Let Me Be Your Goodnight

Thay | Revisada por Isabelle Castro

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Parte 1 - Bar e Restaurante

  — Meu nome é . — o rapaz de smoking disse se sentando no banco ao lado da unica garota sozinha no bar, que segurava um copo com uma bebida verde.   A garota o olhou pelo canto do olho e colocou o copo na boca, tomando  um gole da bebida.
  — Oi, . — ela respondeu.
   continuou a olhando, esperando que ela dissesse seu nome também.
  — Não digo o meu nome para estranhos. — ela disse tomando mais um gole da bebida enquanto olhava fixamente para frente.
  — Se você me disser seu nome, não seremos mais estranhos. — ele argumentou.
  — Mesmo sabendo o seu nome, ainda te considero um estranho. Não sei nada de você além do seu nome.
  — É o meu aniversário hoje. — disse esperançoso.
  — Legal, é o meu também. Ainda te considero um estranho. Porque está falando comigo?
  — Porque eu estou sozinho aqui e você está sozinha aqui também e eu queria conversar.
  — Bom, você pode achar outra pessoa que esteja sozinha aqui e queira conversar. — ela disse com um sorriso falso.
  — Ok.
   soltou um suspiro dramático e se levantou do banco, virando as costas para a garota da bebida verde e se afastando do bar. Ela olho aquela cena e soltou uma gargalhada.
  — ! — ela o chamou de volta. O rapaz virou de novo tentando esconder o sorriso que se formava em seu rosto. — Meu nome é , pode me chamar de .
  — Ok. — ele disse voltando apressado para o lugar em que sentava anteriormente. — Só ?
  — Só . — ela confirmou. — Como pretende iniciar essa conversa?
  — Onde você trabalha? — ele tentou, fazendo uma careta.  riu novamente e tomou outro gole da bebida.
  — Não tão rápido. — ela respondeu — Porque você esta aqui sozinho?
  — Eu conto se você contar.
  — Tudo bem.
   colocou as duas mãos em cima do balcão e suspirou.
  — Minha noiva terminou comigo.
  — Sinto muito.
  — Hoje, no meu aniversário.
  — Putz…
  — Nós iriamos casar hoje.
  arregalou os olhos com a surpresa.
  — Isso explica o smoking. — ela disse tomando um gole da bebida — Você quer beber algo?
  — Eu estou tranquilo. E você? Porque está aqui?
  — Bom… —  disse girando o copo em cima do balcão — O meu é um pouco mais longo.
   se virou no banco ficando completamente de frente para  e apoiou os braços no balcão com os dedos entrelaçados.
  — Estou ouvindo.
  Pigarreou antes de começar a narrar:
  — A empresa onde eu trabalhava estava com um grande concurso para ganhar uma promoção lá dentro e eu passei os últimos oito meses criando um projeto para conseguir essa promoção. Só que no fim alguém roubou meu projeto e ganhou a promoção no meu lugar. Quando eu fui reclamar com o CEO, sabe o que ele disse?
   balançou a cabeça negativamente.
  — “Eu não posso fazer nada , Michelle é sua chefe agora e pode fazer o que ela achar melhor”. —  disse com uma voz afetada.
   ergueu as sobrancelhas para ela, a observando tomar mais um gole da bebida.
  — E essa não é a pior parte. — ela anunciou.
  — Não?
  — Uh-uh. Michelle, a pessoa que roubou meu projeto, era minha namorada.
  — Oh…
  — E o cara que concordou com que Michelle me demitisse é o meu pai.
  — Caralho…
  — E isso foi hoje também, no meu aniversário.
  — Uau. — disse tomando um gole da bebida de . Ela o olhou feio mas não fez nada.
  — Pois é. — ela disse com uma risa nervosa — Era para irmos jantar hoje, Michelle e eu, mas acho que não vai rolar mais.
  — Melhor ela não usar essas reservas com mais ninguém. — disse estralando os dedos.  riu novamente.
  — Ela não pode fazer isso. Apesar de todo o consumo ir para o cartão de crédito dela, as reservas estão em meu nome. Só eu poderia levar outra pessoa… —  disse e então teve uma ideia — ! — ela exclamou segurando o rapaz pelo ombro.
  — Sim?
  — Você quer ir jantar comigo?
  — O quê? — ele perguntou confuso.
  — Jantar comigo. A gente pode comer o que quiser e tudo vai para a conta de Michelle! —  disse animada.
  — Você tem certeza?
  — Claro que eu tenho, vamos logo. —  se levantou banco e pegou a mão de , o arrastando para fora do pub.
  Eles foram para o estacionamento e entraram em um Jeep Commander, aparentemente de . Ela deu partida e dirigiu por poucos minutos até um restaurante com uma fachada enorme e brilhante.
  — Cara, você é rica. — disse admirado.  riu e o pegou pela mão novamente. Os dois entraram no restaurante e só então notou que ela usava um vestido de tubinho vermelho, bem colocado no corpo, já pronta para aquele jantar. Ele sentiu uma pequena tristeza no coração, imaginando a decepção que ela tinha tido naquele dia.
  — Boa noite, senhorita . — uma rapaz jovem e bonito, de cabelos escuros, a cumprimentou na entrada.
  — Boa noite, George. Pode me levar a mesa reservada em meu nome?
  — Claro. Onde está a senhorita Michelle?
  — Vindo, provavelmente. —  (ou senhorita , como havia observado) mentiu — Esse aqui é o meu amigo, . Ele vai jantar conosco essa noite. — ela disse colocando uma mão nas costas de , que sorriu cordialmente.
