Obviously Yours

Escrita porRay Dias
Revisada por Lelen

Parte 1

Tempo estimado de leitura: 23 minutos

  O palco sempre pareceu um lugar seguro para %Sienna% %Blake%. As luzes fortes apagavam imperfeições, os aplausos abafavam inseguranças e o microfone transformava sentimentos em poder. Fora dele, porém, tudo exigia cálculo.
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  Ela era conhecida como doce. Educada em entrevistas. Elegante ao responder provocações. Sorriso delicado. Voz suave. A garota que escrevia letras confessionais como se estivesse oferecendo o próprio coração numa bandeja, mas por dentro, %Sienna% era estratégia pura.
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  Naquela noite de domingo, depois de um ensaio exaustivo em Londres, ela decidiu sair sozinha. The Maine estava dividindo a temporada de festivais europeus com a banda rival do momento. A imprensa adorava a narrativa: duas bandas disputando espaço, manchetes, fãs e charts.
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  Ela entrou no bar usando um casaco leve e nenhum desejo de ser reconhecida.
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  — Whiskey — pediu ao barman.
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  — Noite difícil?
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  A voz ao lado era grave, familiar.
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  Dougie Poynter. Baixista da banda que a mídia insistia em colocar como antagonista da sua: McFly.
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  Ela virou o rosto devagar e com um sorriso educado.
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  — Eu poderia perguntar o mesmo.
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  Ele riu, e os dois conversaram por um bom tempo, afinal, a rivalidade era algo inventado pela mídia, um detalhe divertido. Entre as duas bandas, nada daquilo era real. Conversaram então sobre turnês; sobre a exaustão de fingir estar sempre feliz; sobre compor sob pressão; sobre como as pessoas confundiam imagem com identidade. A tensão entre Dougie e %Sienna% era evidente, mas não agressiva. Era curiosidade em tom de desafio. 
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  Quando saíram do bar, o ar estava frio demais para qualquer lucidez, o que não era o caso do que sentiam ambos pelos seus corpos bêbados e trôpegos, a se beijarem e agarrarem até que viesse um carro de aplicativo.
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  No apartamento dela, não só estavam curtindo os beijos um do outro, mas a conversa continuava e acabou se tornando música, em uma espécie de karaokê de gente bêbada. Dougie pegou o violão e %Sienna% se sentou ao seu lado. As pernas se tocavam casualmente, ele comentou sobre como adorava letras que pareciam confissões diretas. Ela respondeu que às vezes a honestidade é o maior risco que um compositor assume.
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  E, depois dessa frase, outro beijo começou lento. Mas intensificou-se principalmente quando a camisa dele caiu. As mãos dela exploraram com segurança inesperada cada rastro de pele e músculo de Dougie. Ele percebeu que a doçura dela escondia uma intensidade quase perigosa. %Sienna% o puxou pela gola, sussurrou algo provocativo que o fez sorrir antes de beijá-la de novo.
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  O sofá virou espaço pequeno demais. O quarto foi inevitável. A noite foi feita de respirações aceleradas, pele contra pele, dedos marcando territórios como se ambos quisessem provar algo. Não havia inocência ali, havia uma escolha bastante consciente para duas pessoas que estavam fugindo de muita coisa no balcão do bar. Ele a chamou de incrível, ela riu contra o pescoço dele e mordeu de leve.
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  Dougie não imaginava que %Sienna% %Blake% era tão… Intensa e feroz. Tão oposta à doçura contraditória da vocalista da banda de pop/rock The Maine. Mas, descobrir aquilo deixava-o excitado não só corporalmente, como, pela primeira vez em muito tempo, emocionalmente. E %Sienna% pôde se permitir naquela noite, dar asas a um segredo antigo: Dougie Poynter sempre foi motivo de seu curioso interesse e flerte, no entanto, ela sempre mantivera ocultas as fantasias sobre ele.
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  Horas depois, exaustos, adormeceram sorridentes, nus e abraçados.
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•  O B  V  I  O  U  S  L  Y   •   Y  O  U  R  S  •

  %Sienna% acordou com o sol atravessando as cortinas. O lado da cama estava vazio, mas ela não se surpreendeu. Vestiu uma camiseta larga e foi até a sala. Sua mesa ainda estava coberta de folhas rabiscadas, letras, ideias, versos soltos em que ela trabalhara por semanas naquele apart-hotel alugado até enquanto durasse sua turnê.
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  Ela rememorava a noite com Dougie, sentindo a mente aguçada em inspirações, e com meio sorriso bobo no rosto, buscava a recente letra composta para incluir uma frase. Foi então que seu estômago apertou. A folha com a composição completa de “Obviously” não estava ali. Ela procurou entre os papéis. Revirou a pilha. Nada.
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  Ela não tinha como imaginar a cena ocorrida horas antes de ela acordar: Dougie mexendo distraído nas folhas, enquanto com o celular entre a orelha e o pescoço buscava uma caneta e um papel para anotar o endereço que Tom havia lhe passado com urgência naquela manhã.
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flashback de horas antes

