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História NÃO RECOMENDADA PARA MENORES ou PESSOAS SENSÍVEIS.

Esta história pode conter descrições (explícitas) de sexo, violência; palavras de baixo calão, linguagem imprópria. PODE CONTER GATILHOS

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Love me (and let me love you) — O Início


Escrita porDelilah
Revisada/Editada por Songfics

TAKE A WALK ON THE WILD SIDE

Tempo estimado de leitura: 44 minutos

  14 de maio

  %Alia% esticou as pernas e retorceu a coluna, numa tentativa falha de melhorar a condição em que seu corpo estava depois de uma noite péssima, passada no pequeno sofá de uma casa que não era a sua. Não importava o quanto Jenny dissesse para que ela se sentisse à vontade, isso nunca aconteceria enquanto dormisse naquele móvel horroroso.
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  — Ei, você tá bem? Parece perdida…
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  Ela se ajeitou na banqueta.
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  — Eu tô bem. Só que, convenhamos, não dá pra ter uma boa noite de descanso no seu sofá. — Riu sem jeito, tentando amenizar a crítica não tão disfarçada assim. — Mas sou grata por poder ficar lá mesmo assim.
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  Jenny torceu o nariz e fez careta enquanto levava o waffle até a boca.
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  — Você é uma ingrata, %Alia% — declarou, e abocanhou seu café da manhã com cara de ofendida.
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  Ela também esboçou uma careta e ergueu os braços como quem pede desculpas. Mas não poderia realmente reclamar; melhor dormir num sofá desconfortável e ter um teto seguro sobre sua cabeça do que morar no próprio carro ou num abrigo. Pegou sua xícara de cappuccino e tomou um gole generoso. Precisava resolver aquela situação o mais rápido possível já que ela não era a única afetada, uma vez que o babaca de seu ex-namorado havia feito o favor de expulsá-la de casa há praticamente três meses, obrigando-a a aceitar a oferta de Jenny e viver pelo favor da amiga esse tempo todo. Não era justo (com nenhuma das duas, na verdade) e qualquer muquifo de aluguel barato serviria.
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  Girando um pouco o corpo, olhando pelo salão, %Alia% sentia no peito o desejo de apenas fugir de tudo aquilo, daquela vida miserável que estava vivendo, da realidade sem sabor e sem emoção à qual estava presa. Se havia uma coisa que ela não suportava era uma vida insossa e uma existência passada em branco. Precisava virar o jogo. Seus olhos percorreram distraidamente o lugar, sem grandes ambições ou euforia. Mas então algo aconteceu: ela o viu; ali, atrás do balcão de serviço, secando as xícaras enquanto as colocava de volta no lugar. Naquele exato instante, ela não fazia a mínima ideia, mas aquele olhar atento mudaria completamente seu destino. A vida nunca mais seria a mesma depois dele.
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  Rapidamente ela fez uma lista mental de todos os detalhes que conseguia captar: corte de cabelo másculo; mãos grandes de ossos marcados; braços fortes destacados sob a camiseta; nenhuma parte do corpo com tatuagens aparentes; sem piercings ou unhas pintadas; sem um relógio sequer. Mas o melhor de tudo: sem alianças. Ele tinha aquele ar de mistério e poucos amigos que todo bad boy exala. Logo um alerta estrondoso soou em sua cabeça: “não bastou o último?!”. Mas, não, ele não era como Corin. Ele era diferente. Havia algo de bom naquele cara.
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  Os olhos de %Alia% não desgrudaram daquela figura… pelo menos não até perceber que os olhos dele a observavam também. Hesitou por um instante e a conexão se quebrou. Um formigamento lhe surgiu numa região pouco apropriada ao momento enquanto o estômago parecia fazer um tsunami com o café recém ingerido. Ela soltou um riso fraco, o qual Jenny não pareceu notar. Então ajeitou novamente a postura, jogou parte do cabelo pra trás com um movimento de cabeça e voltou a encará-lo. Um meio sorriso lhe brotou no canto dos lábios. Ele sustentou o olhar de volta.
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  Do outro lado do salão da lanchonete, a não tantos metros assim, %Jack% observava a garota de olhar sedutor e lábios carnudos entre uma xícara e outra. A forma como ela se sentava fazia cada curva de seu corpo se destacar. Um pensamento relâmpago passou de frente a seus olhos, fazendo-o, por um segundo, se perder na ideia de como ficaria a imagem da garota naquela exata posição, mas sem roupa alguma. Cortou a troca de olhares, tentando controlar o sangue que rapidamente corria para a parte errada do corpo. Engoliu em seco ao sentir-se pulsar na mesma batida do coração. Aquela não era a hora nem o lugar.
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  — Cara, parece que ela vai te engolir com os olhos.
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  Declan surgiu ao lado de %Jack%, sorrateiro como um fantasma, fazendo com que o amigo fechasse os olhos com força pelo susto. %Jack% tentou ignorar o comentário, enquanto Declan se deslumbrava com a visão.
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  — Você não tem nada melhor pra fazer?
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  — Melhor do que observar uma gata dessas dando mole desse jeito?! Cara… não mesmo.
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  Declan soltou um riso sacana e %Jack% lhe deu uma cotovelada. Alguém gritou na outra extremidade do balcão solicitando atendimento e Declan se viu obrigado a sair de perto. %Jack% ainda tentava fingir que tudo não passava de invenção da própria cabeça quando percebeu que a garota se preparava para deixar a mesa e supôs que fosse para ir embora. Voltou a concentrar-se no trabalho com as xícaras e por um instante desejou ter sustentado aquele contato visual, para ver aonde poderia chegar, mas julgava que seu histórico mais recente de frustrações ainda era recente demais para lamentar a perda de novas oportunidades. Qual não foi sua surpresa ao levantar novamente a cabeça.