  — Vou precisar de um sobrenome, senhor .
  — . — ele respondeu sorrindo.  anotou o nome “Niall Horan” mentalmente.
  — Obrigada senhor, é um prazer tê-lo aqui. — George o levou para uma mesa grande bem no centro do restaurante. A mesa estava decorada, claramente para o aniversario de  .
  — Obrigada, George. —  disse se sentando a mesa. sentou logo a frente dela.
  — Feliz aniversário, senhorita!
  — Obrigada, George. — George fez uma reverencia e se retirou, dando lugar a outro garçom, igualmente bonito e jovem. Ele abriu um sorriso largo quando viu.
  — Senhorita, , feliz aniversário! — ele a cumprimentou.
  — Muito obrigada, Carlos. Esse aqui é o meu amigo, — ela disse olhando fixamente, fazendo questão de mostrar que saboreava cada letra de seu nome — É aniversario dele também.
  — Feliz aniversário, senhor !
  — Obrigado, Carlos. — disse, tentando imitar.
  — O de sempre senhorita?
  — Sim, mas eu quero uma porção dupla. Você quer escolher algo, ?
  — Lagosta. — disse incapaz de esconder a animação.
  — Porção dupla de lagosta. Também quero o seu vinho mais caro.
  — Champagne, . — disse — É o nosso aniversario.
  — Também quero
uma garrafa do seu champanhe mais caro. —  disse com um sorriso no rosto.   — A senhorita Michelle está afim de te mimar mesmo hoje, hein? — Carlos bringou.  Apenas sorriu para ele. — Logo mais trago o seu pedido. — ele disse dando uma piscadinha e saiu para a cozinha.
  — Você é mesmo rica. — disse rindo.
  — Depois de hoje? Não muito. — ela disse rindo, tomando um gole da agua que estava na taça.
  — Desculpa dizer isso, mas acho ótimo sua namorada ter roubado seu projeto e te demitido. Tem muito tempo que não como lagosta.
  riu com a taça na boca, quase se engasgando com a água.
  — E eu acho ótimo sua noiva ter te largado no dia do seu casamento, fazia tempo que eu não ria desse jeito. Mesmo em um dia como esse.
  — Sua namorada não te fazia rir.
  — Sinceramente eu estou tão magoada que eu não consigo lembrar de nada bom sobre aquele relacionamento.
  — Sinto muito. — disse, realmente sentindo. — Quanto tempo vocês estavam juntas?
  — Cinco anos. —  disse com um suspiro — E você e sua noiva?
  — Cinco anos também. — respondeu.
  — Você é daqui, não é? — ela perguntou.
  — Não, só vim para o casamento. — ele respondeu.
  — Bom, então nós vamos passear essa noite.
  Os pedidos chegaram e o garçom abriu a garrafa de vinho, os servindo.
  — Ao dia de hoje, que foi horrível. — disse levantando sua taça.
  — A noite de hoje, que está se tornando estranhamente boa. —  levantou sua taça também. abriu um sorriso largo para ela, sorriso com o qual ela estava começando a se costumar. Os dois brindaram e começaram a comer.
  — Isso aqui está muito bom. — disse colocando um pedaço da carne em sua boca.
  — Muito mesmo. — concordou — Cara, você pediu muita comida, a gente não vai conseguir comer tudo.
  — Se a gente não conseguir a gente vê o que faz depois. — ela deu de ombros.
  — Ok. — concordou. — Ai, meu Deus, esse vinho é muito bom!
   riu com a expressão de .
  — Ele é mesmo; e é tão caro que nem meu pai gostava de comprar ele. Acho que a única vez que ele comprou esse vinho para mim foi em meu aniversário de vinte e um anos.
  — E isso foi há quanto tempo? — perguntou tomando um gole do vinho.
  — Está tentando saber minha idade, ? — ela perguntou rindo.
  — Talvez.
  — Vinte e três hoje.
  — Eu também! — disse colocando a mão no ar. Os dois deram um high five rindo. — Estou adorando essas coincidências.
  — O que mais que a gente tem em comum? — perguntou.
  — Não sei, mas vamos acabar descobrindo. Quer prova isso daqui. — colocou o garfo com um pedaço da lagosta da boca de .
  — Maravilhoso! Prova essa carne também, é muito boa.
   fez igual a e colocou a comida na boca dele.
  — É mesmo! Sabe o que me deu vontade de comer agora? Torta do pastor. — disse com água na boca.
  — Tem aqui! Ei, Carlos! — o chamou.
  — Senhorita ?
  — Traz para nós, por favor, dois pedaços grandes de torta do pastor?
  — Em um minuto. — Carlos fez uma reverência pequena e saiu. bateu palmas como uma criança animada.
  — Que gracinha você! — brincou.
  — Todos os seus desejos eu tornarei realidade hoje, . Sou sua fada madrinha. — ela disse sorrindo.
  — Você pode apagar os últimos cincos anos da minha memoria?
  — Se eu pudesse fazer isso com você faria comigo também.
  — Sua torta, senhora. — Carlos disse sorrindo. Ele serviu e com um pedaço generoso de torta.
  — Obrigada, Carlos. — agradeceu pela milésima vez naquela noite.
  — Isso é uma delicia! — depois de provar um pedaço da torta.
  — Essa é minha comida preferida desde que eu era criança. Meu pai costumava trazer minha mãe, meu irmão e eu aqui todos os fins de semana.
  — Eu também tenho um irmão, mais velho.
  — O meu é gêmeo.
  — Gêmeo? Onde ele está então? É aniversario dele também.
