
Inevitável
Escrito por Betiza | Editado por Lelen
Primeiro Capítulo – Fly to my room
Tamborilava os dedos impaciente sobre a bancada, o movimento estava fraco e ela não sabia se agradecia ou se praguejava. Olhou o relógio, ainda faltavam duas horas para terminar seu turno, e tudo que ela pensava era em como gostaria de estar em seu quarto, deitada em sua pequena cama com as cobertas até o pescoço e chorando.
Um cliente se dirigiu até o balcão e pediu uma bebida qualquer e ela prontamente começou a preparar a mesma. Enquanto preparava ela pensou na época da faculdade, onde as coisas eram extremamente mais fáceis, os pais a ajudavam com tudo que era necessário enquanto ela fazia planos para a carreira de professora que ela levaria ao fim do curso.
era formada em pedagogia e queria ser professora de criancinhas, essas do pré–escolar e jardim, porque ela definitivamente amava crianças e esse era o seu sonho desde que ela era uma. Passou um ano estudando dia e noite sem parar para o vestibular e conseguiu entrar para a federal. Os pais ficaram orgulhosos e disseram que a filha somente ia estudar, se dedicar e eles pagariam todas as suas despesas até ela se formar. Ela queria pelo menos um pouco de independência, então resolveu que moraria sozinha, foi aí então que ela encontrou um apartamento próximo a faculdade onde dividiria o aluguel com a moça que já morava lá.
… pensou na amiga e sorriu. Terminou de fazer o drink do cliente e entregou para o mesmo e limpou as mãos no avental preto.
Ela e se deram bem logo de cara! Mesmo sendo um pouco diferentes, tanto na idade quanto na personalidade, elas conseguiram criar um vínculo forte. Moravam no mesmo apartamento até hoje.
Porém, muita coisa havia mudado.
por ser dois anos mais velha se formou primeiro em Arquitetura, depois de um ano de muita procura, ela conseguiu um emprego em uma construtora e estava mega feliz. , claro, ficou radiante pela amiga, e estava ansiosa para sua formatura e para logo começar a trabalhar.
Mas diferente de , a amiga estava há dois anos procurando uma oportunidade que nunca chegava. Os pais estavam extremamente desapontados com a menina e quase não a ajudavam mais, por isso ela acabou aceitando trabalhar no bar/restaurante do filho de um amigo dos pais, afinal de contas precisava de dinheiro.
E aí os problemas de autoestima começaram a perturbar sua mente: sentia–se uma fracassada, não achava mais graça nas coisas, se olhava no espelho e não gostava nada do que via, estava farta de levar a vida daquele jeito. Vislumbrou mais uma vez o local que trabalhava e sentiu os olhos se encherem de lágrimas.
***
estava com o notebook aberto tentando finalizar um projeto que teria que entregar no dia seguinte, enquanto tomava um vinho tinto. Havia tomado banho, estava mais calma da correria do dia–a–dia. estava dando o seu máximo no trabalho, pois pretendia crescer dentro do escritório e até quem sabe juntar um dinheiro e abrir seu próprio escritório.
Os pais de moravam em outra cidade, numa cidade pequena. Eles eram agricultores e tinham uma vida confortável lá. sentia falta deles todos os dias. Mas era muito difícil conseguir tempo e dinheiro para visitar os pais, então eles se falavam quando dava. Sentia falta do ex namorado também, que havia deixado lá para vir para a cidade grande estudar. Nunca mais teve notícias dele… Como será que ele estaria hoje? Será que ainda usava o mesmo perfume? Será que tinha alguém? Claro que tinha! Anos haviam se passado, ele não esperaria por ela esse tempo todo. Balançou a cabeça para afastar os pensamentos e voltou a se concentrar no projeto.
Nunca mais havia se envolvido com alguém de forma séria ou oficial, não conseguia se apaixonar por ninguém, além de estar sempre muito focada em seus estudos e em sua carreira. Mas às vezes sentia falta de ter alguém para encostar a cabeça, um pé para esquentar os seus.
***
Segurava a mão do mouse com tanta força que poderia até se machucar. A lista com os roteiros já estava pronta. Faltava fazer todas as contas e ver qual lugar compensava mais.
O quarto estava uma bagunça, havia roupa e embalagens de comida espalhados pelo quarto, ela não abria a porta do mesmo para ninguém desde o ocorrido. Faziam cinco dias só, e ela sentia o peito arder 24 horas por dia e sete dias da semana. Ela não sabia o que fazer da vida, parecia que nada mais tinha sentido, além da tristeza ela sentia um vazio, um enorme buraco no peito. Queria sumir no mundo, mudar de casa, de nome, de país, de vida. A perda repentina e prematura do irmão dilacerou seu peito.
Nada nunca mais seria igual.
A mãe e o pai também estavam sofrendo, e em dobro: pela perda do filho e pelo medo de perder a outra filha. Eles tentavam de tudo, mas o esforço estava sendo em vão.
Saiu do quarto vagarosamente, sentindo seu peito doer a cada passo que dava. Viu a mãe e o pai sentados em suas poltronas “vendo” TV. respirou fundo.
– Preciso falar com vocês!
Os pais olharam assustados para a filha e o pai se levantou da poltrona e abraçou a filha. Ela fez o mesmo, retribuindo o abraço.
– Graças a Deus você saiu daquele quarto, ! – a mãe murmurou.
voltou a respirar fundo e então se sentou no sofá, olhando os pais. Os amava muito, mas precisava fazer aquilo.
– Eu vou passar uns dias fora!
Os pais se entreolharam e voltaram a fitar a filha.
– Como assim, filha?
Respirou fundo novamente tentando não chorar desesperadamente na frente dos pais, pois não queria que eles se preocupassem e sofressem ainda mais.
– Eu não consigo ficar nessa casa! Tudo aqui me lembra o Mário! Eu não vou suportar tudo isso se continuar aqui! Eu preciso de um ar, preciso de um tempo, preciso sair daqui, ficar longe um pouco, por favor!
Os pais voltaram a se entreolhar, a mãe de acabou deixando algumas lágrimas rolarem por seu rosto, mas entendia a filha.
– Filha... – ela disse limpando as lágrimas – Se isso vai te fazer ficar melhor, então vá!
O pai assentiu, com o semblante triste.
– Fique o tempo que achar necessário.
– Só mande notícias.
assentiu negativamente com a cabeça.
– Vou deixar meu celular aqui, eu quero realmente ficar sozinha, sem contato com absolutamente ninguém, além do pessoal do trabalho!
Os pais de voltaram a se entreolhar.
– Mas , como vamos ficar sem ter notícias suas, minha filha?
– E se acontecer alguma coisa com você, pelo amor de Deus, !
deixou algumas lágrimas descerem por seu rosto.
– Se acontecer alguma coisa, vocês vão ficar sabendo. A minha decisão está tomada!
***
Acordou e sentou–se na cama, espreguiçou–se. Olhou a parede amarela do quarto, pegou o celular na escrivaninha ao lado da cama, e olhou as horas: eram treze e quinze da tarde, ela precisava almoçar e se arrumar para mais um plantão. Estava exausta, o plantão da noite passada havia sido agitado, precisava urgentemente de férias ou no mínimo uma folga.
Desceu as escadas ainda sonolenta e a sala estava silenciosa. Chamou então pelo irmão.
– Tae? – nenhuma resposta.
Andou até a cozinha e lá estava o irmão. Chamou de novo.
– Tae? – ela bufou.
O irmão estava de costas para ela e de frente para o balcão da pia, ele amava cozinhar e sempre viajava em um mundo só dele quando o fazia. encostou uma das mãos nas costas de Tae, acariciando levemente, e o mesmo tomou um susto ao ver a irmã.
– Ai que susto, ! – ele colocou a mão livre sobre o peito.
– Desculpa! – ela riu – Fiquei preocupada!
– Que horas você começa hoje?
bufou amarrando o cabelo com uma xuxinha que estava sobre a mesa da cozinha.
– As quatro da tarde!
– Quer comer alguma coisa enquanto o almoço não fica pronto? Mas olha, tá quase saindo.
– E o que você fez hoje?
– Ah, um estrogonofe.
lambeu os lábios.
– Eu amo seu estrogonofe! Na verdade, amo tudo o que você faz.
Desde que haviam perdido os pais, e Taehyung decidiram morar juntos, um apoiava e sustentava o outro nos momentos difíceis, e eram muito unidos. sempre agradecia ao Universo por ter um irmão como Tae.
– Quando vai ter um tempinho para gente curtir? Já sabe?
balançou a cabeça, respondendo com um “não”. Ouviu o celular tocar em cima do sofá e correu até lá para atender, afinal de contas poderia ser alguém do hospital solicitando que ela fosse mais cedo, ou mais tarde.
Atendeu rapidamente sem nem olhar o número.
– Alô? – silêncio do outro lado da linha – Alô?
E nada. Era a quarta vez que aquilo acontecia só nessa semana.
Taehyung olhou para a irmã, assustada.
– Quem é?
– De novo aquela pessoa que liga e não fala nada, só fica respirando.
Tae cruzou os braços, preocupado.
– Vamos fazer um B.O.
– Não. Não deve ser nada, deve ser engano! – ela deu de ombros.
Largou o celular no sofá e olhou o mesmo. Não deixaria Taehyung saber, mas ela estava com medo sim.
***
Cruzou as pernas impaciente com o moço ao lado com as pernas abertas roçando as suas de propósito. Voltar para casa era sempre esse sufoco, ou ela ia em pé e espremida, ou se sentava ao lado de alguém que a importunava. A cabeça dela doía, parecia que ia estourar a qualquer momento.
– Será que dá para você fechar essas pernas? Não é possível que suas bolas sejam tão grandes assim pra você poder fechar elas um pouco! – ela esbravejou chamando a atenção de todos dentro do metrô.
– Calma aí, bonitinha! Você está muito nervosa! – debochou.
bufou alto e se levantou bruscamente. Preferia ir em pé do que passar por aquele abuso.
Mordeu o lábio torcendo para chegar em casa logo, os saltos estavam a matando e a cabeça também, sem contar o calor devido a camisa social.
Enquanto olhava a cidade passar rápido por sua vista, ela pensou em como a vida era frágil, havia perdido um amigo recentemente, muito novo… Pensou na mãe. Havia três anos que não se viam ou se falavam. nem se lembrava mais do porquê daquela briga ridícula que a fez sair de casa, sem um tostão furado.
Será que a mãe pensava nela? Será que ela sentia falta da filha?
Os olhos da pequena marejaram e ela sentiu um aperto no peito. E só queria chegar logo em sua casa.
***
Detestava dirigir, só havia tirado a carta devido à pressão da família, que achava que saber dirigir era uma necessidade quase que básica. Pelo menos os pais adotivos lhe deram o carro. O trânsito a estressava muito, e ela sentia enjoo todas as vezes que pegava no volante de um carro. Mas pelo menos ela não dependia de nada e nem de ninguém para ir e vir. Até porque ela não tinha mais com quem contar.
Jogou a bolsa no banco do passageiro enquanto encostava a cabeça no banco, estava cansada. O trabalho a estava sugando esses últimos dias. sentia falta de poder ir à praia ao sair do serviço para ver o pôr do sol, mas fazia semanas que ela saía do trabalho após as oito da noite. Só pensava em ir para casa quando saia.
Ao chegar em casa a rotina era sempre a mesma, jogar a bolsa no sofá, afagar e matar as saudades dos animais de estimação, verificar se eles haviam comido, colocar mais comida e água, limpar a bagunça que eles faziam no quintal, tomar um banho quente, preparar algo para comer ou pedir, sentar no sofá junto dos bichinhos, ver TV, mexer nas redes sociais e dormir.
Os pais adotivos morreram há alguns meses, e ela havia ficado sozinha na casa, e no mundo. Não conhecia seus pais biológicos e tinha poucas informações sobre eles. Depois da morte dos pais adotivos, sentiu a solidão lhe atingir em cheio, a não ser pelos poucos amigos que tinha – três – e dos bichos de estimação, não tinha mais ninguém. Prestes a completar vinte e sete anos, ela vinha pensando muito nisso: na solidão que sentia.
Segundo Capítulo – Blood, Sweet and Tears
Abriu os olhos com dificuldade, a claridade já adentrava o pequeno apartamento. Colocou as mãos sobre o rosto e esfregou as mesmas pelos cabelos negros. Se sentou na beirada da cama, ainda com os olhos semicerrados, pegou o celular na mesa de cabeceira, olhou as horas no relógio. Hoje ele tinha o dia livre, não estava com cabeça para atender ninguém, então pediu à sua secretária que remarcasse todos os pacientes para dali a dois dias.
Eram quase dez da manhã e Suga olhou o lado direito da cama, intacto, com o travesseiro no mesmo lugar e o lençol não muito amassado. Lembrou–se do cheiro do cabelo dela, da maciez de sua pele, da risada gostosa dela, respirou fundo antes de levantar.
Suga se olhou no espelho por alguns segundos antes de começar a escovar os dentes. A rotina da casa havia mudado há uma semana. Uma semana que Charlotte havia deixado o apartamento, uma semana que ele não a via, uma semana que ela não atendia suas ligações ou respondia suas mensagens. Eles haviam brigado outra vez, pelo mesmo motivo de sempre: a frieza de Suga.
Suga saiu de casa ainda aos dezesseis anos, seu pai vivia bêbado 24/7, enquanto a mãe trabalhava dia e noite para conseguir suprir as despesas da casa, e apanhava muito. Aquilo feria Suga de todas as formas possíveis, e ele se sentia impotente. Até que fez dezesseis anos, teve uma briga horrenda com o pai para defender a mãe, e foi expulso do lar. Morou com alguns amigos, até arranjar um emprego temporário e alugar um pequeno quarto.
Ele terminou o ensino médio com muitas dificuldades, depois conseguiu entrar na universidade, e escolheu o curso de fisioterapia. Não tinha uma razão especial, ele só leu que na época os profissionais dessa área estavam em falta e a procura havia aumentado. Queria ganhar dinheiro, queria poder tirar a mãe daquela vida. Pensava nela todos os dias.
Yoongi cresceu num lar desestruturado, onde só presenciou violências e abusos. E depois passou todo o final da adolescência sem ninguém, além de alguns poucos amigos. Toda personalidade dele, havia sido moldada na solidão, ele tinha dificuldade em demonstrar seus sentimentos e simplesmente não sabia como o fazer. Não tinha coragem de fazer terapia ou tratamento, pois detestava ser vulnerável na frente das pessoas, e achava que ninguém tinha nada a ver com seus problemas.
Suga gostava da namorada, era a primeira garota que havia despertado seus sentimentos. E ele a tratava bem, do jeito dele, mas tratava. A namorada sabia que Yoongi havia tido um passado conturbado com a família, mas ele nunca se abria, nunca contava tudo. Aquilo estava cansando Charlotte, até que ela explodiu e decidiu voltar para a casa dos pais.
E Suga estava tentando trazer a namorada de volta, mas até o momento sem sucesso. Abriu o guarda roupas, e pegou a única foto que tinha com a mãe. Ele pensou mais uma vez que gostaria de poder ter feito mais por ela em vida. Agora só restavam os pensamentos e um tracinho de saudade do sorriso tímido da mãe.
***
Vislumbrou a irmã vestida de branco com o jaleco nos braços. pegou a bolsa que estava sobre o sofá e olhou para o irmão. Taehyung, ou V, como os amigos o chamavam, andava preocupado com a irmã. Ela só trabalhava desde que havia se formado, dia e noite. Não tinha tempo para nada, mal comia e estava perdendo peso.
era tudo o que V tinha, ela era a família dele e ele a família dela. Perderam os pais ainda novos, e tiveram que aprender a se virar sozinhos jovens demais. Os dois não tiveram uma juventude normal, eles tiveram que virar adultos muito cedo. E V, se sentia responsável pela irmã, se algo acontecesse com ela, certamente ele se culparia o resto da vida, e não aguentaria.
– Vê se consegue uma folga para esse final de semana. Faz dias que a gente só se vê uma vez. – disse o irmão enquanto lavava as louças.
A irmã se aproximou dele e depositou um beijo delicado na bochecha dele.
– Vou fazer o possível, Tae! – ela piscou – Volto hoje lá pelas duas da manhã.
Ela pegou as chaves do carro e o irmão assentiu com a cabeça, um tanto quanto desgostoso.
Depois que acabou de arrumar a cozinha, ele foi para o escritório. Trabalhava em casa, só ia na empresa quando muito necessário. V é Analista de Sistemas numa empresa que está se expandindo no mercado de tecnologia. Mas na verdade, o que ele queria mesmo era ser chefe de cozinha e ter seu próprio restaurante. Deveria ter escutado : “faça o que seu coração quer, Tae!” Mas ele preferiu fazer algo que os pais se orgulhassem na época, por isso acabou entrando no curso de Analista de Sistemas, mas um ano depois eles acabaram falecendo num acidente de carro.
Como Taehyung queria que tudo tivesse sido diferente, queria que os pais estivessem vivos, queria ter tido uma vida normal, como todos da sua idade. Queria ter ido a festas, queria ter conhecido muitas pessoas, queria ter viajado. Mas ao contrário disso, ele precisou trabalhar para conseguir manter ele e sua irmã. E com isso, ele virou adulto cedo demais.
***
Vislumbrou o quadro à sua frente. Aquele seria o último e pronto, a exposição poderia ter a data marcada. Continuou olhando o quadro, e pensou em voz alta.
– Quem é você? – ele soltou um suspiro – Por que você aparece todas as noites para mim?
Balançou a cabeça algumas vezes sacudindo os cabelos, pensou que pintando a garota que estava vendo em seus sonhos nos últimos dias pudesse tirá-la de sua cabeça, então ele decidiu finalizar sua exposição com um quadro dela.
Engoliu em seco e viu sua assistente e empresária caminhar até ele.
– Jin? – ela chamou enquanto sorria – E aí? Como estamos com esse último quadro?
– Finalizamos. – ele apontou para o mesmo – Já pode marcar a data da exposição!
Seokjin limpou as mãos com uma toalha, enquanto caminhava para dar uma última verificada nos quadros. A empresária ficou olhando o quadro e pensou que pudesse ser alguma namorada secreta.
– Tá de namoradinha nova? – Serena perguntou divertida. indo atrás de Jin – ele virou–se bruscamente, assustado com a pergunta. De repente a boca secou.
– Claro que não, Serena! É só um quadro! É só um rosto!
Serena balançou a cabeça desconfiada.
– Eu não gostei desse tom de “namoradinha nova”, ficou parecendo que sou galinha, um cara boêmio! – ele lambeu os lábios ainda secos.
Serena riu.
– Bom, de fato, galinha você não é, me desculpe! Não foi isso que eu quis dizer, querido! Agora boêmio… – ela pausou.
– Eu não sou boêmio! – ele reclamou fazendo um bico e cruzando os braços como uma criança mimada – Eu aproveito a minha vida, só isso!
Serena concordou e levantou os braços, dando-se por vencida.
Seokjin era formado em Artes, pintava desde criança, como um hobby, mas se apaixonou pelo hobby e decidiu que era aquilo que queria fazer pro resto da vida.
Quando estava na faculdade conheceu o mundo da fotografia, e quando se graduou em Artes, ele fez um curso bem extenso de Fotografia. Se especializou mais um pouco na pintura, trabalhou bastante como fotógrafo e juntou dinheiro.
Queria abrir seu próprio ateliê/estúdio.
E com a ajuda da avó, conseguiu. Os pais não quiseram saber de Jin quando souberam o curso que ele escolhera, o pai queria que ele o substituísse nos negócios da família, a mãe concordava com o marido. Durante os anos da faculdade as brigas dentro de casa eram constantes, mas Jin nunca se deixou abalar. Ele se manteve alegre e otimista como sempre fora. Hoje Jin falava o básico com os pais, estava começando a ser um artista reconhecido, estava sempre fazendo exposições de suas artes, e estava ganhando bem. Ele até chamava os pais para as exposições, mas eles nunca apareciam. Não davam parabéns pro filho, ou um boa sorte. Mas Jin não lutava mais contra aquilo, ele não brigava mais com os pais. E estava focado agora em sua carreira e em descobrir se a garota do quadro existia.
***
Cruzou os braços atrás da cabeça, se espreguiçando na cadeira. Os olhos já estavam começando a arder depois de tanto tempo olhando para a tela do computador. Mas estava decidido a não sair do jornal enquanto não acabasse aquele roteiro.
O celular vibrou na mesinha, e ele sorriu. Leu a mensagem e bateu a mão na testa.
– Meu Deus, eu me esqueci completamente do encontro! Ainda bem que ela também não vai poder! – suspirou aliviado.
A garota havia dito que não poderia comparecer ao encontro por um motivo pessoal, o qual JK não se atreveu a perguntar. Esse era o quinto encontro que eles não conseguiam ir. Era incrível como sempre que eles marcavam acontecia alguma coisa em que um dos dois não comparecia ou não poderia comparecer, cancelando o encontro. Mas Jungkook não desistiria!
Ele andava trabalhando muito, sempre fazendo horas extras e às vezes até trabalhando aos finais de semana. JK era novo, estava recém formado e havia conseguido o emprego dos sonhos, em menos de um ano de formado. Então ele estava se dedicando o máximo possível, para permanecer no cargo e trabalhar com o que gostava. Jungkook sabia que tinha tirado a sorte grande e estava na hora de amadurecer, de ser adulto, afinal de contas ele já tinha vinte e quatro anos. Precisava deixar as brincadeirinhas de lado, precisava parar de procrastinar e de achar que ainda era universitário, agora a vida não é só festa e bebida. Os pais estavam cansados das farras de JK, e de ter que pagar por elas, portanto o pai havia lhe dado um apartamento e dito à ele que teria que se virar para viver. Jungkook ficou desesperado e mal acreditou quando arrumou aquele emprego. Agora era sério, ele precisava levar uma vida de adulto.
***
Ao chegar em casa cumprimentou a mãe com um beijo no rosto e olhou o padrasto largado no sofá com uma cerveja na mão, enquanto a mãe lavava algumas vasilhas. O sangue de Jimin ferveu por dentro das veias. Odiava aquela cena que se repetia todas as noites desde que Jimin se entendía por gente.
– Venha jantar, querido! – a mãe tocou o rosto do filho.
– Eu estou sem fome agora, mas eu janto mais tarde!
– Você é um ingrato mesmo não é, Park Jimin? Sua mãe fez o jantar com todo o carinho para você! Deixe de frescura e coma a comida!
A mãe de Jimin engoliu seco e segurou a mão do filho que direcionou o olhar raivoso na direção do padrasto que permanecia imóvel no sofá. O maxilar de Jimin travou.
– Você não me ouviu dizer que só não vou jantar agora? Mas que mais tarde eu virei? Mãe, eu mesmo esquento a comida e lavo todas as louças, não se preocupe! Eu só preciso de um banho e um descanso, estou sobrecarregado no trabalho.
A mãe assentiu com a cabeça, enquanto o padrasto de Jimin se levantava.
– Vê lá como fala comigo, moleque! Às vezes acho que você se esquece que fui eu quem salvou você e sua mãe daquela favela que vocês moravam! Eu dei tudo para vocês, o mínimo que você deve é respeito, seu moleque!
Jimin fechou os olhos, engoliu em seco o ódio que sentia e cerrou os punhos.
– Eu vou tomar um banho e já desço para comer! – ele sussurrou para mãe.
Bateu a porta do quarto com força e ainda conseguiu ouvir o padrasto resmungar algo. De fato, o padrasto havia dado uma certa dignidade a sua mãe, porém eles pagavam um preço muito caro por isso. Jimin odiava o padrasto e todas humilhações que já havia passado nas mãos do mesmo. Com seu próprio esforço ele passou em um uma prova e ganhou uma bolsa de estudos em uma boa faculdade, se formou em publicidade e estava agora trabalhando na área, seu único objetivo no momento era juntar a maior quantidade de dinheiro que conseguisse para que ele e sua mãe sumissem dali.
***
Questionou ao chefe se seria necessário que ele ficasse por mais algum tempo e o chefe disse que ele estava liberado, e agradeceu à Hoseok pela disponibilidade. O garoto disse que não precisava agradecer e que se necessário, era só avisar.
Fechou a porta da sala do chefe e caminhou até o estacionamento onde estava sua moto. Abriu o guarda volumes e pegou sua bolsa, tirou o jaleco, dobrou cuidadosamente e o guardou dentro da mesma, colocando-a de volta no guarda-volumes. Chovia delicadamente, mas Hoseok não se importou, decidiu que tomaria um pouco de chuva, não era de açúcar, e sentiu que talvez a chuva o fizesse se sentir um pouco mais vivo.
Ao chegar em casa, cumprimentou o pai que estava vendo TV.
– Veio mais cedo hoje, meu filho? – Hoseok assentiu com a cabeça.
– Ainda bem! Hoje eu estou um pouco cansado.
O pai olhou para o filho, e ele realmente parecia estar cansado. O rosto estava pálido, ele havia emagrecido muito. As mãos até tremiam. O pai balançou a cabeça e antes de Hoseok subir as escadas o pai o chamou.
– Por que você não sai com seus amigos no final de semana? – o pai sugeriu.
Hoseok soltou um riso nasalado.
– Quais amigos? – ele deu de ombros – Se esqueceu que não tenho?
O pai percebeu que magoara o filho sem querer.
– E no trabalho?
– Eu tenho colegas no trabalho, pai, não amigos! E eles são todos mais velhos e casados. Posso subir? Quero um banho!
– Claro, meu filho! – o pai assentiu com a cabeça.
Jogou a bolsa em cima da cama, sentou-se na mesma e tirou os sapatos e as meias. Ele realmente estava cansado. Pensou que talvez tivesse sido muito grosso com o pai. Eram só os dois e Hoseok fazia de tudo pelo pai. A mãe o abandonou muito pequeno e ele não tem nenhuma lembrança dela.
Hoseok nunca teve muitos amigos na escola, os garotos e as garotas zombavam dele, especialmente pelo fato de a mãe o ter abandonado. Isso fez com que ele crescesse tímido, inseguro e extremamente fechado. Ele tinha medo de deixar alguém se aproximar e ser só uma brincadeira de mal gosto, tinha medo que pudessem voltar a feri-lo como fizeram durante sua infância e adolescência.
Ele teve um amigo na faculdade, Park Jimin era o nome dele. Mas já fazia anos que não se viam, e Hoseok não sabia mais nada dele. Quando Hoseok era criança, seu pai costuma chamá-lo de J–Hope, porque o filho era a única esperança que ele tinha. Mas ninguém sabia disso, ele gostava do apelido, mas tinha medo que o pai o chamasse assim na frente dos colegas de escola e a zoação aumentasse.
Ele balançou a cabeça afastando os pensamentos daquela época que vez ou outra ainda o assombravam. E entrou no banheiro terminando de se despir lá mesmo. A água quente tocou seu corpo e ele finalmente relaxou o corpo.
***
– Dona Yuna? – a enfermeira chamou – Seu filho está aqui!
Yuna virou o rosto na direção do rapaz, que tinha as mãos no bolso e encarava a mãe com um sorriso que escondia seus olhos.
– Que rapaz mais bonito! Quem é?
O sorriso de Kim Namjoon se desfez na hora e a enfermeira olhou com pesar para o rapaz.
– Sou eu, mãe! – ele se ajoelhou na frente da mãe e segurou uma de suas mãos.
– Ei, não me toque! Eu nem sei quem você é! – ela retirou bruscamente a mão dela da de Namjoon – Saia daqui! Eu não sei quem é você! Meu filho morreu no parto!
Namjoon sentiu os olhos marejarem e abaixou a cabeça, ainda ajoelhado em frente a mãe. Yuna sofria de esquizofrenia, assim que o irmão de Namjoon morreu no parto, ela não suportou e acabou desenvolvendo a doença. Na cabeça de Yuna, Namjoon não existia, ela não tinha nenhuma lembrança dele, apenas do irmão morto. Mesmo assim, Namjoon ia todos os dias ver a mãe. Alguns dias ele entrava e tentava uma aproximação com a mãe, mas eram todos em vão como esse de hoje. Outros dias ele apenas ficava a observando de longe.
Ele amava a mãe, e tinha esperanças de que algum dia ele se lembrasse dele e o amasse de volta.
Terceiro Capítulo – Just One Day
Adentrou o bar sozinha. O lugar estava lotado, já não haviam mais mesas disponíveis e se espremeu entre as mesas e algumas pessoas em pé, e foi para o balcão. Sentou em um dos bancos e piscou para Jack, amigo de anos que trabalhava na Bodega de la Ardosa, bar em que se encontrava. Sempre que queria afogar as mágoas e ficar sozinha – isso quando trabalhava na parte da manhã – era para lá que ela corria.
– O de sempre, bebê? – exclamou Jack limpando um copo com um pano de prato.
– Sim, por favor! Eu preciso muito hoje!
O amigo se afastou para preparar a gin tônica de e ela virou seu corpo e rosto olhando as pessoas no bar. Será que todos ali estavam felizes? Ou será que assim como ela todos estavam ali para se distrair e esquecer momentaneamente os fracassos e as frustrações?
Jack voltou com o drink e eles logo engataram uma conversa, parando rapidamente quando ele atendia uma pessoa ou outra. Abaixou a cabeça sentindo a visão começar a ficar turva e resolveu pegar um ar na área externa do bar. Se sentou ao lado de um rapaz, que ela achou que estivesse dormindo, pois sua cabeça estava escorada no assento do sofá e havia tantas garrafas de cerveja por ali que parou de contar na quinta. Ela olhou novamente para o mesmo de canto de olho e pode ouvir ele resmungando alguma coisa, ela resolveu pegar o celular para não incomodar o moço.
O rapaz abriu os olhos, vislumbrou sentada a seu lado pelo canto dos olhos, se ajeitou no sofá. Um dos garçons do bar passou e o rapaz o chamou pedindo mais uma cerveja, e ele então cutucou desajeitadamente com uma das mãos e olhou para ele. Ele era bonito! Tinha o rosto delicado, o nariz pequenininho, a boca também. Os olhos eram puxados, será que ele era daqui?
– Vai querer alguma coisa? – ele perguntou.
– Acho que não.
– Ah, por favor! Vai? Bebe comigo! Estamos os dois aqui abandonados nesse sofá! Traz uma cerveja pra ela!
franziu a testa e fez uma careta na direção do moço. Ele olhou para ela e sorriu. não aguentou e começou a rir, ele ficou fofo.
– Eu sou o Suga! – ele estendeu a mão.
fitou a mão dele estendida em sua direção, ele se aproximou mais dela no sofá fazendo com que o quadril dos dois se chocassem levemente.
Suga? Que tipo de nome era aquele?
– E eu sou a ! – ela pegou na mão do estranho e balançou.
Ficaram um tempo com as mãos dadas e se olhando. Ele realmente era bonito! E Suga pensou a mesma coisa. Ela tinha as bochechas rosadas, usava um batom vermelho. Olhou os lábios da mesma e achou eles incrivelmente bonitos. Quando o garçom voltou com as cervejas, os dois se deram conta que ainda estavam segurando as mãos um do outro e soltaram rapidamente, um pouco envergonhados.
Os dois pegaram a garrafinha long neck e tomaram um longo gole. Depois Suga olhou para .
– Por que você tá aqui sozinha?
resolveu olhar para ele também. Aquela pergunta era muito pessoal, mas ele era um estranho, estava bêbado e eles nunca mais se veriam depois dali.
– Porque quando me sinto um fracasso, gosto de vir para cá sozinha para beber e espairecer.
Suga assentiu dando mais um gole da cerveja.
– E por que você está se sentindo um fracasso? – ele voltou a mirá-la.
Os olhos dele, mesmo fechadinhos eram intensos. sentiu um arrepio correr por sua espinha e bebeu mais um pouco.
– Você quer mesmo saber? – ela perguntou escorando a cabeça no sofá e fechando os olhos.
Suga passou a observar o rosto da garota, os traços fortes do rosto, o nariz arrebitado, um piercing estava preso ali, ele achou bonito.
– Claro que quero! A não ser que você não goste de desabafar com um estranho no bar que provavelmente nem vai lembrar! – ele deu de ombros.
continuou com os olhos fechados.
– Eu me formei há dois anos atrás em Pedagogia, e sempre foi meu sonho dar aulas para crianças, sabe? – ela abriu os olhos para ter certeza que Suga ainda estava lá.
Ele fez uma careta e bebeu outro gole.
– Nossa, crianças são difíceis! – ele balançou a cabeça.
– Não são! – ela se ajeitou no sofá – Você só precisa saber como tratá-las, como brincar com elas! Elas são muito mais fáceis do que nós adultos, cheios de prisões mentais, cheios de exigências.
Suga pareceu pensar no que a garota disse, e fez outra careta.
– Não sei. Pode ser! Mas e aí? O que rolou?
suspirou voltando a se jogar no encosto do sofá.
– Eu não consigo emprego na minha área de jeito nenhum! Eu já tentei de tudo, mas ninguém me dá uma oportunidade. E para completar, meus pais não me ajudam mais e eu só consegui um emprego de garçonete!
Suga soltou uma risada, cuspindo a cerveja que estava em sua boca e assustando .
– Ei! – ela lhe deu um tapa nas costas – Saiba que é um emprego muito digno!
Ele levantou os braços e as mãos, se rendendo.
– Me desculpe, foi muito indelicado da minha parte, mas é que da forma que você falou ficou engraçado. Me desculpe mesmo, !
Suga balançou a cabeça tentando não rir novamente.
– E você? Tá fazendo o quê aqui, sozinho e bêbado como um gambá?
Suga passou a língua pelos lábios – uma mania que ele tinha desde a adolescência – tomou mais um longo gole da cerveja e viu fazer o mesmo.
– Tive uma briga feia com minha namorada, ou melhor, ex namorada e ela saiu de casa.
não sabia o que falar. Nunca tinha tido um namorado sério, nunca tinha se apaixonado de verdade por alguém, então era uma péssima conselheira amorosa.
– E você já procurou ela, desde o ocorrido? – se contentou em questionar. Suga assentiu que sim.
– Um milhão de vezes! Mas ela não me atende e não responde minhas mensagens.
– Já foi na casa dela? – voltou a jogar a cabeça no encosto do sofá preto.
Suga riu, bêbado, e o acompanhou, também já começando a ficar alterada.
– Capaz dela me expulsar de lá com pauladas! – disse Suga também se escorando no sofá, com a cabeça próxima a de e os dois de olhos fechados.
– Foi um vacilo tão sério assim, Suga?
Ele abriu os olhos.
– Acho que sim, eu não entendo!
– Não entende o quê?
– Vocês mulheres! – riu – Eu a amo, do meu jeito, mas a amo! E ela acha que não!
– Que pesado!
Os dois abriram os olhos e se encararam por alguns segundos. Quando se deram conta, os lábios dos dois já estavam grudados, num beijo com gosto de cerveja.
– Espera! – interrompeu o beijo segurando no rosto de Suga – Isso não é, errado?
Suga tomou outro gole da cerveja e fitou . Nunca a mais a veria, e Charlotte não queria mais saber dele, o que tinha de errado?
– Não. Não se nós dois quisermos! – ele deu de ombros.
terminou sua cerveja, olhou para Suga que também terminava a dele.
– Pode ser no meu apartamento? – questionou Suga arqueando a sobrancelha e se perguntando se aquilo não estava sendo tosco demais.
– Sim, eu moro com uma amiga, portanto...
Os dois sorriam, meio bêbados. Um ajudou o outro a se levantar – se é que isso era possível – e saíram bar adentro, escorando um no outro e tomando cuidado para que não se estabacassem no chão.
Suga pegou o celular no bolso, porém deixou o mesmo cair trincando a tela. Os dois começaram a rir, até que estavam se beijando novamente. Era estranho para Suga sentir os lábios e o gosto de outra que não fosse Charlotte, mas era gostoso!
– Deixa que eu peço aqui!
Suga digitou o endereço e logo eles estavam no apartamento do rapaz. avisou que não dormiria em casa, e compartilhou a viagem com a amiga. Afinal de contas, ela só sabia que ele se chamava Suga.
Quarto Capítulo – Rare
Selena Gomez tocava no último volume dos fones de . Algumas pastas nos braços com toneladas de trabalho feitos e por fazerem, o cansaço era aparente em sua feição, mesmo com os óculos escuros. O dia havia sido pesado e ela só queria chegar em casa logo.
O sol já estava se pondo e ela precisava correr para a estação de metrô antes que escurecesse, detestava andar sozinha pelas ruas quando estava escuro. Lembrou da quantidade de coisas que ainda teria que fazer quando chegasse em casa.
V pedalava pela ciclovia com a mochila pesada nas costas, precisou resolver uma emergência na empresa, e resolveu que usaria a bike que estava parada há algum tempo. Até que avistou uma garota, casacos pretos, calça preta vindo em sua direção. O garoto achou estranho, afinal de contas aquilo era uma ciclovia, e ela não deveria estar ali, mas com certeza ela estava o vendo e passaria para a calçada assim que se aproximasse.
Mas não foi bem isso que aconteceu, quando V tentou desviar da garota acabou não conseguindo e esbarrou na mesma com certa força, caindo no chão com tudo e se dando conta de que a garota também caíra. Taehyung retirou a mochila das costas , se levantou limpando os braços e as calças, e correu em direção à garota.
Taehyung ajudou a garota a se levantar com cuidado.
– Tá tudo bem com você? – questionaram os dois ao mesmo tempo.
percebeu que um dos braços do rapaz estava com alguns arranhões e cortes e se preocupou.
– Nossa, me desculpa! Eu estava distraída e nem vi que estava na ciclovia, assim como nem vi você vindo! Você quer ir pro hospital dar uma olhada nisso aí?
V deu uma olhada nos braços e fez uma careta com os lábios.
– Imagina, são só arranhões! Eu tô bem, e você? Se machucou, está com dor em algum lugar?
Ele apertou o braço dela com delicadeza como se quisesse se certificar que não havia nada quebrado ali. fitou os olhos do garoto. Ficou perdida ali por alguns segundos até que ele a apertou de novo chamando sua atenção.
– Hã? – ela questionou voltando a si – Eu tô bem! Não me machuquei não.
V a olhou ainda desconfiado.
– Tem certeza? – sorriu sem mostrar os dentes afirmando que sim com a cabeça – Vou te ajudar a pegar suas coisas!
Taehyung se abaixou pegando a bolsa e as pastas de .
– Me desculpe, eu tentei desviar, mas já estava muito perto de você.
– Imagina. Eu que te peço desculpas! Eu estava no lugar errado.
Os dois ficaram algum tempo se encarando. V reparou que ela quase não tinha maquiagem alguma no rosto e mesmo assim era muito bonita.
– E a sua bike? – ela perguntou.
Taehyung entregou as coisas pra ela e foi até a bike, a levantou e andou com a mesma até um banco que havia ali na pequena praça. o acompanhou se sentando no banco enquanto o garoto dava uma olhada na bicicleta. Ao que poderia ver, a bicicleta não parecia estar das melhores, as correntes pareciam ter estragado e começou a ficar apreensiva. Onde estava com a cabeça? Fazia aquele caminho todos os dias, sabia da ciclovia, por que diabos havia se metido ali?
V tentou arrumar as correntes da bike, mas foi em vão, somente uma bicicletaria para resolver o problema. Ele bufou e se sentou ao lado da garota que ele não sabia o nome.
– E aí? – questionou olhando o rapaz.
– Bom, eu vou ter que mandar consertar.
se sentiu culpada pelo estrago, afinal de contas ela quem havia provocado o “acidente”.
– Ei! Não se preocupe, eu faço questão de pagar pelo conserto!
– Não, imagina! – Taehyung balançou a cabeça em negativa.
– Não, eu faço questão, moço! Se não eu vou ficar a noite toda pensando nisso, vou ficar remoendo isso dentro de mim!
tinha um senso de justiça muito aguçado desde pequena. Ela realmente estava se sentindo culpada.
– Isso aqui não é nada! Eu mesmo... – ela interrompeu.
– Por favor! – tocou o braço dele.
Os dois cruzaram os olhares de novo. Havia algo nos olhos dele que ela não sabia explicar, mas gostava de olhar para eles.
V deu de ombros.
– Tá bom, mas só porque você insiste muito!
sorriu, aliviada e ele sorriu timidamente de volta.
– Toma aqui o meu cartão! Tem meus telefones aí. Quando você for consertar me liga, vamos juntos e eu pago!
retirou de dentro da bolsa o cartãozinho de seu escritório com seu nome e seus contatos.
Taehyung observou o cartão e nele dizia: “Concrete Escritório de Arquitetura e Projetos” embaixo o nome dela completo, um telefone fixo e um celular.
Ela era arquiteta, design de interiores ou algo assim, ou só trabalhava lá com alguma outra função? Ele não se atreveu a perguntar, afinal de contas não tinha intimidade nenhuma com a menina. Mas já sabia que seu nome era .
– Bom, eu já vou indo, não quero chegar tarde em casa. – ela se levantou do banco – Mil desculpas mais uma vez pelo incidente, eu não queria estragar sua bike.
V também se levantou e guardou o cartão de no bolso.
– Imagina, isso acontece! – ele sorriu.
– Me liga, hein? Por favor, eu faço questão de pagar o conserto. E cuida desses arranhões aí!
– Pode deixar. E eu espero que você não tenha mesmo se machucado!
Os dois sorriram novamente e deu um tchau para V com a mão e voltou a fazer seu caminho, agora na calçada para não ser atropelada novamente.
Parou no meio do caminho, girou o corpo e gritou.
– EI! – Taehyung se virou.
correu desajeitadamente até ele com certa dificuldade por causa das pastas que carregava. Taehyung achou fofo e então começou a rir.
– Qual o seu nome? Você não me disse. – ela coçou a cabeça meio sem jeito.
– Taehyung, mas pode me chamar de V!
– Bom, como diz aí no cartão eu sou a . Você vai me ligar mesmo não é V?
Taehyung voltou a gargalhar com o desespero de .
– Vou sim, . – ele disse o nome dela e sentiu o coração dar uma leve acelerada.
Ela sorriu sem mostrar os dentes e estendeu a mão pra ele.
– Prazer então, V! – ele tocou a mão dela com delicadeza.
– Prazer .
Os dois voltaram a seguir seus caminhos, mas hora ou outra olhavam para trás e se olhavam. se sentia estranha, um estranho havia mexido com ela? E V sentia a mesma coisa, e aquilo estava esquisito para os dois. E ainda se veriam de novo, o que poderiam esperar desse segundo encontro?
Quinto Capítulo – Broken & Beautiful
Carregava uma mochila nas costas e duas malas. Afinal de contas ela não sabia quanto tempo passaria fora de casa. Primeiro resolveu que queria ir para algum lugar que tivesse praia. Sua cidade tinha praia, mas ela já conhecia as de lá e queria ver novos mares, pisar em areias diferentes, e sentir o vento de outro lugar bater em seu rosto e bagunçar seus cabelos.
Pegou um táxi e foi para sua pousada. Estava cansada, então pensou em chegar e dormir um pouco para recarregar as energias, depois iria ver o pôr do sol em alguma praia e andar um pouco. Afinal de contas, ela precisava daquilo.
O pôr do sol acalmava , era assim desde que era pequena, ela e seu irmão sempre assistiam, não importava aonde estivessem. O intuito de tudo isso era que pudesse entender melhor e aceitar a morte do irmão. Ela precisava aceitar que agora somente ficariam as lembranças, e precisava conviver com elas em paz, precisava que elas não a machucassem mais, para assim voltar para casa e para sua vida sem todo o sofrimento que isso causava. Ela não queria também perder mais ninguém, então não queria deixar mais ninguém se aproximar, pois sabia muito bem o quão doloroso poderia ser perder mais alguém.
Abriu a porta do quarto, bem simples. Uma cama de casal, pois estava acostumada a dormir em uma, um banheiro, uma televisão, a janela dava direto para o jardim da pousada, ficou ali admirando o lugar por um tempo, fechou os olhos sentindo o vento e o cheiro que a maresia trazia.
Não havia levado o celular, apenas o computador, pois precisava trabalhar pelo menos durante as manhãs. Resolveu mandar um e-mail para o pai e para as amigas para dizer que havia chegado ao seu primeiro destino e informar que estava tudo bem e não precisavam se preocupar. Sabia que as amigas e os pais estavam preocupados, mas pelo menos estava dando notícias de seu paradeiro, então se acalmou quanto a isso.
Resolveu tirar apenas os sapatos e se deitou na cama, fechando os olhos e sentindo o corpo relaxar gradativamente e assim adormeceu.
Acordou assustada, procurando pelo celular sobre a cama e se sentou. Abriu os olhos com dificuldade e se escorou na cabeceira da cama. Lembrou–se de onde estava e que não estava com o aparelho. Olhou as horas no relógio e percebeu que precisava se apressar se quisesse ver o pôr o do sol, então se levantou e tomou um banho. Vestiu–se de um short jeans, seu biquíni preferido e uma regata.
Caminhou pela avenida alguns quilômetros até chegar à praia, tirou os chinelos e colocou os pés na areia, fechou os olhos sentindo seu corpo ser energizado pelo quentinho da areia. Caminhou mais um pouco e sentou–se por ali mesmo em cima de sua canga. Tirou os óculos escuros e vislumbrou a imensidão azul e infinita do mar. Amanhã certamente tomaria um banho de mar, carregando ainda mais suas energias. Pensou no irmão, fechou os olhos, e lembrou deles juntos na praia.
gostava de vê-lo surfar, por horas. Depois os dois se sentavam, assim como estava, e conversavam até o sol começar a se pôr. Ali, ela chorou. Sem barulho, sem escândalo nenhum, sem alarde.
Ali, agora, aquela dor era só dela. Sem os pais por perto, sem os colegas de trabalho, sem as amigas. E ela precisava daquilo, precisava sentir aquela dor para que ela pudesse ir embora, mesmo que aos poucos.
Assim ficou até que o sol começasse a se esconder, vislumbrou a imagem como sempre fazia desde pequena, sentiu o coração apertar, mas de uma forma boa, como se fosse o irmão a tranquilizando. comeu um crepe de um sabor qualquer, afinal de contas precisava se alimentar.
Depois disso resolveu caminhar pela praia, sem rumo algum, só para pensar na vida, em como seria dali para frente. Até que avistou uma fogueira, um grupo de pessoas com violões, cantavam, dançavam, riam, pareciam estar se divertindo. cruzou os braços e ficou os observando, havia algum tempo que ela não se divertia daquela forma. Sentiu uma imensa vontade de se juntar a eles, mas como? Era uma garota estranha, desconhecida, não podia simplesmente chegar e se juntar a eles do nada.
Ficou mais um tempo os observando, até que uma garota de cabelos enrolados e com uma coroa de flores e colar havaiano veio em sua direção. se assustou e pensou que a garota certamente estava indo tirar satisfações com ela por estar bisbilhotando a festa deles.
– Oi! – ela disse acenando com a mão – Vem! O que vocês dois estão fazendo aí parados?
Dois? pensou. E só aí então ela viu um garoto bem alto e magro parado perto dela, ela nem tinha se dado conta. E ele parecia também estar observando o luau assim como ela.
A garota, até então desconhecida, segurou a mão de e do garoto e saiu os levando para onde estava a fogueira e todo o resto do pessoal. sorriu achando engraçado aquilo tudo, mas não se opôs.
A garota disse que eles podiam ficar à vontade, se sentar, dançar, comer e beber. E se sentou na areia perto do fogo, estava com um pouco de frio e havia saído da pousada sem uma blusa de frio, apenas com uma fina regata. Sentiu alguém se sentar ao seu lado. Se atreveu a olhar para a pessoa e viu que era o garoto que foi arrastado para o luau junto com ela, e uau, ele era muito bonito.
pôs–se a observar o rosto do garoto. O nariz, a boca, parou um pouco ali, a boca dele era de um vermelho tão intenso que Vivan podia jurar que ele usava algo para deixá-la naquela cor, e os lábios eram carnudos, os mais bonitos que já havia visto. Os cabelos eram bem pretos e ela reparou que ele era asiático ou descendente dos mesmos. Foi aí que os olhos dele se encontraram com os dela.
Jin sentiu o coração acelerar por debaixo da blusa que usava, e ele simplesmente não conseguia acreditar no que seus olhos viam ali. Ele engoliu seco e sua visão ficou turva, ele achou que ia desmaiar ali na areia da praia. Fechou os olhos, achando que agora a garota além de persegui-lo em sonhos, perseguia–o acordado também em alucinações. Assim que abriu os olhos, ela continuava ali na frente dele, o olhando assustada.
– Tudo bem, moço? – ela questionou.
O que estava acontecendo? Ela era real? Ele não estava alucinando? Como aquilo era possível? Ela era exatamente igual a garota que ele sonhava todos os dias. Jin estava tão perplexo que abriu a boca para falar, mas não conseguiu.
A garota então se aproximou dele, abanando Jin com as mãos, achando que ele talvez estivesse passando mal, e de certa forma ele estava mesmo.
– Moço? – ouviu ela questionar de novo.
Nada. Jin mal respirava e não conseguia reproduzir nenhum som. A menina então pediu para a garota que os levou até ali, pegar água, e ela mesmo não entendendo nada, o fez. entregou a garrafa para Jin, que aceitou e bebeu quase a garrafa toda de uma vez. A menina o olhava, apoiada em seus joelhos, ainda assustada.
Jin passou novamente os olhos por ela, e sim era ela! Ele tampou a garrafa e começou a tentar se acalmar, ou ela acharia que ele era maluco.
– Me desculpe! – ele finalmente conseguiu falar – Acho que minha pressão baixou! Obrigada pela gentileza da água.
Ele entregou a garrafa para ela que pegou e deu um gole. Depois os dois se olharam. Jin ainda não acreditava que estava de frente para a garota dos seus sonhos.
– Imagina! Você está melhor mesmo?
Jin sorriu, ainda nervoso. pensou em como ele conseguia ficar ainda mais bonito sorrindo.
– Estou sim! Muito obrigado, mesmo. – ele passou a língua pelos lábios – Qual seu nome?
já tinha ensaiado todo um roteiro para caso conhecesse alguém pelo caminho que questionasse seu nome. Não estava ali para criar laços, para paquerar, só queria se reconectar consigo mesma, aceitar a morte do irmão, pensar no que fazer dali para frente. Não contaria seu nome de verdade para ninguém.
– Olívia! – ela mentiu.
Jin balançou a cabeça, encantado, com a boca meio aberta. Estava hipnotizado.
– E você? – “Olívia” questionou.
– Pode me chamar de Jin! – respondeu o moreno dizendo a verdade.
sorriu e estendeu a mão, Jin queria abraçá-la e dizer que sonhava com aquilo há meses, mas aí sim a garota o acharia um completo maluco, então ele apertou a mão dela. Os dois sorriam abertamente um para o outro, e engataram uma conversa.
Jin queria saber tudo sobre a garota que invadia seus sonhos todas as noites. O problema é que não havia falado a verdade de basicamente nada. Até que eles resolveram levantar um pouco, dançaram, beberam um pouco. Até que resolveu que precisava ir embora, estava ficando tarde.
– Eu levo você até onde está hospedada. É perigoso!
não queria ter que mentir mais uma coisa para Jin, ela havia gostado dele, ele parecia ser uma ótima companhia, mas realmente era perigoso ir embora sozinha aquela hora da noite numa cidade que não conhecia nada nem ninguém. Então aceitou. Assim que chegassem em alguma pousada perto da sua, ela diria que era lá e quando Jin fosse embora ela caminharia para sua verdadeira pousada.
– Você está sozinha, aqui? – Jin atreveu a se perguntar.
– Estou, vim sozinha! – ela olhou para ele.
Deus, como ele era bonito!
– Eu também vim sozinho. – ele jogou a isca.
, não era boba e percebeu o que ele estava querendo dizer.
– Se quiser, podemos nos encontrar amanhã! – mordeu o lábio com medo se arrepender.
Jin sorriu, como se fosse uma criancinha ganhando um presente.
– Eu posso vir te buscar na sua pousada.
– NÃO! – se exaltou e Jin se assustou.
– Imagina! Você tá longe daqui! Não vou me sentir confortável em te dar esse trabalho. A gente se encontra aqui nesta praia, perto do quiosque onde tava acontecendo o luau e decidimos para onde vamos, pode ser?
– Se você achar melhor, claro! Que horas? Umas nove?
assentiu que sim, e percebeu que sua pousada estava próxima, então parou de andar.
– É aqui! Prontinho, pode voltar para sua pousada. – ela sorriu sem graça por estar mentindo – Muito obrigada!
– Obrigado você também! Bom, então até amanhã! – ele levantou a mão dando um tchau sem saber direito o que fazer.
– Até! – retribuiu o aceno.
Jin não se aguentou e acabou depositando um beijinho rápido no canto da boca de e logo saiu correndo, tal qual mais uma vez como uma criança, e riu. Havia realmente gostado dele.
Sexto Capítulo – Begin Again
Jungkook detestava cozinhar, era péssimo nisso, mas precisava almoçar e não queria pedir nada, pois estava economizando. Decidiu que faria um yakisoba, corria o risco de ficar horrível? Obviamente, mas ele tentaria.
Agora ele precisaria cortar a cenoura, na receita falava que era para cortá-la em diagonal, então lá foi JK tentar fazer o processo, habilidoso que só, ele acabou por cortar a palma da mão com a bendita faca. Assustado com a quantidade de sangue que estava saindo e com a dor que estava sentindo, ele pôs a mão debaixo d'água na pia mesmo, com a intenção de estancar o sangue, mas não estava adiantando. JK começou a se desesperar e ele não tinha nenhuma caixinha com coisas de primeiro socorros em casa, então resolveu que iria ao pronto socorro mais próximo, como não estava em condições de dirigir, foi até o vizinho da frente e pediu que o mesmo solicitasse um carro pelo aplicativo e o vizinho questionou se ele queria companhia para ir até o hospital e Jungkook agradeceu. Pegou um pano de prato qualquer e cobriu o corte, que só sangrava. A cabeça de JK começou a doer assim que ele entrou no carro, devido a dor que sentia.
Pensou que nunca mais chegaria ao hospital, assim que chegou, se aproximou da recepção e contou o que havia acontecido, a recepcionista fez um breve cadastro do mesmo e pediu que ele aguardasse que seria chamado.
– Mas moça, está doendo muito e não para de sangrar!
– Vamos lhe atender rapidamente, peço que espere!
Jungkook assentiu e se sentou em um assento qualquer, o sangramento não parava e ele começou a perceber que não conseguia sentir a mão. Ficou imediatamente muito preocupado. Tirou o pano que cobria o corte e só via sangue. A cabeça e o corte latejavam sem parar.
Ouviu seu nome ser chamado em uma pequena porta por uma moça vestida de branco, então ele finalmente foi em direção à mesma que pediu que ele a seguisse.
Ela abriu uma portinha, adentrou por ela e JK fez o mesmo, de costas para ele, a moça pediu que ele se sentasse na cadeira preta e ele assim o fez. Quando a moça finalmente o olhou, JK pensou conhecê-la de algum lugar. E então ela se aproximou, ele finalmente a reconheceu. Mas estava um pouco atônito.
– Cortou com uma faca de cozinha, Senhor Jeon?
– Sim. – ele respondeu enquanto a ruiva tirava o pano de sua mão.
– Está conseguindo mexer os dedos?
Jungkook fez que sim com a cabeça, um pouco assustado.
– Só não sinto a palma da mão.
A enfermeira então pediu que ele se levantasse e ele assim o fez.
– Provavelmente você vai precisar dar alguns pontos aí, tá bom? Pode me acompanhar até a sala do médico, por favor?
Ele assentiu, olhando a enfermeira. Tinha certeza, era ela! Será que ela não havia o reconhecido ou estava apenas sendo profissional por causa de algum protocolo ou algo assim?
Assim que os dois adentraram a sala branca do hospital, pôs–se a falar com o médico, que aparentava estar já na casa dos seus quarenta e poucos anos. O médico cumprimentou Jungkook com um aperto no ombro e então pôs–se a olhar o machucado em sua mão.
– Olha, nada que alguns pontos não resolvam viu, Jeon Jungkook?
Jungkook fez uma careta ao ouvir a solução para o ferimento, mas fazer o quê?
A água gelada escorreu pelo corte de Jungkook e ele fechou os olhos, soltando um gemido de frustração e contraiu a mão.
– Calma! Vai passar rapidinho essa dor, me deixe limpar o ferimento, hum?
Ele abriu os olhos e ela o fitava com um sorriso terno nos lábios. Os cabelos castanhos estavam presos em uma trança, e ela parecia exausta. Jungkook sabia que ela era enfermeira e que os plantões dos últimos dias estavam sendo exaustivos.
Jungkook abriu a mão e deixou que a enfermeira limpasse o lugar. Após o feito, ele se sentou novamente e a enfermeira avaliou o ferimento em sua mão.
– O procedimento é bem rápido, o doutor já vem para fazer a sutura, ok?
– Seu nome é ? – ele questionou não prestando muita atenção ao que a enfermeira falava.
A morena olhou para ele assustada.
– Por que a pergunta? – ergueu uma sobrancelha.
– Porque se você não for, é muito parecida com uma que eu conheço! Nos conhecemos num aplicativo de relacionamentos!
começou a reparar nas feições do garoto. O cabelo roxo e cumprido, a pele branquinha. Pegou o celular, abriu o aplicativo, ampliou a foto e sim, era ele!
começou a rir e Jungkook também. Eles estavam há meses conversando e há dias tentando marcar um encontro, que nunca acontecia, sempre acontecia algo com ela ou com ele. Quem diria que eles iriam se encontrar num plantão de , cuidando de um ferimento feito a faca na mão de JK?
– Eu não consigo acreditar! – ela disse se recuperando da crise de risos.
– Nem eu!
– A gente foi se encontrar logo aqui? Logo desse jeito?
Jungkook riu e logo em seguida fez uma careta, sentiu o corte dar uma fisgada intensa.
– O que você tava fazendo Jungkook? E como eu não fui me ligar! Não existem muitos “Jeon's Jungkook 's" no mundo. Caramba!
abriu um armário, pegando os materiais necessários para já deixar tudo pronto para o médico.
– Eu te reconheci assim que entramos naquela primeira sala.
ficou vermelha. Ela estava um trapo, não dormia há dois dias, o cabelo sem lavar, não havia uma maquiagem sequer no rosto, ficou envergonhada de ser vista por Jungkook naquele estado. Ele era tão bonito! Como ela pôde não tê–lo reconhecido? Precisava muito de algumas folgas, sua cabeça não funcionava mais direito.
O doutor retornou para sala e permaneceu ao lado dele para caso ele solicitasse algo ou precisasse de ajuda. Nisso ela foi conversando com Jungkook, tentando distraí-lo da dor. Assim que o doutor acabou o procedimento ele passou as instruções para JK.
– Prontinho! Olha, isso é tipo uma mini cirurgia, viu mocinho? Você tem que tomar cuidado para não infeccionar isso aí, e para os pontos não arrebentarem. Em cerca de sete dias tem que voltar aqui para tirar eles.
Jungkook assentiu com a cabeça e agradeceu ao médico que saiu para fazer um receituário.
– Com você, no caso? – Jungkook se aproximou de ficando cara a cara com ela.
sentiu a garganta fechar e olhou os lábios do garoto próximo aos seus.
– O quê? Retirar os pontos? Com o Doutor, mas talvez a enfermeira de plantão seja eu! Quem sabe?!
se afastou de Jungkook, mesmo que sua vontade fosse de não o fazer. Mas estava em seu local de trabalho.
– E quando a gente vai de fato se encontrar? Já que nosso primeiro encontro foi graças a uma tragédia! – exagerou Jungkook.
riu, enquanto guardava os materiais de volta no armário.
– A gente se fala! Minha vida é uma bagunça JK, você sabe! – ela fez um muxoxo.
Jungkook mordeu o lábio.
– Você vai precisar comprar anti–inflamatórios. Aqui perto tem uma farmácia, passa lá agora e já compra. Você vai tomar um a cada oito horas, entendido?
– Qualquer anti–inflamatório? – perguntou Jungkook.
– O nome está aí na receita! – sussurrou fazendo JK ficar sem graça.
Agradeceu ao médico e se despediu dele, sendo acompanhado por até a saída da sala. Os dois se olharam e ficou na ponta dos pés para dar um abracinho em JK, que retribuiu com os braços em suas costas. Ela estava cheirosa.
– Até mais! A gente ainda vai conseguir se encontrar direito, eu juro! E se cuida! Qualquer coisa, qualquer dúvida me manda mensagem, tá?
JK sorriu ao vê–la preocupada.
– Pode deixar. Bom trabalho, e vê se arruma um tempo pra você! – ele piscou.
sorriu vendo–o sair pela porta que dava acesso à recepção do pronto socorro.
JK foi até a farmácia, comprou o anti–inflamatório, a mão ainda doía. Depois acabou por almoçar ali perto. Passou pela porta do hospital de novo, e ficou se perguntando que horas o plantão de acabaria. Decidiu que a esperaria, afinal de contas, ele não sabia quando finalmente teriam outra oportunidade de se verem. Esperaria por ela até a hora que fosse. Ali na porta mesmo.
JK olhou as horas no celular e já eram dez da noite, ele bufou e estava prestes a desistir quando apareceu no estacionamento do pronto socorro. Ela avistou Jungkook e esforçou as vistas, como se quisesse se certificar que era ele mesmo. O garoto correu até ela.
– Uau! Como você trabalha! – ele coçou a nuca.
– Você está fazendo o quê aqui, até agora? Passou mal?
– Não! Quer dizer, tá doendo um pouco, mas já tomei o anti–inflamatório. Eu estava te esperando!
JK abriu um grande sorriso. abriu a boca em formato de “o” e passou as mãos pelo rosto, cansada. Analisou o garoto, e pensou por alguns instantes: e se fosse ele que estivesse ligando para ela todos esses dias? Ficou assustada, ainda mais por ele ter esperado mais de 8 horas por ela ali. Será que ele sabia dos horários dela e havia cortado a mão de propósito só para ser atendido por ela?
– Putz, Jungkook! Como assim?
– , quando é que teremos outra oportunidade como essa? – ele ergueu a sobrancelha – Você trabalha quase todos os dias, nos horários mais variados possíveis! Eu estou trabalhando até tarde e em alguns finais de semana também!
olhou bem dentro dos olhos de JK. Ele não parecia ser um psicopata. Mordeu o lábio, pensativa.
– Eu entendo, JK! Mas eu estou exausta! Não durmo há dois dias! Não como direito há semanas!
– Justamente! Vou te levar num lugar com a melhor comida dessa cidade, você se distrai, come bem, descansa e a gente ainda tem o nosso encontro. , pensa bem!
Ela finalmente estaria de folga amanhã, estava com um pouco de medo de Jungkook ser o seu stalker, mas ele estava a olhando com tanta vontade que ela decidiu aceitar.
– Tá bom, você tá de carro?
– Não, eu não consegui vir dirigindo.
– Claro! – ela bateu a mão na testa – Então vamos no meu. Pra onde você vai me levar?
– É surpresa! – JK piscou.
dirigia de acordo com as orientações de JK. Ele era muito engraçado, então ela e ele riram o caminho inteiro, até finalmente pararem em frente ao grande Philadelfia Park e Bowling.
Estacionaram o carro e desceram.
– Você me trouxe para jogar boliche?
– Sim! Lembra que você me disse que o primeiro encontro ideal seria num lugar onde pudesse jogar boliche? A gente inclusive marcou de vir aqui umas três vezes.
sentiu que havia ficado corada de novo, como ele lembrava daquilo?
Os dois adentraram o lugar, que estava um pouco cheio, logo conseguiram uma pista.
– JK, sua mão? – questionou enquanto se ajeitava para pegar uma bola.
– Eu tenho duas mãos e você é enfermeira! – ele piscou fazendo a ruiva gargalhar.
era ótima no boliche, enquanto Jungkook… Coitado, era péssimo! Pelo menos estava fazendo rir. Ela bem que tentou dar algumas dicas pro garoto, mas de nada adiantava.
– Eu não sou tão ruim assim, é porque estou capenga da minha melhor mão!
– Aham, sei! – gargalhou outra vez.
Depois de algumas partidas, os dois resolveram pedir algo para comer.
– Que bom que você insistiu para que eu viesse!
Jungkook sorriu e pegou a mão dela sobre a mesa. subiu o olhar até ele.
– Então, você não se arrependeu?
riu.
– Claro que não! Eu me diverti muito hoje. Como não me divertia há tempos com alguém, obrigada mesmo.
– Eu que te agradeço! Foi o encontro mais inesperado da minha vida! Ainda bem que cortei a minha mão!
deu um leve tapinha no ombro de JK.
– Credo! – eles riram – Espero de verdade que a gente possa ter outros encontros.
– Teremos! Você não vai se ver livre de mim assim tão fácil, Senhorita !
Sétimo Capítulo – UGH!
Jimin era só sorrisos quando chegou ao escritório, agora verdadeiramente um funcionário. Havia sido efetivado, finalmente, depois de dois anos de estágio. Hoje nada poderia acabar com sua alegria e tirar o sorriso estampado em seu rosto, nem mesmo o infeliz de seu padrasto.
Adentrou a sala de seu chefe que havia o chamado assim que ele chegara. Sentou–se de frente ao mesmo, que o parabenizou pela contratação e não poupou elogios ao desempenho do rapaz durante o período de estágio. Jimin aumentou o sorriso e agradeceu o chefe pela oportunidade e prometeu ao mesmo que não o decepcionaria.
– Jimin, a partir de hoje, sua rotina e funções mudam um pouco, tá?
Jimin ficou um pouco preocupado, quando era estagiário, ele aprendeu um pouco de cada função, mas a que ele ficou mais tempo foi ajudando Leona com a parte de desenvolver e manter a imagem das marcas dos clientes. Mas ele topava qualquer coisa, afinal de contas se sentia completamente capacitado para assumir qualquer função e sabia que era muito bom em tudo que se propunha a fazer.
– Certo, como quiser! – Jimin voltou a sorrir.
– Leona não faz mais parte do quadro de funcionários da empresa. O marido dela foi promovido e eles vão se mudar, e eu resolvi que a vai assumir o lugar dela por já ter trabalhado lá antes de termos você. Eu já até falei com ela, e você ficará com as funções dela.
Jimin tentou buscar a imagem de na mente, e se lembrou de ter falado brevemente com ela quando aprendeu um pouco de cada função, e se ele bem se lembra ela ficava responsável por desenvolver produtos, desenhos de embalagens, criar conteúdos para rótulos, participava de escolhas de formatos, cores e materiais e etc.
– Certo! Sem problemas nenhum.
– Você vai ter a como parceira, ok? Vou mantê-la na função, porque ela entende muito e desde que entrou aqui, ela fica com essa parte, tudo bem?
– Tudo bem. – tentou se lembrar da tal , mas sem sucesso.
– Pode se sentar lá na mesa dela e esperar por ela, já já ela deve estar aí!
Os dois deram as mãos e o chefe o desejou boa sorte. Assim que Jimin saiu da sala do chefe, acenou para ele, sorridente. Ele acenou de volta e caminhou até a morena.
– Bem vindo, oficialmente agora, Park Jimin! – estendeu a mão para o rapaz e depositou um beijinho em sua bochecha.
Ele retribuiu o beijo na bochecha da mesma e agradeceu.
– Pode sentar aqui, na minha mesa ou na da , ela já deve estar chegando. Eu vou indo, tenho muita coisa para fazer, você sabe como é lá, né?
– Sei sim, é bem corrido lá. Boa sorte, ! Se precisar de ajuda. – ele piscou.
Jimin escolheu uma das mesas e logo começou a colocar suas coisas sobre a mesma, ignorando completamente as coisas de , já postas ali. Terminou de arrumar suas coisas e saiu para pegar um café.
cumprimentou alguns colegas enquanto caminhava em direção à sua mesa. Quando chegou até a mesma, notou logo de cara que tinha algo estranho, suas coisas estavam todas num canto e havia coisas de outra pessoas dispostas ali. Olhou a mesa de , que estava quase vazia e achou estranho. O dia mal havia começado e ela já estava estressada.
Jimin voltou e se sentou na cadeira de , ajustando a mesma para suas medidas e fitou a garota de cabelos loiros claros olhando–o com cara de poucos amigos.
– Pois não? – ele ergueu uma sobrancelha.
– Pois não? – ergue a sobrancelha de volta e bufou logo em seguida – O que você está fazendo na minha mesa, estagiário?
– Sua mesa? – ele olhou ao redor – Estagiário?
Jimin gargalhou, o que fez com que sentisse cada poro de seu corpo ferver, e claro, provavelmente seu rosto estava vermelho como um pimentão, pois ela sempre ficava assim quando ficava com raiva. era conhecida por ter o pavio curto. Jimin estava provocando a garota errada.
– Ah, eu errei? Você não é estagiário, é menor aprendiz né? – ela jogou a pasta sobre os papéis dele.
– Olha, querida... – ele começou, irônico – Nem um, nem outro, agora acredito que sou seu mais novo parceiro de trabalho. Você é a , não é?
olhou para Jimin com cara de desdém. Novo colega de trabalho? Como assim? O aprendiz só podia estar delirando.
– Muito boa a piada, aprendiz! Agora vaza da minha mesa e chame a por favor!
Jimin voltou a gargalhar e cruzou os braços abaixo do tórax fazendo com que alguns músculos se destacassem na camisa branca perfeitamente passada. passou a língua pelos lábios ao observar, algo que não passou despercebido por Jimin, que sorriu, maliciosamente.
balançou a cabeça, voltando para a realidade, quando o chefe a chamou até a sala dele.
– Quando eu voltar, quero minha mesa do mesmo jeito que eu estava, aprendiz!
O chefe gritou para que Jimin viesse também e voltou a arquear as sobrancelhas estranhando o fato.
Os dois se sentaram e o chefe disparou.
– Já conheceu seu novo parceiro de trabalho? – o chefe sorriu.
voltou o olhar para Jimin, que sorriu debochado de volta para a nova parceira.
– O menor aprendiz? E a ? Ela não comentou nada comigo de uma possível mudança!
O chefe a corrigiu.
– O Jimin não é menor aprendiz, Ludmila, por favor, não comece com suas implicâncias com os novatos! O Jimin era estagiário e foi efetivado.
– Certo, meus parabéns Jimin! – ela lançou um olhar furioso na direção dele que lhe lançou um beijo com as mãos – E por que ele não está com a Leona?
cruzou os braços irritada e o chefe revirou os olhos. Só não a mandava embora porque ela era extremamente competente.
– Porque a Leona pediu demissão e a foi para lá, ela só soube hoje quando chegou, assim como você!
– Então, bota ele com a , horas! É a única coisa que ele tem experiência.
– , por favor! – o chefe bateu a mão sobre a mesa fazendo com que os dois se assustassem.
Jimin segurou o riso.
– Eu acho que o Jimin tem perfil e gabarito o suficiente para assumir essa função, e você vai me prometer que não vai sabotá-lo, porque se isso acontecer já sabe, não é? E vai ajudá–lo, vai ensiná–lo com paciência e competência, porque isso eu sei que você é!
bufou, ainda irritada, mas o que ia fazer? Ele era o chefe. Olhou Jimin que mantinha aquele maldito sorriso debochado.
– Tudo bem, não tenho outra escolha. Vamos, aprendiz! – ela se levantou dando as costas aos dois
– ! – repreendeu o chefe – Jimin, ela é uma boa pessoa! Com o tempo você vai ver, me desculpe!
– Imagina! Ela não me intimida. Mesmo que ela não me aceite, eu farei o meu melhor.
Ele saiu da sala e viu de longe resmungando, fazendo caretas e gestos com as mãos, mudando suas coisas para a mesa que era de . Jimin sorriu.
– Jimin um, zero!
Ele gargalhou e lhe tacou um caderno.
Oitavo Capítulo – Serendipity
Jimin buzinou três vezes, e logo o amigo apareceu. Jimin sorriu, estava feliz de ter reencontrado Hoseok. Na faculdade, os dois mesmo de cursos distintos faziam tudo juntos. Estudavam juntos na biblioteca, lanchavam juntos, até os trabalhos faziam juntos, mesmo os cursos não tendo nada a ver um com o outro. Depois que se formaram, nunca mais se viram ou se procuraram. Devido a correria da vida, os dois se distanciaram, mas por um acaso do destino os dois se esbarraram em uma farmácia. Jimin logo reconheceu o amigo que mesmo loiro, tinha os mesmos traços da época da faculdade. Hoseok mal acreditou quando o rapaz disse que era Park Jimin.
Depois da farmácia, os dois foram comer alguma coisa para que pudessem conversar sobre como a vida andava. Jimin contou que ainda tinha problemas com o padrasto, mas que agora estava efetivado numa empresa de publicidade com um bom salário e que assim, logo poderia sumir com a mãe da casa do padrasto, Jimin estava muito feliz e Hoseok se alegrou pelo amigo, ele era uma boa pessoa. Já Hoseok contou que pouca coisa havia mudado, ele também estava trabalhando na área, continuava morando e cuidando do pai, mas que ainda era muito fechado, e ainda não conseguia fazer amigos. Foi aí que Jimin teve a ideia: no sábado haveria uma confraternização do escritório para comemorar as metas batidas. Seria numa chácara com tudo pago e se os funcionários quisessem poderiam dormir por lá e cada um poderia levar um acompanhante. Jimin não levaria ninguém até aquele momento, então resolveu ajudar o amigo a se soltar mais e fazer amizades, e também ele não tinha muitos amigos no escritório. Além de e , bom, não era bem uma amiga, eles se aturavam, e Jimin e estavam ficando muito amigos, e como ela era amiga de e sua parceira de trabalho, eles eram obrigados a conviver juntos nos almoços e cafés, além das oito – às vezes dez – horas de trabalho.
Jimin chamou Hoseok para ser seu acompanhante na confraternização, o que o garoto de primeira recusou, pois não se sentiria confortável e achou que Jimin só o estava chamando por pena. Mas Jimin não aceitou a resposta do amigo e insistiu, disse que passaria em sua casa às quatorze horas no dia, pediu que o amigo fizesse uma pequena mochila e que não aceitava não como resposta. Os dois trocaram telefones, se despediram e voltaram para suas casas. Ambos felizes de terem se reencontrado, especialmente Hoseok. O sentimento de solidão, havia diminuído em seu peito. Conversou com o pai sobre o passeio, com receio do mesmo ficar sozinho, mas o pai estava adorando a novidade e incentivou o filho a ir com o amigo.
Os dois se cumprimentaram assim que Hoseok entrou no carro. O amigo reparou que Hoseok estava cheiroso.
– Tomou banho no perfume? – os dois gargalharam.
– Meu pai também disse que eu exagerei! – ele ficou vermelho enquanto rodava um dos anéis no dedo.
– Olha, eu não tenho intimidade assim com todo mundo não, sabe? Tipo, eu ainda sou meio novato, e acabou que por eu ser estagiário sou um dos mais novos lá, tipo você lá no seu trabalho. Eu tenho duas amigas lá. Bom, mais ou menos, uma delas eu só aturo porque é minha parceira de trabalho, ela é insuportável, então por favor nada se apaixonar por ela!
Hoseok riu alto – como sempre fazia – e bateu a mão na perna de Jimin.
– Só estou indo porque você me obrigou, esqueceu?
Jimin olhou ofendido para o amigo que voltou a gargalhar.
– Brincadeira, amigo! Fiquei muito feliz com o convite, e estou indo para te fazer companhia.
Jimin estacionou o carro e os dois desceram, se aproximando de onde estava vindo o barulho, todos esperavam um dia ensolarado para cair na piscina, mas o dia estava nublado e frio o que fez com que pelo menos Jimin e Hoseok se agasalhassem. Jimin vestia uma camiseta branca e calças jeans e um casaco com estampas em cores claras que refletia certo brilho e o cabelo loiro dessa vez, diferente do dia a dia não estava em um topete e sim partido ao meio, fazendo com que ele parecesse mais informal e Hoseok não estava muito diferente do amigo, vestia uma camiseta branca com calças jeans, um casaco lilás bem claro com bolsos com algumas plumas e o cabelo também não estava liso como de costume, estava um pouco bagunçado e parecia até meio enrolado.
Assim que os dois adentraram Jimin começou a cumprimentar alguns colegas que estavam por ali e apresentou Hoseok a eles, é claro. E começou a procurar e , bom não que ele fizesse questão de ver , mas como as duas eram grudadas, se visse uma, ele com certeza veria a outra.
Hoseok apertou o ombro do amigo.
– Onde você quer sentar?
– Estou procurando as meninas, vamos nos sentar com elas.
Hoseok assentiu.
– Esse lugar é enorme e tem bastante gente. – Hoseok comentou – Me descreva elas que eu te ajudo a procurar.
– Ah, uma delas é minúscula e tá sempre com a cara feia, parece o zangado dos sete anões.
Hoseok gargalhou levando as mãos até a boca para abafar o som de sua risada.
– Essa provavelmente é a sua parceira?
– Sim.
– Mas eu perguntei de aparência!
– Ah, eu não reparo nela! – mentiu Jimin.
– Ok! – Hoseok deu de ombros – Então como é a outra?
– Tem os cabelos bem curtinhos, bem curtinhos mesmo, e pretos.
Hoseok se afastou um pouco do amigo e deu uma geral no lugar, até que vislumbrou uma garota que se enquadrava na descrição dada pelo amigo. Hoseok estreitou os olhos e bom, ela era a única garota com os cabelos curtos por ali. E gargalhava de algo que outra garota em pé ao seu lado dizia.
– Acho que achei! – Hoseok chamou Jimin com a mão – São elas?
– ISSO! São elas! Vamos!
Jimin saiu na frente com Hoseok logo atrás.
– Nem para pegarem uma mesa? Aposto que foi a que escolheu sentar aqui.
– Ai, menino, me esquece! Nós vamos ter que aturar ele a festa inteira? , você me paga!
e Jimin se olharam e ele como sempre sorriu debochado, afinal de contas adorava implicar a parceira. E fez uma careta para ele.
– Não sei se você tá vendo direito, talvez esteja com problema de visão, mas não tem mais mesas! Chegamos agora mesmo e agradeça a que achou esse lugar aqui para a gente sentar, Park Jimin!
balançou a cabeça enquanto os amigos se implicavam e então reparou no garoto que estava ao lado de Jimin observando e Jimin discutirem, segurando o riso.
Ele era tão bonitinho, pensou . Seria irmão de Jimin?
– Vocês estão assustando o rapaz! Tenham modos! – interrompeu a discussão inútil dos amigos.
Hoseok direcionou o olhar para onde vinha a voz e uau. Assim de perto ela era incrivelmente bonita. E tinha um sorriso ainda mais bonito. Hoseok sentiu que estava para ficar vermelho e Jimin bateu uma das mãos nas costas do amigo.
– Esse é o Hoseok, meninas!
– Seu irmão? – questionou para Jimin.
– Se for seu namorado não precisa mentir, viu? Nem eu, nem a somos homofóbicas! E ninguém na empresa é também! Inclusive, ele é muito bonito para você, Jimin! Prazer Hoseok, eu sou a ! Infelizmente sou parceira de trabalho do seu namorado, mas olha que somos só parceiros mesmo, viu?
Hoseok apertou a mão de rindo. E Jimin revirava os olhos.
– Sei que está fazendo isso para me tirar do sério! Como se não bastasse você me encher a paciência de segunda a sexta.
gargalhou ao ver que tinha conseguido.
– Brincadeira, Hoseok! Vocês são irmãos?
– Não! Somos amigos da época da faculdade.
– Ah, então posso te cumprimentar direito.
depositou um beijo na bochecha de Hoseok.
– Nada de tentar seduzir meu amigo! Prefiro que ele fique com você, ! Deus me livre de ter que aturar a com um dos meus melhores amigos!
Hoseok ficou vermelho e então deu um soquinho nas costas do amigo. e riram da reação do garoto.
– Ele não faz meu tipo, aprendiz! Nada contra, Hoseok! Mas eu prefiro homens com barba, sabe?
Hoseok voltou a gargalhar, ainda vermelho.
– Vamos parar com isso! O menino está assustado, com certeza! Não liga, Hoseok, eles são assim, 24/7.
– Como você aguenta? – os dois riram e Jimin e ficaram ofendidos.
– É uma boa pergunta, Hoseok! Você também é publicitário?
se levantou de onde estava sentada.
– Não, sou químico! – respondeu sem jeito.
– Uau! – colocou uma das mãos nos ombros de Hoseok – Amiga, pode investir!
fez uma cara séria para como se dissesse que a brincadeira não tinha sido de bom tom e ela deu de ombros.
– Que legal! Nunca conheci um químico! – ela piscou e Hoseok voltou a ficar vermelho.
achou ele a coisa mais graciosa que ela poderia ver naquela noite. Garotos tímidos tinham um lugar em seu coração. Ela mesmo havia demorado muito tempo para superar a timidez, e sabia muito bem como Hoseok estava se sentindo.
– Você não queria uma bebida, ? Eu também quero, vamos pegar?
finalmente tirou a mão do ombro de Hoseok e falou que sim. Antes, passou por Hoseok e depositou um beijo em sua bochecha, segurando a outra parte do rosto dele com uma das mãos.
– Prazer Hoseok!
Ele nada conseguiu dizer, apenas sorriu para a garota.
