Entre a Honra e o Desejo

Escrita porRay Dias
Revisada por Lelen

Capítulo 1

Tempo estimado de leitura: 18 minutos

  O salão estava iluminado por centenas de lustres de cristal, cada um refletindo a luz em faíscas douradas que pareciam estrelas suspensas no ar. O som dos violinos preenchia o ambiente, entrelaçando-se com o burburinho elegante da elite reunida. %Sooah%, vestida em um hanbok moderno de seda azul, mantinha o sorriso treinado que aprendera desde criança — aquele que escondia o tédio, a ansiedade e a sensação sufocante de estar em uma vitrine.
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  A mãe dela, sempre impecável, a conduzia de braço dado pelos corredores de convidados importantes, apresentando-a como se fosse uma peça de arte rara. “Esta é minha filha, %Sooah%. A futura advogada da família. Tão responsável, tão dedicada.”%Sooah% apenas inclinava a cabeça, repetindo o gesto polido, mas por dentro ardia em silêncio.
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  Em certo momento, aproveitou uma brecha entre cumprimentos e escapou discretamente para o jardim externo. O ar da noite estava frio, mas era libertador. As lanternas acesas ao longo do caminho projetavam sombras suaves sobre as flores, e, pela primeira vez naquela noite, ela respirou fundo, sentindo-se quase livre.
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  — Não parece que você deveria estar aqui. — A voz masculina veio de algum ponto atrás dela.
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  %Sooah% se virou, surpresa. Um homem alto, em terno preto impecável, estava parado a poucos passos. Seu rosto tinha traços delicados e elegantes, o tipo que não passava despercebido, mas o olhar… havia algo de selvagem e intenso ali, algo que contrastava com o ambiente engessado do evento.
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  — E você? — ela retrucou, arqueando a sobrancelha. — Parece que também fugiu da festa.
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  Ele sorriu de canto, como se apreciasse a ousadia dela.
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  — Talvez eu esteja exatamente onde deveria estar.
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  Houve um silêncio breve, cheio de tensão. %Sooah% percebeu que o coração batia mais rápido do que deveria. Não sabia quem ele era, mas sentia que o desconhecido carregava uma energia diferente de tudo que já tinha vivido naquele círculo perfeito e entediante da elite.
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  — Posso pelo menos saber seu nome? — ele perguntou, inclinando-se levemente.
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  Ela hesitou. Parte dela queria se manter distante, mas outra parte… queria prolongar aquele momento inesperado.
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  — %Sooah%.
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  Ele repetiu o nome em voz baixa, quase saboreando cada sílaba.
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  — Eu sou %Yujin%.
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  O olhar dele prendeu o dela por tempo demais. Não foi necessário dizer nada: havia uma centelha ali, invisível e proibida, como se o destino tivesse acabado de jogar com eles. Mas naquele instante, %Sooah% ainda não sabia que o homem diante dela era herdeiro da família que mais odiava a sua. E %Yujin% ainda não sabia que a filha perfeita do político conservador seria justamente a mulher que poderia abalar todos os seus planos de vingança.
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  O vento frio deslizou pelos cabelos de %Sooah%, fazendo alguns fios escaparem do coque perfeito que sua mãe havia mandado prender. Ela levou a mão até a nuca, tentando arrumar-se, mas %Yujin% a observava com uma intensidade que a deixou desconfortável — não era o olhar impessoal e calculado dos homens da elite; era um olhar que parecia querer atravessar sua fachada.
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  — Você não parece feliz em estar aqui — ele disse, com a voz baixa, quase cúmplice.
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  %Sooah% riu, um riso breve, nervoso.
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  — Não costumo dar entrevistas para estranhos.
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  — Estranhos são os únicos que nos permitem ser honestos. — %Yujin% se aproximou um passo, não o suficiente para invadir seu espaço, mas para ela sentir o magnetismo dele. — Você não tem a obrigação de manter a máscara comigo.
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  Ela o encarou, surpresa com a ousadia.
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  — E como pode ter tanta certeza? Talvez eu seja ótima em mentir.
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  %Yujin% sorriu de canto.
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  — Então você já me disse mais do que imagina.
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  O silêncio novamente se estendeu por alguns segundos. %Sooah% desviou o olhar, focando nas lanternas que tremeluziam sobre o lago artificial. Sentia o coração acelerar cada vez mais, como se tivesse feito algo errado.
