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ATENÇÃO!

História NÃO RECOMENDADA PARA MENORES ou PESSOAS SENSÍVEIS.

Esta história pode conter descrições (explícitas) de sexo, violência; palavras de baixo calão, linguagem imprópria. PODE CONTER GATILHOS

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Happiness are You?

Escrita porPams
Revisada por Mariana

1 • Savin’Me

Tempo estimado de leitura: 13 minutos

  — %Jenie%! — gritou a gerente do hotel quando me viu chegar atrasada pela terceira vez em menos de um mês de experiência.
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  — Sim. — eu a olhei assustada com o grito e com medo de ser demitida, aquele era minha décima tentativa que continuar em um emprego e não ser expulsa de casa.
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  — Atrasada novamente? — ela me olhou sério e friamente.
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  — Oh, não, não estou. — eu disfarcei — Estava no refeitório.
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  — Sim, ela estava almoçando. — disse Tiffany ao chegar perto.
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  — Sei. — a gerente me olhou desconfiada — Estou de olho em você.
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  Eu prendi a respiração de medo, quando ela se afastou pegando o elevador, eu soltei um suspiro de alívio.
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  — Obrigada. — disse a Tiffany.
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  — Não há de que! Aqui é todo mundo se ajudando, essa gerente é uma chatice. — ela riu — Mas se ela te pegar de novo sem alguém por perto para de ajudar, aí será um problema grave.
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  — Verdade.
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  Nós rimos um pouco e brincamos com aquele assunto, fui até a sala dos funcionários e troquei minha roupa no banheiro feminino. Havia sido contratada recentemente como camareira no hotel Village, apesar de não ter experiência nenhuma na função, eu havia sido contratada por ser bilíngue, mesmo a gerente Hana não gostando da ideia. Ela era uma senhora de traços asiáticos com seus quarenta e poucos anos, eu havia reparado uma marca de aliança em sua mão esquerda.
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  Final da tarde, fui arrumar o último quarto, a suíte presidencial. O lugar era grande, bonito e luxuoso, decoração moderna e clean ao mesmo tempo, poucos móveis, porém de muita classe. Assim que terminei de juntar as toalhas sujas do banheiro, deixando as limpas no lugar e saí para colocar no cesto de roupas, dei de cara com um homem, paralisei na mesma hora sem saber o que fazer e como reagir.
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  — Me desculpe, senhor, não sabia que retornaria agora. — disse de imediato.
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  — Ah. — ele reagiu meio de surpresa também — Desculpa, eu que te assustei.
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  — Eu já estava de saída. — joguei mais que depressa as toalhas sujas no cesto e saí de lá rapidamente.
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  Desci direto para a lavanderia e entreguei tudo para a responsável, quando voltei para a sala dos funcionários, o homem do quarto estava lá.
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  — Senhor?! — eu disse surpresa.
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  — Não me chame de senhor, por favor. — ele me olhou com gentileza — Me chamo %Simon%.
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  — O que está fazendo aqui? — eu dei um passo para frente — É restrito para funcionários.
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  — Eu sou funcionário daqui, sou o mensageiro do hotel. — ele respirou fundo, parecia não saber como reagir — Você deixou cair isso.
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  Ele retirou do bolso meu broche de notas musicais.
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  — Oh. — eu peguei da mão dele — Não percebi que tinha caído, obrigada.
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  Sorri com gentileza e demonstrei gratidão.
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  — Posso saber seu nome? — perguntou ele, retribuindo o meu sorriso com outro.
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  — Me chamo %Jenie%, mas meus amigos me chamam de %Jenn%.
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  — Prazer em te conhecer.
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  Ouvimos algumas vozes no corredor e logo a gerente entrou na sala.
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  — Oh, você aqui. — ela pareceu surpresa ao vê-lo.
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  — Gerente Hana. — ele tossiu um pouco — Preciso conversar com você, sobre minhas férias.