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  — Sabe, eu achei que estava sendo meio óbvia, mas, honestamente, não tenho mais tanta certeza, já que você não deu sequer um sorrisinho pra mim. Ao contrário do seu amigo, mas, bem, eu não sei se ele seria capaz de perceber que o assunto não era com ele…
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  Bem à sua frente, debruçada sobre o balcão, segurando a cabeça com uma das mãos, estava ela, a famigerada garota. De perto era ainda mais linda, mas, ainda mais do que isso, era impossível que %Jack% pudesse ignorar sua presença com o perfume hipnotizante que corria direto daquele corpo curvilíneo até suas narinas. Era como um feitiço, um feromônio; como se aquele cheiro inebriante estivesse acariciando seu rosto e dirigindo seus olhos diretamente aos dela.
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  Então era exatamente o que estava pensando… %Jack% não pôde conter um sorriso fechado no canto da boca, mas continuou secando as xícaras em silêncio.
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  — Ah, agora sim. Muito melhor. Estava começando a achar que o problema era eu.
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  Ele soltou uma risada irônica.
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  — Você quer dizer então que o problema sou eu?
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  — Provavelmente. Talvez você seja casado e esteja respeitando sua esposa. Ou talvez você só não goste de mulher mesmo. Mas, de qualquer forma, vou continuar apostando no palpite de que o problema não está em mim ou nessa minha cútis de quem não paga drinks num bar há muito tempo. Sabe, sou adepta de uma coisa chamada autoestima.
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  Ela ergueu uma sobrancelha e pôs no rosto uma expressão enigmática. Ele cruzou os braços frente ao peito, observando-a atentamente. Foi passando os olhos em cada pequeno detalhe daquele rosto não tão delicado. Ela não parecia o tipo de mulher frágil ao lado de quem se sente um super herói ou então que precisaria ser salva de uma torre. Na verdade, ela parecia ser o tipo de mulher que enfrentaria sozinha o dragão e desceria da torre numa corda feita de lençóis e retalhos de vestido. Bem estilo Fiona, no bom sentido. Ele só não sabia se nessa história ele seria o Príncipe Encantado, o Burro ou o Shrek.
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  — Eu com certeza gosto de mulher, senhorita — respondeu, tentando não prolongar o assunto, mas em seu inconsciente já brotava o interesse por aquela mulher que exalava confiança e perfume apimentado. No fundo, ele sabia que não queria realmente finalizar aquela conversa.
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  — Ah, não, assim não. Me chame de señorita. Faz jus à minha avó latina. Inclusive — ela lhe estendeu a mão —, eu sou %Alia%. Pode ter certeza que é um prazer enorme conhecer você.
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  — %Jack% — ele retribuiu. — E o prazer é todo meu. Pode ter certeza, señorita.
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  Ela apertou firme aquela mão que tanto observara à distância, mas não desfez em momento nenhum aquele contato visual. Era tão excitante olhar para ele daquela forma, explícita e descarada, e ver todas as reações que estava causando naquele desconhecido sexy num lugar aleatório – não numa balada, não num show, mas numa lanchonete qualquer. Com Corin não foi assim. Não teve paquera, não teve namoro, não teve conquista. Corin foi apenas um grande erro de adolescência que lhe custou quase dez anos de sua vida e liberdade de escolha. Nunca mais iria por esse caminho novamente.
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  %Jack% não podia deixar de apreciar toda aquela ousadia. Não era a primeira vez que recebia cantadas de clientes, mas as garotas costumavam ser mais ingênuas ou sonsas. Aquela garota, na verdade, estava se mostrando uma mulher muito mais interessante do que ele havia julgado inicialmente. Ele notou o toque aveludado daquela mão esguia e delicada, mas se deu conta tarde demais de que a estava acariciando com o polegar; a garota já sorria mais largo e triunfante enquanto retribuía a carícia recebida. %Jack% engoliu em seco e %Alia% puxou a mão. Ela olhou fundo nos olhos dele.
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  — Olha, eu vou ser muito direta e sincera, porque não gosto de enrolação. Eu não vou te dar meu número porque não vou esperar você descobrir que deve me ligar. Não vou pedir seu número porque não quero esperar você arrumar uma desculpa para não sair comigo. Então eu vou fazer uma pergunta agora e, se você for sincero, eu vou te encontrar aqui, hoje, ao final do seu turno. — Ela fez uma pausa, internamente questionando as próprias atitudes, mas não poderia parar, nem se quisesse. Não dava mais pra voltar atrás. Então respirou fundo rapidamente e despejou todo o desejo que estava sentindo. — Quer viver uma noite inesquecível comigo?
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  Ela tinha um olhar intenso, poderoso e decidido. No início daquele dia, %Jack% talvez aceitasse o convite de %Alia% puramente para se esquecer das últimas semanas. Talvez, no início daquela interação rápida e avassaladora, aceitasse por pura curiosidade. Mas, naquele momento, aceitaria pelas sensações efervescentes e confusas que aquela garota estava causando em seu corpo. Não era capaz de ignorar aquilo. Não era capaz de ignorar ela.
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  Ele jogou sobre um dos ombros o pano de prato que segurava e apoiou os dois braços na bancada, inclinando o tronco pra frente, chegando o rosto mais próximo ao dela. O corpo de %Alia% estremeceu inteiro por dentro e respondeu imediatamente àquela postura tão deliciosamente intimidadora, àqueles braços de veias saltadas e àquelas mãos grandes e firmes, e arrumou-se rapidamente na banqueta em que estava sentada, endireitando a coluna, automaticamente afastando-se do hálito de café que saía dos lábios dele. %Jack% tinha o olhar baixo e a voz grave e melancólica. Ele se permitiu reparar na boca dela mais uma vez. Lábios vermelhos e carnudos. Quis mordê-los. Então subiu novamente os olhos para encontrar os dela e respondeu; sem gracinhas, sem sorrisos, sem titubear:
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  — Eu estarei aqui.
