
Chance
Escrito por Laura Nely | Revisado por Any
20 anos atrás
’s POV
- Não adianta, DJ, você não vai ser um guitarrista famoso! - disse rindo abertamente, eu sabia o quanto ele odiava que eu dissesse isso. Ele me olhou com uma cara irritada e revirou os olhos, mesmo sabendo que ele se desanimava quando eu não o apoiava, mas eu tinha medo que ele conseguisse de verdade virar um "rockstar" e eu o perdesse.
- E você não vai virar uma médica, - Falou virando as costas e caminhando pra dentro do campo de milho. Eu me sentei na soleira da porta o olhando ir para casa. Éramos vizinhos divididos por um imenso campo de milho, por toda minha infância eu o vi tocar guitarra, tinha dias que ele tocava até às 17 horas, quase não me restava tempo com ele, o que me deixava triste. Eu ouvira a mãe dele comentar que ele iria se mudar pra casa do pai por um ano. E se ele gostasse de lá? E se ele se apaixonasse por alguém? Balancei a cabeça na tentativa inútil de afastar os pensamentos e entrei em casa, eu era tão apaixonada por ele e ele me via como uma amiga, apenas uma amiga.
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O dia chegou, eu tentei não pensar nele nesse último mês, mas era uma tarefa extremamente difícil. Ele iria embora hoje. Forcei meus olhos a conterem as lágrimas, eu acabara de acordar e assim que essa lembrança me veio à cabeça as lágrimas vieram ao meu rosto. Nossa, o que rockstars iriam pensar disso? Sorri abobalhada olhando para os pósteres colados na parede, me levantei e tomei meu banho, desci para o café depois e minha mãe sabia que eu passaria o dia com o Daren, então peguei algumas torradas e saí apressada pelo campo de milho sem me preocupar em avisar. Quando finalmente cheguei ao outro lado o encontrei me esperando sentado na frente da casa, com uma jarra de suco do seu lado. Eu sorri e me sentei do seu lado desembrulhando as torradas que eu trouxera, ficámos sentados ali conversando e comendo por algum tempo. Era rotineiro dos nossos sábados tomarmos café da manhã juntos e depois irmos para o celeiro, onde Daren montara um improvisado estúdio. Depois que ele levou a jarra e os copos para dentro caminhámos calmamente até o celeiro, eu me sentei na grande toalha estendida no chão enquanto ele pegava a guitarra, era tão emocionante o ver tocar, sempre que nos encontrávamos ali aos sábados ele tocava várias músicas do Guns N’ Roses, que era de longe nossa banda preferida. Sweet Child O’ Mine, Rocket Queen, Welcome to the Jungle, Mr. Brownstone, várias músicas se passaram até chegar em My Michelle música que ele tocava especialmente para mim, apesar que boa parte não tem nada a ver. Mas ele colocou na cabeça que seria a minha música então eu aceitei, e só porque toda vez que ele cantava ele trocava Michelle por . Era uma sensação muito boa ouvir ele cantar My , era bom ouvir ele me chamar de sua.
”Well, well, well my , well, well, well you never can tell, well, well, well my ... Everyone needs love you know that it's true, someday you'll find someone that'll fall in love with you but oh the time it takes when you're all alone. Someday you'll find someone that you can call your own but till then ya better...”
Muito bem, minha , muito bem, você nunca pode contar, muito bem, minha ... Todos precisam de amor você sabe que é verdade, algum dia você encontrará alguém que se apaixonará por você, mas agora quando você está sozinha. Algum dia você encontrará alguém que você possa chamar de seu, mas até então, é melhor você...
Eu senti as lágrimas rolarem pelo meu rosto enquanto ele tocava, lágrimas que eu guardei teimosamente por todo esse mês. Dobrei os joelhos enterrando a cabeça entre eles, escutei os acordes se cessarem e senti os braços de DJ me abraçarem.
- Que foi, ? O que eu fiz? - perguntou ele enquanto me abraçava, eu soltei uma risada abafada pelos soluços chorosos.
- Por que você tem que ir, DJ? - perguntei levantando os olhos para encontrar com os dele, quando nossos olhos se encontraram pude ver a angústia em seu olhar, ele não queria ir.
- Eu não tenho escolha, você sabe, . Por favor, não torne isso ainda mais difícil pra mim... - ele disse afagando meus cabelos. Aninhei minha cabeça no seu ombro e engoli o choro, ele segurou meu rosto entre as mãos e me fez voltar a olhar em seus olhos - É só um ano, a gente pode superar isso! Você é minha melhor amiga e não vai ser um ano que vai mudar isso â- mesmo que isso fosse um consolo senti uma vontade desesperadora de chorar, mas me controlei, não iria ser uma amiga ingrata.
- Você promete que vamos trocar cartas? - perguntei rindo.
- Prometo! - disse ele me dando um beijo na testa.
DJ’s POV
Realmente um ano parecia pouco antes de me mudar, mas assim que me mudei o tempo parecia se arrastar lentamente, a saudade batia de uma forma desesperadamente irritante. Já iria fazer três meses que eu me mudara e as poucas cartas que trocava com não eram suficientes para matar a saudade que eu sentia. Por mais que eu me desse bem por aqui, afinal aqui era como eu sempre quis, rodeado por bandas de rock, sempre tendo oportunidade para shows, mas mesmo a oportunidade de conhecer alguém não compensava o fato dessa dorzinha irritante no meu peito estar latejando cada vez mais forte. O que eu queria, afinal?
e eu éramos apenas bons amigos, sempre cuidando um do outro. Eu não podia simplesmente me apaixonar por ela, isso mudaria toda nossa amizade, as coisas ficariam estranhas entre a gente e o que eu menos queria era ser um daqueles amigos apaixonados que ficam uma vez, não dá certo e toda a amizade se desmorona! Eu não me permitiria gostar dela e ponto final.
