Counting Stars
Escrito por Meeg Lima | Revisado por Carol
Todos tinham a visão de um acampamento: pequenos chalés onde campistas lindos e amigáveis dividam o ambiente, atividades diárias e divertidas, instrutores legais e maravilhosamente gatos.
E a realidade não era nem perto disso. Pessoas rudes, chatos e ignorantes, cheias de si, iam desde os campistas até os diretores do acampamento, passando por instrutores e tias da cantina. Os chalés existiam, mas não eram para todos os campistas, era de uso exclusivo de sócios do Camp Fox Lacker ou para pessoas que estivessem dispostas a pagar caro por uma cama beliche em um quarto com um indivíduo estranho e esquisito. As atividades diárias eram tudo menos divertidas, correr entre pneus, escalar árvores, correr em volta do lago, vôlei, entre outras atividades faziam com que os adolescentes preferissem voltar a escola e ter apenas uma aula de educação física por semana.
E sobre os instrutores? Todos rabugentos e a maioria eram casados e já estavam na casa dos trinta e com filhos.
– Você vai adorar o acampamento! – a menina loira disse em seu tom de voz agudo. era empolgada e animada com qualquer coisa. A menina de 16 anos parecia ter saído de um filme de adolescente americano, tinha semelhanças com a Barbie – loira, olhos azuis, sorriso maníaco e tinha um guarda-roupa imenso – e também parecia com uma líder de torcida maníaca por atenção e por se melhor que todos. – As atividades são incríveis, os chalés lindos!
– Sério? – perguntou a morena que a seguia pelo tour no acampamento. Até onde a morena tinha visto nada ali parecia empolgante e incrível.
era nova no Camp Fox Lacker, seu primeiro dia era hoje e ela não parecia nenhum pouco fascinada pelo o que via. Foi para no acampamento pois viu o folhetim encima de sua mesa um dia, ficou um pouco encantada pelo slogan do lugar – Viva, seja livre.
era morena, mais baixa que , porém mais velha em alguns meses, logo também tinha 16 anos. Seus olhos verdes se movimentam inquietos e assustados com os novos padrões e pessoas que via, quando cruzados com os de outras pessoas institivamente eles miravam seus tênis.
– Não. – respondeu e começou a gargalhar. – Aqui é um saco, alguns chalés tem cheiro de chulé! – disse quando se recuperou dos risos.
– O nosso tem?
– Não, meu pai manda alguém vir limpar ele uma semana antes de eu vir pra cá.
As duas meninas caminhavam entre algumas instalações do acampamento, mas logo a frente já começava a surgir alguns chalés.
– A garota com quem você dividia o lugar, o que aconteceu com ela? – tinha ouvido algumas meninas falando de e de uma outra garota, diziam que a enlouqueceu. Que era maluca e sua amiga de quarto surtou e nunca mais apareceu no acampamento.
– Merydian? – a loira perguntou e se virou para a morena a analisando-a – Não sei o que houve. Porque a pergunta?
deu de ombros e voltou a mirar o chão.
analisou mais uma vez, seu sorriso se transformando em algo desconhecido por um segundo.
– Esse aqui é nosso chalé, o número 7. – a loira apontou para um dos chalés que estavam arrumados em linha reta, ele era simples e seguia o mesmo padrão dos outros, não tinha nada de especial.
deixou que a novata entrasse primeiro. se deparou com paredes de madeira escura, mas móveis brancos e uma decoração clean e moderna. Duas camas de solteiro estavam no meio do quarto, uma delas tinha acolchoados rosa e outro em um tom de azul clarinho. Um sofá cinza estava na frente das camas, nele havia almofadas de todas as cores e texturas, uma mesa de centro branca com algumas revistas empilhadas. Em uma das paredes havia um armário grandioso, ele era branco e tinha um enorme espelho no meio; na parede enfrente havia uma estante em forma de quadrados, nele havia livros e alguns sapatos, também haviam espaços em branco, presumiu que fosse para que ela colocasse alguma de suas coisas.
– Todos os chalés são assim? Não tem beliches? – perguntou assim que descarregou sua mochila encima do sofá.