  — Provavelmente arrancando a cabeça de nosso pai agora. — riu. — Isso o que ele disse que iria fazer quando eu contei o que aconteceu.
  — Vocês são próximos?
  — Muito. — sorriu.
  — E porque vocês não estão juntos?
   suspirou.
  — Eu disse que precisava ficar sozinha. Essa era a intenção até você aparecer.
  — Desculpe por atrapalhar.
  — Não, estou feliz que você apareceu. — ela respondeu sorrindo.
   sorriu de volta mas não respondeu.
  — Eu não consigo mais comer, acho melhor a gente ir. — disse.
  — Mas tem muita comida ainda. — observou.
  — Carlos! — ela gritou — Você pode embrulhar toda essa comida para viagem, por favor? E eu quero também um bolo grande para levar. — pediu sorrindo.
  — Com pratos e talheres? — Carlos perguntou sorrindo.
  — Você sabe que sim. Traz duas garrafas de refrigerante também. — respondeu dando uma piscada. Carlos recolheu toda a comida que havia sobrado e levou para cozinha.
  — Você tem planos para essa comida? — perguntou. olhou para ele sorrindo e pegou o celular.
  — Padre? Boa noite, padre Marcos, perdão por acordá-lo a essa hora, mas eu preciso de um favor. Daqui alguns minutos eu vou chegar ai para uma visita… Sim, eu sei que é tarde, mas eu preciso fazer isso agora… Sim, eu estou um pouco bêbada.... — soltou uma gargalhada — Não, não as acorde agora. Apenas quando eu chegar. Vou levar um amigo também, ok?
   desligou o celular e guardou novamente na bolsa.
  — Onde nós vamos? — perguntou confuso.
  — Você faz perguntas demais.
  Alguns minutos depois Carlos voltou com caixas de comida e uma caixa grande onde estava o bolo. Todas as caixas estavam empilhadas em um carrinho. e se levantaram e foram em direção ao estacionamento, onde Carlos ajudou a colocar as caixas no carro.
  — Muito obrigada, Carlos. Preciso assinar algo?
  — Não. A senhorita Michelle já assinou como responsável por todo o consumo dessa noite.
  — Ótimo. Pode por na conta também 50% de gorjeta para você e todos os garçons que estão trabalhando esta noite.
  — Obrigado! — Carlos disse animado — Muito obrigada, senhorita .
   sorriu e entrou no carro. sentou ao lado dela.
  — Aonde vamos agora? — ele perguntou.
  — Primeiro vamos passar na praça e deixar as comidas e uma garrafa de refrigerante. Há alguns moradores de rua lá. Depois nós vamos passar no orfanato da igreja e levar o bolo para as crianças. — respondeu sorrindo.
  — Isso é muito legal! — disse. sorriu para ele e deu partida no carro.

Parte 2 - Praça, Orfanato e Karaokê

  A praça ficava a poucos segundos do restaurante, então eles chegaram logo. Os moradores de rua se assustaram com o barulho do carro, mas sorriram quando viram sair do carro.
  — ! — um deles disse.
  — Boa noite, senhores. Esse é o meu amigo e nós trouxemos o jantar. — ela sorriu enquanto e ela carregavam as caixas para eles.
  — O que é isso? Meu aniversário? — uma das mulheres brincou.
  — Não, é o nosso aniversário. — disse sorrindo, apontando para ela e .
  — Mas isso é comida de primeira! — um deles observou.
  — Eu sei que é, nós compramos naquele restaurante caríssimo. — ela disse piscando.
  — A senhorita é um anjo.
   riu e colocou as mãos no bolso do casaco.
  — Nós só viemos entregar isso para vocês, mas temos que ir. Vamos passar no orfanato ainda.
  — Aquelas crianças são um anjo igual à senhora.
   gargalhou novamente e acenou para o grupo, que acenou de volta. De volta ao carro, olhou para sorrindo, observando aquela desconhecida que estava mudando uma noite que deveria ser a pior de sua vida. Ele reparou nos olhos grandes castanhos e nos traços suaves de seu rosto. Era notável que aquela garota tão pequena era dotada de um grande coração.
  — Dá para ver que você é muito conhecida por aqui. — comentou.
  — Eu sou. Trago comida para os moradores de rua desde criança, eu fazia isso principalmente com minha mãe. — ela disse sorrindo — O orfanato é mais recente. Eu ajudei a construir, mas o mérito é todo do padre Marcos. Você vai, ele é uma pessoa maravilhosa.
  Eles chegaram ao orfanato vinte minutos depois. O orfanato ficava atrás da grande igreja da cidade. O próprio padre Marcos os receberam na frente da igreja vestindo um grande casaco para esconder seu pijama.
  — , minha querida! — ele disse a abraçando — O que a trás aqui a essa hora?
  — Bolo! — ela disse sorrindo — Esse aqui é o meu amigo, . Ele é de fora então estou levando ele para conhecer a cidade.
   e o padre se cumprimentaram com um aperto de mão.
  — Mas a essa hora? — o padre questionou.
  — É o nosso aniversário! — disse.
  — Ah, meu Deus, eu tinha me esquecido! Feliz aniversário, querida. — ele disse a abraçando novamente — E feliz aniversário para o senhor também.
  — Obrigado, padre. — agradeceu com um sorriso.
  Os dois entraram no orfanato e foram direto para a cozinha.
  — Eu vou arrumar as coisas, você pode ir acordar as crianças. — disse. O padre saiu da cozinha enquanto e ela começavam a arrumar as coisas. Eles abriram a caixa e colocaram o bolo enorme em cima da mesa.
pegou copos dentro do armário e os encheu com refrigerante. cortou o bolo e os colocou em guardanapos para as crianças.