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A quem eu queria enganar? Dez meses longe dela e eu estava começando a enlouquecer! Por mais que eu negasse os meus sentimentos, eu sabia que eles estavam ali e não havia nada que eu pudesse fazer.
Eram quase três horas da manhã, eu estava acordado, bebendo. Havia uma festa acontecendo, eu perdi as contas de quantos copos eu já havia tomado, a música era alta e rock, claro. Consegui penosamente achar o caminho para meu quarto e me trancar dentro dele. As cartas de estavam jogadas pela mesa, eu me sentei e comecei a lê-las, senti uma lágrima escorrer pelo meu rosto. Ri de mim mesmo: estava sentado, bêbado e lendo cartas da garota que amo e chorando. Era uma cena cómica.
Lá fora começou a tocar Patience - Guns n’ Roses, parecia a música perfeita pra esse momento. Procurei um papel em branco e a caneta e comecei a escrever a letra dela.
Shed a tear 'cause I'm missing you. I'm still alright to smile, girl, I think about you every day now… Was a time when I wasn't sure, but you set my mind at easy there is no doubt you're in my heart now! Said, woman, take it slow and it'll work itself out fine.
All we need is just a little patience… Said, sugar, make it slow and we'll come together fine, all we need is just a little patience (Patience).
I sit here on the stairs 'cause I'd rather be alone… If I can't have you right now I'll wait, dear. Sometimes I get so tense, but I can't speed up the time, but you know, love, there's one more thing to consider. Said, woman, take it slow and things will be just fine.
You and I'll just use a little patience. Said, sugar, take the time 'cause the lights are shining bright you and I've got what it takes to make it.
We won't fake it, oh, I'll never break it 'cause I can't take it. Little patience, yeah, need a little patience, yeah, just a little patience, yeah, some more patience, yeah.
I've been walking the streets at night just trying to get it right (Need some patience, yeah) It's hard to see with so many around you know, I don't like being stuck in the crowd (Could use some patience, yeah) and the streets don't change but, baby, the names I ain't got time for the game (Gotta have some patience, yeah) 'cause I need you, yeah… Yeah, but I need you (All it takes is patience, yeah) oh, I need you (Just a little patience) oh, I need you (Is all you need) oh, this time.
Derramei uma lágrima, porque eu sinto sua falta eu continuo bem para sorrir, garota, eu penso em você todo dia agora. Houve um tempo em que eu não tinha certeza
Mas você acalmou minha mente não há dúvida, você está em meu coração agora!
Eu disse: mulher vá devagar e tudo vai ficar certo tudo que precisamos é de um pouco de paciência. Eu disse: docinho pegue leve e vamos ficar bem juntos tudo que precisamos é de um pouco de paciência (Paciência)
Eu sentei aqui nas escadas, pois eu prefiro ficar sozinho se eu não posso te ter agora, eu esperarei, querida. Às vezes eu fico tão tenso, mas eu não posso apressar o tempo e você sabe amor, existem mais coisas a se considerar.
Eu disse: mulher vá devagar as coisas vão ficar bem tudo que precisamos é de um pouco de paciência. Eu disse: docinho, não tenha pressa, pois as luzes continuam brilhando intensamente eu e você temos o que é preciso para conseguir...
Nós não falharemos, nunca vou arruinar isso, não posso fazê-lo!
Um pouco de paciência, Sim precisamos de um pouco de paciência, Sim só um pouco de paciência, Sim mais um pouco de paciência, Sim.
Eu estive caminhando nas ruas à noite apenas tentando ter certeza (Precisamos apenas de paciência, sim) é difícil ver com tantos por perto... Você sabe que eu não gosto de ficar preso na multidão. (Então tenha um pouco de paciência, sim).
As ruas não mudam, querida, apenas os nomes e eu não tenho tempo pra joguinhos (Terei um pouco de paciência, sim) porque eu preciso de você, sim
Sim, mas eu preciso de você (Tenha toda paciência, sim) oh, eu preciso de você (Só um pouco de paciência) oh, eu preciso de você (Você é tudo que preciso) oh, todo esse tempo.
Quando terminei reli a letra algumas vezes, não tinha como se enquadrar mais nos meus sentimentos, respirei fundo algumas vezes e no mesmo papel continuei escrevendo uma pequena nota para .
Eu escutei essa música e percebi o quanto ela descreve como eu me sinto agora... Paciência, apenas um pouco de paciência, tempo, apenas mais alguns meses. Eu te amo, . Sinto tua falta desesperadamente. DJ.
Enviei a carta no dia seguinte e recebi a resposta de alguns dias depois, quando vi o pequeno envelope com a letra caprichada endereçando-o a mim eu senti um arrepio percorrer o meu corpo, reuni toda a coragem existente em mim e abri o envelope. Dentro tinha um pequeno bilhete, senti uma onda de frustração, eu esperei dias e mais dias por um pequeno bilhete?
Eu sinto sua falta desesperadamente, mas... Isso é como se sente agora, continuará sendo quando você voltar? Eu te amo, sempre te amei e sempre vou amar.
Sempre sua, .
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O tempo passou, finalmente era hora de descobrir a resposta para pergunta de , eu saberia no momento em que a visse. A viagem foi a parte mais torturante, parecia não acabar nunca, quando finalmente pude ver os campos de milho pedi para que o motorista parasse. Desci do ônibus pegando minha mochila. Finalmente em casa.
Entrei em casa jogando a mochila na sala, minha mãe estava eufórica, gastaria mais tempo do que pensei para ver a , mas valeria a pena. Depois de algumas horas, quando minha mãe finalmente me deixou sair, fui direto para casa da .