– Não e não, e a sua cama é a rosa. – se apressou em dizer – Alguns pais pagam mais caro pela decoração, meu pai é engenheiro e minha mãe decoradora nas horas vagas, então eles quiseram pagar mais caro pelo meu conforto. Só eu e uma outra garota temos o chalé decorado fora do padrão.
estendeu o telefone celular para a menina, nele havia uma foto do outro chalé, ele era excêntrico e cheio de plumas e coisas fofas. Era exagerado e de mal gosto.
– Nossa. – foi tudo o que conseguiu dizer.
– Eu sei.
[...]
Já haviam estrelas no céu quando as duas meninas tornaram a sair e passear pelo acampamento.
– Você nunca namorou? Que louco! – exclamou.
As duas tinham conversado a tarde toda, tinham afinidades em comum e a conversa se estendeu bastante, o que resultou com as duas se conhecendo muito bem e criando uma intimidade para conversar sobre muitos assuntos pessoais.
– Mas por quê? Tipo, eu entendi que você é tímida, mas... Sei lá. Nunca surgiu ninguém que você quisesse? Seu pai não deixa?
– Não é tão fácil assim . – estava corada e tinha um sorriso meigo em seus lábios. era afobada e curiosa, gostou de ter uma amiga assim.
– Você tem medo de beijar, é isso? – a loira disse com simplicidade, como se tivesse encontrado o problema – Você não sabe beijar, é isso.
– Também, mas...
– Se você quiser eu posso te ajudar, eu não vou te beijar, claro, não sou dessas – se apressou em afirmar – Mas eu posso pedir para algum amigo te ensinar, tem o Kylie, ele é legal, vou ligar pra ele...
– ! – interveio – Respira e se acalma, você não vai ligar pra ninguém! Eu to bem assim, tá? Achei que já tínhamos conversado sobre eu nunca ter beijado ninguém e ser feliz assim! Vamos falar de outra coisa, ok?
assentiu e logo as duas estavam conversando sobre algumas atividades extras do acampamento.
– Hoje tem a fogueira, onde os novos membros se apresentam aos outros. Não é obrigado ir, mas você vai, né? – quis saber a loira.
– Não sei, eu meio que travo na frente dos outros, não consigo falar.
– É só você imaginar que eles não estão ali, fingir que só tá você e eu. Quando eu apresentava trabalho e travava eu fazia isso, imaginava que estava conversando com meu pai.
– Já tentei algo parecido e...
– ! – uma voz grave chamou a loira, as duas imediatamente se viraram em direção a voz. no mesmo momento em que reconheceu suspirou e deixou seu sorriso se transformar em uma careta de descontentamento.
– Hamilton. – cumprimentou de volta.
– Quem é sua amiga nova ? Já vai transforma-la em uma das suas seguidoras sem cérebro? – então o menino se virou para , dando alguns passos em sua direção – Sou Nash Grier.
– . – a morena murmurou.
Antes que Nash pudesse dizer algo novamente, puxou a amiga pela manga do casaco e se pôs a caminhar novamente. Nash a seguiu.
– Qual é , não vai me deixar convencer sua nova amiga de que você é louca?
– Vai embora Grier. – respondeu a menina. estava vermelha de raiva.
– Então, , você sabia que é a maluca do acampamento? Todo ano ela tem uma colega de quarto diferente, mas nenhuma fica por muito tempo. Elas sempre vão embora chamando de louca.
– GRIER! – a menina gritou e soltou a manga de – OU VOCÊ SAI DAQUI AGORA OU EU DEIXO ESSES SEUS LINDOS OLHOS AZUIS, ROXO!
– Até a fogueira . – se despediu da morena com um sorriso.
nada disse, ela ainda estava assustada com o que tinha ocorrido, tinha perdido a compostura e o sorriso para Nash. Aliás quem era Nash?
– Quem é ele? – perguntou a meia voz.
– Meu arqui-inimigo, Nash Grier. Ele me inferniza desde o dia em que entrei na mesma escola que ele. Sim, ele estuda na mesma escola que eu. E se só isso não é ruim, seu pai é sócio do meu.
[...]
Após o incidente, pediu um tempo sozinha, precisava se acalmar. foi caminhar perto do Lago, disse que depois encontrava com na fogueira.
conhecia Nash desde os 5 anos. Os dois eram melhores amigos, brincavam e passavam todos os fins de semana juntos. Eram inseparáveis e pareciam viver em um conto de fadas, quase nunca haviam briga entre eles. Até que os dois chegaram a adolescência.
