
Justamente 80 – Temporada 1
Escrito por Shakbah | Revisado por Lelen
Capitulo 1 — O Início
— Prometem que seremos amigos para sempre? — pediu Minnie.
— Sim — concordou Penachos. — Nossa amizade nunca pode ser impedida ou afastada.
— Eu concordo. Só nós sabemos o que enfrentamos juntos — disse Meca.
Os três prometeram ser amigos para sempre, sempre juntos sem se deixarem só. Em meio a casa de Minnie, os três estudavam na escola, enquanto se comprometiam em ser melhores amigos para sempre. Os três que já haviam perdido diversas chances na escola, agora eram amigos inseparáveis. Não havia nada que as brincadeiras tímidas de Minnie, as risadas e animação de Meca, e o jeito extrovertido e receptivo de Penachos não resolvesse. Era a amizade da cantina. Uma amizade boa e ruim ao mesmo tempo. Eles tinham seus momentos, mas também tinham seus problemas. Mas juntos os superavam.
— Vocês viram isso, fiz meu teste para Hogwarts e deu que sou uma lufana — comentou Meca.
— E o meu que apontou para a Corvinal — disse Minnie.
— Vocês são Potterhead assíduas, não é mesmo? — perguntou Penachos rindo das amigas.
— Não brinque com nosso mundo favorito — disse Meca fazendo uma careta, recebendo um aceno de Minnie.
Naqueles dias, os três amigos compartilhavam tudo e nada podia separa-los. Até que...
— Nós precisamos de espaço, Minnie, agora que eu e a Meca estamos namorando — disse Penachos.
Aos poucos dava-se para ouvir o tom distante de Penachos e um sussurrar distante de Meca, mostrando que a amizade entre os três estava com os dias contados. Agora, Meca e Penachos namoravam. Era um namoro bom e forte. Penachos beijava Meca com paixão, sempre buscando ter uma boa relação com ela, agora eram namorados. Enquanto isso, Minnie observava a amizade que os três tinham se dissolver.
20 Anos Depois...
07 de abril de 2019...
Agora os moldes do destino mudavam. Havia porta-retratos na casa de Minnie. Havia um retrato onde ela e Penachos estavam com a amiga Meca e tinham momentos em que eles estavam sozinhos. Havia outros retratos deles com os filhos: Francisca, de 18 anos, Niça, de 17 anos, e Marly, de 15 anos. As três meninas cresciam.
— Mãe, você viu meu caderno de estudos? — perguntou Francisca.
— Eu deveria saber onde você guarda as suas coisas, Francisca? — disse Minnie em um tom frio. — Querida, que tal ver em seu quarto, para ver se não está perdido lá?
— Eu procurei em todo lugar — disse Francisca.
— ...talvez você tenha esquecido na escola no clube de teatro — disse Niça, uma garota loira.
— É possível — concordou Francisca. — E cadê a Marly? — perguntou.
— Na escola atrás do Christian, como sempre — disse Niça, fazendo a irmã rir.
— Dá para vocês pararem de fofocar sobre suas irmãs e irem para a escola? — perguntou o pai delas, Penachos, em um tom frio.
— O pai de vocês tem razão — concordou Minnie.
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— O processo de educação do homem foi fundamental para o desenvolvimento dos grupos sociais e de suas respectivas sociedades, razão pela qual o conhecimento de sua história e experiências passadas é essencial para a compreensão dos rumos tomados pela educação no presente — começou a professora de História da Educação, quando Francisca começava a chegar na sala de aula.
— Desculpe, professora — pediu ela risonha.
— Está atrasada Srta. Garcia — disse a professora.
— Desculpe! — pediu ela.
— Continuando — disse enquanto Francisca se se sentava. — Tomando a herança cultural deixada pela antiguidade como a fonte principal sobre a qual a civilização ocidental se ergueu, o legado deixado pelas principais cidades estados da Grécia Antiga — Esparta e Atenas — constitui-se como princípio de organização social e educativa que serviu de modelo para diversas sociedades no decorrer dos séculos. Reconhecida por seu poder militar e caráter guerreiro, o modelo de educação espartano baseava-se na disciplina rígida, no autoritarismo, no ensino de artes militares e códigos de conduta, no estímulo da competitividade entre os alunos e nas exigências extremas de desempenho. Por outro lado, Atenas tinha no logos (conhecimento) seu ideal educativo mais importante — continuou a professora.
— Essa aula não está muito boa — disse Tiago e Francisca revirou os olhos.
— Eu até que acho ela boa — disse a garota com um revirar de olhos.
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— Bem, hoje quero que formem duplas! Valendo um quinto de nota do semestre do ano, Lessa e Niça vocês vão fazer o trabalho juntas, já que são amigas — disse o professor de Geografia.
— Você sabe ler mapas? — perguntou uma menina de cabelos negros, baixa, com um batom vermelho bonito e que parecia idêntica a mãe, Luciana, nos tempos de juventude.