– Olha só! Você tá fazendo sucesso J–Hope, tem até marca de beijinho na bochecha!
Hoseok fez uma careta pro amigo ao ouvir o apelido.
– Elas só estão sendo educadas, Jimin. Mas elas são bonitas! Especialmente a .
Jimin começou a fazer cosquinhas no amigo, que ria enquanto tentava segurar as mãos do amigo.
– Quer beber alguma coisa? – Jimin questionou.
– Sim, o mesmo que você beber.
– Senta aí que eu vou lá com as meninas e a gente já volta.
Hoseok assim o fez. Despercebidamente ele levou a mão até a bochecha onde o amigo havia dito que estava a marca e sorriu.
Jimin alcançou as meninas, puxou o cabelo de que resmungou e lhe deu um tapa.
– O que tem para beber?
– Você não pode beber, menor aprendiz!
Jimin revirou os olhos.
– Você com um metro e meio quer falar o quê? Você parece ter quinze anos, !
– Fico feliz de parecer mais nova! – ela pegou no queixo dele rindo e Jimin achou estranho.
– Tem cerveja, tem caipirinha e um monte de drinks e você pede ali! – apontou para uma espécie de bar – Você deixou o seu amigo sozinho?
Jimin disse que sim e perguntou porque.
– Coitado, Jimin! Ele é super tímido. Não se larga pessoas tímidas sozinhas!
– Mas eu tenho certeza que ele preferiu ficar lá sentado quietinho do que encarar essa multidão toda aqui!
– Ele é tão bonitinho! – fez um biquinho.
Jimin sorriu para a amiga, deu mais um puxão no cabelo de e foi para o bar. Quando voltou passou por e novamente, elas conversavam com Dinah, uma senhora que era responsável por captar novos clientes para o escritório.
Sentou–se ao lado de Hoseok e lhe entregou a cerveja.
– Tudo na paz por aqui?
– Claro! – Hoseok ergueu a cerveja e os dois brindaram.
Jimin olhou para as garotas e voltou a olhar para J–Hope – gostava do apelido e não entendia porque o amigo não – e teve uma ideia. Assim que olhou para eles para se certificar que eles estavam mesmo ali, Jimin se afastou de J–hope, deixando um bom espaço entre os dois, ergueu as sobrancelhas e ele bateu com a mão no lugar dizendo a mesma que era para ela se sentar ali ao lado do amigo, no meio dos dois. Ela fez um gesto com as mãos que já estava indo.
– O que você tá fazendo, Jimin? – Hoseok questionou o amigo sem entender.
Jimin voltou a se aproximar do amigo e cochichou em seu ouvido.
– Dando espaço para que a se sente ao seu lado. Quando fui pegar as cervejas ele me disse que você era bonito.
Hoseok sentiu as bochechas esquentarem, e então gargalhou dando um tapa no ombro do amigo.
– Não seja bobo, Jimin! Você espera que eu acredite? – ele voltou a rir.
– Eu mentiria uma coisa dessa pra você Jung Hoseok? – Jimin colocou a mão no peito, ofendido.
J–Hope olhou pro amigo e bagunçou–lhe os cabelos. voltava para onde eles estavam e Jimin abriu novamente espaço para a amiga que segurou o vestido longo para não pisar na barra do mesmo enquanto passava por Jimin. Sentou–se no meio dos amigos.
– Seu amigo te deixou aqui sozinho, né? Eu briguei com ele, ele te falou?
Hoseok sentiu o hálito quente e bater em seu pescoço enquanto ela falava com a boca próxima a seu ouvido. O corpo dele havia reagido, e ele estava arrepiado. Engoliu seco enquanto tomava um gole da cerveja.
– Não! Ele é muito vaidoso para contar isso! – os dois gargalharam.
Depois disso se aproximou e deu um sorrisinho ao ver a amiga com Hoseok, sentou–se ao lado de Jimin, e colocou um dos braços sobre um dos ombros dele. Jimin a olhou com cara de assustado.
– Ai, eu estou bêbada, ok? Me deixe! Aliás, obrigada por ter trago seu amigo, a estava precisando conhecer gente nova! Pelo menos uma dentro, né menor? Eu até poderia te dar um beijinho na bochecha por isso!
Jimin fez cara de nojo, o que fez rir. Mas ele não tirou o braço dela de lá e ela também não se afastou.
Hoseok e conversavam sobre as profissões e disse que estava impressionada com o trabalho do rapaz.
Até que a cerveja de ambos acabou.
– Vai querer mais uma, Hoseok? – apontou para a cerveja –
– Vou sim, e você?
– Vou! Bora lá buscar?
Hoseok se levantou e ergueu a mão gentilmente para que aceitou. Assim que ela se levantou acabou pisando na barra do vestido e se desequilibrando um pouco, Hoseok com o reflexo mais rápido que de um gato a segurou pela cintura impedindo que ambos caíssem no chão. Agora ali estavam os dois, com os rostos colados um no outro, tanto que podia sentir a respiração dele bater em seus lábios. Ambos não reagiram de primeira, e Hoseok acabou por apertar a cintura fina de que fez o mesmo com os ombros do loiro. O que era aquela sensação?
Nono Capítulo – Wanna play?
Jimin havia ficado para trás, pois estava no telefone com a mãe, então e saíram para tomar café sem o loiro. As duas se sentaram uma do lado da outra e partiram o bolo que havia feito e lavado para os três tomarem o café.
– E o Hoseok e você? Quando vai ser o date? – perguntou despretensiosamente.
se lembrou do loiro e deu um sorriso de canto, depois deu de ombros.
– A gente conversa quase todos os dias, mas até agora nada dele tocar no assunto.
– Toque você! – piscou – Você sempre foi tão pra frente com essas coisas!
riu, sem jeito, mas era verdade. Ela nunca teve problema em se aproximar ou tomar a primeira atitude quando se tratava de romances, mas naquele caso ela sentia que o garoto a via apenas como uma amiga. Havia rolado um clima na festa da empresa, mas depois não passou daquilo. Os dois conversavam bastante por mensagem e até por videochamada, afinal de contas estavam trocando nomes de livros e suas respectivas experiências com os mesmos. Tinham os gostos incrivelmente parecidos quando se tratava do assunto. Mas não sentia que ele queria algo mais além daquela bela amizade que estava surgindo. Então preferia deixar como estava, gostava do garoto, então por que não serem bons amigos?
– Ah não sei, ! Acho que ele só quer amizade, sabe? – deu de ombros de novo.
observou a amiga chateada com a situação.
– Ah, que pena! Vocês dois iam ficar tão bonitinhos juntos! Você ainda quer um namorado?
riu enquanto terminava de comer um pedaço do bolo.
– Acho que sim! – fez um biquinho fofo.
– Faz o seguinte… Que tal a gente ir jantar hoje? Amanhã tanto eu quanto você, e o infeliz do Jimin, só começamos na parte da tarde mesmo! Nós podemos ir jantar, você me conta mais sobre isso e a gente pensa em algo, além de você se distrair da solidão da sua casa!
– Pode ser! Aonde?
– Hum, que tal no Ginger Sushi? – a amiga sugeriu sorrindo, pois sabia que o lugar era perfeito .
– Ai, pode ser! Amo!
As duas combinaram o horário e disse que precisava ir ao banheiro enquanto a amiga disse que terminaria de guardar as coisas, se despediram com um até mais tarde.
estava desposta a arrumar nem que fosse um sexo casual para a amiga que parecia estar realmente necessitada, e quem sabe disso não surgia realmente um namoro? Já que Hoseok não queria, com certeza alguém se interessaria pela amiga. era voluntária num lar para idosos, e lá ela conheceu Namjoon, um rapaz que estava com a mãe internada lá devido a esquizofrenia. Todas as vezes que ia até o local ele estava lá com a mãe, mesmo que de longe, já que a mãe não o reconhecia mais. Morria de pena pela história do garoto. Ele era um homem bonito que certamente fazia o tipo da amiga e pelo que ela bem sabe, ele não tem ninguém. Era hora de agir. Buscou o número do amigo da agenda e digitou.
“Hey, Nam! Quanto tempo, não? Que saudade! Precisamos pôr o papo em dia, tô numa correria danada, nem tempo de ir ver você, sua mãe e meus outros velhinhos estou tendo! Que tal irmos jantar hoje que nem fizemos da última vez que nos vimos? Tem algum compromisso hoje?”
Apertou “enviar” e voltou para sua mesa, com um sorriso confiante nos lábios.
– Hum, tá com esse sorriso no rosto por que? Ficou boba?
Bagunçou os cabelos de Jimin – sabia que ele odiava ter o topete bagunçado.
– Eu sou uma gênia menor aprendiz! – jogou os cabelos e sentou–se em sua cadeira.
– Você vai ficar até mais tarde hoje?
– Não posso! Tenho um compromisso com a !
– Eu vou ficar, vou adiantar algumas coisas. Você também deveria ficar!
– Cuida da sua vida!
Jimin revirou os olhos. O celular de vibrou sobre a mesa e a mesma só faltou pular sobre a mesma para pegá–lo. Jimin achou estranho, principalmente porque a baixinha abriu um mega sorriso.
– O que você está aprontando? – ele ergueu uma sobrancelha.
– Nada que te interessa! – respondeu a loira com desdém.
Jimin rodou a cadeira até chegar próximo à colega que bloqueou o celular na hora.
– Que isso, Jimin? Quem te deu essa intimidade? – os dois trocaram um olhar intenso.
– Isso me cheira rolo e com homem ainda!
– E? – perguntou fitando o loiro, divertida – Tá com ciúmes, menor aprendiz? Ah, por favor!
Ela começou a gargalhar e Jimin fez uma careta para a colega.
– Você é maluca mesmo, olha as idéias!
Jimin voltou para sua posição balançando a cabeça, mas ficou de olho na parceira pelo canto dos olhos.
desbloqueou o celular e finalmente pode ler com calma a mensagem de Namjoon:
“Oi, pequena! Saudades também! Pensei em te mandar mensagem ontem mesmo, para saber se estava tudo bem! Um jantar? Eu topo, claro! Hoje mesmo? Que horário e onde? Me diga, e eu estarei lá! Um beijo!”
Ludmila sorria de orelha a orelha. Jimin soltou um muxoxo, que ignorou. Tinha certeza que era o plano perfeito e que Namjoon e eram o casal perfeito. Buscou por algo no telefone e então utilizou o telefone fixo de sua mesa.
– Oi! É do Ginger Sushi? – aguardou – Eu queria fazer uma reserva para dois hoje em nome de Miranda.
Aguardou novamente, e Jimin a olhava escancaradamente com um olhar de surpresa.
– Que foi?
– Você não disse que seu compromisso era com a ?
– Mas é! Ai como você é chato, Jimin! – revirou os olhos.
– Você tá aprontando, não tá, ? O que você vai aprontar pra ?
– Isso! Até às nove e meia no máximo! – respondeu ao telefone – Preciso que seja num lugar mais afastado, que seja a luz de velas, por favor!
Jimin cruzou os braços abaixo do peito. Ali tinha e ele queria descobrir o que era. Assim que desligou o telefone ela olhou Jimin e gargalhou.
– O quê, Jimin? Eu não posso marcar um encontro romântico com a minha amiga? Encontros românticos podem ser somente entre casais?
– Você realmente acha que eu sou bobo, né?
– Acho! Tá aí uma coisa que você acertou! Repare bem quando for no espelho, você tem cara de bobo!
Jimin revirou os olhos e lhe jogou um papel de salgadinho.
– Hoje será um girls night, vou levar minha amiga para comer sushi, porque ela ama à luz de velas! Já que seu amigo não foi capaz de proporcionar um encontro romântico à ela, proporcionarei eu! Inclusive, tô indo! Até amanhã, curupira júnior!
Jimin cerrou os olhos pensando no que disse, e resolveu que daria uns toques em J–Hope depois.
enviou uma mensagem a amiga dizendo que a reserva da mesa estava em seu nome e avisou Namjoon o local, o horário e que a reserva da mesa estaria em seu nome. O mesmo confirmou que iria.
deu uma última olhada no espelho, ajeitou a presilha roxa no cabelo, que estava jogado para o lado esquerdo. Detestava usar o cabelo repartido de lado, mas a ocasião pedia um penteado.
Checou se todas as coisas estavam na bolsa: documentos, um batom, a carteira. Vestia uma calça vinho de cintura alta, um cropped preto que deixava um pedaço de sua barriga à mostra, mas nada demais, só um pequeno pedaço mesmo. Não usava salto, optou por um tênis preto e pegou o casaco da mesma cor da calça e pôs sobre os ombros sem ainda vesti-lo. sempre fora friorenta e depois de ter cortado o cabelo bem curto sentia ainda mais frio.
Ela queria beber um pouco de saquê e não achava de bom tom ir de carro, então pediu um carro de aplicativo. Chegou ao restaurante e informou ao recepcionista que tinha uma reserva no nome da amiga e o mesmo o levou até a mesa.
Havia algumas velas aromáticas iluminando o lugar e nenhuma outra mesa ao redor. tinha cada ideia exótica. riu se sentando na mesa, ao notar o clima de romance que havia ali. Pegou o celular dentro da bolsa e avisou a amiga que já havia chegado e então pôs–se a observar o cardápio do lugar. Amava comida japonesa e nunca havia ido àquele restaurante em específico, mas sabia que era um dos melhores.
Namjoon ajustou o cardigã que usava enquanto dizia boa noite ao recepcionista.
– Eu tenho uma reserva no nome de uma amiga. Miranda!
O recepcionista assentiu e pediu que ele o acompanhasse. O local estava lotado. Fazia tempo que ele não saía com amigos, o trabalho e toda a história com a mãe o estava consumindo. Fez uma nota mental de sair mais enquanto acompanhava o recepcionista. Assim que o mesmo apontou a mesa, Namjoon achou estranho, havia uma moça sentada na mesma e não era .
– Com licença, moça – ele arranhou a garganta e a moça o olhou – Acho que você se sentou na mesa errada!
olhou ao redor e voltou a olhar o rapaz.
– Acho que o senhor é que se equivocou! – ela voltou a olhar o cardápio.
Namjoon soltou um suspiro longo e olhou o relógio. Não tinha tempo para perder. O cardigã que ele usava voltou a cair, o incomodando de novo, ele ajustou o mesmo.
– Moça, eu não quero te constranger ao ter que chamar o recepcionista novamente!
Foi a vez de soltar um suspiro cansado.
– Pois foi ele mesmo que trouxe aqui nesta mesa, que está em nome de Miranda, minha amiga! Marcamos hoje no trabalho, às vinte e uma exatamente aqui, querido!
passou os olhos sobre o rapaz. Ele era alto, um tanto quanto musculoso, era o que dava para ver através da camiseta branca colada que ele vestia e o cardigã azul claro. A calça preta social lhe dava um ar mais sério. Os cabelos jogados para trás com gel, eram de um cinza que ela nunca havia visto.
– Miranda? – ele perguntou e assentiu – Estranho, ela não me disse que traria uma amiga.
– Não te disse? Como assim? – estreitou os olhos.
Namjoon voltou a suspirar pesadamente fazendo com que seu peito subisse e descesse e achou aquilo sexy.
– Ela marcou aqui comigo também, nesse mesmo horário!
– Então vamos ligar para ela e perguntar se ela já está vindo! – deu de ombros despreocupada – Ela me disse que seríamos as duas, um jantar de garotas!
Namjoon achou estranho, então pegou o celular no bolso e ligou para a amiga, colocou no viva voz. levantou. O rapaz então pôs–se a reparar na garota. Os cabelos curtos, normalmente Namjoon não gostava de cabelos tão curtos quanto os da menina, achava que era masculino demais, mas nela não, havia ficado delicado, assim como seu rosto e suas mãos.
– ? – Namjoon disse – Onde você está?
– Você já chegou, Nam?
– Sim, já cheguei!
gargalhou.
– E a , já chegou aí?
e Namjoon se olharam. Namjoon acreditava que sim, que já tinha chegado e provavelmente era a moça em pé ao seu lado.
– Já! Ela já está aqui, e quando você chega? – ele ergueu uma sobrancelha desconfiado.
a essa altura do campeonato já havia percebido o que a amiga havia feito e então soltou um riso nasalado balançando a cabeça, achando graça.
– Eu não vou! Marquei um encontro às cegas entre vocês dois! Vocês dois estão solteiros, vocês dois não beijam na boca e não transam há muito tempo, e precisam disso! Então, aproveitem o encontro! Namjoon, essa é a minha amiga de infância e colega de trabalho! , esse o Namjoon, que conheço do abrigo! Bom jantar, bebês! Amanhã eu quero todos os detalhes, ! Beijinhos.
Ela gargalhou e desligou o telefone. Namjoon, estava com cara de poucos amigos e o maxilar travado.
– Você precisa relaxar um pouco, caramba! – argumentou rindo – A é maluca, e se você conhece ela há pelo menos uma semana, já deveria saber disso! Bom, eu vou jantar! Afinal de contas eu estou morta de fome e preciso de um saquê!
voltou a se sentar no mesmo lugar de antes, voltando a olhar o cardápio. Namjoon continuou com o maxilar travado, mas acabou por se sentar em frente à garota.
– Você já veio aqui outras vezes?
– Nunca. – respondeu Namjoon seco.
olhou o garoto e deu uma risadinha.
– Há quanto tempo conhece a ? Sei que tem um bom tempo que ela é voluntária lá nesse abrigo, e ela ama.
– Um ano e meio mais ou menos. – sorriu ao se lembrar da amiga.
– Eu a conheço desde que tínhamos doze anos.
Namjoon engoliu seco e pegou o outro cardápio. Um garçom se aproximou e perguntou se eles já sabiam o que pedir.
– Você pode me dizer qual a especialidade da casa? – perguntou curiosa.
Namjoon assim como ela prestou atenção ao que o garçom falava.
– O prato mais famoso da casa é o Mix Ussuzukuri, que consiste em trinta lâminas de peixe, onde dez são de peixe branco, dez de atum e dez de salmão, cebolinha a gosto, banhados em um molho de shoyu, suco de duas laranjas, suco de um limão taiti, e temperados com hondashi e togarashi.
– Dá para duas pessoas? – Namjoon questionou.
– Certamente, senhor!
e Namjoon se olharam.
– Pode ser para você? – assentiu que sim com a cabeça.
O garçom perguntou o que eles beberiam e quase gritou que queria seu tão esperado saquê o que fez com que Namjoon segurasse uma risada.
– Você vai beber saquê também, senhor mau humor? – brincou.
– Eu não costumo beber quando estou dirigindo, então me trás um suco de – o interrompeu.
– De maracujá, por favor, da fruta se possível, ele tá um pouquinho mal humorado!
Namjoon olhou novamente com cara de poucos amigos enquanto o garçom pedia licença e saía e ela questionou divertida.
– Eu falei alguma mentira?
Namjoon soltou outro suspiro enquanto ela gargalhava jogando a cabeça para trás. Namjoon começou a brincar com um dos anéis.
– Você é médico?
Os dois se olharam.
– Não. – Namjoon riu pela primeira vez na noite – Por que?
Havia ficado curioso com a pergunta.
– Ah, você tá estressado, e conheceu a num abrigo de idosos, lá tem médicos e enfermeiras, então eu associei uma coisa à outra! E você tem cara de médico!
– Eu sou advogado!
– Ah, faz mais sentido ainda!
Os dois riram.
– E você é publicitária?
– Exatamente! Eu cuido da parte da imagem dos clientes.
– Parece ser interessante.
– Na verdade, é bem exaustivo.
– Imagino.
Os dois voltaram a se olhar, e pôs–se a mexer nas velas. Estavam sem graça um com o outro agora.
– Você é advogado em que área?
– Criminal. Sou advogado de acusação.
– Uau! – estava realmente surpresa – Você gosta?
– Amo! Bom, hoje eu amo. Antes de me formar eu só cursei por vontade do meu pai. Mas hoje eu amo.
– E o que você faz tanto lá no abrigo? É voluntário?
Namjoon engoliu seco com a pergunta, afinal de contas pouquíssimas pessoas sabiam de sua mãe e aquilo era doloroso demais.
– Não, eu não sou voluntário.
As bebidas chegaram. se serviu de seu saquê e Namjoon tomou um gole do suco.
– E nem médico.
– E nem médico. – ele repetiu.
Os dois voltaram a se olhar enquanto tomava um gole de seu tão esperado saquê.
– Entendi. Você não quer falar sobre isso! – ela assentiu.– Não! É só que… – ele pausou e engoliu em seco – Bom, se você é amiga há tanto tempo assim da , talvez eu possa contar, você deve ser confiável.
– Não se sinta pressionado ou obrigado a me contar por causa da sua proximidade com a !
Namjoon respirou fundo.
– Minha mãe está internada lá! Desde que me entendo por gente, e eu a visito dia sim e dia não. Foi assim que conheci a , e foi assim que viramos amigos. Minha mãe a adora.
Namjoon sorriu, e sorriu de volta ao ver o rapaz sorrir.
– Ah, que legal! tem uma alma muito boa, ela é demais!
– É verdade! Eu também gosto muito dela.
Os dois balançaram a cabeça.
– E sua mãe nunca mais vai poder sair de lá? – questionou receosa.
– Eu acho que não! – ele balançou a cabeça.
– Mas ela deve ser muito grata de ter um filho que nem você, Namjoon!
Namjoon abriu um sorriso amargo enquanto sentia os olhos marejarem. percebeu. Delicadamente ela colocou uma de suas mãos sobre a mão direita de Namjoon. Depositou um carinho discreto por lá, antes de apertar a mesma.
– Desculpe. Falei algo que não deveria?
Namjoon retribuiu o toque da garota, colocando a mão esquerda sobre a dela.
– Não, imagina! É só que… Minha mãe não se lembra mais de mim.
sentiu o peito rasgar–se em um milhão de pedaços dentro do peito.
– Eu sinto muito, Namjoon! – voltou a apertar a mão do garoto – Sinto muito mesmo!
Ele sorriu sem mostrar os dentes e continuou com a mão sobre a dela.
– O que aconteceu com ela? Quer me contar?
Namjoon assentiu que sim e apertou a mão da garota que aproximou um pouco mais a cadeira da dele.
– Eu tinha um irmão, bom, ele morreu no parto. Eu tinha seis anos quando isso aconteceu. – ele umedeceu os lábios, ainda com os olhos cheios d’água – E desde então minha mãe nunca mais foi a mesma, até que descobrimos que ela havia desenvolvido um tipo de esquizofrenia devido ao trauma, e com isso todas as memórias dela sumiram.
Namjoon pausou e abaixou a cabeça, sentindo que não conseguiria mais segurar as lágrimas. A outra mão de que estava livre, repousou sobre uma de suas pernas. Como se dissesse para ele que ela estava ali.
– Ela não se lembra do meu pai, e nem de mim.
deixou que Namjoon chorasse o que tinha para chorar, enquanto demonstrava seu apoio com ligeiras carícias.
– Eu vou ao banheiro, já volto!
ficou sozinha ali, com seus pensamentos. Havia achado Namjoon um tanto quanto arrogante durante os primeiros minutos do “encontro” mas agora… queria abraçá-lo até sugar toda dor que havia em sua alma e corpo. Que tristeza! Como ele aguentava?
O prato que eles pediram havia chegado um pouco antes de Namjoon voltar do banheiro.
– Vamos comer? – questionou enquanto servia um prato para Namjoon que agradeceu.
Os dois comeram comentando o quanto estava maravilhoso. Depois que acabaram, ele perguntou se ela queria alguma sobremesa, e ela pediu o cardápio. Resolveram ficar com o típico biscoito da sorte mesmo.
– Como você está, depois de ter falado sobre esse assunto?
– Mais leve. – Namjoon se atreveu a segurar a mão dela por baixo da mesa.
Os dois entrelaçaram os dedos. Com a outra mão, acariciou a bochecha de Namjoon que fechou os olhos. Sentiu um arrepio percorrer a espinha e uma estranha calma.
Os dois voltaram a conversar sobre a vida e lhe contou que era adotada e que havia perdido os pais adotivos há menos de dois meses. Namjoon achou a garota incrivelmente forte.
– Não tem vontade de conhecer seus pais biológicos?
mordeu o lábio.
– Tenho. Mas tenho medo! Meus pais tem uma espécie de dossiê com informações importantes dos meus pais biológicos, e esse tal dossiê sempre esteve ao meu alcance para que eu o pegasse, no momento em que eu quisesse. Mas sempre senti que estaria sendo ingrata com eles de procurar os outros. Agora eu sei que infelizmente nada me impede de fazer isso, mas ainda não tenho coragem.
– Bom, eu sou advogado, se criar coragem e precisar de alguma ajuda legal, ou com algo no fórum, pode contar comigo!
sorriu agradecendo. Namjoon olhou no relógio e não perdeu a oportunidade.
– Viu só como o suco de maracujá ajudou? Agora você só olhou a hora, não fez nenhuma cara feia!
Namjoon olhou para baixo, ficando vermelho.
– Me desculpe, pelo mau jeito! – ele coçou a cabeça e sorriu.
O sorriso dele era lindo demais, e fez com que voltasse a lhe acariciar a bochecha. Namjoon fechou os olhos. sentiu que talvez estivesse indo longe demais, pois eles mal se conheciam e então interrompeu as carícias.
– Bom, acho que já tá meio na hora de irmos, né? Você deve se levantar cedo amanhã!
se levantou rapidamente, vestindo o casaco. Namjoon fez o mesmo e eles caminharam lado a lado, conversando amenidades até o caixa. Namjoon fez questão de pagar pelo jantar, e o fez prometer que no próximo encontro ele a deixaria pagar e Namjoon mentiu que sim. Os dois compraram seus biscoitos da sorte.
– Olhe ao seu redor, a felicidade está tentando te alcançar. – Namjoon leu o seu recado e olhou para .
sentiu as bochechas queimarem e então leu o seu.
– Pare de procurar eternamente; a felicidade está bem ao seu lado.
Foi a vez de Namjoon corar.
Os dois saíram do restaurante e questionou se ele poderia passar seu telefone para ela, pois como ela voltaria sozinha de aplicativo para casa, gostaria de compartilhar a corrida com ele para caso o motorista desviasse do caminho ele chamasse a polícia ou algo assim.
– Não, eu te levo em casa, !
– Não, Namjoon, tá tarde! Não vou te dar trabalho!
– Não vou correr o risco de que algo aconteça com você!
Os dois se olharam nos olhos, e sentiu o coração querer disparar.
– Vamos, eu te levo!
Aproveitaram para se conhecer um pouco mais e quando chegaram a casa de trocaram os telefones e se despediram com um abraço apertado.
Mas acabaria por ali?
Décimo Capítulo – Haz lo que quieras
A luz do sol adentrou a janela do pequeno quarto fazendo com que Yoongi acordasse e sentisse a cabeça rodar e doer. O nome daqueles sintomas era claro: ressaca. Se lembrava de ter enchido a cara na noite passada e beijar uma desconhecida. Assim que se sentou na cama, a estranha estava lá, deitada em sua cama. Ele não se lembrava muito bem das coisas, e a cabeça doía terrivelmente. Levantou pegando o celular em cima da escrivaninha e resolveu que faria um chá para tomar e ver se aquela ressaca resolvia ir embora.
Vestiu–se com uma bermuda xadrez e uma camiseta branca, escovou os dentes e foi para a cozinha preparar o chá. O celular vibrou sobre o balcão, e seu coração disparou ao ver o nome de Charlotte brilhar na tela: era uma mensagem da ex dizendo que estava indo lá para que eles pudessem conversar. Suga deu um tapa na testa ao se lembrar da estranha que ainda estava em sua cama. Precisava sumir com a garota de sua casa o mais rápido o possível.
Correu até o quarto e a garota já estava sentada na cama, um tanto quanto sonolenta.
– Bom dia! – disse a mesma se espreguiçando ainda nua.
Suga pegou as peças de roupa da garota que estavam espalhadas pelo chão e jogou na direção da mesma.
– Será que você pode se vestir e ir embora? Eu vou receber uma pessoa e não posso ter você aqui!
arregalou os olhos, um tanto quanto assustada com as primeiras palavras que ouvira do rapaz. O mesmo nada mais disse e saiu batendo a porta atrás de si. ainda atônita pela forma que havia sido tratada, começou a se vestir.
Ok, eles eram praticamente dois estranhos que tinham transado e só, mas será que era mesmo necessário esse tratamento?
Após se vestir a mesma deu uma olhada em si mesma e ajeitou seus cabelos num coque qualquer e então abriu a porta do quarto encontrando o rapaz em pé em frente ao fogão. soltou um suspiro baixo e balançou a cabeça em negativa. “Grosso,” foi o que ela lembrou de pensar antes de sair do apartamento fazendo questão de bater a porta com bastante força para deixar claro que ele estava livre.
Suga se assustou com a porta batendo e levou a mão ao peito, pronto! Finalmente, a casa estava vazia para que ele pudesse receber Charlotte.
resolveu que iria de ônibus para casa, estava irritada. Como assim? Ok, ele não precisava ter levado café na cama e a acordado com beijos e abraços, mas precisava ser tão grosso? bufou ao se sentar em um lugar próximo a janela. Lembrou-se do sorriso dele, que a cativara, lembrou-se dos dois chegando ao apartamento dele e se beijando com tanta vontade que acabaram caindo sobre o sofá e começando ali mesmo. Balançou a cabeça espantando os pensamentos. Afinal de contas, nunca mais o veria – no que dependesse dela e provavelmente dele também não – e ele não merecia ficar em sua memória.
Suga esperava Charlotte ansioso, resolveu ir até a sacada do apartamento e acendeu um cigarro. Enquanto fumava, sua memória lhe trouxe flashs da noite passada com a estranha. Fechou os olhos e podia ter jurado que sentira o toque de suas mãos descer por suas costas. Abriu os olhos engolindo seco. Ques pensamentos eram esses? Ele amava Charlotte e precisava pensar agora em como provar a ela isso. Soltou a fumaça para fora de seus pulmões e novamente sua memória o estava traindo, ouviu a risada da estranha ecoar pelo apartamento. Sorriu sem mostrar os dentes.
Se eles tivessem se conhecido em outras circunstâncias.
chegou em casa sentindo a cabeça doer e então retirou os sapatos logo na entrada. estava na cozinha e observava a amiga com os braços cruzados abaixo do peito.
– Posso saber aonde a senhorita passou a noite? Eu só recebi a corrida pelo whatsapp e uma mensagem dizendo: “não vou dormir em casa.” Fiquei preocupada!
bufou enquanto segurava os sapatos e ia em direção ao quarto.
– Passei a noite na casa de uma amiga que trabalha no bar. Ela ficou muito bêbada e eu acabei dormindo lá para ajudar. Vou tomar um banho e já venho!
não discutiu com a amiga. Mas a conhecia, sabia que havia algo de errado que a amiga não queria falar.
Sentou na cama para esperar a ligeira tontura que aparecera sumir e então bateu os olhos no anticoncepcional sobre a mesa ao lado de sua cama, precisava tomar o de hoje. Pegou a cartela e observou que não havia tomado o de ontem também. O coração começou a querer saltar dentro do peito: ela e o estranho haviam usado camisinha?
Tentou buscar algo na memória, mas sobre exatamente isso, não conseguia se lembrar. E se não tivessem usado?
Mas usava o anticoncepcional a tanto tempo que mesmo se tiver sido sem camisinha, grávida ela não corria o risco de ficar. Faria exames depois para ter certeza que não tinha pegado nenhuma doença do estranho.
Grosso, pensou outra vez.
Décimo Primeiro Capítulo – Hello, Hi, Goodbye
Procurou o nome na agenda e então ligou para o número da garota com um sorriso nos lábios. Não sabia se o plano daria certo, mas tentaria. Após alguns toques V ouviu a voz de soar suavemente do outro lado da linha.
– É o V! – ele voltou a sorrir como se estivesse vendo a morena.
involuntariamente, sorriu também ao ver que ele realmente havia ligado.
– Você ligou mesmo! Achei que ia me dar o cano!
O sorriso de Taehyung aumentou enquanto ela gargalhava.
– Tem papel e caneta?
– Tenho! – pegou uma das milhares de canetas que estavam em sua mesa.
Abriu a agenda, e segurou o telefone celular na orelha com o ombro, atenta ao que o moreno diria.
– E namorado, você tem? – investiu.
sentiu que a pele estava corando e os parceiros de trabalho a olhavam. Que tipo de pergunta era aquela? O que aquilo tinha a ver com o conserto da bicicleta?
– Eu não entendi, desculpa? – mordeu o lábio.
V gargalhou do outro lado fazendo relaxar um pouco em sua cadeira de couro verde.
– Anota o endereço aí, por favor, pra gente se encontrar agora se possível, já que está perto do horário do almoço. Tem como?
– Tem, claro! Pode falar. – anotou cuidadosamente o endereço na agenda – Tá bom, eu tô indo, V!
Desligou o telefone com alguns colegas de trabalho ainda a olhando e ela deu um sorrisinho de canto, sem mostrar os dentes, envergonhada por acharem que aquilo era um date. Mal sabiam que ela só estava indo pagar o conserto de uma bicicleta que ela havia estragado por estar absorta demais no trabalho. Por que o escritório tinha que ser tão silencioso? Arrumou as coisas em cima de sua mesa e pegou sua mochila e chamou um carro.
Assim que o carro parou em frente ao endereço ela achou estranho. Aquilo não era uma bicicletaria nem nada do gênero, e sim um restaurante, que já ouvira falar, mas nunca tinha ido.
Desceu do carro agradecendo o motorista, porém um pouco desconfiada. Decidiu ligar para V, que atendeu prontamente.
– Oi, V! É, então… – coçou a cabeça – Eu tô aqui no endereço que você passou. Na verdade, eu tô com medo de ter anotado errado, porque eu to em frente ao Pavão Azul, aquele restaurante, sabe? É aqui perto? Ou eu errei feio mesmo?
Taehyung desligou o telefone na cara de a alcançando por trás, colocando uma das mãos sobre os olhos da garota, que colocou uma das mãos sobre a mesma.
– V? – ela indagou.
– Uhum! – ele sussurrou perto do ouvido de .
Um leve arrepio percorreu seus braços ao ouvir a voz grave de Taehyung.
– Surpresa! – ele finalmente deixou as vistas da garota livre e surgiu em sua frente.
Ele vestia uma camisa social branca com alguns botões abertos, e as mangas dobradas, uma calça jeans e os cabelos estavam como da outra vez, pretos e levemente bagunçados.
voltou a reparar em como ele era um homem bonito. Balançou a cabeça para afastar os pensamentos.
– Você quer almoçar primeiro? Boa! – estalou o dedo do meio com o polegar como se dissesse “entendi tudo” .
– Na verdade, mais ou menos! Vamos entrar? – V manejou a cabeça em direção a entrada do restaurante.
e ele se sentaram numa mesa que já estava reservada no nome de V.
– Taehyung – ela repetiu – Tem algum significado esse nome?
– Minha mãe dizia que é “tudo ficará bem, mesmo em tempos difíceis.”
sorriu balançando a cabeça positivamente.
– Que bonito! E por que seu apelido é V? – ela questionou pegando o cardápio.
– Porque sou muito competitivo, e sempre ganho! Então vem de vitória!
V fez uma cara de convencido que fez gargalhar.
– Uau! V de vitória! – fez o símbolo da letra V com os dedos e Taehyung a acompanhou – Cadê sua bike? Já tá lá?
V engoliu seco enquanto pegava delicadamente o cardápio das mãos de .
– Então, sobre isso... – ele pausou e o olhou desconfiada – Eu já consertei, e já até paguei!
V desviou o olhar do cardápio para que semicerrou os olhos.
– Foi tão barato! Não tinha nem porque eu deixar você pagar, ! Era uma coisa simples. Por favor, não fique brava comigo!
V pediu juntando as mãos em um sinal de súplica e não aguentou com a carinha que ele fez e acabou rindo.
– E quanto ficou? – ela perguntou pegando a mochila, mas Taehyung a impediu.
– Eu vou ficar muito ofendido se você fizer isso!
olhou os olhos castanhos de V e viu que ele falava sério, então resolveu que era melhor deixar para lá.
– Tudo bem, então! Me desculpe. O que me trás aqui, então?
– Um almoço! Pensei que seria uma boa idéia para a gente, sei lá, se conhecer melhor.
Taehyung ergueu uma sobrancelha, tentando parecer inocente e riu novamente. Havia gostado do rapaz, não negaria, ele parecia ser muito legal, então por que não conhecê-lo melhor?
– Ah, um date? – foi a vez de erguer a sobrancelha entrando na onda.
– É, vamos dizer que sim! – ele piscou.
– Você já veio aqui, Taehyung?
O rapaz fez uma careta.
– Ninguém me chama de Taehyung!
– Nem seus pais quando estão zangados?
V abriu a boca, mas nenhum som foi emitido, e então ele coçou a nuca.
– Sim, eles costumavam me chamar de Taehyung quando estavam vivos, e bravos.
abriu a boca, surpresa e sentiu–se mal pelo comentário.
Tadinho!
– Me desculpe, V! Eu não fazia ideia disso!
– Imagine. – ele tocou a mão dela sobre a mesma – Não tinha como você saber, por isso estamos num date!
Os dois riram pelo nariz, e então V contou para como havia sido a morte dos pais, contou sobre a irmã, sobre como tudo foi difícil, e sobre como eles só tinham um ao outro.
sentiu o coração se quebrar em pedaços ouvindo V falar enquanto tentava não demonstrar que estava emocionado.
contou a ele sobre os pais, sobre não ter contato com eles com frequência e sobre morrer de vontade de ter mais tempo e dinheiro para visitá–los com mais frequência, contou um pouco sobre como era sua vida lá antes de se mudar, acabou por contar que deixara um ex namorado por lá, e que não sabia se ele a havia esperado ou não.
V ficou com a impressão de que aquilo ainda era algo aberto na vida de , e descobriria com o tempo. Mas por hora, estava satisfeito. Ela não havia se oposto à sugestão de se conhecerem melhor e não havia surtado com o date surpresa. Aquilo já era bom.
Os dois almoçaram e dividiram uma sobremesa, enquanto jogavam conversa fora e se divertiam. Quando voltou pro trabalho estava até mais leve.
Quem diria que um date surpresa com o carinha que havia a atropelado seria tão gostoso assim?
Décimo Segundo Capítulo – Forever…(it’s a long time)
Se olhou no espelho com o chapéu umas cinco ou seis vezes e decidiu que ficaria melhor sem o mesmo. Tomou um café rapidamente, se despediu dos funcionários da pousada e foi caminhando até chegar à praia de ontem. Jin ainda não estava lá.
Por que homens sempre se atrasavam? Mário, por exemplo, era a definição de enrolado. Ele sempre se atrasava. sorriu ao lembrar da feição do irmão. Os cabelos encaracolados e castanhos, a covinha sempre que sorria… E o quanto ele fazia sucesso com as mulheres! Sempre que se acostumava com uma namorada, ele já lhe apresentava outra. Os olhos marejaram e a sorte de foi a chegada de Jin com uma rosa nas mãos.
sorriu e Jin lhe estendeu a rosa.
– Um moço estava vendendo e eu resolvi comprar, nem sei se você gosta de flores! – ele deu de ombros – Mas achei que pudesse gostar. Bom dia!
pegou a rosa da mão de Jin e levou ao nariz, mesmo sabendo que o cheiro das rosas é sempre igual.
– Obrigada. Eu gosto sim! É um gesto muito delicado!
Jin sorriu, os olhos ainda inchados, como se ele tivesse dormido pouco – ou mal – ou tivesse dormido demais e acabado literalmente de acordar. A boca rosada, chamava atenção, era inevitável. Ele era tão fofo, pensou .
– Onde vamos? Você pensou em alguma coisa? Ou vamos apenas andar sem rumo?
– Não, eu pesquisei um pouco ontem à noite. Tem uma praia linda aqui pertinho, uns quinze minutos de caminhada, topa?
– Topo! Tem alguma coisa especial nessa praia? Ou só achou ela bonita?
– Na verdade, eu queria ver os golfinhos! Agora na parte da manhã fica repleto deles por lá! Além de as águas serem quentinhas!
– A praia do Madeiro, acertei?
olhou para ele sorrindo e surpresa.
– É! Como você sabia?
– Andei pesquisando antes de vir para cá, e eu também quero muito conhecer os golfinhos!
Os dois trocaram sorrisos enquanto começavam a caminhada.
– Você está sozinho mesmo? Tipo, sozinho, real? Não veio ninguém com você? – questionou sentindo o vento nos cabelos e rosto.
– Eu vim com os meus pais e minha irmã! Minha irmã tem uma turma de amigos que veio com ela, e bom, ela passa o tempo todo com eles! Eu não me identifico muito com eles, são adolescentes, e bom, eu tenho quase trinta anos.
achou fofo a mania dele de dizer “bom” o tempo todo. Ela não sabia se era de fato uma mania ou se era porque ele estava nervoso, mas era incrivelmente fofo.
– Você tem isso tudo? – brincou para ver a reação dele.
– Eu sou velho, né? – ele coçou a cabeça ficando vermelho – Quantos anos você tem mesmo?
gargalhou alto.
– Eu não sou menor de idade, juro! E tenho mais de vinte! É indelicado perguntar a idade de uma mulher, Jin! – ela cochichou.
Jin voltou a ficar vermelho e assentiu.
– Verdade, Olivia! Me desculpe! – ele a cutucou com o cotovelo – Você tendo mais de vinte anos já me tranquiliza. Não quero ser preso!
Os dois riram. Caminharam jogando conversa fora até que chegaram na praia e ficaram ambos, calados, sem palavras, apenas admirando a beleza da praia que era uma das mais bonitas já vista por ambos. As falésias eram tão bonitas que nem pareciam reais.
– Olha, deve sair um passeio de lancha para ver os golfinhos agora às nove e meia, a gente tem que correr e comprar!
Jin lembrou e concordou, logo os dois acharam um vendedor e compraram o passeio. Jin ajudou a subir na lancha e se sentaram juntinhos mais perto da proa da mesma, queriam ver bem de perto os golfinhos. Jin tirou um óculos escuro do bolso e o colocou no rosto. O vento lhe bagunçava os cabelos, e o observava. Ele era tão bonito que parecia uma pintura.
Assim que o passeio começou, Jin se pôs a filmar o mar, o passeio saia da praia do centro que é a praia do Madeiro e ia até a baía dos golfinhos, com uma parada para mergulho (com equipamento e também para aqueles que querem apenas tomar um banho de mar), e depois voltavam para a praia do centro.
Logo que chegaram na baía dos golfinhos, os olhos de brilhavam, e ela até tirou os óculos escuros para vislumbrar os bichinhos melhor. Jin filmou o momento fazendo algumas piadinhas que faziam rir e logo ele passou a filmar a morena, que não percebeu. Ver os golfinhos havia sido incrível! desejou em silêncio que Mário estivesse com ela.
– Você vai querer descer e tomar um banho de mar ou prefere ficar aqui na lancha?
Jin questionou se levantando com dificuldade e quase caindo, fazendo rir.
– Vou dar um mergulho, eu amo banho de mar!
se levantou com a ajuda de Jin, às mãos dos dois se entrelaçaram para que ela pudesse ficar de pé e então os dois se olharam. O mar balançou o barco fazendo com que o corpo dos dois se chocasse de leve e então os rostos estavam perto, perto demais.
engoliu seco a vontade de beijar os lábios de Jin ali mesmo e o rapaz fez o mesmo. Logo os dois soltaram as mãos, tentando se equilibrar e logo começaram a rir enquanto se despiam. Jin não pode deixar de observar o belo corpo da garota quando esta caminhou em sua frente para descer da lancha. Deus, como ela era atraente!
Jin era alto, tinha os ombros bem largos e a barriga era lisinha, era exatamente o tipo de garoto que atraía . É, aquele passeio seria difícil!
O mar era tão cristalino que permitia que eles enxergassem os pequenos peixinhos em volta deles. Logo Jin começou a se incomodar com as “mordidinhas” dos mesmos em si e então ele aproveitava que não se incomodava e ia se aproximando da mesma, segurando–a pela cintura, ou pelos ombros e se escondendo atrás dela. ria das expressões de Jin, mas gostava de sentir o toque quente dele em sua cintura, assim como não reclamou quando o mesmo resolveu a abraçar encostando seu peito em suas costas, se abaixando para ficar mais baixo. A sensação da pele dos dois grudada misturada com o quentinho da água era boa demais!
Logo os dois tiveram que subir novamente pois já voltariam à praia do centro. Chegando lá, e Jin resolveram dar outro mergulho, desta vez sem os peixes para incomodarem Jin.
Logo estavam brincando e jogando água um no outro, subindo nas costas de Jin, que toda hora tropeçava em algo e a deixava cair. sempre se levantava brava e acabava depositando um tapa nos ombros do garoto – que já estavam vermelhos, do sol e dos tapas – os dois riram tanto que mal sabiam que horas já era e nem fome sentiram durante as horas no mar.
Depois de comerem na praia mesmo, os dois se sentaram em suas cadeiras de praia, e aproveitou para passar um pouco de protetor solar em Jin, que estava ficando bem vermelho. E ele amava a sensação de ter as mãos dela deslizando por sua pele.
– Você não trouxe protetor solar, Jin?
– Não, trouxe só uma toalha, minha carteira, meus óculos e o celular!
– Menino, você é branquinho, não pode!
– Se você for cuidar de mim assim todos os dias, eu faço questão de esquecer todos os dias!
Os dois ficaram em silêncio, Jin não viu, mas sorriu.
– Seus pais não estão preocupados?
– Ah, com certeza não! Eles nem fizeram muita questão que eu viesse! – Jin deu de ombros – Só vim porque tive um tempo e gosto muito de praia. Estava com saudade desse clima.
– Nossa, do jeito que você disse é como se seus pais não gostassem de você, Jin, credo!
– Ah, eles gostam. Mas não me amam, eu acho. – deu de ombros de novo – Sou a ovelha negra da família, Olívia!
Jin riu, desgostoso, olhando a areia.
– Por que? – se interessou .
– Ah, meu pai queria que eu seguisse a carreira dele e cuidasse das empresas da família.
se surpreendeu com a palavra empresas no plural, uau.
– E você não seguiu?
– Não. Me tornei artista, e meu pai, bom, rico, burguês, detesta a classe artística, ou seja, eu me tornei o pior pesadelo dele!
– Artista? – indagou interessada – Você faz o que, Jin? Nem perguntei ontem, e se você for um psicopata?
Jin gargalhou alto.
– Eu sou artista plástico! Pinto quadros e faço esculturas, ah e sou fotógrafo também! Inclusive na minha próxima exposição faço questão que você vá, Olívia!
abaixou o olhar e mexeu na própria tornozeleira. A cada vez que ele a chamava de Olívia ela sentia um pedaço do coração partir.
– Ah! Uau, Jin! Você é artista plástico! Uau, eu nem sei o que dizer! Que máximo!
sorriu, sincera.
– Obrigado! – ele balançou a cabeça – Meus pais nunca me apoiaram! Enfim, não quero falar deles!
assentiu que sim com a cabeça. O pôr do sol já estava começando e então os dois se levantaram para assistir e Jin passou um dos braços pelos ombros de que abraçou sua cintura. E assim eles ficaram até que decidiram que estava na hora de voltarem.
Antes passaram por uma das duchas que havia na praia para tirar o excesso de areia do corpo. Jin se lavava com uma espécie de mangueira que vinha da ducha, enquanto o aguardava já molhada, assim que terminaram foi pegar sua toalha que estava sobre o cano da ducha, mas Jin foi mais rápido e pegou primeiro.
– Me dê, Jin! – ela esticou os braços.
– Então vem pegar! – brincou Jin com a toalha no alto.
– Devolve, Jin! – deu alguns pulinhos tentando.
– Pega, Olívia! – ele pulava junto com ela dificultando mais ainda.
Jin gargalhava, enquanto tentava não rir. Estava cansada, queria ir para a pousada dormir, enquanto Jin parecia uma criança que nunca se cansava.
– Você tem que pegar, Olívia!
– Esquece! – disse pegando suas coisas e indo embora.
– Ah, espera aí! Eu tô brincando, calma!
Jin a segurou pelo braço, virando–a para si.
– Eu seco seu cabelo, hum? – ele enrolou a toalha em volta da cabeça e cabelos de , secando–os.
– Desse jeito, hã? – ele balançava a toalha enquanto ria – Tá linda, Olívia! Você tá linda, hã?
Ele parou de secar os cabelos de , encarando–a. Depois começou a secar–lhe o rosto. Foi aí então que colocou suas mãos sobre as mãos de Jin na toalha, e então ela tomou a mesma de suas mãos e fez o mesmo com ele, lhe secando o rosto.
– Se abaixa! – ela pediu.
– Abaixar? – questionou Jin, já o fazendo.
fez o mesmo com ele, lhe secando e bagunçando os cabelos.
– Ah, para, Olívia! – Jin se levantou, enquanto colocava a toalha em volta de seu pescoço.
Ela lentamente foi aproximando seu rosto do de Jin, o puxando pela toalha, que já fechava os olhos se antecipando ao que viria. Os lábios dos dois se chocaram lentamente, como se quisessem se conhecer primeiro. Logo as mãos de Jin já estavam em sua cintura, a puxando para cima, diminuindo o desconforto de estar com a coluna daquele jeito. Era engraçado como o corpo delicado dela se moldava perfeitamente ao dele. Os dois se beijaram por mais alguns minutos, até que Jin abriu os olhos sorrindo, e distribuindo vários selinhos no lábios de “Olívia”.
Se sentia viva.
Décimo Terceiro Capítulo – Enigma
Aproveitou que o lanche havia acabado para verificar o celular um pouco, assim que desbloqueou o mesmo, ele tocou. Era mais um número desconhecido. tinha medo de atender, mas tinha mais medo ainda de não atender. O coração acelerou e ela atendeu.
– Alô? – engoliu seco.
Pela primeira vez em meses, o stalker resolveu falar.
– Estou ansioso para te ver! – havia muito barulho ao redor e ele quase sussurrava.
não conseguiu reconhecer a voz. Não fazia a menor ideia se conhecia ou não conhecia o stalker. O coração acelerava mais e mais.
– Hoje vou te ver novamente depois de uma semana sem conseguir ver seu rostinho lindo.
sentiu as mãos formigarem, estava com medo.
– Quem tá falando?
– Ah, você não sabe, amor?
fechou os olhos por alguns segundos e o estômago revirou.
– Tô muito ansioso, você não?
nada disse, somente conseguia sentir o medo pulsando em suas veias, quando ia implorar que ele a deixasse em paz, ele desligou.
As colegas de a questionaram se estava tudo bem, já que a mesma se encontrava pálida e parecia bem assustada, ao que a morena apenas assentiu que sim, voltando a guardar o celular no bolso do jaleco. Foi ao banheiro, prendeu o cabelo num coque, abriu a torneira, molhou as mãos e depositou na nuca. Depois molhou novamente e passou pelas têmporas, depois pelo rosto todo. Se olhou no espelho. Ainda estava cansada, havia ganhado dois dias de folga e mesmo assim ela não se sentia descansada. O stalker estava há uma semana sem aparecer, ela até achou que finalmente ele havia sumido.
Mas não.
Escovou os dentes, guardou suas coisas no armário e voltou para o plantão. Eram quinze da tarde, ela não havia almoçado, apenas comido um sanduíche natural. A vida dela era assim, mas amava tanto o que fazia e sabia que os pais teriam tanto orgulho da profissional que ela era.
Pegou algumas fichas dispostas em sua bancada e sua atenção se fixou ali: “Jeon Jungkook”.
Os dois haviam se falado há dois dias atrás, mais uma vez tentando marcar um segundo encontro, mas é claro: não deu certo.
E ele estava ali, hoje. sentiu um arrepio percorrer a espinha. E se fosse ele? E se Jungkook fosse um psicopata? E se ele estivesse a enganando? E se ele a fizesse algum mal? se lembrou da ligação de agora a pouco.
“Hoje vou te ver novamente depois de uma semana sem conseguir ver seu rostinho lindo.”
Uma semana que ela e Jungkook haviam se visto pela primeira e última vez. Mordeu o lábio receosa. E se ele fosse o stalker?
Respirou fundo e foi até a recepção.
– Jeon Jungkook! – ela gritou.
Ele se levantou e o olhar dos dois cruzou. Jungkook sorriu, e paralisou.
Assim que ele atravessou a recepção e os dois ficaram cara a cara, ele ainda sorria, como se fosse uma criancinha.
– Oi! – ele segurou a mão dela depositando um leve carinho lá antes de soltar.
– Oi! – conseguiu sussurrar.
– Eu estava ansioso para te ver hoje! – o sorriso sumiu dando lugar a um olhar intenso.
arrepiou os pelos da nuca, o medo havia voltado.
– Você veio tirar os pontos? – ela perguntou seca, caminhando em direção a sala de primeiros socorros.
– Vim! E vim ver você também, ! Tá tudo bem?
Ele segurou o cotovelo da ruiva, preocupado. engoliu seco outra vez.
– Tudo ótimo! Por que eu não estaria bem, não é, Jungkook?
Os dois se olharam e Jungkook não entendeu porque ela estava tão na defensiva se eles haviam se falado há dois dias e ela estava normal.
– Não sei! Você é quem deveria me dizer o porquê de estar tão na defensiva!
– Não estou na defensiva! Só estou no meu local de trabalho! Pode se sentar, por favor?
Jungkook assim o fez, sentindo uma pontada no estômago com a rispidez.
Os dois ficaram em silêncio até que ela terminasse de pegar os instrumentos de trabalho.
– Como foi o período de cicatrização? – questionou enquanto desenrolava a faixa que cobria o ferimento.
– Normal, acho que já cicatrizou. Estou com muita coceira, por isso acho que cicatrizou.
deu uma olhada no ferimento, e passou a mão sobre o mesmo com delicadeza. Jungkook aproveitou e segurou a mão dela.
– Pensei em você a semana inteira.
o olhou. Seria possível, que um cara tão gentil e bonito como aquele fosse um cara perigoso?
Décimo Quarto Capítulo – Youngblood
Os dois pela primeira vez em meses estavam sentados numa única mesa, as cadeiras coladas e os rostos também. Ambos concentrados na apresentação na tela do computador de Jimin. Apresentação essa feita por , com os dados levantados por Jimin do mês todo. Depois de anos o chefe havia resolvido voltar com as reuniões aos finais de mês para apresentação de resultados e fechamento do mesmo. estava desacostumada, afinal de contas assim que ela entrou na empresa as reuniões acabaram, então ela não sabia direito como elas funcionavam. Jimin então…
Os dois estavam preocupados, não com a entrega dos resultados ou com o fechamento do mês e metas para o mês seguinte, e sim com a apresentação em si. Os dois não consideravam que tinham dificuldades de falar em público, mas estavam sim nervosos de apresentarem seus resultados e metas na frente da empresa toda. Afinal de contas, eram os mais novos e percebiam que o restante da empresa não botava muita fé nos dois.
E Jimin tinha receio quanto à comunicação de na frente da empresa toda, pois como todos sabiam ela era bem estourada e não tinha muito tato para falar as coisas. Jimin estava com medo. Já nem imaginava que o parceiro de trabalho estava com essa preocupação, até porque se imaginasse os dois já teriam saído nos tapas, provavelmente.
Enquanto pensavam nas coisas que falariam e em como se portaria, além de tentarem decorar com exatidão os slides para não levarem papel e não parecerem despreparados, Jimin pediu que pegasse uma xícara de café para ele, lhe entregando sua caneca.
– Vai lá você! É você que quer café, não eu!
Jimin revirou os olhos.
– Você não pode me fazer um favor, zangado?
Foi a vez de revirar os olhos e bufar, odiava aquele apelido infeliz.
– Não, não posso! Estamos ocupados e concentrados, deixa para tomar café depois!
– Nós estávamos indo tão bem! Estava bom demais para falar a verdade!
Jimin bufou enquanto afastava a cadeira com força para trás.
– Estava bom? – arqueou a sobrancelha.
Jimin a fitou, bagunçou os cabelos e resmungou algo que não entendeu e saiu da sala, batendo a porta com força.
– Aí, ela tá estressada! – gritou.
Passou os dedos pelas têmporas, massageando as mesmas. Uma leve dor de cabeça estava se iniciando. Voltou a revisar os slides sozinha e repassar as falas na cabeça, até que Jimin voltou com sua caneca e um copo de plástico, ambos com café.
Colocou os dois sobre a mesa e empurrou o copo de plástico em direção à que o pegou, dando um gole.
– Ué, mas você tinha dito que não queria café! – Jimin esbravejou.
– Então, você me entregou o copo para quê? Pra eu jogar fora? Ai, Jimin, me poupe!
– Você é ridícula!
– Vamos voltar ao que interessa! Temos que arrasar nessa apresentação para calar a boca desses estúpidos!
– De nada pelo café, querida! Eu sou muito educado e prestativo diferente de você, né?
– Ai, curupira júnior! Por Deus, como você é infantil!
– Eu? – ele apontou para si mesmo – Você que é! Não pode buscar um café para nós dois!
– Chega! – voltou a apertar as têmporas – Minha cabeça tá doendo e precisamos finalizar isso!
Jimin ficou em silêncio enquanto se levantava e fazia alguns alongamentos tentando aliviar a tensão dos músculos. Ela estava de costas para o colega que se atreveu a observar o corpo da mais baixa. Começou observando as pernas torneadas e grossas, sentiu vontade de apertá-las, e depois subiu o olhar para o bumbum da mesma. Queria apertá–los também, mas balançou a cabeça afastando imediatamente os pensamentos. Como assim? Ele detestava e seu ar de superioridade, sua arrogância, ela era mimada e grossa. Não podia desejá–la!
Mais alguns minutos se passaram e finalmente chegou a tão aguardada hora das apresentações, e para o desespero de Jimin e eles foram os últimos. Assim que se posicionaram em frente ao projetor, os dois se olharam e balançaram a cabeça positivamente um para o outro.
ia começar falando, mas acabou sendo interrompida por Jimin, que não a deixou falar. E assim a apresentação prosseguiu, com apenas passando os slides. Por dentro a garota parecia que ia explodir de tanto ódio. E era perceptível o quão desconfortável com a situação ela estava, pois estava vermelha como um pimentão. É claro que Jimin sabia que ela tentaria matá-lo assim que tivesse uma oportunidade, já estava acostumado a ver a colega vermelha toda vez que sentia raiva. Mas não podia arriscar em ter sua primeira apresentação para a empresa toda arruinada pela intempestividade de . Assim que os colegas e o chefe começaram a bater palmas, não esperou o cumprimento dos outros e deixou o local, pisando dura e ainda vermelha. Provavelmente ela teria uma urticária nervosa devido a raiva que estava sentindo.
Entrou dentro da sala que infelizmente ainda dividia com Jimin e pôs–se a arrumar suas coisas. Iria embora. Alguns colegas de trabalho haviam combinado de irem para um barzinho após as apresentações e havia confirmado até a presença, mas estava com tanta raiva que o melhor seria ir para casa. Não queria ver Jimin ou o mataria. Estava arrumando as coisas cegamente dentro de sua bolsa o mais rápido o possível, mas foi em vão.
– O chefe mandou dizer que seus slides ficaram incríveis e que você mandou muito bem!
– Mesmo? E sobre minhas falas? O que ele disse?
parou o que estava fazendo e se virou dando de cara com Jimin.
– Olha, , me desculpe, mas eu não podia colocar a minha reputação em jogo!
– Sua reputação em jogo? Que reputação, Jimin? Você não tem nem dois anos de empresa direito! E como assim? Colocar sua reputação em jogo? – ela tocou o peito de Jimin com a ponta da unha branca fina e bem feita.
Jimin engoliu seco, por mais que não gostasse da parceira, não queria machucá–la e deixar o clima entre eles pior do que já era.
– Você é muito impulsiva, e estava com raiva das pessoas duvidando da gente! Eu tive medo que você trocasse os pés pelas mãos e acabasse arruinando tudo!
respirou fundo sentindo a cabeça latejar e fechou os olhos.
– Jimin, eu estou nessa área há mais de dois anos, eu sei o que estou fazendo e mais importante ainda, eu AMO, o que eu faço! Eu tenho muito mais domínio de tudo o que fazemos ou deixamos de fazer do que você, e nem por isso me intimidei por você ser apenas um menor aprendiz, ou estagiário, sei lá, recém contratado, e por mim nós dois íamos falar! E você simplesmente resolve me sabotar? Eu não tenho nenhum mérito pelas metas que a gente bateu em conjunto? A equipe é você sozinho? Você é um metido mesmo, se acha o último biscoito do pacote! É muita arrogância para um serzinho tão pequeno! Como cabe?
Jimin sentiu as palavras de lhe atingirem como se fossem um tapa. Não era isso que ele queria ter provocado com a atitude. Ele sabia que a colega não ia com a cara dele, mas não sabia que ela o achava arrogante. Jimin não sabia o porque, mas aquilo o chateara. também estava magoada em saber que o colega a achava inferior mesmo ela tendo mais experiência.
– Eu não sou arrogante! É você que é! Tá vendo? Olha esse escândalo, por uma coisinha de nada!
– Coisinha de nada, Jimin? Você tentou se colocar no meu lugar? E se fosse eu fazendo isso com você, por te achar inferior? Você estaria na mesa do chefe já, reclamando que eu bem te conheço, porque além de arrogante você é reclamão!
– Será que você me conhece mesmo, ? – ele aproximou o corpo dos dois ainda mais.
se assustou com a proximidade dos corpos se chocando e com o hálito forte de Jimin em sua boca.
– Você nunca me deu uma única oportunidade de me mostrar de verdade! Deu?
– E você? Me deu?
– E se a gente começasse de novo? – ele se atreveu a tocar a bochecha da colega.
Paralisada, era assim que se encontrava, enquanto olhava os olhos escuros de Jimin ficarem ainda mais escuros. O toque quente das mãos dele em sua bochecha fez a cabeça de latejar mais. A única reação que a garota conseguiu ter naquele momento, foi afastar bruscamente a mão dele de seu rosto, pegar a bolsa e sair da sala, deixando Jimin ainda mais frustrado.
Os dois pela primeira vez em meses estavam sentados numa única mesa, as cadeiras coladas e os rostos também. Ambos concentrados na apresentação na tela do computador de Jimin. Apresentação essa feita por , com os dados levantados por Jimin do mês todo. Depois de anos o chefe havia resolvido voltar com as reuniões aos finais de mês para apresentação de resultados e fechamento do mesmo. estava desacostumada, afinal de contas assim que ela entrou na empresa as reuniões acabaram, então ela não sabia direito como elas funcionavam. Jimin então…
Os dois estavam preocupados, não com a entrega dos resultados ou com o fechamento do mês e metas para o mês seguinte, e sim com a apresentação em si. Os dois não consideravam que tinham dificuldades de falar em público, mas estavam sim nervosos de apresentarem seus resultados e metas na frente da empresa toda. Afinal de contas, eram os mais novos e percebiam que o restante da empresa não botava muita fé nos dois.
E Jimin tinha receio quanto à comunicação de na frente da empresa toda, pois como todos sabiam ela era bem estourada e não tinha muito tato para falar as coisas. Jimin estava com medo. Já nem imaginava que o parceiro de trabalho estava com essa preocupação, até porque se imaginasse os dois já teriam saído nos tapas, provavelmente.
Enquanto pensavam nas coisas que falariam e em como se portaria, além de tentarem decorar com exatidão os slides para não levarem papel e não parecerem despreparados, Jimin pediu que pegasse uma xícara de café para ele, lhe entregando sua caneca.
– Vai lá você! É você que quer café, não eu!
Jimin revirou os olhos.
– Você não pode me fazer um favor, zangado?
Foi a vez de revirar os olhos e bufar, odiava aquele apelido infeliz.
– Não, não posso! Estamos ocupados e concentrados, deixa para tomar café depois!
– Nós estávamos indo tão bem! Estava bom demais para falar a verdade!
Jimin bufou enquanto afastava a cadeira com força para trás.
– Estava bom? – arqueou a sobrancelha.
Jimin a fitou, bagunçou os cabelos e resmungou algo que não entendeu e saiu da sala, batendo a porta com força.
– Aí, ela tá estressada! – gritou.
Passou os dedos pelas têmporas, massageando as mesmas. Uma leve dor de cabeça estava se iniciando. Voltou a revisar os slides sozinha e repassar as falas na cabeça, até que Jimin voltou com sua caneca e um copo de plástico, ambos com café.
Colocou os dois sobre a mesa e empurrou o copo de plástico em direção à que o pegou, dando um gole.
– Ué, mas você tinha dito que não queria café! – Jimin esbravejou.
– Então, você me entregou o copo para quê? Pra eu jogar fora? Ai, Jimin, me poupe!
– Você é ridícula!
– Vamos voltar ao que interessa! Temos que arrasar nessa apresentação para calar a boca desses estúpidos!
– De nada pelo café, querida! Eu sou muito educado e prestativo diferente de você, né?
– Ai, curupira júnior! Por Deus, como você é infantil!
– Eu? – ele apontou para si mesmo – Você que é! Não pode buscar um café para nós dois!
– Chega! – voltou a apertar as têmporas – Minha cabeça tá doendo e precisamos finalizar isso!
Jimin ficou em silêncio enquanto se levantava e fazia alguns alongamentos tentando aliviar a tensão dos músculos. Ela estava de costas para o colega que se atreveu a observar o corpo da mais baixa. Começou observando as pernas torneadas e grossas, sentiu vontade de apertá-las, e depois subiu o olhar para o bumbum da mesma. Queria apertá–los também, mas balançou a cabeça afastando imediatamente os pensamentos. Como assim? Ele detestava e seu ar de superioridade, sua arrogância, ela era mimada e grossa. Não podia desejá–la!
Mais alguns minutos se passaram e finalmente chegou a tão aguardada hora das apresentações, e para o desespero de Jimin e eles foram os últimos. Assim que se posicionaram em frente ao projetor, os dois se olharam e balançaram a cabeça positivamente um para o outro.
ia começar falando, mas acabou sendo interrompida por Jimin, que não a deixou falar. E assim a apresentação prosseguiu, com apenas passando os slides. Por dentro a garota parecia que ia explodir de tanto ódio. E era perceptível o quão desconfortável com a situação ela estava, pois estava vermelha como um pimentão. É claro que Jimin sabia que ela tentaria matá-lo assim que tivesse uma oportunidade, já estava acostumado a ver a colega vermelha toda vez que sentia raiva. Mas não podia arriscar em ter sua primeira apresentação para a empresa toda arruinada pela intempestividade de . Assim que os colegas e o chefe começaram a bater palmas, não esperou o cumprimento dos outros e deixou o local, pisando dura e ainda vermelha. Provavelmente ela teria uma urticária nervosa devido a raiva que estava sentindo.
Entrou dentro da sala que infelizmente ainda dividia com Jimin e pôs–se a arrumar suas coisas. Iria embora. Alguns colegas de trabalho haviam combinado de irem para um barzinho após as apresentações e havia confirmado até a presença, mas estava com tanta raiva que o melhor seria ir para casa. Não queria ver Jimin ou o mataria. Estava arrumando as coisas cegamente dentro de sua bolsa o mais rápido o possível, mas foi em vão.
– O chefe mandou dizer que seus slides ficaram incríveis e que você mandou muito bem!
– Mesmo? E sobre minhas falas? O que ele disse?
parou o que estava fazendo e se virou dando de cara com Jimin.
– Olha, , me desculpe, mas eu não podia colocar a minha reputação em jogo!
– Sua reputação em jogo? Que reputação, Jimin? Você não tem nem dois anos de empresa direito! E como assim? Colocar sua reputação em jogo? – ela tocou o peito de Jimin com a ponta da unha branca fina e bem feita.
Jimin engoliu seco, por mais que não gostasse da parceira, não queria machucá–la e deixar o clima entre eles pior do que já era.
– Você é muito impulsiva, e estava com raiva das pessoas duvidando da gente! Eu tive medo que você trocasse os pés pelas mãos e acabasse arruinando tudo!
respirou fundo sentindo a cabeça latejar e fechou os olhos.
– Jimin, eu estou nessa área há mais de dois anos, eu sei o que estou fazendo e mais importante ainda, eu AMO, o que eu faço! Eu tenho muito mais domínio de tudo o que fazemos ou deixamos de fazer do que você, e nem por isso me intimidei por você ser apenas um menor aprendiz, ou estagiário, sei lá, recém contratado, e por mim nós dois íamos falar! E você simplesmente resolve me sabotar? Eu não tenho nenhum mérito pelas metas que a gente bateu em conjunto? A equipe é você sozinho? Você é um metido mesmo, se acha o último biscoito do pacote! É muita arrogância para um serzinho tão pequeno! Como cabe?
Jimin sentiu as palavras de lhe atingirem como se fossem um tapa. Não era isso que ele queria ter provocado com a atitude. Ele sabia que a colega não ia com a cara dele, mas não sabia que ela o achava arrogante. Jimin não sabia o porque, mas aquilo o chateara. também estava magoada em saber que o colega a achava inferior mesmo ela tendo mais experiência.
– Eu não sou arrogante! É você que é! Tá vendo? Olha esse escândalo, por uma coisinha de nada!
– Coisinha de nada, Jimin? Você tentou se colocar no meu lugar? E se fosse eu fazendo isso com você, por te achar inferior? Você estaria na mesa do chefe já, reclamando que eu bem te conheço, porque além de arrogante você é reclamão!
– Será que você me conhece mesmo, ? – ele aproximou o corpo dos dois ainda mais.
se assustou com a proximidade dos corpos se chocando e com o hálito forte de Jimin em sua boca.
– Você nunca me deu uma única oportunidade de me mostrar de verdade! Deu?
– E você? Me deu?
– E se a gente começasse de novo? – ele se atreveu a tocar a bochecha da colega.
Paralisada, era assim que se encontrava, enquanto olhava os olhos escuros de Jimin ficarem ainda mais escuros. O toque quente das mãos dele em sua bochecha fez a cabeça de latejar mais. A única reação que a garota conseguiu ter naquele momento, foi afastar bruscamente a mão dele de seu rosto, pegar a bolsa e sair da sala, deixando Jimin ainda mais frustrado.
Décimo Quinto Capítulo – Touch
Black Magic tocava no lugar quando eles chegaram e logo e se puseram a cantar a música enquanto se sentavam. Jimin começou a rir da empolgação das amigas e deu uma olhada no lugar. Nunca tinha ido ao tal barzinho que as amigas tanto falavam e amavam.
e logo se lembraram de , ela amava aquele lugar com toda a sua alma e ir ali sem ela era muito estranho e triste.
– Como será que ela está? – questionou enquanto tirava o blazer.
deu um sorrisinho de canto, pensando com ternura na amiga.
– Não sei! Faz alguns dias que ela não manda nenhum e-mail, mas deve estar tudo bem, se não acho que saberíamos!
– De quem vocês estão falando? – questionou Jimin.
– Nós somos um trio, não sei se já comentei com você! – Jimin balançou a cabeça que não – Bom, a outra amiga passou por uma perda muito significativa e resolveu fazer uma espécie de mochilão pelo país para tentar superar a perda e se encontrar. O problema é que ela não levou o celular e está se comunicando com os pais e a gente só por e-mail, e ela só mandou um e-mail há dois ou três dias avisando que havia chegado ao seu primeiro destino, e bom, ela ama esse lugar! Basicamente, todos os finais de semana nós estamos aqui, e estar aqui sem ela é um tanto quanto estranho.
Explicou enquanto Jimin assentiu. Logo eles pegaram o cardápio e se puseram a olhar o mesmo e logo resolveram pedir alguns drinks, as meninas deram algumas dicas para Jimin dos melhores drinks do bar. O celular dele vibrou sobre a mesma com o nome J–Hope na tela.
– J–Hope? – indagou curiosa – Quem é essa pessoa?
– É o Hoseok! Eu o chamo assim! – Jimin pegou o celular sobre a mesa – Curiosa você, né? Engraçado que você mal tá falando comigo, não sei como você deixou a me chamar!
deu de ombros.
– Você e ela se dão bem, qual o problema? Sua presença aqui não faz diferença para mim!
Jimin sentiu um soco no estômago com a indiferença da colega. Aliás, vinha sendo assim desde que eles haviam se estranhado feio devido a apresentação. só conversava o básico com Jimin e sobre o trabalho, quando tomavam café só conversava com e ignorava qualquer assunto que Jimin falasse. Isso estava o magoando de uma forma que nem ele entendia direito. Só sabia que detestava o clima que estava entre eles e sentia falta das implicâncias que trocavam e de cuidando da vida dele.
deu uma cutucada na amiga que lhe lançou um “que?” baixinho. Jimin engoliu seco enquanto Touch começava ao fundo.
– Just a touch of your love is enough to knock me off of my feet all week! – cantaram as garotas fazendo um microfone com as mãos e rindo em seguida.
– Ele disse que está chegando! – Jimin anunciou sobre Hoseok.
sentiu as pernas formigarem. Afinal de contas, ela havia visto o loiro por uma chamada de vídeo há uma semana atrás, mas isso não era a mesma coisa de ver pessoalmente. E isso não acontecia desde a primeira e última vez em que se conheceram, na festa da empresa.
Estava louca para vê-lo, mas será que ele sentia o mesmo? Umedeceu os lábios com a língua e sentiu o olhar de Jimin sobre si. Os dois começaram a gargalhar e ficou confusa.
– Que foi? – questionou enrolando uma mecha de cabelo no dedo.
Jimin pôs–se a observar o gesto e sentiu vontade de acariciar os cabelos loiros da colega. Droga, ques desejos eram esses?
– É mesmo, o que foi, Jimin? Eu só ri, porque você riu!
– Aham, sei! – Jimin apertou o nariz da morena – Você riu porque nós dois sabemos que você ficou ansiosa para ver o Hoseok!
direcionou um olhar curioso para a amiga, afinal de contas estaria ela flertando com Hoseok e Namjoon? riu enquanto pensava no quanto isso seria a cara da amiga.
– Eu? – questionou enquanto arrumava o cabelo e se fazia de desentendida.
– Amiga. – se aproximou cochichando no ouvido da mesma – Você tá flertando com o Nam e com o Hoseok, sua safada?
soltou uma gargalhada alta que fez Jimin sorrir mesmo não sabendo do que a amiga ria.
– Amiga, não tô fazendo isso com nenhum dos dois! Eles são só meus amigos! – devolveu o cochicho.
– Uhum! E quem não te conhece que te compre!
Assim que a gargalhada dos três cessaram, o olhar de ambos pousou em Hoseok adentrando o bar e procurando por eles. pensou que o coração fosse parar de bater ali mesmo. O cabelo bagunçado e ainda mais platinado do que quando ela o havia “visto” na semana passada, a camisa branca com o primeiro botão aberto as mangas estavam desabotoadas e eram amarelas – a cor preferida dela – a calça da mesma cor e o óculos escuro quase caindo do rosto, e um maldito colar que a fazia querer beijar o pescoço dele e nunca mais parar.
Assim que ele viu os amigos, sorriu. quis morrer ali mesmo. O sorriso dele parecia iluminar por onde quer que ele passasse e ela sentiu um calafrio – bom, um calafrio bom, que fique claro – se levantou para cumprimentar o loiro que recebeu o beijo na bochecha ainda sorrindo, mas de perto dava para ver que as bochechas dele estavam vermelhas.
Depois Hoseok cumprimentou o amigo Jimin com um forte abraço, provavelmente não se viam a algum tempo também, pelo menos assim pensou enquanto observava o abraço. E só aí então, se levantou e ergueu os braços na direção do amigo, sorrindo sem mostrar os dentes. A ansiedade que estava para encostar no rapaz era quase palpável. Queria sentir o cheiro que emanava do pescoço de Hoseok, que ela já não se lembrava mais de como era. Assim que as duas mãos dele lhe tocaram a cintura, abraçou o pescoço do rapaz com os braços e afundou o nariz no pescoço dele. Queria ter sido discreta, mas não conseguiu, sugou o ar que emanava dali com força, e jurou que pode senti-lo arrepiar. Mais uma vez, as mãos de Hoseok lhe apertaram a cintura com força, como se entendesse a urgência do corpo dela também.
– Quanto tempo! – ela sussurrou.
– Sim! Estou feliz em te ver de novo! Pessoalmente agora! – ele devolveu.
e Jimin trocaram uma espécie de olhar, cúmplices, entendendo que eles precisavam daquele momento. Jimin tinha um grande sorriso nos lábios, já o de era mais discreto.
Assim que se soltaram J–Hope se sentou entre Jimin e , ainda sorrindo, só que mais vermelho do que quando havia chegado.
– Que bom que você veio, J–Hope! – Jimin segurou um dos ombros do amigo.
Hoseok fuzilou o amigo com o olhar enquanto eles gargalhavam.
– Não me chame assim! – Hoseok balançou a cabeça ajeitando os óculos no rosto.
– Meninas, me ajudem a convencer ele de que não tem nenhum problema com esse apelido!
– Verdade! É muito fofo, e combina perfeitamente com você! – depositou uma das mãos despretensiosamente sobre uma das pernas do rapaz.
– Ah, sério? – ele perguntou rindo.
– Sério! Você é um cara fofo, Hoseok! – soltou – Inclusive, você sumiu! Tá tudo bem?
– Tudo bem sim! Só a correria do dia a dia que vocês entendem muito bem também! E vocês? Tudo bem?
Hoseok girou o olhar passando por cada um, mas voltou a olhar . Ele sabia que ela e o amigo estavam brigados e que o clima estava horrível. Jimin havia procurado Hoseok na época dos fatos para desabafar, então ele estava por dentro do climão que estava entre eles e do quanto aquilo vinha perturbando o amigo. Ele chegou até mesmo a dizer para Jimin não negar mais a atração que sentia pela colega, o que Jimin renegou até a morte, dizendo ser impossível.
– Sim, só a correria mesmo! Eu e a estávamos loucas para finalmente ter um tempo de vir aqui! A gente andava saindo do trabalho tão cansada que a gente só queria nossa cama né, amiga? Inclusive, obrigada por ter me dado carona todos esses dias!
segurou a mão da amiga sob a mesa depositando um carinho ali e Hoseok sorriu para as duas.
– Eu também teria te dado carona, quando for assim, pode me pedir! – Jimin atreveu–se, testando a reação da colega.
e ele trocaram um olhar profundo, mas a pequena nada disse, o que fez Hoseok e trocarem um olhar, preocupados.
– Você tá de moto, J–Hope?
– Eu tô, amigo. Por que?
– Vai beber?
Hoseok pareceu hesitar, e e insistiram que ele tomasse só um drink ou uma cerveja e ele acabou aceitando a cerveja. Os quatro engataram um papo sobre preferências musicais e gêneros de música. Os quatro se davam muito bem, até e Jimin conversaram descontraidamente e trocaram alguns olhares e risadas. e Hoseok sempre se impressionavam em como os dois eram compatíveis nas coisas. Os dois eram extremamente parecidos nos gostos e pensamentos. O que fez pensar em porque diabos os dois não tinham coragem de dar um passo a mais na relação.
Passou a observá-lo enquanto ele conversava empolgado com Jimin e . Ele parecia à vontade ali com eles, o que fez o coração de ficar quietinho, já que ela sabia dos traumas de Hoseok, do medo que ele tinha de deixar terceiros se aproximarem, e ela ficava feliz de vê–lo ali, sorrindo e brincando, sendo ele mesmo sem medos ou traumas, e ficava ainda mais feliz de saber que ele a havia deixado entrar.
Assim que o olhar dos dois se cruzou e Hoseok viu sorrindo, ele sorriu de volta.
– O que foi? – ele questionou.
– Nada, só me deu um quentinho no coração ter você aqui com a gente!
As mãos dos dois se entrelaçaram embaixo da mesa e Hoseok sentiu as bochechas voltarem a ficar vermelhas.
– Preciso ir ao banheiro, onde fica?
– Eu também vou! Fica no mesmo rumo, vem, vamos juntos!
e Hoseok se levantaram e caminharam até o banheiro, rindo de alguma besteira que provavelmente dissera.
Assim que os dois saíram do banheiro que eram quase colados um no outro, ambos distraídos, chocaram os corpos outra vez, quase do mesmo jeito da primeira vez em que se viram.
As mãos de Hoseok voltaram a apertar a cintura da garota que o segurou pelos ombros, apertando–os também. Os olhares se cruzaram, e os dela, desceram dos olhos para a boca vermelha dele. O hálito de Hoseok era uma mistura de cerveja e menta que fez se sentir meio inebriada. Com as testas coladas, foi a vez de Hoseok descer o olhar para a boca entreaberta da amiga. Sentiu muita vontade de beijá-la e quase o fez, mas perdeu a coragem e apenas apertou com força a cintura fina que ele tanto gostava de segurar.
Décimo Sexto Capítulo - Life Goes On
Hoje seria o último dia dos dois na cidade. Jin estava eufórico porque bom, ele queria manter todo o contato o possível com “Olívia” depois que a viagem acabasse. Os dias em que passaram juntos haviam sido os mais incríveis de sua vida, ela era literalmente a garota dos seus sonhos. Engraçado que mesmo estando com ela todos os dias Jin ainda sonhava com ela a noite, mas agora os sonhos não eram tão confusos como no começo, eles eram mais claros e mais suaves e Jin já não acordava mais no meio da noite desesperado procurando pela garota.