  Minutos depois em torno de vinte crianças encheram a cozinha. A maioria delas correu diretamente para abraçar e ficou observando a cena. Com certeza aquela menina era muito mais do que mostrava e ele sentiu uma vontade enorme de conhecer aquela garota.
  — Tia ! — uma das crianças disse — Quem é o moço bonito, seu namorado?
  — Não, ele é meu amigo. — respondeu rindo — O nome dele é e é aniversário dele também, vai lá da um abraço nele.
  A menina correu até . O rapaz a pegou no colo e os dois se abraçaram.
  — Você tem belos olhos. — a menina disse sorrindo.
  — Você também.
   a colocou no chão e ela correu para a mesa. acabou de dar os abraços e se pôs ao lado de , perto da parede.
  — Não é exatamente uma festa de aniversario para jovens de vinte e três anos, mas as crianças são legais. — disse.
  — Isso é bem melhor que uma festa. — ele respondeu e os dois sorriram um para o outro.
  Em menos de uma hora as crianças terminaram de comer, então o padre as obrigou a voltar para cama. e voltaram para o carro e ficaram lá parados sem saber para onde ir.
  — Ainda são 23h. — disse olhando o relógio em seu pulso.
  — Nossa. — olhou para ele rindo — Tinha até esquecido que você está de smoking.
   deu uma gargalhada.
  — Até eu esqueci. — desfez a gravata e tirou a blusa de dentro da calça para parecer mais casual.
  — Tem um karaokê aqui perto, você quer ir lá? — sugeriu.
  — Claro! Eu adoro cantar. — disse empolgado.
  Eles chegaram ao karaokê em poucos minutos. O lugar não estava lotado, mas tinha bastante pessoas lá. Eles se sentaram em uma mesa no fundo e perto da parede, onde tinha um banco acolchoado.
  — Posso ver as identidades dos senhores, por favor? — um garçom perguntou.
   e entregaram suas identidades ao garçom, que logo abriu um grande sorriso.
  — Feliz aniversário para os dois! — ele disse sorrindo — Se vocês me deixarem anunciar o aniversario de vocês no microfone, ganham bebidas grátis pelo resto da noite. — ele disse piscando.
  — Claro! — respondeu animada.
  — Ótimo! — o garçom correu até o palco, interrompendo o casal que cantava Total Eclipse Of Hearts intensamente — Iluminação na mesa 12, por favor! — ele pediu. Rapidamente um refletor foi ligado bem em cima de e . — Hoje os bonitinhos da mesa 12 estão completando vinte e três anos de vida! Aplausos por favor.
  Todas as pessoas que estavam no estabelecimento começaram a gritar e aplaudir os dois.
  — Aguardamos ansiosamente o dueto dos aniversariantes, hein! — O garçom disse e desceu do palco. Poucos minutos depois ele voltou com dois copos cheio de uma bebida rosa, que estava deliciosa.
  — O que nós vamos cantar? — perguntou animado.
  — Eu não vou cantar. — respondeu.
  — Claro que vai! Ele disse claramente “dueto dos aniversariantes”. — argumentou e riu. — Por favor! — ele implorou.
  — Vamos pensar na musica primeiro. — ela disse.
  — Que tipo de música você gosta? — ele perguntou.
  — Muitos tipos. A gente pode Burnin’ Up do Elvis.
  — A gente pode cantar Jessie’s Girl! — disse empolgado.
  — Pode ser, eu adoro essa música.
   se levantou correndo e foi até a prancheta, anotando o nome dele e de . Depois voltou correndo para banco, se jogando ao lado da garota, com um sorriso enorme no rosto.
  — Você parece uma criança de quatro anos quando sorri desse jeito. — ela disse rindo.
  — Você também parece uma criança quando sorri. — ele devolveu.
  — Eu sei. — ela disse rindo e tomando um gole da bebida.
  Pouco tempo depois o apresentador anunciou o nome dos dois e eles subiram no palco. Os primeiros toques da musica soaram pelo estabelecimento e sorriu nervosa.
  — Jessie is a friend / Yeah I know he’s been a good friend of mine / But lately something’s change that ain’t hard to define / Jessie’s got himself a girl and I want to make her mine  — começou a cantar.
  — And she’s watching him with those eyes / And she’s loving him with that body I just know it / and he’s holding her in his arms late at night  — eles começaram a cantar juntos — You know I wish I had jessie’s girl / I wish I had Jessie’s girl / Where can I find a woman like that?   — I play along with the charade / There doesn’t seem to be a reason to change / You know I feel so dirty when they start talking cute / I want to tell her that I love her / But the point is probably moot cantou sozinha, tremendo por causa do nervoso
  — And I’m looking in the mirror all the time / wondering what she don’t see in me / I’ve been funny, I’ve been cool with the lines / Ain’t that they way love supposed to be? / Tell me, where can I find a woman like that?  — cantou a ultima parte e apontou para , que começou a rir. A plateia toda começou a gritar e aplaudir os dois.
  — You know I wish that I had jessie’s girl/ I wish that I had jessie’s girl / I want Jessie’s girl / Where can I find a woman like that? / Like jessie’s girl / I wish that I had Jessie’s girl / I want, I want Jessie’s girl — eles cantaram juntos e a musica parou. Todos começaram a aplaudir e eles fizeram uma reverencia no palco e depois se abraçaram lá em cima mesmo. Os aplausos continuaram até eles chegarem à mesa onde estavam.
  — Isso foi muito divertido! — disse sem fôlego.
