No one does it better

Escrito por Gabrielle R. | Revisado por Andressa

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  - Uma iluminação meio psicodélica ia ser legal também. - Um menino moreno falou enquanto o outro loiro digitava tudo no notebook.
  - Musicas até a madrugada, por favor. - um outro sugeriu, quase suplicando.
  - Essa festa vai ser A festa do ano! - O loiro que estava por trás do notebook comentou com os amigos, que riram e concordaram após.
  Idealize cinco garotos morando juntos. Certo? Agora idealize cinco garotos que moram juntos e tem uma banda, e essa banda vai fazer dois anos que está formada, e é claro que um dos cérebros pensantes tinha que dar a idéia de fazer uma festa para quem quisesse ir.
  - Só espero que não de merda que nem das outras vezes. - um moreno alto falou assim que entrou no cômodo com um engradado de cerveja em mãos.
  - O põe ordem! - disse trocando o canal da televisão.
  - Isso se ele não ficar bêbado. - disse baixo para , não baixo o suficiente para que todos não escutassem, eles escutaram, e riram.
  - Não sou o não, Mané. - falou e todos riram novamente, com exceção de .
  - Otário. - resmungou.
  Pois é! The Maine estava fazendo dois anos de banda, e não ligavam pro frio que fazia no fim de janeiro, estavam no Arizona e nada que uma boa festa não esquentasse por ali.
  - A gente podia fazer um show não é? Curto e essas coisas. - sugeriu, levantou as sobrancelhas indicando uma idéia ótima.
  - Nosso menininho ta crescendo, gente! Estão saindo ótimas idéias daí.
  - Troféu de graça do ano vai para você, . - retrucou.
  A tarde deles foi praticamente isso: planejar a festa de comemoração para a banda, tomar algumas (várias) latinhas de cerveja, e dar patadas uns nos outros. Durante à noite, percebeu a falta de mais uma pessoa na sala cheia de bêbados babados que riam de qualquer coisa, até do barulho que o silêncio fazia de vez em quando.
  - Qual o problema? - perguntou pra que estava sentado no murinho do jardim pessimamente cuidado que a casa possuía.
  - Quero tocar The Way We Talk. - disse sem encarar o amigo.
  - Certeza? Faz tempo que você não toca essa musica...
  - Tenho total certeza, já passou da hora de superar ela, sabe? Já faz meses...
  - Você consegue falar o nome dela sem sentir aquele 'treco' - fez aspas com as mãos - no estomago?
  - Ainda não. E é enjôo.
  - Enjôo, sei. Eu espero que você consiga superar, de verdade.
  - Valeu cara, mesmo.
   achou que era hora de deixar o amigo sozinho, pensando direito nas escolhas que faria relativo àquela musica depois de bem... O motivo daquela musica ter deixado o Arizona há cinco meses.

  Oh My Gorgeous Arizona, here's to gettin' caught with you.
  O vôo tinha atrasado meia-hora. Mas ela estava ali na Roosevelt and 2nd Street chutando a areia com seus coturnos. Aquele lugar lembrava toda a essência que o Arizona sempre teve pra ela, um lugar quente e cenário de toda a vida dela. Principalmente dos bons momentos.
  Ela estava de volta ao Arizona, pronta para resolver seus problemas, cuidar da sua vida, cuidar de si mesma; coisa que ela não faz há meses, com tantos afazeres que nem tempo de lembrar ela teve.
  Suas malas estavam largadas na calçada, tinha dispensado o taxi e não fazia idéia de como ia voltar pra casa. Mas ela estava de volta! Ela voltou para o Arizona, e a primeira coisa que queria sentir era a essência de Phoenix que aquele local lhe proporcionava. Precisava de uma base, caso as coisas não ocorressem do modo que ela queria, ela só tinha a ela mesma para culpar, porque, afinal, as coisas só ficaram do daquele modo porque ela quis. Agora só lhe restava arcar com o arrependimento.

