On a Rainy Night

Escrito por Cáàh | Revisado por Flavinha

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  E num dia de chuva, tudo pode acontecer. Um estranho entrar na sua casa, assim mesmo, do nada. Em dias de chuvas coisas estranhas e totalmente tensas acontecem, é normal. Ou não tão normal assim, mas acontece! E isso não pode te assustar, ou até assusta no momento que você dá de cara com uma pessoa totalmente anônima na sala da sua casa, mas isso passa (ou você simplesmente esquece) quando acontece uma coisa ainda mais anormal.
  Agora, vamos combinar, quem disse que essas coisas, nem um pouco comuns, são ruins? Tensas e estranhas, mas isso pode ser só a sua primeira impressão, ficar com raiva no começo ou medo, mas depois fica legal, não pode acontecer isso? Se você acha que não, leia essa história e aprenda que é bom escutar as pessoas, ajudar as pessoas, por mais estranho que a situação possa parecer.
  Quem sabe qual pode ser a sua recompensa no fim?

Capítulo 1

  TERÇA-FEIRA

  - Não, mãe. Eu tô bem, ta tudo certo aqui, sim. A casa é linda. Não, eu nem falei com os vizinhos ainda. Tá tudo arrumado, por isso mesmo, arrumei tudo e nem saí de casa. Não mãe, lógico eu só saí de casa para ir pro colégio. Oi? Você está mandando eu sair e curtir a cidade? Mãe você bebeu? Drogou? Ou alguma coisa do gênero? Tá bom, calei, não precisa brigar. Mãe, aqui está extremamente tarde, eu vou-me banhar e ir dormir, tá? Isso, diz pro pai que eu amei o lugar, estou estudando direitinho e que eu amo ele, eu amo a senhora também, fiquem bem. Amanhã eu arranjo tempo de ligar de novo, tá? Beijo.
   desligou o celular e quase caiu quando apareceu a mensagem mostrando quanto ainda tinha de créditos, teria que arranjar um plano bem bom para poder ligar de Londres para Curitiba sem ir à falência no primeiro mês no exterior.
  Decidiu pensar nisso depois. Afinal, não tinha mentido no telefone só para desligar a ligação com a mãe. Estava realmente ficando tarde e precisava de um banho para, talvez, conseguir descansar. Desde que chegara na cidade londrina, não tivera tempo para fazer o que mais gostava: dormir/descansar. Arrumar todas as coisas. Tentar se acostumar com o trânsito londrino, tentar se acostumar com o novo ensino, que, graças aos deuses, não estava difícil, como imaginou que poderia ser, afinal o ano letivo ainda estava no começo e os colegas e professores não eram assim tão antipáticos e anti-sociais como imaginara. Como imaginara graças às pessoas - amigos e familiares - que ficavam falando que todos os londrinos eram frios e iriam ignorar a garota. Na verdade, eles eram mais legais que os colegas da sua ex-escola.
  Colocou o celular na bolsa, que estava jogada no sofá desde a hora que chegara e, subindo as escadas, foi para o seu quarto. Pegou uma toalha e foi para o banheiro.
  , brasileira = azarada!
  Tinha, graças aos deuses, enxaguado os cabelos, mas ainda estava com o corpo todo ensaboado quando a energia decidiu cair. Pensou em esperar um pouco, vai que volta, certo? Pois bem, não voltou, olhou pela janela e viu que o céu não estava nada bonito, estava escuro demais - e não só porque estava de noite - viu um raio cortar o céu e decidiu que quanto mais antes saísse do banheiro, melhor. Terminou o banho no gelado mesmo e quando saiu do banheiro indo para o quarto, percebeu que o tempo só piorava. Do corredor, o barulho dos trovões eram mais audíveis, fortes e assustadores, correu para o quarto e assim que fechou a porta - pensou ter ouvido o barulho da porta da frente se abrir e fechar rapidamente. Com certeza era o barulho do vento que fez a garota imaginar o barulho, certo? Talvez não.
  Já ouviu falar que Londres é fria? Duvidou da pessoa que te disse isso? Então acredite em mim, é fria. Pelo menos, quando você sai de um banho gelado enquanto chove muito e venta demais. se trocou rápido, pegando as roupas no guarda-roupa pelo rumo, já que estava no escuro, tateou. Tinha um tecido gostoso, pegou, vestiu, pronto, sem frescuras no escuro e no frio!
  Abriu, a outra porta do guarda-roupa e foi atirando vários cobertores na cama e ia se deitar - para ter lindos sonhos, quando passou a mão pelo criado mudo e deu pela falta das duas coisas mais importantes, para conseguir ter um sono profundo e bom, não estavam ali: nem seu lindo copo - com canudinho - cheio de água e nem seu celular - como ia acordar no outro dia cedo, para ir fazer compras, dar uma voltinha básica pelas ruas de perto da casa e iria conseguir tempo para se arrumar e ir para o colégio?
  Lembrou, num rápido flashback que tinha deixado a bolsa no sofá da sala e que o seu lindo copo - com canudinho, que ganhara da mamãe - tinha ficado na cozinha. Deixou a cama arrumada, pronta para voltar e se jogar embaixo daqueles cobertores grandes e peludos e seguiu pelo corredor. Qual não foi seu susto quando olhou para a sala, aproveitando a luz de um trovão que entrou pela fresta das cortinas, tentando achar a bolsa numa busca rápida com os olhos e viu um cara sentado no seu sofá, mexendo na sua bolsa?
  Soltou um meio grito, porque quando percebeu que estava gritando, pensou que o cara podia estar com uma arma e matá-la ali mesmo então tentou parar de gritar: tentando cortar o grito o que fez ela engasgar e começar a tossir desesperadamente.
  O cara se ergueu do sofá em um pulo, arregalou os olhos vendo a garota ficar vermelha a cada tosse e correu para a escada, quando chegou perto, deu um pulo para trás e ergueu as mãos gritando um: não me mate.
  Se Tom não estivesse preocupado com o engasgamento da garota teria rido. A cara da garota, vermelha. Com os olhos esbugalhados, assustada. Era muito cômica.
   parou de tossir e encarou o garoto que a olhava meio preocupado, meio querendo rir, a cara dele estava bem tensa, na verdade.
  A garota estava enrubescendo por causa do susto e da tosse. Tom podia ver, em seus olhos esbugalhados, o pavor que sentira. O rapaz se sentiu culpado, em contra partida, o grito de ‘não me mate’ causou, em seu cérebro, uma guerra: desengasgar a garota ou soltar a gargalhada?
  Optou pela primeira opção, mas vendo a garota se afastar resolveu ficar parado. se acalmou ao ver o garoto descer um degrau e a tosse foi passando.
  Mais um trovão, mais um clarão, mais uma faixa de luz que passou pelas cortinas, assim pode ver a cara do rapaz, tinha olhos castanhos, muito parecido com os seus por sinal, estava com as bochechas extremamente rosadas e parecia indeciso, entre continuar com a expressão de preocupado ou rir.
   sentiu raiva extrema, ao ver que ele entortava os cantos da boca querendo segurar a vontade de rir. Invadiu sua casa, mexeu na sua bolsa e ainda queria rir dela? Que rapaz intrometido do cacete.
  Tom por sua vez achou a garota estranha ao cubo, por motivos simples: deixar a porta aberta, gritar coisas sem sentido algum e recusar ajuda.
  - Acho que um copo de água te faria bem. - Tom sugeriu e estreitou os olhos, ficando mais vermelha e dando um passo à frente. Afinal, não corria tanto perigo, ou corria? Se fosse pró cara assaltá-la ou matá-la já teria realizado o ato. Tom percebeu, pela mudança na atitude da garota, que se afastar seria a coisa mais sã a se fazer e desceu mais um degrau.
  - Está querendo dizer o que é melhor para mim? - o tom da voz de ia subindo, conforme a garota se aproximava do rapaz. - Quem você pensa que é? O que está fazendo na minha casa? E porque estava mexendo na MINHA BOLSA? - soltou a voz nas últimas palavras, sem se incomodar em deixar o garoto surdo.
  - Só quis ajudar, garota. - Tom a olhou brabo, mas não ousou se aproximar lembrando que seu pai falava que quando uma mulher começa a gritar a melhor coisa a se fazer é ficar longe e não responder, mas o orgulho do rapaz era mais forte que a sua consciência - Sou Tom Fletcher e entrei aqui porque eu gosto de sair em noites chuvosas e entrar em casas estranhas, é o meu esporte favorito, sabe. Perdeu o medo rápido, hein. - acrescentou ao ver as mãos da garota voarem pró seu peito e o empurrar mais alguns degraus. Pensou que seria melhor sair da escada, antes que a garota o empurrasse para valer e voltou para o lugar mais seguro no momento: a sala.
   desceu em seguida, mais vermelha que antes:
  - Escuta aqui garoto, você entrou na minha casa do nada, mexeu na minha bolsa, nem tente falar que não porque eu vi. - acrescentou ao ver ele abrir a boca para discordar - E quando eu te pergunto o porquê disso tudo, você acha ruim e me responde irônico? Não sou idiota e se você não falar comigo direito te jogo na rua e não me importo se você vai morrer afogado nessa chuva. - foi se animando e quando se animava acabava falando muitas coisas de um jeito muito tosco e foi isso que fez o que resultou na risada que Tom segurava fazia uns minutos. o olhou como uma leoa olha para o veado, antes de pular no pescoço dele e Tom sufocou a risada.
  - Ok, não precisa me ameaçar de morte, eu sou da paz, sou amigo e sou um cara muito bom e descente. - Tom também não era de medir as palavras *pisca* - Eu entrei aqui porque meu carro decidiu parar de andar bem na frente da sua casa, meu celular ficou na casa do meu amigo e eu preciso que ele venha me buscar e vim pedir ajuda, sua casa estava aberta e eu entrei, assim, fácil e rápido. - Tom sorriu e acrescentou ao ver que a garota não sorria: - Desculpe, de verdade, eu não quis te assustar.
   segurou o sorriso. O rapaz parecia legal, embora não tenha sido de um jeito legal que entrou na sua casa, então mudou a sua expressão, trocando a cara de assassina por um olhar desconfiado:
  - E porque mexeu na minha bolsa, moço? Isso é errado sabia? É feio e me irrita.
  - Irrita? - ele perguntou de um jeito engraçado - Achei que só te assustava.
  - Me assustei, porque a ultima coisa que eu esperava era um cara na minha sala. - deu de ombros, sorrindo.
  - Não foi minha intenção e eu me chamo Tom. - Tom estendeu a mão e apertou, ouvindo um miado arregalou os olhos.
  - Você é um gato?
  - Não percebeu pela minha beleza? - Tom sorriu de lado, se abaixou e pegou alguma coisa pequena e peluda do chão. - Esse é o Marvin - ele pegou na patinha do bicho e estendeu na direção da garota que riu - e essa é a menina sem nome, Marvin. - cochichou na orelha do bichano. respondeu rindo:
  - Me chamo , mas pode chamar de se quiser e não fuja da minha pergunta, porque mexeu na minha...
  - Bolsa, já entendi - Tom bufou, coçando atrás da orelha do gato - é que não tem fotos aqui, eu queria saber de quem era a casa que eu invadi, como não tinha ninguém por perto, o Marvin curioso e safado como é, me disse que eu podia ver que ninguém ia perceber.
  - Não coloque a culpa no coitado do gato, Tom malvado. - repreendeu, chegando perto e fazendo carinho no gato que ronronou e inclinou a cabeça para o lado dela.
  - Isso, me troque. - Tom resmungou pró gato e riu.
  - Olha eu não tenho telefone fixo ainda - disse entortando a boca - então você pode usar meu celular para ligar pro seu amigo e tal. - pegou a bolsa e o celular, que ficaram jogados no sofá na hora que Tom saiu correndo para a escada, e se sentou no lugar que estavam. - Acho que você já sabe mexer. - disse, rindo de lado e estendeu o celular para o rapaz, que pegou com um sorriso ao mesmo tempo culpado e de agradecimento. Tom colocou o gato no colo da garota.
   ficou olhando curiosa para a pata traseira do gato. Que nem percebeu que Tom desligara a ligação, resmungara alguma coisa como ‘que droga você, dude’ e ligara para outro número, quando o rapaz desligou e voltou para perto do sofá, ergueu os olhos pra ele.
  - Então?
  - Meu amigo já deve ter ido dormir, pelo jeito dele, não sei como não me expulsou da casa. - Tom sorriu tristemente - Então, meu celular ficou lá e eu lembrei que ficou sem bateria, meu outro amigo atendeu e logo, logo ele chega.
  - Ok então, que foi que aconteceu com o coitadinho do Marvin? - perguntou e já emendou - você tava vindo do médico veterinário?
  - Estava. - Tom respondeu rápido, se assustando com a pergunta - Como sabe? Não me diga - Tom pegou o gato e o ergueu na linha dos seus olhos, encarando o bichano maravilhado - você disse pra ela? Você... Você... Você fala? - Tom sentiu as bochechas esquentarem ao ouvir a gargalhada estridente que soltou.
  - Eu vou ignorar o que você falou que é para não te deixar mais vermelho, tá? - piscou, ainda rindo. - E eu sei, porque eu vi vestígios de veterinária nele.
  Tom olhou para as patinhas do animal.
  - Ele tava com problemas, ele já é preguiçoso, aí ele não conseguia andar e o veterinário deu uma injeção um tanto quanto enorme, mas falou que vai melhorar.
   se levantou e pegou o gato de novo, foi perto da janela e olhou para a perna dele, com a ajuda da luz dos trovões, fez um careta e disse:
  - Vai melhorar sim, mas eu não daria a injeção.
  - Entende de veterinária? - Tom perguntou interessado.
  - Não muito, só algumas coisas. - sorriu e mudou de assunto, antes que o garoto perguntasse mais alguma coisa - Conseguiu falar com seu amigo?
  - Não - Tom virou os olhos -, aquele vagabundo deve ter saído. - fez uma cara pensativa e balançou a cabeça, prosseguiu como se falasse mais para si do que para a garota - Acho que ele tá mais para dormir e não acordar nunca mais. - sorriu e apontou para o carro. Então, pela primeira vez viu o carro azul do garoto, estacionado em frente à casa. - Liguei para um amigo do posto, ele ia chamar o guincho e um outro amigo, daqui a pouco eles chegam.
  - Ainda bem. - olhou feio para o rapaz - Não quero um estranho dormindo na minha casa. - Tom riu, vendo a careta dela.
  - Não sou tão estranho assim, você sabe meu nome e o nome do meu gato. Somos super amigos já.
  - Super amigos que não sabem nada um do outro - fez joinha com a mão que fazia carinho no gato. - vamos jogar conversa fora agora, que acha? - Tom sorriu assentindo igual criança. - Olha, eu podia te oferecer alguma coisa pra comer, ou tomar, mas a única coisa que eu tenho na geladeira ou nos armários é água e suco, quer?
  - Não, obrigado. - Tom agradeceu rindo e foi se sentar no sofá, seguiu seu exemplo.
  - Você é intrometido, garoto. Entra do nada, mexe em tudo, senta sem pedir. - Cah ia enumerando nos dedos, fazendo Tom rir.
  - Mas então. - Tom puxou assunto, estava distraída demais brincando com o Marvin para começar uma conversa. - Tá com a cozinha vazia desse jeito porque tá na falência, ou o quê?
  - Não. - olhou assustada pra ele - Nada disso, vira essa boca pra lá e bate três vezes - completou rindo - eu sou nova aqui. Não comprei nada pra casa, só arrumei minhas coisas e tal, você mesmo viu: nem foto tem na sala ainda e eu vou colocar, para me sentir menos longe de todo mundo.
  Tom percebeu o olhar de quem pensa em coisas boas que ficaram no passado, nos olhos da garota que fitava a parede e decidiu perguntar de uma forma diferente do que tinha pensado:
  - Nova? Veio da onde? Percebi um sotaque totalmente diferente dos britânicos, tanto do norte como do sul.
  - Sou do Brasil - fez uma careta - meio longe e tal...
  - Não fugi das aulas de geografia. - Tom resmungou, fazendo bico.
  - Oun que bom, garoto dedicado. Assim que tem que ser, para ter um futuro legal. - fez outro joinha e voltou a brincar.
  Tom a olhou de lado, a garota não fazia idéia de quem ele era? Nenhuma?
  - E você é dedicada?
  - Demais, se não eu não estaria aqui - riu pelo nariz, colocou Marvin no chão, pegou, da bolsa, o carregador do celular, tirou a ‘cabeça’ e ficou passando o fio no chão o que chamou a atenção do gato, que pulava tentando pegar o fio pra si.
  - Veio parar no outro lado do mundo, só para estudar? - Tom perguntou se assustando, pensando nos amigos, Dougie nem se quer terminara os estudos.
  - Lógico. - olhou para o rapaz assustada, deu bobeira e Marvin pegou o fio - Droga. - xingou e riu ao ver a alegria do gato. - Meu futuro depende do que eu faço hoje, se quero uma coisa boa lá na frente, tenho que me esforçar agora e não vejo sacrifício maior do que ficar longe de quem viveu comigo vários anos e morar sozinha em outro país.
  Tom não respondeu, não só porque ele não sabia o que responder, mas porque no momento a atenção dos três, sim, a do Marvin também, se voltou para a lâmpada da sala que se acendeu.
  - Quando você vai dormir, fora você deixar a sua casa aberta, suas coisas jogadas, você ainda deixa as luzes acesas? - Tom perguntou rindo e o olhou desconfiada.
  - Quem te disse que eu tava indo dormir?
  - Suas roupas te entregam. - Tom encolheu os ombros e encarou sua vestimenta, uma calça de moletom velha e surrada e uma camiseta rasgada no ombro, enquanto a garota ficava vermelha Tom ria.
  Ouviram um barulho e Tom foi olhar pela janela.
  - Meu amigo chegou com o mecânico. - ele sorriu se virando para a garota que o olhava triste - Que foi?
  - Vai levar o Marvin de mim? - perguntou, pegando o gato que voltara a brincar com o fio. Marvin se esqueceu do seu brinquedinho quando começou a receber carinhos atrás da orelha. Ronronar, fechar os olhos e se encostar no peito da garota era melhor do que brincar, sem dúvidas.
  - Nossa. E eu achando que você tava triste porque eu ia embora. - Tom fingiu estar magoado fazendo a garota rir, abriu a porta e acenou para os caras no caminhão do guincho - Ae, ta garoando agora. - o garoto vibrou.
  - Ainda bem, não estou a fim de dormir com aqueles trovões chatos. - resmungou se aproximando da porta, olhando para o caminhão.
  - Então... - Tom se virou para ela e ficou mudo. sorriu:
  - Quando seu carro quebrar de novo ou se você não estiver ocupado demais e quiser passar aqui em casa - a garota deu de ombros - prometo que vou estocar comida e vou ter alguma coisa descente para te oferecer. - Tom riu.
  - Não se preocupe, você teria que fazer isso se o Danny e o Dougie aparecessem. - sorriu, pegando o gato - Diga tchau Marvin. - pegou a patinha do gato e acenou.
  - Sem problemas, apareça e traga eles, qualquer dia. - sorriu enquanto o garoto se afastava.
  Enquanto se despediam o mecânico tinha rebocado o carro, Tom entrou no caminhão e viu que o amigo dele tinha um moicano a lá Pierre Bouvier, sorriu e ficou acenando até o caminhão sumir de vista, com uma buzinada.
   voltou para o quarto com seu amado copo, com seu celular - já com o despertador ativado - e com a bolsa. Decidira assim que fechara a porta e notou a bolsa, que, depois daquele susto, não a deixaria jogada em qualquer lugar mais, muito menos aberta.
  Entrou no quarto, deixou as coisas no criado-mudo, menos a bolsa que enfiou dentro do armário, e se deitou. Sorriu e disse para si mesma:
  - Tom... Ele parece ser um cara bem legal, apesar do susto e da forma tensa que nos conhecemos. - riu baixinho, se virou para a parede e dormiu perfeitamente bem até de manhã.