Aos 10 anos, Nash e ainda eram melhores amigos e ainda brigavam pouco, Nash queria que estudasse na mesma escola que ele, pois assim poderiam passar mais tempo juntos e brincarem todos os dias, não iam precisar esperar chegar até sábado. Os pais dos dois acharam que isso seria bom para eles, que ficavam a semana inteira falando que não viam a hora de chegar sábado. Os pais de matricularam a menina na mesma escola de Nash, e quando o primeiro dia de aula chegou os dois estavam muitos animados. Grier apresentou aos amigos, que não gostaram dela – era a famosa época em que meninos tem horror a meninas, e vice e versa. acabou fazendo amigas que também repudiavam Nash. Quando a hora do recreio chegou, os dois acabaram se separando, indo cada um para uma mesa, ali foi a primeira vez que Nash riu de , que os dois brigaram por um motivo bobo e estragaram a amizade.
Tudo ocorreu por causa de um menino que dissera que tinha piolhos.
Então os anos foram passando e a implicância entre os dois foi crescendo, tomando proporções maiores. Nash chegou a grudar chiclete no cabelo de , rebateu arriando as calças do menino em sala. Grier chegou até a fingir ser pai da menina em um telefonema e terminou com o primeiro namorado de , duas vezes. Outra vez, após o baile de primavera – ano passado – ligou em anonimato para o pai de , informando que ela havia saído do baile com um cara mais velho e estava indo para a casa dele, para que ele tivesse seu prêmio por ter sido coroado o Rei da Primavera.
parou de responder a implicância de Nash quando ela mesma fingiu ser namorada do menino e disse que estava grávida dele para Lauren, a verdadeira namorada. Lauren e Nash namoravam há três anos, e terminaram há dois anos. Grier era louco pela menina e Lauren também. Porem a ideia da menina teve um pequeno erro, Lauren contou aos pais de Nash que estava gravida do menino. E os pais de Nash contaram aos pais de e uma imensa confusão aconteceu, o resultado foi um acampamento de verão para que ficasse um tempo longe de Nash e pensasse na burrada que fez.
Contudo, Nash descobriu qual era o acampamento e conseguiu se matricular nele, seu plano era se vingar da ex-melhor amiga. O plano, de humilha-la perante todos, estava em andamento a dois anos. Dois anos que os dois frequentavam o mesmo acampamento e brigavam todos os 365 dias do ano.
Os dois tentavam se superar nas atividades do acampamento assim como tentavam ter as melhores notas da sala, queriam provar ao outro quem era o superior e quem era o inferior. Quando não estavam competindo, estavam se alfinetando ou pregando peças uns nos outros. Mesmo que tentasse se mostrar superior e não responder Grier, ela acabava fazendo algo, ameaçava ele ou apenas respondia com um tapa.
tentava se mostrar superior agindo como madura, mostrando que era melhor nas atividades, nas provas, em todas suas escolhas. Nash tentava mostrar que era mais inteligente, que conseguia mais amigos que a menina, que ganhava mais atenção. Que era sagaz.
Era uma briga sem fim e sem sentido.
cansou de caminhar e resolveu ir se aprontar para a fogueira que já havia começado, ela agora tinha , deveria dar forças à nova amiga.
[...]
As apresentações na fogueira já haviam chegado ao fim, todos conversavam com os novatos, riam alto em suas rodinhas. Todos menos .
não havia se apresentado, tinha sentado em um dos troncos mais distantes, vez ou outra um instrutor olhava em sua direção, mas a menina não se mexeu nenhuma das vezes. Então as apresentações acabaram e não tinha nem trocado de posição. Tudo o que conseguia pensar era onde estava ? Ela não deveria estar ali para encorajar a menina?
A morena suspirou e se levantou, ia voltar para o chalé, ninguém a notava ali então não faria falta.
Quando se pôs a caminhar de volta ao chalé uma mão quente e grande segurou seu ombro, quando pensou em gritar ouviu uma voz simpática dizer oi, pensou em ser mais um dos instrutores com sorrisos monstruosos. Entretanto, quando se virou pronta para dizer que estava apenas cansada se deparou com um menino um pouco mais alto e sorridente.
– Sou o Cameron. – a mão que estava no ombro se estendeu a sua frente.
– . – a menina apertou a mão dele.