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  — Férias? — ela o olhou meio sem entender.
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  — É, férias. — ele me olhou de relance e voltou sua atenção para ela — Lembra que já está fazendo um ano que trabalho aqui como mensageiro?
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  — Ah! — ela voltou seu olhar para mim e depois para ele — Lembro sim, venha comigo, vamos conversar em minha sala.
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  Ela saiu rindo, sendo seguida por ele. Não havia entendido nada do que estava acontecendo, mas enfim, voltaria a minha rotina diária. Eu trabalhava no turno tarde/noite, e à noite não tinha muito o que fazer, então eu sempre ficava no refeitório estudando, cursava Comunicação Social na Rockland Community College há seis meses e estava animada com o curso.
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  Na saída esbarrei com %Simon% na esquina da rua, aproveito para me contar que a gerente enrolou um pouco para abrir mão das férias dele, mas aceitou o pedido. Em uma oportunidade, ele me chamou para tomar um café na cafeteria que havia aberto na semana passada, como um pedido de desculpas por ter me assustado mais cedo. Eu relutei muito para aceitar, mas ele tinha uma forma muito eficaz de convencer as pessoas.
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  Nós conversamos um pouco enquanto tomamos o cappuccino acompanhado das fatias de torta de maçã. Ele havia me contato que mesmo com todo aquele tempo que trabalhava lá, nunca tinha me visto naquele um mês que eu integrava o quadro de funcionários. Mas era óbvio que não teria como, pois nossos horários eram diferentes e ele não ficava muito tempo no hotel.
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  As semanas se passaram. Notoriamente eu havia ganhado uma companhia para meus momentos livres no refeitório, tínhamos algumas coisas em comum e quando o silêncio batia, eu percebia os olhares profundos dele por mim. Eu acho que estava me apaixonando por ele, mas não queria compromissos agora, eu deveria me focar nos estudos para não acabar de decepcionar meu pai.
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  — Você nunca fala sobre seus pais. — comentou ele, se sentando ao meu lado no sofá do refeitório.
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  — Não tenho o que falar.
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  — Você é órfã?
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  — Não. — eu ri e o olhei — É que meu relacionamento com meu pai não é tão bom assim.
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  — O que houve?
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  — Isso perdura desde quando eu era pequena. — parei por um momento me lembrando do passado — Quando eu tinha sete anos morávamos no Texas, por uma travessura de minha parte, minha irmã se afogou no lago que tinha perto da nossa casa, por mais que eles não me culpem, meu pai nunca foi o mesmo comigo, ao longo dos anos ele sempre arrumava um pretexto para me culpar por algo e quando eu decidi fazer o curso de Comunicação Social ao invés de Arquitetura como ele queria, as coisas pioraram.
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  — Nem sei o que dizer. — ele me olhou singelamente — Lamento... Mas, por que arquitetura?
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  — Porque era o curso que minha irmã queria fazer, e não tem nada a ver comigo. — eu segurei as lágrimas — Por isso trabalho tanto e faço hora extra, vivo estudando nas horas vagas, por que ganhei meia bolsa e não posso perder, meu pai jamais pagaria esse curso para mim e seria o motivo final para ele me jogar na rua.
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  %Simon% permaneceu em silêncio e me abraçou forte. Pela primeira vez na minha vida, eu havia me sentido protegida e amparada, seus braços eram como um círculo de proteção que me transmitiam força. Ele se afastou um pouco, permanecendo com sua face próxima a minha, meu coração já estava acelerado. Ele me beijou de forma doce e suave, senti minhas lágrimas rolarem pelo meu rosto, uma explosão de sentimentos dentro de mim. Naquele final de semana, %Simon% havia me convidado para ir ao cinema, estávamos nos conhecendo melhor. O que resultou em um pedido em namoro.
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  A felicidade havia me encontrado por acaso e eu estava com medo dela perceber que havia entrado na vida da pessoa errada.
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  Nove meses de namoro, era sexta e eu tinha brigado com meu pai novamente. Saí de casa correndo sem rumo, estava chovendo forte, não me importava com aquilo só queria me manter o mais longe possível de casa. Minhas pernas acabaram me levando para o endereço que %Simon% havia me dado, era do apartamento que ele dividia com um amigo.
