Novela: Coroa Negra

Escrito por Shakbah | Revisado por Lelen

Tamanho da fonte: |


Capítulo 1

  — — chamou alguém. — Fala comigo. Você não pode morrer agora. Não agora. Acorde! Lute!

********

   de nasceu em 11 de setembro de 1476. Seu pai era Filipe, Conde de Bresse, que era irmão mais novo do Duque de . Sua mãe era Margarida de Bourbon. Ela cresceu na casa da família no Castelo de Pont d'Ain, a poucos quilômetros de Bourg-en-Bresse e foi descrita como animada, excepcionalmente alta, com cabelos castanhos claros, olhos azuis cinzentos e uma tez rosada.
  O conde ficou longe de casa por longos períodos de tempo e a mãe de morreu de tuberculose quando tinha sete anos e o seu irmão Felisberto tinha quatro. Seu pai percebeu que o Castelo de Pont d'Ain não era lugar para crianças pequenas e enviou-os para serem educados e criados por Ana de Beaujeu, a filha formidável do rei Luís XI.
  Enquanto estava aos cuidados de Ana, nunca foi mais do que um parente pobre. Uma soma de oitenta livres foi alocada da tesouraria para vestir . Ela recebeu uma educação elementar no Castelo de Amboise com Margarida da Áustria, a noiva de Carlos VIII e outras meninas da casa.
   era uma leitora ávida e aprendeu as habilidades essenciais necessárias para as senhoras de alto grau, tais como o comportamento e modos femininos, vestimenta e decoro, como administrar uma casa ou mesmo uma propriedade, hierarquia e parentesco, como tocar alaúde e bordado e moralidade cristã.
   também aprendeu muitas lições políticas com Ana de Beaujeu, a governante virtual da França. Naquela mesma época, Carlos VIII da França casado com Ana de Bretanha, não tinha filhos com a mesma. Já na Inglaterra, Henrique VII era casado com Isabel de York com quem tinha um filho Arthur. Agora Isabel de York esperava mais um filho de Henry VII. E foi assim que tudo começou...

**********

  1488, INGLATERRA
  Henry VII acordara ao lado de Isabel de York. Ambos estavam deitados em seu leito. Henry olhava Isabel com um olhar tenro, enquanto se vestia. O ano era 1488. Eles já tinham um filho, Arthur. Agora haviam tido uma noite juntos. O dia amanhecia e com ele amanhecia também os assuntos do reino. Henry VII viu que sua mãe o estava esperando na sala do trono. Começaram a conversar sobre o reino, sobre um possível casamento entre Arthur com a futura princesa Catarina de Aragão, a filha de dois anos e meio dos Castela. E é aqui que a história ganha um rumo...
  — Quais os assuntos de hoje, minha mãe? — perguntou Henry VII.
  Margaret Beaufort começou a falar sobre os assuntos do reino enquanto Henry começava a se ajeitar no trono.

*********

  FRANÇA, 1488
  — Eu não sei se estou pronta, dona Anne — disse de para a princesa regente da França. — Casar-me com Carlos de Cognac de Orleans — disse nervosamente.
  — Você fará um bom casamento, — garantiu Anne em tom calmante. — Carlos pode ter 27 anos, mas é um bom homem. E tenho certeza que será fértil.
  — E se eu não for boa o suficiente para ele? — perguntou .
  — Eu tenho certeza que você será. Foi educada para isto.
   assentiu. Foi passar um tempo junto com as outras damas da corte e em seguida, suspirou resignada.

Deixa de dizer, amor
Que eu nunca te fiz feliz
Que eu não era nada do que sempre quis
E que não sente nada
Que eu não era nada que você pensava

E eu já decidi
Que hoje eu vou sair, sem preocupar
Eu vou me divertir
Já que agora eu não preciso me explicar
E com certeza você vai ouvir falar

Que eu já tô que tô
Eu tô pegando mesmo
Tô praticando a lei do desapego
Que diz, que não preciso me apaixonar
Pra ser feliz eu não preciso me entregar
E eu já tô que tô
Eu tô pegando mesmo
E sei que você vai ficar sabendo
Que tô feliz sem você do meu lado
Hoje eu tô livre, leve e desapegado

  Será que esse casamento poderia ser bom? foi educada na corte de Anne, princesa da França, mesmo durante o reinado de Carlos VIII e Ana da Bretanha, mas agora tinha de se casar com um homem mais velho que ela, será que isso daria certo?

