Crazier


Escrita porLysse
Revisada/Editada por Natashia Kitamura


I • I was trying to fly, but I couldn't find wings

Tempo estimado de leitura: 68 minutos

“Sou uma pessoa insegura, indecisa, sem rumo na vida, sem leme para me guiar: na verdade não sei o que fazer comigo."
— Clarice Lispector.

  A mulher se lembrava claramente de quando Maria a deixou e suspirou. Como contaria ao Tony suas lembranças sobre sua mãe? %Elizabeth% Stark apenas encarou o dilema; afinal, por que demônios Tony queria saber sobre seus pais de outra realidade? Ela não tinha problemas para falar sobre Howard; ele fora o melhor pai que qualquer garota poderia ter tido. Porém, o tópico Maria Stark estava vetado desde que a mulher a abandonou, e a lembrança estava vívida em sua mente como um lembrete de que Maria não era como Tony estava imaginando que fosse, ou que a mulher era mais amorosa do que deveria.

  Era uma sexta-feira quente, e ela estava brincando com os carros e as bonecas [seu pai havia comprado novamente toda a loja de brinquedos para agradar a herdeira]. Ela encarou a mulher elegante ir embora, dizendo: “eu volto já, meu amor", e não olhou uma única vez para trás.
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  Ela havia deixado Howard e %Elizabeth% para sempre. Maria havia partido de sua vida como se não fosse nada, como se a criança que ela havia carregado por nove meses não fosse nada. A filha de Howard jamais se considerou importante para a mãe depois daquele incidente.
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  Apenas tomou ciência disso naquela mesma noite, quando Howard chegou com flores e bombons para Maria, e uma dúzia de ursos para %Elizabeth%, e percebeu a casa escura e vazia, e uma Stark de 4 anos dormindo no tapete da sala, cercada de brinquedos, alheia ao que sua mãe havia feito com ela, enquanto o mero pensamento era aterrorizante ao pensar que Maria a havia deixado sozinha.
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  %Elizabeth% Stark então bebeu o suco para acalmar os nervos, enquanto a dor de cabeça aumentava, e tentava espantar a lembrança daquele incidente em sua vida. Ela lembrava claramente e, por aquele motivo, Maria não era uma de suas pessoas favoritas no mundo. Apenas encarou a cozinha silenciosa da nova casa, enquanto pensava no quão importante foi aquela lembrança em seus relacionamentos. Suspirou; o trauma a tornara um tanto cautelosa no amor, ao ponto de suas relações serem inexistentes quanto ao romance.
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  Lembrava claramente quando conheceu Vincent “Peter" Potts; aquele foi seu primeiro namoradinho após os 17 anos, e percebeu que podia tentar ter um relacionamento saudável. Porém, o homem provou ser alguém totalmente diferente para ela. Ela estava sozinha no mundo: havia perdido o pai, a babá favorita e não havia mais ninguém para lhe aturar, além de suas melhores amigas, Jamie Rhodes e Rebecca Banner. Talvez, por aquele motivo, ela havia entregado seu coração para aquele psicopata; afinal, ela não conhecia amor além do que seu pai havia lhe mostrado.
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  — Ei, Stark.
  A voz a assustou, enquanto o perfume conhecido preenchia as narinas, misturado com o suor da recente corrida. %Elizabeth% Stark apenas pulou e encarou o homem de cabelos loiros que sorriu. Steve Rogers analisou o rosto pálido dela.
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  — Desculpe se a assustei, dona.
  — Capitão — pigarreou; os olhos castanhos apenas encaravam o chão naquele segundo, enquanto tentava normalizar a respiração assustada. — Não se preocupe.
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  Steve Rogers percebeu o rosto dela pálido, enquanto a mulher bebia o suco de laranja.
  — Algum problema?
  — Nada — ela mentiu. Steve arqueou as sobrancelhas. — Me acostumando a ser chamada de Stark novamente.
  Era uma mentira. %Elizabeth% havia aprendido que mentir era uma forma mais fácil de lidar com as pessoas, enquanto apenas sorria falsamente para Steve Rogers. Todavia, percebeu que o homem encarava o rosto dela, concentrado em manter a compostura sobre suas emoções mais primitivas.
  — Tem certeza?
  Absoluta, capitão — murmurou, ofendida, enquanto o loiro apenas bebia água sem tirar os olhos da mulher mais nova. — Não acredita em mim?
  Steve sorriu, enquanto passou as mãos pelos cabelos dela. A mulher o encarou confusa; aquele ato era incomum para Steve Rogers e, naquele segundo, seu coração bateu descompassado.
  Merda, Steve Rogers não podia fazer aquilo com ela; afinal, ela estava totalmente quebrada.
  Ela era incapaz de amar. Porém, o coração dela discordava totalmente.
  Enquanto as malditas borboletas no estômago se fizeram presentes.

