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História NÃO RECOMENDADA PARA MENORES ou PESSOAS SENSÍVEIS.

Esta história pode conter descrições (explícitas) de sexo, violência; palavras de baixo calão, linguagem imprópria. PODE CONTER GATILHOS

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Império Escarlate

Escrita porAven Lore
Editada por Lelen

🛈

CAPÍTULO 1

Tempo estimado de leitura: 12 minutos

  O coração de %Yoonhee% batia descompassado, forte, alerta e ao mesmo tempo desarmado.
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  Sabia muito bem o motivo de estar ali, sabia que precisava decidir, mas a decisão não dependia só dela. Jihoon.
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  Jihoon e ela estavam juntos há quase quatro anos, ela ansiava por um pedido de casamento para que finalmente pudesse se mudar para Incheon. E inclusive estava na cidade para contar á ele da possível vaga de emprego em um hospital de lá.
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  Aquela possível mudança era uma luz no fim do túnel, uma esperança que a fez respirar aliviada diante da quantidade de problemas que estava enfrentando em Jangheung. O vício do pai em jogos de azar estava acabando com o restante de paz que ela havia lutado tanto para conseguir após a faculdade. A violência na pacata cidade aumentava dia após dia, e ela temia pela vida do pai.
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  Quem sabe se mudando para Incheon e conseguindo o emprego no hospital, Jihoon poderia finalmente segurar as pontas enquanto ela pagava a dívida do pai?
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  Foi aí que seus olhos pularam para a porta do ônibus, parando em mais um ponto. Um homem, com alguns machucados, foi o primeiro a subir. %Yoonhee% reparou rapidamente nos arranhões dispersos pelo rosto do estranho, até que ele se sentou a seu lado no ônibus.
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  %Yoonhee% só percebeu que algo estava errado quando o corpo dele se inclinou minimamente em sua direção. Foi um movimento pequeno demais para chamar atenção, quase casual. Então veio o frio.
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  Não era o frio do ar-condicionado velho do ônibus, nem o arrepio comum de ansiedade — era um gelado preciso, firme, pressionando sua cintura por baixo do casaco. Um metal liso, impiedoso, que fez todo o seu corpo enrijecer no mesmo instante.
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  Ela prendeu a respiração.
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  O coração pareceu falhar uma batida antes de disparar de vez, martelando tão alto que teve certeza de que qualquer pessoa ao redor poderia ouvir. Seus dedos se fecharam com força contra a bolsa em seu colo, as unhas cravando no tecido, enquanto a mente corria em desespero, tentando entender se aquilo estava mesmo acontecendo.
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  O homem não a olhava. Mantinha o rosto virado para frente, como qualquer passageiro comum. Foi isso que mais a apavorou.
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  — Não grita — a voz dele veio baixa, quase um sopro, perto demais do seu ouvido.
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  O metal pressionou um pouco mais, o suficiente para lembrá-la de que não era imaginação.
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  %Yoonhee% engoliu em seco, sentindo o gosto amargo do medo se espalhar pela boca. Todos os planos, Incheon, Jihoon, o hospital — tudo pareceu distante demais naquele momento. Restava apenas o agora… e a lâmina fria prometendo silêncio.
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  O homem virou finalmente o rosto na direção dela, aproximando os lábios de seus ouvidos outra vez:
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  — Me abraça, ou eu vou ter que levar você comigo…
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  Os olhos de %Yoonhee% se arregalaram com o pedido totalmente inusitado para um momento como aquele, e num lapso de consciência ela pensou em gritar, ou dizer que não o faria.
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  Mas a entrada de mais alguns homens no ônibus fizeram o rapaz intensificar o toque da arma branca em sua cintura, e ela enfiou a mão na bolsa retirando o pózinho de canela em pó que carregava desde o café da manhã — um hábito antigo, quase esquecido. O papel amassou sob sua pressão nervosa.
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  Com o coração aos pulos, ela rasgou a ponta do envelope com o polegar, sentindo o pó fino se espalhar entre seus dedos. Bastaria um movimento errado para tudo acabar ali.
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  Quando ele a puxou mais perto, exigindo o abraço, %Yoonhee% obedeceu. Envolveu o braço em torno do tronco dele, como se estivesse rendida… e então deixou o pó escorrer discretamente entre o casaco e a pele do homem.
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  Em poucos segundos, a reação começou.
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  A pele exposta dele foi ficando vermelha, quente, irritada de forma súbita. O homem tensionou o corpo, confuso, respirando fundo, como se algo estivesse fora do lugar.
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  %Yoonhee% manteve o rosto enterrado no ombro dele, rezando para que aquele breve caos fosse suficiente para quebrar o controle que ele acreditava ter.
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  O cheiro de suor misturado a algo cítrico que vinha do pescoço dele invadiu as narinas dela, e por um instante ela se permitiu relaxar sob o toque dele, o corpo vacilando de forma automática.
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  Passou os braços em volta dele, aprofundando o abraço, enquanto ele afundava o rosto em seu pescoço, escondendo o rosto totalmente.
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  Os outros homens obviamente buscavam por alguém, que %Yoonhee% logo raciocinou ser o homem que estava agarrado à ela.
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  O coração dela batia descompassado, o medo tomando conta de tudo conforme eles se aproximavam deles, até que o confronto inevitável aconteceu.
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  — Peça ao seu namorado para erguer o rosto, rápido! — O homem tinha uma arma prateada apontada na direção deles.
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  Bum, bum, bum, bum.
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  O coração de %Yoonhee% deu mais alguns saltos dentro do peito, ela precisava pensar rápido.
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  — Meu namorado está com febre, adormecido. E pode ser contagioso… Está vendo o quanto ele está vermelho?
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  O homem passou o cano da arma sobre o pescoço dele, mirando por dentro do casaco, vendo a pele toda manchada de vermelho escarlate.