  - She's fresh, she's fresh, but not so clean. - A voz de soava junto aos instrumentos por toda casa. encostou-se no batente da porta da sala de musica e olhou de um modo estranho para os amigos.
  - Estão começando The Way We Talk sem mim. - disse.
  - Boa tarde! - falou.
  - Você tava dormindo, não queríamos te interromper. - começou.
  - nos contou que você decidiu tocar essa musica, então deduzimos que você foi dormir tarde porque ficou pensando, refletindo, filosofando ou sei lá o que. - terminou. apenas crispou os lábios e depois riu.
  - De boa! Vocês estão um pouco enferrujados nessa música por minha causa. - ele riu, arrancando uma expressão aliviada dos amigos por ele estar bem. - Vou tomar um café.

  - You're fake as moans you make... - cantava enquanto preparava o café, que era um hábito tomar depois que acordava.
  Até que ouviu batidas na porta dos fundos, e se viu obrigado a atender, já que nenhum de seus amigos estava por perto. Fez seu caminho cantando ainda a mesma musica.
  E se surpreendeu.
  - Eles pediram comida chinesa? Filhos da puta!
   pegou o saco da mão do entregador e procurou a carteira de que sempre estava largada em algum canto da cozinha - geralmente no balcão - deu o dinheiro para o entregador e largou o saco em cima do balcão, continuando a cantoria.
  Mas então ele escutou novamente as batidas na porta traseira, que depois de alguns segundos elas se tornaram insistentes e impacientes. De novo, ele foi obrigado a abrir a porta, se perguntando se o cara tinha esquecido alguma coisa, ou se era gay para pedir o telefone dele. Mas seus pensamentos não o impediram de continuar cantarolando a musica.
  Então sua voz se calou assim que abriu a porta.
  E não era mais comida chinesa.
  - Não estava esperando que você atendesse, você nunca atende a porta de trás. - a dona dos cabelos escuros e ondulados que sempre cheiravam a baunilha disse, encarando o homem a sua frente.
   não respondeu. Sua cabeça era um mar de palavras confusas e frases emboladas. Estava tudo uma bagunça que ele mal conseguia pensar. E ele se deu conta que era sempre daquele jeito, chegava e fazia uma bagunça com tudo na sua vida, e saía sem mesmo oferecer ajuda.
  - Oi. - ela disse, tentando arrancar algumas palavras do rapaz, necessitava mais que imediatamente ouvir a voz dele.
  - O que você está fazendo aqui? - finalmente, ele indagou.
  - Voltei. - encarou o chão, dando um sorriso de lado, meio que sem graça.
  Seu plano inicial era encontrar , explicar tudo para ele e daí eles voltariam a ser um casal feliz que sempre quiseram ser (porém nunca foram). Mas querer não é poder, não é? Então ela só queria.
  - Ótimo. Obrigada por avisar. - ele manteve a pose séria que sempre pensou que manteria quando visse ela novamente.
  - ! Eu quero conversar com você.
  - Legal, eu não quero ouvir.
  - Eu quero te explicar o que aconteceu, por favor, eu tenho explicações.
  - Eu diria que você tem desculpas, . - ele falou ainda sério, e um arrepio bizarro passou pelo corpo da garota quando o ouviu dizer seu nome.
  - Você não me ouviu! Me deixa te falar, aí você resolve se acredita ou não!
  - , agora não, por favor.
  - Eu ainda nem foi pra casa. - ela apontou pras malas há pouco metros de distancia dela. - eu queria falar com você primeiro.
  - Acontece que eu não quero conversar agora, . - ele falou baixo, largando os ombros quando percebeu o sorriso pequeno da garota ao ouvir seu apelido. - .
  - ! - ouviram a voz de meio surpresa e desconfiada, enquanto os meninos adentravam na cozinha. O impacto de de volta fora tão grande que nem percebeu que eles tinham parado de tocar...
.   - ! - ela disse no mesmo tom, tentando sorrir. Porém, falhou. - Oi meninos.