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  Jenny observava a amiga embasbacada; %Alia% nunca tinha se arrumado tão rápido. Ainda assim, não parecia que toda aquela produção tinha sido feita em menos de uma hora. Até delineador gatinho e cachos de babyliss faziam parte do pacote.
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  — Esse cara tem que valer muito a pena.
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  %Alia% riu da incredulidade da amiga enquanto terminava de amarrar o cadarço da bota tratorada.
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  — Eu tenho certeza que vale, Jen. Sério. Você não viu o jeito que ele me olhou. Eu sentia como se faltasse o ar em volta da gente, não conseguia respirar!
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  Jenny soltou uma gargalhada com o ar de adolescente apaixonada com que a amiga falava e %Alia% apenas revirou os olhos com um sorriso constrangido no rosto. Sem perder mais tempo, gritou uma despedida e pegou a pequena bolsa que havia separado, passando a alça por cima da cabeça e de um dos ombros enquanto guardava o celular. Pegou a bolsa térmica, a chave do carro, jogou um beijo no ar para Jenny e agarrou uma jaqueta, saindo pela porta com pressa e sem olhar para trás.
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  No caminho até a lanchonete, milhares de situações reais e fantasiosas passaram pela cabeça de %Alia%. Um flashback de %Jack% se aproximando dela ao final da conversa e o hálito quente que escapou daqueles lábios entreabertos; a vontade que sentiu de agarrá-lo por cima do balcão e laçar as pernas em volta dele; a possibilidade de um beijo sem fôlego, sem ar, sem espera e sem possibilidade de pausa; aqueles olhos profundos que pareciam tê-la despido e visto a sua alma… chegou até mesmo a reviver a imagem da gaveta de calcinhas, de onde tirou o fio dental mais sexy de todos, em sua concepção! Não conseguia não se animar, mas, ao mesmo tempo, também não conseguia deixar de pensar em como aquilo tudo era um grande risco e em como ela havia praticamente se atirado a um completo estranho. Era um ato suicida? Será que ela estava se entregando voluntariamente a algum maluco desvairado? Não, não, não. %Jack% não a enganava: ele com certeza era alguém por quem valia a pena se arriscar. Ela tinha plena certeza disso.
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  Não demorou muito para avistar a lanchonete que até algumas horas antes não lhe chamava sequer minimamente a atenção, mas que agora significava a coisa mais louca que já havia feito. Bom, pelo menos com consciência disso. Já havia anoitecido e para ela pareceu excitante estacionar nos fundos, escondida da vista da rua, disponível apenas para seu maravilhoso desconhecido. Notou que havia chegado no timing perfeito assim que desligou o carro, os faróis se apagaram e, subitamente, a porta dos fundos da lanchonete se abriu.
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  — Ah, para com essa merda! — era a voz de %Jack%, parecia muito irritado. Com as caixas enormes que carregava nos braços e a escuridão da noite, ele sequer percebeu um Jeep estranho parado ali.
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  %Alia% estremeceu ao som daquela voz e só então notou que não tinha trancado o carro. As janelas não tinham fechado automaticamente; ela estava mesmo prestes a ouvir uma conversa privada dele. Não foi capaz de reprimir a animação que sentiu ao poder secretamente conhecê-lo melhor, mesmo que talvez não num bom momento, a julgar pelo tom. Escorregou rapidamente no banco, tentando se esconder atrás do volante, enquanto uma voz diferente a surpreendia.
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  — %Jack%, é sério, você precisa desapegar. Isso só te faz mal e você sabe como ela é.
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  Ouviu o som de caixas batendo com força no chão. Seu coração pulou junto. %Jack% estava conversando com uma mulher e, aparentemente, o assunto era outra mulher. Mas, apesar de toda a faísca que sentiu entre eles mais cedo, ela tinha plena consciência de que era mais do que cedo para que ela fosse tema de conversas íntimas. Raciocinar demais fez seu estômago revirar.
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  — Eu sei como ela é e você me conhece também. Sarah, eu sou louco pela Bianca. Mas claro que ela não liga pra isso. Cacete, será que eu sou tão ruim assim pra sua irmã me desprezar desse jeito?
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  — Não, não é — a mulher suspirou pesado. — Ela que é uma idiota. Você é ótimo, %Jack%, de verdade, e um grande amigo. Merece alguém bem melhor do que ela. É sério. Então ouve meu conselho e esquece isso. Não dá pra ficar esperando eternamente alguém que não está disponível pra você.
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  %Alia% não conseguia mover um músculo sequer. Naquele momento, ela definitivamente preferia não ter escutado aquela conversa. Não é nada legal descobrir que o cara com quem você está prestes a sair pela primeira vez é, nas palavras dele mesmo, louco pela Bianca. Sentiu uma pontada no coração. “Mas que merda, hein, %Alia%”, foi seu primeiro pensamento, mas imediatamente o afastou. Não, sem essa. Não importava quem quer que fosse a tal Bianca. Se essa garota não era recíproca com %Jack% e, pelo pouco que ouviu, não havia relacionamento entre eles, então o caminho estava livre, e %Alia% estava pronta para buscar o que (ou melhor, quem) ela queria.