Os dois se colocaram a andar sem rumo.
– Vi que você não se apresentou, mesmo você sendo nova. – observou – Tímida, então?
Ele brincou e apenas assentiu, completamente distraída e encantada com a quantidade e estrelas que o céu ali tinha.
– Não vemos o céu assim na cidade por causa da quantidade de luzes que temos, quem diria que nossa luz ofusca as estrelas?
Cameron era divertido, observou.
– Eu sei. Toda vez que vejo o céu assim é tão...
– Tão lindo, eu sei. – completou e a menina sorriu.
Cameron se viu observando a menina. Ela era tão simples. Cabelos escuros, olhos verdes, sorriso meigo e desligada das coisas à sua volta, ela dava mais valor ao céu estrelado do que ao sorriso do menino que tentava canta-la.
– Alguém já te mostrou o acampamento? – ele perguntou.
Respondeu com um aceno de cabeça rápido, embora Cameron aparentasse ser simpático, ainda era um pouco intimidador para . Cameron era apenas um pouco mais alto que a menina, tinha cabelos castanhos arrumado em um topete e lábios que lembravam um pouco Angelina Jolie. Ela corou ao perceber que Cameron sorriu quando notou que ela observava os lábios dele.
– Ah, quem apresentou você ao nosso pequeno Inferno de verão? – ele tentou descontrair ao fazer um trocadilho idiota, deu um sorriso ao chão.
– .
– ? ? – engasgou ao dizer o nome da menina, estava bastante descrente de que a morena sua frente fosse a mais nova amiga da Barbie .
observou o menino, que não mais sorria, mas estampava uma careta de espanto até engraçada.
– que bom que te achei, ainda não... – apareceu atrás de Cameron, ela sorria como se não existisse Nash Grier no mundo. Sorriso que durou até Cameron se virar encarar a loira – O que está fazendo aqui Dallas? Vá atrás do seu dono e deixe a menina em paz.
Alguma coisa revirou dentro de , a menina não gostou do tom de voz que usou com o amigo que acabara de fazer. Foi muito grosseiro da parte da loira.
– Loira TPM ataca novamente. – sussurrou o menino, apenas ouviu e achou aquilo engraçado – , eu estava apenas conversando com a menina, não estava infernizando a vida dela como você vai fazer. – defendeu-se.
– Anda dá o fora. – apontou para trás, onde ainda ocorria a fogueira.
Dallas, ou Cameron, olhou para e lhe deu um sorriso, nada disse e foi para a fogueira sem olhar para trás.
– Depois falamos sobre isso, vamos aproveitar o resto da fogueira. – segurou a menina pelo pulso e guiou ela de volta ao amontoado de pessoas.
[...]
Durante toda a fogueira se pegou pensando em como Cameron parecia divertido. Legal demais para ser amigo de Nash Grier.
Assim que as duas se sentaram em um tronco, começou a procurar com os olhos Cameron entre as pessoas do local e o achou sentado entre Nash e outro um menino. Nash e Cameron pareciam se divertir juntos, como se fossem melhores amigos – o que claramente eram. murchou ao perceber a amizade dos dois, ela não tinha gostado de saber das coisas que ele fez com a nova amiga dela.
Cameron por outro lado não via muitos problemas em ser amiga de , na verdade o único problema era .
Dallas perdeu as contas de quantas vezes se pegou olhando e analisando a menina, ela era como um desenho preferido, ele não cansava de assisti-la queimar o marshmallow e olhar em volta para ver se alguém notou – e quando via Cameron a observando olhava para os pés.
Após a cantoria envolta do fogo todos foram para seus dormitórios.
O Sol não demorou a nascer, a primeira atividade seria após o café-da-manhã, por volta das 10h, corrida de saco, não era obrigatória, mas tinha recompensa – um dia sem corrida envolta do lago.
– Você não precisa ir, , mas poderia apenas me assistir ganhar do Nash. – disse enquanto a amiga trançava seus cabelos – Você precisa ver a cara que ele faz quando eu ganho dele.
– Estou cansada , assim que você sair eu volto para cama e só saio dela quando for o almoço. – respondeu quando finalizava o penteado.
