Decadon Avec Elegance – Tomada 1


Escrita porJosie
Revisada por Lelen


Prólogo

  As lágrimas teimavam em cair. Para Palermo, aquele exato momento, o momento em que Tiago, aquele que ele admirava, proferiu aquelas palavras. Ele não estava ali para ser notado, não estava ali para ser querido. Não estava ali para ser gostado e nem para ter amigos. A aula de matemática acabou. Era hora do recreio. Possivelmente ele devia estar no recreio sentado tentando ignorar sua própria existência. E estava tudo bem. Ele não seria notado, como sempre ocorria. Ninguém gostava dele e por um lado era melhor assim. Pelo menos, ele podia ser aparentemente invisível. Ele via caras como Gabriel, Tiago Du Ignacius entre outros, se divertindo, ou rindo. Ele admirava Tiago. Tudo no garoto lhe era admirável. Tiago era bonito. Vestia uma camisa ou blusa preta que combinava com seu estilo. Ele também tinha um sorriso característico, que causava charme em qualquer garota e inevitavelmente nele também. Não era atração. Era admiração. Não era paixão, nem amizade, era curiosidade. Afinal, para Palermo a pergunta que vinha era " como alguém pode ser tão atencioso e legal com os amigos e namorada e tão divertido e sorridente " Alguns diriam, todos tem problemas. E Palermo só percebeu isso naquele dia. O dia em que a namorada de Tiago, Andrisha disse:
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  — Ei! — A aula de Matemática havia acabado. — É hora do recreio. Eu estava pensando e conversando com uma amiga. Quer passar o recreio com a gente. Eu tenho dois amigos, assim você conhece eles.
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  — Não sei se... — Palermo disse, mas o olhar de uma de suas amigas o fez aceitar.
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  Ele seguiu as duas. O caminho para o pátio da escola era um pouco grande, mas não demorou a chegar. O pátio estava cheio de crianças, quase adolescentes comendo seus lanches, ou bebendo seus sucos ou leite da cantina, mas a frente havia dois garotos, Eduardo e Tiago Du Ignacius. Ambos conversavam rindo, enquanto gesticulavam. Palermo por sua vez tentava passar despercebido, até que tudo aconteceu... Foi rápido.
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  — Ei, meninos esse é o Palermo, Palermo esses são meus amigos!
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  Eduardo apertou a mão de Palermo suavemente, mas Tiago olhou nos olhos do garoto. Então com um sorriso presunçoso disse a namorada na frente de alguns alunos:
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  — Nem vem. — Ele sorriu em desdém. — Mas eu não quero falar com ele, eu que não quero nem vou ser amigo desse esquisito.
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  Palermo congelou. O garoto saiu, rindo. Para um adolescente, que não escolheu estar ali, aquele era um golpe terrível. Sim, porque ele não queria estar ali. Ele não escolheu. As amigas praticamente não aceitaram um não, e agora um deles estava tentando ser gentil, mas o outro, bem o outro fugiu, o humilhando e o desprezando, como se ele fosse a própria Mona Vanderwall de Pretty Little Liars. A diferença é que Mona da série queria amigos, e ele poderia até querer, mas não aqueles e não, de forma de alguma, daquele jeito. Ele admirava Tiago, mas não queria que a primeira palavra fosse assim. Aquilo criou uma defesa nele pelos anos seguintes. Ele passou a ser ainda mais introvertido e sua esquisitice, bem aumentou. As primaveras continuaram a se passar e em casa, Palermo pensou. " Aqui é o único lugar para externalizar meu jeito ". E com os pais tentava fazer piadas dramáticas em casa, ou que achasse divertido, mas o pai reprovava. Ele fez amizades novas e se quebrou nelas. Tiago por sua vez namorou Andrisha, terminou e começou outro namoro. Mas o que ninguém esperava era que anos depois, ele e Palermo se ligariam novamente. Era uma tarde ensolarada. O sol queimava com uma força descomunal. O ar estava quente e denso, as ruas silenciosas e então um portal os engoliu, cada um em sua casa e uma névoa roxa sugou o mundo todo. Tudo virou cinzas roxas.
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  Então Palermo acordou. Quando acordou, a cama estava vazia. Ele não estava em sua cama solitária e normal, nem mesmo em um dos colchões pobrecidos que as vezes utilizava. Ao contrário, a cama atual era vestida em linho egípcio, madeira fina, e ele não era mais um garoto. Tinha uma pele morena, mas era mulher bonita. Ele agora era %Zuleika%. Ao se olhar no reflexo egípcio, ele não era mais o garoto quieto e reservado de antes, agora ela vestia roupas egípcias tão caras que poderia ser confundido com uma princesa egípcia. %Zuleika% notou que fora do quarto, guardas guardavam seu quarto e servas conversavam e riam animadamente. Não era a opressão da escola de anos atrás, mas também não era a sua casa acolhedora, com a mãe e a ausência do pai que morreu. Agora sua vida era no Egito. Não muito longe dali, um hebreu acordaria no quarto de escravo de Potifar se olhando intrigado sem entender nada do que acontecia. E assim dois jovens teriam dois destinos para mudar, perfeccionar ou até mesmo destruir.
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