cima da mesa de jantar. Com o coração ainda acelerado, ela pegou o aparelho e tentou se recuperar.
Não se atreveu a olhar para o antes de deixar a cozinha e ir até o filho.
Outubro de 2013
se olhou no espelho pela milésima vez. Conferiu o cabelo, a maquiagem, o vestido azul que ressaltava seus olhos e o salto alto. Viu que estava tudo perfeito e resolveu que já era hora de sair do quarto.
estava aguardando na sala de estar, Giovanna ao seu lado com Samuel no colo. Quando viu descendo as escadas ele se levantou, ajeitando a gravata e o terno. Ficou encantado com a visão que teve dela. Seus olhos percorreram-na dos pés à cabeça e ele soube que seria muito complicado tirar aquela imagem da sua mente.
- Uau ! Você tá incrível! - Disse quase sem ar. Ela retribuiu o elogio com um sorriso tímido.
- Bom, agora eu vou indo com meu afilhado lindo! - Gio interrompeu os olhares vidrados dos dois. - Divirtam-se! - Saiu levando as coisas do Sam nos braços, um sorriso safado nos lábios quando encarou a amiga.
- Qualquer problema nos ligue! - Ela concordou com a cabeça em resposta à pergunta do e saiu da casa. - Vamos também, ? - Estendeu a mão esquerda pra ela que a pegou, antes de sorrir.
Foram todo o caminho até o restaurante em silêncio. Havia apenas o barulho do som ligado, o volume baixo. vez ou outra tinha vontade de morder o lábio inferior por causa do nervosismo, mas se lembrava de que isso estragaria o batom. Ficava pensando o que poderia ser o assunto que iria tratar no jantar, dizendo que era uma surpresa pra ela. Mas qual? Ela não conseguia pensar em nada que justificasse a escolha de um restaurante tão refinado onde as pessoas tivessem que usar trajes formais.
Dando umas olhadelas em , pôde perceber que ele estava nervoso pela forma que batucava os dedos no volante e apertava, batucava e apertava. Além do fato de que sempre que eles pararam em um sinal, ele começava a balançar a perna direita pra cima e pra baixo, um pequeno tique nervoso que ele tinha.
Era impressionante o quanto ela já o conhecia.
Já decorou as manias dele, as comidas preferidas, os defeitos. Ela sabia identificar quando ele estava com raiva, chateado ou empolgado sempre que olhava pra ele, quando chegava do trabalho. Teve que se acostumar com o fato de que ele amava gastar dinheiro e praticamente todo dia chegava com algum presente para o Samuel ou pra ela. Principalmente roupas. Ele não podia passar em frente a nenhuma loja que sempre via algo que era “a cara da ” ou “a cara do filho”.
Quando chegaram ao restaurante, foram flagrados por alguns fotógrafos que estavam no local. já havia avisado à de que sempre tinham paparazzis na frente do lugar por ele ser muito frequentado por artistas.
entregou a chave do carro ao manobrista e abraçou a pela cintura antes dos dois começarem a andar para a entrada do restaurante. sorriu um pouco nervosa, quando os flashes começaram, mas apertou sua cintura e lhe deu um olhar confortador que a acalmou no mesmo segundo.
Foram recebidos por um homem engravatado que perguntou em qual nome estava a reserva. disse seu nome completo e o homem concordou pedindo que os dois o seguissem. Foram encaminhados para uma mesa no local mais reservado do restaurante. tentou não olhar para as outras mesas quando começou a identificar muitos famosos presentes ali.
puxou a cadeira para que ela se sentasse e sentou-se em seguida. Fizeram o pedido depois de analisarem o cardápio por alguns minutos e então foram deixados sozinhos.
- O que achou? - Ele perguntou se referindo ao lugar.
- Muito bonito e luxuoso! - sorriu e ela também. - Você vem muito aqui? - Ele negou com a cabeça e se aproximou um pouco da mesa.
- Foi o Tom que me disse sobre esse lugar. Essa é a primeira vez que eu venho também. - Os dois foram interrompidos pelo garçom com o vinho pedido por . Foram servidos por ele e deixados a sós mais uma vez.
- Vai me dizer por que me trouxe aqui? - perguntou antes de provar o vinho. Não era muito de beber, mas gostava de um copo ou dois.
- Vou fazer melhor! Vou te mostrar. - Franzindo a testa, viu pegar um envelope branco de dentro do terno. Ele o estendeu para ela.
pegou a folha que estava lá dentro e leu o seu conteúdo. Teve que reler duas vezes para ter certeza de que não estava pirando.
- Isso é? - Viu concordar com a cabeça.
- Eu comprei sua casa de volta no leilão e coloquei no nome do Samuel. - Ela estava sem palavras. Simplesmente não conseguia acreditar. Sentiu algumas lágrimas de emoção acumulando em seus olhos e começou a se abanar discretamente, tentando impedir que elas caíssem.
- Meu Deus ! Você não sabe o quanto eu estou feliz! - Ela estendeu sua mão direita e agarrou a dele. - Muito obrigada! Eu nem sei como agradecer! - Eles se encararam por alguns segundos.
- Na verdade, eu sei . - Ele se inclinou para frente, as duas mãos acolhendo a dela. - Eu sei que você deve estar louca pra voltar para a sua casa, mas eu quero te pedir para não ir. - respirou fundo e começou a se sentir nervosa. - Você não tem noção do quanto eu estou feliz com você e o Samuel lá em casa. O quanto é bom chegar em casa e ir direto ver o meu filho, poder abraçá-lo, conversar com ele e fazê-lo dormir. Eu não quero perder isso. - Ele queria completar a frase que ficou engasgada em sua garganta “Eu não quero perder você”, mas resolveu que era cedo demais. Não queria assustá-la com o conhecimento de seus atuais sentimentos por ela.