Ele havia programado toda a noite dos dois, sem contar nenhum detalhe para /Olívia, e ele queria que tudo fosse perfeito, para que ela nunca se esquecesse. Já estava quase na hora de encontrá-la no local marcado então Jin deu uma última olhada no espelho, ajeitando os fios pretos. Passou as mãos pela camisa social azul claro que vestia, para se certificar que a mesma não estivesse com nenhum amassado, passou a língua pelos lábios, umedecendo os mesmo e então pegou o paletó de cor palha e o vestiu. Sorriu na direção do espelho e respirou fundo, não sabia o porquê mas estava nervoso.
Caminhou tranquilamente cantarolando e tudo, até chegar ao local marcado. O restaurante que ele havia escolhido era o Mangai, e havia sido escolhido porque Jin achava o ambiente acolhedor e o cardápio bem variado. Assim que adentrou o lugar, sendo encaminhado para a mesa reservada pelo maître do local, ele achou ter acertado, pensou que o lugar era realmente a cara dos dois e a cara do que o momento pedia. Havia finalmente chegado primeiro ao local, já que "Olívia'' nunca deixava que Jin a buscasse em sua pousada então eles sempre se encontravam em algum local da cidade, e ele sempre chegava atrasado, nunca fora muito bom com horários. Mas hoje fazia questão de recebê-la no restaurante, porque fazia questão que excepcionalmente hoje tudo saísse perfeito. Sentou-se à mesa e então pôs-se a olhar a carta de vinhos, pois sabia que ela amava vinhos. Alguns minutos depois sentiu uma mão delicada posar em seu ombro e ele sorriu. Sabia que ela era.
- Parece que o jogo virou, não é mesmo? - gargalhou - Me desculpe o atraso, Jin!
Seokjin se levantou, trazendo-a para si pela cintura e depositando um longo beijo no canto de sua boca. Os dois vinham se beijando ocasionalmente em todos os encontros, e agiam deliberadamente como um casal, mas Jin nunca sabia como recepcioná-la quando se viam assim. Os cabelos dela estavam cheirosos e sentiu que poderia passar a vida ali, cheirando-os.
- Você não se atrasou nem dez minutos Olívia! - ele sorriu e sentiu o coração quebrar mais uma vez por ouvi-lo a chamar de Olívia.
se sentou após Jin arrastar a cadeira para ela, o que ela achava sem necessidade, porém muito fofo. Logo os dois se puseram a olhar a carta de vinho juntos, e sugeriu que eles primeiro pedissem os pratos e depois a ajuda do maître para escolher o vinho que mais combinasse com os pratos, e Jin concordou. Ao olharem o cardápio resolveram pedir o mesmo prato, que bom, já haviam ambos experimentado em outro local antes e amaram. Jin solicitou ao garçom que chamasse o maître e o garçom assentiu se retirando.
- Toma! - disse Jin depositando um papel muito bem dobrado sobre a mesa na direção de “Olívia”.
- Meu telefone e meu endereço! E também o endereço da galeria com a data da estreia da minha exposição! - Jin piscou.
engoliu seco e sentiu que a pressão estava baixando. Droga! Por que ele estava fazendo as coisas ficarem ainda mais difíceis para ela?
- Me prometa que nós dois não vamos acabar aqui? Me promete que quando nós dois voltarmos pro Rio você vai me procurar…
abaixou a cabeça, olhando o papel em suas mãos. Instantaneamente a frase de uma de suas músicas favoritas veio à sua mente e que por coincidência casava muito bem com toda a situação: “Sem qualquer destino, sem qualquer garantia, minha única promessa é que essa noite é a melhor das nossas vidas.” Quando ia reproduzir a frase, o maître surgiu a salvando.
- Pois não? Tudo bem por aqui? - ele questionou educado - Posso ajudar em algo?
- Sim! Tudo ótimo! Só queríamos a sua ajuda para saber que tipo de vinho você nos indica para acompanhar o escondidinho de vocês? - questionou aliviada enquanto guardava o papel dentro da bolsa.
O maître então abriu a carta de vinhos e disse que vinhos brancos eram os mais indicados e questionou se vinhos brancos agradavam o casal, o que ambos disseram que sim, e ele então sugeriu o vinho Muscadet e e Jin concordaram. então aproveitou para engatar uma conversa sobre vinhos com Jin, que por sorte se distraiu e entrou na conversa. Portanto ela não o havia prometido nada, certo?
O prato chegou alguns minutos depois e os dois o saborearam enquanto elogiavam a comida e claro, o maître havia acertado, o vinho combinava super bem com o prato. Pediram uma sobremesa para dividir e então Jin se atreveu a roubar o primeiro beijo da noite. O gelado das bocas pela sobremesa fez com que se arrepiasse e colocasse os dois braços em volta do pescoço de Jin, que sorriu satisfeito entre o beijo.
Assim que saíram do restaurante perguntou se ele tinha programado algo mais o que Jin disse a ela que sim, mas que não falaria pois era surpresa também. sorriu enquanto ele pegava a mão dela para que eles pudessem caminhar lado a lado. Havia um parque de diversões itinerante na cidade, coincidemente seria o último dia também do parque na cidade e havia comentado que gostaria de visitá-lo antes de irem embora, mas acabaram não indo e então Jin resolveu que seria ótimo levá-la lá no último dia deles ali. Conversavam sobre a beleza da cidade e sobre como todos eram extremamente educados, diferentemente do Rio.
Até que quando estavam chegando perto do parque Jin tapou os olhos de com uma de suas mãos enquanto a guiava, e ela segurava sua mão com força, com medo de cair.
- Ai Seokjin, por Deus! Eu vou cair! - Jin gargalhou.
- Não vai! Você não confia em mim?
- Claro que eu confio!
Assim que adentraram o parque se desequilibrou levemente devido a algumas deformações na calçada e então Jin a segurou pela cintura, e acabou tendo que deixar os olhos dela livres. passou as mãos nos ombros de Jin se segurando lá e então ela sorriu ao ver o rosto bonito do moreno à sua frente. Tão próximo… ela o beijou.
Um beijo calmo, como se ainda não conhecesse a boca de Jin o suficiente, ou como se quisesse aproveitar cada momento daquele beijo. Era como se somente os dois estivessem ali. Assim que eles pararam o beijo Jin beijou sua testa, ele sempre fazia aquilo e se sentia protegida com o gesto.
Assim que ela olhou ao redor, gargalhou com os olhos brilhando e Jin abriu um mega sorriso ao ver que tinha acertado ao pensar em levá-la lá.
- Eu não acredito Jin! - ela lhe estapeou levemente o ombro - Você lembrou!
- Au! - ele respondeu ao tapa levando uma das mãos até o ombro - E é isso que eu ganho por ter me lembrado?
- Não! - passou a mão pelo lugar que tinha batido e depois o abraçou com força - Foi um tapa de amor! Você sabe! Eu amei você ter tido essa ideia! De verdade, eu amo um parque de diversões!
Os olhos dela se encheram de lágrimas, enquanto abraçava com força Jin que lhe acariciava os cabelos. Ela e Mário viviam indo ao parque quando eram adolescentes, e se divertiam muito lá com os amigos. Aquilo tinha um significado especial para ela, e com certeza a ajudaria no processo de cicatrização do grande buraco que havia ficado. E então deixou que algumas lágrimas caíssem por seu rosto, molhando um pouco a camisa azul bebê que Jin usava. Ao subir o rosto de para próximo do seu, Jin a viu limpando as lágrimas do rosto e se assustou.
- Ei! O que foi? - ele segurou o rosto dela entre as mãos.
- Nada, eu só tô muito emotiva hoje! - balançou a cabeça.
- Tem certeza? - Jin se certifica.
assentiu enquanto selava os lábios de Jin demoradamente.
- Aonde você quer ir primeiro? - ele perguntou.
- Por favor, vamos no carrinho de bate-bate para eu te dar uma surra!
- Ah coitada! Minha especialidade, tem certeza que quer começar por lá?
- Bora ver então!
saiu arrastando Jin pela mão até chegarem ao carrinho de bate-bate, depois de se acabarem de rir por lá os dois resolveram ir na montanha russa e achou que Jin passaria mal de tantos gritos que o mesmo dava, fazendo com que ela hora ficasse preocupada e hora morresse de rir. Assim que desceram, Jin pediu arrego e questionou se eles não podiam se sentar um pouco. gargalhava alto se lembrando das expressões de Jin na montanha russa, enquanto ele brigava com ela por rir. Foram em mais alguns brinquedos e então antes de irem embora eles decidiram parar em uma daquelas máquinas com vários bichinhos de pelúcia para tentar a sorte, Jin queria pegar um bichinho para e também queria tentar. Jin tentou duas vezes e não conseguiu nada, aí então disse que iria tentar e pediu para Jin apontar para qual bichinho dentre todos ali era seu preferido e ele então apontou para um unicórnio o que fez com que os dois gargalhassem muito. Em menos de quinze minutos conseguiu pegar o unicórnio apontado por Jin como sendo o preferido, deixando Jin chocado e um tanto quanto bravo por não ter conseguido.
- Como você conseguiu, Olívia? - ele perguntou incrédulo enquanto ela lhe entregava o unicórnio.
sentiu o coração apertar outra vez ao se lembrar do irmão a ensinando como fazer para “enganar” a máquina e conseguir qualquer bichinho.
- Ah, não sei! - ela deu uma gargalhada seca.
Jin então a abraçou com ternura agradecendo pelo bichinho.
- Vou voltar para casa segurando ele no avião para pensar em você! - ele piscou.
Assim que saíram do parque, questionou se mais uma vez ele a deixaria “em sua pousada”.
- Quem disse que as surpresas acabaram? - ele a puxou para si novamente pela cintura.
- Ah, não acabaram? E o que mais você aprontou para a gente?
ficou nas pontas dos pés para conseguir envolver os braços sobre o pescoço de Jin, e todas as vezes em que ela o fazia, Jin ria da situação, pois achava aquilo a coisa mais fofa do mundo.
- Adivinha? - ele ergueu uma sobrancelha enquanto esfregava as mãos na cintura dela.
- Deixa eu pensar… - ela também ergueu uma sobrancelha - É surpresa?
Os dois riram e Jin assentiu.
- Você vai tapar meus olhos daqui lá também? - ela mordeu o lábio.
- Não exatamente. Só em determinado momento.
- Ai meu Deus Jin! Você precisa parar de ser perfeito…
Os dois encostaram as testas e Jin ficou vermelho.
- Por quê? Qual o problema de eu nos proporcionar uma noite inesquecível?
“Porque eu não posso me apaixonar por você Kim Seokjin”, pensou .
- Hum. Então vamos, você pode me dar um spoiler pelo menos?
- Nesse caso, não tem muito, como sabe? Porque se eu der um spoiler eu conto tudo!
- Droga! - ela mordeu o ombro dele sobre o paletó que protestou a soltando.
Os dois puseram-se a caminhar outra vez, parando hora ou outra para se olharem e se beijarem até passarem por uma feira de artesanatos em uma das praias mais bonitas da cidade e acabaram por olhar algumas coisas, queria comprar alguma lembrancinha para as melhores amigas e Jin também acabou comprando para alguns amigos. Até que se depararam com uma barraca que só vendia acessórios feitos à mão, como anéis e pulseiras de miçangas e etc. Logo os dois pararam para observar melhor os produtos, até que Jin teve uma ideia.
- Você não tem nenhuma lembrança material da viagem né? Eu tenho as fotos e o unicórnio.
sorriu ao lembrar das milhares fotos e vídeos que eles fizeram da viagem.
- Moço, me vê essas duas, por favor? - ele apontou para duas pulseiras delicadas em tom de cinza.
subiu o olhar até encontrar o de Jin, que sorriu.
- Que isso, Jin? - o moço então entregou as duas pulseiras num pacotinho pardo para Jin que agradeceu.
- São duas pulseiras de miçanga. - ele apertou o rosto de com delicadeza - Uma para você e uma para mim. Assim você não me esquece e eu não te esqueço.
Os olhos de já estavam marejados outra vez, e o peito dela ardia. Será que Jin não conseguia entender que ela precisava esquecê-lo? Por que ele fazia questão de tornar tudo ainda mais doloroso?
Ele abriu o pacote e então pegou o pulso de colocando a pulseira lá e deixando um beijo na mesma. Então Jin entregou a pulseira dele para que ela fizesse o mesmo. limpou uma lágrima teimosa que escapou de seus olhos e então repetiu o gesto de Jin, demorando um pouco mais no beijo. Depois os dois se abraçaram outra vez e queria poder desmontar de chorar ali mesmo.
Caminharam mais um pouco até que pararam na frente de um prédio alto e luxuoso e então, sem entender nada, questionou mais uma vez o que ele estava aprontando. Jin apenas disse para que ela mais uma vez confiasse nele.
Os dois entraram numa recepção onde se lia o nome "Reserva Madero” no tapete e arregalou os olhos, afinal de contas ela sabia que aquele lugar era caríssimo, e o que Jin estava aprontando levando-a a um conjunto de apartamentos à beira mar?
- Jin, o que a gente tá fazendo aqui seu doido? - ela sussurrou.
- Você já já vai ver! - ele cumprimentou os funcionários da recepção e então caminhou com até a área dos elevadores.
- Jin, eu não to entendendo nada, caramba! - ela apertou a mão dele.
Jin gargalhou ao entrar no elevador e então tirou um tecido de seda preto do bolso, se posicionou atrás de e então a vendou com o tal tecido. O coração de acelerou dentro do peito. Ela sabia o que estava prestes a acontecer, sabia quais eram as intenções de Jin, e as dela também.
Ao saírem do elevador, ela se deixou guiar cegamente por Jin, e sentia mais do que nunca que podia confiar no homem. Assim que ele retirou a venda de seus olhos, quis chorar pela trigésima vez na noite. Ela nunca havia conhecido alguém como Jin. Ele era romântico, carinhoso, atencioso, engraçado… Ele havia pensado em todos os detalhes daquela noite com todo carinho possível e aquilo quebrava por dentro.
O lugar era pequeno, tinha um painel com uma grande TV no meio do quarto, uma cama de casal, decorada com algumas pétalas de rosas uma escada que dava para um segundo andar - acreditava estar na cobertura - onde provavelmente estaria alguma piscina ou algo assim, um banheiro modesto também e uma sacada com vista para o grande mar. pôs-se a observar a grande cama de casal recheada de pétalas e pela parede haviam várias polaroids dos dois juntos na viagem. Ao pé da escada que dava para o segundo andar havia uma bandeja com uma garrafa de espumante e duas taças. O local era iluminado apenas pelas luzes de led que estavam penduradas na parede perto da cama iluminando as fotos e as pétalas.
- E então? Gostou? - Jin a segurou pela cintura aproximando o corpo do dela - Olha, eu não quero que você se sinta pressionada a nada Olívia! Eu não preparei tudo isso apenas pra transar com você! Se você quiser, a gente pode só relaxar, conversar e aproveitar nossa última noite juntos aqui. Eu só pensei que hoje seria muito importante que dormíssemos juntos, já que você ainda vai demorar a voltar pro Rio.
balançou a cabeça assentindo, ainda hipnotizada com o lugar todo preparado para eles.
- Você de fato existe ou é só a minha imaginação?
Ela se virou ficando de frente para Jin.
- Hum, o que você acha? - ele fez um biquinho e riu.
- Não sei! Por que você não me mostra? - perguntou com uma voz provocativa.
Jin sorriu sem mostrar os dentes enquanto segurava de novo a cintura de , com certa força dessa vez. E logo os lábios dele estavam colados ao dela, o beijo começou lento e delicado, como já era característico dos dois. As mãos de estavam em seus cabelos, e ela resolveu puxá-los com certa força dando permissão para que a língua dele invadisse sua boca. O beijo calmo e delicado foi dando espaço para um beijo mais selvagem, com direito a algumas mordidas nos lábios de ambos. Jin se atreveu a descer as mãos da cintura para o bumbum de , e apertou.
A mesma arfou contra os lábios do moreno ao sentir as mãos dele ali. Há quanto tempo ela não sentia aquilo? As mãos dele subiram de volta para sua cintura e aproveitou para descer o paletó de Jin com intenção de tirá-lo, queria sentir a pele dele o mais rápido o possível, mas não queria descolar os lábios dos dele. Jin entendeu o que ela queria e facilitou para a mesma, soltando sua cintura, mas sem desgrudar os lábios dos dela. se livrou do maldito paletó e partiu então para os botões da camisa de Jin. As mãos dela tremiam de excitação e Jin percebendo resolveu ajudá-la desabotoando ele mesmo a camisa que foi arrancada com pressa por . Os lábios se separaram por alguns instantes para que eles pudessem respirar. E aproveitou para vislumbrar o torso desnudo a sua frente, a pele de Jin era tão branca que pensou levianamente que precisava deixar algumas marcas por ali e ela começou pelo pescoço que tanto chamava sua atenção todas as vezes em que se viam, assim que sentiu os lábios de sugarem seu pescoço Jin fechou os olhos e sentiu os pelos do corpo se arrepiarem e voltou a apertar o bumbum de demonstrando que havia gostado daquilo e sorriu contra a pele de Jin, descendo os beijos pelo pescoço dele, e chegando ao maxilar, depositando mais beijos por lá. Jin segurou as pernas de erguendo-a e enlaçando suas pernas em volta de sua cintura e os dois caminharam em passos curtos até a cama, onde foi jogada lá com delicadeza. Os dois sorriam um pro outro e não pode deixar de descer o olhar pelo corpo do homem à sua frente, como ele era bonito meu Deus, ela não cansava de pensar isso! Poderia passar a vida toda ali, olhando para ele. sempre se impressionava com a largura dos ombros de Jin, não pode deixar de reparar é claro no volume que já se formava em sua calça, e ela sorriu maliciosa enquanto o mesmo se colocava entre suas pernas, abrindo delicadamente as mesmas.
Jin fez questão de subir o vestido que usava até a altura de sua barriga e então passou os dedos por ali, começou pela barriga, se abaixou e depositou beijos por aquela região. fechou os olhos, sentiu o coração dar pulos e pulos no peito, se arrepiou… Depois Jin passou as mãos pelas pernas e coxas de , arranhou levemente a região e mordeu o lábio inferior.
- Você é linda! - ele disse ainda passando as mãos pelas pernas dela - Eu nunca vou cansar de me dizer isso, Olívia!
Mesmo que aquele não fosse seu nome de verdade, sorriu ao ouvir o elogio. Sentiu o corpo pesado de Jin se deitar sobre o dela, o membro já duro de Jin se encostou levemente à sua entrada ainda sobre as roupas e quis gemer, mas se conteve. Ele beijou seu pescoço dando leves mordidinhas por lá e distribuiu alguns arranhões por suas costas, o que Jin pareceu ter gostado já que pressionou ainda mais o membro contra a pele de , que dessa vez não aguentou e soltou um gemido baixo. Assim que deixou o pescoço de livre Jin a beijou a boca, um beijo ávido dessa vez, que foi correspondido. As mãos de Jin, subiam e desciam pelas pernas de , ele acariciava as mesmas e hora ou outra as apertava com força. mordiscava com força os lábios de Jin sempre que tinha a oportunidade.
Assim que as bocas se largaram Jin se levantou ficando novamente entre as pernas de que mantinha os olhos fechados, tinha medo de olhar para ele e perder todo o restinho de dignidade e racionalidade que ainda habitavam sua mente. Jin subiu um pouco mais o vestido da garota dessa vez, deixando toda a lingerie que ela usava à mostra. As mesmas eram pretas. Jin desceu o olhar pelo corpo da garota por vezes, como se também quisesse se certificar que ela era real, que não era mais um sonho, que ela estava ali deitada naquela cama, praticamente seminua, e entregue a ele.
entiu o membro pulsar de tesão dentro da calça, como há tempos não acontecia, e viu levantar parcialmente o corpo na cama, se apoiando com os cotovelos e abrir os olhos. Os olhos dela pareciam estar em chamas, assim como os dele e ele resolveu tirar o vestido por completo com a ajuda dela que logo em seguida voltou a se deitar na cama o chamando com o dedo indicador.
- Você acha que está em posição para me provocar mocinha?
riu enquanto o puxava para si.
- Não estou? - ela passou a língua pelos lábios dele.
Jin sentiu os músculos fraquejarem e tremerem com a língua dela passando pela boca dele. estava disposta a ir longe, então passou o joelho pelo membro de Jin o apertando dentro da roupa e Jin soltou um gemido rouco, quase sem força nos lábios de , que gargalhou jogando a cabeça para trás, expondo ainda mais o pescoço.
- Você me paga! - ele sussurrou no ouvido de que voltou a sentir arrepios pelo corpo.
então desabotoou a calça de Jin - que já estava quase estourando diga-se de passagem - e viu a cara dele começar a ficar aliviada, ela então passou levemente a mão por ali e Jin a lançou um olhar de súplica. então com as duas mãos pôs-se a abaixar a mesma com a ajuda de Jin. Novamente o membro dele roçou por sua intimidade e fechou os olhos com força.
- Viu como é bom? - Jin voltou a sussurrar em seu ouvido e recebeu as unhas de descendo por suas costas com força.
Ele jogou a cabeça para trás enquanto subia o rosto e mordiscava a região de seu pescoço.
As mãos de Jin subiram então para o busto de , ele passou uma das mãos sobre o seio esquerdo dela ainda dentro do sutiã e depois apertou o mesmo o que fez com que soltasse um gemido mais alto, que agradou muito os ouvidos de Jin. Em seguida ele fez o mesmo com o outro seio, e então ele e se ajoelharam na cama, um de frente para o outro e Jin então se desfez do sutiã de que fechou os olhos como se adivinhasse o que vinha em seguida. Sentiu primeiro a língua quente de Seokjin circundar seu mamilo esquerdo, ela então agarrou seus cabelos e mordeu os lábios tentando conter o gemido. A boca dele então sugou todo seu seio fazendo com que agarrasse seus cabelos pretos com ainda mais força e se contorcer de prazer ao sentir a língua dele por ali mais uma vez. Com a mão livre Jin segurava a cintura de , aproximando ainda mais os corpos enquanto sugava seu seio esquerdo. Ele estava com tanto tesão que sabia que não aguentaria por muito mais tempo, ele precisava senti-la dentro de si o mais rápido o possível. Mas ele não era o único naquela situação. Ao subir um pouco o rosto para então passar para o outro seio, segurou o rosto dele com uma das mãos e o beijou.
- Por favor, não demora muito! Eu preciso sentir você dentro de mim!
Aquele era o sinal que Jin precisava. Os dois voltaram a se beijar enquanto ele erguia e passava o braço pela cama tentando chegar até o criado mudo que havia ali para pegar o preservativo.
subia e descia as unhas pelas costas e braços de Jin e ele mordiscava seus lábios, assim que ele pegou o preservativo dentro do criado, ele deitou nos travesseiros que cheiravam a rosas, terminou de se despir. colocou uma das mãos sobre o membro rígido de Jin e fez menção de masturbá-lo, mas ele implorou que ela não o fizesse, pois ele alegou que não aguentaria. Então colocou o preservativo e percorreu mais uma vez as mãos pelas coxas de , ele havia as amado, e então desceu a calcinha de renda preta dela e se posicionou entre as pernas de . Antes, ele passou um dos dedos por lá e não conseguiu: jogou a cabeça para trás e soltou um gemido ao constatar que ela estava tão molhada quanto ele imaginou que estivesse. Ele ainda ficou a torturando com o dedo por um tempo apenas para ter o prazer de vê-la gemer e se contorcer embaixo dele de prazer. Assim que sentiu o membro de Jin começar a preenchê-la devagar, ela o trouxe para perto e afundou o rosto na curva se seu pescoço. As pernas de se entrelaçaram nas costas de Jin assim que ele deu a primeira estocada e ela abafou o gemido ali com a boca colada no pescoço dele. Como de costume, as estocadas de Jin começaram lentas, e foram aumentando de ritmo gradativamente. Ele mal estava raciocinando, só sabia que era maravilhoso a sensação de tê-la ali, tão vulnerável e tão quente. já havia arranhado tanto as costas de Jin que provavelmente ele estaria machucado, mas ele não sentia nada, nada além de prazer. E chegaram ao clímax juntos, algo que nunca havia acontecido com ambos.
Depois de algum tempo abraçados e deitados coladinhos, Jin resolveu que aquele momento talvez fosse o ideal:
- Eu vou te contar uma coisa, mas não quero que você se assuste! E nem que pense que é mentira, ou que estou inventando isso para te impressionar!
ergueu o olhar até encontrar o dele.
- Ah mas o momento de você falar algo que pudesse me assustar era antes disso tudo que rolou né? - ela brincou enquanto ele ria - O que é?
Jin umedeceu os lábios vermelhos e depositou um beijo no topo da cabeça de , ou Olívia, como ele a conhecia.
- De uns dois meses ou mais para cá, eu tinha uns sonhos. - ele pausou buscando as palavras certas - Esses sonhos eram com uma garota que eu jamais havia visto na vida, eu não a conhecia.
- Hum. - assentiu - Certo.
- E era toda noite, não falhava uma! E alguns sonhos eram confusos e perturbadores, outros eram mais calmos, e eu sempre acordava desesperado, sabe?
- Sei! - se aconchegou mais no peito dele.
- Daí eu ficava me perguntando se aquela garota existia no mundo real de fato, ou se era só nos meus sonhos. E bom, foi por isso que aquele dia em que nos conhecemos no luau, eu fiquei daquele jeito. Não foi uma queda de pressão, e sim porque a garota é você.
se sentou na cama incrédula olhando Jin.
- Você está falando sério, Seokjin?
- Claro que eu to, Olívia! Por que eu mentiria uma coisa dessas? Por que eu mentiria para você? Odeio mentiras!
sentiu o soco no estômago com aquelas palavras. Ele odiava mentiras, e ela estava fazendo o que com ele? Ele estava sendo honesto e se abrindo completamente com ela, e o que ela estava fazendo com ele? Ela ficou em silêncio apenas o encarando. Queria decorar cada traço do rosto dele na memória.
- Olívia? - Jin a chamou estalando os dedos perto de seu rosto.
- Que fofo! - o abraçou jogando seu corpo sobre o dele - Você deve ter me visto em algum momento na vida, mesmo que de relance, porque nosso cérebro não é capaz de inventar rostos!
Jin sorriu enquanto a abraçava e acariciava as costas desnudas dela.
- Fiquei tão feliz de te encontrar e saber que você de fato existia!
embargou os olhos outra vez, droga! Então eles se soltaram e voltaram a se olhar. De repente uma chuva começou a cair do lado de fora e os dois sorriam sapecas.
- Se veste, vamos lá para cima! A gente tem que se beijar na chuva, esqueceu?
Jin se levantou todo desajeitado e ainda nú, e fez gargalhar. Os dois haviam confidenciado um ao outro que nunca haviam se beijado na chuva e que gostariam de fazer isso um com o outro. O destino estava colaborando ou atrapalhando ainda mais as coisas para ?
Os dois subiram as escadas e assim que saíram para a pequena varanda da cobertura sentiram os pingos gelados da chuva em suas peles. Eram duas e meia da manhã. abriu os braços e deixou que a chuva a molhasse.
Ela abraçou Jin com força encostando sua cabeça no peito dele, que a acalentou. Os dois ficaram assim por um bom tempo. Com a chuva lavando seus corpos e almas.
- Promete que não vai me esquecer? - Jin questionou segurando o rosto delicado de entre as mãos.
apenas assentiu com a cabeça, segurando o choro. E então eles se beijaram, debaixo da chuva. Sorriam.
Assim que terminaram o banho, os dois se deitaram na cama já sem as pétalas que estavam todas no chão agora. se aninhou outra vez no peito de Jin.
- Se você acordar primeiro, me chama? Meu sono é muito pesado.
não queria mentir mais. Mas acabou por fazê-lo de novo.
- Claro! - por sorte Jin não reparou que a voz dela estava embargada.
- Eu sonho com você todas as noites. Espero não acordar desta vez.
Assim que Jin adormeceu se ajeitou melhor na cama ficando de frente para ele. Lhe acariciou o rosto delicadamente e então se permitiu chorar até pegar no sono.
Os primeiros raios de sol adentravam o quarto e estava de pé. Se vestiu cuidadosamente para não acordar Jin. Pegou sua bolsa e então pôs-se a observar Jin ali deitado e dormindo, como um anjo. O coração de batia descompassado, e ela voltou a sentir o quente das lágrimas pelo rosto. Abriu a porta do apartamento com todo o cuidado o possível e deu uma última olhada em Jin. Sussurrou na direção do moreno:
- A mais bonita das despedidas, a melhor noite das nossas vidas.
Assim que adentrou o elevador e percebeu que estava sozinha, tapou o rosto com as mãos e deixou que o choro caísse livremente por seu rosto. Com os olhos embaçados ela atravessou a recepção como um tufão e caminhou pela avenida com os olhares curiosos e até mesmo preocupados dos que passavam por ela e a viam aos prantos. Pegou um táxi e foi até a sua pousada, lá ela começou a fazer suas malas, ainda aos prantos. Ali ela desejou ter dito toda a verdade a Jin. Se lembrou da risada gostosa que ele tinha, das mãos quentes dele lhe acariciando, das fotos dispostas pela parede do apartamento, se lembrou da noite que tiveram. Desejou ter tido coragem o suficiente para ter dito à ele que mentiu sobre tudo! Mas agora era tarde demais, e não havia mais clima para fazer aquilo. Abaixou a cabeça e deixou as lágrimas caírem no chão. Teria que aceitar o fato de que nunca mais o teria em seus braços.
Enquanto isso, Jin a procurava pelo andar de cima, afinal de contas ela poderia ter acordado primeiro para curtir uma piscina, mas nada dela ali. Ao voltar ao primeiro andar ele notou que sua bolsa já não estava mais lá, então ele desceu achando que ela estivesse no salão tomando café e não quis acordá-lo. Chegando lá, ele percorreu por todo o lugar e também não a encontrou. Preocupado ele vai até a recepção e lá eles informam que bem cedinho ela foi embora.
Jin encerra a sua diária no lugar e então corre pela avenida afora, procurando por ela nas praias, e então decide que vai até a pousada onde ele acha que ela está hospedada. Ao chegar ao local ele pergunta aos recepcionistas ali presentes e questiona se a garota ainda está lá ou se já foi para o aeroporto e então eles lhe respondem que não existe ninguém hospedado ali com aquele nome, ele então mostra uma foto de Olívia a eles que se entreolham e alegam que de fato, aquela garota nunca esteve ali.
Jin deixa a pousada e caminha de volta para a pousada em que ele está hospedado. Desolado e ainda incrédulo ele se senta em sua cama. O que estava acontecendo? Por que ela havia mentido? Será que aquilo tudo havia sido apenas mais um sonho, sei lá um delírio? Ela era real? Por que ela havia sumido daquele jeito? Por que mentir o nome e o lugar onde estava? A mente dele estava confusa e o coração partido.
Décimo Sétimo Capítulo - Stuck with you
acordou com Taehyung lhe acariciando os cabelos e então ela sorriu para o irmão. Ela mal acreditava que estava de folga em um domingo depois de meses trabalhando direto. Pena que o irmão precisava dar um plantão no trabalho devido a implantação de novos sistemas e os dois não podiam sair. Se sentou na cama e acabou por espreguiçar-se fechando os olhos novamente e ouviu o irmão:
- Tem café! Eu fiz um bolo também, desce para você comer! Ainda tá cedo, dá até para você voltar a dormir depois!
gargalhou brevemente e voltou a abrir os olhos. Taehyung se levantou e depositou um beijo breve no topo da cabeça da irmã e depois a deixou sozinha.
Ela se levantou e antes de sair do quarto para ir até o banheiro checou o celular, com medo. Durante a semana que havia se passado ela havia recebido cerca de setenta ligações do stalker. Taehyung nem imaginava, e ela de certa forma se sentia mal por não contar como as coisas estavam ao irmão, mas ela conhecia V, sabia que ele provavelmente ficaria preocupado e ela não queria preocupar o irmão com aquilo, ele já tinha tantas preocupações com ela e com a casa!
Nada, nenhuma ligação até aquele momento. respirou aliviada, e entrou no whatsapp para verificar se ninguém do hospital havia mandado nada por lá. Assim que entrou viu que havia uma mensagem de Jungkook não lida, enviada de madrugada.
engoliu seco ao pensar novamente na hipótese de ele ser o stalker, havia alguns dias que eles não se falavam desde a ida dele ao hospital para retirar os pontos. o havia tratado mal e ele provavelmente havia ficado chateado. também havia ficado, depois pensou que não precisava de tudo aquilo, mas já estava feito.
Abriu a mensagem que dizia apenas: “Saudades de você! Será que nós já podemos voltar a nos falar? Não sei exatamente o que eu fiz, mas gostaria muito de entender e de voltar a falar com você. Você me faz bem, !”
sentiu o coração murchar dentro do peito. Ela também sentia falta dele! Mordeu o lábio receosa. Olhou para a tela do celular, relendo a mensagem, e ele estava online. Digitou: “Estou de folga hoje, o que acha de a gente finalmente ter um segundo encontro? Assim a gente conversa melhor sobre tudo!” enviado.
respirou fundo e logo o online virou um digitando.
“Você está falando sério?”
soltou um risinho nasalado pela incredulidade dele.
“Sim, estou, Jungkook! Vamos?”
“Aonde e que horas?”
pediu que ele esperasse até que ela saísse do banho para pensar em algum lugar. E assim ela o fez, tomou um bom banho deixando que a água morna caísse por seu corpo sentindo os músculos relaxarem por completo. Havia séculos que não conseguia sentir de fato a mente calma e vazia daquela forma. O trabalho estava a consumindo de forma tão absurda que ela nem sabia como estava conseguindo se manter tão firme, e para piorar o stalker estava pegando pesado nos últimos dias o que a fazia ficar apavorada e paranoica, ela não conseguia relaxar. Por isso estava aproveitando tanto aquele banho.
Assim que desceu as escadas da casa, passou pelo escritório para dar mais um beijo no irmão e conversar com ele um pouco. Pensou que talvez ele ficasse chateado de ela sair de casa em um dos poucos dias de folga, então foi à cozinha pegou um pedaço do bolo que ele fez e uma xícara de café e se sentou no sofá do escritório enquanto conversava com o irmão sobre o trabalho dele. Quando finalmente se lembrou de responder a Jungkook. Ao olhar o celular havia algumas mensagens dele não lidas, achando que ela havia desistido. E o acalmou.
- Me fala um lugar maneiro ai Tae, para sair para conversar. Um lugar mais tranquilo, please!
- Para que? Para você? Vai sair?
assentiu com a cabeça, com os lábios comprimidos, tremendo a reação do irmão. Mas ao contrário do que ela esperava, ele abriu um sorrisinho de canto e balançou a cabeça de forma positiva.
- Você está conhecendo alguém? - ele girou a cadeira e se aproximou da irmã no sofá.
ficou ruborizada com a pergunta do irmão. Apesar de os dois saberem quase tudo um da vida do outro, algumas coisas ela ainda sentia certa vergonha de compartilhar com o irmão!
- Ai Tae! - ela soltou um muxoxo enquanto ele beliscava as pernas dela rindo - Estou! Mas não rolou nada ainda! Você sabe, minha vida é muito complicada para eu conseguir ter alguém! A gente se viu só uma vez, e você nem imagina como!
Taehyung se interessou pelo assunto e contou à ele sobre a primeira vez em que se viram no hospital, o que arrancou algumas risadas dele.
- Que tal vocês almoçarem fora?
pensou na ideia por alguns segundos e pegou o celular novamente, Jungkook havia mandado uma mensagem propondo exatamente a mesma coisa e sorriu, fazendo com que o irmão sorrisse junto.
Olhou as horas e resolveu que comeria mais um pedaço do bolo do irmão e subiria para se arrumar, já que eram quase meio dia e eles haviam combinado de encontrar meio-dia e quarenta.
- Vou me arrumar, Tae! Eu volto cedo, prometo!
- Não precisa ficar preocupada com isso! Aproveita o encontro! Depois eu quero conhecer esse cara hein?
Ele fez uma cara séria e um gesto com as mãos e gargalhou.
- Calma, Tae! - ela se levantou e bagunçou os cabelos negros do irmão.
Subiu as escadas com calma e adentrou o quarto. O banho já estava tomado então ela só precisava escolher uma roupa e fazer alguma maquiagem. Estava calor e de dia então ela queria algo leve e fresco, optou por um vestido florido que batia até um pouco antes dos joelhos e uma maquiagem leve. Se arrumou com calma, calma essa que ela sentiria falta quando a folga acabasse. O lugar ficava há uns vinte minutos de sua casa então ela terminou de se arrumar e pegou a bolsa sobre o sofá e a chave do carro. Se despediu de Tae com um beijo na bochecha e disse que qualquer coisa era só mandar uma mensagem ou ligar e ele pediu que ela relaxasse e se divertisse.
Chegou primeiro ao local e se sentou mais ao fundo do estabelecimento, ao verificar o celular havia uma mensagem do irmão dizendo à ela que se ela precisasse de ajuda ou algo do gênero ele estaria pronto para ajudar e riu. Amava tanto o irmão!
Assim que levantou o olhar e depositou a bolsa em uma das cadeiras, ela o viu adentrar o lugar. O cabelo roxo hoje estava preso num rabo de cavalo baixo e o piercing que ela achava super sexy estava ainda mais à mostra. As mãos nos bolsos, ele estava todo de preto, e sorriu quando a viu. Os olhos pretos dele, brilhavam, como se fossem uma galáxia.
se levantou quando Jungkook se aproximou da mesa. Ela estava nervosa e nem sabia o porquê.
A mão direita de JK lhe apertou a cintura e então os lábios dele beijaram a bochecha dela demoradamente. O cheiro dele invadiu as narinas dela, e ela podia jurar que desmaiaria. O cheiro dele era incrível.
Se sentaram frente a frente e um garçom chegou com os cardápios e eles agradeceram.
Os dois não conseguiam parar de se olhar, mas em completo silêncio. não sabia muito bem o que falar, era engraçado como por mensagem os assunto fluía tão naturalmente e pessoalmente ela não conseguia agir normalmente. Mas de uma coisa ela sabia, Jungkook mexia com os hormônios dela.
- E então? Finalmente uma folga hein? - ele brincou mexendo no cardápio enquanto mordia o lábio.
riu, sem graça.
- Pois é, menino! Hoje quando eu acordei, nem acreditei que estava de folga! Foi tão gostoso, poder acordar sem despertador, tomar um banho de verdade!
Os dois riram. Silêncio.
- Você tá linda! - Jungkook acariciou a mão de sobre a mesa.
direcionou o olhar até a mão dele. O toque dele era tão suave, que desejou que ele não parasse com o carinho. E ele assim o fez, continuou acariciando a mão dela, até que os olhares se encontrassem novamente.
sorriu, sem graça. Não costumava ouvir muitos elogios, então sempre ficava sem graça quando ouvia um.
- Como está o trabalho? Lembro de você dizendo que também estava mais tranquilo há algumas semanas...
Jungkook soltou um suspiro pesado e fechou os olhos.
- Até estava mesmo, mas agora estou mudando de chefe e isso tem mexido um pouco comigo. Eu estou tentando me adaptar, sabe? Eu estava acostumado com o antigo, e esse novo tem me tirado um pouco do sério!
se lembrou de uma das ligações do stalker onde ela chorando pediu que ele a deixasse em paz, e recebeu como resposta um “não me tire do sério baby, eu não ando tendo bons dias!” e a espinha gelou.
Retirou delicadamente a mão debaixo da de Jungkook e raspou a garganta. Voltou a fitar o cardápio. Jungkook juntou as mãos debaixo da mesa sentindo a cortada brusca do contato das mãos. Ela andava estranha.
- O que eu fiz? Não só agora, mas desde semana passada? Por que você muda de repente?
sentiu uma pontada na cabeça, como se ela quisesse começar a doer.
- Nada! Você não fez nada! - balançou a cabeça.
Como ela explicaria para ele? Era impossível explicar.
- Aquele dia no hospital… - ela pausou - eu te peço desculpas inclusive! Não estava sendo um bom dia e eu acabei descontando nos pacientes. Não foi certo da minha parte, mas realmente eu estava no meu limite! Na verdade eu ando no meu limite.
- Tem mais alguma coisa te perturbando? Além do trabalho?
encarou os olhos pretos de Jungkook e eles brilhavam ainda mais. Ele mordia o lábio inferior esperando alguma resposta. O coração de começava a acelerar, quando ele voltou a acariciar suavemente a mão dela sobre a mesa outra vez.
- Não! - ela mentiu, engolindo seco - Nada! Só o cansaço mesmo! Eu estava muito sobrecarregada no hospital, trabalhando sem parar, sem dormir… Isso meio que mexeu muito com as minhas emoções.
- Perfeitamente compreensível! Eu não tinha entendido muito bem no dia, eu confesso. Mas depois pensei sobre e imaginei que fosse algo do gênero, mas tive minhas dúvidas.
- E você achou que era por quê? - questionou encarando ainda mais os olhos negros de Jungkook.
Com a resposta, queria encontrar dentro dos olhos dele, algum traço que a fizesse conseguir confiar completamente nele.
Jungkook apertou a mão dela levemente sobre a mesa, parando a carícia.
- Achei que tivesse feito algo grave, mas não sabia o que ! E foi isso que me deixou angustiado. Eu não entendi, de verdade.
analisou os olhos negros dele. Desceu os olhos para os lábios vermelhos dele. De repente ela só conseguiu pensar em como seria um beijo dele e em qual gosto aqueles lábios teriam.
Subiu o olhar de volta para os olhos dele. Não conseguia enxergar nada ali, além do brilho dos olhos dele. Ele era incrivelmente indecifrável.
- Me desculpe, mais uma vez, JK!
A mão dele ainda apertava a dela e ela demonstrou o incômodo que aquilo já estava causando. Como se saísse de algum transe, ele afrouxou o toque e voltou a acariciar a pele de . Aquilo a havia assustado um pouco.
- Vamos almoçar? - ele perguntou e ela apenas assentiu.
Voltou a olhar o celular, e nenhuma ligação do stalker. fitou Jungkook concentrado no cardápio e engoliu em seco. Logo os dois fizeram seus pedidos e voltou a questionar sobre o trabalho de JK, e o porque ele não estava confortável com o novo chefe.
- Ele é estranhamente grosso e seco, sabe? Não sei, acho que eu me acostumei com o jeito mais amável e humanizado da minha chefe.
- Antes então era uma mulher? E isso para você era mais confortável?
- Sim, uma mulher. E, eu não entendi o questionamento, …
emudeceu.
- Não, nada! Esquece! Esquece isso!
- Eu não quis dizer que me sentia mais confortável com ela por ser mulher.
Agora era ele quem soltava a mão de cortando bruscamente o toque. Visivelmente chateado pela dedução de .
- Não foi isso que eu quis dizer, JK, desculpe pela forma que me expressei.
soltou um suspiro pesado e puxou a mão dele sobre a mesa e colocou a sua sobre a dele, agora com ela acariciando a mesma.
- Tudo bem! - ele sorriu sem mostrar os dentes.
Os dois mudaram de assunto, até que os pratos chegaram. Enquanto comiam os dois trocaram algumas risadas com as palhaçadas de Jungkook e ela fitou o celular. Não havia nenhuma ligação do stalker. e Jungkook se encararam.
Era ele ou ela estava apenas ficando louca?
Décimo Oitavo Capítulo - The Feeling
Assim que adentrou a sua sala Jimin fez um breve contato visual com que logo desviou o olhar para a tela do computador. Há uma semana vinha sendo daquele jeito. e ele somente falavam um bom dia seco um para o outro e conversavam sobre coisas do trabalho, quando necessário. Durante os almoços e lanches eles também não conversavam. Jimin bem que tentou nos dois primeiros dias, mas ela apenas o ignorava, então ele resolveu que seria melhor deixar que ela estabelecesse quando ia voltar a conversar direito com ele. Jimin sentia falta de poder implicar com cada mania de , sentia falta da risada irônica dela, sentia falta dos tapas que levava dela, ou de vê-la rolando os olhos sem paciência para ele. É como ele havia dito para : “Se eu não brigasse com ela todos os dias, eu ficaria em casa sozinho, lutando contra mim mesmo, de toda forma. É bom ter com quem bater-boca. Você se sente quentinho por dentro, parece até que as coisas importam.”
Hoje nem bom dia ele havia dado, os dois apenas trocaram aquele olhar e Jimin se sentou em completo silêncio em sua mesa, a não ser pelo longo suspiro cansado que saiu de seus lábios enquanto ele bagunçava os cabelos que hoje não estavam alinhados num topete e sim partidos ao meio e sem nenhum traço de gel. Ele hoje não vestia as tradicionais roupas sociais de todo dia e sim uma calça preta justa com alguns rasgados pelos joelhos e uma blusa de frio branca, larga. Os olhos estavam inchados, como se ele tivesse chorado muito ou não dormido nada durante a noite, ou talvez até as duas coisas. E reparou nisso enquanto o vislumbrava de olhos fechados passando a mão pelos cabelos com as mangas da blusa as cobrindo por completo. Assim que reparou melhor no rosto dele, viu um leve inchaço em sua boca, como se fosse um corte.
A mais baixa estranhou tudo aquilo, porque ela estava acostumada demais com ele todo arrumado e perfumado, e bom, por mais que ela não estivesse conversando com ele, pelo menos um bom dia eles sempre trocavam e hoje nem isso. Sem contar que ela havia ficado preocupada, especialmente com o corte nos lábios dele. O que teria acontecido? Será que ele havia se metido em alguma briga? quis colocar gelo ali para que o inchaço e a provável dor desaparecessem, quis cuidar dele e entender o que poderia ter acontecido, mas ele não merecia.
Jimin retirou alguns papéis da pasta que sempre carregava consigo e ligou o notebook, enquanto o mesmo ligava, ele colocou as mãos sobre o rosto e sentiu vontade de chorar ao se lembrar da briga horrível da noite passada. O padrasto mais uma vez resolveu que humilharia a mãe de Jimin em sua frente, e os dois entraram numa briga horrível, onde ambos se agrediram não só verbalmente… Jimin viu a mãe ficar do lado do padrasto quando tudo aconteceu e sentiu seu coração se quebrar em mil pedaços.
Ele queria sumir! Pelo menos por alguns dias. Estava muito magoado com toda a situação, amava a mãe mais que tudo, mas ela o havia magoado demais e toda a situação estava insuportável para ele, que não sabia muito bem como agir com relação ao que sentia pelo padrasto e pela mãe.
Jimin havia chorado basicamente a noite toda e se dormira três horas naquela noite havia sido muito. Sua cabeça explodia de dor, e o nó no peito não se desfazia por nada, então ele deixou algumas lágrimas escaparem enquanto tampava o rosto de novo. umedeceu os lábios, se sentindo angustiada com a situação. E então bateu na porta e a abriu logo em seguida.
- Bom dia nenéns! Tá na hora do café! Vamos?
Jimin se levantou rapidamente e pegou a caneca verde com a logo do escritório e caminhou em direção a , que assim como não conseguiu deixar de reparar no estado do amigo. Assim que passou por ela, ele depositou um beijo rápido em sua bochecha saindo da sala logo em seguida. também se levantou.
- Você sabe se aconteceu alguma coisa?
cumprimentou a amiga com um beijo também e logo as duas começaram a caminhar para a cozinha do escritório.
- Nós não estamos nos falando, né? Mas achei estranho… Ele não tá nada legal!
- Sim! É perceptível amiga! Não vai arriscar?
- O que? Perguntar? Pra ele me dar uma patada?
As duas pararam em frente a cozinha e observaram o loiro sentado na mesa de sempre com a caneca cheia de café e as mãos tapando o rosto enquanto ele soltou outro suspiro e então pôs-se a mexer no lábio machucado, soltando alguns muxoxos.
- Aquilo ali na boca dele é um corte? - cochichou ao observar a boca do amigo -
- Amiga eu acho que sim! Tá enorme né? - suspirou -
- Aconteceu alguma coisa! Mas eu não me sinto íntima o suficiente para perguntar, o Hoseok comentou que ele tem muitos problemas com o padrasto e que o clima na casa dele não é dos melhores, e que ele sempre se estressa ao falar sobre!
As duas se olharam e depois olharam Jimin novamente que agora encarava fixamente a caneca a sua frente. e entravam na cozinha e se serviram de café, ambas olharam Jimin, imóvel, com lágrimas nos olhos. O olhar de outra vez se deteve no machucado. Quis abraçá-lo com força.
- Vou voltar, preciso adiantar algumas coisas! - ele finalmente falou enquanto se levantava e pegava a caneca - Bom café meninas!
As duas assentiram e ele saiu da cozinha. e ficaram alguns minutos lá conversando sobre amenidades e perceberam que o café não era o mesmo sem as palhaçadas do amigo. Antes de voltar, pegou um pano de prato dentro de uma das gavetas da cozinha e alguns gelos, os embrulhando com o pano e entendeu. Assim que ela voltou para a sala, Jimin estava absorto em seus pensamentos e olhava a tela do computador. O machucado agora sangrava um pouco e ele limpava com a ponta dos dedos, provavelmente ele havia se machucado ainda mais ao mexer no corte.
- Isso aí deve tá doendo muito Jimin! Toma! - estendeu o pano com os gelos na direção de Jimin -
- Tá tudo bem! - ele respondeu encarando em pé em frente a sua mesa -
- Não seja babaca Jimin! O corte está sangrando e sua boca está enorme!
Jimin passou a língua pelo corte e sentiu o gosto forte de sangue na mesma e soltou um gemido de frustração com a ardência do corte. Mas fez que não com a cabeça.
- Que droga Park Jimin! - bateu as mãos na lateral do corpo -
Andou um pouco até conseguir ficar ao lado dele em sua mesa e se agachou com certa dificuldade devido aos saltos que usava e então segurou o rosto de Jimin com uma das mãos virando-o para ela e então os dois se encararam. Jimin gostou da sensação da mão dela em sua pele, então ele passou a língua pelo ferimento de novo, sentindo outra vez a ardência, e praguejou de novo.
então segurou o rosto dele com delicadeza e colocou o pano com os gelos devagar sobre o corte. Jimin fechou os olhos, praguejando pela terceira vez com o gelo queimando seu lábio machucado.
- Calma! - pediu - Tá enorme! Porque você não colocou em casa?
Jimin maneou a cabeça ainda com os olhos fechados e segurou uma das mãos dele.
- Fica quieto Jimin! É para te ajudar!
- Eu não vi que tava assim! - ele disse com dificuldade -
- O que aconteceu?
se atreveu a questionar, e viu os olhos dele se abrirem. Agora marejados.
- Não precisa contar se não quiser… Mas acho que você precisa conversar! Então, se quiser falar, eu estou aqui!
Jimin soltou um muxoxo quando ela intensificou o contato do gelo com sua boca, o que fez com que ela se levantasse, ficando em pé, no meio das pernas dele. Os dois trocaram um olhar mais intenso. Como ele conseguia continuar sexy mesmo numa situação como aquela? Pensou .
Jimin ficou em silêncio enquanto a mais baixa cuidava do ferimento de sua boca. Depois de alguns minutos, quando seus lábios inferiores já estavam começando a ficar dormentes, ele sentiu se afastar, já que as pernas dela estavam em contato com as suas. Num instinto, Jimin a segurou pela cintura a trazendo para perto dele de novo.
engoliu seco com a atitude inesperada do colega, e acabou por apoiar as mãos nos ombros dele.
- Achei que você não tinha acabado ainda, me desculpe! - ele soltou com a voz fraca -
apenas assentiu com a cabeça, meio sem reação.
- Daqui a vinte minutos precisamos colocar de novo, se ainda estiver inchado, ok?
Jimin assentiu sem conseguir tirar os olhos dela.
- Preciso voltar para a minha mesa Jimin. - ela sussurrou alto o suficiente para que ele ouvisse -
Ele assentiu soltando devagar a cintura dela que voltou rapidamente para sua mesa, antes jogando o restante de gelo que havia sobrado no lixo. Os dois agora estavam desconcertados.
Durante os vinte minutos seguintes, os dois não trocaram mais nenhuma palavra, mas flagrava Jimin limpando algumas lágrimas hora ou outra, e ele também suspirava muito enquanto passava as mãos pelos cabelos sempre bagunçando-os. Ela estava angustiada sem saber o que estava acontecendo e estava se sentindo estúpida por se preocupar com ele. O machucado agora estava menos inchado, mas ainda parecia doer.
- Vamos colocar mais gelo ai? - Jimin tirou os olhos do computador e encarou que também o olhava -
Ele não gostava de olhar nos olhos dela, eles eram tão profundos que ele acabava ficando perdido por lá.
- Você acha que precisa?
levantou e caminhou em direção à ele, que esperou calmamente ela se adentrar em meio às pernas dele e lhe tocar o queixo, subindo o rosto dele. se abaixou o suficiente para sentir o cheiro dele e observou o machucado mais de perto, ainda estava inchado mas já não sangrava mais.
- Doendo? - ela perguntou -
Jimin fez que sim a cabeça e se atreveu a colocar novamente as mãos na cintura dela, havia gostado daquilo.
- Mas doendo muito?
- Ardendo na verdade.
Os dois se olharam outra vez, e percebeu que não era só o corte que ardia, os olhos dele também. Ela se ergueu, ficando reta e então informou a ele que buscaria mais gelo.
Jimin sacudiu a cabeça quando saiu, porque diabos ele estava gostando tanto daquelas sensações que aquela aproximação estava causando?
Assim que ela voltou com o gelo, entregou o pano para ele, para que ele mesmo pudesse colocar nos lábios e Jimin se sentiu levemente frustrado com a atitude.
As coisas ainda não haviam voltado ao “normal” para , ela ainda estava com raiva e não queria demonstrar tanta clemência assim.
Durante o almoço Jimin preferiu almoçar sozinho porque alegou não estar uma boa companhia, e as amigas foram sozinhas no restaurante que iam todos os dias. As duas conversaram sobre a preocupação que estavam com o amigo e contou à que ofereceu um ombro amigo caso ele quisesse conversar, mas que Jimin nada havia dito. Resolveu não contar sobre as sensações que a proximidade de hoje havia causado em sua cabeça.
Ao voltar, flagrou Jimin chorando outra vez, mas ele disfarçou quando a colega adentrou a sala.
- Você não vai mesmo me contar o que tá rolando? - jogou a bolsa sobre o sofá que tinha na sala -
Jimin fitou em pé entre a mesa dele e a dela com os braços cruzados abaixo dos seios. Droga, ele vinha achando ela cada dia mais linda!
- Eu tive um desentendimento familiar, bem grave, diga-se de passagem!
Jimin balançou a cabeça em negativa, fechando os olhos pesadamente.
- Com o seu padrasto?
Jimin abriu os olhos. Ele já havia comentado com ela sobre o padrasto?
- Sim! Com ele mesmo! - Jimin mordeu o lábio se esquecendo do corte - Au!
Ele levou a mão lá abaixando a cabeça.
- Calma! - se aproximou dele e pôs a mão sobre seu ombro, apertando-o - Ei, levanta aqui o rosto, deixa eu ver…
Jimin assim o fez, o lábio agora sangrava levemente. aproximou o polegar do ferimento, limpando com delicadeza o sangue que saia de lá. Os dois voltaram a se encarar profundamente.
- Colocou mais gelo ai? - Jimin fez que sim a cabeça - Então não mexe mais ai! E ai, o que rola? Qual seu problema com ele?
- Eu o odeio! - ele disse simplesmente - Ele é um babaca! Humilha minha mãe, a trata mal! E ela simplesmente não consegue o deixar, ela tem uma dependência emocional intensa dele, mesmo o relacionamento sendo completamente abusivo!
- Essas coisas são complicadas Jimin, a maioria das mulheres não consegue mesmo sair! Você precisa ter paciência.
- Eu tenho ! Muita até! Você não sabe o inferno que é presenciar tudo o que eu presencio e não poder fazer nada!
assentiu, sentindo vontade de acariciar o rosto dele.
- Eu amo a minha mãe, mais do que tudo no mundo! - os olhos dele marejaram - E eu queria poder sumir com ela de lá! Mas ela não quer, e eu não sei se consigo sair de lá e deixá-la sozinha com aquele imbecil!
- Você quer um conselho? Não quero me intrometer na sua vida, imagina! Se você não tem mais saúde mental para ficar no mesmo ambiente que seu padrasto, não fique!
Jimin respirou fundo, voltando a tapar o rosto com as mãos.
- Eu achava que sabia exatamente o que queria, para onde estava indo, mas, ultimamente, não sei, as coisas parecem confusas.
- Jimin, é sério! Não acabe com a sua saúde, com a sua vida por conviver com ele! Não vale a pena, mesmo que seja pela sua mãe. Você pode continuar ajudando ela de longe, acredite! Mas não se desgaste mais com essa situação, isso vai acabar com você.
- Está acabando comigo já! Chegou num nível que eu já não consigo mais olhar na cara dele. Eu sinto enjoos, está começando a ficar físico, sabe?
balançou a cabeça positivamente e se lembrou da mãe. Antes de sair de casa, era exatamente daquele jeito que ela se sentia com o padrasto também. E da mesma forma que Jimin, ela não esperava ser expulsa de casa pela própria mãe. Mal se lembrava do padrasto hoje em dia e tinha poucas lembranças daquele dia, elas eram apenas alguns borrões. Mas ela sentia a mesma dor do dia do ocorrido todas as vezes em que se lembrava.
- Sei sim! Esse é um sinal Jimin! Um sinal do seu corpo, te dizendo que tá na hora de vazar fora! Eu demorei muito para entender isso quando aconteceu comigo.
- Quando aconteceu o que?
respirou fundo percebendo que tinha atravessado uma linha que não deveria.
- Quando fui expulsa de casa pela minha mãe.
- Como assim? - Jimin se ajeitou na cadeira - Você não mora com ela?
- Não, tem anos! Para te ser sincera, eu nem sei a quantos anos eu moro sozinha.
- E seu pai?
- Eu nunca soube nem quem é o meu pai! Eu tenho um padrasto, desde os meus dois anos. E foi por causa dele que ela me expulsou de casa.
respirou fundo e resolveu se sentar em sua cadeira, voltando a ficar parcialmente focada no trabalho.
- Vocês não se davam bem também? - ela viu Jimin se aproximar de sua mesa com a cadeira -
- Não! Eu o odiava, da mesma forma que você odeia o seu padrasto. Ele me olhava de uma forma esquisita e fazia comentários impróprios e quando eu fiz dezesseis anos ele invadiu meu banho, eu fiz um escândalo, e bom… - ela parou de falar -
- Sua mãe ficou do lado dele e te pôs para fora de casa?
- Exato! Eu não me lembro muito bem do dia, tenho alguns borrões apenas. Mas me lembro muito bem das investidas dele, me lembro muito bem dele invadindo meu banheiro, me lembro do nojo que eu sentia dele.
balançou a cabeça tentando afastar os pensamentos. E fitou Jimin, que agora havia erguido a mão na direção da mão dela, ela sentiu o coração acelerar.
A mão dele pousou sobre a dela em cima da mesa, segurando-a com força.
- Eu sinto muito ! É impossível imaginar isso.
sorriu sem mostrar os dentes e tomou coragem, acariciou-lhe o rosto com delicadeza e afeto. Ele fechou os olhos e se deixou levar pelo quente da mão dela.
- A vida às vezes é um sangramento difícil de estancar Jimin! Você precisa ter coragem! Não abandone sua mãe, mas também não se mate por ela.
Ele abriu os olhos e ela instantaneamente cessou o carinho.
- Me desculpe! Aquele dia eu fui um babaca! Eu não deveria ter feito aquilo com você na apresentação, eu fui um completo idiota, e hoje tenho certeza disso! Me desculpa?
soltou um suspiro. Ainda não se sentia confortável ao lembrar do que ele havia feito.
- Vamos tentar não pensar mais nisso, pode ser?
- Eu preciso que você me perdoe…
- Jimin - ela suspirou - Você me promete pensar com carinho no que eu disse?
- Claro! - ele voltou a segurar a mão dela -
- Então eu te desculpo. Agora vamos trabalhar, hum? E coloca mais um gelo ai nessa boca.
Jimin sorriu, depositou um beijo rápido na mão de que ele segurava e voltou para sua mesa. soltou um riso nasalado. Parece que eles estavam começando de novo...
Décimo Nono Capítulo - Closer
Provavelmente aquela seria a décima vez que seu cliente o ligava, ele estava tentando fazê-lo entender que ele precisava deixá-lo fazer o seu trabalho. O que não vinha acontecendo naquele caso, o cliente ligava toda hora fazendo questionamentos sem sentido e tirando-o do sério. Namjoon gostava de trabalhar sozinho e em silêncio, gostava de poder se concentrar o máximo em seus casos, repassava todas as informações várias vezes, pois acreditava que sempre podia encontrar algo que pudesse ter passado despercebido.
E hoje em específico o dia estava sendo mais estressante que o normal, assim que Namjoon desligou o telefone ele jogou a cabeça para trás empurrando a cadeira,até que a mesma batesse na parede. Fechou os olhos e coçou os olhos. Voltou a ler o processo e as evidências que tinha. O cliente passou a mandar mensagens ao invés de ligar e Namjoon resolveu desligar o celular para ver se conseguia se concentrar de fato no trabalho.
Após muitas xícaras de café e duas latinhas de energético, ele sentiu as costas doerem e os olhos arderem devido ao tempo que havia passado olhando pro notebook. Se levantou, espreguiçando-se. Precisava de uma boa noite de sono, ele pensou. Olhou o relógio na parede e percebeu que eram quase dezessete horas e o abrigo/hospital fecharia dali a meia hora. Havia dois dias que Namjoon não via a mãe e ele bem sabia que quanto mais tempo ele passava sem vê-la ou sem tentar uma aproximação, menos chances de que ela se lembrasse dele Namjoon teria. Resolveu que iria hoje. Ajeitou as coisas dentro da pasta e arrumou a mesa, trancou o escritório e cumprimentou alguns colegas enquanto esperava o elevador. Mexeu a cabeça de um lado para o outro, flexionando os músculos cansados do pescoço, alongando-os.
Destravou o carro, adentrou no mesmo colocando a pasta no banco ao seu lado e dirigiu calmamente até o abrigo, sorte que o local ficava há poucos minutos do escritório de Namjoon.
Adentrou o local já tão conhecido por ele, cumprimentando alguns enfermeiros que encontrava pelo local, até chegar a recepção. A mãe provavelmente estaria no quarto, ela somente gostava de tomar sol ou ficar do lado de fora de manhã, até antes de almoçar e antes das quatro da tarde também, para tomar o lanche da tarde.
Simone, da recepção, sorriu com ternura ao vê-lo adentrando o local. Sentia um pouco de pena de Namjoon, mas o achava um filho incrível.
- Olá Namjoon! Como estão as coisas? - ela perguntou, sorridente -
Namjoon soltou um breve suspiro, enquanto pedia licença para Simone para atender o cliente pela décima primeira vez no dia. Namjoon sentiu que podia socar a parede à sua frente com o ódio que estava sentindo naquele momento.
- Você pode me ligar amanhã? Estou no hospital, com a minha mãe… - ele pausou ouvindo o cliente pedir desculpas - Sim! Até amanhã então.
Namjoon soltou um suspiro cansado e então cumprimentou Simone.
- Hoje parece estar sendo um dia difícil, não?
- Dá para perceber tão fácil assim? - Namjoon soltou uma risada nasalada - Fazia tempos que os dias não eram assim tão estressantes Simone! E a minha mãe? No quarto?
Simone assentiu enquanto se levantava, ajustando a longa saia que usava.
- Olha Namjoon, hoje sua mãe está muito agitada, o dia todo. Gritou bastante o nome do seu irmão, chorou bastante. Agora ela parece estar um pouco mais calma, mas não muito! Quer tentar vê-la? Quem sabe, sei lá, ela não se acalma com a sua presença!
Namjoon sentiu um aperto no peito ao ouvir as palavras de Simone. Os dias sempre eram muito difíceis quando a mãe ficava daquele jeito, ela ficava agressiva e ainda mais triste. Namjoon nunca sabia como agir quando presenciava a mãe naquele estado, ele sempre se assustava mesmo já tendo presenciado algumas vezes quando aquilo acontecia.
Caminhou ao lado de uma das enfermeiras que cuidam diariamente de sua mãe, também já conhecida de Namjoon. O coração dele batia forte, e a cabeça agora doía.
- Dona Yuna? - questionou a enfermeira abrindo a porta do quarto - Está acordada?
Yuna nada respondeu, continuou sentada em sua cadeira de balanço olhando para a janela. A enfermeira olhou para Namjoon com pesar. Namjoon assentiu para ela com a cabeça e sorriu sem mostrar os dentes.
- Olha só quem veio ver a senhora hoje! - ela deu passagem para que Namjoon entrasse no quarto -
E assim ele o fez. A enfermeira lhe falou que estaria do lado de fora, preparada para ajudar ou interferir caso Namjoon necessitasse. Namjoon se sentou na cama confortável da mãe enquanto observava a mesma. Os cabelos curtos e negros, os traços já cansados, e ela parecia mais velha do que de fato era. Sentiu ainda mais amor pela mãe. Queria poder abraçá-la agora, queria poder deitar a cabeça em seu colo e desabafar sobre o trabalho e sobre todas as outras coisas da vida enquanto ela lhe acariciava os cabelos. Uma lágrima teimosa desceu por sua bochecha.
- Quem diabos é você mesmo? - a mãe questionou virando o rosto na direção de Namjoon -
Namjoon soltou um suspiro cansado e viu outras lágrimas descerem por suas bochechas. Ele balançou a cabeça em negativa.
- Eu só vim ver como a senhora estava, mãe.
- Mãe? - ela se levantou com dificuldades da cadeira onde estava -
Namjoon instintivamente se levantou também, com medo que ela pudesse se machucar. A mãe caminhou devagar na direção dele, estreitando os olhos, como se não estivesse enxergando bem. O coração de Namjoon agora batia não só acelerado como também descompassado com a proximidade da mãe.
Yuna tocou o rosto dele delicadamente com as pontas dos dedos e Namjoon fechou os olhos sentindo as lágrimas secarem.
- Você tem quantos anos querido?
Namjoon olhou os olhos negros da mãe.
- Vinte e sete, mãe! - ele tocou a mão dela -
- Quase a idade que meu filho teria, se estivesse vivo!
Os olhos de Yuna marejaram e Namjoon sentiu a garganta fechar.
- Você nunca vai se lembrar de mim? - ele sussurrou enquanto acariciava a mão dela -
- Meu filho seria bonito, igual a você! Tenho certeza!
Yuna passou a mão pelos cabelos de Namjoon, acariciando-os. As lágrimas agora corriam livremente por seu rosto. Tudo o que ele mais queria é que a mãe tivesse pelo menos uma única lembrança dele, só isso bastaria.
Eles foram interrompidos pela enfermeira batendo na porta e entrando logo em seguida.
- Namjoon? - ela chamou - Sinto muito, mas já são quase dezessete e trinta e nosso horário vai encerrar! Você quer continuar como voluntário?
Namjoon fez que não com a cabeça enquanto a mãe ainda lhe acariciava o rosto e os cabelos.
- Shirley, sabia que ele parece muito meu filho? Se meu filho estivesse vivo, eles seriam tão parecidos!
Agora, além de Namjoon, Yuna também chorava.
- Ah, é mesmo dona Yuna? Ele vem quase todos dias ver a senhora, sabia?
Yuna soltou o rosto de Namjoon e voltou a se sentar em sua cadeira de balanço.
Namjoon saiu da sala sendo acompanhado de Shirley, que voltou a lançar um olhar de ternura sobre o mesmo enquanto ele limpava suas lágrimas.
- Vamos beber água? Se quiser ficar, é só se cadastrar como voluntário, você sabe, não é? Quantas vezes você já não fez isso!
Namjoon voltou a fazer que não com a cabeça, ainda mexido com tudo o que havia acontecido.
- Acho que hoje eu não consigo! - a enfermeira assentiu -
Namjoon bebeu um copo d’água de uns dos bebedouros disponíveis na recepção e então se despediu de Shirley e caminhou até o lugar onde seu carro estava parado. Adentrou o carro e resolveu mexer um pouco no celular para ver se o cliente havia mandado alguma coisa. Acabou vendo uma publicação de no instagram, que acabara de ser atualizado, e sorriu. Os dois se falavam todos os dias basicamente e ele estava extremamente atraído por ela, mas não sabia se era recíproco. Resolveu ligar para ela, afinal de contas o expediente dela estava para acabar.
- Oi Namjoon! - ouviu a voz animada dela do outro lado da linha e podia imaginá-la sorrindo -
- Está ocupada? Ou pode falar bem rapidinho?
Ele conectou o fone de ouvido no celular para que pudesse dirigir e sair do abrigo.
- Pode falar! Vou até sair aqui da sala para poder te ouvir melhor, tá muito barulho aqui!
Namjoon ouviu o barulho de uma porta se fechando.
- Diz, meu bem!
Ele sorriu com o “meu bem”, pois adorava quando ela o chamava assim.
- Preciso tomar um suco de maracujá daquele último que tomei com você- ele brincou arrancando uma risada dela - Você pode me encontrar quando sair do escritório?
- Posso sim! Aonde?
- Vou te mandar a localização aí então. Te espero.
- Tá bom, meu bem! - ele voltou a sorrir - Beijo.
- Beijo.
Os dois desligaram e Namjoon terminou de chegar estacionando o carro e descendo do mesmo. Resolveu colocar a bolsa no porta malas e então se sentou no banco. Adorava aquela praça e vira e mexe ele parava por ali para espairecer quando saía de algum encontro com a mãe. Namjoon mandou a localização para via whatsapp, e bloqueou o celular. Fechou os olhos e conseguiu sentir o toque da mãe passando por sua bochecha outra vez.
Alguns minutos depois ele viu atravessar a rua sorrindo e caminhando em direção à ele. O coração dele voltou a palpitar. Ela usava uma calça dessas sociais e uma regata preta, o blazer estava no braço direito junto com a bolsa. Namjoon a achava linda! E se sentia bem conversando com ela! Ele precisava agradecer a pela ideia do encontro às cegas.
Assim que eles se encontraram, Namjoon se levantou abrindo os braços para receber um abraço carinhoso de , que lhe acariciou a nuca com as pontas dos dedos. Ela não estava esperando encontrar Namjoon novamente, mas ficou muito feliz de ele a ter chamado para vê-lo.
- E ai? Tudo bem? - ela questionou enquanto os dois se sentavam no mesmo banco em que antes Namjoon estava -
- Hoje não! - ele respondeu já sentindo os olhos arderem - Quer dizer! Hoje muitas coisas aconteceram, sabe? Meu trabalho está me sugando esses últimos dias, eu não tenho conseguido me concentrar direito, tem um cliente me estressando ao extremo! E hoje eu fui visitar a minha mãe.
- E ai? - encostou a mão na dele -
- Podemos tomar um sorvete primeiro, o que acha?
- Vamos! Aqui perto mesmo?
- Sim, tem uma sorveteria bem ali. - Namjoon apontou uma sorveteria do outro lado da rua com o dedo indicador -
- Então bora!
Namjoon se atreveu a passar um dos braços pela cintura dela, que não protestou. Aliás, ela amou a atitude e especialmente o toque firme da mão dele em sua cintura. Namjoon perguntou de , já que fazia alguns dias que eles não se falavam e acabou comentando da briga que havia tido com Jimin, e comentou também que a amiga e ela andavam bem cansadas e trabalhando bastante, por isso inclusive ela não havia proposto ainda um novo encontro, e que havia ficado feliz com o convite de hoje. Namjoon sorriu quando a ouviu dizer que queria um novo encontro.
Os dois adentraram a sorveteria e Namjoon disse que queria uma casquinha simples de chocolate mesmo, enquanto preferiu misturar alguns sabores no tradicional potinho de plástico. Os dois resolveram voltar para a praça já que Namjoon achou a sorveteria um tanto quanto cheia demais. Os dois voltaram de mãos dadas até a praça, se sentando num banco, praticamente colados um no outro.
Os dois conversaram sobre o sabor dos sorvetes enquanto tomavam os mesmos. Assim que acabaram os dois se olharam e percebeu que Namjoon não parecia somente estressado, mas também triste.
- Como foi lá com a sua mãe hoje? Você a viu? Ou só ficou de longe?
- Hoje foi diferente, ela acariciou o meu rosto! - os olhos dele marejaram e sorriu - Continuou sem me reconhecer, sabe? Mas disse que eu era muito bonito e que se o filho dela estivesse vivo provavelmente se parecia comigo, e ela ficou muito tempo me tocando, como nunca antes!
Duas lágrimas desceram pelas bochechas de Namjoon e as limpou.
- Eu fiquei contente, mas ao mesmo tempo me deu uma tristeza, sabe ? - fez que sim com a cabeça - Eu só queria que ela tivesse alguma lembrança de mim dentro dela.
Namjoon tapou o rosto com as mãos para esconder o choro e o abraçou com ternura, acariciando suas costas com as unhas.
- Chora meu bem! Pode chorar! - ela sussurrou em seu ouvido sentindo os próprios olhos marejarem - Eu to aqui com você! Chora!
E assim Namjoon o fez, chorou tudo o que estava em seu peito. Chorou pela situação da mãe que parecia a cada dia mais irreversível, chorou por saber que ela provavelmente nunca lembraria dele, chorou porque queria abraçar a mãe outra vez, chorou porque também queria o irmão vivo, chorou porque ele o pai mal se falavam e ele gostaria que o pai fosse diferente, especialmente com a situação da mãe e principalmente, chorou porque as chances de a mãe voltar a tratá-lo com ternura daquele jeito outra vez eram quase nulas.
Namjoon subiu o olhar, encontrando emocionada também. Ela voltou a enxugar o rosto molhado dele. Depois, Namjoon encostou a testa na dela, que fechou os olhos. Os dele, desceram para a boca rosada dela, extremamente próxima a dele.
O coração de ambos batia forte dentro do peito e Namjoon se atreveu a encostar os lábios levemente nos dela, como se pedisse permissão á para que aquilo acontecesse, e então ela mordiscou o lábio inferior dele como resposta e os dois então se beijaram.
O beijo até aquele momento estava sendo delicado, e sem pressa alguma. Logo as mãos de Namjoon pousaram na nuca de , aprofundando um pouco o beijo. Os lábios dele eram macios e ela gostava de mordê-los hora ou outra bem devagar, e ele sorria entre uma mordida e outra. Os dois desgrudaram os lábios por alguns segundos, respiraram fundo, ainda com as bocas juntas. Logo Namjoon a beijou de novo, dessa vez com mais força, as línguas antes discretas, agora brigavam uma com a outra.
Quando já estavam sem fôlego, os dois se separaram minimamente, mas ainda tinham as testas coladas. Os olhos brilhavam e então sorriu enquanto depositava mais um carinho na nuca dele. E assim os dois permaneceram até o sol terminar de se pôr por completo, trocando beijos e carícias, se conhecendo ainda mais…
Quando percebeu que já eram quase sete da noite, se levantou do banco, sendo seguida por Namjoon.
- Preciso ir Namjoon! São sete da noite basicamente, e aqui é um pouquinho longe da minha casa! Desculpa?
Namjoon a puxou para perto de si pela cintura, colando o corpo dos dois de novo e depositando um beijo demorado nos lábios dela.
- Não tem problema! Obrigado por ter vindo hoje! E eu preciso muito agradecer a por ter inventado aquele encontro às cegas!
Os dois riram e depositou um selinho nos lábios do mais alto. E aí então ele caminhou com ela até o carro do outro lado da rua. Os dois se beijaram outra vez, dessa vez com as mãos de Namjoon passeando livremente pelas costas dela, e eles ficaram assim até que o afastou delicadamente, com as mãos espalmadas em seu peito.
- Você promete me ligar de novo para desabafar todas as vezes que esse assunto te perturbar?
Namjoon fez que sim com a cabeça enquanto acariciava o rosto de .
- Prometo! Obrigado mais uma vez!
Os dois selaram os lábios algumas vezes.
- Deixa eu ir meu bem! - ela gargalhou enquanto ele ficava vermelho - A gente se fala!
- Me avisa quando chegar em casa? - ele fechou a porta do carro para e com um sorriso nos lábios ela fez que sim com a cabeça -
Assim que chegou em casa tratou de tirar os saltos enquanto os cachorros pulavam incansavelmente em suas pernas, querendo carinho e atenção. depositou a bolsa sobre o sofá branco da sala e se sentou um pouco para conseguir dar alguma atenção aos bichinhos. Depois, como fazia todos os dias, checou a água e a ração repondo as mesmas e depois foi tomar um banho. Antes avisou a Namjoon que já havia chegado. Depois do banho ela comeu uma besteira qualquer e foi ver TV. Mandou mensagem para pedindo desculpas por não ter se despedido da amiga direito hoje antes de ir embora, e contou para a mesma que isso acontecera porque saiu apressada para ver Namjoon.
“Mentira? Então finalmente rolou o segundo encontro de vocês!” - respondera
“Amiga, ele estava mal e me chamou, sabe? A mãe e ele tiveram uma espécie de interação inédita, ele deve te contar! Mas ele estava bem tristinho!”
“Amiga então não rolou nada?”
sorriu ao se lembrar do encontro e dos beijos.
“Amiga… pior que rolou viu? A gente se beijou!”
A próxima mensagem havia sido um áudio de surtando com a notícia, fazendo a amiga rir. Depois disso as duas combinaram de que no dia seguinte assim que chegassem na empresa, mandariam um e-mail para , atualizando-a de tudo que estava acontecendo por aqui, e quem sabe receberiam uma resposta da amiga de volta dizendo se estava tudo bem.
Assim que adentrou a sala de no outro dia, o e-mail pessoal dela já estava aberto. E então elas resumiram para a amiga:
“Amiga, como você está? Já faz um tempo que não temos notícias suas! Está tudo bem? Aonde você está agora? Já sabe quando volta? Por favor, não suma assim, ficamos preocupadas com você! Como estão as coisas? Precisa/quer nos contar algo?
Me mudaram de setor no escritório, acredita? Me trocaram com o estagiário, que foi efetivado, o nome dele é Jimin! Ele agora é o par da , acredita? Ele é um amorzinho, amiga! A , não acha, inclusive ela não se dá muito bem com ele e nem ele com ela, mas eu o adoro, ele vem sendo um ótimo amigo! Os dois estavam sem se falar há alguns dias, porque ele teve uma atitude meio babaca - eu falei isso pra ele - quer eu que conte o que foi: o chefe voltou com as apresentações de resultado todo final de mês e sabe o que ele fez? Não deixou a falar, porque estava com medo de que ela prejudicasse toda a apresentação e a reputação dele na área. Sim, amiga! Ele fez isso, mas ele já se arrependeu sabe? ainda tá magoada, mas as coisas estão voltando ao normal, normal que eu digo é os dois estão voltando a se implicar e até voltou a jogar as coisas nele! Você precisa conhecê-lo! Ah e precisa conhecer o amigo dele também o Hoseok! Ele é um anjinho, amiga! Nós o levamos ao nosso bar preferido inclusive! Mas nem eu, nem estamos tendo nada com ele! Bom, eu até quero amiga, mas não sei se ele quer (imagine a minha risada aqui)! Mas em compensação, ontem eu beijei o Namjoon (você também precisa conhecer ele), aquele amigo da que ela conheceu no abrigo, sabe? Amiga, volta logo! Precisamos de você, essas fofocas contadas por e-mail não tem graça! Dê notícias, por Deus! Te amamos!”
- Faltou eu escrever aqui que acho que você é extremamente atraída pelo Jimin mas se recusa a aceitar!
lançou um olhar fulminante em direção à que apenas gargalhou.
- Você ta muito engraçadinha , só porque beijou na boca? Imagina quando vocês dois transarem? Meu Deus!
Ela se levantou e fez o mesmo.
- Ai amiga, posso falar uma coisa? O beijo dele não sai da minha cabeça! Que saco!
sorriu enquanto abria a porta da sala da amiga e então elas se encontraram com Jimin, ainda bem abalado.
- Não comenta nada com o Jimin ainda ! - cochichou -
- Pode deixar! Se não mela o seu esquema com o Hoseok né? Eu sabia!
deu um leve tapa no ombro da amiga. Mas de fato, ela não queria também esfriar qualquer possibilidade de algo com Hoseok...
Vigésimo Capítulo - Boy with love
O amigo gesticulava com as mãos, quase às batendo no rosto de Hoseok, que segurava o ombro dele, enquanto pedia que ele falasse um pouco mais baixo.
- Você quer que o bar inteiro fique sabendo da sua vida? Fala baixo! E já chega né, você tá bebendo desde às dezoito horas basicamente!
J-Hope pegou a garrafa já vazia da mão de Jimin com certa dificuldade já que o mesmo a segurava com força e não queria entregá-la ao melhor amigo.
- NÃO! - ele gritou com Hoseok que suspirou pesadamente - Deixa eu beber amigo! Por favor!
Jimin colocou uma das mãos sobre o ombro do amigo e apertou.
- Sabe? Essa semana foi uma droga J-Hope! - ele ainda segurava o ombro do amigo enquanto tentava se equilibrar na cadeira - Eu tive aquela briga horrível com aquele idiota e a minha mãe não fez nada! Nada J-Hope!