  — Foi mesmo. — disse encostando a cabeça no banco — Sério, foi muito bom.
  — Eu estou me sentindo tão bem, nem parece que eu não tenho um lugar para dormir essa noite. — disse casualmente. levantou a cabeça assustada e olhou para .
  — Como assim? — ela perguntou.
  — Eu estava hospedado no hotel junto com Sabrina. Eu não vou dormir no mesmo quarto e na mesma cama com a mulher que terminou comigo horas antes do nosso casamento, eu prefiro dormir na rua.
  — Você pode dormir lá em casa — ofereceu — eu tenho dois quartos e dois banheiros.
  — Não precisa, . — ele disse — De verdade.
  — Você acha mesmo que eu vou deixar você dormir na rua depois do que você fez por mim? Até parece.
  — Do que eu fiz por você? Eu não fiz nada por você! — respondeu — Você me levou para jantar, depois me levou para dar comida a moradores de rua e levou um bolo para o orfanato. E depois me trouxe para cá e cantou minha musica preferida comigo. Agora me oferece um lugar para dormir. Você salvou o meu ano!
   riu sem graça e abaixou a cabeça.
  — Eu poderia ter feito tudo isso sozinha, mas não seria tão divertido quanto foi fazer com você. — inclinou sua cabeça para o ombro de , que passou o braço pela cintura dela e a trouxe para mais perto. Os dois ficaram naquela posição o resto do tempo que passaram no karaokê assistindo as outras apresentações.

Parte 3 - Bar e Casa

  — Para onde nós vamos agora? — perguntou depois que eles sairam do karaoke.
  — Podemos voltar para aquele pub e beber até cair, minha casa é perto de lá então não vamos precisar do carro mesmo.
  — Essa é uma ótima ideia. — disse rindo.
  Eles voltaram o pub que estava mais cheio do que antes. Pediram uma rodada de vodka para começar e beberam tudo em questão de segundos. Depois pediram uma rodade de tequila e beberam na mesma velocidade. A intenção era, realmente, beber até cair.
  — Eu quero dançar. — disse puxando para o meio da pista.
   dançava muito mal, então mais ria o vendo dançar do que realmente dançava. Ele fazia uns movimentos estranhos com o corpo que nem de longe poderia ser chamado de dança.
  — Dança comigo! — ele pediu pegando as mãos da menina e balançando seu braço do mesmo jeito.
  — A gente precisa de outra garrafa de champanhe, para celebrar essa noite. — sugeriu.
  — Sim! — concordou — Eu adoro champanhe!
  — Eu percebi quando você tomou aquela garrafa sozinha. — riu.
  Eles voltaram ao bar de mãos dadas para não ser perder.
  — Eu quero uma garrafa de champanhe. — pediu ao barman.
  — Você já está bem bebada, . — ele disse.
  — Até o barman te conhece? — perguntou incredulo — Ah, mas você está de brincadeira!
  — Todo mundo conhece ela, novato. — O barman disse piscando.
  — Eu sou famosa, . Acostume-se com isso. — ela respondeu rindo. — É meu aniversario, traz a garrafa por favor.
  — Me da as chaves do seu carro primeiro. — ele pediu.
  — Qual é, Paul? Não confia em mim? — ela perguntou.
  — Depois do dia que você quase bateu com o carro no poste? Claro que não. Me da as chaves ou eu ligo para o Thomas.
  — Meu Deus! — disse entregando a bolsa toda para ele — Fica com a bolsa logo. Agora pega a garrafa.
  — Quem é Thomas? — perguntou depois que Paul se retirou para pegar a garrafa.
  — Meu irmão. — disse sorrindo.
  — Aqui está. — Paul disse entregando a garrafa par ela e outro molho de chaves — Agora vá para casa. Termina sua festinha lá, em segurança.
  — Ta bom chefe. — ela disse jogando um beijinho para ele, depois ela segurou pelo pulso e começou a andar — Vamos . Ah, não pera. — ela parou e se apoiou no balcão para tirar os sapatos e depois os entregou a Paul — Agora vamos.
  Eles estouraram a garrafa de champanhe na calçada e começaram a beber pelo gargalo. A dupla caminhou pela calçada por uns cinco minutos até chegarem a casa de . Ela jogou trancou a porta e jogou as chaves em cima de uma mesinha ao lado da porta. Depois ela tirou o casaco que usava e se jogou no sofá. se jogou ao lado dela.
  — Eu estou feliz de ter te conhecido. — disse a .
  — Eu também. Eu nem sei porque falei com você hoje, mas estou feliz que eu tenha feito isso. — disse rindo.
  — Eu nem consigo acreditar que a gente não se conhecia antes de você.
  — Pois é, você nem queria me dizer seu nome e agora eu estou aqui, no seu apartamento. — disse e riu.
  — Eu geralmente não digo meu nome a estranhos mesmo. — ela se explicou — Mas não consegui resistir a esse seu charme.
  — Ninguém resisti mesmo. — ele brincou e os dois riram.
  — Eu sei que preciso de um banho, mas não consigo levantar daqui.
  — Nem eu. Acho que vamos acabar os dois dormindo aqui nessa posição.
   riu e levantou do sofá com dificuldade.
  — Eu vou tomar banho primeiro e depois você vai.
  — Eu não tenho outras roupas para usar.