X

  %Elizabeth% Stark apenas bebeu mais de seu milk-shake, enquanto o sentimento de querer sair dali estava crescendo em seu peito. Na realidade, ela não queria nem participar daquilo.
  — Ei, %Elizabeth%, lembra quando Teresa tentou encarar no mano a mano com a Rebecca?
  Ela meneou que sim, enquanto desejava fugir daquela situação em que ela mesma se colocou. Soltou um suspiro longo, enquanto prestava atenção no seu milk-shake e tomava mais um gole para desviar a atenção de si.
  Por algum motivo, ela se sentia desconfortável na presença deles, e aquilo estava deixando-a angustiada e frustrada; estava sufocando. Apenas levantou-se sem qualquer cerimônia, enquanto ouvia as risadas divertidas de seus atuais colegas de time, e ficou ao lado do balcão do bar da sala comum do novo prédio, e soltou um longo e pesado suspiro. O que ela estava fazendo ali?
  Odiava festas, cerimônias desnecessárias ou qualquer socialização que achasse inadequada e barulhenta demais. No geral, apenas ficava em seu quarto quando aconteciam tais festas em sua própria casa, que eram organizadas pelo seu pai. Maldita noite de negócios, como ela passou a chamar tais eventos sociais, aos quais Howard jamais a forçara a participar — apenas uma vez, porém era seu próprio aniversário. A mulher suspirou; mas por que ela não estava trancada em seu quarto assistindo a uma série qualquer? Naquele segundo, ela sabia muito bem a resposta de sua intenção de ter aceitado ficar ali.
  Ela sabia o motivo. Apenas se virou, enquanto encarava Steve Rogers de canto de olho, e se sentiu frustrada novamente. O Capitão América tinha um sorriso entusiasmado entre os colegas de time. %Elizabeth% sentiu um incômodo na barriga, enquanto suspirava novamente, e apenas encheu novamente seu copo de milk-shake e tentava controlar seus olhos sobre Steve.
  — Você está despindo o pobre coitado, Stark, e isso é até demais, mesmo para você.
  A mulher apenas engasgou ao ouvir a voz dele e se virou para o homem de cabelos ruivos, com uma expressão franzida para ele. Nathanael sorriu presunçoso, enquanto ela encarava o copo de milk-shake.
  A mulher suspirou enquanto ouviu a risada animada de Steve Rogers do outro lado da sala comum do novo complexo dos Vingadores, ao qual pertencia a eles também. Por algum motivo, %Elizabeth% concordou com Tony em dar uma pequena festa; afinal, ela se tornou uma Stark novamente quando foi comprovado o parentesco entre eles, mesmo que tivesse o mesmo nome. %Elizabeth% já tinha feito a sua própria fortuna com outro nome, porém compartilhar novamente o sobrenome Stark era bom para seu ego e, principalmente, porque pertencia ao seu amado pai.
  Ela sabia que a equipe precisava de um momento de descontração de toda a agitação que ocorrera nos últimos meses; não faria mal algum. Entretanto, ela não contava com a presença de Sharon Carter, e não gostava da agente da CIA por inúmeros motivos, os quais ela não conseguia pensar naquele momento.
  Apenas membros foram convidados. Entretanto, o que ela estava fazendo ali? O que ela estava pensando? Ela se encolheu ao ouvir a risada de Sharon Carter enquanto estava com as mãos sobre as de Steve, e um sorriso cúmplice entre os dois a irritou. Ela desviou os olhos, encarou as próprias mãos e tentou conter um acesso de fúria sem motivo.
  O que ela estava pensando? %Elizabeth% suspirou com o pensamento, enquanto ouvia o tom crítico de Romanoff para si.
  — Ela é rápida, enquanto você...
  Sharon estava próxima a Steve, até demais, e seus sorrisos... Enquanto isso, ela ouviu Clarissa comentar algo sobre a Segunda Guerra Mundial em seu mundo e gesticular para tentar explicar o assunto. %Elizabeth% lembrou do beijo desagradável deles e sentiu um arrepio desconhecido em seu estômago ao imaginar a imagem novamente em sua mente. O que ela estava pensando? Mas que merda! Soltou um suspiro de desagrado com os próprios pensamentos.
  — Você é muito nervosinha quando fica com ciúmes.
  — Calado — resmungou para ele, enquanto bebia seu milk-shake e ignorava os olhares de Nathanael para si, que soltou uma risadinha ao ver a expressão inexpressiva da Stark se alterar ao ouvir a risada de Sharon e Steve juntos. — Por que não me deixa em paz?
  — Porque desde que eu te conheço nunca vi você agir desse jeito. Além disso, você nem deseja estar no mesmo ambiente dos dois desde hoje cedo e, pelo que conheço da sua personalidade, estaria trancada no seu quarto agora, mas... cá estamos.
  Nathan apoiou o queixo sobre uma das mãos, enquanto visualizava os olhos escuros se fecharem.
  — %Elizabeth%, você está sentindo alguma coisa pelo picolé?
  Ela engasgou novamente com a suposição e tossiu, enquanto encarava Nathanael com uma expressão de ultraje. Respirou fundo e encarou de canto de olho a expressão confusa de Romanoff. %Elizabeth% admitia que ele era bastante observador quando queria. Porém, encarou o milk-shake e balançou a cabeça negativamente.
  O que ele veria nela?
  %Elizabeth% estava quebrada de todas as formas possíveis, e não havia como ser consertada. Ela já havia aceitado todas as queimaduras, cicatrizes e machucados espalhados pelo corpo, que, de alguma maneira, influenciavam na sua forma de ver a vida. Não era possível que ele sentisse qualquer coisa por ela além de respeito mútuo e talvez um pouco de admiração. Porém, era difícil dizer o que Steve pensava sobre ela, porque ela jamais perguntara além do necessário, pois se sentia desconfortável ao lado de Steve como nunca se sentiu com qualquer outra pessoa em sua vida.
  Ela se sentia tímida ao lado dele.
  — Nada, simplesmente nada — frisou, séria. — Você e as suas conclusões precipitadas, Nathanael.
  — Você é muito teimosa — ele retrucou, suspirando. — Teimosa demais. Nos últimos meses, seus olhares se demoraram mais nos músculos dele.
  — Nathan — sua voz soou como um rosnado. — Chega.
  — Teimosa. Quando vai admitir?
  Quando se tratava de azucrinar alguém, Nathanael Romanoff se tornava uma criança de sete anos pronta para causar algum acidente. Entretanto, antes que ela pudesse dar uma resposta malcriada que teria feito a Sra. Hudson revirar no túmulo, sentiu uma mão sobre seu ombro e se virou automaticamente para encarar os olhos castanhos idênticos aos seus, arrependendo-se de ele ter ouvido a conversa dos dois.
  — Quem é teimosa? E admitir o quê, coração?
  A voz de Tony Stark soava divertida. O mais velho se apoiou com seu copo de whisky, observando o rosto da mais nova contraído numa máscara séria, enquanto encarava o copo cheio de milk-shake de morango.
  — Boneca, você fica mais linda sorrindo, sabia? Ah, inacreditável que você seja uma Stark mesmo. Com esse seu rostinho, poderíamos ganhar algum dinheiro como modelo, sabia? Você é parecida com o pai.
  — Tony — ela limitou-se a dizer seu nome e bebeu um gole de sua própria bebida. — Não devia estar enchendo o saco do pobre do Bruce ou qualquer pobre alma que ainda ature você? Ou veio mendigar atenção?
  — Isso foi cruel, sabia? Mas agora eu tenho uma irmãzinha, coração. E por que diabos o Johnny não pode participar junto com a gente? Ele beberia milk-shake com você.
  %Elizabeth% revirou os olhos com o tom dele, que era de divertimento ao irritá-la, enquanto bebia novamente.
  — Estamos numa festa. Por que não bebe algo mais forte?
  — Ela dá um showzinho quando fica bêbada, porém se torna a alegria da festa — comentou Nathanael em provocação, enquanto recebeu um soco em resposta e grunhiu, encarando a mais nova dos Stark. — Ai, você é delicada que dói, %Elizabeth%.
  — Calado — rosnou, enquanto voltava a atenção ao copo de milk-shake e sentia o olhar de pressão sobre si. — Não comece, Tony. Você bebe por nós dois. Pronto. Fim da discussão. E Jonathan não tem idade para ver você bêbado.
  — Se você for tão séria quando diz isso, nunca vai dizer que gosta do S...
  Antes que pudesse completar a frase, %Elizabeth% acertou-lhe um chute na perna com toda a força. O homem arquejou, surpreso, e quase se desequilibrou da cadeira.
  — Maldita!
  — Ai, meu Jesus! — gargalhou Nathanael. — Nunca imaginei que veria uma cena dessas.
  — Nathanael, você quer morrer?