**********

  CASTELA, 1488
  Isabel de Aragão e Castela e Joana de Castela brincavam nos jardins do palácio de Castela. Isabel tinha dezoito anos. Enquanto Joana tinha nove. As duas irmãs brincavam juntas, se divertindo uma com a outra. Mesmo tendo dezoito anos, Isabel era adolescente enquanto Joana uma criança, mas ainda assim Isabel tinha alma infantil.
  — Vem, Isabel, vem ver o que sei fazer com essas flores — disse Joana a irmã com um sorriso gentil.

**********

  — Por que você não me dá filhos, Ana da Bretanha? — reclamou Carlos VIII na França. — Eu sou o rei da França, mas tenho que ver minha irmã como regente já que você não pode me dar filhos. Por que isso? — perguntou.
  — Eu não sei por que não consigo ter filhos, Vossa Majestade — disse Ana. — Acho que devíamos fazer peregrinações para entender isso.

*********

  PAPADO, 1488
  — Sua benção, Vossa Santidade — disse um dos arcebispos de Roma. — Trago notícias da França. A jovem da França vai se casar com o conde de Angouleme.
  — Uma e um Angouleme — repetiu o papa. — Interessante. Fique de olho nisso, por favor. Pode ser benéfico para nossa igreja ou não.

********

  FRANÇA
   de tomou seu livro grego de latim e começou a lê-lo. Sabia que teria que se casar com o Conde de Angouleme, mas isso não tirava seu nervosismo.

*******

  DIA DO CASAMENTO DE E CARLOS, DUQUE DE ANGOULEME
  — Está linda nesse vestido — disse a princesa regente para de . — Agora, vá em frente e tenha um bom casamento.
  Assim que chegou na igreja na sede na França, de entrou com seu vestido branco pronta para se casar com Carlos, conde de Angouleme.
  — Finalmente eles vão se casar! — disse a princesa regente com um sorriso nos lábios.
  — Vamos iniciar a cerimônia. Estamos aqui em nome de patri, filius espiriti santi — começou o padre — para celebrar o casamento entre de e Carlos de Angouleme, conde de Angouleme.

***********

  — Enfim casados — disse Carlos de Angouleme para a esposa, de , a depositando na cama de orvalho.
  Carlos se deitou sobre e começou a beija-la. O beijo começou suave, mas logo se tornou mais desejoso. E assim começava a história do casal.

***********

Eu não sei de onde vem
Essa força que me leva pra você
Eu só sei que faz bem
Mas confesso que no fundo eu duvidei

  — Bom dia, esposa! — disse Carlos de Angouleme no dia seguinte.

Tive medo, em segredo
Guardei o sentimento e me sufoquei
Mas agora é a hora
Vou gritar pra todo mundo de uma vez

  — Força, Isabel de York — disse Margaret Beaufort. — Está vindo, é uma menina.

Eu tô apaixonado, eu tô contando tudo
E não tô nem ligando pro que vão dizer
Amar não é pecado, e se eu tiver errado
Que se dane o mundo, eu só quero você

  — Grávida? — pergunta Carlos de Angouleme. — Você tem certeza, ?
  — Sim — respondeu de . — Eu não esperava, mas tenho sentido alguns enjoos.

Eu tô apaixonado, eu tô contando tudo
E não tô nem ligando pro que vão dizer
Amar não é pecado, e se eu tiver errado
Que se dane o mundo, eu só quero você

  — Força, Srta. de , força — disse a parteira. — Vamos trazer esse bebê ao mundo.
  — Ahhhh — gritou de .

Eu não sei de onde vem
Essa força que me leva pra você
Eu só sei que faz bem
Mas confesso que no fundo eu duvidei

  — Isso, Margarida! Dê seus primeiros passos! — disse de incentivando a filha, claramente emocionada com o primeiro andar de sua primogênita.