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  Bati na porta e quando ele abriu se assustou em me ver toda encharcada diante dele. Minhas lágrimas já estavam sendo escondidas pelas gotas da chuva, mas ele delicadamente passou seu dedo indicador no meu olho direito como se soubesse que elas estavam ali. Sem dizer mais nada ele me levou para dentro e me abraçou forte, sem se preocupar com o fato de eu estar molhada. Ficamos um bom tempo abraçados e ele afagando meus cabelos.
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  — Estou molhando você. — sussurrei segurando mais lágrimas.
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  — Não me importo com isso. — ele se afastou de mim e sorriu de leve, caminhou até o quarto e retornou com uma toalha na mão — Se está molhada, eu te seco.
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  Ele riu um pouco me fazendo rir também. %Simon% era tão carinhoso e gentil, olhar para ele me fazia esquecer meus problemas de casa, ele era o milagre que havia acontecido na minha vida. Seu toque era suave, enquanto me olhava com leveza e um sorriso disfarçado no rosto, em um momento ele retirou minha blusa com minha permissão, senti um frio na barriga. Ao se aproximar de mim com cautela, ele me beijou com leveza.
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  Aos poucos seus beijos começaram a ficar mais intensos. No início eu recuei um pouco, tinha receito de me machucar mais ainda, mas me entreguei a ele deixando de lado todas as minhas inseguranças da vida. Seu toque, seus beijos e seu amor me davam vida. Aquela noite havia sido a noite mais intensa da minha vida, não imaginava que minha primeira vez seria tão singela e suave, com uma pessoa tão maravilhosa e única como ele. Era o início da parte feliz e boa da minha vida, até que minha má sorte estrague tudo.
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  Às vésperas de completar um ano de namoro, passamos o sábado comemorando a conclusão do meu curso. Meu pai não havia comparecido na cerimônia de encerramento, mas minha mãe foi e isso me alegrou. No final da noite, na volta para casa, seguimos pela rodovia principal, ele tinha pegado o carro de um amigo emprestado. Em um momento de distração, %Simon% retirou uma caixinha do bolso e todo sem graça esticou para mim.
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  — O que é isso? — perguntei pegando.
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  — Eu deveria ter feito isso antes de entrarmos no carro, mas estava sem graça perto da sua mãe. — ele sorriu timidamente — Quero te apresentar aos meus pais amanhã, mas preciso de sua resposta para isso.
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  — Resposta? — eu abri a caixinha e olhei emocionada para o anel que tinha dentro — Oh, você está me pedindo em…
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  — Sim. — ele reduziu um pouco a velocidade e olhou para mim.
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  — Não me olhe, preste a atenção no trânsito. — disse fechando a caixinha.
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  — Quero registrar sua reação em minha mente. — ele riu — Você não me respondeu.
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  — Te respondo assim que chegarmos em casa. — eu ri.
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  — Tenho certeza que será sim. — ele olhou para frente e desviou de um carro.
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  Eu me desequilibrei deixando a caixinha cair, %Simon% retirou o cinto de segurança para pegar.
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  — Não faz isso, eu pego quando chegarmos.
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  Assim que eu disse isso, sentimos o impacto de outro carro batendo no nosso, de repente tudo começou a girar, foi uma sensação horrível de medo e insegurança. Nosso carro capotou algumas vezes, fechei meus olhos desejando que tudo aquilo fosse somente um sonho, senti minha cabeça bater em algo me fazendo perder a consciência. Quando acordei ouvi o barulho de algumas sirenes ao longe, vozes de pessoas próximas, minha cabeça rodando. Abri meus olhos com minha visão embaçada, olhei para o lado e não vi %Simon%.
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  — %Simon%… — comecei a sussurrar pelo seu nome.
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  Virei minha face para frente e o vi estirado no chão, imediatamente minhas lágrimas voltaram, comecei a ter um grande e forte mal estar e acabei desmaiando novamente. Um barulho estranho foi me despertando aos poucos, senti que algo desconfortável estava em meu corpo, abri meus olhos e me vi ligada a vários aparelhos em um quarto de hospital.
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“Tudo que eu preciso é você
Venha, por favor, estou chamando
Eu estou gritando por você
Apresse-se, estou caindo
Estou caindo.”
- Savin' Me / Nickelback

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