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  Decidiu que aquele não era o momento para bancar a mulher selvagem que se agarra com um cara nos fundos do trabalho dele. Esperou até que %Jack% e a tal Sarah entrassem novamente na lanchonete, sem focar mais na conversa acalorada que mantinham, e então discretamente saiu com o carro do local onde estava, parando agora em frente à lanchonete. Chegou bem a tempo de encontrar os funcionários saindo pela porta principal. O Jeep estacionando ali, àquela hora, acabou chamando a atenção de todos, mas, ao desligar as luzes do carro, deparou-se com %Jack% parado bem à frente dele. Seus olhares se cruzaram e um sorriso torto surgiu sob aqueles olhos misteriosos. %Alia% engoliu qualquer pontada de decepção (ou ciúme irracional, talvez) que possa ter sentido e assumiu a postura mais imponente que conseguia manter atrás do volante. Fez um sinal com a cabeça para convidá-lo a entrar no carro e %Jack% compreendeu o recado, mas dirigiu-se à janela do motorista.
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  — Então você veio mesmo.
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  — Você duvidou? — %Alia% ergueu uma sobrancelha e %Jack% se apoiou sobre a janela aberta, fazendo cara de quem realmente teve dúvidas.
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  — Parecia loucura demais pra ser verdade.
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  — Você não me conhece o suficiente pra saber disso, mas eu não minto quando digo as coisas. E, se eu digo, eu cumpro. Mantenha isso em mente.
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  %Jack% não se conteve com a expressão atrevida no rosto dela e balançou a cabeça enquanto permitia-se soltar um riso contido. Ele se lembrou da conversa com Sarah e quis acreditar que ela, assim como todos os outros, pensava em seu bem quando lhe disse tudo aquilo. Decidiu seguir o conselho recebido e permitir-se viver algo bom com alguém que realmente queria estar ao seu lado.
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  — Já que você gosta de ser direta, também tenho um aviso a te fazer. Eu não tô procurando romance ou relacionamento com ninguém. Não tô fazendo promessas. Não garanto te ligar amanhã, mandar mensagem, levar café na cama ou fazer carinho enquanto você dorme. Nada. Não crie expectativas românticas. — ele olhou fundo nos olhos dela, que parecia impassível, mas internamente já nutria todas as expectativas do mundo. — Ok?
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  Ela sentiu um nó se formar na garganta. Ele estava tentando jogar um balde de água fria nela antes mesmo de saírem? Seria por causa da tal Bianca? Novamente, %Alia% vestiu seu sorriso mais sedutor e um olhar de quem já conhece todos os segredos do mundo.
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  — Ah, querido… você não imagina onde está se metendo. Eu não sou o tipo de mulher que passa despercebida pelos lugares. Pode ter certeza, você não vai se esquecer de mim. Agora entra logo no carro porque a noite não vai durar pra sempre.
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  Aquela garota definitivamente não se parecia em nada com qualquer outra mulher que %Jack% já tivesse ficado na vida. Aquela confiança, aquela ousadia, o atrevimento em dizer o que quer… Ele nunca tinha imaginado que tudo aquilo pudesse ser tão atraente. Ela ficava ainda mais sexy cada vez que abria a boca pra falar.
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  Ele negou com a cabeça.
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  — Eu estou de moto. Vou andando ao seu lado.
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  — Está bem. Tenta não me perder de vista. — ela piscou e começou a fechar o vidro do carro, expulsando-o de sua janela.
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  %Jack% jogou uma jaqueta de couro sobre os ombros enquanto andava de costas, mantendo o contato visual com %Alia%. Ela o observou sorrindo até que ele sumisse do seu campo de visão, saindo com a moto pela lateral da lanchonete em seguida. “Quer saber?!”, pensou. “Que se exploda a Bianca. A noite é nossa agora.” %Alia% engatou a marcha e saiu de ré com o carro. %Jack% se alinhou na lateral.
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  — E então, onde vai ser nossa noite inesquecível? — ele perguntou por debaixo do capacete. %Alia% abriu um sorriso brilhante.
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  — Eu já disse. Tenta não me perder de vista.
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  %Jack% lambia os dedos enquanto murmurava gemidos de satisfação pelo jantar e %Alia% o observava triunfante. Sempre ouviu da mãe que a forma mais eficaz de se conquistar um homem é pelo estômago. Ponto pra ela.
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  — Caramba — ele terminou de engolir o que tinha na boca —, eu ainda não acredito que você teve tempo de preparar tudo isso. Dá pra dizer que esses nachos estão entre as coisas mais gostosas que eu comi esse ano. Você vai ter que me ensinar sua receita.
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  Ela jogou a cabeça pra trás, gargalhando enquanto saboreava a vitória.
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  — Desculpe, mas é uma receita de família. Não posso te contar a não ser que você faça parte dela. Mas… não, desculpa. É que, sabe, eu não tô buscando um relacionamento no momento. Foi mal.
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  Ela ergueu a mão como se realmente lamentasse o fato, segurando-se para não rir. %Jack% fitou-a com os olhos semicerrados, absorvendo o sarcasmo.
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  — Engraçadinha você, hein?!
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  Ela pôs nos lábios um sorriso fechado e desafiador e arqueou as sobrancelhas em resposta, mantendo a pose sobre a toalha de piquenique. A lua cheia iluminava suas botas de vinil, que reluziam junto aos detalhes de strass do shorts também preto, de alfaiataria. A essa altura, %Alia% já tinha questionado sua escolha de look algumas vezes, já que meia arrastão não é a primeira indicada para noites frescas, e essa noite de primavera definitivamente estava refrescando mais do que deveria. Pelo menos ela tinha levado a jaqueta.
