Black & Diggory

Escrito por Reh | Revisado por Mariana (até capítulo 13) | Lelen

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Prólogo

  O garoto de cabelos castanhos curtos corria por toda a estação de King’s Cross empurrando seu carrinho com o malão e a coruja parda, desculpando-se em voz alta sempre que acabava por esbarrar em alguém. Vez ou outra escutava os pais chamarem seu nome, mas apenas acenava com a mão para que pudessem vê-lo por entre a multidão, enquanto continuava a ir o mais rápido que podia; mal tinha dormido na noite anterior, ansioso com a viagem à Hogwarts. Nem conseguia acreditar que finalmente tinha chegado sua hora de ir para à Escola!
  Parou de frente a parede com as grandes placas de 9 e 10 e então esperou os pais, que apareceram poucos segundos depois, rindo com o desespero do mais novo;
  — Olha quem finalmente resolveu lembrar que precisa dos pais? — Ouviu a voz de Amos, o qual o encarou por um segundo, fingindo estar bravo com sua atitude.
  — Desculpa, papai, mas vocês estavam muito devagar, eu vou me atrasar! — Disse apressado, apontando para a passagem atrás de si, a coruja piou abrindo as asas, incomodada com o barulho a sua volta.
  — Não estamos atrasados, querido, você ainda tem dez minutos! — Sua mãe sorriu, passando a mão pelos cabelos curtos do mais novo, o qual concordou frustrado: Dez longos minutos até poder embarcar e finalmente começar a viver seus anos na Escola; imaginava tudo o que poderia aprender nos próximos meses, nos amigos que faria e nos jogos de Quadribol que poderia assistir.
  — Vamos, eu quero ver como é do outro lado! — Pediu juntando as mãos.
  Distanciou-se por um instante do portal ao ver outra família de quatro pessoas aproximando-se, uma adolescente de cabelos coloridos conversava animada com a irmã mais nova, a qual estava sentada em cima do malão, segurando a gaiola da coruja;
  — … Mas eu também quero ir, Dora! Tá demorando muito! — Disse chateada, bufando.
  — Dumbledore expulsaria nós duas se eu te escondesse no meu malão — a mais velha respondeu antes de atravessarem o portal. O casal passou pouco depois, ainda rindo da conversa das filhas.
  — Você só precisa se concentrar, Ced — Amos falou, atraindo novamente a atenção do filho —, pode correr em direção a parede se estiver nervoso ou eu posso ir com você, se preferir…?
  O garoto pensou por um segundo, negando pouco depois, querendo fazer aquilo sozinho.
  Respirou fundo e então encarou a parede de tijolos vermelhos a sua frente, empurrando o carrinho em direção a mesma, fechou os olhos nos últimos passos, com medo de não conseguir.
  Assim que tornou a abrir os olhos acinzentados, viu-se do outro lado e o sorriso em seu rosto aumentou; Alunos tão novos quanto ele e outros adolescentes juntos aos familiares, conversando em voz alta, fazendo novas amizades ou revendo os amigos após os meses de férias. Olhou o grande trem vermelho parado, alguns alunos já embarcando com seus malões e corujas.
  — Não achei que estivesse tão empolgado para nos deixar sozinhos... — Ouviu a voz calma da mãe e virou-se para ela, a mulher de cabelos castanhos e olhos da mesma cor do filho parecia triste, prestes a chorar a qualquer segundo.
  — É claro que não, mamãe, eu só quero estudar, mas não quero te deixar — ele sorriu aproximando-se e abraçando a mulher.
  Rachel sorriu pequeno, era difícil separar-se do filho, ele ainda parecia tão novo para ficar tanto tempo fora de casa, mas seu garotinho estava crescendo.
  — Ora, não precisamos chorar não é mesmo? Nos vemos logo, Ced! E nos mande corujas sempre que puder, ok? Queremos saber de tudo! — Amos pediu, colocando a mão sobre o ombro do filho.
  Cedrico separou-se da mãe para abraçar o homem:
  — Vou escrever todo dia! — Prometeu sorrindo.
  — Não precisa ser todo dia querido, mas pelo menos duas ou três vezes por semana… Pelo menos no primeiro mês — a mãe pediu, acariciando a bochecha do menino, que concordou com a cabeça.
  — Comporte-se bem, Ced! Tente não arrumar confusão e seja educado com todos. Estude bastante e aprenda o máximo possível — recomendou o pai. — E divirta-se bastante com seus novos amigos!
  O garoto tornou a concordar, o sorriso grande ainda presente em seu rosto, até escutarem o apito do trem com o último aviso para o embarque. Cedrico abraçou os pais mais uma vez antes de pegar suas coisas, virou-se acenando para os dois antes de subir os poucos degraus e procurar um vagão para si mesmo.
  Sentiu o peito apertar em um misto de emoções: Ansiedade e nervosismo por poder finalmente começar os estudos, e também a saudade que já sentia dos pais e de casa, afinal só voltaria para Ottery St. Catchpole no feriado de Natal.

●●●

  Cedrico sentou-se no banco de três pernas assim que seu nome foi chamado, todo o Salão permaneceu em silêncio por alguns instantes esperando a resposta do Chapéu Seletor.
  Sentia uma ligeira aflição passar em seu corpo, e se por acaso não fosse escolhido para nenhuma Casa? E se ele não fosse bom o bastante para Hogwarts? Seu coração estava acelerado, seu sonho sempre tinha sido ir para a Escola, se o mandassem de volta para casa ele não saberia o que fazer, não queria desapontar seus pais daquela forma.
  "Você é bom o bastante para estar aqui, garoto, e eu já sei exatamente para qual Casa te mandar. Você tem tudo o que prezamos em Hogwarts! Não se deixe pensar o contrário."
  Ouviu uma voz falar em sua cabeça e no segundo seguinte escutou o grito do Chapéu;
  — LUFA-LUFA!
  Cedrico respirou fundo, sentindo-se extremamente aliviado antes de abrir os olhos e ver os estudantes da sua nova Casa aplaudindo-o em pé.
  — Bem-vindo!
  — Seja bem-vindo!
  — O pessoal acha que todo lufano é bobo, gostamos de provar o contrário. Seja bem-vindo, Diggory!
  — Nunca deixe ninguém implicar com você por ser da Lufa-Lufa, somos tão bons quanto todos, mas muito mais leais e honestos do que a maioria.
  — Não é fácil corromper um lufano!
  — Você deveria se preocupar se fosse para a Sonserina, isso sim é terror!
  — Sou o Frei Gorducho, fantasma da Lufa-Lufa, seja bem-vindo!


UM

1991

  Diggory cumprimentou com a cabeça alguns colegas que passaram por ele, enquanto esperava o horário do embarque para iniciar seu terceiro ano letivo em Hogwarts, quando ouviu a voz animada de seu pai chamar alguém, acenando com mão;
  — Ninfadora! Como vai?
  Cedrico virou-se em tempo de ver uma mulher de cabelos rosa aproximar-se sorridente, franziu o cenho por um instante ao reconhecê-la de seu primeiro ano na Escola; Ninfadora Tonks também pertencia a Lufa-Lufa e havia se formado em Hogwarts no mesmo ano em que Cedrico começou a estudar. Lembrava-se de terem se esbarrado no Salão Comunal algumas vezes durante aquele ano e ela ter sido simpática todas às vezes, dando algumas dicas para ele e outros primeiranistas.
  — Amos! Sempre bom te ver! — Cumprimentou educada — Olá! — Virou-se acenando para Cedrico e Rachel, que responderam no mesmo instante sorrindo cordialmente.
  — Ninfadora é Auror, entrou no Ministério não tem muito tempo – contou Amos, o filho arregalou levemente os olhos, era a primeira vez que conhecia uma Auror e sabia o quão difícil era aquela profissão.
  — Bem, ainda não estou totalmente efetivada, falta um ano para terminar meu treinamento! — Explicou, embora parecesse confiante — Mas, por favor, me chamem de Tonks ou Dora, vocês não fazem ideia do quanto odeio esse nome. Não sei o que meus pais tinham na cabeça, honestamente! – A mulher fez uma careta engraçada, e seus cabelos mudaram de cor para um rosa desbotado. Cedrico sentiu-se solidário ao problema, pois ele mesmo detestava seu nome e qualquer apelido vindo dele, embora não tivesse nada que pudesse fazer a respeito.
  — É um nome bonito, querida. – Rachel disse e Tonks agradeceu, mesmo não concordando.
  — Bem, nos vemos no Ministério, Amos, tenho que ajudar a encontrar uma cabine antes que essa menina se perca. Por falar nisso, não consigo encontrá-la! – Olhou em volta, esticando-se e ficando nas pontas dos pés para enxergar por entre a multidão aglomerada, os Diggory olharam ao redor, tentando encontrar a garota que ela mencionou, na cabeça de Cedrico a menina teria cabelos coloridos como de Ninfadora. — Ela sempre some, só tirei os olhos dela por dois minutos e... Ahá! Achei! — Sorriu novamente, Cedrico riu ao reparar que os cabelos dela, aos poucos, voltavam ao rosa chamativo de antes.
  — Seus pais não vieram? — Perguntou o mais velho, enquanto acompanhava o olhar da mulher, assim como a esposa e o filho, vendo duas garotinhas mais à frente, uma loira de cabelos compridos presos em um rabo-de-cavalo, e outra garota de cabelos castanhos volumosos, a qual parecia mostrar-lhe um livro.
  — Papai passou mal noite passada, então tiveram que ir ao St. Mungus. Eu disse que podia embarcar a criança, mas minha mãe não pareceu muito feliz com a ideia... — Deu de ombros. — De qualquer forma, até mais! – Acenou despedindo-se sorridente antes de afastar-se em direção as garotas – Tonks, se você der mais um passo para longe do meu campo de visão, você volta comigo para casa!
  Cedrico viu a menina loira virar-se assustada para a mais velha, despedindo-se rapidamente da outra garota, aproximando-se de Tonks;
  — Por Merlin, Ninfadora, você parece sua mãe! — A menina cruzou os braços com a sobrancelha arqueada, rindo em seguida.
  — Imitei igualzinho, não foi? — Ela riu abraçando-a de lado — Me chame de Ninfadora novamente e eu juro que vou te azarar antes de ir pra Escola!
  Diggory riu baixo antes de voltar à atenção para seus pais, pouco depois pode ouvir o apito anunciando que o trem partiria. Abraçou o casal e logo embarcou, não demorando para encontrar os amigos que já ocupavam um vagão mais para o meio do trem.
  O loiro sentou-se ao lado da janela, acompanhando com o olhar os últimos alunos embarcando e despedindo-se dos familiares, quando reparou nos cabelos coloridos de Ninfadora à poucos passos de seu vagão;
  —... E você tem certeza absoluta que não esqueceu nenhum livro? — Perguntava para a garotinha, a qual suspirou parecendo entediada.
  — Caramba, você já checou meu malão duas vezes antes de sairmos de casa e me perguntou mais umas três desde que chegamos. Você está mais nervosa do que eu!
  — Eu só não quero minha mãe brigando comigo e me chamando de irresponsável se descobrir que você esqueceu alguma coisa. Você vai para Hogwarts, eu vou ficar em casa ouvindo sermão por dias!
  — Olha, se eu descobrir que esqueci alguma coisa te mando uma coruja, ok? Ninguém vai saber, será nosso segredinho! – Piscou para a mais velha, a qual riu concordando com um aceno.
  — Ok, ok. Bem, não se esqueça de ser uma pessoa legal, faça amizades com pessoas legais e não arranje muita confusão. Tente não ser expulsa nas primeiras semanas. E nunca se atrase para as aulas da McGonagall. Lembre do que eu disse sobre o Snape, sempre faça as lições de casa, ele é chato com todos, então cuidado com ele! E vê se vai para a Lufa-Lufa!
  — Ah, não! — Negou com a cabeça, cruzando os braços, Cedrico arqueou a sobrancelha ao ver isso — Quero ir pra uma Casa legal…
  — Pois fique sabendo que só as melhores pessoas vão para a Lufa-Lufa, ok? É uma honra!
  A menina riu, concordando;
  — Qualquer coisa vai ser melhor que a Sonserina mesmo…
  — Pelo menos se você entrar na Sonserina o Snape têm mais chances de ser legal com você, já que ele é o Diretor.
  — Por Merlin, prefiro a Lufa-Lufa!
  Tonks rolou os olhos, balançando a cabeça;
  — Tanto faz, pensa nisso depois da Seleção!
  — Uhum, fácil pra você né? Passou impune! — Virou o rosto olhando para o maquinista que gritava com os últimos alunos.
  — Que seja, me mande uma coruja amanhã me contando como foi o primeiro dia e se você for para Sonserina quero detalhes sobre o drama para o Dumbledore te mudar de Casa, ok? Nos vemos no Natal, , sentirei sua falta! – Abraçou-a apertado, a menina demorou alguns segundos para corresponder, ainda considerando suas opções em Hogwarts.
  — Não seja tão dramática, eu sei que sou muito legal, mas não morra de saudades! — Riu para a mais velha, vendo os cabelos começar a mudar de cor para um azul claro. — Mas também vou sentir sua falta. Nos vemos daqui alguns meses, Ninfadorazinha do meu coração!
  Tonks afastou-se com olhando-a séria;
  — Me chame de Ninfadora mais uma vez e a Sonserina será o menor dos seus problemas!
  Diggory riu tornando a olhar para frente quando escutou Emmett chamando-o para começar uma partida de Snap Explosivo.

●●●

  Os alunos mais velhos já estavam sentados esperando pela Seleção antes do novo ano letivo ser oficialmente iniciado, e junto a ele o jantar de boas-vindas. Conversavam empolgados uns com os outros contando sobre as férias e as novidades das últimas semanas, até as grandes portas do Salão Principal se abrirem e a professora Minerva McGonagall aparecer, sendo seguida pelo grupo de mais ou menos vinte alunos que estariam iniciando o primeiro ano.
  Cedrico, assim como os colegas próximos, sorriram para o grupo quando estes passavam por eles, já que estavam sentados na mesa próxima ao corredor central do Salão.
  O grupo estava enfileirado em frente à mesa dos professores e, aos poucos, a vice-diretora chamava os nomes para serem sorteados para suas novas Casas, tão logo os alunos eram escolhidos, uma salva de palmas começava a vir das mesas correspondentes. Lufa-Lufa já tinha recebido quatro novos integrantes quando um nome bastante conhecido por todos foi chamado;
  — Potter, Harry!
  O burburinho começou no mesmo instante que o garoto magrelo e franzino deu os passos que faltavam até o banco de três pernas, Cedrico esticou-se em seu lugar para olhá-lo; viu o menino de cabelos bagunçados e óculos redondos ser sorteado para a Grifinória, não podendo deixar de aplaudir quando o garoto sorriu, correndo para seu lugar entre os gêmeos Weasley.
  Os alunos restantes foram chamados, embora recebessem menos atenção, todos ainda queriam dar uma espiada no famoso Harry Potter, inclusive Diggory, até que um dos últimos nomes fez com que o lufano tornasse a olhar para frente;
  — Tonks, ! — Gritou Minerva, e naquele instante Cedrico viu a loira sentar-se ao lado de McGonagall. Demorou um pouco para o Chapéu decidir-se e Diggory pode vê-la balançando a perna nervosamente, os olhos fechados com força parecendo murmurar alguma coisa.
  — GRIFINÓRIA!
  Tonks correu sorridente, parecendo incrivelmente aliviada ao procurar um lugar na mesa ao lado, e Cedrico sorriu aplaudindo levemente junto aos colegas da Grifinória. Ainda a viu cumprimentar Harry Potter antes de voltar sua atenção para a própria mesa e para os amigos quando o jantar foi servido.

●●●

  O lufano respirou fundo antes de subir na sua vassoura e iniciar o teste, sentiu o vento gelado bater em seu rosto conforme ganhava altura. Era uma vista bonita dali de cima, podia ver boa parte do terreno coberto pelas folhas caídas, tinha uma visão geral do Campo de Quadribol e das arquibancadas, as quais tinham poucos alunos assistindo à seleção de novos jogadores.
  Cedrico começava a arrepender-se de ter comido tanto no café-da-manhã, sentia os ovos e o bacon embrulharem seu estômago e uma vontade de vomitar começar a atingir-lhe.
  Respirou fundo, voltando a prestar atenção no teste;
  Seria bem simples visto que só tinha uma vaga para Apanhador e uma para Artilheiro e apenas dois alunos interessados em cada vaga; o time da Lufa-Lufa não era o mais forte da Escola, nem o mais popular, muito pelo contrário, era sempre o motivo de piadas entre as outras Casas.
  Para ser algo justo, ganhava a vaga para o time quem pegasse o Pomo-de-Ouro primeiro.
  Cedrico desejou boa sorte para o garoto do quinto ano com quem disputava, mas o colega parecia concentrado demais para responder-lhe. Quando o Pomo foi solto pelo Capitão do time, Cedrico tentou manter o contato visual, mas quando pode ir atrás da bolinha, pouco mais de um minuto depois de ter sido solta, já não fazia ideia de onde ela poderia estar.
  O céu claro e o sol da manhã atrapalhavam sua visão, então o garoto apenas sobrevoou o gramado olhando com cuidado para os lados e mantendo o outro colega em seu campo de visão, enquanto o resto do time fazia um treino básico para a escolha de mais um Artilheiro, o qual Diggory torcia para que fosse seu melhor amigo, o qual também fazia o teste.
  Viu o quintanista rodar do outro lado do campo, próximo as balizas, parecendo até entediado pela demora para capturar o pomo. Cedrico continuou voando com calma, olhando para os lados, já faziam vários minutos que estavam naquilo e Diggory reparou que estava tomando muito tempo do que pensava quando viu vários alunos deixando o Castelo para aproveitar um pouco mais o sol antes do inverno chegar.
  Depois do que pareceram horas infinitas, e poderia ter sido já que Monty já havia sido escolhido, Cedrico viu um brilho dourado na arquibancada, próximo a duas garotas que estavam entretidas conversando. Diggory voou na direção delas, os olhos cinzentos fixos no brilho dourado. Ao aproximar-se com velocidade percebeu que as meninas da Grifinória o olharam assustadas;
  — O Pomo está lá! — Ouviu uma delas gritar, reparando que o brilho que visualizou anteriormente era apenas o reflexo do relógio que a mesma usava.
  Reconheceu a irmã mais nova de Ninfadora e sorriu para ela, só então notando que ela gritava para ele apontando para um ponto às suas costas. Cedrico olhou por sobre o ombro, sentindo o medo dominar-lhe quando notou o outro garoto voando rapidamente para cima e, apenas alguns metros à frente, o brilho dourado do Pomo.
  Pedia desesperadamente para sua vassoura voar mais rápido, precisava chegar na bola antes do outro ou estaria fora do time, e não tinha nada que ele queria mais do que fazer parte do time de Quadribol da Lufa-Lufa, independente de quão ruim eles fossem.
  Por sorte, o Pomo-de-Ouro desviou sua rota, voando para o lado o qual Cedrico estava e então voou para baixo. Diggory respirou aliviado ao notar que havia ganho vantagem e, não demorou muito, sua mão esquerda fechou-se em torno da pequena bola dourada, fazendo um sorriso enorme aparecer em seu rosto ao levantar o braço direito, sinalizando a captura do Pomo.

●●●

   saia do Salão Principal junto a Harry, ambos resmungando sobre os pontos perdidos na aula de Poções, os quais pareciam extremamente injustos. Logo viu um grupo de lufanos aproximar-se rindo enquanto um dos garotos estava todo molhado, por qualquer motivo que fosse, reconheceu-o pouco depois do treino de Quadribol que havia assistido no final de semana anterior, embora não soubesse seu nome sabia que o moreno tinha entrado como Artilheiro da casa, e o loiro ao seu lado era o novo Apanhador.
  — Ei! — O rapaz sorriu acenando com a mão para ela quando seus olhares se encontraram.
   franziu o cenho, olhando de canto para Harry; talvez o loiro estivesse cumprimentando Potter, o que não seria uma novidade. O lufano afastou-se dos amigos que entravam no Salão para almoçar, aproximando-se dos dois, ainda sorrindo;
  — Olá! — Cumprimentou e então virou-se para ela — , não é?
  A loira concordou com a cabeça, ainda parecendo confusa por ele conhecê-la.
  — Te reconheci por causa da sua irmã! – Avisou, vendo-a parecer ainda mais confusa. – Hm... Ninfadora?
  — Ah... Ela é minha prima!
  — Oh, desculpe! De qualquer jeito, só quis agradecer, se você não tivesse me avisado em tempo eu provavelmente teria perdido o Pomo e não estaria no time agora... — Deu de ombros, vendo-a negar com a cabeça, abanando a mão.
  — Sem problemas. Parabéns pela vaga, você voou bem!
  — Obrigado! — Falou orgulhoso, aumentando o sorriso.
  Harry olhava de um para o outro com a sobrancelha arqueada.
  — É uma pena que seu time seja ruim, né? — brincou, desculpando-se em seguida pelo comentário. Diggory deu de ombros, sorrindo de lado;
  — Quem sabe não ajudo a melhorar um pouco para variar? — Piscou para ela, logo ouvindo os amigos o chamarem. — Bem, nos vemos por aí, até mais! — Despediu-se dos dois, os quais apenas acenaram de volta vendo-o se afastar.
  — Achei que você não gostava de ninguém que não fosse da Grifinória?! — Harry indagou rindo quando voltaram a caminhar em direção aos jardins.
  — Eu só não falo com a Sonserina! — Avisou, dando de ombros em seguida — E não o conheço de verdade, só sei que ele entrou no time da Lufa-Lufa como Apanhador — respondeu, antes de mudarem de assunto enquanto caminhavam para o jardim, encontrando Rony e Hermione sentados próximos ao Lago Negro esperando por eles.

DOIS

1992

  Cedrico tinha acabado de sentar-se à mesa da Lufa-Lufa no Salão Principal para tomar café, já carregando seus livros para a primeira aula do dia, quando notou que as vozes altas e estridentes, silenciaram-se de imediato. Olhou para o lado ao notar um bom tanto de alunos levantando-se apressadamente, e tantos outros virarem-se para à entrada, cochichando entre si.
  Olhou curioso para descobrir qual tinha sido o problema, logo entendendo o motivo;   Harry Potter vinha entrando junto com mais dois amigos, e ao notar os olhares o garoto deu meia volta, falando algo para os colegas antes de retirar-se, mas então segurou-o pelo braço, falando rápido e apontando para a mesa da Grifinória. O Weasley continuou andando até sua mesa, não parecendo notar o problema. Harry e ainda discutiram por alguns instantes, até a garota continuar puxando-o pelo braço para seus lugares, ainda sob o olhar atento de grande parte dos alunos. Cedrico deu um sorriso fraco quando passaram por ele, o qual foi correspondido da mesma forma por Potter.
  Achava absurda a ideia de Potter ser o responsável pelos ataques que aconteciam na Escola, mas em partes entendia a aflição dos alunos. Talvez, se também fosse um Nascido-Trouxa considerasse o moreno uma ameaça, como era Sangue Puro, por se sentir mais “seguro” conseguia ver a situação toda de uma forma mais realista e as chances de um aluno do segundo ano ser responsável por magias tão avançadas.
  Também achava legal a loira tentar ajudar o amigo, já havia escutado comentários dizendo que havia perdido alguns pontos por brigar com outros alunos para defendê-lo. E, é claro, se solidarizava um pouco com o garoto, não devia ser a melhor das experiências ter praticamente todo mundo se afastando ao vê-lo chegar, com medo de ser atacado. Potter estava realmente sendo observado por todos, mais até do que no ano anterior quando era “novidade”.
  Diggory mastigava um pedaço de bacon quando Emmett Montgomery apareceu, o sorriso desaparecendo de seu rosto quando viu Harry Potter na mesa ao lado, próximo do local que sentaria.
  — Você também? Duvido que ele tenha feito algo… — O loiro falou antes de pegar seu suco de abóbora. — Ele está no segundo ano, não aprendemos nenhum feitiço bom o bastante nessa idade... Sem contar que ele enfrentou o Quirrell ano passado, não foi?
  — Pode ser — Monty concordou devagar, olhando de canto para o moreno —, mas é suspeito que ele estivesse lá, você não acha?
  Diggory deu de ombros, parecia até irônico todos julgando Potter daquela forma, quando até semanas atrás todos pareciam grandes fãs do moreno.
  — Mas ele não estava sozinho, quem garante que foi o Potter e não um dos outros três?
  Emmett o encarou por um instante, rolando os olhos ao notar o sorriso debochado do amigo;
  — Se descobrirem que ele está mesmo envolvido com isso, você me paga uma cerveja amanteigada. E não se esqueça, eu sou Nascido-Trouxa, se eu for uma das vítimas você vai se sentir culpado para o resto da vida!
  O loiro encarou o rapaz por um instante, notando a expressão brincalhona de Monty.
  Havia conhecido Emmett no primeiro dia que embarcou para Hogwarts, tendo os dois sentados juntos em uma das cabines do trem e, com os dois selecionados para a Lufa-Lufa, a amizade apenas cresceu nos últimos quatro anos.
  Sabia que o moreno estava ansioso com os ataques acontecendo e considerar a ideia de que seu melhor amigo pudesse ser um dos alunos petrificados parecia algo irreal, pois Diggory não conseguia imaginar um dia em Hogwarts sem as piadas do lufano.
  — Talvez seja bom você evitar andar sozinho esse ano — respondeu, considerando a situação. Monty sorriu largo, piscando para o loiro;
  — Não se preocupe, já estou de olho em uma garota para passar o tempo fora das aulas!