Quando cheguei lá ela não estava, sua mãe me avisou que chegaria logo, então me sentei na soleira da porta e a esperei... Depois de alguns minutos a vi chegar, acompanhada de Christopher, senti meu estômago se revirar, eles se despediram com um beijo no rosto e ele continuou reto, enquanto ela virou para o caminho de casa...
Ela caminhava olhando para o chão então ela não me vira ainda. Desci silenciosamente os degraus e fiquei do lado deles um pouco escondido pelas sombras dos pilares da varanda, como imaginei, ela começou a subir os degraus distraidamente.
- É feio não cumprimentar as pessoas, sabia ? - disse saindo um pouco das sombras, ela me olhou com uma expressão mista de susto e incredulidade, mas logo que sua ficha caiu, ela me abraçou atrapalhadamente e eufórica. Era um abraço apertado, o abraço que eu senti tanta falta.
- Por que você não me falou que chegava hoje? - perguntou ela minutos depois, já estávamos no celeiro sentados sobre a velha toalha, eu sorri.
- Eu queria fazer uma surpresa, consegui? - perguntei rindo.
- E como conseguiu! - disse ela me dando um tapa no ombro sorrindo.
Os minutos que se seguiram eu comecei a falar do meu tempo lá, sabia que estava desviando do assunto que pretendia falar, mas ainda não tinha reunido coragem.
’s POV
Ele falava sobre tudo o que ele tinha passado, sobre como lá era maravilhoso, sobre as festas e shows, mas ele não falava o que eu queria saber, ele não falava sobre aquela carta... Talvez ele estivesse bêbado demais quando a escreveu e nem se lembra mais dela.
- Daren... - disse num tom doce, mas o cortando de vez das suas narrativas. Senti seus olhos se cravarem em mim, mas não tinha coragem o suficiente para o olhar nos olhos - Você se lembra disso? - perguntei o entregando a carta que estava no meu bolso ainda sem olhá-lo, eu tinha medo da sua reação. E se ele viesse com um "não me lembro"? Eu sei que eu caíria, eu já estava me arriscando demais tocando no assunto, não precisava encará-lo de frente.
- Olha pra mim, - disse ele com firmeza e eu obedeci. Senti uma de suas mãos no meu rosto, então ele encostou sua testa na minha fechando os olhos, eu fiz o mesmo - Eu te amo.
Coloquei minha mão sobre a dele e a acariciei levemente.
- Eu também te amo - disse em um sussurro quase inaudível, mas alto o suficiente para ele escutar e me beijar.
Sua outra mão correu para o outro lado do meu rosto e nossos lábios se tocaram, eu não sabia qual emoção eu sentia, era um misto de alegria, de paixão, sensação de vitória de que valeu a pena todo esse tempo, mas eu não tinha tempo para saber o que eu sentia, os lábios de Daren se movimentavam em um beijo lento e carinhoso. Eu retribuía seu beijo com paixão e carinho, minhas mãos correram pra sua nuca e meus dedos se enroscaram levemente nos cabelos um pouco compridos de DJ. Ficamos nos beijando por algum tempo, e eu não sentia vontade nenhuma de parar, quanto mais tempo nos beijávamos mais intenso o beijo ficava. Senti o corpo de Daren se inclinar sobre o meu e fui me deitando lentamente pela toalha no chão até que fiquei completamente deitada com DJ sobre mim. A mão dele corria pela lateral do meu corpo a acariciando enquanto minhas mãos corriam pelas suas costas, senti ele começar a diminuir a velocidade do beijo e terminar com um selinho demorado e então nós abrimos os olhos e ficamos nos encarando.
- Isso foi... - comecei baixo.
- Incrível - completou ele sorrindo, passando a mão pelo meu rosto
- O que vai...
- Não sei, , não sei o que vai acontecer - disse voltando a me beijar, eu não sei o que aconteceria assim que saíssemos desse celeiro, eu sabia que tinha chances de acabarmos ficando juntos assim como tinha chances de nunca mais nos falarmos. Eu não ia deixar de aproveitar ele enquanto podia, eu queria ele para mim, de todas as formas possíveis.
Desci as mãos por toda a costa de DJ, quando chegou ao fim segurei a barra da camiseta dele e comecei a subi-la lentamente, ele parou de me beijar e ergueu os braços pra facilitar a retirada da mesma e logo voltou a me beijar. Suas mãos corriam agilmente pela minha cintura e subia a minha blusa com certa brutalidade, mas eu não me importava. Assim que ele retirou minha blusa, seus lábios começaram a descer pelo meu pescoço, me fazendo arrepiar intensamente e continuou a descer pelo meu busto, logo depois minha barriga parando aí, ele pousou a mão no cós do meu short parecendo pensar duas vezes, mas desistindo depois da primeira respirada fundo. Ele tirou meu short com a mesma brutalidade que tirara minha camiseta, só que bem mais rápido, no caso que ele mesmo mudasse de ideia, mas isso não aconteceria. Ele voltou seus lábios aos meus, dando leves selinhos.
- Eu... Te... Amo... - ele disse entre os beijos. Depois disso eu sabia que nada mudaria entre a gente, eu sei que seriamos corajosos o suficiente para levar isso para fora deste celeiro velho.
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De todas as vezes que eu imaginei a minha primeira vez nenhuma delas envolviam esse celeiro na beira dos meus 17 anos, mas todas envolviam DJ. Eu estava deitada sobre seu tórax desenhando círculos com as pontas dos dedos enquanto ele acariciava meus cabelos carinhosamente. Já estávamos completamente vestidos, prontos para sair a qualquer momento, mas eu não sentia vontade nenhuma de sair daqueles braços um segundo que fosse.
