Nathan Mania

Escrito por Josie | Revisado por Lelen

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Capítulo 1 — O Trem da Oração

  Ora, a serpente era mais astuta que todos os animais do campo que o Senhor Deus tinha feito. (Gênesis 3:1)
  E o Senhor Deus ordenou ao homem, dizendo: "De toda árvore do jardim podes comer livremente, mas da árvore do conhecimento do bem e do mal não comerás, porque no dia em que dela comeres, certamente morrerás." (Gênesis 2:16-17)
  Foi isto mesmo que Deus disse: “Não comam de nenhuma árvore do jardim”? E a mulher respondeu à serpente: "Podemos comer do fruto das árvores do jardim, mas Deus disse: 'Não comam do fruto da árvore que está no meio do jardim, nem toquem nele, para que não morram'". (Gênesis 3:1-3)Gênesis 3:1-3 )
  É nessa terra de meu Deus, que eu me encontro. Eu vivo entre lobos em pele de cordeiro. É muito mais fácil julgar uma mulher castigada por Deus. Uma mulher que conheceu o sofrimento de perto. Eu vi reinos serem construídos em espírito. Vi pessoas tentando ser boas, outras falhando. Eu vi a maldade ser generalizada. Tudo começa aqui. Imagine-se em um trem, é o trem da vida.
  Era uma vez uma carruagem, a carruagem me levava para longe dos meus problemas. Meu pai estava doente, minha mãe não se importava comigo, não ainda. Minha madrinha, porém, estava comigo. Foi ali que meu olhar se cruzou com o dela, uma garota de cabelos escuros e vestido bonito. Ela estava em uma carruagem também, aparentemente indo para o mesmo destino que o meu. Trocamos olhares. E foi ali que tudo começou...

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  Raquel e Lia eram esposas de Jacó. Mas Jacó amava mais Raquel do que Lia. Raquel era pastora de ovelhas, enquanto Lia era jovem e inconsequente. Lia era uma garota divertida, mas também gentil, enquanto Raquel se sentia desprezada. Isso chega a ser irônico como vocês descobrirão mais tarde. Naquela manhã em especial, as duas mulheres estavam em suas tendas. As duas estavam grávidas. De Jacó. O patriarca bíblico.
  Zilpa havia dado dois filhos a Jacó, assim como Bila. Agora Lia esperava mais um filho. E foi assim que nasceu a única filha de Lia e Jacó e ela lhe pôs o nome de . Os filhos de Lia com Jacó e Zilpa com Jacó estava em êxtase, afinal Lia deu à luz uma nova filha a Jacó. Mas Raquel também esperava um filho. E aconteceu que nasceu um menino lindo e perfeito. E Raquel lhe deu o nome de José. E Raquel e Jacó amaram muito José. José era o filho preferido de Raquel e Jacó. Isso fez com que os irmãos de José se sentissem com inveja dele.
  — Ele é só uma criança, o que tem de tão especial nele? — questionou Levi.
  — Ele é diferente — disse Judá.

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  ANO 10 DE
  — Essa criança tem algo errado.
  — Ela é doente demais. Sempre precisa de cuidados.
  — Talvez devêssemos consagra-la a Deus, meu marido. é saudável. Nasceu bem.
  — Sim, ela pode servir nos templos.

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  . Um nome forte. Bonito. Ela ainda não é importante, mas em breve será. Não, ela não é a moça da carruagem. Ou talvez seja. cresceu em meio a uma família humilde. Ainda criança era travessa e divertida, mas acreditava que havia um Deus que cuidava dela. E é aqui que a história começa... Ainda criança, era uma criança frágil, sempre doente, mas aos poucos tudo mudaria.

  CINCO ANOS DEPOIS...
  ANO 15 DA VIDA DE , EGITO

  Era uma manhã como qualquer outra. O pai de havia morrido recentemente. A criança que era constantemente doente e frágil, agora era uma jovem forte e determinada. Não se parecia em nada com a menininha que foi um dia. , mesmo em meio a templos egípcios, acreditava no Deus único, o Deus de Abraão. Ela não podia negar que o Egito e a fé à deusa Hathor estava enraizada nela, mas havia algo no Deus único que a chamava. acordara cedo naquela manhã, não tão cedo quanto acordaria no dia seguinte. Ela tinha que ir ao templo egípcio adorar a deusa Hathor, mas ela não queria isso. Então a mãe a levou até o médico da corte.
  — Mãe, eu não queria ir — disse .
  — É necessário, , o médico da corte vai saber o que fazer com você.
  A menina assentiu. A cada olhar das pessoas, a cada sentimento de desaprovação, a menina seguiu rumo ao médico da corte. Ela chegou lá e o médico a atendeu e lhe receitou algumas poções curativas. Ao voltarem, viu que algumas pessoas do Egito a olhavam com olhar reprovador. Quando chegou em casa, um casarão egípcio antigo, respirou aliviada. Mas seus dias de alívio ainda estavam longe de chegar.