— Sim — concordou Niça.
As duas começaram a estudar para a aula. Niça e Lessa haviam se tornado amigas há alguns meses, quando Lessa teve uma experiência com Deus, aceitando Jesus Cristo como seu único salvador e se batizando. Agora, as duas eram extremamente amigas.
— Como andam as coisas com sua família? — perguntou Lessa sabendo que Niça tinha problemas familiares.
— Você sabe, as coisas não andam bem, meus pais continuam dando preferência para mim e para Marly e meio que sendo frios com a Francisca — disse Niça em um tom lamentoso. — E meu pai continua fazendo coisas que não devia fazer, mas fora isto estamos todos bem.
— Lamento por isto — disse Lessa. — Mas talvez você devesse se apegar mais a Deus, ele sempre tem suas respostas. Talvez o que sua família está vivendo seja uma delas — disse Lessa.
— Você tem razão, Lessa — concordou Niça.
As duas finalmente terminaram a lição do professor e entregaram a ele.
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— Aí está você! — exclamou Marly para Christian.
— Estava me procurando? — perguntou o garoto em um tom divertido.
— Não — Marly respondeu —, só estava curiosa para saber o que o irmão da Breia fazia por aqui sozinho — disse Marly.
— Verdade. — Ele riu. — Apenas estava procurando descanso em meio a algumas músicas dessa biblioteca. Sabe, aqui tem muitas músicas realmente legais, dos anos 80 e 70.
— Músicas dos anos 70 ou 80 são boas mesmo — disse Marly. — Principalmente Girls Just Wanna Have Fun da Cindy Lauper.
— Concordo! — disse Christian.
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— Dá para você parar de mexer nesse telefone e fazer o almoço logo? — disse Penachos à esposa Minnie em um tom frio. — Logo nossas filhas chegam e eu realmente estou com fome!
— Eu só estava ligando para a minha irmã — respondeu a loira. — E tem a Luciana que também quer notícias minhas.
— Você tem mais o que fazer do que ficar papeando com sua amiga e sua irmã — disse Penachos em um tom frio. — Faça logo esse almoço.
— Já vou fazer — respondeu Minnie.
Capitulo 2 — O Anjo
— Como foi a escola, filha? — perguntou Luciana para a filha, Lessa, assim que ela chegou em casa.
— Foi boa, mas a minha amiga realmente não leva uma vida boa — disse a garota para a mãe.
— Eu imagino, Minnie nem responde direito minhas mensagens.
— Como ela foi se casar com um homem assim! — perguntou Lessa.
— Longa história! — disse Luciana, mas parando ao ver o filho mais velho, Jeremy, chegar.
— Boa tarde, filho! — disse ela e o garoto deu um sorriso.
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— Não reclamem da comida, eu acredito que esteja boa — disse Minnie para as filhas que estavam voltando da escola. Ela havia feito o prato que estava acostumada a fazer, macarronada com molho pronto, uma massa que aprendeu sozinha.
— Parece boa, mãe — disse Francisca.
— O pai de vocês acabou de ir para o trabalho. — Respirou Minnie aliviada. — Me contem como foi na escola.
— Foi boa, mãe, eu vi a Lessa hoje — disse Niça.
— Espero que a família dela esteja bem — disse Minnie. — Faz tempo que não falo com a Luciana.
— A Lessa pareceu bem para mim, desde que ela virou evangélica tem seguido caminhos bem inovadores — disse Niça.
— E eu conversei com o Christian sobre coisas de música, da sua época, mãe — disse Marly.
— Bom... eu tenho que continuar o serviço — disse Minnie se recusando a lembrar coisas da sua época.
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Breia estava tirando água do rio como sempre para beber, pois naquela época havia pestes surgindo e as pessoas tinham que pegar água do local. Ela pegou água do rio, quando viu um anjo aparecer para ela:
— ...Levanta-te, Breia, irmã de Christian, eis que Deus lhe ouviu. Deus decidiu escolher sua família para um milagre! Bem-aventurada tu és — disse o anjo e a garota viu o anjo, mas depois acreditou ser alucinação, pois olhava em todos os lugares e não achava nada.
Breia entrou em casa. Christian, ao ver a irmã parecer estranha, perguntou:
— O que há, Breia? — perguntou.
— Eu vi um anjo — disse a garota surpresa.
— Então você também viu um, eu pressenti que um apareceria para você! — disse Christian à irmã.
— Você e seus pressentimentos — disse Breia ainda surpresa.
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— Mãe, como foi no trabalho? — perguntou Tiago à mãe, Meca.
— Foi bom, filho — respondeu ela. — Apenas estressante por rever uma pessoa que eu não deveria rever — disse.
— Quem seria essa pessoa? — perguntou Tiago curioso.
— Apenas um amigo distante — comentou. — Agora vai se preparar, esqueceu que o jogo que você gosta de jogar com seus amigos na internet já está na hora de começar? — disse Meca.
— É verdade! — Tiago se animou.