●●●

  O loiro, assim como todos os colegas, estava em pé na arquibancada tentando ver o que acontecia no campo; Potter havia pego o Pomo, o que foi motivo de felicitações da maioria dos alunos visto que todos detestavam a Sonserina, mas também havia sido atingido fortemente por um Balaço e agora estava caído no campo, enquanto o resto do time desmontava de suas vassouras para ver se ele estava bem. Diggory deu alguns passos à frente quando acabou sendo empurrado com força por uma garota com um cachecol da Grifinória. A menina virou rapidamente para trás, olhando em quem tinha esbarrado na corrida, desculpou-se em voz alta quando viu o lufano, logo voltando a descer as escadas, sendo seguida pelos dois amigos e mais alguns alunos.
  Diggory viu quando eles chegaram até Potter, quase ao mesmo tempo em que Lockhart se aproximava para tentar ajudar. O loiro não conseguiu ver com clareza, mas pouco depois o professor apontava a própria varinha para o braço machucado de Harry e, no instante seguinte, vários gritos foram ouvidos e o professor de Defesa Contra as Artes das Trevas afastou-se rapidamente do centro do gramado. Hagrid então abriu passagem entre os alunos, para que Harry pudesse andar, seguido de perto pelos três melhores amigos.
  Cedrico saiu em direção ao Castelo quase ao mesmo tempo, já que não tinha mais nada importante acontecendo, chegando quase junto com eles na entrada principal;
  — Você vai ficar muito chateado se eu disser que isso é mais nojento do que o Rony vomitando lesmas? — Ouviu a voz de , próxima a ele, ao virar-se o lufo viu Potter segurando um dos braços, o qual parecia estranhamente mole e emborrachado.
  Harry virou-se para a amiga fazendo careta;
  — Eu falei para não deixarem ele se aproximar!
  — Pelo menos você pegou o pomo antes do Malfoy! — O ruivo tentou suavizar, enquanto subiam as escadas.
  — Harry está machucado e você pensando em um jogo, Rony? — A outra garota gralhou.
  — UM JOGO? — Os três falaram juntos, olhando abismados para ela.
  — Caramba, Hermione, não é só um jogo!
  — É Quadribol!
  — Contra a Sonserina! Contra o Malfoy!
  — Tinha muito mais do que pontos em jogo nessa partida! — O ruivo relembrou.
  — Exatamente, superamos a Sonserina pela Taça das Casas, e, além de tudo Draco caiu da vassoura! Foi de longe o melhor dia do ano até agora! — A loira comentou sorridente.
  — E resolveu alguma coisa? Agora Harry vai passar a noite da enfermaria!
  — Mas ganhamos da Sonserina! — Potter respondeu rindo.
  Cedrico sorriu sem olhar para eles, mas todos acabaram andando pelo mesmo corredor por algum tempo, passando por um grupo da Corvinal mais ao lado, Rogério Daves entre eles acenando com a mão para o loiro, pouco depois ele sentiu alguém puxá-lo levemente pela manga da capa.
  — Ei, — virou-se vendo parando ao seu lado, enquanto Harry e os outros continuavam andando mais à frente. — Desculpe pelo esbarrão mais cedo…
  — Não se preocupe, não foi nada demais! — Sorriu tranquilo, piscando para a garota que concordou também sorrindo, acenando com a cabeça, antes de afastarem-se para seguirem os próprios amigos.

●●●

  Ele reparou na garota sentando-se sozinha à mesa da Grifinória, parecendo triste, olhando vez ou outra para seu lado esquerdo. Diggory então percebeu que ela deveria estar sentindo falta da amiga, a qual sempre sentava ao seu lado e agora estava petrificada na Ala Hospitalar junto de todos os outros que também tinham sido atacados. Já havia pensado na possibilidade de Monty ser uma das vítimas algumas vezes durante o ano, e a simples ideia era horrível, então conseguia imaginar o que a garota sentia ao ter Granger petrificada.
  Quando levantou-se para seguir para suas aulas, Cedrico passou pela mesa da Grifinória, parando por um instante antes de sentar-se ao seu lado no banco, de costas para a mesa;
  — Ei! — Chamou sua atenção, vendo os olhos da garota o encararem curiosos — Sinto muito por sua amiga! — Sorriu sem graça, vendo-a concordar pesarosa.
  — Obrigada… — Respondeu tornando a olhar para frente, Diggory sentiu-se bobo por ter parado ao lado dela, não eram próximos e ele nem mesmo tinha muito o que dizer;
  — Daqui a pouco ela já está de volta, não é? Não devem demorar muito para terminarem as poções! — Falou, colocando uma mão em seu ombro e apertando-o gentilmente.
  — Imagino que sim, só é um pouco estranho não ter a Mione me mandando estudar e parar de perder pontos pra Grifinória... — Deu de ombros, coçando o nariz em seguida.
  — Tenho certeza que daqui há pouco ela voltará a fazer isso, e provavelmente vai reclamar dos pontos que você perdeu nesse meio tempo! — Piscou, vendo-a rir baixo ao concordar.
  — Obrigada… — Olhou-o com a cabeça inclinada, pensativa — Reparei que até hoje não fomos formalmente apresentados…?
  — Cedrico Diggory, — estendeu a mão, fazendo pose ao apertar a da loira, fazendo-a rir baixo — muito prazer!
  — Tonks, igualmente!

●●●

   andava em direção à sua cabine no trem, enquanto carregava dois copos de suco de abóbora e alguns sanduíches que tinha comprado quando alguém abriu uma das cabines e saiu sem olhar para frente, esbarrando nela e, por consequência, derrubando os copos que ela carregava, assim como a comida.
  — Caramba! Desculpa! — Ouviu a voz do rapaz, olhando para cima encontrou os olhos cinzas do lufano. — Nossa, me desculpa, ! — Pediu novamente ao ver quem era a garota e que o suco havia caído sobre sua roupa.
  — Hm, tudo bem… — Falou abaixando-se, o lufano fez o mesmo ajudando-a a pegar tudo, ainda desculpando-se pelo acontecido. — Não, tudo bem, não foi nada… Acontece…
  — Eu deveria ter olhado antes de sair… Te compro outro suco, tudo bem? E desculpe pela camiseta…
  — Sem problemas, já estamos quase chegando em Londres mesmo…
  — Por favor?!
   olhou rapidamente em direção ao vagão em que os amigos esperavam por ela, por fim concordou com a cabeça, seguindo o lufo até encontrarem a senhora vendendo guloseimas.
  — Dois sucos de abóbora, por favor!
  Enquanto estavam parados, lado a lado, percebeu o quão mais alto Cedrico era e, ao reparar em outra colega da Corvinal que olhava para ele dando risadinhas, percebeu o quão popular deveria ser; Talvez por jogar Quadribol, embora o time da Lufa-Lufa não fosse dos melhores, ou porque ele era bonito, além de educado. Pensando por um instante, considerou que Cedrico Diggory era, de longe, o garoto mais bonito de Hogwarts. Embora Montgomery e Daves também fossem bonitos, o lufano parecia ainda mais do que os outros dois amigos, não que ela reparasse muito em garotos… Mas agora que pensou sobre o assunto…
  Observou-o pelo canto do olho e então pensou nas últimas vezes que o viu na Escola enquanto caminhava pelos corredores, haviam sempre garotas por perto, fossem andando com ele ou o cumprimentando sorridentes quando ele passava. E então considerou o número de meninas que o rapaz provavelmente namorava, porque lembrou-se de já o ter visto pelos cantos com pelo menos três garotas naquele último ano.
  — Aqui! — Virou-se entregando os copos para ela, fazendo-a piscar distraída devido aos devaneios anteriores. Sorriu sem graça, agradecendo, tomando cuidado para não derrubar nada do que carregava, deu meia volta e começou a andar em direção ao seu vagão.
  Cedrico a olhou por alguns segundos;
  — Precisa de ajuda?
  — Não, tudo bem! — Ela riu negando, antes de agradecer mais uma vez e começar a afastar-se — Boas férias! — Falou por sobre o ombro.
  — Pra você também! — Respondeu um pouco mais alto, vendo-a a alguns passos de distância.
  Cedrico pegou seu sanduíche e o próprio suco que tinha saído para comprar antes de entrar no vagão com os amigos, ainda pode escutar e Potter conversando no corredor, dois vagões à sua frente:
  — Nossa que demora, achamos que tinha se perdido!
  — Olha que engraçadinho você, Cicatriz, seu ladrãozinho de Snap Explosivo!
  — Eu não roubei, você quem se distraiu… — Falou rindo.
  — Da próxima vez eu faço aquela carta explodir na sua cara, Potter!
  — Credo, você está muito estressada, toma logo seu suco pra ver se fica mais calma!
  Diggory riu baixo da conversa, tornando a sentar-se ao lado dos amigos, iniciando uma nova discussão sobre Quadribol e outros acontecimentos daquele ano.

TRÊS

1993

  Prima e tia tentavam alegrar a garota, Dora não parava de fazer piadas - as quais em sua grande maioria ignorava, mas sorria vez ou outra extremamente forçado. Compreendia a preocupação das duas mulheres e as amava ainda mais por tentarem distrai-la, mas naquele momento ela só queria estar sozinha e em silêncio. Já tinha visto os amigos há alguns metros junto com a família de Rony, mas eles não pareciam ter a reconhecido do meio da multidão, e a loira aproveitou para tentar “esconder-se” ficando atrás de Andrômeda.
   evitava ao máximo o contato com qualquer colega da Grifinória, mas em especial seus três melhores amigos. A verdade era que, pela primeira vez na vida, ela não queria ir para Hogwarts ou encontrar com ninguém, só queria poder voltar para casa e ficar em sua cama até que todo aquele pesadelo acabasse. Infelizmente não parecia um desejo que seria concedido.
  Viu os Malfoy atravessarem o portal e Draco conversar com os pais, parecia animado. Olhando ao redor, todos pareciam felizes reencontrando os amigos ou despedindo-se de seus familiares para iniciar mais um ano letivo. A felicidade parecia reinar por todo o lado, menos para ela;
   era a pequena nuvem cinza no meio do céu azul.
  Suspirou pela enésima vez, atraindo a atenção de Andrômeda e Ninfadora, que ainda tagarelava ao seu lado.
  — Vamos, , não fique assim, vai ficar tudo bem. — Dora tornou a dizer, segurando o ombro da mais nova, ela virou-se para a mulher de cabelos rosados e apenas concordou com a cabeça.
  — Não são os Diggory ali? — Andrômeda perguntou distraída, as duas olharam para o local que ela apontava.
  — Sim, Amos, a mulher e o filho, todos muito simpáticos, gosto deles — Dora tornou, sorrindo.
  — Você os conhece, ? — Andy virou-se para a sobrinha, tentando fazer a garota se distrair, ela apenas deu de ombros.
  — Já vi Cedrico em Hogwarts algumas vezes, foi ele quem derrubou o suco na minha camiseta, lembra? — Contou — Não sabia que vocês se conheciam…
  — Eu e Ted estudamos com Amos e Rachel, — a mulher explicou, acariciando os cabelos da mais nova — então vocês não são amigos? — tornou a perguntar, vendo-a negar com a cabeça.
  — Mal nos conhecemos...
  — Não? Mas ele parece ser legal e, olhando agora, é bonito também! — Ninfadora intrometeu-se, analisando melhor o garoto alto a alguns passos à frente.
  — Por Merlin, Dora! Esse garoto é muito mais novo que você! — Ralhou a mulher.
  — Ei! Não sou assim tão mais velha que ele, eu acho... E não estou dizendo pra mim, mãe! — Piscou olhando sugestivamente para , que arregalou os olhos .
  — Como é que é? — Questionou ligeiramente assustada.
  — Ué, ele parece legal, é bonito, não deve ser muito mais velho do que você... Ambos em Hogwarts o ano inteiro... De repente arranjando um namoradinho você se distrai!
  — Você não existe, Ninfadora! — negou com a cabeça, cruzando os braços e olhando para o lado oposto dos Diggory.
  Dora arqueou a sobrancelha irritada, odiava quando a chamavam pelo nome. Depois sorriu travessa, pensando em divertir-se um pouco com a cara da mais nova, era sempre divertido constrangê-la, mesmo que não fosse mais tão fácil quanto quando era uma criança;
  — Olá, Amos! — Acenou animada para o homem.
   e Andrômeda abriram a boca, chocadas com a cara de pau da outra, a mais nova ficando vermelha só de imaginar o que a prima poderia fazer.
  Sr. Diggory, um homem alto e robusto com uma barba rala castanha, virou-se ao ouvir seu nome e sorriu reconhecendo a Auror ao longe.
  — Ninfadora! — Disse contente, trocou uma palavra rápida com a mulher e o filho e os três caminharam até as mulheres. riu baixinho quando ouviu o homem chamar a prima pelo nome de batismo, vendo-a rolar os olhos e respirar fundo.
  — Andrômeda, como está? E Ted? — Perguntou o homem cordialmente.
  — Ele não pode vir, Amos, precisou resolver umas coisas no Ministério..
  — Óh, sim, uma pena... Acredito que nem todos fomos apresentados — sorriu ao olhar para , apontando para a esposa e filho — Rachel e meu filho, Cedrico!
  — Olá! — Dora sorriu educada — Minha mãe, Andrômeda, — apontou, olhando diretamente para o Diggory mais novo, vendo a loira olhar para o lado, vermelha — e minha prima, ! Acho que vocês dois já devem se conhecer, não? — Perguntou apontando para os estudantes.
  O rapaz sorriu, concordando com a cabeça.
  — Já nos vimos na escola algumas vezes… Tudo bem? — Perguntou olhando para a garota que apenas concordou com a cabeça, completamente sem graça. — Era pra ela que eu precisava da camiseta, mãe — Falou, apontando com a cabeça para a garota.
  — Ah, esperamos que sirva! — Rachel sorriu em sua direção, vendo-a franzir o cenho confusa — Ced quem escolheu!
  — Não precisava — falou em voz baixa, sentindo o rosto esquentar.
  — Realmente, não precisavam se incomodar, — Andy continuou ao reparar que o estado da sobrinha. — Não manchou nem nada, saiu bem fácil!
  Cedrico deu de ombros;
  — Agora já foi, te entrego depois, ok? Não faço ideia em que parte do meu malão está… — Riu, vendo-a concordar com a cabeça, sorrindo fraco em sua direção.
  — Você está bem, querida? Parece um pouco pálida... — Sra. Diggory perguntou olhando mais atentamente para a garota que pareceu ligeiramente desconfortável.
  — Ela esteve um pouco doente, sabe? Mas agora já está melhorando, não é? — Dora sorriu para os Diggory e olhou para a prima que, novamente, apenas concordou com a cabeça.
  — ?
  Virou-se ao ouvir o grito, assim como todo o grupo. ergueu a mão dando um tchau rápido para Hermione, vendo Harry e Rony também olharem em sua direção, acenando para que se aproximasse. A loira sentiu-se insegura, apenas fazendo um sinal com a mão para conversarem depois.
  — Essa menina não tem modos mesmo, cada dia mais mal-educada! — Dora observou balançando a cabeça, as mãos na cintura enquanto fazia uma pose séria. — Não foi assim que eu te criei, sabia? — Fez piada, vendo-a dar língua, sem nada dizer.
  — Ela estava doente, parece cansada, compreensível estar tão quietinha — A mãe de Cedrico sorriu para a menina, defendendo-a. sorriu de canto, agradecida, e Andy acariciou seus cabelos, dizendo baixinho que estava tudo bem.
  As duas famílias conversaram por mais alguns minutos, embora Cedrico e ficassem a maior parte do tempo só escutando Amos e Ninfadora falando sobre o Ministério, enquanto as duas mulheres conversavam sobre coisas do dia-a-dia. Cedrico vez ou outra cumprimentava algum amigo que passava por ele, mas reparou na mais nova olhando para baixo, como se quisesse evitar o contato com qualquer pessoa. Pouco depois ouviram o maquinista chamar os estudantes na hora de embarcar.
  — Tenha um bom ano, filho! — Rachel abraçou o rapaz que sorriu, abraçando-a de volta.
  — Não se esqueça de escrever, Ced! — Amos recomendou, despedindo-se.
  Dora e Andrômeda abraçaram a mais nova, Andy fez algumas recomendações rápidas e por fim a abraçou novamente, com força e demoradamente.
  — Nos vemos no Natal! — Sorriu, colocando as duas mãos em seu rosto, para olhá-la nos olhos. suspirou ao afastarem-se;
  — Não quero ir pra Hogwarts. — Disse baixinho, os olhos marejados.
  Os Diggory olharam para a garota surpresos ao ouvirem aquilo e reparam no estado em que ela se encontrava. Em seguida Amos voltou a falar com o filho, como se não tivessem escutado nada, pois não era educado ficarem ouvindo a conversa dos outros, contudo, por mais que soubesse disso, Cedrico continuou prestando atenção, não conteve a curiosidade e ficou olhando as três mulheres conversando ao lado;
  — , já conversamos sobre isso. Você ficará bem, não tem com o que se preocupar!
  — Você não me disse que tentaria entrar para o time de Quadribol esse ano? Como é que vai ficar em casa? — Dora perguntou, tentando animá-la. — E como é que a Grifinória vai perder mil pontos sem você lá para fazer isso acontecer?
   rolou os olhos, passando a mão pelo rosto enquanto respirava fundo, acalmando-se.
  — Encontre seus amigos, estude bastante, distraia-se um pouco, se você realmente não estiver se sentindo bem, no Natal nós conversamos sobre isso, está bem? — Andy sorriu docemente para a garota. — Vai ser melhor do que ficar em casa pensando besteira...
  — E você precisa estudar, tenho certeza que depois de chegar em Hogwarts e ver todos os seus amigos isso vai passar!
  A garota olhou para baixo, mordendo o lábio inferior antes de se dar por vencida.
  — Tudo bem, se ninguém me quer mais em casa — resmungou, cruzando os braços, ouvindo-as rirem.
  — Se tiver algum problema fale com a McGonagall! — Andrômeda aconselhou — E nos mande uma coruja, está bem? Quero saber como estão as coisas. Sentiremos saudades! — Andy a abraçou mais uma vez, beijando-lhe a bochecha.
  Ao notar que o assunto familiar estava encerrado, os Diggory voltaram a virar-se para as três, simpáticos como sempre.
  — Tenha um bom ano, querida! — Rachel disse para a garota.
  — Obrigada! — Agradeceu dando um sorriso de lado, agora constrangida por saber que o lufo tinha visto todo o drama familiar.
  — Filho, você poderia ajudá-la se ela precisar de alguma coisa, não? – A Sra. Diggory disse gentilmente a Cedrico, ainda sorrindo para a garota que ficou extremamente vermelha. Dora riu baixinho e levou uma leve cotovelada da mãe no mesmo instante.
  Cedrico, alheio às risadas e ao constrangimento da mais nova, concordou com a mãe e depois sorriu para .
  Os dois tornaram a se despedirem dos familiares e seguiram juntos para o trem;
  — Está tudo bem com você? — Ele perguntou simpático, assim que embarcaram.   Tonks o olhou por alguns segundos, concordando.
  — Está, obrigada, bem... Até mais, Cedrico. — Acenou com a mão virando-se e afastando-se do lufano o mais rápido que conseguiu.
  Se dependesse dela, passaria o ano todo sem vê-lo, apenas para garantir que ele se esquecesse de tudo o que tinha acontecido antes do embarque.

●●●

  — Você vai acabar doente, sabe disso, não é?
  — Caramba, Mione, eu já disse que não estou com fome. Se eu comer contra vontade, vou vomitar e terminar na Ala Hospitalar.
  — Não seja grosseira, estou preocupada com você!
  — Tudo bem… Me desculpe, só estou cansada. Quer um abraço?
  — Não tenta me comprar com essa carinha inocente! Você pode até enganar os Professores, mas eu te conheço, !
  — Eu não te entendo, fica reclamando quando eu sou grosseira e quando eu me desculpo você briga comigo? Assim não tem condições, Granger.
  — Ridícula!
  — Você quem é!
  As duas riram abraçando-se de lado, Cedrico viu a cena com a sobrancelha arqueada, sorrindo com a pequena discussão das duas. Aproximou-se pouco depois, vendo Hermione o olhar confusa quando ele a cumprimentou, quando seus olhos encontraram com os de , notou que as bochechas dela ganharam um tom avermelhado, o que ele achou extremamente engraçado.
  — Oi, tudo bem?
  — Oi… Tudo e você?
  — Aham… — Coçou a nuca sem graça, rindo em seguida — Juro que não estou te perseguindo nem nada, mas minha mãe ficou preocupada com você aquele dia e me mandou uma carta para perguntar se você está ok… — Deu de ombros, colocando as mãos nos bolsos da calça, completamente constrangido.
  A garota riu baixo concordando com a cabeça, Diggory gostou de ouvir a risada mais animada dela, tirando momentaneamente a imagem da garota quase chorando na Plataforma 9 ¾.
  — Pode dizer que eu estou bem, obrigada. Hermione ficou encarregada de ser minha babá esse ano, não tem com o que se preocupar!
  — Ei! Só estou sendo legal, sua mal-agradecida — A outra reclamou, acertando-lhe um tapa no braço.
  — Certo — ele riu junto das duas —, ah, antes que eu me esqueça mais uma vez — abriu a mochila que carregava, tirando um embrulho de dentro. — Estou para te entregar fazem dias, mas nunca te encontro quando lembro e quando te vejo pelos corredores esqueço de entregar! — Explicou-se rindo, antes de virar-se em sua direção — Aqui! Espero que goste e que te sirva.
  — Obrigada, mas realmente não precisava… — Sorriu sem graça, pegando o pacote.
  — Ah, bom, agora já comprei! — Deu de ombros — Preciso ir para aula, até depois, meninas!
  — Tchau! — Falaram juntas, vendo-o se afastar.
  — Por que ele está tão interessado em você? — Mione perguntou em voz baixa quando Cedrico se afastou, olhando curiosa para o pacote embrulhado — E o que é isso?
  A loira rolou os olhos;
  — Ele não está interessado em mim, Mione, só está fazendo o que a mãe dele pediu, não ouviu? — Respondeu, abrindo o pacote — E lembra que no último dia de aula eu derrubei o suco na camiseta? Bem, foi ele quem esbarrou em mim, aí achou que precisava me comprar outra.
  — Nossa, que linda! — Granger exclamou ao ver a camiseta vermelha, cor da Grifinória, com alguns detalhes em dourado — Se não te servir ou não gostar eu aceito, viu? Pode até ser meu presente de Natal antecipado! — Avisou rindo, antes de tornar a guardá-la, cuidando para não a amassar e levantarem para a aula de Feitiços. — Mas ele é bonito, não é? — Hermione insistiu, olhando de canto para a loira.
  — Sei lá, acho que sim… — deu de ombros, tentando não prestar atenção na conversa, como se estivesse muito ocupada evitando esbarrar nos colegas ao saírem do Salão Principal. Granger apenas riu, fingindo não reparar no rosto avermelhado da amiga.
  Era claro achava Diggory bonito, assim como, possivelmente, todas as garotas de Hogwarts, mas jamais admitiria aquilo em voz alta, dando a chance de ouvir piadinhas da amiga sempre que vissem o lufano!

●●●

  Cedrico estava sentado junto com os amigos na mesa da Lufa-Lufa no Salão Principal, terminando o dever de Poções quando viu um grupo de alunos da Grifinória entrarem rindo, atraindo a atenção de boa parte dos outros estudantes.
  Olívio Wood, Capitão do time de Quadribol, pegou uma taça em cima da mesa da Casa e ergueu para que os colegas de time e outros estudantes pudesse ver;
  — Bem-vindos ao time, façam por merecer essas vagas! A Taça será nossa este ano, entenderam?
  — Nada como um discurso motivador do Olívio para começar o dia!
  — Sem qualquer pressão nos novos jogadores, é claro! — Fred e Jorge Weasley riram antes de sentarem-se à mesa, servindo-se do que havia restado do café-da-manhã.
  Ao olhar novamente para o grupo, Cedrico focalizou sentada entre Harry Potter e Angelina Johnson, vestindo a capa de Quadribol por cima das roupas, e só então percebeu que a garota tinha entrado para o time da Grifinória, lembrando-se do comentário de Ninfadora no dia do embarque. Sorriu para ela quando seus olhares se encontraram, vendo-a sorrir de lado apontando a própria taça em direção ao lufo, em um brinde silencioso, antes de virar-se para conversar animada com Potter.
  Diggory ainda manteve o olhar na garota por mais alguns instantes, sem nem mesmo reparar, até sentir uma cutucada nas costelas e a risada vinda de Emmett;
  — Achou uma nova paquera, foi?
  Sentiu o rosto esquentar, tornando a encarar o pergaminho aberto;
  — Ah, cala a boca!