Hoseok assentiu com a cabeça enquanto ouvia ele falar aquilo pela quinta vez desde que eles chegaram ao bar. Hoseok queria ajudar o amigo de alguma forma, e se essa forma era ouvi-lo contar toda a história várias vezes, que fosse então! Mas precisava que o amigo parasse de beber um pouco, para dirigir depois.
- Sei Jimin! E o que você vai fazer amigo? Você não disse até agora! Vai continuar lá?
- Amigo e a que disse que tinha me perdoado mas ainda não tá falando direito comigo?
Jimin se desequilibrou da cadeira ao tentar ficar mais perto de J-Hope, que amparou o amigo, soltando uma de suas gargalhadas altas logo em seguida.
- Quando isso? Você não tinha me contado ainda!
- Ah, não sei! To muito bêbado para me lembrar de quando foi isso! Escuta Hoseok, escuta! - ele voltou a segurar o amigo pelo ombro - Ela me tocou, sabia?
Jimin balançou a cabeça enquanto tentava chamar um garçom.
- Como assim te tocou?
- Porque os garçons não me veem? Me ajuda J-Hopeeeee - ele gritou no ouvido do amigo -
Hoseok fechou os olhos enquanto ainda segurava o amigo, impedindo que ele caísse de cara no chão. Enquanto com a mão desocupada ele fazia sinais para que algum garçom os visse.
- Me explica essa história da direito Jimin!
O mais baixo se ajeitou na cadeira enquanto arrumava os cabelos bagunçados, e subia a manga da camisa social branca que usava.
- Ela me tocou Hoseok, no rosto! Ela cuidou do ferimento - ele apontou para a pŕópria boca - Com gelo! Daí ela pegou no meu rosto!
Agora Jimin tocava o próprio rosto enquanto sorria, bêbado. Hoseok gargalhou mais uma vez, jogando a cabeça para trás.
- Ela cuidou de você Jimin? Mesmo sem falar com você? Aliás, mesmo depois do que você aprontou com ela?
- Para Hoseok! - Jimin ergueu o dedo indicador na direção de Hoseok - Eu já pedi desculpas! E eu me arrependi, para!
Hoseok ergueu os braços se rendendo.
- Você sabe que ela podia muito bem ter ligado o foda-se né? Ainda mais depois de tudo! Mas tá certo, não tá mais aqui quem falou!
- Você é meu amigo, ou não?
Hoseok voltou a gargalhar enquanto um garçom finalmente se aproximava da mesa deles.
- Escuta, e o que mais? Quando foi que você pediu desculpas?
- Quando ela me contou uma situação parecida com a minha que ela viveu! - Jimin voltou a mexer nos cabelos loiros - Eu sei que fui horrível! O certo era pedir desculpas, o problema é que ela disse que tinha me perdoado, mas nada mudou!
- O que seria esse "nada mudou"? Porque vocês nunca foram amigáveis demais um com o outro, amigo! Vocês só se implicavam!
- Eu sei J-Hope, obrigada por lembrar! - Hoseok gargalhou de novo com a cara que o amigo fez - E é exatamente isso que quero de volta! Eu gosto!
- Sei muito bem do que você gosta Jimin!
- É divertido implicar com ela! Eu amo vê-la brava! É como se, sei lá, fizesse meus dias valerem a pena, sem as nossas implicâncias, fica tudo chato! Eu fico me sentindo vazio.
Ele fez um bico no final da frase e o garçom voltou com as bebidas.
- Você vai misturar isso daí com as milhares de cervejas que você tomou Jimin?
Hoseok ergueu uma sobrancelha enquanto seu semblante ficou sério.
- Amanhã é sábado, mas que inferno Hoseok! Me deixa! - ele voltou a falar alto perto do rosto do amigo - Você me leva pra casa depois, na sua moto e eu venho amanhã buscar o carro!
- Tá falando sério? - Jimin assentiu tomando quase metade do drink de uma vez só - Porque não fazemos assim, eu levo você e seu carro lá para casa e você dorme lá? Porque não acho uma boa idéia você voltar bêbado para sua casa, isso pode inflamar mais ainda as coisas! Depois eu venho buscar a moto!
- Tem certeza?
Hoseok concordou tomando um gole de sua cerveja.
- O que eu faço para ela voltar a implicar comigo?
J-Hope gargalhou enquanto o amigo dava algumas idéias, ele pegou o celular no bolso, desbloqueou o mesmo e digitou o nome de no whatsapp e aproveitou que o amigo foi ao banheiro, quase caindo pelo caminho.
- Tá fazendo o que exatamente agora? - ele questionou assim que ouviu o alô dela do outro lado -
- Acabei de sair do banho para sua informação, porque? Você tá aonde Hoseok?
questionou com o tom de voz brincalhão, e Hoseok mordeu o lábio inferior imaginando a mesma somente de roupão ou toalha e com a pele ainda molhada ou úmida.
- Então aproveita e vem ver a gente!
- Você e o Jimin? Estão juntos?
- Uhum, e ele tá bêbado e só sabe falar da ! Traz ela também, quem sabe os dois não se acertam!
- Tá bom, vou ligar pra ela! Uns vinte ou trinta minutos eu to ai com ela! Manda a localização de onde vocês estão!
Desligou o telefone com um sorriso nos lábios, estava feliz que ia vê-la de novo, sentir seu cheiro gostoso…
Jimin voltou resmungando algo incompreensível e sentou-se novamente ao lado do amigo que o ajudou.
- Chama o garçom aí de novo, J-Hope! Eles só veem você!
- Jimin do céu! - Hoseok resmungou levantando a mão e procurando algum garçom - Você já acabou com aquele drink? Caramba!
- E você até agora tá com essa cerveja? Que que tá acontecendo?
- Eu preciso me manter minimamente sóbrio para dirigir, né?
Jimin assentiu com a cabeça que sim enquanto voltava a se jogar na direção do amigo.
- Me ajude Hoseok! Você acha que eu devo fazer mais o que para ela voltar?
Hoseok sorriu na direção do amigo enquanto ouvia ele falar sobre como os dias dele estavam vazios sem ouvir a risada de , e sobre como ele gostaria de poder elogiá-la só para ver a reação de espanto dela e logo em seguida ela lhe jogar algo e etc.
- Jimin, vamos falar sério agora?
- Mas eu já tô falando sério J-Hope!
- Porque você não assume que tudo isso é atração?
- Porque você ainda não beijou a até hoje? - Jimin devolveu -
- Como assim beijar a ? Ela quer? Ela comentou alguma coisa? - J-Hope cuspiu as perguntas desesperadamente -
Jimin gargalhou com a reação do amigo, que estava vermelho e jogou a cabeça para trás para rir com gosto. Não teve tempo de responder o amigo, já que ele ficou surpreso demais ao vê-las ali: e adentrando o bar e apontando na direção a mesa deles para o garçom, que as levou até lá.
Jimin que já estava começando a ficar vermelho devido à mistura de drinks ficou ainda mais vermelho ao vê-la lá. Hoseok teria chamado-as sem ele saber? Jimin lançou um olhar na direção do amigo que sorriu para ele, manejando a cabeça, como se dissesse “sim, eu as chamei!”
Jimin se levantou com dificuldade quase caindo outra vez enquanto era amparado por e Hoseok. por sua vez gargalhou enquanto lançava as mãos em seu rosto, depositando um beijo carinhoso na bochecha dele, que parecia estar muito atônito com a presença delas lá. E depois ela se dirigiu para Hoseok, que a abraçou pela cintura como sempre fazia, apertando-a em si. Enquanto isso se sentava ao lado de Jimin, discretamente o cumprimentando com um aceno de cabeça e logo em seguida ela estendeu a mão na direção do Hoseok, que segurou a mesma com carinho.
Logo os quatro estavam conversando e rindo de Jimin bêbado, que só falava sobre o padrasto e a mãe, e intercalava momentos de muita raiva com momentos onde ele quase chorava.
resolveu ir ao banheiro e então Jimin se virou na direção de e Hoseok.
- Amigos, eu quase me esqueço! Vou me mudar no final de semana que vem! Ok? Eu pensei muito sobre isso nessa semana, a mesmo me ajudou bastante nessa decisão! Meu coração está quebrado com isso, de verdade! Mas deve ser o melhor no momento! Já aluguei o apartamento e já até acertei a mudança! Será que vocês dois podem me ajudar?
Jimin deu um longo gole do drink que havia pedido enquanto Hoseok e trocavam um olhar.
- É o melhor mesmo amigo! - assentiu - Tenho certeza! Pode contar comigo e com certeza com o Hoseok, né?
Hoseok apertou um dos ombros do amigo e os dois brindaram.
- Você com certeza pode contar comigo! Fico feliz de ver você tomar essa atitude! Depois a gente combina direitinho então!
voltava do banheiro enquanto arrumava o cabelo atrás da orelha por causa do vento, sentou-se novamente à mesa e tomou um gole da cerveja dela. Jimin não conseguia tirar os olhos dela, e depositou a mão sobre a perna de Hoseok, e apertou a região, chamando a atenção do loiro para si, que virou o rosto com tudo surpreso com o toque da mão dela tão perto de sua virilha. A ponta dos narizes de ambos estavam coladas, e sorriu.
- Presta atenção no Jimin louco para falar alguma coisa para a ! - ela sussurrou com a boca próxima a dele -
Hoseok sentiu os pelos da nuca arrepiarem e o cheiro de cerveja e cereja sair dos lábios dela e invadir seu nariz. O corpo dele começava a reagir com aquela proximidade, mesmo ele sabendo que não havia nada de demais naquela aproximação.
Ele aproveitou que ela estava levando a cerveja até a boca e entreabriu os lábios abocanhando a garrafa antes que a mesma chegasse até a boca de , já que a dele havia acabado, e ela deixou. Assim que os lábios dele soltaram a garrafa a boca dele voltou a ficar pŕoxima demais à dela. A boca de salivou com o gesto e ela só não o beijou porque os amigos estavam lá.
- Escuta - Jimin chamou a atenção dela para si enquanto segurava levemente o braço dela por cima da mesa - Você é muito legal, sabia?
e o restante gargalharam enquanto Jimin protestava, ainda segurando o braço dela.
- O que foi gente? Ah, vocês são muito chatos! - ele olhou para e Hoseok - , me escuta!
virou o rosto na direção dele.
- De verdade! Você é muito legal! Eu estou bêbado, então to falando a verdade! - voltou a gargalhar -
- E o que mais? - ela entrou na onda dele -
- Eu te julguei muito mal, sabe? E fiz aquela cagada lá no dia da nossa apresentação com você! - ele balançou a cabeça em negativa, com veemência - Eu fui um babaca! E você não merecia, não merecia mesmo! Eu acho você uma profissional incrível, sabia?
voltou a gargalhar, achando muito fofo e engraçado ao mesmo tempo, ele ali se desculpando e a elogiando, ah e bêbado.
- Eu sei que você me acha foda! Sempre soube Jimin! - ela lhe empurrou com o cotovelo e ele segurou a mão dela -
e Hoseok riram dos amigos baixinho, e a mão de permanecia ali, perto da virilha dele. Uma tortura.
- Eu gosto de você! Sério! Gosto sim! Eu até pegaria você, sabe? Você é muito bonita!
Jimin subiu o braço para o ombro dela, chegando mais perto e se desequilibrado, sendo amparado por , que gargalhava alto.
A mão de deixou outro apertão ali enquanto ela ria de Jimin e , e Hoseok sentiu todas as veias do corpo pulsarem. Os dois se olharam e umedeceu os lábios com a língua. O olhar de Hoseok acompanhou. Ela queria muito que ele a beijasse.
Vigésimo Primeiro Capítulo - It will rain
Acordou num pulo da cama, se equilibrando com as mãos no batente da porta do quarto assim que a abriu e praticamente voou até o banheiro, se abaixou prendendo o cabelo numa espécie de rabo de cavalo com a própria mão esquerda e vomitou. Por três vezes. Assim que abriu os olhos, vislumbrou parada no batente da porta do pequeno banheiro do apartamento com os braços cruzados, observando-a, séria. Já era a segunda semana seguida que aquilo acontecia, e estava preocupada com a amiga.
lavou a boca e logo pôs-se a escovar os dentes, ignorando a presença da amiga ainda de pijamas ali escorada. As duas ficaram se encarando hora ou outra pelo espelho e assim que finalizou ela se sentou no vaso para fazer suas necessidades.
- Não aguento mais esse mal estar! - reclamou -
- E você não vai mesmo ao médico, ?
- Deve ser alguma intoxicação alimentar! Já já passa!
suspirou e se aproximou da amiga que agora já estava em pé e pronta para sair do banheiro.
- Você não está grávida não amiga?
arregalou levemente os olhos e ficou pálida.
- Claro que não, ! - a mesma fez o sinal da cruz com as mãos -
- ? - voltou a questionar -
- O que ?
atravessou a amiga indo em direção ao seu quarto para se arrumar já que hoje trabalharia no período do almoço, e ela não queria se atrasar.
- Compra um teste de farmácia amiga! É barato e tão certeiro quanto um de sangue! Isso não está normal!
- Como não? Só estou vomitando!
- E indisposta, sonolenta, com mudança de humor, indo ao banheiro toda hora…
bufou ao ouvir a amiga enquanto abria o guarda roupa e procurava por algo para se vestir e adicionava mais um sintoma mentalmente: a menstruação atrasada. O que também podia ser por causa do estresse e de algum remédio qualquer.
- É impossível eu estar grávida amiga! Eu uso anticoncepcional desde os dezoito!
deu outra suspirada, e deu de ombros como se desistisse de tocar no assunto e deixou a amiga sozinha indo se arrumar para o trabalho também.
jogou uma blusa qualquer sobre a cama enquanto se abaixava para pegar uma calça também qualquer. Ficou levemente tonta quando voltou a se erguer e sentou-se na cama. Precisava ficar tranquila e não se perturbar mais por aquilo. Lembrou dos olhos de Suga ficando minúsculos, quase desaparecendo quando ele ria… Depois lembrou da voz rouca dele em seu ouvido gemendo coisas que eram incompreensíveis tanto pelo momento quanto pela bebida no sangue.
Estava sendo assim nas últimas semanas, ela vinha tendo flashes da noite que teve com o desconhecido. Se lembrava da boca rosada dele, o gosto de cigarro e bebida… As mãos grandes e cheias de veia que a apertavam sem pudor.
E logo ela se lembrava do dia seguinte. Do quão grosseiro ele havia sido ao mal falar com ela e simplesmente enxotá-la de seu apartamento. Balançou a cabeça, sentindo algumas lágrimas se formarem em sua garganta. Estava querendo chorar por causa disso? O que ela tinha? Não era para tanto… Se arrumou rapidamente e foi até a cozinha pegando alguns biscoitos de polvilho, já que eles eram a única coisa que seu paladar e estômago não estavam estranhando. Se despediu da amiga pegando a bolsa e a chave em cima do painel da TV do apartamento e saindo. Não queria ter que ouvir insistindo com a ideia de um teste de gravidez. Aquilo a assustava e ela sabia que não tinha como estar grávida, não é mesmo? Fechou a porta atrás de si e respirou fundo, ainda se perguntando se de fato estava preparada para começar o dia. Por sorte conseguiu ir sentada no ônibus que a levaria direto para o trabalho, sentiu o estômago embrulhar enquanto comia o biscoito dentro do mesmo e pediu ao Universo que não passasse mal de novo, não com o biscoito que vinha sendo seu melhor amigo nos últimos meses. Desceu do ônibus no mesmo ponto de todos os dias e seguiu a pé para completar o caminho até o trabalho. Chegando lá cumprimentou os colegas e o chefe e foi colocar o uniforme, o banheiro estava sendo limpo e ela cumprimentou Rosa, a faxineira e ao sentir os cheiros dos produtos de limpeza sentiu o estômago dar voltas e voltas e o enjoo veio com tudo. Aproveitou e pediu ajuda a Rosa para tal, a faxineira assim como todos do restaurante, tinham a mesma desconfiança de . Depois de alguns minutos o chefe de foi até a porta do banheiro e questionou se estava tudo bem, ao que Rosa respondeu que a mesma estava passando mal, respirou fundo. Precisava se recompor e parar de passar mal, o chefe provavelmente já estava de saco cheio dela passando mal daquele jeito.
- , querida, porque não tira o dia de folga hoje para ver o que está acontecendo? Faz pelo menos uma semana que você só passa mal!
- Eu já estou melhorando senhor Yang! Eu juro! Deve ser uma intoxicação alimentar. Já estou saindo!
O chefe balançou a cabeça do outro lado e saiu, esperando a funcionária no bar. Mais ou menos quinze minutos depois apareceu por lá, pálida como um vampiro e se segurando nas paredes para andar. Ela não estava nada bem e o chefe sabia.
- Vamos para o hospital ! Você não pode ficar aqui assim desse jeito, prestes a desmaiar!
- Não senhor Yang, eu to bem eu juro! E com o movimento do dia a dia eu vou melhorando também!
- Não senhora! Eu vou te levar para vermos o que está acontecendo! Seus pais estão sabendo que tem semanas que você tá assim, passando mal?
Os pais… Havia falado com eles na semana passada mas nem comentou nada com os mesmos, afinal de contas não achava que era nada demais.
- Não senhor! - Yang balançou a cabeça enquanto pegava a chave do carro e a carteira -
- Vamos querida! Não vou deixar você trabalhar desse jeito, hum?
Ela assentiu enquanto se desfazia do avental. Durante o caminho o enjoo piorou e o senhor Yang teve que parar o carro para que voltasse a vomitar, e ela sentiu vontade de chorar pela vergonha que estava passando com o chefe. O mesmo disse que ele mesmo comunicaria os pais da garota do que estava acontecendo. Ela disse á ele que quando chegassem ao hospital ela ligaria para e ela a acompanharia, que ele poderia voltar para o restaurante, e ele concordou, desde que ela desse notícias.
Ao dar entrada no hospital, ligou para e disse que estava passando muito mal e que o senhor Yang a tinha levado até o hospital, mas não poderia ficar com ela e questionou se a amiga não conseguia dar uma escapada do escritório para ficar com ela lá, o que prontamente a amiga disse que sim. Assim que desligou o telefone ouviu seu nome ser chamado por alguém, que aparentava ter a mesma idade dela.
As duas se cumprimentaram brevemente e a enfermeira perguntou então o que ela estava sentindo.
- Estou enjoada, vomitando bastante…
- Somente o enjoo ?
desceu os olhos buscando o crachá da mesma, pois não acreditava que uma garota tão nova quanto aquela já era médica. E lá ela leu enfermeira chefe e o nome: . Ela parecia exausta e sentiu pena dela, a ponto de seus olhos marejarem. Que diabos era aquilo?
- Estou estranha ! - ela balançou a cabeça limpando uma lágrima teimosa que descia - Estou me cansando muito mais fácil, não consigo comer igual antes, estou mais sensível e mais mau humorada também! Mas o que mais vem me incomodando são esses enjoos!
olhou a garota a sua frente assentindo com a cabeça, digitando os sintomas que a mesma falava no computador.
- E quando foi a última menstruação ? - as duas se olharam -
engoliu seco.
- Está atrasada na verdade! Esse mês não desceu ainda. Mas eu tomo anticoncepcional desde os dezoito anos.
- E a última relação sexual foi com preservativo ou somente com a pílula?
olhou para baixo, envergonhada e assustada. Ela não se lembrava. Os olhos de Suga passaram por sua memória outra vez.
- Eu não me lembro! - ela coçou a cabeça voltando a sentir os olhos marejarem -
assentiu com a cabeça.
- Vamos fazer um exame de sangue ? Assim vamos eliminando as opções! A gente faz o exame e em umas duas horas ele sai o resultado! Enquanto isso você é medicada para esse enjoo parar de incomodar e assim que o resultado do exame sair, o doutor verifica e te fala!
apenas assentiu enquanto se levantava e seguia a jovem enfermeira. ficou pensando em como uma gravidez naquela idade poderia ser tudo o que uma jovem como aquela poderia esperar, ou em como isso poderia arruinar a vida dela. O que seria no caso de ? As duas voltaram a se olhar com ternura.
- Você está sozinha?
- Uma amiga está vindo me acompanhar!
- E seu namorado? Não pode vir? - questionou tentando parecer o mais informal o possível -
- Eu não tenho isso! - respondeu enquanto dava o braço para prender com a borracha -
- Você sabe que esses sintomas podem ser e uma gravidez não é?
As duas voltaram a se olhar enquanto preparava algumas coisas.
- Mas eu acho que não! - deu de ombros -
a observou e então chegou a conclusão de que no caso de , talvez a gravidez arruinasse tudo, então se colocando no lugar dela, ela torceu que fosse outra coisa.
Assim que o sangue necessário foi recolhido disse á para a acompanhá-la até a sala de remédios onde aplicou algum remédio que pudesse cortar o enjôo em suas veias, e então recebeu uma mensagem de dizendo que já tinha chegado.
- Minha amiga pode entrar?
- Claro! Qual o nome dela? Vou lá chamá-la.
- É !
- Ok! Vou lá buscar sua amiga e enquanto isso vocês esperam o resultado aqui tomando a medicação, tudo bem?
- Tudo bem ! Obrigada.
sorriu sem mostrar os dentes e fez o mesmo. Assim que deixou a sala ela se perguntou quantos anos será que ela tinha?
- ! - chamou -
ergueu o braço e caminhou rumo à .
- Sua amiga está te esperando, , pode me acompanhar. Sou a , enfermeira.
- Você sabe se ela tá bem ?
- Está sim! Apliquei um remédio para cessar os enjoos, pelo menos por enquanto! Fizemos um exame de sangue e assim que sair o resultado o médico vai olhá-la.
engoliu seco, estava tensa e aliviada ao mesmo tempo. Finalmente tirariam da cabeça a história da gravidez. Assim que adentrou a sala disse que qualquer coisa era só apertar o botão que ela voltaria. As três trocaram um olhar e então se sentou ao lado da amiga.
- Tudo bem?
sentiu uma pressão no peito com aquela pergunta e então se permitiu chorar. Estava com medo. abraçou a amiga com força passando as mãos pelas costas dela. Entendia o medo da amiga, afinal de contas, tudo parecia muito real e palpável agora!
- Calma amiga! Hum? Você está melhor um pouco dos enjoos e do mal estar?
balançou a cabeça enquanto secava algumas lágrimas e se sentou ao seu lado e colocou uma das mãos sobre a perna da amiga.
- Eu to com medo agora amiga! Sei lá, e se eu de fato eu estiver grávida?
soltou um suspiro alto enquanto ajeitava o cabelo.
- Ai você vai ter que pensar! Em muitas coisas !
- Amiga, mas, eu mal tenho dinheiro para me sustentar direito, como eu vou criar uma criança?
- Então meu anjo, vamos lá! - segurou a mão da amiga - Primeiro, se você estiver grávida mesmo, vai querer manter o bebe?
As duas se olharam com arregalando os olhos.
- Não precisa me responder! Isso é você que tem que pensar consigo mesma! Caso a resposta seja sim, você tem que pensar se vai querer a ajuda do pai. Você sabe quem é o pai não é ? Pelo amor de Deus!
- Claro que eu sei ! - revirou os olhos enquanto mexia em suas pulseiras -
- Certo! São muitas coisas que você precisa pensar antes de tomar qualquer decisão! Vamos esperar o resultado do exame primeiro e depois a gente vê, hum?
assentiu para a amiga apertando a mão da mesma sobre sua perna e fechou os olhos. Logo o celular de tocou fazendo com que as mãos das amigas se soltassem e a mesma sorriu ao ver que era a mãe.
- Oi mãe! - ela se levantou e saiu da sala ficando no corredor e acenando para a mãe na chamada de vídeo que acenou de volta - E aí?
- Oi filha! - a mãe sorriu - Tudo bem? Por aqui tudo bem graças a Deus, querida!
- Tudo bem sim! Só a que tá no hospital acredita?
- O que houve, filha? - a feição da mãe mudou de tranquila para preocupada -
respirou fundo e resolveu não entrar em detalhes, afinal de contas ainda não tinham certeza de nada.
- Ah, provavelmente alguma intoxicação alimentar! Mas de resto tudo bem! O trabalho só que tá corrido também! Mas estou amando!
sorriu e a mãe sorriu de volta.
- Fico muito feliz de saber que você está gostando do trabalho! Penso nisso todos os dias!
- E o pai? O Nicholas?
- Ah, seu pai mesma coisa de sempre, né filha? Trabalha mais do que precisa, descansa pouco e é daquele jeito que você bem sabe! Seu irmão tá bem, dando um pouquinho de trabalho na escola, mas tá bem!
- Saudade dele! Saudade de vocês, e daí!
A mãe sorriu melancólica. Também sentia saudades da filha.
- E nós de você! Mas quem sabe agora você não arruma um tempo para vir ver a gente. Deixa eu te mostrar uma coisa.
A mãe ficou em silêncio enquanto caminhava e esperou até que ela colocasse na câmera um papel branco gelo com um laço bonito dourado onde pode ler: “Scarlet & Gabriel com a benção de seus pais Michael Bevan e Heidi Bevan e Willian Smith e Erin Smith convidam para celebração de seu casamento dia 28 de agosto de 2021 ás 19 horas no endereço Av. Quintino Bocaiúva, 813 - São Francisco"
Ela releu o que estava escrito na tela umas duas vezes antes de a mãe reaparecer.
- Gabriel vai se casar! Ele esteve aqui ontem para entregar o convite!
- Como assim? - perguntou atônita -
- Ué minha filha, uns dois anos depois que você se mudou ele também foi embora. Desde então eu não te dei mais notícias dele, porque bom, você não perguntava e eu não sabia como você ia reagir às coisas relacionadas a ele. Ele conheceu essa moça há pouco tempo, deve ter uns seis meses e agora eles decidiram se casar e vai ser aqui!
- Ele esteve aí em casa? - ainda estava atônita então resolveu se sentar -
- Sim querida! Não mudou nadinha! - a mãe sorriu - Ele ficou um tempão aqui! Daí deixou o convite e pediu que eu te chamasse!
- Ele só pediu para me chamar? Não perguntou nada sobre mim?
- Claro que perguntou filha! Quis saber como você estava, o que estava fazendo ai no Rio! Demonstrou felicidade quando eu disse que você já tava até trabalhando na área, e disse que era pra você vir e trazer algum acompanhante também caso quisesse! Mas bom, você não tem ninguém, né? Traz a !
- Quem disse que não? - respondeu instintivamente -
- Ué, filha? Tá namorando e não contou? - a mãe riu -
- Ué, não precisa ser um namorado, mas eu posso tá conhecendo alguém! Bom mãe, eu vou pensar direitinho e dou a resposta depois, vou voltar, a tá sozinha e às vezes ela pode precisar de mim, te dou noticias dela, te amo!
E desligou. Permaneceu sentada na cadeira alguns segundos tentando processar a notícia que havia acabado de receber. O celular vibrou de novo e era V. teve uma ideia.
Voltou para a sala onde estava e sentou ao lado da amiga, segurando a mão da mesma. As duas permaneceram em silêncio, até que o remédio acabasse e então alegou que estava melhor.
abriu a porta da sala onde elas estavam com um envelope em mãos.
- Vamos ver o médico ? - ela sorriu com ternura para -
Ela e se levantaram e então acompanharam até a sala do médico.
- Eu posso entrar com ela? - questionou -
- Claro! - fez que sim com a cabeça para -
Logo as duas entraram, seguidas por que entregou o envelope ao médico, que cumprimentou e com apertos de mãos.
- Está se sentindo melhor do enjoo, senhorita? - o médico perguntou enquanto abria o envelope -
- Agora sim! Bem melhor! Um pouco ansiosa para saber a causa dele!
O médico olhava os papéis em suas mãos, sério e depois virou o olhar para .
- Bom , seus exames estão normais! Bom, pelo menos no que diz respeito à saúde! A única “alteração” - ele fez aspas com os dedos - É uma gravidez!
O médico ficou em silêncio, aguardando a reação das moças à sua frente, afinal de contas ele sabia que essas notícias dadas assim em um simples exame de rotina poderiam não ser muito bem recebidas.
Os olhos de se arregalaram e então eles lacrimejaram. Por mais que no fundo ela soubesse da possibilidade de sim, talvez estar grávida, aquilo estava sendo um completo choque. Como seriam as coisas dali pra frente? Um filho exigia tantas coisas de uma mulher! Não que não quisesse ser mãe, é claro que um dia ela queria! Amava crianças! Mas naquele momento? Com um emprego de garçonete, sem nenhuma perspectiva de futuro e o pior o pai sendo um desconhecido basicamente.
Ela limpou as lágrimas das bochechas e então balançou a cabeça algumas vezes, atônita. apertou a perna da amiga por baixo da mesa do médico, tão atônita quanto a amiga com a notícia, já esperada, mas ainda sim surpreendente.
- Você já faz algum acompanhamento com algum ginecologista ? Agora você precisa começar a fazer os exames e o pré natal! Qualquer coisa pode marcar aqui com os médicos do hospital mesmo! Os primeiros meses são muito importantes!
apenas assentiu outra vez, limpando novas lágrimas. O médico fez mais algumas recomendações e receitou um remédio que a ajudaria com os enjoos, e então as duas deixaram a sala do médico, encontrando com no final do corredor com alguns papéis na mão. agora já não chorava mais, apenas tinha o semblante sério.
- Tudo bem? Os exames acusaram alguma coisa?
assentiu que sim com a cabeça, voltando a lacrimejar os olhos.
- Conforme o previsto, uma gravidez!
tocou o braço de depositando um carinho por lá.
- Espero que corra tudo bem! Da melhor forma para você!
- Obrigada! Até mais!
As três se despediram e então e se abraçaram assim que chegaram na parte externa do hospital. voltou a chorar nos braços da amiga.
- Calma amiga! - acariciou a cabeça da amiga - A gente vai resolver tudo isso! Vai dar tudo certo! Vamos para casa, lá você se acalma e a gente pensa em tudo com calma!
assentiu e então as duas chamaram um carro de aplicativo para ir para o apartamento. Chegando lá, resolveu tomar um banho e foi preparar algo para que elas pudessem comer. No banho respirou fundo e não chorou. Decidiu que precisava ser o mais racional o possível naquele momento, para pensar com clareza.
Saiu do banho e se sentou junto à amiga na pequena mesa de mármore entre a sala e a cozinha. As duas se olharam.
- Você tem algum contato do pai do bebê? Porque, amiga, na minha opinião, independente da decisão que você tomar, ele precisa saber!
- Você acha que vale a pena procurar ele?
- Amiga, a gente só vai saber, tentando!
fechou os olhos e repassou toda sua “história” com Suga em sua cabeça e então o nó se formou em sua garganta e ela voltou a chorar. Como ele reagiria?
Vigésimo Segundo Capítulo - Tenerte y quererte
olhou no relógio de pulso rosé e eram exatamente dez horas da manhã. Ela vislumbrou a fachada do prédio e o achou uma gracinha. Sorriu ao ver os dois amigos chegarem juntos ao prédio, com o pessoal do frete.
Jimin não tinha muita coisa ainda: apenas uma TV, sua cama, seu guarda-roupas, um fogão e uma geladeira, além de algumas decorações. Enquanto Jimin conversava com a pessoa que havia trazido seus poucos itens, Hoseok descia da moto todo sorridente. pensou no quão bonito ele ficava na moto e no quão satisfatório era observá-lo tirar o capacete e arrumar o cabelo platinado, agora mais curto.
Os dois se abraçaram, e as mãos dele lógico apertaram sua cintura! Era a parte preferida de Hoseok: apertar a cintura dela. inspirou o cheiro que vinha do pescoço dele para dentro de suas narinas, e sentiu os músculos relaxarem.
O rosto dos dois se encontrou, com os dois ainda abraçados e deixou um beijo marcado de vermelho na bochecha dele. Os dois riram quando Jimin pigarrou chamando a atenção dos dois, que se soltaram para olhar o amigo.
- Eu vou subir com o pessoal primeiro para mostrar onde vão ficar algumas coisas, vocês dois esperam aqui?
Os amigos assentiram que sim para ele e então os dois se sentaram no meio fio, com Hoseok ainda segurando o capacete em uma das mãos.
- Você trouxe? - ele perguntou enquanto apoiava uma das mãos no joelho dele -
- Claro! Tá lá no meu carro! Depois você pega lá? Ele é pesado, eu custei a colocar no carro!
riu e Hoseok a observou por alguns instantes. Adorava a risada dela e como ela ficava séria logo depois de rir, gostava de observar as feições dela enquanto ela falava e achava fofo o quanto ela gesticulava ao falar. O olhar dele parou em sua boca, que hoje estava colorida com um batom vermelho, e então ela tirou o óculos escuro do rosto e ele olhou os olhos castanhos dela.
- Hoseok? - ela chamou sua atenção - O que foi?
Ele balançou a cabeça em negativa.
- Sempre que eu te vejo, te acho mais bonita.
Foi a primeira vez desde que se conheceram que Hoseok viu as bochechas de rosarem. Foi a vez dele rir por tê-la deixado sem graça.
- Ah para! - ela o empurrou devagar e ainda sentia as bochechas queimarem -
gostou de saber que ele a achava bonita, afinal de contas ela o achava incrivelmente bonito também, e esperava que ele soubesse disso pela forma em que olhava para ele.
- O que? Eu to falando sério! - Hoseok dirigiu o olhar para o outro lado da rua, disfarçando antes que também ficasse vermelho -
Ele voltou a pensar em quando Jimin o questionou no bar porque ele não havia beijado até hoje. E ele se perguntava todos os dias, se era isso que ela queria também, e se ela já não havia se feito essa pergunta também.
Mas era complicado para Hoseok tomar aquele tipo de atitude. As poucas vezes em que o fez, ele estava muito bêbado, e ela não queria beijar com álcool no sangue, porque para isso, precisaria estar muito bêbado, a ponto de não se lembrar de nada nos outros dias. E a coisa que ele mais queria no mundo era se lembrar de um beijo entre os dois, caso acontecesse. Ele queria estar tão sóbrio que se lembraria de cada detalhe. Mas como fazer isso acontecer com toda a insegurança que percorria seu ser? Ele sempre teve dificuldade com relacionamentos de todos os âmbitos, sempre que tentou sofreu muito com a rejeição, então querer estava o torturando, porque ele tinha muito medo de estar fazendo uma leitura de ambiente errônea e acabar se machucando muito.
Quando os dois se deram conta, Jimin havia descido e já se despedia do pessoal do frete.
- Vocês me ajudam a subir essas roupas?
Hoseok e olharam os vários sacos plásticos e malas dispostos na calçada e se entreolharam.
- Caraca, por isso você nunca repete roupa no escritório né Park Jimin?
- Credo, você falou igual a agora! - Jimin fez o sinal da cruz enquanto revirava os olhos de forma exagerada -
- Vamos começar logo se não a gente não acaba hoje!
Assim os três se puseram a subir e descer a escada do prédio até que finalmente terminaram de levar as roupas de Jimin para a sala do apartamento. Exaustos, Jimin e J-Hope se jogaram no chão da sala vazia e apenas se sentou no mesmo, escorando-se na parede branca.
- Aqui é tão bonitinho Jimin! - sorria enquanto observava o local -
- Não é? - Jimin sentou-se ao lado dela - Não vejo a hora de começar a colocar mais coisas e encher ele! E deixar com a minha cara.
- Inclusive, eu e a compramos um presente de casa nova para você! Vai quebrar um galho, viu amigo?
- Vocês o que? - Jimin perguntou piscando os olhos várias vezes -
- Eu vou lá buscar! Cadê a chave do teu carro ?
Jimin direcionou o olhar para Hoseok e depois para .
- ? Nem eu chamo ela assim J-Hope! As coisas estão evoluindo muito rápido hein? Só falta… - Hoseok interrompeu o amigo -
- Só falta você descer comigo para ver seu presente! Que tal?
Hoseok apertou com força o ombro do amigo que soltou um muxoxo, a sorte é que estava tão absorta observando o apartamento que ela apenas entregou a chave do carro à Hoseok, daí se deu conta que o melhor era ela descer com ele.
- Deixa que eu vou com o J-Hope!
Hoseok sorriu sem graça ao ouvir o apelido vindo da boca dela, até que com o som da voz de o apelido lhe caía bem.
- Tá bom! - Jimin piscou para que gargalhou -
- Bobo! - ela empurrou o amigo - Vamos J-Hope! - ela lhe apertou as bochechas enquanto falava o apelido vagarosamente -
Os dois desceram as escadas discutindo como seria a reação de Jimin, ao chegarem no carro ela abriu o porta-malas e Hoseok retirou o microondas de lá. Os dois haviam pesquisado várias coisas, mas chegaram a conclusão de que o microondas seria o mais útil naquele momento para o amigo. Hoseok já estava adentrando o prédio quando pediu que ele esperasse.
- A mandou um presente também!
Hoseok abriu a boca surpreso e depois sorriu.
- O que ela mandou? - Hoseok se aproximou do carro novamente enquanto abria a porta de trás do carro -
tirou uma caixa mediana de lá com um embrulho vermelho.
- Um abajur! É muito significativo para ela, sabe? A morre de medo do escuro, desde pequenininha e então eu e a presenteamos com um, assim que ela foi morar sozinha! Porque somente a luz convencional nunca foi suficiente para que ela dormisse! Ela achou que talvez o Jimin também precisasse de um!
Hoseok soltou um “awn” enquanto os dois adentravam o prédio. Subiram as escadas com indicando onde Hoseok deveria pisar, já que a caixa do microondas atrapalhava um pouco e quando ele vacilou quase caindo não aguentou e teve uma crise de risos. Chegaram ao apartamento de Jimin com ainda rindo muito e Hoseok vermelho.
Jimin que estava no quarto que seria seu, voltou para a sala, onde encontrou a grande caixa no balcão da cozinha.
- Vocês até embrulharam? - os olhos dele brilharam - Ah, eu amo vocês!
Jimin os puxou para um abraço desajeitado e os amigos passaram as mãos por suas costas. Jimin abriu o grande embrulho e marejou os olhos quando viu o microondas.
- Caramba! Realmente, vai salvar muito a minha vida, amigos! Obrigada! De verdade!
Jimin abraçou Hoseok por alguns segundos, que retribuiu o abraço e depois ele puxou para um abraço apertado. Logo eles se dividiram, Hoseok foi para o banheiro arrumar algumas coisas de higiene que o amigo tinha comprado enquanto Jimin e estavam no quarto que seria de Jimin arrumando as decorações e roupas.
Logo nem viram o tempo passando e já era quase uma da tarde, e se lembrou do presente de , ela correu para sala e chamou os amigos.
- Já é quase uma da tarde! Acho que tá na hora de a gente almoçar, né? E outra coisa Jimin, tem esse presente aqui também para você! Mas esse não é meu e nem do J-Hope!
- E é de quem então? De alguém da empresa? Eu ainda não fiz o tal chá de casa nova que você e a propuseram…
Ele pegou a caixa com as duas mãos e pôs sobre o balcão, curioso, abriu com rapidez o embrulho vermelho. Abriu a caixa branca que tinha dentro do embrulho, mas antes de verificar o que tinha dentro dela, ele abriu o cartão e leu:
“Jimin, espero que você esteja feliz com essa nova etapa! Esse presente não sei muito bem qual vai ser a utilidade dele para você, nem sei se vai ter alguma utilidade, mas é bem simbólico! Eu ganhei um desses das meninas quando me mudei de vez e ia ficar sozinha de fato, eu não consigo dormir no escuro, tenho pavor (eu sei que você vai me zoar por isso na segunda-feira), então elas me compraram um desse! Foi muito especial para mim e teve muita utilidade no meu primeiro apartamento, espero que tenha para você também! Ah e eu não vou te dar outra coisa no chá de casa nova da empresa, contente-se com apenas esse presente!
.”
Assim que ele terminou de ler o cartão, suas mãos voaram para a caixa branca retirando o abajur de lá. Os olhos dele estavam marejados outra vez, mas ele disfarçou antes de se virar para os amigos.
- Eu adorei! E que bonito, você e sua amiga pensarem nisso para ela! Vou colocar lá no meu quarto! Daí já volto para ir buscar comida para gente! To com fome.
Jimin saiu deixando Hoseok e sozinhos.
- Ele quase chorou! - Hoseok cochichou próximo ao ouvido de , que arrepiou -
- Eu vi! Esses dois! - balançou a cabeça -
Jimin voltou pegando a chave do carro sobre a bancada e passando as mãos nos bolsos para se certificar de que a carteira estava lá.
- Eu vou com você cara! - Hoseok fez menção de pegar a carteira sobre o balcão -
Porém Jimin o impediu, colocando a mão por cima da do amigo.
- Não Hoseok! - Jimin olhou os olhos de J-Hope sério - Fica! Não vamos deixar a sozinha, que falta de educação! Fica, que você faz companhia pra ela.
Jimin piscou para Hoseok, que vermelho e entendendo bem o que o amigo estava querendo dizer, assentiu retirando a mão da carteira.
- Eu quero frango assado Jimin! Se vira! - adentrou a cozinha e abriu a geladeira -
Dentro da mesma havia apenas uma garrafa de 2 litros d’água e um pedaço de bolo de aniversário, dentro de uma vasilha, que provavelmente Jimin trouxera do final do expediente de sexta na comemoração de aniversário de alguns funcionários. Por sorte, Jimin havia ganhado alguns talheres da mãe, então retirou a vasilha da geladeira e um garfo enquanto Jimin prometia para ela que acharia o tal frango.
- Vem comer bolo enquanto isso Hoseok! - ela gritou já que ele não estava mais na sala -
Hoseok respirou fundo enquanto lavava as mãos no banheiro. Era a primeira vez que os dois ficavam de fato sozinhos. Aquilo o assustava muito, afinal de contas ele tinha medo do que podia acontecer, e não queria perder .
Assim que ele apareceu na sala, topou com ela sentada no chão com uma vasilha no colo, o que fez ele rir da cena. também riu.
- Eu não costumo comer bolos de aniversário, são molhados demais! Mas to com tanta fome que se eu não comer alguma coisa eu desmaio.
Hoseok se sentou ao lado dela ainda rindo.
- Quem manda você não tomar café da manhã? Sabia que… - ela o interrompeu -
- O café da manhã é a refeição mais importante do dia? Sabia né Hoseok, você fala isso todo dia para mim!
Os dois gargalharam enquanto ela levava o garfo até a boca, e acabou sujando o lábio superior com o chantilly. Os olhos de Hoseok se puseram lá, e então ele limpou a sujeira com o dedo polegar e depois lambeu o próprio dedo. então sentiu os lábios formigarem com o gesto.
- Você não sabe brincar Hoseok? - ela questionou enquanto via o semblante dele mudar de sério para curioso - É assim!
passou o dedo no chantilly e então sujou os lábios de Hoseok com o mesmo que se assustou um pouco. Só aí então depositou as mãos nele, uma na nuca e outra na bochecha, aproximou os lábios dos dele e então os lambeu, deixando-os parcialmente limpos. Hoseok sentiu o corpo mais uma vez reagir a um contato tão íntimo. Os olhos dela pareciam queimar, e então ele não resistiu… segurou sua nuca trazendo-a para ainda mais perto e a beijou os lábios. As mãos dela lhe seguravam a parte de trás da nuca e ele sentiu lhe puxando os cabelos, fazendo com que sua cabeça tombasse levemente para trás com a intensidade, logo ele desceu as mãos para a cintura dela, que não perdeu tempo e entrelaçou as pernas no colo dele, uma de cada lado. O beijo foi ficando mais intenso, e Hoseok apertou a cintura dela, que soltou um gemido fraco entre o beijo enquanto voltava a puxar com força o cabelo dele. pressionou o quadril com força para baixo enquanto descia as mãos pelas costas de Hoseok que sentia o membro começar a endurecer.
Assim que sentiu as mãos geladas de em contato com suas costas por baixo da camiseta, Hoseok arrepiou, e arfou quando ela o arranhou por ali. O beijo voltou a ficar mais calmo, mas as mãos dela não.
Hoseok afastou as bocas, tentando respirar. E ainda de olhos fechados ele pediu:
- Vamos com calma, hã? O Jimin pode chegar a qualquer momento!
, ainda extasiada, assentiu que sim com a cabeça e depositou alguns selinhos nos lábios do loiro, que apenas sorriu. Os dois voltaram a se beijar, com mais calma dessa vez, o que não perdurou muito. Logo as mãos de voltaram a puxar os cabelos dele com força, enquanto ele se atreveu a adentrar uma das mãos pela blusa dela, acariciando suas costas, quando ela mordeu a orelha direita de Hoseok, o membro dele pulsou, e como se sentisse que aquilo era um alerta, ele voltou a separar a boca da dela.
- , por favor! - ele pediu olhando-a nos olhos -
Até que ouviram passos no corredor, o que fez com que saísse rapidamente do colo de Hoseok, sentando-se outra vez ao lado dele, que se ajeitou da maneira que podia.
Jimin abriu a porta do apartamento com dificuldade e Hoseok se levantou indo em direção ao amigo para ajudá-lo.
Assim que as comidas já estavam dispostas pelo balcão, Hoseok se atreveu a olhar para , que continuava sentada no chão. Os dois trocaram um sorriso, cúmplices.
Vigésimo Terceiro Capítulo - Black Keys
O ultrassom estava marcado para a parte da tarde, e ela levaria um atestado para o trabalho. Trabalho esse que estava a sugando, já que por causa da gravidez ela estava se sentindo cada dia mais cansada e sonolenta. Sem contar os enjôos que mesmo com os remédios não passavam por nada. Depois de alguns dias pensando no que faria com a situação, resolveu que teria a criança, afinal de contas ela adorava as mesmas e bom, ela sentia que havia sido imprudente e que a criança que carregava no ventre não deveria pagar por um momento de inconsciência dela. Estava há dias tentando contar aos pais que estava grávida, mas nunca sabia como o fazer.
E pensava em Suga todos os dias. Havia decidido com a ajuda de que ele precisava sim saber da gravidez, e depois ele que decidisse como lidar com isso, mas estava decidida a criar a criança com a presença dele ou não.
se sentou no sofá do apartamento, sozinha enquanto pensava no quanto sua vida mudaria dali para a frente, ela fechou os olhos imaginando como o filho ou filha seria.
Será que ele teria os traços dela? Ou seria mais parecido com Suga? Ao abrir os olhos novamente, ela pediu mentamente que se Suga não fosse um pai presente, que a criança se parecesse com ela.
ia acompanhar a amiga no primeiro ultrassom e elas iam se encontrar lá então ela resolveu que iria preparar um almoço saudável, afinal de contas agora ela não poderia mais viver de fast-food e besteiras. Preparou o almoço com calma, foi interrompida algumas vezes pela sensação ruim do enjôo matinal. E então almoçou, enquanto pensava hora ou outra na vida dali para frente: pensava em como Suga e os pais reagiriam a notícia, pensava em como ela faria para sustentar ela e a criança, mas teria a ajuda da amiga. E quem sabe a de Suga também?
O ultrassom estava marcado para às dezessete então ela resolveu lavar as louças e dormir um pouco. Acordou com o despertador a alertando, então se levantou e foi tomar um banho. Chorou um pouco enquanto colocava a mão sobre a barriga. Não estava mais sozinha e ao mesmo tempo em que aquilo a reconfortava, a desesperava absurdamente. Saber que seria mãe aos vinte e seis anos, sem estar com um emprego estável, sem saber direito quem era o pai da criança e nem como ele reagiria à notícia, sem saber se ele a ajudaria… saber que agora a vida dela nunca mais seria a mesma… Estava apavorada!
Conferiu se estava tudo o que ela precisava dentro da bolsa, pegou alguns papéis restantes e os guardou lá. Pegou a chave do apartamento que estava sobre o balcão, trancou o apartamento e guardou a chave no bolso. Desceu os dois lances de escada e se despediu do porteiro do prédio. já estava na clínica, e esperava a amiga com um sorriso cansado no rosto. Ela vinha trabalhando muito e ainda estava sempre a disposição da amiga, ouvindo os choros intensos das madrugadas, mal dormindo também. Amava muito a amiga, e seria eternamente grata à ela por tudo que estava fazendo.
acariciou as costas de , cumprimentando-a.
- Como passou? - questionou ela enquanto elas adentravam a clínica -
- Alguns enjoos, mas nada de mais! Até fiz almoço hoje, acredita? Preciso começar a mudar minha alimentação, né?
- Que orgulho! - sorriu voltando a acariciar as costas da amiga - Isso aí!
informou à recepcionista o motivo de estar lá e após um rápido cadastro ela pediu que elas aguardassem que logo logo seria chamada.
- Você vai contar hoje pro tal Suga?
se estremeceu ao lembrar da decisão de contar ainda hoje sobre a gravidez para ele.
- Vou sim! Não quero adiar mais isso não, tá me matando por dentro!
- Eu vou com você se quiser! - colocou a mão sobre a da amiga -
- Não precisa, ! Acho que tenho que fazer isso sozinha e também não pretendo demorar muito!
ouviu seu nome ser chamado e ela e adentraram a sala. Como estava com apenas 6 semanas de gestação seria feito um transvaginal, onde o médico ou médica já poderá observar o saco gestacional. Também consegue verificar se não ocorreu uma gravidez ectópica e identificar os batimentos cardíacos do feto. Com seis semanas o feto tem o tamanho de um feijão. Seus grandes olhos, são desproporcionais ao tamanho da cabeça, ainda não tem pálpebras e as narinas começam a aparecer. Enfim, está ficando mais parecido com um bebê. Essas foram as palavras da própria médica.
sabia que aquele ultrassom pouco revelaria, ela somente queria deixar bem claro para Suga que não estava inventando nada, que aquilo de fato era real.
sentiu os olhos marejarem levemente enquanto a médica ia fazendo o exame e dizendo algumas poucas coisas que já eram possíveis de saber. sentiu um quentinho no coração quando ela e trocaram um olhar de cumplicidade.
Assim que as duas deixaram a clínica com o exame já em mãos, abraçou a amiga com força.
- Amiga, vai correr tudo bem! To torcendo! Qualquer coisa me liga tá?
- Tá bom ! Obrigada mais uma vez, por tudo!
As duas se despediram e entrou no carro que havia pedido. Respirou fundo enquanto sentia as veias da cabeça começarem a dilatar, ela então passou as mãos pelas têmporas. Não sabia direito o que estava fazendo, estava agindo no automático. Havia repassado aquela cena tantas vezes na cabeça, havia ensaiado o que diria em todas elas, mas agora ela estava atônita.
Assim que desceu do carro, ela passou os olhos pela fachada do prédio. Será que ele aceitaria falar com ela? Atravessou a rua, enchendo o peito de ar, tentando tomar coragem. Assim que abriu a boca para falar com o porteiro, ela o vislumbrou caminhando rumo à portaria. O chão parecia ter sumido abaixo de seus pés, e as mãos dela começaram a suar. A boca ficou seca e o medo nunca havia sido tão real quanto agora.
O olhar dele cruzou com o dela, e ele empalideceu. Será que a havia reconhecido? Ele parou de caminhar e estendeu a mão para trás, direcionou o olhar para lá e viu uma moça, provavelmente da idade dela ou menos. Ela tinha a pele negra e os olhos mais brilhantes que já havia visto. O cabelo estava numa trança, e ela segurou a mão se Suga enquanto ria de algo.
Quem seria ela? então passou a língua pelos lábios e saiu da guarita da portaria, esperaria por ele fora de lá. Assim que ela ouviu o barulho do portão bater, deu de cara com os dois.
Suga tinha os olhos arregalados e sentiu vontade de sair correndo. Mas agora parecia um pouco tarde demais.
- Suga? - ela chamou enquanto coçava a nuca -
A moça que o acompanhava, tirou os olhos de e pousou em Suga. Os dois estavam com as mãos dadas. presumiu que ela seria a namorada que havia terminado com ele na época dos fatos. Eles haviam voltado?
- Sim! - ele respondeu -
- Eu preciso falar com você! A sós se possível! É um assunto um pouco delicado.
voltou a coçar a cabeça. Suga soltou o ar que parecia preso em seus pulmões há dias. A garota que o acompanhava direcionou o olhar para , e então voltou a olhar Suga, que tinha as mãos geladas agora.
- Você a conhece? - ela questionou -
cruzou os braços abaixo dos seios, e olhou para dentro dos olhos de Suga. Ela estava curiosa para saber o que ele diria.
- Conheço! - mordeu o lábio -
- Olha, nós não temos nada para esconder um do outro! Pode falar! Não é, amor?
Suga ainda com os olhos arregalados, assentiu positivamente com a cabeça. O que ela estava fazendo ali na porta do prédio dele, depois de basicamente dois meses? Como ela ainda se lembrava? Tanto dele, quanto do endereço do local? E como era mesmo o nome dela?
deu de ombros.
- Tudo bem! Suga, eu estou grávida! - cuspiu as palavras enquanto erguia a mão com o envelope contendo os exames - Aí está o ultrassom e todos os exames de sangue que eu fiz comprovando. Tem meu telefone aí também, para quando você processar a informação e resolver tudo com a sua namorada, me ligar, caso queira fazer um exame de DNA, enfim caso queira se inteirar melhor.
A garota agora tinha os olhos mais arregalados que os de Suga, que estava em estado quase de choque com a informação. A cabeça dele fazia barulhos, e sua vista começa a embaçar. Ele não conseguiu nem pegar o envelope, quem o fez foi sua namorada.
- Passar bem! - e ela então pôs-se a caminhar -
A cabeça dela também girava depressa, e ela só queria ir para bem longe dali. Sentia um misto de emoções dentro de si. Uma espécie de alívio por finalmente tê-lo reencontrado e contado tudo, sentia raiva por ele ter voltado com a namorada logo agora, sentia raiva por ele não ter tido nenhuma reação e sentia medo, um medo quase palpável de como as coisas seriam dali para frente, então ela se permitiu chorar.
Suga encarava a namorada, ainda estático e sem saber o que falar. Era muita informação e ele sentia a cabeça doer. A vista ainda estava embaçada.
- Será que você pode me explicar que porra foi essa?
- Vamos subir Charlotte!
- Não! - ela esbravejou enquanto abria o envelope - Você consegue me explicar? Isso é alguma brincadeira de mal gosto Yoongi? Só pode. Fala alguma coisa!
- Eu não sei Charlotte! - Suga passou as mãos pelo rosto, completamente atônito - Vamos conversar lá em cima, com mais calma!
Charlotte concordou. Já no apartamento do rapaz, ela terminou de analisar os exames, enquanto Suga fumava seu segundo cigarro.
- Você pode por favor me dizer que isso aqui é mentira? - os olhos de Charlotte marejaram -
- Pode ser que seja! Esse filho pode não ser meu! Só um DNA pode nos dizer isso!
- Suga, como assim? Você me traiu com essa garota? Vocês de fato tiveram algo?
- Tá maluca! Faz as contas Charlotte! Nós estávamos terminados, você se esqueceu que ficou uma semana terminada comigo? Você disse que nunca mais era para eu te procurar, e eu te procurei, lembra? E muito! Mas você me bloqueou de todas as redes sociais, você não atendeu às minhas ligações! Você terminou comigo, com todas as letras!
- E aí em uma semana você já estava transando com outra?
Suga fechou os olhos com força.
- Eu estava bêbado e com raiva! E ela também! Eu nem me lembro o nome dela! Ela não tinha significado nada para mim! Foi só sexo!
- E agora você vai ser pai! - Charlotte levou as mãos à boca, incrédula - Yoongi, você percebeu a gravidade dessa situação toda?
- Claro que eu percebi Charlotte!
- E vocês nem usaram proteção, caramba Yoongi!
- Eu estava bêbado Charlotte! Eu mal me lembro do que aconteceu naquela noite! E nós não sabemos se essa criança é mesmo minha! Vamos fazer o DNA!
- E se for sua? - Charlotte o encarou séria, ficando frente á ele -
Suga estava desesperado, mas não deixaria que ela percebesse.
- E se não for?
- Yoongi, essa garota não ia mentir uma coisa dessas! Ela não tem motivo nenhum, afinal de contas você é um desconhecido para ela da mesma forma que ela para você! Ela me pareceu confiante demais!
Suga respirou fundo, deu mais uma longa tragada em seu cigarro.
- Eu vou embora!
- Como assim vai embora? - ele segurou um dos braços dela enquanto se desfazia do cigarro rapidamente -
- Vou para a casa dos meus pais, eu nunca deveria ter saído de lá!
- Charlotte, por Deus! Você nem sabe se esse filho é meu!
- Indepedente Yoongi! Você me magoou o suficiente já! E outra coisa? Até quando nós dois vamos ficar fingindo que funcionamos juntos?
- Charlotte, do que você tá falando?
- Você sentiu desejo por outra, certo?
- Eu estava bêbado, por Deus! - ele a segurou com força pela cintura - Não significou nada, e eu não traí você!
- Suga, quantas vezes nós já brigamos feio por motivos diversos desde que voltamos? Quantas noites você dormiu no quarto de hóspedes? E agora isso! Nós simplesmente não funcionamos, e saber disso tudo, é demais para mim! Não dá!
Charlotte empurrou Suga com as duas mãos espalmadas em seu peito e foi para o quarto. Ele foi atrás, ainda sem reação.
- Se você sair dessa casa de novo, será de uma vez por todas Charlotte! Chega!
- Sim Yoongi, será! Pode ter certeza! - ela respondeu enquanto arrumava as roupas numa mala - Eu venho buscar o restante depois!
Yoongi balançava a cabeça atônito enquanto andava de um lado para o outro no corredor. Charlotte passou por ele com uma pequena mala nas mãos e ele foi atrás dela.
- Charlotte, isso é loucura! Você está me penalizando por algo que não tem sentido!
- Para mim tem Yoongi! Eu me conheço, não vou conseguir perdoar você!
Yoongi voltou a balançar a cabeça em negativa.
- Escuta! - ela segurou o rosto dele - Me prometa que vai fazer o DNA, e que não vai deixar essa garota cuidar desse bebê sozinha se ele for seu? Não é justo com ela.
- Claro que se esse bebê for meu, eu estarei presente na criação dele! Eu posso parecer não ter coração, mas tenho Charlotte! Eu não vou deixar a garota desamparada se for mesmo meu! E você pode me ajudar!
Ele voltou a segurar a cintura dela, que balançou a cabeça em negativa.
- Resolva todos os seus fantasmas Suga! E seja homem para assumir e lidar com as consequências das atitudes que você tomou, sóbrio ou não! E se puder me dê notícias do bebê!
Ela beijou demoradamente a bochecha dele, destrancou a porta do apartamento e jogou a chave do mesmo sobre o sofá e saiu deixando Suga sozinho.
Yoongi bufou alto enquanto pegava os exames que estavam também sobre o sofá. Vislumbrou os mesmos, leu os laudos, e voltou a jogá-los sobre o sofá. E então pegou o papel branco bem cortado e leu o nome e o telefone escritos no mesmo com uma linda caligrafia. O nome dela era …
Yoongi salvou o número dela no celular e então jogou o papel de volta no sofá. Foi até a cozinha e pegou uma das garrafas de vinho que ele tinha, precisava beber ou enlouqueceria. Estava sozinho outra vez. Se sentia vazio e muito chateado por não ter tido a compreensão da namorada, ou melhor, ex namorada outra vez! Ele não a havia traído, e não havia significado nada! Porque diabos ela não podia passar por cima daquilo e ajudá-lo com toda a situação? Era o que ele esperava. E se esse bebê fosse mesmo dele? O que ele faria? Não se sentia preparado para ser pai. Bebeu um gole da taça de vinho e então balançou a cabeça ainda atônito. Amanhã estaria pensando com mais clareza, e decidiria o melhor momento de procurar .
Vigésimo Quarto Capítulo - Dreams
O celular tocava alto despertando Jin, que ao vislumbrar a tela leu: Olívia. Ele pegou o celular com as duas mãos, como se sua vida dependesse daquilo e então tentou atender a ligação, mas nada acontecia. Ele simplesmente não conseguia.
Acordou se sentando na cama, com tudo. O coração batia forte, ele estava começando a ficar suado, e o barulho do despertador ecoava pelo quarto. Jin pegou o celular sobre o criado então cessando o som. Mais uma vez ele teve aquele sonho. Já era a quinta ou sexta vez que sonhava exatamente a mesma coisa: o celular tocava, era ela quem ligava e ele não conseguia nunca atender.
Os sonhos com “Olívia” ainda aconteciam toda a noite. Já haviam se passado basicamente dois meses, e ele não teve nenhuma notícia da garota. Procurou por ela nas redes sociais com o nome que completo que ela havia dado á ele, mas nenhuma delas era de fato a Olívia que ele conheceu. Às vezes ele se perguntava se tudo o que viveram havia de fato acontecido, ou se teria sido apenas mais um sonho dos que ele tinha com ela toda bendita noite.
O coração dele doía todos os dias ao pensar na garota. Havia sido a semana mais intensa da vida de Jin, ele nunca havia se apaixonado tão rápido por alguém, e nunca havia tido tanta certeza de um sentimento quanto por ela. E saber que ela havia mentido daquela forma, dilacerou o peito de Seokjin em mil pedaços. Ele havia emagrecido alguns quilos nesses dois meses, pintava como um louco e mal se alimentava. Ele dormia e sonhava com ela todas as noites, uma tortura!
Ele sentia um vazio no peito todas as vezes em que tentava se divertir ou se distrair, nada era capaz de tirar aquela sensação dele. Ele inclusive estava evitando sair, só ia para a exposição trabalhar e depois chegava em casa e ia pintar. Ultimamente todas as suas pinturas estavam tristes, a melancolia estava sendo sua inspiração, então ele aproveitava.
Passou a mão pelo rosto, limpou um pouco do suor e se levantou. Tomou um banho e desceu para tomar seu café da manhã, a irmã já estava sentada à mesa e então ele lhe bagunçou os cabelos com um “bom dia criança”, pois sabia que ela odiava ser chamada de criança.
- Bom dia loser! - ela respondeu enquanto arrumava os cabelos de volta no lugar -
Jin serviu-se de algumas frutas e pôs-se a comer, calado enquanto vislumbrava o nada. Sua mente voltou a pensar “Olívia”. E então ele sentiu o coração apertar por mais uma manhã não ter notícias dela, apenas os sonhos de sempre. Aquilo o estava matando.
- Porque você tá ainda mais estranho desde que voltamos da praia?
Ele ouviu a irmã questionar e então levou o olhar até ela, que fez uma careta.
- Cuida da sua vida pirralha! - Jin implicou enquanto pisava delicadamente no pé dela debaixo da mesa, que o chutou de volta - Au! Você está ficando forte, hein?
O apartamento de Jin estava passando por uma reforma então, então ele estava na casa dos pais há cerca de vinte dias. Sentiu as mãos de Eui, sua mãe lhe acariciarem as costas e então ela depositou um beijo na cabeça do filho.
- Você sabe que se precisar conversar, eu estou aqui, não sabe Seokjin?
Jin estranhou a atitude da mãe, ela nunca havia o tratado daquela forma tão carinhosa e muito menos oferecido ajuda. Jin sentiu o coração ficar quente com a preocupação da mãe, então sorriu para ela, enquanto terminava de comer as frutas rapidamente, não queria topar com o pai logo de manhã. Na última vez que isso aconteceu os dois acabaram tendo uma breve discussão.
- Vou sair! Vou dar uma caminhada na praia agora pela manhã. Qualquer coisa me liguem.
A mãe e a irmã assentiram enquanto ele bagunçava outra vez os cabelos de Eun, a irmã, que resmungou.
Colocou uma playlist qualquer para tocar no celular enquanto caminhava pela praia lotada.
“It is if everyone dies alone, does that scare you? I don't wanna be alone. I look for you every day, every night. I close my eyes from the fear, from the light.”
A mente dele finalmente se ligou na letra que tocava e então ele desacelerou o passo um pouco.
O coração dele bateu forte no peito ao ver o quanto a letra descrevia o que ele sentia. Caminhou calmamente por um pedaço da orla, enquanto o coração batia rápido.
“Pink lemonade sipping on a Sunday, couples holding hands on a runway. They're all posing in a picture frame, whilst my world's crashing down!”
Vislumbrou os casais sorrindo para fotos debaixo do sol, olhou o mar e lá estavam mais casais curtindo o mar.
O olho de Jin marejou e ele engoliu seco o aperto no peito.
“Solo shadow on a sidewalk, just want somebody to die for! Sunshine living on a perfect day, while my world's crashing down. I just want somebody to die for.”
Continuou a caminhada ainda observando os casais e os turistas. Até que resolveu tirar os tênis e ir pisar um pouco na areia. Se deparou com sua sombra sozinha no solo.
“I long for you, Just a touch (does that scare you?) of your hand. You don't leave my mind, lonely days, I'm feeling like a fool for dreaming.”
Jin observava que haviam várias mulheres na praia que eram idênticas a Olívia, algumas eram tão parecidas que ele não sabia se estava alucinando e vendo-a em todas as mulheres! Ele chegou a achar que estava ficando louco, e então ele desbloqueou o celular e entrou no instagram, voltando a procurar por ela por lá. Mas nada. Jin balançou a cabeça, se sentindo tolo outra vez.
“Pink lemonade sipping on a Sunday, couples holding hands on a runway. They're all posing in a picture frame, whilst my world's crashing down!”
Então ele olhou para a pulseira cinza em seu pulso, que ele ainda usava… Será que ela usava a dela também? Será que pensava nele, mesmo que de vez em quando? Jin tocou a pulseira em seu pulso e então enxugou uma lágrima teimosa que ousou descer por seu rosto.
Fechou os olhos sentindo o vento bater em seu rosto, se lembrou dela outra vez. Quase conseguiu ouvir a voz dela chamando-o. Despertou do devaneio com a mão de V em seu ombro. Abriu os olhos e levantou o olhar na direção do amigo, e então sorriu para ele.
- Que bom que você pode vir amigo!
Taehyung estendeu a mão na direção do melhor amigo e o ajudou a se levantar. Logo os dois trocaram um abraço rápido e então se sentaram em um quiosque qualquer, onde pediram uma água de coco.
- O que houve? Está precisando conversar, Jinnie? Senti sua falta! - o olhar de V demonstrava que ele estava preocupado com o amigo -
Jin soltou um suspiro pesado e depois deu gole em sua água de coco.
- Vamos falar de você primeiro! To sentindo que você também tem algo para me contar! Eu voltei há uns dois meses basicamente, você sabe, mas quis tirar um tempo pra cuidar direito da exposição e da reforma do meu apartamento. Agora as coisas já estão se acalmando!
Taehyung colocou uma das mãos sobre o ombro do amigo.
- Vou conseguir uma folga para ir com a quando ela puder viu? - V disse se referindo à exposição do amigo -
- Faço questão que vocês dois apareçam lá, se não eu mato os dois! - gargalharam - E ai? O que aconteceu nesses meses?
Taehyung suspirou enquanto fechava os olhos, ainda segurando o ombro de Seokjin.
- Conheci uma menina! - foi a vez de Jin apertar o ombro do amigo enquanto fazia onomatopéias com a boca - Mas calma! A gente ainda tá só se conhecendo! Eu a atropelei de bike, você acredita que foi assim que nós nos conhecemos?
Os dois riram.
- Que inusitado amigo! Mas há quanto tempo vocês estão conversando?
- Desde que você viajou basicamente!
- E nada ainda? Você está muito lento Taehyung! - Jin deu algumas batidinhas no ombro dele -
- Ela é diferente, sabe Jin? Não sei explicar o que estou sentindo, então quero respeitar o tempo das coisas! Quando tiver que acontecer, vai acontecer!
- Então o meu irmãozinho mais novo se apaixonou enquanto eu estava fora?
Taehyung sentiu as bochechas queimarem e então ele riu, meio sem graça.
- Acho que sim! - ele tomou mais um gole da bebida - Quero que você a conheça, quando for o momento!
- Claro! Vamos ver se ela será aprovada!
- Mas e a viagem? Como foi? Você está estranho Jin, percebi isso pelas mensagens que trocamos.
Jin fez um muxoxo, enquanto pensava se contava tudo ou não para o amigo. Pensou que V poderia achá-lo um idiota se ele contasse tudo. Mas estava se sentindo sufocado.
- Tem haver com uma garota também!
V sorriu mostrando todos os dentes enquanto colocava o coco sobre a mesa em que estavam e apertava as bochechas de Jin.
- Sabia que podia ter algo a ver com uma garota! Mas você não é muito dessas coisas! O que tá rolando?
- Nos conhecemos num luau, e bom, - ele umedeceu os lábios - foram dias maravilhosos!
- Ah, então você está com saudades? Entendi!
Os dois se olharam enquanto sentiam o vento bagunçar seus cabelos. Jin pensou que era melhor parar o assunto por ali, pelo menos por enquanto. Não queria que o amigo o achasse ridículo e bobo por estar tão mal assim por uma garota que ele mal conhecia.
- Quando vocês vão se ver novamente?
A pergunta do amigo ecoou na mente de Jin, que abaixou a cabeça sentindo o coração doer.
- Sinceramente? Eu não faço a menor ideia!
Jin levantou a cabeça voltando a encarar o amigo, enquanto soltava um riso nasalado. Aquilo doía.
Vigésimo Quinto Capítulo - Breathin’
Depois de três batidinhas, resolveu abrir a porta da sala dos amigos, colocando a cabeça lá dentro. Faltavam apenas vinte minutos para o fim oficial do expediente, mas como às vezes apareciam demandas extras de última hora, resolveu se certificar com a amiga.
- , tudo certo para a gente sair às dezoito né? Ou você vai precisar ficar mais tempo?
Jimin levantou a cabeça e direcionou o olhar de uma para a outra.
- Não amiga! Graças a Deus! Tudo certo, pode me esperar lá no estacionamento ou passar aqui, você que sabe!
- Porque? O que vocês vão fazer?
- Meu Deus curupira júnior, como você é curioso! Cruzes!
gargalhou e escorou-se no batente da porta.
- Hoje finalmente nosso trio vai estar completo! Nossa amiga volta de viagem! Vamos ao aeroporto recebê-la e os pais dela vão fazer um jantarzinho para receber ela de volta!
Jimin fez um biquinho enquanto cruzava os braços abaixo do peito.
- Eu quero ir também! To louco para conhecer essa amiga de vocês! Ela é bonita?
- Coitado! - gargalhou - Ela não é pro seu bico não! Ela é alta, linda, parece uma modelo de passarela! Se liga! Olha o seu tamanho menor aprendiz!
Jimin revirou os olhos enquanto voltava a gargalhar.
- É sério! Eu quero conhecer ela! Agora vocês não são mais um trio, nós somos um quinteto! Tem eu e o Hoseok! Inclusive eu posso chamá-lo? - dizia ele rapidamente enquanto os olhos brilhavam -
sorriu soltando um “awn que fofo” e olhando para , esperando a amiga se pronunciar.
- ? Por mim, sem problemas! Até acho que a vai gostar de conhecer vocês!
revirou os olhos e apenas assentiu com a cabeça e deu de ombros enquanto voltava a olhar o computador.
- Vou arrumar minhas coisas e volto para cá! Aí a gente sai juntos!
fechou a porta e foi para a sua sala guardar as coisas e fechar a mesma, ela estava radiante de felicidade pela volta da amiga, assim como . Tantas coisas para conversarem, queria abraçar a amiga, se certificar de que ela realmente estava melhor agora…
Assim que caminhou em direção á sala dos amigos os dois já estavam de fora da mesma e Jimin disse que passaria para pegar Hoseok no trabalho, pois ele estava sem a moto naquele dia e que se encontraria com elas no aeroporto e pediu que as duas ficassem de olho no celular, já que as duas eram um tanto distraídas quanto á isso.
Assim que chegaram ao aeroporto as duas abraçaram os pais de e começaram a conversar sobre a vida com os mesmos, que ainda pareciam muito abalados, assim que Jimin chegou com Hoseok, sorriu na direção do loiro que sorriu de volta e então os dois se abraçaram demoradamente com os pais de sendo apresentados a Jimin e logo depois á Hoseok, claro.
batia o salto do scarpin preto no chão enquanto não tirava os olhos da tela que mostrava as chegadas dos voos, até que Jimin, já irritado, pousou delicadamente a mão sobre sua coxa, na intenção de cessar o movimento e o barulho. Os dois se olharam.
- Ai, me deixa! Eu estou ansiosa! Quero ver ela logo! Quero saber como ela está! Foi uma tortura esses dois meses!
- Eu entendo ! Mas esse barulho irritante não vai acelerar o tempo! Respira fundo! - ele apertou a coxa dela numa tentativa inútil de acalmá-la -
sentiu o lugar onde a mão dele apertava queimar e então se levantou, deixando-o no vácuo. O coração dela, que já estava batendo rápido, acelerou um pouco mais. Jimin balançou a cabeça em negativa e se questionou: porque ela fugia sempre das aproximações dele?
- Olha! - apontou pro telão - Acho que é o voo dela, não?
Os pais de se deram as mãos enquanto assentiram que sim.
e trocaram um olhar terno e já sentia o olho marejar.
Ambos se aproximaram do portão de embarque, e agora de mãos dadas, enquanto Jimin e Hoseok ficaram mais para trás, pois aquele era um momento bem íntimo das garotas. As pessoas começaram a sair pelo portão de embarque e nada de . A cada pessoa que passava pelo portão era um tipo de emoção diferente que e sentiam. A ansiedade já estava a mil entre as garotas e os pais de , até que ela finalmente apareceu pelo portão. Provavelmente já havia chorado, pois os olhos estavam vermelhos e as bochechas levemente coradas e inchadas. Os pais de a esperaram com os braços abertos e então ela largou o carrinho com as malas e foi na direção deles, os abraçando. Ali as lágrimas voltaram a correr livremente pelo rosto de e de seus pais, que intercalavam os abraços com alguns beijos em seu rosto.
agora começava a derramar algumas lágrimas, enquanto já chorava livremente.
- Que bonito isso! - Hoseok comentou -
- Nunca vi as duas chorarem, é a primeira vez! Acho que agora somos oficialmente um quinteto!
Os dois trocaram um olhar e sorriram um para o outro. Assim que conversou um pouco com os pais, o olhar dela buscou as amigas, ansiosa, até que as encontrou e então correu em direção às mesmas, ainda chorando. As três então se deram as mãos, enquanto já sorria entre as lágrimas e tinha os olhos fechados, com lágrimas escorrendo livremente pelo rosto. Jimin e Hoseok se aproximaram o suficiente para conseguir ouvir a conversa entre as três:
- Não importa onde eu vá, eu nunca vou sair do seu lado! Você nunca estará sozinha! Mesmo quando passarmos por mudanças, mesmo quando estivermos velhinhas! - disseram as três em uníssono fazendo Jimin e Hoseok se olharem, se emocionando também -
- Lembram que eu prometi que encontraria meu caminho de volta para casa?
E então as três se abraçaram demoradamente, fazendo com que os pais de voltassem a chorar rapidamente.
Assim que as três se recuperaram da emoção, parando de chorar e limpando os rostos, notou a presença de Jimin e Hoseok e então olhou as amigas.
- Amiga, esses aqui são o Jimin, nosso colega de escritório e esse o Hoseok amigo dele, e bom nosso amigo agora também! - ela riu sem graça enquanto sentia o olhar de Hoseok em seu rosto -
Bom eles haviam se beijado aquela vez, mas nada mais havia acontecido depois daquele dia, apesar de os dois ainda conversarem todos os dias, então achava que no momento o termo certo ainda era amigo… sorriu para sem mostrar os dentes quando a mesma apresentou Hoseok á ela, se lembrando do e-mail da amiga, mas bom, ela não sabia que eles haviam se beijado, ela só sabia que a amiga havia beijado o outro: Namjoon. Inclusive achou que o conheceria primeiro que Hoseok.
- Muito prazer meninos! - abriu os braços puxando Jimin para um longo abraço e depois fez o mesmo com Hoseok que ficou vermelho, é claro -
- Eu queria muito te conhecer ! - Jimin citou, sorrindo - As meninas falam muito de você! E com muito carinho!
- Ah! - sentiu as bochechas esquentarem e então olhou com carinho para as amigas - Eu estava longe mas já sabia da existência de vocês também, viu?
Ela olhou para Hoseok, que voltou a ficar vermelho enquanto sorria sem mostrar os dentes.
- Vai todo mundo lá para casa jantar né? Inclusive vocês dois não é? - voltou a direcionar o olhar para os rapazes que assentiram que sim -
Ao chegar na casa de os pais dela fizeram questão de apresentar toda a casa para os meninos que ficaram encantados com a atenção que estavam recebendo dos pais de , que subiu com as amigas para guardarem as malas dela no quarto. Lá entregou as lembrancinhas que havia comprado para as amigas, que ainda emocionadas a agradeceram. Assim que voltaram para o andar debaixo elas passaram pela cozinha e e ofereceram ajuda aos pais de , que educamente recusaram, informando as garotas que os rapazes estavam na área externa da casa, perto da piscina, porque o jantar seria servido lá, já que era uma ocasião especial.
As amigas adentraram o local, rindo e conversando e perceberam que Jimin e Hoseok também conversavam algo, mas que o assunto havia parado quando elas chegaram.
E então resolveu se sentar entre Jimin e Hoseok, enquanto - que à essa altura do campeonato já sabia do beijo trocado entre e Hoseok - optou por sentar ao lado de Jimin, que a olhou enquanto ela o fazia. se sentou ao lado de Hoseok, e aproveitou para passar um dos braços em volta do pescoço de Hoseok, que se ajeitou na cadeira, e colocou a mão esquerda sobre uma das coxas de . O coração dele pulsava rapidamente com a aproximação da garota.
- E então amiga? Como foi a viagem? - foi a que teve coragem de perguntar -
passou as mãos pelos cabelos, ajeitando-os e fazendo um coque com o mesmo logo em seguida. A primeira imagem que veio em sua mente ao ser questionada sobre a viagem foi Jin, mais especificamente o sorriso dele. Depois lembrou da risada gostosa de ouvir que ele tinha. Aí então sua mente vagou pela noite em que se conheceram, depois ela se lembrou do primeiro beijo dos dois, logo depois se lembrou da última noite que tiveram, do gemido rouco dela em seus ouvidos, e ai então ela sorriu sem mostrar os dentes para as amigas.
- Foi ótima! - sorriu dessa vez mostrando os dentes - Conheci lugares maravilhosos, algumas pessoas também!
Voltou a se lembrar do gosto do beijo de Jin e então os pelos da nuca dela se arrepiaram.
- E você de fato se curou? Ou pelo menos atingiu o objetivo principal da viagem, que era aceitar melhor a morte do Mário? - foi mais a fundo -
Como ela explicaria às amigas que sim, que tinha conseguido aceitar a morte do irmão, que o buraco estava se fechando, mas que agora existia outra cratera em outro lugar de seu peito causada por sua própria culpa?
- Sim! - balançou a cabeça positivamente - Eu entendi! E acho que agora vou saber lidar melhor com a morte dele.
Os amigos assentiram em silêncio.
- Você foi para quais lugares? - Jimin se atreveu a perguntar enquanto se levantava indo em direção á geladeira que ali ficava -
Ela sabia que a mesma estava sempre abastecida em ocasiões como aquela, e então abriu a mesma pegando a jarra de suco que lá se encontrava.
- Fui para o nordeste primeiro! Fiquei uma semana lá! - ela colocou a jarra sobre a mesa enquanto pegava um copo -
Voltou a pensar em Jin. Não que ela não tivesse pensado nele basicamente todos os dias desde que fora embora escondido dele. Será como ele havia reagido? Era o que ela mais pensava. Depois pensava em como ele estaria hoje…
- Depois eu fui para o sul! Fiquei um tempinho a mais lá, porque estava frio e eu amo esse clima! Depois fui pro Chile e para a Argentina! Ai voltei!
- Caramba, que legal! - Jimin sorriu enquanto bebia um pouco do suco -
- Depois passa o roteiro pra gente! - Hoseok comentou -
- Claro! - piscou e voltou a sentar assim que terminou de servir o suco para os amigos -
- Você e seu irmão eram muito próximos né? - Hoseok também tomou do suco - Eu sinto muito pela sua perda!
- Eu também ! - Jimin colocou delicadamente a mão sobre a perna dela -
acompanhou com o olhar e então desferiu um tapa certeiro sobre a mão de Jimin, assustando-o, que protestou com um muxoxo.
- Safado! Não se aproveite desse momento para tentar conquistar a ! Ela não vai querer você!
e o restante dos amigos gargalharam. jogando a cabeça para trás e colocando a mão na barriga.
- Você é maluca? Eu não estou me aproveitando de nada! Só estou demonstrando minhas condolências sinceras! Você é surtada! Meu Deus! Além do mais, eu já estou a fim de outra pessoa!
- Huuuuuum! - os amigos soltaram -
ergueu uma sobrancelha enquanto bebia um pouco do suco e pensava em quem seria a tal garota. Depois voltou a mirá-lo, fazendo uma careta.
Logo os pais de chegaram com os pratos e talheres, colocando-os sobre a mesa.
- Já está quase pronto, meninos! Tudo bem por aqui?
O pai de questionou colocando as mãos nos ombros de , que escorou a cabeça para trás na barriga do mais velho. Ele era como um pai para ela!