— Só não fique jogando muito tempo, você tem que acordar cedo amanhã para a faculdade — disse Meca ao filho.
— Eu fiquei amigo de uma pessoa muito interessante na faculdade, mãe — diz Tiago. — O nome dela é Francisca.
— Nome exótico — disse Meca. — Ela é legal? — perguntou.
— É sim!
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Era de madrugada quando Penachos voltou do trabalho. Se deitou na cama, deu um leve beijo no rosto da esposa sem que ela percebesse e se deitou para dormir. O dia seguinte veio como uma chuva como consolo pelas dores que o passado causara a muitos. Francisca acordara depois de um sonho estranho e viu a mãe fazendo o café da manhã enquanto ouvia uma música de um de seus cantores prediletos. Ela olhou para a mãe e era difícil vê-la assim. Uma pessoa dócil e alegre, ela sempre transparecera ser fria e até mesmo arrogante, principalmente com ela.
— Mãe, é muito boa mesmo essa música — disse Francisca.
— Me lembra os anos 80 — disse a mulher em um tom frio, mas um pouco relaxado.
— Papai chegou tarde ontem — observou Francisca. — O que tem acontecido entre vocês? — perguntou.
— Nada demais — disse a mãe como se não quisesse falar. — Você já arrumou seus materiais? Já está na hora de você ir para a faculdade — diz para a filha.
— Sim — respondeu Francisca.
Ela tomou o café da manhã em silêncio vendo a mãe arrumar a mesa.
Logo, Penachos, Marly e Niça chegaram à mesa. Penachos com seus cabelos negros era um adulto que estava tentando se tornar mais gentil com a esposa. Marly uma garota um pouco forte, mas com uma beleza admirável e Niça que era o reflexo da mãe tanto na aparência quanto na personalidade.
— Esse café da manhã parece bom — disse Penachos tentando ser gentil.
— Eu estou ansiosa para rever o Chris — disse Marly.
— Você não para de falar no seu novo amigo, não é, Marly — riu Niça.
A família pôde relaxar um pouco... eram raras as vezes, mas volta e meia tinham seus momentos especiais.
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— Breia, você já fez o café da manhã? — perguntou Ahmed, um dos irmãos de Breia.
— Sim, às vezes é bom acordar cedo — respondeu a irmã mais velha.
— Verdade! — respondeu Christian chegando à cozinha onde a irmã preparava o café da manhã.
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— Boa escola, Lessa! — respondeu o irmão de Lessa. — Me mande notícias da Niça.
— Você realmente é muito pegador, não é, maninho? — perguntou Lessa rindo. — Desista, a Niça gosta do Ahmed.
— Como você tem tanta certeza disso? — perguntou o garoto.
— Dá para ver, os dois só não enxergaram isso ainda — disse Lessa rindo.
Lessa foi para a escola, e quando chegou, avistou Niça. As duas estavam no último ano do ensino médio. As duas amigas se viram e entraram na sala aula.
— Hoje vamos estudar sobre o Renascimento — disse a professora. — Alguém sabe me dizer o que foi a época renascentista? — perguntou aos alunos.
— A época renascentista foi a época onde se conheceu muito da cultura e até mesmo coisas renovadoras da época renascentista — Lessa começou a explicar.
A aula continuou...
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— Oi, Niça certo? — perguntou Ahmed.
— Sim, e você deve ser Ahmed, o amigo da Lessa e irmão da Breia.
— Sim — respondeu Ahmed. — É um prazer conhece-la melhor.
Capitulo 3 — Passado e Presente se Ecoa
1988, CAMPINAS
— Vamos ao shopping? — perguntou Meca para os amigos Minnie e Penachos.
Os três eram amigos há algum tempo e essa amizade aos poucos se desenvolvia. Era a época onde as músicas embalavam o clima. Em plena década de 80, as pessoas se divertiam mais e não era a diversão de hoje em dia, era uma diversão mais alegre. Era a geração da música e também a época em que as pessoas começavam a usar câmera, e a internet de alguma forma começava a ser iniciada. As pessoas andavam pelas ruas despreocupadas. Mas com o tempo, as situações começaram a surgir.
— Boa ideia! — disse Minnie animada.
Os três caminharam para o shopping animados. Eles se divertiram juntos como sempre. Em meio a risadas, sem perceber que tudo mudaria.
— A companhia de vocês é tão boa — disse Penachos. — A Meca realmente planejou bem essa nossa saída — disse Penachos orgulhoso.
— Sim — respondeu Minnie.
— Nossa amizade é importante.
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GN 29:31
“Vendo Deus o desprezo, a tornou fértil”
ALGUNS ANOS DEPOIS...
— Você tem certeza dessa gravidez, Minnie? — perguntou Penachos.
— Você acha que eu mentiria tendo em vista tudo que aconteceu? — perguntou Minnie.
— Não é isso, só estou surpreso — disse Penachos realmente surpreso, mas acariciou a barriga da namorada.
