Kids In Love

Escrito por Julia Cunha e Michs | Revisado por Jaqueline Rocha

Tamanho da fonte: |


  Finalmente depois da contagem regressiva o dia estava ali, nos encarando. O dia da Warped! Ou melhor, o dia em que tocaríamos na Warped Tour. Eu confesso que estava um pouco nervosa só de pensar em todas aquelas pessoas do lado de fora te esperando tocar, e você está ali para agradar elas. Mas e se elas não gostassem da nossa música? Afinal, ali tinha todos os tipos de público.
  Enquanto pensava pude ouvir os gritos da plateia para que as bandas entrassem logo. Os primeiros a entrar seriam We Are The In Crowd, depois A Rocket to the Moon, The Maine, Mayday Parade, a minha banda e por fim, All Time Low. Eles eram uma das bandas mais esperadas do show, e era também a banda de . Nós finalmente conseguiríamos nos ajeitar, e então daria tudo certo. Ou pelo menos, eu espero que sim. Desde os meus dez anos querendo tê-lo novamente e agora o motivo de eu tocar guitarra e estar aqui, vai tocar no mesmo lugar que eu. Estava ficando cada vez mais difícil esperar para matar a saudade!
  - Hey ! - chegou animada me tirando dos meus devaneios sobre Barakat. - Animada, vadia?
  - O que você acha? - Eu ri e ela entendeu a resposta. - Onde estão as outras vadias?
  - Não sei. Devem estar por ai, ué!
  - Temos que sair para ficar no stand atendendo o público. Vamos indo que elas nos encontram depois, ok?
  - Ah, nossa. Eu já tinha me esquecido. Você já viu quem está aí? - Eu disse com voz de apaixonada enquanto deixávamos o backstage para ir atender do lado de fora.
  - Aw, que bonitinho. Eu vi sim, o amor da sua vida. - Ela riu e apertou minhas bochechas.
  - Ei, não me deixa sem graça, por favor?
  - Ah, coé piriguete. Sou eu né! Toma vergonha nessa cara. - Ela bagunçou meu cabelo todo e ficou rindo.
  Chegamos ao nosso stand, que por coincidência ficava ao lado do stand do All Time Low. Talvez não coincidência, destino. estava sentado na ponta do outro extremo, portanto acho que não me viu.
  - E ai? - sorriu e acenou quando estávamos nos sentando, depois virou-se para continuar atendendo o pessoal. Não que a gente o conhecesse, mas ele era simpático.
  - ? Não acredito cara! - Alguém que eu nunca tinha visto na vida começou a falar todo empolgado. Um garoto de mais ou menos dezesseis anos. - Nossa, você é maravilhosa. Casa comigo? A gente nasceu um para o outro. - Ele falou apertando minha mão.
  - Caso. Mas pode ser depois? - Eu o afastei de mim e com certeza não ia realmente casar com um fã doido. Não era o primeiro pedido de casamento, mas eu sempre agia estranho perto desse tipo de fã.
  - Nossa , eu espero que você me chame para ser madrinha né? - falou rindo após o garoto ir embora.
  - Isso mesmo, ria da desgraça das amigas.
  - Desculpa, você vai se casar com o . - Ela falou em um tom alto.
  - Cala a boca! Quero morrer. Você é doente , deve comer cocô, porque não é possível. O garoto tá do seu lado. - Eu, por minha vez, falei baixo.
  - Até parece que ele ouviu. Larga de viadagem ou eu vou gritar.
  - Jesus, eu devo ter pichado a cruz para ter amigas como você. Pequei e não sabia!
  - Eu sei que você me ama! Saia daqui.
  - Foco, . Foco. Depois a gente conversa.
   Embora minha mente não pensasse em outra coisa além dele, eu ainda tentava manter meu foco naquilo que eu estava ali para fazer. A coisa mais difícil do mundo era conseguir desviar o olhar dele, porque sempre que eu olhava para o lado sentia vontade de observá-lo, mas em nenhuma das vezes que eu não resisti o vi olhando para mim. Mas ok, ainda não era suficiente para me fazer sentir lixo. Eu esperaria o show começar e com certeza depois ele ia falar alguma coisa comigo, se não seria muita falta de educação, e ele nunca foi mal educado.
  - Ei meninas, querem dar uma passada no nosso ônibus? - Pat Kirch, do The Maine, falou.
  - Claro, Patzinho! - Eu particularmente tenho uma queda pela fofura dele, mas casos a parte.
  - Os meninos estão lá dentro? - perguntou.
  - Tem interesse, ?- Perguntei deixando-a envergonhada, como ela havia feito comigo anteriormente. A vingança é um prato que se come frio.
  - Não. Só quis saber, você permite?
  - E o Garrett fazendo cosplay de Jesus? Vai dizer que ele não mexe contigo? - Pat entrou no assunto e ela quase desmaiou. Acho que nesse momento ela entraria de baixo da terra se pudesse. - Olha as bochechinhas rosas! Pode deixar que não conto para ele. - Ok, é oficial. Pat Kirch é uma menina! Nenhum menino perceberia a paixão da pelo Garrett. Coé, não estava tão na cara!
  - Você me paga. - Ela sussurrou para mim enquanto Pat nos esperava entrar.
  - E ai meninos? - Disse com um sorriso no rosto.
  - Olha só quem está ai. e Stay Awake. - John disse e me levantou no colo, me apertando tanto que quase cuspi minhas tripas.
  - Peste! - Garrett me cutucou para falar comigo.
  - Fala ai, Jesus!
  - Sem bullying com a floresta fácil do nosso amigo, . Não é todo mundo que tem dinheiro para gilette, ainda mais o Garrett que não é a pessoa mais limpa do mundo. - Kenny disse e logo teve um ataque de risos, enquanto Garrett o fuzilava. Sinceramente, eu senti pena. Acho que ele não ia sobreviver muito tempo depois desse olhar.
  - Eu vou peidar no seu bunk, fdp!
  - Ui, ele vai peidar no meu bunk. - Kennedy botou os braços para o alto ironizando medo.
  - Garotos, competição de peido não né. As meninas estão aqui. - Jared disse tentando fazer com que a gente acreditasse que eles estavam um pouco mais normais desde a última vez em que nós os tínhamos visto.
  - Desculpa, esqueci que menina não peida, solta Bom Ar. - John disse e todo mundo riu.
  - Ow cara, to comendo. Não precisa falar dessas coisas! - Pat falou já com seu cupcake na mão devorando-o.
  - Vei, você é magro assim de ruim. - John disse como se fosse gordo.
  - E você é obeso né, girafa falante? - Pat disse sem parar de dar atenção ao seu amado cupcake.
   Ficamos até a hora do show deles lá dentro. Conversa vai, conversa vem, o tempo passou como se tivesse sido apenas cinco minutos. Havia tempo que a gente não se falava direito, o The Maine estava ficando cada dia mais famoso, e quase nunca paravam em algum lugar. Ou seja, a gente nunca se via por que a nossa banda também fazia algumas turnês.
  - Vamos lá, meninas! É a nossa vez. - falou ansiosa para nós três. O show do The Maine e do Mayday Parade tinha sido impecável, teríamos que nos superar.
  - Stay Awake! - Nós gritamos todas juntas e entramos no palco já tocando a primeira música. A animação da plateia nos contagiava e o sorriso não saía de nossos rostos. Nunca tínhamos tocado para um público tão grande e vibrante! A emoção é simplesmente indescritível.
  - Obrigada Warped! - , a baixista, gritou. - Somos as Stay Awake!