●●●

  O loiro estava concentrado em terminar sua prova de Transfiguração na sala da Prof. Minerva, enquanto a professora corrigia alguns trabalhos, faltavam apenas duas perguntas para encerrar, tinha acabado de molhar a pena em seu tinteiro quando alguém abriu à porta da sala;
  — Professora! — Virou-se ao ouvir o chamado em voz alta — Me desculpa, juro que não era minha intenção atrasar desse jeito, e não que eu queira culpar ninguém, mas foi o Snape quem me pediu um trabalho enorme… Quer dizer, dois pergaminhos inteiros sobre lobisomens?! Ele nem é nosso professor de Defesa Contra as Artes das Trevas, só estava substituindo o Professor Lupin, acho que ele não tinha direito de pedir um trabalho desse tamanho! — entrou na sala apressada, falava muito rápido e vestia as roupas de Quadribol, carregando sua mochila por sobre um ombro e a vassoura na outra mão — Passei a noite inteira fazendo esse trabalho e ainda tinha o Wood gritando sobre o jogo contra a Lufa-Lufa no sábado, ele é assustador, sabe? Sempre achei que Olívio era mais legal, mas eu estava enganada, ele me dá medo!
  — Srta. Tonks, caso não tenha reparado, está atrapalhando um aluno fazendo prova! — Minerva ralhou apontando para Cedrico, a menina virou-se confusa para o garoto que sorriu levemente para ela.
  — Desculpe! — Pediu sem graça, e olhou novamente para a professora — Enfim, professora, eu consegui terminar o trabalho, tive que perder os dois tempos de Adivinhação, não que eu me importe muito, mas terminei! — Sorriu retirando um rolo de pergaminho de dentro da mochila e deixando-o na mesa.
  Minerva olhou para a aluna e então para o trabalho recém entregue.
  — A Srta. sabe que isso não é desculpa, não é? Quadribol e outras aulas. Descontarei alguns pontos do seu trabalho pelo atraso.
  — O QUÊ? — A garota pareceu indignada piscando algumas vezes, atordoada. — Professora, eu nunca fiz um trabalho tão rápido na minha vida, é um pergaminho inteiro!
  — Então já sabemos que não foi tão cuidadosa quanto seus colegas! — Reclamou a mais velha abrindo o pergaminho e fazendo careta em seguida. — É, bem se vê que não tivemos o mínimo esforço com esse trabalho. Nem uma introdução foi feita e...
  — Mínimo esforço? Professora, a senhora me escutou? Eu passei a noite em claro fazendo o trabalho do Snape e...
  — Professor Snape, Srta. — Minerva cortou.
  — ... Trabalho do Prof. Snape, depois de horas treinando Quadribol na chuva com Wood gritando o tempo inteiro e ainda tive aula de Poções no primeiro horário, Snape me tirou dez pontos por ter atrasado cinco minutos para a aula, nem almocei para ficar fazendo esse trabalho para entregar para a senhora, perdi duas aulas de Adivinhação e ainda estou atrasada para o treino de hoje, e a senhora vai ter coragem de me descontar nota? Professora, isso é injusto. — Reclamou a garota após enumerar todos os problemas, cruzando os braços.
  — Injusto? Seu colega, Cedrico Diggory, é Apanhador e Capitão do time de Quadribol da Lufa-Lufa, além de Monitor da Escola, e as notas dele são excelentes, é o melhor aluno do quinto ano. Nunca se atrasa, nunca perde um trabalho, só está fazendo uma prova agora porque se machucou durante um treino e ficou na Ala Hospitalar ontem. — Diggory ficou extremamente constrangido ao ouvir a professora falando dele, e sentiu o rosto e pescoço esquentar rapidamente ao notar a garota o olhando com a sobrancelha arqueada. — E a Srta. está atrapalhando a concentração dele. Creio que descontar nota do seu trabalho não seja nenhum pouco injusto, estou sendo até muito generosa por aceitá-lo, devia ter sido entregue ontem.
   virou-se para a professora, jogando os cabelos para trás antes de respondê-la;
  — Também acho errado a senhora dizer que não sou boa aluna na frente dos outros, sabe? Não é necessário dizer que o Diggory é mais inteligente e dedicado desse jeito, professora. É muito constrangedor e pode atrapalhar minha confiança, porque me lembrarei dessas palavras. Pode arruinar para sempre meu futuro acadêmico! — Argumentou com a professora, que arqueou a sobrancelha.
  Cedrico segurava uma risada olhando para a prova.
  — Já terminamos Srta. Tonks, pode se retirar agora! — Declarou Minerva.
  A garota suspirou, virou-se para pegar suas coisas e andando para fora da sala, parou antes de chegar à porta e olhou novamente para a mais velha;
  — Gostaria de deixar registrado que tenho certeza que se fosse o Professor Lupin, ele teria aceito meu trabalho sem descontar nota nenhuma e ainda ficaria impressionado com a minha dedicação perante todos os problemas pelos quais venho passando esse ano. — A olhou significativamente por um instante, e então virou-se para Cedrico, que mordia o lábio para não rir — Desculpe-me pela interrupção, Cedrico-Capitão-Monitor-Exemplo-de-Estudante-Diggory. Até mais, Professora! — Encerrou, fechando a porta ao passar.
  Diggory não aguentou mais segurar a risada, colocando a mão na boca para disfarçar o barulho. Minerva o olhou séria e ele se desculpou no mesmo instante. A Professora balançou a cabeça tentando conter ela mesma um sorriso divertido.
  — Ela é sempre assim? — O lufo questionou.
  — Normalmente costuma argumentar mais, adora fazer um drama pra ver se eu vou perdoar algum deslize nas aulas — contou, voltando a olhar para o trabalho da garota. — Parece muito com o pai... — Minerva arregalou levemente os olhos, pigarreando em seguida — Quer dizer, a prima também não era a pessoa mais dedicada que conheci, Ninfadora. Era sempre muito simpática, mas um tanto irresponsável com os trabalhos. não era assim, bem, sempre deixou para entregar os trabalhos no último instante, é claro, mas esse ano está um tanto aérea... Deve ser o Quadribol...
  Cedrico concordou com a cabeça, sorrindo sozinho ao lembrar da expressão da garota ao se desculpar pela interrupção e a forma como disse seu nome, antes de voltar a prestar atenção na prova que fazia.

●●●

  O lufo devolvia os livros de Herbologia que havia pego, estava cansado e precisava urgentemente dormir direito, as olheiras já começavam a ser visíveis, mas ainda tinha que fazer sua ronda pelo castelo antes de poder voltar para o Salão Comunal. Aquele excesso de atividades extracurriculares estava cansando-o de uma forma irritantemente insuportável. Não tinha mais ânimo para ficar junto dos amigos e menos ainda para estudar, cada dia que passava tinha menos vontade de continuar como Monitor - embora gostasse do reconhecimento por seus esforços, o número de tarefas estava começando a atrapalhar seu desempenho nas aulas. Precisava dedicar-se aos estudos, ao seu trabalho como Monitor e ainda pensar no time de Quadribol, organizar as novas táticas e marcar mais alguns treinos antes do primeiro jogo. Todos sabiam que ele não era Capitão do melhor time de Quadribol, mas ele faria de tudo para deixar a Lufa-Lufa entre os primeiros.
  Aguardava pacientemente Madame Pince inspecionar todos os livros para certificar-se que não tinha nenhum estrago, quando a porta da biblioteca abriu e duas alunas da Grifinória entraram.
  Cedrico sorriu pequeno ao reconhecer a loira de coque frouxo e, por mais que detestasse admitir aquilo, reparou que parecia cada vez mais procurá-la pelo Salão Principal durante as refeições, ou sempre que via um grupo da Grifinória passando, mesmo que inconscientemente. Nem mesmo sabia o motivo, já que não conversavam;
  — Você poderia me ajudar com isso, Mione! — A garota pediu baixinho para a amiga que negou com a cabeça, as duas pararam próximas ao lufano, não parecendo notar sua presença. — Não é pra fazer meu trabalho, é só para me dar uma pequena ajuda...
  — Boa tarde, eu queria devolver esses livros! — Granger sorriu para a bibliotecária, retirando quatro livros grossos da mochila. Madame Pince a encarou.
  — Um instante, estou terminando estes. — Apontou para os livros que o rapaz tinha entregue, Mione sorriu para a mulher e virou-se para a amiga.
  — Já disse que vocês três precisam fazer as coisas sozinhos, não vou ficar ajudando, vocês são muito irresponsáveis!
  — Hermione, não tenho tempo de fazer essas coisas, Snape me deu outra detenção, já foram cinco esse mês! Ele está de implicância comigo. — Fez cara de sofredora, a morena rolou os olhos.
  — Se você não tivesse dormido na aula dele, isso não aconteceria.
  — Olha, tenho Quadribol quase todas as noites, trabalhos e aulas, não está fácil pra mim, sabe? Ainda não consegui organizar meus horários, então tenho que fazer os deveres depois dos treinos e durante as aulas tenho sono, porque não durmo à noite. E se Snape não pedisse quinhentos trabalhos difíceis por semana eu não passaria tantas noites sem dormir! — Protestou. — Está vendo essas marcas roxas, é falta de horas de sono! — Disse apontando para o próprio rosto.
  — Isso não é desculpa, você se inscreveu para o Quadribol porque quis, agora encare suas responsabilidades.
  — Você é pior que a Andrômeda e a McGonagall, é sério. Não sei como ainda perco meu tempo pedindo ajuda para você. — Bufou, virando-se para sair da biblioteca — Só não se esqueça de que eu estou pedindo sua ajuda para estudar e conseguir entregar tudo direito, então se eu não passar de ano parte da culpa será sua que recusou essa ajuda. E ainda se diz minha amiga! — Reclamou indignada passando pela porta.
  Cedrico viu Hermione suspirar mordendo o lábio inferior, provavelmente sentindo-se culpada. A morena passou a mão pelos cabelos e então olhou em sua direção, sorrindo pequeno.
  — Você é Monitor, não é?
  — Sim, pela Lufa-Lufa.
  — E joga Quadribol também? — Ele confirmou com a cabeça — Como consegue administrar seus horários?
  Ele sorriu, cansado.
  — Não é muito fácil, você podia tentar entender o lado dela, é realmente complicado administrar as aulas e o Quadribol, ainda mais conhecendo o Wood como conheço. Ele é bem exigente...
  Hermione suspirou olhando para a porta.
  — Muito bem, Sr. Diggory, está tudo certo. — Anunciou Madame Pince.
  — Obrigado! — Agradeceu pegando sua mochila — Não se sinta culpada, mas é realmente estressante, sabe?
  — Eu sei, tenho mais aulas do que ela e está complicado organizar tudo, mas estou me virando, só acho que ela poderia tentar um pouco mais… é muito dramática também… — Ela riu fraco e o lufo concordou sorrindo ao lembrar-se da garota reclamando com McGonagall dias antes — Vou falar com ela, obrigada!
  — É meu dever de Monitor ajudar os outros. — Riu piscando para a garota, a qual sorriu constrangida — Até mais.

QUATRO

  Cedrico ainda vestia seu uniforme de Quadribol, molhado e sujo de lama. Estava sentado em um banco no corredor lateral ao que dava acesso a Ala Hospitalar, um tanto entediado, embora continuasse preocupado. Ouviu o barulho de passos e olhou para o lado vendo alguém aproximar-se, após alguns segundos reconheceu , ainda usando o uniforme da Grifinória, tão molhada e suja quanto ele mesmo; a garota tinha lama seca em parte do rosto e nos cabelos loiros, e teve certeza que era devido a ela ter caído da vassoura durante a par-tida, quando mergulhou para recuperar a Goles e trombou-se com um dos Artilheiros da Lufa-Lufa.
  A garota parecia distraída, andava de cabeça baixa, já estava para virar o corredor sem nem mesmo ter reparado em Diggory. O loiro demorou alguns segundos para decidir se tornaria a tentar falar com algum dos jogadores da Grifinória, chamando-a antes que ela sumisse;
  — Ei! – A garota virou-se, olhando para o lufo que levantava apressado do banco em que estava — Hm, , oi... — Ela o cumpri-mentou rapidamente, ainda parada com o cenho franzido, curiosa, esperando que o rapaz prosseguisse. — Hm... Sabe, eu só... Eu... — Cedrico sentiu-se muito mais cons-trangido e sem graça do que estava nas outras duas vezes que havia feito aquela per-gunta, e, pensando bem, por alguma razão sempre parecia constrangido quando a garo-ta o olhava; lembrava-se claramente de ter ficado roxo quando ela o viu aos beijos com uma aluna da Corvinal semanas atrás em um canto deserto da biblioteca, embora apenas tivesse dado uma risadinha e se afastado sem nada dizer — Eu só queria perguntar... Potter está bem?
  A garota riu, concordando com a cabeça;
  — Ele está bem sim, só terá que passar o fim de semana na Ala Hospitalar, ordens da Madame Pomfrey, mas ele sobrevive! – Piscou olhando para o loiro, que sorriu de volta.
  — Obrigado. Sei que é estranho, mas fiquei preocupado com ele... — Disse balançando a cabeça — Não é desse jeito que eu quero ganhar. Falei com a Madame Hooch, quero que façam um novo jogo, mas ela não aceitou... — Explicou-se passando a mão pelos cabelos úmidos, frustrado.
  — Não é preciso fazer um novo jogo, Cedrico, foi um acidente. — Falou, Diggory tornou a olhá-la — Você não teve nada a ver com o que aconteceu. Vocês ganharam de forma justa, simples assim. Obviamente se Harry não tivesse caído da vassoura vocês não ganhariam, porque continuaríamos marcando vários gols no seu goleiro, mas fora isso… — Comentou displicente, vendo-o negar com a cabeça com um sorriso de canto.
  — Realmente, até fico triste de você ter entrado para o time, ou por não ser da Lufa-Lufa, nos ajudaria bastante! — Piscou, colocando as mãos nos bolsos da capa.
  A loira riu alto, Cedrico sorriu junto, gostando de ouvir a risada dela;
  — Infelizmente não sou legal o suficiente para entrar na Lufa-Lufa, então é a Minerva quem tem que me aguentar mesmo — Respondeu, ainda sorrindo.
  — Ah, você é legal, até achei que não fosse falar comigo hoje… — Confessou, rindo baixo.
  — Por que eu não falaria? — Questionou curiosa, vendo-o dar de ombros, sem graça.
  — Primeiro, porque da última vez que você me viu na sala da McGonagall não pareceu muito feliz, e segundo, porque eu perguntei do Potter para os gêmeos e eles me ignora-ram...Também perguntei para o seu outro amigo Weasley... Rony?
  — Ah, eles só estão chateados por causa do jogo! Esse é o último ano do Olívio, enten-de? Ele quer mais do que tudo ganhar a Taça de Quadribol, essa derrota não estava nos planos dele. Na verdade, acho que nunca está nos planos dele levar um único gol, imagina perder, não é mesmo? — Disse divertida, completando instantes depois — E meu problema naquele dia era com a McGonagall, não com você!
  — Vocês vão ganhar! – Cedrico afirmou após rir junto com ela, arqueou a sobrancelha, um tanto surpresa com a confiança do outro. — Vocês têm o melhor time, todos sabem! Só não ganharam ainda por "problemas técnicos". — Falou fazendo aspas com os dedos, o que a fez rir.
  — Na verdade, só não ganhamos ainda porque é meu primeiro ano jogando! — Disse convencida, Cedrico rolou os olhos, embora risse.
  Ouviram um grito e viraram-se ao mesmo tempo, vendo Monty aproximar-se correndo;
  — Caramba, Diggory, estou te procurando pelo castelo inteiro! Só estamos esperando você para comemorar a vitória! Vem logo! — O moreno falou, puxando Cedrico pelo braço.
  O loiro fez uma careta em sua direção a garota, ao tempo que deixava-se levar pelo amigo, tornou a sorrir para ele, acenando com a mão e virando-se para voltar ao Salão Comunal da Grifinória, precisava urgentemente de um banho.
  O lufo virou-se uma última vez para olhar a garota que havia deixado no corredor, após livrar-se momentaneamente de Emmett, mas ela já não estava mais por lá.
  Voltou a acompanhar o amigo para o Salão Comunal da Lufa-Lufa, não queria comemo-rar, não considerava aquela uma vitória justa, não era daquele jeito que ele queria ven-cer no Quadribol. Achava certo ter outro jogo, entretanto, era como todos diziam: ele não teve culpa do acidente de Harry Potter, e ninguém parecia achar necessário um novo jogo.
  Ao passar pela entrada secreta ouviu gritos e palmas, e logo começou a receber tapi-nhas nas costas e, quando se deu conta, dois ou três colegas já o carregavam nos om-bros para que todos pudessem vê-lo. Era tudo muito exagerado em sua opinião, ao mesmo tempo em que entendia a felicidade dos colegas, afinal era raro o time deles vencer - principalmente a Grifinória que todos sabiam ter os melhores jogadores. E, ao lembrar-se daquilo, sorriu sozinho pensando na artilheira da Casa rival, a qual parecia realmente confiante ao dizer que era uma excelente jogadora. Não que estivesse erra-da, de fato, Diggory ficou bem impressionado ao ver o desempenho dela em sua primei-ra partida. Realmente o deixava triste saber que ela não poderia entrar para a Lufa-Lufa, seria uma ajuda enorme.
  Saiu dos devaneios ao reparar que todos o olhavam admirados, logo pedindo por um discurso, o qual Cedrico era tímido demais para fazer, por isso preferiu apenas agrade-cer os companheiros de time pela partida e declarar que ainda precisavam melhorar alguns pontos para os próximos jogos.
  Tentou ir para seu quarto algumas vezes, mas todos o puxavam no último segundo e lhe davam mais um copo de cerveja amanteigada, tortinhas ou bolo para experimentar.
  Precisou de, no mínimo, mais meia hora para conseguir livrar-se de algumas colegas do quinto e sexto ano, as quais queriam que ele contasse detalhadamente algumas coisas sobre o jogo, embora achasse que não era realmente isso que elas queriam saber, pois ouvia as risadinhas e os olhares demorados em sua direção, além de sempre que podi-am, tocarem em seus braços. Quando finalmente a euforia passou e ele declarou estar cansado e precisando de um banho, as colegas o deixaram ir para o dormitório.
  Cedrico ainda puxava algumas roupas limpas do seu malão quando ouviu uma risadi-nha, olhou para o lado vendo uma garota do quarto ano encostada na porta do dormitó-rio, sorrindo para ele.
  — Olá, Capitão! — Ela riu aproximando-se, Cedrico sorriu constrangido voltando a me-xer nas suas coisas.
  — Desculpe, mas estou cansado e preciso mesmo de um banho, estou coberto de lama e suor... — Comentou, enquanto pegava sua toalha pendurada em uma cadeira.
  — Talvez você possa esperar mais um pouco, Diggory! — Ela piscou sorridente.   Cedrico a encará-la por alguns segundos; A garota era bonita, um ano mais nova do que ele e havia tentado entrar no time no ano anterior. Os dois já haviam conversado algu-mas vezes, mas tinha certeza que se a beijasse iria acontecer igual com sua última namorada: eles saíram juntos duas vezes e, de repente, todos diziam que estavam apaixonados.
  Diggory nunca tinha se apaixonado realmente, havia gostado de algumas garotas e saí-do com boa parte delas, mas nunca foi nada muito sério, nem mesmo com a garota com quem teve o primeiro beijo, dois anos antes. O mais próximo que chegou de realmente gostar de alguém, foi quando saiu com a Apanhadora do time de Quadribol da Corvinal no ano anterior, mas depois de algumas semanas descobriu que era apenas uma atração e que ele não tinha quase nada em comum com Cho Chang.
  Se ele não parasse Coulson naquele instante, teria um sério problema mais tarde.
  Não queria ser rude com a garota, mas não sabia exatamente como dizer que não tinha vontade de beijá-la naquele momento.
  — Escuta, Coulson...
  — Pode me chamar de Dani, Ced! — Ela sorriu enquanto enrolava uma mecha do cabe-lo claro no dedo, Diggory concordou, embora um sinal em sua cabeça o avisasse que agora ele realmente não iria beijá-la nem se quisesse, odiava quando o chamavam de Ced, somente seus pais e Monty faziam isso, e o melhor amigo só o chamava daquele jeito para irritá-lo, o que facilmente con-seguia.
  — Tudo bem, Dani... — Suspirou olhando para o lado e passando a mão pelos cabelos castanhos — Não quero parecer rude, mas... Bem... Digamos que… — Tentou imaginar uma desculpa convincente — Eu... estou interessado em outra garota — deu de ombros com um leve sorriso no rosto, viu quando Coulson abriu a boca, descrente.
  — Quem é? — Perguntou interessada, cruzando os braços e aproximando-se dele.
  — Não é da Lufa-Lufa, você provavelmente não a conhece. — Disse simplesmente, não precisava inventar uma namorada, e tinha certeza que logo a história se espalharia e todos comentariam que Cedrico Diggory, o grande herói do jogo contra a Grifinória, tinha uma namorada secreta.
  — E de qual Casa ela é? É a Cho? — Tornou a perguntar, o lufo suspirou cansado e virou-se pegando suas coisas em cima da cama.
  — Olha, não quero ser mal-educado, mas acho que isso não é da sua conta. — Olhou rapidamente para a garota, a qual pareceu ofendida — Você é bonita, é sério, tenho certeza que qualquer outro cara do time gostaria de sair com você, mas eu gosto de outra... — Sorriu para ela antes de andar até a saída do dormitório — Boa noite! — Se-gurou a porta aberta para a garota sair. Coulson o olhou por um longo tempo e então passou sem dizer mais nada.

●●●

  Sabendo dos boatos que começavam a circular pelos alunos da Lufa-Lufa, e não querendo aumentar a história de estar apaixonado por qualquer garota que fosse, no próximo encontro que teve, Diggory resolveu ser o mais discreto possível. Não que já não o fosse, mas não era assim tão cuidadoso com os locais que escolhia para encon-trar alguém. Por fim, resolveu seguir a (em sua opinião, péssima) ideia de Rogério Da-ves. Sentiu-se ridículo ao sugerir o local, mas não era como se Alice Spinnet - uma co-lega de sala que era aluna da Grifinória, tivesse se importado, pareceu até bem divertida com a ideia.
  E agora estava ali, ajeitando-se como podia dentro do armário de vassouras, esperando alguns instantes antes de sair e voltar para seu Salão Comunal após a morena ter saído primeiro. Achou o local realmente péssimo, além de escuro era muito apertado, claro que tinha lá suas vantagens, e conseguia imaginar o motivo de Rogério costumar usar o espaço, mas o fazia sentir um tanto claustrofóbico. Fora que volta e meia esbarrava em algo ou batia a cabeça, porque o lugar era pequeno demais. Estava pronto para sair quando começou a ouvir vozes se aproximando, suspirando derrotado ao voltar a en-costar-se no armário, esperando que passassem logo para que pudesse sair.
  —... Eu disse que você perderia pontos, não foi?
  — E como é que aquilo foi minha culpa? Estou te dizendo, Mione, ele nos odeia desde o primeiro dia e sem nenhum motivo!
  — Está dizendo que vocês não dão motivos para Snape tirar pontos, ?
  — É claro que sim, mas não nas primeiras semanas de aula… Eu acho que ele sim-plesmente odeia todo mundo, só não entendo porque ainda é professor!
  — Não acho que ele odeia o pessoal da Sonserina… — Rony respondeu pensativo.
  — Ah, bem, não dá pra ele odiar os alunos da própria Casa, não é? — Harry concordou com a loira.
  Diggory riu baixo ao reconhecer as vozes, em partes concordando com eles; Severo Snape sempre parecia odiar todos os alunos que não fossem da Sonserina. Já começa-vam a se distanciar quando, para sua completa infelicidade, ouviu alguém gritando pelas garotas.
  — Tonks! Granger!
  — Gina, você não deveria estar em aula? — Hermione perguntou na mesma hora.   — Ai, calma, eu ainda tenho alguns minutos — a mais nova respondeu entediada.
  — Você disse isso antes e na última vez perdeu 5 pontos!
  — A gente perde muito mais do que isso toda semana — Harry replicou rindo.
  — É, mas…
  — Meu Gryffindor! Jamais imaginaria ser a pessoa que fala isso, mas ainda tenho um trabalho de Astronomia para terminar! Conta logo, Ruiva! — pediu, escutando a Weasley rir.
  — Vocês não fazem ideia do que eu fiquei sabendo! Adivinha quem conseguiu um en-contro? O Córmaco! E adivinha com quem? Com a Patil! Não dá pra acreditar, né? — Disse tudo rápido, não dando tempo para ninguém responder qualquer coisa.
  — O Córmaco? Mas ele é tipo… Sei lá, um Trasgo, só que pior!
  — Eu juro que disse a mesma coisa quando eu soube! — Gina gargalhou ao concordar com . — Coitada da Patil, não sabe o que a aguarda!
  — Com qual das duas ele vai sair? — Hermione questionou curiosa.
  — Não sei direito, a Chloe ouviu umas meninas da Corvinal falando sobre, mas não es-tava perto o suficiente pra pegar todos os detalhes…
  — Aposto que é a Padma, ela não conhece o McLaggen o suficiente, coitada — respondeu no mesmo instante.
  Diggory negou com um aceno, ouvindo divertido a conversa do grupo, apenas imagi-nando as expressões das garotas, enquanto fofocavam sobre o assunto.
  — Por que coitada? — Potter perguntou levemente curioso.
  — Porque o Córmaco é horrível! — Gina respondeu de imediato.
  — É simplesmente impossível aquele garoto ser bom em um encontro! — A loira con-cordou.
  — E desde quando vocês três entendem disso? — Rony debochou.
  — Com certeza entendemos muito mais do que você, Ronald! — A ruiva replicou igno-rando o irmão.
  — Mas por que a Parvati não diria pra Padma recusar? — Granger considerou.
  — Talvez tenham brigado e ela queira sabotar a irmã — Tonks replicou.
  — E se foi a própria Parvati quem aceitou? — Gina tornou rindo.
  — E por que ela faria isso? — As outras duas questionaram em voz alta.
  — De repente perdeu uma aposta…
  — Ah, boa! Isso explicaria qualquer uma das duas saindo com ele — adicionou agitada, fazendo a ruiva rir. — Na verdade, acho que essa é a única forma de qualquer garota querer sair com ele. Isso ou não ter passado mais do que cinco segundos ao lado do Córmaco!
  — Caramba, vocês são horríveis — Harry falou, segurando uma risada — Ainda bem que somos amigos!
  — E você acha que isso nos impediria de falar mal de você? — disse aos risos.
  — Por que estamos falando do Córmaco mesmo? — Rony reclamou — Não tem ne-nhum assunto mais interessante, não?
  — Ninguém te chamou na conversa — a Wesley respondeu — Eu só chamei a e a Mione! Ficou de fofoqueiro!
  — Bem, se é esse o caso…
  — Não quis dizer você, Harry… — Gina disse apressada, fazendo-o rir.
  Diggory pode ouvir as vozes dos dois garotos enquanto se afastavam, dizendo que as encontrariam durante a aula.
  — Enfim… Quem diria… Córmaco num encontro… — recomeçou, instantes depois.
  — Ah, mas ele até que é bonitinho, vai… — Mione comentou em voz baixa.
  — Ew! — As duas garotas gritaram no mesmo instante.
  — Do que adianta ser bonito se por dentro ele é equivalente a duas aulas de Poções, uma hora de História da Magia e trinta minutos de Adivinhação? — rebateu com desgosto. Diggory precisou segurar a risada ao ouvir a comparação.
  — Exatamente, tem gente muito melhor em Hogwarts! — A Weasley confirmou.
  — Como seu namoradinho, é? — A loira respondeu rindo.
  — Ai, cala a boca!
  — Relaxa, Gina, vou guardar seu segredo!
  — Que de segredo mesmo, não tem nada — Hermione acrescentou divertida —, só ele quem não percebeu ainda…
  — É, até é bonitinho mesmo, mas não podemos dizer que é muito inteligente, não é? — A loira continuou, gargalhando em seguida quando ouviu a ruiva reclamar.
  — E você, Tonks, abre o jogo aí! Tá de olho em quem?
  Diggory, que até então estava parado achando engraçada a conversa, mas torcendo para que o grupo simplesmente fosse para outra parte do castelo, sentiu-se subitamente interessado na resposta.
  — E quem foi que te disse que eu estou?
  — Não precisa estar interessada em nenhum garoto, boba — Gina riu — até porque acho que depois de ter azarado aqueles meninos ano passado, a maioria ainda têm medo de você!
  — Sigo com zero arrependimentos, inclusive! — Riu junto da ruiva, enquanto Hermione reclamava sobre os 30 pontos perdidos — Aí Mione, estava ajudando o Harry, foi um bom motivo! E você? Vai me dizer que o único garoto que acha bonito é o Córmaco, Granger?
  — Claro que não! — Respondeu no mesmo instante. — Acho que é quase unanimidade o Daves e o Diggory…
  Cedrico sorriu de lado, sentindo o ego inflar.
  — Montgomery também não é nada mal — Gina concordou.
  — Deixa só eu contar pro Potter que você está achando outros garotos bonitos, Ginevra!
  — Ai, cala a boca! — A menina deu um gritinho ansiosa.
  Diggory arqueou as sobrancelhas ao entender que era de Harry que a Weasley gostava.
  — Acho engraçado você desviar do assunto sendo que fica toda vermelha perto de um certo aluno...
  — Não sei do que está falando, Granger… — respondeu.
  — Quem é? — Gina perguntou apressada — Me conta!
  — Achei que você tivesse aula, Wesley! — Tonks replicou entediada.
  — Pelas barbas de Merlin! Temos aula de Herbologia! Tchau, Gina!
  — Mas eu quero saber quem…?
  — Tchau, Ruiva!
  — Eu vou te matar, ! — A Weasley resmun-gou em voz alta.
  Diggory ainda esperou mais um minuto completo antes de finalmente sair do lugar, sen-tindo-se tão curioso quanto Gina por não saber quem seria o possível interesse de . Não que se importasse, é claro, apenas queria saber já que havia escutado e restante da conversa. Apenas por isso, tinha cer-teza.