  Dougie acordou para ir ao banheiro e viu a mulher deitada adormecida, tão bela com os raios de sol vindo delicadamente em seu rosto. Com cautela, ele fechou a cortina de modo a proteger a face de %Sienna%. Ao retornar ao quarto, ele procurou por suas roupas jogadas pelo chão e foi catando as peças devagar e em silêncio possível. Parte das peças estava entre o caminho feito no corredor e a sala, na noite anterior. O apart-hotel em que %Sienna% estava hospedada era bastante espaçoso e confortável.
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  Quando Dougie pegou sua camisa, encontrou também seu celular sobre o sofá, checou e viu que tinha inúmeras mensagens dos garotos da banda. A bateria estava quase acabando. Deu uma checada ao redor e encontrou sobre uma mesa escrivaninha, bem bagunçada, aliás, um carregador de celular. Foi até lá e viu que encaixava ao dele, plugou o cabo e em seguida ligou-o na tomada da parede atrás de si. Retornou sua observação àquela mesa cheia de papéis amassados, rabiscados, muitos post-its espalhados sobre alguns cadernos e pilhas de papéis. Em especial, um caderno aberto, em branco, parecia novo e cintilava no meio daquele pequeno caos.
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  Seu aparelho então apitou que havia pegado 10% de carga e Dougie abaixou-se no chão para mexer nele sem desconectá-lo. Pela urgência das mensagens, era melhor telefonar a Tom. E assim que ligou, o escândalo foi inevitável:
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  — Dougie, como você faz isso, cara! A gente táte procurando a noite toda, o Manoel está a ponto de comer seu fígado! Onde você se meteu?! — Tom dizia, preocupado.
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  — Ah, foi mal, dormi na casa de uma gatinha que encontrei ontem e…
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  — Tá, tá, só me escuta! — Tom o interrompeu. — Tivemos uma mudança brusca na agenda de show ontem à noite, e estamos partindo em uma hora para outra cidade da turnê, seu lerdo! Vai logo para o endereço que vou te falar! Danny e Harry arrumaram as suas coisas, e estamos com o Mano te esperando!
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  — O quê? Mas, mas… — Dougie se alarmou e olhou em volta atrás de papel e caneta, mas não podia descarregar o celular. — Só tenho 10% de bateria, calma, vou achar um papel!
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  — Então vai direto para o endereço, seu otário! — Tom falou ainda mais preocupado com a falta de comunicação possível. — Anota logo!
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  E foi aí que Dougie colocou a chamada no viva-voz. E, naquele caderno impecável, anotou na primeira folha, bem no meio da página, o endereço. Encerrou a chamada, vestiu suas roupas com agilidade, achou o casaco jogado no sofá e o vestiu, e antes de sair se lembrou do endereço anotado no caderno. Desligou o celular da tomada e viu: 15% de bateria. Aquilo não daria para nada, então desligou o aparelho e meteu-o no bolso da calça. Encontrou sua carteira no bolso interno do casaco, felizmente. Lembrava-se pouco da noite anterior, exceto do sexo… Ah, daquele momento ele se lembrava de tudo!
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  Quando se aproximou da mesa, Dougie arrancou a folha, dobrou-a em quatro partes e enfiou-a no bolso da frente do casaco. O que ele não percebeu foi que havia arrancado três folhas. A do meio estava grudada na da frente e tinha algo escrito nela que a última folha em branco escondia. Ele saiu do hotel apressado, tomou um táxi na recepção e falou o endereço que havia escrito uma única vez, e depois guardou o papel no bolso de novo. E não mexeu mais naquilo.
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/flashback off

