Capítulo 1
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— %Claudia% — chamou alguém. — Fala comigo. Você não pode morrer agora. Não agora. Acorde! Lute!
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%Luísa% de %Saboia% nasceu em 11 de setembro de 1476. Seu pai era Filipe, Conde de Bresse, que era irmão mais novo do Duque de %Saboia%. Sua mãe era Margarida de Bourbon. Ela cresceu na casa da família no Castelo de Pont d'Ain, a poucos quilômetros de Bourg-en-Bresse e foi descrita como animada, excepcionalmente alta, com cabelos castanhos claros, olhos azuis cinzentos e uma tez rosada.
O conde ficou longe de casa por longos períodos de tempo e a mãe de %Luísa% morreu de tuberculose quando %Luísa% tinha sete anos e o seu irmão Felisberto tinha quatro. Seu pai percebeu que o Castelo de Pont d'Ain não era lugar para crianças pequenas e enviou-os para serem educados e criados por Ana de Beaujeu, a filha formidável do rei Luís XI.
Enquanto estava aos cuidados de Ana, %Luísa% nunca foi mais do que um parente pobre. Uma soma de oitenta livres foi alocada da tesouraria para vestir %Luísa%. Ela recebeu uma educação elementar no Castelo de Amboise com Margarida da Áustria, a noiva de Carlos VIII e outras meninas da casa.
%Luísa% era uma leitora ávida e aprendeu as habilidades essenciais necessárias para as senhoras de alto grau, tais como o comportamento e modos femininos, vestimenta e decoro, como administrar uma casa ou mesmo uma propriedade, hierarquia e parentesco, como tocar alaúde e bordado e moralidade cristã.
%Luísa% também aprendeu muitas lições políticas com Ana de Beaujeu, a governante virtual da França. Naquela mesma época, Carlos VIII da França casado com Ana de Bretanha, não tinha filhos com a mesma. Já na Inglaterra, Henrique VII era casado com Isabel de York com quem tinha um filho Arthur. Agora Isabel de York esperava mais um filho de Henry VII. E foi assim que tudo começou...
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1488, INGLATERRA
Henry VII acordara ao lado de Isabel de York. Ambos estavam deitados em seu leito. Henry olhava Isabel com um olhar tenro, enquanto se vestia. O ano era 1488. Eles já tinham um filho, Arthur. Agora haviam tido uma noite juntos. O dia amanhecia e com ele amanhecia também os assuntos do reino. Henry VII viu que sua mãe o estava esperando na sala do trono. Começaram a conversar sobre o reino, sobre um possível casamento entre Arthur com a futura princesa Catarina de Aragão, a filha de dois anos e meio dos Castela. E é aqui que a história ganha um rumo...
— Quais os assuntos de hoje, minha mãe? — perguntou Henry VII.
Margaret Beaufort começou a falar sobre os assuntos do reino enquanto Henry começava a se ajeitar no trono.
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FRANÇA, 1488
— Eu não sei se estou pronta, dona Anne — disse %Luísa% de %Saboia% para a princesa regente da França. — Casar-me com Carlos de Cognac de Orleans — disse nervosamente.
— Você fará um bom casamento, %Luísa% — garantiu Anne em tom calmante. — Carlos pode ter 27 anos, mas é um bom homem. E tenho certeza que será fértil.
— E se eu não for boa o suficiente para ele? — perguntou %Luísa%.
— Eu tenho certeza que você será. Foi educada para isto.
%Luísa% assentiu. Foi passar um tempo junto com as outras damas da corte e em seguida, suspirou resignada.
Deixa de dizer, amor
Que eu nunca te fiz feliz
Que eu não era nada do que sempre quis
E que não sente nada
Que eu não era nada que você pensava
E eu já decidi
Que hoje eu vou sair, sem preocupar
Eu vou me divertir
Já que agora eu não preciso me explicar
E com certeza você vai ouvir falar
Que eu já tô que tô
Eu tô pegando mesmo
Tô praticando a lei do desapego
Que diz, que não preciso me apaixonar
Pra ser feliz eu não preciso me entregar
E eu já tô que tô
Eu tô pegando mesmo
E sei que você vai ficar sabendo
Que tô feliz sem você do meu lado
Hoje eu tô livre, leve e desapegado
Será que esse casamento poderia ser bom? %Luísa% foi educada na corte de Anne, princesa da França, mesmo durante o reinado de Carlos VIII e Ana da Bretanha, mas agora tinha de se casar com um homem mais velho que ela, será que isso daria certo?