●●●

  A garota bocejou pela quarta vez em menos de cinco minutos, estava cansada e queria dormir, faziam semanas que não tinha uma boa noite de sono. Culpava os estu-dos e o Quadribol, mesmo sabendo que não eram essas suas maiores preocupações naquele ano, os últimos acontecimentos estavam mexendo com seu psicológico e por mais que tentasse negar a si mesma, e aos outros, andava mais preocupada que o normal.
  Tentava esquecer dos problemas com os treinos e estudo, achava que se estivesse ocupada o tempo inteiro, e extremamente cansada à noite, não teria tempo para pensar em mais nada.
  E, por algumas semanas aquilo funcionou, tanto que chegou a escrever para os tios dizendo que não tinham com o que se preocupar, embora suas notas não estivessem muito boas, ela não estava mais com a cabeça presa nos acontecimentos recentes.
  Entretanto, após pouco mais de um mês, tornou a não conseguir dormir muitas horas, pois sua mente nunca parecia desligar por completo e acabava sonhando com coisas ruins, sempre o mesmo pesadelo, sempre as mesmas pessoas.
   colocou os braços sobre a mesa, deitando a cabeça nos mesmos, fechou os olhos por alguns instantes, apenas para tentar relaxar, só precisava de um minutinho para descansar os olhos...
  — Acho que aqui não é o melhor lugar para dormir, talvez você devesse ir para seu dormitório... — Ouviu uma voz suave e abriu os olhos rapidamente, virando-se para o lado.
  Cedrico Diggory estava parado, com um sorriso calmo nos lábios e dois livros grossos em mãos.
  — Lá é muito barulhento, se quer saber... — Deu de ombros ouvindo-o rir baixo, suspi-rou estalando os dedos antes de voltar a pegar a pena que havia deixado de lado — E preciso terminar esse trabalho de Astronomia…
  — Precisa de ajuda? — Diggory perguntou prestativo ao vê-la suspirar olhando para o pergaminho aberto, com pouco mais de dois parágrafos escritos e um gráfico pela me-tade.
  — Olha, isso é um pouco humilhante, sabe? — Comentou e Cedrico franziu o cenho — Você é Monitor, Capitão e Apanhador de Quadribol, o melhor aluno da sua sala, bem popular na Escola o que provavelmente significa que deve ter vários amigos para passar o tempo, e ainda tem espaço na sua agenda para me ajudar? Eu começo a achar que Hermione tem razão sobre eu precisar organizar melhor meu tempo...
  Cedrico riu baixo ao entender ao que ela se referia, negando com um aceno.
  — Não é muito fácil e, se quer saber, também costumo dormir pelos cantos algumas vezes, só não conte a ninguém que eu te disse isso, ok? Preciso manter a pose de alu-no exemplar! — Piscou para ela — Mas estou em ano de N.O.M.S, então preciso estu-dar um pouco mais do que o normal, além de revisar a matéria dos outros anos. Pen-sando bem, ajudar você não seria exatamente um problema, porque eu estaria relem-brando o conteúdo, entende?
   concordou com a cabeça, coçando os olhos e evitando bocejar mais uma vez;
  — Então, você pode mesmo me ajudar? — Perguntou com a voz baixa, Cedrico concordou sorridente. — Eu devia ter começado a falar com você antes, teria sido muito mais fácil nestes últimos anos, sabe?
  Diggory riu, deixando os dois livros que havia pego em cima da mesa em que a garota estava, sentando ao seu lado e puxando um dos pergaminhos que ela tinha aberto;
  — Sobre o que é seu trabalho?

CINCO

  O lufo despediu-se dos amigos no Três Vassouras, saindo do estabelecimento acompanhado de Alice, com quem havia passado algumas horas proveitosas. Ao abri-rem a porta do bar, sentiu o vento gelado bater em seu rosto, bagunçando seus cabelos, respirou fundo e deu dois passos em direção à rua, antes que a vontade de voltar para a roda de amigos e esquentar-se por mais um tempo fosse mais forte. Reparou então que a garota ficou parada, fazendo uma cara sofrida.
  — Se importa se eu ficar mais um pouco?
  — Não, tudo bem, tenho que estudar mesmo…
  — Nos vemos depois então, Ced, — a morena sorriu, dando-lhe um selinho, o qual foi devolvido sem muito ânimo após escutá-la o chamar por seu “apelido” — adorei a tarde de hoje!
  — É, eu também, — sorriu para ela, piscando antes de acenar com a mão — até mais.
  Já tinha andado alguns metros, pensando se a chamaria para sair uma terceira vez, quando reparou em uma garota sentada sozinha em um banco, com toda aquela neve caindo sobre ela. Quem quer que fosse, estava encolhida, abraçando os próprios joe-lhos com a cabeça baixa. Não fazia ideia de quem era, mas ao ver o cachecol vermelho e dourado deu passos incertos em direção a menina, para certificar-se que estava tudo bem, pois não fazia sentido em sua cabeça alguém estar naquele frio por opção.
  Tocou em seu ombro e se surpreendeu ao reconhecer .
  Embora tivessem combinado de estudarem juntos algumas vezes, e o tivessem feito por quase um mês, a garota tinha cancelado as “aulas” nas últimas duas semanas, e, agora que pensava sobre o assunto, reparou que não a via desde então, fosse pelos corredo-res ou no Salão Principal.
  — Você está bem? — Perguntou preocupado, ela apenas acenou com a cabeça, nem mesmo parecendo reconhecê-lo — Que pergunta idiota, é óbvio que você não está bem! O que aconteceu? — balançou a cabeça, sem responder. — Tudo bem se não quiser conversar... — Disse aproximando-se um pouco mais — Se importa se eu me sentar aqui com você?
  Ela tornou a negar, mantendo o olhar fixo no chão coberto de neve. Permaneceram em silêncio por algum tempo e, conforme a neve continuava caindo, Cedrico voltou a sentir frio, embora fizesse o possível para evitar de bater os dentes ou mostrar as mãos trêmu-las. Olhou em direção ao vilarejo, desejava estar em qualquer outro lugar quente e aconchegante, mas não a deixaria sozinha.
  — Se quiser eu posso procurar seus amigos... Eles não sabem que você está aqui, sa-bem? – A garota negou, ainda sem olhá-lo — Quer que eu os chame?
   o encarou, os olhos marejados apenas por pensar nos amigos, Cedrico notou as lágrimas caírem no momento seguinte;
  — Ei, não precisa chorar! Não sei o que aconteceu com você, mas não chore. Você vai ficar com os olhos inchados e vão começar a te chamar de Murta-Que-Geme! — Disse sorrindo, Tonks respondeu fracamente, baixando a cabeça e escondendo o rosto nas mãos.
  Cedrico abaixou-se em sua frente, puxando-lhe os braços para baixo, tocou seu rosto com a mão esquerda, fazendo com que a garota o olhasse nos olhos, e então colocou a mão na bochecha da loira, reparando o quão gelado seu rosto estava.
  — Não sei o que aconteceu, e sei que você não quer falar. Não te culpo por isso, nós mal nos conhecemos, mas... — Suspirou ainda a encarando; estudavam juntos, mas não conversavam muito, apenas banalidades do dia-a-dia, eles não eram amigos. O que é que ele poderia dizer para ajudá-la? — Quando você quiser falar com alguém diferen-te, eu estarei aqui, ok? – A garota parecia nervosa, olhando-o em dúvida — Qualquer dia, a qualquer hora… Menos nas aulas de Poções, o Snape não ficaria muito feliz se eu pedisse pra sair, sabe como ele é, provavelmente iria nos deixar presos nas masmorras por uns três dias sem comida, ou algo do tipo.
  Os dois riram brevemente, a garota suspirou voltando o olhar para o chão, respirando fundo e tentando acalmar-se, evitar que mais lágrimas caíssem. E então voltou a enca-rar os olhos cinzas do rapaz, que não perderam nenhum movimento que ela havia feito no último minuto.
  Cedrico pensava em mais alguma coisa para dizer e tentava ignorar a dor no joelho por ficar agachado no chão gelado, quando, de repente, a garota o abraçou. Literalmente jogou-se em seus braços, escondendo o rosto gelado no pescoço do rapaz. Diggory sentiu um arrepio por todo o corpo, abrindo a boca surpreso por um instante. Demorou alguns segundos para retribuir, ainda um pouco atordoado. Manteve os braços em torno do corpo da garota quando, desajeitadamente, sentou-se no banco ao lado dela, poden-do manter o abraço, tocou-lhe a parte dos cabelos que não estavam cobertos pela touca preta que usava, enquanto a ouvia chorar baixo contra seu peito.
  Depois de incontáveis minutos, embora não estivesse mais tão incomodado com o frio, Diggory achou melhor levá-la de volta para a Escola, a neve caía com mais intensidade e a garota tremia levemente contra seu corpo, e o lufo não mais sabia se era devido ao choro. Afastou-a gentilmente de si, tornando a colocar as mãos em seu rosto, notando o quão gelado estava, antes de sugerir que voltassem para o castelo, dizendo que poderi-am tomar um chocolate quente ou algo do tipo, vendo-a concordar com a cabeça.
  Os dois voltavam juntos de Hogsmeade, Cedrico a abraçava de lado, mantendo-a pró-xima a ele, ignorando os olhares curiosos que recebiam dos colegas que o reconheci-am. A garota parecia extremamente alheia a tudo aquilo, olhando para os próprios pés enquanto caminhavam. Já parecia mais calma do que quando ele a encontrou, mas ain-da estava quieta e com o nariz vermelho, assim como os olhos que também estavam um tanto inchados devido ao choro recente. Passaram pelos portões de Hogwarts e continuaram caminhando até o Castelo, até que a garota parou e Cedrico virou-se para olhá-la, manteve o olhar baixo e as mãos dentro dos bolsos do agasalho.
  — Preciso ir ao Corujal... — Disse simplesmente.
  — Tudo bem, posso ir com você. — Ele sorriu, vendo-a negar.
  — Não precisa, você já me ajudou bastante...
  — Eu insisto. — Declarou por fim, puxando a mão da garota e começando a caminhar em direção a Torre. Pela segunda vez em menos de uma hora, sentiu-se estranho ao encostar na garota, mas disfarçou no instante seguinte, pigarreando e olhando para o lado.
  — Ainda não escrevi minha carta... — Argumentou alguns passos depois.
  — Você tem pergaminho e pena? — Parou para olhá-la, concordou com a cabeça — Então eu pos-so esperar e aproveito para enviar uma aos meus pais.
  Cedrico estava próximo a uma das janelas, as mãos dentro dos bolsos, encarava os terrenos da Escola, já tinha enviado sua carta faziam bons minutos e esperava pacien-temente pela garota.
  , ele notou com o canto do olho, não tinha começado a escrever.
  A garota nem mesmo sabia como colocar em palavras o que estava sentindo. Por fim, resolveu não escrever muita coisa, encontraria com a família em pouco mais de duas semanas;

"Olá,
Eles já sabem tudo sobre ele, logo vão saber sobre mim também.
Posso voltar para casa agora?
X ."

  Cedrico olhava o Campo de Quadribol com um leve sorriso no rosto pensando sobre a próxima partida contra a Sonserina, quando algo chamou sua atenção. No meio da neve um ponto preto rondava próximo a Torre em que estava com a garota, olhando mais atentamente reparou ser um cachorro, um grande cachorro preto.
  Achou estranho o animal estar sozinho, perdido pelo terreno.
  Virou-se para , querendo contar sobre, quando reparou que ela já prendia sua carta em uma coruja castanha. Sorriu assim que ela o olhou.
  — Olha, tem um cachorro ali! — Disse tornando a olhar pela janela, apontando para o animal com a cabeça, se aproximou procu-rando com o olhar.
  — Não parece ser o cachorro do Hagrid... — Comentou, tentando enxergar melhor, am-bos afastaram-se andando para as escadas, lado a lado, saindo do Corujal.
  — Será que está perdido? — Cedrico questionou ainda olhando para o cachorro, o qual estava sentado no fim da escadaria, encarando os dois estudantes. — Até parece que está nos esperando.
  Os dois terminaram de descer e aproximaram-se devagar, o cachorro continuava parado olhando de um para o outro.
  — De repente ele está com fome... — pensou, virando-se para o rapaz ao seu lado.
  — Posso pegar alguma coisa para ele comer na cozinha, — falou — só não deixe ele se afastar muito, talvez o tirem da propriedade antes de conseguirmos dar alguma comida para ele. — Diggory tornou a olhar para o cachorro, o qual parecia atento a conversa deles, mexeu com a mão tentando atraí-lo para perto — Não parece perigoso. — Disse, ao vê-lo aproximar-se com calma, sem tirar os olhos da garota, enquanto cheirava a mão do lufo. — Acho que ele gostou de você! — Riu ao passar a mão na cabeça do animal e reparar que ele esperava alguma atitude da loira, aproximando-se com calma dela.
   esticou a mão para acariciar o pelo negro do cachorro, estava molhado e gelado devido a neve.
  — Acho que ele também precisa de um banho! — Exclamou com uma careta leve.   Cedrico gargalhou e o cachorro latiu.
  — O coitado está perdido, acho que ele não tem como tomar banho, ainda mais nesse frio! — Defendeu-o ainda fazendo carinho no animal, que parecia extremamente conten-te com a atenção que recebia. — Parece ser um cachorro esperto, é uma pena ele não poder ficar no terreno, seria legal para variar um pouco...
  — Você vai contar para alguém? — virou-se para Diggory.
  — Não, mas acho improvável que alguém não veja um cachorro desse tamanho por aqui... Mas talvez Hagrid o pegue, ele poderia ficar com o Canino, não é mesmo? — Cedrico sugeriu, parecendo animado.
  — Mas e se não deixarem? Vão levá-lo embora? — tornou a questionar olhando para o animal, que não tirava os olhos dela.
  — Não sei... Talvez... Bem, vou buscar um pouco de comida para ele, acho melhor levá-lo para o Campo de Quadribol, ninguém vai vê-lo lá. Volto logo! — Cedrico avisou, ace-nando com a mão e caminhando de volta para o Castelo.
   chamou o cachorro e seguiram para o lugar pro-posto pelo outro, a garota sentou-se em um canto da arquibancada, ajeitando o cache-col em seu pescoço e o cachorro deitou ao seu lado.
  — Você é um cachorro bonito, mesmo fedendo... — O cão latiu novamente para ela, fazendo-a rir levemente — Só estou falando a verdade, sinto muito se te ofende! — Dis-se, tornando a acariciar a cabeça do bicho, que encostou uma pata e a cabeça na perna dela, fechando os olhos em seguida — Você é bem folgado, não é mesmo? – Comentou ainda fazendo carinho nele. — Talvez eu te veja quando voltar do feriado... Se você não tiver ido embora... — Suspirou tristemente — E se eu voltar para a Escola. — O cachor-ro abriu os olhos afastando-se levemente da garota, parecia agitado.
  Ela o olhou estranho por alguns segundos, era como se pudesse entendê-la.
  Demorou um pouco para o cão se acalmar novamente e ela voltar a acariciar os pelos negros dele, e cerca de vinte minutos depois o cachorro ergueu as orelhas virando-se para o lado oposto, atento ao barulho que escutava.
também se virou e logo viu Cedrico voltan-do, segurando um embrulho grande.
  O cachorro ficou em pé e correu em direção ao lufo, pulando em volta do garoto, aba-nando o rabo agitado, enquanto latia alto.
  — Fique calmo, você não pode fazer tanto barulho, alguém pode te ouvir! — Pediu em vão, vendo o cachorro continuar a latir e tentar pegar o embrulho que o rapaz carregava consigo.
  — Ele, definitivamente, está com fome! — sorriu assim que Cedrico se aproximou o suficiente para escutá-la.
  Diggory sentou ao seu lado e abriu a toalha com comida, colocando-a ao chão. Os dois ficaram assistindo o animal comer rápido e desesperadamente todos aqueles pedaços de bacon, pernil, pão e frango.
  — Imagina há quantos dias ele está sem comer... — Diggory comentou com pena.
  — Será que é ele? Talvez seja ela... — falou dis-traída, o cachorro parou de comer e olhou para os dois, latindo. Ambos riram da reação.
  — É ele! — Cedrico declarou e o cachorro voltou a comer.
  — Precisa de um nome, não é? — perguntou com a cabeça inclinada admirando o animal, que já terminava de comer o último pedaço de frango. — Mas não sou muito boa com nomes...
  — Hm... Vou falar vários que vierem à cabeça, se ele der algum sinal à gente fica com o nome, okay? — Sugeriu e a garota concordou, o cão terminou de comer e sentou em cima da toalha, olhando para os dois ao tempo que lambia o próprio focinho de qualquer resquício de comida. — Dingo? Hammer?
  — Hammer? — questionou rindo, Cedrico deu de ombros sorrindo constrangido.
  — Jack? Eddie? Dexter? Ginger? Logan? Lobo? — E o cachorro latiu com o último.
  — Lobo? — olhou com a sobrancelha arqueada e o cão abanou o rabo.
  — Bem, o Lobo já está alimentado! — Diggory sorriu estendendo o braço para passar a mão no animal que se aproximou com o rabo balançando.
  — Mas ainda precisa de um banho! — deu de ombros vendo Lobo latir para ela, fazendo-a rir junto com Cedrico.

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   abraçou os amigos desejando-lhes bo-as festas e, antes de sair do Salão Comunal, virou-se para os três.
  — Seus presentes estão com a Hermione! Feliz Natal! — Sorriu brevemente, pegando sua mala e caminhando para o quadro da Mulher Gorda.
  — Hermione! — Rony olhou para a amiga — Você poderia nos entregar agora, não é?
  — Pode esquecer, só vai receber no dia! — A amiga avisou antes de retirar-se em dire-ção ao dormitório das garotas.
  — Mas...
  — Desiste, Rony — Harry riu — era mais fácil se a estivesse aqui para entregar, Mione não vai fazer isso antes do Natal.
  Assim que passou pelo quadro, a loira começou a descer as escadas com certa dificul-dade devido à grande mala que carregava, quando finalmente chegou ao hall de entrada do castelo, deixou-a junto com algumas outras que estavam ali e andou em direção ao Salão Principal, pegando algumas torradas, pães e um pedaço grande de torta de rins e embrulhando tudo em alguns guardanapos, escondendo dentro da capa, então cami-nhou para fora do Castelo poucos minutos depois.
  Cedrico olhava o cachorro terminar de comer um tanto sonolento, estava cada dia mais cansado com tantos afazeres, mal podia esperar para poder dormir até tarde durante aquelas semanas de feriado, recostou-se nos bancos da arquibancada pronto para fe-char os olhos, mas assustou-se quando o cão pulou ao seu lado, sentando-se no banco e lambendo a mão do garoto, que riu do gesto acariciando-lhe a orelha.
  — Você é bem esperto, não é mesmo? Às vezes acho que você entende o que eu falo. — O cão latiu duas vezes e então deitou-se fechando os olhos e descansando. — Se eu te contar uma coisa você não vai contar para ninguém, não é mesmo? — Ele sorriu, negando com a cabeça, achando-se idiota por falar com o animal daquela forma, o cão apenas o olhou esperando que continuasse. — Acho que estou gostando de uma garo-ta...
  Lobo abriu a boca, claramente bocejando. Diggory franziu o cenho para ele, fechando a cara e cruzando os braços, revoltado com a falta de atenção que recebia, era algo gran-de para ele; Claro que já havia se interessado por outras garotas, mas não daquela for-ma.
  — Não é uma menina qualquer, é a ! — Fa-lou exasperado encarando o cachorro que estava com os olhos fechados.
  Assim que disse o nome da garota, Lobo abriu os olhos, sentando-se sobre as patas traseiras e encarando o rapaz
  — Ah, agora eu chamei sua atenção? — Sorriu esperto, esticando a mão para acariciá-lo, mas o animal afastou-se do lufo, ainda olhando diretamente para os olhos cinzas do garoto — O que foi? Ficou com ciúmes? Não vou fazer nada. Nem mesmo acho que ela goste de mim... — Deu de ombros, chateado. — Só queria dizer isso em voz alta e, se eu falar para qualquer um dos meus amigos, e toda Hogwarts vão ficar sabendo dois minutos depois… Sem contar que ela também é um pouco mais nova, tem não acho que tenha qualquer interesse em sair comigo, e, ao que parece, nem com nenhum outro cara, pelo menos nunca a vi com ninguém sem ser os amigos… E lembro dela não ter respondido uma conversa sobre o assunto um tempo atrás… O que é uma pena... Não à parte dela não sair com outros caras, obviamente, mas não seria nada mal dar uns beijos nela, entende?… — Suspirou, passando a mão pelos cabelos, escutando o ca-chorro rosnar em sua direção. — Que foi? Acabei de dizer que não vou fazer nada… Só disse que gostaria de beijá-la, o que não quer dizer que eu vou fazer! Embora quises-se… — Desabafou, sorrindo de canto — muito! Caramba, ela deve ser a garota mais legal de Hogwarts, e você deveria vê-la voando, por Merlin! Ela é de longe a melhor jo-gadora de Quadribol desse lugar, uma pena que jogue na Grifinória... — Comentou, suspirando — Acha que eu deveria chamá-la para sair quando voltarmos do feriado? Estive pensando em fazer isso… — Divagou olhando para o cachorro, que, novamente, rosnou em sua direção, fazendo-o rolar os olhos — Não deixaria de vir te dar comida se estivesse saindo com ela, ok? Na verdade, seria uma desculpa ainda melhor para ficar-mos sozinhos e darmos uns beijos sem correr o risco de sermos pegos pelo Filch ou algum professor… — Disse pensativo, passando a língua pelos lábios, suspirando em seguida — De qualquer forma, já devo ter dado, no mínimo, umas três indiretas nos úl-timos dias e, ou ela não entendeu ou simplesmente me ignorou de propósito porque não quer sair comigo! Acredita nisso? Não sei o que tenho feito de errado… — Cruzou os braços, chateado — Sempre funciona com as outras garotas… Acha que eu deveria apenas beijá-la? — Virou-se com a sobrancelha arqueada para o cachorro, vendo-o latir, parecendo bravo — Tudo bem, tudo bem, já entendi o recado… Além do mais, acho que se eu a beijasse sem ter certeza dela querer, provavelmente terminaria na Ala Hospitalar por dias! Ano passado azarou três garotos de uma só vez, acredita? — Relembrou rindo — Tudo bem que eram da Sonserina e teve toda aquela história do Potter e a câmara secreta, mas mesmo as-sim… Imagina o que ela não faria comigo?
  Suspirou, pensativo por um instante. Cedrico tornou a recostar as costas na arquiban-cada, esticando as pernas para relaxar um pouco, olhou o relógio no pulso, ainda tinha trinta minutos antes de sair;
  — Não sei o que você vai fazer durante esses dias... — Comentou de olhos fechados, mudando de assunto — Passarei uns dias fora e também vai pra casa. Não contei para nin-guém sobre você, porque podem falar que temos um cachorro no terreno e te levarem embora... — Virou-se para o animal que ainda o olhava sem reação, mantendo-se a distância — Mas não sei como você vai comer esses dias... — Pareceu realmente preo-cupado. O cachorro latiu baixo, se aproximando lentamente e lambendo a mão do garo-to, que sorriu antes de acariciar-lhe a cabeça.
  No instante seguinte Lobo levantou as orelhas e pulou por cima do garoto, pisando em sua coxa, o que o fez resmungar com a dor. Desceu as escadas da arquibancada e cor-reu para a entrada do Campo, balançando o rabo freneticamente. Diggory virou-se no mesmo instante, não demorando para entender o motivo da afobação do cão;    riu ao ver o cachorro pulando em volta dela e abaixou-se para fazer carinho no mesmo, que deitou-se sobre a neve e fechou os olhos, o rabo ainda abanando para os lados, animadamente.
   viu Cedrico mais à frente e começou a andar em sua direção, seguida de perto por Lobo, que não parava de latir e pular, atraindo sua atenção durante o percurso.
  — Olá! — Sorriu para o garoto sentando ao seu lado. — Trouxe comida, mas pelo jeito você foi mais rápido!
  — Tudo bem, na verdade eu estava pensando sobre isso... Não temos como alimentá-lo durante alguns dias, talvez ele guarde para mais tarde.
  — Pensei nisso também, quase falei para Hermione para ela alimentá-lo, mas certamen-te acabaria contando para alguém, porque é contra as regras da Escola... — Rolou os olhos e Cedrico riu concordando. — E Harry e Rony com certeza chamariam a atenção de algum professor...
  — Tenho mais um pouco de comida aqui, podemos deixar em um canto para ele, tenho certeza que ele não vai morrer de fome, e é esperto o suficiente para procurar algo em outros lugares sem ser visto... — Comentou olhando o animal que cheirava o embrulho que deixou de lado.
  — Espero que ele continue aqui, me acostumei com ele. — Falou distraída, Diggory concordou.
  — Ninguém o viu até agora, acho que ele pode continuar escondendo-se.
  Permaneceram em silêncio enquanto o cachorro corria sem parar pelo Campo, fazendo-os rir quando parava e começava a cavar a neve. Lobo vez ou outra olhava para os dois, latindo antes de voltar a correr.
  — Feliz Natal, Cedrico! — A loira virou-se para o garoto, retirando um pacote do bolso da capa e entregando a ele. Diggory olhou surpreso — Pela ajuda que você me deu nas últimas semanas com os estudos e todo o resto... — Piscou, sorrindo de canto.
  Lobo parou de correr quando notou que não tinha mais atenção dos estudantes e voltou correndo para perto dos dois, cheirando o embrulho que estava nas mãos de Cedrico antes que o rapaz tivesse tempo para abri-lo.
  — Curioso! — Acusou.
  Sorriu ao retirar o pequeno objeto e virou-se para a menina, abraçando-a sem jeito.
  — Obrigado, é fantástico! — Tornou a olhar para seu pequeno Pomo-de-Ouro dentro de uma redoma de vidro pouco maior que sua mão. O pomo não voava, era uma peça pre-sa em um suporte de madeira e tinha seu nome gravado, além das cores da Lufa-Lufa, ao invés do habitual dourado. — Comprei um presente pra você também, mas não sabia se te veria hoje... — Virou-se para sua mochila ao lado do banco e retirou um pequeno pacote prateado, entregando-o para a menina — Não sabia o que comprar na verdade...
  — Não precisava! Você já tem feito muito por mim, sabe? E ainda me deu uma camiseta que Hermione estava tentando roubar — Contou rindo.
  — Não importa, espero que goste. — Encolheu os ombros, esperando pela reação dela. Diggory torcia para que ela gostasse, passou dias pensando no que poderia dar de Na-tal para , tinha que ser melhor do que ape-nas chocolates da Dedos de Mel ou algum logro da Zonkos, como havia feito com Mon-ty, por exemplo.
  O cachorro olhava de um para outro em silêncio, com os olhos estreitos.
   abriu o pacotinho e virou-o em sua mão, de dentro caiu uma corrente de prata com um pingente com a inicial de seu nome e outro com o leão símbolo da Grifinória.
   sorriu verdadeiramente para o lufo, abraçando-o apertado em seguida.
  — É lindo! Obrigada!
  Cedrico afastou-se minimamente dela, ainda sorrindo para a garota, encarando os olhos que tanto gostava e que vinham dominando seus pensamentos nas últimas semanas. Seu olhar recaiu sobre os lábios dela, ainda sorria para ele… Cedrico gostava tanto de vê-la sorrir... Curvou-se ligeiramente, mas antes que pudesse se aproximar o suficiente o cachorro latiu alto, assustando-os, e então pulou no meio deles.
  Cedrico riu sem graça, dando um beijo rápido na bochecha dela, vendo-a corar em se-guida, e então fez uma careta para o cão, olhando-o frustrado; tinha certeza que havia sido proposital.
  — Desculpe, mas o seu só chega depois, não encontrei nada para cachorros em Hogsmeade! — falou passando a mão no cão, que se virou rapidamente e lambeu sua bochecha, fazendo-a gargalhar empurrando-o para o lado.
  Cedrico riu passando a mão na cabeça de Lobo, mesmo que ainda um tanto irritado com a interrupção, e virou-se para ajeitar suas coisas. Pegou o que sobrou da comida juntando-a com o que levou e fechou na toalha, daria para uns dois ou três dias, pelo menos. Virou-se para os dois que ainda brincavam sentados na arquibancada e sorriu.
  — Sua comida está aqui, se você não comer tudo de uma só vez deve dar para alguns dias... — Apontou para a toalha e o cachorro latiu para ele. — Acho melhor irmos ou perderemos o trem!
   concordou levantando e pegando sua capa, Cedrico se aproximou do cachorro, passando as mãos nos pelos do bicho, que abanou o rabo contente.
   abaixou-se na frente do animal.
  — Até mais, Lobo! Comporte-se bem, Feliz Natal! — Sorriu beijando a cabeça do ca-chorro, o qual se levantou e pulou nela como se estivesse a abraçando, deixando as duas patas dianteiras sobre seus ombros. Tonks riu passando as mãos pelo corpo es-belto dele, mantendo-o sobre as duas patas traseiras por alguns instantes.
  Lobo tornou a lamber a bochecha dela, fazendo-a gargalhar novamente.