— Eu nem sei se devemos levar essa gravidez até o fim — disse Minnie.
— É claro que deve! É nosso filho, nosso primeiro filho! Meu primeiro filho!
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— Pode soprar as velinhas, Francisca — disse Penachos no que era o primeiro ano de aniversário de Francisca. Minnie, que havia começado a sentir enjoo alguns dias antes, começara a se mostrar fria em relação à filha.
— Por que você a trata assim? Nem cantou os parabéns para ela — perguntou Penachos à esposa.
— Você sabe muito bem o motivo — disse Minnie.
Algum tempo depois, nasceu Niça. A menina era muito parecida com a mãe. Era a cara da mãe, mas tinha os traços de Penachos.
— ...Esta se chamará Niça, pois Deus justifica nossas atitudes — disse.
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2019
— Então, Niça, o que você gosta de fazer? — perguntou Ahmed à garota.
— Gosto de muitas coisas — disse Niça. — Estar com minha família é uma delas!
— Eu também gosto de estar com minha família — disse Ahmed. — Embora ela não seja tão... peculiar quanto a sua!
— Faz sentido. — Niça riu.
Ahmed e Niça começaram a conversar, parecendo animados.
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— Pense num dia típico da sua vida ou de alguma pessoa comum de seu convívio. Provavelmente você acordou numa cama, depois de passar a noite sob um teto, fez algumas refeições, trabalhou ou estudou. Esse relato bem breve de atividades do nosso cotidiano poderia resumir a pergunta “o que são direitos humanos”, porque o nosso dia a dia está permeado deles — mesmo quando a gente não percebe. A área de estudos chamada Direitos Humanos entende que cada um de nós é um ser moral e racional que é sujeito de direitos e deve viver com dignidade. Os direitos humanos não são nossos direitos por merecimento, mas porque uma vez que somos humanos, somos detentores deles. Todos e todas deveríamos ter acesso aos mesmos direitos, por isso dizemos que eles são universais — começou a professora de Direitos Humanos. — Alguém sabe dizer o porquê? — perguntou a professora e Francisca levantou as mãos.
— Porque todos devem ter direitos da cidadania e a novas chances de se expressar como realmente são — disse Francisca.
— Exatamente! — respondeu a professora. — E como podemos colocar isso em prática? — perguntou e um aluno levantou a mão. — Sim, Sr. Tury?
— Porque Deus criou a todos com direitos iguais e semelhantes — disse um dos alunos do primeiro ano da faculdade de Francisca, Henrique Tury. — Todos devemos respeitar uns aos outros.
A professora sorriu ao ver que pelo menos dois de seus alunos estavam gostando da aula.
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— Você não parece muito animada para a aula de hoje — comentou Manu Maia, uma das amigas de Marly.
— Eu só tenho pensado nas coisas que tem acontecido com meus pais — disse. — Eles têm uma relação complexa.
— Eu entendo o que é isso — concordou Manu. — Famílias são complexas.
A aula começara e aquela frase não escapou das memórias de Marly.
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— Ainda pensando no Ahmed? — perguntou Lessa à amiga, Niça.
— Na verdade, na minha família, eles têm sido diferentes, eles sempre foram, mas agora parecem ainda mais — disse ela.
— Porque você não tenta uni-los? — sugeriu Lessa.
— Como? — perguntou Niça.
— Talvez contar histórias a ajude!
— Que tipo de história eu poderia contar? — perguntou Niça.
— Poderia ser uma bíblica por exemplo, algo que os ajude — diz Lessa.
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Naquele mesmo dia, Marly estava pegando um ônibus quando algo aconteceu. O ônibus onde ela e Niça, as irmãs de Francisca, estavam começou a andar. O ônibus andava e de repente começou a dar tremidas e caiu num beco. A maioria das pessoas ali morreram, mas algumas conseguiram escapar com vida. O pânico era total.
— Lessa, você está bem? — perguntou Niça e a amiga assentiu.
— Eu... eu não consigo me sentir! — disse Marly. — Minhas pernas e costelas.
— Vamos, temos que levar ela a um hospital — disse Francisca.
— Eu vou chamar meu pai — disse uma das amigas de Marly. — Ele é médico.
Capitulo 4 — O Acidente
Penachos e Minnie correram até o hospital preocupados com a filha. Será que Marly estava bem? Christian também estava ali, preocupado com a amiga.
— A culpa é sua, Penachos! — disse Minnie brava. — Se não fosse tão ocupado com tudo, esse não seria o estado dela.
— Você realmente está tentando me culpar, Minnie? — perguntou Penachos.
— Eu... — Ela tentou argumentar, mas parou.
O médico começou a chegar.
— Então, doutor? — perguntou Penachos.
— Ela precisa de cuidados, cuidados que ela só pode ter em um hospital.
— Eu não posso ficar, tenho trabalho — diz Penachos.
— E eu tenho uma casa e outras filhas para cuidar — disse Minnie.