  — Tem roupas do Thomas aqui, elas vão servir em você. — disse e entrou no banheiro. deu uma olhada na decoração do apartamento e nas várias fotos espalhadas por lá.
   tinha muitas fotos com Thomas (era muito facil o reconhecer por eles serem gemeos) e com uma mulher que parecia ser a mãe deles, todas as fotos eram antigas, de quando os gemeos eram crianças. Ela tinha apenas uma foto com um sonho, que acreditou ser o pai dela. Eles estavam abraçados e sorrindo e ela usava uma beca universitária. Nas paredes havia vários quadros e muitos deles eram certificados emoldurados. Pelo jeito ela tinha feito muitos cursos e ganhado muitos premios.
  — Eu sou arquiteta e ganhei prêmios por projetos de lugares que construi, caso você esteja se perguntando. — disse subitamente, fazendo se assustar. Ela riu com a expressão dele.
  — Menina! — ele a repreendeu. caminhou até ele e o entregou uma toalha e. Ela estava vestida apenas com um roupão e seu cabelo molhado pingava no chão. agora observava seu rosto completamente limpo, sem nenhuma maquiagem, e ele parecia ainda mais bonito.
   entrou no banheiro e começou a tomar banho. Quando ele estava acabando, ouviu uma batida na porta.
  — ? — o chamou. Ele se enrolou na toalha e abriu a porta. — Eu vim trazer roupas para você. — ela explicou evitando olhar para baixo.
  — Obrigado. — ele agradeceu pegando as roupas e saindo do banheiro. Ele notou que ela ainda usava o roupão, porem seu cabelo estava um pouco mais seco.
  — O quarto em que você vai dormir é aquele ali, eu já arrumei a cama para você.
  — Obrigado. — ele agradeceu novamente.
  — Bom… boa noite. — disse sem saber o que dizer. Pelo jeito a noite tinha acabado e ela não sabia como agir depois daquilo. Ela se virou para ir para o seu quarto.
  — ? — a chamou.
  — Sim?
  — Nós vamos continuar nos falando depois de hoje? — ele perguntou — Eu não quero nunca mais falar com você. Quando acordamos de manhã vamos ter que encarar as consequências do que aconteceu hoje e eu não quero fazer isso sozinho e nem quero que você faça isso sozinha.
  — Eu também não quero nunca mais falar com você. Acho que eu vou precisar de um amigo agora e você parece ser ideal para esse cargo. — ela disse. Ele sorriu para ela e se aproximou.
  — Acho que você é a melhor pessoa que eu já conheci. Eu realmente quero te conhecer.
  — Eu não sou tão interessante. — ela respondeu com um sorriso timido — O que vai acontecer com você amahã? — ela perguntou.
  — Eu vou precisar voltar ao hotel para pegar minhas coisas e voltar para a minha cidade. Também vou precisar entrar com o pedido de anulação do casamento. Nós já tinhamos casado no civil, hoje era só o religioso. Também vou precisar encarar minha familia e os meus amigos. — ele disse com um riso nervoso — Pensando bem… Posso em esconder na sua casa pelo resto da minha vida?
   riu.
  — Nós podemos nos esconder juntos então. — ela disse sorrindo.
  — Podemos. — disse sorrindo também — E você, o que vai fazer amanhã?
   deu de ombros.
  — Não muita coisa. Vou voltar a empresa para pegar minhas coisas e liberar minha sala e depois vou procurar outro emprego. Não sei como vou conseguir outro emprego como o que eu tinha em uma cidade com essa. — ela mordeu o labio, preocupada.
  — Eu moro em uma cidade muito grande, você é bem vinda lá quando quiser. Meu apartamento é pequeno mas a gente da um jeito. — ele disse sorrindo.
  — Você já está me convidando para morar com você? — ela o provocou. riu.
  — Pois é. Só espero que você não seja uma assassina com um machado.
  — Isso você vai descobrir essa noite.
  — Talvez você seja daquelas assassinas que precisam preparar o terreno antes.
  — Pode ser. — deu de ombros — Mas mesmo assim, quando eu aparecer na porta do seu apartamento, você vai me deixar entrar.
  — Você é bonita demais para eu não deixar você entrar. — disse de repente.
   abaixou a cabeça rindo.
  — Me desculpe. — disse se sentindo idiota — Isso foi muito estupido.
  — Não estupido, só inesperado. — ela disse.
  — Bom, depois de me fazer de idiota desse jeito, eu preciso dormir. Boa noite, .
  — Boa noite, .
  Os dois seguiram para os seu quartos e se deitaram na cama para dormir, mas nenhum dos dois conseguiram. A adrenalina ainda era grande demais e isso impedia seus cerebros de se desligarem para dormir.
   se levantou da cama e foi até o quarto de . Ela abriu um pouco a porta e colocou a cabeça para dentro.
  — ? — ela o chamou.
  — . — ele respondeu.
  — Ai, graças a Deus você ainda está acordado. — ela andou apressada até a cama e se sentou ao lado dele. — Eu não consigo dormir.
  — Nem eu. — ele disse se sentando — Parece que se eu dormir essa noite vai acabar e eu não quero que acabe.
  — Nem eu. Acho que eu vou sentir sua falta quando você for embora.
  — Eu tenho certeza que vou sentir a sua.
  — É bom você sentir mesmo. E é melhor você me ligar todos os dias. — brincou.
  — Você vai acabar bloqueando meu número de tanto que eu vou te ligar.
  — Já vou baixar o aplicativo que bloqueia ligação então. — ela riu — Amanhã eu vou levar você para o hotel para pegar suas coisas. Você vai voltar para sua cidade como?
  — De trem.
  — Ótimo, eu te levo até a estação.
  — Falando assim até parece que você quer aproveitar minha presença até os ultimos minutos.
  — Talvez eu queira, talvez não. Você nunca vai saber. — disse piscando para ele. se deitou na cama olhando para — Eu vou dormir aqui com você.
