Last Time Love

Escrito por Amanda Silva | Revisado por Natashia Kitamura

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  - Vá embora! – gritou.
  - E fazer o que você quer? – retrucou.
  - Talvez seja essa a intenção – mentiu.
  - Mesmo que pra isso tenha que me magoar? – respirou pesado, quase que contendo futuras lágrimas.
  - Se essa for á única forma – não teve coragem de encarar o olhar tristonho de .
  - Adeus – disse por fim, virando as costas e andando para bem longe da li.
   permaneceu parado. Encarando o nada, enquanto dobrava a esquina, desaparecendo completamente de seu campo de visão. Sabia que havia magoado-a, quebrado a promessa e a perdido para sempre. Porém, para , essa seria a única maneira de fazê-la feliz, mesmo que demorasse. Não confiava em si mesmo, por mais que tentasse cuidar dela, acabava estragando tudo e magoando-a. Era hora de acabar e manda-la seguir em frente, sem ele.
   continuava a caminhar, sem olhar para trás. Sabia que não estaria lá para abraçá-la e pedir desculpas. Esquecer o que viveram juntos, não lhe parecia a melhor solução. Era como fingir e para , isso era horrível. Só havia uma opção. Superar.
  Parou, olhou os céus, azul límpido. Aquilo trazia-lhe uma imensa paz, começou a cantarolar Listen to Your Heart, do The Maine, animando a si mesma.
  - Listen to your heart, you gotta listen to your heart – gritou para o mundo. - it will tell the truth, it will set you free – deu uma gargalhada, parecia uma maluca.
  O mundo a sua volta continuava o mesmo, pessoas perambulando de um lado para o outro, procurando uma direção certa a se seguir. E tentando o mesmo.
  - Seja feliz – gritou como se fosse um conselho – feliz como nunca – levantou as mãos, rodopiando – sabe o que é isso? – parecia conversar com Deus – ser feliz? – sorriu, talvez um pouco aliviada – é o que você é – afirmou – me ajude – sua voz parecia convida-lo –ajude-me agora – sussurrou – não será fácil – disse cabisbaixa – mas ninguém disse que seria – ergueu a cabeça, sorridente. Continuou a caminhar.
  Finalmente em casa, lugar de seus sonhos e segredos. Onde se sentia protegida. Jogou a bolsa sobre o sofá e logo estava na estante de CD’s, em busca de algo animador.
  - – gritou a amiga.
  - O que houve pra estar tão animada?
  - Vamos sair, nos divertir – disse ligando o som,a casa fora tomada por Viva La vida do Coldplay.
  Sem se importarem com nada nem ninguém, cantavam com suas almas o mais alto que podiam, lhes faziam muito bem.
  - I hear Jerusalem bells are ringing, roman Cavalry choirs are singing. Be my mirror, my sword and shield. My missionaries in a foreign Field – encararam-se. - For some reason I can't explain, I know Saint Peter won't call my name. Never an honest Word,but that was when I ruled the world – seguraram uma risada – Oh, oh, oooh, oh, oh, oh – gritaram, logo caindo na gargalhada.
  - Vamos nos arrumar – interrompeu a amiga – afinal, vamos sair - disse animada.
  - Vamos comemorar – deu um pulo de alegria
  - Comemorar o quê?
  - O recomeço – afirmou, indo em direção ao banheiro.

  Não demora e as duas, totalmente eufóricas entram no carro e seguem em direção a pizzaria. After Midnight toma conta do momento, volume máximo e uma alegria contagiante. Tristeza passava longe, assustada e confusa. estava tentando com toda a sua força, ser feliz sem . Ela tem uma vida inteira pela frente para encontrar alguém que a ame, não precisa de preocupar.
  “I can't find the best in all of this, but I'm always looking out for you. Cause you're the one I miss.And it's driving me crazy “ Ecoou dentro de , sentiu como se o mundo houvesse parado por alguns segundo, era tudo o que conseguia ouvir “Cause you’re the one I miss”. Lágrimas caíram e logo se foram com a chegada á pizzaria.
  - Está tudo bem, ?