SEIS

  Diggory terminou suas anotações e então olhou para , sentada logo a sua frente na mesa da Grifinória. Por algum motivo a garota estava sozinha fazendo seus trabalhos, parecia concentrada, embora, após algum tempo a observando, ele notasse que a garota segurava a pena em mãos, mas não escrevia nem uma palavra. Tinha o olhar fixo no livro à sua frente, mas não parecia estar lendo-o. Cedrico franziu o cenho, olhando ao redor e localizando Harry e Rony sentados juntos, do outro lado da mesa, fazendo seus deveres e vez ou outra conversando. O ruivo às vezes lançava um olhar para , que não parecia notar. Hermione nem mesmo estava por lá.
  Achou estranho estarem todos separados, mas desde que voltaram do Natal, dez dias atrás, das vezes que encontrou com , ela parecia mais quieta do que de costume respondendo apenas o necessário quando ele lhe dirigia a palavra. E, pensando bem, todas as vezes que encontrou com ela, a menina estava sozinha; Andando para a aula de Poções, voltando das estufas de Herbologia, saindo da sala de Transfiguração ou indo para o treino de Quadribol, após o horário das aulas.
  Ela também havia cancelado de vez as aulas que teriam juntos, dizendo que já poderia dar conta dos estudos sozinha e agradecendo pela ajuda que o lufo tinha dado anteriormente. O que tinha o deixado realmente frustrado, pois agora suas chances de ficar sozinho com para a convidar para sair pareciam ainda menores, e mesmo que não saíssem, ele também gostava da companhia dela, sempre dava boas risadas ao seu lado.   Cedrico também não tinha encontrado com ela em nenhuma das vezes que tinha ido levar comida para o cachorro, que agora estava escondido na Estufa número 5, a qual dificilmente era utilizada para aulas. E pelo olhar triste de Lobo, e a forma que o cachorro ficava olhando para a porta sempre que Cedrico entrava, o rapaz considerou que talvez ela não estivesse indo visitá-lo.
  Tentou voltar sua concentração para os estudos, mas pouco depois viu Potter e Weasley passarem pelo corredor em direção a saída, sem nem mesmo olharem para a garota, que baixou ainda mais o olhar quando notou a aproximação deles.   Diggory desistiu por completo dos estudos quando a viu guardar o material e sair do Salão Principal. Fechou seu livro, jogando-o de qualquer jeito dentro de sua mochila, enrolou os pergaminhos que usou e colocou-os junto, fechou o tinteiro e pegou sua pena, guardando-os apressado. Avisou aos amigos que estava de saída e que encontraria com eles mais tarde, antes de colocar a alça da mochila por sobre o ombro e andar para a saída.
  Olhou para os lados e não precisou de muito para localizar andando em direção aos jardins, seguiu-a de longe por algum tempo, e então quando ela deixou a mochila de lado e sentou-se embaixo de uma árvore, próxima ao Lago Negro, Diggory aproximou-se.
  — Ei…
   o olhou por alguns segundos, sorrindo de leve antes de voltar a olhar para frente, ignorando-o por completo. Não era bem sua intenção fazer aquilo, mas no momento não queria ver ninguém, nem mesmo Diggory.
  Esperou por alguns instantes, parado em pé ao lado da garota. Olhou para o castelo e então suspirou deixando a mochila no chão, sentando-se ao seu lado, em silêncio. Nem entendia essa necessidade de estar perto dela, mas sabia que ela não estava bem, mesmo que não soubesse o motivo.
   parecia perdida nos próprios pensamentos e, ao olhá-la, Cedrico apenas confirmou que ela não estava muito interessada em conversar, mas manteve-se ao seu lado, não querendo deixá-la sozinha. Minutos depois a garota suspirou, encostando a cabeça no ombro do loiro, Diggory sorriu levemente, passando o braço esquerdo pelos ombros dela, puxando-a para mais perto.
  — Seja lá o que for, vai ficar tudo bem! — Disse baixinho, acariciando seus cabelos.
  Se mantiveram em silêncio por um longo tempo, Diggory encarava o Lago Negro, sentindo a brisa gelada em seu rosto, se soubesse que ficaria tanto tempo do lado de fora do castelo teria se agasalhado melhor. Considerou sugerir para irem a outro local, mas a loira não parecia se importar com o frio. Sabia que ela chorava em silêncio, pois vez ou outra ela fungava baixinho. No fundo estava desesperado para saber o que poderia ter acontecido para deixá-la daquele jeito, talvez fosse uma briga com os amigos, mas aquela também não era a primeira vez que a garota ficava daquele jeito. Lembrava-se bem do dia do embarque para o início do ano e de como ela não queria vir para Hogwarts! Aquilo parecia irreal em sua cabeça, mas por algum motivo preferia ficar em casa. E qualquer que fosse o problema, parecia a atrapalhar o ano todo.
  Independente do que pudesse ser, deveria ser sério.
  Talvez alguém estivesse doente em sua família ou algum parente próximo poderia ter morrido e ela sentia falta… Então se lembrou que Ninfadora havia dito que estava doente no verão… Seria possível que ela tivesse alguma doença grave e por isso estava daquele jeito? Será que corria algum risco de vida?
  Pensou por alguns instantes, mas não se lembrava de tê-la visto passando mal ou com algum sintoma diferente… Nas primeiras semanas de aulas parecia bem, das vezes que a tinha visto a garota estava normal, talvez um pouco atarefada após entrar no time da Grifinória, parecia cansada, mas era só… Será que estava indo para a Ala Hospitalar e ele não sabia?
  Sentiu-se subitamente nervoso com a ideia da loira estar realmente doente, não eram melhores amigos, por vezes mal se falavam, e quando conversavam não era nada muito importante, mas havia se acostumado rápido com a presença dela. Gostava de passar um tempo ao seu lado, mesmo que fosse apenas para verem o cachorro comer, como aconteceu antes do feriado. E, estava de fato interessado na garota, não seria nada mal conseguir um encontro, por exemplo. Fora, é claro, as piadas dos amigos, afinal seu tempo extra com ela não passou despercebido; Montgomery, Daves e Parker volta e meia comentavam sobre, insistindo no interesse do lufo na loira, o que ele seguia negando veementemente - eles não precisavam saber que Diggory queria sim sair com ela. Apertou-lhe o ombro por um instante, e se estivesse mesmo doente?
  — Não quer conversar sobre isso? Juro que não conto pra ninguém! — Garantiu, afastando-se apenas o suficiente para encará-la. Agora precisava saber se ela estava bem. Torcia para que fosse outra coisa, qualquer coisa, mas precisava saber! Talvez não conseguisse nenhum encontro, mas a ideia da garota estar doente ou algo do tipo parecia perturbadora.
   o encarou de volta por alguns segundos, desviando o olhar pouco depois. Queria conversar, precisava falar daquilo com alguém, sentia que poderia sufocar a qualquer instante com tudo. Mas tinha medo do que poderia acontecer se contasse, e se outras pessoas descobrissem? O que aconteceria quando todos soubessem a verdade sobre ela? Suspirou cansada, exausta. Tornou a olhar para Cedrico sentado ao seu lado, parecia preocupado; não o conhecia há tanto tempo, não eram assim tão próximos, mas ele estava ali a ajudando mais uma vez… Talvez ele fosse a pessoa certa para conversar.
   concordou com a cabeça, sugerindo que procurassem outro lugar primeiro e, no momento seguinte, Diggory a seguia de volta para dentro do castelo.
  Entraram em uma sala vazia no primeiro andar e o lufo tocou a porta com a varinha, trancando-a para terem um pouco mais de privacidade. Encostou-se em uma das mesas ao canto, deixando sua mochila de lado, próxima das coisas da garota. Tonks estava de costas, olhando pela janela, pensando na melhor forma de começar o assunto, reparando que não tinha um jeito fácil de falar nada daquilo.
  A cada minuto que a garota não dizia nada, Diggory apenas confirmava o quão sério deveria ser o assunto, e sua curiosidade apenas aumentava. Por fim, após o que lhe pareciam horas, mas deveria ser apenas uns cinco minutos, suspirou, olhando-o sem graça;
  — Você sabe que moro com meus tios, não é? — Perguntou em voz baixa, vendo-o concordar com um aceno.
  — Imaginei… — Pigarreou, parecendo sem graça — Bem, no começo não pensei nada sobre o assunto, mas depois imaginei que talvez… Seus pais… — Interrompeu-se sem saber como falar. — Seus pais morreram…?
  A garota negou com um aceno lento.
  — Meus pais estão vivos, Cedrico… — Começou, mordendo o lábio inferior e desviando o olhar no instante seguinte, completando em voz baixa — Eles estão em Azkaban.
  Diggory abriu a boca, completamente chocado com a informação.
  Em nenhum momento, nem em um milhão de anos, pensaria naquela possibilidade. No fundo realmente não havia dado muita atenção ao assunto, num primeiro momento nem mesmo pareceu se dar conta de que a garota morava com os tios ao invés dos pais, depois, conforme começaram a conversar, imaginou que pudessem ter morrido, o que por si só já parecia ruim o bastante. Mas Azkaban? A prisão dos bruxos? Aquilo jamais passaria pela sua cabeça.
  Não soube o que dizer num primeiro instante, não era o tipo de coisa que ele esperava ouvir. E, o mais importante, não era por qualquer crime que um bruxo era condenado a Azkaban, apenas os mais cruéis.
  A loira tornou a olhar pela janela, evitando encará-lo.
  Imaginava o quão difícil deveria ser para ela saber que pai e mãe estavam na prisão e, considerando tudo aquilo, imaginou qual seria o motivo.
  — Eles eram Comensais, não eram? — Perguntou, vendo-a concordar com um aceno. — Eu sinto muito! — Disse por fim, embora não parecesse o suficiente.    permaneceu olhando pela janela quando voltou a falar.
  — Você lembra que anos atrás era comum uma família de Sangue-Puro manter relações e matrimônios com outras, não lembra? Para não se misturarem com Nascidos-Trouxas ou Mestiços? — O olhou por um momento, vendo-o confirmar. — Minha família era assim; Extremistas que prezavam o Sangue-Puro e davam mais importância ao sobrenome e a quantidade de ouro no Gringotes — começou a contar, tornando a olhar para o lado, sentindo um nó se formar em sua garganta conforme falava —, adoradores das Artes das Trevas mesmo antes de Você-Sabe-Quem tomar o poder. — Respirou fundo antes de começar a explicar melhor suas origens, sabendo o que poderia significar contar tudo aquilo para o loiro. — Walburga e Cignus Black eram irmãos e herdeiros de uma das famílias mais importantes do mundo bruxo; Walburga casou-se com o primo, Orion, e juntos tiveram dois filhos, Sirius e Régulo. — Diggory aproximou-se, sentando na mesa em frente a garota, prestando atenção em tudo o que ela contava, sem saber realmente como reagir ao que ouvia — Cignus casou-se com Druella Rosier e tiveram três filhas, Bellatrix, Andrômeda e Narcissa. Ele morreu de Varíola de Dragão alguns anos após o nascimento de Narcissa. Druella ainda era jovem e com um sobrenome importante, casou-se um ano depois com Frank Lestrange, que também estava sozinho com os dois filhos, Rodolfo e Rabastan, após a esposa ser mandada à Azkaban por matar um grupo de Trouxas anos antes. Frank e Druella tiveram mais uma filha, Victoria. — suspirou, passando a língua pelos lábios antes de continuar, ainda evitando olhar a expressão do lufo, com medo do que veria. — Anos depois, Rodolfo e Bellatrix se casaram, seguindo juntos para o lado de Você-Sabe-Quem; os dois estão em Azkaban desde a queda Dele. Andrômeda casou-se com Edward Tonks, um Nascido-Trouxa que conheceu em Hogwarts, os dois tiveram uma filha, Ninfadora. Obviamente, Andrômeda foi a vergonha de toda a família ao juntar-se com um Nascido-Trouxa como Ted, e por isso foi banida. — Diggory arqueou a sobrancelha, era tão irônico a mulher ser considerada a vergonha com todos os outros envolvidos com as Artes das Trevas… — Narcissa casou-se com Lucius Malfoy; vindo de uma família de Sangue-Puro com ouro o suficiente no Gringotes para ter alguma relevância, mesmo que não fosse um sobrenome tão conhecido. Draco nasceu um ano depois do casamento. — Cedrico entendeu pouco depois o que viria a seguir e o motivo dela explicar tudo aquilo, olhando para as próprias mãos quando a loira voltou a falar — A quarta das irmãs, Victoria, casou-se com Sirius, herdeiro dos Black. Antes de serem condenados à Azkaban, eles também tiveram uma filha…
  — Você. — Cedrico disse baixinho, o encarou, concordando com um aceno.
  Diggory voltou a olhar para baixo, pensando sobre tudo o que ouviu.
  — Como é que ninguém sabe disso?
   suspirou, dando de ombros;
  — Era o meio de uma guerra, não? Poucas pessoas sabiam que eles tinham uma criança, apenas alguns conhecidos mais próximos, não foi muito difícil passar despercebido... E Andrômeda ainda era próxima deles, se dava bem com Sirius, aparentemente ninguém sabia que eles trabalhavam para Você-Sabe-Quem… Ela estava comigo na noite em que ele foi levado à Azkaban… Depois que Victoria também foi mandada para lá, conseguiram fazer um acordo com a Ministra da Magia da época, Millicent Bagnold. Quando Fudge assumiu o cargo, ele concordou em manter tudo em sigilo… — Contou, parecendo cansada — Andrômeda e Ted mudaram da casa que viviam para um bairro Trouxa para evitarem muitas perguntas e, por fim, mudaram meu nome para Tonks.
  Diggory mais uma vez concordou, assimilando lentamente toda a história.
  — E por que não te criaram para chamá-los de pais? Seria mais fácil se ninguém sabia sobre isso, não?
   deu de ombros;
  — Eu já tinham quase dois anos quando aconteceu, sabia que eles não eram meus pais, só não sabia o motivo de morar com eles…
  — Acha que foi por isso que Black tentou invadir a Torre da Grifinória? Pra tentar chegar até você?
  A garota mais uma vez suspirou, negando com um aceno;
  — Acham que ele está atrás do Harry, para se vingar…
  Diggory passou a língua pelos lábios, concordado devagar.
  — Mas é por causa dele que você está assim…?
   olhou para baixo.
  — É só uma questão de tempo até todo mundo descobrir a verdade…
  — Seus amigos já sabem? — Perguntou por fim, vendo-a negar — Deveria contar pra eles — aconselhou, a loira deu um sorriso triste.
  — Sirius Black é uma das razões dos Potter terem morrido, Cedrico. Foi ele quem os entregou a Você-Sabe-Quem! Eles eram todos amigos… Como vou falar para o Harry que a mãe e o pai dele estão mortos por causa do meu pai?
  Diggory abriu a boca, mais uma vez chocado com o que ouvia;
  — Você já sabia? Quando começou a falar com Potter…?
  — Descobrimos aquele dia em Hogsmeade… — Explicou.
  Cedrico não precisou de muito para saber a qual dia ela se referia; foi por isso que ele a encontrou chorando sozinha.
  — Eu sinto muito. — Repetiu, sem saber o que mais poderia dizer. Não deveria ser uma situação fácil, saber que os pais eram Comensais já era ruim o suficiente, mas saber que eram responsáveis pela morte da família de um dos seus melhores amigos?
  Diggory não fazia ideia de como reagiria a tudo aquilo se fosse com ele. Agora entendia a preocupação da garota, o motivo de estar sempre triste.
  — Então, você está com medo que seus amigos descubram e não queiram mais conversar com você? Que eles saiam correndo? — A garota olhou para o lado, sem responder. Cedrico negou com a cabeça, aproximando-se — Olha, , eu sei que não deve ser a coisa mais fácil do mundo, e, particularmente, não queria estar no seu lugar… Acho que ninguém queria. Mas… Todos que te conhecem sabem que você não tem nada a ver com eles, não é minimamente parecida. Você não é uma pessoa ruim e não tem culpa do que aconteceu. Você não pediu para ser filha deles e não tem culpa das escolhas que eles fizeram. Sofreu tanto ou mais do que todas as outras pessoas…
  A menina continuou em silêncio, olhando para as próprias mãos.
  — Eu duvido que eles vão deixar de falar com você, é sério. — Diggory tocou o ombro dela, atraindo sua atenção — Vocês são amigos, eles te conhecem muito melhor do que eu, e se eu que te conheço há apenas alguns meses não penso em ficar longe ao saber de tudo isso, por que eles que estão ao seu lado há três anos se afastariam?
   concordou com a cabeça depois de alguns instantes, suspirando derrotada.
  — Mas também acho que você deveria contar logo para o Potter, mostrar que você confia nele, entende? É melhor do que se ele descobrir por outra pessoa.
  — Obrigada.
  — Não precisa agradecer. — Ele sorriu apertando gentilmente o ombro dela — E se eu estiver errado, pode deixar que eu uso meu poder de Monitor e o coloco de detenção pelo resto do ano! — Piscou malandro, fazendo-a rir baixo antes de abraçá-lo.
  O lufo respondeu o abraço no mesmo instante, feliz que ela tivesse confiado nele o suficiente para aquilo, embora ainda não tivesse certeza se realmente compreendia tudo. Achava que demoraria dias para finalmente cair a ficha de que era tudo verdade. Mas sabia que a garota não era culpada por nada daquilo, jamais a olharia diferente por saber quem eram seus pais.
  — Eu sei que é meio óbvio, mas gostaria que não falasse disso pra mais ninguém. — Pediu ao se afastarem, o loiro concordou de imediato, piscando em sua direção;
  — Eu sou ótimo com segredos, não se preocupe!

SETE

  — Ora, ora, veja só quem está perdido pelos corredores de Hogwarts! — Ouviu a voz zombeteira de Rogério, o qual saía de um banheiro do primeiro andar.
  — Perdido? Você por acaso não tem aula também? — Rolou os olhos, seguindo junto do moreno para a aula de Transfiguração.
  Daves riu concordando, logo passando o braço pelos ombros do amigo;
  — E você não vai abrir o jogo sobre seu último encontro, é?
  Diggory franziu o cenho, olhando-o com a sobrancelha arqueada;
  — Alice? Não sai mais com ela, só aquele dia no Três Vassouras — deu de ombros, o moreno negou com a cabeça sorrindo de lado.
  — Estou falando da loirinha, Diggory!
  — Que loira?
  O corvino rolou os olhos parando de andar, encarando o amigo. Nunca sabia se Cedrico estava falando a verdade quando comentava que não havia encontrado alguém ou apenas privando os detalhes de seus encontros.
  — Da Grifinória, é claro. Tonks!
  Cedrico negou com a cabeça, passando a mão pelos cabelos antes de voltar a andar;
  — Já disse que não estamos saindo.
  — Ah é? — Rebateu de imediato — Pois eu soube que viram vocês dois saindo juntos de uma sala vazia após o horário ontem, parecendo muito íntimos!
  — O quê? Quem disse isso? — Perguntou mais alto, parando no lugar ao encarar o outro. Rogério riu divertido ao notar o rosto corado do loiro.
  — Ouvi algumas meninas comentando hoje cedo durante o café, indignadas que o bonitão aqui estivesse saindo com a chatinha da Grifinória.
  — não é chata!
  — Que lindo, defendendo a namoradinha e tudo! — Falou, colocando a mão sobre o peito. Diggory rolou os olhos, tornando a negar;
  — Não é minha namorada e não estamos ficando.
  — Diggory! — Ouviram um grito vindo do início do corredor, no qual Montgomery andava apressado até os amigos — Jura que eu tenho que saber pelos outros sobre você e Tonks? Que amizade é essa? — Questionou indignado, falando alto o suficiente para vários alunos que passavam escutarem. Cedrico sentiu o rosto esquentar ao ver os olhares sobre ele, negando rapidamente.
  — Não é nada disso — falou assim que Monty se aproximou, puxando-o para o lado enquanto pedia para o moreno parar de gritar —, acabei de falar para Davies, não estou ficando com a !
  — Não foi isso que eu escutei! — Resmungou cruzando os braços e o olhando desconfiado. Rogério sorriu largamente ao encarar o loiro, divertido com tudo.
  Cedrico suspirou, passando a mão pelos cabelos nervosamente;
  — Não tem nada acontecendo, só conversamos e é isso.
  — E por que estavam sozinhos depois do horário?
  — É, que conversa é essa?
  O loiro travou a mandíbula, respondendo irritado:
  — Não interessa o que conversamos, já disse que não estamos ficando. E parem de falar sobre isso! — Finalizou antes de voltarem a andar para a aula.