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  Por que estava ali prolongando uma conversa que claramente não deveria ter começado?
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  — Preciso voltar antes que percebam minha ausência. — A voz dela saiu mais baixa do que gostaria, quase um sussurro.
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  — Voltar para o palco — ele completou, e havia um leve sarcasmo em seu tom. — Fingir que gosta de estar entre pessoas que não conhecem a sua verdade.
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  %Sooah% mordeu o lábio inferior, surpresa por ele ter acertado em cheio.
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  — Você fala como se soubesse quem eu sou.
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  %Yujin% inclinou a cabeça, analisando-a como se tentasse decifrar cada detalhe.
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  — Ainda não sei… mas quero descobrir.
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  Ele disse isso sem hesitar, e a sinceridade inesperada fez o estômago dela se contrair. %Sooah% recuou meio passo, buscando se recompor, mas não conseguiu evitar que seus olhos permanecessem presos aos dele.
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  Um som ao longe — o anúncio de um brinde dentro do salão — quebrou o momento. %Sooah% respirou fundo, ajustou o vestido e ensaiou novamente o sorriso social que usava como armadura.
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  — Foi… diferente conversar com você. — Ela se inclinou levemente, educada, como quem se despede.
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  %Yujin% apenas a observou, os lábios curvados em um sorriso quase imperceptível.
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  — Eu não costumo me aproximar assim, mas com você foi… — Ele deixou a frase no ar, como se fosse um segredo. — Até breve, %Sooah%.
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  Ela se afastou apressada, o coração martelando no peito. Não deveria querer revê-lo. Não deveria se sentir tão… viva. Mas já era tarde: algo havia mudado dentro dela naquela curtíssima interação. E %Yujin%, sozinho no jardim, fechou os punhos discretamente. Não era somente atração. Era o início de um jogo perigoso.
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• ENTRE • A • HONRA • E • O • DESEJO •

  Na semana seguinte, %Sooah% acreditou que aquele encontro no jardim seria só uma lembrança incômoda, fácil de sepultar sob a rotina de compromissos sociais e obrigações familiares. Mas o destino — ou talvez algo mais perverso — parecia ter outros planos.
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  O segundo encontro aconteceu em uma livraria do centro, um lugar que ela costumava visitar secretamente, longe dos olhos da mãe. Estava na seção de literatura estrangeira quando ouviu a mesma voz grave, inconfundível:
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  — Achei que princesas lessem livros históricos e tradicionais.
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  Ela se virou de sobressalto. %Yujin% estava ali, de terno, mas sem a formalidade do evento, com a gravata solta e um livro nas mãos. O sorriso de canto carregava provocação, mas o olhar… o olhar era curioso, interessado, como se tentasse enxergar além da superfície dela.
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  — E achei que homens de terno mandassem comprar os livros e não perdiam tempo em livrarias — %Sooah% rebateu, erguendo o queixo, mas incapaz de esconder o rubor que subia às suas bochechas.
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  Ele se aproximou devagar, examinando o título que ela segurava.
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  — "O Grande Gatsby" — murmurou, quase como se fosse uma confissão. — Um clássico sobre ilusões e amores impossíveis. Tem gosto pelo risco, %Sooah%?
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  Ela engoliu em seco, desviando o olhar.
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  — Gosto de finais que não podem ser previstos.
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  Um silêncio carregado se instalou entre eles, quebrado somente pelo virar de páginas de outros clientes. %Sooah% sentiu que precisava ir embora, mas seus pés pareciam colados ao chão. Aquele encontro lhes rendeu uma hora conversando sobre literatura e cafés, naquela mesma livraria.
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  O terceiro encontro foi ainda mais inesperado. Uma noite chuvosa, %Sooah% saía de uma reunião beneficente quando percebeu que o motorista atrasara. Enquanto aguardava sob a marquise, a chuva aumentava, respingando em seus sapatos de seda. Foi então que um carro preto de luxo parou diante dela, a janela baixando lentamente.
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  — Vai ficar aí até parar de chover? — %Yujin% outra vez.
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  Ela hesitou, mas a chuva a venceu. Entrou no veículo, e o espaço fechado intensificou tudo: o perfume amadeirado dele, o silêncio carregado, a sensação de que estavam atravessando uma linha invisível.