Capítulo 2

  QUARTA-FEIRA

  Acordou com o bem(mal)dito despertador, levantou rápido, apesar do frio. Ficar se enrolando nas cobertas não adiantaria em nada. Acendeu a luz, se trocou, penteou os cabelos e foi abrir as cortinas da janela. Assim que abriu-as, percebeu que nunca, jamais, nem em sonho, se sentira tão bem em uma manhã fria, por mais que amasse o frio.
  Fitou as casas da frente e as arvores e riu, estavam iguais a bolos cobertos com toneladas de glacê. Tudo estava branco e sentiu os olhos marejarem, reparou que na rua a única parte que não estava branca por causa da neve, eram as faixas deixadas pelos pneus dos carros que já haviam passado por ali.
  Seus olhos brilhavam. Conseguira realizar o maior sonho: ver a neve, assim pertinho. Abriu a janela e nem o vento gelado e cortante a proibiu de passar a mão pelo caixilho e sorriu, tocando na neve fofa, branca como algodão.
  Agora, só precisava realizar o segundo maior sonho, que estava muito ligado ao primeiro: ver a neve caindo! Não sabia como era a coisa em Londres, nunca vira neve, mas ao olhar pró céu teve a impressão que não seria nessa hora que caíria mais neve e não dava sinais de que seria daqui algumas horas, então fechou a janela, colocou um casaco em cima do outro, parecendo uma bola e saiu de casa.
  Lembrando-se de sua lista mental: 1° lugar, mercado, não tinha nada que sustentasse na casa, deu uma rápida olhada na bolsa e constatou que o dinheiro ainda estava ali, riu pensando que Tom não era ladrão e fechando a porta de entrada, saiu pra rua, olhando tudo ao seu redor e se sentindo a pessoa mais maravilhada do mundo e pensando que sua expressão devia estar totalmente abobada.

  :xx:

  Tom foi acordado pelos amigos às 11 horas. Acordou e ficou olhando tudo ao redor assustado e atento à qualquer movimento que parecesse brusco demais.
  Danny, Harry e Dougie, seus melhores amigos. Moravam na mesma casa. Sabiam tudo um do outro e sendo assim Tom tinha todos os motivos do mundo e da galáxia para duvidar que simplesmente o acordariam como pessoas normais e ficaria nisso mesmo. Não, os membros do McFLY não eram assim!
  Harry tinha o acordado e rapidamente saído do quarto. Tom não ousou levantar, vai que tinha cacos no chão? Ou então, quando olhasse para o chão, para se certificar que não tinha nada cortante e letal ali, um soco (daqueles de caixinha, que você abre a caixa e sai um punho e te acerta no rosto - Tom anda vendo muito desenho animado? Concordo) acertasse-o no rosto e ele teria que ficar com o seu lindo olho castanho, roxo? Ouviu passos, o barulho da porta se abrindo e Danny se encostou no portal da porta:
  - Acorda, flor. Onze horas já e até o Dougie tá de pé. - riu, sem motivo aparente, o que deixou Tom ainda mais receoso.
  - Temos que ir na gravadora hoje, Fletcher. Ainda tem coisas que não acertámos e o Fletch ligou e disse que tem novidades - Harry falou, quando entrou no quarto e despejou alguns tecidos aos pés de Tom. - Não sei porque diabos, mas estavam no meu guarda-roupa - falou coçando a cabeça, bagunçando o moicano e xingando baixo.
  Tom pegou as roupas e viu que eram várias de suas blusas, olhou de lado prós amigos e Dougie entrou no quarto comendo um pedaço de bolo:
  - Anda, vagabundo, levanta. Você chegou tão tarde ontem - demorou para entenderem, um anão falando de boca cheia não é a coisa mais decifrável e bonita de se ver.
  - Que nem deu pra te interrogar - Harry disse, se olhando no espelho e arrumando o que estragara no cabelo.
  - Me interrogar? Sobre? - Tom perguntou enfim se levantando, não era do feitio dos amigos esperarem tanto para pregar uma peça em alguém. A não ser Harry que era frio e calculista, mas ele estava distraído demais, arrumando o moicano.
  - Me falaram - Danny disse olhando para o teto e passando a mão pelo queixo - Que você curtiu a chuva ontem, com uma gatinha.
  - Harry, o senhor fuxiqueiro - Tom disse irônico, já arrumado e saindo do quarto, depois de dar um pedala no amigo e estragar ainda mais o cabelo do cara - E eu não aproveitei nada, dude.
  - Não? - Dougie perguntou, correndo para a cozinha e pegando outro pedaço de bolo. Os garotos entraram depois, até Harry que, abanando a mão com desgosto, desistira do cabelo e olhava o companheiro de banda, não sei te explicar os pensamentos do Harry: podia ter desistido do cabelo, só para ouvir a história do amigo pois o baterista é curioso como um cachorrinho novo ou estava vindo junto e preparando algum plano diabolicamente bom para fazer o amigo pagar o estrago no seu cabelo, eu sei: foi só um tapa, mas esse garoto é apaixonado por suas madeixas.
  - Não, dude. Eu nem conheço ela, ela nem me conhece...
  - NÃO TE CONHECE? - Harry, no que quer que ele estivesse pensando, com toda a certeza saiu de sua mente, a única coisa que ele pensava agora era - COMO ela NÃO te conhece? Você É o Tom Fletcher.
  - De que lugar essa garota veio? - Danny perguntou, se juntando à indignação do amigo.
  - Do Brasil - Tom respondeu rindo da cara dos amigos. Dougie, pela primeira vez ergueu os olhos do seu babado pedaço de bolo.
  - Sério? - acredite, o Dougie fazendo uma cara tarada comendo bolo, com os cantos da boca todo sujo de chocolate, não é uma coisa legal.
  - Sim, a gente não conversou muito, mas ela me contou isso e que está aqui por estudo - como Tom havia imagino Danny e Dougie arregalaram os olhos com cara de: ‘qual o grau de problema dessa garota?’. Tom riu.
  - Mesmo assim, nós temos alguma fama no Brasil, não temos? - Harry indagou fazendo uma cara confusa.
  - Vai ver ela não curte o nosso tipo de música - Tom deu de ombros, abrindo a geladeira e pegando suco.
  - E porque não conversaram muito? Você ficou lá um tempão - Danny fez sua cara tarada - E se você realmente não pegou ela...
  - Cala a boca, Jones - Tom olhou feio pró amigo depois riu, Danny tinha esse dom. - Ela demorou muito pra se acalmar.
  - Acalmar? - Dougie perguntou assustado - Realmente, ela deve estar acostumada com caras bonitos e não com caras tipo: Tom Fletcher.
  Tom mandou o dedo pró amigo e se sentou, pegando um pedaço do bolo e contou que invadira a casa da garota e que ela se assustara.
  Os outros três faltavam mijar de rir, Harry, como sempre, não pode deixar de alfinetar:
  - E ela deu mais atenção pró Marvin do que pra você? - Tom não respondeu, só ficou rindo.
  Assim, se passou o resto da manhã e duas horas e um quarto da tarde eles entravam na sala reservada para reuniões ou comunicados importantes da gravadora.