Tive medo e em segredo
Guardei o sentimento e me sufoquei
Mas agora é a hora
Vou gritar pra todo mundo de uma vez

Eu tô apaixonado, eu tô contando tudo
E não tô nem ligando pro que vão dizer
Amar não é pecado, e se eu tiver errado
Que se dane o mundo, eu só quero você

  — Força mais uma vez, senhora de Angouleme — disse a parteira. — Sua criança está quase vindo. Força. Está vindo. Está nascendo. Um menino.
  — Vai se chamar Francisco de Angouleme — disse de segurando o pequeno Francisco nos braços.

Capítulo 2

  1498, FRANÇA
  Em 1498, Luis XII torna-se rei em virtude da morte acidental de seu primo, Carlos VIII, que morreu sem deixar descendentes, devido a uma hemorragia cerebral, após chocar-se contra um lintel, durante um jogo de pelota com seus pajens no Castelo de Amboise. Luis XII foi coroado à 27 de maio de 1498, na Catedral de Reims. Casado com Ana, duquesa da Bretanha, o segundo casamento dela, Luis XII esperava que Ana lhe desse filhos:
  — Espero que você engravide — disse ele.
  — Eu também — sussurrou Ana da Bretanha para si mesma.

*********

  — MAMÃ — disse Francisco de Angouleme de apenas quatro anos ao ver a mãe, de , aparecer no luxuoso quarto dos Angouleme.
  — Filho — disse maternalmente. — Um dia você exercerá um bom papel na corte. Será como um príncipe. Receberá o legado de seu pai já não mais vivo, Carlos de Angouleme.

***********

  UM ANO DEPOIS...
  1499, FRANÇA

  — Força, rainha! — disse o médico real para Ana da Bretanha. — Está vindo.
  Um choro sereno se seguiu.
  — É uma menina!
  — Vai se chamar .

**********

  — Matero, eu estou grávida — disse uma mulher portuguesa para o marido.
  — Mais um filho! — disse Matero impressionado. — Já tivemos a e agora ganharemos mais uma criança.
  — O médico disse que a gravidez é complicada — disse Maria Cruz. — Mas vamos ter um filho.
  — Descanse, Maria Cruz! — diz Matero. — Eu cuido da pequena , você deve descansar para essa gravidez.
  — Mas eu estou bem, posso ajudar nos serviços domésticos — disse Maria.
  — Eu faço isso — disse Matero. — As luzes ainda estão fracas, a pequena trouxe cor e luz a nosso mundo, mas não é por isso que você deve prejudicar essa segunda gravidez, Maria Cruz. Você está grávida! — ele disse acariciando a barriga da esposa.

**********

  Enquanto isso, Ana da Bretanha olhava sua pequena filha ainda bebê, da França, que tinha um olhar sereno enquanto dormia profundamente.

**********

Toda vez que eu viajava pela estrada de Ouro Fino
De longe eu avistava a figura de um menino
Que corria, abria a porteira, depois vinha me pedindo
Toque o berrante, seu moço, que é pra eu ficar ouvindo

Quando a boiada passava e a poeira ia baixando
Eu jogava uma moeda, e ele saía pulando
"Obrigado, boiadeiro, que Deus vá lhe acompanhando"
Pra aquele sertão afora, meu berrante ia tocando

No caminho desta vida, muito espinho eu encontrei
Mas nenhum calou mais fundo do que isto que eu passei
Na minha viagem de volta, qualquer coisa eu cismei
Vendo a porteira fechada, o menino não avistei

Apeei do meu cavalo num ranchinho beira-chão
Vi uma mulher chorando, quis saber qual a razão
"Boiadeiro veio tarde, veja a cruz no estradão
Quem matou o meu filhinho foi um boi sem coração"

Lá pras bandas de Ouro Fino, levando gado selvagem
Quando passo na porteira, até vejo a sua imagem
O seu rangido tão triste mais parece uma mensagem
Daquele rosto trigueiro desejando-me boa viagem

A cruzinha do estradão do pensamento não sai
Eu já fiz um juramento que não esqueço jamais
Nem que o meu gado estoure, que eu precise ir atrás
Neste pedaço de chão, berrante eu não toco mais