  - Vocês são demais! - Eu gritei ao microfone. - Essa última música vai para você! - Apontei para qualquer um na plateia e comecei a tocar a guitarra. Eu fazia back vocals também, mas isso não vem ao caso.
   Assim que o show terminou fomos para o backstage. Era agora ou nunca. estava lá e eu pude sentir borboletas no estômago, junto com um teimoso sorriso que cismava em se formar no meu rosto. Ele estava conversando com os amigos, rindo com seu jeito todo bobo de alguma coisa que havia dito. Os cabelos pretos e nada penteados caindo levemente sobre seu rosto davam um ar de descaso que ele sempre teve. Ele parecia um anjo, embora eu soubesse que isso era a última coisa que ele poderia ser.
  - Que show hein! Vocês arrasaram. - comentou com todas nós.
  - Obrigada. - respondeu. Eu já estava quase roendo meus dedos de nervosismo, aquele desgraçado não tinha vindo falar comigo.
  - E o que você achou, ? - perguntou. Ah, ótimo saber que meu nervosismo estava realmente na cara.
  - Vocês mandaram muito bem! - disse após ficar um tempo parado, meio abobado. Ele era sempre meio fora do ar. - Stay Awake dominando a Warped. - Ele riu e deu high five em . Como assim? Tenho cara de idiota?
   sequer me notou. Ficou lá falando como fomos ótimas e nem para me olhar ou voltar suas falas para mim ele deu importância. , após encerrar sua longa conversa com , voltou-se até mim no canto do camarim e perguntou sorrindo.
  - Por que essa cara, ? Acabamos de terminar nosso primeiro show dude!
  - Ah não é nada não. Às vezes paro para pensar. É meu lado autista. - Obviamente menti. Se eu pudesse ser totalmente verdadeira, eu diria que certas pessoas não dão valor às outras e também não cumprem as promessas. Não é só porque elas foram feitas quando ele tinha 12 anos e era somente um e uma guitarra que ele tem que se esquecer de tudo.
  Eu estava começando a achar que ele não se lembrava mais de mim e que tudo nosso tinha ficado para trás, em alguma parte não importante na vida dele. Enquanto na minha, era uma das partes mais marcantes.
  - Está assim pelo , não é? - ela disse me olhando compreensiva. Ok, ela estava me assustando ao adivinhar as coisas ultimamente. - Ele não falou com você até agora? O que esse cara tem na cabeça? Não, sério! Porque ele convive a infância toda com você, te faz pensar que são feitos um pro outro que vão se casar em Vegas. Depois ele some no mundo da perdição e quando vocês se reencontram ele não te fala nada além de "que show legal, heim?". - já estava falando um pouco alto o que me fez olhar atenta para os lados esperando que não a ouvisse, mas ele estava ocupado demais com suas doses de vodka.
  - Você precisa falar com ele, , tomar uma posição.
  - Você está louca, ! Eu não vou falar com ele e ficar fazendo papel de a garota que lambe os pés do guitarrista do All Time Low. Acho que ele já tem muitas para fazer isso para ele, e sinceramente, não precisa de mim. Eu vou tomar a minha posição de ignorar ele também e é isso. A vida dele agora é fazer show, pegar mulher e beber. Eu não tenho mais espaço nenhum ali e não faz sentido eu querer ter um. O nosso tempo já foi, agora é bola para frente. Eu fui uma iludida mesmo de achar que depois desse tempo todo o ainda olharia para minha cara. - Eu desabafei tudo que estava dentro de mim e senti uma lágrima escorrer quente pelo meu rosto. Merda. Ainda bem que todos estavam entretidos demais para prestar atenção em mim.
  - Vai fazer isso então? Abandonar tudo que sentiu e sente até aqui por medo? Sim, porque é medo que você está sentindo. Por isso está tão covarde? - disse respirando fundo e colocando suas mãos na cintura de forma mandona. Como líder da banda mesmo. - Vai deixá-lo escapar sem ao menos mostrar quem é você?
  - O que eu posso fazer para mostrar quem eu sou? Se ele esqueceu, , é por que não era realmente importante. Eu não posso chegar o segurando e gritar na cara dele que ele é um filho da puta e etc., tudo o que acabei de ver que ele é. Ou então falar "Oi, sou sua amiga de infância que você esqueceu." Isso soa tão ridículo que me dá vontade de rir. Por favor, podemos falar de outra coisa? Eu não aguento ver ele assim tão apático com relação a mim. Se ele fosse o mesmo já teria feito a maior festa. Não sei se vale tanto a pena lutar por algo que já não é a mesma coisa.
   pareceu se corroer por dentro por não falar mais nada e apenas assentir para mim. No fundo eu sabia que ela tinha razão, que eu deveria me pronunciar. Mas, por outro lado eu sabia que meu eu falaria mais alto e eu não iria falar nada já que ele mesmo não notara o óbvio.
  - Ok, seja como quiser. Mas, já sabe o que eu penso sobre isso e qualquer coisa eu estarei aqui. - ela me disse sorrindo carinhosa e me dando um abraço rápido antes de me soltar e ir em direção a .
   Ótimo, agora eu estava sozinha e todos eles conversando. A família linda interagindo e eu sozinha. Idiota. Idiota. Eu me sentia como se eu fosse uma criança e alguém tivesse acabado de pisar no meu castelinho de areia, mas a sensação era três vezes pior. Não muito tempo depois que foi conversar com eles, eu sai também e me dirigi ao banheiro, eu precisava ter um tempo sozinha para fazer o que quisesse... Para chorar a vontade. Eu me sinto uma completa emo falando assim, mas eu não podia estar rindo junto com eles, a não ser que eu tivesse o alzheimer do ou um coração de pedra.
   Sai do banheiro com a maquiagem acabada, porém me sentindo um pouco melhor e encontrei justo no corredor.
  - Eita menina! Em que toca você se enfiou? Eu estava louca atrás de você.
  - Uma toca chamada banheiro. - Falei fungando o nariz entupido.
  - Que cara é essa, ? Eu queria tanto ouvir que não é por causa dele que você está chorando...
  - Pois então não pergunte por quê.
  - Ei, o que aconteceu aqui? - perguntou assim que ia passando por nós duas. O único que não podia ver apareceu. - O que houve com você, Stay Awake? - Ele passou a mão nos meus cabelos com carinho, o que me deu mais vontade ainda de chorar.
  - Não foi nada. É que não me senti muito bem. É... Talvez seja a TPM.
  - Vamos aproveitar poxa, vem beber com a gente que isso passa logo. - Ele chegou a pegar no meu braço, mas o interrompeu.
  - Deixa comigo, . Pode ficar lá com o pessoal, mas não sai falando com todo mundo.
  - Tudo bem. - Ele sorriu e olhou para mim penalizado. Eu devo estar "ótima", pelo jeito que ele me olhou. - Vai ficar tudo bem. - tentou me tranquilizar, mas mal ele sabia que só dele sorrir para mim eu já estava melhor. - Qualquer coisa estamos lá esperando vocês.
   me levou pra fora do camarim porque segundo ela eu não estava em condições de olhar para ninguém. Fomos direto para o nosso ônibus de turnê, onde ela ficou comigo conversando sobre tudo que houve e mantendo sua opinião formada de que Barakat era um cretino, mas eu precisava falar com ele. Por fim, acabei adormecendo sem nada dizer quanto a isso.