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  Enquanto isso, rumo a terra de Canaã, aconteceu que Raquel esperava mais um filho de Jacó. José tinha dez anos. E parou Raquel, Jacó e sua família na terra de Sequem. E havia naqueles dias festas satânicas entre o povo de Siquem.

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  No dia seguinte, estava observando o pôr do sol que se iniciava. O dia era lindo. Ótimo para passear. Era o que gostaria de fazer, mas se ela saísse as pessoas lá fora, que a consideravam uma estrangeira no Egito, não a tratariam bem. estava conversando com a mãe, quando ouviu uma notícia de um dos servos, parte de uma terra desabou em uma torre torrencial. Temendo por sua vida e de sua família, decidiu fazer algo que nunca fizera antes. Pediu que um servo trouxesse especiarias e criou um pequeno altar.
  — Mãe, vamos orar a deusa Hathor e o Deus único — disse ela.
  — O que você está querendo fazer, ? — perguntou a mãe.
  — Apenas vamos orar.
  — Está bem, mas se nos pegam orando ao Deus único — disse a mãe pensativa.
  As duas começaram a orar. A cada oração que as duas fizeram juntas, as preces delas foram ouvidas e a oração delas alcançou os céus.
  No dia seguinte, tanto mãe quanto filha acordaram cedo.

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  SIQUEM
  — Vamos, Raquel — disse Lia tentando fazer o parto da irmã. — Vamos trazer essa criança ao mundo. Força.
  — Dói muito, Lia — disse Raquel.
  — É claro que dói — disse Bila. — É um parto, encontre forças, minha amiga.
  Após horas de parto, Raquel dá à luz um menino e Jacó o chama de Benjamin, mas Raquel não tem mais vida para seguir adiante.

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  SIQUEM, TRÊS ANOS DEPOIS...
  — Só uma vez, mãe — pediu . — Você e o pai quase nunca me deixam ver a cidade. Só uma vez.
  — , Siquem não é uma terra fértil, aqui há perigos, minha filha — disse Lia.
  — E além do mais, você só tem 14 anos — disse Jacó.
  — Mas eu queria sair. Ver como é a cidade. Há tantas coisas que eu gostaria de conhecer.

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  EGITO, ANO 18 DA VIDA DE
  — Vamosn mãe — disse a mãe.
  — Por que você quer ir no templo egípcio dessa vez, , você nunca gostou disso. Sempre achou que o culto a deusa Hathor era desnecessário.
  — Desta vez é diferente — prometeu .
  — Se é assim, vamos.

Capítulo 2 — A Tragédia de

   estava no acampamento de seu pai, Jacó, quando decidiu ir à cidade. Aquela era sua única chance e ela sabia disso. Iria à cidade, veria como era e depois voltaria ao acampamento de seu pai. O que poderia dar errado... Saiu cedo e foi ao centro da cidade de Siquem. Ali conheceu algumas jovens. As jovens eram diferentes, tinham sua beleza e doçura que a cativaram. As jovens usavam roupas diferentes. Elas realmente sabiam se divertir. Mostraram a a cidade. Entre algumas idas ou outras, as amigas de certo dia pronunciou que haveria uma festa na cidade. se enfeitou bem. As amigas a ajudaram. Então ela foi à festa.
  — Que bom que veio, — disse uma das amigas com roupa tribal selvagem. — Vai se divertir muito.
  — Sim — disse outro. — As festas do príncipe de Siquem são sempre divertidas.
  — Falando nele, lá vem ele — disse um dos jovens.

Tudo se permite sobre o nosso chão
Não se tem limite
Nunca se diz não!