- Você está com fome? - Perguntou ele quebrando o silêncio, estava anoitecendo agora, era hora de comermos algo, talvez até hora de e ir para casa.
- Morrendo - disse rindo.
- A gente podia ir pegar alguma coisa e eu aproveitava e pegava minha guitarra - Propôs ele, claro que envolvia guitarra, mas eu não recusei, eu estava com saudades de ver ele tocar...
Depois de alguns longos minutos estávamos de volta, comendo sanduíches enquanto ele arrumava os cabos da guitarra.
- Duas músicas antes de eu ir para casa - Disse sorrindo - Escolha bem, hein.
- Sim, senhora! - falou começando o solo de Sweet Child O’ Mine, assim que a música acabou ele começou um novo solo assoviando baixo no ritmo de outra música, que eu reconheci logo como sendo Patience. É, ele realmente escolheu bem. Ele conseguiu encerrar aquela noite perfeitamente.
2 Anos depois
’s POV
- Não, não e não! Você não pode fazer isso, Daren - eu falava entre as lágrimas que escorriam por meu rosto.
- Vem comigo, por favor! - suplicava ele.
- Você só pode estar brincando né? Viver de quê? Tira essa ideia da cabeça, DJ, por favor!
- Não, ! Eu não vou tirar! É meu sonho, eu tenho que correr atrás dele. Eu vou fazer 19 anos, não posso esperar mais! - ele suspirou e continuou - Eu te amo e você sabe o quanto, mas eu cresci acreditando nos meus sonhos, eu não posso desistir dele agora, espero que um dia você possa me perdoar...
Eu o olhei incrédula. Ele ia mesmo fazer isso? Eu passei as mãos no rosto limpando as lágrimas, não iria impedi-lo de seguir seu sonho, eu segurei firmemente suas mãos e o olhei.
- Me promete uma coisa?
- Qualquer coisa! - disse me olhando.
- Diz que você nunca vai me esquecer - falei num tom ainda choroso.
- Nunca! - confirmou ele.
- Então vá, DJ, corre atrás do seu sonho! Mas só volte aqui quando o tiver realizado.
2 Anos depois
DJ’s POV
Dois anos se passaram, dois anos fora de casa e um CD na bagagem. Acho que ficaria orgulhosa de mim.
Desci na velha rodovia, olhei para os campos de trigo que continuavam do mesmo jeito, por não ser época de milho eles estavam secos, o que me rendeu um bom atalho. Caminhei lentamente até minha velha casa, encontrei minha mãe esperando por mim, corri até ela e a abracei.
- Consegui mãe, eu consegui! - falei enquanto a abraçava.
- Eu sei que sim, meu filho, eu sei que sim! - disse em um tom orgulhoso.
- E a , como está? - perguntei já sentado na mesa da cozinha comendo tudo o que minha mãe colocava na minha frente.
- E como eu vou saber, DJ? - disse ela colocando mais ovos mexidos no meu prato.
- Como assim? - perguntei a olhando assustado.
- Ela saiu logo depois de você, foi fazer faculdade fora... Ela conseguiu uma bolsa em Harvard! - falou ela também orgulhosa. Senti meu estômago revirar, no fundo eu queria vê-la...
- UAU, Harvard? Nossa, bom pra uma ex-namorada de um aspirante a rockstar! - falei tentando disfarçar a tristeza com uma risada abafada.
- Vá até a casa dela, a mãe dela vai adorar conversar com você, Daren! - disse minha mãe sorrindo e eu somente obedeci. Levantei penosamente da cadeira, peguei o pequeno embrulho que trouxera pra e saí.
Atravessei o campo de milho e fiquei de frente à pequena casa, subi lentamente os pequenos degraus da varanda e bati na porta. Em seguida me virei para dar uma olhada no celeiro, parte tão grande da minha vida. Escutei a porta se abrir, mas não me virei na hora.
- Mãe, tem uma tatuada aqui. - escutei a voz de soar no ar e eu me virei sorrindo.
- Tatuado! - disse a olhando, vi seu queixo cair e logo senti ela pular no meu pescoço. Abracei sua cintura e ela apertou o abraço. Ficámos ali algum tempo, quando ela finalmente se soltou de mim começou a falar.
- Que cabelo é esse, DJ? Pelo amor de Deus, você vai cortar isso, não vai? - perguntou ela pasma - E que tatuagem enorme é essa, isso é... - disse enquanto puxava meu braço para vê-la melhor - Um tigre, com uma bandeira...
- Rebelde. - completei sorrindo, ela balançou a cabeça, rindo levemente.
- Entra, DJ! - disse ela em um tom de derrota enquanto entrava em casa, eu a segui e depois de alguns comprimentos e breves conversas, subimos pro seu antigo quarto. Os pósteres velhos ainda estavam na parede, eu olhei em volta e tudo estava como eu me lembrava.
- O Slash é gente boa - falei apontando para o póster dele colado na parede entre os outros. Vários do Guns, inclusive.
- Como se você realmente tivesse conhecido ele... - falou em um tom de desdém sentando do meu lado na cama.
- É, você tem razão, eu não conheci - falei rindo - Trouxe isso pra você! - terminei mostrando o embrulho que tinha nas mãos, ela pegou animada e em um instante rasgou o papel que embrulhava o CD que eu trouxera.
- Você só pode estar brincando! Nossa DJ, um CD? Em só dois anos? - falou incrédula.
- Você não disse que eu só podia voltar aqui depois que realizasse meu sonho? Bem, esse é o primeiro passo. - falei rindo.
- Fico feliz por você, Daren! - disse ela me olhando docemente enquanto colocava o CD na mesinha de cabeceira.
- Fiquei sabendo de Harvard, como está lá? - perguntei.