  %Sienna% fechou os olhos. Não. Ele não faria isso. Faria?
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  A resposta veio quase um mês depois, quando ela havia desistido de procurar a folha em sua casa, quando ela aguardava a resposta de Dougie no direct de seu Instagram, mas ela não viera; quando então, o mundo inteiro ouviu.
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  A introdução na rádio foi seguida pelo anúncio entusiasmado do apresentador: “Obviously” novo single da banda rival.
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  Quando a primeira frase começou, %Sienna% sentiu o corpo gelar. Era sua letra! Com pequenas alterações, algumas palavras que foram substituídas, mas a estrutura, os versos centrais, o refrão desesperadamente honesto, eram seus.
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  Ela estava com os integrantes da sua banda, que ficaram em silêncio no estúdio naquele momento.
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  — Sua letra? Isso é sério? — perguntou Jared, o guitarrista.
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  %Sienna% desligou o som.
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  — Eu escrevi essa música há um mês!
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  — %Sienna%, como esta letra foi parar nas mãos deles? — Kennedy, o guitarrista, também indagou. — Espera… Era essa música que você estava trabalhando para nosso novo álbum e queria me mostrar? Você mostrou para mais alguém?
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  — Eu não mostrei para ninguém, Kenny! — ela falou, enraivecida, puxando os cabelos e mordendo os lábios.
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  John, principal vocalista depois dela, observava tudo e concluiu rapidamente, quando notou o rubor na face da parceira, que ainda não respondera como a letra foi parar na mão dos McFly.
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  — Porra, %Sienna%, com qual deles você dormiu?!
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  Os outros caras encararam John O’Callaghan com expressão de surpresa e até mesmo certa audácia.
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  — Dougie Poynter — ela revelou baixinho. — A letra estava na pilha de papéis na mesa da minha sala, dei falta e não achei, mas não queria acreditar que ele me roubou na cara dura. É preciso muita cara de pau, não é?
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  — E não só isso, o McFly não precisa roubar composições… Eles são bons — Garrett respondeu dando de ombros, mas também concluiu: — A não ser que eles se considerem mesmo nossos rivais e só a gente que estava pagando de bonzinhos o tempo todo.
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  — O quê? — %Sienna% chocou-se com a hipótese. E se fosse aquilo e ela tivesse sido usada pelo agora idiota do Poynter?
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  — %Sienna%, você não falou com Dougie quando deu falta da letra? — Pat saiu da bateria, sentando-se ao lado de John e ajudando os colegas a pensar no contexto do plágio.
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  — Tentei pelo Instagram, mas o idiota não responde.
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  — Que merda! — Kennedy esbravejou. — Pat, cadê seu irmão?
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  — Tim disse que estaria aqui só mais tarde. Mas vou ligar e solicitar que venha ao estúdio. — Pat, que era irmão do empresário da banda, se levantou com o celular em punho, já discando para ele.
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  De alguma forma, aquele assunto não acabaria daquele jeito.
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•  O B  V  I  O  U  S  L  Y   •   Y  O  U  R  S  •