- Tudo na paz pai! - sorriu -
- Então quer dizer que agora vocês estão de namoradinho?
e se olharam e então Hoseok sentiu as bochechas esquentarem e tinha certeza que ele estava mais vermelho que um pimentão, especialmente quando a mãe de chegou ao recinto, sorrindo e olhando para ele e que tinham as mãos entrelaçadas sobre a perna dela.
- NÃO! - gritaram e Jimin juntos -
- Nossa, não mesmo! Eu e esse energúmeno aqui somos colegas de trabalho e só!
- É! Imagina só! Eu e a namorando? Só nos sonhos dela! Não tem a menor chance!
segurou a risada enquanto tomava de seu suco.
- Ah mesmo? - o pai de mexeu nos cabelos de - Vocês dois combinam!
e Jimin torceram os lábios enquanto se olhavam.
- Agora vocês dois, não tem como negar né? - a mãe de piscou na direção de -
Era impossível que Hoseok conseguisse ficar mais vermelho do que já estava, e então os dois soltaram as mãos.
- Pior é que não estamos de namoradinho mesmo Eliana! Eu e o Hoseok somos amigos, bom, - ela pausou - bons amigos!
Os dois se olharam enquanto Hoseok assentia com a cabeça, mudo. Eles continuaram conversando sobre os lugares que havia visitado, até que os pais de voltaram para a cozinha. E em minutos eles voltaram informando que o jantar estava pronto. Todos se serviram, jantaram, entre risadas e novidades de . Logo após a sobremesa os meninos resolveram ir embora. Se despediram de com a promessa de se encontrarem mais vezes.
As garotas foram lavar as louças enquanto os pais de descansavam.
- E então ? Você conseguiu pegar o Hoseok ou nem?
gargalhou enquanto a amiga ficava vermelha.
- Então amiga… - ela se virou de frente as amigas enquanto enxugava um prato - Eu peguei!
- Sabia! - começou a ajudar a enxugar as louças que já haviam sido lavadas por - Mas e o tal Namjoon? Eu jurava que ia conhecer ele primeiro!
suspirou coçando a cabeça. A vida sentimental dela estava uma bagunça, e ela até se sentia mal de estar flertando com os dois, especialmente sem que os dois soubessem. Mas se sentia atraída pelos dois homens e estava gostando da sensação de ter dois homens tão diferentes para sair e beijar.
- Amiga, eu fiquei com os dois uma vez só! Por enquanto!
- Safada! - gritaram e ao mesmo tempo -
- Ai amigas! O que vocês fariam no meu lugar? Os dois são lindos, beijam bem e eu tenho coisas em comum com ambos, e estou solteira! Mas vou dar um jeito nisso!
- Não! Você tá certa! Vai conhecendo os dois e curtindo os dois, se precisar decidir entre algum dos dois, na hora certa você decide!
e arregalaram os olhos com o conselho da amiga.
- Onde está a minha amiga e o que você fez com ela? - brincou enquanto as outras duas gargalhavam -
Finalmente estavam juntas outra vez! sentiu muita falta desses momentos com as amigas, e precisava muito delas! Sorriam enquanto se olhavam.
Pegou as chaves no bolso da calça enquanto cantarolava uma canção que havia ouvido no carro, e então observou as luzes da varanda externa da casa dos quase vizinhos acesas. Então Jin, observou as mesmas enquanto pensava: será que eles haviam começado a se recuperar? Lembrava muito bem da mãe comentando que os quase vizinhos haviam passado por uma perda terrível: o filho mais velho, da idade de Jin, havia morrido num acidente trágico. Mário, era o nome dele, se bem Jin se lembrava. Sorriu ao pensar que talvez finalmente as pessoas da casa estivessem começando a ficar bem, e então voltou a caminhar para a casa dos pais.
O destino gosta muito de pregar peças nas pessoas não é?
Vigésimo Sexto Capítulo - Run
Espreguiçou-se novamente enquanto abria a boca outra vez, sonolento. Já eram dez horas da noite e ele rezou mentalmente para que ela estivesse prestes a sair. JK resolveu que se talvez fizesse outra surpresa para igual a do primeiro encontro deles, ela se animaria um pouco com a surpresa e então quem sabe eles conseguiriam reestabelecer a química. Dessa vez, ele estava de carro porque sabia que ela estava sem durante a semana, o mesmo estava na oficina. Então ele a esperava na portaria do hospital, escorado no capô de seu carro. Fazia frio então ele estava bem agasalhado com sua blusa de moletom preto e usava um chapéu da mesma cor, estilo bucket.
Umedeceu os lábios assim que a viu sair pelo hospital, mas ela estava ao telefone e não atravessou a rua, portanto não viu Jungkook do outro lado a esperando. Ele então, atônito, nem se lembrou do carro e foi atrás da garota, mas estava sem coragem de a atrapalhar no telefone então esperaria ela acabar a ligação para se aproximar.
A rua começava a ficar escura e JK mantinha os olhos em . Havia algum movimento, mas nada de espetacular. Pessoas indo e vindo e absortas em seus próprios mundos. E JK em … Foi quando finalmente ela desligou o telefone e ele sorriu. esbarrou em um transeunte e JK pode ouvi-la pedir desculpas, mas o rapaz logo a segurou pelo pescoço, imobilizando-a e JK sentiu as veias do corpo dilatarem ao perceber o que estava acontecendo. Os olhos de se arregalaram e ela pareceu entrar em uma espécie de estado de choque. Algo reluzia sobre a barriga de e Jungkook percebeu que se tratava de uma faca, provavelmente. Sem pensar duas vezes, Jungkook partiu para cima do homem, conseguindo separá-lo de . Finalmente conseguiu gritar por socorro, enquanto Jungkook e o homem lutavam pela posse da faca. continuava gritando até que viu algumas pessoas se aproximarem correndo e ouviu o barulho de algo metálico bater no chão e viu a faca. O rapaz que até então não sabia se tratar de Jungkook, segurava o homem do mesmo jeito que antes ele a segurava, mas ele estava desferindo algumas cotoveladas na barriga de JK e por sorte mais pessoas começaram a se juntar e ajudaram JK. Uma mulher tenta acalmar que tremia o corpo todo, especialmente as mãos, e ela avisa que já chamou a polícia que havia um posto policial ali próximo e que provavelmente eles não demorariam. levantou o olhar e viu o homem ainda imobilizado por JK e outras pessoas. O olhar dele estava carregado de raiva e ele tentava a todo custo se desvencilhar da barreira de pessoas que o imobilizaram para atacar . Imediatamente, como se num estalo ela pensou: era ele! As sirenes do carro da polícia já podiam ser ouvidas e ela não conseguia se desvencilhar do olhar dele. Sentiu então os pelos da nuca se arrepiarem quando enfim a polícia se aproximou dela e ele gritou:
- Você não vai se livrar de mim !
fechou os olhos enquanto era guiada para mais longe por um policial.
- A senhorita tá sozinha?
- Ela tá comigo! - ouviu a voz cansada de JK soar perto de seus ouvidos -
abriu os olhos, e uma mistura de sentimentos invadiu seu peito. Ela abriu os braços e se jogou em Jungkook, que a abraçou com força. chorava, o corpo tremia a cada soluço.
- Shhh! Calma! Calma! - ele pedia em seu ouvido -
- Jungkook! - ela sussurrou entre lágrimas, finalmente soltando o choro -
Um choro sôfrego, cheio de sentimentos. Jungkook, subia e descia as mãos pelas costas dela, um carinho gostoso, tentando acalmá-la.
- Jungkook, que que você tá fazendo aqui? - ela se soltou dele, segurando o rosto dele entre as mãos -
- Não importa agora! Você tá bem? - ele segurou o rosto dela entre as mãos também -
balançava a cabeça freneticamente, o rosto encharcado de lágrimas. Jungkook voltou a aninhá-la em seu peito.
Depois os policiais conversaram com , que explicou brevemente que vinha sendo perseguida por um stalker há uns dois meses e que o rapaz em questão provavelmente seria ele. Os policiais a informaram que ela precisava comparecer à delegacia para prestar depoimento e ela então concordou. Já as testemunhas tiveram seus depoimentos colhidos ali mesmo. Inclusive Jungkook.
- Eu vou ter que ir com eles! Tenho que prestar meu depoimento lá, com mais detalhes!
- Eu vou com você! Te levo lá, vamos voltar lá pro hospital, que meu carro tá lá! Eu não vou deixar você ir sozinha !
observou o rosto de Jungkook com calma pela primeira vez naquela noite. Ele estava com um ferimento no supercílio, que parecia ser superficial. Ele a havia salvado do stalker e ela sentiu vontade de chorar de novo.
Quando chegaram à delegacia, Jungkook a esperou no estacionamento mesmo. Após mais ou menos uma hora e meia ela saiu da delegacia. ainda tremia quando foi de encontro à Jungkook.
- Vou te levar em casa, tá? Como foi o depoimento? - ele retirou o moletom que vestia -
Ergueu o mesmo em direção à que apenas sentiu a vontade de chorar voltar a invadir. Jungkook escorou no capô do carro, puxando para o meio de suas pernas e então a envolveu com a blusa. E depois segurou as mãos dela.
- Tá frio! - ele começou a aquecer as mãos dela com as dele -
- Eu achei que era você! - sentiu a garganta dar um nó -
Jungkook, confuso, arregalou os grandes olhos, levemente.
- Como assim? - ele apertou as mãos dela nas suas -
- O stalker! Ele começou a me ligar na mesma época em que passei meu número para você Jungkook! - a voz dela embargou - E por diversas vezes eu achei que ele fosse você!
Jungkook engoliu seco, fazendo seu pomo de Adão se mover.
- Me perdoa JK! - e assim ela voltou a chorar copiosamente -
Jungkook sentiu os olhos marejarem também, estava odiando vê-la chorar então ele a abraçou novamente, enquanto passava as mãos pelos cabelos dela. Após alguns minutos assim, ele voltou a segurar o rosto dela entre as mãos antes de enxugar as lágrimas que desciam pela face dela.
- Ei! Tá tudo bem! Tudo bem! Esse pesadelo acabou, hum? Agora você pode ficar tranquila e ter a certeza que não sou eu! Passa uma borracha nisso tudo! A gente passa!
- Eu não sei se consigo me perdoar JK! Como eu pude achar isso?
- Dá tempo ao tempo, gatinha! Tá tudo muito recente!
Ele segurou o rosto dela entre as mãos novamente, e então encostou a testa na dela. fechou os olhos.
- Eu perdi a cabeça quando vi aquele cara te segurar! E quando eu vi a faca então, eu fiquei maluco!
E então, ele encostou os lábios nos dela com delicadeza e um beijo foi iniciado. As mãos de Jungkook seguravam o rosto dela com carinho e os lábios de ambos se movimentavam lentamente. A língua dele pediu passagem e ela concedeu enquanto apertava sua cintura com certa força. O beijo dele era molhado e sentiu que estava nas nuvens.
Ao adentrar o carro de Jungkook, reparou que o carro era cheiroso assim como dono.
- Como você apareceu daquele jeito? Onde você estava? No hospital?
Jungkook assentiu.
- Eu queria ter te feito outra surpresa! Igual aquela vez em que cortei a mão! Sei lá, achei que se eu fizesse isso, a chama pudesse reacender de novo entre a gente! Eu não tinha idéia da existência desse stalker e muito menos que você chegou a achar que fosse eu!
tapou o rosto com as mãos, sentindo o choro voltar.
- Não! Não! - Jungkook colocou uma das mãos sobre a coxa dela, fazendo carinhos por lá - Não chora! Você não pensou por mal! E bom, eu tive alguns comportamentos esquisitos mesmo! Não chora gatinha! Ja passou! Ele tá preso agora e eu to aqui com você!
balançou a cabeça negativamente enquanto depositava um carinho sobre a mão dele rapidamente.
Assim que chegaram na casa de , ela abriu a porta devagar achando que o irmão talvez já estivesse dormindo. Mas para sua surpresa ele estava bem acordado.
- Pelo amor de Deus, aonde você estava? O que aconteceu? Eu te liguei, te mandei mensagem e você nada!
Taehyung pulou na frente de a segurando pelos braços.
- Nós estávamos nos falando e você disse “te mando mensagem quando pegar o metrô!” e você sumiu ! Eu quase morri aqui!
- Calma Tae! - pediu enquanto acariciava o rosto do irmão -
Taehyung então tirou o olhar da irmã e pousou em JK, que tinha os olhos assustados e um machucado no supercílio.
- Quem é esse? Porque ele tá machucado ? - Taehyung voltou a olhar para - Você vai me contar o que aconteceu?
soltou um suspiro cansado.
- Você lembra daquelas ligações que eu tava recebendo?
- Claro! Insisti horrores para você fazer um B.O! O que que tem?
- Tem que ele era um stalker, e hoje ele me atacou lá perto do hospital e o Jungkook - ela apontou para ele - Me salvou!
- E você me conta isso nessa calma garota? - Taehyung puxou a irmã para um abraço - Meu Deus ! E se acontece algo com você? Eu morro!
E logo o irmão pôs-se a chorar baixinho enquanto afundava o rosto nos ombros da irmã. Jungkook, chorão que só, sentiu vontade de chorar vendo a emoção que o momento carregava.
- Tá tudo bem Tae! Ele tá preso agora! - acariciou os cabelos dele quando ele finalmente a soltou -
As lágrimas ainda escorriam por seu rosto quando ele praticamente voou sobre Jungkook e o abraçou com força.
- Muito obrigada, cara! Eu nem sei como te agradecer por isso!
Jungkook deu algumas batidinhas nas costas de Taehyung enquanto o mesmo o balançava de um lado para o outro. e Jungkook riram da reação de V, até que ele o soltou e enxugou as lágrimas.
- Vocês devem estar exaustos e famintos! Vão tomar um banho enquanto eu preparo alguma coisa para vocês comerem.
e Jungkook trocaram um olhar e então ela pediu:
- Fica JK! Você toma um banho quente e veste alguma roupa do Taehyung! Comer uma comidinha feita na hora…
- E modéstia parte, meus dotes culinários são bons! Vai valer a pena!
Jungkook sorriu mostrando os dentes e aceitou. sobe primeiro e nisso escuta o irmão enchendo JK de perguntas sobre o ocorrido.
Assim que ela adentrou o quarto e tirou a roupa que vestia, se olhou no espelho e voltou a chorar. Ainda conseguia enxergar o olhar do stalker quando fechava os olhos e se sentia péssima ao se lembrar que desconfiou tanto de Jungkook, e ali estava ele em sua casa depois tê-la salvado!
Chorou mais um pouco durante o banho enquanto tentava esquecer as últimas palavras do stalker. Colocou uma roupa quente e então entrou no quarto do irmão para pegar alguma roupa para Jungkook.
- Licença? - ouviu a voz dele e o fitou escorado no batente da porta -
- Sua toalha já tá lá no banheiro! To pegando aqui umas roupas para você! Vai se banhar que eu ainda tenho que dar uma olhada nesse machucado aí!
Jungkook levou a mão até o supercílio e praguejou sentindo o corte arder. Tomou um banho, lavando os cabelos e então fechou os olhos lembrando do beijo.
As roupas que havia escolhido estavam dispostas na cama do irmão e então quando ele terminou de vestir a blusa de manga longa, apareceu no quarto com uma caixinha de primeiros socorros. Jungkook riu jogando a cabeça para trás.
- Será que a gente ainda vai conseguir ter um encontro normal, sem precisar de medicamentos e curativos?
Foi a vez de gargalhar enquanto se ajustava no meio das pernas dele outra vez. As mãos de Jungkook seguravam sua cintura e os dois se olharam. Jungkook umedeceu os lábios passando a língua por toda a extensão dos mesmos e fez a mesma coisa. E então ela desinfetou o local do ferimento e ele soltou um muxoxo mexendo o rosto. segurou o rosto dele, fazendo um carinho.
- Calma! - ela pediu quando voltou a desinfetar o ferimento e ele apertou a cintura dela -
Depois ela deu uma olhada no ferimento e viu que o mesmo somente precisava de uns esparadrapos e gases.
- Graças a Deus foi superficial! Só vou fazer um curativo, tá?
Jungkook assentiu, de olhos fechados. Enquanto fazia o curativo em seu supercílio ele se atreveu a descer a mão para a parte interna de suas coxas, e ficou acariciando o lugar.
- Prontinho. - ela sussurrou com a boca já próxima a dele -
Jungkook não resistiu e a puxou para um beijo. sorriu enquanto sentia os carinhos que ele depositava ainda na parte interna de sua coxa. Assim que os dois começaram a ficar sem fôlego, as bocas se separaram.
acariciou o rosto de JK que fechou os olhos. Porque algum dia ela chegou a acreditar que ele lhe faria mal?
- Você me desculpa? - ela voltou a tocar no assunto - Eu não sei como eu pude JK!
- Shh! - ele colocou o dedo indicador no lábio dela e depois voltou a acariciar o mesmo lugar de antes - Não precisa se preocupar mais com isso ! Você tá bem e eu também, e é isso que importa! Agora vamos descer, se não o seu irmão pode achar estranho!
- Vou não! - Taehyung sorriu, com as mãos nos bolsos da calça - Não tô vigiando vocês! Longe disso, só vim saber como estava seu ferimento!
Jungkook se levantou rapidamente da cama de V e ficou corado.
- N-não! Tá tudo bem com o ferimento né ? - ele a cutucou com o cotovelo - S-superficial né? Já tá arrumado aqui! Sua irmã é uma ótima enfermeira.
JK apontou para o curativo, sem graça pelo possível flagra do irmão de . Enquanto V segurava o riso junto a .
- O jantar está pronto! Quando vocês quiserem descer! - Taehyung piscou para a irmã -
segurou uma das mãos de JK e então levou a mesma até seus lábios.
- Você salvou a minha vida JK!
- E eu faria tudo de novo!
Os dois se abraçaram e Jungkook ficou ali fazendo alguns carinhos nas costas dela.
Vigésimo Sétimo Capítulo - Your eyes tell
Abriu a porta do escritório e lá estava ele, sorrindo para o celular. revirou os olhos por baixo dos óculos escuros.
- Bom dia curupira júnior!
- Bom dia! - ele respondeu ainda olhando para o celular -
bufou baixinho, enquanto lembrava da voz dele: “eu já estou a fim de outra pessoa”. Deveria ser com ela que Jimin falava enquanto sorria para a tela do celular. Quem seria ela? tentou imaginar e uma infinidade de possibilidades passou pela sua cabeça enquanto tirava o notebook da bolsa, será que ela era loira? Ou seria morena? Ou quem sabe ruiva? Ela seria bonita? Será que eles haviam se conhecido onde? Ela ligou o notebook, voltou a olhar ele cantarolando enquanto mexia no notebook. Revirou os olhos outra vez. Porque ele estava tão feliz? Há quanto tempo será que ele estava conversando com a tal?
Umedeceu os lábios com a ponta da língua e então bateu as pontas das unhas - sempre bem feitas - na mesa. Ele sempre protestava quando ela o fazia, e até agora ele estava apenas cantarolando, chegou até a fazer um microfone imaginário com a mão. sentiu o rosto arder. Ele não reagiria?
Lançou mais um olhar na direção dele quando o celular dele voltou a brilhar sobre a mesa, outro sorriso. fechou os olhos com força, estava com ódio! Dela mesma no caso, afinal de contas porque ela estava se importando com isso? Abriu os olhos, ainda irritada e lá estava ele, digitando freneticamente, com um sorriso nos lábios. sentiu raiva por achar o sorriso dele tão bonito naquele momento.
- Estou tão bonito assim hoje, para você não conseguir tirar os olhos de mim? - ele soltou, debochado -
sentiu o rosto voltar a esquentar de ódio e então virou a cadeira de volta para a posição correta.
- Idiota! - soltou enquanto ouvia ele gargalhar em sua mesa - Você é rídiculo Park Jimin!
E assim e Jimin passaram o dia, com ela olhando a todo momento para ele: as vezes apenas pelo canto do olho, outros momentos o encarava descaradamente e ele nem parecia perceber, absorto na tela do celular, sorrindo que nem um bobo, fazendo querer berrar de ódio.
Almoçaram, tomaram seus cafés e quando faltavam cerca de trinta minutos para o fim do expediente o chefe ligou no ramal de e a chamou em sua sala.
- Certeza que é bucha! Quer ver?
- Hã? - Jimin ergueu a cabeça guardando o celular no bolso -
o fuzilou com o olhar e ele mandou um beijo para ela com a mão.
- , preciso que você ou o Jimin me entreguem uma demanda ainda hoje! Não importa o horário, só precisa ser ainda hoje! Se vocês quiserem fazer juntos, ok! Mandei agora para o e-mail de vocês! Me desculpe! Mas você é aquele cliente de ontem e bom, ele não ficou muito satisfeito, sabe como são essas coisas né?
soltou um sorriso amarelo enquanto fazia que sim com a cabeça. Em plena sexta-feira? Aquilo só podia ser algum castigo! Voltou para sala e encontrou Jimin concentrado no computador dessa vez e então os dois se olharam.
- Eu não posso ficar !
- Como não Jimin? Você sempre fica! - ela cruzou os braços, emburrada -
- Eu já tenho um compromisso para quando sair daqui! Não vai dá! E outra, aqui no e-mail diz que tanto faz eu ou você fazermos! Fazer juntos é opcional!
sentiu mais uma vez o rosto esquentar e as mãos começaram a suar enquanto observava ele começar a guardar suas coisas.
- Jimin, nós somos uma equipe, esqueceu? Não posso fazer isso sozinha! Afinal de contas, o primeiro esboço fizemos juntos!
- Mas não dá ! Eu não posso ficar! - ele bateu as mãos na lateral das pernas, começando a perder a paciência -
- Amanhã é sábado, você pode muito bem remarcar esse tal compromisso para amanhã!
deu alguns passos ficando mais próxima a ele na mesa. Que soltou um suspiro, parecendo cansado demais para explicar as coisas para a colega.
- Não, eu não posso! - respondeu Jimin, seco, enquanto voltava a guardar suas coisas -
- Irresponsável! - ela deu mais dois passos -
- Mimada! - ele a encarou -
As duas mãos dela se ergueram e foram parar bem no peito de Jimin, enquanto ela se preparava para lhe dar um empurrão, frustrada com o comentário do amigo.
- Mimada? Você provavelmente está deixando de cumprir seus compromissos do trabalho para ir atrás de mulher e eu que sou mimada? Me faça o favor Jimin, você acha que... - antes de as mãos dela lhe impulsionarem para trás, Jimin segurou os pulsos de , passando-os para trás de seu pescoço e colando o corpo dos dois -
Suas mãos soltaram seus pulsos e desceram para sua cintura, apertou com força o local e então colou os lábios no dela.
assustada não reagiu de primeira, mas quando a língua dele pediu passagem, ela sentiu as pernas fraquejarem e então arranhou a nuca de Jimin antes de deixar o beijo prosseguir. Os dois respiravam alto e Jimin pausou o beijo para deixar uma mordida no lábio inferior de que apertou a cintura dele, já que as mãos dela agora subiam e desciam por suas costas. Assim que tomou a boca dela novamente as mãos de Jimin se embrenharam em seu cabelo, e ele dava leves puxões por lá, então foi a vez de mordiscar levemente os lábios dele. sentiu que o corpo dele havia reagido ás mordidas, assim que sentiu o membro dele começar a ficar rígido dentro da calça quando ele pressionou os corpos. Num lapso de sanidade, conseguiu soltar os lábios dos dele.
Os dois respiravam pesada e rapidamente e as mãos de Jimin ainda seguravam o rosto de , que não conseguiu reagir ao abrir os olhos e encarar os de Jimin ainda fechados. conseguiu finalmente se soltar dos braços dele e então os olhos de Jimin se abriram, o olhar dele ainda exalava luxúria e engoliu seco, tentando colocar a cabeça no lugar.
- Foi a única forma que eu encontrei de te fazer calar a boca!
se afastou mais um pouco, saindo da mesa de Jimin e voltando para a sua enquanto ajeitava o cabelo que parecia estar levemente bagunçado. Jimin voltou a arrumar as coisas antes de desligar o notebook.
- Você é maluco? A gente tá na empresa! E se alguém pega a gente? Estamos os dois na rua Jimin!
Jimin passou as mãos pelos cabelos, bagunçando-os enquanto ainda sentia o sangue pulsar em seu membro. Ele estava confuso.
- Meu compromisso é com a minha mãe! - ele cuspiu, ainda confuso - O meu padrasto viajou e ela vai finalmente conseguir conhecer o meu apartamento e eu vou finalmente poder vê-la! Não posso marcar para outro dia porque amanhã ele volta!
Jimin guardou o notebook dentro da pasta e então os dois se olharam. Os lábios de ambos ainda estavam vermelhos e inchados pela intensidade do beijo trocado segundos antes. abaixou a cabeça, primeiro porque não queria fazer um contato visual com ele ainda, depois porque se sentiu envergonhada por ter imaginado que o encontro seria com uma mulher e especialmente pela crise de ciúmes ridícula que ela tinha protagonizado antes do tal beijo acontecer.
- Tudo bem! Pode ir! Deixa que eu faço a demanda aqui! Vai!
Jimin assentiu e colocou a pasta no ombro, soltou um suspiro alto e então Jimin abriu a porta e se colocou do lado de fora da mesma. Os dois voltaram a se encarar e então soltou:
- Não tem mulher nenhuma! - ele piscou o olho direito enquanto sorria e então fechou a porta -
passou uma das mãos pelos lábios recém beijados, ainda sentindo o gosto de Jimin e se sentou com força em sua cadeira, colocando as mãos sobre o rosto, tapando o mesmo enquanto abafava o grito:
- Eu te odeio, Park Jimin!
Vigésimo Oitavo Capítulo - A different beat
gargalhava de algo que comentava sobre o DJ do bar e então elas escolheram uma mesa na parte interna do mesmo. vislumbrou o lugar que tanto havia sentido falta durante a viagem e concluiu: não havia mudado nadinha. Estava feliz por estar em seu bar preferido outra vez, depois de tanto tempo. Assim que elas se sentaram, solicitou que o garçom juntasse mais uma mesa à delas e então as amigas a encararam.
- Ah, eu esqueci de falar meninas! Tomei a liberdade de chamar o Hoseok e o Jimin!
sentiu a garganta fechar e o beijo trocado na noite anterior ecoou em sua mente. Ela achou que teria que encarar Jimin após o ocorrido apenas na segunda-feira, e não a estava ajudando. Mas não culparia a amiga, afinal de contas ela não fazia ideia do ocorrido e da confusão que a cabeça dela estava com relação a isso. Ela estava tentando afirmar para si mesma que aquele beijo não havia significado nada.
- E o tal do Namjoon? Achei que dessa vez você ia chamar ele! Quando eu vou conhecer esse?
sentiu as bochechas esquentarem com a simples menção de Namjoon e então sorriu para a sem mostrar os dentes enquanto ela e gargalhavam.
- Como eu já tinha chamado o Hoseok e o Jimin, fiquei sem graça de chamar o Namjoon! Eu não sei como eu lidaria com os dois num lugar só! Ainda não estou preparada para esse evento! E sobre você conhecê-lo amiga, eu não sei! Ele é meio fechadão sabe? Trabalha muito, mas vai dar certo!
Enquanto elas conversavam sobre bebidas, os amigos chegavam. Os olhares de e Jimin se cruzaram primeiro, e então sentiu as mãos tremerem levemente.
Jimin lançou um olhar discreto para a mesa das garotas e os seus olhos bateram direito em . O coração dele vibrou dentro do peito. Umedeceu os lábios sem conseguir tirar os olhos dela. Fora do escritório ela era ainda mais bonita e ele se amaldiçoou por desejar beijá-la de novo. Será que o clima estaria propício para algo do gênero?
Os dois se aproximaram da mesa e então que estava na ponta se levantou, depositando um beijo na bochecha de Jimin que retribuiu e então ela fez o mesmo com Hoseok. Jimin abraçou , depositando um beijo na testa da amiga e então ele ficou frente a frente com que estava de pé. O olhar dele desceu pelo corpo dela, o vestido preto colado fez o coração de Jimin querer saltar definitivamente do peito. Então ele segurou o rosto dela com uma das mãos e depositou um beijo demorado no canto da boca dela. Após isso ele a viu ficar vermelha.
- Que isso curupira Júnior? Que intimidade é essa? - e então ela raspou a garganta erguendo a mão na direção de Hoseok e desviando o olhar -
Jimin sentiu o coração murchar no peito. Então seria assim? Como se nada tivesse acontecido entre eles? Mas também o que ele esperava? O beijo havia sido trocado apenas no calor do momento e foi dado apenas para que ela calasse a boca. Pelo menos era isso que Jimin estava dizendo a si mesmo agora.
acabou oferecendo o lugar dela para Hoseok, que sem graça recusou, dizendo que ela poderia ficar, mas insistiu que ele se sentasse ao lado de e então ele o fez. Jimin se sentou ao lado de , ficando na frente de , que não direcionava o olhar na direção dele.
mais uma vez tomou a liberdade de passar um dos braços envolta do pescoço de Hoseok, que mesmo sem jeito, não recusou a investida, especialmente quando ela inclinou o rosto e encostou o nariz em seu pescoço, aspirando o cheiro dele para dentro das narinas dela. Amava o cheiro dele com todas as forças. Hoseok arrepiou e soltou um sorriso tímido na direção dela.
- Por favor, nunca troque de perfume Hoseok! Eu amo esse!
E então ele apertou a mão dela por baixo da mesa, entrelaçando os dedos nos dela.
- Seu pedido é uma ordem! - depositou um beijo demorado na bochecha dela -
Hoseok não sabia direito como agir ao lado dela depois do beijo intenso que trocaram na casa de Jimin. Os dois nunca mais haviam se beijado, mas ela vinha sendo sempre tão carinhosa com ele nos encontros pós beijo que ele ficava confuso. Ele poderia beijá-la de novo? Deveria fazer isso na frente dos amigos dela ou somente quando tivesse uma oportunidade de ficar a sós com ela? Ele pensava se desejava um outro beijo tanto quanto ele…
Os amigos pediram algumas bebidas enquanto engataram um assunto qualquer, havia gostado dos rapazes, eles eram muito divertidos e a faziam rir bastante. Ficou feliz em conhecê-los.
Depois de algumas bebidas foi ao banheiro sozinha e Jimin se levantou alegando que precisava ir ao banheiro também, deixando os outros três sozinhos rindo de algo que Hoseok falava, provavelmente nem notariam a ausência dos dois.
Assim que saiu do banheiro deu de cara com Jimin escorado na parede que havia em frente ao mesmo com os braços cruzados abaixo do peito. A jaqueta de couro preta que ele usava fazia querer tirá-la, apesar de ela ser linda e combinar absurdamente com ele.
- Você não pode usar esse banheiro aqui curupira Júnior! Esse é feminino, honey!
apertou o queixo dele rapidamente enquanto passava por ele. Jimin a segurou novamente pelo pulso fazendo-a parar. Os dois se olharam.
- Você vai mesmo fingir que nada aconteceu ontem?
O olhar dele desceu para a boca rosada de . Desejou novamente poder repetir o beijo de ontem.
- Não faço a menor ideia do que você está falando!
soltou bruscamente seu pulso da mão de Jimin e saiu, voltando para a mesa. Jimin fechou os olhos com força sentindo raiva. Ele travou o maxilar e então entrou no banheiro.
e adentraram o bar, que por sorte ainda tinha uma mesa disponível e então observaram o grupo de amigos de , , , Hoseok e Jimin enquanto eles se divertiam, rindo alto e erguendo os copos para um brinde. sentiu o estômago embrulhar. aproveitou a passagem das duas e questionou educadamente se uma das duas poderia tirar uma foto, o que também educadamente respondeu que sim, enquanto soltava um sorriso sem mostrar os dentes para os presentes na mesa. Assim que a foto foi tirada, no celular de , ela agradeceu às duas garotas, que logo foram para sua mesa.
Assim que ambas se sentaram, bufou.
- Eu não acredito que vou perder o restante da minha juventude por uma irresponsabilidade de uma noite só! E ainda por um cara que eu nem sei se vai querer se envolver!
- Ele ainda não te ligou amiga? - segurou a mão dela sobre a mesa -
- Não, ! Eu to começando a ficar com medo de ele sumir!
Os olhos dela marejaram e então resolveu mudar de assunto.
informou que precisava ir ao banheiro e então os amigos assentiram e questionou se ela precisava de companhia, o que a amiga dispensou então voltou a segurar a mão de Hoseok por baixo da mesa.
V adentrou o bar primeiro e deu uma rápida olhada pelo lugar, da parte externa dele mesmo, e então Jin se aproximou segurando o ombro do amigo, também olhando ao redor. Sentiu os pelos se arrepiarem com a rajada de vento que bateu em seu rosto e corpo, mas aquele arrepio não era de frio. Era como se a sua intuição quisesse lhe dizer algo…
- Acho que não tem mesa Jin! - V cochichou perto do ouvido do amigo -
Jin ficou na ponta dos pés, passando o olhar pelas mesas e de fato, não havia nenhuma vaga.
- Você quer esperar vagar alguma mesa, amigo? - Jin perguntou á V -
- Não! Bora para outro lugar! - os dois assentiram enquanto se retiravam do lugar –
retornou para a mesa enquanto ajeitava os cabelos e comentou:
- Você demorou amiga! - ela ergueu uma sobrancelha -
- Tinha uma fila para entrar, as cabines estavam todas ocupadas!
- É, tá bem cheio aqui agora! Acho que nem tem mesa mais! - Hoseok rodou a cabeça pelo lugar -
Depois de muitas cervejas e drinks trocados, já se sentia levemente alterada e gostava da sensação, já que durante a viagem ela não teve coragem de ficar bêbada em lugares que não conhecia ninguém. Ali com os amigos, se sentia segura e livre o suficiente para então o fazê-lo.
- Amigas! - chamou a atenção das mesmas que a olharam - Eu conheci um boy na viagem! E estou apaixonada!
As amigas sabiam que mesmo começando a ficar bêbada, estava justamente se aproveitando daquele momento para contar a elas algo que sóbria não conseguiria.
- Amiga, jura? - jogou o corpo mais para frente se segurando nas pernas de Hoseok que a segurou pela cintura com medo que ela caísse da cadeira -
- Como assim ? Quem é o boy? Ele tem amigos solteiros? - Jimin revirou os olhos com força enquanto virava o copo de cerveja na boca escutando questionar -
gargalhou e então umedeceu os lábios. Voltou a se lembrar da noite que havia tido com Jin, droga! Não era uma boa ideia lembrar daquilo enquanto estava bêbada.
- Não, e quantos anos ele tem? Você conheceu ele onde, ?
- Ele mora lá? - berrou, empolgada -
- Você está conversando com ele? - jogou ainda mais o corpo para frente -
- Vai encontrar com ele de novo algum dia?
Hoseok e Jimin gargalharam com a metralhadora de perguntas que as meninas haviam virado com o simples fato de a amiga ter dito que havia conhecido um cara.
- Vocês transaram ou foi só beijos? - Hoseok arregalou os olhos com a pergunta direta de -
Ele depositou as duas mãos na cintura dela, trazendo-a de volta para o encosto da cadeira e deu um tapinha na perna dela.
- ? - as meninas gargalharam enquanto Hoseok ficava vermelho - Isso é pergunta que se faça?
- O que que tem? - devolveu depois de gargalhar - Nós também conversamos sobre essas coisas Hoseok!
- Mas eu e o Jimin estamos aqui! A pode ficar sem graça.
apertou as bochechas de Hoseok de forma desajeitada.
- Fica tranquilo Hoseok! Não tem problema! Nós somos amigos!
Hoseok assentiu com a cabeça enquanto os outros riam.
- E então? - bebeu mais um gole do drink -
- É segredo! Ninguém pode saber, nem vocês! - sorriu enquanto passava os dedos sobre a pulseira embaixo da mesa -
Nunca havia tirado a pulseira do pulso, ela havia se tornado uma espécie de amuleto. Então ela depositou um beijinho delicado sobre a mesma, enquanto os amigos protestavam.
abriu a bolsa para pegar o batom dentro da mesma e então o celular vibrou e a tela brilhava. Pegou então o celular e leu o nome de Namjoon na tela. Olhou da tela do celular para Hoseok que conversava empolgado com e Jimin enquanto também checava o celular. desbloqueou o mesmo e então leu a mensagem:
“Vai fazer alguma coisa por agora? Porque eu pensei, de sei lá, a gente sair! Queria ver você…”
O coração de acelerou dentro do peito com a mensagem e ela travou. Saiu da conversa dele e então correu para a conversa com : “vamos ao banheiro? Preciso da sua ajuda!” e então ela guardou o celular no bolso da calça que usava, deixou um carinho na bochecha de Hoseok e se levantou indo na direção do banheiro e foi logo atrás.
- O que foi? - encostou uma das mãos nas costas da amiga enquanto ela depositava as duas mãos no mármore da pia do banheiro -
- O Namjoon mandou mensagem! Olha!
entregou o celular desbloqueado na mensagem para , que sorriu e depois soltou uma gargalhada.
- Ê dona Flor e seus dois maridos! - balançou a cabeça rindo -
- Para! Quando vocês fazem esses comentários eu fico me sentindo mal!
- Deixa que eu respondo ele! Vou falar que sou eu, e que hoje você está comigo, que a vez é minha! E ele que tente amanhã! - piscou -
suspirou aliviada e então jogou um pouco de água na nuca enquanto gravava uma mensagem de voz para o amigo. retocou o batom que havia saído com as bebidas e então entregou o celular para ela.
- Ele disse que já que é comigo que você está, ele não vai contestar! E desejou que a gente se divertisse.
- Amiga! - abraçou - Eu to muito errada?
- Claro que não ! Relaxa! Vamos voltar lá pra mesa! Amanhã você manda uma mensagem para ele, se explicando melhor e fica tudo bem!
se sentia estranha de estar com Hoseok enquanto Namjoon achava que ela estava somente com e se sentia mal por Hoseok estar sentado lá, sem saber que ela estava respondendo a mensagem de outro homem. Se olhou no espelho uma última vez e então voltaram para a mesa.
sentou-se novamente ao lado de Hoseok, que agora olhava para ela.
- Tudo bem? - ele questionou baixo para que só ela ouvisse -
assentiu, ainda se sentindo estranha e então ela colocou a mão sobre a perna dele, deixando a mesma descansar ali.
- E aí meus amigos? - direcionou o olhar para e Hoseok - Não vai rolar nem um beijinho mesmo? Nadinha?
sorriu, sapeca e Jimin incentivou.
- Poxa, verdade! Eu sou a pessoa que mais shippa vocês dois nessa mesa! Mereço presenciar um beijinho!
Hoseok desviou o olhar da mesa, olhando para cima enquanto soltava uma de suas gargalhadas e ficava corado.
- Eu também quero! - incentivou colocando uma mão sobre a coxa de Hoseok enquanto ria -
- Para gente! - interviu - Vocês sabem que o Hoseok é tímido! Não façam isso!
aconchegou o rosto no pescoço de Hoseok, depositando um beijo rápido por lá. Só aí então Hoseok voltou o olhar para baixo, mas precisamente para . Bom, ele queria desesperadamente beijá-la de novo. Assim que ela levantou o rosto outra vez, ele segurou o rosto dela com uma das mãos e aproximou o nariz do dela, fazendo um carinho no mesmo com seu próprio nariz e fechou os olhos. Hoseok encostou a boca na dela e então a beijou. Os amigos ficaram eufóricos, as garotas soltaram gritinhos de felicidade e Jimin batia a mão na mesa enquanto gargalhava.
Os dois ainda absortos no beijo, não deram ligação. O beijo dessa vez fora lento e um pouco mais molhado que o primeiro, já que nesse eles não tinham tanta urgência pelos lábios um do outro. deixou uma mordida no lábio inferior dele que ouviu os amigos gozarem deles na mesa e então foi a vez dele esconder o rosto no pescoço de .
Enquanto isso, V e Jin pediam mais uma cerveja ao garçom. V verificou o celular e bom, estava online, então ele arriscou:
“Aonde você está?” ele enviou um emoji fofo após o ponto de interrogação.
viu o nome dele brilhar na tela e sorriu.
“Estou no Garage, com a ! E você?” ela olhou a amiga que calada, apenas observava as outras mesas.
Ao ler a mensagem V bateu a mão na testa, atraindo a atenção do amigo.
- Que foi cabeção?
V voltou a digitar no celular: “Nossa! Acredita que eu passei ai com um amigo e estava lotado! Não tinha nenhuma mesa! Não vi você, infelizmente!” E um emoji triste.
Logo respondeu: “Ah, não acredito V! A anda bem deprê, o pai do bebê ainda não apareceu! Quis trazer ela aqui para ver se conseguia ajudar, sabe?”
- A está lá no Garage! Acredita?
- Quer fechar aqui e passar lá? - Jin ajeitou as mangas da blusa de lã branca que ele usava -
- Não cara! Ela tá com a melhor amiga lá, que tá passando por um momento difícil, melhor deixar esse momento só para elas mesmo! - Jin fez que sim com a cabeça enquanto tomava um gole de sua cerveja. -
E começa a cruzar as linhas no fino tear do destino.
Vigésimo Nono Capítulo - Lights
Fechou a porta atrás de si e então se dirigiu à sua secretária. A questionou quantos pacientes ele ainda tinha e ela respondeu que apenas mais dois: um agora às quatorze e outro às quinze. Suga agradeceu e voltou para seu consultório, estava decidido, seria hoje! Aproveitaria que a agenda não estava apertada, pegou o papel guardado dentro de sua agenda e então discou os números dela, colocando o telefone celular no ouvido logo em seguida. Roeu a unha do dedão enquanto o telefone dela chamava.
- Alô? - o coração dele gelou quando ouviu a voz dela -
- ? - ele tirou o dedo da boca -
- Isso! - ela respondeu - Quem é?
- Suga!
Foi a vez do coração de gelar. Ela se sentou no sofá enquanto trocava o celular de ouvido.
- Oi Suga! - ela mordeu o lábio, com medo -
- A gente pode se encontrar ainda hoje? - ele deu um clique na caneta para tentar afastar o nervosismo -
- Pode! Claro! Aonde?
- Pode ser no meu apartamento mesmo? - ele deu outro clique na caneta -
- Sem problemas! - apertou um lábio no outro, nervosa -
- Você ainda sabe o endereço?
- Sei sim! Que horas?
- Ás dezessete!
- Ok! Até então!
E ela desligou. Suga ainda ficou olhando a tela do celular por alguns segundos sentindo o coração voltar a bater normalmente dentro do peito, e então sua secretária perguntou se o paciente já podia entrar e ele disse que sim. Pediu ao Universo que as horas passassem logo, para que ele pudesse resolver logo esse assunto.
engoliu seco e então atravessou a rua e mais uma vez adentrou a guarita.
- Boa tarde! - ela cumprimentou o porteiro que a cumprimentou de volta - Eu preciso falar com o Suga! Não sei muito bem qual o apartamento dele!
coçou a cabeça e o porteiro franziu a testa.
- Como é o nome? - ela repetiu devagar - Moça, não tem ninguém morando aqui com esse nome não! Tem certeza?
fechou os olhos suspirando pesadamente, só faltava o filho da puta ter mentido o nome! pediu um momento e então ligou para Suga que a atendeu quase imediatamente, como se já esperasse por alguma ligação dela.
- Suga? - ela mordeu o lábio - Eu to aqui na sua portaria e o porteiro disse que não mora ninguém chamado Suga no prédio!
Ela ouviu a risada seca dele do outro lado.
- To descendo para te liberar! - e desligou -
sorriu para o porteiro, um tanto quanto sem graça enquanto aguardava por Suga. Alguns minutinhos depois ele apareceu.
- Seu Lourenço! - ele cumprimentou o porteiro - O Suga sou eu! Pode liberar ela para mim?
Os dois riram e quis revirar os olhos.
- Ô, meu filho me desculpa, viu? - Suga disse que não tinha problemas e então foi liberada -
Os dois acenaram um para o outro com a cabeça e então começou a segui-lo. Durante o caminho: silêncio. No elevador: silêncio. Chegaram ao andar dele: silêncio. Suga abriu a porta do apartamento e deixou que entrasse primeiro ao recinto. Assim que adentrou o lugar o observou detalhadamente: a decoração era bem clean, as paredes brancas, um balcão dividia a sala da cozinha, e por ali havia um piano. Ele sempre estivera ali? Ela bateu o olho no sofá e então foi invadida por uma súbita lembrança: Suga por cima dela ali naquele mesmo sofá bege, enquanto os dois se beijavam e ela tentava arrancar a camiseta dele.
- Senta! Fica à vontade! Você aceita uma água, ou um café? Tem chá também!
tentou disfarçar as bochechas vermelhas pela lembrança fora de hora.
- Água, por favor! - ela retirou a bolsa do ombro e a depositou sobre o sofá, sentando-se -
Suga a deixou sozinha por alguns minutos enquanto ia para a cozinha e então a mão dela passou delicadamente pelo sofá. Lembrou-se dele mordiscando sua orelha enquanto falava coisas desconexas. Arrepiou e balançou a cabeça afastando os pensamentos.
- Aqui! - ela pegou o copo da mão dele bebendo o líquido - Os seus exames !
Suga depositou os envelopes ao lado da bolsa dela no sofá e então se sentou ao lado dela no mesmo. Silêncio outra vez. Até que Suga o quebrou:
- Tem certeza que não transou com mais ninguém naquele período? - ele mordeu o lábio inferior -
respirou fundo, alinhando os chakras. Que pergunta estúpida, ela pensou!
- Tenho Suga! Minha vida sexual não é muito movimentada! Só transei com você! Mas faço questão que você faça o DNA! Não quero que haja dúvidas!
Suga balançou a mão no ar, um pouco indignado com a reação dela.
- Não! Não quero DNA! Eu acredito em você! E também acredito que o bebê é meu!
- Onde está a sua namorada? - coçou a nuca, exposta por causa do coque que ela usava -
Suga fez uma careta com os lábios e então soltou um suspiro, passando as mãos pelo rosto.
- Bom, agora ex namorada! Quer dizer, novamente minha ex namorada.
abriu um pouco a boca, surpresa.
- Me desculpe! Eu não fazia ideia que vocês tinham se entendido e voltado! Eu não quis causar isso.
- Imagina! Você não tem culpa de nada!
estava um tanto quanto surpresa com a educação em que ele a estava tratando, nem parecia o mesmo homem que mal havia olhado em sua cara no dia seguinte de uma noite de sexo.
- Olha, - ele pausou - Eu quero estar presente na vida do bebê! Quero ser um pai de verdade!
Suga suspirou, lembrando-se da própria vida familiar e do quanto ele queria que para o filho ou filha, tudo fosse diferente. sentiu o coração ficar quente dentro do peito. Ela não criaria a criança sozinha! Que alívio ela estava sentindo.
- Eu sei o quanto é importante a presença do pai na vida de uma criança! Você pode contar comigo, durante todo o processo da gravidez e depois também! Tanto emocionalmente quanto financeiramente.
assentiu sentindo os olhos marejados de felicidade pela notícia.
- Obrigada por não ser um babaca nesse momento Suga! - ela limpou duas lágrimas -
- Não precisa me agradecer, é o mínimo que eu posso fazer! Escuta, - ele coçou a parte de trás da cabeça - Você tem convênio médico?
fez que não com a cabeça, afinal de contas era demais uma garçonete ter convênio médico.
- Então eu já vou providenciar isso! - ele balançava a cabeça positivamente, como se a afirmação fosse mais para ele mesmo do que para ela - E eu perdi alguma consulta ou algum exame nesse período?
- Não! Esse ultrassom aqui, - ela tocou o envelope sobre o sofá - Eu só fiz para dar mais credibilidade à notícia! Não comecei nada ainda, porque eu estava esperando a sua reação.
Suga assentiu com a cabeça, cruzando as pernas.
- Então marque o mais rápido o possível! Enquanto você tá sem convênio, eu pago! Marca em algum médico da sua confiança! E me avisa, porque eu quero acompanhar todas essas coisas! Ok?
balançava a cabeça, ainda meio incrédula. Ele estava sendo incrível!
- Pode deixar! Eu vou te manter informado dessas coisas, e bom, de todas as outras também!
Os dois se olharam, ficando em silêncio outra vez. Suga reparou que os olhos dela eram de um mel tão intenso, ele jamais havia visto olhos iguais aos dela, e como ela era bonita! também observou o quanto ele continuava bonito, na verdade ainda mais, agora que ela estava sóbria. Os dois continuaram se encarando por um tempo, em completo silêncio, até que se levantou do sofá, pegando a bolsa e os exames.
- Tá bom então! Vou marcar a consulta e te aviso! Vou indo, porque eu preciso ir pro trabalho agora.
- Você faz o quê mesmo? - ele voltou a coçar a parte de trás da cabeça - Me desculpe não me lembrar!
- Imagina! Também, minha profissão não é tão memorável assim! Sou garçonete!
Suga umedeceu os lábios com a língua e deixou a mesma lá por alguns segundos.
- Não é meio, pesado? Para uma mulher grávida?
- Eu fico no bar! Só preparo os drinks! Por enquanto não deu nada! - soltou um riso nasalado, voltando a coçar a nuca -
- Vou levar você! - o semblante dela ficou confuso - No seu trabalho!
- Não precisa! - ela ajeitou a bolsa no ombro -
- Precisa sim! Faço questão de te levar!
Suga se levantou do sofá e pegou a chave do carro que estava sobre o balcão junto à sua carteira e então ele e trocaram mais um olhar e então ela concordou. Já no elevador arriscou:
- E você faz o que? Eu nem sei…
- Sou fisioterapeuta! - ele sorriu, pela primeira vez abertamente, mostrando os dentes -
sorriu de volta e ficou um tanto quanto impressionada com a profissão de Suga, ele não tinha cara de fisioterapeuta e então ela riu baixinho com o próprio pensamento.
- Eu me lembro vagamente de você comentar sobre ser formada em algo, ou estou enganado? - ele girou a chave do carro nas mãos -
- Sim! Eu sou formada em pedagogia! - ela sorriu sem mostrar os dentes -
Os dois saíram do elevador e seguiu Suga até chegar ao seu carro. A mesma adentrou o veículo e ouviu ele perguntar enquanto arrumava o cinto de segurança:
- Aonde é o restaurante?
- Ah, fica na Barra! Na Lúcio Costa, sabe? Chama Shiso!
- Sim, a Lúcio Costa é até perto daqui! Vai me ajudando a chegar!
- Claro! Você já foi lá?
- Nunca! - ele ligou o carro se preparando para sair - Sou um cara caseiro!
assentiu e então pôs-se a olhar para frente, observando o caminho. Após alguns minutos olhou para Suga sério, enquanto ele dirigia.
- Seu nome não é Suga? Eu me lembro de achar estranho mesmo no dia.
Suga gargalhou jogando a cabeça para trás e reparou no belo pescoço dele ali, à mostra. Porque ele tinha que ser tão bonito?
- Suga é um apelido! - ele olhou rapidamente para ela e depois voltou a prestar atenção no trânsito - Meu nome é Yoongi!
também voltou a olhar para o trânsito e comentou.
- Bonito! - ao que ele agradeceu -
- , você de fato não pega nenhum peso lá né? E nem fica se esforçando muito e tal, né?
voltou a rir com a preocupação boba dele.
- Eu fico em pé! Talvez esse seja o único esforço maior que eu faça Suga! O restaurante é de um dos melhores amigos do meu pai, e ele me trata como se eu fosse uma filha! Especialmente agora com a gravidez!
Ao olhar Suga quando eles pararam no sinal, ele tinha os olhos semicerrados, meio desconfiado ainda, e voltou a gargalhar. O restante do caminho foi em silêncio e em quinze minutos eles já estavam lá. Antes de descer, Suga a questionou se poderia aproveitar e ficar para o jantar, já que faltavam apenas vinte minutos para o restaurante abrir e disse que claro! Então ela o agradeceu pela carona e disse um “até já” descendo do carro. Suga aproveitou para estacionar o carro numa vaga melhor e então foi mexer no celular para que o tempo passasse até o restaurante abrir. Ele queria se certificar com os próprios olhos de que o trabalho de de fato era tranquilo, e a melhor maneira que encontrou foi ficando para um jantar.
Procurou por ela assim que entrou no restaurante e então quando a encontrou, caminhou em sua direção. Ela conversava com um senhor e ele gargalhava de algo. Suga escorou no balcão, sem jeito e sorriu tímida para ele.
- Senhor Yang, esse é o Yoongi! Pai do meu bebê- sentiu o estômago vibrar, era estranho dizer aquilo em voz alta - Ele vai jantar aqui hoje!
O senhor Yang então, abriu um sorriso enorme e deu algumas batidinhas nas costas de Yoongi que sorriu sem graça, sem mostrar os dentes e depois ergueu a mão para cumprimentar o senhor.
- Vamos escolher uma mesa? Tenho certeza que você vai gostar daqui meu querido!
E então Suga lançou um último olhar para antes de acompanhar Yang.
Os dois conversaram um pouco sobre as especialidades da casa até chegarem numa mesa, não muito longe de onde estava.
- Sei que você vai querer ficar olhando-a! Eu faria a mesma coisa! - Suga sentiu que havia corado - Escuta meu jovem! Tenho muito carinho por essa menina! Ela é quase como uma filha para mim! Eu a vi crescer!
Suga assentiu, prestando atenção no senhor.
- Estou muito feliz que você resolveu ficar ao lado dela! Ela estava com medo de ter que criar o bebê sozinha!
Suga engoliu seco. De fato, a relação dos dois deveria ser de muita confiança, afinal de contas parecia que havia desabafado sobre Suga com o chefe.
- A relação dela com os pais, é um pouco complicada! Então ela se sente muito sozinha! Então poder contar com você, faz muita diferença.
Suga sentiu as palavras do chefe de lhe atingirem, como se fosse um tapa. Ele não fazia ideia de nada daquilo. E era bizarro pensar que ele teria um filho com alguém que ele sabia tão pouco. Sentiu um certo afeto por ao saber que ela tinha problemas com os pais e então ele sentiu orgulho de si mesmo, e pensou que, sim, havia tomado a melhor decisão.
- Pode ficar tranquilo senhor Yang! Eu não vou sair do lado dela!
E então o senhor Yang, parecendo um tanto quanto emocionado, voltou a dar algumas batidinhas nas costas de Suga.
Ele aproveitou o jantar, que por sinal era uma delícia, e enquanto jantava, observou o movimento da casa e claro, observou também trabalhando. Continuava achando que o melhor seria ela se afastar do trabalho… Assim que ele pagou a conta e se despediu do senhor Yang, que ainda parecia emocionado com tudo, ele foi até . A língua pousada no lábio inferior enquanto ela terminava de atender um cliente.
- Gostou do seu jantar? - ela apoiou o queixo na mão enquanto escorava o braço no balcão - E do ambiente? Não faz muito nosso tipo né?
Os dois riram.
- Não! Digo, é bem familiar né? Bastante crianças- ele olhou ao redor - Bom que a gente já vai se acostumando!
O comentário havia pegado de surpresa. Os dois se encararam como se se dessem conta do que havia sido dito. Suga coçou a cabeça e ela a nuca.
- A comida é perfeita! Eu falei disso com o senhor Yang enquanto pagava minha conta! Acredita que ele não queria me cobrar?
gargalhou, fechando os olhos. Ele a observou outra vez…
- Acredito! É bem a cara dele! Que bom que você gostou!
- Você tem intervalos? - ele pausou e colocou a língua no lábio inferior outra vez - Você se alimenta direitinho aqui?
deu um sorrisinho de canto, achando fofo ele voltar a ficar preocupado.
- Sim! Inclusive já já é a minha primeira pausa! Depois, um pouco antes de ir embora é o horário do meu jantar!
- Você traz comida? Ou come daqui?
- Costumo comer daqui! Não precisa ficar preocupado Suga, eu venho me cuidando!
Ele balançou a cabeça que sim enquanto batia a mão no balcão levemente.
- Que horas você acaba aqui?
- Às vinte e três!
Suga ergueu uma sobrancelha. Achou tarde.
- E como você vai embora?
soltou um riso nasalado, lá estava ele de novo!
- De ônibus! O ponto fica a uns dois quarteirões daqui!
- E você vai sozinha? - ele voltou a bater a mão no balcão, preocupado -
- Não! Mais funcionários pegam, então vamos juntos! Calma Yoongi!
ousou colocar a mão sobre a dele, fazendo ele parar de batê-la no balcão.
- Tá bom! Você me manda mensagem quando chegar em casa?
Os dois se olharam e assentiu com a cabeça sendo interrompida por um cliente. Os dois se despediram com um gesto de cabeça e então já dentro do carro Suga ficou pensando em …
Virava-se de um lado para o outro na cama e então resolveu se levantar e acender um cigarro. Enquanto fumava observava que já eram vinte e duas e vinte da noite. sairia dali a quarenta minutos. Fumou seu cigarro com tranquilidade e olhou novamente as horas: vinte e duas e quarenta. Ele a buscaria! Pronto, sem choro, nem vela! Ele não conseguiria acalmar a mente sabendo que ela iria para casa de ônibus aquela hora da noite. Provavelmente ela estaria cansada e sonolenta (devido a gravidez), era perigoso. Vestiu uma calça de moletom preta e uma blusa de manga comprida da mesma cor, jogou um moletom cinza por cima e então pegou outra blusa de moletom, azul. Levaria para ela, porque ela vestia apenas uma jaqueta jeans e ele sabia muito bem que aquelas jaquetas não esquentavam nada.
Escorou-se no capô do carro enquanto observava alguns funcionários saírem do restaurante, e então ela saiu. ria de algo que algum colega falava lá dentro do restaurante e então seu olhar bateu em Suga. Ela parecia estar surpresa e então Suga sorriu, sem mostrar os dentes e acenou. caminhou até ele.
- O que você está fazendo aqui Suga? - ela cruzou os braços para tentar se esquentar do frio - Tá frio para cacete!
- Vim buscar você! Vou te levar em casa! - ele bagunçou os cabelos com a mão livre -
sentiu o coração começar a acelerar dentro do peito. Porque ele estava agindo daquela maneira tão amável? Ela engoliu seco.
- Não precisava! É seguro! Eu juro!
Ouviu os colegas que a esperavam, apressando-a e questionando se ela ia ou não, e Suga sem paciência para os mesmos, respondeu:
- Podem ir! Hoje eu vou levá-la! - tapou a boca com a mão segurando a risada pela cara de Suga para os colegas - Toma! Veste essa blusa! Como você mesmo disse, tá frio para cacete!
Já dentro do carro e com a blusa dele, Suga ligou o carro e escorou a cabeça no encosto do carro, cansada.
- Você já contou para os seus pais? - abriu os olhos instantaneamente sendo pega de surpresa pela pergunta -
imaginou que o senhor Yang havia comentado alguma coisa com ele.
- Não! Ainda não tive coragem!
- Porquê? - ele olhou para ela -
- Eles são complicados Suga! - ela passou as mãos pelo rosto - Especialmente meu pai! Ele é conservador ao extremo, foi um custo para ele me deixar morar com a !Para ele, mulher só sai da casa dos pais para morar na casa do marido! Como eu conto á ele que engravidei numa noite de bebedeira de um cara desconhecido? Eles iam surtar Suga! Não me sinto preparada para isso ainda!
Suga balançava a cabeça, assentindo.
- E você acha que vai conseguir esconder uma gravidez deles por quanto tempo?
engoliu seco. Suga entregou o celular a ela e pediu que ela colocasse o endereço de sua casa.
Ao colocar o celular no suporte que havia no carro foi a vez de perguntar:
- E você? Vai contar para os seus pais quando?
A pergunta havia sido um soco no estômago dele, que baixou a cabeça.
- Eles não estão mais vivos! - se limitou a responder -
- Eu sinto muito! - se sentiu meio idiota -
- Minha mãe adoraria saber que eu vou ser pai! Você não sabe o dia de amanhã ! Precisa contar pros seus pais! Nós vamos juntos, que tal?
soltou uma risada nasalada.
- Meu pai vai fazer mil questionamentos e bom, mesmo você indo junto, ele não vai perder a oportunidade de me humilhar por ter engravidado sem estar num compromisso!
- A gente finge ter um! - ele propôs olhando da tela do celular para ela -
- Ai ele vai exigir que você se case comigo! - ela revirou os olhos -
- A gente dá um jeito nisso depois! Mas nós precisamos contar a eles!
deu de ombros.
- Ok! Depois não fala que eu não te avisei!
- Marca logo então!
Os dois se olharam e ela voltou a escorar a cabeça no encosto do carro.
- É aqui! - ela apontou e Suga parou o carro na porta do pequeno prédio - Obrigada Suga!
Os dois se olharam e ele sorriu sem mostrar os dentes. , nervosa, resolveu segurar o rosto dele com uma das mãos e então ela depositou um beijo rápido na bochecha dele. E então ela desceu.
Suga ainda atônito pelo contato da pele dos dois, abaixou o vidro e gritou por ela.
- Me manda mensagem amanhã? - ele umedeceu os lábios -
sorriu enquanto assentiu e então adentrou o prédio com o coração na boca.
Trigésimo Capítulo - Rendezvous
O sonho da noite anterior havia feito com que ela acordasse ainda desesperada. Havia sonhado outra vez com a morte dos pais adotivos. E todas as vezes que sonhava com isso, a saudade deles batia com força. Arrumou a casa enquanto ouvia suas músicas e então brincou com os animais. Às onze em ponto ela acabou a faxina. Sentou-se no sofá e mexeu no celular um pouco quando se lembrou de Namjoon! Bateu a mão na testa e então ligou para ele. Após alguns toques ela ouviu a voz rouca dele do outro lado.
- Namjoon, são onze da manhã homem! Vamos acordar! - ela gargalhou em seguida -
Namjoon se sentou na cama enquanto sorria ouvindo a gargalhada dela.
- Acordar ouvindo a sua risada foi a melhor coisa que me aconteceu desde ontem!
corou do outro lado. Não estava esperando uma cantada.
- Vai fazer o que hoje? Você costuma almoçar com o seu pai aos domingos, ou algo do tipo?
- Não senhora! - ele descobriu o corpo e se levantou, caminhando para fora do quarto - Não planejei nada! Provavelmente vou passar o dia lendo meus relatórios.
acariciou o gato que havia acabado de pular em seu colo.
- Não vai! - foi a vez dele gargalhar do outro lado - Nós vamos à praia! Você só trabalha homem! Vamos viver um pouco!
- A praia? - ele coçou a cabeça - Tá bom! Vamos à praia!
Os dois se despediram depois de combinar direitinho e então se arrumou, pegou a chave do carro e rumou para o supermercado. Lá ela comprou algumas bebidas e frutas para que pudessem se alimentar antes de almoçarem. Depois passou no posto para abastecer o carro que estava na reserva, e recebeu uma mensagem de Namjoon dizendo que já havia chegado e estava no posto 5 porque o 6 estava lotado. E então ele mandou uma selfie para ela, que riu boba ao ver o rapaz pela foto.
Assim que trancou o carro e correu para atravessar a rua ela ligou para Namjoon, pois não sabia exatamente onde ele estava. Ele atendeu e começou a dar algumas direções para ela que se sentia meio perdida, havia anos que não ia a praia e o sol estava a cegando. Foi quando Namjoon desligou ou a ligação caiu - ela preferiu acreditar na última opção - e quando ia retornar a ligação para ele sentiu duas mãos lhe segurarem a cintura e o logo o corpo dela sendo virado, fazendo com que ela ficasse então frente a frente com Namjoon, que sorriu para ela, mostrando as covinhas que ela tanto gostava. Os dois se abraçaram e Namjoon encaixou o rosto na curva do pescoço dela. A calma que ele sentia todas as vezes que estava com ela ou falava com ela lhe assustava um pouco.
- Eu estava pensando aqui, Joonie. Que tal a gente almoçar primeiro? Que daí a gente aproveita a praia com mais calma! Eu comprei algumas coisas no mercado, na intenção de a gente enganar o estômago até a hora de almoçar, mas bom, acho que a gente pode almoçar, já!
- Hoje você manda! - ele piscou enquanto passava o polegar pela bochecha dela -
Os dois caminharam lado a lado e Namjoon queria poder entrelaçar as mãos nas dela e abraçá-la pela cintura para caminharem, mas ficou sem jeito. O almoço dos dois foi tranquilo e hora ou outra fazia um carinho ou outro na nuca de Namjoon. Os dois voltaram para a praia e Namjoon achou melhor que eles alugassem cadeiras e um guarda-sol, e eles assim fizeram.
- Nem me lembro da última vez que vim à praia! - Namjoon tinha as mãos na cintura enquanto olhava o mar -
- Eu também, acredita? Tem anos! O pessoal de fora costuma achar que quem mora em cidade que tem praia, vem à praia quase todo dia.
- Quando na verdade quem vem uma vez ao mês, ainda vem muito!
- Mas você não serve de base Namjoon! Você vive pelo trabalho! - ela se sentou na cadeira e retirou a blusa que vestia -
Namjoon também se sentou, o rapaz se segurou o máximo que pode, mas quando ela se levantou e retirou os shorts, ficando apenas de biquine, ele não resistiu. Passeou os olhos por toda a extensão do corpo dela. Namjoon engoliu seco enquanto retirava o boné da cabeça e colocava sobre o colo, não queria que ela percebesse que a simples visão dela ali de biquine, havia feito seu corpo reagir. Há quanto tempo ele não transava mesmo? Pensando nisso, deu a razão à garota: ele precisava trabalhar menos.
não reparou se Namjoon a havia olhado ou não, ela apenas voltou sua atenção à ele quando precisou que ele passasse o protetor nas costas dela.
- Você passa para mim, aqui nas costas? - ela ergueu o protetor solar na direção dele -
Namjoon praguejou mentalmente por ter que se levantar da cadeira no estado em que se encontrava e teve receio de que ela percebesse algo, além claro do receio também de “piorar as coisas” lá embaixo. Mas com que desculpa ele recusaria um pedido daqueles?
Namjoon se levantou jogando o boné sobre a cadeira e se virou. Ele engoliu seco quando encostou as mãos nas costas dela. Tentou muito não passear novamente o olhar pelo corpo dela, mas não conseguiu. A vontade de beijá-la havia aumentado drasticamente. fechou os olhos enquanto sentia as mãos quentes dele passearem por suas costas. Assim que ele acabou ela guardou o protetor solar na bolsa e o chamou:
- Vamos entrar um pouquinho? Afinal de contas, fala sério? Não tem graça vir à praia e não entrar no mar né Joonie?
Namjoon assentiu com a cabeça enquanto desabotoava a camisa azul. E quando ele terminou, mordeu o lábio inferior ansiosa para que ele tirasse a blusa logo. Assim que ele retirou a blusa, jogando-a sobre a cadeira, sentiu as pernas fraquejarem levemente. Ele era ainda maior do que ela imaginava. Era um tanto quanto óbvio que ele teria o corpo bonito, mas ela não sabia o quanto. Namjoon direcionou o olhar na direção dela, se questionando se por algum acaso ele teria despertado nela, pelo menos um terço do desejo que ela havia despertado nele?
disfarçou, olhando o mar e então Namjoon começou a aplicar o protetor solar em si mesmo. Até que chegou a vez de Namjoon pedir ajuda a com o protetor. As mãos dela estavam formigando, ansiando tocá-lo. Namjoon então relaxou o corpo ao sentir que as mãos dela passeavam por suas costas, espalhando o protetor por lá. Namjoon voltou a sentir o corpo reagir e então respirou fundo, precisava se controlar.
Assim que ela terminou de lavar as mãos com uma garrafinha d’água que havia comprado, ela ergueu a mesma para Namjoon que a segurou. Os dois gargalharam, por estarem tão sem graça um com o outro sem entenderem o porquê. Caminharam juntos até o mar.
Após alguns “caldos” e muitas risadas, Namjoon decidiu que pelo menos para ele, estava na hora de voltar para o sequinho da praia. Assim que ele se virou de costas para , com a intenção de voltar para onde estavam sentados ele sentiu as pernas dela lhe envolverem a cintura e as mãos lhe abraçarem o pescoço, após o impacto do pulo dela em suas costas, Namjoon gargalhou e ouviu a risada dela ecoar em um de seus ouvidos. Ele segurou as pernas dela e então os dois caminharam assim até chegar à terra firme. Assim que pisaram na areia, Namjoon desceu de suas costas, que ajeitou o biquíni. Namjoon ajeitou os cabelos dela, jogando-os para trás e ela fechou os olhos, colocando as mãos na cintura dele enquanto ele terminava de ajeitar os cabelos dela. aproximou o corpo do dele, colando-os enquanto eles sentiam a água bater em seus pés. Foi a vez de Namjoon fechar os olhos também, com o contato dos corpos, molhados.
Segurou o rosto dela entre as mãos e então roçou levemente os lábios nos dela, numa provocação singela. sorriu e passou levemente a língua pelos lábios de Namjoon, provocando-o de volta. A boca dele engoliu a dela com pressa, como se aquele de fato fosse o primeiro beijo dos dois. subiu as mãos que estavam na cintura dele para as costas, arranhando-as no trajeto e as de Namjoon desceram para a cintura dela, apertando ainda mais o pequeno corpo dela ao seu. O beijo foi ficando ainda mais intenso quando a língua dela pediu permissão para invadir a boca dele, que não ofereceu resistência nenhuma. Dessa vez ele não fez questão de esconder que estava ficando excitado, o que arrancou um gemido sussurrado de nos lábios dele. Aí então os dois desgrudaram os lábios. abraçou Namjoon encostando a cabeça no peito dele, a respiração dele estava acelerada e o peito dele subia e descia rápido. entendeu que eles precisavam de um momento ali ainda, antes de voltarem para suas cadeiras, mas ficou em silêncio, não queria constrangê-lo.
Namjoon segurou o rosto dela entre as mãos e depositou um selinho demorado nos lábios de e então de mãos dadas os dois voltaram para suas cadeiras. Os dois aproveitaram para comer algumas das coisas que havia comprado e dividiram uma água de coco.
Depois passou a observar o mar em silêncio e sentiu a garganta fechar ao ser invadida pela falta dos pais adotivos, e então ela limpou uma lágrima discreta que desceu pela bochecha. O que não passou despercebido por Namjoon, que aproximou a cadeira da dela.
- O que foi? - ele tocou a mão dela -
sorriu sem mostrar os dentes balançando a cabeça em negativa, mas o semblante dela continuava triste.
- Ei! - Namjoon ergueu o rosto dela pelo queixo aproximando o mesmo do dele - Me conta! Pode confiar em mim!
- Nada! É só que hoje sonhei com meus pais! E ai eu fico assim! Ainda tem muito pouco tempo, sabe?
- No nosso primeiro encontro, lá no restaurante, eu me lembro de ter pensado no quão forte eu achei você! Tinha menos tempo ainda e você falou deles com tanta força! Não deu uma vacilada se quer! Ali eu soube que você deveria ser incrível!
sorriu para Namjoon deixando que algumas outras lágrimas escorressem livremente pelo rosto. Namjoon limpou algumas.
- Mas eu choro todos os dias! Especialmente quando chego em casa e me vejo lá, sozinha, sem a risada deles preenchendo aquela casa enorme! Choro enquanto tenho que fazer o jantar sozinha, ou pedir comida só para mim. Fico me lembrando do aconchego dos braços e abraços do meu pai, de como todos os dias antes de eu sair de casa minha mãe me beijava a testa!
fechou os olhos com força, se entregando ao choro.
- Tão estranho carregar uma vida inteira no corpo e ninguém suspeitar dos traumas, das quedas, dos medos, dos choros... - ele apertou a mão dela com força e com a que estava livre ele tentava em vão limpar as lágrimas dela -
também enxugou as lágrimas teimosas enquanto segurava a mão de Namjoon na mesma intensidade.
- Lá, eu me sinto infinitamente sozinha! Eu faço de tudo, mas nada tira essa sensação de dentro de mim! - ela colocou uma das mãos no peito, perto do coração - E às vezes, até no meio das pessoas, eu sinto isso, sabe? É como se faltasse uma parte de mim, e todos os dias eu me pergunto: um dia vai passar?
- Mas você é feliz? Ou essa sensação te rouba a felicidade? - Namjoon acariciou a bochecha dela com o polegar outra vez -
- Para mim, atualmente, companheirismo e lealdade são meio sinônimos de felicidade, sabe? Meus amigos são poucos, mas são muito fortes e muito profundos, são amigos de fé, para quem eu posso telefonar às cinco da manhã e dizer: olha, estou querendo me matar, o que eu faço? Eles me dão liberdade para isso, não tenho relações rápidas, quer dizer, tenho porque todo mundo tem, mas procuro sempre aprofundar. E isso é felicidade, você poder contar com os outros, se sentir cuidado, protegido.
Namjoon engoliu seco, mas assentiu. Ele esperava poder fazer parte dessa parte tão importante para ela o mais rápido o possível, mesmo que o que eles estivessem tendo, não passasse de alguns beijos ou sexo, mas ele queria acima de tudo ser seu amigo também.
- E você se sente assim comigo? Ou ainda é muito cedo para saber?
o encarou dentro dos olhos, e sorriu.
- Claro! Você já é especial para mim!
Namjoon apertou a mão dela outra vez, voltando a se assustar com a calma que ela lhe trazia e sentindo que não importava o que acontecesse com os dois dali para frente, ele a queria sempre por perto.
Trigésimo Primeiro Capítulo - Good Thing
O clima entre os colegas de trabalho havia voltado a ficar um tanto quanto estranho, depois do beijo e especialmente depois do sábado no bar. A segunda havia sido normal, os dois trabalharam, almoçaram, tomaram seus cafés, como se o tal beijo nunca tivesse acontecido. As implicâncias e os xingamentos continuavam iguais, isso pelo menos, não havia mudado. Mas evitava qualquer contato visual mais profundo ou demorado com Jimin, e evitava também ficar muito próxima a ele. Queria evitar que os corpos dos dois pudessem ter algum contato, mesmo que mínimo.
Hoje, uma bela quinta-feira, se sentiu esgotada! Havia trabalhado no abrigo de segunda à quarta, fazia tempos que ela não aparecia por lá e sentia falta da paz que o lugar trazia para ela, ainda mais com a mente tão bagunçada.
Aproveitou para colocar o papo em dia com Namjoon, e por incrível que pareça o assunto não foi única e exclusivamente a amiga, afinal de contas os dois eram amigos e tinham outros assuntos também. Mas não deixou de reparar em como ele corava todas as vezes que o assunto era , ou em como um sorrisinho tímido escapa dos lábios dele. Eles até ligaram para ela de chamada de vídeo em um dos dias, e a amiga achou fofo as interações entre os dois. Gostava muito de ambos.
- Graças a Deus, são dez para as seis! - ela vislumbrou o relógio de pulso enquanto colocava os braços atrás da cabeça -
Jimin abriu a boca para falar algo, mas foi interrompido pelo som do ramal de tocando.
- Ai caramba! O chefe! A uma hora dessas!
- Demanda extra o nome desse telefonema! - Jimin revirou os olhos -
- Oi chefe? - ela atendeu tentando parecer simpática o que fez Jimin gargalhar -
apontou o dedo do meio para ele, que gargalhou ainda mais e o fuzilou com o olhar.
- Tá bom chefe! A gente entrega sim!
Jimin revirou os olhos, ele sabia que era demanda extra! bufou ao desligar o telefone. Ela estava exausta, e bom, queria poder ir para o abrigo hoje, havia até combinado de jantar com Namjoon quando saíssem de lá.
- Dá uma olhada no e-mail Jimin! Tem uma demanda extra bem bacana para a gente!
- Eu sabia! - ele ajeitou as mangas da camisa social preta que usava - A gente tem que entregar quando? Amanhã?
- Hoje ainda! - Jimin arregalou os olhos, fitando que assentiu com a cabeça para ele - Hoje? Mas já são basicamente seis horas da tarde! Temos até que horas?
- Até a meia noite de hoje, e pelo que eu to vendo aqui vai demorar pelo menos umas quatro horas para acabarmos! Droga! Vou ter que desmarcar com o Namjoon!
Jimin ergueu a sobrancelha e fez uma careta. Quem diabos era Namjoon?
- Com quem? - ele fez outra careta -
- Como você é intrometido, meu pai amado! - revirou os olhos - Não te interessa! Cuida da sua vida!
Jimin sentiu as bochechas arderem de raiva enquanto ela digitava freneticamente no celular, provavelmente pro tal Namjoon! Ela estava saindo com alguém? Por isso ignorou o beijo que havia rolado entre eles? Jimin travou o maxilar enquanto voltava novamente sua atenção para a tela do próprio notebook.
- Nam, não vou poder ir hoje pro abrigo! E consequentemente não vamos conseguir jantar! Me desculpa? Surgiu uma demanda extra aqui no trabalho, vou ficar presa aqui por tempo indeterminado! Queria muito ir, mas fazer o que né? Amanhã dá certo! Beijo.
Jimin entreabriu a boca e semicerrou os olhos enquanto voltava a olhar para ela que gravou um áudio para o tal Namjoon. Ele estava incrédulo com aquilo, ela estava sendo carinhosa com outro homem? E na frente dele? Jimin balançou a cabeça em negativo, e então colocou o celular em cima da mesa, mexendo no notebook enquanto a voz do homem ecoava:
“Mesmo pequena? Que pena! Eu já tinha até feito a reserva para gente! Há quanto tempo a gente não consegue um tempo pra jantar junto que nem nos velhos tempos?” e então ele riu. “Mas amanhã deve dar! Me dê noticias hein? Um beijo.”
A boca de Jimin se abriu num completo “O” enquanto ele colocava as mãos sobre a cintura, com as sobrancelhas erguidas. O tal Namjoon parecia ser íntimo até demais dela, a chamando de “pequena”... Jimin sentiu todo seu interior queimar de raiva. Quem ele achava que era para chamá-la de pequena? E, “há quanto tempo não conseguimos sair para jantar como nos velhos tempos.” Ques velhos tempos? A voz do homem era grave e Jimin passou a se questionar como ele seria… estaria tão atraída assim por ele que não conseguia ficar ou pensar em outras pessoas? Travou o maxilar outra vez.
- Vamos começar então? - questionou sem tirar os olhos da tela do computador -
- Não vai responder o Namjoon? - ele perguntou, ácido -
resolveu encará-lo e viu que ele estava levemente vermelho. Achou graça. Ele estava com ciúmes?
- Vou! Daqui a pouco! Pelos barulhos do áudio e pela forma que ele falou, deveria estar dirigindo. Vou esperar…
segurou o riso quando ele ficou ainda mais vermelho.
- Você fica com a parte de cima, e eu com a debaixo, o que acha?
- Acho que deveríamos fazer essa demanda em específico, juntos! Para evitar qualquer falta de alinhamento entre eu e você! E para acabarmos logo, quem sabe não dá até tempo de você ir jantar com o tal Namjoon. - ele fez um bico ao terminar a frase -
voltou a segurar o riso. Coitado! Não sabia da missa a metade.
- Vem então! - ela ajeitou o notebook na mesa -
- Vem você! - ele deu de ombros -
bufou, irritada e cansada enquanto revirava os olhos.
- Não teste a minha paciência Jimin! Eu to exausta! Ando trabalhando muito lá no abrigo também!
- Exausta para trabalhar né? Porque para jantar com o Namjoon tá ok!
Ele fez uma careta com os lábios enquanto revirava os olhos. As veias dele estavam começando a dilatar no braço, de ódio. Porque ele estava daquele jeito?
- Não começa Jimin! - ela subiu o tom de voz -
- Porque? Se lembra que você fez isso comigo semana passada?
sentiu como se Jimin estivesse a esbofeteando nos dois lados do rosto, ao lembrá-la do papelão que ela havia se prestado. E especialmente por tê-la feito se lembrar do maldito beijo.
- Vamos focar no que interessa Jimin? - A cabeça dela latejou ao lembrar da urgência dos lábios dele nos seus e também pelo cansaço - A demanda é longa!
se arrastou com a cadeira até a mesa dele e então os dois se olharam por um período. Os olhos dele pareciam estar mais calmos agora. Não quis ficar muito tempo olhando para os mesmos, não queria se perder lá. Logo os dois se puseram a analisar a demanda, deram uma olhada no perfil do cliente, pois já haviam o atendido antes. Atrás da criação de um logotipo existe um trabalho extenso de pesquisa, um desenvolvimento que parte de pressupostos teóricos do design e da psicologia, envolvendo semiótica, cor, composição, conceito, etc. Para isso, e Jimin sempre levavam um bom tempo para chegar ao símbolo ideal, que fosse bonito e funcional para a necessidade específica do cliente.
E foi isso mesmo que os dois começaram a fazer. bocejava de dez em dez minutos e se espreguiçava em todas as vezes. Os olhos dela começaram a ficar pequenos e Jimin quis abraçá-la, e aninhá-la em seu peito para que ela pudesse descansar. Ela parecia estar mesmo muito cansada. Meia hora depois ela se levantou e informou a Jimin que iria pegar um café para ela, ou então dormiria. Jimin teve uma ideia, mas não sabia se a colega de trabalho entenderia com outros olhos…
Quando ela voltou Jimin, arriscou:
- Arruma suas coisas aí, vamos lá para casa!
- Que? - soltou, sem entender -
- É mais confortável se fizermos isso lá! Vamos acabar com dores nas costas se ficarmos aqui! Além do mais que lá em casa a gente pode por um som, pedir alguma coisa para comer, fazer no sofá ou na cama! Enfim! Anda!
