City Of Angels
Letícia de Freitas Carvalho | Revisada por Luh
Música: 30 Seconds To Mars - City Of Angels
Jared Leto’s POV
“Comprei meu destino, diretamente do inferno, mas não posso dizer que na minha vida só encontrei pessoas ruins. Quanto tinha dezessete anos, minha vida era cheia de brigas, de discussões, de “visitas” a cadeias e a única coisa que me acalmava era a música... Eu era, com toda a certeza, o encrenqueiro de Los Angeles.
Ao passar pelas ruas, todos me encaravam com medo. Isso era bom e ruim ao mesmo tempo. Até os meus amigos, tinham certo medo de mim. Podia ser eu mesmo quando estava trancado no porão de minha casa, pois lá era apenas um fantasma fugindo do medo. Minha infância não foi nada fácil, acho que era por isso que eu era tão durão assim.
Comecei a trabalhar logo cedo para uma mãe, um irmão e eu. Estava e estarei ao lado deles sempre que possível. Podia trabalhar às vezes, mas sempre estava procurando uma briga.
- Jared! – Shannon me chamou e fui correndo atende-lo.
- Fala, mano! – Respondi.
- Sabe aquele cara que é o ex-namorado da sua ex-ficante? – Ele perguntou.
- Sim! O que aquele babaca quer? – Perguntei.
- Bem, ele remarcou aquela briga, mano. Terça-feira, às oito e meia da noite, no lugar de sempre. Mas já é a terceira vez, acho que realmente não vale a pena. – Shannon disse.
- Será a última vez... Prometo, mano. – Sorri e ele me deu um abraço.
Sabe, é uma fria namorar uma menina gostosa que só pensa em sexo e que já teve um namorado gigante. Mas quem sou eu para estar ficando com medo?! Eu sou o brigão, o encrenqueiro de Los Angeles. Não tinha nada a temer. Seria só mais uma briguinha e com toda a certeza sairia apenas com alguns arranhões.
Não estarei brigando por uma mulher, acho que nunca farei isso. Estou brigando pra ele ver com quem ele está lidando. Para ele ver que ele não pode ameaçar minha família. Por eles sim, por eles eu brigo.
- Eu vou te acompanhar. – Shannon disse.
- Obrigado, mano. Vou precisar da sua companhia. – Disse.
- E aí, já tá pensando em algum golpe mortal? – Ele riu e se jogou no sofá empoeirado e podre da sala.
- Não vou matar ele. Acho melhor não! – Ri. – Acho que vou praticar um pouco naquele saco de areia do porão.
- É uma boa! – Ele sorriu.
- Você está muito sorridente. Qual é a mina da vez? – Perguntei.
- Sabe aquela mina que eu tava pegando? – Confirmei com a cabeça. – A gente, você sabe... Foi a noite mais incrível do mundo.
- MEU IRMÃO NÃO É MAIS VIRGEM? – Gritei. – SEU POTENTE! SEU GOSTOSO! PARABÉNS! – O abracei forte. – Já tava passando da hora, né?
- Para, Jared! Tá me deixando envergonhado. – Ele jogou uma almofada em mim.
- Ah, para de ser um pouquinho gay, né! Você pegou a mina mais gata do colégio. – Sorri.
- Lógico que não! A mina mais gata do colégio é aquela da sua sala. A nerd. Debaixo daquelas roupas compridas, ai, ai, esconde um corpão! – Ele mordeu os lábios.
- ? Ela não passa de uma nerd que me odeia. E como você sabe que ela tem, bem, um corpão? – Perguntei curioso.
- Esses tempos atrás, ela estava andando no centro de Los Angeles com um short e uma blusa bem ousada, não podia deixar de olhar, né? – Ele sorriu.
- Nossa! Tô boquiaberto com essa revelação. Não acredito que ela seja gostosa. O rosto dela é lindo, mas o corpo... Não, meu querido irmão. – Disse, indo em direção ao porão.
- Um dia você irá acreditar em minhas palavras... – Ele disse, mas sua voz já estava distante.
Porão, saco de areia, luvas, chutes, socos, tapas, música, papel, saco de areia, luvas, chutes, socos, tapas, música. Isso resume as noites que anteciparam a briga.
- Você tá pronto? – Meu irmão perguntou.
- Sempre. – Sorri.
- Tô com uma sensação ruim. Mas você vai conseguir. Vamos então? – Ele perguntou e eu afirmei com a cabeça.
Saímos de casa e, como havia dito que iria à casa de um amigo, minha mãe não interviu. Eu estava com muita raiva desse cara, e muito preparado. Mas havia uma verdade, eu estava com certo medo dele.
Faltavam uns dez minutos para oito e meia quando chegamos ao local. Era uma estrada não muito movimentada. Nos encostamos em uma cerca de arame farpado e aguardamos. Já havia passado das nove horas da noite, quando Shannon disse:
- Jared, esse cara não vai vir. Vamos embora para casa.
- Shannon, eu vou ficar aqui até eles aparecerem. Se for preciso, irei apodrecer aqui. – Disse confiante. - Pode ir. Você tem prova amanhã! Vai lá!