- Ah, até que é bom. Puxado, pra variar... - disse rindo.
- Eu sei que você dá conta, mas e a vida, como está?
- Melhor do que eu pensei que seria na faculdade, posso até ter uma vida social! - falou colocando os cabelos atrás da orelha - Mas e você, como anda?
Quando comecei a falar, a porta se abriu e um cara alto e troncudo entrou no quarto, exibindo um sorriso branco e perfeitamente alinhado.
- Oi, meu amor! - disse caminhando até e a cumprimentando com um selinho, novamente senti meu estômago dar voltas.
- DJ, esse é o Matthew, meu namorado - contou , agora eu podia entender o seu "até posso ter uma vida social".
- Ah sim! É, eu preciso ir... - comecei me levantando da cama sem jeito - A gente se vê por aí, - terminei saindo do quarto e fechando a porta atrás de mim, fechando junto qualquer história que eu poderia ter com ela. Eu sabia que ela merecia alguém melhor que eu, sempre soube, mas receber a notícia dessa forma não foi uma coisa muito legal.
10 Anos Depois
’s POV
- Já te disse como odeio plantão? - disse rindo enquanto eu e nos arrumávamos no vestiário.
- É, eu sei, nunca acontece nada de animador, como um acidente envolvendo um trem ou coisas do tipo quando estamos de plantão!
- Exatamente! Nem sequer um caso de emergência! - falei num tom choroso e saímos rindo do vestiário. Os plantões se arrastavam lentamente, mas em algumas horas nosso plantão de 36 horas já chegaria ao fim e eu iria pra casa descansar em paz.
Assim que pegou seu paciente, eu me sentei na sala de espera. O hospital estava vazio e silencioso, poderia até dar uma cochilada. É, não seria uma má ideia. Fechei os olhos penosamente e senti a sensação de sono dominar cada centímetro do meu corpo, mas fui acordada pela porta da emergência se abrindo com brutalidade e gritos histéricos de uma mulher. Levantei-me rapidamente e corri até à maca que entrava na sala.
- Tá quase tendo uma parada cardiorrespiratória - informou o paramédico - Sintomas de overdose.
- Qual é a da mulher? - perguntei enquanto checava os batimentos cardíacos do paciente.
- Provavelmente drogada. - disse ele - Acho que vou dar uma injeção pra ela dormir, assim ela para de gritar - falou em um tom malicioso.
- Josh, já disse que não pode! - Falei brava - Mas só algumas miligramas não vão fazer mal... - disse entregando a ele uma ampola de injeção.
O leitor de batimentos já estava quase colocado no paciente quando começou a apitar. Seus batimentos estavam subindo absurdamente rápido, ralhei ordens para Josh, o único paramédico que estava aqui para ajudar, nada adiantou, a parada aconteceu. Peguei rapidamente o desfibrilador.
- Carrega! - disse pegando as pá e me virando pro paciente, vendo pela primeira vez o seu rosto. Não, não podia ser. Josh rasgou sua camiseta, deixando parte do seu braço à mostra e eu pude reconhecer a velha tatuagem de DJ. Quando voltei à realidade, Josh gritava para eu andar logo. Encostei as pás sobre o peito de um DJ quase morto: nada adiantou. - Carrega! - berrei mais uma vez repetindo o movimento, depois de três tentativas os batimentos cardíacos de Daren voltaram ao normal. Eu deixei as pás caírem em seus lugares e saí caminhando pelo corredor, escutei a voz de dizer algo, mas não conseguia entender o que ela dizia. Caminhei até o vestiário e me deixei cair em um dos bancos, escutei a porta se abrir novamente e vi na minha frente me olhando, me concentrei para saber o que ela estava falando.
- O que aconteceu? - perguntou preocupada.
- Daren. - foi tudo o que eu conseguir pronunciar.
- Espera! - exclamou - O teu Rockstar?
- Algo assim - disse calma.
- O que aconteceu com ele?
- Overdose... - Falei com minha voz já vacilando, ameaçando começar a chorar. Eu vi DJ quase morrer na minha frente! Ele simplesmente some por dez anos e aparece no hospital que eu trabalho com uma overdose! Não pude mais conter as lágrimas, não sei o que elas significavam, não sei se eram desespero, angústia ou decepção. Eu realmente não fazia ideia, mas deixei que elas corressem livremente.
---
Três dias depois voltei ao hospital, pensando que qualquer vestígio da presença de Daren ali sumisse.
- Seus pacientes, Doutora - Disse Gracy me entregando as fichas, eu a agradeci e comecei a fazer minhas rondas. Já estava no último quarto quando vi quem era o paciente. Ele precisava de uma clínica de reabilitação e não de um hospital. Entrei no quarto decidida a me manter indiferente, DJ estava deitado olhando para o nada. Li a ficha dele e conferi a medicação em silêncio, ele pareceu também não se importar com minha presença ali.
- Por que ainda está aqui? - perguntei forçando a minha voz de médica séria, por sorte ele não se virou para me olhar.
- Estou com dores no peito. - disse ele indiferente.
- É por causa da desfibrilação, é normal, você teve uma parada cardiorrespiratória, vai sentir dor por um tempo, mas posso te receitar um remédio e te dar alta - falei.
- Não tô a fim de ir pra casa. - falou com desdém.
- Então vá pra uma clínica de reabilitação - falei alterando meu tom, o que o fez se virar pra mim.
- Quem você pensa que é pra falar assim? - perguntou em um falso tom ofendido, se tinha coisa que eu odiava era quando ele se fazia de vítima quando não era.
- Uma médica que teve que cuidar de um drogado que apareceu no meu hospital com sintomas de overdose! - falei praticamente berrando.