  Ela havia beliscado Tony, que massageava o ponto vermelho. Ela o encarava séria, enquanto o outro ria da expressão de choque e indignação dele.
  — Ora, sua...
  — O que está havendo aqui?
  A voz soava séria, porém a expressão de Steve quebrava a seriedade que exalava. %Elizabeth% apenas olhou para Nathanael, que deu de ombros e riu. Ela sentia os ombros mais tensos naquele segundo.
  — Por que pararam de falar? Parecia bastante divertido.
  — Minha irmã precisa fazer coisas indecentes urgentemente, e ela está procurando parceiros para tal ato — Tony falou seco, enquanto %Elizabeth% o encarava, abismada. Ele piscou, enquanto o rosto do Capitão América se tornava vermelho naquele segundo. — Não acha, Steve?
  — Até eu tenho um pouco de amor à vida, Stark 2 — murmurou Nathanael, relaxadamente. — Não leve isso a sério, %Elizabeth%.
  %Elizabeth% foi segurada por Nathanael, e quase derrubou seu milk-shake. Ela queria quebrar o nariz do irmão, enquanto ele ainda massageava o local do beliscão.
  — Nem doeu tanto. — Ela retrucou.
  — Mas não precisava fazer isso — disse ele em tom ofendido, escondendo-se atrás de Steve, que se recuperava do choque das palavras de Tony e continha o riso. — Somos família agora. Devemos apoiar um ao outro, e não maltratar como você faz comigo. Eu só queria ajudar.
  — Inacreditável — ela murmurou, descrente, enquanto pensava realmente em jogar o milk-shake em Tony. Fez o movimento, porém sentiu Steve à frente dele. — Vai defender ele depois do que disse?
  — E não é necessário agir igual a ele — ele tentava conter o riso, porém a mulher o encarou seca. — Você pode ser melhor que ele.
  — Ela é uma Stark e igual a mim, até mesmo em rancor ou ciúmes — Tony se sentiu ofendido com as palavras dele para ela, enquanto a Stark mais nova tentava reprimir o riso ao ouvir o mais velho. — Somos brilhantes, bonitos e precisamos de contato humano.
  A mais nova ia dar uma resposta malcriada, porém Jarvis da Terra 05 soou:
  — Srta. Stark, o protocolo “passos de bebê" foi quebrado, e o protocolo de segurança “safe baby" também.
  A voz de Jarvis soou e silenciou os dois, enquanto Tony a encarava e %Elizabeth% suspirava.
  — E o “bicicleta com rodinhas". Acho que o jovem Jonathan possa ter feito isso.
  — Aquele pirralho.
  — Ei, esse protocolo não é o do…? — Tony esquecera da discussão, enquanto processava o que o novo Jarvis dizia e ainda se acostumava ao novo sistema. — Como diabos ele…?
  — Envie o relatório de danos e mande um carro. Quero ele aqui agora — a mulher ignorou a indignação do mais velho e destravou o teclado no pulso. — Ele hackeou o sistema ou quebrou algo do traje. Veja se há reparação, Jarvis. E onde está Jonathan agora?
  — No quarto, Srta. Stark.
  — Perfeito.
  Tony saiu de trás de Steve; o ar de brincadeira não estava mais presente.
  — Quando foi que você instalou…? Isso não te dá o direito de hackear o próprio irmão, e nem o Jonathan.
  O Stark mais velho percebeu quando ela digitou algo no teclado. Ela o cortou:
  — Quando você resolveu dar o traje para o Peter depois da briga com o Steve. Além disso, ele já havia quebrado o protocolo “bicicleta com rodinhas" antes, mas não percebeu os outros dois protocolos que o mantiveram em segurança, e provavelmente Jonathan o ajudou nisso — murmurou condescendente, inclinando a cabeça para o lado com um suspiro, enquanto tentava evitar os olhares de Steve sobre si. — Você acha mesmo que eu não ia monitorar o moleque de perto? É um adolescente, Tony, e dois Stark pensam melhor que um.
  — Eu vou falar com ele, e não mencione o dia mais sombrio dos Vingadores… e Jonathan também — Tony encarou a mulher, enquanto ela suspirava. — E você é delicada que dói.
  Steve se preparou para interferir se necessário, porém %Elizabeth% riu. Uma risada cínica. Encarou Tony com uma expressão de divertimento que beirava o sarcasmo.
  — Você não está em condições, em mínimas condições. Se quiser falar com o moleque, ao menos esteja sóbrio. Além disso… você é meio mole com ele — ela sorriu, enquanto Tony a encarava seco. — Eu irei cuidar disso.
  — Tudo bem, e só porque eu bebi muito — murmurou Tony, virando de uma vez o copo e roubando o milk-shake dela. — Isso é meu agora. E eu não sou mole com ele, sou bastante adulto.
  — Alguém quer ser adulto antes da hora, e outro quer agir como se tivesse sete anos. Você está bem na vida, minha jovem Stark, com o Parker e o Tony, e ainda tem que lidar com as crises existenciais de Jonathan — comentou Romanoff, sério. — Vai pendurar ele pelas pernas? Se for, eu gostaria de gravar os dois.
  %Elizabeth% revirou os olhos enquanto se levantava. Nathanael percebeu o olhar sério dela, enquanto roubava morangos.
  — Ainda não decidi. Talvez. Deixa eu ver a motivação do garoto.
  — Deseja companhia, Miss Stark? — perguntou Steve. Ela o encarou confusa. — Já que vai se ausentar, talvez companhia seja uma boa ideia para lidar com o garoto.
  — Steve — Tony se colocou à frente dele e arqueou as sobrancelhas. — Você quer ficar sozinho com a minha irmãzinha, capitão?
  Rogers apenas sorriu. Tony podia ter dificuldade em decifrar a outra Stark, porém sabia ler algumas intenções do Capitão América.
  — Não vou estragar sua diversão. Eu sei lidar com o bebê Parker e o próprio Johnny. Além disso, tem pessoas te esperando, capitão — sugeriu ela, e seus olhos pousaram na pessoa que olhava constantemente para onde Steve estava.
  %Elizabeth% sorriu e deu um beijo na bochecha de Tony, que sorriu com o carinho contido da mais nova após a quase briga dos dois.
  — Se comporte e não seja levado, Tony. Vão para a festinha e divirtam-se. Nathanael, de olho nesse encrenqueiro.
  — Apenas por você, coração. Sou louco por você. Meu amor te pertence. Eu moveria céus e terras por teu amor e destruiria tudo que te machucasse.
  Ela se virou e riu — uma risada cínica.
  — Não pegue pesado com o garoto-aranha. E eu te amo.
  — Lindo da sua parte. Eu também me amo — ela brincou, enquanto ria do rosto ofendido dele por ela não responder ao “eu te amo" como deveria. Porém, %Elizabeth% amava Tony; ele era sua família agora. — Te amo, Tony, mesmo sendo um irmão babaca.
  Tony ergueu o copo em consolo pelas palavras da morena, enquanto Nathanael brindava com ele. Observaram a mulher se afastar.
  Tony então encarou Steve. Os olhos escuros do Stark mais velho estavam fixos nos azuis de Steve, que observavam a morena andar e gesticular para o computador que a acompanhava. Nas últimas semanas, ele percebera os olhares dele para %Elizabeth%. E, por mais que sentisse ciúmes, queria ver no que aquilo ia dar.
  — Então, gostaria de cuidar da minha irmã? Gostaria de fazer algo mais com ela, Steve?
  — Tony, eu só quis ajudar — defendeu-se Steve com um sorriso encorajador.
  Se fosse recíproco, seria interessante. Porém, Tony sabia que %Elizabeth% podia ser tão teimosa quanto inteligente quando se tratava de admitir algo.
  — Então, desde quando você quer alguma coisa com ela? Ou ajudá-la? Você tem evitado ela desde que se tornou minha família. E digamos que você tem olhado bastante para ela desde que ela se sentou nesse bar e mergulhou nessa bomba de açúcar aqui. A propósito, é deliciosa — sugeriu ele, enquanto bebia do mesmo copo de milk-shake que a garota e encarava a expressão surpresa de Steve, que tentou disfarçar o desconforto com um sorriso. — Qual é? Não se faça de desentendido, Rogers.
  — Tony, você bebeu demais. Eu só queria ajudar sua irmã — murmurou Steve, pegando mais uma garrafa de cerveja e brindando no copo de milk-shake. — Vou voltar para a festa, e você devia fazer o mesmo.
  Steve não deu tempo para réplica do bilionário, que apenas encarou o soldado voltar para onde Sharon Carter estava.
  Tony então encarou a loira sorrir e se aproximar do capitão, e bufou.
  — Ela é rápida — repetiu Nathanael o que dissera mais cedo, enquanto ria da expressão que o Stark mais velho fazia. — O que foi?
  Tony deu um sorrisinho trocista, encheu mais uma vez seu copo e se afastou.
  Nathanael reconheceu aquela expressão.
  Era a mesma que %Elizabeth% fazia quando ia aprontar algo.