  Ele sorriu e se deitou ao lado dela.
  — Que bom. Eu tenho medo dormir sozinho. — ele disse, fazendo rir.
  Os dois ficaram deitados olhando um para outro. observava como era bonito, com aqueles olhos tão vivos e um cabelo que parecia ser muito macio. A boca dele tinha um desenho bonito e era tão rosa que fazia ter vontade de beija-lo. Só aquele pensamento fez as bocechas de esquentarem. Ela puxou o lençol para tampar o rosto.
  — O que foi? — perguntou.
  — Nada, eu… — ficou com tanta vergonha que começou a rir. olhou para ela preocupado e tentou tirar o lençol de seu rosto. — Não! — ela gritou, ainda rindo.
  — Menina, você é muito esquisita! — ele disse, começando a rir também.
  — Ah, você não viu nada. — ela disse, deixando apenas os olhos a mostra. — Que horas são?
   se virou e olhou o celular, que carregava no criado mudo ao lado dele.
  — Quatro da manhã. — ele respondeu. — Melhor a gente dormir para eu não perder o trem.
  — Verdade. Boa noite, . — levantou o corpo, deu um beijo no rosto de e virou para o outro lado. se surpreendeu o com o gesto, mas não falou nad. Ele virou para o lado oposto e dormiu pensando na sensação gostosa que foi sentir os lábios e em sua bochecha.

Parte 4 - Despedida

  Quando acordou de manhã não estava mais ao seu lado. Ela se levantou, preocupada de que ele já tivesse ido embora. Ela saiu do quarto e seguiu pelo corredor até a cozinha, onde encontrou em pé parado no fogão. Ele se virou para trás e viu a expressão confusa de .
  — Bom dia. — ele disse, com um sorriso. Ele se virou e caminhou até a mesa segurando uma frigideira onde estavam dois ovos, que ele colocou em dois pratos — Acordei cedo e tomei a liberdade de preparar o café, espero que não se importe.
  — Nenhum pouco. — ela respondeu sorrindo — Ainda bem que você fez isso porque eu sou uma péssima cozinheira. Que horas você quer que eu te leve para o hotel?
  — O mais rápido possível. Tem um trem que sai ás 14h e eu queria pegar ele. — respondeu — Mas se for muito cedo para você, eu posso pegar um taxi, sem problema. — ele se apressou em dizer.
  — Não, claro que não. Só vou terminar de comer esse café da manhã maravilhoso, preparado por você e nós vamos.
  — Ah, outra coisa. — acrescentou — Nós vamos passar antes na empresa do seu pai para pegar suas coisas.
   sorriu para e terminou de tomar o café.

   passou pela portaria pisando firme e entrou no elevador. , ao seu lado, se encolhia com os olhares intimidadores que recebiam. Todos na empresa olhavam para com um olhar severo, enquanto ela anda de cabeça erguida. Ela empurrou a porta de uma das salas e entrou com tudo. A mulher que estava sentada a mesa se levantou exaltada.
  — ? O que…. Meu amor, como é bom… — ela disse caminhando até com os braços abertos. fechou a mão e deu um soco na cara da moça que quase caiu no chão. — Que porra é essa? Por que você fez isso? — ela perguntou confusa.
  — Porque você é uma vagabunda mentirosa! — respondeu. Ela começou a pegar vários objetos em cima da mesa e dos armários e a joga-los nas caixas que ela e trouxeram.
  — Isso é por causa do projeto? Olha, eu posso explicar. Vamos conversar com calma, eu não estava falando sério quando te demiti. — a mulher disse com a voz abafada pois suas mãos tampavam seu rosto. Ela chorava por causa da dor do soco.
   não respondeu, apenas continuou colocando as coisas na caixa.
  — , pega aquele quadro ali, por favor. — pediu.
  , que estava encolhido na parede, se assustou ao ouvir seu nome, mas logo correu para onde o quadro estava e o pegou.
  — Quem é esse?
  — Não é da sua conta, Michelle. — respondeu — Vamos .
  Quando e estavam saindo um homem alto aparece. o reconheceu das fotos.
  — , minha filha…
  — Não sou sua filha. — ela respondeu, passando por ele e seguindo para elevador. andava de cabeça baixa atrás dela.
  — Claro que você é…
  — Você não me dirija mais a palavra! — ela se virou bruscamente para ele — Você quem devia me apoiar e me dar razão deu a promoção que era para ser MINHA. Você sabe muito bem que fui eu quem fez aquele projeto e quem trabalhou oito meses naquilo fui eu. Eu nem quero saber as razões de você ter dado a promoção a Michelle porque eu tenho até medo de descobrir que você estava comendo minha namorada. Mas pode ter certeza que mesmo se não for isso, eu nunca vou te perdoar por ter feito isso com a minha carreira. Desde que a mamãe morreu você tem me tratado como um lixo e eu não vou passar por isso mais.
  — Você não fale assim com o seu pai! — O homem gritou, fazendo todos da empresa pular.  
  — Você não é o meu pai! — ela gritou de volta e entrou no elevador, apertando o botão para que ele se fechasse. correu para dentro do elevador e os dois foram embora do prédio.
  — Acho que eu vou embora só com a roupa do corpo mesmo, aquilo com o seu pai e a sua ex foi adrenalina demais para mim. — disse dentro do carro, que estava parado em frente ao hotel.
  — Não se preocupa, eu estou aqui com você. — disse com a mão no ombro de .
   respirou fundo e saiu do carro, indo em direção a recepção do hotel. seguiu atrás dele, olhando para os lados e imaginando se alguma daquelas pessoas conhecia .