— Eu fico — diz Christian.
— Mas você não tem escola, garoto? — perguntou Minnie a Christian.
— Tenho, mas me atualizo depois, o que importa é a Marly estar bem — diz para todos do hospital.
— Tudo bem — concordou Penachos. — Você fica cuidando da minha filha, mas, por favor, cuide bem dela. Ela está sob seus cuidados agora.
Christian assentiu.
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O clima na casa de Niça e Francisca estava insustentável. Penachos e Minnie sequer conversavam, pareciam um querer culpar o outro.
— Não foi culpa de nenhum de vocês — começou Francisca.
— Foi um acidente — disse Niça. — Acontece! Podemos tentar reconstruir nossa família — sugeriu.
— Como? — perguntou Francisca.
— Que tal contarmos histórias bíblicas que conhecemos ou até conhecer mais da história de vocês? — diz Niça.
— Qual mulher bíblica? — pergunta Minnie.
— Eu pensei na mulher samaritana — disse Niça.
— Eu tenho a história perfeita para essa — disse Minnie.
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ÉPOCA DE JESUS CRISTO
— Lana, acorda! — disse uma mulher. — Está na hora de você fazer os seus afazeres domésticos — disse.
— Mãe — disse a jovem —, você sabe que eu tenho aulas egípcias para ir hoje — disse a jovem.
— As aulas egípcias esperam — diz a mulher.
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— Mulher — disse um homem que parecia muito um homem do futuro —, você não vê que não te amo mais? Por que insiste nesse casamento?
— Nem eu sei — respondeu a mulher. — Vou tirar água do rio.
A mulher foi tirar água do rio.
— Mulher, pode dar-me de beber? — perguntou Jesus à moça.
— Quem és tu que ofereces de beber a uma mulher samaritana, os samaritanos não são bem vistos pelos judeus — respondeu a mulher.
— Se me pedisse eu lhe daria água de uma fonte inesgotável que saciaria toda a sua sede — respondeu o homem.
— És tu profeta ou algo semelhante ao messias que os judeus dizem que virá? — perguntou a mulher.
— Eu sou o próprio — respondeu o homem.
— Se o fosse, deveria saber que não tenho honra, eu não sou um exemplo de boa mulher e não tenho marido.
— Disseste bem, mulher, teve cinco maridos e este último não pode ser considerado um — disse o homem, deixando-a admirada.
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— Essa é a história da mulher samaritana, mãe? — perguntou Francisca.
— Sim — respondeu a mãe. — Uma das histórias mais interessantes da Bíblia.
— Parece realmente interessante — concordou Niça. — Eu não sabia que conhecia a Bíblia, mãe.
— Eu sei um pouco — disse a mãe.
— E a sua história com meu pai? — perguntou Francisca. — Como foi?
— Essa é uma história complicada — disse Penachos.
— Tem certeza que desejam saber? — perguntou Minnie.
— Sim! — responderam as duas filhas em uníssono.
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DÉCADA DE 80
“E Deus disse: Sede fecundos, multipliquem-se e encham a terra, que será dada aos humildes”
— Oh, criador dos céus e da terra, se podes ouve-me. Eu farei um jejum mas salve meu pai da morte — disse uma garota de cabelos negros.
A garota fez seu jejum, mas de nada adiantou, o pai morreu. A morte do pai foi como um dilúvio na vida da jovem garota. Ela viu que agora tinha a mãe, mas a mesma não fazia os gostos dela. Tinha dois amigos, mas eles pareciam distantes. A jovem Minnie viu sua irmã, Renah, orando e prestando culto a Deus, mas não entendia o Deus dela. Como poderia a irmã orar tanto para um Deus que causara a morte do pai delas? Foi então que recebeu uma ligação da melhor amiga, Luciana:
— Tudo bem por ai? — perguntou ela. — Soube da morte do seu pai. Eu sinto muito.
— Eu não fui uma boa filha, nem mesmo uma boa amiga — disse Minnie. — Mas eu estava tentando ser uma boa filha, só não sei como as coisas chegaram a esse ponto.
— Eu também não entendo — diz Luciana. — Também tenho passado com problemas com meu noivo.
— Joaquim, certo? — perguntou Minnie.
— Ele mesmo.
— Acho que se vocês querem mesmo dar certo, deveriam se dar uma chance de serem felizes juntos — disse Minnie.
— É que é meu primeiro namorado — disse Luciana.
— Por isso mesmo, esse namoro deve ser certo e bem entendido, uma boa relação de duas partes — disse para a amiga.
— E você, tem namorado? — perguntou Luciana.
— Não — respondeu Minnie. — Você sabe... meu pai morreu e meus melhores amigos... bem, eles me prometeram ser os melhores amigos do mundo e não foram.
— Eu entendo — disse Luciana. — Pelo menos temos uma a outra.