X

  Steve acelerou a corrida enquanto encarava o relógio. Naquele exato momento, talvez a encontrasse. Não havia conseguido dormir direito, enquanto a passagem da floresta ao redor do complexo passava como um borrão para si. O soldado lembrava da frase: “Tem pessoas te esperando, capitão". %Elizabeth% Stark parecia decepcionada naquele segundo, enquanto fingia os famosos sorrisos simpáticos.
  Um sorriso disfarçava a sua decepção. Mesmo não a conhecendo direito, Steve sabia quando ela estava frustrada e decepcionada; ao menos, nos meses que passaram convivendo sob o mesmo teto, ele conseguia perceber a máscara de indiferença.
  Steve apenas balançou a cabeça. Deu mais voltas, enquanto as gotículas de suor escorriam por seu rosto. Ele apertou o pingente dentro do bolso da calça de moletom e parou para observar o objeto.
  Era o símbolo dos Vingadores. O nome de %Elizabeth% estava gravado nele. “Foi assim que encontrei você de novo, capitão¹." Ele lembrava claramente da voz aliviada dela enquanto o abraçava, porém aquela era uma lembrança do passado. Ele lembrava do som do coração dela. Steve interrompeu a linha de pensamento enquanto adentrava o complexo e escondia o pingente novamente.
  Então percebeu a morena parada na cozinha. %Elizabeth% estava pensativa enquanto esperava o café. Steve apenas parou e observou a mulher mais atentamente por alguns longos minutos.
  Ela não era alta; era um pouco mais alta que Natasha. Os cabelos, agora medianos, estavam presos em um rabo de cavalo. Ele passou longos minutos apenas observando-a.
  %Elizabeth% sempre achou que Tony fosse irritante. Ao menos, ela tinha certeza desse defeito do mais velho. Por algum motivo, ele quis fazer uma sessão de treinamento entre as armaduras da Legião de Ferro e os Vingadores. Um suspiro resignado escapou de seus lábios ao lembrar de Anthony invadindo seu quarto para lhe contar isso com uma animação irritante, enquanto ela bebia seu café. Eram nem 2 da manhã, e ele ainda dormiu ao seu lado e ficou balbuciando que a amava enquanto dormia.
  Era uma figura mesmo.
  Sábado de manhã. Mesmo que %Elizabeth% fosse adepta a acordar cedo, Tony havia passado dos limites cabíveis quando entrou no quarto e assustou a mulher.
  Por que demônios tinha que ser às 6 da manhã? %Elizabeth% apenas suspirou enquanto torcia as mãos. Estava cansada do caos que Peter Parker causou ontem juntamente com Jonathan, e a lembrança de Steve Rogers surgiu em sua mente com o sorriso e as camisas coladas. Tossiu, constrangida pelo pensamento. Passou as mãos pelo pescoço enquanto ouvia o som de passos pelo corredor e engoliu em seco ao perceber quem era.
  Ela percebeu o horário no relógio. Steve só estaria ali dali a 15 minutos. %Elizabeth% respirou fundo enquanto Steven Rogers, suado, vinha em sua direção. Steve Rogers com camisa colada, suado, era muito para sua sanidade. A mulher desviou os olhos enquanto saboreava o café da manhã e comeu um dos muffins que fez. Não estava tranquila com a cena que presenciava enquanto o soldado abria os armários atrás de um copo e lhe lançava o melhor sorriso que podia.
  Steve Rogers apenas observou a mulher. %Elizabeth% usava uma camiseta preta e uma calça jeans, enquanto a xícara estava em seus lábios.
  — Bom dia, %Elizabeth%.
  Bom dia, capitão.
  Por que ele tinha que usar aquela camisa? Ela desviou os olhos enquanto encarava o chão por alguns segundos e contava carneirinhos em sua mente. Não era hora de imaginar Steve Rogers suado. Pare de encarar. A mulher apenas ajeitou o fone de ouvido enquanto tocava “Crazier" e se encostou no balcão.
  — Está tudo bem?
  Havia um quê de curiosidade na voz dele. %Elizabeth% franziu o cenho e encarou o homem que colocava a água no copo, enquanto ele se ajeitava ao seu lado. “Tudo bem, sim, capitão, melhor agora." Aquela não era o tipo de resposta para ele. %Elizabeth% retirou os fones, fechou o Spotify e deu um sorriso falsamente polido que usara durante anos para fugir de seus pensamentos verdadeiros sobre as pessoas — e, no caso, usava com frequência com Steve.
  — Perfeitamente. Até agora, nenhum problema à vista — sua voz soou nervosa enquanto tossia, disfarçando com um gole de café. — E o senhor?
  — Você — ele corrigiu, sorridente, enquanto bebia água e olhava a xícara vermelha com “%Elizabeth% Stark" escrito. — Tony me disse que iremos treinar com as armaduras.
  — Ele foi ao meu quarto às 2 da manhã para dizer isso — murmurou a Stark, relembrando do homem se deitando ao seu lado. — E dormiu comigo. Aparentemente, ele quer ter todas as lembranças constrangedoras comigo.
  Steve riu, enquanto ela continuou com a voz azeda:
  — Ele teve essa ideia num dos lapsos de memória dele, dizendo que alguém quebrou todos os níveis de treinamento em dois dias. — Mordiscou o muffin, disfarçando o nervosismo. — Aumentei o padrão das lutas semana passada.
  — Acho que eu sou o culpado — admitiu o soldado, encarando a cientista, que franziu o cenho com a declaração. Ela arqueou as sobrancelhas para Steve, enquanto ele ria da própria expressão de constrangimento. — Eu gastei muito tempo na academia semana passada e devo ter destruído…
  — Eu achando que o Thor tinha destruído, mas você, capitão? Eu não imaginaria — ela disse, tocando nos músculos dele e corando ao se afastar. — Vou tentar aumentar os níveis e a dificuldade para ao menos ficarmos seis meses sem upgrades.
  O homem a encarou, um sorriso nos lábios, os olhos fixos nos dela. %Elizabeth% se sentiu constrangida pelo jeito que Steve a olhava. A mão do soldado limpou um resquício no canto da boca dela com delicadeza. Apenas uma gentileza, não se iluda. %Elizabeth% pensou em avançar e sentir o gosto dos lábios do capitão nos seus. Entretanto, ouviu o som de passos, e ambos se afastaram um do outro com rapidez.
  O que está acontecendo? %Elizabeth% bebeu seu café para disfarçar o rosto pálido com as bochechas coradas. Percebeu Tony animado, com Jonathan e Peter em seu encalço. Ambos pareciam ter caído da cama — ou Tony os expulsara para o tal treinamento matinal. Steve encarou a mulher de canto, enquanto a Stark mordiscava o lábio inferior.
  — Bom dia a todos — a voz animada de Tony, enquanto observava os dois e arqueava as sobrancelhas. — Caíram da cama?
  %Elizabeth% limitou-se a lançar um olhar severo para ele. Steve apenas desejou bom dia, enquanto a cozinha logo estava repleta de conversas animadas e paralelas. Porém, os olhos do soldado estavam fixos nos atos da Mulher de Ferro, que fingia não se abalar pela repentina e abrupta separação. O soldado soltou um suspiro. O que ele estava pensando? Ele normalmente não estava de volta àquela hora, porém, depois de descobrir alguns hábitos da Mulher de Ferro, começou a observá-la mais de perto. Começou a aparecer em horários aleatórios na sala de treinamento, na cozinha e algumas vezes no laboratório para vê-la.
  — Tony disse que posso usar uma das armaduras…
  A voz de Jonathan soou animada.
  — E ele lhe contou que negarei esse desejo por ter quebrado os protocolos de segurança, mocinho, ou se esqueceu? — naquele momento, %Elizabeth% Stark tinha um olhar severo para Jonathan, que apenas rendeu-se e a abraçou. Até mesmo Steve tinha um pouco de receio dela. Entretanto, as gargalhadas de Tony quebraram o clima sério que se instalava. — E você, não prometa coisas sabendo do que ele fez.
  Tony ergueu as mãos como se admitisse culpa, porém o sorriso mostrava brincadeira.
  Steve pegou uma xícara de café azul-escura com “S. Rogers" escrito e serviu-se. O Stark mais velho serviu os dois garotos de 16 anos enquanto encarava Rogers e cochichava:
  — Sabe, ela pode não ter percebido, porém eu sim que você mudou seus hábitos de corrida — comentou o mais velho, enquanto o restante da equipe aparecia. — Quando vai se declarar para ela?
  — Não sei do que está falando — desconversou o soldado, enquanto Tony ria, uma risada genuinamente sincera. — Você anda pegando demais no pé dela.
  — Além de ela ser apaixonada por você — ele disse na lata, enquanto o soldado quase cuspiu o líquido preto e encarou Stark, que não se abalou, chamando a atenção de todos da equipe. — Apenas um cego — ou você — não percebeu isso. E, aliás, ela não é boa em esconder as emoções. Ontem, ela não queria participar da festa, porém, por sua causa, aguentou o máximo que pôde. Mas, antes de qualquer coisa, não quero que a minha irmã se machuque.
  — Tony, eu não estou entendendo nada.
  — Você entendeu — Tony fez um gesto exagerado enquanto bebia seu café. — Se você quiser qualquer coisa com ela, fale, porém depois de estar livre. E, se você estiver enganando a minha irmã, eu juro que acabo com seu rostinho de modelo.
  Steve Rogers encarou o mais velho dos Stark com o cenho franzido. Que diabos estava acontecendo? Apertou o copo em suas mãos ao mesmo tempo em que Tony lhe lançava um olhar sério.
  Ele sabia bem o que aquilo queria dizer.
  Porém, o Capitão América se lembrou de quem era %Elizabeth%.
  Ela era filha de Howard. Mesmo que não fosse daquela realidade, ainda era uma Stark.
  E ele tinha medo do que poderia acontecer.