Ele se levantou, desligando o notebook e pegando a pasta. o observou enquanto ele, todo sério, arrumava suas coisas. Ela sentiu o coração querer acelerar, e então balançou a cabeça e foi em direção à sua própria mesa.
- Aonde você mora mesmo? Tenho que ver quanto fica um aplicativo da sua casa para a minha!
- Moro no Catete!
- Tá curupira, mas em que rua? - desligou o notebook também arrumando suas coisas - O Catete é perto de casa.
- Tavares Bastos! Eu te levo em casa depois!
e ele trocaram um olhar. não estava gostando nada daquilo…
- Não precisa! Fica uns dez minutos, vai ficar barato!
Jimin havia acabado de arrumar suas coisas, atravessou a porta e do batente ele viu ela levantar para pegar a bolsa. Ela estava linda com aquela camisa branca.
- Dependendo do horário eu não vou deixar você voltar de Uber sozinha! Mesmo sendo dez minutos ou meia hora!
A voz dele soou firme e apenas assentiu, enquanto arrepiou de leve os pelos da nuca com a intensidade do olhar que ele lançou sobre ela.
O caminho da empresa até a casa de Jimin foi feito em silêncio. Com abrindo a boca para apenas informar que estava morrendo de dor de cabeça. nunca havia ido até o apartamento do colega. Será que ele usava o abajur que ela havia dado? Ou havia guardado num canto qualquer? Assim que os dois subiram as escadas , cansada botou a mão no peito.
- Nossa, mas você nem para alugar um apartamento num prédio que tem elevador Jimin? - ela estava vermelha e respirava pesadamente -
Ao fita-la, Jimin não conseguiu evitar pensar se ela também ficava daquele jeito em outras circunstâncias… E se perguntou brevemente se ela e o tal Namjoon transavam casualmente ou até mesmo regularmente... Balançou a cabeça enquanto girava a chave abrindo a porta. Havia ficado com raiva de si mesmo por pensar naquelas coisas e especialmente por sentir raiva ao pensar sobre esse assunto. Como a própria disse, “ele não tem nada a haver com isso”.
Deu passagem para que ela passasse primeiro, sussurrou um ``licença" enquanto entrava no apartamento. Diferentemente de quando Jimin se mudou, agora havia um sofá na sala e alguns quadros. observou como o apartamento era cheiroso e parecia ser extremamente organizado para um homem. Ela depositou a mochila e a bolsa sobre o sofá e então passou novamente as mãos pelas têmporas, a dor de cabeça havia aumentado.
- Tem aspirina na gaveta da cozinha! Pode pegar lá! Fica á vontade!
Ele caminhou até a mesa que ficava entre a sala e a pequena cozinha, depositou a pasta lá abrindo a mesma.
- Posso tirar os sapatos? - ela perguntou sem jeito -
- Como eu disse: fica à vontade! - ele não a olhou enquanto ligava notebook -
fez uma careta com os lábios, ele parecia estar estressado. retirou os saltos e então ele a observou passar por ele para ir até a cozinha. Ela realmente era pequena, e então ele ouviu a voz de Namjoon ecoar na mente dele: “Mesmo pequena?”. Voltou a observar enquanto ela pegava a água na geladeira. Aquele apelido carinhoso certamente soaria muito melhor se dito por Jimin, e foi o que ele pensou antes de ouvi-la dizer:
- Seu apartamento é muito bonitinho curupira Júnior! Limpinho e bem organizado! Parabéns!
Jimin sorriu sem mostrar os dentes para ela que bebia a água olhando para ele.
- De nada? - ela retrucou, implicando com ele -
- Quando estiver pronta! - ele puxou uma cadeira e se sentou -
Depois ele passou uma das outras cadeiras para o seu lado, o lugar de . Ela fez outra careta com os lábios enquanto enxaguava o copo e voltava para a mesa, se sentando ao lado dele, em silêncio. Achou melhor assim.
- Você bebe vinho? - ele questionou sem mirá-la -
- Bebo! Mas hoje acho que não rola, estou com muita dor de cabeça mesmo!
Jimin assentiu se levantando e indo em direção à pequena cozinha. observou ele pegar uma taça e então o vinho na geladeira, um dos seus preferidos. E aí ele voltou para a mesa se servindo do mesmo.
Logo os dois voltaram para a pesquisa e ouvia ele respirar pesadamente, enquanto a cabeça dela latejava. Os dois começaram a analisar a pesquisa assim que ela acabou e continuava bocejando e bocejando. Quando Jimin começou a fazer algumas anotações importantes sobre a pesquisa ele percebeu que ela estava cochilando, mal conseguindo sustentar a cabeça. Ele soltou uma risada nasalada, achando aquilo fofo e então ele a chamou.
- ? - ele sussurrou de novo pegando em sua coxa quando ela não ouviu da primeira vez -
acordou assustada, olhando para os lados. Até que sua mente se deu conta de onde estava e da demanda.
- Ai! Me desculpa Jimin! Quando percebi você já estava me chamando! - ela passou as mãos pelos olhos esfregando-os -
- Vai deitar um pouco lá no meu quarto!
- Não! Se não, a gente nunca vai terminar isso!
- Eu termino! E prometo não sabotar você! E também prometo que se você não gostar de algo a gente muda! Você está exausta mesmo, e precisa descansar um pouco! Você nem vai conseguir se concentrar nisso aqui direito! Vai deitar lá!
ainda não confiava muito em Jimin quando ele dizia que não iria sabotá-la, mas ele a estava olhando com tanta ternura… E ela estava tão cansada! Se levantou.
- E qual das portas é o seu quarto? - ela olhou pro corredor -
- A que está do lado direito. Tá aberto, só deitar! Eu te chamo quando acabar aqui.
- Tem certeza? Não vai jogar isso na minha cara depois?
- Não ! - ele respondeu ainda a olhando com ternura -
Ela assentiu e então caminhou em direção ao quarto do colega. Jimin sorriu ao observar ela andar cambaleando, tão pequena e tão delicada para o seu quarto.
Ao adentrar o mesmo e acender a luz do cômodo, ela observou as paredes cinzas do quarto de Jimin, as cortinas da mesma cor, mais alguns quadros e um ar condicionado. Haviam duas escrivaninhas, uma de cada lado da cama de casal do garoto e sobre uma delas, lá estava o abajur vermelho que ela havia dado. Ela sorriu e ficou feliz em saber que ele estava usando algo que ela lhe havia dado. Apagou a luz novamente e correu rapidamente até a cama, acendendo o objeto. Deitou-se em seus travesseiros e o cheiro dele impregnou suas narinas, o cheiro forte dele… fechou os olhos, se ajeitando na cama e sentindo ainda mais o cheiro dele. Logo adormeceu.
Depois de algumas horas trabalhando na demanda e algumas taças de vinho, ele finalmente acabou. Enquanto ainda dormia, ele resolveu tomar um banho antes de acordar a colega e assim o fez. Saiu do banheiro e adentrou o quarto, precisava pegar alguma peça de roupa. O lugar estava iluminado pelo abajur que ela lhe dera. Ali, parado na porta, ele observou dormir. Tão calma, a respiração tranquila. Jimin a achava uma das mulheres mais bonitas que ele já conhecera. Todos os seus traços. Ele se aproximou da cama, tentando não fazer barulho, primeiro ele se ajoelhou sobre a mesma, ainda a observando. Ludmila já havia despertado, mas mantinha os olhos fechados. Ela sabia que Jimin estava ali. Ele se deitou ao lado da colega na cama, em frente a ela. Os rostos próximos o suficiente para que a respiração tranquila dela batesse levemente em suas bochechas e nariz. Jimin ergueu uma das mãos, encostando-a na bochecha da colega e então ele depositou um carinho calmo ali enquanto observava cada traço do rosto dela, queria decorá-los. Ele continuou acariciando o rosto dela. sentiu o cheiro dele de banho recém tomado lhe invadir. Era gostoso demais! Então ela abriu os olhos, encarando os dele, que se arregalaram ao perceber que ela havia acordado e o havia pegado ali, acariciando o rosto dela com tanta ternura. Jimin não teve tempo de reagir, as mãos dela lhe seguraram o pescoço e nuca e então o beijou. Um beijo calmo, como se dessa vez ela quisesse conhecer a boca dele. Não tinha aquela urgência maluca do primeiro beijo que haviam trocado, e não havia raiva.
A língua dela invadiu a boca dele, ainda com delicadeza, que cedeu, apenas encostando a língua na dela, o cheiro que exalava do corpo dele ainda úmido estava deixando inebriada então ela subiu as mãos para os cabelos molhados dele. A sensação das mãos quentes dela com os cabelos frios dele, fizeram os sentidos de despertarem. Ela puxou os cabelos loiros dele, que arfou na boca dela enquanto ele descia rapidamente as mãos para a cintura fina dela, trazendo-a para mais perto dele. Só Deus sabia o quanto ele desejou poder beijá-la de novo! Ao apertar a cintura dela com força, Jimin sentiu o membro começar a crescer por baixo da toalha. Que efeito era esse que ela tinha sobre o corpo dele? sentiu o membro dele se encostar em sua barriga, e o corpo todo dela arrepiou. Jimin apertou ainda mais o corpo pequeno dela ao seu enquanto mordia o lábio inferior dela.
sentiu vontade de gemer quando uma das mãos dele desceu até seu bumbum, apertando-o. E ela assim o fez. Jimin gostou do som que ouviu sair dos lábios dela então sorriu antes de voltar a colar a boca na dela. As mãos de continuavam nos cabelos molhados dele enquanto as dele, subiam e desciam por suas costas e nádegas. sentia o membro dele roçar em sua barriga e os arrepios só pioraram. Ela sentia que sua intimidade estava úmida, fazia tempos que ela não sentia aquelas coisas.
Quando já não conseguiam mais ficar sem respirar, Jimin e soltaram os lábios. Os dois se encararam por longos segundos, respirando com dificuldade. Jimin afrouxou o toque das mãos, soltando-a. se sentou na beirada da cama, e logo se levantou, ajeitando a roupa e os cabelos.
- Vou deixar você trocar de roupa! - ela raspou a garganta e saiu do quarto -
Jimin fechou os olhos com força, teria que terminar sozinho.
voltou para a cozinha com o coração à mil. A mente dela estava um turbilhão e mil coisas se passavam dentro dela. Suas roupas estavam levemente úmidas pelo contato tão próximo com o corpo ainda molhado dele. E podia sentir o cheiro dele grudados em suas narinas e ela ainda sentia um incômodo entre as pernas. Maldição! Ela praguejou mentalmente. Aquelas sensações sendo provocadas por Jimin eram completamente erradas na mente dela.
bebeu um copo de água gelada sentindo o coração dela bater em todos os cantos do corpo possíveis. Depois ela viu a silhueta de Jimin na cozinha, atrás dela na geladeira, a impedindo de fechar a mesma. engoliu seco, como ela se recuperaria com ele ali? Cheiroso daquele jeito?
Ela saiu por baixo dos braços dele, indo em direção à mesa. Observou enquanto ele bebia água. O pescoço dele subindo e descendo. Porque ela havia se esquecido de beijar aquele pescoço tão lindo? Balançou a cabeça, concentrando- se em observar o trabalho que Jimin havia feito. Colocou uma das mãos na cintura para observar com mais calma.
- Nossa! - ela o observou se aproximando - Ficou muito bom! Você tá ficando bom nisso curupira Júnior!
- Meu Deus! - ele levou as mãos à boca, retirando-as rapidamente - Isso foi um elogio, Miranda?
Ela quis gargalhar, mas se segurou.
- Não se acostuma não!
E lá estava ela de volta. A boa e velha . Jimin aproveitou que ela havia baixado a guarda, mas não muito e segurou a cintura dela com as duas mãos. Ela depositou as mãos no peito dele. Os dois se olharam, nos olhos. A única coisa que lembra de pensar antes de os lábios de Jimin pressionarem os seus é que ele era o homem mais lindo do mundo!
E então as línguas se chocaram violentamente pela segunda vez naquela noite. Jimin a sentou sobre a mesa e ela passou as pernas em volta dos quadris dele. As intimidades dos dois roçando uma na outra. estava perdendo os sentidos, mordeu com força o lábio dele, que soltou um gemido baixo. As mãos dele adentraram a blusa dela e então uma delas percorreu suas costas, e com a outra ele apertou o seio esquerdo dela sobre o sutiã. sussurrou um gemido no ouvido dele, que sentiu que poderia gozar somente ao ouvi-la gemer. mordeu o lóbulo da orelha dele quando ele apertou o seio dela novamente. As pernas dela apertaram os quadris dele. Até que o celular de Jimin, que estava próximo a eles na mesa começou a tocar e eles leram o nome do chefe da tela. espalmou as mãos nos peitos de Jimin empurrando-o contra a parede e descendo rapidamente da mesa. Mentalmente ela amaldiçoou o chefe, e Jimin o mesmo.
Jimin atendeu o chefe que pediu que eles enviassem o material para ele avaliar e então entrassem no link para conversarem. Jimin estava tão atônito que só conseguiu responder um “tá bom” para o chefe.
Assim que ele desligou o telefone, os olhos dele se encontraram com os de , que ainda pareciam sair faíscas.
- Ele pediu para a gente mandar para ele e entrar no link! - foi o que ele conseguiu dizer -
assentiu. E assim os dois fizeram, enviaram o trabalho para o chefe e entraram no link. O chefe deu uma olhada no ambiente.
- Me desculpem a invasão, mas aonde vocês estão? - ele arqueou as sobrancelhas -
e Jimin se olharam e olhou para baixo, pois sabia que ficaria vermelha. Jimin engoliu seco.
- No meu apartamento! e eu achamos que seria mais confortável fazermos na casa ou de um ou de outro, já que era um pouquinho demorado né? Daí viemos para cá!
O chefe segurou um riso ao ver desconcertada, os cabelos bagunçados de Jimin e bom os lábios de ambos estavam inchados.
- Certo! Eu vou dar uma olhada aqui, me esperem aí!
Eles observaram o semblante do chefe enquanto ele observava o trabalho feito por Jimin.
- Excelente! Ótimo trabalho como sempre time! Vou mandar para ele agora e amanhã dou notícias! Ficou muito bom mesmo! Agora estão liberados para voltarem ao que estavam fazendo e curtirem a noite de vocês!
O chefe piscou e então desconectou-se da chamada, deixando e Jimin sem graça. Então os dois olharam bem um para o outro, e bom, de fato, era impossível o chefe não ter percebido nada.
- Droga Jimin! Agora ele vai ficar achando que temos um casinho!
Jimin gargalhou alto, jogando a cabeça para trás, e lhe estapeou o ombro.
- Tá com fome? - ele ouviu o estômago dela roncar e logo em seguida ela ficar vermelha -
Ele voltou a gargalhar enquanto se levantava.
- Vou preparar algo para a gente comer e ai te levo em casa, pode ser?
assentiu o acompanhando até a cozinha.
Os dois então começaram a preparar juntos um macarrão, enquanto ele ficava de olho na massa fervendo e fazia o molho, cortava as coisas que iam no macarrão. Os dois acabaram se beijando mais algumas vezes durante o processo. E então depois de comerem, Jimin levou em casa. Durante o caminho, os dois foram em silêncio da mesma forma que haviam saído da empresa até a casa de Jimin. De fato era no máximo doze minutos da casa de Jimin até a dela. Ele gostou de saber aquilo.
- Obrigada curupira Júnior! Até amanhã! - ela tira o cinto -
Jimin segurou o rosto dela, trazendo-o para perto do seu.
- Até amanhã . - ele selou os lábios dela e transformou o selinho num beijo -
segurou o rosto dele com as mãos enquanto aprofundava o beijo, molhado.
Trigésimo Segundo Capítulo - One Reason
Se despediu dos poucos colegas que ainda estavam na empresa, colocou a mochila nas costas verificando sobre a mesa se não estava se esquecendo de nada e acabou por ver a carteira e celular sobre a mesma. Balançou a cabeça em negativa, quase esquecendo os itens principais no escritório.
Desceu para o estacionamento, hoje ele havia ido de carro já que desde ontem estava de folga, então ele pode pegar o carro da irmã. Assim que entrou no mesmo ele se lembrou que fora num dia como aquele, em que ele teve que ir ao escritório que conheceu . Sorriu largamente ao lembrar do dia. Pegou o celular e ligou para ela. Estava perto do escritório dela, quem sabe ele não a pegava e de lá eles iam para um segundo encontro, finalmente?
- Fala Taehyung! - ela gargalhou imaginando a cara dele do outro lado - Brincadeira! Sei que você prefere que te chamem de V! O que você manda?
V sorriu, balançando a cabeça em negativa. Adorava a risada dela!
- Olha, até que quando é você me chamando de Taehyung eu gosto! Fica bonito na sua voz!
corou do outro lado da linha.Taehyung era uma das poucas e únicas pessoas que a fazia corar daquele jeito.
- Que horas você sai do escritório hoje ? - ele mordeu o lábio -
- Daqui uns vinte minutos meu anjo, porque?
- Porque eu tive que vir para a empresa hoje, e bom, eu pensei que poderíamos sair hoje. O que você acha? Eu posso passar aí e te buscar! É perto daqui!
umedeceu os lábios, de repente a ideia de vê-lo depois de tanto tempo só conversando por mensagens pareceu lhe assustar da mesma medida que a confortava também. Os dois acabaram virando grandes e bons amigos. Então, porque não ir?
- E aonde você vai me levar, Taehyung? - ela voltou a rir -
- Pensei no Caiçara ou no Pesqueiro… Qual desses você prefere?
sorriu. Ele era tão sofisticado!
- Hum, acho que o Caiçara é uma boa hein V? Ver o pôr do sol no lago! Bora! - ela fechou a agenda já encerrando o expediente mentalmente -
- Em quinze minutos to ai!
se levantou depois que a ligação foi desligada e se espreguiçou. Havia trabalhado muito hoje e um passeio relaxante como ir ao Caiçara com V seria bom para que ela se distraísse. E também parasse de pensar um pouco no casamento do ex, que só se aproximava.
saiu do grande prédio onde o escritório ficava e então lá estava ele, acenando para ela de dentro do carro, com o vidro abaixado. voltou a sentir as bochechas queimarem. Fazia tempo que eles não se viam… ela não estava entendendo porque havia ficado vermelha.
Atravessou a rua e então ele se esticou no banco do motorista para abrir a porta para ela, que se sentou no banco do carona agarrando as duas pastas plásticas que carregava.
Taehyung então a encarou. Linda, ele pensou. se esticou o suficiente para depositar um beijo na bochecha dele, então V segurou a mão livre dela e levou até os lábios depositando um beijo por lá.
- Você já foi lá? - questionou ele se referindo ao bar -
- No Caiçara? - V assentiu dando partida - Há muito tempo atrás! E você?
- Também! Mas me lembro de lá ser muito agradável! É tudo que um fim de tarde pede.
Os dois foram conversando sobre os respectivos trabalhos até chegarem ao local. O bar era localizado na beira de um lago, com uma das vistas mais lindas do Rio de Janeiro! Perfeito para acompanhar o pôr do sol, e pelo que V se lembrava as comidas de lá também eram perfeitas!
Os dois foram guiados por um funcionário para uma mesa onde eles podiam ver o lago, com uma vista privilegiada para o pôr do sol, porque V disse que queria uma mesa onde eles fossem privilegiados com exatamente isso: poder acompanhar um belo pôr do sol.
O sol começava a se pôr assim que eles chegaram à mesa, e juntos os dois observaram a beleza do momento antes de se sentarem.
Os dois se sentaram um de frente para o outro e V retirou os óculos escuros, assim como e então eles observaram a bela vista que tinham à sua frente. E assim ficaram por um momento. então suspirou.
- E a sua amiga? Melhor?
- Sim! - sorriu - O pai do bebê apareceu!
- Mesmo? - ele se interessou - E ai?
- Ele vai assumir! Disse que vai ficar do lado da durante a gravidez e que quer ser um pai presente na vida do bebê! Ele liga para ela todo dia, acredita? Bonitinho até!
- Ah, que maravilha! - Taehyung se atreveu a colocar uma mão sobre a dela - Fiquei aliviado agora, eu nem conheço a , mas sei lá, já me apeguei a ela só por tudo que você me contou sobre ela e a amizade de vocês! E eu estava com medo desse cara sumir e deixar ela na mão!
sorriu, achando-o ainda mais fofo. O olhar dela desceu para a mão dele sobre a sua, mas ela não protestou.
- E o seu amigo lá! Como é o nome dele mesmo? Seokjin? - ela arriscou erguendo uma sobrancelha - Conseguiu descobrir porque ele tava estranho? Você não falou mais!
- Ah! Eu estava com ele no final de semana passado, quando passei lá pelo Garage! Ah, ele me disse que tinha a ver com uma menina que ele conheceu na viagem, e que estava com saudades! - V balançou a cabeça em negativo - Mas acho que ele está me escondendo mais detalhes sabe? Ele tá bem triste, anda falando pouco, rindo pouco e bom, ele um cara alto astral sabe? Não sei, ainda estou preocupado! Inclusive falei de você para ele!
Os dois se olharam.
- Falou o que de mim para ele Taehyung? - escorou o rosto na mão que estava livre, apoiando o cotovelo na mesa -
Estava curiosa, queria saber o que ele falava dela para os outros. V baixou a cabeça, sorrindo sem mostrar os dentes.
- Falei que estávamos nos conhecendo! E ele quer conhecer você qualquer dia desses!
Droga! Ela estava corada de novo.
- Só marcar! - os dois riram, sem graças -
queria muito falar com ele sobre o que havia pensado nessas semanas, mas estava sem coragem. Tinha medo do que ele acharia da proposta.
- Por falar em marcar Taehyung, você tem algum compromisso do dia vinte e sete a vinte e nove de agosto? - voltou a morder os lábios -
V observou o gesto, ela estaria nervosa? Porque? Se concentrou nas datas, buscando na memória algo.
- Não! Tenho quase certeza que não. Mas porque? - ele ergueu uma sobrancelha, curioso, afinal de contas as datas não estavam tão perto assim -
- É porque no dia vinte e oito vai ser o casamento de um amigo de infância meu, lá na minha cidade natal! - ela engoliu seco - E ele me convidou! Na verdade, toda a minha família né? E seria uma ótima oportunidade de eu ver meus pais e meu irmão!
Ela estava mentindo? Sim! Mas achava que seria melhor assim!
- Certo… - ele incentivou -
- E bom, ele mandou um convite a mais! - V sentiu o coração começar a saltar no peito - Eu ia levar a , mas com ela grávida não rola, sabe? Ela está enjoando muito e com muito mal estar, então a primeira pessoa que pensei para me acompanhar, foi você! Não quero ir sozinha de jeito nenhum! - ela sorriu sem graça, colocando a mão sobre a dele -
O sorriso que ele abriu fez querer encher o rosto dele de beijos. Ele parecia uma criança ganhando uma viagem para a Disney.
V mal acreditava, que ela havia pensado nele para algo tão íntimo assim! Havia ficado imensamente feliz, e bom, óbvio que ele iria.
- Claro que eu te acompanho! Claro, ! - os olhos dele brilhavam e ela abaixou a cabeça por um instante, voltando a encará-lo - É em Magé né?
- Isso! - ela sorriu ao perceber que ele se lembrava - Mas o casamento vai ser em Niterói!
- A gente sai daqui na sexta então?
- Sim! E como você dirige, pensei em alugarmos um carro, para irmos mais confortáveis! É uma hora e meia no máximo daqui do Rio para lá! E de Magé a Niterói uma horinha! O que acha?
- Sim! A gente aluga! Eu vou dirigindo numa boa! Especialmente tendo você do lado…
sorriu com as bochechas vermelhas e lhe estapeou bem levemente o peito.
- Bobo! Acho que você vai adorar meus pais! - ela sorriu outra vez - Eles são bem simples!
- Tenho certeza que vou!
V finalmente conseguiu tirar a mão sobre a dela, estava com sede. Os dois puseram-se a olhar o cardápio e então fizeram seus pedidos.
- Seu irmão tem dezesseis anos, né?
- Tem! E ele quer fazer a mesma faculdade que você! Acho que já comentei né? Vocês com certeza vão ter assunto! - os dois gargalharam -
V sentia o coração leve estando ali com ela. Os assuntos entre os dois sempre fluiam tão bem, era tão fácil…
- E esse amigo de infância ainda mora lá em Magé?
sentiu a garganta fechar, e por sorte o garçom chegara com os drinks. Ela havia pedido uma água também, então antes de responder V ela tomou um gole.
- Não! - balançou a cabeça em negativa - Faz um tempinho que não sei muito bem o que virou da vida dele, mesmo querendo muito ter continuado amiga dele! Mas muitas coisas aconteceram e nós demos uma afastada! Até me assustei com o casamento e com o convite para mim!
Os olhos dela marejaram, e V percebeu. Então ele acariciou a bochecha dela com o polegar. fechou os olhos se permitindo sentir a carícia. Se ela ainda não sentisse tanto tudo isso que estava acontecendo com o ex…
- Pode ser uma oportunidade de vocês se aproximarem agora!
ainda sentia o quente da mão de V em sua bochecha, e sentiu que choraria se ele não parasse. Então ela delicadamente segurou a mão dele, afastando a mesma de seu rosto e ficou ali, apenas segurando-a.
- Não sei! Veremos não é? Ah, a cidade não tem muita coisa tá? - ela riu ainda segurando a mão dele - Mas eu faço questão de te mostrar o que tem!
Taehyung riu da cara de desgosto que ela fez ao falar da cidade e então os pratos dos dois chegaram. Eles voltaram a falar mais um pouco sobre a família de enquanto comiam. Depois deram uma volta pela praia, já escura e V confidenciou a que achava a praia um tanto quanto assustadora à noite. E então pararam para tomar um sorvete. V estava empolgado demais com a tal viagem e já estava ansioso. Seriam três dias inteiros ao lado de …
Quando ele a deixou em casa, perguntou se ele gostaria de entrar e então V educadamente recusou, já estava um pouco tarde. esticou o corpo para frente indo depositar mais um beijo carinhoso na bochecha de Taehyung, mas ele segurou seu rosto com as duas mãos, encostando a testa na dela. sentiu os batimentos cardíacos ficarem descompassados com o ato. Ela olhou os lábios dele ali, quase se encostando nos dela. sabia o que ele queria…
V podia sentir a respiração rápida dela batendo em seus lábios. Queria desesperadamente beijá-la… Com as testas já grudadas ele se atreveu a encostar delicadamente os lábios nos dela, só aquele pequeno toque dos lábios dos dois já fez os sentidos de Taehyung entrarem em combustão.
- Taehyung… - ela sussurrou segurando as mãos dele - Pare de me olhar assim, nossos olhos podem se encontrar! Não que isso seja um problema, na verdade, seria sim! Seria um problemão! Eu sou caótica, e você é bom demais para ser verdade. Tanto, que eu não posso estragar você! Eu sou um desastre...
- O desastre mais lindo que eu já vi! - ele sussurrou de volta ainda com os lábios colados aos dela -
- V! - ela suplicou enquanto com dificuldade se afastava dele - Não é que eu não queira! Eu só não estou pronta ainda!
Taehyung abaixou a cabeça, um tanto quanto envergonhado e assentiu. Voltou a olhar para ela.
- Me desculpe! - ele engoliu seco -
- Não! - ela segurou a nuca dele - Não me peça desculpas! Isso não foi um não, foi só um pedido! Um pedido de mais um pouco de calma! Não precisa se desculpar, você não fez nada de errado! Eu amei a nossa tarde!
Ela parou de falar depositando um beijo demorado na bochecha dele. Pegou suas coisas e saiu do carro, mas antes de fechar a porta:
- V… - ela pausou para que ele olhasse para ela - Eu adoro você!
Bateu a porta do carro atrás de si e adentrou o prédio sentindo o coração pular. V a observou entrar e então sorriu.
Trigésimo Terceiro Capítulo - Way too long
Sentou-se na beirada da cama ao voltar do banheiro, já de banho tomado. Pegou o celular, mexeu um pouco nas redes sociais, respondeu as amigas e a chefe e desceu para tomar seu café antes de iniciar uma jornada de trabalho. Depositou um beijo na testa da mãe e se sentou ao lado do pai sendo beijada no rosto por ele.
Eles conversaram sobre amenidades e logo o pai de saiu para o trabalho, e ela ajudou a mãe a retirar as coisas da mesa e lavar as louças e então ela estava sozinha em casa. Voltou para o quarto ligando o notebook. A memória dela insistiu em se lembrar de Mário, já que a casa estava super silenciosa e se ele estivesse em casa seria exatamente o contrário. Hoje era dia de home office para ela, não seria fácil ficar na casa sendo consumida pelas lembranças ainda tão vivas do irmão.
Hoje o dia estava razoavelmente tranquilo no trabalho, então aproveitou para fazer outras coisas durante o expediente, como por exemplo ler online. A música estava baixa e de repente ela pôs-se a pensar em Jin. O coração dela apertou dentro do peito de saudades e de dor. Pegou o celular sobre a mesa e então desbloqueou o mesmo, indo até o whatsapp. Digitou rapidamente o nome dele nos contatos: Seokjin…
Abriu uma janela de conversa com ele. Ficou observando a foto pequena dele no canto da tela. O coração acelerando gradativamente. Digitou e apagou diversas vezes. Não tinha coragem. De repente sentiu vontade de chorar e assim o fez, até que seu coração voltasse a se acalmar. Abriu a pequena agenda que carregava consigo em todos os lugares, uma espécie de diário e pegou o velho papel, já amassado que Jin havia lhe dado na última noite deles, e leu de novo o endereço da exposição como se já não tivesse decorado. percebeu que já fazia uma semana do começo da mesma e então encheu o peito de coragem: iria.
Colocou um moletom largo, de Mário, um boné e então colocou o capuz por cima. Pegou a chave do carro que estava dentro da bolsa e saiu. No meio do caminho começou a pensar se aquela seria de fato a melhor decisão. A boca estava seca e as mãos geladas. E se ela desse de cara com ele?
Deu umas trẽs voltas no quarteirão sentindo que o coração ia rasgar o peito de tão rápido e forte que batia, esperando o peito voltar a encher de coragem, parou o carro a alguns metros da entrada da galeria, passou num restaurante qualquer e comprou uma garrafa de água, tentaria acabar com a secura dos lábios e para piorar agora ela também estava com as mãos tremendo, e então parou em frente à galeria.
- Com licença… - a recepcionista do local sorriu assentindo para ela - O artista se encontra?
Ela não queria correr nenhum risco e encontrá-lo por lá então resolveu que só entraria se tivesse certeza de que ele não estaria lá.
- Não! Ele saiu! Não sei muito bem quando ele estará de volta! Mas se a senhorita se interessar por alguma obra, a empresária dele está aí e você pode verificar com ela também!
Jin havia comentado bastante sobre como se dava bem com a empresária, que ela era quase uma mãe para ele. Sorriu sem mostrar os dentes e então adentrou a tal galeria.
passeava pela exposição sentindo que poderia desmaiar a qualquer momento. Jin era extremamente talentoso, e de fato, suas obras carregavam muito dele. quase conseguia vê-lo ali, ao lado das obras, explicando pacientemente para ela sobre cada uma delas enquanto ria, ficando sem graça, ou então de alguma piada sem graça que ele contava. Sorriu abertamente se lembrando da risada contagiante dele.
Andou mais um pouco até que começou a chegar ao fim da exposição. O coração dela parecia querer explodir de orgulho de Jin! Como ela queria poder abraçá-lo e dizer que sentia muito orgulho do artista que ele era. Aí então seus olhos se detiveram no último quadro. engoliu seco enquanto caminhava até o mesmo. As mãos dela que antes tremiam levemente, agora tremiam quase que descontroladamente. Era ela ali, naquele quadro… Ela não sabia exatamente quando ele havia sido pintado, mas era ela! tapou a boca com uma das mãos sentindo a cabeça ficar tonta.
ficou alguns bons minutos admirando o quadro deixando as lágrimas rolarem por seu rosto, como ela queria abraçá-lo! Assim que limpou as lágrimas - com certa dificuldade, pois tremia bastante - sentiu alguém lhe tocar os ombros.
- Você conhece o Kim Seokjin?
arregalou os olhos levemente, virando o rosto e encarando Serena. Sabia que era ela porque Jin havia lhe mostrado uma foto. Mas será que Serena sabia dela? sentiu vontade de vomitar ao imaginar a hipótese. Ajeitou mais o boné e o capuz do moletom e então virou novamente o rosto para o quadro.
- Não! Não o conheço! Mas ele é muito talentoso! - se limitou a dizer, tentando ao máximo não deixar que Serena visse seu rosto -
Mas já era tarde demais. Serena havia notado a semelhança de com o quadro.
- Você quer tirar uma foto com o quadro? Se parece um pouco com você, né?
sentiu as pernas voltarem a fraquejar e bebeu mais um gole de água e então entregou o celular para Serena, seria interessante guardar uma lembrança daquele momento. E Serena assim o fez, e depois entregou o celular à jovem. Ela estava impressionada com a semelhança. guardou o celular na bolsa, acenou com a cabeça para Serena após agradecer pela foto e então saiu apressada, notando que agora a exposição estava cheia. Voltou a deixar as lágrimas quentes escorrerem pelo rosto enquanto caminhava quase que correndo para a saída. Mais pessoas entravam, causando um pequeno tumulto por ali, e chegou até a se esbarrar em alguém enquanto tentava sair do lugar, mas ela não se importou, estava atordoada demais para se desculpar, e os olhos já embaçados ardiam.
Jin chegou a segurar um pedaço do moletom dela quando sentiu o esbarrão, mas ela logo já estava fora das vistas dele, que chegou a olhar para trás, para pedir desculpas pelo esbarrão mas não conseguiu. Ele deu de ombros e então adentrou a própria exposição, indo em direção à Serena, que ainda estava parada em frente ao quadro com o rosto de .
- Serena? Depois você me ajuda a pegar o material no carro?
Ele parou ao lado dela, vislumbrando o rosto pintado de ali. Não havia um dia sequer que ele não passasse por aquele quadro sem sentir todos os músculos do corpo doerem absurdamente.
- Ela tava aqui Jin! - Seokjin olhou para Serena com as mãos na cintura -
- O que você disse?
- A menina do quadro! Ela estava aqui agorinha! Até tirei uma foto dela com o quadro! Perguntei se ela te conhecia e ela disse que não! Mas Jin, eu ainda estou chocada com a semelhança!
Os olhos de Jin marejaram com a súbita informação recebida e então ele saiu em disparada na direção da saída da galeria, esbarrando em algumas pessoas que dificultavam um pouco sua saída. O coração dele batia e batia e batia e ele sentia as lágrimas quererem descer por seu rosto. Parecia estar meio anestesiado com a informação.
Assim que chegou até a calçada ele girou em volta do próprio corpo, mas seria impossível achá-la ali na rua lotada de gente indo e vindo, mas Jin ainda procurou por ela por alguns metros da rua da galeria, mas foi em vão, nem sinal dela. Ele tapou o rosto com as mãos, sentindo a dor invadi-lo novamente. Será que algum dia ele iria vê-la novamente?
ainda chorava dentro do carro com os vidros fechados, pensando se voltava ou não para a galeria. Ela queria se jogar nos braços de Jin e chorar até toda a dor sair de seu corpo. Mas e depois? O que ela faria? Limpou as lágrimas tentando se acalmar, mas ainda tremia muito e então deu partida no carro saindo de lá.
Dirigiu cegamente durante quilômetros, sentindo o peito quebrado por dentro. Quando as lágrimas ameaçaram voltar ela resolveu parar o carro, desceu e procurou por algum estabelecimento onde pudesse comprar mais água. Adentrou um qualquer e pediu pelo cardápio, no balcão mesmo. Fechou os olhos, tentando parar de tremer e então voltou a chorar com força.
Assim que ele entrou na padaria e se escorou no balcão cumprimentando os funcionários já conhecidos dele, seu olhar se deteve na moça ao seu lado, aos prantos. As mãos dela tremiam sem parar e ela chorava como uma criança perdida. Ele não suportava ver ninguém chorar! Mexia com ele. Então, colocou as mãos sobre os ombros dela.
- Tá tudo bem com você? Precisa de alguma coisa moça?
ouviu a voz grave e desconhecida invadir seus ouvidos. Ela já não usava mais o capuz e nem o boné. Ela assentiu que sim, enquanto as lágrimas ainda rolavam.
E então virou o rosto na direção da voz.
- Tá sim! Só preciso me acalmar!
Ele, preocupado, chamou um dos atendentes já conhecidos com as mãos.
- Traz um suco de maracujá para ela, por favor amigo! Bem docinho! - ele olhou para ela que ainda chorava - Uma amiga me ensinou que suco de maracujá é muito bom para acalmar!
Ele sorriu ao se lembrar da “amiga”. assentiu enquanto limpava as lágrimas, com as mãos ainda tremendo. O estranho ficou ali do lado dela com as mãos em seus ombros, passando para cima e para baixo. E estranhamente, estava começando a sentir as coisas se acalmarem dentro de si. O suco chegou e tomou um gole, em silêncio. O estranho também ficou em silêncio. Depois ele fez o seu pedido, e os dois ficaram ali lado a lado enquanto ele comia e ela tomava o suco. Ele estava toda hora olhando para ela, como se quisesse se certificar que ela estava melhorando. Assim que ele acabou de comer, deu uma olhada no relógio e se levantou do banco.
- Preciso ir! Vai ficar bem?
fez que sim com a cabeça algumas vezes, mas ainda tremia e estava pálida.
- Não sei pelo que está passando, mas seja o que for, vai ficar tudo bem! Hum? - ele voltou a passar a mão rapidamente pelas costas dela -
sorriu sem mostrar os dentes para ele. E pensou que ele deveria ser uma boa pessoa.
- Qual seu nome? - ela perguntou quando ele já estava saindo -
Ele se virou para ela, mostrou os dentes num sorriso e respondeu:
- Namjoon! E o seu?
engoliu seco e arregalou os olhos. Não era possível! Será que era ele? Bom, quantos Namjoon’s existiam no mundo? E quantos Namjoon’s poderiam existir no Rio? Só podia ser ele! Como o mundo era pequeno! ainda incrédula, respondeu seu nome à ele. Que assentiu com a cabeça.
- Obrigada, Namjoon!
E então ele saiu das vistas dela. Que dia não?
Trigésimo Quarto Capítulo - Enchanted
Telefonou rapidamente para os pais avisando que almoçaria lá hoje e que levaria companhia. A mãe ficou feliz pela visita já que elas somente vinham se falando por mensagem nos últimos meses enquanto que estava apreensiva. Havia avisado à Suga no dia anterior que marcaria para hoje a visita deles aos pais para enfim contarem da gravidez. Os enjoos matinais continuavam então lá estava ela no banheiro sendo amparada por . O celular dela tocou no quarto e então ela pediu que pegasse o mesmo para ela, que com certa dificuldade se levantou ficando ereta e ajeitando a postura, lavando a boca.
- Oi Yoongi! - ela atendeu respirando fundo -
- O que foi? - ele perguntou, já preocupado -
- Os famosos enjoos matinais, já ouviu falar? - riu sem humor -
- Só isso mesmo?
- Só Suga! Relaxa! Eu to indo tomar banho para a gente ir!
- Então, eu já to aqui na porta do seu prédio!
Suga coçou a cabeça, como sempre fazia quando ficava sem jeito ou nervoso. Ele estava tão ansioso que acabou se adiantando um pouco.
- Ué, já? Eu tô tão atrasada assim? - tirou o telefone do ouvido olhando as horas -
- Não! É só a minha ansiedade falando mais alto, desculpe!
sorriu sentindo a pele esquentar e observou a amiga, segurando o riso.
- Eu espero você aqui no carro! Pode se arrumar no seu tempo!
- Não! Entra! Bom que você conhece a também!
arregalou os olhos, se olhando no espelho. Ela estava destruída, havia quase literalmente acabado de acordar, os cabelos desgrenhados e um pijama curtíssimo.
- Ela vai ai na portaria te buscar, espera ela aí!
E os dois desligaram.
- ? - bateu as mãos na lateral das pernas - Olha o meu estado!
- Ah ! É só escovar os dentes e colocar outra roupa! Anda, vai lá, vai!
deu algumas batidinhas no bumbum dela enquanto a mesma se virava novamente de frente ao espelho pronta para escovar os dentes.
Suga saiu do carro, antes ajeitou os cabelos, agora na cor cinza. Passou a língua pelos lábios para umedecê-los. Checou se o celular e a carteira estavam nos bolsos e então ficou lá, parado em frente ao portão de grade com os braços cruzados esperando a tal aparecer. Após alguns minutos lá esperando, uma moça alta com os cabelos escuros e médios apareceu, com um moletom da banda Guns ‘n Roses e uma calça preta do mesmo material. Então ela sorriu sem mostrar os dentes na direção dele assim que destrancou o pequeno portão.
- Suga? - ela apontou pra ele, já mostrando os dentes ao sorrir -
Suga assentiu para a garota com a cabeça, e foi a vez dele sorrir sem mostrar os dentes. Ela também era bonita, pensou Suga.
- Eu sou a , Suga! - estendeu a mão para ele que apertou delicadamente -
- Prazer !
Os dois adentraram o pequeno prédio, subiram o primeiro vão de escadas e logo estavam na porta do apartamento. abriu a porta adentrando o apartamento e Suga entrou logo atrás.
- Fica à vontade Suga! Você quer um café? Sei que já tá meio tarde - ela riu - Mas aceita?
Suga passou o olhar pelo modesto apartamento das meninas, observou a decoração, os móveis. Tudo ali parecia ter sido adquirido com muito esforço e vontade, e isso fez Suga querer sorrir. O apartamento era extremamente organizado e limpo.
- Obrigada! To bem! Só vou me sentar aqui! - ele apontou para o sofá e se sentou logo em seguida -
Ele continuou observando o apartamento, repleto de fotos das duas. sorriu, achando ele fofo.
- Ela já deve estar vindo! A propósito, boa sorte com os pais dela! Você tá bem lascado, porque eles são bravos!
Os dois riram e então Suga olhou para ela, que caminhava até a sala com uma xícara de café. depositou a mesma sobre a mesinha de centro, e a empurrou para perto de Suga. Que sorriu para ela pegando a xícara.
- Eu to indo bem preparado, eles não vão me intimidar! E eu também não vou deixar eles intimidarem mais a !
olhou bem para ele enquanto ele tomava o café, e então ela balançou a cabeça positivamente, gostando do que ouvira. Ele parecia de fato estar levando toda a situação bem a sério e agradeceu ao Universo mentalmente.
- A propósito Yoongi - ela coçou a garganta indo para a cozinha de novo - Sei que o que você está fazendo é o mínimo, mas tantos homens não fazem nem isso, então obrigada! De verdade.
Suga tomou outro gole do café, estava gostoso. E então ele balançou a cabeça em negativa.
- Imagina! Eu que agradeço por você cuidar tão bem dela!
Os dois sorriam um para o outro e Yoongi ficou vermelho. o achou fofo outra vez. Então apareceu já pronta, o que fez Suga se levantar do sofá, depositando a xícara sobre a mesinha outra vez. Os dois se olharam e então Suga desceu o olhar por ela. Ela vestia um vestido longo e florido que já deixava todos verem uma pequena barriga se formando. Suga sorriu ao olhar a mesma e então o olhar dos dois se encontrou de novo. sentiu as bochechas corarem.
- Gostei do cabelo! - ela apontou na direção dele - Ficou bonito!
Suga deu de ombros e agradeceu, meio tímido pelo elogio recebido.
- Vamos? - ele perguntou ao que assentiu -
Ela se despediu da amiga que desejou boa sorte e piscou para ela, e depois Suga e também se despediram com um aceno de cabeça.
Assim que os dois pararam em frente à casa dos pais de , os dois trocaram um olhar. estava com alguns membros do corpo dormentes, só estava fazendo aquilo porque Suga insistiu muito, por ela os pais só saberiam da gravidez quando o bebê já estivesse nos braços dela. Conhecia tão bem os pais, e mesmo assim não estava preparada para a reação deles. Especialmente do pai, já que a mãe somente ouvia calada e olhava para a filha com um olhar de decepção, era assim todas as vezes.
- Vai dar tudo certo! Confia em mim! - Suga se atreveu a colocar a mão sobre uma das pernas dela -
apenas assentiu, um tanto quanto descrente.
Os dois então tocaram o interfone, o que respondeu ser ela quando uma voz suave perguntou quem era. Os dois adentraram a casa, com na frente e Suga logo atrás. Eles passaram pelo grande gramado da garagem, com dois carros de luxo estacionados lá. Suga sentiu um nó na garganta ao ver o luxo que eles ostentavam apenas ali na garagem enquanto a filha provavelmente passava por dificuldades financeiras. Antes que eles pudessem entrar na casa, Suga segurou uma das mãos de , entrelaçando as mesmas. Aquilo na cabeça dele era de extrema necessidade para todo o plano arquitetado na cabeça dele. estava tão anestesiada que nem se deu ao trabalho de questionar o porquê de tal atitude. A mãe de esperava a filha na sala, junto ao pai. Os dois lado a lado, a mulher era bem baixa e tinha os cabelos numa trança jogada de lado, além de um sorriso discreto nos lábios. Ela não se parecia em nada com a mãe, mas era a cara do pai, a única diferença era o bigode grosso do mais velho. O olhar dele era impenetrável e ele não esboçou nenhuma reação sequer ao ver a filha.
- Mãe! Pai! - tentou sorrir e então a mãe lhe abraçou rapidamente -
O pai estendeu a mão na direção da filha que soltou a mão de Suga e então apertou a mão do pai lhe pedindo “a benção”. Suga achava aquilo tão arcaico que quase revirou os olhos. Aí então os mais velhos direcionaram o olhar de para Suga, que sentiu o coração acelerar minimamente, então passou a língua pelos lábios, deixando a língua lá. Maldita mania, pensou !
- Esse é o Yoongi… - ela foi interrompida por Suga -
- Sou o namorado da !
arregalou os olhos rapidamente, então ele realmente ia levar aquela história adiante?
- Namorado? - o pai olhou para a filha - Desde quando?
Suga cumprimentou primeiramente a mãe de com um aperto de mão e depois segurou firmemente a mão do pai de , queria causar uma boa impressão logo de cara e passar credibilidade ao homem.
- Tem quase três meses, né, amor? - Suga virou o olhar para ela -
sentiu um incômodo no estômago, que dessa vez não era nenhum enjoo, e também não era ruim. Ela havia gostado do som da palavra amor para se referir a ela saindo da boca dele…
- É! Isso! - ela voltou a olhar o pai e a mãe -
- Porque você não me contou? - perguntou a mãe visivelmente ofendida -
coçou a cabeça, nervosa com a situação.
- Nós estávamos esperando o melhor momento, não é ? - ele segurou a mão dela outra vez, entrelaçando os dedos -
- Sim! - ela respondeu, ainda atônita - Queríamos esperar o melhor momento, não é? Não muito cedo, nem muito tarde!
O pai dela os chamou para a varanda e então todos foram. e Suga com as mãos ainda entrelaçadas, ele apertava a mão dela com força. É claro que ele estava nervoso com tudo aquilo! Mas uma coisa ele não podia negar: a sensação das mãos dos dois ali, entrelaçadas, era gostosa, e parecia tão certo!
Ambos se sentaram na mesa e logo o almoço foi servido pelos empregados. A garganta de Suga voltou a dar um nó ao ver o quão bem os pais dela viviam. Durante o almoço, o pai de aproveitou para especular a vida do “genro”, arrancando o máximo de informações sobre o mesmo. e a mãe almoçaram em silêncio. Em sua mente pensava na melhor forma de enfim contar a “novidade” aos pais.
Quando enfim os empregados retiravam o prato, limpou a boca e então resolveu que estava na hora, e interrompeu a conversa animada entre Suga e o pai.
- Na verdade, nós dois viemos aqui para falar uma coisa muito importante! Não só para anunciar o namoro para vocês.
Suga segurou a mão dela por baixo da mesa e raspou a garganta. O nervosismo dele havia aumentado. Os pais de trocaram um olhar entre si.
- Eu estou grávida! Já descobri tem tempo né, Yoongi? Mas estou no comecinho da gestação, com treze semanas. - e então ela fechou os olhos, esperando o pai gritar com ela -
Suga passou o olhar primeiro pela mãe de , que tinha uma expressão de choque no rosto, como se esperasse qualquer notícia menos aquela. E então o pai de esperou que os empregados terminassem de se retirar.
- Você namora há três meses, não é noiva, nem casada, não tem nem um emprego decente e quer levar uma gestação para frente ? - Suga engoliu seco enquanto apenas assentiu abrindo os olhos marejados - Se você está achando que eu e sua mãe vamos te ajudar com isso, não se engane! Nós já tivemos você, e já te criamos! Portanto lide com isso sozinha!
Suga mordeu a parte interna da boca quando limpou a lágrima que descia pelo rosto. Suga não aguentou.
- Nós não viemos pedir ajuda senhor Isaque! Só viemos contar a novidade!
suspirou pesadamente enquanto o pai dela desviava o olhar dela para Yoongi.
- E casamento? Já pensaram sobre isso? Para quando vai ser? Porque como eu vou contar pro restante da família que minha única filha está grávida e nem se casou?
então olha para Suga, balançando a cabeça em negativa, fazendo menção de se levantar, como se o chamasse para irem embora, mas ele a impede. Como ele havia dito para : eles não o intimidaram e também não initmidariam a , pelo menos quando ela estivesse com ele.
- Olha Isaque, casamento realmente não estava nos nossos planos por agora! Mas nós vamos sim amadurecer essa ideia durante a gestação! - Suga pisca para que apenas sorri sem mostrar os dentes - O senhor pode ficar tranquilo! Eu sei de todas as minhas responsabilidades com essa criança! Vou dar todo o apoio financeiro e emocional que ela e a precisarem! Vou me esforçar ao máximo para proporcionar tudo do bom e do melhor para eles! A única coisa que nós queremos de vocês como avós, é amor! Amor pelo bebê.
Suga sentiu que agora era os olhos dele que estavam marejados. Droga! A paternidade estava mexendo com os hormônios dele também?
O pai de , parecendo mais calmo, assentiu com a cabeça, olhando apenas para Yoongi. sentiu vontade de abraçar Suga com toda a força que ela tinha. Ele estava sendo maravilhoso! O coração dela saltava dentro do peito.
A mãe de aproveitou que agora os ânimos pareciam estar se acalmando, já que o pai de pediu que a sobremesa fosse servida, e questionou a filha:
- , filha! Você está fazendo pré-natal? - ela assentiu, ainda estática - Tá se alimentando direitinho? Tem se cuidado e cuidado do bebê?
Suga sentiu vontade de responder que sim, mas que era graças à insistência e preocupação dele e de , já que os dois mal ligavam para a filha de verdade. Mas deixou que respondesse tudo direitinho à mãe.
Os dois comeram a sobremesa e o pai de voltou a conversar descontraidamente com Suga, enquanto e a mãe tentavam conversar também. resolveu que estava na hora de ir embora quando o pai ofereceu seu licor preferido a Suga, que recusou alegando estar dirigindo. Os quatro se despediram, e percebeu que o pai havia gostado de Yoongi e a mãe também. A mãe a fez prometer que daria notícias com frequência sobre a gravidez e ela assim o fez.
Já dentro do carro e a caminho da casa de , os dois ficaram em silêncio por um período, como se quisessem os dois, absorverem o que tinha acabado de acontecer. olhou para Suga concentrado dirigindo e quis abraçá-lo outra vez. Ele havia tornado toda aquela situação complicada em algo tão fácil!
- Fiquei muito impressionada com a sua postura! Até parecia que você já tinha passado por uma situação como essa! - ela quebrou o silêncio -
Suga gargalhou, o que fez com que ela também o fizesse.
- Viu? Foi bem mais fácil do que você imaginou, não foi?
- Graças a você! - os dois trocaram um olhar rápido, mas profundo - Obrigada mais uma vez Yoongi!
- Não precisa me agradecer ! Não gostei da forma que seu pai te tratou, desde a hora que chegamos até a hora de virmos embora. Eu só quis me assegurar que ele nunca mais vai intimidar você, especialmente nesse período, pode fazer mal para o bebê.
- Claro! Para o bebê! - ela pensou alto, desviando o rosto para a janela do carro -
Não podia e não queria criar expectativas com o comportamento de Suga! Tudo aquilo era apenas pelo bem estar do bebê que ela carregava no ventre. Nada daquilo tinha de fato a ver com ela. Não podia ficar magoada com aquilo, não podia! Sentiu os olhos marejarem, mas engoliu o choro. Tudo pelo bebê , não esqueça! Pensou consigo mesma.
Trigésimo Quinto Capítulo - Sweet Creature
finalmente havia conseguido pegar quinze dias de férias do trabalho! O hospital havia se sensibilizado bastante com tudo o que havia acontecido com a enfermeira e o tal stalker. havia ficado bem traumatizada e então o tempo todo ela precisava pausar o trabalho para chorar ou para tomar um ar. E além do trauma psicológico ela ainda precisava lidar com o processo que corria na justiça contra o stalker e aquilo estava voltando a esgotá-la. O diretor resolveu que adiantaria pelo menos quinze dias das férias da garota, para que tudo pudesse se acalmar, para que ela conseguisse se dedicar à sua terapia e sua cura mental, além é claro do descanso do corpo também! Durante esse período, foi a vida de JK que deu uma bagunçada! Ele estava brigado com os pais, estava trabalhando cerca de doze horas por dia então quando chegava os finais de semana, ele só queria dormir! Então ele e acabavam conversando pouco, e mal estavam se vendo novamente. As rotinas dos dois eram pesadas, fazendo com que os horários não batessem.
se olhou no espelho conferindo o visual. O cabelo liso e grande preso num rabo de cavalo no topo da cabeça, quase nenhuma maquiagem, a não ser pelos olhos mais marcados um pouco pelo rímel preto e o batom nude. Ela sorriu sem graça para o espelho conferindo o tamanho do short, há quanto tempo ela não usava shorts?
O body preto de gola alta combinava com a peça, então ela se lembrou do relógio, o amarrando no pulso. Era uma sexta-feira e já eram quase cinco da tarde, e então ela pensou: porque não? Colocou a pequena bolsa no ombro e então desceu. Taehyung ainda trabalhava, então ela adentrou o escritório onde o irmão se encontrava e passou as duas mãos pelas costas dele, detendo-se nos ombros do mesmo, depositando uma rápida massagem por lá. Taehyung fechou os olhos e relaxou os músculos, soltando um gemido cansado.
- Ah! Pode continuar! - eles riram -
- Não vai dar dengo! Eu vou sair!
Ela soltou os ombros dele e o viu se virar de frente para ela, olhando-a de cima para baixo.
- Aonde você vai? E com quem ? - ele ergueu a sobrancelha - Não gosto quando você sai sozinha! Especialmente depois de tudo o que aconteceu, eu tenho medo! Você sabe!
passou a mão pelo rosto dele com carinho. Ela sabia que ele falava a verdade. Os dois eram a vida um do outro. E ela entendia o irmão, e também tinha muito medo! Mas não estaria sozinha!
- Vou fazer uma surpresa pro JK! Vou buscar ele no trabalho, que nem ele fez comigo algumas vezes! Inclusive foi fazendo isso que ele me salvou! E eu estou com saudades dele, não vou mentir! - ela ruborizou e então desviou o olhar -
Taehyung gargalhou, achando fofo a irmã assumir que estava com saudades do rapaz.
- Mas tome muito cuidado enquanto espera ele, pelo amor de Deus ! - ele segurou a mão dela com força - Promete? Vai me dando notícias?
- Prometo! Vou sim! - ela assentiu voltando a olhar para o irmão - Não vai sair com o Jin hoje não? Ou com a tal ?
V sorriu, olhando para baixo.
- Ah, hoje não! Nem falei com o Jin hoje, vou mandar mensagem depois para ele! Mas to afim de ficar em casa! - a irmã assentiu -
- Então eu to indo, tá bom? Te mando notícias, fica tranquilo Tae!
Os dois se despediram e pegou a chave do carro no balcão e então saiu.
Às dezessete em ponto ela parou em frente ao prédio grande do jornal onde Jungkook trabalhava e então mandou uma mensagem para ele o questionando se ele ainda estava no trabalho e se tinha alguma previsão do horário em que sairia. Jungkook surpreso com a mensagem, respondeu a ela que o dia estava sendo puxado e que ele estava cansado, e que não provavelmente ainda trabalharia mais um pouco. E questionou o porquê da pergunta. resolveu ligar pra ele.
- Que menino trabalhador, gente! - ele gargalhou do outro lado da linha - Você não consegue sair antes das dezessete e meia não?
- Bom, são dezessete e cinco agora! - ele olhou as horas no notebook - Eu tenho algumas horas extras, mas porque? Você precisa de ajuda? Aconteceu alguma coisa? Tá tudo bem com você?
gargalhou sozinha dessa vez, com o desespero dele.
- Eu pensei de a gente se ver hoje! Na verdade eu to aqui no seu prédio, já!
Jungkook sorriu abertamente enquanto fechava os olhos.
- Você tá aqui? Jura? - ele parecia não acreditar e riu de novo -
- Tô falando sério JK! Quer pagar para ver?
Jungkook gargalhou enquanto fechava os arquivos abertos no computador.
- Quero! Já to descendo! Se tiver mesmo aí, me espera!
- Olha garoto, você não seja abusado! - os dois riram de novo e então JK desligou -
ainda estava dentro do carro, mas se sentiu segura para descer e esperá-lo perto do carro, mesmo que sozinha. Ele não demoraria mais do que quinze minutos, não é? Retirou os óculos escuros do rosto colocando-os na gola alta da blusa e cruzou os braços abaixo dos seios. Ainda sentia muito medo, então ficou atenta à movimentação ao seu redor.
Jungkook juntou suas coisas o mais rápido que pode, e então bateu na porta da sala do chefe. O odiava com todas as forças, mas precisava avisar que hoje compensaria algumas de suas horas.
- Com licença! - o chefe levantou o olhar até ele - Hã, estou indo! Surgiu um compromisso, então preciso ir um pouco mais cedo! Algum problema quanto a isso?
O chefe tirou os óculos de grau do rosto e mordeu uma das hastes do mesmo.
- Não! Desde que suas coisas estejam em ordem! Estão?
Jungkook quis socá-lo com força.
- Estão adiantadas inclusive! Tenho trabalhado cerca de doze horas faz semanas, então como você pode acompanhar provavelmente, sua caixa de entrada deve estar cheia de e-mails, com as minhas entregas!
O chefe fez um muxoxo e então com as mãos fez um gesto para que ele saísse, com desdém. Jungkook fechou a porta atrás de si e fechou os olhos com força, bufando. Aquele homem o tirava do sério!
Assim que ele saiu do grande prédio viu escorada no carro dela, do outro lado da rua. Sorrir foi automático! Ela estava tão linda! Ele queria muito tocá-la, agora! Atravessou a rua e então parou em frente a ela. sorriu e mordeu o lábio inferior logo em seguida. Ele mexia muito com ela!
- Então é verdade? Olha, eu duvidei, viu? - ele ergueu uma sobrancelha -
- Assim você me ofende, Jeon Jungkook! - colocou uma das mãos sobre o peito - Eu estava com saudades! E você fez isso comigo duas vezes não é? Numa delas, você salvou a minha vida! Senti que agora era a minha vez!
Jungkook sorriu abertamente enquanto tocava a bochecha dela com o polegar.
- Então você veio salvar a minha vida desse expediente cansativo e estressante?
tocou a mão dele sobre o rosto dela e então encostou a testa na dele.
- Só se você quiser ser salvo!
- Eu quero te beijar! - ele sussurrou já com os lábios encostados aos dela -
fechou os olhos e o abraçou pela cintura, colando o corpo dos dois. Jungkook fechou os olhos assim que ela também fechou os dela, e então ele a beijou. Delicadamente, sentindo gosto do batom que ela usava. Jungkook juntou as duas mãos no rosto de , segurando-o, então ele aprofundou o beijo, que agora era urgente, a língua de encontrou-se com a dele, com saudade. O rosto dos dois se movia no ritmo do beijo e ela apertou a cintura fina dele com as unhas sobre a camiseta que ele usava. Em resposta, JK mordiscou levemente o lábio inferior dela. Os dois se separaram já quase sem fôlego e então passou os braços em volta do pescoço dele o abraçando com força. Ele a acalmava tanto, que ela sentia medo do que aquele sentimento podia virar…
- Para onde a gente vai? Ou você só veio me ver? - ele sorriu, com os olhos pretos brilhando -
- Ah, pensei de a gente ir para algum lugar, mas não pensei num lugar específico, sabe? Tem alguma idéia?
Ele acariciou a cintura dela sobre a blusa.
- Que tal a gente comprar algumas cervejas e ir lá pra mureta da Urca? A gente pode ficar lá de boa, relaxando e bebendo!
sorriu, concordando com a cabeça.
- Você tá de carro?
- Tô, tá lá no estacionamento, me espera?
- Vamos no meu e depois eu te deixo aqui para você pegar o seu, pode ser? - JK assentiu –
Os dois compraram algumas cervejas e então foram para a Urca. O lugar estava cheio, e lá costumava ser frequentado por jovens - especialmente universitários - que faziam exatamente a mesma coisa que e JK: conversavam e bebiam. resolveu que ele merecia saber das últimas notícias do processo, porque bom, ele havia salvado sua vida, não é?
- Recebi hoje a intimação para depor no julgamento do stalker! E também o advogado me contou mais algumas coisas sobre o caso.
- Jura? - ele bebeu da cerveja enquanto passava um braço pela cintura dela - E ai? Que dia vai ser o seu depoimento? Eu ainda não recebi nada! Mas quero ir com você…
deitou a cabeça no ombro dele, fechando os olhos.
- Deve tá para chegar a sua! Ah, eu finalmente descobri quem de fato era ele!
- A identidade dele foi revelada para você então?
ainda com a cabeça no ombro dele, assentiu que sim sentindo o peito arder e doer ao se lembrar.
- E você conhece ele? - Jungkook engoliu seco e apertou a cintura de com carinho -
- Conheço! Na verdade eu nem me lembrava da existência dele, sendo sincera!
- Quer falar mais sobre isso? Se você estiver se sentindo desconfortável a gente não fala sobre!
virou o rosto encostando o nariz no pescoço dele, respirando calmamente para inalar o cheiro que vinha dali, fazendo Jungkook arrepiar e deitar a cabeça sobre a dela.
- É um ex estagiário lá do hospital, que trabalhou comigo! Bom, a gente teve um envolvimento, breve sabe? Ele era estranho, eu não quis continuar e logo em seguida ele foi dispensado pelo hospital porque bom, ele era um péssimo estagiário e a minha opinião sobre ele permanecer ou não no cargo contou muito. Aí passou alguns meses que ele foi desligado, ele começou a me telefonar e o resto você já sabe!
- Então ele é basicamente um ex maluco?
não havia parado para analisar daquele jeito tão objetivo. Mas ele não era somente um ex maluco, ou era?
- Ah eu acho que ele ficou bravo por ter sido desligado e achou que a culpa foi única e exclusivamente minha então provavelmente queria se vingar de mim.
- Provavelmente ele ficou mais bravo de ter sido dispensado por você!
sentiu a cabeça querer doer com a frase dita por Jungkook.
- Pode ser! Mas acho que as duas coisas podem ter pesado, além de achar que ele deve ter algum problema psicológico.
- Talvez! - ele balançou a cabeça positivamente - Independente do meu dia de depor, eu quero ir com você!
- A gente vai junto!
- Seu irmão provavelmente também vai querer ir, né? Como ele tá, falando nisso? A gente conversou esses dias!
- Como assim? - ergueu o rosto fitando os olhos de JK -
- O que? - ele riu sem graça - Não posso ser amigo do seu irmão?
- Pode! - ela respondeu sem graça - Só, fiquei surpresa! Você e ele devem estar se dando bem!
- Eu gostei dele! E bom, ele fala de você com muito amor! Você é literalmente a vida dele! Tanto que às vezes eu tenho a impressão de que ele não vive muito a vida dele…
sentiu o coração apertar com o comentário de JK. Era verdade! Taehyung sentia que era o único responsável por tudo! Pela casa, pelas contas, por …
Ela fazia de tudo para tentar aliviar esse senso de responsabilidade exagerado que o irmão tinha, mas nem sempre conseguia! Ela mal se lembrava da última vez em que vira o irmão apaixonado ou curtindo a vida!
- É! Eu tento fazer com que ele relaxe um pouco, mas nunca consigo!
sentiu os olhos marejarem e então tomou um gole da cerveja.
- Ei! - Jungkook ergueu o rosto dela até a altura do seu - Eu não quis fazer você se sentir culpada! Longe de mim! Eu só quis dizer que ele ama muito você! E sendo sincero …acho que eu também seria como ele. Mesmo não sendo muito apegado aos meus pais, acho que se eles morressem eu não seria o mesmo! E eu não tenho irmãos, ou irmãs como você já sabe! Mas se eu tivesse, acho que seria como o V é com você! Então eu o entendo!
assentiu com a cabeça.
- A verdade é que nós sempre fomos tudo o que o outro tem! E eu nem me lembro de algum período da nossa vida em que não tenha sido desse jeito! Ele por e para mim e eu por e para ele, sabe? - foi a vez de Jungkook assentir -
- Seus pais morreram de quê mesmo? Desculpe a indelicadeza da pergunta, eu não me lembro! Não precisa responder se não quiser, viu?
- Foi um acidente de carro! E o Tae estava no carro quando tudo aconteceu! Mas ele não sofreu nenhum arranhão, acredita? Mas os nossos pais acabaram falecendo!
- Então ele presenciou tudo? - JK mexeu no rabo de cavalo dela -
- Presenciou! Ele diz que não se lembra de muita coisa, que é como se o cérebro dele tivesse apagado tudo! Mas eu sei que ele sofre ainda mais por ter estado presente no dia do acidente!
- O que contribui ainda mais pra esse senso aguçado de responsabilidade que ele tem com você e com a vida de vocês!
Os dois se olharam, e deram mais gole da cerveja, acabando com a garrafa que ambos seguravam.
- Você nunca me falou direito sobre seus pais! Só que eles haviam te expulsado de casa, apesar de terem te dado um apartamento e cortado a sua mesada!
JK coçou a cabeça enquanto pegava outra cerveja para ele e outra para .
- Eu era meio imaturo há um tempo atrás! Só pensava em festa, bebida e curtição, sabe? Fazia a faculdade só por fazer, e quando chegou no meu último ano de faculdade eu extrapolei! E bom, meus pais já estavam cansados desse comportamento e aí me deram um apartamento e uma quantia em dinheiro que durou até eu terminar o curso, e aí eu tive que me virar. E isso vem me ensinando muita coisa, sabe?
sorriu, orgulhosa dele e lhe acariciou o rosto, e ele continuou:
- Os meus pais brigam muito! Muito mesmo, quase o tempo todo. Eu nem sei como eles estão juntos! No fundo, no fundo eu acho que é só pra manter as aparências! Acho que se algum dia eles se amaram foi há muito tempo atrás!
percebeu que a voz dele carregava uma certa tristeza então continuou acariciando o rosto dele.
- E eu sempre, tentei amenizar as coisas, sabe? Desde novinho! Porque sei lá, eu acreditava que podia unir os dois! Então eu sempre fiquei no meio das brigas! Era sempre eu que intermediava as coisas porque detestava aquele clima e também porque acreditava que eles se amavam e podiam se acertar, sabe? E eu percebo agora que não! Hoje mesmo meu pai me mandou uma mensagem dizendo que eles iam se divorciar, que ele não aguentava mais e blá blá blá!
Os dois beberam um longo gole da cerveja. depositou um selinho demorado na boca dele.
- E o que virou essa história?
- Os dois começaram a me ligar para falar mal um do outro e eu simplesmente explodi! Apelei e pedi que eles não me ligassem mais, que eles virassem finalmente adultos e resolvessem os problemas deles, sem me envolver mais!
- Você fez bem! Eles queriam a sua independência, não queriam? Queriam que você crescesse né?
- Exatamente! A gente cresce. E esse é o soco no estômago! E acho que eles mesmos não estavam preparados para isso! - ele balançou a cabeça em negativa -
Logo o sol começou a se pôr e os dois assistiram em silêncio. As mãos entrelaçadas enquanto o sol ia se pondo e sentiu um aperto no coração. Quanto tempo tudo aquilo duraria?
Jungkook a flagrou olhando para ele pensativa, e então ele a envolveu pela cintura com a mão que segurava a cerveja e a beijou nos lábios. Um beijo lento, como se quisesse guardar aquele momento na memória para sempre, como se ali só estivessem os dois e mais ninguém! O gosto dela ficava mais incrível a cada beijo. Era como se ela fosse nicotina, e ele um adicto.
Trigésimo Sexto Capítulo - Back to you
Jin terminou o jantar em silêncio, enquanto pensava outra vez em “Olívia”. Balançou a cabeça enquanto repassava tudo o que eles tinham vivido na viagem e em como estava tudo hoje. Porque? Era a única coisa que ele se perguntava, dia e noite!
Assim que fez menção de se levantar, o pai adentrou a sala de jantar retirando o blazer que cobria o terno, e colocando o mesmo nas costas da cadeira.
- Não seja grosseiro Seokjin! Vai levantar da mesa mesmo com o seu pai se sentando nela? Fique! Faça companhia para o seu pai!
Jin engoliu seco voltando a se sentar na cadeira em frente ao pai. Ele não via a hora de seu apartamento ficar pronto. Então os dois se encararam enquanto o pai começava a comer.
- Como foi o seu dia hoje? - o pai perguntou, mas Jin sabia que ele não estava interessado de verdade -
- Foi bom! E o do senhor? - ele perguntou enquanto mexia nos talheres -
- Estressante meu filho! Estou cercado de incompetentes! Você podia tanto ter se formado em administração para ajudar o seu velho pai, não é? Você seria tão útil lá!
Jin voltou a engolir seco. Por Deus, como ele odiava aquele maldito assunto! Quantas vezes o pai ainda falaria daquilo?
- Pai! - ele suspirou balançando a cabeça - Tenho certeza que existem muitos profissionais qualificados no mercado! Manda esses embora e contrata outros!
- Mas eu queria você do meu lado filho! Você precisa começar a pensar nisso Seokjin, aquilo tudo lá é seu meu filho! Algum dia você vai precisar assumir sua herança!
Jin se levantou, já começando a ficar sem paciência.
- Você acha que arte enche barriga? Eu não sei como você consegue manter um padrão de vida tão bom sendo artista! Um profissão tão… - ele interrompeu o pai -
- Eu tô saindo! Avisa a mãe por favor! Fala para ela que eu volto, não sei que horas, mas volto! Ela não gosta que eu durma fora sem avisar quando estou aqui, então se você puder fazer isso pelo seu filho, eu agradeço. Bom jantar, pai!
Deixou o pai resmungando alto quando saiu da casa e então adentrou o carro. Pegou o celular no bolso e mandou uma mensagem para V: “Está em casa bro?” após alguns minutos o amigo respondeu: “Tô sim amigo! Eu ia te mandar mensagem mais cedo, mas acabei esquecendo!” Jin digitou: “To indo para ai!” e então ele dirigiu até lá.
Assim que ele adentrou a casa do amigo, os dois trocaram um abraço rápido.
- Cadê a ? - Jin procurou por ela com os olhos -
- Tá com o namoradinho novo! Jungkook o nome dele! - V sorriu, orgulhoso da irmã -
- Namorado? - Jin colocou uma das mãos sobre o ombro de Taehyung apertando o lugar - Ela tá namorando V? Desde quando?
- Ah, você quer uma água mano? Um refrigerante, comer alguma coisa?
- Eu jantei antes de sair de casa! Só quero água mesmo!
Os dois caminharam até a cozinha.
- Eu falei assim, mas eles ainda estão se conhecendo, sabe? Tem um tempinho já! Foi ele que salvou a do stalker!
- Ah, então você já conhece ele? - V assentiu entregando o copo com água para o amigo -
- Já! E a gente vive conversando! Gosto dele!
- Que maneiro amigo! - Jin bebeu a água - Fico feliz por ela!
- Aconteceu alguma coisa para você brotar aqui numa sexta à noite?
Jin lavou o copo e o colocou no porta louças.
- Ah! - ele fez uma careta - Meu pai de novo com aqueles papos das empresas dele! Preferi deixar ele falando sozinho e aí vim para cá! To te atrapalhando? Você ia sair com a menina lá?
- Não! - Taehyung balançou a cabeça - Eu estava vendo uma live na Twitch de uma menina que eu sou fã! Ela é programadora de games de uma das maiores empresas do ramo e ela faz lives para falar sobre os jogos novos e para testar eles e tal. Gosto bastante do conteúdo dela, e ela estava sumida havia uns dois meses e bem, hoje ela voltou com as lives! Vamos subir para assistir comigo? Depois a gente faz alguma coisa! Sai para comer ou prepara alguma coisa aqui mesmo! Pode ser?
Jin assentiu com a cabeça e então os dois subiram as escadas. Antes V entrou no quarto de para pegar a cadeira que havia lá, então ele colocou a cadeira ao lado da sua, enquanto Jin aguardava ainda do lado de fora. V desconectou o fone de ouvido do computador e então se sentou, chamando Jin para se juntar à ele.
Jin se sentou na cadeira ainda meio aéreo, se ajeitou na mesma e então olhou para a tela. A boca secou e ele sentiu a pressão baixando. Seria uma alucinação? Ou algum sonho? Ela era igualzinha a Olívia de Jin. Idêntica. Quando Jin finalmente prestou atenção na voz dela, teve certeza, não era alguém parecido: era ela!
Pelo que Jin pode entender, ela estava respondendo algumas perguntas que as pessoas mandavam. Ela não havia mudado nadinha nestes últimos dois meses. Ali estava ela! Jin mal respirava, estava tentando processar a informação.
- Qual o nome dela? - ele raspou a garganta pois a voz havia falhado -
- ! - V respondeu olhando rapidamente para o amigo e voltando a olhar para o computador -
- Que? Tem certeza?
V gargalhou jogando a cabeça para trás.
- Claro bro! Acompanho ela desde que ela começou com as lives! E olha - ele passou o mouse sobre o usuário dela na tela -
Jin leu, uma, duas, três vezes. Então até o nome verdadeiro ela havia mentido para ele? A Olívia não existia? Jin sentiu uma pontada forte no peito e então abaixou a cabeça. Aquilo doía ainda mais! Respirou fundo, pegou o celular e perguntou:
- Qual o instagram dela?
V olhou para o amigo, sem entender nada e sorriu.
- Ué, você não estava apaixonado pela menina da viagem até esses dias?
Jin soltou um riso nasalado. Mal sabia V!
- Tô brincando amigo! É o mesmo user dela aqui na twitch.
Jin se aproximou um pouco mais da tela do computador, pois não estava enxergando direito, e também sentia as mãos tremerem. Incrédulo, ele procurou pelo usuário na rede social e lá estava o perfil dela. Ele clicou sobre o mesmo e lá estava ela. Rezende…
Jin leu as informações que ali continham e tudo era muito novo para ele, porque ela de fato havia mentido basicamente todas as informações, menos a idade e a cidade onde morava. Jin sentiu os olhos começaram a arder.
- Porque ela tem dez mil seguidores? - Jin começou a passear pelas fotos dela -
A maldita era linda! Jin se amaldiçoou por ainda pensar assim!
- Ué cara, tem muita gente que gosta desse mundo de games né? E ela é muito boa no que faz, a galera curte o trabalho dela! Provavelmente por isso!
- E porque você nunca me falou dela? - Jin fechou os olhos ao abrir uma foto dela -
Certamente o amigo não estava entendendo o porquê daquelas perguntas estúpidas, mas a que Taehyung conhecia, era uma pessoa completamente desconhecida para ele.
- Oxi! E desde quando você se interessa por esses assuntos? Você nem joga!
Jin prefere ficar em silêncio, afinal de contas o amigo tinha razão. Rodou mais um pouco pelas postagens dela e encontrou diversas fotos dela com um rapaz, uma delas, a mais recente das fotos com o tal rapaz, tinha a legenda: “Amor da minha vida todinha” e um emoji de coração. Provavelmente seria o namorado, ou ex namorado… Jin sentiu o coração se estraçalhar dentro do peito, como se ainda fosse possível.
Abriu a DM dela, mas não teve força para mandar nada.
- Você disse que ela tinha sumido, né? Ela explicou o porquê?
V ainda concentrado na live, respondeu:
- Não sei direito! Porque eu perdi alguns pedaços né? Enquanto ia te buscar lá embaixo! Mas eu ouvi até a parte em que ela falou que tinha viajado por um tempo. Só isso!
Jin assentiu, completamente atônito. Os olhos dele voltaram a fixar-se na tela do computador. Como aquilo era possível? Jin mantinha os olhos vidrados no computador enquanto ouvia V falando ao fundo, sem conseguir escutar de fato o que o amigo queria dizer. Enquanto V falava, Jin assentia com a cabeça mas só conseguia olhar para a garota na tela e pensar no quanto o peito dele queimava.
Jin não estava conseguindo raciocinar direito, ele pensava várias coisas ao mesmo tempo enquanto o coração batia forte no peito. Precisava de um tempo para conseguir processar o que estava acontecendo e então decidir se faria algo com aquela informação.
Assim que a live acabou, Taehyung olhou para o amigo, que ainda tinha os olhos fixos na tela. Taehyung tentou decifrar o olhar do amigo, mas não conseguia. Ele estava estranho de novo! Talvez fosse pelo desentendimento de mais cedo com o pai. É, Taehyung se convenceu que provavelmente seria aquilo, ele sabia como aquelas coisas com o pai afetam negativamente o amigo.
- E ai amigo? Vamos descer? Preparar alguma coisa juntos? Distrair essa cabeça?
Jin sorriu sem mostrar os dentes para o amigo enquanto assentia positivamente. Não era preciso muitas palavras entre os dois! Mesmo que Jin ainda não tivesse tido a coragem de contar tudo para o amigo, ele sabia que havia algo o machucando muito! Os dois sempre tiveram essa conexão desde que se conheceram em uma das primeiras exposições de Jin e então eles nunca mais largaram um ao outro! Taehyung era o melhor amigo de Seokjin e bom para V, depois de , o amigo era tudo que ele tinha!
Os dois então desceram para a cozinha e começaram a pesquisar alguma receita na internet para fazer com as coisas que tinham na casa. E bom, Jin estava tentando com toda a alma fingir que agora já estava tudo bem, mas não sabia se estava conseguindo. Ele estava anestesiado, como se a alma dele não estivesse de fato lá, somente o corpo. Toda hora vinham flashes em sua mente, dos dois na praia e depois dela na live…
- O que mesmo você estava falando lá em cima sobre a ? Desculpe, bro, eu estava distraído! - colocou uma das mãos sobre o ombro do amigo -
- Imagina! Não tem problema! Eu disse que vi ela esses dias, a gente foi no Caiçara, vimos o pôr do sol juntos, conversamos sobre nossas famílias… E adivinha?
- Vocês finalmente se beijaram? - Jin apertou o ombro de V -
V riu, desgostoso.
- Não! Bom ela não quis! Na verdade, ela disse que não se sentia preparada ainda!
- Ah! Você jura amigo? - Jin fez uma careta e então voltou a cortar o tomate - E você vai tentar outra vez?
- Ela me chamou para viajar com ela no final de agosto! Para a cidade natal dela, num casamento de um amigo de infância! Bom, acho que lá talvez role alguma coisa! Eu to muito ansioso, tem noites que só consigo pensar nisso!
- Você está mesmo apaixonado amigo! Torço muito para que tudo isso dê certo! Você merece ser feliz!
Os dois sorriam um para o outro.
- Você também, Kim Seokjin! Você também!
Já em casa ele se deitou na cama depois de um longo banho, e então fechou os olhos. O nome dela era … a Olívia nunca existiu! E ela era quase famosa! Ela não o havia procurado… Porque? Era tudo o que Jin conseguia pensar! Ele achava que havia significado algo para ela, da mesma forma que ela para ele, mas pelo visto havia se enganado, ele havia sido apenas uma foda de verão… passou as mãos pelo rosto sentindo a vontade chorar o invadir outra vez, e assim ele o fez. Por que ser tão cruel? Porque ela não podia simplesmente ter jogado a real? Ele teria entendido e seguido sua vida. Mas não, agora ali estava ele preso à ela...
Trigésimo Sétimo Capítulo - Afterglow
Hoseok relia a conversa com o amigo pela terceira vez:
“Como andam as coisas com a ? Esses dias ela falou de você enquanto tomávamos café! Falou do teu cheiro, que era quase viciada no seu perfume…”
“Nós nos falamos todos os dias amigo! Mas as coisas estão como sempre!”
“Vocês se viram depois daquele dia no bar?”
“Não!”
“Tá na hora então né J-Hope? Um encontro só vocês dois… Vai por mim cara!”