Capitulo 5 — A História de Luciana
“Este se chamará Seth, porquanto Deus nos deu presente”
GN
— Luciana — chamou Minnie. — Está tudo bem? — perguntou Minnie ao ver que a amiga não estava prestando atenção na aula.
— Está, eu só tenho pensado em Joaquim, estamos começando algo — disse ela.
— Sim, eu espero que vocês sejam felizes juntos — respondeu Minnie.
— E você e o Penachos, como estão? — perguntou Luciana.
— Você sabe, somos apenas amigos!
— Eu sei como amizade pode ser complicado! — diz Luciana.
— Ainda mais quando essa amizade é trocada por um namoro ou um amigo melhor — diz Minnie.
— Ele realmente fez isso? — perguntou Luciana.
— Sim — respondeu Minnie. — Desde que meu pai morreu ele sequer tem me procurado. Nem ele nem a Meca!
— A Meca também está te evitando? — perguntou Luciana. — Isso é estranho!
— Acho que eles encontraram pessoas melhores para serem amigos! — disse Minnie com um olhar triste.
— Mas são seus amigos, não deveriam abandona-la assim! — disse Luciana a Minnie.
— Talvez — respondeu Minnie sem muita certeza. — Mas eu espero que você e o Joaquim deem certo — disse Minnie.
— Obrigada, amiga.
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Penachos e Meca estavam namorando no prédio da escola. O casal estava feliz, aos beijos, e conversando com seu melhor amigo, Julies, que parecia feliz ao ver os amigos juntos e felizes e poder participar disto.
— Então, vamos fazer algo divertido juntos? — perguntou Penachos a Julies e Meca.
— Vamos! — concordaram os dois, que tiraram fotos e logo começaram a ficar mais amigos.
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— O que está fazendo sentada aqui sozinha? — perguntou Darius a Minnie. Ela estava no jardim da faculdade. — Não está fumando, está? — perguntou.
— Não — respondeu. — Não uso drogas!
— Ainda bem. — O jovem sorriu. — Me chamo Darius — disse.
— Minnie — respondeu ela.
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— O que é isso, Joaquim? — perguntou Luciana surpresa pelo namorado estar ajoelhado a ela.
— Um pedido de noivado! Aceita ser minha noiva? — perguntou com um buquê de flores.
— Claro! — respondeu Luciana sorrindo.
Joaquim a puxou para um beijo apaixonado.
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Minnie pegou um ônibus para voltar da escola, até que ela achou um. Sentou-se dentro do ônibus e logo chegou em casa. Viu que a mãe ainda estava esperando, mas logo, a viu. Minnie deu um boa noite para a mãe e foi para seu quarto. Ela pensou em como ela, Meca e Penachos eram amigos e o quanto essa amizade foi prejudicada.
Minnie começou a assistir um documentário de um ator que ela gostava de assistir. Em meio a isso, não podia deixar de sentir tristeza pela morte do pai. No dia seguinte, Minnie foi para a faculdade e ficou feliz ao ver a amiga Luciana feliz ao lado de Joaquim.
Capitulo 6 — O Passado Retorna
— Hoje celebramos o casamento entre Luciana e Joaquim! Os noivos que outrora foram namorados, agora se casam perante Deus e todos os mundos. É de consentimento dos noivos se casarem? — perguntou o padre e os dois assentiram.
Naquele dia, Luciana e Joaquim se casaram. Minnie viu o casamento parecendo feliz, mas não podia esquecer de como eles pareciam felizes, uma felicidade que ela não tinha com seus antigos amigos, Penachos e Meca, que pareciam felizes juntos e praticamente a esqueceram. Minnie sentiu-se só e com uma pitada de culpa por ter passado mais tempo com os antigos amigos do que com os pais.
— Por que, pai, por que teve de me deixar e me fazer ficar só aqui? — perguntou Minnie em seu quarto, entre lágrimas.
Em uma melodia de música, a mãe chorou, Minnie sentia as lágrimas quererem vir, mas sem deixa-las virem de fato, tentando se manter forte.
— Ela chorou, ela sorriu como nunca, sua mãe falou, que se assustou, não era o que ela sonhou — Minnie começou a cantar.
A mãe chorou,
E entendeu,
Não a julgou,
E a acolheu,
— Quer ser nossa amiga
Yeah, Yeah,
Ela sou eu, ela sou eu
— Quero que você se dê
Ela sou eu, vivendo o que sempre escondeu
— Pai, decidi, essa é a faculdade que eu quero!
Ela chorou, por muitas noites, ela chorou, sozinha, ela tentou, ela gritou, ela contou,
— Peitinho! — Alguns garotos fazendo a brincadeira com ela.
A mãe chorou, entendeu, não a julgou, a acolheu
— Foi horrível lá mãe, eu só pensava em voltar para casa!
Ela sou eu, vivendo o que, sempre escondeu, ela sou eu
Assovios.
Yeah, yeah, ela sou eu, ela sou eu, vivendo o que sempre escondeu, ela sou eu,
— Você não pode estar certa, meu pai não pode ter morrido! — rugiu.