- Só por isso você acha que pode falar assim com as pessoas? Você não é minha dona, não tem nada a ver com minha vida! Se eu sou drogado ou não, só importa a mim e não a você! - disse ele se levantando e vindo até mim, nossos rostos estavam muito próximos. Eu abri a boca para argumentar, mas a fechei, eu não sabia o que falar, aquelas palavras realmente machucaram, eu não fazia mais parte da vida dele. Ele me excluiu totalmente de sua vida, sem se importar.
- Você está certo, Daren, eu não tenho nada a ver com tua vida. Você pode jogar ela no lixo, fique à vontade, não vou argumentar! - falei por fim, ele começou a me encarar e de repente ouvi os acordes de My Michelle soarem no ar, eles vinham do celular de DJ que estava na mesa de cabeceira. Ele foi até à cama para atender e eu fiquei ali boquiaberta, esse era realmente o toque dele?
- Você vai ficar aí parada? - perguntou ele com certa ignorância, eu o encarei com desdém.
- Dedicou essa música pra sua nova namorada? - perguntei com desdém.
- Do que você tá falan... - começou ele. Não fiquei mais parada, saí do quarto com pressa e escutei a voz dele me chamar quando saí do quarto, mas não voltei atrás, ele correu atrás de mim, mas por sorte um enfermeiro o segurou.
- , por favor... - começou ele. Eu parei de repente e me virei completamente fora de mim.
- Ora, ora, ora, você se lembra quem eu sou? Que impressionada eu estou! - disse caminhando até ele e o empurrando pra dentro do quarto, não precisava de plateia para isso, bati a porta atrás de mim e o encarei.
- E-Eu... ... Você... Aqui... Como assim? - ele balbuciava palavras de qualquer jeito sem se preocupar em formar uma frase sequer.
- É, Daren Ashba, eu! Eu trabalho aqui, me formei em medicina há alguns anos... Ah, mas como você saberia? Afinal você sumiu sem dar notícias não é mesmo? - falei.
- Eu não sumi porque eu quis, eu só... - começou.
- Só o caramba, DJ! Eu não quero ouvir suas desculpas esfarrapadas! Você sumiu por tanto tempo, continue sumido, essa cidade é enorme e há centenas de hospitais, não precisamos mais nos ver, simples assim. - disse com firmeza, mesmo que não quisesse nada disso, simplesmente fingi que essa era minha decisão.
- Você quer me tirar da tua vida? - falou ele descaradamente.
- Te tirar da minha vida? Como você tem a cara de pau de me falar isso?
- Cara de pau, ? Você estava feliz com o seu alto troncudo! Você queria que eu fizesse o quê? Eu não ia ficar te prendendo a mim.
- Me prendendo a você? Eu achei que fossemos amigos, Daren, não tinha que me excluir desse jeito! - falei à beira dos prantos.
- Eu não conseguiria ser só seu amigo, ok? Por isso eu sumi, eu não queria ter que aguentar sua felicidade com alguém que não fosse eu! - falou.
- Pois conseguiu! Eu realmente te quero longe da minha vida agora, DJ, porque a minha vida corre às mil maravilhas e eu não preciso de você nela, não mais... - falei decididamente - Não preciso de alguém que não consegue me ver feliz!
- Você acha que eu gosto disso? - perguntou com desdém - Olha a maneira que eu tô vivendo a minha vida! Drogas e rock n’ roll! Foi o que minha vida se tornou depois que eu me afastei de você...
- Não se esqueça do sexo, a prostituta histérica que estava aqui no dia que você entrou até que era bonita - falei com raiva.
- Ela é minha esposa. - falou sutilmente.
- O QUÊ? - berrei.
- Qual o problema? - perguntou.
- Nenhum! Faz o seguinte, continua com a tua vida e eu com a minha, vou te receitar o remédio para as dores no peito e te dar alta, tenha um bom dia! - disse saindo do quarto, dessa vez ele não veio atrás de mim e eu sei que não teria cara de pau de vir.
Ele casado e eu uma solteirona infeliz.
5 Anos depois - Presente
’s POV
- , você tem noção do quanto isso é bom? - perguntei eufórica, eu parecia uma adolescente.
- Por quê? Trabalhar domingo à noite é péssimo - Resmungou ela.
- Nós estamos no show do Guns n’ Roses?! E o melhor, de graça - Falei - Aliás, você sabe a fortuna que esses ingressos estavam? Eu não consegui comprar um, eles se esgotaram no primeiro dia de venda! - falei terminando de arrumar as coisas no posto médico do show.
- Mesmo assim de que adianta? Você não vai poder ver o show daqui. - falou.
- Ah, pelo amor de Deus! Você e o Kevin podem dar conta aqui, qualquer coisa vocês me ligam - falei travessa.
- Não, não e NÃO! - ralhou ela.
- Ah, amiga, vai! Eu nunca fui a um show do Guns, é minha banda preferida poxa! - comecei minha chantagem emocional.
- Isso tem algo a ver com o seu Rockstar? - perguntou ela.
- Ele não é meu Rockstar! E não, não tem nada a ver com ele.
- Me engana que eu gosto - Falou ela rindo.
- Para com isso, , não é legal! - falei emburrada.
- , por que você não corre atrás dele? Você sabe que não vai amar ninguém como você o ama! - ela me repreendeu.
- Eu não o amo! - disse duramente.
- Vai mentir pra si mesma até quando, ?
- Ele é só um roqueiro drogado, eu não quero isso pra mim.
- Ele é o roqueiro drogado que você ama a sua vida inteira!
- Quer fazer o favor de calar a boca? - pedi.
Não vou calar enquanto ver você jogando sua felicidade fora... Você está com 35 anos, acha que a felicidade vai esperar até quando?
- Eu estou feliz com minha vida de solteira! - informei.