  Alguns dias já haviam se passado depois daquele que havia me visto chorando, e depois dali não o vi muitas vezes e não fazia ideia do que ele estava fazendo nesses dias. Talvez o que ele fazia sempre, vendo peitos de graça e bebendo. Até a minha vida em depressão era melhor que a dele. Pois é, digamos que pensar coisas ruins sobre ele me fazia um pouco melhor, mesmo que eu me sentisse mal quanto a isso.
   Levantei-me do meu bunk de manhã cedo sem ânimo nenhum porque tinha alguém batendo na porta do ônibus. Realmente, eu estava precisando de gente para me encher o saco. A maldição de ter o bunk mais perto da porta. O ônibus todo continua dormindo e o infeliz te acorda.
  - Bom dia, minha! - Pat abriu seu sorriso que ultimamente vinha iluminando meus dias. Por Deus, me diz o que tem no sorriso daquela criatura. Conseguia ser mais bonito do que qualquer um que eu já tinha visto, e eu não estou brincando. Além do que, os cabelos dele eram sempre muito cheirosos e eu gostava disso porque me fazia sentir confortável quando eu o abraçava. Pat vinha sendo minha espécie de porto seguro.
  - Bom dia, Rat Boy! O que te traz aqui nessa bela manhã? - Eu esfreguei os olhos ainda com sono.
  - Ah, eu acordei cedo e todo mundo estava dormindo. Acho que teve bacanau lá e eu não estou sabendo, porque está tudo uma zona. Ai eu vim ver se a senhorita já estava melhor. - Ele pegou no meu nariz e sorriu novamente.
  - Estou vivendo, Patzinho. Não quero fazer drama disso com todo mundo.
  - Tarde demais. Você não conhece o seu amigo John O'Callaghan mesmo né?
  - Ele contou para todo mundo?
  - A culpa não foi só dele. John deve ter falado para umas duas pessoas e agora todo mundo sabe. Mas para a sua felicidade, eles não sabem o motivo. Ok?
  - Ok né. - Suspirei e Pat tirou a mão de trás das costas.
  - Te trouxe um tesouro. - Ele mostrou o cupcake em sua mão.
  - Você está dividindo um cupcake comigo, Patzinho? Que lindo! - Dei um abraço apertado nele e demorei um pouco para soltar.
  - Estou te dando um cupcake, porque você sabe que é especial. Então trate-o com carinho, entendeu? - Ele riu.
  - Você diz comê-lo desesperadamente?
  - Pode ser também. Do jeito que você achar melhor. - Pat riu novamente. - Dessa vez eu não vou comer, vou só olhar.
  - Vou te imitar comendo. - Eu ri e ele fez cara de que isso não ia prestar, e realmente não ia. E ainda por cima eu ia ficar toda cagada de cupcake, mas quem liga? Eu já estava toda fodida, isso pelo menos seria algo bom. E é como diz o ditado, o que é um peido para quem já está cagado?
  - Jura que eu como assim que nem dinossauro?
  - Na verdade, eu exagerei um pouco. Mas não passa muito longe do jeito que eu comi. - Falei ainda de boca cheia e ele riu de mim. - Ei, não ria. - Eu fiz beicinho para ele que me olhou vingativo.
  - Agora você está sentindo a minha dor, quando quatro caras mais vocês ficam me zoando.
  - Poxa, mas é que você é fofinho.
  - Fofinho é? - Ele perguntou e logo começou a me fazer cosquinha. - Pera ai que o fofinho vai te matar.
  - Fazendo cócegas? - Eu falava entre risadas enlouquecidas. - Isso continua sendo fofinho. Você é uma menina, Patrícia, aceite os fatos.
  - Ah, você não merece viver. - Ele me tacou no bunk e continuou me fazendo cócegas, até eu ficar sem fôlego para rir mais.
  - Ei Patrícia, para. To ficando sem ar!
  - Não tem Patrícia aqui, atendo pelo nome de Branca de Neve. - Ele fez uma voz afetada que me fazia querer rir ainda mais.
  - Seu viadinho, para. Se eu morrer você vai sentir minha falta!
  - Mas gente... Olha só quem está aqui. - acordou, enquanto as outras ainda estavam dormindo.
  - , Pat quer me matar. Tire-o daqui.
  - O que vocês estão fazendo? - Ela semicerrou os olhos tentando entender. Nós estávamos embolados um no outro em cima do meu bunk.
  - Eu estava tentando castigá-la com cócegas, oras. Não é óbvio? - Ele perguntou como se realmente acreditasse que aquilo era óbvio.
  - Claro que não. Parecia que vocês estavam se transformando em um só. Estava vendo a hora que ia sair um Megazord da confusão de vocês.
   Pat levantou tentando arrumar o cabelo que estava em estado lastimável devido a nossa guerra de cosquinha minutos atrás e sorriu amarelo tentando disfarçar quando adiantou-se para o banheiro do ônibus rindo do cupcake que havia grudado na testa do baterista.
   Levantei-me do bunk que estava mais bagunçado do que antes e me dirigi à pequena cozinha do ônibus para pegar água ou qualquer líquido que ainda não tivesse bebido na noite anterior.
  - E então Pat, o show de vocês hoje é em qual horário? - Perguntei enquanto enchia o copo de água. Pat não me respondeu de imediato. Virei-me para ele já preparando para berrar em seu ouvido quando o vi sentado no bunk de novo com uma folha de papel amassado na mão. Gelei da cabeça aos pés ao perceber que aquele era o rascunho da música que eu estava tentando escrever esses últimos dias depois do acontecido com .
  - Pat! Devolva-me esse papel! - falei respirando nervosamente sem gritar para que ele não achasse aquilo estranho.
   Pat se esquivou de mim no pequeno espaço que tinha entre o bunk e a salinha do ônibus e continuou a ler enquanto eu tentava inutilmente pegar a folha de sua mão.
  - Deixe-me ler, ! - ele gritava enquanto lia minha letra sem eu poder fazer nada. Por fim, ele abaixou a folha e parou de me deter com a mão esquerda e voltou seu rosto a mim. Essas alturas eu já estava mais nervosa e vermelha que Gaskarth depois de saber que acabara a comida do refeitório.
   Abaixei meus olhos tentando não focar nos olhos de Patrick, já que este me encarava estupefato.
  - Quando você escreveu isso? - ele gaguejava. - Sério , quando você a fez? A letra?
  - Não sei... - enrolei. - Esses dias atrás. Mas nem está terminada, não dei melodia e...
  - Está perfeita! - ele sorriu de orelha a orelha me deixando confusa. - Você escreveu sobre seu lance com ? Digo, você cita na letra o romance de vocês dois na infância e fala do que passaram e do futuro que você esperava. A letra é sobre ele, ?
   Engoli em seco.
  - É. - apenas assenti me rendendo ao sofá atrás de mim exausta de tudo. - Mas eu não vou continuar. Por isso larguei a letra ali embaixo das coisas, não quero mais escrever sobre ele.
  - Não quer mais escrever a letra de uma música como essa? , você não vê que essa música é a chave pra tudo!?
  - Tudo o que Patrick? - perguntei confusa.
  - Tudo se resolver! Se você acabar a letra e der melodia, pode cantar ela na Warped! - Pat disse animado batendo as mãos como uma diva. Ok, ele tinha pirado. Jamais que eu cantaria aquela música perante todos.
  - Você pirou dude? Jamais! Não posso fazer isso!
  - Você pode sim! E você vai! - ele pareceu estar falando sério porque me olhou interessado e eu senti medo dele por um segundo. - Vamos lá , você é tão boa nisso quanto John ou quanto o próprio . Você consegue terminar a letra e dar melodia, pode conversar com as meninas sobre isso e elas vão te apoiar nisso. Vai ser a solução pra tudo.
   Refleti por um momento nas palavras de Pat e senti que ele no fundo tinha razão. Talvez se eu cantasse a música eu poderia falar mais do que se tivesse falado com aquele dia. Minha música podia ser a solução para tudo que eu tinha dúvida e o que sentia.
  - Ok. - disse sentindo um alívio em saber que talvez tudo poderia dar certo. - Eu canto.
   Pat riu e veio até mim me abraçando. Soltamo-nos e ele se posicionou na minha frente me olhando satisfeito.
  - Vou te deixar sozinha então para conseguir terminar a música e dar melodia. Vai dar tudo certo - ele beijou minha testa e sorriu antes de ir em direção a porta do ônibus. Mas, antes de girar a maçaneta se voltou para mim e perguntou ainda sorrindo. - A propósito, como vai chamar a música?
   Refleti por um momento e respondi deixando-me sorrir depois de dias.
  - Kids in love.