- , você vai poder visitá-lo todos os dias se essa for a sua preocupação. Eu não vou te impedir de ver o Sam depois de tudo o que você fez por nós. - Ele começou a negar com a cabeça e apertou ainda mais a mão dela.
- Você sabe que não é a mesma coisa! Por favor, é o único pedido que eu te faço. Se você se sentir incomodada no futuro, comigo, com a situação, não importa! Eu vou te deixar ir. Só fica mais um pouco. - Ela pensou que não poderia resistir ao vê-lo implorando daquela maneira. Vendo seu desespero ao imaginar ela e o filho se mudando. Tentou esquecer um outro pensamento, aquele que dizia o quanto ela queria que não fosse apenas pelo filho que ele estivesse desesperado em perder.
- Se isso te faz feliz . - Deu de ombros. ficou radiante, tamanha sua felicidade.
- Ah, obrigada ! - Ele ergueu a mão dela e beijou a palma demoradamente. A pele da arrepiou com o toque.
Outubro de 2013
- Ah, que saudade do meu filho! - disse ao antes de entrar em seu quarto. Ele parou no batente da porta. - Será que tá tudo bem por lá?
- , não se preocupe. O Tom e a Gio devem ter ficado mimando o garoto até tarde. - Ela sorriu de leve. - O Sam deve estar bem, e você tem uma noite de folga!
- Ah, eu nem sei o que fazer! To tão acostumada a dormir tarde por causa do Sammy. - começou a sentir seu corpo enlouquecer quando viu a tirando os saltos altos, algumas outras imagens surgindo em sua mente. Ele abaixando o zíper do seu vestido azul, beijando cada pedacinho de pele que conseguisse tocar. Teve que balançar a cabeça algumas vezes.
- Que tal um filme? - Disse assim que se recuperou. - Faz tempo que eu não assisto um. - viu pensar e percebeu que sua proposta havia deixado-a nervosa, por ela estar mordendo o lábio.
- Ok ! - Os dois sorriram. - Eu só vou tomar um banho e já desço! - Mais uma vez, teve que espantar pensamentos maliciosos sobre tomando banho, nua. Deus, ele estava ficando louco por aquela mulher!
- Eu também vou tomar um banho. - “Um banho frio de preferência”, pensou.
Quando apareceu na sala, já estava esperando. Tinha pegado um edredom e uma barra de chocolate. Assim que a apareceu em seu campo de visão, começou a observá-la e ela fez o mesmo que ele.
As pernas de começaram a tremer quando ela reparou que ele estava apenas com uma calça de moletom preta. O tronco tatuado e com músculos em formação estava todo à mostra.
Ela estava vestida com seu moletom predileto do McFLY. Sabia que ele não era nada sexy e não queria provocar o de forma alguma, mas suas tentativas não adiantaram muito, já que a calça do seu moletom ficava bem colada em seu corpo deixando ver com clareza suas curvas. Ele amou vê-la vestida de uma forma tão original.
Só ela mesma pra usar um moletom do McFLY pra ver um filme com um cara do One Direction.
- Vem! - disse abrindo o edredom e apontando o lugar ao seu lado. - Que filme você prefere? - se sentou e deu de ombros. Tremeu quando envolveu seu corpo com o edredom, abraçando-a com o movimento.
- É você que não vê filme há muito tempo. - Ele sorriu e se aconchegou ao lado dela.
Escolheram o filme depois de alguns minutos procurando nos canais, mas não conseguia prestar atenção na televisão assim que apagou a luz da sala. A única luz na casa inteira era a que vinha do aparelho.
Os dois acabaram percebendo muito mais a presença um do outro naquela escuridão. só conseguia pensar que estava ao seu lado, dividindo um edredom com ela, e estava sem camisa! Seu corpo parecia borbulhar de hormônios incitando seus sentidos.
Resolveu atacar o chocolate pra tentar se acalmar. Os dois comiam em silêncio, os olhos grudados na televisão, mas nenhum deles via o filme. Poucos minutos depois o chocolate acabou, apenas um último tablete estava nas mãos de .
- Quer um pedaço? - Ele cochichou ao perceber que ela procurava por mais chocolate na embalagem vazia. concordou com uma aceno de sua cabeça.
aproximou sua mão e colocou o tablete na altura dos lábios dela. Quando ela ia morder ele retirou o tablete, com um sorriso sapeca nos lábios. fez careta e cruzou os braços junto ao peito. Ele voltou a aproximar o chocolate dos lábios dela, que observou pra ver se ele iria retirar novamente. Desistiu e voltou a abrir os lábios para morder o chocolate, mas foi mais rápido e tirou de perto dela mais uma vez.
- Merda ! Você vai me dar um pedaço ou não? - Ele gargalhou baixo e se aproximou um pouco mais dela.
- Vou, mas você vai ter que pegar aqui. - E ele colocou metade do tablete em seus lábios e deixou a outra metade para fora. Sorrindo, apontou o chocolate. - Eu te desafio! - Disse com dificuldade para não deixar o chocolate cair.
ficou olhando por muito tempo o chocolate nos lábios do . É claro que era muito tentador pegar o chocolate ali, mas ela sabia que aquilo era só uma desculpa para ele conseguir beijá-la. Estava escrito em seus olhos que ele se aproveitaria do contato, e ela ficou se perguntando se queria aquilo. Podia dizer que não queria mais, podia fingir que era uma covarde, mas no fim das contas, ela queria muito saber se a combinação + Chocolate era tão gostosa quando aparentava.
Só havia um jeito de descobrir.
Se aproximando ainda mais, acabou com o espaço que existia entre ela e . Ele ficou imóvel quando o rosto dela começou a se aproximar do seu, os lábios entreabertos. Quase tocando seus lábios nos dele, deixou seus dentes à mostra e envolveu o chocolate. Os lábios roçaram-se quando ela mordeu o tablete, mas foi apenas por um segundo, porque ela logo se afastou.