  - Está – sorriu – vamos, a melhor pizza da cidade aguarda – tentou enganar a amiga.
  Escolheram uma mesa da extensa sacada, que dava vista a Joplin. Uma cidade iluminadas por grandes holofotes, placas de motéis, restaurantes e pubs. Ofuscando quase que por completo as estrelas nos céus.
  - Tenho uma notícia maravilhosa para você – disse empolgada, entregando-lhe um envelope branco com o símbolo familiar.
  - O que é isso? – observou o remetente, não poderia ser. Havia mandado o histórico a tanto tempo que nem se lembrava mais – Universidade de Chicago – disse estática.
  - Abra logo – ordenou.
  Estava com as mãos tremulas, tentando abrir com dificuldade o envelope. Um turbilhão de pensamentos veio-lhe a mente.
  - Fui aceita – disse sem qualquer emoção – eu vou pra Universidade de Chicago estudar arte – aquilo soou como algo impossível.
  - E diz isso como essa cara? – questionou – deveria está animada! – levantou as mãos, em sinal de protesto – afinal eu também vou – disse tentando animar a amiga, que no momento ainda não acreditava no que acabara de ler.
  - Nós duas morando em Chicago? – saiu do transe. – Espera... – esfregou os olhos. – Vamos mesmo pra Universidade de Chicago – gritou – fomos aceitas – pulava de um lado para o outros nem se importar com as demais pessoas do lugar.
  - Duas semanas para arrumar as coisas – seus olhos brilharam.
  - Um brinde – levantaram os copos.
  - Viva a Chicago – gritaram juntas.
  Não demora, e o garçom chega com a Pizza de A moda, servindo educadamente os primeiros pedaços da pizza.
  - Bom apetite garotas – disse com um sorriso malicioso no rosto, observando atentamente .
  - Obrigada – respondeu no mesmo tom, encarando o rapaz.
  Um silêncio tomou conta do ambiente, sabia que a conversar sobre , estava prestes a começar.
  - Não precisa esconder isso de mim – começou. - Eu vi que chorou dentro do carro – observou atentamente a amiga comer – é melhor chorar agora e superar quando viajarmos – parou.
  - Ele me mandou ir embora – disse encarando o prato quase vazio – mas não entendo o por quê. – respirou pesado.
  - – chamou-a - não fique com raiva dele – colocou outro pedaço para a amiga – ele tem os motivos dele – tentou ajudar.
  - Tivemos outra briga antes dessa – olho o horizonte – ele justificou que sempre tenta cuidar de mim – começou com seu tique, brincar com os dedos. Esta envergonhada com o que havia acabado de dizer – mas eu que no fim – tomou fôlego – estragava tudo – seus olhos ficaram marejados– me magoando. – sentiu uma fincada no peito.
  - Ei – chamou a atenção de – pode chorar – incentivou-a.
  A primeira escorregou calmamente por suas bochechas, trazendo consigo muitas outras. levantou-se e abraçou a amiga, sussurrando melodias para acalmá-la.
  - Ele não gostaria de me ver chorando – sussurrou.
  - Não, não gostaria – segurou o rosto de , secando algumas lágrimas teimosas que continuavam a cair – sorria. Apenas tente e siga em frente. - Sua voz era doce, sentiu-se protegida naquele momento.
  Comeram os últimos pedaços da pizza, enquanto conversavam sobre coisas banais apenas para passar o tempo.
  - Vamos pagar e ir embora – disse, e ambas levantaram e seguiram em direção ao caixa.
  Pagaram a conta e agradeceram pelo ótimo serviço do estabelecimento.
  - Podemos dar uma volta no parque – sugeriu .
  - Então vamos – deu uma de suas gargalhadas.
   costumava ir ao parque com , verem algumas estrelas e poder cantar para ela.
  - Quer ver o , não é? – perguntou ainda focada no caminho.
  - Acho que sim – sentiu um nó no estômago – poder vê-lo, mesmo que de longe.
   apenas sorriu orgulhosa da coragem da amiga. Chegando ao parque observaram que havia um número bom de pessoas para o horário. Caminharam sem rumo, em silencio. Tentavam ouvir a música que vim de longe.