- Não está! Você sente falta dele e se recusa a correr atrás! Você sabe que tudo o que precisa é pegar uma ficha e entrar no carro, essa cidade é grande, mas nem tanto!
- Como eu vou ser feliz do lado dele? - perguntei me rendendo. Ela me conhecia mais que eu mesma, não podia mentir.
- Sendo! Não precisa pensar, . Vocês se pertencem, simples assim! - falou ela.
- Como se fosse fácil - falei emburrada.
- Afinal, qual é a formação atual do Guns? - perguntou ela.
- Eu sei lá, só sei que o Axl faz parte! - disse rindo.
DJ’s POV
- Cara, que dor no peito! - disse me sentando no sofá.
- Ih, DJ, se drogou e nem chamou a gente? - falou Dizzie rindo.
- Cala a boca, tô falando sério! - disse passando a mão pelo peito.
- Então é por causa da desfribriladora!
- Pode até ser... - falei sério.
- Por que você ainda não correu atrás dela, DJ? - perguntou.
- Por que ela me odeia e se eu chegasse perto ela tacaria o que tivesse na frente dela em mim. Então eu prefiro evitar a fadiga. - falei tentando me consolar mais uma vez com isso. Dizzie revirou os olhos e saiu, eu fiquei sentado ali com meu peito doendo.
Era uma dor estranha, uma angústia, uma sensação! Não sei, mas meu peito se apertava de dor.
- Vamos, DJ! Vamos começar, cara - Ron me chamou.
- Com essa dor não dá. - falei ainda massageando o peito.
- Vou chamar um médico pra você - informou e eu apenas concordei com a cabeça.
Depois de alguns minutos eu escutei barulho de passos, eu estava com os olhos fechados, parece que aliviava essa dor. Senti o gélido metal no meu peito checando meus batimentos, depois o aperto no braço para medir minha pressão.
- Tá tudo normal, vou voltar pro meu posto - escutei uma voz falar.
- Mas e a dor? - perguntou Ron.
- Já falei que é das drogas! - falou Dizzie rindo.
- Cala a boca, você sabe que ele tá limpo!
- Na verdade, eu acho que é por causa das drogas mesmo. - falou a voz com desdém.
- Por que tá todo mundo falando que eu tô drogado hoje? - perguntei sonolento.
- Por que você já quase morreu de overdose? - perguntou.
- E daí? Isso não quer dizer que eu estou usando drogas agora - falei.
- Verdade, você largou a mulher e as drogas pela desfribriladora, né cara? - falaram Ron e Dizzie em uníssono, em meio às risadas.
- Por que vocês são tão infantis? - perguntei abrindo os olhos e encarando eles.
- Para cara, como você largou a Camills? Se tivesse largado e corrido atrás da tua médica tudo bem, mas largou e ficou na covardia aí - falou Ron em um tom de repressão.
- Espera aí, ele largou a mulher dele? - perguntou a voz.
- Largou! O cara mudou da água pro vinho, só faltou coragem pra correr atrás da razão da mudança. - falou Dizzie.
- Eu já disse que ela me odeia, quando vocês dois vão esquecer essa história? - disse me levantando do sofá e indo até o frigobar pegando uma garrafa d’água.
- Ela te odeia com toda a razão - falou a voz, eu estava começando a me irritar com essa mulher.
- E você quem é? - perguntei com arrogância.
- Melhor amiga da . - falou ela me fazendo engasgar e começar a tossir.
- C-como? - perguntei enquanto me restabelecia.
- Isso mesmo que você ouviu, aliás, ela está aqui essa noite, por sorte tinha saído do posto quando foram me chamar! - disse ela revirando os olhos.
- Você me odeia né? - disse desabando no sofá.
- Não, eu sempre quis que a fosse atrás de você, mas não sabia que você era tão covarde... - falou sentando do meu lado.
- Faz um favor pra mim? - perguntei decidido.
- Diga!
- Onde você foi? - perguntei quando finalmente voltou pro posto médico.
- Fui conhecer a banda! - disse se sentando do meu lado.
- Como é que é? - falei pasma.
- Tinha um integrante passando mal e você não estava aqui, eu devia fazer o quê?
- Me esperar, oras! Você sabe, ... - falei chateada.
- O cara tava com dor no peito! Ele podia estar enfartando, não tinha como te esperar, - disse ela se defendendo.
- Tudo bem... - falei mesmo estando muito chateada, eu tinha perdido a oportunidade de conhecer o Axl por causa de um café!
As bandas que abriram o show já estavam no palco, tínhamos combinado que ia fingir que fiquei algum tempo no posto, quando se passaram cinco músicas do Guns começou a me puxar freneticamente.
- Ei, aonde a gente vai? - perguntei.
- Droga, que idiota eu sou! Por que não prestei atenção? - falava ela consigo mesma.
- Do que você está falando, ? - perguntei assustada.
- De nada, só vem, !
Ela me levou até o camarim sem ao menos ser barrada uma vez pelos seguranças e ela não parou, continuou me levando até à parte de trás do palco, que era cheia de bebidas e guitarras.
- Feliz Aniversário, amiga! - disse ela rindo.
- O quê? Meu aniversário é semana que vem, !
- Mas nós estamos aqui agora.
Quando abri a boca pra falar ouvi a voz do Axl começar a cantar Happy Birthday To You. Eu fiquei pasma e depois de alguns instantes o próprio Axl surgiu na minha frente, me levando para o palco com ele. Eu estava tremendo de vergonha, qual era a da ? Como ela conseguiu isso?
Depois do mais longo parabéns da minha vida, Axl começou a falar.