  — Senhor . — o recepcionista o cumprimentou sem jeito.
  — Eu vim buscar minhas coisas, essa moça vai subir comigo para me ajudar.
  — Bom dia, senhorita . — o recepcionista a cumprimento. respondeu com um aceno.
  — Eu devia ter imaginado. — disse para , que apenas deu de ombros. — Enfim, preciso da chave do quarto.
  — Aqui está. — o recepcionista entregou um cartão a — Provavelmente a senhora ainda está lá, senhor.
  — Não tem problema. — respondeu sorrindo — E não precisa mais chamá-la de senhora .
  A dupla começou a caminhar em direção elevador, mas parou quando viu uma mulher de longos cabelos vermelho se aproximando.
  — ? — ela disse assustada.
  — Sabrina. — ele respondeu firmemente. — Vim buscar minhas coisas.
  — Eu já arrumei sua mala. — ela disse dando um sorrisinho.
  — Ótimo. — ele respondeu. — Vamos, .
  Eles começaram a andar em direção ao elevador novamente.
  — Essa garota está com você? — Sabrina perguntou incrédula.
  — Sim. — respondeu sem parar de andar. e ele entraram no elevador e Sabrina entrou junto.
  — Nós terminamos ontem e você já está comendo essa putinha? — ela perguntou incrédula. arqueou as sobrancelhas, surpresa com o ataque gratuito, mas não disse nada.
  — É melhor você ter cuidado com o que diz, ela não só é conhecida, como é amada por toda essa cidade. — respondeu.
  — Não acredito que você está fazendo isso comigo, nós ainda somos casados.
  — Por pouco tempo, assim que eu voltar para casa vou entrar com o processo de anulação.
  — Você não vai conseguir.
  — Não? — gargalhou — Depois de você chutar a minha bunda uma hora antes do casamento, acho que vou sim. Tenho trezentos convidados como testemunha. Sai da minha frente. — a empurrou e saiu do elevador quando chegaram no andar, Sabrina continuou parada na porta do elevador, sem acreditar no que estava acontecendo. parou na saída do elevador, o impedindo de fechar e olhou nos olhos da ruiva.
  — Quando me contou o que aconteceu eu pensei, “bom, para ela terminar com ele assim ou ele é um babaca ou fode muito mal”. Mas ontem a noite eu descobri que nenhum dos dois é verdade. Ele é o cara mais legal que eu já conheci e fode muito bem, não consigo entender porque você faria uma coisa dessas. — disse com um sorriso falso e soltou o elevador, que se fechou antes que Sabrina respondesse.
  — O que vocês estavam conversando? — perguntou desconfiado.
  — Como ela espumou de raiva só porque eu estava parada do seu lado, decidi dizer a ela que transamos. Assim ela vai sentir tanta que vai acabar explodindo. — disse sorrindo.
  — Mas nós não transamos. — constatou o obvio.
  — Ela não tem como saber disso. — piscou. riu percebendo o que a nova amiga tinha feito.

  Quando eles chegaram a estação o trem já estava quase de partida. puxou para um abraço e a menina começou a chorar. Eles sentiam como se conhecessem há anos e aquela despedida estava sendo extremamente difícil.
  — Você é bonita demais para chorar. — disse sorrindo e riu.
  — Não esquece de me ligar amanhã.
  — Eu vou te ligar assim que chegar a cidade. — ele respondeu.
  — Eu vou esperar. — ela respondeu sorrindo.
  — Você pode me ligar quando quiser, quando precisar. Se você estiver se sentindo sozinha, se você não conseguir dormir…. Eu posso ser sua correção temporária. — ele disse afastando o cabelo de do rosto.
  — Eu sei disso. — ela respondeu sorrindo.
  — Tchau . — ele disse beijando a mão da menina.
  — Tchau . — ela respondeu.
  O rapaz se virou e começou a caminhar para o trem arrastando sua mala. correu atrás dele chamando seu nome. Ele parou e olhou para trás, confuso com aquilo.
  — O que foi? — ele perguntou.
   sorriu para o rapaz e o beijou nos lábios. Ele ficou surpreso com a atitude mas devolveu o beijo com intensidade. Os dois se beijaram até ouvirem a última chamada do trem.
  — Eu tenho que ir. — ele disse.
  — Eu sei. A gente se vê.
  — A gente se vê.
   entrou no trem e se sentou perto da janela, para que pudesse olhar por mais tempo. continuou para onde estava, olhando para também. Os dois sorriam um para o outro, sentindo as lagrimas escorrerem pelo rosto e sem saber o que estavam sentindo.
  O trem começou a se mover exatamente as 14 horas. se virou no banco para olhar por mais tempo enquanto o ônibus partia e ficou naquela posição até que a menina desaparecesse completamente de sua vista.
  Quando ele estava longe demais para continuar a vendo, ele se ajeitou no banco e começou a olhar as fotos que tinham tirado na noite anterior. Ele não conseguia acreditar como tudo tinha mudado em apenas algumas horas. Eles não tinham passado nem vinte e quatro horas juntos, mas ele já morria de saudade dela.

  Com um pulo, percebeu uma coisa importante: os dois não tinham trocado números de telefone. Ele olhou para janela desesperado, mas já estava longe demais para pedir que o trem parasse. Ele sabia que podia a procurar na internet, mas a incerteza de conseguir retomar o contato com ela o assustava.
  Ele se recostou no banco novamente. Assim que chegasse a cidade, ele iria procurar por ela. O tempo que fosse necessário, ele iria procurar por ela.

FIM.



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