- Satisfeito ? - Disse com um sorriso provocador enquanto saboreava o chocolate. passou a língua pelos lábios e terminou de comer a sua parte do tablete.
- Na verdade, não to não. - foi surpreendida quando ele a agarrou pela cintura, colando seus lábios em seguida. Suas mãos ficaram no tórax dele, o que a fez soltar um suspiro quando sentiu a pele quente. aproveitou da pequena abertura de seus lábios e introduziu sua língua na boca dela, o gosto de chocolate ainda forte. Um gemido de prazer foi abafado no instante seguinte, e lá estavam os dois se agarrando como loucos.
Ela subiu suas mãos até encontrar os cabelos dele. Agarrou-os com força enquanto sua língua brigava com a do . O mesmo que desceu sua mão direita pela lateral do corpo dela até encontrar a coxa. Ali se agarrou, dando um impulso pra que ele se colocasse entre suas pernas, deitando-a no sofá.
sentiu a excitação de na sua virilha, quando as duas partes se chocaram enquanto deitavam-se. Ele desceu os lábios até o pescoço dela e começou a morder o lugar, enquanto sua mão direita subiu de sua coxa para dentro do moletom, apertando e arranhando com as unhas curtas a lateral de seu quadril, e continuou subindo. sabia qual o caminho daquela mão e também sabia que se ele chegasse lá, ela não conseguiria mais parar.
Foi ai que ela resolveu que estava na hora de acabar com aquilo.
Empurrou pelo peito e o afastou com certa dificuldade. Com os olhos confusos, ele observou os dela pra tentar descobrir porque ela havia parado. Os dois respiravam com dificuldade, os corpos ainda entrelaçados por suas pernas e braços. precisava sair dali! Não podia deixar aquilo continuar.
Saiu de baixo dele com dificuldade, o edredom embolava em suas pernas e atrapalhava ainda mais, mas por fim, ela conseguiu ficar de pé e se sentou no sofá.
- ? - Perguntou demonstrando o quanto estava perdido. Por que ela estava fugindo?
- Boa noite, . - Foi o que ela respondeu antes de dar meia volta e sair correndo até as escadas, sumindo na escuridão.
Capítulo. 05
Dezembro de 2013
- Fala titia!
- Não! Fala mamãe!
- Quê isso filhão, você vai dizer papai!
O garoto apenas ria e observava aquelas pessoas conversando. Vez ou outra ele soltava um “gu-gu” que causava grande comoção. Desde que ele aprendera a falar “gu-gus” e “da-das” no mês anterior, era bombardeado com palavras, uma atrás da outra. Noventa por cento eram os “mamães”, “papais” e “titias”.
Graças ao Samuel, todo o constrangimento entre e depois do que ocorreu no sofá, havia desaparecido. resolveu não forçar a barra. Ficou chateado por ela ter fugido, mas achou que ela deveria ter suas razões; ele não queria correr o risco de tentar mais uma vez e piorar tudo.
- Música! - Todos os presentes na sala paralisaram quando escutaram a palavra. A primeira palavra que Samuel havia dito era música!
- Ah meu Deus! Vocês viram isso? - pegou o filho no colo. - A sua primeira palavra e não é papai? - Samuel disse “música” mais uma vez o que ocasionou uma algazarra.
Estavam tendo o primeiro Natal em família. estava muito feliz porque agora ela não estava mais sozinha. Tinha seu filho, tinha novos amigos e tinha o . Ela havia escolhido que o teria apenas como amigo e pai do seu filho, não deixaria passar disso, principalmente porque eles estavam se aproximando do dia do julgamento e ela sabia que o risco de conseguir a guarda era muito grande.
Ela podia ter recuperado a casa, mas ainda estava desempregada. Estava esperando resposta de três entrevistas de emprego que fizera no último mês, mas não tinha esperanças. As empresas estavam falidas, tentavam se recuperar da pior crise que Londres já sofrera.
e estavam sentados perto da piscina coberta por uma grade de proteção que impediria que Samuel caísse lá dentro se chegasse até a beirada. O garoto mal aprendeu a engatinhar e saía explorando todos os cantos da casa. e tiveram que tomar certas providências pra ele não se machucar, além da ficar na cola dele todo o segundo. Ainda mais pelo fato de que estavam no inverno e havia neve por todo o lado.
- Você me parece feliz. - comentou fazendo desenhos com sua bota, na neve. - Mas não totalmente. - soltou um suspiro, formando uma fumaça branca. - Conta aí cara, é a ?
- Eu não consigo tirá-la da cabeça. - Olhou para dentro da casa onde as moças organizavam o jantar. Avistou ali e sentiu o coração doer. - Tenho medo de me aproximar mais uma vez e afastá-la mais!
- Você está apaixonado por ela? - O amigo abraçou de lado, um sorriso de compreensão no rosto.
- Eu estou . Completamente.
- Então se abre com ela, cara! Conta tudo. - negou com a cabeça.
- A última vez que a gente se beijou, ela fugiu de mim. Agora finge que nada aconteceu entre a gente e isso me deixa maluco! Eu não vou me declarar pra levar um fora dela! - Ele esfregou o rosto com suas mãos revestidas de uma luva azul, para espantar um pouco o frio.
- Ah , uma hora você vai ter que dizer. Ou você vai esperar até a encontrar outra pessoa?
Fevereiro de 2014
chegou a casa e encontrou o lugar muito silencioso. Pegou sua mala do chão e deu uma olhada na cozinha, encontrando Hanna lá.
- Hanna! - A mulher largou os pratos na mesa e correu para abraçar o rapaz.
- Como foi de viagem querido? - Ele sorriu para ela, dando um beijo em sua bochecha.
- Turbulenta, mas boa. - Hanna sorriu. - Cadê a e o Sam?