  - Você está de volta! - falou ainda com os olhos arregalados, como todos as pessoas daquele cômodo, com exceção de e .
  - Pois é!
  - Porque voltou? - perguntou, saindo de trás dos amigos, e pronunciando as palavras com a maior naturalidade que seu corpo poderia produzir.
  - Tempe é a minha casa, . Eu fui embora porque eu tinha assuntos a resolver, e confesso que errei indo embora sem explicar mas... Eu to aqui pra resolver tudo de novo. E eu não vou embora.
   riu irônico, abriu a boca para falar, mas preferiu não dizer nada. Não iria dar esse gostinho à . Então ele só olhou pra ele e fez um não com a cabeça, a balançando freneticamente para os lados, bufou e saiu do local. Não queria ouvir mais nenhuma palavra que se tratasse daquele assunto. Não tinha nada a ser resolvido, ela resolveu tudo quando foi embora.
  - Eu posso voltar amanhã? - perguntou aos meninos, que ainda olhavam sair.
  - Volta de madrugada, . vai arrumar algum jeito de sair pra não te encontrar, de madrugada ele ainda vai ta acordando tomando uma garrafa de whisky e pensando. - disse. era sua melhor amiga, óbvio que ele ficou magoado com a partida inesperada dela, mas ele sabia o motivo, mesmo assim atendera o pedido da amiga que dizia para não contar nada pra ninguém, nem mesmo para , ela diria pessoalmente.
  - Obrigada. Mesmo.
  - Vai dar tudo certo, você conhece ele.
  - Eu espero mesmo. - sorriu fraco e deu um abraço nos quatro antes de ir até a porta novamente, mas parou e virou-se para trás, onde os meninos ainda esperavam que ela partisse. - Eu posso estar sendo muito mal educada, mas alguém pode me dar uma carona pra casa? To sozinha.
   riu e pegou as chaves do carro. Pelo menos continuava a mesma pessoa, inconsequente dos atos dela, como ela sempre fora. Quando viu as malas azuis celeste do lado de fora da casa riu mais ainda, ela nem tinha ido pra casa. Realmente, ela não mudou.
  - Obrigada, .
  - De nada, . - ele sorriu.
  - O tava cantando a musica hoje... O que houve?
  - Eu acho que ele ta te superando, . Ou tava. Porque você voltou justo no dia que ele resolve tocar essa musica de novo.
  - Quando? Quando ele vai tocar essa música de novo?
  - Esse sábado, na festa de dois anos da banda, você deveria vir.
  - Não sei se deveria, . Ele realmente não quer mais me ver, você viu como ele saiu da cozinha? Eu deveria dar um tempo a ele, até ele querer me ouvir, você não acha? Eu errei, demais, foram cinco meses sem dar noticia, por que eu to pressionando ele?
  - Calma! - ele riu - Você fez merda sim, cara, mas a gente faz merda o tempo todo.
  - Tem gente com prisão de ventre, .
  - ! - ele gargalhou - É sério! Vai nessa festa sábado. Você ta com a gente desde... Sei lá, quase sempre. Foda-se o que o vai falar! Ou não vai. São dois anos de The Maine.
  - Eu vou sim. Valeu, !
  - Sempre que precisar, só não some!
  - Pode deixar.
   esperou a menina achar o molho de chaves na maxi-bolsa dela, procurar a certa, enfiar na fechadura e entrar com todas elas na casa. Nenhuma duvida sobre o comportamento dela, continuava a mesma. A mesma que ele conhecia, porque pelo o que ele sabia, antes ela era diferente, antes de realmente ficar com . Por isso que The Way We Talk era a música dela, essa vadia que vocês conhecem da música era ! Quem diria, hein.
  Mas, de alguma forma, ela nunca se abalou com a letra da musica, aquilo só a fez ter mais vontade ainda de ficar com . Não é todo dia que um cara de uma banda escreve uma música pra você! Ainda melhor quando um cara de uma banda escreve uma musica SOBRE você que não é melosa e não a fazia ter vontade de colocar os dedos na garganta só porque ouviu o refrão. Essa é .