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  — Na verdade, eu sempre deixo porções de alimentos prontas para o jantar. Minha amiga está sempre cheia de trabalho, volta e meia não consegue almoçar direito, então eu deixo comidas e lanches prontos na geladeira, apenas para esquentar ou descongelar. Facilita muito a vida. — ela refletia sobre seu papel dentro da casa da amiga enquanto observava a bolsa térmica que tinha usado para levar os itens para os tacos e os refrigerantes e garrafas d'água. Nada de álcool. Ela não queria ficar bêbada nem embebedá-lo. Queria que ele estivesse bem sóbrio para perceber tudo o que ela achava que já tinha percebido de bom entre os dois. — Na real, acho que a Jenny nunca comeu tão bem na vida dela depois que saiu da casa dos pais quanto agora que moramos juntas.
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  Ela soltou uma risada contida, mas não parecia se divertir tanto assim com a própria afirmação. %Jack% se perguntou o porquê. Ele passeou com os olhos por cada detalhe dela mais uma vez. Não sabia dizer exatamente o quê, mas algo nela parecia brilhar em melancolia. Lindo e triste ao mesmo tempo.
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  — Faz tempo que vocês dividem a casa?
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  — É um apê. E é bem pequeno. Ela não tem quarto de hóspedes, então eu durmo na sala. Sabe, a Jenny é como uma irmã pra mim, ela não me virou as costas no momento mais difícil da minha vida e eu serei eternamente grata a ela por isso. Mas…
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  — Mas…?
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  %Alia% fez uma careta culpada.
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  — Mas aquele sofá dela é pra acabar com qualquer um. Sério, não sei onde ela arranjou aquilo. Acho que transar ali seria pior do que no chão!
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  %Jack% gargalhou e ela não conseguiu não se contagiar. Ela não estava fazendo graça, mas vê-lo rindo de seu comentário daquele jeito fez com que a situação realmente parecesse mais divertida do que antes.
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  — Por que você tá rindo? Eu falo sério! — questionou, já rindo também.
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  — Desculpa, mas eu só consegui pensar que você deve ter experiência nas duas coisas para poder fazer uma comparação como essa.
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  %Alia% abriu a boca, ligeiramente em choque com a acusação, e pôs a mão no peito, fazendo-se de ofendida.
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  — U-au! Essa conversa subiu de nível muito rápido! Por acaso você quer saber também se eu tenho experiência em fazer no carro ou na grama?! — ela bateu sobre a toalha, acertando o chão fofo de grama recém crescida sobre a qual se assentaram.
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  %Jack% foi cessando o riso aos poucos ao fitar exatamente o local indicado por ela, semicerrando os olhos, assumindo um ar enigmático e profundo enquanto subia o rosto para encará-la. %Alia% perdeu o ar no mesmo instante. Os pensamentos de %Jack% realmente voaram para a ideia de como seria transar na grama, mais especificamente sobre uma certa toalha de piquenique vermelha, e fixou os olhos nos dela, ao passo em que sentia que sua imaginação estava indo rápido demais. Mas não pôde deixar de salivar, imediatamente cerrando o maxilar, marcando todos os ângulos sob a barba por fazer. %Alia% lentamente fechou os dedos ao redor do pano, arrastando um pouco dele consigo enquanto a conexão magnética entre eles se sustentava.
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  Ela sentiu como se seu coração realmente tivesse errado as batidas. Era tão louco assim cogitar que eles pudessem ter tido uma conexão à primeira vista? Não amor, é claro, mas com certeza uma conexão. Paixão ou amor poderiam vir depois, certo?! Sentiu-se constrangida com suas fantasias românticas e involuntariamente voltou o olhar à bolsa térmica no centro da toalha. %Jack% sentiu como se alguém tivesse quebrado um feitiço ao qual estava preso. Olhou ao redor.
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  — Acho que eu nunca seria criativo o suficiente pra pensar num jantar à beira de um penhasco em frente à cidade. A vista daqui é incrível mesmo. Você já fez isso outras vezes? – ele quebrou o silêncio quase constrangedor que havia se instalado ali e, mais uma vez, %Alia% sentiu o peito explodir ao perceber que o havia surpreendido mais uma vez. Ponto pra ela de novo.
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  — Eu amo esse lugar. Sempre fugia pra cá quando era adolescente e estava irritada demais com algo ou alguém. É meu lugar de paz. Ainda funciona hoje em dia.
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  — Então ele é ainda mais incrível do que eu tinha imaginado — o tom de voz dele era doce e %Alia% sentiu-se grata mais uma vez por ele não ser um completo babaca, sentindo um quentinho por dentro. Não o calor de um incêndio fora de controle, como sentiu naquela troca de olhares quase obscena de alguns momentos antes, mas um quentinho acolhedor e sincero. Ela com certeza ficaria feliz em se aninhar naqueles braços.
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  — É sim…
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  Ela voltou-se em direção à paisagem da cidade, com a lua iluminando-a de perfil. %Jack% não pôde deixar de pensar em como aquela noite estava sendo, acima de tudo, muito agradável, e como a mulher à sua frente era deliciosamente imprevisível. Não era comum para ele ser levado a um encontro em que ele não tivesse preparado nada, mas não podia negar que a experiência até o momento só tinha tido pontos positivos.
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  Então focou na garota que estava lhe proporcionando tudo aquilo. %Alia% estava sendo completamente sincera e direta com ele sobre o que queria desde que haviam se conhecido, sem precisar mentir ou dissimular para mantê-lo por perto, ao contrário de Bianca, que era alguém que brincava com seus sentimentos há anos. Ela sempre o fazia de bobo, sempre pisava nele, mesmo que de forma sutil, mas não permitia que fosse muito longe. E ele ainda não havia conseguido se desvencilhar das armadilhas dela. Por que ele ainda aceitava as migalhas que ela lhe dava?! Sentiu um aperto no estômago com toda aquela reflexão. Não era a hora de pensar em todo aquele assunto. %Alia% era uma mulher linda, sexy, ousada e decidida. Por que ele ainda pensava em Bianca? Sarah estava certa. Ele não poderia esperar a vida inteira por quem não fazia qualquer questão dele. Mas não era justo ficar pensando em outra garota naquele momento. E, além do mais, não estava traindo ninguém, não tinha por que se sentir com medo ou culpado. Na verdade, pensou que, finalmente, naquela noite, ele havia começado a perceber o quanto ainda havia para ser vivido.