  O sucesso foi instantâneo. Entrevistas, apresentações ao vivo, declarações sobre o “processo criativo espontâneo” — embora a banda declarasse várias vezes que aquela música havia sido tirada de um banco de letras autorais deles, antigo, e, portanto, não se lembraram quem escrevera ou como se inspirou. E justamente, tal curiosidade dava mais hype à canção. Os meninos associaram-na a algo feito por Dougie. Dougie sorria nas fotos, aparentemente orgulhoso.
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  E, enquanto tudo acontecia, %Sienna% não explodiu. Ela analisou a situação como quem come o prato frio da vingança. Assistiu a cada entrevista. Observou cada detalhe. Poynter parecia genuinamente acreditar que tinha composto aquela música. O que era pior.
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  %Sienna% poderia processar. Poderia expor mensagens. Poderia transformar aquilo num escândalo jurídico, mas vingança pública exige timing. Ela começou a escrever outra música, não uma resposta óbvia. Uma armadilha. Enquanto isso, os festivais continuavam. Bastidores compartilhados. Olhares que demoravam um segundo além do necessário.
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  Quando se encontraram pela primeira vez depois do lançamento, foi atrás do palco de um evento lotado.
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  — Parabéns pelo sucesso, Poynter — ela disse, sorriso polido.
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  Dougie pareceu desconfortável.
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  — Obrigado. Eu... — ele hesitou. — Você ouviu?
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  — Obviamente.
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  A ironia quase passou despercebida. Ele franziu a testa.
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  — Tem algo errado — Dougie disse como se tivesse pressentido.
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  Era a primeira vez que se viam desde a noite que tiveram, e por mais que achasse que %Sienna% estivesse com raiva apenas por ele desaparecer no dia seguinte e sequer procurá-la posteriormente, Poynter sentia que ela o olhava com ódio demais para uma decepção de pós-sexo casual.
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  — Tem? — Ela inclinou a cabeça.
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  Dougie não sabia explicar. Só sabia que, desde o lançamento, algo o incomodava. Uma memória fragmentada de um domingo, aquele papel em que anotara o endereço ficava repassando em sua mente. Aquele papel dobrado, marcado apenas pelos quatro quadrantes de sua dobradura antes de colocar no bolso, tão liso e novo que cheirava à celulose.
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  — Você lembra daquela noite? — ele perguntou.
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  — Lembro perfeitamente.
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  O silêncio entre eles tinha eletricidade.
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  — Desculpe eu não ter te procurado, mas eu tinha muito trabalho com os caras para lançar esse álbum novo — ele disse, finalmente.
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  — Imagino! Acho que não deve ter sido fácil encontrar a música que encaixaria perfeitamente como destaque no seu álbum… Já que… Tiveram que recorrer às suas letras antigas.
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  A voz de %Sienna% era sombria, e Dougie continuava sentindo-se como alguém que comeu o último pedaço da torta de outra pessoa.
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  — %Sienna%… Está chateada comigo? Olha… Essas coisas acontecem o tempo todo, não é?
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  Ele se referia à falta de tempo de uma vida pessoal por uma agenda apertada. Mas ela entendeu que ele falava do roubo.
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  — Ah, é? Acontece assim para você? Ótimo saber disso, Poynter! — Ela saiu antes que ele pudesse responder.
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  A música-resposta ficou pronta em uma semana. Era sutilmente cruel. Falava sobre autoria, sobre homens que confundem admiração com posse, sobre memórias convenientes. A imprensa começou a especular. Fãs notaram semelhanças entre “Obviously” e “Indecent”, e assim, as teorias surgiram.
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  Certa noite, %Sienna% concedeu uma entrevista onde disse, com doçura impecável:
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  — Às vezes, quando você escreve algo muito íntimo, é estranho ouvir aquilo na voz de outra pessoa.
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  A internet explodiu. Dougie estava em casa e assistiu ao programa ao vivo, já que estava curioso com a mulher; ao ouvi-la, aquilo o incomodou como um alerta. Então, começou a investigar... Pensou na noite tida, e algo na memória daquela mesa apinhada de papéis pessoais dela brilhava em neon na sua mente.
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  — Eu não me lembrar da letra que escrevemos até tudo bem, mas como nenhum dos caras sabe da história de Obviously? — Dougie sussurrou a si mesmo.
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  Podia ser bastante lerdo e distraído, mas seu faro, desde que Manoel apareceu com a letra para eles e ninguém reconheceu, não o deixava em paz. Revistou casacos antigos atrás do casaco que utilizou na casa de %Sienna% e encontrou, no bolso de um deles, o papel dobrado com um endereço anotado no verso. O endereço que estivera no dia seguinte, após dormir com ela. Virou o papel, não havia nada além de uma página em branco. Então, por que aquela memória o incomodava tanto? Ele sentiu o estômago apertando em uma gastrite nervosa. Ligou para Manoel, seu empresário.
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  — Manoel… Tem certeza de que você pegou a letra de Obviously na pasta de composições da banda?
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  — De novo isso, Dougie? Já falei que sim, cara. Relaxa com isso, eu já expliquei pra vocês que entre as suas composições, naquela pasta, eu também deixo guardadas todas as composições que outros artistas entregam para vocês gravarem. Provavelmente, Obviously pode ser um desses projetos inacabados…
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  — Mano, mas se for isso, cadê o compositor dela? Por que não está envolvido?
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  — Exatamente! Eu não achei ninguém, consultei todos que estão na lista de parcerias do McFly, mas a letra é de autoria de vocês. Por que isso está te preocupando tanto? Aconteceu alguma coisa?
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  — Não… Nada. Foi você mesmo que guardou a letra na pasta?
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  — Sim, estava na bancada do nosso estúdio. Lembra que quando voltamos daquela viagem de última hora pela mudança de agenda, antes mesmo de vocês retornarem para casa, mal chegamos a Londres e fomos gravar a música que o Tom compôs para o álbum? Vocês foram, mas eu fiquei, e a letra estava apoiada por um peso de papel ao lado da mesa de som.
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  — Ok… Valeu, então… Até amanhã.
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  Ainda tinha algo que não encaixava naquela história…
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flashback do dia que Manoel guardou a letra