  Sete dias para o fim da Warped Tour... Os dias se arrastavam e a única parte boa deles era o show. Porém, logo depois eu era obrigada a ver o All Time Low por que eles estavam sempre lá para fazer a bela recepção, já que eles são amigos muito fervorosos. Cof. Eu nunca achei que fosse sentir esse tipo de sentimento por , era tipo um ódio, mas eu não conseguia odiá-lo totalmente. Eu meio que odiava amá-lo, e ter que vê-lo todos os dias me quebrava. Era sempre assim, quando eu estava melhor e não pensava tanto nele, eu o via e ele ainda acenava para mim na maior simpatia do mundo, a minha vontade era cuspir na cara dele. Ok, menos. Mas o bom disso tudo é que esse meu sentimento por estava me ajudando a terminar a letra da música que Pat havia gostado naquele dia, logo mais só faltaria dar a melodia. O estranho seria cantar na frente de todo mundo. Coé, eu sou só uma back vocal! Tudo bem que eu até canto bem, mas não sei se estou preparada para isso.
  - E ai, ? - Nick Santino, do A Rocket to the Moon falou comigo enquanto eu estava sentada dedilhando minha guitarra e pensando no backstage após nosso show. Eu geralmente ficava sozinha porque já era costume festinha com ATL depois do show e eu não ia privar as meninas de ir na tal festa que era top, então a solução era ficar sozinha. Mas hoje resolvi que não iria para o ônibus e preferi ficar sentada no backstage ouvindo os shows que ainda rolavam e etc., lá nunca ficava parado.
  - Hey Nick! Você me deu um susto.
  - O que faz aqui sozinha? Cadê as meninas?
  - Na festa do All Time Low.
  - E posso saber por que a senhorita não está lá? - Ele disse repreensivo.
  - Longa história, Nick. E você, o que faz sozinho? Algo está pegando John? - Eu ri e parei de dar atenção a minha guitarra quando ele se sentou ao meu lado.
  - Estão todos no ônibus do We Are The In Crowd, junto com o Chris Drew.
  - Taylor está perdida naquele ninho de homens, coitada. - Eu ri e Nick logo em seguida também.
  - Quer ir para lá com a gente?
  - Acho que prefiro ficar aqui, não estou muito para festas esses dias.
  - Então eu também fico com você. - Ele sorriu largo.
  - Não precisa não, eu não quero te prender.
  - Eu quero ouvir você cantar. Sabia que adoro a sua voz? - Ele sorriu.
  - Mas olha só, eu estou recebendo elogios de Nick Santino. Obrigada, foi a melhor coisa que ouvi no meu dia. - Eu ri, porém falava sério. Meus dias ali não estavam sendo muito agradáveis, só serviram de inspiração para compor uma música.
  - Mas qual o problema comigo? - Ele falou tentando entender.
  - Você é vocalista e sua voz é muito melhor que a minha, só isso.
  - Bom, obrigada você também. - Ele sorriu torto para mim, todo fofo. Com tantos homens decentes no mundo, eu fui escolher logo o pior. O mais cachorro. O mais galinha. É realmente a minha cara, tenho que concordar, mas é uma pena.
  - Você vai cantar ou não? - Ele levantou uma sobrancelha ainda com o sorriso no rosto.
  - Não estou muito disposta. Desculpa. - Olhei para baixo e toquei uma corda solta apenas por falta do que fazer.
  - Tude bem então. O que você estava tocando ai quando eu cheguei? - Ele perguntou tentando mudar o assunto.
  - Estava compondo uma música.
  - Hm, composição nova? Posso ter a honra de ser o primeiro a ouvir?
  - Santino, seu enxerido - Eu ri.
  - Por favor.
  - Tudo bem, mas só compus o início e ainda tenho que ver com as meninas.
  - E há chances dessa música ser tocada na Warped?
  - É a intenção. - Sorri ao começar o início da música, e não demorou muito até eu acabar de mostrar o pouco que já havia produzido, mas ele aprovou.
  - Muito bom. - O lugar ficou quieto por um tempo, então ele emendou em outro assunto. - Olha, eu sei que a gente não tem tanta intimidade, mas eu percebi que você anda estranha esses dias. O que houve com você, ? - Ele chegou para frente e segurou minha mão, me olhando nos olhos.
  - Problemas. - Eu desviei meu olhar do dele e mordi o lábio com medo de contar, embora sentisse que ele poderia me confortar. - Na verdade o problema é comigo, eu sou muito idiota e sonhadora. Continuei com a minha mente de criança ao invés de perceber que as coisas haviam mudado. - Eu abaixei a cabeça e frisei os lábios tentando não chorar, porém uma lágrima escorreu e caiu na minha mão que estava junto a dele.
  - Mas isso tem a ver com alguém, e não é somente com você, certo?
  - O . - E então todo o meu esforço de não chorar foi pelo ralo. - Nick, por favor, não precisa ficar aqui ouvindo meus problemas, enquanto seus amigos estão em uma festa.
  - Eu juro que não me importo de te fazer companhia. Festa tem sempre, e eu nem ligo muito.
  - Obrigada. - Sorri fraco e funguei. - Por ficar aqui comigo.
  - Não tem de que. - Ele sorriu. - Mas o que o Barakat fez? Sei que ele nunca foi nenhum exemplo no quesito relações sérias, mas não estou informado de alguma besteira recente.
  - Porque quase ninguém sabe, e não é recente. - Eu disse, e assim comecei a narrar minha história toda para ele. É estranho como eu estava me sentindo mais leve ao falar aquilo que estava me assombrando.
  - Então por isso você não tá na festa, né? - Nick sentou-se ao meu lado.
  - Tenho ficado no ônibus todas as noites.
  - Então a senhorita vai comigo amanhã na festa do meu ônibus. O John e o Pat vão estar lá, além da minha banda e do WATIC.
  - John O'Callaghan e Eric Halvorsen juntos em um mesmo lugar? Isso não vai prestar. - Eu dei uma risada nasalada e bati fraco em seu ombro.
  - Não vai querer perder, né? - Ele riu e pôs seu braço sobre meu ombro, me dando um abraço.
  - Pode deixar, eu vou. - Olhei para cima e sorri para ele, logo voltando a repousar minha cabeça em seu peitoral e então ele começou a acariciar meus cabelos, me deixando mais calma.
  - Vou te levar até seu ônibus, as meninas já devem estar lá. - Santino disse após um tempo que ficamos em silêncio.
  - Não precisa, sério.
  - Mas eu tenho que ir para lá mesmo... - Ele abriu seu sorriso encantador e eu tive que aceitar.
  - Eu não tenho como te agradecer. Você fez da minha noite bem melhor do que ela teria sido, compondo sozinha.
  - Não precisa. Fico satisfeito em te ver melhor.
  - Bom, cheguei ao meu ônibus. Obrigada de novo. - Eu o abracei e mexi em seus cabelos bagunçados, ouvindo sua respiração.
  - Se cuida, viu? - Ele beijou minha testa. - Não se abale por ele.
  - Boa noite. - Retribui com um beijo em sua bochecha.
  - ! Posso saber o que está acontecendo entre você e o Santino? Tem algo que você queira nos contar? - disse histérica enquanto apenas esperava uma resposta, pelo visto já estava dormindo.
  - Nós conversamos, eu contei do para ele e depois ele me acalmou. Fim. - Falei indo em direção ao meu bunk e arrancando minha blusa para botar meu pijama de M&M's
  - Acreditei que foi só isso. Você chega com essa cara de quem sabe os números da mega sena e realmente acha que eu vou acreditar. Vocês devem ter realmente conversado muito, mas em outra língua. - comentou.
  - Olha, não seria má ideia. Mas não aconteceu nada, ok? NADA!