●●●

  — !   A loira virou-se assim que ouviu o chamado de Gina, a qual andava apressada em sua direção.
  — Não acredito que você não contou! — Disse chateada.
sentiu a boca ficar seca, imaginando que de alguma forma a ruiva soubesse sobre sua família. Será que Diggory teria dito para alguém? Já havia notado alguns olhares em sua direção ao longo da manhã, mas imaginou que era coisa da sua cabeça, estava ficando paranoica com tudo aquilo.
  — Contei o quê? — Perguntou baixo, sentindo as mãos tremerem.
  — Sobre você e o Cedrico! Por que não disse que estão juntos?
  — Eu… Cedrico…? O quê? — Tornou confusa, a ruiva colocou as mãos na cintura.
  — Você não está saindo com Diggory? Chloe e Evie perguntaram hoje cedo se era verdade, eu disse que não, mas ouvimos Cedrico falando disso com os amigos enquanto saía da aula do Binns!
  — O quê? — Repetiu descrente.
  — É, Emmett estava reclamando por ele não ter contado antes! Acho que todas as meninas estão falando disso, e a maioria odiou saber, se quer a verdade!
   abriu a boca, completamente sem reação. Por que Diggory estaria falando que estavam juntos? Que tipo de brincadeira era aquela?
  — Você não está mesmo com ele? — A ruiva tornou ao ver a expressão da amiga — Então não é verdade que estavam sozinhos em uma sala depois do horário?
  — Como…?
  — Alguém disse que viu vocês dois saindo abraçados de uma sala ontem, muito próximos. E hoje ouvi Cedrico falando disso…
  Tonks começou a negar, quando viu o loiro mais ao canto junto com um grupo de amigos. Travou a mandíbula, decidida a tirar aquela história a limpo. Deixou a Weasley de lado e andou diretamente até o grupo, sentindo a respiração descompassada. Se fosse verdade que Cedrico estava inventando coisas… Ele não faria isso, faria? Mas Gina havia visto ele falando com os amigos; a ruiva poderia ser fofoqueira (assim como ela mesma), mas não era mentirosa!
  — Diggory, posso falar com você? — Pediu em voz alta ao se aproximar, ignorando os olhares dos amigos do rapaz. Cedrico pareceu surpreso, mas concordou.
  — Ah, lá vai o casalzinho! — Emmett riu, fazendo o loiro ficar constrangido, mas não respondeu nada.
   parou a apenas alguns metros do grupo, não querendo correr o risco de escutarem a conversa, e então virou-se para Cedrico;
  — Por que está dizendo que estamos juntos?
  — O quê? — Falou surpreso.
  — Gina ouviu você falando sobre isso mais cedo, contando para seus amigos que estamos juntos! — Cruzou os braços, encarando-o com a sobrancelha arqueada.
  Diggory abriu a boca, surpreso de como as coisas chegaram naquele nível tão rápido.
  — Não estou dizendo para ninguém que estamos juntos! — Explicou de imediato, passando a mão pelos cabelos — Foi justamente o contrário; Monty e Daves ouviram alguém falar sobre isso e vieram me perguntar, mas eu disse que não estamos ficando. Todo mundo que me perguntou sobre isso eu neguei, mas também não posso controlar o que outras pessoas dizem!
  A garota o olhou desconfiada por um instante:
  — Então por que Montgomery falou que somos um casal se você desmentiu?
  Cedrico sentiu o rosto esquentar;
  — Emmett é um babaca, sempre fala isso de brincadeira… — Suspirou, tornando a olhá-la — Não estou inventando coisas sobre você, , só não sabia explicar o motivo de estarmos sozinhos até mais tarde ontem, então deve parecer estranho… Mas não estou dizendo que estou ficando com você — Garantiu, embora, no fundo, desejasse que fosse verdade.
  A garota suspirou, concordando com um aceno.
  — Desculpe… Não achei que você realmente faria isso, mas Gina me garantiu que você estava falando disso para seus amigos…
  — É sério, não estou inventando coisas sobre você — repetiu, a garota concordou. Cedrico passou a língua pelos lábios antes de perguntar em voz baixa — Já conversou com seus amigos sobre aquele assunto?
   o encarou por um instante antes de negar.
  — Talvez amanhã… Ainda tenho um trabalho e Quadribol hoje… De qualquer forma, nos vemos depois, Diggory!
  — Se precisar de algo, estou aqui — avisou, escutando-a agradecer —, e só para você saber, mesmo se tivéssemos ficado, não sou do tipo que beija uma garota e sai contando por aí, não se preocupe — piscou, vendo-a rir baixo ao olhar para o lado com as bochechas coradas, acenando antes de se afastar.

●●●

  Os dois estavam sentados no chão da estufa, vendo Lobo ir buscar a bolinha que Cedrico jogava e trazê-la de volta animado, o rabo balançando de um lado para o outro.
  — Você vai me fazer perguntar ou vai me contar sozinha?
  — O que quer dizer? — A garota virou-se para olhá-lo, no mesmo instante em que o cachorro voltava com a bolinha colorida, a qual era seu presente de Natal dado por , e o loiro jogava mais uma vez.
  — Bem, tem dias demais que não a vejo com seus amigos, levando em consideração que era para ter conversado com Potter sobre tudo o que aconteceu…
   franziu o cenho, negando com a cabeça enquanto olhava para o cachorro, o qual tornava a se aproximar animado.
  — Potter é um babaca. — Falou baixo, vendo Lobo sentar-se ainda com a bolinha na boca.
  Diggory suspirou entendendo o que a garota quis dizer, mexeu com a mão para o cachorro aproximar-se mais uma vez e ele poder jogar a bola, mas dessa vez o animal permaneceu parado, sentado em frente aos dois, deixando o objeto no chão.
  Cedrico franziu o cenho estranhando a reação do cachorro, virou-se então para a garota que não pareceu perceber.
  — O que ele disse? — Perguntou curioso.
  — Nada que eu já não esperasse. — Deu de ombros, movendo-se desconfortável. — Parece que você estava errado, não é mesmo? — Comentou após alguns instantes naquele silêncio incômodo. Cedrico olhou-a confuso. — Você me falou que ele obviamente entenderia que a culpa do que aconteceu com os pais dele não era minha, pois bem, aparentemente você errou sobre isso.
  Diggory travou a mandíbula, fechando os olhos por alguns instantes;
  — Bem, talvez Potter seja mais estúpido do que eu imaginei.
  — Ele não é o único.
  — Hermione e Rony concordam com ele?
  — Rony parecia perdido, mas ficou do lado de Harry. Hermione começou a chorar, então não deu pra entender muito bem o que ela quis dizer — coçou o nariz distraída, pensando sobre o assunto. — Mas não conversamos depois disso, acho que deixa tudo bem claro.
  — Pode ser só questão de tempo até assimilar…
  — Tempo? — Virou-se para ele — Não vejo como o tempo vai ajudar em alguma coisa, Cedrico. Não vou deixar de ser filha de quem eu sou ou isso já teria acontecido nos últimos doze anos, não acha?
  — Só quis dizer que talvez ele esteja nervoso agora e depois se desculpe…
  — Não preciso das desculpas dele, Diggory. Se Potter acha que eu ajudaria Sirius Black a matá-lo, problema é dele. Não preciso daquele magrelo estúpido para absolutamente nada. — levantou-se de repente, passando por Cedrico e Lobo sem olhar para trás.
  Diggory suspirou frustrado, passando a mão pelos cabelos.
  — Agora me diga, por que foi que ela gritou comigo se eu não fiz nada? — Perguntou retoricamente para o cachorro que manteve o olhar preso no rapaz. — Caramba, Potter quem estraga as coisas e sou eu quem quase apanha? — Cedrico levantou-se ainda parecendo chateado — Até parece que é nossa culpa ela ser filha de Black… — Passou a mão na calça, tirando o pouco de terra presente, antes de agachar-se e passar a mão no cachorro — Até mais, Lobo.

●●●

   estava encostada na parede gelada com os braços cruzados, sentindo-se um tanto aborrecida com a demora. Detestava ficar esperando. Viu mais um grupo de quintanistas saindo, mas Diggory ainda não estava entre eles. Fazia quase quarenta minutos que estava esperando, deixou de tomar café para falar com o lufo e já começava a se arrepender dessa escolha idiota. Podia ter deixado para conversar com ele mais tarde, depois das aulas talvez. Mas não, lá estava ela, sentindo um buraco no estômago de tanta fome e começando a se cansar de ficar igual idiota esperando pelo rapaz.
  Sem contar os olhares dos lufanos ao se depararem com a garota da Grifinória parada em frente a passagem para a Sala Comunal da Lufa-Lufa, a qual deveria ser secreta.
  Olhou no relógio para confirmar o que já sabia: Estava há tempo demais esperando por Diggory, e se ele não aparecesse em cinco segundos então ela não se daria mais ao trabalho de se desculpar.
  Seu ego torcia para que ele não aparecesse!
  — Finalmente, Diggory, por que você demorou tanto? — Reclamou quando viu o rapaz saindo, ajeitando o cachecol, enquanto colocava a mochila nas costas.
Cedrico arqueou a sobrancelha quando a viu parada à sua espera. Os amigos que estavam com ele olharam para a garota, a qual sentiu o rosto esquentar ao notar que ele não estava sozinho, depois riram para Diggory que rolou os olhos, logo vendo-os se afastarem pelo corredor.
  — Não sabia que estava me esperando… — Deu de ombros, parando em sua frente — Algum problema?
   o encarou por alguns segundos, pensando no que diria. Um simples “me desculpa” deveria ser o suficiente, certo? Então por que ela não dizia?
  — Reparei que você tem me evitado nos últimos dias, imaginei que talvez você estivesse chateado comigo…
  Cedrico cruzou os braços, olhando sério para a loira.
  — Talvez?
  — Olha, eu vim até aqui e fiquei te esperando por uma eternidade, vamos pular essa parte? — A garota sorriu sem graça. Diggory negou com a cabeça, suspirando em seguida.
  — Por que você sempre faz isso? — Questionou cansado.
  — Faço o quê?
  — Você sabe que seria muito mais fácil se você simplesmente tivesse falado comigo no mesmo dia quando me viu na hora do jantar, mas preferiu me ignorar. E no dia seguinte quando eu fui falar com você, tornou a ser grosseira. Agora vem como se nada tivesse acontecido e espera que eu faça o mesmo?
  — Eu não... — Suspirou, enquanto Cedrico continuava a encará-la de cara fechada — Não é com você meu problema, Diggory, sabe disso.
  — Bom, então não desconte em mim.
   abriu a boca para respondê-lo, mas pensou melhor e apenas suspirou, passando as mãos pelo rosto e jogando o cabelo para trás.
  Cedrico continuava parado esperando seu pedido de desculpas, achava justo já que ela havia sido extremamente rude com ele nas duas últimas vezes que se encontraram, realmente não era culpa dele se ela ainda estava brigada com os amigos.
  — O que você quer que eu diga? — Olhou-o finalmente, Cedrico deu de ombros, vendo-a bufar irritada — Caramba, Diggory, eu vim até aqui, fiquei um tempão procurando a droga da passagem pro seu Salão Comunal, nem tomei café, estou morrendo de fome, vou me atrasar para a aula do Lupin e você fica de frescura?
  — Frescura? — Reclamou em voz alta.
  — Eu não sei se você percebeu, Cedrico, mas eu não costumo me desculpar com as pessoas... — Diggory negou com a cabeça, virando-se para sair do corredor — E mesmo assim eu passei os últimos cinquenta minutos aqui esperando pra falar com você! — Disse mais alto ao vê-lo se afastar.
  Cedrico parou por um instante, suspirou antes de virar-se, sabia que não conseguiria muito mais do que aquele falho pedido de desculpas. simplesmente não sabia se desculpar, mas aquilo o incomodava.
  — Não adianta você vir aqui e dizer que sente muito se na próxima briga que tiver com seus amigos voltar a me tratar mal. Não sei se percebeu isso, Tonks, mas estou sempre tentando te ajudar da melhor forma que posso! — Frustrou-se consigo mesmo ao encarar os olhos da garota e sentir-se culpado por estar dizendo tudo aquilo — Eu gosto de você, gosto muito — admitiu, sentindo o estômago rodopiar —, mas não vou ficar correndo atrás de você para ser tratado dessa forma. Sei que você está com vários problemas e, de verdade, quero te ajudar, mas não é minha culpa que você e seus amigos não estão se falando. Não é em mim que você tem que descontar suas frustrações!
   baixou a cabeça por um instante, concordando em silêncio;
  Sabia que ele estava certo e não queria ser grosseira, mas às vezes não conseguia evitar. Infelizmente tudo estava fora de seu controle aquele ano e Cedrico acabou sendo o que mais sofreu com suas atitudes impensadas, não era a primeira vez que aquilo acontecia e, se fosse sincera, duvidava que fosse a última.
  — Sinto muito, Diggory. — Disse em voz baixa, ainda sem olhá-lo.
  O rapaz respirou fundo, passando a mão pelos cabelos, dando um passo em sua direção.
  — Tudo bem, esqueça.
  — Não, você está certo… — Continuou, o olhando tristemente — Você tem sido ótimo comigo o ano todo e eu sempre te trato mal, mesmo nunca sendo com você meu problema. — Admitiu, sentindo os olhos marejarem, a última coisa que queria era chorar mais uma vez na frente dele, mas também não parecia capaz de evitar — Esse ano tem sido horrível de tantas formas… — Suspirou, passando a mãos pelo rosto — Eu sabia que seria péssimo desde que descobri que ele escapou de Azkaban, por isso não queria voltar pra cá depois das férias e menos ainda depois do Natal — disse, sentindo um nó se formar em sua garganta. Diggory franziu o cenho, não sabia sobre a possibilidade da garota não ter voltado após o feriado — Você tem sido realmente incrível, eu sinto muito de verdade por não ter te tratado tão bem ou demonstrado o quanto aprecio sua amizade. — Encarou-o por um instante, sorrindo triste — Eu entendo você não querer mais falar comigo e sinto muito por tudo isso, ok? Obrigada de qualquer forma!
  Encerrou, virando-se para sair do corredor antes que começasse a chorar mais ainda em sua frente - a ideia de agora não ter nem mesmo o loiro ao seu lado parecia pior, pois sabia que aquilo era sua culpa, diferentemente da situação envolvendo os três amigos.
  Diggory fechou os olhos, negando com a cabeça;
  — Eu nunca disse que não queria mais falar com você — Avisou, vendo-a parar alguns passos de distância, virando-se para olhá-lo mais uma vez — Só fico cansado de sempre ser tratado da mesma forma sem ter feito nada errado.
  A loira concordou, mantendo o olhar baixo enquanto passava a mão pelo rosto, limpando as lágrimas. Cedrico ajeitou a alça da mochila que escorregava sobre o ombro, aproximando-se dela, sentindo-se estranho por saber que a garota agora chorava em partes por causa dele.
  — Eu realmente gosto de você, , — repetiu, passando a língua pelos lábios finos, esperava que ela entendesse o que ele queria dizer, mas também sabia que tudo o que ela precisava era de um amigo ao seu lado naquele momento, e ele queria ser essa pessoa também — é até um tanto frustrante brigar com você e, ao mesmo tempo, sentir sua falta.
  — Você sentiu minha falta? — Perguntou surpresa, vendo-o rolar os olhos, rindo baixo.
  — Talvez um pouco… — Deu de ombros, vendo-a sorrir e, no instante seguinte, sentiu os braços da garota em volta da sua cintura, em um abraço apertado que foi correspondido da mesma forma;
  — Gosto de você também, Diggory, espero que saiba disso!
  O lufo fechou os olhos por um instante, beijou-lhe a testa no momento seguinte;
  — É melhor irmos antes que eu perca pontos por me atrasar para a aula do Flitwick!
  A loira riu, começando a andar ao seu lado pelos corredores;
  — Você alguma vez já perdeu algum ponto? — Questionou, vendo-o negar com um aceno — Deveria tentar algum dia, é uma sensação ótima!
  — Sabe o que é ainda melhor? Ganhar pontos ao invés de perdê-los! — Respondeu da mesma forma.
  — Para sua informação, já ganhei vários pontos para a Grifinória, ok? Porém devo ter perdido o triplo!
  — Exatamente, não acha que seria melhor só ganhá-los ao invés de perdê-los? — Riu enquanto subiam um lance de escadas.
  A garota fez careta, negando com um aceno.
  — É assim que funciona, Cedrico, eu perco e a Mione recupera… — Começou, então ficando em silêncio por uns instantes, lembrando-se que não estava mais conversando com Granger — Ou algo assim…
  Diggory olhou-a de lado, passando o braço por seus ombros;
  — Você sabe que logo vai estar conversando com eles de novo, não é?
  — Não, eu não sei, Ced. — Negou, suspirando — E é esse o problema.
  Diggory ficou em silêncio por um segundo, parte de si revirando-se com o chamando de Ced, mas feliz o suficiente por estarem conversando de novo para importar-se com aquele detalhe.
  — Pois eu tenho certeza que é uma questão de tempo para, no mínimo, você voltar a conversar com a Hermione, afinal ela é bem esperta, não é?
  — Sim, — concordou, sorrindo pequeno — pra você ver como ser a bruxa mais inteligente da idade dela não significa muita coisa…
  Diggory riu da brincadeira, olhando-a de canto;
  — Bem, não diria a mais inteligente da idade dela… Quer dizer, você sabe que é bem esperta também, não é? É sério! — Acrescentou quando a viu rolar os olhos em sua direção — Todas as vezes que estudamos juntos não foi nenhum pouco difícil te ensinar as coisas… Você só precisa focar nas aulas!
  — Primeiro que não temos a mesma idade; sou um ano mais velha que eles, entrei depois em Hogwarts porque faço aniversário em novembro, então tive que esperar mais um ano — explicou, e então Diggory parou ao seu lado, olhando-a incrédulo;
  — Por que não me disse que fez aniversário em novembro? Eu não fazia ideia!
  A garota riu, dando de ombros, antes de continuar;
  — E segundo, é exatamente esse o meu problema, — respondeu, fazendo careta — detesto prestar atenção nas aulas, a única que ainda tento me manter concentrada é na da McGonagall, mas apenas porque eu achei incrível ela ter virado um gato no primeiro dia!

●●●

  O rapaz fazia seus últimos trabalhos como Monitor antes de seguir para o Campo de Quadribol, para assistir Grifinória vs Corvinal, ainda não tinha visto naquele dia, e esperava fazê-lo antes do jogo.
  Sabia que ela ainda estava chateada por ter brigado com Potter, e pensou em falar com o garoto quando o viu mais cedo, mas achou que pioraria as coisas. Decidiu-se por não se envolver, embora ainda achasse que Harry Potter estava sendo realmente burro em pensar que a garota poderia ajudar Sirius Black ou qualquer outra coisa do tipo.
  Depois de separar um princípio de briga entre dois quartanistas, Cedrico andou para o Salão Principal para comer alguma coisa antes da partida. Não demorou muito tempo e grande parte do time da Grifinória apareceu com seus uniformes vermelhos, Diggory reparou que não estava com eles, mas que Wood sorria largamente.
  Notou uma movimentação maior na mesa da Casa e depois de ouvir a palavra Firebolt resolveu ver o que era. Esqueceu-se momentaneamente que estava sentindo uma certa raiva de Harry ao ver a vassoura que ele tinha conseguido, ainda melhor que sua antiga Nimbus 2000.
  — Parabéns, é realmente incrível! — Falou para o garoto, o moreno o encarou por dois segundos, mas acabou agradecendo sorridente.
  — Presente de Natal! — Deu de ombros. Cedrico novamente parabenizou-o e então voltou para seu lugar para terminar sua refeição.
  Acabou demorando mais tempo do que imaginou conversando com os amigos, mas quando finalmente saiu do Salão, encontrou (já com as vestes de Quadribol) e Hermione descendo as escadas de acesso ao hall, aparentemente as duas discutiam sobre alguma coisa, gesticulava bastante com as mãos e parecia estressada, mas ao menos estavam conversando, o que fez Cedrico ficar feliz pela loira, a qual ele sabia sentir falta da amiga.
  — Harry só está com vergonha de ter sido idiota, vergonha de pedir desculpas! — Mione dizia, vendo-a negar.
  — Problema dele que é ridículo, não tenho que falar com ele. — Cruzou os braços olhando para o lado oposto.
  — Só estou pedindo para você não tentar enfeitiça-lo quando ele for se desculpar, sabe como ele e Rony são ruins com desculpas, embora não sejam piores do que você, é claro. — A outra arqueou a sobrancelha, vendo Hermione rir — Harry provavelmente vai enrolar muito e só vai dizer coisas desconexas. Garotos são ridículos, !
  Cedrico aproximava-se com as mãos nos bolsos da calça, mas parou ao ouvir a última frase, com as sobrancelhas erguidas. As duas garotas viraram-se para ele ao chegarem no final da escada, riu da cara do rapaz.
  — Cedrico é exceção! — Piscou para ele, que sorriu de lado.
  — Bem, vou comer alguma coisa, nos vemos depois do jogo, boa sorte! — Hermione falou, abraçando a amiga e acenando com a cabeça para o lufo.
  — Queria dizer boa sorte antes da partida, mas tenho certeza de que vocês vão ganhar! — Deu de ombros, ainda com um sorriso fraco nos lábios. A garota gargalhou.
  — Obrigada mesmo assim!
  Cedrico reparou que ela usava o colar que ele tinha lhe dado no Natal, sorrindo com aquilo.
  — Não vai comer? — Perguntou enquanto caminhavam lado a lado para fora do castelo.
  — Levantei mais cedo hoje, — comentou coçando levemente o nariz. — Hermione queria conversar comigo antes do jogo…
  — Pelo que vejo, fizeram as pazes, uh? — Questionou, vendo-a concordar sorridente.
  — Ah, também já deixei comida para o Lobo, então não precisa levar até à noite! — Avisou — Aliás, eu acho que ele está engordando…
  — Ele realmente parece gostar de você, não é? — Diggory comentou distraído, descendo as escadas em direção ao jardim.
  — É claro, damos comida para ele todo dia!
  — Mesmo assim, ele não fica tão feliz ao me ver como com você, acho que você é mais legal... — Fez uma careta leve, a menina aproximou-se apertando suas bochechas, fazendo-o gargalhar.
  — Acho você a pessoa mais legal de Hogwarts, ok? — Disse sorrindo.
  Cedrico parou no degrau de baixo, virando-se para olhá-la com um sorriso nos lábios, encarou-a por um instante e inclinou-se ligeiramente em sua direção, mas antes que pudesse aproximar-se mais do que dois centímetros, ouviu o grito de Wood vindo da entrada do Castelo;
  — Tonks! Vamos logo, quero repassar as jogadas de hoje!
  — Te vejo depois, Ced! — Sorriu, antes de virar-se para seguir Olívio e o restante do time, que já desciam as escadas em direção ao Campo de Quadribol. Diggory puxou-a pela cintura antes que ela se afastasse;
  — Bom jogo! — Disse, beijando-lhe demoradamente a bochecha, fazendo-a rir quando a soltou.