- Acaba que terei que ir! Fica bem, mano! – Ele disse me dando um abraço.
Vi a silhueta de Shannon ao longe. Minha fortaleza tinha ido embora. Agora o melhor era enfrentar tudo de frente.
- Você não devia ter pegado a Cheryl! – Uma voz bem atrás de mim disse, e eu levei um soco nas costelas.
Tentei me virar, mas outra pessoa me aguardava na frente. Levo socos na cara e minha cabeça começa a latejar. Enquanto isso, levo outros socos e chutes nas minhas costas. Consigo fazer alguns golpes, mas apenas um acertou em cheio o garoto na minha frente que caiu com tudo no chão.
- Nunca mexa com Richard e nem com suas namoradas. Esse já tinha sido um aviso, não?!
Richard se posiciona na minha frente e ergue os punhos na frente do rosto em posição de ataque e eu me preparo para o outro soco. O sangue escorre pela minha testa, atrapalhando-me a enxergar. A dor em minhas costelas indica que estão, muito provavelmente, quebradas. Estou arquejando, as pernas tremendo, mal consigo me manter em pé. Mas não quero desistir, não agora e não aqui. Atiro-me para frente tentando acertá-lo pela esquerda, onde sei que há um ponto cego. Minha falta de equilíbrio, porém, não me permite sequer aproximar-me o bastante para um golpe, pois minhas pernas não aguentam mais meu peso e me vejo caindo, de encontro ao chão e a cerca de arame farpado, sem esperança de me levantar novamente.
- Vamos embora, Bob. Eu disse, esse aí, é um fracote! – Richard saiu gargalhando.
E pela primeira vez perdi uma briga e me vejo perdido na cidade dos anjos. A terra que parecia que eu tinha desenhado, que eu tinha criado. Por que eu me encontrei nos alpes queimados, na terra de um bilhão de luzes? Por que não poderia ter me encontrado, ter construído minha vida na Cidade Luz?
Ao longe, vejo uma silhueta vindo em minha direção, com algumas coisas na mão. Uma mulher.
- Mais um morto?! Pra que eu vim morar nesse fim de mundo. – A mulher, de voz conhecida, disse. – Ei, tá vivo? – Ela me balançou.
- Ainda sim! – Disse.
- Jared? – Ela perguntou.
- Sim! Quem é você? - Perguntei assustado. Afinal, ela sabia meu nome.
- Pega esse casaco. – Ela me entregou e eu o vesti com dificuldade. – Vem! Vou te ajudar a se levantar. – E assim ela fez.
Com uma fresta de luz, pude perceber que sim, ela tinha um corpo muito bonito, era sexy, e pela blusa, percebi que era cheirosa. Ela colocou meus braços ao redor dela e com dificuldade caminhamos em silêncio pelas ruas. Por ruas feitas de desejo.
- Senta aí. – Ela me colocou em um banco, na varanda. – Já volto.
Em questão de segundos, sua casa já estava acesa e ela estava voltando. Ao olhar para seu rosto, não acreditei no que vi.
- O que foi, Jared? Você tá bem? – Ela perguntou.
- ... É você?! – Perguntei.
- Claro! – Ela deu um sorriso amarelo. – Vem, vamos entrar. – Ela me deu a mão e eu a acompanhei.
Sua casa era simples, mas aconchegante.
- O que aconteceu? – Ela perguntou fazendo curativos em mim.
Contei toda a história para ela, e ela sorriu.
- Já não era de se esperar que um dia você fosse quebrar a cara, não é? O valentão de Los Angeles apanhou.
- Apanhei e fiquei machucado demais, né? Acho que recebi o troco...
- E aí, quantas vezes já quebrou a cara? – Ela sorriu. – Bem, eu já quebrei algumas vezes, mas nada de impressionante.
- Bem, acho que apenas duas vezes, incluindo esta. – Disse, sorrindo amarelo.
- Quando foi a outra? – Ela perguntou.
- Nesse momento. Eu não pensei que você pudesse ser tão linda e que na cidade dos anjos eu pudesse achar meu anjo. – Disse.
Nos aproximamos e eu não pude negar de dar um beijo nela. Nossas línguas dançavam, elas se desejavam, e passamos a noite, assim... Nos amando.
- É, esse não foi o fim. Nós passamos o resto dos dias juntos, grudadinhos um no outro, meu querido neto. – Disse sorrindo.
- Essa história é tão bela, vovô. – meu neto sorriu.
- Eu sei. E sabe, depois disso eu parei de aprontar, eu parei de ser bobo. O amor muda as pessoas, meu querido. Posso dizer que virei um nerd. – ri.
- Um belo de um nerd. - disse, sorrindo da cozinha.
- Será que se eu for para Los Angeles, acharei meu anjo? - Bem, meu neto, perguntou.
- Se não for lá, ele estará te esperando. – o abracei.
- Eu te amo! – chegou com chocolates quentes e me deu um beijo. O mesmo beijo de antigamente.
- E eu amo mais, meu anjo. – sorri.

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