- Ah, estão lá em cima. A estava indo fazê-lo dormir. Ele pegou fogo o dia inteiro com aqueles carrinhos! - Os dois gargalharam. - Vai lá. - A mulher o expulsou da cozinha com um aceno de suas mãos.
subiu rapidamente, largou a mala ao lado da porta do quarto da e do Sam assim que escutou a voz dela. Ela estava cantando?
Now girl, I hear it in your voice and how it trembles
When you speak to me, I don't resemble who I was
You've almost had enough
Ele a viu, parada ao lado do berço do Samuel, cantando baixo para o filho uma música deles.
And your actions speak louder than words
And you're about to break from all you've heard
Don't be scared, I ain't going no where
se aproximou dela, que não percebeu.
Abraçou-a de lado o que a fez parar de cantar. Ele sorriu e continuou a música olhando no fundo dos olhos dela.
I'll be here, by your side
No more fears, no more crying
But if you walk away, I know I'll fade
Cause there is nobody else
só sabia sorrir. Estava com tanta saudade dele que chegava a doer. Fazia três semanas que ela não o via, mas pelo menos dessa vez os dois conversaram todos os dias pelo telefone. Agiram pela primeira vez como um casal de namorados.
It's gotta be you
Only you
Ele pegou o rosto dela em suas mãos, aproximou suas testas e fechou seus olhos, cantando aquela parte com todo o seu amor, tentando fazê-la ver o que ele sentia.
It's got to be you
Only you
- Por que você não avisou que estava vindo? - Ela perguntou cochichando, as mãos segurando a barra da jaqueta dele.
- Quis fazer uma surpresa pra você. - O nariz dele deslizou pelo dela, como um beijo de esquimó. - Sentiu minha falta?
- Droga ! Eu senti! Essa casa é um saco sem você. - Ele soltou uma risada baixa antes de beijar a testa dela e puxá-la para um abraço apertado. - Você deve estar com fome, não é? A gente pode pedir pizza! - Eles se separaram e o foi puxado pela mão por ela, saindo do quarto com a babá eletrônica nas mãos, depois de ter dado um beijo no filho adormecido.
estava terminando de fazer o pedido da pizza pelo telefone quando a campainha tocou. foi atender a porta. Lá fora estava um homem desconhecido para ele vestindo um sobretudo cinza e calças jeans. Era ruivo e tinha olhos bem verdes.
- O que deseja? - Ele perguntou para o desconhecido que olhava furtivamente para dentro da casa.
- Quero ver a . - franziu a testa e cruzou os braços. Não gostou nada daquele cara querer ver a , ainda mais dizendo daquele jeito.
- E quem é você? - O cara sorriu com ar arrogante, também cruzando os braços junto ao peito.
- Sou o namorado dela. - não teve tempo de reagir ao que o cara havia dito.
- , quem tá aí? - apareceu na porta e se surpreendeu ao ver quem estava conversando com o . - Nick?
- Nick? - perguntou com raiva, olhando para a . - Eu achei que ele era seu ex-namorado. - Rosnou.
- Mas ele é. - respondeu confusa, olhando de para Nick e vice versa.
- Será que você pode dar licença? Eu preciso conversar com ela a sós. - percebeu que estava por um triz de avançar em Nick e achou que era melhor distanciar os dois.
- , entra, por favor? - Disse baixo, segurando em seu braço. - Eu vou ver o que ele quer e já entro. - Ele a encarou por alguns segundos, antes de confirmar com um aceno de cabeça.
- Me chama qualquer coisa. - Encarou Nick com um olhar feroz que deixaria qualquer um apavorado.
Fevereiro de 2014
- Tá fazendo o quê aqui? - Foi direto ao ponto ignorando o sorriso sedutor que Nick estava dando a ela.
- Eu vim ver você. Acabei de saber que você tá namorando esse famosinho aí e tive que ter certeza. - Ele tentou pegar a mão dela, mas ela se afastou um passo.
- Agora que você já viu, pode ir embora. - Ele ergueu as mãos em sinal de defesa.
- Calma aí amor, que grosseria! - bufou. - Você não terminou comigo dizendo que ia fazer uma inseminação artificial? E agora eu te vejo com um filho de um cara famoso! Que evolução!
- Merda Nick, isso não é da sua conta! - Teve de se controlar para não gritar.
- É da minha conta sim! Eu ainda amo você ! - Ele tentou se aproximar mais uma vez só que se afastou de novo. - Você ama esse cara?
- Sim! Eu o amo! - Nick agarrou o rosto dela e colou seus lábios num selinho. Quando se recuperou do choque, o afastou.
- Ainda ama ele agora? - Questionou, olhando-a no fundo de seus olhos. sorriu largamente.
- Amo Nick, eu amo o como nunca amei ninguém na minha vida. - Ela conseguiu ver a decepção no olhar dele. - Agora vá embora, por favor. - Ele concordou com a cabeça e se afastou.
O sorriso que estava no rosto de quando ela fechou a porta de casa desapareceu assim que ela viu as feições no rosto do . Ela não teve tempo nem de dizer nada.
- Que merda foi essa ? Trazer esse cara pra minha casa? - Ele gritou, uma mão movimentava que nem louca enquanto a outra puxava seu cabelo.
- , eu não...
- Foi por isso que você ficou preocupada por eu ter voltado de surpresa, não é? Ia encontrar com aquele cara na minha casa!
- É claro que não, ! - Ela gritou, mas ele continuou sem dar atenção.
- E eu como um idiota achando que você estava sentindo minha falta, mas não! Você estava se divertindo com seu ex!
- Dá pra me escutar? - sentiu lágrimas se formando em seus olhos de frustração. Não podia acreditar que ele estava falando tudo aquilo.