OITO

  Os dois andavam juntos por Hogsmeade até Cedrico sugerir que parassem para comer alguma coisa, pois ele já estava morrendo de fome. Entraram em um café próximo, o qual tinha bolos maravilhosos de vários sabores, fizeram seus pedidos e sentaram-se em uma mesa mais ao canto, conversando sobre diversos assuntos, sendo o principal deles as últimas partidas de Quadribol; Corvinal havia perdido para Grifinória e Lufa-Lufa perdeu por dez pontos da Sonserina, o que significava que Lufa-Lufa e Grifinória disputavam a Taça, e a diferença de pontos era mínima.
  No fundo Cedrico tinha certeza que a Casa de Godric Gryffindor ganharia; era, em sua opinião, o melhor time de Hogwarts desde que ele havia entrado na Escola. No fundo desejava que parte daqueles jogadores fossem da Lufa-Lufa ou que sua Casa tivesse melhores jogadores.
  Só mudaram de assunto quando foram servidos, após alguns instantes saboreando a comida;
  — Achei que você não sairia tanto comigo agora que está conversando de novo com seus amigos. — Cedrico confessou sentado despojadamente em sua cadeira, olhando para a garota a sua frente.
  Ela arqueou a sobrancelha e terminou de engolir seu pedaço de bolo antes de respondê-lo.
  — Admito ter pensado que você, Cedrico Diggory, aluno modelo, Monitor e Capitão do time de Quadribol, tivesse algo melhor para fazer do que andar com uma garota do terceiro ano da Grifinória! — Respondeu, dando de ombros.
  Cedrico ficou em silêncio por algum tempo, encarando seus olhos .
  — Isso é sério? — Perguntou por fim, ela apenas concordou. — Nossa, devo parecer muito insuportável...
  — E eu devo parecer muito mais arrogante e metida do que eu sou. — o olhou com o cenho franzido, ele riu negando com a cabeça.
  — Desculpe, me enganei, mas não acho você metida, muito pelo contrário. — Ele sorriu antes de tomar um gole de seu chocolate quente.
  — Quer dizer que eu sou arrogante? — Colocou as mãos na cintura, vendo-o gargalhar.
  — Contra certos fatos não existem argumentos…
   rolou os olhos, sorrindo em seguida.
  — Você até que é bem legalzinho...
  — Legalzinho?
  — Você é o tipo de pessoa que todos querem ter por perto, Diggory! — comentou enquanto mexia em seu chá. Cedrico olhou para a garota por algum tempo, um sorriso calmo nos lábios.
  — Gosto da sua companhia. — Disse simplesmente antes de colocar outro pedaço de bolo na boca.
  — Você também não é dos piores, sabe? — Comentou com desdém, fazendo-o rir e concordar agradecendo com uma careta.
  Após passarem a tarde juntos em Hogsmeade, resolveram voltar para a Escola, ainda rindo de uma história que Cedrico havia contado sobre seu primeiro ano em Hogwarts e como havia sido ingênuo o suficiente para acreditar que poderia entrar no Lago Negro sem problemas, e acabou na Ala Hospitalar por duas semanas após ser atacado pela Lula Gigante.
  — Olá, Cedrico! — Uma quintanista da Corvinal o cumprimentou sorrindo quando chegaram na entrada do castelo — Ainda estou esperando nosso segundo encontro! — Piscou divertida, vendo-o rir sem graça.
  — Às vezes penso se uso uma Capa da Invisibilidade sem saber ou algo do tipo, — comentou displicente, após alguns segundos — suas namoradas nunca nem me dizem oi, que mal-educadas!
  — Não são minhas namoradas — Cedrico respondeu de imediato, sentindo o rosto esquentar.
  — Estou brincando, Diggory, mas sabe, andar ao seu lado quase me deixou tão popular quanto você! — Lembrou-se rindo, vendo-o arquear a sobrancelha, curioso;
  — Não que você não seja, porque basicamente todo mundo nesse lugar te conhece, mas por que diz isso?
  — Um garoto da Lufa-Lufa me chamou para sair essa semana, — deu de ombros, o colega parou de andar por um instante, encarando-a — me chamou para ir à Hogsmeade com ele, mas disse que já tinha marcado com voc… Que foi?
  — Quem foi que te chamou para sair? — Questionou interessado, uma súbita vontade de bater em quem quer que fosse.
  — Ah, aquele Ernesto qualquer coisa, — rolou os olhos — bem sem noção na verdade, porque me lembro muito bem dele me acusando ano passado por causa da Câmara Secreta, dizendo que eu deveria estar envolvida junto de Potter nos ataques! Sinceramente, tem umas pessoas que realmente não deveriam ter ido pra Lufa-Lufa, viu? Dá má fama a Casa… Você está bem? — Tornou a perguntar ao vê-lo parado, olhando para baixo.
  Cedrico apenas concordou, sorrindo pequeno e voltando a andar ao seu lado. Sentia o coração bater apertado, não tinha aceitado sair com MacMillian, mas e se na próxima vez que alguém a chamasse ela aceitasse o convite? E se ela começasse a beijar algum outro aluno? Que é que ele diria sobre isso?
  — Então, você está pensando em sair com alguém? — Soltou de repente, só depois notando que deveria ter cortado qualquer coisa que ela dizia, pois a garota demorou alguns instantes para entender o que ele falou.
  — O quê?
  — Ah, você sabe, Ernesto te chamou para sair, e embora ele seja chato mesmo, — explicou-se, um tanto afoito — imagino que não deva ser o único, não é? Quer dizer, você é legal e bonita, além de jogar Quadribol super bem, aposto que deve ter vários caras te convidando para fazer alguma coisa...
   riu, negando com a cabeça;
  — Não, foi só ele mesmo. Embora Simas tenha tentado me beijar na festa depois do jogo contra a Corvinal — deu de ombros, e Cedrico sentiu o estômago afundar: como poderia ter sido idiota ao ponto de não ter imaginado que não deveria ser o único cara interessado na loira? — Não que eu ache que signifique alguma coisa, porque ele também tentou beijar mais umas três garotas aquele dia! — Explicou, rindo da situação, mexendo nos cabelos logo depois.
  Diggory sorriu forçado, rindo nervoso de qualquer coisa que ela disse em seguida.   Tinha que tomar alguma atitude e rápido;
  — Quer sair comigo? — Perguntou de súbito, sem nem mesmo reparar no que havia dito. Foi só quando parou em sua frente, com a expressão confusa que ele notou ter dito aquilo em voz alta;
  — Acabamos de voltar de Hogsmeade, Diggory!
  — Eu sei, eu só… — Pigarreou, sem saber o que fazer, suspirando em seguida — Quero dizer, você não quer ir comigo ver o Lobo?

  Cedrico manteve-se anormalmente quieto enquanto os dois estavam sentados, lado-a-lado, no chão da estufa 5. O cachorro corria atrás do próprio rabo, fazendo a garota rir. Diggory mantinha um sorriso de canto nos lábios, embora não prestasse atenção em nada daquilo, ainda pensando sobre o que havia dito cerca de meia hora antes.
  Sentia-se realmente estúpido por não pensar que deveriam ter outros caras interessados na loira, se ele até quando mal a conhecia sentiu uma vontade enorme de chamá-la para um encontro, imaginava como deveria ser para os outros colegas de turma ou de Casa que conviviam com ela diariamente.
  Travou a mandíbula ao pensar em Ernesto MacMillian a chamando para sair, aquele babaca… Até parecia que ele seria bom o suficiente para sair com ela… E ao pensar nisso, Cedrico passou a mão pelos cabelos, frustrado; e se ele também não fosse bom o suficiente para chamá-la para sair? E se um dia o fizesse e ela negasse, assim como tinha feito com Ernesto?
  E, mais uma vez, ao pensar no colega da Lufa-Lufa, sentiu uma vontade enorme de socá-lo, principalmente por saber que todos na Casa continuavam fazendo piadas e dizendo que era sua namorada; O próprio MacMillian já havia feito aquela brincadeira por diversas vezes, como ainda a convidava para um encontro?
  Não que Cedrico se incomodasse tanto com os comentários, no fundo desejava que fossem verdade, não seria nada mal ter como sua namorada.
  Então um segundo pensamento o ocorreu; será que queria mesmo chegar tão longe?
  Pensou por um momento, olhando-a de perfil, os cabelos loiros soltos, apenas a franja presa para o lado com uma presilha prateada, usava jeans e a camiseta que Cedrico havia lhe dado no ano anterior, o que o fez sorrir sozinho ao lembrar-se.
  A garota era bonita, por Merlin, ela era linda.
  E era, de fato, bem popular, fosse por ser amiga de Harry Potter ou por sempre estar envolvida nas mesmas confusões que o outro. E isso aumentou ainda mais após ela ter começado a jogar pelo time da Grifinória, principalmente por jogar tão bem. Contudo, no fundo, Cedrico tinha certeza que não era só aquilo que atrairia a atenção dos garotos; além de tudo era engraçada, divertida, sempre tentava ajudar os amigos e até sua arrogância parecia charmosa vindo dela. Além de ter um sorriso encantador e uma risada contagiante. Ele também gostava quando ela mexia nos cabelos, em gestos automáticos ou quando ria irônica, até aquele sorriso de lado ficava bem nela.
  Entretanto, seria aquilo suficiente para ele realmente gostar dela? Talvez Diggory ainda estivesse apenas atraído por não ter conseguido beijá-la, mesmo após todo aquele tempo desejando poder fazê-lo. E se após a beijar algumas vezes descobrisse que não era nada do que ele imaginava? Poderia arruinar a amizade dos dois com aquilo.
  Pensou novamente no que sentiu ao saber do interesse de outros na garota, e como tinha ciúmes de quando a via com Potter, mesmo sabendo que eles eram amigos.
  Talvez ele realmente só se sentisse atraído por ela, um lance físico que acabaria após darem uns amassos, mas ele também sabia que se sentiria extremamente frustrado se a visse beijando qualquer outra pessoa. E, enquanto pensava nisso tudo, reparou que desde que começaram a andar juntos, quanto mais aumentava seu desejo de beijá-la, mais diminuía sua vontade de sair com outras garotas; não que não o tivesse feito ou aproveitado os encontros que teve após o retorno do feriado, mas nas duas vezes reparou que preferia, e muito, estar ao lado de , mesmo que fosse apenas para conversarem ou verem o cachorro brincar.
  — Cedrico? — A garota chamou, tocando-lhe a mão.
  Virou-se para olhá-la, quando encarou seus olhos e sentiu o corpo arrepiar-se com aquele simples toque, confirmou o que mais temia:
  Cedrico Diggory estava completamente apaixonado por Tonks.
  — Precisamos ir! Está chovendo! — Disse, apontando para o teto da estufa, o loiro reparou no barulho que o mesmo fazia. — Tchau, pra você! — virou-se para o cachorro, acariciando-lhe a cabeça — Até depois, durma bem!
  — Eu acho que vou ficar mais um pouco… — Falou no instante seguinte, agora que tinha certeza do que realmente sentia por ela, não sabia como permanecer ao seu lado, parecia estranho.
  — Tem certeza? — Viu-o confirmar com um aceno — Até amanhã, Diggory! — Sorriu, beijando-lhe a bochecha antes de levantar-se, saindo pouco depois.
  O cachorro sentou-se ao lado do rapaz, encarando-o por algum tempo ao notar o olhar perdido do mesmo. Latiu uma vez, chamando sua atenção.
  Diggory sorriu de canto, suspirando em seguida;
  — Eu sei que você vai odiar saber disso, porque quase me mordeu da última vez, — começou a dizer em voz baixa, ainda olhando para o animal — mas eu realmente preciso chamar para sair, antes que mais alguém faça!
  O cão negro latiu mais duas vezes.
  — Você não entendeu, — respondeu, frustrado com a situação inteira — já tem outros garotos a chamando para sair! E se ela aceitar? E se ela realmente sair com outro cara? — Balançou a cabeça em negação, bufando. — Que é que eu faço agora?
  Cedrico encostou a cabeça na parede, olhando a chuva bater no teto da estufa;
  — Com tantas garotas em Hogwarts, eu tinha que gostar da única que não consigo conquistar? — Indignou-se — E somos amigos! Não posso chamá-la para sair e esperar que isso não vá atrapalhar as coisas. E se algo der errado quando sairmos? E se nem mesmo sairmos, porque ela vai dizer não? Como é que vou continuar falando com ela depois disso? Com sabendo que eu tenho interesse nela? Que droga, viu? — Tornou a olhar para o cachorro, que estava quieto, apenas o encarando — Talvez se eu tivesse continuado no Três Vassouras no dia que te encontramos, nada disso estaria acontecendo!

●●●

  No último final de semana de maio os alunos esperavam ansiosos pela última partida de Quadribol da temporada, na qual seria decidido o Campeonato no jogo entre Grifinória x Sonserina.
  Lufa-Lufa tinha uma vantagem de 50 pontos para Grifinória, e apenas uma vitória da Sonserina os manteria em primeiro lugar, Diggory queria mais que tudo aquela Taça, mas, assim como os colegas de Casa, sabia que seria quase impossível.
  Próximo às dez horas da manhã os alunos começaram a caminhar em direção ao Campo, sentando-se nas arquibancadas e esperando o começo da partida. Cedrico estava junto com os companheiros do time, parte de si queria a derrota da Grifinória, pois assim seu time venceria, mas os outros cinquenta por cento gostariam de ver o sorriso no rosto de se o time da garota vencesse. E, de qualquer forma, segundo lugar não seria terrível, era a melhor colocação que tiveram em anos.
  Viu os dois times entrarem em campo, sob uma salva de aplausos e gritos de todos os cantos, Cedrico logo localizou entre Angelina Johnson e Katie Bell, os cabelos loiros mesmo presos em um rabo-de-cavalo ainda voavam com o vento.
  Sentiu uma lambida em sua mão ao tempo que algo passava por suas pernas e, ao olhar para baixo, viu apenas a rabo do cachorro negro embrenhando-se entre os estudantes da Lufa-Lufa, subindo para o último degrau da arquibancada. Abriu a boca aterrorizado ao notar, olhando para os lados, com medo que mais alguém reparasse no animal, mas todos pareciam distraídos demais para notá-lo.
  — Esse é, considerado por muitos, o melhor time que Hogwarts já viu em anos — dizia Lino Jordan, ao narrar o começo do jogo —, o Capitão e goleiro Olívio Wood faz sua última partida em Hogwarts, e vem para vencer a Taça junto de seus jogadores; os batedores Fred e Jorge Weasley, ao lado das três artilheiras, Angelina Johnson, Katie Bell e Tonks, e, completando o time, o apanhador Harry Potter, que joga mais uma partida com sua belíssima Firebolt!
  — Jordan, se você começar a fazer propagando dessa vassoura mais uma vez, eu vou tirar esse megafone da sua mão! — Pode-se ouvir McGonagall reclamando ao fundo, fazendo com que parte dos alunos rissem.
  — Muito bem, muito bem, lembrando a todos que Lufa-Lufa lidera o campeonato com 50 pontos à frente, após ter vencido a Corvinal no último jogo, uma belíssima partida, vale-se lembrar. É realmente impressionante o que Cedrico Diggory fez com o time amarelo! — Jordan comentou, e Cedrico sentiu palminhas em suas costas — De qualquer forma, Grifinória vem logo atrás e precisa vencer a Sonserina com uma diferença de 60 ou mais pontos para levar a Taça! E vamos ao início do jogo! — Disse ao ouvir o apito de Madame Hooch e, segundos depois, a goles ser lançada. — E Grifinória com a goles, Bell voando direto para as balizas da Sonserina, em boa forma, Katie! Arre, não! A goles foi interceptada por Warrington, Warrington da Sonserina partindo em velocidade pelo campo — PAM — uma boa rebatida de um balaço por Jorge Weasley, Warrington deixa cair a goles, que é apanhada por… Johnson, Grifinória com a posse da bola outra vez, aí Angelina — ótimo passe para Tonks, que desviou-se com facilidade de Montague — se abaixa , aí vem um balaço! E ELA MARCA! DEZ A ZERO PARA A GRIFINÓRIA!
  A loira deu um soco no ar, sobrevoando próximo a Angelina, agradecendo o passe. O mar vermelho nas arquibancadas berrou de felicidade, enquanto o grupo da Lufa-Lufa e da Sonserina ficaram em silêncio, Cedrico precisou segurar a vontade de aplaudir, não pegaria nem um pouco bem para o Capitão do time adversário ficar feliz com um gol que, possivelmente, ajudaria os rivais a ganharem a taça.
  — Pênalti para Grifinória! Pênalti para Sonserina! Após Marcos Flint, esse sujo!, desculpe professora, colidir com Angelina, Fred Weasley acertou-lhe em cheio com o bastão, boa Fred! Aí Katie, — tornou a gritar Lino, no silêncio que ficou em volta do campo, enquanto esperavam as cobranças — SIM, SENHORES! ELA FUROU O GOLEIRO! VINTE A ZERO PARA A GRIFINÓRIA! É claro que Wood é um esplêndido goleiro! — Tornou a dizer quando o time da Sonserina aproximou-se para cobrar a penalidade — Esplêndido, difícil de vazar, muito difícil mesmo, SIM SENHORES! EU NÃO ACREDITO! ELE AGARROU A BOLA! SE ESSE ANO A GRIFINÓRIA NÃO GANHAR A TAÇA, EU NÃO SEI O QUE EU FAÇO DA MINHA VIDA! QUE TIME, SENHORAS E SENHORES, QUE TIME!
  O grupo de torcedores vermelhos gritavam, extasiados com a partida que o time fazia;
  — Grifinória com a posse, não! Sonserina com a posse, não! Grifinória retoma a posse com Tonks, Tonks da Grifinória com a goles, a jogadora corta para o lado… FOI INTENCIONAL!
  Montague, um artilheiro grandalhão da Sonserina, cortou a frente de e, em vez de agarrar a goles, puxou-a pela cabeça, fazendo com que a garota desse uma cambalhota no ar, devido à velocidade, mas continuou montada na vassoura, embora tivesse deixado a goles cair.
  Diggory não conteve-se em gritar o primeiro xingamento que lhe veio à cabeça, escutando em seguida Emmett rir ao seu lado, surpreso com a reação do outro;
  — O que o amor não faz, ein? — Cochichou, vendo-o negar, embora estivesse vermelho.
  Um minuto depois preparou-se para cobrar o pênalti, ainda massageando o pescoço dolorido;
  — TRINTA A ZERO! TOMA SEU SUJO! SEU COVARDE…
  — Jordan!
  Com o decorrer da partida, embora a Sonserina parecesse mais determinada do que o normal a contundir os jogadores da Grifinória, querendo mais que tudo, acabar com as chances deles vencerem a Taça.
  — Angelina Johnson pega a Goles para a Grifinória, VAI, VAI! ELA MARCOU, ELA MARCOU! GRIFINÓRIA LIDERA POR OITENTA À VINTE! VAI POTTER, PEGA O POMO! VAMOS GRIFINÓRIA!
  — Jordan, é para ser imparcial!
  — Desculpe, professora… Tonks intercepta Warrington, boa garota! Excelente garota! Se for verdade que não está saindo com o Diggory e quiser ir comigo ao Três Vassouras… Brincadeira, professora! — Jordan disse sem graça, mas fosse verdade ou brincadeira, Cedrico notou boa parte dos colegas virarem-se em sua direção, esperando pela reação do rapaz que tentava, mais que tudo, permanecer com o olhar no jogo, ignorando todo o resto, embora sentisse o estômago rugir ao imaginar que Lino talvez a chamasse para sair. — Tonks aproxima-se da baliza, desviou de Flint, vai marcar… MARCOU! MEU GRYFFINDOR QUE PARTIDA DESSA MENINA! É O QUINTO GOL DE TONKS! GRIFINÓRIA GANHA DE NOVENTA A VINTE DA SONSERINA! Tonks, se quiser sair mais tarde me avisa!
  Em meio à confusão dos gols da Grifinória e os olhares que Diggory recebia agora que Lino parecia, realmente, ter chamado a garota para sair, mal repararam quando Potter e Malfoy mergulharem atrás do Pomo de Ouro.
  Diggory, assim como todos os outros, pararam por um instante para observar. Não sabia mais se queria que eles ganhassem a partida; e se fosse comemorar a vitória nos braços de Jordan?
  — PEGOU! — Lino gritou emocionado, e o mar vermelho explodiu nas arquibancadas, era possível até ouvir Minerva McGonagall chorando ao fundo, abraçada ao aluno que narrava ao seu lado. — A TAÇA DE QUADRIBOL É DA GRIFINÓRIA! A GRIFINÓRIA VENCEU!
  Diggory respirou fundo, os braços cruzados, parte de si desapontada sabia que seria quase impossível, mas tinha um pouco de esperança. Contudo, ao ver Wood chorando agarrado a Potter, antes dos gêmeos e das três artilheiras aproximarem-se abraçando-se enquanto comemoravam, deixou um sorriso pequeno brotar nos lábios.
  O grupo de jogadores foi carregado nos ombros pelos colegas da Casa e então arrastados até a arquibancada principal, na qual os professores e o diretor assistiam às partidas. sentiu o abraço apertado de Minerva, a qual parecia tão emocionada quanto os outros, parabenizando-a pela partida que tinha feito.
  Dumbledore aproximou-se entregando a enorme Taça de Quadribol para Olívio Wood, o qual estava em prantos, mal conseguindo enxergar. O Capitão ficou no meio de seus jogadores que continuavam abraçados, rindo e chorando ao mesmo tempo e, então, sob uma chuva de aplausos vindo das arquibancadas, levantaram a Taça no ar.

●●●

  Assim que passaram pela grande porta de entrada, os dois andaram para a lateral esquerda até chegarem a uma parte pouco iluminada, diminuindo as chances de serem pegos por Filch.
  — Não acredito que você deixou o Lobo ficar exposto desse jeito! — A garota olhou-o surpresa ao saber do acontecimento.
  — Acho que seria muito pior se eu o pegasse no colo para tirá-lo dali, não é? E foi tudo bem, ninguém o viu e ele pode assistir ao jogo! — Piscou, vendo-a rir ao pensar no cão.
  — Ele é bem estranho, não é? Muito inteligente para um cachorro de rua… — Comentou, passando a língua pelos lábios.
  Cedrico concordou lentamente, encarando-a de lado por um instante.
  Desde que finalmente admitiu para si mesmo o quanto gostava da garota, parecia que tudo tinha piorado, porque agora pensava nela o tempo inteiro, o que o distraía de seus afazeres e estudos e sempre que estavam juntos, ele sentia uma vontade ainda maior de beijá-la.
  Suspirou, olhando para o lado;
  — Então… Vai aceitar o convite do Lino? — Perguntou após alguns segundos de silêncio.
  — Que convite? — Questionou curiosa, não fazendo ideia do que ele dizia.
  — Você não ouviu? Ele te chamou para sair na frente da Escola inteira!
  — Ah, — riu, negando — então foi isso… Vi os gêmeos falando algo sobre você e o Lino, mas não entendi muito bem…
  — Como assim? O que eles disseram? — Virou-se curioso, vendo-a dar de ombros;
  — Algo sobre ele ter que conversar com você antes de qualquer coisa ou teria problemas porque você é um aluno muito avançado e deve saber vários feitiços para atacá-lo, e eu não estava entendo sobre o que eles estavam falando… — Riu baixo — Enfim, ele não me chamou para sair, conversamos normalmente durante à festa e foi só.
  Diggory pensou por um momento, parecendo um tanto mais aliviado.
  — E por que ele teria que falar comigo?
  A garota corou de leve, parecendo extremamente sem graça ao explicar;
  — Ah… Por que ainda ficam fazendo piada achando que estamos juntos, sabe? Mesmo eles sabendo que não é verdade… — Sorriu pequeno, sem conseguir olhar para Cedrico.
  O lufo concordou, tão sem graça quanto ela, mas resolveu aproveitar a oportunidade que teve, em último caso diria que estava só brincando;
  — Nossa, e seria assim tão ruim sair comigo? — Questionou, fazendo-se de ofendido, ouvindo-a rir ao dar-lhe um tapa leve no braço.
  — Não seja bobo, Diggory.
  — Por quê?
  — Nós dois sabemos que não tem nada acontecendo, independente do que digam, então…
  Cedrico concordou, sorrindo forçado, mas ela não reparou. Ficou em silêncio por alguns instantes, chateado com a resposta; sabia que era verdade e que realmente não tinham nada, mas a forma que ela havia dito só o fez ter mais certeza que a garota não tinha qualquer outro interesse nele além da amizade.
  — Bem, acho que vou pra cama, estou cansado! — Avisou após alguns minutos, espreguiçando-se, querendo afastar-se dela.
  — Já vai me abandonar? — Perguntou chateada — Fazem meses que não conversamos direito porque você só estuda para os NOM’s, e no único tempo que temos livre você já vai dormir? Sem contar que você nem comemorou comigo a vitória, acho errado não poder entrar no nosso Salão Comunal só por ser de outra Casa… — Suspirou, Cedrico riu.
  — Bem, eu comemorei o segundo lugar com o pessoal, não foi? E você é muito dramática! Não faz tanto tempo assim que não conversamos...
  — Como não? Faz pelo menos umas duas semanas que não conversamos direito, só te vejo pelos corredores quando você está com seus amigos. E eu não sou dramática!
  — , se tem uma coisa que você é, essa coisa é dramática. E arrogante também, mas não vem ao caso...
  — Ah, vamos começar a falar os defeitos um do outro, agora? Espera, deixa eu ir ao meu quarto pegar minha listinha! — Ironizou tornando a olhar para o lado, escutando-o rir mais alto.
  — Esqueci que você também é irônica. — Completou, apoiando os cotovelos no degrau de cima e inclinando a cabeça para o céu. — E não são exatamente defeitos, são pontos da sua personalidade.
  — Você esqueceu de colocar que eu não me desculpo — Lembrou-o, sorrindo amarelo.
  — Faz parte da arrogância, . — Piscou, vendo-a rolar os olhos — E quais seriam meus defeitos? — Perguntou interessado.
  A garota ficou em silêncio por alguns instantes, o cenho levemente franzido, deu de ombros em seguida.
  — Ainda estou procurando.
  Cedrico arqueou as sobrancelhas, descrente.
  — Ah, é. Você é muito responsável, credo.
  — Responsabilidade é um defeito?
  — Sim. Talvez. Não sei bem… — Deu de ombros de novo — Foi a única coisa que eu pensei! — Justificou-se, podendo escutá-lo rir mais uma vez.
  Após alguns instantes de silêncio, a garota virou-se para ele;
  — É sério?
  — O quê?
  — Que você acha tudo isso? Ninguém nunca reclamou…
  Cedrico demorou alguns instantes para entender ao que a garota se referia.
  — Digamos que são detalhes, algo que te diferencia das outras pessoas, entende? — concordou, embora ainda não parecesse convencida, Cedrico sentiu a necessidade de se explicar com medo que a tivesse ofendido sem reparar. — Quer dizer… — Sentou-se direito, olhando para a garota que o encarou curiosa — Não é algo que você faça porque quer, é natural, sabe? Por exemplo… — Pensou um pouco, sorrindo ao lembrar-se — Quando você joga o cabelo para trás antes de responder alguma coisa que você sabe ou quando te fazem um elogio, é algo que você faz automaticamente, ou... hm… Quando você sorriu de lado quando eu fui te parabenizar pela conquista da Taça, foi algo automático…
  — Até meu sorriso é arrogante agora?
  — Não, calma… Foi um sorriso do tipo “eu sei que sou muito boa”, — ele deu de ombros — eu, particularmente não vejo problemas, e tenho certeza que todo mundo que te conhece sabe que você não é metida, embora pareça às vezes… É algo natural em você, entende?
  — Igual quando você fica vermelho quando eu te faço um elogio? — Questionou com a sobrancelha arqueada.
  Diggory abriu a boca surpreso, sentindo o rosto esquentar no mesmo instante.
  — Mais ou menos isso… — Respondeu em voz baixa, olhando para o lado oposto. — Não é algo que possa controlar, entende? Apenas acontece…
  — Hm… Certo…
  — Em todo caso, não é algo ruim em você, na verdade eu meio que gosto… Faz você ser… Diferente, em um bom sentido, sabe? — Deu de ombros sorrindo leve, novamente sentiu o rosto esquentar quando os olhos dela encontraram com os seus e ela sorriu tranquila.
  — Eu acho engraçado como você fica enrolando para dizer algo simples.
  — O que quer dizer? — Perguntou confuso.
  — Eu não sou boa com desculpas, mas você sempre se enrola para me explicar alguma coisa que não seja sobre aulas. Por exemplo, você poderia só ter dito que eu pareço metida, mas que você não acha que eu seja…
  — Realmente, parece mais fácil agora que você comentou…
  — Diggory? — O rapaz tornou a olhá-la — Eu também gosto de você exatamente como você é!
  O lufo concordou com um aceno, um sorriso tímido presente em seus lábios.