Não se pensa no amanhã
Pois pode não haver
Nossa Lei é não ter lei
Tudo pode acontecer
A dor torpece
Sangue para nós queimar
Tudo se oferece
Me deixo levar
Nossa regra é não ter regra
Nada para se guardar
O que nos mata
O que nos alegra
Vem desse lugar

Vem, vem se embriagar
Vem, vem, vem se entregar
Vem, não tente evitar
Seja homem ou mulher
Ninguém vai nos julgar
Nada a se esperar
Vem viver como quer
Viva como bem quer

Quem nasce não sabe se é bom ou ruim
Se bebe, se vive, e se morre no fim
Quem morre não lembra se um dia viveu
Quem morre, quem nasceu também se esqueceu

  A festa era a melhor de todas. Todos estavam se divertindo, até mesmo .  A jovem estava dançando com Siquem. Siquem era bonito, alto e atraente. Ela não viu, mas alguém depositou uma bebida em seu copo. Quando isto aconteceu, ela desmaiou. Quando acordou, estava em um quarto luxuoso. Mas Siquem fazia coisas com ela. Coisas que ela não permitia. Mas ele continuava aproveitando que ela estava dormente. Siquem brilhava de desejo, mas não queria que aquilo continuasse. Cada beijo, cada toque, cada ato involuntário. Quando ela acordou, sentiu o sangue descer, como prenúncio de que ela perdera o que os pais tanto guardaram para ela, a virgindade.
  Quando saiu, estava impura e suas amigas agora a olhavam com nojo.

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  — Minha filha, impura! — grunhiu Jacó entredentes. — Por que fizeram isso com você, minha filha? — perguntou.
  — Eu não sei, pai... Eu estava apenas lá me divertindo e... — ela disse com lagrimas nos olhos.

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  EGITO, ANO 15 DA VIDA DE
  — Por que você gosta de regar tanto essas plantas egípcias, ? — perguntou a mãe à filha.
  — Elas são minhas únicas fontes de entendimento, elas me entendem mais do que qualquer um.
  — Você ainda quer ir ao templo de Hathor e orar ao seu Deus único lá? — perguntou a mãe de .
  — Eu posso? — perguntou com um sorriso nos lábios.
  — A última oração fez efeito — disse a mãe.
  — Então vamos. Pode ser hoje? — pediu a mãe assentiu.

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  SIQUEM
  — Nós vamos matar aquele maldito de Siquem! — disse Simeão.
  — Ele desonrou nossa irmã! — disse Levi.
  — Vocês não vão fazer nada — disse Jacó em tom repreendedor. — Vamos dar a chance de ele vir até nós e se reparar como disse que ele faria.
  — Não sei como ela confia naquele... — disse Rubem.
  Eles pararam ao ver Siquem. Ele estava visivelmente nervoso, mas estava tentando se reparar.
  — Sou Siquem, vim pedir desculpas....
  — O que você fez foi muito sério — disse Judah tentando controlar a raiva.
  — Deixem o rapaz se explicar — aconselhou José sob o olhar desaprovador dos irmãos, que o mandaram se calar.
  — Muito bem, explique-se — pediu Jacó.

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  EGITO, TEMPLO DE HATHOR
  — Irmãos e irmãs, estamos aqui reunidos para falar sobre a palavra dos deuses — disse o sumo sacerdote do Egito. — Aqui no palácio do faraó vocês estão aprendendo não somente a louvar a deusa Hathor, mas também a agirem como profetas e profetizas para o faraó. Hoje leremos — disse o sacerdote retirando um pergaminho e entregando aos que estavam no templo. — A deusa nos protege, vamos pedir nessas preces iniciais que a deusa nos dê discernimento para os próximos anos de fartura no Egito.
  — Deus — murmurou para si mesma —, ouça-me!

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  — Também está aqui para buscar os deuses? — perguntou um jovem de vestes amarelas chamado Jatuyr a . — Às vezes eu também busco.
  — Sim — respondeu .
  — Sou .
  — Eu sou .
  Uma amizade. Alguém já disse que amizade às vezes pode ser complicada? Se soubesse das verdadeiras intenções de ... Mas naquele dia... No mesmo dia da oração no templo, uma jovem de cabelos ruivos viu como orava de forma diferente e sugeriu que se aproximasse dela, ficasse amigo dela e descobrisse suas fraquezas. Aquele dia no templo, seria marcado por eventos que precederiam grandes coisas...