  1506, FRANÇA
  — Vai, mãe! — pediu Francisco de Angouleme com seus doze anos. — Me deixa ir! Por favor.
  — Visitar Portugal? — perguntou de pela milésima vez. — Por que insiste nisso, meu filho?
  — Eu queria viajar pelo mundo. Queria conhecer ao menos Portugal. Deixa, mãe! — pediu Francisco.
  — Tudo bem — respondeu de má vontade. — Mas tem de voltar para cá em um mês e meio, literal. Você está sendo educado e crescido para se casar com a princesa da França, . Ela pode ter apenas 5 anos, mas é sua prometida.
  — Tudo bem, mãe. — Francisco revira os olhos não muito animado em casar com no futuro, ele tinha doze anos e ela apenas cinco. Mas sabia que não tinha como convencer a mãe por enquanto, mas seu sonho de viajar pelo mundo era maior que tudo. — Quando partimos?
  — Eu não vou, mas meus servos o levarão. Tenho que cuidar de tudo para quando você voltar para continuar cuidando de seus estudos para te preparar para ser rei da França um dia.

*********

  PORTUGAL, 1506
  — Olha, — disse a pequena Jeane para a irmã mais velha, , uma jovem morena. — Achei essas cordas que o pai comprou para a gente. — A garotinha de cinco anos gesticulava animada. — Vamos brincar — pediu com entusiasmo.
  — Mas você nem sabe pular corda, — disse com um sorriso gentil, mas divertido.
  — A gente aprende.
  — Mas você só tem cinco anos — argumentou .
  — E você doze — contrapôs . — Vamos brincar.
  — Está bem — concordou com um sorriso.
  As duas irmãs começaram a pular corda, brincando animadamente.

*********

  — Que lugar bonito esse! — disse Francisco de Angouleme. — Portugal deve ser incrível — disse olhando cada passo ao redor que se aproximava de Portugal com interesse crescente.
  As ruas movimentadas, pessoas brincando, outras conversando, algumas rindo. Crianças brincando, outras trabalhando como camponeses e outros ainda andando ou trabalhando, tudo era novo para Francisco de Angouleme.

**********

  Ai da rebelde e contaminada, da cidade opressora!
  Não obedeceu à sua voz, não aceitou o castigo; não confiou no Senhor; nem se aproximou do seu Deus.
  Os seus príncipes são leões rugidores no meio dela; os seus juízes são lobos da tarde, que não deixam os ossos para a manhã.
  Os seus profetas são levianos, homens aleivosos; os seus sacerdotes profanaram o santuário, e fizeram violência à lei.
  O Senhor é justo no meio dela; ele não comete iniquidade; cada manhã traz o seu juízo à luz; nunca falta; mas o perverso não conhece a vergonha.

  — Oremos sobre essa oração que o padre falou hoje na colônia mais cedo — disse Matero a família.
  — Pai, que cidade opressora o profeta fala? — perguntou com curiosidade infantil, sedenta por aprender mais sobre Deus.
  — Eu não acho que seja um assunto para crianças — disse Maria Cruz a família.
  — A mulher tens razão — concordou Matero. — Vamos orar. Pai nosso... — A família começou a orar.
  Eles começaram a almoçar.
  A tarde, e começam a brincar novamente com as cordas.

***********

  No dia seguinte, as duas meninas acordam cedo. , de doze anos, e , de cinco, estão brincando e se divertindo juntos em um jardim florido perto da cidade, quando Francisco para a carruagem. Assim que as vê, Francisco observa as duas meninas brincando e parece pensar um pouco. As duas crianças brincavam livremente. Uma leveza que ele queria poder ter. Mesmo com seus doze anos, ele não tinha liberdade. No palácio da França, ele nunca pôde brincar ou ser ele mesmo. Na França ele era um príncipe, mas em Portugal poderia ser diferente.
  — Olá, moças — ele disse após pedir para parar a carruagem. — Posso brincar com as Srtas.? — pediu.
  — Quem é você? — perguntou em dúvida entre a desconfiança e curiosidade. Aquele jovem de 12 anos tinha roupas francesas e alguns falavam mal da França, diziam que eles eram perigosos.
  — Talvez fosse bom, — disse gentilmente. — Eu gosto de fazer novas amizades. Sou Jeane
  — Francisco — respondeu o adolescente com um sorriso. — Vamos brincar então.
  Os três começam a pular corda juntos.

Faz muito tempo que eu não escrevo nada,
Acho que foi porque a TV ficou ligada
Me esqueci que devo achar uma saída
E usar palavras pra mudar a sua vida.