Bloqueou o celular e o jogou com delicadeza sobre o balcão, voltando a se concentrar no que fazia. Mas não estava conseguindo. Ele ficava pensando em … ficava se lembrando do gosto da boca dela em contato com a sua e ouvia a risada dela ecoar em seus ouvidos. Será que ela queria um encontro? Porque Jimin havia falado aquilo? Será que ela havia dado alguma indireta para o amigo, ou até mesmo teria sido bem direta? Hoseok se amaldiçoou por não saber fazer as coisas direito! Se amaldiçoou por não saber agir em situações como aquela, afinal de contas ele nunca passou por nada parecido! Estava acostumado com a rejeição, com as garotas dizendo não, e mais ainda, estava acostumado com a sensação de paz e calmaria de nunca ter se apaixonado… Ele estava apaixonado? Engoliu seco e voltou a se concentrar no trabalho, precisa terminar aquelas análises todas dentro do horário de trabalho, não estava nenhum pouco afim de fazer horas extras.
Assim que finalizou o horário de trabalho e já estava sentado na moto, ele resolveu que seguiria o conselho do melhor amigo. Chamaria para um encontro. Ligou para ela, mesmo sabendo que talvez ela ainda estivesse trabalhando…
- Oi Hobi! - Hoseok sorriu ao ouvir o apelido carinhoso que ela havia inventado recentemente para ele -
Uma mistura de Hoseok com baby, de acordo com a mesma.
- Vai sair às dezoito hoje ou tá enrolada aí?
- Vou sair às dezoito! Nada de fazer hora extra na sexta, nem a pau! Mas porque a pergunta? Quer fazer alguma videochamada hoje? A gente pode começar a ler aquele livro novo que você indicou, comprei ele ontem de madrugada! Ia te falar hoje! To esperando para começar a ler com você!
O sorriso dele se abriu ainda mais e ele sentiu as bochechas queimarem isso porque nem estava a vendo. Droga!
- Eu pensei em algo melhor! - ele mordeu o lábio inferior, temeroso - Que tal a gente se ver hoje? Só nós dois, no caso!
Hoseok fechou os olhos com força sentindo o coração acelerar, temendo a resposta da garota. do outro lado da linha sorriu. Ela sabia que aquilo para Hoseok era difícil, então ficou feliz de vê-lo quebrar as paredes para que ela pudesse entrar. E ela estava tentando ao máximo não deixar ele se arrepender daquela escolha.
- Vamos! Que tal o arpoador?
- Pode ser! Vou indo e espero você lá na entrada do parque pode ser?
- Pode! Te vejo lá então!
Assim que os dois se avistaram, sorriram e foram de encontro um ao outro. segurou o rosto dele e depositou um selinho demorado nos lábios molhados dele que fechou os olhos durante o momento. Depois os dois começaram a pequena trilha que dava acesso à pedra do Arpoador. desde muito nova não simpatizava muito com trilhas, ela não levava muito jeito com aquele tipo de passeio, mas achou que seria legal ver o pôr do sol de lá, era espetacular, além de que os dois sempre que se viam em bares e etc, queria algo mais calmo. Hoseok ficava atento aos passos de , temendo que ela pudesse cair ou se machucar e todas as vezes que ela vacilava, lá estava as mãos ou braços dele a ajudando. Ela se divertia ouvindo a risada exagerada dele e hora ou outra ria também. Hoje ela não carregava nenhum blazer, somente usava a calça jeans flare e uma regata branca, o sol do Rio estava castigando, mas Hoseok sempre costumava levar uma blusa de frio com ele, porque andava de moto e preferia estar com a blusa caso sofresse algum acidente, a blusa poderia quem sabe amenizar possíveis ferimentos.
Assim que eles chegaram à pedra, vislumbraram a vista esplendorosa da orla do Leblon e de Ipanema.
- Uau! Eu já vim aqui tantas vezes, e me surpreendo em todas!
- É lindo! - virou levemente o rosto, encarando Hoseok -
O perfil dele era lindo! Pôs-se a admirar o maxilar desenhado dele e então sorriu.
- Vamos sentar?
Ele esticou a blusa frio no chão arenoso da pedra para que se sentasse sobre, mas ela não queria sujar a blusa do loiro de jeito nenhum e então ele insistiu brincando que iria embora caso ela não se sentasse e então ela se sentou imediatamente. Hoseok queria ter a oportunidade de ficar perto de , sentindo-a então se sentou atrás da mesma passando as pernas ao redor do corpo dela e então sentiu se encostar em seu peito. Hoseok passou os braços em volta do torso dela, a abraçando. Ele encostou o nariz no topo da cabeça de , cheirando o cabelo preto dela e voltou a se questionar: aquilo que ele sentia quando estava com ela era paixão? Aquela atração intensa quando pensava, lembrava ou estava com ela, aquela vontade absurda de estar sempre a tocando, aquele nervosismo intenso quando recebia mensagens dela, quando se falavam por videochamada ou pessoalmente, o coração dele palpitava quando olhava para o rosto dela, e acelerava quando ela sorria ou ria, e quando ela o tocava e beijava ele tinha a sensação que morreria quando se desgrudassem. Ele não sabia, mas tinha a plena certeza que amava estar com ela. E aquilo era muito estranho e novo para Hoseok, ele às vezes se assustava. Tinha medo que aquilo tudo acabasse repentinamente, que ela enjoasse, que ela se cansasse, ou que conhecesse alguém mais interessante e o deixasse de lado...
- Eu vinha muito a essas praias de cá com o meu pai! Quando eu era bem pequenininha! Me lembro que como a mão dele era muito grande para a minha, ele me dava o dedo indicador para que eu segurasse, e assim nós andávamos pela orla e depois íamos para o mar. Nunca me esqueço desse negócio do dedo. - sorriu saudosa -
- Faz pouco tempo, né?
- Faz! - ela engoliu seco, não queria chorar com Hoseok pelo mesmo motivo que havia chorado com Namjoon - E os seus pais? Eles são divorciados?
Os dois nunca haviam tocado naquele assunto. sabia que ele morava e cuidava do pai, já começando a ficar velho. Hoseok engoliu seco. Aquele era um território árido para ele.
- Vamos dizer que sim! - ele riu, sem graça -
subiu o olhar para o rosto dele, ajeitando o rosto para que conseguisse fazer isso.
- Como assim?
- A minha mãe abandonou a gente quando eu ainda tinha um ano! Eu nem me lembro dela! E bom, isso destruiu o meu pai de todas as formas possíveis! Ainda mais porque comigo ainda adolescente, ele ficou doente e não conseguiu mais trabalhar, e a gente passou bastante dificuldade e eu comecei a trabalhar informalmente bem cedo, para ajudar em casa, porque a aposentadoria dele demorou muito para sair.
Hoseok também olhou para ela.
- E desde então você nunca mais soube da sua mãe?
- Não! - ele balançou a cabeça em negativa - E foi muito difícil! Meu pai disse que ela apenas deixou um bilhete falando que estava indo embora porque aquela não era a vida dela.
Os olhos dele se encheram de água e depositou um beijo no queixo dele e se ajeitou nos braços dele, conseguindo ficar com o rosto perto do dele.
- Já tentou procurar por ela?
- Não quero! - ele balançou a cabeça veementemente - Ela me rejeitou, não tem porque eu ir atrás dela! Ela sequer se preocupou em como nós ficaríamos sem ela, em como o meu psicológico ficaria sem ter uma mãe. Ou como eu lidaria com a saudade, meu pai…
Hoseok engoliu o choro. Se recusava a chorar pela mãe naquela altura do campeonato. Havia anos que não falava sobre aquele assunto com alguém, que ele até havia se esquecido de como doía todas as lembranças ruins que aquilo desbloqueava.
- Eu sofri muito na escola! O pessoal pegava no meu pé, por ser o menino abandonado pela mãe! “Nem sua mãe te quis” e coisas do gênero, sabe?
sentiu o coração doer dentro do peito então envolveu o rosto dele com as mãos encostando a testa na dele. O beijou. Com delicadeza, e com a doçura que o momento pedia. Não queria vê-lo sofrer. Hoseok correspondeu ao beijo apertando a nuca dela.
- Você não merecia passar por essas coisas! Você é tão puro! - ela sussurrou para que somente ele ouvisse ainda com a testa encostada na dele - Você é diferente! E eu gosto disso! Agora tudo faz ainda mais sentido! Sua insegurança, sua timidez…
- E você ainda vai ficar? Aqui? - ele segurou a mão dela e levou até seu peito - Sou complicado demais pra alguém querer ficar perto por muito tempo.
percebeu que o coração dele batia rápido. Então ela voltou a beijá-lo, dessa vez com urgência segurando os cabelos dele. As mãos dele percorreram suas costas e cintura, então ele a apertou contra si. Agora o beijo era mais intenso e os dois nem se importaram com a presença de outras pessoas no local. O beijo só parou quando eles finalmente ansiavam por ar. Com as respirações levemente descompassadas, observou Hoseok, que tinha os olhos fechados.
- Vou ficar pelo tempo que você me permitir ficar!
- É que ninguém nunca olhou para mim do jeito que você me olha, - ele pausou, olhando-a de volta - na verdade, acho até que nunca ninguém olhou para mim.
- Hoseok - ela também pausou, ainda segurando o rosto dele - tô presa no teu campo gravitacional, cara. Não sei como eu saio daqui e nem quero sair.
depositou um selinho demorado nos lábios dele e o abraçou com força. Ela não entendia muito bem o que eles estavam tendo, mas queria ir com calma, para que nenhum dos dois saísse machucado dali. O que ela sabia é que estava envolvida demais para perdê-lo. Ao mesmo tempo que também se sentia presa ao que estava construindo aos poucos com Namjoon, em alguns momentos ela sentia que a cabeça daria um nó. O corpo dela reagia sempre com força aos dois homens. O coração dela acelerava com ambos, ela se sentia protegida com ambos, ela gargalhava de graça com ambos, os dois cuidavam dela. Naquele momento, ela não queria escolher. Mas e se em algum momento precisasse?
Trigésimo Oitavo Capítulo - Apareceu você
Apesar de amarem o Garage, elas decidiram mudar de lugar neste sábado. Foram para o Ruanita. havia chamado Hoseok enquanto estavam lá no arpoador mas ele havia dito que esse final de semana ele dedicaria ao pai, o que entendeu e achou fofo. Então ela achou que estava na hora de conhecer Namjoon, então elas o chamaram. De começo ele disse que não iria porque queria estudar a fundo um processo, mas depois pensou melhor e acabou aceitando, após ouvir de que mais uma vez ele só se afundava no trabalho. As amigas chegaram juntas, e logo em seguida Jimin apareceu cumprimentando e e lançando um aceno de cabeça pra que retribuiu. E lá estavam os dois novamente fingindo que nada havia acontecido entre eles!
Os amigos escolheram uma mesa e então se sentaram, conversando sobre amenidades até que visualizou Namjoon caminhando até eles, e ela sorriu para o amigo, se levantando.
- Nam! Que bom que você veio!
Jimin que olhava o celular, travou o maxilar ao ouvir o apelido do rapaz e então o olhar dele subiu para o tal Namjoon que agora abraçava carinhosamente , chamando-a de “pequena”. Jimin sentiu a insegurança bater em sua porta, porque o homem era um tanto quanto alto e tinha os ombros largos. Ele umedeceu os lábios com a língua. Que audácia de chamá-lo para o bar com Jimin presente! Como ele era o próximo na cadeira, se levantou ficando frente a frente com o rapaz. Namjoon sorriu abertamente para ele e Jimin sentiu vontade de socar a cara bonita dele. Namjoon ergueu a mão na direção de Jimin, que apertou a mesma.
- Namjoon! - ele se apresentou -
- Jimin! - Jimin apertou firmemente a mão dele -
- Ele trabalha comigo e com a , Joonie! - gritou do outro lado da mesa - E é um dos meus melhores amigos!
Jimin lançou um olhar para ainda segurando a mão de Namjoon, e os dois sorriram um para o outro. Jimin gostava daquele título. Então quer dizer que também conhecia o tal Namjoon? E as duas tinham apelidos carinhosos para ele?
Assim que os dois soltaram as mãos, Namjoon deu duas batidinhas nas costas de Jimin ao passar por ele para ir de encontro à e a . O olhar de e Namjoon se encontrou e então Namjoon riu e viu ela rir de volta. Como o mundo era pequeno! Lá estavam os dois se encontrando de novo, e ela era amiga de e . Namjoon, cético que só, pensou se de fato seria o destino…
resolveu que era melhor fingir que não conhecia Namjoon, porque teria que explicar às amigas o contexto de tê-lo encontrado, e aquilo incluia ter que contar tudo sobre Jin, bom, ela não queria ainda.
- Esse é o Namjoon, ! Amigo meu e da , sabe?
sentiu as bochechas corarem com o comentário de .
- Prazer, Namjoon! Queria muito te conhecer, você é muito falado! - ergueu a mão, esperando que ele entrasse no jogo dela -
Namjoon olhou para ao ouvir que era muito falado, e ela então desviou o olhar para o chão. Namjoon segurou a mão de .
- O prazer é todo meu, ! - ele piscou para ela, que agradeceu mentalmente -
Namjoon pensou que provavelmente ela não se lembrava muito bem dele, afinal de contas ela estava muito nervosa do dia que se conheceram. Depois de cumprimentar , Namjoon se dirigiu na direção de que já estava em pé. O olhar dele passeou pelo corpo dela dentro do vestido que ela usava. Ele segurou o rosto dela entre as mãos e tomou a liberdade de selar os lábios dela com os seus. Jimin, atento à cena, arregalou os olhos. Como assim? Ele pensou. Namjoon havia beijado levemente os lábios de e não os de ? E havia correspondido… Primeiramente Jimin levou o pensamento ao amigo… Hoseok sabia que saia com outras pessoas? Assim que Namjoon se sentou entre e , o olhar dele se cruzou com o de . Ela estava corada e Jimin balançou a cabeça positivamente para ela, como se dissesse a ela que ele não tinha nada a ver com aquilo, e de fato não tinha! Ela e o amigo estavam apenas se conhecendo e provavelmente também estava conhecendo o tal Namjoon. Ela era solteira e podia fazer o que bem entendesse de sua vida amorosa. Lógico que Jimin esperava que Hoseok não fosse magoado, mas também não queria magoada. Mas não podia negar o alívio que estava sentindo ao saber que Namjoon estava com e não com !
Assim que chegou no lugar e vislumbrou V acompanhando de um rapaz alto e uma garota que ficava baixinha no meio dos dois rapazes vestindo uma calça jeans e uma blusa de gola alta e mangas longas ela presumiu que aqueles poderiam ser ou o tal Jin, amigo de V ou o rolo da irmã dele um tal de JK e aquela seria com toda a certeza, a irmã de V! sentiu-se estranhamente nervosa em saber que conheceria tantas pessoas próximas e importantes para V. O que significava que ele confiava mesmo nela.
Se aproximou do pequeno grupo que estava de fora do bar, assim que V olhou para ela ele sorriu, erguendo os braços em sua direção. E então os dois se abraçaram por um longo período. Taehyung estava mais cheiroso que o habitual e então se lembrou do dia em que quase se beijaram.... Assim que os dois se largaram, , sem graça, deu um aceno com a mão na direção do grupo.
V então apresentou a irmã para . As duas se cumprimentaram com um beijo de na bochecha dela. ficou impressionada com o quanto os dois eram parecidos! Ela era igualmente bonita. Depois cumprimentou Seokjin, o então melhor amigo de V. Jin lançou um olhar cúmplice na direção de V, como se dissesse que pelo menos por enquanto ela estava aprovada, e V riu baixinho para ele. Passados alguns minutos Jungkook chegou, sendo apresentado para Jin e .
- Porque vocês escolheram esse lugar? Aqui é bem meia boca, viu? - JK se pronunciou -
- Jura? - questionou, olhando para trás dando uma rápida olhada no lugar -
- Todo munda fala bem daqui, achei que seria legal! - V deu de ombros -
- Não! E se a gente fosse para outro lugar? Bora pro Ruanita? Lá é bem mais animado e os drinks são os melhores da cidade!
Os cinco se olham entre si e então concordam em mudar de bar.
As cervejas acabam de ser depositadas sobre a mesa e rapidamente pegou a sua, dando um gole da mesma. Enquanto sentia a mesma descer por sua garganta ela vislumbrou a entrada do bar. Os olhos dela mal acreditavam no que ela via… Ele usava uma camisa social azul clara, bem larga no corpo e uma calça jeans de lavagem escura, e ria de algo que outro rapaz dizia. Era como se ela tivesse ouvido aquela risada bem perto de seu ouvido. Risada essa que ela ouviu durante uma semana seguida. Ele não havia mudado nada a não ser pelo cabelo agora maior. Seokjin.
Ao mesmo tempo que achava que aquela figura alta e linda adentrando o bar e se sentando em uma mesa alguns metros da dela, era somente uma miragem de sua mente perturbada, ela sabia que era perfeitamente possível que em algum momento ela o visse por aí, já que moravam na mesma cidade. A bebida voltou com tudo em sua garganta e ela acabou por cuspir a mesma em que agora estava sentada ao lado dela.
Todos os presentes na mesa observaram a cena, atentos e perguntou se a amiga estava bem e o que havia acontecido.
- Me engasguei! Tomei muito rápido! - ela respondeu enquanto tentava ajudar a amiga a se limpar - Me desculpa !
A amiga disse que não tinha problema, que aquelas coisas aconteciam mesmo e então ela voltou o olhar na direção dele, agora sentado de costas para ela. Agradeceu mentalmente ao Universo pela segunda vez na noite e pediu que ele não se virasse de forma nenhuma, implorou a Deus que ele não a visse em momento algum daquela noite. Ela não estava preparada para encarar os olhos negros dele, ou a cara de surpresa que ele faria ao vê-la depois de dois meses, especialmente se ele a olhasse com mágoa ou dor… A respiração dela estava descompassada, mas somente ela parecia perceber. Voltou a beber a cerveja. Os amigos agora chamavam a atenção dela para decidirem juntos o que pediriam para comer. E ela apenas ouvia as vozes do grupo como se eles estivessem distantes, ela só conseguia pensar que Seokjin estava ali, há poucos metros dela! apenas assentiu ao que os amigos falavam, e concordou com o que quer que fosse que eles haviam falado sobre uma porção qualquer.
Jin ria bastante enquanto e Jungkook contavam para ele sobre como eles se conheceram de fato e o acompanhava. V deu uma olhada pelo bar e então seu olhar se deteve na mesa de . Ele sorriu sem mostrar os dentes ao ver a garota que admirava ali! Seria ela mesmo? Que mundo pequeno! Será que seria de bom tom da parte dele ir até ela e pedir uma foto? Ele cutucou delicadamente.
- Está vendo aquela moça ali? - ele apontou discretamente na direção de -
- Sim! O que tem? - passou as mãos pelos cabelos dele, ajeitando-os -
- Ela faz umas lives bem maneiras de jogos online e eu curto muito o trabalho dela! Acha que peço uma foto, ou vou estar invadindo o espaço dela?
passou os olhos por e pela mesa dela, pensando já ter visto aquelas pessoas em algum lugar.
- Vai lá! Quando você vai ter outra oportunidade desta V? Pede uma foto sim!
Jin então pegou o celular que estava sobre a mesa e o desbloqueou, se esquecendo que o mesmo estava aberto no perfil de . Era a quinta vez só hoje que ele entrava lá, buscando coragem de mandar alguma coisa em sua DM. Mas ele estava com tanta raiva que tinha medo de acabar metendo os pés pelas mãos. Foi quando Taehyung se levantou ajeitando a camiseta que vestia e dizendo que já voltava.
- Vai aonde, doido? - Jin questionou virando o rosto para olhar o amigo de pé -
não conseguia desgrudar o olhar da mesa de Jin e quando viu um dos acompanhantes dele se levantando e conversando com ele, ela pensou que desmaiaria ali mesmo, e se ele a tivesse visto?
- Vou ali falar com a menina da live que assistimos aquele dia! Acredita que ela até aqui no bar? Quando vou ter outra oportunidade dessas? Vou pedir uma foto! - ele sorriu e então saiu da mesa -
Jin sentiu que o chão que ele apoiava os pés havia sumido. Como assim ela estava ali? V não brincaria com uma coisa dessas, afinal de contas ele admirava a garota! O destino estava agindo rápido demais, e Jin pensou que vomitaria. Resolveu não olhar para trás, não tinha coragem de encará-la. Era como se, vê-la, de fato tornasse toda aquela dor ainda mais real, e ele não estava conseguindo processar aquele banho de informações tão recentes. e começaram a conversar enquanto Jungkook mexia no celular. A cabeça de Jin rodava. sentiu a dela rodar também quando o amigo de Jin começou a caminhar na direção da mesa dela. Será que era Jin que havia mandado ele ali? abaixou a cabeça.
- Com licença? - V questionou já em pé na mesa de -
Os amigos que conversavam animadamente - menos - cessaram o assunto e olharam para Taehyung, que sorriu sem mostrar os dentes.
- ? - ele apontou para ela e os amigos então olharam para ela -
- Sim? - ela ergueu o rosto olhando nos olhos de Taehyung -
- Meu nome é Taehyung, e eu queria dizer que gosto muito do seu trabalho e que te acompanho desde o começo das suas lives na Twitch....
Os amigos de fizeram alguns barulhos, em comemoração e sentiu um peso enorme sair de suas costas.
- Pode tirar uma foto comigo? - ele ergueu uma sobrancelha -
sorriu aliviada, enquanto se levantava da mesa. Então era isso? Ele a conhecia devido às lives e era apenas um admirador? Então quer dizer que Jin não havia comentado nada dela? Será que ele ao menos se lembrava dela?
V entregou o celular a Jimin, que se ofereceu para tirar a foto enquanto brincava com o fato de não saber que era tão famosa assim, o que fez Taehyung e os amigos rirem, inclusive . Delicadamente passou um de seus braços pela cintura de Taehyung que fez a mesma coisa com ela e então a foto foi tirada. Logo Taehyung aproveitou a oportunidade para puxar assunto sobre alguns dos jogos da empresa onde trabalhava. Ela mesmo muito nervosa, e temendo que Jin pudesse olhar na direção deles a qualquer momento, deu atenção ao rapaz. Agora ele se despedia educamente dos amigos de , pedindo desculpas caso tivesse atrapalhado e então ao se despedir de ele usou o bordão que a mesma sempre usava ao encerrar suas lives.
- Se você quiser jogar comigo, é melhor conhecer bem o jogo. - e piscou para ela -
gargalhou alto com a forma descontraída de se despedir dela,e caramba ele realmente era fã das lives dela.
Jin ouviu a risada de ecoar pelo bar, e invadir seus ouvidos. Aquilo havia sido a gota d’água e ele então se virou na direção do som, encontrando jogando a cabeça para trás rindo de algo que o melhor amigo dele falava. Sentiu o sangue ferver dentro das veias. Então ela estava feliz? Durante todos esses dois meses ele mal conseguia trabalhar enquanto ela gargalhava ali tranquilamente, sem um pingo de remorso?
Num rompante, como se algo maior o tivesse forçado a fazê-lo, ele se levantou e caminhou cegamente em direção aos dois, deixando , Jungkook e sem entender.
- Muito prazer! Meu nome é Seokjin, e o seu, qual é mesmo? - ele interrompeu bruscamente a despedida entre e o melhor amigo erguendo a mão na direção da garota - O verdadeiro se possível, dessa vez! Já que você é uma mentirosa!
engoliu seco, finalmente encarando Seokjin ali parado em sua frente. O rosto dele estava vermelho e ele havia falado tudo muito rápido. A mão dele continuava ali erguida. sentiu o corpo todo arder. E os olhos dela marejaram pesadamente. A cabeça de Jin continuava rodando e o peito dele doía miseravelmente.
V olhava do amigo para , sem entender nada, com os olhos arregalados, e os amigos de estavam em silêncio, tentando entender.
- Com licença, eu vou ao banheiro. - virou-se esbarrando as costas na mão erguida de Jin -
No caminho para o banheiro ela deixou duas lágrimas teimosas descerem bochechas abaixo. Jin bufou enquanto se apressava para segui-la mas foi impedido por Namjoon, que o segurou nos ombros, empurrando Jin para trás.
- Calma ai fera! - Jimin também se levantou ficando ao lado de Namjoon pronto para ajudar se fosse necessário alguma intervenção -
- Não cara! Eu preciso conversar com ela, eu não posso deixar que ela fuja outra vez de mim!
- Então você vai esperar ela voltar do banheiro e ver se ela aceita conversar com você! - Namjoon cruzou os braços abaixo do peito, preocupado -
- Exatamente! Mas desse jeito escroto não! - Jimin complementou -
e já estavam em pé e caminhavam em direção ao banheiro atrás da amiga, que jogava um tanto bom de água no rosto e nuca. Era uma tentativa chula de se acalmar, sabia que seria em vão.
- É ele o rapaz que você se apaixonou durante a viagem ? - questionou enquanto acariciava as costas da amiga -
apenas assentiu que sim para a amiga, voltando a marejar os olhos.
- E porque ele falou com você daquele jeito? Ele te chamou de mentirosa, !
tinha o semblante bem sério enquanto aguardava a resposta amiga. passou as mãos pelo rosto, e bufou.
- Eu posso explicar depois? Agora preciso conversar com ele, não posso mais fugir disso!
Assim que as três voltaram do banheiro, elas encararam Taehyung, Jimin, Jin e Namjoon esperando que elas voltassem do banheiro. Jin mordia os lábios impaciente enquanto os outros três encaravam as garotas, bem sérios.
- A gente pode conversar, Seokjin?
- Por favor! Eu estou esperando isso há dois meses!
Namjoon trocou um olhar com Jimin. Enquanto isso , Jungkook e encaravam toda a cena da mesa deles, sem entender nada, eles apenas olhavam a cena e se olhavam.
- Vocês podem conversar em algum lugar diante das nossas vistas, por favor? - Namjoon pediu enquanto segurava os ombros de , com receio do rapaz.
- Pode ficar tranquilo cara! Eu não vou fazer nada com ela!
Os dois se encararam e pediu que Namjoon se acalmasse, mas garantiu a ele que sim, eles conversariam a vista de todos. V então retorna para sua mesa, atônito.
- Que que tá rolando Tae? - perguntou com os olhos arregalados -
- Eu também não estou sabendo direito, tô sem entender nada! Mas preciso ficar de olhos nos dois!
chegou primeiro ao estacionamento e na defensiva cruzou os braços abaixo dos seios, sem ter coragem de encarar Jin assim que ouviu os passos dele chegando no estacionamento.
- Posso te perguntar uma coisa?
Ele se aproximou mais um pouco sentindo o coração pular no peito como se fosse a bateria de uma escola de samba.
- Claro...
- Foi fácil?
finalmente teve coragem de se virar, encarando Jin realmente de perto pela primeira vez em dois meses. Ele estava ainda mais bonito. Sentiu vontade de tocar o rosto dele. O coração dela, que estava começando a se recuperar, quebrou-se em mil pedaços outra vez.
- O que foi fácil?
- Me deixar! Como se não fossemos nada, como se eu não fosse nada pra você. O que eu devia fazer sem você? Eu fiquei preso em um limbo de “tarde demais para catar os pedaços e cedo demais para me desfazer deles,” você ao menos se sentiu abatida assim como eu? Ver seu rosto agora faz meu corpo doer, e aparentemente isso não vai me deixar em paz tão cedo!
Agora os olhos de Jin estavam começando a marejar. O coração ainda batia fora de controle dentro do peito dele.
- Você acha que foi fácil? Você tem noção de como foi a minha vida depois daquela noite? Você sabe o que eu passei ou o que eu fiz depois daquela semana?
engoliu seco, sentindo um nó começar a se formar na garganta. Vê-lo, ali, parado em sua frente, não parecia real.
- Não, eu não sei, porque você me abandonou como um brinquedo velho num canto qualquer que não tinha mais graça pra você!
Aquilo atingiu como se fosse um grande soco no estômago, era quase físico o que ela sentia com as palavras dele a atravessando.
- Jin, tudo que eu fiz no dia seguinte daquele adeus foi deitar na cama e chorar, e eu passei provavelmente uma semana presa num quarto de hotel sem ter forças pra sair e viver minha vida! Tudo que tinha na minha mente eram meus momentos com você. Mas depois de um mês eu comecei a seguir em frente e depois de dois meses, eu me senti bem a ponto de voltar pra casa, pra minha família, amigos e minha vida normal, a vida da que você não conhece, e eu cheguei a considerar que depois de uns três meses você estaria fora da minha mente e que em quatro ou cinco meses eu provavelmente estaria vivendo minha vida,que eu estaria melhor e não teria que tentar não pensar em você! Até que você apareceu hoje me tratando como se eu nem me lembrasse de tudo que a gente viveu!
Jin fechou os olhos, deixou que duas lágrimas teimosas descessem e então ele as limpou rapidamente. Não queria chorar na frente de .
- Você nem sequer foi capaz de me dizer seu verdadeiro nome, o verdadeiro local que você estava hospedada, foi cruel! - ele aumentou o tom de voz um pouco - Você podia ter ao menos mandado uma mensagem dizendo que eu não signifiquei nada pra você, que pelo menos você teria me libertado desse calabouço que você me trancou! Durante todo esse tempo eu me senti como se estivesse me afogando, tive dificuldade para dormir, sonhos inquietos, você esteve sempre nos meus pensamentos, sempre. E eu me perguntei de verdade se você realmente ao menos se lembrava de tudo que vivemos pelo menos na última noite!
balançou a cabeça em negativa, incrédula com o que Jin acabara de afirmar. Que imagem era aquela que havia ficado dentro dele?
- Se eu me lembro? - fechou os olhos - Nós saímos para jantar, o restaurante se chamava Mangai, você usava uma camisa social azul claro e um paletó de cor palha, eu cheguei mais ou menos 10 minutos atrasada e você já estava lá com a carta de vinhos em mãos, então eu sugeri que escolhêssemos primeiro os pratos e pedíssemos ajuda ao maître para escolher o vinho. Nós pedimos um escondidinho e antes do maître chegar até a gente, você me entregou um papel com seu telefone, endereço e o endereço e data da sua exposição, e você me pediu pra prometer que eu te procuraria, que nosso lance não acabaria lá! E sabe o que eu estava pronta pra dizer, Jin? Eu ia te dizer que não podia prometer nada, sem qualquer destino ou garantia, que minha única promessa seria que aquela noite, seria a melhor das nossas vidas, mas o maître nos interrompeu, e de novo eu perdi a coragem de falar. Nós tomamos um Muscadet branco, depois do jantar nós dividimos uma sobremesa gelada e então demos nosso primeiro beijo da noite. Ao sairmos de lá, nós caminhamos juntos e você disse que tinha programado uma surpresa, então nós fomos ao parque de diversões da cidade e aquele gesto me tocou muito, porque você se lembrou que eu queria ir, e porque é um tipo de local importante pra mim, que me traz lembranças e nós nos beijamos de novo em frente ao parque, eu me emocionei, você me perguntou se estava tudo bem, nós fomos a vários brinquedos do parque, e por último nós passamos naquelas máquinas de bichinhos de pelúcia, - ela umedeceu os lábios com a língua -
E então continuou:
- E você não conseguiu pegar um pra mim, mas eu consegui pegar o que você queria pra você e você me disse que iria com ele na mão durante o voo, pra pensar em mim! Eu achei que a noite acabaria ali, e você disse que não, então começamos a caminhar de novo, a caminho do hotel dessa vez, e aí paramos numa feirinha de rua, compramos lembrancinhas para nossos amigos, e você me deu isso - puxou a manga da blusa de malha fina que ela usava abrindo os olhos por alguns instantes, mostrando que ainda usava a pulseira, voltando a fechar os olhos em seguida - Você disse que era pra eu não esquecer de você, e quer saber Seokjin? De fato eu não esqueci nem um minuto, e não tirei essa maldita pulseira para absolutamente nada! Era como se isso fosse nossa única ligação ainda existente! Mas voltando a nossa última noite: nós chegamos ao local, se chamava Reserva Madero, nós ficamos na cobertura, você decorou todo o quarto para uma noite romântica, e então nós fizemos amor, transamos, ou como você se referiu aquele dia, fudemos, foi essa a palavra que você usou né? E depois você me contou dos seus sonhos que você tinha comigo sem nem me conhecer, e às duas e meia da manhã começou a chover, nós subimos para a área aberta da cobertura e nos beijamos debaixo da chuva porque tínhamos comentado que queríamos fazer isso juntos! Ficamos um tempo na chuva e finalmente descemos pra dormir, você me pediu pra te acordar porque tem o sono pesado, e você tem mesmo, porque nem sequer me ouviu chorar até que eu pegasse no sono, - ela soltou uma risada nasalada -
Pausou por alguns segundos e seguiu:
- E eu saí bem cedo Jin, queria que nosso adeus fossem só com as coisas boas que vivemos, não queria ter que acabar com todas as mentiras ali e te causar algum sofrimento! E eu corri tão rápido que podia sentir o vento no meu rosto secando meu choro tão envergonhado, eu quis te contar Jin, eu quis te contar tantas vezes, mas eu perdi o time!
voltou a abrir os olhos e retirou um papel de dentro da bolsa, se aproximou de Jin, ficando próxima o suficiente para lhe jogar o papel no peito. O papel em questão era o mesmo que Jin havia entregado à ela ainda no restaurante com os endereços e seu telefone. Ela ainda guardava aquilo? Jin sentiu a cabeça doer, de confusão. Porque? Ele lia o papel como se não soubesse muito bem o que estava escrito ali.
- Eu carreguei esse papel comigo durante todo esse tempo, e quer saber? Na verdade ele é inútil, porque eu já decorei tudo que está escrito aí! Eu já salvei seu telefone e tentei mandar mensagem diversas vezes desde que cheguei nessa maldita cidade, eu fui até sua exposição, você não estava, mas adivinha só? Eu vi um quadro que se parecia muito comigo, e eu tirei uma foto com ele - retira o celular da bolsa, desbloqueia o mesmo e procura pela foto, rapidamente a encontrando e colocando o celular próximo ao rosto de Jin que não esboçava reação nenhuma - Eu já fui até a porta do seu prédio, e não tive coragem de descer e te procurar, como eu faria isso? Como eu chegaria até você e me apresentaria, te diria toda a verdade e destruiria todas as lembranças boas que você tinha de mim? E você ainda tem a coragem de me perguntar se eu me lembro? Um dia depois de eu ter desaparecido da sua vida, eu estava quebrada pela segunda vez, e eu orei tanto no terceiro dia para que eu ficasse bem! Para que eu me esquecesse que você um dia foi meu, eu acho que você não percebe o quanto eu tive que lutar pra viver a minha vida, pra ficar melhor e não ter que tentar não pensar em você Jin!
Ele passou as mãos pelos cabelos, atônito com todas aquelas informações expostas à ele ao mesmo tempo. Completamente atônito.
- Então me explica, qual o motivo da sua viagem, por que tanto tempo fora? Por que não podia me falar seu nome ou qualquer outra verdade sobre você?
Ele queria ouvir da boca dela que tudo aquilo havia acontecido para superar o tal namorado que ele achava que ela tinha, ou teve.
- Eu precisava me encontrar Jin, precisava me encontrar e aceitar uma perda muito dolorosa pra mim!
Bingo! Ele pensou.
- Todo esse sofrimento e manipulação comigo por que você terminou a porra de um namoro? Era essa a perda dolorosa?
Jin voltou a encher os olhos d’água. Aquilo estava doendo pra porra.
- Do que você tá falando? - ergueu uma sobrancelha, o semblante dela agora estava confuso -
- Eu achei seu instagram, ! -ele retirou o celular do bolso, tremendo, desbloqueou o mesmo - E caramba! Como é estranho te chamar por outro nome que não seja Olivia. Você e esse seu nome falso me assombraram por tanto tempo! Foi porque esse babaca terminou com você que você precisou acabar com a vida de outra pessoa pra se sentir melhor?
Foi a vez de Jin erguer o celular na altura dos olhos de , mostrando à ela a foto dela e de Mário abraçados, na praia com a legenda: “Amor da minha vida todinha”.
Aquela foto bateu forte em , que não segurou as lágrimas, liberando-as todas de uma vez, tapando o rosto com as mãos. Jin havia entendido tudo errado, e para piorar estava a quebrando em mil pedaços. Um relâmpago pode ser ouvido, e logo a chuva caiu pesadamente do céu. Que nem quando eles se beijaram pela última vez...
Assim que conseguiu tirar as mãos do rosto, já completamente molhado pelas lágrimas. sentiu tanta raiva que empurrou Jin para trás com as mãos espalmadas em seu peito, e depois o estapeou no mesmo lugar diversas vezes enquanto contava:
- Você acha mesmo que eu precisaria de tanto assim pra superar um namoro? Esse cara é meu irmão, e ele tá morto agora! Ele morreu uma semana antes do dia em que eu te conheci, era essa a perda que eu precisava superar! Meu irmão tinha sua idade, e ele de fato era o amor da minha vida, não fale coisas que você não sabe Jin.
Jin a segurou pelos pulsos, já deixando também as lágrimas escorrerem pelo rosto, se misturando à chuva pesada que caía. Os amigos, vislumbravam toda a cena na porta do restaurante, sem saber como agir, preocupados com a cena e especialmente com os dois amigos daquele jeito debaixo da chuva.
Ele afastou de si empurrando-a delicadamente pela cintura, mas ela ainda o batia e Jin, só sabia chorar. Assim que ela se acalmou um pouco cessando os tapas, ela segurou a cintura dele. Ainda chorando.
- Se você tivesse me dito a verdade , não estaríamos passando por isso! Você vai me enlouquecer! - Jin virou-se de costas para ela, cortando o pouco contato físico das mãos de em sua cintura enquanto passava freneticamente as mãos pelos cabelos - Porque mesmo depois de descobrir suas mentiras, por mais que eu não tivesse mais nada para me agarrar, porque bem, você voltou não é? Você tinha como me procurar, mas não fez porque não quis, você supôs que eu não te perdoaria, e nem sequer tentou, e eu continuei chamando seu nome nos meus sonhos, e você continuou nos meus pensamentos, sempre!
Jin voltou a ficar de frente a que nesse momento tentava em vão limpar as lágrimas. Os dois já estavam encharcados pela chuva, e Jin sentia que o coração havia diminuído dentro do peito, tamanha a dor daquele momento. Tudo que ele mais quis durante um mês e meio foi encontrá-la! Mas agora, aquilo doía tanto que ele desejou nunca tê-la reencontrado.
- Eu já tinha te magoado o suficiente, não queria te magoar mais ainda! Achei que com o tempo você se esqueceria de tudo e viveria bem!
- As rachaduras não vão se consertar , e as cicatrizes não irão desaparecer! - ele apontou para o próprio peito - Acho que eu só deveria me acostumar com isso! Nós éramos apenas dois estranhos na praia, mas depois dessa conversa, me diz, qual é a diferença entre o antes e o agora?
Jin a segurou pelos ombros, sacudindo-a levemente enquanto ambos se desmanchavam em lágrimas. As mãos dele desceram por seus braços, parando em um de seus pulsos. Ele ergueu a manga da blusa que ela usava, encarando a pulseira que havia dado à ela. O peito dele doía tanto e ele estava com tanta raiva de tudo aquilo. Não estava raciocinando direito, então ele arrebentou a pulseira do pulso de , fazendo o mesmo com a própria pulseira segundos depois. sentiu como se todas aquelas miçangas espalhando-se pelo chão fossem os pedaços de seu próprio coração. E então ele foi embora.
se agachou no chão, no meio ao caos da chuva que parecia estar ainda mais forte enquanto em vão, pegava cada miçanga, como se a vida dela dependesse daquilo. As amigas não pensaram duas vezes, e foram logo atrás de .
Namjoon tentou impedir as mesmas, mas não conseguiu. V ligava para o amigo sob o olhar atento de e JK, atônitos com tudo que haviam acabado de presenciar.
As amigas se ajoelharam ao redor de e passava as mãos nas costas da mesma , também atônita com a situação e um pouco em choque com a intensidade dos acontecimentos, apenas ajudava a amiga com as miçangas.
Namjoon, um tanto quanto desesperado, pegou um dos guarda-sóis do bar, das mesas disponíveis do lado de fora e então foi em direção às três, tapando-as da chuva com o guarda-sol e então caminhando com as mesmas de volta para o restaurante em segurança.
Jimin arrancou a blusa de frio que ele vestia e cobriu os ombros encharcados de já que ela estava bem mais molhada que as meninas, temendo que a mesma se resfriasse. E então Namjoon guiou para que ela se sentasse.
A amiga estava aos prantos ainda, encarando as miçangas nas mãos, com o choro preso na garganta por dois meses rolando solto pelo rosto.
e se olhavam, tentando entender tudo aquilo. E quando soltou as miçangas sobre a mesa levando as mãos sobre o rosto para abafar o choro, Namjoon colocou uma das mãos sobre o ombro dela.
- É a segunda vez que nós nos encontramos e consequentemente é a segunda vez que te vejo desse jeito! Provavelmente deve ser o mesmo motivo de ambas as vezes. Você precisa conversar sobre isso com alguém! Isso deve estar te sufocando! Se não está, ainda vai!
- Como assim? Segunda vez? - segurou o braço de Namjoon sem entender nada, assim como e Jimin -
- Nos encontramos numa padaria esses dias e ela estava basicamente desse mesmo jeito!
levou a mão até a boca, balançando a cabeça em negativa.
- Vamos embora amiga! Vamos lá para casa! Você não pode ficar sozinha nesse estado! Nós não vamos deixar, não é ? - assentiu para -
Enquanto isso, Taehyung tentava falar com Jin, mas ele continuava não atendendo. e Jungkook ainda tinham os olhos arregalados encarando V. se levantou e segurou Taehyung pelos ombros, cessando o movimento de andar de um lado para o outro que ele fazia.
- Calma V! - ela segurou o rosto dele e então o abraçou -
- Gente, me desculpa! - ele apertou a cintura de com força - Mas eu tenho que ir atrás dele! Ele não deve ter ido muito longe com essa chuva! Não posso deixar meu amigo sozinho transtornado daquele jeito!
e ele se soltaram. E ele sussurrou um “desculpa !”
- Não! Você sempre me pedindo desculpas sem necessidade! Vai atrás do seu amigo! Ele deve tá precisando de você! Não se preocupa com a gente! Eu vou para casa! Me dê notícias de vocês dois, por favor? - Taehyung assentiu e beijou a testa dela -
Se despediu da irmã e de JK, também pediu que ele desse notícias. Antes de sair ele vislumbrou sendo amparada pelos amigos. Que porra era aquela?
Caminhou durante quinze ou vinte minutos, com a chuva agora sendo apenas um chuvisco de verão, e então achou o amigo, em pé na areia da praia, em frente ao mar. V se aproximou do amigo em silêncio.
- Graças a Deus te achei! - ele suspirou aliviado -
As lágrimas ainda escorriam pelo rosto vermelho de Seokjin. Taehyung se colocou ao lado do amigo e passou um dos braços em volta do pescoço dele.
- Consegue me contar o que aconteceu?
Jin assentiu, limpando as lágrimas teimosas e então contou tudo para o amigo, desde o começo até o episódio do bar. Com todos os detalhes possíveis. Taehyung sentiu a dor do amigo em cada palavra.
- Ela prometeu coisas que sabia que não seria capaz de cumprir. Tirou meus pés do chão, sabendo que me deixaria cair. - e então ele voltou a chorar -
V com os olhos também marejados, puxou o amigo para um abraço. No momento, era tudo o que ele podia fazer.
Trigésimo Nono Capítulo - There you are
Apertou para chamar o número dela, esperando que ela estivesse acordada e bem, já que não havia respondido as mensagens que ele enviara há cerca de doze minutos atrás. era rápida nas respostas, por isso Suga havia ficado preocupado que algo pudesse ter acontecido, fez uma nota mental de pegar o telefone de para que quando coisas assim acontecessem ele pudesse falar com ela.
- Alô? - ouviu a voz rouca e sonolenta dela do outro lado da linha e o coração dele acalmou as batidas - Suga?
se sentou na cama abrindo lentamente os olhos. Ultimamente ela só recebia ligações de Suga e raramente da mãe. Provavelmente não seria a mãe, a uma hora daquelas, afinal de contas já eram nove e tanta da noite e a mãe estaria dormindo já que dormia com as galinhas. Então a única pessoa possível, era Suga.
- Te acordei né? Me desculpa! - ele tragou longamente a fumaça do cigarro para dentro dos pulmões -
- Eu dormi sem nem ver que tinha dormido! Estava lendo um livro aqui e acabei pegando no sono! O que foi?
- Eu fiquei preocupado porque você não me respondeu, então resolvi ligar! Desculpe mesmo! Você deve estar cansada, trabalhou o dia todo…
sorriu. Odiava a si mesma quando ele fazia aquelas coisas, porque ela ficava achando-o o homem mais fofo do mundo, e aquilo não era certo!
- Imagina! Me desculpe por ter sumido! Eu me distraí lendo e depois acabei dormindo, não quis te preocupar.
Suga sorriu do outro lado da linha e logo em seguida balançou a cabeça se desfazendo do sorriso.
- Então está tudo bem? Você comeu?
- Ainda não! Vou tomar um outro banho, porque acabei suando e vou preparar algo pra mim! saiu com alguns amigos, então estou sozinha! Na verdade acho que talvez eu peça algo, não sei se compensa eu cozinhar só para mim!
Quando percebeu que na verdade havia pensado alto, levou a mão à boca, tapando a mesma.
- Eu levo para você! - Suga deu uma última tragada no cigarro e então o apagou no cinzeiro -
Ele se espreguiçou e então entrou no apartamento fechando a porta que dava para a pequena sacada.
- O que? Comida? Não Yoongi! - ela falou seriamente - Não precisa! Eu só pensei alto! Pode ficar tranquilo que eu peço daqui ou até preparo mesmo. Au! - ela soltou voltando a sentir a mesma cólica que sentiu na parte da manhã -
Sentiu bastante o incômodo das cólicas durante todo o período da manhã, mas ela havia lido que era normal no começo da gestação, então não quis preocupar ninguém à toa.
- O que foi? - Yoongi correu pro quarto abrindo o guarda-roupas -
- Nada! Sò uma cólica chata que já já passa!
- ! - ele exclamou enquanto pegava uma calça jeans - Você quer ir ao pronto socorro?
gargalhou enquanto passava uma das mãos pelos olhos, esfregando-os.
- É normal bobinho! No começo da gestação é normal essas cólicas! Vou comprar um remédio e aí vai passar! Não pira Yoongi!
- Em trinta minutos eu to ai! Com comida e o remédio, me manda o nome no whatsapp! Me manda agora! E me espera chegar para tomar banho! Rapidinho to ai!
E ele desligou deixando escutando apenas o barulho da linha. Porque ele tinha que fazer essas coisas? não podia e não queria se apaixonar por ele…
Se levantou da cama, espreguiçou o corpo com dificuldade devido às pontadas da cólica e então mandou o nome do remédio para Suga, ela resolveu que tomaria sim o banho, bem rapidamente afinal de contas nada aconteceria, era só uma cólica e Yoongi ainda demoraria um pouco, ela estava pregando e não gostava daquela sensação. Ligou para a portaria dizendo que caso o rapaz chegasse ele estaria liberado para subir.
Durante o banho, a mente de ficava repassando algumas memórias com Suga. As mensagens que trocavam, as ligações, a preocupação dele, o zelo para com ela. Todos os dias… fechou os olhos enquanto lavava o cabelo e o esfregava como se pudesse tirar as lembranças lá de dentro. Não podia ficar pensando nele! Era tudo pelo bebê, apenas pelo bebê…
Vestiu uma camiseta branca larga que usava sempre como pijama com a estampa de uma banda qualquer e um short de malha curto. Penteou os cabelos molhados e foi para a sala. Ligou a TV e a deixou ligada em um canal qualquer. Foi até a cozinha e tomou um belo copo de água sentindo a cólica a incomodar de novo. Até que ouviu a campainha soar. O coração dela deu um salto, ele havia chegado. Tentou acalmar o coração dentro do peito enquanto caminhava da cozinha até a porta do apartamento, repetindo para si mesma: “é pelo bebê , apenas pelo bebê…”
Abriu a porta e lá estava ele: uma camiseta de malha de mangas longas, uma calça jeans skinny como as que ele sempre usava - pelo menos nas vezes em que eles haviam se visto - usava uma faixa no cabelo ainda acinzentado e ele sorria, mostrando os dentes e gengiva. Suga segurava uma sacola grande com alguma bebida lá dentro e uma sacola menor com alguns itens dentro e na outra mão uma caixa de isopor que cheirava maravilhosamente bem. O estômago de roncou, baixo para sua sorte. Como ele era lindo, ela praguejou mentalmente.
- Entra! - ela deu espaço para que ele assim o fizesse -
Já dentro do apartamento ele andou até a pequena cozinha do apartamento e então colocou as sacolas sobre a mesa que havia lá.
- Tá bem quente! Você come risoto? - ele sacudiu a mão no ar enquanto ria -
- Como sim! Não precisava mesmo ter se preocupado com isso! - ela balançou a cabeça - Eu ia me alimentar!
- Eu me preocupo com você! E com o bebê, é claro!
- Claro! Com o bebê! - ela balançou a cabeça em afirmativa, mais para si mesma do que para ele - Mas eu tô me cuidando! Você sabe!
- Sei! Claro que sei! - ele se aproximou dela - Não quis dizer o contrário! Só quis dizer que mesmo assim, eu me preocupo com vocês!
Suga passou a língua pelo lábio, deixando-a lá. E então ele ergueu a mão levando- a até a barriga de e encostando a mesma lá.
- Eu posso? - a língua dele voltou a umedecer os lábios -
sentiu os olhos marejarem com o gesto e então ela assentiu, fechando os olhos. Suga acariciou com leveza a barriga já começando a ficar protuberante de . Os olhos dele acompanhavam os movimentos que ele fazia com a mão. Suga sentiu o coração dele acelerar embaixo da blusa, ele segurou a cintura de com uma das mãos para sustentar o toque e então depois de acariciar o local ele deixou a mão lá por um tempo. sentia a pele ferver onde a mão dele estava depositada e então se atreveu a colocar a mão sobre a de Suga. Os dois se olharam.
- Você vai ser um pai maravilhoso! Sua mãe deve estar orgulhosa agora.
Suga baixou a cabeça com o comentário e sentiu a vontade de chorar vir. Engoliu o choro e voltou a acariciar a barriga dela.
- Você também vai ser maravilhosa! E vai calar a boca dos seus pais!
retirou a mão dela da dele e sorriu abertamente ao ouvir o que ele falara.
- Vamos comer? Você deve tá com fome! Bom, eu to!
Ele tirou lentamente a mão da barriga dela e pegou dentro do armário dois pratos e os talheres, passou uma água por eles para tirar a poeira e os enxugou, assim que ela os colocou sobre a mesa sentiu uma forte pontada da cólica a atingir então levou a mão na barriga soltando um muxoxo baixo.
Suga se aproximou dela segurando sua cintura outra vez, assim que subiu o olhar e ajeitou a postura o rosto dos dois estava colado. sentiu a respiração dele começar a ficar descompassada enquanto a dela também. Fazia muito tempo que os dois não ficavam próximos daquele jeito desde quando transaram na noite em que se conheceram no bar favorito dela. E bom, eles nem se lembravam direito de como havia sido aquilo, portanto todo e qualquer toque ou contato era novo para os dois. sentiu a cabeça girar e mais uma pontada a atingir. Segurou os ombros dele com as duas mãos.
- Você trouxe o remédio? - ela perguntou com a boca pŕoxima a dele -
- Trouxe! Trouxe o que você falou para a cólica e trouxe mais alguns outros para dor de cabeça, dor muscular e seus enjoos. Vou pegar, aguenta aí!
Ele esticou o braço agarrando a sacola com os remédios que estavam sobre a mesa e então pegou o tal remédio para a cólica entregando a embalagem para ela, que abriu o mesmo. Então ela foi até a geladeira sob o olhar atento de Suga e tomou o remédio. fechou os olhos após sentir o comprimido descer pela garganta e mais algumas pontadas.
- Você tem certeza que não quer ir ao pronto socorro? Para aproveitar que eu to aqui?
balançou a cabeça em negativa e então começou a enxugar os pratos assim que voltou para a mesa. Suga a interrompeu.
- Senta lá no sofá que eu ajeito aqui, nos sirvo e levo lá para gente! Não fica se esforçando não!
resolveu que não discutiria com Suga, então foi. Sentou-se no sofá escorando a cabeça no encosto e fechando os olhos e colocando as mãos sobre a barriga. Suga então enxugou os pratos e talheres e então serviu o risoto nos pratos, depois ele questionou onde ficavam os copos e ainda com a cabeça escorada no encosto deu as instruções de onde eles ficavam. Depois de alguns poucos minutos Suga adentrou a sala com os dois pratos nas mãos, andando cuidadosamente até a mesa de centro. Depositou os pratos ali e então voltou para a cozinha buscando os copos. Sentou-se ao lado de no sofá puxando a mesinha de centro para mais perto deles. abriu os olhos e mirou Suga, perto demais dela… Respirou fundo e voltou a fechar os olhos enquanto sentia as cólicas. Suga umedeceu os lábios com a língua e desceu o olhar para a boca rosada dela. Subiu para os olhos fechados dela, observou o piercing delicado no nariz dela, depois voltou a olhar a boca da garota. Suga sentiu a boca seca e então ele aproximou a testa da dela, colando ainda mais o rosto dos dois. se assustou com a investida dele, mas não recuou e então sentiu os lábios dele encostarem-se aos seus. Ela engoliu seco mas não conseguiu reagir, seu corpo a estava traindo. deixou que ele a beijasse. Abriu a boca dando passagem para a língua quente dele encostar-se a sua. As mãos dele seguraram seu rosto inclinando o rosto dela para a direita, enquanto o dele ia para a esquerda.
não se lembrava do gosto dele, mas porra, como era bom! O beijo dele era suave e selvagem ao mesmo tempo, ele tinha gosto de menta e cigarro, mas o de menta sobressaia e deixava maluca. As mãos dela repousaram sobre as pernas dele e ela apertou as mesmas sobre o tecido fino da calça jeans que ele usava. Suga mordiscou o lábio superior dela enquanto aproveitava para respirar. Ele não sabia o porque estava fazendo aquilo, só sabia que queria muito e que estava gostando.
Voltou a beijar os lábios dela enquanto acariciava uma de suas bochechas com o polegar. Assim que a boca dos dois se soltou, abriu os olhos encontrando Suga ainda com os dele fechados. Ela raspou a garganta enquanto tentava trazer sua mente de volta ao corpo. Suga abriu os olhos, enquanto respirava rapidamente.
- Me desculpa! - ele pediu - Eu não devia ter feito isso! Me desculpa!
passou as mãos pelo rosto, ainda confusa. Depois olhou para Suga.
- Tudo bem! Vamos esquecer isso! - ela engoliu seco -
Suga assentiu com a cabeça à mil e então eles se posicionaram no sofá voltando a ficar de frente para a TV e para a mesa, mas com a lateral das pernas encostadas uma na outra.
- Vamos comer! Se não esfria! - ele comentou e assentiu -
Os dois comeram em silêncio. Ambos ainda pensavam no que acabara de acontecer e quis chorar. Não podia se apaixonar! Não por ele! Suga tinha a cabeça confusa como um tornado com todas as sensações que ela estava despertando nele, nem Charlotte havia o deixado daquele jeito. Ele não podia se apaixonar! Não era momento para aquilo e não fazia sentido! Para ele as coisas tinham que fazer sentido e aquilo não estava fazendo.
Assim que eles acabaram de comer e beber, se levantou fazendo com que ele automaticamente se levantasse.
- Por favor, deixa que eu cuido disso!
o encarou pela primeira vez depois do beijo, e por incrível que pareça, ela se sentiu em paz.
- Eu to melhorando Yoongi! Pode deixar que eu lavo.
- Não! - ele balançou a cabeça - Senta! Eu cuido disso!
Suga pegou o prato das mãos dela, juntou com o seu e então foi para a cozinha, começando a lavar os mesmo enquanto a cabeça passeava pelo beijo trocado pelos dois. Porque ele havia feito aquilo? E porque diabos havia sido tão bom? O coração dele batia forte e rápido dentro do peito.
Ele sentiu a presença de na cozinha quando ela parou ao seu lado depositando os copos sobre a pia. Os dois voltaram a se olhar.
- Pode colocar ai em cima desse pano que enxuga depois tá bom? - Yoongi assentiu, piscando um olho para ela -
Assim que ele acabou de arrumar as coisas, ele voltou para a sala, se sentando outra vez ao lado dela. Voltou a olhar a pequena barriga dela, queria colocar a mão sobre ela novamente mas teve receio. como se lesse seus pensamentos segurou a mão dele com força antes de colocá-la sobre a mesma. Yoongi sorriu sem mostrar os dentes, mas genuinamente.
- Você acha que é menino ou menina? - ela perguntou sorridente -
Yoongi começou a acariciar a barriguinha dela.
- Não sei! Não tenho feeling para essas coisas. - ele deu de ombros enquanto ria - E você? Dizem que as mães sentem, essas coisas…
- Acho que é menina! - colocou a mão sobre a dele -
- Acha, ou você prefere? - ele ergueu a sobrancelha com um sorriso divertido nos lábios -
- Que absurdo! - gargalhou jogando a cabeça para trás - Como você pode supor uma coisa dessas de mim? É a mesma coisa de eu falar que tenho certeza que você prefere que seja menino só porque você é homem! Suga!
Ela se fingiu ofendida e foi a vez de Suga gargalhar.
- Mas eu não disse isso! Você está tirando palavras da minha boca mocinha! Eu perguntei!
Os dois se encararam de novo e se atreveu a acariciar a mão dele ainda sobre a barriga dela.
- É uma sensação boa, ficar com a mão aqui! - ele sorriu sem graça - É como se eu já sentisse, ele ou ela. Bizarro! Mas eu to gostando tanto disso tudo! O que também é bizarro! Eu nunca me imaginei pai! E hoje…
Os dois se encararam.
- Eu sempre quis ser mãe e ter filhos, mas não nas atuais condições, sabe? Nem sei direito como tive coragem de continuar com a gestação sem saber se você estaria comigo! Hoje eu já não me vejo mais sem essa sensação! É estranho também.
engoliu seco e então o celular de vibrou sobre o balcão.
- Deve ser a ! Vou pegar o celular.
Suga assentiu retirando a mão da barriga de que se levantou e pegou o celular no balcão, e então voltou a se sentar no sofá. Leu a mensagem da amiga questionando se estava tudo bem e avisando que já estava indo.
- Ué! Ela já tá vindo para casa! - deu de ombros -
Suga sentiu que então estava na hora de ir embora, seria estranho voltar para o apartamento das duas e ele estar ali. Aquele era o espaço das duas. Ele então se levantou, se espreguiçando.
- Bom então se ela já tá vindo, eu me sinto mais seguro para ir embora!
- Tá bom! Ai! - ela voltou a colocar a mão na barriga enquanto levantava -
- O remédio ainda não fez efeito?
- Tá fazendo! Tá bem menos! Fica tranquilo Suga! Eu vou te dar notícias!
- Por favor! Tenta não sumir, eu fico realmente preocupado!
Ela assentiu enquanto ruborizava. Os dois caminharam até a porta do apartamento. abriu a porta para ele que passou para o lado de fora.
- Obrigada por hoje! E obrigada por se preocupar tanto! Me avise também quando chegar em casa?
Suga assentiu enquanto olhava para o rosto bem definido dela.
- ? - ela assentiu - Sei que o ideal é que o que aconteceu hoje não se repita…
Ele pausou a frase enquanto puxava delicadamente pela cintura para mais perto dele.
- Mas eu gostei muito! Não quero ir embora sem que você saiba disso!
- Suga… - ela sussurrou enquanto sentia outra vez os lábios dele tocando os seus -
- Shh! Eu prometo que não faço nunca mais!
E então os dois se beijaram outra vez, com mais urgência dessa vez. envolveu os braços no pescoço dele e ele se atreveu a colocar as mãos debaixo da camiseta que ela usava, subindo as mãos quentes pelas costas desnudas dela. sussurrou algo incompreensível entre os lábios de Suga, mas acabou se deixando levar pelo calor dos lábios dele enterrando as mãos em seus cabelos. Quando finalmente faltou o ar, Suga a soltou bruscamente, como se estivesse se dando conta do que estava fazendo. Os dois se encararam com os olhos ainda em chamas e Suga sorriu sem mostrar os dentes, ficando vermelho. Acenou para e então foi em direção às escadas deixando parada na porta do apartamento por alguns segundos, sentindo a cabeça girar. Adentrou o apartamento, sentando-se no sofá. Aquilo não podia acontecer mais! Suga passou as mãos pelo rosto, atônito e depois segurou os volantes do carro com força. Aquilo era loucura - ele pensou - enquanto dava partida no carro.
Assim que chegou ela cumprimentou a amiga com um beijo na testa e então se jogou no outro sofá. A cabeça dela ainda estava confusa com tudo o que havia presenciado no bar.
- E então bruxinha, como foi o encontro?
- Não teve encontro amiga! - gargalhou de nervoso -
- Como assim ? - se sentou no sofá, confusa -
- Amiga! Foi uma confusão! A gente se encontrou na porta do bar marcado, até ai ok! Conheci a irmã dele, que inclusive se eu não tiver muito enganada foi ela que te atendeu no hospital no dia que a gente descobriu que você tava grávida, enfim, - ela fez um gesto com a mão como se dissesse “deixa para depois” - conheci o melhor amigo dele e também o namorado da irmã dele! Daí, ao invés de entrarmos nesse bar, a gente foi para outro porque o namorado da irmã dele disse que aquele que estávamos era ruim! Aí chegamos lá no outro bar, nos sentamos, e começamos a conversar. Nisso o V viu que tinha uma moça no bar que fazia umas lives de jogo online que ele gostava muito e ele foi pedir uma foto com ela. Até aí ok!
assentiu, se mexendo no sofá, curiosa.
- Quando de repente, o Seokjin se levantou e foi na direção dos dois!
- Da tal menina e do V? - assentiu -
- E aí começou uma confusão generalizada entre esse amigo do V e a tal menina! Os dois saíram pro estacionamento bem na hora da chuva e ficaram lá discutindo por uma meia hora ou mais menina! Daí o tal do Seokjin arrebentou uma pulseira que eles tinham iguais e saiu desorientado, deixando todo mundo sem entender nada!
abriu a boca, surpresa e incrédula.
- Daí ele não atendia o telefone, e o V tadinho, ficou preocupado e saiu atrás dele! Eu vim embora e deixei a e o namorado dela lá! - deu de ombros -
- E ninguém sabe ainda o que aconteceu? O V achou o amigo?
- Achou sim! Ele falou que depois vai me explicar! Mas e você? Ficou bem aqui sozinha?
umedeceu os lábios com a língua se lembrando de Suga, e dos beijos.
- Na verdade eu passei mal com aquelas cólicas, sabe? Mas ficou tudo bem! Eu não estava sozinha!
- Não? - arregalou os olhos se preocupando levemente -
- O Suga veio para cá! Ele ficou aqui comigo até você avisar que estava voltando!
fitou o teto.
- O Suga? - pegou uma das almofadas e jogou na direção de - Você que chamou?
- Não! Tá doida? - segurou a almofada com a mão - Ele me ligou e eu deixei escapar das cólicas e que você não estava em casa e ele veio por conta própria! Você sabe que ele é meio paranóico né?
- Sei! - gargalhou - Mas e ai? Como foi?
engoliu seco e então começou a mexer na almofada.
- Ele trouxe comida e remédio! - as duas se encararam -
ergueu uma sobrancelha e semicerrou os olhos.
- E a gente se beijou! Ele me beijou na verdade, duas vezes! - ela falou de uma vez -
- ! - jogou a outra almofada na direção da amiga - Vocês já podem marcar o casamento amiga!
- Para ! - ela jogou as duas almofadas de volta na amiga, uma de cada vez - Não sei o que deu nele, de verdade! Deve ser carência!
deu de ombros, tentando convencer mais a si mesma do que a amiga.
- Certo! E em você? O que deu?
respirou fundo com a pergunta da amiga.
- Não sei! Eu devia ter empurrado ele!
- Mas era isso que você queria? Empurrar ele?
bufou passando uma das mãos pela barriga e se lembrando outra vez de Suga.
- Não faz pergunta difícil essa hora da noite! Inclusive eu to indo dormir! Boa noite amiga, depois me atualiza da fofoca hein?
se levantou e caminhou em direção a amiga, abraçando-a rapidamente e então caminhou para o quarto. Foi quando ouviu gritar:
- Pensa bem na minha pergunta! Eu quero a resposta amanhã!
Quadragésimo Capítulo - The Beginning
Assim que adentraram a casa retirou o casaco que Jimin havia lhe dado colocando-o sobre o sofá da casa de e então caminhou com ela até a porta do banheiro, enquanto foi até o quarto de hóspedes pegar uma toalha para que a amiga tomasse um banho quente.
ligou o chuveiro e então se enfiou lá embaixo sentindo a água quente tocar seu corpo. Olhou o pulso em que a pulseira que tanto gostava estava antes da confusão e então chorou, segurando o mesmo com uma das mãos. Porque aquilo tudo estava doendo tanto? Porque o reencontro dos dois tinha que ter sido naquelas circunstâncias? Com o coração de Jin cheio de mágoa? Sem a chance de uma explicação decente da parte dela? Porque ele não podia simplesmente se pôr no lugar dela e pelo menos tentar entender o que havia acontecido?
Saiu do banho e viu um par de roupas de sobre a cama e então ela se vestiu com dificuldades. O corpo todo dela doía, como se tivesse sido atropelada. Penteeou os cabelos e então foi atrás das amigas na sala. As duas conversavam baixinho, provavelmente preocupadas com . A amiga se sentou ao lado das duas no sofá.
- Vou fazer um chá para você se acalmar e quem sabe te ajudar a dormir! - se levantou indo em direção à grande cozinha da casa de - A sempre tem chá aqui já que é viciada!
- Você quer conversar sobre tudo isso que aconteceu? - tocou a mão dela -
sentiu o nó em sua garganta voltar a apertar. Como contar tudo para as amigas sem morrer de chorar?
- Eu menti para ele! - suspirou sentindo os lábios tremerem - Menti tudo basicamente!
- Como assim? - questionou da cozinha -
respirou bem fundo, engolindo o choro.
- Eu o conheci em Natal! No meu primeiro destino! Tinha uma semana que o Mário tinha morrido! Num luau! Ele e eu estávamos sozinhos observando o tal luau na nossa frente, até que fomos arrastados por uma desconhecida para fazer parte do luau. - voltou a respirar fundo - ele passou mal quando me viu, e bom, eu achei que fosse uma queda de pressão! Mas não era!
sorriu sentindo algumas laǵrimas escorrerem pelo sorriso.
- Enfim! Ele melhorou e se apresentou! Ai eu menti! Menti meu nome, minha idade, minha profissão, meus gostos, menti tudo!
colocou as mãos sobre o rosto, abafando o choro. se aproximou dela no sofá e envolveu um dos braços ao redor da amiga.
- E você mentiu porque amiga? Não to te julgando, só para a gente entender também!
- Porque eu não queria criar vínculo com ninguém! Aquela não era a intenção da viagem! Eu nem queria ter começado a conversar com ele! Mas fiquei com medo de ele passar mal! E quando vi, já tinha mentido e me envolvido muito mais do que de fato eu deveria!
- E depois você não teve coragem de falar a verdade não é?
assentiu, agora tentando limpar as lágrimas.
- As coisas fugiram do meu controle! - ela balançava a cabeça freneticamente - Eu não queria magoar ninguém! E não queria me magoar também! Não queria ter me apaixonado por ele!
- Eu entendo amiga! - acariciou o braço dela - Não foi intencional! Você não queria brincar com os sentimentos dele! A gente sabe disso!
voltava com o chá em mãos colocando-o sobre a grande mesa de centro da sala.
- Você não é má! - balançou a cabeça - Você teve seus motivos! E também, não tinha como você prever que ele também ia se envolver!
- Mas ele não entendeu assim! Ele entendeu tudo errado! Ele achou minhas redes sociais e viu minhas fotos com o Mario! Ele acha que ele é meu ex namorado e que eu usei ele para superar!
e se olharam, assustadas.
- Ele disse isso? - perguntou se sentando ao lado de no sofá -
fez que sim com a cabeça enquanto limpava mais lágrimas.
- Eu expliquei pra ele! Mas acho que ele não acreditou em mim! Ele nunca mais vai acreditar em nada que eu disser, não é?
Ela olhou as amigas, voltando a chorar copiosamente. e , sem saber o que fazer, apenas se olharam.
- Calma ! - pediu - Vocês dois estavam com a cabeça e o coração muito cheios hoje!
- Sim! E tem o lado bom dessa situação toda que é: vocês descarregaram! Mesmo que não da melhor forma, ou da forma que você gostaria! Agora as coisas tendem a se acalmar, e quem sabe, aí sim vocês consigam conversar com calma e as coisas se ajeitem?
balançou a cabeça em negativa diversas vezes. Ela se encontrava perdida e vazia, não sabia quais passos seguir depois de hoje.
- Ele foi bem duro com você, né? Deu para perceber isso enquanto a gente observava lá de dentro. - engoliu seco -
- Ele parecia sentir repulsa por mim! Parecia estar com nojo! - jogou a cabeça para trás sentindo o peso das próprias palavras - Enquanto eu só queria me jogar nos braços dele e apertá-lo bem forte!
As lágrimas voltaram a escorrer pela face dela.
- Eu não sei nem o que te dizer! - balançava a cabeça atônita -
- Você precisa sentir essa dor hoje! Deixar ela ir cicatrizando ai no seu peito, e dar tempo ao tempo! É só o que eu consigo pensar no momento.
assentiu para a amiga e então se inclinou pegando a xícara de chá da mesa e levando aos lábios. As mãos ainda tremiam levemente. Tomou um longo gole do líquido, mesmo não gostando. Queria tentar acalmar mesmo que minimamente, e o chá poderia ajudar. As três então ficaram em silêncio enquanto bebericava do chá. A cabeça dela repassando tudo: quando o conheceu, o primeiro beijo, as risadas que deram quando estavam juntos, ele a filmando ou tirando fotos dela, os dois juntos, quando amanheceram na praia e viram o sol nascer, a última noite, e então se lembrou dele arrancando a pulseira de seu pulso. Voltou a chorar copiosamente, enquanto deitava no sofá, já que e haviam ido tomar seus banhos.
Assim que as amigas voltaram para a sala, perguntou se elas estavam com fome, o que prontamente disse que não, enquanto sugeriu que as duas preparassem algo prático para comerem já que não haviam conseguido comer no bar. Enquanto as duas cozinhavam em silêncio, pegou o celular e então abriu o perfil dele no instagram. Passou a olhar as fotos presentes ali, e então logo o celular ficou molhado. As amigas se entreolharam, o coração de ambas doíam sem saber o que fazer.
queria tanto que ele a perdoasse! Mesmo que ele não quisesse vê-la nunca mais depois, mas que a perdoasse. E queria mais ainda do que ele apenas a perdoasse, queria que ele a quisesse por perto, tanto quanto ela o queria! Fechou os olhos e se lembrou do gosto dos lábios dele, das mãos quentes dele passando por suas coxas, do quão gostoso era ficar deitada em seu peito…
As amigas voltaram para a sala com um pequeno prato de comida. Havia bem pouquinha comida distribuída por lá. Mas não sentia fome, apenas dor. lhe entregou o prato.
- Eu não aceito não como resposta ! Você não quer, mas precisa comer!
apenas assentiu com a cabeça enquanto se sentava no sofá pegando o prato da amiga. Já havia decepcionado tanta gente hoje, não queria decepcionar as amigas então começou a comer.
- E onde é que o Namjoon entra nessa história toda? - quebrou o silêncio outra vez -
- Eu fui até a exposição de artes do Jin! Ele é artista plástico e está com uma exposição no centro! Ele me entregou um papel com seu telefone, endereço e o endereço da exposição. Eu criei coragem e fui! E bom, a exposição se encerra com um quadro meu. Quer dizer, um quadro do meu rosto.
- Que? - e disseram em uníssono -
- Ele me contou, na nossa última noite juntos, que ele sonhava com meu rosto havia muito tempo, mas que não sabia se eu existia ou não e que foi por isso que ele quase passou mal no luau, porque me viu! Acredito que ele tenha me pintado antes mesmo de me encontrar.
e se entreolharam outra vez. com os grandes olhos arregalados e com os dela marejados.
- Caramba, que lindo! - suspirou -
voltou a sentir os olhos marejarem.
- A assistente e empresária dele, me viu e disse que eu era igualzinho ao quadro e perguntou se eu o conhecia! Eu disse que não e tentei disfarçar o máximo o possível! Tirei uma foto com o quadro, bom, ela tirou para mim!
entregou o celular com a foto para as amigas, que arregalaram ainda mais os olhos.
- É você todinha amiga! - cobriu a boca -
- Nossa, eu to toda arrepiada! Socorro! - fechou os olhos -
- Eu saí de lá aos prantos, arrasada de sabe que ele já pensava em mim antes de me conhecer e que foi por isso que provavelmente ele se apegou tanto à mim, aos nossos momentos! Fui parar numa padaria, e o Namjoon tava lá também! Ele me viu lá quase morrendo de chorar e disse que uma amiga tinha falado para ele que suco de maracujá era bom para acalmar! - olhou na direção das amigas -
sorriu sem mostrar os dentes, era dela que ele falava.
- Daí ele pediu uma para mim! Fez o pedido dele e bom, enquanto ele comia ele ficou comigo lá, esperando eu tomar o suco e me acalmar! Ele foi tão legal !
As duas se deram as mãos rapidamente.
- Aí quando ele estava indo embora, ele ainda me consolou! Perguntei o nome dele e quando ele disse eu mal acreditei! Não contei pra vocês porque eu ia precisar explicar todo o contexto e não estava preparada ainda! As amigas assentiram e sentiu o coração ficar quientinho com a atitude de Namjoon para com a amiga.
terminou de comer e então caminhou até a cozinha, lavando o prato, mesmo sobre os protestos das amigas. Voltou para a sala e as amigas então a chamaram para o quarto. se deitou no colchão que havia ao lado da cama de casal do quarto, fechando os olhos.
- Vocês podem dormir meninas! Devem estar cansadas! Não se preocupem comigo! Tenho muita coisa para pensar ainda! Só de não estar sozinha, já é um alívio!
Sorriram umas para as outras.
- Você chama se precisar? - perguntou se ajeitando ao lado de na cama -
- Prometo! Obrigada! Eu não sei o que seria da minha vida sem vocês!
Assim que as luzes se apagaram virou-se e cobriu-se. Desbloqueou o celular e viu que havia uma nova notificação dizendo que alguém a havia marcado em alguma foto. Era o amigo de Seokjin. O nome dele era Taehyung… curtiu a foto e então logo uma DM do mesmo chegou. Ele perguntando se ela estava bem… achou fofo da parte dele. Respondeu:
“Espero ficar em algum momento!”
sentiu os olhos arderem e logo estava chorando de novo. Ele visualizou. digitou:
“Você falou com o Seokjin? Como ele está?”
Taehyung leu a pergunta e olhou para o amigo deitado no sofá de sua sala, ainda chorando com um dos braços tampando o rosto.
“Ele está tão mal quanto você deve estar! Ele tá aqui comigo, estou cuidando dele, fique tranquila!” Taehyung enviou.
leu e então chorou baixinho, mas com força. Não queria causar aquilo nele…
“Vocês dois estavam de cabeça quente! Precisam relaxar e depois conversar com mais calma!”
limpou as laǵrimas enquanto do outro lado Taehyung sentia o coração partir vendo o peito do amigo subir e descer rapidamente enquanto ele chorava.
“Vou deixar meu telefone aqui! Passa para ele, no momento em que você achar melhor! E bom, pede para ele me ligar se quiser conversar com mais calma! Juro que não quis causar nada disso ao seu amigo!”
Jin se sentou no sofá do amigo quando ouviu chegando em casa.
“Vocês vão ficar bem! Pode deixar, eu passo para ele! Boa noite!”
Ele enviou e bloqueou o telefone quando viu abraçar Jin de lado. e Taehyung trocaram um olhar. E Jin? Ainda chorava, agora com a cabeça apoiada no ombro de , com o peito destroçado.
Quadragésimo Primeiro Capítulo - Love to hate me
havia guardado a blusa de Jimin no cesto de roupas suja para lavar no domingo e devolver para o mesmo na segunda, mas disse que ela mesma devolvia, tendo em vista que sempre o via primeiro que , que estranhou, mas mesmo assim deixou que a amiga levasse a blusa.
- Bom dia! - ouviu a voz dele ecoar pela sala -
- Bom dia! - ela respondeu de volta, mas sem tirar os olhos do computador -
Jimin se sentou em sua cadeira e abriu a mochila retirando o notebook de lá. se levantou pegando a blusa de frio do colega que estava em sua cadeira e então caminhou em direção à ele.
- Aqui sua blusa! Obrigada! - ergueu a mão com a blusa na direção dele -
Jimin levantou os olhos encarando a colega e depois a blusa estendida em sua direção.
- E como está a ? Como ela ficou depois de tudo?
- Ainda está péssima! Foi difícil de sábado para domingo! Só espero que ela melhore logo!
Jimin pegou a blusa da mão dela e assentiu com a cabeça agradecendo.
- Me desculpe perguntar, mas, o que foi que aconteceu entre eles? Porque eles brigaram daquele jeito?
voltou para sua mesa e suspirou.
- Lembra quando fomos no bar? Eu, você, , Hoseok e ela? - Jimin assentiu que sim - Se lembra que ela disse que havia conhecido alguém na viagem e que estava apaixonada?
- Me lembro! Até você e a encheram ela de pergunta…
- É ele!
- O cara do bar? Que tratou ela super mal? - Jimin arregalou os olhos -
riu pelo nariz.
- Sim! Acontece que ela mentiu para ele! Ela não queria criar vínculos com ninguém durante a viagem porque não era o propósito dela, e também ela não achou que eles se envolveriam da forma intensa que se envolveram, quando ela viu já tinha virado um bolo e não teve coragem de desmentir. E bom, os dois se encontraram depois de dois meses daquele jeito que você viu, e bom, ele estava com muita raiva dela, por isso foi tudo daquele jeito.
- E a ainda está apaixonada?
- Sim! - os dois se olharam -
- E como vai ser agora? Ele tava irado! Coitada da ! - Jimin balançou a cabeça em negativa enquanto se ajeitava na cadeira -
- Só o tempo Jimin! Mas eu só quero que ela fique bem logo!
Durante a parte da manhã os dois acabaram tendo um desentendimento quanto a um projeto que estavam conduzindo juntos e durante o almoço os dois se implicaram durante todo o período em que estavam juntos, ou seja, nada de novo sob o sol. Na volta do almoço voltaram a trabalhar juntos no projeto, já cansada de argumentar com o colega deixou que ele conduzisse o projeto da maneira dele. Já no finalzinho da tarde, cada um deles trabalhou em dois projetos individuais designados pelo chefe. O silêncio fazia morada na sala sempre que eles se concentravam em seus projetos individuais. Jimin a olhava pelo canto dos olhos sempre que tinha alguma oportunidade. E lutava consigo mesma para não fazer o mesmo. Jimin detestava quando os dois ficavam naquele silêncio completo, ele gostava de ouvir a voz dela o xingando ou reclamando…
passou pela sala deles para se despedir e só aí então eles se ligaram que já estava na hora de irem para suas casas. Jimin pegou a blusa sobre a cadeira com a intenção de dobrar a mesma para guardá-la em sua pasta e então acabou por cheirar a mesma que parecia ter sido lavada e cheirava bem. Será que as roupas dela cheiravam daquele jeito? Ele se perguntou. Engraçado como nas vezes em que eles haviam se beijado, Jimin não havia reparado de fato no cheiro dela… Um arrepio percorreu sua espinha ao se lembrar do último beijo trocado pelos dois. Lançou um olhar na direção dela que arrumava tranquilamente suas coisas enquanto cantarolava alguma canção baixinho.
- Quer carona? - ele arriscou baixinho-
- Hã? - ela perguntou arregalando os olhos levemente -
- Quer carona? - ele repetiu mais alto - É caminho para mim mesmo!
Ele deu de ombros, como se a oferta realmente tivesse sido feita apenas porque de fato era caminho para a casa dele e não porque na verdade queria a companhia dela por mais tempo…
- Tá bom! Pode ser! - umedeceu os lábios com a língua -
Já dentro do carro as mãos dos dois acabaram tocando uma na outra enquanto eles afivelavam o cinto e subiu o olhar para o rosto dele que colocou a chave na ignição sem olhar para ela.
- Você se lembra do endereço?
- Me lembro sim! Mas qualquer coisa você vai me relembrando no caminho.
Ela fez que sim com a cabeça enquanto ele finalmente olhava para ela. Os dois ficaram assim, se encarando por alguns segundos e desceu o olhar para o pescoço dele que subiu e desceu com ele engolindo seco, e ela fez a mesma coisa quando sentiu vontade de colocar a boca na região e distribuir beijos por lá. Virou o rosto rapidamente para a janela e tratou de afastar aquele pensamento rapidamente.