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  SIQUEM
  GN34 Certa vez, a filha de Jacó e de Leia, foi fazer uma visita a algumas moças daquele lugar. Hamor, o heveu, que era chefe daquela região, tinha um filho chamado Siquém. Este viu Dina, pegou-a e a forçou a ter relações com ele. E ele a achou tão atraente, que se apaixonou por ela e procurou fazer com que ela o amasse. Depois disse ao seu pai:
  — Peça esta moça em casamento para mim.
  Jacó ficou sabendo que Siquém havia desonrado a sua filha . Porém, como os seus filhos estavam no campo com o gado, não disse nada até que eles voltaram para casa. Enquanto isso, Hamor, o pai de Siquém, foi falar com Jacó. Quando os filhos de Jacó chegaram do campo e souberam do caso, ficaram indignados e furiosos, pois Siquém havia feito uma coisa vergonhosa em Israel, desonrando a filha de Jacó. Isso era uma coisa que não se devia fazer. Mas Hamor lhes disse:
  — O meu filho Siquém está apaixonado pela filha de vocês. Eu peço que vocês deixem que ela case com ele. Fiquemos parentes; nós casaremos com as filhas de vocês, e vocês casarão com as nossas. Fiquem aqui com a gente, morando na nossa região. Comprem terras onde quiserem e façam negócios por aqui.
  Depois Siquém disse ao pai e aos irmãos de Dina:
  — Façam este favor para mim, e eu lhes darei o que quiserem. Peçam os presentes que quiserem e digam quanto querem que eu pague pela moça, mas deixem que ela case comigo.
  Como Siquém havia desonrado a irmã deles, os filhos de Jacó foram falsos na resposta que deram a ele e ao seu pai Hamor. Eles disseram assim:
  — Não podemos deixar que a nossa irmã case com um homem que não tenha sido circuncidado, pois isso seria uma vergonha para nós. Só podemos aceitar com esta condição: que vocês fiquem como nós, quer dizer, que todos os seus homens sejam circuncidados. Aí, sim, vocês poderão casar com as nossas filhas, e nós casaremos com as filhas de vocês. Nós viveremos no meio de vocês, e seremos todos um povo só. Mas, se vocês não aceitarem a nossa condição e não quiserem ser circuncidados, nós iremos embora e levaremos a nossa irmã.
  Hamor e o seu filho Siquém concordaram com a condição. Sem perda de tempo, o moço foi circuncidado, pois estava apaixonado pela filha de Jacó. E Siquém era a pessoa mais respeitada na família do seu pai.
  Depois Hamor e o seu filho Siquém foram até o portão da cidade, onde eram tratados os negócios, e disseram aos moradores da cidade:
  — Essa gente é amiga. Vamos deixar que eles fiquem morando e negociando aqui, pois há terras que chegam para eles. Nós poderemos casar com as filhas deles, e eles poderão casar com as nossas. Mas eles só concordam em viver entre nós e se tornar um só povo com a gente se aceitarmos esta condição: todos os nossos homens precisam ser circuncidados, como eles são. E será que não ficaremos com todo o gado deles e com tudo o que eles têm? É só aceitarmos a condição, e eles ficarão morando entre nós.
  Todos os homens maiores de idade concordaram com Hamor e com o seu filho Siquém e foram circuncidados. Três dias depois, quando os homens sentiam fortes dores, dois filhos de Jacó, Simeão e Levi, irmãos de Dina, pegaram as suas espadas, entraram na cidade sem ninguém notar e mataram todos os homens. E Hamor e Siquém também foram mortos. Em seguida Simeão e Levi tiraram Dina da casa de Siquém e saíram. Depois da matança os outros filhos de Jacó roubaram as coisas de valor que havia na cidade para se vingar da desonra da sua irmã.
  Eles levaram as ovelhas e as cabras, o gado, os jumentos e tudo o que havia na cidade e no campo. Tiraram das casas todas as coisas de valor e levaram como prisioneiras as mulheres e as crianças. Então Jacó disse a Simeão e a Levi:
  — Vocês me puseram numa situação difícil. Agora os cananeus, os perizeus e todos os moradores destas terras vão ficar com ódio de mim. Eu não tenho muitos homens. Se eles se ajuntarem e me atacarem, a minha família inteira será morta.
  Mas eles responderam:
  — Nós não podíamos deixar que a nossa irmã fosse tratada como uma prostituta.
  — Vocês não tinham esse direito! — disse para os irmãos. — Agora estou desonrada e descasada.

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  Enquanto isso, no Egito, tentava se aproximar de sutilmente, colocando inícios a sentimentos em perspectiva.

CONTINUA...



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