  - E você conseguiu terminar de compor? - perguntou vendo que eu havia chegado com a guitarra na mão, mas no fundo ela queria dizer que eu não compus porque fiquei com ele. Eu conheço essas meninas melhor do que elas pensam. Esse joguinho de jogar verde para colher maduro, não cola mais.
  - Compor? - perguntou depois de uns segundos de lentidão. - Compor o quê? está compondo música nova sem eu saber? - ela perguntou fingindo cara de indignação.
  - Eu falei com todo mundo sobre a música, mas você estava ocupada demais pensando no Gaskarth, . - Eu ri e fiz com que risse junto. Nós éramos expert em deixá-la sem graça, e para isso bastava tocar nesse assunto.
  - Não vi graça nenhuma. - ela disse fechando a cara e corando. - O meu lance com o Gaskarth não passa da amizade. Já até comentei com o Garrett sobre isso, não que eu deva explicações pra ele, mas... TA OK! Voltando a sua música, , me conte então...
  - Esses dias eu comecei a escrever uma música, e ia acabar jogando-a fora como muitas que escrevi, mas o Pat me encorajou a cantá-la na Warped. A letra está pronta e... é sobre o .
  - ? - perguntou sorrindo de orelha a orelha. - Você finalmente vai se declarar pra ele?
  - Sabia que e eu iríamos conseguir. - disse sorridente demais, a olhei estranho e ela se calou. - Ops... Não que você precise... Enfim, prossiga.
  - Com certeza , o refrão da minha música é ", volta para mim porque eu te quero. Não fique com suas peitudas" em ritmo de rock'n'roll. Eu não vou me declarar, vou só cantar uma música para o público que foi somente inspirada nele. Duvido que ele perceba, do jeito que é lerdo. E quanto a você, , explique o que você realmente quis dizer com isso. Começou não pode parar!
  - Pensando bem seria uma boa se você fosse tão verdadeira no seu refrão como agora. - me disse pensativa com uma mão no queixo. Rolei os olhos.
  - Não quis dizer nada ué, só pensei alto, coisas banais... - sorriu amarelo e tossiu para esconder o que queria realmente falar. Fingi acreditar e já ia dar o assunto acabado quando ouvi a voz sonolenta de .
  - O que tem o e agora? - ela entrara na pequena sala com uma cara amassada.
  - Olá bela adormecida que pega o bonde andando. Estávamos falando sobre a música que eu estou compondo e que a não sabia dela porque passa o dia inteiro com a cabeça no Gaskarth. Você não concorda? - Fingi uma cara séria para para que ela me apoiasse na minha tese. O dom da implicância.
  - Sinto uma certa discriminação por aqui. É por que sou baixista? - disse fingindo estar com sede e indo até a pequena cozinha pegar água para fugir do assunto. riu.
  - Concordo contigo, , e ela ainda teima em negar tudo? Quero saber como Garrett está reagindo a isso se você ia se casar com ele como sempre sonhou, . - fingiu não ouvir e fechou a cara. - Música nova então? Isso é algo bom, sobre o ? Então, minha cara, você está tomando atitude. É isso que uma verdadeira Stay Awake tem! - e bateu as mãos animada.
  - Eu disse.- concordou parecendo orgulhosa de mim.
  - Sim, sobre o . Só que ninguém vai ouvir antes do show. - Falei convincente. - É porque a tem vários homens, , ela não consegue escolher um só. e Garrett são apenas os presentes aqui, ainda tem mais... Do jeito que ela é promíscua. - Eu ri e já estava começando a me olhar com ódio, mas era tão engraçado. Eu realmente não sei o que faria sem a banda.
  - HÁ, HA - ela riu-se irônica quase engolindo o copo d'água. - Vocês ficam ai falando de mim e do , mas a disse que ninguém de nós que somos companheiras de banda dela desde... desde sempre vamos ouvir a música. Mas o Santino já ouviu. Ops, escapou amiga. - ela disse e sorriu vitoriosa indo para o seu bunk e pegando o celular. Olhei-a furiosa.
  - Vixi , agora ela tem razão - ajudou.
  - Mas... Acontece que ele pegou o momento em que eu estava tentando compor e ficou curioso. Ai eu mostrei para ele porque ele pediu, poxa. NÃO VENHAM COM TEORIAS PARA CIMA DE MIM PORQUE QUEM COMEÇOU ZOANDO FUI EU! Vocês agora estão querendo virar o feitiço contra o feiticeiro? - Botei a mão na cintura incrédula, porém por dentro ria.
  - VIU COMO É BOM! - disse séria. - Até parece que você só mostrou pra ele porque ele ficou "curioso". E TUA QUEDA POR ELE, ONDE FICA? COÉ .
  - Sem contar o Pat que a incentivou... - ferrou mais um pouco a história, .
  - Se eu tivesse queda por ele eu teria o beijado porque chance não faltou. - Falei exaltada depois percebi a merda que havia feito e tentei mudar o assunto rapidamente. - Claro que não, ! O Pat não ouviu a música, ele achou o rascunho na minha cama. Vocês agora vão se fazer de vítimas? Meu Deus, colei camisinha na cruz... Só pode.
  - OPA! - era . - ENTÃO POR QUE DIABOS VOCÊ NÃO PEGOU O SANTINO, MINHA CARA?
  - Porque ela é apaixonada pelo - completou óbvia virando-se para .
   abandonou o celular e entrou no assunto.
  - Isso seria um triângulo amoroso entre Kirch, e Santino. O que é excitante demais, convenhamos que eles dois são muito bebês e anima a situação.
  - Mas, então a música nova deveria ser sobre os três? - perguntou confusa.
  - Não, mas que tem affair entre eles, tem. - respondeu coçando o queixo.
  - De qualquer forma, ela não vai mostrar a letra pra gente mesmo meninas, somos inferiores aos bofes dela. - disse fingindo tristeza.
  - Pois é, somos meras companheiras de banda insignificantes. Agora só falta ela querer esconder a melodia de nós... - dizia irônica. - Isso porque a vocalista sou eu. - disse ofendida fechando a cara.
  - O que será dessa música sem a bateria...
  - E sem o baixo... Baixo é a vida da música...
   Eu assistia a reclamação vagal das três segurando o riso.
  - Ah claro, daqui a pouco quem vai tocar bateria nessa banda será o Kirch. - disse rindo irônica.
  - Chama então o Nick pra cantar com você porque eu irei dormir amargurada e sem esperança...
   - Isso porque eu me uni ao Gaskarth pelo bem maior e tomei um pé na bunda da minha amiga...
  - Acho que devemos correr pras colinas, meninas. - bea vegetando como sempre.
  - Vou correr é pro ônibus do Mayday - comentou pensativa.
  - Por que Mayday? E teu , mulher?
  - Porque Derek também me atrai.
  - Ok, já que não somos mais bem vindas nessa banda, logo seremos trocadas por uma Patrícia e um Nick....
  - CHEGA! - disse não aguentando mais a falação delas e segurando o riso em vão.
   As três me olharam assustadas e pararam de falar.
  - Todas vão saber da melodia, afinal vocês vão me ajudar a me preparar pra cantar no penúltimo show.
  - Oh, essa se lembrou de nós. - disse rindo. Rolei os olhos. - Te ajudaremos , você sabe que sim. Afinal, vamos estar com você lá esperando você cantar e ter o apoio que precisa. - Sorri.
  - Pois é, vamos estar lá caso o venha com graça pra cima de você depois de anos. - completou .
  - Qualquer coisa a gente dá uma voadora nele e chama o Nick. - zombou .
   Ri das três que logo vieram me abraçar desejando que tudo desse certo, que elas estariam comigo e tudo ia acabar bem. Porque segundo elas, Kids In Love era a última chance para o notar quem eu era, e quem eu era estava nos versos.