  :xx:

   passou uma parte da manha fazendo compras, tanto compra de alimentos como de roupas, o inverno parecia que ia ser rigoroso, pelo menos ouviu, pelos alto-falantes do mercado, os jornalistas da rádio comentando que esse ano seria ainda pior que o ano passado, ainda não estavam previstos nevascas, mas era para cair muita neve no próximo sábado, faltou pular quando ouviu isso, era quarta-feira, dali três dias, talvez, pudesse realizar o sonho que tinha desde que tinha dez anos.
  Apesar de andar igual uma bola, apesar que bola não anda, depois de fazer suas lindas compras, foi fazer o que havia prometido: andar pelas ruas perto da casa, foi andando por andar mesmo, tinha aula dali algumas horas e não tinha tempo nenhum para conhecer pontos turísticos, então andou só reparando nas casas, os prédios, as construções e pouco tempo depois estava em casa, assim que entrou foi para a janela e ficou olhando para as pegadas que deixara na neve, sorriu e foi tomar um banho muito quente.
  Se trocou rápido e correu - não literalmente - para o colégio. Gabs estava sentada na sua ante última carteira da fila da janela, foi até a amiga e sorriu.
  - Esse sorriso tão grande - Gabs se virou para trás, olhando a amiga com um sorriso de lado - Qual as novidades?
  - Ai, gata. É cega agora? NE-VOU - as pessoas que estavam na sala, se escondendo do frio a olharam estranho, deu um sorriso de culpada e voltou a atenção para a amiga.
  - Que tem de mais nisso? É normal nevar aqui na metade de novembro - Gabs deu de ombros, olhando para as unhas, a encarou abismada.
  - Eu NUN-CA vi neve, garota. Você não tem noção de como é isso - se abraçou sorrindo. Gabs fez uma negação com a cabeça, rindo.
  - Só isso? Esse sorriso maior que a sua cara, só por causa da neve?
  - É o único motivo que eu tenho para sorrir, amiga - suspirou.
  - Porquê? Aconteceu algo com a sua família? - Gabs se endireitou na cadeira.
  - Não, vira essa boca, guria. Nada disso, só um estranho que entrou na minha casa ontem e eu me assustei. Foi relativamente tenso. - Gabs riu, muito alto, quando contou do acontecido.
  - O senhor monstro se identificou? - Gabs perguntou entre risadas.
  - Ah sim, depois que eu quase morri. Se chama Tom Fletcher, que foi? Tá tudo bem? - acrescentou, preocupada, vendo a amiga arregalar os olhos e a olhar como se fosse de outro planeta.
  - Tom Fletcher? - confirmou - Tom Michael Fletcher?
  - Ah e eu vou saber? Eu não ia perguntar o segundo nome dele, eu estava assustada demais pra isso - deu de ombros e Gabs continuou a encarando. - Que foi? Para de me olhar assim, se acontecer de eu ver ele de novo eu pergunto tá? Agora, calma.
  Gabs a olhou de lado, antes de se virar para a frente, a professora tinha acabado de entrar. A garota não podia ter duvidas, a cara de era a mais normal possível, mas será possível que ela nunca ouvira falar em McFLY? Isso era um absurdo.
  Sorriu, pensando que podia sim ser o Tom famoso que gostaria tanto de conhecer. Quem sabe, conhecer o Tom e ele lhe apresentar o Dougie? Seria o maior presente que alguém poderia ter. Depois de sorrir, voltou o foco para a aula, mas era difícil não ficar pensando na McFLY agora. Se realmente for ele, que sorte a ter entrado na minha sala, pensou sorrindo, passou a tarde toda pensando nisso e sorrindo. Parou só por dois minutos para brigar e repreender , falando que não estavam em um colégio, mas sim numa Universidade.

  :xx:

  Os garotos saíram rindo da gravadora, nem o vento que parecia uma foice batendo em seus rostos, fez pararem com os sorrisos. Os ingressos para o show de sábado haviam se esgotado, de novo, mesmo que um trovão os acertasse nas pernas, eles não iam perdem aqueles sorrisos.
  - Agora, a única coisa que falta, é a gente arrebentar no show - Tom disse vibrando e Harry lhe deu um tapa na cabeça. Tom não se importou, sorriu.
  - Isso é fácil, eu pelo menos, já me acostumei - os outros concordaram e riram.
  Essa era a novidade do Fletch, tinham se esgotado mais uma remessa dos ingressos, o estádio iria se encher sem um pingo de dúvidas.
  - Agora o que realmente falta - Harry continuou. - é o se animar e esquecer o que passou.
  - Falei isso pra ele ontem - Tom abanou a cabeça. - ele está realmente magoado cara, tava com uma cara, que eu nunca achei que ia ver, não no .
  Os garotos se sentiram mal com isso, era amigo deles e iria abrir o show com os companheiros de banda: Busted.
  A única coisa que ninguém queria, era algum deles triste.

  :xx:

  - Não acredito - suspirou, ’não acredito’ tinha falado tanto aquilo. Estava fazendo um mega chocolate quente, já estava noite e o dia tinha sido ótimo.
  Pegou sua xícara, foi para a sala, confirmou se a porta estava trancada e se jogou no sofá quase jogando todo o conteúdo da xícara no chão.
  - Burra - resmungou e ligou a TV. Decidiu deixar no noticiário, seu pai sempre falava que era bom se informar e o noticiário era para isso. Agora o professor...
  - Da universidade - falou alto, não se esquecera dos xingos que ganhara de Gabs.
  Voltando, o professor praticamente os obrigara a assistir noticiários, era importante para a formação, mas ele se esquecera de falar, que, se caso passasse matérias sobre, possível nevasca não era para se alegrar e pular e derrubar chocolate quente na roupa. E, coitada, que não foi avisada, fez exatamente isso.
  Ia trocar de roupa quando o celular tocou, desligou a TV e atendeu:
  - Oi.
  - Quem tá falando? - a voz do outro lado era grossa, rouca e antipática.
  - Porque quer saber? Quem tá falando? - seu tom animado, quando atendera a ligação mudara completamente.
  - - o rapaz falou como se fosse o rei.
  - Ah, legal, eu me chamo Fernandes - falou irônica. O garoto bufou.
  - E porque me ligou?
  - Oi?
  - Por-que vo-cê me li-gou? - repetiu a pergunta devagar, como se fosse uma idiota.
  - Eu não liguei pra você garoto, não te conheço e nunca vi seu número na minha vida - falou, fingindo calma. O rapaz achava que era quem? , não é o nome do rei.
  - É? Como seu número apareceu na minha tela, então? Seu celular liga sozinho? - rapaz irônico, não conhece o perigo da morte, não?
  - Isso foi ontem? - perguntou, tentando ao máximo ignorar o tom dele e pensando para quem ligara.
  - Foi, à noite. Uma hora muito imprópria para ficar tentando passar trote.
  - Cala a boca, guri. - gritou, resmungou um ‘ouch’ - Você conhece algum Tom? Tom Fletcher? Ele que deve ter ligado - toda a simpatia que sentira pelo Tom, acabara de passar, que amigo mais mal criado que o rapaz tem.
  - Conheço, mas nunca ouvi falar em você, vai me dizer que ele entrou na sua casa e usou seu telefone? - riu.
  - Acredite se quiser, foi isso mesmo - assentiu, correu para o quarto e se jogou nas cobertas, a sala estava gelada demais. - Ele entrou aqui, me assustou, emprestei o celular pra ele e o amigo que ele deve ter falado, é você - terminou lentamente com uma expressão confusa. - Hey, não foi você que veio buscar ele com um caminhão de reboque não? Você tá me fazendo de boba? - perguntou irritada.
  - Lógico que não, eu não fui buscar ninguém, Tom saiu daqui e eu fui dormir. - cortou a frase rápido e já emendou - Como era o cara?
  - Ah eu não sei. Estava chovendo, ele não desceu, mas eu vi que ele tinha moicano.
  - O Harry que foi buscar ele então - suspirou e se deitou no sofá.
  - Que seja, mais alguma coisa, senhor? - perguntou irônica.
  - Qual seu nome mesmo? - sorriu, a voz irônica da garota não o irritava mais, mas ele queria irritar. - Sabe, tenho que confirmar com o Tom sua história e tal.
  A próxima coisa que ouviu foi o som da linha ser desligada, olhou para o celular e a vontade de tacar ele na parede era imensa, mas seria mais proveitoso, meter ele na cabeça da garota. Ligou de novo.
  - Que foi? Me deixa dormir - atendeu educada como sempre.
  - Seu nome?
  - Escreva no papel, tá? Porque eu já falei e você esqueceu, me chamo .
  - Sobrenome? Sabe o Tom deve conhecer mais de uma , sem dúvidas. - sorriu de lado, anotando o nome na lista telefônica, ouviu a garota bufar.
  - Fernandes, Fernandes, ele é importante pra conhecer mil Carlas, certo? - perguntou irônica e ia retrucar, mas pensando bem, se ela fosse fã de McFLY estaria berrando que Tom entrou na casa dela, seria bom mesmo confirmar com o amigo.
  - Então, quantos anos tem?
  - Isso eu não falei para o Tom, não é necessário você saber.
  - Ouch, que tal educação, garota?
  - Você não foi educado - riu baixinho.
  - Mas vou ser agora - suspirou se lembrando do dia anterior. - E eu não quero saber para perguntar pró Tom, fiquei curioso, só isso, você deve ter uns 10 anos, para falar o nome pra estranhos e tal.
   sentiu o rosto ficar lívido. Depois sorriu:
  - Você disse que ia ser educado.
  - Ah sim, minha memória é fraca - sorriu.
  - Posso fazer um teste, então? - perguntou, pensando na conversa com Tom - Para saber se você tem memória fraca mesmo?
  - Pode - deu de ombros. - mas antes, você falou em dormir, já deitou?
  - Agora pouco - deu de ombros e lembrou que ele não podia vê-la.
  - Então, espera - ficou ouvindo barulhos no fundo, um xingamento, barulhos e voltou.
  - Pronto, faça seu teste. - falou, se cobrindo.
  - Você foi deitar também? - perguntou rindo. - Então, vamos lá senhor . Porque você estava tão mal ontem? - ficou quieto, não ouvia nem a respiração dele. - Pergunta muito indiscreta ou você realmente tem a memória fraca? - perguntou tentando fazer piada, mas não riu, entortou os lábios, esperando que ele pelo menos sorrisse até o fim da ligação. demorou mais algum tempo, então respondeu, devagar, receoso.
  - Não... E-eu lembro - estranhou, aonde estava aquela voz de poderoso de antes? trocara aquilo por uma gaguejada?
  - Desculpa - sorriu culpada.
  - Pelo quê? - puxou as cobertas até o pescoço.
  - Acho que você não queria lembrar, seja lá do que for e eu, curiosa e intrometida, te fiz lembrar disso, foi mal.
  - Que isso - suspirou, a garota mudara o tom irônico para algo tipo: ‘tenho pena de você’, pelo menos era o que parecia para o rapaz. - Mas ficou curiosa por algum motivo, o que o Tom te disse?
  - Nada de mais, ou nada que me desse dica do que aconteceu, ele só disse, porque ele ligou e você não atendeu, sabe. Então ele falou que você devia ter ido dormir que ele não sabia como que você não tinha tocado ele da sua casa e, eu lembrei agora, e resolvi perguntar, pergunta chata né?
  - Sério? - afundou a cabeça no travesseiro, realmente não fora lá muito educado com o amigo no dia anterior, droga. - A pergunta não é assim tão chata, mas eu não quero te encher o saco, então deixa quieto.
  - Não vai me encher o saco - disse rápido, o garoto a deixara curiosa, alguma coisa íntima devia ter acontecido para ele mudar daquele jeito o seu tom. - Só não fale se não quiser, tá? Não vai me atrapalhar em nada.
  - Minha namorada me traiu. E não foi só uma vez, soube que não foi nem duas nem três noites e - parou, havia disparado aquilo tudo, sem pensar em nada, sem pensar no seu orgulho.
  - Pode falar, . Se você desabafar, por mais que seja com uma estranha que, provavelmente, nunca vai te ver, você vai se sentir melhor, aliviado, vai dormir bem e essas coisas boas. - sorriu, estava falando demais, de novo.
  - É, talvez né, então, eu fiquei sabendo disso ontem, na madrugada de ontem, não pergunte como, tá? Eu não vou falar sobre isso, é como se eu tivesse descoberto de outro jeito e eu nunca tivesse visto aquela cena. - mudara o seu tom novamente, agora era de raiva.
  - Sem problemas - se apressou em assegurá-lo.
  - O Tom ficou sabendo e ele veio aqui, mas eu tou meio que me sentido culpado agora, eu não fui muito educado com ele.
  - Você não é educado com ninguém, hein garoto? - misturou censura e riso na voz, depois falou séria. - O Tom parece ser um cara que sabe entender as pessoas, ele não deve estar brabo ou coisas do gênero com você, liga pra ele amanhã e fala, pode ser?
  - Vai ser - sorriu, ficou quieta por um tempo e depois começou a despejar perguntas do tipo:
  - Qual o nome da sua ex-namorada, é porque se ela ainda for sua namorada, você apanha;
  - Quantos anos?
  - Qual o nome dela?
  - Bateu nela?
  - Jogou tinta azul na cara dela?
  - Falou que ela devia morar com cachorros sarnentos?
  Depois de cinco minutos, não conseguia parar de rir. falava coisas totalmente sem noção e percebeu que era só para fazê-lo rir. Se sentiu incrivelmente bem com isso, com a voz dela, com as palhaçadas dela, com a censura - porque ela não parava de chamá-lo de malcriado. Então o jogo virou:
  - Impossível não perceber, depois de - olhou o visor do celular - 20 minutos, que você tem um sotaque improvável demais de se encontrar na Inglaterra.
  - Me senti única - falou boba e riu.
  - Você é de onde?
   contou, da universidade, que viera à estudos, falou que todos seus parentes estavam no Brasil. E então começou a falar que estava totalmente abobada com a neve, contou dos irmãos e dos pais, contou da escola que deixara no Brasil, falou dos amigos. resolveu falar mais também, e contou da família, dos irmãos - sem mencionar a fama - contou dos amigos. E confirmou que se Danny e Dougie aparecessem na casa dela, ela estava ferrada ao cubo. Uma hora depois, desligaram. sorriu e disse a última frase da noite:
  - Vou confirmar com o Tom tudo o que você me contou, se for mentira, você esta ferrada garota.
   ia responder, mas já tinha desligado.
   sonhou que era um garoto da sua ex-escola, que não se dava bem no começo do ano, então rolou muitas brigas em sonho, no final - tanto do sonho como do ano letivo anterior - ficaram tão amigos que Marcos foi se despedir no aeroporto, coisa que nem seu irmão mais velho fez, no sonho também foi se despedir dela no aeroporto, a única coisa, realmente nítida que se lembrava do sonho, era o a abraçando e dizendo: 'espero que algum dia você volte a Londres, foram os melhores dias pra mim'. a olhou e virou as costas.