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  Subitamente, sentiu uma onda de adrenalina correr por todo seu corpo ao se lembrar do pensamento que o consumiu por alguns instantes e decidiu derrubar todas as barreiras que o estivessem impedindo de seguir seus instintos. Num movimento rápido, afastou toda e qualquer coisa que estivesse disposta sobre a toalha entre ele e %Alia%, chamando a atenção dela tarde demais para que percebesse o que ele estava fazendo. %Jack% sentou-se de qualquer jeito ao lado dela e, num movimento mais rápido ainda, segurou seu rosto, trazendo-a para si. Seus lábios se tocaram com fúria e necessidade, apressados, sem qualquer delicadeza ou cerimônia. %Alia% demorou uma fração de segundo para retribuir, mas logo caiu em si e segurou %Jack% pelo pescoço antes mesmo que ele pudesse questionar as próprias ações. Ele respirava com dificuldade. A boca dela tinha cheiro de morango e gosto do refrigerante que ela havia bebido; o cheiro do perfume inebriante que havia conhecido algumas horas mais cedo agora era enlouquecedor; o toque da pele dela em suas mãos fazia-as formigarem. %Jack% sentiu mais uma vez que o ritmo de seu coração vibrava através de cada parte do seu corpo.
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  A cabeça de %Alia% girava à velocidade da luz. Num segundo, ela observava as nuvens que cobriam o céu da cidade e, no outro, estava sem fôlego, agarrada a %Jack%, sem nem ter entendido direito como ele havia chegado ali e como aquilo tudo havia começado. Mas não se importava com nada disso. Aquele era exatamente o beijo que ela havia imaginado no carro antes de encontrá-lo aquela noite: desesperado, cheio de desejo e sem hipótese alguma de parar pela metade. Ah, não… ela definitivamente levaria aquele beijo até o final!
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  Sentia que seu coração batia tão forte que era capaz de rasgar seu peito. Aquele beijo estava pouco demais para o que sentia. Abriu discretamente a boca e passou a língua pelos lábios dele, sugando o lábio inferior e mordendo-o com suavidade. %Jack% gemeu baixo em surpresa e, instintivamente, pegou %Alia% pelos quadris, colocando-a sobre o colo. O impacto que sentiu ao sentar-se com força sobre ele e o volume rígido sob sua calça foi a faísca que faltava para que explodisse em %Alia% o incêndio que ela estava contendo a noite toda, tirando dela todo e qualquer pudor que a estava reprimindo. Sim, ele realmente a estava desejando tanto quanto ela a ele.
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  Percebeu que %Jack% também havia separado os lábios e não perdeu tempo em unir sua língua à dele. Ela se apoiou por um instante sobre os joelhos dobrados para acomodar-se sobre ele e logo aquelas mãos grandes correram por suas coxas através da abertura do shorts, fincando os dedos em sua bunda. Conforme aquele beijo se intensificava, %Alia% arranhava ainda mais as unhas pela nuca de %Jack%. Ele por sua vez foi emaranhando os dedos através das linhas da meia calça, tateando a pele dela até encontrar a calcinha – pequena, somente um pedaço de pano no alto do quadril, descendo escondida como quem convida a uma caça ao tesouro. Ele levou os dedos para debaixo do minúsculo tecido e acariciou por alguns centímetros a linha interna que descia cóccix adentro. %Alia% gemeu com os lábios grudados aos dele. Aquilo foi como música para os ouvidos de %Jack% e combustível para o resto do corpo. Sentia-se pulsar tão forte que já doía estar preso sob a cueca boxe. Àquela altura, seu corpo precisava de %Alia% desesperadamente.
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  Então logo tirou as mãos da bunda dela e segurou-a pelas costas, apoiando-a enquanto a deitava no chão. Ele se sentou rapidamente, apenas para tirar a jaqueta que ainda vestia, e %Alia% logo o acompanhou, subindo e começando a tirar-lhe a camiseta. Em resposta, ele logo jogou longe a jaqueta que ela também vestia, deparando-se com uma blusa curta de decote profundo e alças largas, provavelmente de couro falso, que, àquela altura, pareceu a peça de roupa mais sexy e desnecessária do mundo. Mas, antes que pudesse arrancá-la, perdeu-se ao não conseguir identificar como fazer isso. Ouviu um riso fraco de %Alia%.
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  — O zíper tá nas costas — ela disse, divertindo-se com a pouca familiaridade dele com peças não tão óbvias.
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  %Jack% não deixou que o tesão esfriasse. Correu em passar os braços ao redor dela, encontrando sem dificuldades o zíper que %Alia% havia mencionado. Ele o abriu e retirou a blusa num piscar de olhos, esperando deparar-se com um sutiã de renda que ele também teria que decifrar como abrir, mas… não, não havia nenhum, somente havia aqueles seios redondos e maravilhosos brilhando com a luz da lua. Sentiu mais uma vez a dor física de estar tão duro e preso dentro das próprias roupas. Ela o encarou, esperando um instante pela reação dele. %Jack% piscou algumas vezes, ainda hipnotizado pela surpresa e, ao mesmo tempo, tentando decidir por um lampejo de raciocínio se deveria agarrar aqueles seios com a boca ou as mãos ou tudo simultaneamente. %Alia% esticou os lábios num sorriso carregado de malícia. Ela podia ver nos olhos de %Jack% o que ele estava pensando. Não demorou para que ela dirigisse as próprias mãos à calça dele, tirando-o do transe e fazendo perceber as peças de roupa que ele mesmo precisava tirar.