X

  Sharon Carter estava ali.
  %Elizabeth% apenas desfez o sorriso no rosto, enquanto pensava que talvez o dia fosse ser ruim desde o momento em que percebeu a mulher ali. A loira usava uma roupa de luta, enquanto os cabelos estavam presos em uma trança longa –, assim como todos os integrantes do grupo mais poderoso da Terra, que estavam se questionando sobre aquilo que Tony mandou em mensagens cedo, acordando todos. A mais nova dos Stark apenas encarou de canto, enquanto soltava um suspiro pesado com isso, aumentava os níveis de luta juntamente com Sexta-Feira e Jarvis da Terra 05, e se virou para explicar como ocorreria o treinamento matinal, porém travou assim que percebeu o que estava acontecendo.
  Aquela cena não devia surpreendê-la.
  %Elizabeth% viu a cena de um beijo à sua frente quando Sharon avançou sobre Steve Rogers, roubando-lhe um beijo. Apenas ouviu o som dos assobios e até mesmo das palmas de Sam, James, Clint e Thor, e Nathanael se aproximou dela ao perceber o rosto perder um pouco da cor. %Elizabeth% Stark percebeu o quão idiota era aquela situação.
  Ela não tinha a menor chance contra Sharon Carter –, afinal, quem iria ficar com alguém tão fodida quanto ela? Tanto mentalmente quanto fisicamente. %Elizabeth% apenas engoliu a bile no estômago ao perceber que ainda tinha esperanças de Steve Rogers olhá-la como uma mulher, ao invés da irmã de Tony Stark.
  — %Elizabeth%, você está bem? – Nathanael encarou a mulher, enquanto ouvia os companheiros comentando sobre o beijo dos dois. O agente Romanoff percebeu o quão desconfortável ela estava com aquela situação. – Podemos cancelar, diga que está se sentindo indisposta, %Elizabeth%, eu cuido de tudo.
  — Isso é irrelevante, eu jamais deixo as coisas pela metade, e não é agora que irei fazer isso por causa de um beijo – murmurou seca, enquanto ativava os protocolos de segurança. Tony se aproximava dela, enquanto a mulher apertava os punhos e respirava fundo; seu pai havia ensinado a deixar todos os sentimentos que não fossem relacionados à sua tarefa de lado. – Eu estou bem, não se preocupe.
  Ela apenas respirou fundo, enquanto Nathanael a encarava, porém a Stark mais nova apenas abriu a tela no projeto e começou a explicar como seriam os combates entre as armaduras e os Vingadores.
  — Ei, o que houve? – perguntou Charlotte Barton, com os braços cruzados no peito, enquanto Nathanael apenas fingia não ouvir; ele olhava a morena fingir para todos. – É por causa dele?
  — O que você acha? – murmurou Nathanael, enquanto Charlotte apenas riu, parecendo perceber o que ele estava tramando. – Você tem alguma dica para animá-la?
  — Luta – murmurou a arqueira. – Ou morangos.
  — Como diabos ela ficou desse jeito?
  Charlotte suspirou, como se fosse uma questão bastante irritante. A Barton não lembrava de uma %Elizabeth% diferente daquela do presente.
  — Ela tem medo de amar de novo. Aliás, ela sempre foi ruim no amor; afinal, foi chamada de louca antes – murmurou Charlotte para ele, enquanto Nathanael apenas observava a mais nova do grupo, parecendo que entraria em colapso a qualquer momento. – Ela se acha amaldiçoada para isso. Afinal, ela não consegue nem dizer que gosta dele. Deixe como está, Nathan, não force ela a pensar demais.
  Nathanael apenas suspirou, enquanto %Elizabeth% voltava a atenção para os tablets com as informações reais da luta – Natasha e Clint eram os primeiros, enquanto os dois não podiam usar armas, apenas luta corpo a corpo. A Stark apenas encarou o chão, enquanto percebia que aquela situação estava bastante patética até mesmo para ela, porém, antes que começasse a pensar sobre isso, Clarissa jogou para ela os bastões, que estavam aos seus pés. As duas se encararam. Fazia quanto tempo que eram melhores amigas? %Elizabeth% não se lembrava de como tudo se iniciara, porém não ligou, enquanto a loira murmurou:
  — Podemos lutar? Estou entediada.
  — Por que não luta com os robôs? – inquiriu a cientista, enquanto Clarissa apenas deu de ombros.
  — Você está tensa hoje – comentou a Rogers. – Quer conversar?
  — Não.
  Encarando a si mesma, %Elizabeth% ajeitou os cabelos em um coque malfeito, enquanto começava a luta com ela. Esqueça. Todos pararam para observar as duas que movimentavam os bastões em sincronismo.
  Ela não queria conversar; afinal, se falasse o que estava incomodando, os sentimentos que estavam em seu coração poderiam virar realidade, e %Elizabeth% não queria lidar com isso de jeito nenhum.
  Era tudo o que ela menos queria, enquanto continuava a acertar os bastões um no outro. Em outro momento, %Elizabeth% teria rido daquela situação. Receber um conselho dela seria mesmo o fim da picada, pensou enquanto parava, porém o bastão veio do lado contrário, enquanto Clarissa encarava Natasha Romanoff e Sharon Carter animadas para participar. %Elizabeth% apenas encarou Clarissa.
  — Podemos?
  — Se você quer isso – murmurou a cientista, enquanto apenas estalava o pescoço. – Com quem você quer?
  — Eu fico com a Nat.
  %Elizabeth% apenas respirou fundo. Ela ia, com certeza, surrar Sharon, porém apenas sorriu enquanto se posicionava à frente da loira.
  — Quer lutar, agente Carter?
  A loira apenas se posicionou e avançou para a mulher, que segurou os dois golpes dos bastões e girou nos calcanhares com o ataque repentino da agente da CIA, afastando-se a uma distância segura dela.
  — Nada mal, Srta. Stark.
  — Você realmente é o que os rumores dizem – a morena apenas ergueu o bastão, e Sharon avançou. – Porém, você não tem prática com bastões, não é?
  Sharon vacilou. %Elizabeth% apenas respirou fundo, enquanto encarava a mulher, que percebeu a posição dos pés.
  — Acaba com ela, Stark! Mostra do que é feita!
  A voz de seus colegas de time soou pela sala de treinamento. A Stark ignorou enquanto pensava na forma de luta da Carter. Sharon estava ansiosa e errou dois golpes na Mulher de Ferro, que revidou com a mesma intensidade.
  O bastão raspou a centímetros do rosto dela; se fosse Clarissa, provavelmente teria acertado. Entretanto, %Elizabeth% acertou a costela da Agente 13 enquanto se afastava. Os gritos de Tony ecoaram:
  — Essa é a minha irmã!
  — Isso aí, você consegue, %Elizabeth%!
  A frase era uma lembrança distante de sua mãe: “Você consegue, meu amor." A voz dela soou, enquanto também lembrava do motivo dela: “Ninguém ama você." Todas as pessoas que amou, de alguma maneira, foram embora e a abandonaram em sua vida. Por aquele motivo, ela não estava pensando em dizer a Steve Rogers sobre seus sentimentos mais profundos, enquanto segurava o bastão de Sharon e acertava um chute na barriga dela, fazendo-a se desequilibrar, porém a mulher não caiu.
  Nada mal. Desviou de um bastão seguido do outro e acertou um na costela dela. %Elizabeth% desviou de um golpe que iria direto em sua face e revidou com outro que quase acertou o rosto da mulher, porém mudou de tática, levando um no braço.
  Acertou a perna direita e dominante de Sharon Carter, fazendo-a se desequilibrar. Apenas ouviu o baque no chão, enquanto encarava a loira da CIA com uma sobrancelha arqueada. Talvez eu tenha exagerado. A Stark mais nova largou os bastões e pensou em estender as mãos para ajudar, porém Sharon apenas sorriu constrangida para a pessoa que se aproximava delas e, ao se levantar, recebeu ajuda de Steve Rogers. %Elizabeth% fixou os olhos nos dois, e aquele sentimento ruim estava em sua mente novamente. Apenas se virou, dando as costas para eles antes que tentasse acertar o bastão nela.
  Esse sentimento ruim era o que Howard sempre falava dela, sobre ter suas emoções descontroladas: “Se controle, filha, papai vai estar aqui sempre." Ela apenas apertou a toalha; queria seu pai naquele momento ao lado dela. A mais nova apenas respirou fundo pelo nariz; afinal, não era hora de perder o controle sobre suas ações. Steve Rogers não era nada seu, era seu colega de time, repetiu mentalmente, enquanto encarava os dois novamente. Belo casal, pensou para si mesma.
  %Elizabeth% apenas sentiu o suor escorrer pela nuca. Passou o pano, mesmo ignorando seus instintos de deixar o rosto de Sharon Carter com boas marcas roxas. A Stark conseguiu, de alguma maneira, se manter controlada. Encarou Sharon gesticulando e falando com Steve, que mantinha uma postura relaxada para a mulher. %Elizabeth% se questionava se algum dia ele olharia para ela daquele jeito. Besteira. Apenas ignorou isso, enquanto ouvia o som dos bastões de Clarissa com Natasha. As duas tinham formas únicas de luta. A mais nova apenas se sentou, colocou o pano sobre a cabeça, e seus olhos encararam por tempo demais o soldado com Sharon.
  Acalme-se. A adrenalina estava correndo solta por suas veias; ela apenas extravasou todas as emoções que estavam lhe deixando tensa. Sentiu as mãos ao redor dos ombros; Tony apenas se sentou ali, encarando a mulher. Ele lhe deu a garrafa de água, e ela bebeu avidamente o líquido gelado, enquanto ouvia o som dos socos contra o metal.
  — Você realmente consegue se virar contra agentes…
  — Eu treino todo dia com a Clarissa. Alguma hora esse treinamento tinha que dar frutos, sabia? – brincou ela, enquanto limpava o suor. Percebeu Samuel contra Nathanael nos bastões. – Não era luta contra robôs?
  — Eles acharam mais divertido os bastões. Por que a Carter? Podia ter ido contra a Romanoff…
  Ele comentou, enquanto %Elizabeth% ria, ao mesmo tempo em que estava enlouquecendo por conta de seus sentimentos. Todavia, Stark apenas sentiu que poderia chorar a qualquer momento.
  — Clarissa odeia se segurar, e se ela fosse contra a Carter, talvez duas ou três costelas quebradas da Agente 13. E eu ainda consigo desviar dos golpes dela, mas não sei se a agente teria a mesma chance – murmurou ela, enquanto limpava o rosto com o pano. – Ela não ia conseguir lidar com os truques sujos como a Natasha.
  — Você realmente… não se importa que ela esteja com ele?
  O tom usado lembrava o porquê de odiar Tony naquele momento; ele a compreendia em certos momentos.
  — Ela não tem culpa – murmurou %Elizabeth% seca, enquanto olhava os dois loiros conversando animadamente um com o outro. Porém, a Stark mais nova encarou o irmão mais velho. – Afinal, quem não se declarou fui eu. Então, como posso competir se nem ao menos disse o que eu sentia? Não posso culpar alguém por ser mais corajosa que eu.
  Tony a encarou por meio segundo, enquanto %Elizabeth% percebia que podia ter dito algo estranho e que seu irmão iria tirar sarro da sua cara.
  — Você realmente gosta do velho, não é?
  — Tony, por favor… – censurou, enquanto ele ria e a abraçava pelos ombros. – O quê?
  — Nós, os Stark, somos todos fodidos – ele segurou a mais nova firme, enquanto %Elizabeth% apenas suspirava. – Literalmente, eu amo você, apesar de toda essa sua bagagem. Eu sei que é difícil acreditar que não iremos te abandonar, sendo que você já sofreu demais com isso. Mas eu estou aqui, vivo, e sempre vou estar ao seu lado.
  Ela sentiu que Tony falava as coisas de forma atrapalhada para ela. Howard nunca fora bom em admitir também, porém seu pai tinha o jeito dele de lidar com ela, e ela de lidar com ele. Tony e seus colegas eram diferentes de seu pai, e %Elizabeth% ainda estava aprendendo a ser ela mesma.
  — Isso era para ser um momento fofo?
  Questionou. Tony bufou.
  — Você não é nada delicada, sabia? É uma brutamontes mesmo. E você está melhor? Um passarinho me contou que você andou acordando várias vezes durante a noite, então me conte – murmurou sério, enquanto beijava a cabeça dela, e ela olhou ofendida para ele. – Mas você é a irmãzinha mais fofa que alguém pode ter.
  — Você pode ser fofo às vezes também – retrucou, enquanto Tony sorria. – Obrigada. E estou bem, apenas a insônia de sempre.
  Tony apenas suspirou, enquanto a abraçava. Ele a protegeria de tudo que tentasse machucá-la, até mesmo de Steve, se isso fosse necessário.
  Porém deixaria que sua irmã estivesse com ele, para a felicidade dela.