  - Cute face, slim waist, she's got 'em in a crazy, I think she's going crazy...
  A voz fina de cantarolava baixinho, às duas da madrugada de uma quarta-feira. O que ele tinha feito com ela, pelo amor de Deus? A péssima escolha de uma blusa de ombro caído e shorts tinham-na feito se arrepender justo naquela hora: quando estava em frente a casa dele. Nada de jogar pedra na janela, gritar o nome dele ou fazer uma serenata, aliás a dama ali era ela.
  Na verdade, ela não sabia o que ia fazer para chamar .
  Só sabia que métodos clichês estavam completamente fora de questão.
  Então ela abriu a porta dos fundos - que ela saberia que estaria aberta, porque a avisou - pegou o telefone que estava em cima da pia carregando e subiu os dois lances de escada. não fazia idéia de quem era o celular, mas era de algum dos meninos, e com certeza tinha o numero de .
  'Sobe.' Era o que dizia a mensagem que tinha mandado para no número de algum dos meninos.
  Eu disse que clichê não era com .
  - O que é ? - ouviu a voz tão familiar para seus ouvidos soar dos últimos degraus da escada e se preparou internamente para o que viria a seguir.
  Ela sabia que não seria coisa boa.
  - Você não vai desistir tão fácil, não é? - Ele perguntou depois de ver apoiada na piscina com o telefone de na mão.
  - Acertou. - ela riu.
  Então ele pediu em sua mente 'não ria, por favor, não ria'. O sorriso dela ia acabar com toda a defesa que ele tinha construído pra não cair em todas as armadilhas e truques que ele sabia que ela tinha. E não tinha poucos, nem alguns, nem vários, e sim milhares.
  - Então... Você vai me deixar explicar tudo, ?
  - Vou sim, . Mas não hoje, nem amanhã. Você voltou hoje, sabe? Tem que me dar um tempo. Foram cinco meses, não é de um dia pro outro. Quando eu estiver pronto, eu juro que te procuro, mas não vai ser cedo.
  O sorriso que ela possuía no rosto murchou. Mas foi melhor do que ela esperava. Então ela só forçou um outro sorriso, e saiu dali. Mas não sem antes de dar a última olhada para o homem que também a observava ir.
  - Tchau.
  Ele acenou com a cabeça e apoiou aonde ela estava.

  Ela esperava o pior.
  Quando imaginou ela mesma dando um 'tempo' a . Imaginou os dois separados enquanto ela voltava ao emprego esperando que ele a procurasse, e ele em casa separando os prós e contras para ouvir as explicações de . E por enquanto ele só tinha contras. E o único prós é que ele gostava dela, e ela sabia, ou pelo menos gostava de pensar que ainda sim.
  Bem, isso era o que ela imaginava, só isso.
  E quando viu, ela estava em frente ao espelho de roupas íntimas, passando máscara para cílios enquanto cantava alguma musica com o rádio. A roupa preta de renda estava entendida na cama, com as botas curtas revestidas de couro, com um salto médio com tachinhas, ao lado.
  Ela estava nervosa. E não era pouco. Ela não tinha visto desde o dia na piscina e não sabia o que viria dessa vez. As circunstâncias pareciam tão diferentes. Nunca pensou que ela estaria fazendo aquilo por um homem.
  Ele não era 'um homem', ele era .
  - I'm shining like fireworks over you sad empty tooooooooooooooooooooown!
  Naqueles momentos que cantar Taylor Swift a fazia extremamente sábia, que podia se decepcionar indo àquela festa, mas decidiu se arriscar. , , e também eram seus amigos e estava fazendo aquilo de ir para a festa por causa deles. É importante! São dois anos de banda! Dois anos podem não parecer uma coisa muito grande para uns, mas pra eles, tudo era motivo de comemoração, especial aquilo.