– Tudo bem, você ainda terá mais 11 dias para me ver vencer Nash. – riu – Obrigada , ficou lindo!
abraçou a amiga e saiu do chalé, deitou novamente na cama, contudo não ficou lá por muito tempo, seus pés estranhamente coçavam. Sentia uma estranha necessidade de andar e em menos de trinta minutos tinha o cabelo preso em um rabo de cavalo e vestia um short jeans e um casaco por cima do pijama.
O acampamento parecia calmo e vazio, ou todos estavam assistindo a corrida de sacos ou tinham voltado as suas camas. seguiu as placas até onde era indicado a sala de música.
[...]
“Old, but I'm not that old. Young, but I'm not that bold. I don't think the world is sold, I'm just doing what we're told”
– O que está fazendo aqui?
se sobressaltou, fora pega no flagra. Quando abriu os olhos se deparou com Cameron na porta do auditório, e outro menino atrás dele – o mesmo que tocou violão na fogueira e que estava sentado ao lado de Cameron na mesma, tinha um violão em suas costas. Ela olhou assustada para os dois que entraram.
– Essa é a . – explicou Cameron e o menino que estava com ele assentiu, como se aquilo fosse uma explicação e tanto.
– Shawn. – se apresentou e acenou para a menina.
– Vai me dizer o que está fazendo aqui? – Cameron voltou a perguntar.
não respondeu, apenas corou violentamente – quase ficando roxa – e saiu correndo do Auditório de Música.
[...]
Seis dias se passaram desde que Cameron e Shawn pegaram cantando.
Cameron passou os seis dias observando a menina, não participava das atividades extras, estava sempre seguindo por todos os lados e sorrindo quando a menina contava dos seus feitos sobre Nash.
não chamava a atenção pra si, mesmo que ela quem ganhasse em alguma atividade, todo o mérito ia para .
quem falava e tomava as atitudes por , era como se a menina não tivesse voz. Cameron se estressava com isso, era muito mais do que uma seguidora de , do que uma sombra, era incrível.
Os seis dias que se passaram Cameron seguia a menina por todos os cantos – apenas quando estava em uma de suas competições particulares com Nash – e tentava se comunicar com ela, conversar e descobrir mais sobre . não o achava intrometido, Cameron era divertido e curioso como , ou apenas enxerido como Nash era. Grier também tinha sondado a menina e feito perguntas, porém não era tão legal quanto ou Dallas.
– Então, você está me dizendo que quer que eu cante com você? – perguntou descrente.
– Comigo não, com o Shawn, ele está meio gripado, não consegue alcançar algumas notas e está perdendo o fôlego rápido. – Cameron respondeu enquanto os dois empilhavam cartas de baralho.
Cameron tinha seguido a menina até as mesas de piquenique próximas ao lago, invadiu seu momento solitário e a intimou a jogar 21 com ele, depois de algumas rodadas e muitos risos resolveram que iam tentar montar um castelo de cartas. Entre as tentativas, Cameron resolveu propor algo a , algo que ele imaginou que fosse ajudar a amiga com sua timidez, algo que não levasse o crédito, que ela cantasse. Porque não? De todas as vezes que espiou no auditório, viu que tinha uma voz linda e tinha presença de palco. Cameron só precisou inventar que Shawn estava doente e precisava de ajuda.
– Dá no mesmo, eu não vou cantar, deve ter mil outras garotas para fazerem um dueto com Shawn. Ou até um garoto.
– Mas nenhuma com a sua voz.
– Não adianta, eu não vou cantar.
Ela empilhou mais uma carta, Cameron a observava, como ela podia ser tão cabeça dura? Era só cantar.
– Nem para ajudar um amigo? – então a menina acabou derrubando o castelo e olhou para o garoto a sua frente – Você pode fechar os olhos e imaginar que não tem ninguém, que está sozinha no auditório.
olhou nos olhos castanhos de Cameron, ela queria cantar com Shawn, com uma amigo, mas algo a amedrontava só de se imaginar cantando para todos do acampamento. Era completamente apavorante cantar na frente dos outros, ela quase podia ouvir os julgamentos e as risadas.
– Não. – levantou e foi atrás de .
[...]
– O Dallas queria que você cantasse com o Shawn?
perguntou ao mesmo tempo em que tacava uma pedrinha no lago, após os pulos que a pedra deu na superfície escura do lago, se virou para a morena que estava sentada mais atrás, perto de uma árvore. só conseguia pensar que seria bom que cantasse na frente dos outros, era uma excelente cantora – pelo menos no banheiro ela era.