X

  Steve Rogers apenas encarou Sharon Carter.
  A luta entre as duas mulheres era equilibrada, ao menos até aquele momento. Entretanto, Steve tinha experiência suficiente para saber que a Stark mais nova sabia muito bem usar todos os recursos disponíveis quando necessário, e a lembrança remota de uma luta entre eles era fresca em sua mente.
  Steve vacilou quando percebeu o bastão quase parando na face da mais nova dos Stark. Entretanto, %Elizabeth% soube se virar durante toda a luta. O mais velho apenas avaliou a briga enquanto ajudava Sharon.
  — Ela é boa.
  — E por que não viu a rasteira dela? – ele brincou, enquanto Sharon sorriu. – O que foi?
  — O clima entre nós não rolou, não é?
  A loira apenas parou ao lado dele, enquanto bebia longos goles de água. O clima entre eles estava estranho desde que ele se afastara após o beijo.
  — Desculpe.
  — Eu entendi, capitão – Sharon sorriu, mesmo que fosse um sorriso forçado. – Foi tarde demais?
  — É… isso – murmurou, sem graça. – Desculpe por isso.
  Sharon riu, deu um soco amigável nele e encarou %Elizabeth% Stark sentada ao lado de Tony, enquanto o soldado suspirou.
  — Eu adoraria que fôssemos amigos.
  — Eu vou conversar com a Romanoff – murmurou Sharon, dando um tchau sem graça. – Amigos? Ok.
  Steve suspirou enquanto encarava a cientista conversando com Tony. “Você e ela fazem um belo casal, sabia?" A conversa fora em outra época, enquanto a imagem da mulher de cabelos castanhos mudara ao longo dos últimos anos. A lembrança da missão em que %Elizabeth% fingiu ser sua esposa veio à mente, onde fora a primeira vez que os lábios deles haviam se tocado. Porém, Steve Rogers sabia que aquilo foi apenas para despistar os observadores durante a missão.
  — Então, você e a Sharon, hein? – a voz de James Barnes saiu animada, enquanto o loiro apenas negou. – O quê? Você não gostou do beijo?
  — Eu não gosto dela desse jeito – murmurou Steve, enquanto James suspirava e encarava o melhor amigo surpreso. – Por isso, apenas amigos.
  — Steve. Então, você vai contar para ela?
  James encarou a morena. A cientista apenas conversava animada com a outra Rogers, enquanto Steve franziu o cenho. Contar o quê?
  — Não sei do que está falando.
  — Há meses você me disse que gostava dela, e isso mudou?
  — Não mudou – admitiu, enquanto bebia um longo gole de água. – Mas a situação mudou. Agora tem o Tony no meio, é mais complicado.
  — Você só está complicando as coisas, punk.
  Steve apenas suspirou. %Elizabeth% e ele não tinham o melhor dos relacionamentos, porém a tensão entre os dois era evidente. Rogers ainda não entendia o porquê de a cientista não ter um bom relacionamento com ele.
  — Chega desse assunto.