  - Eu conheço essa música – quebrou o silêncio.
  - Eu conheço essa voz – sorriu para a amiga.
  Correram até onde vinha a música, e lá estava . Com seu velho violão, dedilhando algo que ainda não tinham certeza do que era.
  - É uma das músicas do Never Shout Never – disse .
  - Ele a escreveu para mim, mas não a ouvi por completa – seu olhar era fixo em – ele disse que precisava melhorá-la, ser perfeita para mim – sorriu meio boba.
  - I love you more than you will ever know – cantava calmo, concentrado em sua dor, rezando para não estar com raiva dele.
  Não conteve as lágrimas e então correu na direção de . Parando a poucos passos de distância.
  - – disse baixinho.
  - – disse surpreso – o que está fazendo aqui?
  - Bem – passou a mão na nuca, tentando pensar em alguma desculpa. Sem sucesso. – pra ser sincera, pensei que você estaria aqui no parque. Queria te ver.
  - Mesmo depois de tudo o que eu disse? – perguntou confuso.
  - Você tinha os seus motivos.
  - Imagina quais são?
  - Fez isso porque está cansado de me magoar, sempre viajando e me deixando aqui. - fez uma pausa, se lembrando de algo. – por isso me incentivo tanto para estudar em Chicago! – gritou brava – , não acredito que fez isso – sentou-se na grama.
  - Era a única forma que encontrei de você sair dessa cidade e viver seus sonhos, se livrar de mim. Conhecer um cara bacana e ser feliz. – disse tudo que estava preso dentro de si.
  - Mas... – foi interrompida novamente.
  - Mas nada . Você foi aceita, não é?
  - Universidade de Chicago em duas semanas – sorriu orgulhosa do feito.
  - Parabéns, ! – abraçou-a forte. - estou orgulhoso de você – encarou aqueles profundos olhos ternos.
  Eles se amavam, por que tinham que viver separados, sempre brigando? A vida não havia lhes ensinado nada sobre dar valor ao amor.
  - Desculpa – sussurrou . – eu te amo tanto, mas nós dois sabemos que não vai durar. Você tem que ir para Chicago – deu uma pausa para ter certeza de que ouvia-o atenta – e eu viajar por ai com a banda.
  - Eu sei disso – era difícil dizer – vou sentir tanto a sua falta.
  Colaram suas testas, aproximando delicadamente seus lábios. Respirações ofegantes, seguros um do outro. O coração bate depressa, cores e promessas, como ser corajoso? Como poder amar quando se está com medo de cair? Pessoas imperfeitas procurando por dias melhores. O beijo perfeito, a chegada e a partida, como ser forte quanto tudo o que você ama, de repente vai embora?
  - Eu te amo – sussurrou – eu te amo mais do que possa imaginar – tomou-a em seus braços.
  - Duas semanas para ficar juntos – sorriu, tentando amenizar toda a dor.
  - Sem brigas – beijou seus lábios.
  - Sem brigas – prometeu.
  Duas semanas turbulentas, organizando tudo para a mudança. Agora, era hora de encarar quase um dia inteiro de viagem até Chicago.
  - Essas duas semanas foram maravilhosas – sorriu tímido.
  - Foram incríveis – encarou os próprios pés.
  - Até logo princesa – envolveu , depositando tudo o seu amor naquele abraço. Dizer adeus seria duro de mais para ambos.
  - Até logo príncipe – disse aspirando o cheiro de , memorizando-o para não se esquecer.
  Entrou no carro, segurou o choro e olhou para . Ela o amava tanto, era difícil partir.
  Sussurram uma para o outro – Eu te amo.
  “A razão por que a despedida nos dói tanto é que nossas almas estão ligadas. Talvez sempre tenham sido e sempre serão. Talvez nós tenhamos vivido mil vidas antes desta e em cada uma delas nós nos encontramos. E talvez a cada vez tenhamos sido forçados a nos separar pelos mesmos motivos. Isso significa que este adeus é ao mesmo tempo um adeus pelos últimos dez mil anos e um prelúdio do que virá.”



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