– Porque você recusou?
– Talvez porque seja apavorante cantar na frente de um monte de desconhecido? – respondeu como se não notasse que a resposta era óbvia.
– Eu até poderia pensar que há uma pegadinha do Grier nesse convite do Dallas, mas Shawn é um bom garoto não deixaria que usassem seu nome em uma brincadeira estupida, então não vejo como algo possa dar errado. Você canta bem, Shawn também, não há como dar errado.
– , eu não vou cantar na frente de ninguém.
– Vai deixar uma boa oportunidade de esfregar seu talento na cara dos outros passar? – perguntou enquanto se sentava ao lado da morena – Você cantando na frente de alguém é um passo para enfrentar sua timidez, vai deixar passar?
– Vou. – respondeu e se deitou, queria observar as estrelas e esquecer-se do mundo por um minuto, talvez pela eternidade.
[...]
– Não acredito que estou pedindo ajuda a você.
– Quem diria que Barbie estaria no meu sofá pedindo ajuda. – Nash Grier satirizou a menina a sua frente.
– Cale a boca Grier, eu não vim falar com você, vim para falar com o Dallas. E estou aqui apenas porque quero ajudar uma amiga. – jogou na cara do garoto, que encolheu os ombros.
– Pode falar , o que você quer. – Cameron interveio na briga.
– Você falou ontem com a que Shawn está doente e que precisava de ajuda, eu falei com ele e ele te desmentiu. – Cameron fez menção de se defender, porem continuou – Mas disse que cantaria com se aparecesse uma oportunidade. Oportunidade essa que eu e você vamos criar.
– Vamos?
– Sim, vamos. Hoje eu levarei até o auditório tocarei piano e pedirei que ela cante para mim, tudo o que você tem que fazer é levar Shawn pelas portas dos fundos e entregar um microfone a ele. não vai fugir e deixar um amigo fazer papel de bobo, então ela continuará a cantar.
– Duas coisas, um: quem te garante que vai cantar e, dois: porque eu vejo se isso der errado a culpa vai cair só em cima de mim? – Dallas perguntou – Isso não é um filme da Disney, não é Camp Rock, as coisas não funcionam assim.
– Só leve Shawn ao auditório às 10h de amanhã, do restou eu cuido. – a menina se dirigiu a porta – E claro que isso não é Camp Rock, ou eu seria a loirinha do mal.
– Mas você é! – Nash gritou quando a loira bateu a porta.
[...]
– Eu não vou cantar , já disse.
– Você vai. – parou em frente ao piano – E sabe por quê? Porque sou sua amiga e quero te ajudar, se você cantar na minha frente já é um passo que você dá contra sua timidez.
se sentou no piano e começou a tocar. suspirou e fechou os olhos. “Hora de encarar seu monstro”, pensou. Respirou fundo e segurou o microfone entre as duas mãos.
“Lately, I've been, I've been losing sleep, dreaming about the things that we could be.” – sua voz preencheu o ambiente, mas antes que continuasse a música, outra voz o fez. abriu os olhos.
“But, baby, I've been, I've been praying hard.”
Era Shawn. sorriu e continuou a cantar com o menino.
“Said, no more counting dollars. We'll be counting stars, yeah, we'll be counting stars.”
viu Cameron sentado no fim do teatro, Nash Grier estava ao seu lado e não parecia tão prepotente como sempre parecia. Era a primeira vez que tinha certeza que tinha amigos. A primeira vez que deixava alguém ouvi-la cantar.
E era a primeira vez em todo acampamento que estava no mesmo ambiente e não brigava com Nash.
“Take that money, watch it burn. Sing in the river. The lessons are learnt.”
FIM
A Timidez não é uma doença, não é nenhuma deficiência, nem transtorno mental, é apenas um comportamento, uma autodefesa humana que às vezes nos impede de viver aventuras. Uma das formas de “vencer” a timidez é valorizando algo de bom que você tem. E outra forma é de ter amigos que te ajudem com esse probleminha.
A personagem de Luna, a Barbie Dawn, pode não aparentar em muitos momentos, mas ela apenas queria que a personagem principal passasse por cima da sua timidez, da sua exclusão, que derrubasse sua própria barreira. Assim como ocorre com Shawn e Nash no final. E com Cameron desde o início.
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