Capítulo 3

  QUINTA-FEIRA

   havia desligado o telefone e dormido em segundos, então nem se lembrara de salvar o número de , por isso, onze horas do dia seguinte, atendeu o telefone sem saber quem ligava.
  - Oi?
  - Não se lembra de mim? - perguntou indignado, o desconhecido era óbvio na voz dela.
  - ? - perguntou assustada.
  - Não acredito que não salvou meu número - sacudiu a cabeça, fingindo sofrimento, a garota riu.
  - Olha, estou sem tempo pra discutir isso agora. - o que era verdade, se ficasse cinco minutos no telefone, se atrasaria para a primeira aula do dia.
  - Já está me tocando? - não parou o fingimento.
  - OMG - falou meiga. - Tenho aula, esqueceu?
  - Por alguns segundos - assumiu. - Então, Tom me falou que realmente era verdade.
  - NÃO ACREDITO - a meiguice de ? Foi pró espaço e deu lugar a indignação. - Você não acreditou em mim? Você, você realmente, ligou pra ele para confirmar?
  - Calma, . Liguei para me desculpar e acabei comentando de você - sorriu - Tá ocupada hoje?
  - Tenho aula hoje - falou rabugenta.
  - Depois da aula?
  - Não, vai me ligar e ficar uma hora no fone de novo? - perguntou rindo.
  - Não, queria sair. Fala logo, que você está atrasada.
  - Estou livre - respondeu sem pensar, depois arregalou os olhos, que atitude mais de 10 anos, ele era estranho pra ela.
  - Ok, 7 horas eu passo aí, corra da universidade para casa e me espere, se você tiver alguma aula vaga, me ligue que saímos antes, ok? Tchau - desligou e pensou que, quando o encontrasse à tarde, enfiaria o celular na goela dele e ele nunca mais daria tchau e desligaria o telefone na cara dela.
   realmente me assusta! Ela fica braba porque o cara desliga na cara dela, porque ela assumiu um compromisso sem conhecer ele o que torna a frase ‘você parece ter 10 anos’ muito real e mesmo assim ficou sorrindo durante as quatro aulas da tarde, pensando em como seria , se aquela voz rouca, grave e muito grossa combinaria com ele e essas coisas.
  As duas últimas aulas foram vagas, professora doente e essas coisas, ótima noticia para pessoas que vão sair com estranhos.
  - Rola ir lá em casa? - Gabs perguntou se levantando da mesa e colocando a mochila nas costas.
  - Ah - entortou os lábios - Não posso amiga, talvez outro dia, hein, hein - cutucou a outra nas costelas e riu da cara de poucos amigos da amiga.
  - Larga disso, criança - Gabs bateu na mão da garota - E por que não pode? O que é mais importante que a minha casa, senhorita?
  - O - riu alto quando disse isso e respondeu à cara de interrogação de Gabs - Um cara, que me ligou ontem e hoje de novo e me chamou pra sair e eu vou.
  - VOCÊ BEBEU O QUÊ? NÃO VAI NÃO! VAI QUE ELE É UM EST...
  - Eu vou levar aquele negócio de pimenta no bolso, tá? Se ele for isso que você ia falar, mas que eu não quero ouvir, eu uso e pronto, amanhã eu estou aqui de novo, para te encher o saco e falar porcarias e estarei inteira - acenou e saiu da sala sendo observada por uma Gabs indignada e de boca aberta.
  Saiu pelo portão da frente, junto com todos os seus colegas fofos e legais (e com os nada fofos e totalmente antipáticos). Pegou o celular do bolso da blusa e discou o último numero de chamadas recebidas.
  - Tenho que marcar o nome dele aqui, alô - se assustou com a rapidez do rapaz.
  - ‘Dele aqui’? Oi - respondeu.
  - Nada não - sorriu sem graça - É... Então, tudo bem? - percebeu que não sabia como falar que tinha saído antes, ele poderia achar ela muito... Oferecida, talvez.
  - Estou muito bem, obrigado e você?
  - Estou bem.
  - Fugiu da universidade porque sentiu saudades da minha voz? - perguntou rindo.
  - Nada disso, até parece. Só liguei porque eu tive aula vaga, como você tinha dito.
  - Ah legal então, daqui quanto tempo eu posso passar aí? Cinco horas?
  - Você lê mentes, só pode. Sim, às cinco. Mas, você nem sabe aonde eu moro - enfim reparara no pequeno detalhe.
  - Eu me viro, garota. Tchau. - e pela segunda vez no dia, ficou com o telefone na mão com a cara mais idiota que conseguia fazer.

  :xx:

   riu, imaginando que ela não devia ficar feliz com aqueles rompimentos na ligação, foi para o banheiro, tomou o melhor banho que podia tomar e só quando saiu do banheiro e já vestira a roupa e estava calçando o tênis que se lembrou que em nenhum momento, depois que desligara o telefone na noite passada, se lembrara da ex-namorada, sorriu, sentindo que nada o deixaria triste na vida e ficou esperando dar a hora de sair de casa. Não aguentou ficar mais de quinze minutos, só tendo por companhia a televisão, então pegou o papel em que anotara o número e a rua de e foi pegar o carro.
  Na estrada, olhou, talvez pela vigésima vez desde as nove horas daquela manhã, para o papel que continha o endereço e dirigindo devagar, para matar o tempo e não chegar muito cedo na casa, se lembrou de como conseguira aquela anotação.

  Flashback:

  - ? Tudo bem? - Tom atendeu e percebeu seu tom preocupado, revirou os olhos e disse.
  - Bem demais, e você?
  - Super bem, que aconteceu? Está bem mesmo? - Tom não ia aceitar que estava bem, tão fácil.
  - Uma ligação, mas antes de falarmos disso, Tom desculpa por antes de ontem, dude. Eu não queria ser tão chato e besta, você só queria me distrair e ajudar e eu fui o pior cara que existe, foi mal, mesmo!
  - Que isso - Tom sorriu, pedindo desculpas. - Esquece aquilo. Eu fui meio intrometido demais - risos dos dois. - Mas que ligação?
  - Uma garota, o número dela tava gravado no meu celular e eu liguei pra ver e ela me disse que você tinha invadido a casa dela, eu realmente duvidei disso, dude.
  - Não duvide - Tom contou a história, rindo muito.
  - Parece que você achou ela tão... Legal - observou, depois de rir muito. - Rolou alguma coisa ou você pretende que ainda role?
  - Rolou nada, . Nem vai rolar, ela não demonstrou ter sentido nada demais, até porque só se vimos uma vez e nem eu, só gostei dela, como... Como se eu quisesse ter ela como amiga do meu lado - Tom soltou e sorriu envergonhado, realmente parecia legal, o tipo de pessoa que Tom queria que convivesse com ele e os meninos.
   suspirou meio (muito) aliviado e disfarçou isso contando da ligação, Tom riu comentando coisas como:
  - Podia ter sido mais simpático, ela é legal e não tem amigo algum aqui, acho que só os que estudam com ela, mas não sei...
  - Ela deve ter arranjado alguém já - deu de ombros. - Ela demonstrou te conhecer? Ou conhecer o McFLY?
  - Na-da! Acho que ela nunca ouviu - Tom fez uma careta. - Ou então não fazemos o estilo dela.
  - Será? - se lembrou das bobeiras que a garota falara na noite passada só para alegrá-lo. - Ela meio que me lembrou o Daniel. - Tom riu, e riu por culpa de seus pensamentos:
  - Dude, por que, já que você não tem o que fazer hoje e precisa distrair a cabeça, não liga pra ela e não marca de saírem? Ela não conhece nada, na-da, de Londres, acho que ela vai aceitar um passeio ou algo do tipo - Tom falou animado, depois de algumas negações e hipóteses idiotas de , Tom conseguiu passar o endereço dela. Ficaram mais, pelo menos uma hora, conversando e falando mal dos amigos e Tom gritou ao ver as horas. - Ela logo vai sair para estudar, desligue essa porcaria de telefone e ligue pra ela, agora! - Tom mandou e desligou.

  End flashback

   gargalhou se lembrando disso, parou no posto e encheu o tanque, depois? Rumou para a casa de Fernandes.

  :xx:

  Na segunda vez que a campainha foi tocada, abriu a porta e estacou.
  Parar repentinamente passou despercebido por , que afinal tivera a mesma reação. sorriu sem graça, sentindo aqueles olhos cravados no seu rosto e disse envergonhada.
  - Oi? - despertou com a voz da garota e sorriu de lado.
  - - seu tom não era mais o de rei. Aos ouvidos de soou como o de um príncipe.
  - - pegou na mão do garoto que a puxou pra fora.
  - Não vim aqui pra ficarmos na porta, garota. - riu com a piscada dele e trancou a porta. Se ele fosse algum tipo de maníaco? estava totalmente ferrada porque preferiu sair sem levar a bolsa, e a pimentinha básica estava lá dentro. O celular estava no bolso da blusa e dinheiro no bolso da calça, não precisava de nada mais, certo? Esperemos que sim.
  - Então - falou já sentada no banco do passageiro, agradecendo por estar tão quente dentro do carro. - Melhorou?
  - Melhorei? De quê? - olhou de lado pra ela e voltou a olhar pra pista.
  - Ah, nada - sorriu sem graça, já ia se intrometer de novo. semicerrou os olhos e entendeu que a garota ao seu lado se referia a sua ex-namorada.
  - Muito melhor - acenou a cabeça. Olhou de lado para a garota e viu a expressão longe da garota e fez a terceira pergunta da noite:
  - Por que essa cara? - saiu do devaneio.
  - Estava só lembrando... da neve - respondeu num sussurro, com os olhos brilhando.
  - Você gosta daquela coisa branca?
  - Ou, não fala assim dela. Eu gostei; nunca tinha visto. - falava acenando a cabeça, parecendo um cachorro quando você pega um pano ou um osso ou qualquer coisa e fingi que vai jogar e não joga.
  - Minha mãe adora aquilo! - disse dando de ombros e riu, depois arregalou os olhos e bateu a mão na testa.
  - Falando em mãe - tirou a mão da cara. - Eu não liguei pra minha. Nem ontem, nem hoje! Ela vai vir pra Londres só para me matar.
  - Liga agora - tentava não rir da cara de desespero da garota que depois de ouvir essa frase, respondeu irônica.
  - Ela vai falar assim: você está aonde?
  eu: no carro do !
  ela: que ?
  eu: sei lá, eu não conheço ele! E então você vai ver um assassinato via telefone. Muito obrigada, mas eu prefiro não ligar – sorriu mais irônica ainda e gargalhou.
  - Aonde vamos? - perguntou se animando.
  - Aonde quer ir?
  - Hm... - olhou para o lado de fora da janela. - Não sei - voltou o olhar triste para o motorista. - Eu não conheço nada daqui, seja meu guia turístico.
  - Serei - virou à direita na esquina seguinte e ficou olhando abobada os prédios, tão diferentes e ao mesmo tempo tão iguais aos que vira quando pesquisara fotos pela internet. riu baixinho da cara dela.
  - Então, senhor guia, qual a nossa parada? - perguntou sem tirar os olhos das ruas, totalmente sem aquela neve linda do dia anterior.
  - Hyde Park, conhece? - se assustou com a virada repentina de para o seu lado - Que foi? - demorou para responder porque ficou ocupada demais rindo da cara de susto do guia.
  - Posso andar na carruagem? - seu ataque de riso foi preenchido pela expressão sonhadora. riu.
  - Não funciona depois da cinco - fez bico e voltou a olhar para os lados e o carro parou.
  - Já?
  - Não mandei você morar perto, dude.
   o olhou feio e saiu do carro, sorriu abobada para as árvores enormes.
  - Não tem nada de mais aqui, na verdade - deu de ombros parando ao seu lado. - eu prefiro o St. James, mas vamos fazer um tempo aqui.
  - Fazer um tempo? - ergueu os olhos para o companheiro.
  - É, tem um lugar que eu quero ir, mas agora não vai ser tão legal. - deu de ombros, não ia discutir, afinal ele era o guia.
  Foram andando, cercados pelas árvores e entradas para trilhas. Então virou à esquerda e entrou no pub do lugar.
   sorriu, assim que pisou no lugar. Não era nada como falavam no Brasil, por acaso Cah estava duvidando de tudo que falaram para ela no Brasil.
  Ali não tinha gente enchendo a cara até cair, pelo contrário, tinha amigos fazendo lanches educadamente e numa mesa ao lado da janela do lado norte tinha um casal e dois filhos.
  - Como você faz prá sua boca voltar ao lugar normal? - passou os dedos pela própria boca e parou de sorrir. - Ah, é assim fácil? - riu e foi até o balcão.
  Pediu alguma coisa e voltou, num piscar de olhos, para o lado da garota, fez um sinal e sentaram-se à mesa mais próxima.
  O cara, que eu vou chamar de garçom, trouxe a garrafa para o garoto e colocou dois copos na mesa.
  - Quer? É bom - despejou o conteúdo nos dois copos e passou um para o lado dela.
  A conversa fluía, sem nenhum dos dois fazer esforço ou ficar sem graça em algum silêncio constrangedor e a hora simplesmente voou.
  - Acho que passámos da hora, - falou ao consultar o relógio.
  - Me chama de - a garota sorriu - Aonde a gente vai?
  - Deixa de ser curiosa. - reprimiu e deixou o dinheiro em cima da mesa, fez um sinal para o garçom e saíram do lugar.
  - OMG - berrou quando se deu conta que estavam indo para o carro. - Você não vai embora, vai?
  - Embora daqui, mas não para casa - respondendo contraindo as sobrancelhas.
  - Por quê? Garoto mau! - choramingou. - Eu quero andar por aqui e conhecer e ver e tirar foto de tudo. - na metade da frase, parou de andar e cruzou os braços. parou dois metros na frente.
  - Tirar foto com o quê?
  - Eu tenho celular, garoto. - mostrou língua, sem descruzar os braços e sem andar um centímetro.
  - Você não vai querer se atrasar, .
  - .
  - - falou um pouco mais alto e se aproximou - Outro dia eu te trago aqui de novo, pode ser? Agora vem - agarrou no braço da garota e a puxou até o carro.
  - Dude - falou passando a mão pelo braço, já dentro do carro - Você não sabe puxar as pessoas sem machucar?
   riu, não tinha apertado com força.
  Andaram nada mais que dez minutos e parou no encostamento.
  Saíram do carro e estendeu a mão.
  - Sem machucar, prometo - sorriu de lado e pegou, rindo.
  Foram andando devagar e percebeu que estavam no Tamisa, quando se deu conta, estavam na ponte do Tamisa, parados na ponte e à frente se estendia todo o rio, ao fundo o sol se escondia e refletia de um jeito único na água.
   sorriu abobada e o vento bateu, jogando seus cabelos em toda direção, encostou-se ao seu guia e ficaram ali, parados, juntos, olhando.