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- Feliz Aniversário, ! A próxima música é em homenagem a você, espero que goste! - disse dando uma leve piscadela. Eu com toda a certeza do mundo estava dormindo. Ouvi os primeiros acordes vindo de um violão não tão distante de mim e logo ouvi um leve assovio começar a soar no ar vindo de Axl, fechei os olhos sem acreditar. Essa música não fazia mais nem parte do repertório deles, vi um pedestal com microfone ser posto do meu lado e me afastei um pouco. Logo depois o guitarrista tomou a frente do microfone, eu estava sem entender nada até o momento que o guitarrista se virou pra mim e começou a cantar: era DJ...
(Coloque para tocar)
Shed a tear 'cause I'm missing you - Começou ele cantando - Eu fui um completo idiota - Falou enquanto Axl completava a frase da música - I think about you every day now… - Eu perdi dez anos acabando com minha vida - but you set my mind at easy there is no doubt you're in my heart now! - E perdi outros cinco sendo covarde o suficiente pra te deixar correr por entre meus dedos - make it slow and we'll come together fine - Eu tentei mentir para mim mesmo durante quinze anos - If I can't have you right now I'll wait, dear - Mas eu cansei de mentir e cansei de ser covarde - but you know, love, there's one more thing to consider - Apesar de todos esses anos, eu ainda te amo, nada nem ninguém se compara a você - I've got what it takes to make it. - Eu sei o quanto você me odeia agora - I'll never break it 'cause I can't take it - Mas eu sei que no fundo você ainda me ama - just a little patience, yeah, some more patience, yeah - Não importa quanto tempo tenha se passado - Need some patience, yeah - Nós ficaremos juntos no final - Could use some patience, yeah - Eu sempre te amei, desde o momento em que te vi atravessar aquele campo de milho para me ver tocar - Gotta have some patience, yeah 'cause I need you, yeah - Eu preciso de você - All it takes is patience, yeah oh, I need you - Eu serei sempre teu, mesmo que você não seja sempre minha - oh, this time.
A plateia estava silenciosa até o final da música, quando DJ tocou o último acorde, ela começou a gritar “Beijo, beijo!”
Eu estava concentrada demais nas palavras que ele tinha acabado de dizer e eu sei que lágrimas caíam dos meus olhos. Parecia tão fácil ignorar tudo e dar ouvidos à platéia! Mas tudo o que eu consegui fazer foi me virar e sair do palco, ouvi a lamentação da platéia, mas não me importei, continuei andando até o camarim, seguida logo depois por DJ.
- Você é um idiota! - falei quando ele entrou.
- Eu sei, acabei de falar isso no palco.
- Você realmente acha que depois desse showzinho eu vou te perdoar e correr pros teus braços? - falei em um tom como se essa fosse a opção mais idiota, mas era realmente tudo o que eu queria fazer!
- Não, mas eu precisava dar o primeiro passo.
- Imbecil! - disse com raiva.
- , eu sei que eu sou todos os xingamentos que você achar, mas eu voltei aquele ano pra te levar embora comigo e chegar lá e te ver com um namorado...
- Noivo. - o interrompi.
- Como é que é? - perguntou ele pasmo.
- Matthew era meu noivo, ele foi pra casa pra pedir minha mão. - disse.
- Você se casou?
- Você se casou, por que eu não teria? - perguntei cheia de desdém.
- Eu me casei sete anos depois, e-eu...
- Não DJ, eu não me casei! Eu abandonei ele no dia seguinte, eu fui à tua casa pra falar que iria embora com você, mas você já tinha ido! Você tem ideia do quanto isso me machucou? Do quanto doeu?
- Sim, eu tenho! Doeu o dobro em mim. - disse ele com a cabeça baixa. Ficámos em um silêncio absoluto depois disso. Simplesmente ficámos ali parados olhando um para o outro. Eu não sabia o que falar, não sabia o que era certo ou não, eu tinha medo de seguir a razão e mais medo ainda de seguir meu coração. Não importava a vontade que eu tinha de me jogar aos braços dele, o meu medo me dominava. A razão pela qual eu não corri atrás dele por todos esses anos foi o meu medo.
- , não importa em quem vamos jogar a culpa disso tudo, não importa o quanto tentemos nos remoer pelo passado. Tudo aconteceu da forma que aconteceu, não posso voltar no tempo e mudar todas as minhas atitudes por mais que eu queria. Mas nós estamos aqui e agora, tudo o que eu te peço é que ignore o passado e se concentre no presente! Se concentre em quem somos agora, nas oportunidades que estão na nossa frente. Eu sei que quinze anos é muito tempo, eu sei que você mudou, assim como eu mudei, mas sei que você é a mulher da minha vida... Então aqui estou eu, pedindo pra que me dê uma chance de estar na tua vida, não importa o que eu seja, eu quero fazer parte dela, então... Prazer, eu me chamo Daren Jay Ashba, sou guitarrista do Guns N’ Roses e eu quero ter o prazer de te conhecer mais uma vez, quero ter o prazer de estar na tua vida, porque sem você a minha não faz sentido!
- É. - disse.
- É o quê? - perguntou ele aflito.
- Você sabe me convencer. - disse sorrindo de leve, ele me olhou incrédulo e eu balancei a cabeça positivamente. Em seguida senti meus pés se levantarem no ar e os braços de DJ envolverem minha cintura, segurei seu rosto ente as mãos e o beijei carinhosamente.
Não importa quanto tempo demore, não importa todos os erros e muito menos o medo, quando o amor é verdadeiro ele irá aprender a superar todos os obstáculos, por mais que você acredite que não, ele é forte o suficiente. Nunca duvide do poder do amor, afinal, o amor é a maior magia que existe e só ele é capaz de juntar duas pessoas defeituosas, sé ele pode moldar cada coração para que ele crie o encaixe perfeito para a pessoa amada.
FIM!

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