X

  As respirações eram entrecortadas.
  Tony deu um sorriso animador enquanto %Elizabeth% observava as lutas dos Vingadores com as armaduras.
  — Você gosta de ver suas criações serem destruídas.
  — Para podermos reconstruir.
  A mulher suspirou. Tony era como uma criança criando novos desafios. Desde Clint até mesmo Nathanael tiveram dificuldades em manter um ritmo adequado com as armaduras da Legião de Ferro. %Elizabeth% apenas encarou Steve Rogers ao lado de Sharon, ambos esgotados de alguma forma, enquanto as toalhas eram entregues por Jonathan e Peter; este último lutou apenas contra Clint.
  — Bom, eles destruíram 75% – murmurou o playboy, enquanto encarava os números no tablet. – Até que foi razoável. Acho que podemos tirar uma base para novas armaduras, não é?
  — Sim – concordou, enquanto encarava os números de todos. – Podemos equiparar e aprimorar todas as armaduras com os novos dados. Os protótipos serviram para seus fins.
  — Então, quando vai convidar o velho para sair?
  Havia uma parte de %Elizabeth% que desejava fugir naquele segundo; no entanto, havia uma pequena parte que poderia aceitar a ideia do irmão. %Elizabeth% mordeu o lábio inferior com força, enquanto suspirava.
  — Tire essa ideia da cabeça, Tony.
  — E por que eu deveria? Eu acho que você devia convidá-lo.
  — Tony.
  Ela o censurou. O mais velho se rendeu, enquanto a mulher encarava o motivo para não se ater à ideia de Tony. Afinal, quais as chances dela contra Sharon Carter? Balançou a cabeça. Não é hora para isso.
  A mais nova dos Stark apenas encarava os dados e observou Tony lutando contra Jonathan no boxe. %Elizabeth% queria manter a mente ocupada, porém parou assim que Sharon e Steven estavam conversando. Fixou os olhos no chão e andou para a ala onde todos os robôs estavam, porém parou assim que escutou:
  — %Elizabeth% me surpreendeu.
  A voz de Sharon soava, e a cientista parou de andar no mesmo segundo ao ouvir seu nome. Os olhos castanhos escuros ficaram fixos em outro ponto. Não escute as conversas dos outros, foi o que Amélia sempre lhe ensinou. Entretanto, a curiosidade venceu.
  — %Elizabeth% é extremamente habilidosa, e é uma pena que ela não trabalhe na CIA. Ela seria uma boa agente – murmurou Sharon, enquanto a Stark mais nova apenas apertava os lábios ao ouvir seu nome e a palavra agente na mesma sentença. – O que acha, capitão?
  O tom dela era enjoativo e conotativo. %Elizabeth% suspirou com isso.
  — Ela é irmã do Tony, não tenho que achar nada dela. Afinal, eu sou tipo um irmão mais velho para ela – %Elizabeth% encarou os pés. Irmão? Ele a enxergava como irmã? A bile subiu, porém %Elizabeth% suspirou. Qual a surpresa, hein? Acha mesmo que ele ia te olhar com os olhos de um homem? Você nunca foi especial além dessa sua inteligência. Ninguém nunca te desejou antes… “Cala a boca." Apenas respirou fundo, enquanto controlava os picos de ansiedade. – Uma adorável irmã mais nova.
  — Você é um irmão coruja, hein.
  Ele riu do tom dela. A mulher percebia o clima de flerte no ar, enquanto %Elizabeth% Stark apenas andou até a saída mais próxima antes que perdesse o controle.
  Irmã. Ela era apenas uma irmã.
  %Elizabeth% sentiu que já havia perdido sem nem ao menos lutar. Afinal, ela estava apaixonada por Steve Rogers.
  E isso a enlouquecia.

X

  O jantar transcorreu em um clima tenso.
  %Elizabeth% estava distraída com sua comida, de poucas palavras e com um claro aviso: “Não se aproxime." Mesmo com os burburinhos, havia uma tensão visível que fazia o ambiente parecer desconfortável até aos mais desatentos. Mesmo após o término, na sala comum, havia um sentimento de inquietação e uma palpável ansiedade.
  — O que você fez para a minha irmã?
  A pergunta direta fez com que Steve desse um pulo. Tony estava de braços cruzados, em sinal claro de irritação, enquanto observava a mulher lendo um livro.
  — Eu quero saber tanto quanto você o que houve com ela.
  — Ah, mesmo?
  — Tony, por que acha que sou o motivo de ela estar assim?
  Retrucou em defesa. Steve tinha certeza de que Tony achava que ele era culpado desde que estava insinuando que o soldado tinha sentimentos pela mais nova dos Stark. Rogers respirou fundo, enquanto pensava que aquela noite seria longa. Era noite de jogos; ao menos uma vez na semana eles escolhiam jogos aleatórios.
  — Porque é você.
  Murmurou ranzinza, ao mesmo tempo em que a voz de Clarissa soou:
  — É a vez de quem escolher os jogos?
  — %Elizabeth%.
  — Eu passo – ela nem levantou os olhos do livro. – Escolham aí.
  Steve apenas encarou Tony, enquanto ele olhava dos tabuleiros até as máquinas de jogos de tiro que havia no local.
  — Mas da última vez Clarissa e Charlotte quase se mataram.
  Relembrou Nathanael, enquanto a mesma suspirou e os encarou com uma sobrancelha arqueada.
  Da última vez, Dance Central causou uma confusão entre os jogadores pelos movimentos rápidos e precisos, e várias gargalhadas a Tony ao ver Bruce dançar desengonçadamente, o Stark mais velho encarou eles com um sorrisinho debochado enquanto se sentava no chão.
  — Então, eu escolho.
  Tony não viu oposição, enquanto a mais nova apenas fechava o livro e o devolvia à mesinha ao lado, encarando-o com um suspiro.
  — Vamos jogar verdade ou consequência.
  — Tem o quê? Quinze anos, Tony? – retrucou %Elizabeth% séria, enquanto cruzava os braços e o encarava com uma sobrancelha arqueada. – Não.
  — Deixa de ser estraga-prazeres – Tony pegou a garrafa e sorriu maroto, enquanto puxava a irmã para o tapete no chão. – Será bem divertido. Podemos?
  — Posso me abster?
  — Não, coração. Nem nos seus sonhos.
  Ela o xingou enquanto se sentava de pernas cruzadas. Steve apenas deu de ombros. Rogers se sentou ao lado de Bruce e Natasha, à frente de %Elizabeth%. A morena mexia nas pontas do cabelo enquanto ouvia as regras impostas por Tony com um sorriso presunçoso nos lábios.
  — As consequências não têm limites, e Johnny e Peter vão jogar videogame. Este é jogo de adultos – despachou os dois adolescentes, que apenas deram de ombros e saíram em conversa animada. – As verdades também não têm limites. Jarvis saberá quem está mentindo e quem não está. E, agentes, por favor, sem mentiras, tudo bem? Ótimo. Eu começo, e a pessoa que eu desafiar será a próxima. Então, começamos?
  A garrafa girou, e a primeira vítima foi Clarissa, que manteve uma expressão indecifrável e encarou Stark, que mantinha expectativa.
  — Verdade ou consequência?
  — Verdade.
  A confiança dela era inabalável.
  — Então, com quem foi o seu primeiro beijo?
  — Howard.
  — O quê? Meu pai?!
  — Ela quis dizer o meu – revirou os olhos a Stark mais nova. – Papai era um galinha quando mais novo, e isso nem me surpreende mais depois do histórico e da lista.
  — Mesmo assim, coração, é difícil imaginar.
  Clarissa ignorou e girou a garrafa, que parou em Natasha. A mesma pediu consequência, enquanto a russa foi desafiada a jogar várias facas de uma distância humanamente impossível, porém tudo era possível para ela. Steve visualizou o jogo transcorrer entre risadas, ameaças e consequências constrangedoras para alguns, até que a garrafa parou em %Elizabeth% naquele segundo. A mulher suspirou enquanto encarou Nathanael, que tinha uma postura relaxada e sorridente, mesmo após estar vestido com um vestido de Charlotte até o fim do jogo.
  — Verdade ou consequência?
  — Consequência — era a primeira vez que a morena era chamada no jogo, enquanto encarava o ruivo com uma sobrancelha arqueada. — Então?
  — Uma declaração de amor para quem você gosta.
  A mulher parou, franziu o cenho e revirou os olhos, ao mesmo tempo que seus olhos se cruzaram com os de Steve. Ficou mais alguns minutos em silêncio e respirou.
  — Eu estou apaixonada por você, Rogers, e isso me dói, mas não posso amar você.
  Steve apenas piscou duas vezes, enquanto todos olhavam para o rosto dela vermelho. A mesma levantou-se no ato e encarou a água que estava tomando.
  — O jogo acabou, Tony.
  O cientista percebeu que estava encrencado enquanto a mesma o fuzilava.
  — Coração.
  – Não — ela negou, ao mesmo tempo que Tony tentou dizer alguma coisa. Pegou o casaco e encarou o rosto de Steve. — Eu sinto muito e não me siga, senão eu atiro em vocês.
  Ela sinalizou para eles, saiu, e ouviram o som do motor do carro. Steve apenas franziu o cenho ao perceber que havia acatado a ordem sem nem perceber.
  — Vocês estão fodidos.
  Murmurou Charlotte, sem simpatia alguma, enquanto pegava a garrafa e jogava o conteúdo fora.
  — Isso foi errado, Nathan — murmurou Clarissa em repreensão. — Devia ter pedido outra coisa.
  — Eu achei que ela fosse negar — ele estava tão aturdido quanto eles. Steve os encarou. — Ela se declarou! Isso não é bom?
  Steve não esperou explicações e correu atrás dela. Tony apenas encarou a garrafa, e Bruce Banner balançou a cabeça para o outro cientista.
  — Me deve 100 pratas, Bruce.
  — Você armou tudo isso — retrucou o cientista ao melhor amigo. — O que você colocou na água dela?
  — Soro da verdade.