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Quando o segundo sol chegar, para realinhar as orbitars dos planetas,
Quando o segundo sol chegar, para realinhar as orbitas dos planetas,
— Estamos preparados para isso? — perguntou Luciana para Joaquim.
— Por mim sim — respondeu Joaquim.
Lembrando como a sombras exemplar, o que diria se tratar de outro planeta
Luciana e Joaquim começaram a se beijar, seus lábios rolando uns nos outros.
Explicação, não tem explicação, explicação, não tem, explicação
Assim uniu-se Joaquim a Luciana e eles tiveram relações.
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Ainda, que a figueira não floreça,
— Acho que chegou a hora terminarmos — disse Meca para Penachos.
Ainda que a figueira não floresta e não aja fruto na vide, todavia me alegrarei,
— Nós largamos uma amiga incrível por causa desse namoro.
Mas a alegria vem para a manhã, eu creio
— É, parece que não está dando certo — concordou Penachos.
Todavia me alegrarei, todavia me alegrarei,
— Simon, Simon Rapha
— E eu sou a Meca.
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— Por que não podemos retomar nossa amizade como era? — perguntou Penachos a Minnie.
— Acho que muita coisa mudou — respondeu Minnie.
É vida, vida, que amor brincadeira, eles se amaram de qualquer maneira,
— Mas nossa amizade pode continuar! — interpôs.
Qualquer maneira de amor vale amar, eles amaram de qualquer maneira, qualquer maneira de cor vale a pena,
— Está pronta para a nossa lua de mel? — perguntou Penachos.
É vida, vida que amor brincadeira, qualquer maneira de amor, vale amar, qualquer maneira de amor, vale amar, qualquer de amor, valerá
— É uma menina! — disse o médico e Minnie olhou a criança friamente, enquanto Penachos a olhou com ternura.
Qualquer maneira de amor, vale aquela,
— ... Mais uma menina!
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O TEMPO SE PASSA...
— Qual vai ser o nome dela, Luciana? — perguntou Joaquim à esposa.
— Será Lessa! Pois Deus nos deu uma menina!
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— Não fique muito perto dela — disse Minnie para a pequena Francisca. — Ela ainda é pequena!
— Tudo bem, mãe — disse Francisca para a mãe.
De repente algo se ouviu. Mas ninguém soube ao certo o que aconteceu, mas algo aconteceu para que Niça herdasse o lado tímido da mãe.
— ... Francisca! — gritou a mãe.
Capitulo 6 — As Irmãs
2019
— Você aqui? — perguntou uma mulher.
— Eu apenas vim conversar — disse a outra mulher.
— Sobre o quê? — perguntou.
— Sobre a nossa amizade — disse Minnie. — Você nunca me deixou explicar meu lado dos fatos.
— E qual é o seu lado? Desisti de tentar entender — disse Meca.
— A verdade é que quando vocês começaram a namorar eu me senti traída. Eram meus melhores amigos, e você ter rejeitado essa amizade, assim como Penachos para andar com alguém melhor que eu, bem, me deixou... Esquisita! Eu fiz de tudo por vocês.
— Eu sei — respondeu Meca. — Mas você ficou com o que era meu.
— Estou disposta a resolver nossos problemas, se você estiver — disse Minnie.
— E qual seria? — perguntou Meca.
— Vou me separar de Penachos, vou deixar ele livre para você — disse Minnie.
— E quem disse que eu quero isto? — perguntou Meca.
— É o certo — disse Minnie.
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— E você? — perguntou Ahmed a Niça. — Como está em relação a sua irmã?
— Ah — Niça respondeu sem jeito. — Eu estou bem! Realmente espero que Marly melhore, mas ao menos ela tem o Christian!
— Sim — respondeu Ahmed. — Meu irmão tem um bom jeito com garotas! — respondeu. — E eu queria saber mais sobre você, se não for incômodo.
— Como o que, por exemplo? — perguntou Niça.
— Você está solteira? — perguntou.
— Ham, eu.. Estou! — respondeu Niça.
— Isso significa que eu tenho chance? — perguntou Ahmed.
— Talvez sim — respondeu Niça com um sorriso.
Os dias começaram a se passar. Niça e Ahmed começaram a se aproximar, assim como Marly e Christian.
O divórcio entre Penachos e Minnie deu certo, e agora Penachos estava tentando iniciar algo com Meca novamente.
— ... Quem sabe podemos retomar de onde começamos? — disse Penachos.
— Possivelmente possamos — diz Meca.
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— Olá — disse um jovem de aproximadamente 18 anos.
— Você é o ator que minhas filhas gostam! — disse Minnie surpresa ao reconhecer o ator Vitor Figueiredo.
— Elas gostam de mim? — ele perguntou com um sorriso divertido.
— Elas costumam gostar — respondeu.
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Até aqui você conheceu a minha história como ela era... Mas agora a conhecerá como realmente se sucedeu... Se preparem para os próximos capítulos.