  :xx:

  - Maravilhoso, ok? - falava, com aquela expressão sonhadora.
   ligou o carro e saíram pelas ruas, novamente.
  - Eu disse que você não ia querer se atrasar - o rapaz deu de ombros e riu confirmando.
  - E agora? Que horas são?
  - Oito e dez - informou, virando na esquina - Demorámos um bocado lá, hein? Você tem pressa?
  - Nenhuma - deu de ombros e o guia ligou o radio.
  - Perfeito, tem um lugar que é ótimo para ir à noite - olhou para fora. - Mas acho que você vai gostar mais quando estiver mais escuro. - só ia ouvindo e olhando as casas que passavam - Então, enquanto isso, que vamos fazer?
  - Não sei, não - entortou os lábios, negando com a cabeça.
  - Só andar e ouvir música. - o rapaz engatou uma conversa sobre bandas e cantores e descobriu que o gosto da garota era ótimo. Conversa vai, conversa vem, chegaram no destino que tanto queria. London Eye.
  - Você, como turista, não poderia deixar de vir aqui - comentou, quando desceram do carro, abrindo os braços como se quisesse abraçar toda aquela região.
  - Não vejo problemas, a não ser que eu não gosto de altura - riu pelo nariz e a acompanhou.
  - Não vai rápido, a intenção da coisa é você aproveitar tudo, sem pressa. E a altura, você vai ver quando chegar lá em cima, não é de se assustar.
   ficou argumentando até que aceitou.
  Por mais que fosse uma noite fria, tinha bastante pessoas na fila o que fez rolar os olhos e rir.
  - Não temos pressa, esqueceu? - falou normalmente e, só então, reparou no outdoor ao lado direito deles. sorriu satisfeito ao ver que ela olhava para o anúncio do show que aconteceria no sábado.
  - McFLY, é isso mesmo? - perguntou olhando para , que confirmou.
  - Nunca ouviu?
  - Não, são bons? - viu que não tinha foto da banda e entortou os lábios, triste.
  - Eu gosto - deu de ombros. - É de uns gays aí - riu, pensando que se os amigos estivessem ali, ele estaria morto a essa altura.
   sorriu, mudando a cara triste para uma expressão meiga. No outdoor tinha o horário do show e o intuito do show. Que era arrecadar o maior número possível de dinheiro para ajudar um orfanato.
  - Você tava falando sério ao dizer ‘gays’, porque, não vejo muitos homens interessados nesse tipo de coisa. - apontou para as frases de baixo, que falava que o orfanato era ‘vizinho’ com um asilo e dava o endereço e pediu a colaboração dos inúmeros fãs.
  - São, são quatro rapazes - olhou contente para o anúncio.
  - E a banda de abertura? - riu baixinho - Busted.
  - Eles não têm nada demais - sentiu muita vontade de rir. - Eles são em três, um mais bobo que o outro.
  - Que horror, - falou abrindo a boca e sorriu. Quantas vezes sua ex-namorada o chamara de ? Duas? Uma? Nenhuma? Oi?
  - Agora é a nossa vez - fez sinal com a cabeça e a garota parou na porta. - é mais seguro que a minha casa - falou e assentiu veementemente com a cabeça, o que fez a garota entrar na cabine rindo.
  Até subirem? Foi normal, sorriu sentindo um vento fraco bater em seu rosto, como se estivesse parada na rua e não subindo metros.
  Lembra que ela estacou quando abriu a porta? Então, quando chegou no topo, fez mais ou menos igual, a vista era linda, a cidade estava brilhando, luzes piscavam na ponte do Tamisa, agora mais fortes do que quando estivera lá. Sorriu vendo os parques e sentindo que por mais tempo que ficasse ali aquela sensação maravilhosa não passaria.
  , por sua vez, já estivera ali muitas vezes antes, mas agora, parecia que Londres era uma cidade diferente, mais bonita, mais legal e mais simpática do que a antiga. Quando chegou ao solo, não sabia se estava pensando, realmente, em Londres, ou na garota ao seu lado. Na companhia que substituía a ex-namorada.

  :xx:

  - Sinto fome - quebrou o silêncio que se instalara no carro, assim que voltaram da cabine. Não precisava quebrar o silêncio, não era aquele silêncio que você sente vontade de se matar, estava bom, mas ele pensou que a garota não falaria em comida, por mais que ela falasse de tudo e tanto perguntasse como respondesse, sem deixar o silêncio se instalar, ela tinha um jeito meio envergonhado. Isso se comprovou pelo silêncio dela. - Você não sente fome? - a cara e a voz de foram realmente estranhos, provocando o riso dos dois.
  - Um pouco, o passeio me sustentou - falou indecisa, fazendo uma cara estranha e rindo, seguiram para o Hyde Park.
   faltou saltar do carro e virar estrela, quando viu para onde iam.
  - Achei que seria bom - deu de ombros, seguindo para o restaurante ao lado do Pub, que entraram mais cedo.
  - Que Le-Gal - fez joinha, quando entrou e viu aquele povo todo. O guia sorriu.
  Se sentaram, numa mesa que escolheu e percebeu que ele parecia ter um tipo de poder nos atendentes, pelo jeito que lhe respondiam ou lhe ofereciam as coisas. voltou sorrindo e estendeu o braço, riu alto e colocou a mão esquerda na boca, tapando o som com cara de culpada e passou o braço direito no braço esquerdo do seu guia.
  A mesa ficava na janela, que tinha a vista para a fonte que jorrava água bem uns sete metros para cima e respingava em todo o circulo que tinha nas bordas, luzes coloridas.
  O jantar foi tão bom quanto todo o resto e ficou com medo que o seu guia lhe batesse quando teimou em, pelo menos, dividirem a conta.
  Depois do jantar, foram ver a fonte. Ou iam ou não dormiria uma semana a fio. Andaram por algumas calçadas iluminadas por luzes amarelas e brancas e depois voltaram para o carro, aonde tiveram um retorno para casa, mais quieto e calmo.
   a deixou na frente da casa e lhe agradeceu bem umas dez vezes, quando percebeu que ia mandar ela calar a boca, desceu do carro e acenou.
  - Talvez, você tenha notícias minhas amanhã. Tchau - o rapaz respondeu ao aceno e saiu sem esperar resposta. Só então, se lembrou que tinha esquecido de fazer o cara engolir seu celular.
  Quando deitou e se virou para a parede, sorriu com o pensamento de ‘o pescoço dele é bonito demais para meu celular ficar entalado lá’.

Capítulo 4

  SEXTA-FEIRA

  ‘Não disse que eu ia voltar inteira? ‘‘ Gabs segurou a risada ao ler o bilhete.
  Chegara atrasada na aula e não tiveram tempo de conversar.
  ‘ ‘Mas eu me preocupei, tenho esse direito, certo?! Como é o Carlos?’
  ‘
‘- fuzilou a amiga com os olhos. - ‘ ‘Ele é legal’
  ‘Pegou ele?’
  ‘’Tá querendo me chamar de quê? ¬¬’
  ‘Bom, sua amiga lá do Brasil te chama tanto de bitch e tal’
  ‘Cala a boca garota ¬¬’
  ‘Eu não falei nada *santa*’
  ‘[ironia] kk- *engraçada mode on* [/ironia], mas então *_* foi muito, mas muito legal (y)’

  Gabs riu baixinho e olhou para trás, só para confirmar que os olhos da amiga brilhavam.
  ‘ ‘O que vocês fizeram, já que não se pegaram? (66’
   deu um pedala na cabeça da amiga, que não pode revidar, mas registrou em uma nota mental: bater na até ela morrer!
  ‘ ‘A gente foi no Hyde Park, porque ele queria fazer um tempinho, depois na ponte do Tamisa *__* eu morri com a vista do pôr-do-sol, ok? Depois, a gente foi no London Eye porque ele falou que eu não podia deixar de ver aquilo, eu morri pela segunda vez e então a gente foi jantar no Hyde *_* e a gente deu uma pequena volta e foi isso :*’
  ‘Sua prática com textos me assusta (y’ :* . oownt, que linds ele -Q a única coisa boa foi conhecer os lugares ou ele é legal?’
  ‘Ele é legal, a gente conversou o tempo todo KK. Foi um conjunto de coisas boas.'
  -NN. Ele disse que, talvez, eu vou ter noticias dele hoje!’
  ‘E você nem ‘tá esperando por isso né? KKK. ‘Tá, paramos por aqui ou vamos ser decapitadas pelo professor’

   sufocou a risada e voltou a atenção para a aula.

  :xx:

   acordou oito horas, dormira extremamente bem.
  Levantou, depois de ficar enrolando na cama uns bons minutos, foi para a cozinha preparar qualquer coisa pra comer e enquanto o leite esquentava foi para a sala, tentando segurar um sorriso que insistia em ficar no canto de seus lábios. Pegou o telefone e discou o número de Tom:
  - Essas horas? - Tom fingiu irritação.
  - Pode falar o que quiser que eu não acredito que você ‘tava dormindo - falou impassível. Tom xingou.
  - Não mesmo! A gente estava indo passar o som, amanhã é o dia, dude! - podia apostar a sua casa que Tom estava pulando ou fazendo alguma dança ridícula que aprendera com o Danny.
  - Eu sei, temos que fazer isso também! Afinal, nossas notas serão as primeiras a ser tocadas e as que vão fazer o povo delirar - foi desligar o micro-ondas e Tom ficou rindo.
  - Vamos ficar mais tempo no palco, querido . - Tom fez inveja.
  - Não quero discutir, ok?
  - Você ‘tá tão bom hoje, rolou alguma coisa ontem? Ela aceitou sair?
  - Aceitou, mas nada de mais, dude. Fui o guia turístico dela. - Tom riu. - Falando nisso, quando a gente chegava nos lugares eu nem falei tipo: ‘olha, aqui é onde você pode ver Londres inteira, um lugar que a cada final de semana recebe não sei quantos turistas e...
  - Cala a boca, - Tom cortou o amigo, rindo. xingou.
  - Parei. Agora, falando sério, querido amado e-todos-os-adjetivos-que-você-quiser amigo.
  - Sinto medo quando você fala assim. - Tom confessou.
  - Tem como descolar dois ingressos VIP? - foi reto.
  - Cara, você vai abrir no show, precisa mesmo pedir? - Tom riu imaginando a cara de ‘eu te mato’ de .
  - O show não é nosso, somos amigos, mas lá não é a mesma coisa, Tom - deu de ombros. – E sim, eu preciso pedir.
  - Que seja, porquê dois?
  - Um para a , como eu espero que você já imagine - bufou - e o outro pra qualquer pessoa que ela queira levar, - “e se ela levar o namorado?‘ esse alfinete de Tom foi completamente ignorado. - Acho que ela não vai querer ir no show sozinha, ela nem conhece o McFLY.
  - Sem problemas, pega lá na gravadora e leva o e o , prá gente tocar junto. - Tom ouviu o resmungo de confirmação de - e você perguntou se ela já tinha ouvido McFLY?
  - Não, a gente viu o cartaz do show e aí ela perguntou se eu conhecia - achou melhor não falar que chamara os amigos de viado - que horas a gente chega?
  - Pode sair de casa, os dudes tão me esperando e o Harry já ‘tá pensando em vir me buscar a chutes. Tchau - Tom desligou e correu para o carro.
   sentiu a raiva que sentia toda a vez que desligavam o telefone na sua cara.

  :xx:

  - Então, hoje qual a sua desculpa para escapar de ir lá em casa? - Gabs perguntou, erguendo os olhos dos materiais que enfiava na bolsa, para lançar um olhar a lá Ares.
  - Eu tenho que ligar pra minha mãe, Gabs. Ou eu dou notícias ou ela manda polícia ver o que aconteceu comigo. Você não a conhece. - acrescentou ao olhar da amiga de descrença.
  - ‘Ta bom, mas você sabe que eu falo demais né? Então, eu falei de você lá em casa e agora querem te conhecer, se eu não te levar lá, vão me internar achando que eu tenho amiga imaginária - saíram rindo da sala.
  - Amanhã ou domingo, quando é melhor?
  - No domingo, acho.
  - Eu ligo amanhã de noite pra gente combinar então, pode ser? - perguntou, piscando os olhos.
  - Se você não tiver notícias do te chamando pra sair amanhã, né safada? - Gabs a cutucou e desviou de um tapa. Foi como se sua nota mental piscasse e automaticamente meteu um pedala na cabeça da amiga que gritou um ‘ouch’. se despediu mandando um belo de um dedo para a amiga e foi pra casa.