Jimin sentiu a frustração o invadir quando ela cortou o contato entre os olhos deles bruscamente. E então ligou o carro. Durante o caminho os dois foram em silêncio, mas Jimin só conseguia pensar no quanto ele queria tocá-la, no quanto ele queria poder descansar a mão sobre sua coxa desnuda quando o sinal fechava, no quanto ele queria poder se inclinar e depositar um beijo em sua bochecha e boca. A coxa dela parcialmente à mostra pela saia que ela usava ali tão próxima de suas mãos era uma verdadeira perturbação.
Ludmila mantinha o olhar, hora na janela, hora nas próprias unhas, enquanto sentia o olhar de Jimin queimar sobre seu corpo. Estava começando a ficar vermelha já. Até que se atreveu a olhar para ele quando pararam o carro no sinal. observou o perfil perfeito dele enquanto ele tamborilava os dedos no volante, chamando a atenção dela para lá. Olhou os dedos dele batendo sem parar lá, até que ele apertou firmemente o volante e desejou que fosse sua cintura no lugar daquele volante… Mordeu instintivamente o lábio inferior e Jimin a fitou.
Os dois se encararam profundamente até que o sinal abriu e os carros começaram a buzinar. Já na porta do apartamento de ela se livrou do cinto enquanto ele voltava a olhar para ela.
- Você quer entrar? - nem ela estava acreditando que havia dito aquilo -
Jimin arregalou levemente os olhos com a pergunta e já começava a se arrepender.
- Posso? To apertado, aproveito e vou ao banheiro!
assentiu e então abriu a porta do carro enquanto ele desafivelava o cinto de seu corpo. Já na portaria cumprimentou o porteiro com um aceno de cabeça e Jimin fez o mesmo. ficou com as bochechas vermelhas, o que o porteiro pensaria? Ela nunca levava companhias masculinas para o apartamento, Jimin era o primeiro homem que adentrava aquele apartamento.
Os dois entraram no elevador do prédio em silêncio e batia o pé no chão do mesmo, fazendo o velho e irritante barulho com o salto em contato com o solo. Jimin flexionou os músculos do pescoço, jogando a cabeça de um lado para o outro para aliviar a súbita tensão que surgira.
morava no sexto andar. Quando o elevador abriu, e Jimin deram de cara com uma senhora que aguardava para adentrar o elevador. Jimin reparou que a feição de havia ficado ainda mais tensa.
- , querida! - a senhora sorriu - Quanto tempo!
O olhar da senhora então pousou em Jimin, de cima a baixo e ela voltou a olhar para .
- Como vão as coisas? Depois precisamos conversar, querida! Quem é o moço?
olhou rapidamente para Jimin que segurou o riso mordendo os lábios.
- Um colega de trabalho, dona Lourdes! Tudo bem com a senhora? Depois passo lá no seu apartamento, meu colega está apertado e veio só usar o banheiro!
Jimin apertou os lábios ainda segurando o riso.
- Ah, um colega de trabalho? - a senhora questionou enquanto adentrava o elevador -
Jimin segurou gentilmente o elevador com o braço e a mão para que a senhora pudesse adentrar - Os nomes estão cada vez mais modernos né?
A senhora gargalhou e então acenou para os dois. Assim que a porta do elevador fechou, Jimin explodiu em gargalhadas se escorando na parede.
- Tá rindo do que curupira Júnior? - estapeou o ombro dele - Primeiro o porteiro e agora a dona Lourdes, a maior fofoqueira do prédio! Você só me dá dor de cabeça!
- Você precisava ver a sua cara quando o elevador abriu e era ela que aguardava do lado de fora! Achei que você ia cair dura no chão!
- Agora ela vai espalhar pelo prédio que não esperava isso de mim!
- Porque? - Jimin seguia -
- Porque eu nunca trouxe nenhum homem aqui! E ela dizia que achava isso incrível nos tempos de hoje! - revirou os olhos -
- Você nunca trouxe nenhum homem aqui?
- Não Jimin! - ela respondeu impaciente enquanto procurava a chave do apartamento dentro da bolsa bagunçada -
Jimin passou a língua pelos lábios observando a mais baixa impaciente, resmungar porque não achava a chave.
- Então eu sou o primeiro? - ele gargalhou debochado -
- Ai não enche Jimin! Cadê essa droga dessa chave, que inferno! - bateu o pé no chão, nervosa -
- Me sinto verdadeiramente honrado!
- Cala a boca! - se virou bruscamente ficando frente a frente com Jimin -
O mais alto depositou as mãos na cintura dela com o impacto do corpo dela batendo no dele e então ele mordeu o lábio inferior enquanto a encarava. depositou as mãos no peito dele e fechou os olhos sentindo a boca dele invadir a sua. Gentilmente a língua dele pediu passagem e cedeu sentindo as pernas fraquejarem. Jimin percebendo, colou o corpo ao dela escorando o mesmo na porta ainda fechada do apartamento de para que ela tivesse algum apoio… As mãos dela subiram para o pescoço dele, envolvendo os braços por lá. O beijo dessa vez era delicado, as línguas não brigavam, apenas acariciavam uma a outra. Jimin apertava a cintura dela com força. Quando o beijo começou a ganhar intensidade, os dois se soltaram rapidamente com o barulho de passos no corredor. prontamente se virou de frente para a porta do apartamento enquanto Jimin colocava as mãos dentro dos bolsos da calça e se afastava para trás. voltou a procurar a chave dentro da bolsa enquanto Jimin cumprimentava os vizinhos do lado de com um aceno de cabeça. , vermelha, não teve coragem de levantar o olhar para encarar os vizinhos. Finalmente achou a chave e então abriu a porta do apartamento.
Entrou na frente, ainda sentindo as pernas fracas. E logo Jimin entrou.
- O banheiro é aqui! - ela depositou a bolsa sobre o sofá e caminhou com Jimin logo atrás -
Abriu a porta do mesmo para ele, sem conseguir encará-lo nos olhos. Jimin pediu licença e então adentrou o cômodo. adentrou seu quarto e se sentou na beirada da cama, com o coração saltando dentro do peito. Aquilo era errado! Ela o odiava! Tirou os saltos e massageou os pés se levantando logo em seguida. Assim que saiu do quarto, deu de cara com Jimin saindo do banheiro, os primeiros botões da camisa cinza que ele usava estavam agora, abertos. A visão da pele dele ali exposta fez querer pular nele.
Os dois caminharam para a sala lado a lado.
- Até que seu apartamento é bonitinho! - ele comentou -
- Obrigada curupira Júnior, ele é o meu bebê! - passou os olhos pelo apartamento e sorriu sem mostrar os dentes -
- Posso fazer mais um elogio? - sentiu o corpo bater na parte de trás do sofá -
- Jimin… - ela sussurrou voltando a sentir as mãos dele em sua cintura -
- Você fica linda com essa camisa salmão!
E antes que ela pudesse protestar ou falar qualquer coisa lá estavam os lábios dele grudados nos dela de novo, com urgência dessa vez. O coração de voltou a saltar dentro do peito e o de Jimin não estava muito diferente. As mãos dele desceram para a parte de trás das coxas dela, e ele deixou carícias por lá com as pontas dos dedos. A pele dela era tão macia…
mordeu os lábios dele com força e ele apertou os olhos sentindo a mordida. Voltou a passar os dedos pelas coxas dela que arranhou a nuca dele como resposta.
- Eu tava com saudades! - as mãos dele subiram para as costas dela -
abriu os olhos se deparando com a boca dele ainda encostada á sua e os olhos dele ardiam.
- Você quer comer alguma coisa? - Jimin gargalhou baixo e o empurrou pensando que aquela pergunta não deveria ter sido feita naquele momento - Ridículo!
ajeitou a saia no corpo e foi até a cozinha.
- A gente pode pedir alguma coisa!
Jimin a seguiu até a cozinha e se sentou em uma das cadeiras.
- A e a sabem?
sentiu uma pontada no peito com a súbita pergunta.
- Sabem do que? Não tem nada rolando para elas saberem! Você está muito emocionado, menor aprendiz!
Jimin sentiu adagas cravando o peito e então abaixou a cabeça. abriu a geladeira procurando por algo que nem ela sabia do que se tratava e quando a fechou, lá estavam elas outra vez: as mãos de Jimin a empurrando contra a geladeira e o corpo dele colado ao seu. encarou os olhos em chama dele.
- Tem certeza que não tem nada rolando?
não conseguiu responder, acabou perdida nos olhos dele. Os dois se beijaram com ainda mais urgência que antes e bagunçou os cabelos dele, puxando-os. Uma das mãos de Jimin subiu para o seio dela sobre a camisa que ele tanto gostava, apertando-o. gemeu contra a boca dele sentindo o corpo todo reagir, enquanto ele pressionava a já evidente ereção contra o corpo dela.
sugou o lábio inferior dele como resposta enquanto a mão de Jimin adentrava a camisa dela procurando por um contato mais direto com a pele dela. Assim que a mão dele alcançou o seio dela por baixo do sutiã arfou, jogando a cabeça para trás e fechando os olhos com força. Nunca, homem nenhum havia feito ela sentir tanta vontade…
Jimin aproveitou o pescoço dela ali exposto e passou o nariz por lá enquanto apertava o seio dela. Sentiu o cheiro doce dela invadir suas narinas e achou que pudesse desmaiar. Passou a língua por toda a extensão do pescoço dela enquanto sentia o membro doer de tesão. soltou um gemido sôfrego enquanto sentia os dedos dele pressionarem seu mamilo. E então chamou o nome dele baixinho. Ela queria mais, mas ele queria castigá-la…
- Então esse vai ser nosso segredinho! Não vou contar para elas que você gemeu meu nome gostoso desse jeito!
Ele sussurrou em seu ouvido e então soltou o corpo dela e se afastou. Ajeitou a roupa que usava e então saiu do apartamento fechando a porta atrás de si, sem nem olhar para trás.
Quadragésimo Segundo Capítulo - Let’s Hurt Tonight
Jin se juntou aos pais e a irmã na mesa de jantar que ainda não havia sido servido, ele ecoou um “boa noite”, baixo mas o suficiente para que todos ouvissem. A mãe autorizou que o jantar fosse então posto à mesa e eles começaram a se servir. Jin estava frustrado, a obra em seu apartamento atrasaria mais dez dias. Ele estava louco para voltar para casa. Tudo estava tão caótico em sua mente que ele só queria a paz de morar sozinho de volta.
- Encontrei com o William quando estava chegando! - o pai comentou -
- Mesmo? E como eles estão? - a mãe de Jin questionou curiosa -
- Eles estão melhorando! A filha chegou de viagem recentemente, então eles estão felizes com a volta dela! Bom, a vida voltando a seguir né?
- Que bom! Fico muito feliz! Eles sofreram tanto! Preciso ir lá qualquer dia desses!
- Não precisa, porque eu chamei eles para jantarem aqui amanhã! Preciso que você converse com a Magda para fazer um cardápio especial para o jantar de amanhã!
- Ai que coisa boa! Tá certo então! Eles tem uma filha, você ouviu Jin? Seja gentil, por favor!
Jin arregalou os olhos, não entendendo o pedido da mãe. Ele não era grosseiro com ninguém, bom, a não ser que a pessoa merecesse, é claro!
- E a senhora tá falando isso para mim porque? - ergueu uma sobrancelha -
- Ah! Eu sei quem ela é! A filha deles! Ela é legal! - Eun disse enquanto tomava um gole do suco -
- Então se você conhece ela e acha ela legal, ela provavelmente tem sua idade! - Jin deu de ombros - Então nem vou precisar interagir muito com ela!
- Eu não falei que a conheço ou que sou amiga dela! Disse só que eu sei quem ela é por já ter visto ela aqui e eu a sigo no instagram, só isso!
- Ela tem quase a sua idade Jin! E ela é muito bonita inclusive! Você pode gostar dela…
Jin levou o garfo à boca com um pedaço da carne, porque diabos o assunto havia virado de rumo daquele jeito?
- Ele pode até gostar dela, mas ela é muito legal para ele! - Eun virou o rosto na direção do irmão - Nem nos seus sonhos mais selvagens você consegue uma garota daquela, loser!
Jin arregalou os olhos e então chutou a canela da irmã por debaixo da mesa, levemente ofendido, o que ela protestou lhe dando um tapa nas costas. A mãe mandou que eles parassem com aquela briga boba.
Quando se deitou para dormir, fechou os olhos e pediu ao Universo - como fazia todas as noites - que não sonhasse com . O que foi inútil, sonhou com a garota a noite toda.
*************
A mãe bateu na porta do quarto do filho e então a abriu. Jin havia acabado de vestir uma calça jeans creme e os cabelos e peito ainda estavam molhados.
- Você vai jantar conosco não é? - a voz suave da mãe perguntou -
- Vou! É hoje o jantar com os amigos de vocês, não é? Lembro do pai comentar que era hoje… Você pediu que eu participasse, então eu vou ficar!
Eui sorriu e então fechou a porta do quarto do filho dizendo que esperava ele lá na sala. Jin então secou os cabelos com a toalha e então vestiu a blusa de mangas longas azul. Ajeitou os cabelos pretos e então foi para a sala. O pai, vestido elegantemente com uma blusa parecida com a de Jin, só que preta e de gola alta, ofereceu um copo de licor ao filho, que gentilmente recusou, se sentando no sofá.
- Esses amigos de vocês moram aqui no condomínio é? - Jin questionou cruzando as pernas -
- Sim! Moram três casas para frente da nossa! Lembra que eu comentei com você que eles tinham perdido um filho da sua idade? São eles. - Jin ergueu as sobrancelhas e então assentiu -
A campainha da casa tocou e então eles se levantaram, se preparando para receber os vizinhos. Jin abaixou a cabeça para ajustar o cinto e então ouviu os pais cumprimentarem os amigos.
- Oi querida! É não é? - ele ouviu a voz da mãe ecoar pela sala -
? Jin sentiu a cabeça rodar e então ergueu a mesma dando de cara com a mãe segurando as mãos de que ainda não tinha olhado na direção dele. Era ela! Outra vez, era ela! Ali, diante dos olhos e do coração quebrado dele. Jin se lembrou dela, desesperada no estacionamento do bar onde se reencontraram, gritando para ele que o tal cara da foto não era seu ex namorado e sim seu irmão, que havia morrido…
Ela havia falado a verdade! Pelo menos quanto àquilo…
Assim que a mãe de Jin soltou as mãos de , ela olhou na direção dele. Os olhos dela se arregalaram fortemente quando os olhos dos dois se encontraram, e ele pôde jurar que eles marejaram. Jin sentiu como se alguém apertasse seu coração com a mão e então voltou a abaixar a cabeça enquanto as mães e pais de ambos ainda se cumprimentavam.
desejou que um buraco se abrisse ali naquela sala e a engolisse. Não esperava rever Seokjin, não tão cedo assim! E, por Deus, eles eram basicamente vizinhos! passou a língua pelos lábios quando a mãe dele voltou a segurar uma das mãos dela.
- Seokjin, Eun! - Eui chamou a atenção dos filhos - Venham cumprimentar as visitas!
Eun foi em direção à e estendeu a mão na direção da mesma que segurou a mão delicada da mais baixa.
- Prazer ! Eu assisto todas as suas lives! Te acho demais! - sorriu, sem graça -
Jin, ainda de cabeça baixa, balançou a mesma em negativa. Até a irmã?
- Muito obrigada! Me sinto lisonjeada!
Depois a irmã de Jin cumprimentou o pai e mãe de com outro aperto de mãos. Jin enfim levantou o olhar e a cabeça, engolindo seco, engolindo o choro. Balançou a cabeça positivamente, e sorriu. Um sorriso falso. Cumprimentou William e Eliana, os pais de , e então ele parou na frente de , e estendeu a mão para ela. De novo não! Ele pensou…
- Muito prazer, ! Sou o Seokjin! - o pomo de Adão dele se moveu com ele engolindo seco outra vez -
, nervosa com toda aquela situação se repetindo outra vez, umedeceu os lábios pintados de vermelho com a língua, e Jin acompanhou o trajeto que a língua dela fez.
- Prazer Seokjin! - ela segurou a mão dele, sentindo todos os músculos travarem -
Que saudade do toque dele! A mão dele soltou a dela rapidamente e desviou o olhar do dele.
Já sentados na mesa de jantar, com Jin bem em frente à ela, os pais começaram uma conversa animada. Até que Si-Woo pai de Jin questionou William como estavam indo os negócios da família, já que ele era dono de uma empresa alimentícia. Claro que Jin não sabia, já que havia dito que o pai era um simples assistente administrativo. nunca gostou muito de dizer o que o pai verdadeiramente fazia, porque bom, tinha medo de parecer metida ou exibida demais. Não se importava com essa coisa de ser rica ou com o status que isso trazia.
Ela sentiu o olhar de Seokjin a penetrar quando o pai comentou sobre a empresa. Droga! Ela queria sumir dali! Doía demais os olhares de julgamento de Jin sobre ela.
- E o Mario, ele ia trabalhar comigo! Estava terminando a pós graduação para assumir a diretoria junto comigo! Mas infelizmente não deu tempo.
Os pais de Seokjin disseram que lamentavam muito a perda do rapaz, e sentiu vontade de chorar.
- E a , faz o que? - a mãe de Jin perguntou -
terminava de mastigar então o pai respondeu por ela.
- é programadora de jogos! Esses jogos online que a juventude toda gosta ai! E aí ela inventou também de fazer essas tais lives, pra jogar com o povo e testar os jogos que ela faz também! Tá feliz né filha? Com a profissão?
apenas assentiu que sim com a cabeça, sorrindo sem mostrar os dentes. Tinha medo da voz sair falhada.
- Mas dá dinheiro? - Si-Woo perguntou e depois gargalhou -
Seokjin balançou a cabeça, incrédulo com a pergunta do pai.
- Céus! Pai! Que pergunta indelicada! - Jin levou a taça até a boca -
- Falo isso porque o Seokjin é artista plástico, sabe? - Si-Woo colocou a mão sobre um dos ombros de William enquanto balançava a cabeça desgostoso - Pinta uns quadros aí! Faz até exposição, mas não entendo muito bem disso! Não sei como ele sobrevive! Até tentei fazer ele tomar um rumo na vida, e ter uma profissão de gente! Mas não deu certo! Falhei! Pelo menos a Eun quer ser algo na vida! Sonha em ser advogada!
Seokjin tinha os olhos fechados e segurava os talheres com força, as mãos tremiam levemente. sabia o quanto aquilo o machucava, e quando ele abriu os olhos, percebeu a tristeza no olhar dele. Sentiu vontade de abraçá-lo, com força e lhe acariciar os cabelos e dizer á ele que o pai dele era um babaca, mas que ela estava ali e que ele era um artista incrível!
O restante do jantar seguiu com os pais interagindo bastante enquanto eles, os filhos somente comeram. Assim que acabou de beber o líquido de sua taça depositando-a sobre a mesa outra vez, sentiu vontade de ir ao banheiro. A garganta dela tinha um nó. Aquele clima todo doía muito mais do que ela podia imaginar.
- Onde fica o banheiro? Eu posso usar? - ela raspou a garganta para trazer a voz de volta -
Eun então se prontificou a levá-la, mas Jin impediu a irmã segurando-a pelo braço.
- Pode deixar que eu levo ela Eun! Você ainda tá comendo!
O olhar dele não desviava dos olhos dela, que procuravam qualquer canto para olhar que não fossem as pedras pretas de Jin.
Seokjin se levantou, fez o mesmo logo em seguida, sentindo as pernas vacilarem. Jin saiu na frente se certificando que estava logo atrás, com a cabeça baixa. Porque ela não tinha coragem de encará-lo?
adentrou o banheiro e Jin se escorou na parede em frente ao cômodo. A esperaria, ainda tinha muitas coisas entaladas em sua garganta que precisava por para fora. E bom, ele o faria assim que ela saísse do banheiro. lavou as mãos e aproveitou para passar uma aǵua sobre a nuca. Encarou o próprio reflexo no espelho, e sentiu-se estúpida. Porque o destino estava fazendo aquilo com ela? Que castigo era aquele? Abriu a porta do banheiro e deu de cara com Jin escorado na parede com os braços cruzados abaixo do peito. O coração dela quase saltou pela garganta. Ele então ergueu a mão na direção dela, segurando um de seus braços com certa força e então ela foi levada por ele para um quarto, o coração dela agora batia tão rápido que ela achou que daria um enfarte. O que ele estava fazendo?
Assim que adentrou o quarto, e a luz foi acesa, passou os olhos pelo local. A decoração era masculina, com o tema de praia…as paredes eram pintadas em um azul claro e havia vários quadros na parede, uma mesa com um computador, o local era pequeno. Logo ao lado da mesa com o computador havia uma estante com diversos livros e pequenas decorações. Devia ser o quarto dele, ela pensou.
Assim que virou o corpo, lá estava ele parado na porta, fechada do quarto, olhando fixamente para ela. Os dois em silêncio. começa:
- Se você vai brigar comigo de novo, só peço que você fale baixo para não preocupar nossos pais, e eu também peço desculpas por essa situação! Eu não fazia idéia que éramos vizinhos e que nossos pais eram amigos se não eu… - ele a interrompe -
- Eu sinto sua falta! E quando eu digo isso, eu sinto mais ainda a sua falta. Olhando você, agora, eu sinto sua falta! O tempo é tão cruel! Eu odeio o nós! Agora até olhar um para o outro se tornou difícil!
sentiu os olhos se encherem pesadamente de água. Ele ainda não havia se acalmado. resolveu que deixaria ele falar, ele precisava limpar tudo aquilo de dentro dele, e aí então quem sabe ele poderia em algum momento ouvi-la de verdade!
- Você mudou? Ou eu mudei? Eu odeio até este momento que está passando aqui, agora! Na verdade, acho que mudamos, e acho que é assim que as coisas são! - ele suspirou pesadamente - É, eu te odeio!
fechou os olhos com a força das palavras dele. Não queria chorar, mas ele estava dificultando as coisas sendo tão agressivo daquele jeito outra vez.
- E mesmo assim, não houve um dia em que eu tenha te esquecido. Honestamente? É, eu sinto sua falta. Mas agora eu vou apagar você! Porque isso vai doer menos do que carregar todo esse ressentimento! Sabe ? - ele deu dois passos e sentiu os músculos travarem - Sempre achei que amores de verão só aconteciam em filmes. Todo aquele lance de encontrar sua cara metade na viagem, dar o primeiro beijo nessa pessoa no ano novo, passar o resto dos dias juntinho com ela e tudo isso ter sido a melhor parte da viagem... Mas aí eu encontrei você!
sentiu o peito doer e então fechou os olhos, limpando uma lágrima logo em seguida.
- Acho que naquele verão eu te amei mais do que já amei qualquer outra pessoa na minha vida. - foi a vez dele limpar as lágrimas - Eu te levei comigo numa bagagem que ninguém podia roubar, que aeroporto nenhum podia extraviar, que mundo nenhum me tomaria: minha lembrança mais humana e completa de você!
engoliu seco, e respirou bem fundo. Queria muito abraçá-lo. Ainda de olhos fechados ela pode ouvi-lo se aproximar mais dela, que acabou dando alguns passos para trás, instintivamente.
- Eu confiei em você, confiei cegamente e você mentiu olhando nos meus olhos. Eu fui benevolente e não quis deixar as decepções do passado tomarem conta de mim. Então eu confiei, confiei como se nunca tivesse me decepcionado antes, como se nunca tivesse me machucado, e mais uma vez, quebrei a cara. O que mais machuca são as dúvidas que ficam, as perguntas que não param de surgir na minha mente... Será que realmente foi a primeira mentira? E se eu não tivesse descoberto a verdade, quantas vezes mais mentiria pra mim? Isso tortura, me tira a sanidade, me deixa sem rumo. Eu ainda não consigo entender o motivo, e agora, por mais sincera que você seja, eu não vou conseguir acreditar em uma só palavra que sairá da sua boca, não enquanto as últimas palavras que saíram ainda ecoarem na minha mente.
ouviu, calada. Era o melhor naquele momento. O peito dela doía e ela respirava descompassadamente.
- Você não vai falar nada? - abriu os olhos com a voz dele e Jin estava perto demais -
- Não! Vou deixar você falar o que quiser! Vou deixar você tirar essa raiva do seu peito Seokjin! - ela se atreveu a colocar uma das mãos sobre o peito dele - Fala! Fala o que mais você quiser, eu vou ouvir! Vou deixar a sua raiva passar, para aí sim você me ouvir de verdade. A única coisa que eu quero que você saiba agora é que aquele dia, você disse tudo o que queria e foi embora de uma vez, sem olhar pra trás, e eu só queria ter tido a chance de pedir pra você ficar…
- E porque você não pediu? - ele sussurrou sem tirar os olhos dela -
O corpo de se chocou com a estante que havia lá porque Jin a havia encurralado lá. O corpo dos dois colados. Ao sentir um nó na garganta, ele teve de se controlar para não tomá-la nos braços naquele instante, na esperança de poder segurá-la junto de si para sempre. As mãos dele pousaram na cintura dela, o corpo dele voltando a empurrar o dela na estante. Uma das pequenas decorações acabou por cair e se abaixou com o corpo dele ainda colado ao dela, pegando a mesma no ar antes que ela pudesse atingir o chão. Foi nesse momento que Jin viu a pulseira novamente no pulso de . Uma de suas mãos subiu para o lugar, enquanto ele observava a pulseira, agora maior e mais larga ali. Ele se lembra perfeitamente de ter arrebentado ambas, como ela havia recuperado as mesmas?
O olhar dos dois voltou a se encontrar e as testas se encostaram, Jin fechou os olhos e a porta foi aberta por Eun, os dois se afastaram bruscamente.
- Vocês dois sumiram, tá tudo bem? - a irmã de Jin perguntou -
- Tá sim! - Jin raspou a garganta - teve uma queda de pressão, e eu trouxe ela para cá!
- Mas já estou melhor! Vamos voltar né?
Eun passou o olhar por e depois por Jin. Ela assentiu e saiu, deixando a porta aberta.
- Apesar de não gostar eu também sei mentir! Não é só você.
E assim ele saiu do quarto apagando a luz. deixou algumas lágrimas quentes rolarem pela face outra vez.
Assim que ela voltou para sala um pouco depois de Seokjin a mãe a afagou, questionando se estava tudo bem e ela assentiu que sim, havia sido só uma queda de pressão. Depois de comerem a sobremesa, os pais de resolveram voltar para casa e ela agradeceu mentalmente por não ter que ficar mais tempo encarando os olhos raivosos de Jin sobre ela o tempo todo.
Fechou a porta atrás de si e então colocou o pijama. Jin apagou as luzes deixando apenas a do pequeno abajur ligada iluminando o quarto e então se deitou em sua cama. O clima no Rio de Janeiro andava frio nesses últimos dias o que não era muito normal para a cidade então Jin cobriu-se até a cintura. Fechou os olhos e suspirou pesadamente, o corpo todo dele doía. As palavras de ecoavam em sua cabeça e ele sentia o cheiro gostoso dela em suas narinas… Sentia falta dela todos os dias e saber que ela estava ali, há poucos metros de distância dele o torturava. Ele quis beijá-la, sentia saudade do gosto da boca dela. A cabeça e o coração travavam uma guerra! O coração queria ceder e esquecer nem que fosse por segundos tudo o que ela havia feito e então se entregar à ela, e a cabeça dizia para Jin ficar firme e esquecê-la para sempre. É, a noite seria longa!
Quadragésimo Terceiro Capítulo - My head & my heart
O celular vibrou em cima da mesa e então V leu a mensagem do amigo, terminando de contar sobre o jantar da noite passada onde ele foi forçado a rever . Taehyung se lembrou que ainda estava com o telefone de em sua DM do instagram, mas pelo tom da conversa, ele achou melhor ainda não passar o recado para o amigo. Ele não parecia preparado ainda. Logo Jin perguntou por ele, e se ele tinha alguma novidade ou se tinha visto depois daquele dia caótico no bar. O que V respondeu que ainda não, mas que isso estava prestes a mudar.
“Tô pensando em chamar ela para ir ao cinema hoje! Preciso começar a criar mais intimidade entre a gente pro clima na viagem não ficar estranho, sabe?”
“Sei sim! Você tá certo! Tem que conquistar ela mano! Tá passando da hora já! To esperando aqui uma notícia sua me falando que o primeiro beijo rolou, e nada!”
Taehyung riu desgostoso com a mensagem do amigo. Ele queria beijá-la, mais que tudo! Mas como? Depois de ter a primeira e única investida recusada, ele sentiu como se um balde de água fria tivesse sido jogado em seu corpo, e desde então ele não sabia como agir com ela mais. E ele não queria de jeito nenhum que as coisas entre os dois esfriassem de vez, ele definitivamente não queria ficar por muito mais tempo na friendzone…
“Vou chamar ela pra ver um filme de terror, um porque ela me disse que gosta e dois, porque quem sabe assim ela não fica com medo e me abraça durante o filme?”
Ele gargalhou sozinho em casa enquanto balançava a cabeça. E então mandou mensagem para que há uma hora daquelas já deveria ter saído do trabalho. Taehyung sorriu. Para felicidade dele, aceitou ir ao cinema. V se ofereceu para buscá-la em casa, mas ela foi firme dizendo que não precisava e que eles se encontravam lá. Taehyung gostava disso nela! Ela era uma mulher decidida, firme em suas opiniões e propósitos, e ele achava aquilo atraente nela.
estava trabalhando, então ele apenas mandou uma mensagem para a irmã avisando que iria ao cinema com , a irmã havia decidido ir trabalhar de metrô e Jungkook a buscaria depois, no fim do plantão então ele estava com o carro.
Já no cinema, ele comprou os ingressos antes que ela chegasse e então escorou-se em uma parede esperando por ela. Ele estava nervoso, o coração batia forte e rápido dentro do peito. Ele não conseguia entender porque ela o deixava daquele jeito todas as vezes em que se viam, Taehyung não era mais uma adolescente! Ele sorriu, olhando para baixo com o pensamento e então ouviu a voz dela lhe invadir os ouvidos.
- Tá pensando em quem, com esse sorrisinho bobo ai nos lábios? Posso saber? - gargalhou quando ele olhou assustado para ela -
- Adivinha? - ele ergueu uma sobrancelha e então gargalhou também sentindo as bochechas queimarem -
- No filme é claro! Ou em alguém! - os dois se encararam, sérios -
engoliu seco, se arrependendo de ter feito a brincadeira.
- Os dois! - ele respondeu erguendo a mão na direção dela -
segurou a mão dele com força. Hoje ela não estava bem! Aquele convite havia surgido em boa hora! O dia no trabalho havia sido cansativo e estressante e ela havia pensado em Gabriel o dia todo, graças a uma mensagem da mãe… Uma foto dos dois na casa dos pais de . Ele havia ido à cidade para resolver mais alguns detalhes do casamento e aquilo havia destruído . Aquele casamento rondava sua mente quase 24/7. Ela se sentia um fracasso na vida, especialmente hoje.
Taehyung então a puxou para um abraço rápido, antes de depositar um beijo molhado na bochecha dela. O abraço que era para ser rápido, acabou se tornando um pouco mais demorado do que o planejado por V. praticamente se jogou nos braços dele, envolvendo os dela em seu pescoço e então enterrando sua cabeça em seu peito. Aquilo nunca havia acontecido nas poucas vezes em que eles haviam se visto, ela nunca havia se aninhado assim nos braços dele. Algo havia acontecido, ele supôs.
- Ei! Tá tudo bem? O que foi, baby?
sentiu os olhos marejarem depois de anos, sem derramar sequer uma lágrima por causa do ex. não era muito o tipo de garota que chorava por qualquer coisa. Ela tinha a casca bem grossa. Mas hoje estava estranha.
- Nada, só estou muito cansada mentalmente hoje! Que bom que você tá aqui comigo! Que bom que me chamou, Taehyung! - e então ela deixou algumas lágrimas teimosas descerem pelo rosto, molhando a camiseta dele -
Se sentiu levemente estúpida por ter chorado e especialmente por ter molhado a camiseta dele, então ela se afastou suspirando e limpando as lágrimas. O coração de Taehyung acelerou ainda mais, nunca a havia visto triste. Ela soltou um muxoxo e então voltou a chorar delicadamente. Taehyung voltou a puxá-la para si, a abraçando com força e deixando que ela se escondesse em seus braços.
- Calma! Vai passar! Vai ficar tudo bem! Tem certeza que é só o cansaço? Não tem mais nada? Somos amigos, não somos? Você pode confiar em mim!
ergueu levemente a cabeça para poder enxergá-lo. Gostava tanto da companhia dele!
- Você é o meu melhor amigo V! Meu melhor amigo!
O coração de V acelerou mais ainda. Então ele era o melhor amigo dela? E só aquilo? Taehyung umedeceu os lábios com a língua. Ele gostava daquele título, e se sentia muito honrado com ele, mas e se fosse só aquilo para sempre? E se ele nunca conseguisse ser algo mais? Controlou a respiração enquanto afagava as costas dela.
- Então pode desabafar!
- E o nosso filme? Vamos comprar o ingresso!
- Eu já comprei e a gente tem mais de vinte minutos antes dele começar!
assentiu com a cabeça enquanto se afastava minimamente dele para limpar o rosto molhado.
- Molhei sua camiseta! - ela passou a mão delicadamente pelo peito dele molhado das lágrimas dela -
Taehyung seguiu a mão dela com o olhar, o coração dele ainda estava acelerado.
- Não se preocupa com isso, hum? - V segurou o queixo dela com a ponta dos dedos - O que foi? Além do cansaço! Conheço você o suficiente para saber que tem mais coisa aí nesse choro.
fechou os olhos, respirou fundo e pensou em uma maneira de contar a ele, mas sem parecer estúpida ou uma completa idiota. Não queria que ele pensasse coisas assim dela.
- Hoje conversei com a minha mãe, e bom, o meu ex namorado estava lá em casa! Ele passou lá! E isso trouxe muitas lembranças de volta na minha mente, com muita força! Não me fez bem.
Taehyung engoliu seco e sentiu o coração acelerado, doer. Doer porque ela ainda parecia muito ligada a esse ex e doer porque estava doendo nela, então o machucava também.
- Entendi! - abriu os olhos quando sentiu ele acariciar o rosto dela - Você ainda é muito ligada a esse ex, não é?
engoliu seco, não queria assumir aquilo para Taehyung, não queria magoá-lo, mesmo sabendo que estava prestes a fazê-lo.
- Tudo bem! Não precisa me responder! - ele balançou a cabeça em negativa - Eu to aqui, ok? Do seu lado! Para o que você precisar! Pode falar comigo! Eu…
Ele pausou, enquanto buscava as palavras na mente. o abraçou, jogando outra vez os braços no pescoço dele, que a segurou com firmeza pela cintura, a abraçando outra vez.
- Eu não sei explicar o que ele ainda causa em mim! - ela sussurrou contra o pescoço dele fazendo com que ele se arrepiasse -
- Então não o ama mais?
- Amo... Só guardei isso num cofre, e tranquei, e esqueci a senha. Não porque quis. Foi preciso. Mas não quero mais amar, não quero! - a voz dela falhou -
Taehyung sentiu as pernas vacilarem levemente com a resposta dela e então ele se apoiou na mesma parede em que estava antes. Mesmo com a súbita confissão, ele não conseguia soltá-la, ou deixar de querer estar com ela. Não desistiria ainda…
- Você já tentou, não sei, se apaixonar por outra pessoa?
Os dois se encararam e viu os olhos dele brilharem levemente. Ele era tão lindo! Porque ela não podia simplesmente se deixar levar pelo que ele sentia?
assentiu que sim, mesmo sabendo que não.
- Não funcionou! - eles se soltaram e então pôs-se a andar - Vamos comprar pipocas e entrar na fila?
Queria mudar de assunto, aquilo era muito delicado, e ela não queria perder a cumplicidade e amizade que estavam construindo. Taehyung entendeu que por hoje, aquele era o limite que ele poderia ultrapassar, e aceitou. Cuidaria dela, e faria com que ela se distraísse por hoje. Faria seu papel de melhor amigo!
Os dois compraram suas pipocas e refrigerantes e então entraram na fila, o assunto agora era outro e Taehyung estava dando seu melhor para fazê-la rir, e estava conseguindo! Já dentro do cinema os dois se ajeitaram em seus lugares e logo os trailers começaram.
- Se você sentir medo pode me abraçar viu? To aqui para te proteger! - ele piscou enquanto gargalhava -
- Tá bom! Já vou ficar segurando a sua mão aqui então!
Taehyung assentiu, apertando a mão dela levemente enquanto sorria. balançou a cabeça em negativa, ele parecia uma criança agora.
O filme então começou e os dois grudaram os olhos na tela, soltando as mãos para conseguirem comer e beber. Taehyung olhava pelo canto dos olhos, esperando que ela se assustasse em algum momento, até que o olhar dos dois se cruzou. Mesmo no escuro, os olhos dele ainda brilhavam. “Merda! Esses olhos podem facilmente quebrar um coração…” pensou .
Voltaram a olhar para o filme, até estava gostando do mesmo, mas estava o achando ainda fraco. Até que V levou um baita susto com uma das cenas, elevando a perna para cima derrubando quase toda a pipoca. segurou o riso, e ele levou a mão ao peito. Os dois se olharam e então ele soltou:
- Se você quiser pode me abraçar mesmo assim, porque acho que sou eu que vou ficar com medo!
Os dois riram e continuou a observá-lo por um tempo. Até que voltou a atenção à tela de novo, e mais uma cena forte. Taehyung voltou a se assustar, desta vez jogando o balde de pipoca para cima, voltando a derrubar quase tudo sobre os dois. voltou a segurar o riso enquanto ele xingava baixinho. E ele continuava levando susto atrás de susto, até que ele de fato abraçou com o coração saltando pelo peito. gargalhou alto quando ele a abraçou entrelaçando as pernas levemente com as dela.
- É só um filme V! - ela riu alto - Não precisa ter medo, baby! - ela repetiu o apelido que ele havia a chamado mais cedo -
E assim foi durante uma hora e meia de filme basicamente. Taehyung quase tendo um treco com os sustos que ele mesmo tomava enquanto e as outras pessoas do cinema riam do jeitinho dele de se assustar.
Assim que os dois saíram da sala de cinema, ainda ria de Taehyung. Que agora também ria de si mesmo. Já dentro do carro, finalmente havia conseguido parar de rir para respirar.
- Você tá bem? - ela questionou -
- Tô com vergonha, mas to bem! Não esperava que o filme fosse me assustar tanto, confesso! Não estava nos meus planos!
- Você não tem costume de assistir coisas de terror não é V?
Ele girou a chave e então fez que não com a cabeça.
- Você podia ter sugerido outro filme então cabeção!
- Valeu a pena! Eu fiz você rir, e isso já valeu meu dia!
Os dois trocaram um olhar profundo. gostava dele! Talvez não com a mesma intensidade que ele, mas gostava sim.
Chegaram na porta do prédio dela e então o abraçou outra vez. Inspirou o cheiro dele para dentro de suas narinas, e V acariciou seus cabelos.
- Se sente melhor? - ele perguntou perto do ouvido dela -
- Sim! Obrigada, de verdade! Eu gosto muito de você, e espero que você saiba!
Os dois se encararam outra vez. Os olhos de V desceram para a boca rosada dela, e os olhos dela fizeram a mesma coisa com a boca dele. Quando ele finalmente ia poder beijá-la? então depositou um beijo demorado na bochecha dele.
Assim que adentrou o apartamento, ela encontrou uma sonolenta deitada no sofá.
- Acordada ainda? Amanhã você não trabalha de manhã mocinha? - assentiu, se sentando no sofá -
- Queria ver com você como foi o encontro!
sorriu, sentando-se no outro sofá.
- Foi bom! Bom até demais!
- Deixou ele te beijar?
- Ai ! - soltou um riso nasalado - Ele não tentou dessa vez! Mas foi gostoso! Ele tomou vários sustos com o filme de terror tadinho, quase sentou no meu colo um hora!
As duas gargalharam.
- E quando você vai deixar ele entrar na sua vida? - se levantou -
- Ele já está na minha vida !
- Cuidado para não perder ele pra sempre amiga!
depositou um beijo no topo da cabeça de se despedindo da mesma para ir para o quarto, e ela ficou lá, pensativa. Perder? Será? Lembrou-se das mãos aconchegantes dele lhe acariciando os cabelos ou as costas. Será que ele ficaria muito magoado com ela?
Quadragésimo Quarto Capítulo - Be good to me
vislumbrou o celular vibrar com uma mensagem de Namjoon na tela avisando a ela que já havia chegado. Pegou a bolsa sobre o sofá e verificou se havia realmente comida o suficiente para os bichinhos e então depois de se despedir rapidamente dos mesmos parou em frente à porta da casa, respirou fundo. Estava sentindo as pernas formigarem, estava nervosa. E não sabia o porque… Na verdade, na cabeça dela, não havia porque ficar nervosa! Já havia se encontrado com ele outras vezes, falava com ele todos os dias, não precisava ficar nervosa. Fechou a porta atrás de si, certificando-se de que ela estava de fato trancada.
Ao adentrar o carro dele os dois selaram os lábios rapidamente e o formigamento nas pernas dela aumentaram drasticamente a intensidade, passando para as pontas dos dedos também. Ajeitou a bolsa no colo depois de colocar o cinto, e se perguntou mais uma vez, porque estava daquele jeito?
- Tá tudo bem? Você parece nervosa!
riu enquanto balançava a cabeça em negativa. Droga! Estava tão perceptível assim?
- Não! Porque eu estaria nervosa Namjoon? - virou o rosto na direção dele, que agora ria - Tá tudo bem! Só estava aqui pensando se fechei a casa toda mesmo!
Namjoon gargalhou, tombando a cabeça para trás e reparou que os olhos dele ficavam ainda menores quando ele gargalhava. E a risada dele era gostosa, não tanto como a de Hoseok, mas era! Virou a cabeça para a janela ao se lembrar de Hoseok, sentiu um nó na garganta ao pensar nele. Namjoon depositou a mão sobre uma das pernas desnudas dela chamando a atenção de de volta para ele.
- Quer voltar para conferir? - os dois se olharam -
- Não! Não! - ela colocou a mão sobre a dele - Não preocupa, eu to bem! Tá tudo bem, eu juro! E você?
- Tudo bem! Cansado, mas bem!
- Hoje você não foi ver sua mãe?
- Não! Hoje eu saí do trabalho e fui direto para casa! Trabalhei mais um pouco lá e aí vim pegar você! Eu estava com saudades!
sorriu, acariciou a mão dele que continuava em sua perna.
- Eu também! É bom ver você! Onde a gente vai, já decidiu Joonie?
Assim que Namjoon abriu a boca para falar, o celular dele tocou alto e então ele retirou a mão da perna de e encostou o carro para atender o mesmo.
- Desculpa, mas eu vou precisar atender ! É um dos meus clientes mais importantes e eu fiquei de receber mesmo uma ligação dele.
- Imagina! Atende! - assentiu com a cabeça -
Detestava ficar perto das pessoas quando estas iam atender a algum telefonema. Sentia que estava invadindo a privacidade da pessoa mesmo que completamente sem querer. E era impossível não prestar atenção à conversa quando se estava num carro com a pessoa ao seu lado. Aí então ela ouviu Namjoon dizer que já ligava de volta para dar a resposta e então desligar.
Namjoon soltou um suspiro cansado e então viu ele passando as mãos pelas têmporas.
- O que foi? Aconteceu alguma coisa?
- Eu vou precisar passar em casa, bem rapidinho, para dar uma olhada em alguns papéis e retornar para o cliente! Você se importa? Eu juro que não vou demorar nada!
- Vamos! Eu não me importo! To por sua conta hoje! - ela piscou -
Namjoon sorriu e então se inclinou depositando um beijo rápido na bochecha dela. Era um cliente muito importante então ele precisava dar aquele retorno. Ele esperava que quando o cliente ligasse ele já estivesse em casa, mas não foi o que aconteceu, Namjoon não gostava de ter que mudar planos de última hora, não importa quais fossem os planos. Mas foi preciso, e ele agradeceu mentalmente por ser tão tranquila.
Ele ligou o som do carro e voltou a fitar . Ela estava um pouco distante hoje, e Namjoon achou estranho, mas talvez fosse apenas cansaço do dia a dia. Ele gostaria que ela pudesse confiar nele para contar as coisas, mas se ela ainda não se sentia pronta para dar esse passo com ele, tudo bem.
Assim que os dois desceram do carro, Namjoon abriu a porta da casa apressadamente, mas deixou que entrasse primeiro e então ele acendeu a luz. Assim que a luz foi acesa, Namjoon quis que um buraco se abrisse abaixo de seus pés ao reparar na desorganização do lugar.
- Sei que é impossível, mas não repara na bagunça! - ele riu desgostoso enquanto fechava a porta -
- Que papelada meu pai! - gargalhou - Como você encontra os papéis que precisa nessa bagunça?
Ele amava a sinceridade dela! Ela sempre dizia o que pensava, Namjoon sorriu enquanto passava uma das mãos pelas costas dela.
- Assim, eu não sou das mais organizadas não! Longe de mim! Mas vamos dar um jeito nisso? - ela largou a bolsa no braço do sofá -
Namjoon coçou a nuca, sem jeito, e então abriu a boca para protestar mas resolveu não falar nada.
- Você tem um escritório, certo? - Namjoon assentiu - E lá tem algum espaço para gente mover alguns desses papéis para lá? Porque se não nem cabe a gente aqui nessa sala Namjoon!
- Deve ter sim! Eu tenho um monte de pastas vazias! É que fico com preguiça de guardar de novo quando mexo! - ele voltou a coçar a nuca enquanto ficava vermelho -
sorriu, achando extremamente fofo um homem daquele tamanho corar.
- Então vamos lá pegar! É essa porta aqui? - ela apontou para a porta que ficava entre a cozinha e a sala -
Namjoon assentiu enquanto caminhava até a mesma para abri-lá. Assim que ela acendeu a luz se estranhou com o quanto o lugar estava organizado até demais.
- Como assim? - ela perguntou apontando para o lugar impecavelmente organizado - Que dualidade é essa? Agora to imaginando seu quarto, será que ele se parece com o escritório ou com a sala?
Os dois gargalharam e Namjoon voltou a corar. Ele caminhou até um grande armário que ficava lá e então abriu o mesmo pegando as pastas. Entregou algumas para ela e ficou com as restantes, os dois então foram para a sala.
- E onde estão os papéis que você precisa para dar a resposta para o cliente?
- No escritório!
- Então vai lá ler e ligar logo pro homem se não ele vai ficar bravo! Eu vou organizando por aqui!
- Sim senhora! - ele bateu continência rindo -
- Ó, não me provoca Namjoon! - ela bateu com uma das pastas nele -
Assim que ele saiu da sala deixando-a sozinha, começou a organizar os papéis, que bom, estavam por praticamente toda a sala e então começou a rir sozinha enquanto organizava os papéis dentro das pastas. Como ele era desorganizado!
- Tá rindo do que? - ele falou de dentro do escritório -
- Da bagunça que tá a sua sala! Por Deus Namjoon!
- Eu juro que meu quarto é organizado! E a cozinha também!
- Dá um jeito homem! Lê esses papéis e guarde-os nas pastas! Se eu voltar aqui e encontrar essa sala cheia de papel de novo, você vai ver!
- Está me ameaçando? - ela riu -
- Estou! E sou perigosa! Você é grande, mas não é dois! - foi a vez dele gargalhar -
Ele ligou para o cliente e ficou por cerca de quinze minutos na linha com o mesmo enquanto terminava de guardar os papéis nas pastas. Assim que ela adentrou o escritório dele tentando equilibrar as pastas, Namjoon que havia acabado de desligar o telefone passou os olhos pelo corpo dela. Umedeceu os lábios com a língua e então se levantou.
- Posso guardar essas pastas aqui de qualquer jeito? Ou esses nomes escritos aqui precisam ter uma ordem específica? Fica tranquilo, eu guardei tudo certinho!
- Eu sei! Confio em você! - ele segurou a cintura dela enquanto aproximava o corpo do dela - Pode guardar de qualquer jeito!
sentiu as pernas vacilarem levemente com a proximidade do corpo dele. Namjoon depositou alguns beijos pela bochecha dela e então a soltou, ficando ao seu lado pegando algumas pastas. Os dois ajeitaram as mesmas no armário e voltaram para a sala.
- Que tal a gente ficar por aqui? Se você não se importar! Acho que agora não rola sair mais! A gente se aconchega aqui mesmo! Ah não ser que você não queira que eu fique muito tempo na sua casa!
- Tá maluca? Porque eu não ia querer?
Ele passou o braço nos ombros dela enquanto se ajeitava ao seu lado no sofá.
- Sei lá! - ela deu de ombros, voltando a ficar nervosa -
- Para! Você precisa relaxar! Não sei porque tá nervosa! Eu até deixei você mexer nos meus processos! Eles são como filhos para mim!
- Uau! - ela gargalhou e então deitou a cabeça no ombro dele -
Os dois então resolveram pedir alguma coisa pelo aplicativo mesmo e enquanto a comida não chegava, Namjoon colocou um filme qualquer que eles escolheram na TV. voltou a sentir as pernas formigarem e de repente o lugar parecia pequeno, apertado e ela sentiu calor. Namjoon voltou a se aconchegar ao lado dela no sofá. Os dois voltaram para a posição que se encontravam antes do filme. Após alguns minutos naquela posição, sentindo os dedos de Namjoon lhe acariciar a bochecha, ela se atreveu a colocar uma das mãos na perna dele, apertando o lugar. Namjoon sorriu sem mostrar os dentes, e se questionou, porque ela estava nervosa daquele jeito?
- Escuta! - ele chamou -
tirou o rosto do ombro dele e levantou o mesmo, dando de cara com os lábios dele, convidativos demais.
- O que? - ela sussurrou enquanto olhava os lábios de Namjoon -
- Você tá linda! - ele sussurrou de volta enquanto segurava sua nuca -
então fechou os olhos deixando os lábios de Namjoon se encostarem aos seus. O formigamento agora não era só nas pernas, havia se espalhado pelo corpo todo.
- Eu espero que isso te ajude a relaxar um pouco!
Os lábios dele pressionaram os dela com força, que deixou que ele a beijasse. As mãos de Namjoon pressionavam a nuca dela enquanto as de pousavam sobre o peito dele. Rapidamente ela já estava de joelhos no sofá enquanto a mão dele descia da nuca de , para os quadris dela. O beijo agora era mais intenso, as respirações pesadas.
Namjoon tratou de puxá-la para seu colo, entrelaçando uma perna de cada lado nos quadris dele. Como tocá-la era bom! Como ele gostava de ter os lábios dela grudados aos seus daquele jeito. abraçou o pescoço dele, colando ainda mais o torso ao de Namjoon, que lhe apertou com força a cintura enquanto adentrava com as mãos debaixo da blusa que ela usava. Ao sentir o calor da pele dela por baixo da blusa, Namjoon sentiu o corpo reagir com força, especialmente quando ela pressionou o quadril para baixo esbarrando a intimidade dela no membro dele já começando a endurecer. O efeito que ela tinha no corpo dele, o assustava.
sentia o corpo todo arder em chamas, mas precisava se acalmar, a qualquer momento a comida que eles haviam pedido podia chegar, além de não saber se aquilo estava sendo de fato adequado. Namjoon era um homem sério, e ela tinha receio que aquilo pudesse assustá-lo, ou que aquela não fosse de fato a intenção do encontro. As mãos dele percorreram toda a extensão de suas costas e separou os lábios dos dele, precisava de ar. Namjoon colou a testa na dela, respirou devagar. Mas ao olhar os olhos dela, não conseguiu: colou os lábios aos dela de novo. puxou os cabelos dele com força, e voltou a mexer o quadril sobre o colo dele. Namjoon arranhou levemente as costas dela com a provocação. E ai a campainha tocou, despertando os dois do transe em que se encontravam. Namjoon praguejou mentalmente, jogando a cabeça para trás com força, enquanto gargalhava.
- Ah, nós dois já sabíamos da possibilidade de isso acontecer, meu bem! - a voz dela rouca ecoou nos ouvidos dele, enquanto ela se sentava novamente no sofá - Deixa que eu vou!
Assim que ela se levantou, Namjoon continuou com a cabeça jogada para trás, no encosto do sofá, ele tentava acalmar a respiração, o corpo e a mente. Sempre fora um homem controlado, inclusive quando se tratava de seus hormônios. Mas vinha o tirando dos eixos. Ainda de olhos fechados ele ouviu ela fechar a porta e caminhar para a cozinha.
Namjoon se levantou, já com o corpo menos quente e foi atrás de na cozinha, afinal de contas ela não sabia onde ficavam as coisas por lá. Depois de arrumar os pratos e a comida dentro deles, Namjoon abriu a geladeira e pegou a garrafa de vinho que ainda não havia sido aberta, e duas taças. o observava enquanto se sentava na mesa.
- Que bom que a cozinha de fato é organizada! - Namjoon soltou um riso nasalado - Eu podia jurar que você não bebia!
- Não sou muito de beber, confesso! Mas eu gosto de vinho!
Os dois se encararam por alguns segundos e então ele colocou as taças sobre a mesa, uma do lado dela e outra do seu próprio lado. Os dois deram um brinde e tomaram um gole do vinho. um gole mais longo, estava com o corpo quente ainda. O que viria a seguir? Ela deveria pedir para ir embora depois que acabasse de comer e tomar o vinho? O que será que estava se passando na cabeça dele?
Namjoon e ela ficaram em silêncio enquanto comiam, falando apenas sobre o sabor da comida ou sobre como o vinho havia combinado com o prato. Depois que acabaram de comer, se posicionou na pia pronta para lavar as louças, mas Namjoon a impediu, abraçando-a pela cintura.
- Deixa isso aí! Depois eu mesmo lavo! - sentiu os pelos da nuca arrepiarem com a voz dele em seu ouvido -
- Pode deixar que eu lavo! Já arrumei sua sala! Só não acostuma! - ela fechou os olhos quando sentiu a boca dele lhe beijar o pescoço -
As pernas dela vacilaram quando a língua dele passou por toda a extensão, fazendo com que ela mordesse o lábio inferior como resposta. Namjoon sorriu, satisfeito.
- Bom, você já viu a cozinha e eu te provei que ela era organizada. Agora falta eu te provar que o meu quarto também é!
gargalhou com a fala dele e então os dois deram as mãos e caminharam em direção ao quarto dele, com Namjoon na frente.
- Eu sabia que você não mentiria sobre isso! - ela observou o quarto -
As paredes pintadas em um cinza claro, uma das paredes mais escuras, era onde ficava um painel, com alguns livros de Direito e a TV. Tudo bem clean, bem simples, o quarto não tinha muitas decorações, apenas um quadro aqui e outro ali, e uma poltrona que ficava de costas para a janela do quarto.
- Não julgue o livro pela capa ! Escuta, liga a TV, fica à vontade! Me espera sair do banho? Como você já deve ter percebido, eu sinto muito calor e acabo suando muito, e não gosto de ficar pregando!
riu enquanto passava o olhar pelo corpo dele, reparando que a camiseta que ele usava estava começando a colar no corpo dele devido ao suor. Depois voltou a olhá-lo nos olhos. Eles brilhavam, com intensidade e ela então desviou o olhar.
Aine se sentou na beirada da cama que era alta e então ficou com os pés pendurados no ar, o que fez ele rir e ela corar, mas rir também. Assim que ouviu o barulho do chuveiro, ela não conseguiu evitar pensar no que havia acontecido na sala e em como ela gostaria de ser corajosa o suficiente para invadir o banho dele e terminar o que haviam começado na sala. Mas tratou de acalmar a mente e o corpo e então ligou a TV, o silêncio do quarto misturado com o barulho do chuveiro estavam torturando . Fechou os olhos quando se lembrou das mãos dele percorrendo suas costas e do membro dele duro pressionando sua intimidade quando estava no colo dele. Havia pelo menos um ano que ela não transava com ninguém, e bom, ela também tinha necessidades! E Namjoon estava ali, ao alcance de suas mãos… Tratou de afastar os pensamentos outra vez enquanto olhava para a televisão. Até que ela ouviu a voz de Namjoon ecoar pelo corredor que dava para o banheiro. arregalou os olhos, ele estava mesmo chamando-a?
- Oi Joonie! - ela respondeu abaixando a TV e se levantando da cama -
- Eu esqueci a toalha aí na poltrona, ou na cama, não sei! Você pode trazer para mim?
engoliu seco e sentiu os músculos do corpo todo enrijecerem. Ele não estava fazendo aquilo, estava? Ela passou os olhos pelo quarto e lá estava a bendita toalha, a alguns centímetros dela, sobre a cama. O coração de palpitou dentro do peito, e ela ouviu ele a chamar outra vez. Pegou a toalha sobre a cama e respondeu que estava indo. Saiu do quarto descalça e caminhou na ponta dos pés até a porta que dava para o banheiro dele. Ela estava aberta mas o box, por sorte - ou azar - era preto e estava fechado, de forma que só enxergava a silhueta de Namjoon.
Assim que ela entrou no banheiro o formigamento nas pernas voltou com tudo. então se virou de costas para a porta do box e ficou na ponta dos pés outra vez, dessa vez para pendurar a toalha no gancho, assim que ela o fez, as mãos de Namjoon a agarraram pela cintura com força o suficiente, para puxá-la fazendo com que ela fechasse os olhos com força ao sentir as mãos molhadas dele. E quando abriu os olhos, já estava dentro do box pressionada entre o corpo grande de Namjoon e a parede, respirou fundo antes de sentir os lábios carnudos dele se chocando com os seus. soltou um suspiro baixo entre o beijo quando as mãos dele invadiram novamente suas costas por baixo da blusa branca que ela usava. O molhado do toque dele havia a despertado outra vez.
Logo o beijo foi tomando intensidade, as línguas se chocavam com certa violência e sentia a intimidade pulsar dentro do short jeans. Foi quando Namjoon a impulsionou para cima e ela entrelaçou as pernas em volta da cintura dele, com a respiração pesada. Namjoon passou uma das mãos cegamente pela parede, procurando pelo registro do chuveiro e então o fechou. Saiu do box ainda segurando em seus quadris, e não desgrudou a boca da dela durante esse processo, quando ele a colocou no chão, as bocas se desgrudaram apenas para que ele pudesse arrancar a blusa dela, jogando-a ali no chão do banheiro mesmo. Voltou a beijá-la com força e então os dois caminharam com certa dificuldade até o quarto de Namjoon.
Quando bateu com as pernas na cama, os dois desgrudaram os lábios, sedentos por ar. O olhar de Namjoon desceu dos lábios dela para o decote que estava à mostra com ela agora sem a blusa. Sentiu o membro latejar de vontade de colocar os lábios lá, então ele subiu vagarosamente as mãos pelas costas de até que chegou no fecho do sutiã roxo que ela usava e então ele se desfez da peça com certa pressa. fechou os olhos quando sentiu a respiração dele bater em seu mamilo esquerdo, e o corpo todo dela estremeceu quando ele gentilmente passou a língua por lá. Não conseguiu segurar o gemido dentro da garganta quando ele finalmente abocanhou o seio todo, subindo a mão livre para o outro. Ouvir o gemido de ecoar pelo quarto, mesmo com a TV ligada, atiçou ainda mais os sentidos de Namjoon.
Ele aumentou a pressão com a língua sobre o mamilo esquerdo dela,enquanto apertava o direito entre os dedos. arqueou as costas com a sensação gostosa de tê-lo ali, pressionando o corpo ainda mais de encontro ao dele. Soltou mais um gemido, dessa vez no ouvido dele, que grunhiu alguma coisa incompreensível. queria tocá-lo, então desceu uma das mãos até encontrar o membro dele ali, já livre de qualquer peça de roupa. Ele pulsava por ela, e então soltou outro gemido, um pouco mais alto assim que tocou o membro dele. Namjoon subiu o rosto, afundando o mesmo na curva do pescoço dela.
- Você vai me desconcentrar assim! Não vou conseguir trabalhar direito com a sua mão aí! - ele soltou um gemido abafado quando sentiu a mão quente dela lhe apertar o membro -
, ignorando, começou então a movimentar a mão, bem devagar, para cima e para baixo. Namjoon sentia cada veia do membro pulsar de tesão, ele fechou os olhos enquanto dava algumas mordidinhas no pescoço dela, até que os movimentos da mão dela começaram a ficar mais rápidos, numa espécie de tortura. Namjoon já não controlava mais os gemidos que saíam de sua garganta com ela ali, o masturbando. Ele apenas jogou a cabeça para trás, enquanto a segurava com toda a força que tinha naquele momento pela cintura. , satisfeita com os gemidos que saiam de sua boca, achou que ele merecia mais. A garota então se ajoelhou em meio as pernas do mais velho passando as unhas em suas coxas, e então parou com os movimentos com a mão, a respiração entrecortada de Namjoon fez com que ela o vislumbrasse ali, em pé, entregue a ela, ansioso pelo que viria à frente. então observou o membro dele, pulsando em sua frente. Tão bonito, ela pensou. Passou um dos dedos pelas veias pulsantes do membro de Namjoon, que apenas mordeu o lábio inferior com o toque. Então ela segurou o mesmo com uma das mãos, ele estava quente, e ela havia gostado daquilo. passou o polegar pela glande do pênis dele, já lubrificada pelo líquido pré-ejaculatório, sorriu ao constatar que ele estava tão molhado quanto ela! Namjoon deixou mais um gemido escapar de seus lábios quando sentiu o dedo dela tocar ali.
- Eu não sabia que você gostava tanto assim de torturar! - ele suspirou pesadamente quando ela acariciou a glande com o polegar outra vez -
soltou uma risada nasalada enquanto o observava de novo. Como ele era bonito!
- Mas eu não to fazendo nada! - e então ela passou a língua pelo mesmo lugar onde antes havia passado o dedo -
Namjoon praguejou baixinho e então colocou uma das mãos na nuca de . Estava para enlouquecer apenas nas preliminares, o que ela estava fazendo com ele? Antes que ele pudesse raciocinar sentiu a boca quente dela sobre seu membro. Apertou a nuca de com força enquanto gemia. Ela alternava entre a boca - e língua - e as mãos, quando Namjoon sentiu que estava quase chegando lá, ele achou melhor para-la. Não era assim que ele queria chegar ao ápice, bom, pelo menos não hoje. Quando sentiu as mãos dele subirem em seu corpo, fazendo com que ela ficasse frente a frente com ele, os dois se beijaram outra vez. Um beijo lento, sem pressa. As mãos de Namjoon apertaram a cintura dela com tanta força que ela pensou que desmaiaria. Namjoon desabotoou o short jeans que ela usava, mordeu o lábio superior dele.
- Você não é um homem vingativo, é? - ela perguntou enquanto ele descia o short dela -
- Tá com medo? - ele riu enquanto passava os dedos pela lateral das coxas dela - Eu vou ser bonzinho com você. Prometo!
A boca dele pousou no pescoço dela, a língua dele traçou um caminho molhado por lá e resolveu arranhar as costas dele enquanto ele o fazia. Namjoon desceu o olhar pelo corpo dela, coberto agora apenas pela calcinha de renda, preta. De repente sentiu o corpo e o rosto queimarem, e a insegurança bater. Ele era um homem e tanto, provavelmente acostumado a ter as mulheres que quisesse, e se ela não estivesse à altura? abaixou o olhar, passando pelo próprio corpo. Namjoon, entendeu.
- Você é linda! Linda! - ele segurou o rosto dela entre as mãos fazendo o encarar - E preto, é a minha cor preferida!
- Você… - ela pausou - Sei lá! Você quer mesmo?
Namjoon a beijou. Como nunca a havia beijado antes. Ainda segurando o rosto dela entre as mãos, ele pressionou o membro duro que nem concreto em sua barriga, como se quisesse respondê-la. Namjoon desceu as mãos pela lateral do corpo de , ainda a beijando com intensidade. E então os dois se deitaram na cama, com Namjoon por cima dela. As pernas de se abriram para acolherem melhor o corpo grande dele. Ainda com os lábios colados aos dela, Namjoon desceu lentamente a calcinha que ela usava por seu corpo, até que ela estivesse completamente nua. A sensação da pele dos dois grudada uma na outra, fez com que os os dois suspirassem, cortando o beijo. Namjoon se sentou em meio as pernas de e então observou o corpo da garota. Ele estava se sentindo como um vulcão prestes a entrar em erupção, cada parte do corpo dele implorava por ela. mantinha os olhos focados nele. Foi aí então que ele passou um dos dedos pela intimidade dela, bem devagar.
- Você disse que seria bonzinho! - ela continuou o encarando enquanto segurava um gemido -
- E eu serei! - ele sorriu, sacana -
Gentilmente ele abriu um pouco mais as pernas de e quase gozou quando passou o dedo por lá outra vez, dessa vez com mais intensidade. Ela estava molhada, claro, e então ele pôs-se a massagear lentamente o ponto já inchado dela. soltou um gemido baixo enquanto as pernas voltaram a se fechar involuntariamente pelo prazer que sentiu com o dedo de Namjoon tocando ali, no seu ponto mais sensível. Namjoon a impediu de fechar as pernas.
- Não me obrigue a ser mau! - ele então intensificou o toque por lá -
gemeu mais alto enquanto arranhava as próprias coxas, o que enlouqueceu Namjoon. Queria vê-la se contorcendo de prazer sob os comandos dele, queria fazê-la perder o juízo… Mas ele estava com tantas ganas de tê-la, que não sabia se conseguiria esperar por mais muito tempo.
Subitamente ele a penetrou com um dedo, não encontrando muita dificuldade, já que ela estava bem úmida. Ele revirou os olhos ao sentir o quão molhada e quente ela estava. mordeu o lábio inferior com força quando ele a penetrou com um dos dedos. Aquilo já estava sendo o suficiente para que ela quase enlouquecesse.
- Por Deus, ! - ele sussurrou - Você é tão quente!
Quando Namjoon introduziu outro dedo em sua intimidade, agarrou os lençóis da cama fechando os olhos com força, e então gemeu alto e sôfrega. Depois de alguns segundos apenas sentindo o quente do interior dela abraçarem seus dedos, Namjoon os movimentou. Primeiro devagar, para torturá-la enquanto ele assistia ela se contorcer de prazer e depois foi aumentando a velocidade dos mesmos dentro dela. não controlava mais os gemidos que saiam de sua garganta e até ficou com medo do que ele poderia pensar ao vê-la ali, gemendo daquele jeito. O que não imaginava é que aquilo despertava ainda mais todos os sentidos de Namjoon: tê-la ali daquele jeito com o corpo respondendo tão intensamente aos comandos dele e por ele era indescritível.
já um tanto quanto fora de si mesma, segurou o pulso de Namjoon com força e ele entendeu o que ela queria, resolveu que não a torturaria mais por hoje, e afinal de contas, também queria a mesma coisa que ela desde que havia a tocado no sofá.
Namjoon voltou a beijá-la nos lábios sentindo as mãos dela invadirem seus cabelos, as mãos dele lhe apertavam as coxas com força e era como se os dois quisessem fundir os dois corpos num só, tamanha urgência em que se apertavam um contra o outro. sentia a intimidade pulsar com tanta intensidade que ela sabia que assim que ele entrasse nela, não aguentaria por muito tempo.
Os dois se separaram apenas para que Namjoon pegasse um preservativo e quando ele voltou se deparou com ela de olhos fechados enquanto tocava a própria intimidade com os dedos, Namjoon achou que fosse explodir com a imagem dela se tocando, enquanto ansiava por ele. Depois de colocar o preservativo ainda a observando, Namjoon se debruçou delicadamente sobre ela, retirando a mão dela de lá e subindo a mesma até a altura da cabeça dela, fez a mesma coisa com a outra mão e então segurou os pulsos dela com apenas uma mão. , de olhos fechados, sorriu.
- Você gosta não é? - ele perguntou com a boca encostada no ouvido dela -
estreitou o sorriso, enquanto assentia que sim com a cabeça, incapaz de formular uma frase. A sensação de ser dominada por Namjoon a agradava e muito, então ela pressionou a intimidade contra o membro de Namjoon posicionado perto de sua entrada. Namjoon mordeu o lábio inferior dela com força, como punição e entrelaçou as pernas em volta da cintura dele.
- Por favor, Namjoon! - ela suplicou enquanto sentia ele morder o lóbulo de sua orelha -
- O que? - ele voltou a sussurrar no ouvido dela -
- Você vai mesmo me fazer implorar? - ela tentou se livrar da mão forte de Namjoon, mas sem sucesso -
Namjoon gargalhou e então voltou a beijá-la, com força, mordendo os lábios dela. quase chorou quando ele começou a penetrá-la bem devagar.
- Se eu machucar você, me avise! - a boca colada à dela -
sabia que ele era grande, e por isso estava indo bem devagar, o que acabava por torturá-la ainda mais.
- Mesmo se me machucar, não pare! Eu quero muito sentir você todo logo dentro de mim!
Namjoon mordeu o lóbulo da orelha dela outra vez enquanto sorria e então forçou mais um pouco o membro dentro dela, que gemeu tentando se livrar das mãos dele de novo. Assim que ele estava todo dentro dela, teve medo de desmaiar quando ele finalmente começasse a se mover, ela sentia um pouco dor, então pediu que ele esperasse um pouco até que o incômodo passasse. Namjoon estava com medo que na primeira investida mesmo, ele gozasse de tão quente lá dentro. assentiu com a cabeça que estava pronta, olhando nos olhos dele. A primeira investida foi mais lenta do que ela esperava, e depois o ritmo foi aumentando, e os gemidos que saíam da boca de Namjoon também. Era surreal o quanto era gostoso, e o quanto o membro dele deslizava e adentrava com facilidade dentro dela. Nem o barulho da TV ligada foi capaz de abafar os gemidos dos dois. Namjoon já não aguentava mais, então colou a boca no pescoço de enquanto investia forte. Quando sentiu o orgasmo o atingir com força, ele abafou o gemido no pescoço suado dela. sorriu satisfeita com o gemido dele. Alguns segundos depois, ele voltou a mexer os quadris com força, para que tivesse seu orgasmo, o que não demorou muito para acontecer.
Namjoon caiu ao lado dela, cansado e suado. Os olhos fechados. também mantinha os olhos fechados, tentando se recuperar. A respiração dos dois estava forte e alta.
Quadragésimo Quinto Capítulo - Dope
abraçou Jungkook com força assim que a audiência acabou, e então, satisfeita, deixou que as lágrimas escorressem livremente pelo rosto. Jungkook segurou o rosto dela entre as mãos e limpou as lágrimas dela. Os olhos dele também estavam cheios d’água. Depois abraçou o irmão com força. Taehyung também estava emocionado. Finalmente eles teriam paz. O stalker de havia sido condenado pelos crimes que cometera, ao todo seriam seis anos atrás da grade. Infelizmente todos sabiam que ele não chegaria a cumprir toda a pena, pois o sistema penal brasileiro dava muitas brechas e direitos de redução gradual de pena. só esperava não vê-lo nunca mais na vida. Durante todo o julgamento, ele não tirava os olhos dela e de Jungkook, já que os dois estavam o tempo todo de mãos dadas. temeu durante todo o julgamento, mesmo com ele preso, e esperando não vê-lo nunca mais, ela temia! Por ela, por Taehyung e agora por Jungkook.
Assim que chegaram na casa de , Taehyung foi ao banheiro deixando os dois sozinhos. se sentou no sofá e puxou Jungkook para se sentar ao lado dela.
- Você não parece feliz gatinha! Ele foi condenado! - Jungkook encostou a cabeça sobre a dela que estava em seu ombro -
suspirou enquanto aconchegava as pernas no sofá.
- Ele deve ficar no máximo uns três anos! E bom, ele sabe onde eu trabalho! Não tenho a sensação de que me livrei disso!
- Claro que se livrou! Você tem eu e o V! Nós vamos proteger você!
riu com a inocência de JK e então depositou um beijo demorado na bochecha dele, que sorriu.
- Vocês correm tanto risco quanto eu! E eu me preocupo seriamente com isso! Você viu como ele te olhava durante a audiência? Viu como ele olhava as nossas mãos dadas?
Jungkook fez que sim com a cabeça e então segurou o rosto dela entre as mãos, encostando a testa na dela.
- Eu não tenho medo dele! E não vou deixar que nada te aconteça! Eu salvei você uma vez e salvarei quantas forem preciso!
- JK! É sério! - ela encostou a testa na dele - Eu ainda tenho medo!
- Eu sei gatinha! E eu entendo, é completamente compreensível que você tenha medo! Mas não precisa ficar assim! Você tem que tentar retomar a sua vida por completo! Não pode deixar o medo tomar conta de você!
- Isso mesmo! - complementou V enquanto descia as escadas da casa - Você tem que tomar cuidado, é claro! Mas não pode parar de viver, o medo não pode te paralisar!
assentiu com a cabeça tentando fixar as palavras dos garotos em sua cabeça. Mas parecia impossível, porque ela só conseguia pensar no olhar do stalker.
- Eu estava aqui pensando no que cozinhar para a gente! O que vocês me sugerem?
e Jungkook se olharam.
- Vamos procurar algumas receitas aqui na internet juntos! - ofereceu enquanto desbloqueava o celular - Olha, eu acho que macarrão é prático e muito gostoso! O que vocês acham?
- Ah mas pega uma receita mais elaborada aí vai ! Só macarronada é muito vago! - Taehyung cruzou os braços fazendo um biquinho -
- Ai meu Deus! Eu esqueço que você gosta de pratos difíceis!
- Macarrão de panela! - Jungkook tomou delicadamente o aparelho das mãos de digitando no mesmo - É uma delícia! Não é muito simples, mas também não é muito elaborado!
Jungkook passou o celular de com a receita aberta para Taehyung, que leu atentamente a receita.
- É! Tem todos os ingredientes aqui em casa! Pode ser!
- Qualquer coisa que você faz fica delicioso Tae! - revirou os olhos com o desdém do irmão pela receita -
- Tá bom! Vou preparar! Quem dos dois vai me ajudar?
- Nós dois! - se levantou do sofá depositando um tapa na perna de JK -
O mais novo se levantou assentindo com a cabeça e então os três se dirigiram para a cozinha. Durante os preparativos Jungkook quase cortou a mão de novo então eles acharam melhor que ele ficasse com alguma outra tarefa que não envolvessem as facas, depois de muitas risadas e um certo atraso no processo porque os três não conseguiam se concentrar o macarrão finalmente ficou pronto, então os três se serviram e Taehyung ficou observando a irmã de chamego com JK. Ele queria tanto poder estar daquele jeito com , queria que ela também estivesse ali com ele… Mas ele estava feliz pela irmã.
Depois os três se sentaram na sala decididos a ver algum filme, depois de muita procura eles optaram por um de ficção científica que agradou os três e então e Jungkook se aconchegaram no sofá maior e Taehyung então se ajeitou no menor. Logo o celular de V começou a tocar e então ele atendeu, se dirigindo para a cozinha para não atrapalhar o casal a ver o filme. Depois ele voltou para a sala, coçando a cabeça.
- Vou ter que dar um plantão agora a noite! Vou resolver uma parada! Juízo vocês dois aí hein! - ele brincou depositando um beijo no topo da cabeça da irmã -
E então ele foi para o escritório fechando a porta atrás de si.
se levantou do sofá indo até o interruptor da sala apagando a luz, deixando que apenas a TV iluminasse o ambiente e então voltou a se sentar ao lado de JK que deitou a cabeça no ombro dela, fechando os olhos. Ele aproveitou para deslizar o nariz pela pele do pescoço dela, inalando o cheiro bom que emanava de lá. arrepiou os pelos da nuca com o contato no nariz dele lá e os músculos dela enrijeceram. Jungkook ainda de olhos fechados depositou um beijo demorado na curva do pescoço da morena que mordeu o lábio inferior e então ele depositou mais alguns beijos por lá enquanto ela deixava o pescoço ainda mais exposto, demonstrando que estava gostando daquilo. Assim que Jungkook alcançou o lóbulo da orelha de , ele mordeu levemente o lugar e sorriu sem mostrar os dentes. Jungkook apertou a cintura dela com as duas mãos e então colou a boca na dela com urgência sugando o lábio superior dela enquanto deitava o corpo sobre o de .
já deitada no sofá sentiu o corpo pesado dele se deitar sobre o seu enquanto uma das mãos dele lhe apertava uma das coxas, aproveitou para lhe morder o lábio inferior com força, vendo Jungkook apertar os olhos. O beijo dele sempre era molhado e a língua dos dois brincavam uma com a outra. Uma das mãos de estava embrenhada nos cabelos roxos dele enquanto a outra segurava fortemente o braço musculoso dele. Jungkook apertava firmemente a coxa direita de enquanto as bocas ainda estavam coladas. Lentamente ele foi se levantando, trazendo junto, sentando-a em seu colo. Logo as mãos de Jungkook desciam livremente pelas costas dela e então elas pararam no bumbum de , que arfou contra os lábios dele quando sentiu as grandes mãos de Jungkook apertarem o lugar com vontade. sentiu o membro dele pressionar sua intimidade quando ele apertou outra vez o bumbum dela, pressionando-a para baixo e então ele gemeu entre o beijo. Jungkook voltou a segurar a cintura dela com as duas mãos e então lentamente ele deslizou uma delas para debaixo da blusa que ela usava enquanto encostava a testa na dele, fitando os olhos negros dele brilharem de excitação. As bocas agora respiravam com dificuldade, mas ainda encostadas uma na outra. Assim que a mão de Jungkook alcançou um dos seios dela por baixo da blusa continuou encarando os olhos dele, que apertou delicadamente o mesmo sentindo a renda do sutiã que ela usava na palma da mão. Jungkook mordeu o lábio inferior para não gemer. Os lábios dele voltaram a beijar o pescoço de que sentiu todos os pelos do corpo se arrepiarem e ela estava sentindo a intimidade começar a pulsar com a boca dele ali, subindo e descendo a língua passando por toda a extensão do pescoço dela que agora tinha a cabeça jogada para trás dando livre acesso para os lábio de Jungkook. Ele apoiava uma das mãos nas costas dela, impedindo que ela caísse e a outra ele matinha agarrada ao seio de , onde ele dava leves apertões sobre o mesmo enquanto se deliciava com a carne do pescoço dela. sentia o membro dele duro embaixo de si, queria poder tocá-lo, colocá-lo na boca, mas com o irmão na casa era impossível. Ela já estava tendo que se controlar muito para não gemer alto com o que estavam fazendo. Foi quando a mão que estava em seu seio desceu para sua intimidade, Jungkook passou a mão sobre a mesma em cima da calça jeans que ela usava, apertando o tecido contra a calcinha dela que gemeu baixinho revirando os olhos. Ela queria mais, e sabia que ele também.
- Shh! - ele sussurrou no ouvido dela ainda pressionando a mão sobre sua intimidade - Seu irmão tá em casa! Não faz barulho.
sentiu a intimidade pulsar ainda mais com a voz rouca dele sussurrando em seu ouvido. apenas conseguiu assentir com a cabeça, extasiada com a pressão que a mão dele exercia em sua calça.
- Jungkook. - ela sussurrou fechando os olhos quando ele pressionou o dedo sobre a entrada dela dentro da roupa -
- Eu juro que se o seu irmão não estivesse em casa… - ele mordeu o lóbulo da orelha dela - Você quer, tanto quanto eu quero?
abriu os olhos encarando os dele, cintilantes de desejo, e assentiu outra vez com a cabeça enquanto mordia o lábio inferior. Os dois voltaram a se beijar com força, chocando as línguas uma na outra enquanto passava os braços em volta do pescoço dele, rebolando o quadril no membro de Jungkook que sentiu que poderia desmaiar caso ela o fizesse de novo então ele deixou um aperto forte no bumbum dela. Os dois continuaram se beijando com vontade até sentirem necessidade de respirar. Jungkook, prudente, resolveu colocar ao seu lado no sofá. Por dentro, ele pegava fogo e desejava absurdamente poder chegar até o fim, mas ele sabia muito quem não era possível e que eles precisavam se acalmar. entendeu o recado então respirou fundo algumas vezes com os olhos fechados e Jungkook fazia a mesma coisa. Os dois se olharam e depositou alguns selinhos nos lábios dele e então os dois ouviram a voz de Taehyung ecoando pela sala. Os dois começaram a rir baixinho, pensando em como Jungkook havia sido preciso.
- Agora dá para ver o filme! - ele se ajeitou no sofá menor outra vez, sem nem olhar para os outros dois -
Jungkook agradeceu mentalmente. tinha o corpo queimando ainda, queria muito poder terminar o que eles haviam começado. Mas o irmão, para piorar, agora estava ali, na sala, envolvido no filme.
- Você já acabou o trabalho? - ela se atreveu a perguntar enquanto apertava uma das coxas de Jungkook -
- Por enquanto sim! Mas tô de plantão, disponível se eles precisarem!
bufou e Jungkook segurou a risada.
Alguns minutos depois e Jungkook se encararam e raspou a garganta, mas Taehyung nada, continuava vidrado na TV.
- Você não vai se encontrar com a hoje? - Jungkook voltou a segurar o riso -
Taehyung franziu a testa olhando para a irmã.
- Não! - ele deu de ombros e voltou a fitar a TV.
jogou a cabeça no encosto do sofá fechando os olhos com força e Jungkook gargalhou baixinho para que só ela pudesse ouvir e então ele sussurrou em seu ouvido.
- Calma gatinha! A gente ainda tem tempo!

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