Quero fazer uma canção mais delicada,
Sem criticar, sem agredir, sem dar pancada,
Mas não consigo concordar com esse sistema
E quero abrir sua cabeça pro meu tema

Que fique claro, a juventude não tem culpa.
É o eletronico fundindo a sua cuca.
Eu também gosto de dançar o pancadão,
Mas é saudável te dar outra opção.

Capítulo 3

  — Foi divertido brincar com vocês! — disse Francisco animado. — Eu vou ficar aqui por um tempo, podemos nos ver aqui amanhã de novo? — perguntou.
  — Vamos ver com nosso pai — disse .
  — Mas seria bom se nos víssemos de novo, você parece legal — disse .
  — Obrigado. — Francisco sorriu verdadeiramente.

Que fique claro, a juventude não tem culpa.
É o eletronico fundindo a sua cuca.
Eu também gosto de dançar o pancadão,
Mas é saudável te dar outra opção.

Os meus heróis estão calados nessa hora,
Pois já fizeram e escreveram a sua história.
Devagarinho vou achando meu espaço
E não me esqueço das riquezas do passado.

Eu quero "a benção" de Vinícius de Morais,
O Belchior cantando "como nossos pais",
E "se eu quiser falar com..." Gil sobre o Flamengo,
"O que será" que o nosso Chico tá escrevendo.

**********

  FRANÇA, 1506
  — Por que te preocupa tanto, senhora de ? — perguntou uma das aias a de . — Dentro de um mês teu filho voltará. E quando voltar se casará com da França. Não entendo vossa preocupação.
  — Os caminhos são misteriosos, aia — disse de . — E se meu filho arriscar tudo por alguma moça? E se ele se apaixonar por uma jovem que pareça com ele? Nada pode acontecer. O casamento dele com deve estar garantido. Ele tem de ser o próximo rei da França.

**********

  — No jantar de hoje, vocês estavam quietas, aconteceu algo? — perguntou Maria Cruz às filhas que se olharam, mas não falaram nada.
  Assim que a mãe saiu, disse:
  — Será que devíamos falar com o pai sobre nosso novo amigo? — perguntou.
  — Acho que não — respondeu em um lado de maturidade infantil pouco visto.

***********

  PORTUGAL, 1506
  No dia seguinte, acordou cedo. Perto de sua humilde residência, ela foi a capela e começou a orar:
  — Divina providência, cuida da minha família
  À tarde, no jardim florido, as irmãs encontraram Francisco novamente.
  — Olá, damas — ele sorri. — Achei que não viessem.
  — Onde você mora? — perguntou em um tom de curiosidade.
  — Por aqui — Francisco disse. — Mas estou só de passagem.
  As crianças começaram a brincar.

*********

Eu quero "a benção" de Vinícius de Morais,
O Belchior cantando "como nossos pais",
E "se eu quiser falar com..." Gil sobre o Flamengo,
"O que será" que o nosso Chico tá escrevendo.

Aquelas "rosas" já "não falam" de Cartola
E do Cazuza "te pegando na escola".
To com saudades de Jobim com seu piano,
Do Fábio Jr. Com seus "20 e poucos anos".

Se o Renato teve seu "tempo perdido",
O Rei Roberto "outra vez" o mais querido.
A "agonia" do Oswaldo Montenegro
Ao ver que a porta já não tem mais nem segredos.

Ter tido a "sorte" de escutar o Taiguara
E "Madalena" de Ivan Lins, beleza rara.
Ver a "morena tropicana" do Alceu,
Marisa Monte me dizendo "beija eu"
Beija eu, Beija eu, Deixa que eu seja eu

O Zé Rodrix em sua "casa no campo"
Levou Geraldo pra cantar no "dia branco".
No "chão de giz" do Zé Ramalho eu escrevi
Eu vi Lulu, Benjor, Tim Maia e Lee.

Pedir ao Beto um novo "sol de primavera",
Ver o Toquinho retocando a "aquarela",
Ouvir o Milton "lá no clube da esquina"
Cantando ao lado da rainha Elis Regina.