- Eu não preciso escutar nada! Eu vi vocês se beijando! - Estourou, derramando toda a raiva e dor que estava sentindo. nunca imaginou que iria sofrer tanto assim, mas lá estava ele despedaçado quando viu a e o Nick se beijando pela janela da sala. - Beijando na porta da minha casa! Pelo amor de Deus! Você tinha que ter pelo menos um pouco de respeito! É esse exemplo que você quer dar ao Sammy?
tentou controlar as lágrimas, mas não conseguiu. Depois que ficou aqueles dias separada de , ela percebeu que não havia como fugir do que estava sentindo. Estava apaixonada por ele, mas não queria estar. Ela só precisava de uma desculpa para se afastar dele, uma desculpa para esquecê-lo, e agora ela tinha.
- Tudo bem , eu entendi. - Mas não compreendeu o que ela quis dizer. o deixou sozinho e correu para o andar de cima. Pegou todas as suas coisas e as do Samuel que conseguiu carregar e desceu com o filho adormecido no colo.
Deu graças a Deus de ainda ter o carro de seus pais.
arregalou os olhos quando a viu.
- O que é isso? - Apontou para as malas que ela carregava.
- Isso sou eu indo embora da sua casa. - Passou reto por ele que estava tão assustado que não conseguiu se mover. Chegou até a garagem e esperou a porta eletrônica abrir enquanto dava umas olhadas para a casa. Assim que abriu, ela foi até seu carro e depositou um Samuel adormecido na cadeira de bebê e as malas no bagageiro.
- ? - apareceu na porta da garagem, ainda atordoado com o que ela estava fazendo. entrou no carro e deu partida, dando ré para sair da garagem. - Você não pode ir embora. - Disse correndo para o lado do motorista, deixando seu rosto no mesmo nível que o dela.
- Desculpe se eu desrespeitei a sua casa . Pode ter certeza que isso não vai acontecer de novo. - tentou não amolecer ao ver as lágrimas descendo pelo rosto dele. - Quando você quiser visitar o Sam, liga antes. Afinal, eu não me responsabilizo se você chegar lá e me encontrar acompanhada.
ficou ali, estático, vendo o carro dela se afastar.
Fevereiro de 2014
se permitiu quebrar apenas naquela noite. Sozinha na sala de sua casa ela chorou até amanhecer, mergulhada em lembranças boas e ruins. A partir daquele momento, ela juntou os cacos de si mesma e se recuperou pelo filho. Seria forte pelo filho. Agora se concentraria apenas em continuar com a guarda dele.
Quando olhou seu celular – que ela tinha colocado no silencioso – encontrou mais de 50 ligações de . Não havia sido só ela que passara a noite em claro. Ignorou todas elas e se concentrou em seguir sua vida sem .
Alguns dias depois ela recebera uma ligação importante. Tinha conseguido um emprego em um escritório. O salário era bem menor que o do seu antigo emprego, mas era melhor que nada. E isso retornaria suas chances de continuar com o filho agora que não existia mais a hipoteca da casa.
Fez o pedido para a Giovanna cuidar do Sam enquanto ela trabalhava. Estava pensando em procurar uma creche, mas a amiga não permitiu. Desde que retornou para sua casa, sempre que ia lá, a Giovanna que o recebia. sempre achava uma desculpa para não estar em casa no período em que ele estivesse. Gio imaginava o porquê, mas não sabia dos lábios da ou do . Nenhum dos dois quis contar a razão que a fez ir embora da casa dele e a Gio também não perguntou.
E agora com o emprego, não veria mesmo.
- ? - atendeu ao telefone com surpresa. nunca mais ligou pra ele.
- . Estou ligando pra avisar que começo a trabalhar hoje. Se você quiser ver o Samuel, vai ter que falar com a Gio agora. Ela vai cuidar dele enquanto eu trabalho.
- Que bom que você conseguiu um emprego e...
- Era só isso que eu tinha pra falar . - E com isso ela desligou o telefone.
A ligação dos dois não passava mais dos trinta segundos. sempre respondia de forma monossilábica e sempre tentava dizer algo mais, e ai desligava o telefone na cara dele.
já estava ficando louco com tudo aquilo. Não sabia mais o que fazer pra tentar resolver as coisas com ela. Ficou com muita raiva e muita dor de vê-la beijando o ex, mas nada comparava com o que ele sentia com sua ausência.
Capítulo. 06
Abril de 2014
Dia do aniversário de um ano do Samuel. tentava se ocupar com todos aqueles doces e enfeites para a festa, tentando esquecer a notícia que viu no dia anterior. O assunto mais comentado do twitter era o mesmo desde que a notícia saiu. havia dormido com uma fã em Paris.
Quando leu não quis acreditar, mas havia fotos dele com a moça se beijando e entrando no hotel que ele estava hospedado. Ela lembrava-se da conversa que tinha tido com ele no mesmo dia, que havia terminado em uma grande discussão por telefone.
Tudo porque queria que a festa fosse na casa dele, mas bateu o pé e disse que não. Ela prometeu não pisar mais os pés na casa dele e assim faria. Só entraria naquela casa se fosse caso de vida ou morte.
Por causa disso, os dois passaram longos minutos gritando um com o outro na mais longa ligação desde que eles se distanciaram. Desabafaram um pouco a raiva contida por tantos dias e terminaram aquela ligação mais ressentidos um com o outro do que antes. E, depois do que viu, todos os sentimentos de amor que sentia por ele foram amassados e escondidos em um pequeno pedaço do seu coração. Apenas a raiva e o sentimento de traição permaneceram ali, visíveis, fortes.
Ela não sabia como reagiria ao vê-lo naquele dia. Era impossível evitá-lo no aniversário do filho, mas não se responsabilizava por nenhuma provocação que viesse da parte dele e o que ela seria capaz de fazer com isso. Estava irada, decepcionada. Sentia coisas demais ao mesmo tempo para conseguir se controlar na presença de .
A festa estava marcada para seis horas. foi para seu quarto se arrumar assim que Giovanna chegou com o Tom e os dois ficaram com o Sam, que já estava todo arrumado vestido de 'Homem de Ferro' para acompanhar a decoração de “Os Vingadores”.