X

   “Estou apaixonada por você, Rogers, e isso me dói, mas eu não posso amar você." Ela repetiu isso em sua mente, enquanto o rosto cheio de pena de Steve Rogers surgia em seus pensamentos.
  %Elizabeth% Stark apenas fugiu.
  O que ela havia feito? Ela não queria mais olhar na cara de Steven Rogers. Apenas respirou fundo. Como ela pôde se declarar tão naturalmente?
  O cemitério estava silencioso. Nem uma viva alma, pensou ironicamente a mulher enquanto andava aos tropeços até os túmulos, pela recente corrida de carro até ali.
   “Eu sempre vou te amar, Steve." Ela sentia o estômago revirar ao pensar nisso. Ela havia dito. Jamais nem cogitara dizer isso nem para si mesma, para não tornar mais real do que já era. Afinal, ninguém se apaixonaria por ela.
  Ninguém a aguentaria. Afinal, quem conseguiria amar alguém tão fodido quanto ela?
  Howard Anthony Walter Stark.
  Ela encarou o túmulo.
  O que ela havia feito? Os olhos castanhos-escuros desceram pela lápide enquanto ela colocava os buquês de flores arroxeadas e fazia uma prece, mesmo que não orasse para algum Deus. A mulher suspirou suavemente, sentou-se ao lado da lápide e sentiu as dores no peito. A garrafa de água estava em suas mãos, enquanto as lágrimas desciam por sua face, e ela apenas fungava e tentava se acalmar. Como ela ia encarar ele agora?
  — Eu estraguei tudo, pai.
  Sua voz soou tão baixa enquanto ela bebia mais um gole de água. %Elizabeth% tinha seus demônios; ela sempre teve. Afundou ao lado do túmulo e deixou as lágrimas escaparem por sua face.
   “Sorria, %Elizabeth%, sorria." Lembrava das mãos sobre seu rosto enquanto ele a segurava nos braços. “Eu sempre vou te amar, coração." A mulher tentou respirar enquanto sua cabeça doía. “Ei, somos um bom time." A voz dele soou enquanto ela fechava as mãos ao redor de si.
  — Eu sinto sua falta, pai.
  Sussurrou enquanto se encolhia numa bolha. O que ela havia feito? Declarou-se para Steve Rogers e pediu silenciosamente que seu pai estivesse ali lhe dando bronca por seus atos impulsivos. Novamente se deixou levar pelas lembranças de Howard lhe segurando no colo, levando-a para os parques mesmo com inúmeras reuniões. %Elizabeth% lembrou-se de todas as vezes que o pai dormiu ao seu lado quando estava doente e das gargalhadas altas quando viam as pessoas subestimando a mulher.
  Ela estava sonolenta, enquanto apenas apertava o casaco ao redor de si. Todavia, sentiu o frio, porém a lembrança mantinha sua temperatura corporal agradável em sua cabeça. Entretanto, apenas sentiu ser levantada do chão.
   “Você pode se tornar alguém muito melhor do que eu sabia, coração." A voz de Howard soava, e a imagem de seu pai acariciando seus cabelos surgia. Talvez ela estivesse alucinando, porém se sentiu mais aquecida. Os dedos quentes estavam sobre sua testa, e o cheiro característico de grama fresca. Ela sabia quem era, reconhecia a colônia quando abriu os olhos e percebeu que estava na caminhonete que havia levado, enquanto Steve estava ao seu lado.
  — Por que fugiu?
  — Porque não queria te encarar — a voz dela saiu suave enquanto suspirava. — Eu queria ficar sozinha e não ser encarada como a irmã que se apaixonou pelo amigo do irmão.
  Steve percebeu o quão constrangida e desconfortável ela estava com a situação, notando o tremor em suas mãos.
  — Você podia ter mentido — sugeriu Rogers.
  Stark riu.
  — Todos aqueles traidores sabiam, e além disso, minha água estava batizada; nem se eu quisesse ia conseguir pronunciar uma mentira decente — murmurou ela em tom de descaso, enquanto respirava fundo. — Afinal, eu sempre fui ruim no amor, então eu não sei como lidar com as minhas emoções, e eu…
  Antes que ela pudesse falar mais alguma coisa, o rosto dela foi puxado, silenciando-a. Ela engoliu em seco pela repentina aproximação dele, e ele retirou folhas do cabelo dela com cuidado.
  — Se acalme, respire.
  Ela achava difícil fazer o que ele estava pedindo. Steve a encarava, enquanto o rosto pálido dela se tornava vermelho.
  — Por que dói?
  — Você gosta de outra — mencionou o óbvio, enquanto retirava a mão dele de seu rosto, mas a dele permaneceu sobre a sua. Ela percebeu que era tão constrangedor quanto o ato de encará-lo. — O que foi?
  Steve colou a testa na dela, enquanto ela pensou que fosse mais uma de suas alucinações.
  — Eu estou apaixonado por você, Stark, e estou perdido na imensidão dos seus olhos castanhos. Eu estou completamente louco por você, por cada pedaço seu. Eu gosto de você... — murmurou brincalhão, enquanto a mulher corava. — Posso te beijar?
  Ela apenas o encarou em expectativa. O beijo começou tímido e logo se tornou intenso. Steve sentiu o gosto amargo misturado a algo agridoce. A mulher se separou dele e o encarou confusa. Os olhos castanhos se fecharam e se abriram enquanto os azuis ainda a encaravam.
  — Não é um sonho.
  — Alucinações dizem isso — murmurou a mulher enquanto se ajeitava no banco e respirava fundo. — Como vou saber se amanhã você não vai sumir?
  — Não vai se livrar tão fácil assim de mim, Stark — ele respondeu enquanto dirigia. — Você pode confiar em mim. Então, você quer comer algo?
  %Elizabeth% Stark encarou os dedos enlaçados aos seus, ao mesmo tempo que tentava guardar aquela sensação em seu coração. Aquele calor era real? Ela mordeu o lábio inferior com força, tomou uma lufada de ar e respirou fundo.
  — Eu não sei.
  Sua voz soou baixa, enquanto Steve apenas os apertava.
  — Eu sou real, %Elizabeth%.
  Ele disse, puxando-a mais uma vez para um beijo, o mesmo beijo agridoce, enquanto os olhos azuis estavam fixos nos seus.
  — Eu irei te provar todos os dias que sou completamente louco por você.
  Enquanto a frase soou em sua cabeça, como uma lembrança distante.

Eu estava tentando voar, mas eu não poderia encontrar asas Mas você veio e conseguiu mudar tudo

  Steve estava lhe mostrando que ela podia voar.

Fim¹

  ¹Acontecimentos ocorrem no mesmo universo de Hear Me by Lysse.
  ²Spin-off de Noise by Lysse.
  ³Haverá continuação em outra Fanfic no futuro.

I
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