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  — Ew! Saiam logo daqui, vão! Rápido antes que eu perca a paciência.
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  O homem passou para o banco de trás, e %Yoonhee%, que já não sentia mais a faca encostada em sua cintura e sim caída no banco, pensou em como faria para sair dali com aquele homem tão pesado, já que ele havia adormecido de repente.
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  “Porque o efeito do pó de canela foi tão forte assim nele?”
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  O ônibus voltou a se mover, como se nada tivesse acontecido.
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  %Yoonhee% permaneceu imóvel por alguns segundos, o corpo ainda colado ao dele, esperando algum sinal de que tudo aquilo tinha sido apenas um blefe. Nada. O peso morto recostado em seu ombro era real demais.
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  A faca escorregara do colo dele e agora jazia no banco, esquecida. Com cuidado extremo, ela a empurrou para debaixo do assento com a ponta do pé, o coração disparando a cada pequeno movimento.
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  — Ei… — murmurou, quase sem voz.
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  Nenhuma reação.
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  O cheiro forte da canela misturado ao suor continuava ali, sufocante. O rosto dele estava anormalmente quente quando ela tocou de leve, a pele ainda vermelha, os lábios entreabertos. Não era um sono comum — o corpo estava pesado demais, solto demais.
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  “Talvez tenha inalado…”, pensou, tentando racionalizar enquanto o pânico ameaçava subir.
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  O ônibus reduziu a velocidade mais uma vez, aproximando-se de outro ponto. %Yoonhee% sentiu um impulso súbito, quase instintivo. Se ficasse ali, quando ele acordasse… não queria pensar nisso.
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  Ela se levantou com esforço, segurando-o por baixo do braço, o corpo dele pendendo contra o seu como um fardo impossível. Alguns passageiros olharam, curiosos, mas ninguém disse nada. Para todos, parecia apenas uma namorada ajudando o parceiro doente a descer.
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  — Com licença… ele não está bem — ela murmurou, a voz trêmula, enquanto o motorista abria a porta.
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  O ar frio da rua bateu em seu rosto assim que desceram. Foi só então que suas pernas ameaçaram falhar. O ônibus partiu, levando consigo o último vestígio de “segurança”.
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  Ela o apoiou contra o poste do ponto, respirando fundo, o corpo inteiro tremendo agora que a adrenalina começava a baixar. Precisava se afastar. Precisava de ajuda.
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  Foi quando seus olhos, ainda marejados, captaram a placa da rua à frente.
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  O nome fez algo se encaixar dentro dela.
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  Era perto. Perto demais.
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  O endereço que Jihoon havia mandado naquela manhã — o prédio em Incheon onde ele estava temporariamente hospedado — ficava a poucos quarteirões dali.
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  O coração de %Yoonhee% voltou a acelerar, mas agora por outro motivo. Uma esperança frágil, urgente.
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  Sem pensar duas vezes, ela passou o braço dele novamente por sobre seus ombros e começou a caminhar, arrastando-o pela calçada estreita, cada passo um esforço sobre-humano.
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  — Aguenta só mais um pouco… — sussurrou, sem saber se falava para ele ou para si mesma.
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  A cada esquina, ela reconhecia algo da foto que Jihoon havia enviado. O mercadinho, a farmácia, o prédio antigo com a fachada azul descascada.
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  Estava chegando.
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  E, pela primeira vez desde que o homem se sentara ao seu lado no ônibus, %Yoonhee% sentiu que talvez… só talvez… sobrevivesse àquela noite.
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  — O que eu estou fazendo carregando você comigo para a casa do meu namorado? — murmurou, mais para si mesma do que para ele.
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  %Yoonhee% parou a alguns metros do prédio de Jihoon. O coração apertou no peito ao reconhecer a fachada, as luzes acesas em algumas janelas, o lugar que deveria significar segurança — e que ela se recusava a manchar com aquilo.
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  Com cuidado, ela deslizou o braço dele para fora de seus ombros e o deixou escorregar até se sentar no chão, encostado no muro frio do beco lateral. O corpo caiu pesado, a cabeça tombando para o lado, ainda adormecido.
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  Ela deu um passo para trás. Depois outro.
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  Por um segundo, pensou em checar se ele respirava. Não o fez.
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  Afastou-se sem olhar novamente, os passos rápidos, o coração ainda disparado, levando consigo apenas o silêncio… e a certeza de que aquela história precisava terminar ali.
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  Com os dedos trêmulos ela se dirigiu até o interfone do prédio e digitou: 18. O interfone chamou.
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  Chamou de novo e nada.
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  Até que a chamada caiu. %Yoonhee% bufou, temendo que pelo horário ele já estivesse dormindo.
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  Digitou de novo o número 18.
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  E aí uma voz feminina atendeu:
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  “Quem está incomodando uma hora dessas da noite?” — foi o que %Yoonhee% ouviu do outro lado.
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  O sorriso que havia surgido morreu de repente. As mãos suaram.
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  — Desculpe, eu gostaria de falar com o meu namorado, o Jihoon.
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  A risada esganiçada do outro lado fez as mãos de %Yoonhee% suarem ainda mais.
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  — Como ele pode ser seu namorado se ele é meu marido, sua maluca?
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Lelen

Deus é mais ser abordada assim do nada HAHAHAH
E agora, o que vai rolar com essa reação alérgica do homi? É sério?
E QUE PUTARIA É ESSA, JIHOON? ESPERO QUE JOHNNY SE META NESSA HISTÓRIA SÓ PORQUE SIM

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