  Dois dias para o fim da Warped Tour...
  - E agora temos uma surpresa. - falou ao microfone para todos. - A nossa querida guitarrista vai cantar uma música de autoria dela para vocês, e serão os primeiros a ouvir. Espero que curtam. - saiu do microfone deixando o lugar para mim. Sinceramente, nunca almejei ter aquele posto, porque existe muita responsabilidade, e isso é uma coisa que eu tenho medo. Mas é agora ou nunca.
  - Venho compondo essa música não faz muito tempo, e ela não sairia sem a ajuda de alguns amigos. - Pensei primeiro em Pat, depois nas meninas e em Nick. - Alguns que vem me ajudando a passar por coisas que eu não gostaria, mas essa música, além de ser para alguém que já foi muito especial para mim é para vocês também, porque vocês me ajudam a manter-me firme e não desistir por qualquer coisa que seja. Aos meus fãs, aos meus amigos e até para aqueles que um dia foram mais que isso, Kids in Love. - Eu fechei os olhos por um instante e comecei a tocar e cantar. Senti um formigamento, mas não me abalei.

  [O vídeo é esse]

I look back to the one and only summertime
And my girl was the envy of every friend of mine
She slept safely in my arms
We were so young and invincible

  FLASHBACK
  - . - Eu gritava enquanto o pequeno construía nossa fortaleza de areia na praia. - A gigante onda vai nos matar. - Eu dizia enquanto via as ondas quebrarem na praia. Nós éramos tão pequenos, com a imaginação fértil conseguíamos transformar qualquer coisa em uma grande história. A verdadeira tempestade em copo d'água, esse era nosso forte.
  - Venha para a fortaleza! - Ele falou sentado atrás de um montinho de areia afofado com as mãos e com alguma forma, vulgo, nossa fortaleza.
  - Achei que nós fossemos ficar separados.
  - Somos invencíveis. Eu não vou me separar de você, nunca.
  FLASHBACK OFF

  E cada lembrança daquela era uma facada em mim. A palavra "nunca" proferida por ele era a que mais me feria, porque era mentira. Tudo era uma grande mentira que nós acreditávamos.

Closed lips, she was never one to kiss and tell
Those trips in the summer never went so well
Young love was such dumb love call it what you want it was still enough.

  Memórias de alguns dos nossos verões em Santa Mônica me ocorriam, aquelas eram as melhores viagens da minha vida. Na verdade, a melhor época da minha vida! E eu nem ao menos sabia enquanto vivia nela.

  Flashback
  - De quem você gosta? - Ele me perguntava como se gostar de alguém fosse a coisa mais perigosa que pudéssemos fazer. Antes fosse...
  - Eu não vou falar. - Fingia fechar minha boca com chave e jogá-la no lixo. Típico! Eu lembro que sempre fazia isso.
  - Se você não me contar eu vou cortar a amizade com você. - Ele falou me botando pressão, mas naquela época eu era mais malvada...
  - Para de falar isso senão eu vou decapitar o seu Max Steel.
  - Não faz isso! - Ele choramingou.
  - Depois você sabe que eu ia colar de volta para você. - Sorri ingenuamente.
  - Mas não seria a mesma coisa! - disse indignado.
  - Tudo bem então.
  - Você sabe o que é amor? - Ele disse com o ar todo mini filósofo tentando achar uma resposta para a própria pergunta, nunca me esqueci disso.
  - Colar a cabeça do seu Max Steel mesmo achando que eles ficam feios sem maquiagem só porque eu não quero te ver triste.
  - Você gosta de mim! lalalalal. - Ele comemorava e eu fiz uma cara emburrada.
  - Não gosto nada!
  - Gosta sim.
  - Não gosto! - Eu o empurrava e então começávamos a brigar, tecnicamente dizendo. Mas no final tudo dava certo.Parecíamos perfeitos um para o outro.
   Flashback off

  Meu rosto começava a arder e eu começava a sentir arrependimento de ter começado a tocar essa música ao vivo, ela remetia a muitas coisas do meu passado que eu agora lutava para apagar, mas era impossível. E quanto mais eu queria esquecer, mais eu lembrava.

And it's still out of my reach
And it's still all of the things that I want in my life
How could I ask you to leave me

  Flashback
  - Somos marido e mulher, você tem que dar comida para nossa filha porque você é o pai.
  - Claro que não, sua louca! Você dá a comida e limpa a fralda.
  - Ecaaaa. Você faz isso!
  - Não, você.
  - Eu quero divórcio! - Gritei para e lembro que chamei a atenção de todos na casa por saber o significado daquilo.
  - Estou indo embora! - Ele pegou sua mochila do Power Rangers e a fez de mala de trabalho, saindo porta a fora me deixando com um filho para criar, então cinco segundos depois já estávamos de volta.
  - Não quero mais o divórcio. - Me abracei a ele. - Não quero que você vá embora.
  - Tudo bem, Josefina. Eu volto para você. - Ele falava usando os nomes que eu escolhia, sempre era Josefina e José. Nota-se que eu não era criativa, mas gostava de ser ditadora.
  Flashback off

And we were just kids in love
The summer was full of mistakes
We wouldn't learned from
The first kiss stole the breath from my lips
Why did the last one tear us apart?

  Flashback
  - Ei. - Chamei sua atenção para então beijar sua bochecha e segurei sua mão quando tínhamos parado de correr no pique pega.
  - Não sou mais criança, ! Eu tenho 10 anos, já estou grande. - Ele chegou perto do meu rosto pela primeira vez e me deu um beijo na boca de no máximo dois segundos. Tecnicamente falando, foi meu primeiro beijo. - Eca! Meninas.
  - Meninos. Vocês são estranhos, mas eu gosto de ti. Só não seja nojento. Não estamos na idade ainda. As meninas da novela que beijam na boca são mais velhas que eu! Tenho que esperar.
  - Estranho. - Ele falou olhando para mim.
  - Muito.
  Flashback off.

Her smile with the wind blowing through her hair.
Was so contagious in the air.
So satisfying and I'm still smiling.

And it's still out of my reach
And it's still all of the things that I want in my life
How could I ask you to leave me

And we were just kids in love.
The summer was full of mistakes.
We wouldn't learned from.
The first kiss stole the breath from my lips.
Why did the last one tear us apart

We're falling down (Can we pick up the pieces?)
We're at a all time low (How will we get it back?)
We're falling down (Can we pick up the pieces?)

I'm falling down (Can we pick up the pieces now?)

And we were just kids in love.
The summer was full of mistakes.
We wouldn't learned from.
The first kiss stole the breath from my lips.
Why did the last one tear us...

And we were just kids in love.
The summer was full of mistakes.
We wouldn't learned from.
The first kiss stole the breath from my lips.
Why did the last one tear us apart

  Finalizei a música e deixei que o último acorde finalizasse aos poucos. Sentia meu corpo inteiro tremer, mas não sabia dizer se era de medo, nervoso ou emoção por tudo ter sido cantado. Toda aquela história. Passei meus olhos por entre as pessoas da plateia e não o vi, talvez ele nem estivesse ali. E se não estivesse não ligaria mais. Como o Nick disse: bola pra frente, seguir com a vida. Pelo menos eu tinha me livrado do sentimento guardado.
   Desci do palco depois de agradecer a multidão de fãs e aplausos e fui pra trás do palco Hurley encontrar as meninas. , e vieram ao meu encontro, todas sorrindo e parecendo aliviadas por tudo ter dado certo, pelo menos até agora.
  - Você foi o máximo, ! - disse vindo até mim e sorrindo.
  - Cara você arrasou demais, sua cretina! Você canta demais , tocou muito bem e a letra... Cara que letra foi aquela? - era .
  - Acho que vou chorar depois de ouvir de novo sua vaca, me fez ficar emocionada e eu não me emociono tanto assim desde o final de The Walking Dead na temporada passada. - e suas brisas...
   Abraçamo-nos e elas gritavam animadas, quase me deixando surda sobre como a música era linda, perfeita, e isso e aquilo e o quanto eu estava satisfeita com o meu progresso.