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  — Não costumo aceitar caronas de estranhos — ela disse, tentando soar firme.
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  — E eu não costumo insistir. — Ele desviou o olhar da estrada por um instante para fitá-la. — A cada vez que te encontro, fico mais certo de que você não parece alguém comum, %Sooah%.
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  O coração dela pulsava forte, e, por um momento, esqueceu o peso de quem era. Ali, no interior silencioso daquele carro, era apenas uma mulher diante de um homem que a desarmava com poucas palavras.
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  Com o tempo, os encontros se multiplicaram, como se fossem atraídos por uma força que nenhum dos dois ousava nomear. Cafés discretos, conversas rápidas em corredores de eventos, trocas de olhares que duravam segundos, mas queimavam como horas.
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  %Yujin% começou a perceber que cada gesto dela — o jeito de prender os cabelos, o riso contido quando se permitia relaxar — o atingia mais fundo do que ele gostaria. %Sooah%, por sua vez, sentia que finalmente alguém a via além do título de “filha perfeita”.
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  O perigo era óbvio, mas nenhum dos dois recuava.
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• ENTRE • A • HONRA • E • O • DESEJO •

  O salão da associação empresarial exalava riqueza e tradição. Quadros de líderes antigos da organização decoravam as paredes, e os convidados se moviam como peças de xadrez sobre um tabuleiro luxuoso, cada um consciente do seu papel. %Sooah% mantinha o sorriso impecável que sua mãe exigia, mas por dentro se sentia como uma boneca em exposição.
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  Até que seu olhar se fixou em alguém. No canto do salão, cercado por empresários que o tratavam com evidente respeito, estava ele. %Yujin%.
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  O coração de %Sooah% falhou por um instante, como se tivesse tropeçado no peito. O choque foi tão violento que ela quase deixou escapar a taça de vinho que segurava.
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  — Aquele é Han %Yujin%. — A voz da mãe cortou seus pensamentos como uma lâmina. Havia desprezo em cada sílaba. — Filho do senhor Han, aquele homem que arruinou a si mesmo tentando competir com sua família.
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  %Sooah% arregalou os olhos. Han. A família Han. O sobrenome maldito, repetido tantas vezes à mesa de jantar como sinônimo de vergonha e inimigo.
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  A mente dela correu em um turbilhão de lembranças: a noite no jardim, o dia na livraria, a chuva batendo no vidro do carro. O sorriso dele, o jeito como dizia seu nome. Tudo desmoronava e, ao mesmo tempo, se tornava ainda mais perigoso.
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  Do outro lado, %Yujin% a viu. Reconheceu-a não como a mulher que sorria diferente nas sombras, mas como a filha da família que destruiu a sua. O sangue ferveu em suas veias. Por um instante, quis acreditar que estava enganado, mas não estava.
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  O mundo pareceu se estreitar até restarem ambos, separados por alguns metros e uma guerra de famílias. Ele caminhou em direção a %Sooah% com passos firmes. Os convidados abriram espaço, acreditando ser um cumprimento social.
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  — %Sooah%, este é Han %Yujin% — anunciou a mãe, sem perceber a tensão, forçando uma formalidade seca. — Herdeiro de um império falido que ainda tenta se erguer.
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  O sorriso de %Yujin% foi educado, mas seus olhos eram gelo puro.
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  — Tivemos alguns… encontros inesperados. — A ironia em sua voz era tão sutil que apenas %Sooah% percebeu.
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  Ela prendeu a respiração. A mãe arqueou uma sobrancelha, intrigada, mas foi logo chamada por outro grupo de convidados. Ficaram os dois, frente a frente, com a multidão ao redor funcionando como disfarce para a batalha silenciosa.
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  — Você… — %Sooah% começou, mas a voz falhou. Engoliu em seco, tentando manter a postura. — Você sabia?
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  %Yujin% a encarou fixamente, tão próximo que ela podia sentir a ameaça escondida em sua calma.
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  — Não. Se tivesse sabido, teria me afastado no primeiro instante.
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  — Então por que parece tão… furioso comigo? — Ela tentou soar firme, mas sua voz tremia.
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  O maxilar dele se contraiu.
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  — Porque você é a única pessoa que eu não deveria ter deixado se aproximar.
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  O silêncio os envolveu, denso, sufocante.
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  — Então garante que tudo aquilo… As conversas, o flerte… — ela murmurou, sentindo uma ansiedade contra sua vontade. — Não foi mentira?