Quando ela foi para a sala, pouco antes das seis, encontrou brincando com o filho. Respirou uma, duas, três vezes, para tentar controlar as batidas de seu coração. Não o via desde Fevereiro e ela imaginou que a distância conseguiria apagar aquele efeito que ele tinha sobre ela. Doce ilusão.
- Mamãe! - Samuel ao vê-la, abriu os bracinhos em sua direção. olhou para o lugar que ele apontava e encontrou os olhos azuis que lhe atormentavam todas as noites em seus sonhos, a dona do fantasma que o perseguia em sua casa vazia. Lá estava ela, linda como sempre, a visão deixando seu coração acelerado no peito. Encararam-se por bons minutos até desviar os olhos.
- Hey filho, tá se divertindo? - Ela pegou o garoto no colo e sorriu quando ele bateu as mãozinhas em seu rosto. Ignorou o fato de que estava logo ali ao lado, a observando atentamente.
A campainha tocou e sorriu.
- Os primeiros convidados chegaram amor! Vamos lá ver quem é? - Sam bateu palmas e sorriu. Os dois foram abrir a porta, agradecendo mentalmente por não ter dito nada, e ela esperava que ele não dissesse nunca.
Abril de 2014
- Agora a foto da família! - O fotógrafo contratado para registrar o evento comandou, após o “Parabéns pra você” ter sido cantado. - Juntem-se! - Ele apontou para e se aproximarem mais. Samuel no colo da sorriu para o pai. O fotógrafo olhou na câmera e negou com a cabeça. - Um pouco mais! - queria mandá-lo para o inferno, mas apenas sorriu com os lábios fechados e se aproximou mais de . Não iria fazer uma cena na frente de todos os convidados.
colocou a mão na cintura da e se aproximou mais, olhando-a no rosto, mas viu que ela não o olhava de volta. Olhava pra frente com determinação, mas ele reparou que a respiração dela ficara mais acelerada com a aproximação dos dois.
- Ok! Assim está ótimo! Sorria família! - Alguns flashes foram disparados em seguida.
Assim que acabou a sessão foto, entregou o Sammy para o Tom que seria o próximo a tirar fotos com ele, e saiu de perto de todas aquelas pessoas apressadamente.
Não podia ter um colapso nervoso na frente de todos, então correu para o banheiro. Não se lembrou de fechar a porta, apenas se apoiou na pia do banheiro e abriu a torneira. Molhou suas mãos e passou um pouco de água no pescoço para tentar se acalmar. Sua respiração estava tão descontrolada que ela sabia que poderia chorar a qualquer momento.
Sentir tão perto depois de tanto tempo, foi demais pra ela.
Fechou a torneira e deu uma olhada em seu reflexo no espelho. “Controle-se !”, comandava a seu reflexo repetidas vezes. Não podia demonstrar o quanto ele a atingia, o quanto a afetava. Fechou os olhos com força e respirou fundo pela boca, as mãos apertando a bancada de mármore do banheiro.
Quando abriu os olhos minutos depois, viu que não estava mais sozinha. Pelo espelho ela pôde ver parado na entrada do banheiro, os olhos a observando. Virou-se para encará-lo cara a cara, a respiração se prendendo em sua garganta.
deu um passo pra dentro do banheiro e deu um passo pra trás, esbarrando sua perna no vaso sanitário, já que o banheiro não era muito espaçoso.
- O que você pensa que está fazendo? - Gritou alarmada quando viu fechar a porta do banheiro atrás de si e trancá-la. - Abre essa porta agora! - Ela avançou para cima dele, tentando alcançar a maçaneta. aproveitou o contato de seus corpos e a agarrou pelos braços.
- Nós vamos conversar agora. Você não vai fugir dessa vez. - Ela ficou tonta quando o perfume dele lhe atingiu em cheio por culpa da proximidade. O desejo de seu corpo era inspirar profundamente com os olhos fechados, mas não havia possibilidade disso acontecer. Não com ele a encarando daquele jeito.
- Não tenho nada pra falar com você. - Respondeu xingando-se mentalmente por sua voz ter falhado no final.
- Você pode não ter, mas eu tenho muitas coisas pra falar! - soltou os braços dela e teve que implorar à suas pernas para que não a deixasse desabar no chão. - Começando por você estar fugindo de mim. - deu dois passos pra trás tentando ficar o mais longe possível daquele cheiro que estava confundindo sua cabeça. - Você age como se eu tivesse sido o culpado de você ter ido embora naquela noite, como se eu tivesse traído você, não o contrário.
- Traição implica em compromisso , e nós nunca tivemos nada. - Doeu para ela dizer aquilo em voz alta, mas doeu ainda mais em por ter escutado aquilo dela.
- Não. Não tivemos, mas ainda assim você morava comigo, algum respeito deveria existir entre a gente. - bufou, a raiva subindo por suas veias.
- E existia imbecil! - Gritou, se aproximando um passo. - Foi você que não quis escutar o que eu tinha pra dizer aquele dia! Apenas tirou conclusões! - Seu dedo indicador cutucou o peito do que se encolheu ao ver sua raiva.
- O que tinha pra escutar, me diz?! - Abriu os braços, a voz transbordando sarcasmo. - Eu vi o beijo!
- E você não viu quando eu o afastei idiota? Ele me beijou a força! - Dessa vez foi que bufou, sem acreditar.
- Tá, então me explica aquele sorriso ridículo que você tinha no rosto? Não era um sorriso de raiva, ou era? - Soltou uma risada debochada.
- Eu estava feliz, porque eu finalmente tinha descoberto que estava ap... - Ela travou ao perceber que estava indo se declarar pra ele.
- Estava o quê? - perguntou diminuindo o espaço que havia entre os dois, o coração acelerado. desviou o olhar, mordendo o lábio inferior.