  Estávamos conversando animadas sobre tudo quando Nick chegou dando os parabéns pela música.
  - Você se saiu muito bem pra quem estava sem confiança em si mesmo. - disse ele rindo de lado.
  - Eu acreditei no que você me falou dias atrás. Acho que deu certo. - pisquei de lado o fazendo rir gostosamente.Ficamos nos olhando sem nada dizer até que senti uma presença ao meu lado e nem precisei olhar para saber que se tratava dele. O cheiro dele invadiu o ar.
  - Então era você o tempo todo. Eu não acredito. - as palavras de invadiram meus ouvidos me fazendo fraquejar da cabeça aos pés.
  - Sim, era eu o tempo todo tentando fazer com que você se lembrasse de mim, melhor amigo. - Disse e dei um tom irônico na última palavra.
   Acho que há algo errado nessa história.
  - E se eu dissesse que sinto muito? Me desculpa... - Ele botou uma mecha do meu cabelo para trás e passou a ponta dos seus dedos na minha bochecha, causando-me arrepios.
  - Receio que seja um pouco tarde demais, . - Engoli seco.
  - Não é se a gente não quiser. Dê essa chance a nossa amizade.
  - Amizade? Aquela que há cinco minutos você não se lembrava da existência?
  - Então o que significa Kids in Love?
  - A história de duas crianças.
  - Eu e você. - Ele completou.
  - Crianças. - Enfatizei. - Achei que isso não tivesse mais importância nenhuma para você. - Virei o rosto tentando não encará-lo.
  - Você mudou tanto, . Desculpe-me não te reconhecer.
  - Você também mudou, pena que não foi só fisicamente. - Disse deixando-o sem ter o que falar.
  - A gente pode se ver mais vezes, se você quiser. - Ele sorriu como se a solução fosse fácil assim. Talvez fosse se ele cumprisse com suas palavras.
  - Você também não deve lembrar, mas me disse isso há uns anos e então uma garota de onze anos ficou esperando seu melhor amigo voltar, só que isso nunca aconteceu.
  - Eu falo sério. - Ele me encarava de forma que me fazia queimar por dentro. Desviei o olhar para Nick, quase suplicando para que ele me salvasse. - Você não vai falar nada?
  - Com licença. - Nick surgiu ao meu lado e me abraçou pela cintura, envolvendo seus braços em volta dela. - A está te chamando.
  - Santino, daqui a pouco você volta cara, por favor. - falou como se ainda tivesse muito a falar, porém eu não queria ouvir mais.
  - Ah claro. - Eu sorri. - Até mais, .
  - Mas ... - Ele disse e foi ignorado com êxito. É estranho, porque ao mesmo tempo que eu estava feliz por ele ter lembrado, estava me sentindo humilhada.
  - Deu certo? - Nick cochichou rindo em meu ouvido.
- Vou deixar ele me mostrar.

  Último dia da Warped Tour...
   Passaram-se exatamente quatro semanas. Quatro semanas e não houve um dia que eu me senti tão leve quanto hoje. Ontem, depois de sair do palco Hurley e encontrar com logo após de cantar todo o meu silêncio de dias em Kids In Love, eu me senti, por um breve momento, do outro lado do jogo. Sim, porque agora era ele quem estava atrás, era ele quem pediu desculpas, tentou reverter as coisas e tentou fazer com que tudo ficasse bem, mas nada era tão simples assim. Anos depois ele volta e quer tudo como era antes?
   E, além disso, eu queria tudo de novo, queria na verdade correr atrás dele depois que sai com Nick do backstage e gritar: "NÃO, EU QUERO TUDO DE NOVO SIM! EU QUERO APROVEITAR TODO O TEMPO PERDIDO, QUERO QUE VOCÊ ME ACEITE COMO MELHOR AMIGA DE NOVO PORQUE TODOS ESSES ANOS EU ME CALEI E SOFRI E AGORA EU QUERO ARRISCAR SIM. EU TE PERDOO." Mas não, eu apenas ironizei o momento, levantei o coração dolorido e sai dali segurando o universo pra explodir dentro de mim.
   Não tive cabeça pra nada, não falei com mais ninguém além das meninas e do Pat depois disso. Segui para o ônibus e ali fiquei. Logo este começou a andar rumo à última estadia da Warped e, como se tudo não fosse ficar pior e não trazer recordações, essa foi uma facada em cheio do peito. Última cidade da Warped, eu estava em casa: Baltimore. Nada melhor que Maryland pra me fazer voltar ao passado com , como se eu precisasse de ajuda pra sofrer por isso.Mas, ok, Kids In Love foi cantada. Ele que entenda como quiser e como eu o conheço, sei que aquele arrependimento foi do momento, foi banal e ele vai voltar a ser o canalha que era antes como sempre. Um típico guitarrista rico, famoso e ruim de memória, convenhamos.
  - É HOJE QUE VAI TER FESTA, MENINAS. VAMOS ACORDAR! - gritou da pequena cozinha do ônibus acordando a todas.
  - Como assim você ousa em me despertar do meu sono profundo? - disse ainda com a cabeça debaixo do lençol.
  - Hoje é o último dia da Warped! - gritava ainda mais passando geleia nas suas bolachas.
  - , sério você não dorme não? - perguntei irônica me levantando a contragosto e indo ate a cozinha.
  - Não no último dia de show, caras! E vamos tocar em casa ainda, fala sério, muita sorte.
  - Sorte? - perguntei rindo sarcástica.
  - Sim! Nada melhor que Baltimore pra animar as lembranças de Barakat. - ela riu. Rolei os olhos.
  - Concordo, depois de tudo que rolou ontem no show, , duvido que ele não corra atrás de você.
  - Ele que corra, e eu duvido muito. - disse tentando manter a seriedade enquanto bebia água fitando-as.
  - Ela tá toda fria assim porque expôs os sentimentos no palco, quero ver se ele chegar e te prender na parede e te amar loucamente sob os lençóis se você vai manter essa pose durona, . - disse prendendo o riso. por sua vez riu até não aguentar mais e eu apenas franzi o cenho.
  - Mas que orgia é essa? - levantou do seu bunk com cara de sono. - Cara, são oito da manhã!
  - E daí? Estamos indo pra Baltimore! Vamos tocar no último show e tudo vai se realizar, amém? - disse filosófica.
  - VOCÊ NÃO COMPREENDE QUE ESTAMOS COM SONO PORQUE FOMOS DORMIR MAIS DE QUATRO DA MANHÃ? - se alterou e riu no final.
  - A gente nada, você que foi dormir quatro da manhã. - analisou a cena.
  - O que você estava fazendo às quatro da manhã na festa ? A maioria das bandas já tinham se recolhido porque os ônibus saíram às seis e meia da manhã rumo a Baltimore. - perguntou acusando algo. Ri da cara da .
  - Isso não vem ao caso, é que... Enfim. Vamos focar o assunto na e na sua música linda de ontem. - Puts, sobrou para mim.
   As três se sentaram de forma cômica no bunk e se apertaram para caber todas ali e viraram os rostos para mim.
  - Comece. - foi a voz de quem indicou que eu estava fodida com elas me encarando assim. - Nos conte o que sente, o que sentiu e o que quer com ele agora que expôs tudo.
  - Ah, legal vocês três! Com tantas perguntas vou precisar de um advogado! - ironizei. As três me olharam feio. - OK, EU CONTO! - elas sorriram iguais crianças na páscoa. - Não vou me jogar aos pés dele, não vou chorar por ele e nem acumular sentimentos quanto ao que eu cantei ontem. Chega, já fiz minha parte, e se ele agora quer tudo de volta ele que corra atrás ou faça algo realmente bom porque eu cansei de sofrer por quem não me deu valor e se lembrou de mim do dia para a noite sendo que eu o amo desde os sete anos de idade.
   Acabei a fala de uma vez e as olhei. As três pareciam que iam engolir um zumbi inteiro porque estavam de boca aberta.
  - Você... - começou .
  - Acabou de.... - prosseguiu .
  - ASSUMIR QUE O AMA! - terminou de forma escandalosa arrancando gritos das meninas.
  - Oi? - perguntei tentando raciocinar sobre o que eu havia dito e... cara, elas tinham razão. - NÃO FOI ISSO QUE EU QUIS DIZER E...
  - NÃO VEM COM ESSA, , NÓS OUVIMOS MUITO BEM!
  - VOCÊ O AMA CARA QUE LINDO!
  - VOCÊS VÃO SE AMAR JUNTOS E TER FILHOS SAFADOS E GUITARRISTAS E....
  - VÔCES VÃO SE CASAR E...
  - CHEGA! - gritei e ri depois. - Cara, vocês são lunáticas!
  - Ok, nós entendemos a parte que você vai deixá-lo e correr atrás. - disse .
  - Isso. Vocês concordam comigo, certo?
  - Lógico! - respondeu. - Agora você já fez o que tinha que fazer dude, o lance é deixar ele ir atrás de você.
  - Com certeza, . - completou.
  - E pelo que eu sei, ele está agindo rápido, porque ele ficou muito chocado com você ontem e queria vir até você no ônibus te implorar para ouvi-lo. Ficou mordido de ciúmes do Nick com você ontem depois do backstage, aquele tempo que vocês dois ficaram conversando aqui no ônibus e tal. Mas o e eu convencemos ele de esperar você se acalmar e ele também. - contara sorrindo de orelha a orelha.
  - MAOE! - riu-se e me olhou com aquele olhar de "ah muleque?"
  - O quê? - perguntou sem entender.
  - Então você estava com o até às 4 da manhã? - ela corou.
  - Não, tipo é que eu e ele estávamos comendo amendoins e assistindo uma série muito maneira... e ....
  - Aham , sabemos desse tipo de série. Mas, enfim...- cortou e fechou a cara rindo em seguida. - CIÚMES DO SANTINO?
  - Sim, ele ficou mordido com a amizade loucamente amante da e do Nick.
  - , você pode usar isso contra ele! - disse diabólica.
  - Ah claro, e ai o Nick me abandona e tudo ferrou de vez.
  - Não, ela não deve usar ninguém. Deve deixar o vir atrás ué. - respondeu pensativa.
  - Boa, espere o show de hoje , quem sabe ele não chega em você...
  - Mesmo assim, eu não vou tão fácil. - disse fingindo estar séria. Elas torceram a cara e eu ri.
  - Cara, vai cagar! Você esperou isso por anos!
  - EU SEI, EU VOU ACEITAR LÓGICO, SUAS RETARDADAS! - disse batendo as mãos e rindo.
  - Cara, acho que vou chorar. - disse vindo nos abraçar. - ABRAÇO EM GRUPO, QUE EMOÇÃO!
  Apenas rolei os olhos e ri delas. Estávamos a 110 km por hora rumo a Baltimore e eu não queria pensar em mais nada que pudesse acontecer milhas a frente.