  :xx:

   chegou ao portão da casa e nem olhou para os lados, muito menos para a caixinha do correio, que não era grande o suficiente para chamar sua atenção e porque ninguém lhe mandaria - o que quer que fosse - pelo correio.
  Entrou em casa e jogou a mala no sofá, correu para o telefone e discou os números mais conhecidos do que seus tênis.
  - Mãe - falou com os olhos brilhando, uma voz meiga e no pensamento uma oração. Quem sabe assim, toda crente, a mãe não berraria.
  Ok, , brasileira = nunca, nada, dá certo!
  - Mãe? - Cecilia fingiu uma voz carinhosa, que não durou mais que dois segundos. - Mãe? MÃE? DOIS DIAS SEM DAR NOTÍCIA E AGORA É MÃE? ASSIM, SÓ MÃE? O AR FRIO DE LONDRES ENTROU NO SEU CÉREBRO E VOCÊ ESQUECEU QUE TEM UMA FAMÍLIA? QUE ESTÁ NUMA CASA DIFERENTE, NUM ESTADO DIFERENTE, NUM PAÍS DIFERENTE, QUE VOCÊ ESTÁ A OCEANOS LONGE DA GENTE? QUE SÓ TEMOS NOTÍCIAS PELO TELEFONE E VOCÊ SOME SEM DIZER NADA? SÓ PORQUE MUDOU DE CIDADE ACHA QUE NÃO DEVE SATISFAÇÃO MAIS?
  , no primeiro segundo, arrancou o telefone de perto do ouvido e tapou a boca, esse surto de: cidade, estado, país e oceano fora hilário, mas se ela desse uma risadinha que seja, receberia um murro, sem dúvidas, por mais que fosse via telefone.
  Depois de bem uns cinco minutos pedindo desculpas e dizendo que estava tudo bem, que não ligara porque tinha que estudar e o estudo londrino já estava ficando puxado, depois de falar que para viver em Londres tinha que fazer compras de comida e roupa e depois de falar que estava pensando em seguir o conselho da mãe e conhecer a cidade, mas que aquele surto a deixara com medo de sair e ficar cinco minutos sem ligar e nem que fosse para falar ‘oi’ e desligar a deixou com medo, a mãe se desculpou por ter gritado e falado coisas sem sentido. E enfim, estavam conversando como pessoas civilizadas.
  - Mas então, eu não vou mais fazer isso, é só me avisar, me dar um toque. - A mãe achou que estava falando na moda e riu - e eu fico tranquila, é só não sumir meu amor.
  - Eu não vou sumir, mãe, prometo!
  - Eu realmente espero que não. - não gostou do tom da mãe e mudou de assunto.
  Deu um giro de 160° e olhou para fora da janela, uma coisa despertou seu interesse, alguma coisa enfiada na caixa do correio que ela não notara quando havia chegado.
  Ficou curiosa e mais uma meia hora no telefone, desligou com um:
  - Mãe, você vai me ver antes do combinado, se não desligarmos! Estou falindo a cada palavra, te amo muito. - Esperou a mãe falar tchau e mandar beijo (sim, porque a é educada, não é igual o ou o Tom) e bateu o telefone no gancho, correndo para a caixa.
  Não reconheceu a letra e entortando os lábios voltou correndo para dentro, a temperatura lá fora estava bem fria. Foi para o quarto, deitou na cama e puxou os cobertores, então leu:

  ‘Oi, eu disse que você ia ter novidades.
  Olha, ontem a gente falou de bandas e essas coisas e acho que é um desperdício você não conhecer a McFLY e a Busted. Então, amanhã à noite é o show, como você deve estar lembrada, e aí dentro do envelope tem dois ingressos VIP.
  Um para você e outro para você levar quem quiser, ok?
  Você chegar aqui sem conhecer nada da cidade vai ser ruim, e não quero preocupar sua amiga (porque eu acho que você vai trazer uma amiga). Então às 22 horas, a meia hora antes do show, isso mesmo, um amigo meu vai passar para te pegar, chame sua amiga (ou sei lá quem que você vai levar :X) e esperem na sua casa. Meu amigo é gente boa, não se preocupe, eu não vou poder te pegar porque eu vou chegar atrasado no show, me desculpe por isso.
  Até amanha de noite.
   .

   leu e releu a carta, a letra do era tão bonita e fofa, pensou quase babando no papel, sacudiu a cabeça e tirou os ingressos VIP. Sorriu abobada, McFLY devia ser muito bom para ele gastar dinheiro com ela e uma pessoa desconhecida.
  Deixou o bilhete e os ingressos na cama e pegou o celular do bolso.
  - Sabia que você não ia resistir e ia pedir pra vir aqui em casa hoje - Gabs atendeu e riu se achando A pessoa.
  - Isso vai ter que esperar, amiga - entortou os lábios. - Eu tenho um convite pra te fazer.
  - ‘Gabs, vamos dar uma volta no Green Park comigo? O não pode e blábláblá’. - Gabs tentou imitar a voz da garota e semicerrou os olhos. Não respondeu à provocação da amiga, no lugar disse uma coisa que pegaria certeiro.
  - Sabe, acho que vou chamar outra pessoa para ir no show de uma tal banda aí, não sei se você conhece, acho que é McFLY, ingressos VIP que eu acabei de ganhar, mas deixa, se você não quer, alguém da sala com certeza vai estar disponível amanha à noite. - O motivo que Gabs não gritou assim que falou ‘McFLY’ e ‘VIP’? Gabs abrira a boca e as palavras não queriam sair. Quando saiu também, achou que tinham feito complô para deixá-la surda.
  - COMO É? McFLY? AMANHÃ? NAQUELE MEGA SHOW QUE ESTÁ TOTALMENTE ESGOTADO? COMO? COMO? E COMO VOCÊ CONSEGUIU ISSO? GAROTA VOCÊ É UM ANJO E CAIU NA MINHA VIDA, DEUS, TE AMO, OMG. EU VOU ATÉ PARAR O INFERNO CONTIGO DEPOIS DE IR NESSE MEGA SHOW.
  - Calma? - falou insegura, depois de ouvir o surto da amiga, que com certeza estava pulando pela casa toda. - o que deu e falou pra chamar alguém, e eu pensei em você, porque você já me falou nesse tal McFLY aí, lembrei agora.
  - LÓGICO que falei, eu RESPIRO McFLY - Gabs estava quase chorando - VIP caralho, se você estiver mentindo para mim, só para me zoar depois, como se fosse a maior brincadeira do mundo, se considere morta, ok?
  Quando conseguiu acalmar a amiga, e convencê-la de que não era brincadeira, que tudo era a mais pura verdade&realidade, desligou o telefone e voou arrumar alguma coisa para comer.
  ‘Alguma coisa’ pode ser lido como ‘janta’. Depois que comeu, foi para o sofá e ficou lá, olhando a TV sem realmente prestar atenção por uma boa e nada bela meia hora. Depois pegou o notebook e ficou vendo vídeos. Vídeos dos Barbixas, grupo comediante brasileiro, seu vício. Na quinta-feira tinham postado e nem tivera tempo de ver, sacanagem, então, naquela bela sexta à noite tirou o atrasado.

Capítulo 5

  SÁBADO

  Nada é pior do que você avisar a sua amiga que você conseguiu ingressos VIP para o show da banda que ela ama. O show da banda que ela ouve toda hora, não importa o lugar, aquela banda que ela conhece desde que foi formada, aquela banda que ela tem uma tara pelo baixista. Nada é pior do que isso, sabe por quê? Porque no outro dia ela vai te acordar às sete e meia da manhã (obs.: ‘outro dia’ você pode entender também como ‘sábado’, ou ainda ‘o dia do show’) para berrar que não acredita no que está para acontecer, ficar gritando coisas sem sentido por mais cinco minutos e desligar o telefone na sua cara depois de falar sem se importar com a sua reação, ‘daqui cinco minutos eu chego aí, para tomar café e sair, tchau’.
   foi para o banheiro, reclamando, será que era o auge da educação inglesa desligar o telefone na cara dos outros? Ou era só porque ela é brasileira? Ou qual será o motivo dessa veadagem?
  Tomou um banho corrido, se arrumou e correu escada abaixo, abriu a porta e Gabs pulou para dentro.
  - Perdoo o seu atraso em abrir a porta, só porque eu te amo, ok?
   não pode deixar de rir, amava, amava seus ingressos.
  - Você ganha o seu lindo e amado ingresso se for para a cozinha agora e fazer alguma coisa descente pra gente comer. - mandou, com uma cara de ‘sou a dona da casa e mando aqui’ ou então ‘oi amiga, quero ser zoada, beijos mil’ se era isso que queria demonstrar, bata palmas porque ela conseguiu.
  - Vamos sair, ok? Eu pago - Gabs ergueu os braços e pulou para fora, fazendo sua dancinha de ‘eu sou demais, eu posso, eu mando, eu, eu, eu’ que ficou parecida com ‘eu sou uma bruxa e estou mexendo no meu caldeirão, com a minha colher de pau, pau, pau’ interpretação perfeita da Gabs. Palmas, por favor.
   berrou um ‘já volto’ e correu escada acima, penteou os cabelos, colocou blusa, os tênis, passou perfume e desceu as escadas de um jeito ‘eu sou uma leoa e vou te unhar toda’ o que, se você visse iria pensar que ela estava imitando um gato com problema na coluna e um péssimo comando nas patas dianteiras.
  Gabs riu demais, se apoiando no portal da porta de entrada.
  - Dude, você tem que treinar, se fizer isso para o ele vai desmaiar de rir - fez um troféu joinha e riu mais ainda, quando passou por ela e jogou os cabelos na sua cara.
  A dona da casa, fechou e trancou a porta, afinal tinha aprendido a lição, e saíram.
  Uma coisa boa na amiga que surta por causa da banda dos sonhos?
  Ela tem carro.
  Outra coisa?
  O carro dela tem aquecedor.
  Uma coisa ainda melhor ainda?
  O rádio não estava funcionando o compartimento para colocar CD ou o pen drive.
   vibrou, despercebidamente, com isso e Gabs choramingou.
  Foram o caminho todo até o pub preferido de Gabs com a mesma resmungando entre trechos da banda que veria o show mais tarde, batia as mãos na perna, tentando acompanhar o ritmo que para ela era desconhecido e Gabs ria muito.
  - Eu vou parecer uma poser lá, Gabs - falou triste, quando voltaram para o carro, passou o café da manhã todo pensando nisso.
  - Você vai ser VIP, isso é o de menos, - Gabs deu de ombros, acelerando e indo mais para o centro da cidade.
  - Várias garotas como você, digo, que gostam da banda, queriam estar lá e eu que nem conheço e mal sei falar o nome, vou estar ocupando o lugar delas.
  - Se você falar assim de novo, eu vou te bater, as bitchs são poser, você não, amiga! E quem mandou elas não conhecerem o ? Eu não mandei, nem você, agora vamos comprar.
  Parou o carro e arrastou a amiga para as lojas.
  - Aqui é perfeito - Gabs disse por cima do ombro, pegou o pulso da amiga e entrou na loja mais próxima.
  Compraram porcarias que seriam úteis e porcarias totalmente inúteis.
  - Sabe, eu realmente não sei porque você veio aqui - disse entortando os lábios.
  - Nem eu - Gabs deu de ombros. - eu só não quero ficar parada, pensando no show.
  - Então me leva no Green Park - disse batendo palmas, Gabs deve ter ficado com muito, mas muito dó, porque fez meia volta e foram para o carro.
  Andaram por quase tudo. Ok, mentira, é grande demais para andarem por tudo. Almoçaram lá e depois ficaram sentadas olhando as pessoas passarem, os rapazes correrem, as amigas fuxicarem, as crianças com cachorro e essas coisas lindas, que se vê em parques.
  - Nossa, o céu não podia estar mais bonito - Gabs comentou, mais irônica impossível, olhou para o horizonte e o céu estava totalmente negro.
  - Que acha de irmos embora?
  - Acho perfeito - Gabs levantou rápido e correram para o carro, entraram, e os pingos começaram a bater, nada amigáveis, no capô. - Eu vou ficar na sua casa, te avisei? - Gabs olhou de lado para a amiga, decidida a esperar a chuva aliviar para aí saírem do parque.
  - Como você é intrometida, Gabs - falou assustada, depois falam dos brasileiros. - tem roupa?
  Gabs apontou para trás e imaginou que era para o porta-malas.
  Depois de alguns minutos, a chuva deu uma aliviada e Gabs voou para a casa da amiga.
  Entraram correndo e se jogaram no sofá.
  - Me imagino correndo da polícia - disse, se levantou e chamando a amiga para subir - essa corrida já me deixou um pouco cansada.
  - Dude - Gabs estacou na metade da escada. - que ótima ideia, já viu os guardas com aqueles chapéus doidos? Enormes? Correr deles é tenso, cara. Qualquer dia a gente faz isso.
  - Você já fez? - perguntou assustada. Gabs riu.
  - Já, tentei fazer eles rirem, não funcionou, mas eu ri, então tive que correr.
   achou melhor não saber o porquê e entraram no quarto. Gabs agarrou os ingressos no criado mudo e ficou sorrindo. ficou imaginado se olhara para a neve daquele jeito que a amiga olhava para o ingresso. Seria melhor morrer do que ser pega numa foto com aquela cara.
  Ficaram jogadas na cama, conversando, falando dos colegas, falando da universidade, rindo, e Gabs começou a falar da banda, dos meninos, do baixista, das músicas, do baixista, das maluquices que eles postavam na internet, do baixista.
  - Fiquei curiosa - disse. - se a gente não tivesse que se arrumar agora, eu ia ligar o note e a gente ia ver os vídeos, mas fica para outro dia.
  - Pra domingo - Gabs piscou marota - você vai lá em casa, lembra?
  - Amanhã? Não esquecerei - disse batendo continência e se enfiou no banheiro, Gabs correu para o outro e assim se passou a uma hora e meia seguinte.
  - Estou gata assim? OMG, estou horrível, amiga, diz a verdade - Gabs se encarava no espelho e falava com cara e voz de choro.
  - O baixista vai te amar, não esquenta - disse, pela milésima vez. - e desde quando você fica se importando com o que pensam de você?
  - Desde que é ele.
  - Ok, por causa de um cara, sua vida vai virar um inferno e ficar de cabeça para baixo, não torra, Gabs - bateu na cabeça da garota, que quando foi revidar, achou que a amiga tinha razão e foi calçar o all star.
   já estava pronta, há pelo menos, vinte minutos. Estavam vestidas parecidas, Gabs estava de calça jeans e camisa amarela com vermelho, o tênis era all star branco e preto.
   estava normal, do jeito que ia para todo lugar que chamassem, calça jeans escura, camisa preta, tênis preto e vermelho. Só faltava a maquiagem, para as duas.
  Correram, quando faltavam cinco minutos, para arrumar os últimos retoques.