  - Não bebe muito cara, se der merda quem tem que resolver somos nós. - falou para que virava outra garrafa de cerveja sem se importar com muita coisa.
  - Pode deixar. - falou fingindo se importar, quando na verdade não ligava. Queria esquecer de muita coisa naquela noite.
  - Porra ! Pelo menos esteja menos alterado para a apresentação. Por favor! - quase gritou, devido ao barulho que começava a ficar irritante.
  Irritante estava, mas ficaria assim pela noite toda. A casa começava a encher de pessoas que eles não faziam idéia de quem eram, mas eles não ligavam, queriam mais que aquele festa fosse lembrada pelo resto da vida daquelas pessoas presentes.
  Festa é festa.
  Só esperavam que não faltasse bebida.

   entrou na casa esbarrando nas pessoas que a olhavam feio, e ela só ria delas. Parecia que a bêbada era ela, não eles. Bêbados mau-humorados. Procurou os amigos com os olhos, enquanto olhos que a conheciam depois de mira-La viravam para o lado e cochichavam para a pessoa que se encontrava ao lado. O assunto era sempre o mesmo: ela voltou! Devido à ótima audição de ela ouviu coisas tipo 'será que ela voltou com o ?' 'então ela deixou o cara com quem ela fugiu para Los Angeles e está atrás do ?' 'eu soube que ela estava internada na Rússia, será que ela melhorou?'
  Cada barbaridade mais bizarra que a outra. só ria. Como todos eles a conheciam e inventavam essas coisas? Tempe não era nem esse ovo que parecia.
.   Saindo de lá, ela encarou o palco improvisado montado do jardim lateral da casa, os meninos conversavam entre si do lado do palco, provavelmente montando a 'set list' do pequeno show que fariam daqui há meia hora. a viu e disse aos meninos que ia pegar uma bebida, indo pelo lado oposto de qual a garota se encontrava. Novamente, deu uma risada. A basbaquice de não a impediria de falar com os amigos.
  Deu um abraço em cada um e os cumprimentou pelos dois anos. Disse que iria assistir o show todo, e que qualquer coisa poderiam a chamar que ela ajudaria.
  Quando se afastou e observou todos os detalhes do palco, ela se viu dentro de um curto déjà vu.

  Quase Dois Anos Atrás.
  - Groupie.
  - Não ! Ela não tem cara de groupie. - respondeu para a conceituação prévia que ele e faziam de uma garota que falava com .
  - Pode não ter mas pode ser!
  - Tanto quanto pode não ser groupie.
  - Por que raios vocês tão discutindo isso, caralho? Eu to nervoso e vocês falando de uma menina que parece ser groupie. E se ela for, por que estaria aqui? É o nosso primeiro show! - interferiu.
  - Por que nós somos uma banda nova bem bonita. - disse convencido, e riu, logo depois olhando para frente.
  - Pra aumentar seu nervosismo, olha quem vem aí.
  Os três atrás do palco de um barzinho qualquer que geralmente muitas pessoas iam naquele dia da semana - e que hoje parecia suportar um numero de pessoas maior que a sua capacidade -, olharam para o mesmo ponto que olhava antes. entrou no local rindo com duas amigas e olhando ansiosamente para o palco.
  - Fodeu. Fodeu de vez. - falou, colocando as mãos sobre a cabeça.
  - Vou chamar o e o agora, pra nós começarmos logo isso.
  O show foi um sucesso. Claro que ficou meio intimidado com a presença da garota mais bonita das festas que ele frequentava estava no show da sua banda, mas logo depois ele se soltou e não ligou mais para a presença.
  Era só uma garota.
  Bem que ele queria que fosse só uma garota.
  Essa garota veio falar com ele depois do show, e ele conseguiu anotar o numero do celular dela, tudo bem que ele só ligou depois de uma semana porque ele se sentia nervoso ainda perto dela, imagina quando falava com ela.
  Tempo depois, os dois começaram um relacionamento enrolado. Ficavam sempre que se viam, e quando saiam com amigos não ficavam. Não era namoro, ela ficava com outros na frente dele, e ele com outras na frente dela. Digamos que os dois achavam engraçado barra 'animado' o fato de se verem com outras pessoas, um tanto excitante, mas não exatamente essa palavra com sentido completo.
  Esse relacionamento enrolado se estendeu por mais ou menos um ano, até que The Maine resolveu lançar seu segundo EP. E aí escutou The Way We Talk.
   acha que ela gostou mais ainda da música quando soube que era sobre ela. Ela tinha uma música!
  A primeira apresentação de The Way We Talk não fora do Arizona. Mas adivinhem? estava lá! Foi a fatídica noite que os dois começaram a namorar.
  Fim do flashback.