  Chegamos a Baltimore logo após passada duas horas. Nosso show seria o penúltimo, logo depois do Mayday e antes do All Time Low.
   Fomos para o backstage aquecer e passar o som. Não tive tempo de ver em nenhum momento desse dia, já que estava tudo corrido para os shows e para o último dia de turnê. Durante o dia não ocorreu nada de especial, até que chegou a hora do nosso show, e esse sim foi épico.
  - E essa foi nossa última música, obrigada Warped! Até a próxima. - disse e logo cada cabeça da plateia estava em um coro gritando "Kids in Love". - Gente, desculpa, mas não vai dar para tocar essa. - falava, porém a plateia não se calava e simplesmente a ignorava.
  - Essa música não é single e eu não posso cantá-la de novo, desculpem. - Nós já estávamos indo embora quando chegou pelos lados e pegou o microfone da sem que eu percebesse.
  - Nem se eu pedisse para você cantar? - Apesar dos gritos, que agora já não formavam mais um coro, e sim fãs histéricas, eu percebi que era ele. Reconheceria aquela voz até de baixo d'água. - Se eu te pedisse para cantar a nossa música... - Então a plateia se calou e nós voltamos para nossos respectivos lugares no palco.
  - Não, . - Eu olhei para baixo e mordi o lábio.
  - Você pode cantar essa música sozinha ou comigo. Esteve com ela por todos esses anos. - Ele sorriu. - Está na hora de cantar junto com a razão de você escrevê-la, e eu nunca te ensinei que não se nega pedido a melhor amigo? Eu posso te banir da minha fortaleza de areia se você me negar. - Ele falou rindo no microfone e eu ri de felicidade junto dele ao ver que ele realmente havia se lembrado de tudo. - I look back to the one and only summertime, and my girl was the envy of every friend of mine. She slept safely in my arms, we were so young and invincible. - Ele começou a música me encorajando e sorriu para mim ao dizer my girl. Senti que ele realmente queria aquilo, todos queriam aquilo e nada me motivava mais que os fãs. Comecei a cantar junto com ele, porém sem instrumentos. Dois guitarristas que não tem o dom de cantar, fazendo um show para não sei quantas mil pessoas enquanto as meninas me observavam caladas ao lado, apenas com um sorriso no rosto.
  - Closed lips, she was never one to kiss and tell. Those trips in the summer never went so well, young love was such dumb love call it what you want it was still enough. - Cantamos a música em dueto até o final e acho que fomos mais aplaudidos que todas as bandas que haviam passado por ali naquele dia. Pois é, segundo estudos feitos por mim, a plateia da Warped gosta mesmo é de um casal se resolvendo no meio de um show. Devia virar tradição... Ou não.
  - Até a próxima! Foi ótimo tocar para vocês Warped. - Gritei no microfone com o maior sorriso do mundo e fomos para o backstage.
  - Nós arrasamos! - bateu na mão de todas e depois todos vieram falar com a gente dizendo que tínhamos ido muito bem, por fim, .
  - Acho que nunca a Warped teve um show tão original quanto esse. - Ele falou perto do meu ouvido e encostou sua mão no meu ombro, fazendo com que eu me virasse para vê-lo. - Eu não acredito ainda... Foi de verdade? - Falei olhando para ele sorrindo e com os olhos cheios d'água.
  - Tire as suas conclusões. - Ele sorriu e me aproximou de seu corpo, pegando-me pela nuca e me dando um beijo. Por mais ridículo que pareça, o nosso primeiro beijo. E o melhor, ele também era real. - Eu já devia ter te falado algumas coisas que acho que você não sabe. - Ele falou sério e eu senti medo do que podia ser.
  - O que foi? - Disse sem uma expressão decifrável.
  - Eu te amo, sua boba. - Ele riu e me beijou novamente.
  - Eu sempre te amei. - Parti o beijo para falar e então beijei um sorridente.

FIM



Comentários da autora