  Os rapazes estavam exaustos, mas antes de gravarem a música, recém-chegados da viagem do show na noite anterior, decidiram ir com Manoel comer alguma coisa.
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  — Deixem suas coisas aí, o estúdio já fechou há meia hora, só a faxineira vai passar aqui na sala para recolher o lixo. Vamos até a lanchonete do outro lado da rua e voltamos — Manoel ordenou.
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  Dougie largou aquele casaco que já estava quase podre de tanto ir e vir sobre a cadeira de qualquer jeito, e todos saíram. Vinte minutos depois, a faxineira veio. Fez o que tinha que fazer e esbarrou na cadeira, fazendo o casaco cair. Cuidadosa, ela o pegou, deu umas batidas e o esticou sobre a cadeira, mas notou o papel dobrado no chão que caíra também do bolso.
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  — Será que caiu do bolso ou posso jogar fora? — ela se indagou e abriu, curiosamente. — Hm… Um endereço… — falou, notando a letra garranchosa de Dougie, e notou outros dois papéis já menos grudados ao primeiro, pegou o segundo e deu uma lida. — Parece letra de música. Vou deixar aqui em cima desse aparelho de som.
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  Ela deixou ambos os papéis sobre a mesa, mas a letra da música ela deixou por cima do endereço. O terceiro papel em branco, jogou fora. Então pegou suas coisas e saiu, apagando a luz e trancando a porta com seu cartão magnético, como de costume.
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  Ao retornarem para a sala de gravação, ninguém notou nada além do casaco de Dougie mudado. “Deve ter sido a faxineira”, disse Manoel. Eles focaram em trabalhar e os meninos, exaustos, saíram para suas casas logo que terminaram. Manoel, que além de ser empresário era também produtor, ficou um pouco mais. E assim que se sentou novamente, mais relaxado, à mesa de som, ele olhou ao lado e viu os papéis sobre a mesa comum que fixava anexa à aparelhagem. Pegou o primeiro, deu uma lida superficial nas duas primeiras linhas:
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  — Esqueceram uma letra, pelo visto… — E o outro papel, viu que era um endereço garranchado incapaz de ele mesmo distinguir que local era. — Amanhã pergunto de quem é este garrancho.
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  Manoel pegou a folha com a letra e colocou na pasta de composições velhas não utilizadas, ou das inúmeras inacabadas e recebidas de outros compositores dos rapazes. Decidiu precisar terminar um sample de edição da música e iria embora. Também queria dormir.
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  No dia seguinte, descobriu que o garrancho era de Dougie e o papel era inútil, mas sabe-se lá por que, Dougie guardou aquilo no bolso de novo, mas agora, da calça.
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/fim do flashback

•  O B  V  I  O  U  S  L  Y   •   Y  O  U  R  S  •

  O grande festival de verão reuniu as duas bandas no mesmo line-up. O show de The Maine aconteceria antes do deles. A multidão era imensa. %Sienna% entrou sob aplausos ensurdecedores. Cantou duas músicas novas. Sorriu e agradeceu. Então respirou fundo.
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  — A próxima música — disse ao microfone — é especial. Porque foi escrita por mim. Em um domingo. No chão da minha sala.
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  O público reagiu com curiosidade.
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  — Ela acabou ficando famosa na voz errada. Mas hoje vocês vão ouvir a versão original. E sim… ela é melhor.
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  Um burburinho percorreu a plateia.
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  Dougie assistia da lateral do palco, com seus amigos, mas sentiu um arrepio na nuca.
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  A banda começou a tocar. Os integrantes do The Maine, desde que haviam chegado e encontrado o McFly, não falaram nada com eles — atitude estranha para quem sempre fez questão de não ser rival como a mídia queria — e ficavam olhando-os de soslaio. Na hora em que iniciaram os acordes, O’Callaghan virou-se para a lateral do palco, apontou para os McGuys e levantou o dedo do meio para eles.
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  Harry e Danny se entreolharam chocados e Tom estava confuso, perguntando:
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  — Que merda é essa?
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  Ele reconheceu as primeiras frases cantadas por %Sienna% e John. Ela cantou “Obviously” com intensidade crua, versos restaurados, palavras originais. A interpretação era mais vulnerável, mais visceral. A cada refrão, a multidão cantava junto. A internet transmitia ao vivo. Quando terminou, o silêncio durou dois segundos eternos antes da explosão de gritos.
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  %Sienna% olhou diretamente para a lateral do palco.
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  — Autoria importa — ela declarou no microfone e saiu sob aplausos e caos.
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Lelen

Eu não serviria pra essa história. O Dougie nunca foi meu favorito. Era o Harry quando ele era magrelo. kkkk
EU SOU A QUE FICA COM O JOHN, OBRIGADA DE NADA KKKKKK
E gente, QUE CONFUSÃO DO CÃO, O DESTINO OU SEI LÁ O QUE TÁ SENDO MUITO SACANA KKKKKK

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