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CASTELA, 1488
Isabel de Aragão e Castela e Joana de Castela brincavam nos jardins do palácio de Castela. Isabel tinha dezoito anos. Enquanto Joana tinha nove. As duas irmãs brincavam juntas, se divertindo uma com a outra. Mesmo tendo dezoito anos, Isabel era adolescente enquanto Joana uma criança, mas ainda assim Isabel tinha alma infantil.
— Vem, Isabel, vem ver o que sei fazer com essas flores — disse Joana a irmã com um sorriso gentil.
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— Por que você não me dá filhos, Ana da Bretanha? — reclamou Carlos VIII na França. — Eu sou o rei da França, mas tenho que ver minha irmã como regente já que você não pode me dar filhos. Por que isso? — perguntou.
— Eu não sei por que não consigo ter filhos, Vossa Majestade — disse Ana. — Acho que devíamos fazer peregrinações para entender isso.
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PAPADO, 1488
— Sua benção, Vossa Santidade — disse um dos arcebispos de Roma. — Trago notícias da França. A jovem %Luísa% da França vai se casar com o conde de Angouleme.
— Uma %Saboia% e um Angouleme — repetiu o papa. — Interessante. Fique de olho nisso, por favor. Pode ser benéfico para nossa igreja ou não.
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FRANÇA
%Luísa% de %Saboia% tomou seu livro grego de latim e começou a lê-lo. Sabia que teria que se casar com o Conde de Angouleme, mas isso não tirava seu nervosismo.
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DIA DO CASAMENTO DE %LUÍSA% E CARLOS, DUQUE DE ANGOULEME
— Está linda nesse vestido — disse a princesa regente para %Luísa% de %Saboia%. — Agora, vá em frente e tenha um bom casamento.
Assim que chegou na igreja na sede na França, %Luísa% de %Saboia% entrou com seu vestido branco pronta para se casar com Carlos, conde de Angouleme.
— Finalmente eles vão se casar! — disse a princesa regente com um sorriso nos lábios.
— Vamos iniciar a cerimônia. Estamos aqui em nome de patri, filius espiriti santi — começou o padre — para celebrar o casamento entre %Luísa% de %Saboia% e Carlos de Angouleme, conde de Angouleme.
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— Enfim casados — disse Carlos de Angouleme para a esposa, %Luísa% de %Saboia%, a depositando na cama de orvalho.
Carlos se deitou sobre %Luísa% e começou a beija-la. O beijo começou suave, mas logo se tornou mais desejoso. E assim começava a história do casal.
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Eu não sei de onde vem
Essa força que me leva pra você
Eu só sei que faz bem
Mas confesso que no fundo eu duvidei
— Bom dia, esposa! — disse Carlos de Angouleme no dia seguinte.
Tive medo, em segredo
Guardei o sentimento e me sufoquei
Mas agora é a hora
Vou gritar pra todo mundo de uma vez
— Força, Isabel de York — disse Margaret Beaufort. — Está vindo, é uma menina.
Eu tô apaixonado, eu tô contando tudo
E não tô nem ligando pro que vão dizer
Amar não é pecado, e se eu tiver errado
Que se dane o mundo, eu só quero você
— Grávida? — pergunta Carlos de Angouleme. — Você tem certeza, %Luísa%?
— Sim — respondeu %Luísa% de %Saboia%. — Eu não esperava, mas tenho sentido alguns enjoos.
Eu tô apaixonado, eu tô contando tudo
E não tô nem ligando pro que vão dizer
Amar não é pecado, e se eu tiver errado
Que se dane o mundo, eu só quero você
— Força, Srta. de %Saboia%, força — disse a parteira. — Vamos trazer esse bebê ao mundo.
— Ahhhh — gritou %Luísa% de %Saboia%.
Eu não sei de onde vem
Essa força que me leva pra você
Eu só sei que faz bem
Mas confesso que no fundo eu duvidei
— Isso, Margarida! Dê seus primeiros passos! — disse %Luísa% de %Saboia% incentivando a filha, claramente emocionada com o primeiro andar de sua primogênita.
Tive medo e em segredo
Guardei o sentimento e me sufoquei
Mas agora é a hora
Vou gritar pra todo mundo de uma vez
Eu tô apaixonado, eu tô contando tudo
E não tô nem ligando pro que vão dizer
Amar não é pecado, e se eu tiver errado
Que se dane o mundo, eu só quero você
— Força mais uma vez, senhora de %Saboia% Angouleme — disse a parteira. — Sua criança está quase vindo. Força. Está vindo. Está nascendo. Um menino.
— Vai se chamar Francisco de Angouleme — disse %Luísa% de %Saboia% segurando o pequeno Francisco nos braços.