  Quem diria? e namorando! As duas pessoas que pareciam não ter coração algum, sempre achando graça em quebrar corações das pessoas inocentes que se arriscavam se apaixonar por um dos dois.
  Olhando pelo lado bom. Nenhum dos dois se machucaria.
  Mero engano.
  Veja a situação que estamos agora.

  Ele, já estava em cima do palco improvisado para o show, rindo de algo com os amigos e bebendo um copo de whisky, além de fazer a contagem para começar a tocar.
  Ela, estava sentada numa cadeira de plástico com um copo de Tequila na mão, bem longe do palco, mas em um lugar específico para que pudesse enxergar claramente o palco.
   chamou a atenção do pessoal da festa pelo microfone, e então todos corriam para fora da casa como formigas, obrigando a se levantar, e ir para mais a frente do palco. Ele riu alto e disse que começaria com uma antiga.
  Os meninos sorriram e procuraram com os olhos, que ainda estava afastada do palco, mas em um lugar de fácil localização para eles. Quando ela percebeu os olhares, sabia que música era.
  Os primeiros acordes começaram e as palmas dos bêbados e sóbrios seguiram a música. O corpo de fazia atos inconscientes, ela dançava e cantava de olhos fechados e ainda com o copo na mão. Ela também podia cantar aquela música, .
   olhou para naquele momento e não imaginou aquela cena. Imaginou ela séria, acabando com o copo de Tequila que tinha em mãos. Mas ela estava o provocando. Como ele não pôde prever isso? A música era dela!
  Depois que essa musica acabou, a banda perdeu de vista. Quando percebeu que ela não estava mais no jardim da casa, foi aí que ele percebeu uma coisa, que mudaria o rumo inteiro da noite:
  Ele estava pronto.
  Pronto pra não ficar bebado pelo resto da noite e não pegar qualquer vadia que se oferecesse para ele.
  Ele queria a escutar.
  Depois que o show acabou, foi procurar a sua futura-ex-garota pela casa.
  Nunca achou que procurar alguém dentro da própria casa fosse algo tão complicado. Querem saber por que?
  Ele a viu na cozinha, mas quando chegou lá: nenhum resquício dela.
  Ele a viu no meio da sala, dançando com os bêbados tarados, e quando conseguiu entrar no meio daquela roda: nenhum sinal dela.
  Achou ter a visto no topo da escada para os quartos. Nada dela lá.
  Revirou e jurou ter visto no bar improvisado bem no canto do jardim. Ela também não estava lá.
  Estava ele ficando paranóico e obsessivo ou a garota estava brincando com o seu cérebro? E brincando de esconde-esconde ainda por cima!
  - , pega minha câmera no meu quarto? Eu tranquei lá pra nenhum casal em abstinência entrar. - mostrou a chave para o amigo, que observava a mão dele no ombro de uma menina morena de cabelos curtos e coloridos.
  - Certo.
   deu a última olhada na casa para ver se encontrava o que ele tinha desistido de procurar minutos atrás, antes de bufar e se dirigir ao bar. Como imaginava, nenhum sinal de .
  - Aberto?
   resmungou a palavra e rezou baixinho para não encontrar nenhum casal se agarrando na cama do amigo. Ou um casal de gays, lésbicas, uma orgia, o que quer que fosse. Só queria sair dali o mais rápido possível para voltar ao bar e ficar bebado de vez.
  - Porra!
  Não, não era um casal, nem uma orgia como eu sei que vocês devem ter pensado. Por mais que a nossa personagem principal odiasse clichê, ele está mais do que presente nessa história. não gritou o 'porra!', quem gritou foi ! Que estava deitada na cama de com a mão na cabeça por causa da enxaqueca que tinha ficado por causa da música alta.
  - Ah, é você. - ela disse desinteressada, mesmo que seu coração estivesse palpitando como louco e suas mãos tivessem começado a suar e tremer muito.
  - É, só eu. O que você ta fazendo aqui? - perguntou ele sentando na ponta contrária da cama de .
  - To com dor de cabeça, me deixou ficar aqui um pouco.
  - Ah sim.
  - E você?
  - Eu o que?
  - O que está fazendo aqui?
  - O mesmo me pediu pra buscar a câmera dele. Tava com uma garota.
  - Ah claro! - ela riu.
  De repente os dois estavam rindo juntos, ainda sem ter coragem de se encarar. Corrigindo, rindo não. Gargalhando.
  E quando os dois tiveram ousadia de se encarar, os sorrisos sumiram. Não porque podiam ver nos olhos um do outro o quanto estavam quebrados por dentro ou idiotice semelhante, mas porque se encararem depois de tanto tempo era estranho.
  Mas não foi estranho quando se aproximou bruscamente da ex-namorada e a beijou com um misto de fervor e saudades. Obviamente, ela não negou, porque sentia falta disso mais do que sentia falta do chocolate quente que sua mãe fazia no inverno quando era pequena.