- Não importa mais. - Respondeu baixo, os olhos colados na bancada.
- Importa sim. - Ele disse no mesmo tom de voz, pegando o queixo dela e obrigando a encará-lo. - Diz pra mim? - A voz foi sussurrada, a mesma voz que fez o corpo de amolecer. Ela queria se jogar em cima dele, beijá-lo e dizer o quanto o amava. Mas ela não podia esquecer que ele havia estado com outra pessoa dois dias antes.
- Por que você não vai atrás de outra groupie e me deixa em paz ? - Ela tentou se afastar, mas ele a segurou firmemente em seus braços. - Me solta. - Rosnou.
- Não sem antes você me contar que história é essa de groupie. - já tinha uma leve impressão do que se tratava, mas precisava confirmar primeiro. soltou uma risada forçada.
- Ah, quer dizer que você não sabe? To falando da fã com quem você dormiu em Paris! - soltou um suspiro pesado.
- Eu não dormi com ela! Onde você viu isso? - tentou sair do abraço dele mais uma vez, mas ele apertou seus braços ainda mais em volta de sua cintura.
- Foi meio difícil não ver já que a notícia ficou nos TTs mundiais por dois dias. - Ela sentiu lágrimas se formando em seus olhos e olhou para o alto para impedi-las de cair.
- , olha pra mim. - Ela não o fez, por isso soltou um de seus braços e levou sua mão até o seu rosto, foçando ela a vê-lo. - Depois que nós discutimos eu fiquei com tanta raiva que fui para uma boate beber. Fiquei bêbado, muito bêbado mesmo, e acabei encontrando essa garota lá que é fã do One Direction. Ela percebeu meu estado e me ajudou a chegar ao hotel.
suspirou quando uma lágrima escorreu pelo rosto da . Ele a enxugou com seu polegar, com delicadeza.
- Eu tive uma ilusão. Eu imaginei que ela era você, foi por isso que eu a beijei. - O rosto de se contorceu em surpresa. - Mas quando ela começou a retribuir eu percebi que não eram os seus lábios, não era o seu beijo. - parou de abraçá-la, aproveitando seu estado de surpresa, e deixou as duas mãos no rosto dela, os polegares alisando suas bochechas. - Ela não era você, . - Sussurrou. fechou os olhos, não conseguia acreditar no que estava ouvindo. - Eu me afastei e pedi desculpas pra ela e ela só me ajudou a chegar ao quarto depois disso. Eu não dormi com ela.
levou suas mãos e colocou em cima das dele. achou que ela havia acreditado nele, mas acabou vendo que não quando ela tirou as mãos dele do rosto dela. soltou suas mãos e se afastou um passo. Desviou dele e foi até a porta do banheiro.
- Você não acreditou em mim. - Ela escutou em suas costas quando estava indo destrancar a porta. Soltou um suspiro e completou sua ação, abrindo a porta em seguida. Sabia que tinha lágrimas escorrendo por seu rosto e resolveu que era melhor não olhar pra trás.
- Eu preciso ir. - Foi o que conseguiu dizer antes de sair de dentro do banheiro. apenas ficou pra trás, desolado.
Abril de 2014
chorava mesmo sem querer e Giovanna apenas a deixava desabafar. Estavam escondidas no quarto da já há alguns minutos, toda a história do banheiro havia sido contada juntamente do porque dela ter ido embora da casa do dois meses antes.
Gio apenas escutou tudo em silêncio, encaixando todas as peças daquele quebra cabeça maluco que era e .
- , amiga, por que você não resolve tudo com ele? Por que não diz o que sente? - Ela negou com a cabeça, tentando limpar as lágrimas de seu rosto.
- Eu não posso Gio!
- Mas isso tá te fazendo sofrer ! - Giovanna não conseguia entender a insistência dela de negar seus sentimentos. - Você não ama o ?
- Por Deus Gio, eu amo! O que eu sinto por ele é ainda maior do que o que eu senti pelo Danny! - A amiga sorriu com a declaração.
- E ainda assim você não quer dar uma chance a vocês? - chegou naquele exato momento na porta do quarto. Estava procurando a . Viu as duas conversando e resolveu ficar por lá, do lado de fora no corredor, a curiosidade em saber do que elas falavam.
- Você não entende Giovanna! Eu e o somos pessoas completamente diferentes, de mundos totalmente distintos! - desistiu de enxugar suas lágrimas. - Eu não quero estar com uma pessoa como o , eu odeio toda essa bagagem que vem com ele. Nunca poderia dar certo! Sem contar o fato de que eu jamais vou me esquecer de que ele tentou tirar o meu filho de mim! - As duas se abraçaram, sem forças para continuar a falar.
encostou-se à parede, desnorteado com o que ouviu. não o queria, provavelmente nem sentia nada por ele além de raiva. Não conseguiu controlar a dor em seu coração por saber que jamais poderia tê-la.
- O julgamento é no mês que vem e eu não sei o que eu vou fazer se eu perder o Samuel. - A frase foi entrecortada por seus soluços. - Meu filho é tudo pra mim Gio. Eu jamais vou perdoar o pelo o que ele me fez passar com esse pedido de guarda, jamais! - não conseguiu escutar mais nada. Com lágrimas nos olhos e o peito apertado, ele saiu correndo. - Eu também jamais vou me perdoar por ter me apaixonado por ele, mas esse é um erro que eu posso corrigir. - completou com a voz determinada. Gio se limitou a suspirar.
Maio de 2014
- Senhorita e senhor , boa tarde. - O juiz cumprimentou-os assim que estes se acomodaram em seus respectivos lugares. Depois de uma breve pausa analisando uma pasta preta, o juiz ergueu sua cabeça. - Tenho em minhas mãos os relatórios obtidos durante estes nove meses de duração do acordo. Antes de começarmos, gostaria de saber se há algo mais que algum de vocês queira acrescentar que seja relevante ao julgamento. - Ele apontou com a mão em direção aos dois. negou com a cabeça, mas se levantou.