  :xx:

  - Shit - Danny xingava seu cabelo. Na verdade, ele devia xingar o senhor , que estragara tudo. Agora, convenhamos, aqui entre amigos. Quem deixaria o com uma chapinha se aproximar do seu cabelo? Eu não deixaria!
  - Larga disso - Dougie disse, indo para o banheiro pela vigésima vez.
  - Dougie você nunca vai parar com isso? - Harry perguntou do sofá, aonde batucava qualquer coisa. - Culpa sua de ter deixado o Jimmy mexer.
  - Achei que ele era amigo - Danny choramingou.
  , e estavam na sala ao lado, conversando e falando sobre o que iriam tocar. Ficou decidido que seria a maior abertura que já fizeram, com quatro músicas e uma especial, um cover, que insistira para tocarem.
  Dougie apareceu na porta, onde a Busted estava. e no sofá e se olhando no espelho.
  - , quem vai buscar as garotas?
  - O Phill - deu de ombros, ajeitando a franja, depois ajeitando a gola da camisa.
  - Posso ir? Eu? - , que agora passava a mão pela gravata, deixou as mãos caírem.
  - Você tem um show para fazer, Dougie.
  - Estou nervoso demais, mais do que nunca, dirigir vai me acalmar, a rua de trás está totalmente deserta, eu vi pela janela, o tempo está horrível, não vai ter movimento e nem congestionamento.
  - Se os dudes não negarem e o Fletch não te matar, acho que pode, mas corre que o Phill já vai sair.
  Dougie correu e pegou o Phill acelerando o carro, correu e quase foi atropelado.
  - Você é doido?
  - Desculpa dude. - disse, puxando Pill para fora e entrando no carro. Acelerou e em poucos minutos estava buzinando em frente a casa do endereço que estava marcado no papel jogado no banco do passageiro.
  Duas garotas saíram da casa, uma trancou a porta e a outra veio aproximando-se. Dougie que achou que ia ficar menos nervoso, se enganou completamente quando a garota chegou ao portão, a luz do poste da rua bateu contra seus cabelos e parecia que ela surgia da luz, Dougie ficou olhando e só saiu do transe quando a garota bateu no vidro da porta de trás.
  - Não quer vir na frente? - perguntou sem graça. Depois ficou rosado, será que ela era a tal ? o capava.
  - Não, vamos fazer de conta que somos princesas e você é o nosso motorista particular. - a garota de trás respondeu rindo e empurrou a mais linda garota da noite, na opinião do anão, para dentro. Dougie riu e assentiu.
  Gabs olhava de boca aberta para Dougie, não acreditando em seus olhos. estava querendo pedir para o cara parar o carro e pedirem água na casa mais próxima, quando ele perguntou.
  - Qual de vocês é a ?
  - Eu? - respondeu perguntando, assustada com a pergunta.
  - Eu não sei, é? - Dougie riu e aquela risada fofa e estranha despertou Gabs que sentiu os olhos marejarem.
  - Desculpe, sou eu - sorriu. - e você?
  - Dougie Poynter - ele sorriu e Gabs quase infartou. - e a garota muda?
  - Gabriela, mas pode me chamar de Gabs, e - ela sorriu de lado, meio envergonhada - se me permite a pergunta...
  - Com certeza permito - se segurou para não soltar um assobio baixo e longo, se sentiu a pessoa mais excluída do mundo e sentiu uma puta vontade de rir. Gabs se soltou, ao ouvir a resposta.
  - Por que você veio buscar a gente? Você tem que tocar no show.
  - Que? Você é o baixista? - não se conteve. Dougie olhou magoado para ela.
  - É, , ele é o baixista - Gabs a olhou tensa e sorriu acenando a cabeça. - ela não conhece vocês, desculpe.
  - O Tom me falou, sem problemas, . É, eu vou te chamar de , ok? - os três riram - E eu vim buscá-las porque eu não aguentava mais aquela tensão, não perdi nada vindo aqui.
  Conversaram e pareceu que em dois minutos estavam no local.
  A arena.
  Cheia.
  Com os ingressos esgotados.
  Com um telão no lado de fora.
  Com pessoas ao mesmo tempo tristes por não terem conseguido entrar, mas felizes por ter o telão ali.
  Viram aquelas pessoas quando entraram na garagem, tinha uma porta entreaberta, o lugar que essas pessoas estavam estava cercado e coberto, ainda bem, porque voltara a chover.
  - Corram, ok? - Dougie disse ao sair do carro.
  - Oi? - Gabs perguntou, mas já estava sendo arrastada. Pegou pelo braço e a puxou junto.
  Subiram uma escada correndo e ouviram gritos alucinados lá embaixo.
  - Por pouco - Dougie sorriu feliz, ao chegarem no corredor.
  - Então. - as meninas olhavam para os lados, abobadas.
  - O camarote que vocês vão ficar é no fim desse corredor, não entrem pelas portas do lado direito, ou vocês vão estar no palco. Bom, podem entrar, se vocês querem subir no palco. - o menino deu de ombros e elas riram.
  Dougie deixou elas sozinhas, ao chegar à porta escrita ‘McFLY’ com uma estrela em cima do ‘c’.
  - Olha - estacou, olhando para uma das muitas portas do lado esquerdo - está escrito ‘BUSTED’, vamos entrar?
  - Bebeu, senhorita? - os três meninos ouviram uma voz desconhecida, porque a primeira era conhecida demais de - nada disso, vamos para o camarote, temos que ver o show de lá e não atrasar os dudes.
  - Se fosse para ir ver o Poynter você iria né - retrucou fingindo estar magoada e eles ouviram elas se afastarem.
  - Essa é a ? - perguntou indo abrir a porta.
  - A primeira que falou - respondeu. pulou quando a porta se abriu e quase bateu na sua cara.
  - Vamos garotos, agora é com vocês - Fletch bateu palmas e os garotos saíram da sala, olhou para o lado esquerdo e não viu nem sombra de , mas isso não importava, ela estava ali e ia vê-lo.

  :xx:

  - A tal Busted vai entrar - bateu palmas, vendo que as luzes se apagavam. Gabs riu. A luz acendeu alguns segundos depois, mas isso não foi o suficiente para atingir , ela sentiu o corpo amolecer, as pernas bambearem e as luzes piscarem diante dos seus olhos.
  - ? ? Me responde! ? - Gabs mudou a direção dos seus olhos ao ver Carla vacilar ao seu lado.
   não podia responder, porque ela não conseguia responder. Não sabia o que falar e também não sabia se estava assim porque estava ali, no meio do palco, ou se porque ele estava ali e atrás dele piscava a palavra ‘Busted’ ou se simplesmente porque ele não avisara que ele era da Busted.
  - Gabs? - perguntou, e encarou a amiga. - lembra do tal ?
  - Lógico, que tem ele?
  - Olhe para o meio do palco e você vai saber.
  Gabs foi arregalando os olhos.
  - Que viado, ele nem pra falar.
  - Estou me sentindo idiota.
  - Fica quieta.
  - Obrigado - agradecia os fãs que deliravam. já tinha falado e agora fazia algumas caretas.
  - Esperamos que gostem. Dedicamos esse show para todas as pessoas que serão ajudadas com a arrecadação, a vocês e as pessoas que não nos conhecem - piscou para o lado do camarote e começaram a tocar.
  Os primeiros acordes de Who’s David fez a menina gritar.
  - You've always been this way since high school Flirtatious and quite loud - cantava e quase teve um treco, a voz dele era realmente marcante, era linda e essa noite estava ainda mais louca.

  You stupid lying bitch, who's David?
  Some guy who lives next door
  So go live in the house of David if you like
  But be sure he don't know Peter, John or Mike

  Ou será que a voz dele estava assim por causa da música? sentiu ódio extremo da ex-namorado de . Sentiu os punhos se fecharem e sentiu que aquilo tudo passaria se ele a abraçasse e ficassem juntos por um longo tempo. Talvez a noite inteira.
  - , melhorou? - Gabs perguntou preocupada.
  - Sim - respondeu sorrindo, vendo o rapaz cantar e se imaginando com ele, abraçados.

  Don't know you
  Uh uh uh woah
  Don't like you
  Uh uh uh woah
  Don't know you

   sentiu a intensidade de ao cantar ‘Don’t know you’ e sentiu que nada no mundo, nenhuma força existente faria com que ele voltasse com a ex-namorada. Sorriu com isso e os rapazes logo começaram outra música animada que fez pular.
  Se animaram no refrão e Gabs que conhecia a banda, berrava:

  Baby, I don't know what to say
  It's like that everyday
  I never felt this way, yeah

  - Yeah - cantou depois, fazendo a amiga gargalhar, a música estava ótima, estavam perto do palco, estavam animadas, estavam sorrindo de orelha a orelha e nada podia ser melhor. olhou para aquele lado e sorriu, ao vê-las rindo e pulando.

  ...know what to do
  If I can't be with you
  Girl you know it's true
  I love that thing you do

  I love that thing you do
  I love that thing you do
  I love that thing you do

  - I love that thing you do - o final cantou junto, olhou para Gabs e reprimiu. - porque você nunca me mostrou essa banda?
  - Desculpa, eu não fazia idéia de que o que você falou era o da Busted.
  - Eu não digo por isso - deu de ombros - eu realmente gostei das músicas.
  - Presta atenção nessa então, você vai gostar de ouvir essa letra - Gabs disse ao ouvir os próximos acordes.

  You're so fit and you know it
  And I only dream of you

  - Vou gostar? - perguntou, erguendo uma sobrancelha.
  - Espera.
  (...)

  Maybe you think that you're too good for me
  And tonight when you get home you're gonna see
  I know... I've got...
  Something better than you baby

  - Something better - cantou junto, sorrindo, Gabs piscou marota e a amiga enrubesceu.
  - At your feet - terminaram juntos e continuou - bom, essa foi a ante última música nossa - sorriu ao ouvir o coro de lamentação que subiu do povo.
  - Mas quem sabe, depois pode acontecer mais uma, sei lá - riu erguendo os braços e o povo gritou, apoiando.
   riu e foi para a bateria, de lá, falou no microfone:
  - Sempre vale relembrar - girou as baquetas nos dedos e começaram.

  What's wrong with the world, mama?
  People living like they ain't got no mamas
  (...)
  In the USA, the big CIA
  The Bloods and The Crips and the KKK
  (...)
  And to discriminate only generates hate
  And when you hate then you're bound to get irate, yeah
  (...)
  People killing, people dying
  Children hurt and you hear them crying
  Can you practice what you preach?
  And would you turn the other cheek?
  Father, Father, Father, help us
  Send some guidance from above
  'Cause people got me, got me questioning:
  Where's the love? (Love)

  Essa conhecia e cantava junto, admirando como os garotos se sentiam à vontade no palco, brincando e fazendo palhaçada para o povo.
  E na bateria, sorriu, sempre quisera aprender e ele tocava tão bem, e parecia estar tão feliz ali. sorriu e terminou a música com um último:
  - Where's the love? - cantado/gritando por todos que estavam ali, parecia vir um eco de fora e se lembrou das pessoas que estavam assistindo pelo telão.
  - Muito obrigado - falaram juntos e saíram do palco com o grito de quem queria mais e as palmas de quem os prestigiava.
  Gabs olhou para a amiga, que observava o espaço aonde , o último, havia sumido.
  - Como é que vai ser?
  - Quando acabar o show a gente sai correndo e eu não vejo ele nunca mais - disse assentindo e Gabs riu. A porta do camarote se abriu e na mesma hora as luzes se apagaram.
   tateou e agarrou a mão da amiga que apertou indicando que estava com medo de descobrir quem entrara ali.
  As luzes se acenderam e focaram os meninos que entravam, Harry veio todo-todo. Danny quase caiu ao tropeçar nos fios.
  Tom entrou sorrindo de lado, mostrando sua covinha para o delírio de geral.
  E Dougie entrou pulando. Aonde fora aquele nervosismo todo? Ele perdera ao ver Gabriela.
  As luzes do camarote se acenderam e Gabs encontrou mais branca do que dois minutos atrás.
  - ?
  - Gabs, eu vou morrer hoje! - vacilou e uma mão a amparou.
  Gabs olhou para a pessoa e viu o pai de Tom Fletcher, segurando sua amiga, quase teve um surto, olhou para os lados e mães e irmãs (só o Sr. Fletcher de pai) estavam ali, olhando para elas sorrindo. Gabs sorriu sem jeito.
  - Obrigada - agradeceu sem jeito. O homem sorriu.
  - Que aconteceu, amiga?
  - Gabs, é ele. O cara que te falei, é o Tom. O Tom que invadiu a minha casa e quase me matou de susto, esse guri tem que levar prêmio de maior assustador do mundo, da galáxia se possível - as pessoas que estavam na sala riram.
   ficou vermelha, se esqueceu de que não estavam sozinhas.
  - O QUE? - se ela se esquecera, Gabs tivera a memória apagada pelo feitiço de apagar memória do Harry Potter - E COMO VOCÊ NÃO ME DISSE ISSO?
  - EU NÃO CONHEÇO McFLY - gritou de volta, era muita coisa para sua cabeça. Como iria olhar para eles depois? Nem os conhecia, quase morrera de susto, falara tanto com o Tom como com normalmente e agora sabia que eles estavam muito acima dela, era de abalar qualquer um.
  Gabs abraçou a amiga e quase chorou.
  - Eu amo você, dude.
  Depois disso, voltaram à atenção para o show, as mães e irmãs chegaram mais perto do vidro e o Sr. Fletcher tinha ido embora, com uma linda frase de despedida:
  - Um homem no meio de tanta mulher, não é legal.
  As garotas passavam o show com meia atenção no próprio show e a outra metade das mulheres ao seu lado.
  A mãe do Jones arranjara tempo para falar das criancices do filho.
  A do Dougie, de falar de como ele a assustava com aqueles lagartos (para surto de Gabs).
  A do Tom só sabia se orgulhar do filho e se desculpou pelo susto que este causara na garota.
  A mãe do Harry só sabia dizer que ele era uma ‘gracinha’ quando pequeno, mas que nunca ria quando bebê.
  As garotas riam demais e as irmãs dos McGuys, só sabiam falar porcarias.
  Depois de cantarem e tocarem Little Joana (e depois de babar em Tom tocando piano, que era outra coisa que a fascinara desde pequena) os meninos fizeram uma pausa.
  - OOI INGLATERRA - Danny não poderia deixar de berrar aquilo. riu e Gabs pirou, porque o próximo foi Dougie, que se intrometeu em tudo e cantou, sem música nem nada. Diarrhea.