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  A calça rapidamente foi parar em algum canto perto dali e %Alia% agarrou-se novamente ao pescoço de %Jack%, trazendo-o para o beijo mais uma vez. Ele apoiou um dos braços na lateral do corpo dela, sustentando o peso dos dois enquanto ela descia suavemente até o chão, apoiando-a pela cintura do outro lado. Assim que ela se deitou, ele correu a mão que estava na cintura por cima da barriga até um dos seios, apertando-o com força. Uma das mãos dela desceu pelo peito dele, arranhando-o pelo caminho até suas costas e passando uma das pernas ao redor de seu quadril, trazendo-o para ainda mais perto de si. Não demorou para que a mão dele lhe largasse o seio e descesse até o botão do shorts. Poderiam até não saber, mas naquele momento ambos se questionaram o que aquela peça ainda fazia ali. Sem dificuldade alguma, %Jack% abriu o botão e desceu o zíper, colocando a mão por dentro da meia e da calcinha, sentindo a pele lisa e aveludada. Antes de prosseguir, porém, %Jack% interrompeu aquele beijo que, entre respirações entrecortadas, ainda os ligava. Ele olhou profundamente nos olhos dela, que não entendia por que haviam parado, ainda tentando encontrar o mínimo de fôlego.
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  — Eu não vou fazer nada que você não queira.
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  %Alia% sentia os dedos dele queimando-a por não chegarem ao destino final. Ansiava que ele descesse logo e a invadisse de uma vez por todas, fazendo-a implorar por mais. E parecia ridículo que ele tivesse parado exatamente naquele momento quando tão facilmente havia exposto seus seios e agarrado-se a um deles. Mas, após um segundo resmungando mentalmente, foi obrigada a apreciar aquele gesto. Ele lhe demonstrou respeito. Ela estava se atirando em cima dele desde o momento em que se conheceram e, ainda sim, ele se preocupou com seu consentimento. Seu coração parecia estar explodindo. Mas então lembrou-se do aviso que ele havia feito: “não crie expectativas românticas”. Uma pontada local se seguiu. Mas, tudo bem, ela poderia lidar com algo casual, sem títulos, rótulos ou compromissos. Era capaz disso. Ou pelo menos achou que seria. Ela subiu uma das mãos até o rosto dele, segurando-o com doçura e firmeza, apesar da malícia e luxúria que brilhavam em seus olhos.
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  — %Jack%, eu te quero desde o momento em que pus os olhos em você hoje de manhã… por favor, não me faça esperar nem mais um segundo sequer pra ter você dentro de mim.
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  15 de maio

  O dia amanheceu nublado e a brisa, gelada. %Alia% tinha preparado tudo para que passar a noite ali, entre as árvores daquele despenhadeiro, não fosse um grande problema, estacionando o carro de forma a cobrir qualquer visão que a estrada de terra por onde vieram pudesse ter do local afastado onde estenderam a toalha para o jantar. Fora isso, o ambiente era distante e elevado o suficiente em relação ao nível da cidade para que não fosse possível avistá-los mesmo com binóculos de caça. Mesmo assim, não dava pra saber se alguém teria um telescópio e a insana ideia de apontá-lo para a região montanhosa onde estavam, então providenciou também um enorme cobertor, mesmo que sem segundas intenções, à princípio. Foi o vento úmido e estranhamente cortante tocando seus pés pela manhã que lhe fez ter certeza de que havia feito a escolha certa.
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  O frio a despertou, mas ela permaneceu com os olhos fechados, apenas repuxando as pernas e erguendo ligeiramente os pés para que o cobertor fosse parar debaixo deles. A brisa que entrou junto logo chegou até %Jack%, que se remexeu e trouxe %Alia% mais pra perto de si com o braço que envolvia a cintura dela, encaixando perfeitamente aquele corpo delicado e curvilíneo ao seu. %Alia% se aninhou nele, sentindo quando o braço que estava sob seu pescoço repousou a mão logo acima de seu seio. Ela sorriu com aquele gesto involuntário, que instantaneamente lhe trouxe uma enxurrada de lembranças da noite anterior.
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  Não foi selvagem nem performático; muito mais do que isso, foi carregado de tanto tesão e de um desejo tão inexplicável que a sensação era de que haviam esperado por aquele momento durante toda uma vida, como se os dois estivessem escondendo uma paixão proibida há séculos, sem nunca poderem se entregar um ao outro. Era quase poético – Shakespeariano, diria ela. Mas então pensou em como seus corpos se encaixaram no mesmo ritmo; seus pensamentos coordenados levando ao próximo passo; o silêncio que dizia tudo aquilo que não era possível dizer no momento. Lembrou-se das mãos de %Jack% percorrendo todo seu corpo, segurando suas mãos acima da cabeça e fazendo movimentos tão firmes que ela não foi capaz de conter os gemidos. Lembrou-se de assumir o controle já próximo do fim, sentando-se sobre ele, tendo-o completamente dentro de si, e conseguindo que atingissem o êxtase praticamente ao mesmo tempo. %Alia% não poderia rankear uma série de caras que a haviam levado da terra ao céu daquela maneira, já que seu currículo tinha apenas um único relacionamento sério (horrível, por sinal) com a duração de uma vida inteira e alguns caras que com certeza não chegavam nem aos dedinhos dos pés de %Jack%; mas ela definitivamente poderia dizer que aquele foi um dos melhores sexos de toda a sua vida – o melhor de todos, na verdade –, pois nunca havia se sentido daquele jeito antes.