- Eu tenho algo a dizer senhor juiz. - O coração de parou, o medo paralisou todos os músculos de seu corpo. Milhares de pensamentos sobre o que iria dizer passaram por sua cabeça em questão de segundos.
- Pois diga, senhor . - O juiz deu autorização e o soltou o ar que estava preso em seus pulmões.
- Eu gostaria de dizer que quero renunciar o pedido de guarda. - pensou tudo, mas nunca imaginou que escutaria aquelas palavras saindo dos lábios do .
- Explique-se, senhor . - concordou com a cabeça depois da fala do juiz.
- Durante este período de acordo eu percebi que a senhorita é uma excelente mãe. É responsável, cuidadosa e carinhosa com o Sam. - Os lábios de se abriram em surpresa, seus olhos cravados em . Ele ainda não havia olhado pra ela nenhuma vez. - No período de dificuldade ela soube aproveitar a minha ajuda e abriu mão de seu orgulho por causa do Samuel. Mesmo com nossos desentendimentos ela me deixou ver meu filho os dias que eu quisesse, ainda que o acordo obrigasse um dia de visita. Por isso eu não vejo mais razão para continuar com esse julgamento.
encarava o juiz com firmeza. Seu corpo estava totalmente imóvel enquanto esperava algum comentário do mesmo. O juiz se recuperou do choque da declaração de e concordou com a cabeça.
- Se o senhor está seguro de sua decisão, senhor , declaro que a guarda do menor Samuel permanece com a mãe, . Caso encerrado!
Assim que acabou, se apressou em sair do lugar sem nem ao menos direcionar seu olhar para onde estava. Ela, ao perceber que tinha acabado o tormento, que estava com a guarda do filho, correu para alcançar . Sua mente pulsava indagações dos reais motivos de ter desistido da guarda. Não poderia ser só aquilo. Ela não conseguia acreditar.
- ! - Gritou. Ele parou ainda sem olhá-la. se colocou na frente dele, tentando recuperar o fôlego. - Por que você fez isso? - Perguntou assim que conseguiu, encarando aqueles olhos .
- Eu já expliquei lá. - Ele ia começar a andar novamente, mas se colocou em sua frente, impedindo sua passagem.
- Mas aqueles motivos não são suficientes pra você desistir da guarda do Sam! - Os dois ficaram em silêncio apenas ligados por seus olhares. conseguiu ver no fundo dos olhos que existia sim algo a mais.
- Eu nunca quis tirar o Samuel de você. - começou com a voz baixa. - Eu só queria vê-lo, só queria participar da vida dele, mas você me proibiu. Eu fui obrigado a pedir essa guarda. - Ele fechou os olhos e passou as mãos pelos cabelos, bagunçando-os mais. - Eu nunca quis que você me odiasse e se eu tivesse ganhado a guarda do Sammy hoje, nosso relacionamento que já é ruim, seria impossível! Preferi não deixar o Sam passar por isso.
- Então foi isso? - perguntou, tentando encontrar qualquer sinal de que ele estivesse mentindo, que estivesse escondendo algo. - Foi por causa do Sam?
- Foi por sua causa também. Você era importante pra mim, apesar de tudo. - deu um passo para trás se afastando da .
- Era? - Foi a única parte da frase que ela se apegou, gaguejando ao dizer uma única sílaba.
- Era. Eu desisti antes de sofrer ainda mais por algo que nunca daria certo, como você mesma disse. - começou a andar, desviando-se dela, para sair dali.
- Eu disse? Quando? - Perguntou atordoada vendo partir. Ele parou depois de escutar sua pergunta, mas apenas virou seu corpo um pouco para que pudesse olhá-la nos olhos. percebeu a mágoa que havia ali.
- Eu escutei a sua conversa com a Giovanna no dia do aniversário do Sammy. - levou apenas um segundo para fazer o reconhecimento de qual conversa ele se referia.
- Você escutou a conversa toda? - Perguntou quando ele deu o intuito de voltar a andar. soltou um suspiro pesado.
- Eu escutei o suficiente. - Ele não esperou dizer mais nada, deu os passos em direção à saída do tribunal. Dentro de si, esperava estar dando passos também em direção ao esquecimento daquele sentimento arrebatador que sentia por ela, um sentimento que ele estava disposto a apagar de seu coração.
Já não sabia o que pensar. Por um lado, tudo o que mais queria finalmente havia se realizado, ela tinha a guarda do Samuel e, consequentemente, havia conseguido se ver livre de . Mas por outro lado, nunca sentiu seu coração tão destroçado por ter perdido algo que nunca teve. Pior agora que ela tinha a certeza de que sentia algo por ela.
Adiantava de alguma coisa ela lamentar? mesmo disse que havia desistido, então não havia mais nada a ser feito, nada além de tirar aquele amor do seu peito e seguir em frente. Apagar do seu sistema e da sua mente, aqueles beijos, aquelas carícias, aquele cheiro inebriante e enlouquecedor. Por um ponto final, definitivamente.
FIM?
Heeeeeeeeey. OMG aqui estou eu mais uma vez. Quem aí está triste? Porque eu estou com toda essa situação aí. Que coisa mais complicada, não acham? Certo, você pode até ter dito que daria um ponto final aí no final – rs -, mas nós sabemos que isso não vai acontecer ainda já que Our Son vai ter parte três. Mas não fiquem muito alegres não, as coisas vão ficar feias na próxima parte e tudo pode acontecer.
Obrigada por estarem aqui comigo mais uma vez e eu vou logo escrever Our Son III - Family, enquanto eu ainda tenho tempo. HAHA.
Amo vocês babes <3
@SahDiias
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Minhas outras fanfics.
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Merry Christmas With McFly
Merry Christmas With McFly II – The Kidnapper
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Our Son

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