  Péssima comparação.
  Mas certo. Tudo que importa pra você agora é a sensação única que estava sentindo com a boca dela colada na dele, e as mãos de passeando pela lateral do corpo dela. O cérebro dos dois estava a mil, e os corações perderam qualquer tipo de valores para o calculo da velocidade média.
  Quando o fôlego acabou, ele virou o rosto para o lado oposto que a garota estava e se perguntou que merda tinha feito. Tinha se entregado. Na verdade, ele faria que nem aquelas tias desconhecidas que quando encontram você e sua mãe por ai fazem, culparia os hormônios.
  - David perdeu tudo, . - a garota começou e ele logo percebeu que ela falava de seu irmão mais velho. - Ele saiu da casa dos meus pais há um ano. Ele perdeu o apartamento que tinha comprado, perdeu o dinheiro que tinha, perdeu tudo. Ele se envolveu com todo o tipo de merda da Califórnia. Meus pais não sabiam o que fazer. David tava morando na rua! Eu tive que ir pra lá cuidar dele, já que meu pai poderia só cuidar da minha mãe, que entrou em depressão.
  - Não é de hoje que seu irmão se meteu nesse meio, . - ele respondeu ainda sem olhar para ela, agora encarando seus pés nos coturnos marrons surrados em cima da cama de . Ele o mataria.
  - Eu sei! Mas ele viciou, sabe? Nós internamos ele, e ele disse que só ficaria na clínica se eu o visitasse todo dia. Eu tive que ir!
  - Você poderia ter me falado. Eu entenderia.
  - Poderia! Mas eu achei melhor na hora não falar nada pra ninguém, porque eu pensei que seria rápido.
  - Realmente os cinco meses passaram rapidinho! - disse ele irônico.
  - Eu to tentando me desculpar, você pode abaixar a porra da guarda e parar de ser grosso comigo só um pouquinho?
  - Não! Não dá! Você não vê que essa situação é tudo sua culpa? - ele elevou o tom de voz e finalmente olhou para ela - Não, agora é a sua hora de ouvir, ! - ele gritou quando ela ameaçou abrir a boca para argumentar. - Você poderia simplesmente ter ido morar na Califórnia e ter me deixado aqui com a vida que eu acostumei, fácil. Turnês, shows, groupies, garotas me querendo o tempo todo! Daí você volta e faz a mesma bagunça que fez! não é tão fácil assim! Não é porque você voltou e me explicou sua ida que nós voltaremos, isso leva tempo! Ou talvez nem aconteça mais!
  - Você está certo, . Boa noite.
  Dito isso, ela saiu do quarto, pouco ligando para sua dor de cabeça que tinha antes e que tinha piorado agora. Sua cabeça girava mais que 360 graus depois que ouviu as palavras de . Ele estava certo. Ela só tinha de culpar a si mesma por ter perdido o único cara que realmente gostou dela, e que ela realmente tinha gostado.
  - EU PRECISEI DE VOCÊ? ONDE VOCÊ ESTAVA? - a porta do quarto de se escancarou, saindo de lá um rapaz alterado pela raiva.
  - O QUE NÓS ESTAVAMOS FAZENDO, ? PELO O QUE VOCÊ DIZ, TUDO PARECEU UM ERRO. ENTÃO ME RESPONDA, O QUE NÓS ESTAVAMOS FAZENDO? - retrucou no mesmo tom de voz.
  - EU ME APAIXONEI POR VOCÊ, PORRA! E VOCÊ FOI EMBORA! EU PENSEI QUE AQUELA IDIOTICE DE AMOR ESTIVESSE ACONTECENDO COMIGO, MAS AÍ O QUE VOCÊ FEZ? VOCÊ FOI EMBORA!
  - EU PRECISEI, CARALHO!
  - Eu te procurei. Seus amigos diziam que não te viram, fui a sua casa no dia anterior e não notei as malas, mas eu as vi lá. Depois elas desapareceram, e aí eu percebi. - abaixou imediatamente o tom de voz, não lhe restaram mais forças para gritar.
  - Eu precisei ir. Não só pelo David, . Por mim também.
  As pessoas que estavam jogadas no segundo andar da casa pararam o que estavam fazendo e prestaram atenção na discussão que se tornou no meio do corredor.
  - Por quê?
  - Eu nunca fiquei tão submissa a alguém como eu fiquei a você, eu me assustei! Eu não me reconheci! Eu quis me encontrar, sabe? Eu não sabia quem eu era, não sabia se gostava de você ou se gostava do que você me proporcionava, eu queria descobrir. Mas com você por perto não ia funcionar. Eu só peguei a oportunidade e fui, tentar me redescobrir, antes de você eu sabia exatamente quem eu era, mas aí você chegou... Eu não tive mais certeza de nada.
  - E o que sua ausência aqui te respondeu?
  - Que eu gosto de tudo em você.
  - Certo. - ele assentiu com a cabeça. abaixou o olhar e voltou para o quarto.
  - Claro. - cochichou ela antes de sair da casa.
  'Não façam filhos na minha cama!' Era o que dizia a mensagem que tinha mandado para o celular de . Pobre e inocente . Além de filho da puta, por ter armado isso tudo.