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  Seu fluxo de pensamento se quebrou quando %Jack% soltou-a para se espreguiçar. Ela observou enquanto ele reconhecia, ainda com uma expressão meio confusa, onde e com quem estava. Ela deu um sorriso discreto quando ele se virou para vê-la.
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  — Nossa, não foi um sonho muito louco então? — ele esfregou os olhos, falando com a voz grave e rouca demais.
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  — Ah, com certeza não foi! — ela riu, cobrindo os ombros. — Mas eu vou aceitar isso como um elogio.
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  Ele deixou escapar um riso também.
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  — Você cumpre mesmo o que promete, garota…
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  — %Alia% — ela o interrompeu. — Meu nome é %Alia%. Não se esqueça, %Jack%.
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  Ela tinha um brilho sereno no olhar, mas uma expressão desafiadora. %Jack% rolou sobre ela, apertando uma das mãos em sua cintura com firmeza e encarando-a nos olhos.
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  — Eu não vou.
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  Ele a beijou suavemente, como quem serve café da manhã na cama, e logo também sentiu o vento gelado daquela manhã atípica.
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  — Você tá acordada faz muito tempo?
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  %Alia% não saberia dizer. Fazia muito tempo que estava revivendo o que viveram na noite anterior?
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  — Não, acordei agora há pouco também. Mas tá muito frio aqui em cima, acho melhor a gente voltar. Fora que à noite tudo se misturava à paisagem, inclusive nós, mas agora podem facilmente encontrar a gente aqui. E não sei você, mas eu não quero virar estrela da internet. Pelo menos não pelo motivo errado.
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  %Jack% não se conteve, deixando cair a cabeça sobre o ombro dela.
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  — Isso não está nos meus planos — riu, sem saber exatamente como reagir àquela possibilidade. Então rolou de volta ao seu ponto inicial, erguendo-se e estendendo a mão. — Vem, vamos embora.
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  %Alia% aceitou a ajuda e ambos começaram a procurar as peças de roupa que ficaram espalhadas pelos cantos. Não demorou até que estivessem completamente vestidos, guardando as coisas no carro dela. Para quem olhasse de longe, poderiam parecer velhos conhecidos, conversando com naturalidade, casualmente, sem dificuldade ou mistério. Era leve. %Alia% estava proporcionando algo leve e era isso o que %Jack% mais estava apreciando na situação toda – a possibilidade de viver algo divertido, bom e sem preocupações, sem dores de cabeça, sem sentimentos confusos perturbando-o a cada pensamento que pudesse surgir sobre ela. Gostava da ideia. Depois de muitas noites ruins, aquela tinha sido uma noite feliz. Para %Alia%, no entanto, não era só leve, mas parecia… certo. Não sabia dizer o porquê, não saberia explicar o que sentia. Sempre fora intensa e bem resolvida, mas algo em %Jack% fazia despertar nela uma voracidade fora do comum. Ainda não tinha achado um nome, mas, depois da noite que tiveram juntos, o dele com certeza ficaria marcado para ela.
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  Com os raios de sol despontando no céu, %Jack% subiu na moto, colocou as luvas e ajeitou a jaqueta. Ele estendeu a mão em direção a ela.
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  — Me empresta seu celular. Desbloqueado.
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  %Alia% tirou o telefone de dentro da bolsa, sem compreender muito bem ainda a intenção que ele tinha, mas confiou. Ele mexeu rapidamente, pareceu digitar algumas poucas coisas e um ringtone que ela não conhecia soou. Ele pegou o próprio celular e desligou a ligação.
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  — Pronto. Você não vai precisar tomar essa atitude também.
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  Ela o observou com surpresa, mas tentou fingir que nada havia acontecido ali. %Jack% pôs o capacete, fechando a viseira, e acelerou a moto ainda parada. Ele fitou %Alia% uma última vez. Ela apenas fez um sinal com a cabeça.
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  — Então me encontra da próxima vez, %Jack%. Vou esperar.
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  Ele virou a cabeça pra frente e acelerou, finalmente arrancando com a moto.
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  Ela o observou até que ele desaparecesse na estrada antes de conseguir entrar no Jeep. Abriu a porta, sentou-se e então finalmente permitiu que toda a tensão acumulada ao longo do último dia se esvaísse. Não tensão por algo ruim, mas pela expectativa. As malditas expectativas. %Alia% não se permitia viver sem elas; uma vida sem emoção não era uma vida que merecia ser vivida. Fechou os olhos, a cabeça pendendo para trás, as mãos postas no volante… e riu, livre, leve e satisfeita. Sacudiu a cabeça, checou a aparência no retrovisor e deu partida. Não via a hora de chegar em casa.
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  Ah, quando chegasse em casa… teria história!
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Fim


  Nota da autora: Oiii! Se você leu até aqui, saiba que já tem meu coração! Essa é a primeira vez que escrevo uma história restrita (inclusive fazia muuuitos anos que eu não escrevia uma fanfic), então a sua opinião é muito importante pra mim, não deixe de escrever aqui embaixo. E, caso você tenha se apegado a esses personagens tanto quanto eu, acho que vai ficar feliz (tanto quanto eu) em saber que em breve teremos uma continuação. Essa foi uma história que cresceu rápido demais na minha cabeça e não tinha como finalizar tudo o que eu queria contar sobre eles em tão poucas páginas. Então, espero vocês daqui pra frente também! Podem ter certeza que Born To Die estará ainda mais presente na história (de um jeito menos trágico do que a Lana propõe no vídeo, mas estará lá kkkk). Mais uma vez, espero que vocês tenham gostado dessa primeira parte da história. Xo, D.

TAKE A WALK ON THE WILD SIDE
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