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  Por um segundo, %Yujin% vacilou. O rosto dela, frágil e orgulhoso ao mesmo tempo, atravessou todas as defesas que ele havia construído. Mas logo seu olhar endureceu novamente.
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  — Foi verdade demais. — Ele se inclinou, sussurrando de forma que só ela pudesse ouvir: — E é exatamente por isso que nunca deveria ter acontecido.
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  %Sooah% sentiu um arrepio percorrer sua espinha. O salão, com suas luzes e risos distantes, parecia girar ao redor deles, como se o mundo inteiro fosse somente um teatro cruel.
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  — Entende, %Sooah%? — %Yujin% continuou, o tom baixo, quase doloroso. — Você é a filha dos meus maiores inimigos. A mulher que eu não posso ter.
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  Ela o fitou com os olhos marejados, mas ergueu o queixo, lutando contra as lágrimas repentinas que queriam surgir.
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  — E mesmo assim… aqui estamos. Trazidos em um enlace repentino de interesse um pelo outro. — Ela suspirou tentando manter-se firme, como se fosse dar um veredicto indiscutível: — Que bom que não fomos mais adiante, será mais simples romper qualquer tentativa de continuidade então. Não que eu me importe com quem você seja, mas… Está nítida uma barreira já imposta, não é?
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  O olhar dele vacilou por uma fração de segundo. Bastou para que %Sooah% percebesse: ele não estava só lutando contra ela, mas contra si. Antes que alguém notasse a intensidade da cena, %Yujin% se afastou, a expressão mascarada de indiferença novamente em seu rosto. %Sooah% permaneceu imóvel, o coração despedaçado, sabendo que nada mais seria igual.
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  As notas de piano ecoavam pelo salão quando %Yujin% se afastou, deixando %Sooah% sozinha no centro de um turbilhão silencioso. O sorriso social ainda estava preso em seu rosto, mas por dentro ela sentia que mal conseguia respirar. Não demorou muito até que os pais se aproximassem. A mãe foi a primeira, com o olhar afiado como uma lâmina.
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  — %Sooah%. — Sua voz estava carregada de contenção. — Explique-se.
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  — Explicar o quê? — %Sooah% tentou soar despreocupada, mas sua própria voz denunciou o tremor.
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  O pai dela, sempre mais silencioso, estreitou os olhos.
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  — Você já o conhecia. Han %Yujin%. — Não era uma pergunta; era uma constatação.
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  %Sooah% desviou o olhar para a taça em sua mão, que tremia quase imperceptivelmente.
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  — O vi em alguns lugares. Nada além disso.
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  A mãe franziu os lábios, inclinando-se um pouco mais perto.
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  — “Alguns lugares”? E desde quando uma filha Park tem encontros casuais com um Han?
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  O sangue de %Sooah% gelou. A palavra “encontros” pesou no ar como uma acusação. Ela abriu a boca para responder, mas o pai ergueu a mão, cortando qualquer justificativa.
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  — Este homem não deve se aproximar de você. — A voz dele era baixa, firme, carregada de autoridade. — A família Han é nossa vergonha pública. Você entende o que significaria se fosse vista ao lado dele?
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  %Sooah% tentou sustentar o olhar do pai, mas vacilou. Por dentro, sua mente gritava lembranças: o jardim, os livros, a chuva no carro, as conversas, os toques sutis... Cada momento era uma confissão gravada em sua pele.
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  — Não haverá mais encontros — disse a mãe, como quem dita uma sentença. — Está claro?
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  Ela apenas assentiu, engolindo o nó na garganta. Não havia espaço para argumentar ali, não diante de dezenas de olhos curiosos ao redor.
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  A mãe voltou a sorrir para os convidados como se nada tivesse acontecido, e o pai retomou sua postura de poder, mas %Sooah% permaneceu imóvel, sentindo o peso das palavras como grilhões invisíveis.
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  Do outro lado do salão, %Yujin% a observava. Ele via a rigidez dos pais, via o sorriso falso dela, e algo em seu peito se contraiu. Não deveria sentir nada, mas sentia. %Sooah%, porém, ergueu a taça e fingiu brindar, escondendo a lágrima que ameaçava escapar. Pela primeira vez em sua vida, não sabia se conseguiria continuar obedecendo.
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