  Espero que estejam pensando que os dois nunca mais se viram e evitaram todo o tipo de contato para todo sempre, porque eu quero surpreender vocês.
  No dia seguinte, às cinco horas da tarde, estava em pé na porta de , decidindo se tocava ou não a campainha. Não dormiu essa noite, ficou pensando em tudo que aconteceu na festa, tentando decidir o que fazer. Parte dele dizia que não era certo dar uma nova chance àquilo: à . Mas a parte que dizia que ela merecia, e que ele precisava mais dela do que ela dele, era maior, e mais insistente. Então ele estava ali, parado na porta dela, indeciso sobre o que fazer. Nenhum impulso, nenhuma decisão precipitada.
  Por Deus, o que ela tinha feito com ele?
  Uma bagunça! Bagunças eram o forte dela.
  Então em um surto corajoso, ele tocou rapidamente a campainha. Pensando em sair correndo dali e voltar novamente outro dia, quando estivesse mais confiante. Mas quando ele ia dar o primeiro passo para ir embora, ela atendeu a porta com um moletom gigante e olheiras para acompanhar.
  - O que faz aqui? - ela perguntou, fungando e olhando com os olhos estreitos para ele.
  - Quer começar de novo? - ele perguntou, com as mãos no bolso, visivelmente tímido.
  A garota sorriu largo como ele não tinha a visto sorrir ainda, e isso só fez seu coração querer sair do seu peito. Ela percebeu que ele não estava desistindo, mas ele queria começar de novo.

Fim.



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