***************

  Quatro Anos Depois....
  PORTUGAL, 1510

  — Vais sair de novo? — perguntou de cabelos negros e olhos escuros e um lado observador que poucos entendiam, agora com quase dez anos a irmã .
  — A Adria me convidou para ir a uma das festas na corte do palácio — disse animada. — O que é, já tenho 14 anos — disse com um sorriso ao ver o olhar da irmã. — Não vou fazer nada, só ouvir as músicas com a Adria no palácio.
  — Se divirta! — pediu .
  — Prometo — de 14 anos sorriu.

*********

  De fato a festa de músicas na corte do rei de Portugal eram bonitas. estava se divertindo bastante ali. Adria, sua melhor amiga, a estava acompanhando. Juntas, elas dançavam em meio aos rapazes e moças da festa, se divertindo e aproveitando a adolescência, ainda sem entender o que as cercaria mais para frente.

***********

  FRANÇA, 1510, ANO 16 DA VIDA DE FRANCISCO DE ANGOULEME
  — FRANCISCO! — gritou dona de ao entrar nos aposentos do filho e vê-lo deitado com uma jovem coberto por túnicas. — Você nem 17 anos tem ainda, e já está se aventurando com uma garota qualquer.
  — Mãe — ele sorri —, eu apenas estou me divertindo. Perder a virgindade com essa jovem e tirar a dela não me pareceu tão errado. — Ele sorriu maliciosamente. — E ela não é uma garota qualquer.
  — SAIA! — gritou para a jovem. — Você não vê que Nossa Senhora tem planos maiores para você? Você deve se casar com da França. Ela é a princesa da França.
  — Mas eu não amo ela, mãe, não a acho tão bonita — disse Francisco.
  — Não é questão de beleza, mas sim de poder, meu filho — disse . — já tem 11 anos, você devia tentar fazer amizade com ela.
  — Eu tento, e ela é uma criança agradável, mas eu não a amo.
  — Se para você só importa o amor, vai aprender a se casar com ela. Ela será rainha e você seu consorte. Entenda isso.
  — Eu sei, mãe. — Francisco suspirou frustrado. — Vou tentar me aproximar mais dela.
  A mãe sorriu.

**************

  PORTUGAL, FIM DE 1510
  — Olha que garota esquisita, ela é feia — disse um jovem de camisa preta para , que já tinha seus doze anos. — Garota esquisita, vem aqui, estou falando com você.
   apenas continuou andando ignorando o garoto que lhe deu um tapinha leve nas costas para chamar sua atenção.
  — Ninguém nunca vai gostar de uma garota feia como ela.

Eu sei que tudo vai ficar bem
E as minhas lágrimas vão secar
Eu sei que tudo vai ficar bem
E essas feridas vão se curar

O que me impede de sorrir
É tudo que eu já perdi
Eu fechei os olhos e pedi
Para quando abrir a dor não estar aqui, mas

Sei que não é fácil assim
Mas vou aprender no fim
Minhas mãos se unem para que
Tirem do meu peito o que há de ruim

E vou dizendo tudo vai ficar bem
E as minhas lágrimas vão secar
Tudo vai ficar bem
E essas feridas vão se curar

  Assim que chegou em casa, entrou no seu quarto e podia sentir as lágrimas querendo vir, mas as segurou. Aquele garoto que a chamara de feia, provavelmente um príncipe de Portugal, a deixara extremamente chateada com a situação.

***********

  FRANÇA, 1510
  — O que uma criança faz por aqui tão concentrada? — perguntou Francisco de Angouleme a de França, que tinha quase doze anos. — Não deveria estar brincando?
  — Eu apenas estava estudando — ela disse com um olhar sereno e suave. — Meu pai quer que eu aprenda tudo sobre o reino francês.
  — Talvez eu possa ajuda-la, senhorita — disse Francisco com um sorriso amigável nos lábios.
  — Pode me chamar de .
  — Francisco — respondeu ele apertando e beijando a mão dela de forma cavalheira.
  Enquanto isso, Ana da Bretanha estava se olhando no espelho. Mal podia acreditar esperava mais um filho de Luis XII.

*********

  ALGUMAS SEMANAS DEPOIS...
  PORTUGAL

  — Você parece quieta! — disse a irmã . — Isso não é comum.
  — Está tudo bem — garantiu .
  Mas nem tudo estava bem...

CONTINUA...



Comentários