Capitulo 7 — Capitulo Especial
Nota: A partir do próximo capitulo, as coisas já voltam a como estava na história, esse foi um capitulo especial.
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Tudo começou naquela noite.
A história tem seu verdadeiro início numa noite de 1988. O garoto ainda podia ouvir risadas. Eles olhavam para o bumbum do jovem de forma provocativa, assoviavam enquanto ele passava e alguns até faziam uma brincadeira e foi exatamente naquela noite que tudo começou...
1988
Minnie se olhou no espelho mais uma vez. Estava começando a se sentir bonita. Ela nunca se achara realmente bonita, mas naquele momento, naquele exato momento, começara a sentir que estava bem consigo mesma e tudo a sua volta. Havia acabado de fazer algumas amizades como Penachos, com quem compartilhava momentos na escola. Penachos era moreno, tinha uma veste verde e cabelos negros. Era alto e bonito.
Meca era a nova aluna na escola, mas rapidamente Minnie a apresentou a Penachos e os três se tornaram melhores amigos. Penachos era o divertido, o mais carismático e o mais alegre e o mais extrovertido. Já Meca tinha um olhar sereno, que estava sempre buscando amizades novas. Meca era uma garota linda, uma garota que estava sempre ali. Juntos os três formavam um trio de amigos. Penachos sempre conseguia fazer as amigas rirem. Estavam sempre juntos. Onde estava Penachos, estava Meca e Minnie. Os três eram inseparáveis.
Gostavam de falar sobre história, filosofia, artes, até mesmo o gosto pela magia tinham em comum. Minnie era uma potterhead maníaca, adorava os livros de Harry Potter e até mesmo fez o teste do Pottermore e deu que a casa a que pertencia era Grifinória ou Corvinal.
Mas infelizmente toda amizade acaba um dia, certo dia, quando estavam fazendo compras no shopping ou na cantina, Penachos que estava sempre ao lado de Minnie e Meca, conversando sobre tudo com elas, agora estava começando a agir estranho. Minnie sentia como se Penachos estivesse se afastando dela e quando Meca e Penachos deram o primeiro beijo, Minnie se sentira desprezada. Mas ela colocou um sorriso nos lábios e aceitou o namoro dos amigos. Eles pareciam felizes juntos. E ela não queria ser mais uma a atrapalhar o relacionamento deles.
— Eu e a Meca vamos ali — disse Penachos certa vez.
— Tudo bem — respondeu Minnie naquele momento se sentindo desprezada.
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Já fazia um tempo que Meca e Penachos estavam namorando, os dois se sentiam bem um ao lado do outro, Minnie se sentia ferida, mas ela tinha que entender isso. Os amigos estavam felizes. Mas por que sentia um nó no estômago sempre que eles se afastavam dela? De início, começou de forma sútil, com um “ vamos por ali, que é mais perto”, até o momento da cantina mudou. Ainda assim, Minnie tentava entender que os amigos precisavam de espaço. Eles precisavam ser os namorados que um e outro precisavam. Mas por que o afastamento dos amigos mexia com ela? Eles diziam que sempre estariam juntos. Mas eles mentiram. Meca e Penachos estavam noivos e sequer convidaram Minnie para o casamento, mas agora, um bom tempo depois, estavam tendo problemas. Em um dia qualquer, Penachos apareceu na escola, nervoso, sentindo necessidade de falar com Minnie.
— Minnie, eu não sei se você vai querer ouvir, mas perdão por ter te abandonado — disse Penachos realmente arrependido. — Eu achei que a Meca era para mim, mas não era. No fim, eu e ela nunca daríamos certo. Éramos muito diferentes.
— Eu entendo — disse Minnie. — Mas o que isso tem a ver comigo?
— Eu acho que poderíamos construir algo juntos — disse Penachos a Minnie, aguardando uma resposta.
— Eu não quero trair a Meca, nós somos amigas — disse Minnie.
— Eu sei, mas eu preciso recomeçar e me sinto atraído por você — disse Penachos tentando novamente. — Eu preciso de você.
— Eu não sei, Penachos, eu não posso trair a Meca assim — disse ela.
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— Você está grávida? — perguntou Penachos. — Pensei que fosse uma noite e você tivesse se preservado.
— Eu não sei como aconteceu, achei que estávamos juntos — disse Minnie.
— Eu vou ser pai — disse Penachos.
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E assim nasceu a primeira filha do casal, Francisca. Depois de algum tempo nasceu Niça, seguida por Marly.
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ANOS 90
— Elga, tem certeza? — perguntou Tommy em uma fazenda a esposa.
— Sim, estou grávida, nosso casamento rendeu filhos.
— Mas não podemos, vivemos numa fazenda.
— Vamos ter que aprender a nos sustentar.
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E é aqui que a nossa história se inicia, com Breia e seus irmãos e as três filhas de Penachos e Minnie, e também com Meca e seu filho Thiago. E a nobre Luciana...

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