  When you're climbing up a tree and it's running down your knee
  Diarrhea, Diarrhea
  When you're sitting in the gutter and your eating bread and butter
  Diarrhea, Diarrhea

  Todas da sala encararam a mãe do garoto.
  - Eu achava que ele não podia me assustar mais - a mulher falou cobrindo o rosto com as mãos e o resto riu. Tom tomou a palavra.
  - OOI - berrou quase tão animado quanto Danny. - estamos contentes demais com tudo isso, vários dias de vendas e tivemos que repor essa semana praticamente toda, todo dia, às quatro horas, esgotava, isso é maravilhoso - ele disse orgulhoso, vermelho e mostrando a covinha.
  - Eu queria pedir - Danny se intrometeu - tem como mostrar a parte de fora do estádio?
  No telão atrás dos meninos apareceu, todo aquele povo rindo, aplaudindo e gritando.
  - Incrível - foi a única coisa que Dougie conseguiu falar.
  - Gente, incrível - Danny repetiu.
  - Muito. E muito obrigado - Tom. - tudo o que foi arrecadado vai para o orfanato aliado, digamos assim, com o asilo, e deu muito mais do que a gente esperava, esse dinheiro vai ser dividido e enviado para os países que estão sofrendo com essas catástrofes ambientais. Obrigado.
  Todos aplaudiram e Danny apontou para o baterista.
  - Judd, tome a palavra.
  - HELLO, obrigado - as meninas riram, que voz fofa, nhac. - isso está sendo maravilhoso e eu queria só comentar um cartaz que eu vi, quando a gente entrou, mais ou menos na décima quinta fila, aqui no meio, uma mulher de uns 40 anos. OI - ele gritou ao ver a mulher pular.
  - Erga a faixa - Tom pediu.
  Todos riram.
  - ‘Minha filha que é fã, mas ela está fora do país’ na outra faixa agora ‘eu vim para me divertir e ajudar ao mesmo tempo :D’.
  O estádio se encheu com risadas e a mulher ergueu outra faixa.
  - ‘eu vi 1s fotos, esses tempos, a bunda de vocês é muito branca’.
  Nada supera a risada do Jones! Nem o estádio todo rindo.
  Os garotos fizeram umas piadinhas e comentaram mais alguns cartazes e faixas e voltaram a fazer o som, pensando na alegria da criançada depois.
  Conversa vai, conversa vem, gritos, músicas, solos e enfim chegou a última música, como sempre:
  - Five Colorous in her hair! - Tom, Danny e Dougie gritaram no microfone e Harry continuou da bateria - desculpem, mas, só para não quebrar as regras - ele piscou e as meninas surtaram ao ver aquela piscada ampliada no telão - é a nossa ultima música.
  Ignorando os gritos e protestos, começaram:

  Doo doo do do doo dooo,
  She's got a lip ring and 5 colours in her hair
  Not into fashion but I love the clothes she wears
  Her tattoo's always hidden by her underwear
  (...)
  Everybody wants to know her Name
  How does she cope with her new found fame
  Everyone asked me 'Who the hell is she?'
  That weirdo with 5 colours in her hair
  1, 2, 3, 4

  No four as luzes começaram a piscar, a ultima visão dos meninos foi deles acenando, pulando e quase quebrando seus instrumentos, depois de piscar mais duas vezes, se apagaram.
  O povo gritou querendo mais, e Gabs choramingaram e quando as luzes voltaram a se acender, estava lá, pegou o microfone e disse:
  - Essa é a ultima música da noite!

  Look at me up in the Sky
  I watch the world just pass me by
  And all my feelings give me away
  It's happening more everyday

  Loving you could be so easy
  Loving you could be so great
  Loving you could be so easy
  Loving you could be so great

  But how can I try to explain
  Your story never seems to stay the same
  You're out of touch and I'm out of time
  Just talk to me a while
  And joke about the things we used to see
  It's so hard for me to smile

  A câmera focou no rosto dele, em seus olhos, ele encarou e teve a sensação dele estar a encarando, seu coração descompassou, respirou fundo. Se estava pensando em alguma coisa, agora ela não saberia dizer o que era, aliás, nem conseguia falar nesse momento.

  After all of this there's so much left to lose
  And I've taken pieces home
  I promise you I never meant to

  But how can I complain?
  When everybody seems to know my name
  You're out of luck and I'm out of line
  It's such a selfish compromise
  Self indulgent, useless, bunch of lies
  I never thought you would believe

  Hold me now don't wake me up
  Pull me down and then back up
  All again for all to see
  Low down whisper and guilty stare
  Your stagnant beauty makes me glare
  Silly games in the Sun
  In the Sun
  In the Sun
  Ooh in the Sun

  Por mais animado que ele cantasse, por mais que a voz dele fosse perfeita, não conseguia se mover, só sabia se agarrar na barra de ferro que era para pendurar bolsas, os nós dos dedos já estavam brancos, mas não conseguia largar dali.

  But how can I complain?
  Your story never seems to stay the same
  I'm out of luck and you're out of line
  It's such a selfish compromise
  Self indulgent, useless, bunch of lies
  I never thought you would believe
  Go!

  Loving you could be so easy
  Loving you could be so great
  Loving you would be so easy
  Loving you could be so great

  Maybe a change would keep me high
  Stop me thinking and wondering why

  Ele olhou para o camarote, não soube dizer se ele estava realmente a vendo, ela o via claradamente, mas ele vê-la era mais complicado, mesmo assim sorriu, mesmo sem saber se ele via, mas sorriu e continuou sorrindo, mesmo com ele virado para os fãs que gritavam e aplaudiam, sorriu porque naquele momento, era a única coisa que conseguia fazer.
   saiu do palco e o show terminou, os fãs foram saindo aos poucos, sabendo que não adiantava, não iam conseguir ver seus ídolos de perto, os poucos que conseguiram estavam em alguma sala conversando com eles, e as mães e irmãs continuaram com as duas meninas. Gabs conversava normalmente, não ia dar surtos ali, nem com elas e nem com eles quando chegassem.
  - Sempre demora assim? - foi a única coisa que perguntou, ainda agarrada ao ferro, olhando para baixo, para os poucos que restavam.
  - Ah sim, querida. Depois de ficarem um pouco com as fãs eles dão entrevista. E hoje vai ser a entrevista - não distinguiu quem lhe dera a informação.
  Depois do que pareceu horas, quando queria chamar Gabs e se mandar dali, a porta se abriu, Tom foi o terceiro a entrar e foi direto em .
  - Me desculpe - pediu a abraçando forte.
  - Tom - não conseguia falar.
  - Você está pior que as nossas fãs que sabem tudo das nossas vidas. - Harry comentou, enquanto abraçava a irmã.
  - Me desculpem - a garota sorriu sem graça, envergonhada com todos eles a encarando.
  - Não tem que pedir desculpas, . Só diga uma coisa... - Danny o cortou.
  - A gente acredita que você nunca tenha ouvido nosso som, por isso que não sabia nada da gente. Mas agora você não tem escolha - Dougie se posicionou ao lado do amigo, puxou Gabs pelo braço e cochichou alguma coisa no ouvido dela, os dois fizeram armas com a mão - gostou ou não? - Danny terminou e fez sua própria arma. Harry encostou-se a ele com cara de fodão, com os braços cruzados e Tom, que não conseguia ficar sério, só ria, junto com as outras mulheres.
  - Eu... OMG eu amei isso dudes - os quatro a abraçaram. - sério, foi muito bom. Eu achei que eu só ia ao show e tal, depois eu ia embora e DEUS isso foi demais - ria abobada, todo aquele medo que sentira durante o show passara. Passara até a Busted entrar na sala.
   e foram cumprimentar os meninos e as mulheres, foi jogar seu charme para Gabs, mas Dougie se intrometeu. Gabs? Ficou nas alturas.
   chegou em .
  - Até que enfim te conheci, garota - ele abraçou a garota forte. - percebi que você é a porque o Dougie está caindo em cima da sua amiga - ele riu baixinho, apontando para trás, aonde Dougie e discutiam feito criança e Gabs ria. - ouviu essa última música né? Foi uma coisa meio que... Única - ele olhou nos olhos da garota. - você não ficou falando bobeiras para fazer o rir e distrair os pensamentos dele, daquela vaca que ninguém gostava que agora é ex-namorada dele, né?
  - Falei, fiz e é - se embasbacou e riu, colocando o braço direito no ombro esquerdo dela.
  - Então, garota. Essa última música foi totalmente para você! Espero que realmente seja uma mudada para o , e para nós também, hoje - ele se aproximou e cochichou - ele ficou falando sabe, de você. Ele nunca faz isso, ele é meio fechado, ou era. Não sei, só sei que ele está ali fora, segue pelo corredor e vira à direita, ele vai estar ali, ele não quis entrar e dar de cara com todo esse povo. Vai ver, ele voltou a ser fechado - riu e se afastou. - quem sabe a gente se encontra, qualquer dia, quando você for com o ver nosso ensaio - piscou e se afastou.
   estava vermelha, fechou os olhos e mandou as pernas a obedecerem, andou e deu graças ao ver que não caiu. Se aproximou de Gabs e disse baixinho.
  - Vou ali fora, e já volto.
  - Eu vou junto - Gabs piscou para o Dougie que entendeu.
  - Não! - quase gritou. Gabs e Dougie riram.
  - Acha mesmo que eu ia larga isso aqui?
  - Obrigado por me mostrar que ótima amiga você é - disse dando de ombros, fingindo estar magoada. Perfeito, estava voltando a ser a de sempre.
   saiu, sorrindo para Tom que estava com a irmã perto da porta e virou à direita como havia falado, não tinha nada ali, nem ninguém, só uma janela com a cortina cerrada.
  Sentiu braços fortes e quentes a abraçarem por trás, pulou e gritou assustada.
  - Calma - ouviu aquela voz rouca vindo de algum lugar acima de sua cabeça, sorriu aliviada. - me desculpa?
  - Pelo quê? - perguntou boba, riu baixinho.
  - Por tudo, eu vi, pela sua cara no começo do show, que você esperava tudo, talvez até aliens como o Dougie e o Tom, menos me ver tocando, com a Busted que eu tinha comentado no London Eye como se fosse uma bandinha qualquer que só achava legalzinha. Me desculpe por não ter te prevenido.
  - Não precisa se desculpar - engoliu em seco.
  - Pode me chamar de Char, se quiser, sem problemas - sorriu.
  - É... Estranho, sei lá, você é famoso, não vai ser a mesma coisa quando eu te olhar. - falou, se atrapalhando.
  - Vamos fazer um teste, que tal? Igual aquele dia, quinta-feira, à noite, que você fez um teste para testar minha memória, agora é um teste para você - a virou delicadamente e foi subindo o olhar, até encontrar os olhos dele, piscou como se perguntasse ‘e então?’ e sorriu.
  - Eu sou a mesma pessoa e eu fico realmente feliz por você ter saído comigo, falado comigo, me ajudado, sem se importar em ser o da Busted. - falou e sorriu fraco, sua ex tinha sido assim e percebera isso quando a galhada estava enorme. Com seria diferente, sem dúvidas.
  - Que foi? - perguntou ao ver a cara dele.
  - Estava pensando em como tem pessoas falsas e quando você leva um tombo desse tipo de gente, a vida te traz uma pessoa maravilhosa - ele sorriu, ficando rosado e apontou a janela. - Olha isso - se virou e ele arrastou a cortina.
  Estava nevando.
   abriu a boca, os olhos se encheram de lágrimas.
  - Não precisa chorar - sussurrou em seu ouvido, arrepiou e fechou os olhos, sem querer, só pelo fato de ter fechado os olhos, uma lágrima escorreu, solitária do olho esquerdo.
   a virou de lado e se posicionou ao seu lado, quem olhasse de fora, veria os dois de lado, veria o rapaz passar o dedo na bochecha dela, enxugando aquela lágrima solitária, veria o rapaz se inclinar e aproximar os rostos, veria ele encostar a testa na dela, veria ele encostar o nariz no dela e veria ele encostar os lábios, veria ela lhe dar passagem e veria ele acariciar sua bochecha e ela colocar a mão na nuca dele, veria ele colocar a mão na cintura dela e ela colocar a mão nas costas dele.
  Os flocos de neve começaram a cair dentro, passando pela janela, caindo na cabeça deles e uma parou na bochecha de .
  Se separaram, sorriu e lambeu, nada porquinha, a bochecha dele, enfim realizando todos os sonhos que tinha:
  Ver a neve cair;
  Sentir o gosto dela.
  E - o sonho que tinha há dois dias e só percebera agora - beijar (ou ser beijada por ).

FIM



Comentários da autora

SENHOR AMADO DAS CAUSAS PERDIDAS *berrando*
Beijei o Charlie (fui beijada pelo Charlie) enfim, enfim, beijei *dançando*
DÇ~LAS~LDÇ parei com o surto. Ainda não acredito que terminei de mandar OARN *-*, simplesmente amo essa fanfic.
Escrita toda errada, maaaas, amo mesmo assim.

Flaaaa, sua linda <3, obrigada por tudo.
Agora, ANNELISE STENGEL, eu quero YdBRDanny, ok? E YdBRJamesGambáMachoAlfa. Quero, quero, quero. E nem vem, você é maquina, vai conseguir. E eu te amo, bitch <3