NOVE

  O cachorro via o loiro andar em círculos na estufa enquanto estava deitado no chão, olhando-o sonolento, vendo o rapaz resmungar sozinho, frustrado;
  — Olha, eu desisto, ok? — Disse por fim, virando-se para o cão — Eu já tentei tudo, tudo mesmo. Usei tudo que eu sei e não funcionou! Você venceu, não precisa mais ter raiva de mim, não vou tentar mais nada! — Bufou, passando a mão pelos cabelos, logo sentando-se ao lado do animal — Eu disse “Você quer sair comigo?”, e sabe o que ela me disse? “Do que você está falando, Cedrico, nós saímos o tempo todo!” — Afinou a voz, imitando-a, o cachorro o olhava de lado — O que eu estou fazendo de errado? — Perguntou como se esperasse uma resposta, bufando mais uma vez. — Eu realmente desisto agora, quer dizer, parece óbvio que ela não quer nada comigo além de amizade, pois bem, vou manter apenas isso — falou decidido, batendo com a cabeça na parede em seguida, frustrado. — Isso é um saco, sabia? Eu estava muito melhor saindo casualmente com algumas garotas sem gostar de ninguém. Que grande saco de bosta de Dragão! — Suspirou, fechando os olhos por um instante.
  O cachorro aproveitou o momento de silêncio para fechar os olhos por um instante, mas logo tornou a abri-los quando o rapaz xingou frustrado.
  — E sabe do que mais? Parte disso é sua culpa! — Acusou, olhando de canto para o cachorro que se virou para encará-lo — Eu estive perto assim — mostrou o polegar e o indicador com poucos centímetros de distância — de beijá-la duas vezes e você pulou no meio, e eu sei que foi de propósito! Seu ingrato! Eu venho aqui toda hora te dar comida e água, eu brinco com você todos os dias, você poderia no mínimo não me atrapalhar já que não quer me ajudar — Virou a cara para o lado, abraçando os próprios joelhos — E eu nem sei por que você não gosta de mim, sempre te tratei bem, ok? — Resmungou em voz baixa, chateado.
  Cedrico sentiu uma lambida molhada em sua bochecha, virando-se com uma careta para o cachorro, que estava sentado ao seu lado, olhando-o com a língua de fora. Rolou os olhos, rindo baixo.
  — É, tá legal, tá legal, também gosto de você. — Disse, passando a mão pela cabeça do cão. — Mas fique sabendo que seria muito melhor ela sair comigo, ok? Pelo menos você sabe que eu sou legal, e se ela começar a sair com alguém muito pior? Ein? Ein? O que você vai fazer? Morder o cara? — Arqueou a sobrancelha, vendo-o latir — Aham, até parece… De qualquer jeito, a melhor coisa que eu tenho a fazer é chamar alguma outra garota pra sair, assim não fico pensando nela, certo? — Questionou retoricamente, embora não parecesse tão otimista, suspirando mais uma vez.
  Lobo tornou a lamber-lhe a bochecha como se quisesse animá-lo, o que o fez rir de leve.
  — Eu estava pensando, — começou, olhando para o cachorro — em duas semanas acabam as aulas e vamos voltar para casa e mesmo eu sabendo que Hagrid cuidaria muito bem de você, não sei se poderia ficar em Hogwarts… — O cão continuou o olhando esperando a conclusão do raciocínio — Então, pensei que poderia te levar para casa comigo, o que acha? Tenho certeza que meus pais não se importariam, eles gostam de animais, vou comprar uma cama confortável para você dormir todas as noites e você sempre teria comida e alguém para te levar passear… Tem um parque perto de casa, daria pra você brincar com outros cachorros. Quem sabe não encontra uma namorada? — Riu, vendo-o latir — O que acha de ter uma casa? Com tanto que você não destrua o sofá ou algo do tipo, porque minha mãe surtaria. — Sugeriu sorridente, vendo-o aproximar-se mais uma vez, agora lambendo sua mão — Só temos que planejar como te colocar no trem de volta pra Londres sem que nenhum professor ou o maquinista te vejam, mas não deve ser problema, não é? Você até conseguiu assistir o último jogo de Quadribol sem ninguém te ver na arquibancada! Bem, de qualquer forma, ainda tenho duas semanas para pensar em como te levar escondido, pelo menos até uma das cabines, não acho que algum dos meus amigos vá falar alguma coisa depois que você já estiver lá… E o ano já terá terminado também…
  Esticou-se minutos depois, olhando o relógio e levantando-se;
  — Preciso ir, ainda tenho que fazer uma ronda antes de poder descansar, te vejo amanhã, ok? — Acariciou a cabeça do cachorro mais uma vez antes de andar em direção à porta, sendo seguido por Lobo.
  Diggory olhou para o lado com o cenho franzido ao ver Tonks, Potter, Weasley e Granger correndo em direção a cabana de Hagrid;
  — Bem, está explicado porque ela não pode vir te ver, uh? — Arqueou a sobrancelha para o cachorro, que continuava a olhar na direção em que os quatro adolescentes corriam. — Até mais, Lobo.

●●●

  O rapaz permaneceu sentado, mal respirava. A cor sumindo de seu rosto à medida que entendia o que aquilo significava, a boca ligeiramente aberta com o choque da notícia.
  — Cedrico? — chamou baixo, o garoto não se mexeu.
  Não podia acreditar no que estava ouvindo, aquilo era algum tipo de brincadeira, talvez ela começasse a rir.
  — Diggory?
  — Você pode repetir essa última parte? Acho que não entendi direito... — Sussurrou apavorado com a ideia de que aquilo fosse real.
  — Hm... Meu pai na verdade era o cachorro que a gente cuidava, por isso parecia tão esperto... E, pensando bem, acho que era por isso que ele ficava mais ao meu lado do que do seu... — Comentou pensativa. Cedrico olhou para baixo, desesperado. — Você está bem?
  Diggory piscou algumas vezes, atordoado, seu cérebro parecia muito lento para o tanto de notícias que tinha recebido na última hora e, a pior de todas veio no final;   Ele podia aceitar tudo, menos aquilo. Não podia ser verdade!
  — Eu digo que sou filha de Sirius Black e você não se importa. Depois conto que ele é inocente e passou anos preso injustamente, você acredita. Agora eu falo que ele é um Animago e você surta desse jeito? Tem algo bem errado com você! — comentou ainda olhando confusa para o Apanhador, que não parecia capaz de escutá-la naquele momento.
  Cedrico estava ocupado sentindo uma enorme vontade de jogar-se da Torre de Astronomia;
  Não acreditava que tinha realmente passado meses contando, sem saber, para o pai de o quanto ele queria beijá-la. Sentiu o rosto esquentar violentamente ao lembrar-se do dia que revelou ter sonhado com a garota, agora entendendo a reação exaltada do cachorro que começou a rosnar sem parar para ele.
  Tudo fazia sentido naquele momento; todas as vezes que o cachorro latiu quando revelou que queria beijá-la ou quando pulou na frente dos dois quando Cedrico aproximou-se da loira.
  Por Merlin, como podia ter sido tão estúpido? Por que não tinha ficado de boca fechada?
  Sua cabeça girava, o ar parecia faltar em seus pulmões naquele instante.   Cedrico começou a torcer para que os anos em Azkaban não tivessem afetado a sanidade do homem e que ele não tentasse matá-lo na próxima vez que o visse.   Olhou para o lado ao sentir a mão de encostar na sua, a garota parecia preocupada;
  — Você está bem? Quer que eu chame alguém?
  — Ele disse alguma coisa? Sobre ser o cachorro...? — Ignorou a primeira pergunta, seu coração batia acelerado.
  — Bem, ele agradeceu pela comida, disse que estava morrendo de fome até a gente aparecer. Falou também que você parece legal e é ótimo com cachorros. E que vai sentir falta da companhia diária e das conversas. — Sorriu para ele, Cedrico sentiu o estômago revirar e o rosto esquentar. — Também disse que espera poder te encontrar qualquer dia, mas como ele mesmo!
  O loiro suspirou, o alívio atingiu todo seu corpo; Pelo menos o homem não havia contado sobre seu interesse amoroso na garota. E, pensando bem, era óbvio que ele não contaria, Sirius Black provavelmente não queria Cedrico Diggory perto de sua filha.
  Merlin, ele estava tão ferrado!

●●●

  O lufo estava sentado embaixo de uma árvore aproveitando o dia quente, sentindo o vento bater em seu rosto e bagunçar seus cabelos. Poderia aproveitar aquele tempo para dar uma descansada, o ano tinha sido exaustivo. Tantas coisas para fazer, tantas coisas a se pensar, mas no geral havia sido um bom ano;
  Estava relativamente nervoso com seus NOMs, mas sabia que deveria ter ido bem, estudou o suficiente e estava focado nas provas nos dias anteriores. Conseguiu levar a Lufa-Lufa à disputa da Taça de Quadribol até o final, ficando com o segundo lugar. Tinha aprendido inúmeras coisas novas e feitiços realmente bons, havia se divertido junto com os amigos e, frustrado com o resultado ou não, apaixonou-se pela primeira vez.
  Diggory estava distraído olhando os outros estudantes passeando pelos terrenos da escola, gostava de ter aqueles momentos de silêncio e tranquilidade, embora, no fundo, esperasse que alguém fosse encontrá-lo ali. Olhou por sobre o ombro para o castelo, não vendo ninguém que chamasse sua atenção.
  Já estava acostumado com todos falando que a garota da Grifinória era sua namorada, e, assim como ela, não se importava. Continuava gostando dela, mas estava realmente decidido a manter a amizade, já tinha demonstrado mais de uma vez que o considerava apenas um bom amigo e era aquilo que eles seriam. Suspirou ignorando esses pensamentos e tornando a relaxar, talvez devesse fazer uma ronda, afinal era Monitor, mas naqueles últimos dias de aula estava liberando-se dessas obrigações.
  Tornou a encostar a cabeça na árvore e fechou os olhos, aproveitando o calor e o movimento calmo.
  — Que bonito Sr. Diggory! – Cedrico abriu os olhos assustado – Eu acabo de quase ser reprovada pelo Snape e você dormindo, realmente esse mundo não é justo! – estava parada em pé com as mãos na cintura, com uma expressão engraçada do rosto.
  O lufo deu um sorriso de lado, puxando-a para sentar-se com ele.
  — Como foi a prova? – Perguntou quando ela encostou ao seu lado.
  — Sei lá, Severo me odeia, então acho que sempre tenta dar um jeito de me reprovar, – deu de ombros, sem realmente se importar – eu devia ter pedido para Sirius tê-lo mordido na surdina quando era um cachorro... – Suspirou pensativa, arrancando uma gargalhada de Cedrico.
  — Snape já sabe que Sirius é Animago, não? – Disse olhando a garota, ela apenas concordou com a cabeça com um sorriso brincalhão no rosto.
  — Tanto faz, seria engraçado do mesmo jeito!
  — De qualquer modo, acho improvável você não tirar uma nota mínima com ele...
  Ela o encarou com a sobrancelha arqueada.
  — Nota mínima? Nossa, mas você é realmente bem sincero, não? Até a Hermione diria que eu fui bem o suficiente, para não me preocupar... – Balançou a cabeça em negação. Cedrico riu desculpando-se no mesmo instante e puxando-a para um abraço. – Não quero seus abraços, Diggory! Você está ficando muito abusado.
  — E você muito fresca, se bem me lembro foi você quem me abraçou primeiro, pouco depois de nos conhecermos!
  A garota abriu a boca indignada, sem saber o que responder.
  Ele tinha razão.
  Fechou a cara e fez menção de levantar-se.
  — Tudo bem, estou de saída!
  Cedrico segurou seu pulso, impedindo-a de se afastar quando a mesma estava em pé.
  — Não seja boba, nunca disse que não gostei.
   virou-se pronta para dar alguma resposta arrogante, por pura pirraça, é claro, mas quando viu os olhos cinzas do rapaz que naquele momento pareciam ter um brilho diferente, algo que o deixava ainda mais bonito, apenas sorriu incapaz de dizer qualquer coisa que fizesse aquele olhar carinhoso sumir.
  — Pois eu me recuso a te abraçar novamente!
  Ele tornou a arquear a sobrancelha e, no instante seguinte, embora não soube exatamente como, quando deu por si já estava caída por cima do loiro, que a abraçava apertado.
  Os dois riram e a garota rolou para o lado, encostando as costas na grama verde do terreno. Diggory não parecia satisfeito, por isso logo tratou de voltar a abraçá-la, ficando parcialmente por cima dela.
  — Não preciso que me abrace, posso eu mesmo fazer isso. – Disse de forma petulante. Ela gargalhou.
  — Saiba que só não irei reclamar, porque gosto dos seus abraços!
  Cedrico riu ainda olhando para os olhos dela.
  Havia prometido a si mesmo que esqueceria o que sentia por ela, sabia que não seria de um dia para o outro, mas ele faria o possível para esquecer e manter apenas a amizade. Contudo, era tão difícil para ele tê-la por perto e não sentir-se extremamente tentado a manter um contato maior; fossem abraços ou apenas segurar sua mão, embora, é claro, quisesse muito mais do que aquilo.
  Culpava-a por isso, mesmo sabendo que era irracional; talvez se ela não tivesse olhos tão bonitos, ou um sorriso lindo ele não teria se apaixonado.
  Diggory sentia-se a pior das pessoas com tudo o que sentia; queria ser apenas o amigo que ela precisava que ele fosse, mas sabia que parte do motivo de se importar tanto era por, no fundo, ainda querer transformar a amizade em algo a mais. Tentava evitar tudo aquilo, tentava não pensar nela, focar-se em outras coisas, mas só o que havia conseguido com tudo aquilo foi sentir-se ainda mais frustrado ao reparar que não era nenhum pouco fácil.
  — Está tudo bem? — perguntou ao notar a tristeza nos olhos do rapaz.
  — Estou um pouco preocupado com minhas notas, só isso.
  — Sabe que vai se sair bem, não é? Provavelmente o melhor de toda a Escola!
  Ele sorriu virando-se para o lado, caindo de costas no gramado verde, embora ainda mantivesse um braço em torno da cintura da outra.
  — Tem certeza que é só isso? Não gosto de te ver triste… — Falou após olhá-lo de perfil.
  Diggory concordou, embora não a olhasse.
  — Gosto de você. — Confessou em voz baixa, ainda olhando para os galhos das árvores, não conseguindo encarar seus olhos .
  — Espero que saiba que também gosto muito de você, Ced!
  O rapaz a encarou por um instante, reparando no sorriso doce que ela tinha nos lábios. Sorriu triste, sabendo que não era o mesmo; ela gostava dele como amigo.   Cedrico sentiu uma pontada no peito e uma súbita vontade de chorar.
  Parte de si queria afastar-se o máximo possível, era essa parte que mais o fazia se sentir culpado, porque nada daquilo era culpa de . Ela não sabia como ele se sentia, menos ainda o quanto o machucava todas as vezes que ela dizia que eles eram amigos.
  No fundo ainda achava que era a parte mais sensata que tinha, talvez se ele realmente se afastasse dela deixasse de gostar tanto da loira. Contudo, metade de si sabia que as chances daquilo acontecer seriam mínimas, porque mesmo se não estivessem juntos ele ainda pensaria nela, por Merlin, ele até estava sonhando com a garota! E, mesmo que a distância o ajudasse a esquecer o que sentia por ela, não tinha tanta certeza que escolheria aquela saída; gostava da companhia de Tonks, e, de fato, a amizade que tinham era realmente boa para ele, mesmo que ainda o deixasse triste.
  — Você tem alguma ideia de como eu detesto que me chamem de Ced? — Questionou, preferindo mudar o foco. riu ao seu lado, fazendo-o sorrir de leve ao ouvir sua risada.
  — Quer dizer que preciso esperar mais três anos pra ter esse privilégio? Porque Montgomery te chama de Ced o tempo todo!
  — Ele faz isso desde que nos conhecemos — contou, negando com um aceno —, justamente porque sabe que eu não gosto!
  — Eu sei, Ced! Ced! Ced!
  — Chega! Eu já entendi! — Colocou a mão sobre a boca dela, soltando logo depois. deu língua.
  — Enfim, eu queria saber... – Ele afastou-se minimamente para tornar a olhar nos olhos dela – Você vai continuar me ajudando a estudar no próximo ano, não é? É sério, Diggory! Ficou mil vezes mais fácil de entender com você explicando, até mesmo Poções!
  — Então é por isso que você gosta de mim? Por que eu te ajudo a estudar?
  — É claro que não! – Explicou-se rápido – Gosto porque… Não sei… Porque você é uma pessoa legal e fofa – ela apertou-lhe as bochechas, Cedrico fez uma careta leve, manteve o sorriso no rosto embora a cada palavra sentisse o coração pesar —, acho que quando eu quiser elogiar alguém vou dizer “Você está muito Diggory hoje!”
  Pela primeira vez em semanas Cedrico gargalhou verdadeiramente, esquecendo-se de tudo por alguns instantes.
  — Não seja bobo, pare de rir! – Esperou alguns minutos até que ele se acalmasse e então cutucou-o nas costelas.
  — Não reclame se eu começar a rir de novo – disse esquivando-se das mãos da garota, aquilo causava-lhe cócegas.
   suspirou olhando para o Lago Negro, a preguiça começando a tomar conta de seu corpo.
  — Acho que vou para meu quarto... — Falou, Cedrico apoiou-se nos cotovelos, erguendo parcialmente o tronco e tornando a olhar para ela. — Tenho que arrumar minhas coisas ainda, e não tenho certeza do lugar que deixei parte dos meus livros...
  — Fique mais um pouco, você pode procurar isso mais tarde!
  — Mas vamos para casa amanhã, se não arrumar hoje terei que acordar cedo – fez cara de sofrida, Cedrico sentou-se e apertou-lhe as bochechas, da mesma forma que ela tinha feito poucos minutos atrás.
  — Sinceramente? Queria passar mais tempo com você, porque vamos ficar bons dois meses distantes e não sei se consigo sobreviver sem esse sorriso! — Piscou para a garota que corou fortemente.
  — Eu sei que você me adora! — Respondeu marota, Diggory rolou os olhos, negando com a cabeça. — Hm... Você vai me escrever, não vai? – Perguntou após alguns segundos de silêncio.
  — Obviamente. – Respondeu rápido, os dois riram. – Me diz uma coisa, — Cedrico sentou-se ao seu lado, coçou o queixo antes de continuar — você já sabe se vai realmente para a Copa Mundial?
  — Espero que sim, mas ainda não tenho certeza, Dora ficou de me dizer amanhã, por quê?
  — Talvez... Bem, eu vou. Você poderia ir comigo se ninguém puder te levar! – Sugeriu animado.
  A garota concordou tranquilamente.
  — Mas você realmente não consegue ficar longe de mim, não é? – Comentou de forma pretensiosa, Cedrico sorriu constrangido. — Saiba que também sentirei saudades! – Ela piscou para o garoto que concordou, ainda sem graça – Te vejo no jantar, tudo bem? Preciso mesmo arrumar minhas coisas agora.
  Despediram-se e Cedrico olhou-a se afastar, notando quando ela parou junto a uma roda de alunos da Grifinória. Diggory encarou aquela cena com os olhos estreitos, quem era aquele garoto abraçando-a de lado? Olhou mais atentamente, reparando que se tratava de Olívio Wood. Suspirou, passando a mão pelos cabelos, frustrado ao vê-la beijar a bochecha do goleiro, após rir de algo que ele havia dito.
  — Muito bem, agora ela não pode estar perto dos amigos que você também quer morrer. — Resmungou sozinho, tornando a olhar para o Lago Negro vendo a Lula Gigante com os tentáculos esticados no gramado, tomando um pouco de sol. — É, Diggory, você está acabado!

DEZ

  Cedrico ainda ria da piada do amigo durante o jantar quando deixou seu olhar vagar pela mesa da Grifinória, encontrando instantes depois sentada entre um dos gêmeos Weasley e Wood. O grupo de Quadribol parecia festejar, ao tempo que se despediam do Capitão que finalizava seu último ano em Hogwarts. Fez uma careta ao notar que, mais uma vez, Olívio e estavam abraçados, rindo juntos.
  Por que era tão difícil para ele até mesmo vê-la próxima de outros garotos? Eles nem estavam fazendo nada. E por um instante imaginou o que faria se os dois se beijassem;
  Helga Hufflepuff que o segurasse, porque ele tinha certeza que se jogaria da torre mais alta daquele castelo.
  Encarou as ervilhas que estavam em seu prato, precisava parar de pensar na garota daquela forma ou surtaria a qualquer instante. E nem mesmo a culpava por nada daquilo, o que era ainda mais frustrante em sua visão.
  Respirou fundo, virando-se para o amigo quando este o cutucou na costela;
  — O que acha de uma última festinha antes de encerrarmos o ano? — Monty sugeriu com um sorriso de canto, Cedrico arqueou a sobrancelha.
  Talvez fosse exatamente aquilo que ele precisasse para começar seu processo de “superação”.
  — Quem você chamou?

●●●

  A garota olhou pela terceira vez no relógio de pulso, esperando o lufo para se despedir antes de pegar o trem e voltar para casa, mas ele não estava em lugar nenhum.
  Viu alguns amigos do rapaz, mas não quis perguntar sobre ele, apenas acenando com a cabeça quando Monty olhou em sua direção. Talvez ele estivesse fazendo sua ronda de Monitor ou terminando de arrumar suas coisas.
  Caminhava em direção à cozinha, já que a passagem para o Salão Comunal da Lufa-Lufa era na mesma direção, quando ouviu uma movimentação e algumas risadinhas no corredor.
  Olhou para o lado e parou no mesmo lugar, não acreditando no que seus olhos viam;   Cedrico Diggory estava ali, mas não era como Monitor.
  A garota respirou fundo, dando um passo para trás, esbarrando em uma armadura e quase derrubando a mesma.
  Cedrico e a garota com quem ele estava olharam na direção do barulho. O lufo piscou algumas vezes assustado, reconhecendo no momento seguinte, a qual olhava para o lado. Abriu a boca para dizer algo, mas ela foi mais rápida;
  — Desculpem, não quis atrapalhar. – Falou baixo, virando-se e saindo o mais rápido possível daquele lugar, sentindo o coração pesar.
  Sentia as mãos tremerem e uma súbita vontade de chorar. Respirava entrecortado, enquanto andava apressada, só queria sair dali e não o ver nunca mais.
  Ao virar o corredor em direção às escadas acabou dando de cara com alguém e, antes que pudesse se dar conta do que estava acontecendo, tinha caído no chão gelado.
  — Eu... Desculpe. – Pediu pela segunda vez em menos de dez minutos.
  — ? – Olhou para cima, vendo Harry encará-la preocupado – Você está bem? O que aconteceu? – Ajudou-a a levantar e colocou as duas mãos nos ombros da garota, olhando-a nos olhos, vendo-os marejados.
  — Hm... Não foi nada, eu só...
  Potter negou com a cabeça, não acreditando em nada do que a amiga dizia.
  — Ahn... Minha... Minha cabeça dói, só isso. – Harry a encarou desconfiado por alguns segundos, suspirando em seguida, puxando-a pela mão pelo corredor.   — Vamos ver a Madame Pomfrey!
  — Não é preciso, Harry, já vai passar, só preciso de um pouco de ar ou... ou...
  — Já arrumou suas coisas? – Tornou, vendo-a concordar com a cabeça. – Ótimo, então vamos perto do Lago ou sei lá, assim você respira e podemos conversar! — Ele sorriu já a puxando para fora do castelo, apenas deixou-se levar pelo amigo, passando o braço por sua cintura quando ele a abraçou pelos ombros.

  Diggory ainda olhava para o ponto em que a garota tinha estado poucos minutos atrás, seu cérebro não parecia ter entendido o que havia acontecido.
  O que ele tinha feito?
  Balançou a cabeça atordoado e então se deu conta de Danielle Coulson ao seu lado, ou talvez em cima. A garota tinha os cabelos bagunçados, as vestes amassadas, a saia levantada e um risinho que o garoto achava que nunca mais sairia do rosto dela.
  E então Cedrico deu-se conta das próprias vestimentas; a camisa de botões que usava estava parcialmente aberta, assim como o botão de sua calça, além de um certo incômodo na região.
  Seu cabelo deveria estar ainda mais bagunçado do que o da garota e tinha certeza que deveria estar tão vermelho quanto ela.
  O que tinha feito?
  — Danielle, eu... Me desculpe, eu...
  — Vai atrás daquela garota? – A menina olhou-o debochada – Você acha mesmo que sua namoradinha vai querer alguma coisa com você depois disso? – Perguntou descaradamente, apontando para ambos.
  Cedrico abriu a boca para responder algo e então a verdade o atingiu em cheio;    tinha o visto aos amassos com outra garota!
  Por alguns segundos ele não soube o que dizer, sentiu todo o ar sair de seus pulmões, parecia que o sangue não circulava mais em suas veias. Não pensou duas vezes antes de afastar-se da colega e começar a andar rapidamente pelo corredor, tentando arrumar sua roupa da melhor forma possível.
  Sentia seu coração acelerado, não sabia exatamente o que faria, mas precisava falar com , tentar explicar a situação.
  Explicar o que não podia ser explicado!
  O que ele diria? Ele não tinha desculpas, estava completamente consciente do que estava fazendo minutos atrás junto de Coulson, assim como sabia o que tinha feito na noite anterior.
  E por um minuto ele parou de andar, respirando fundo; Por que ele deveria se explicar? Era claro para Cedrico que só o via como amigo, era uma situação realmente chata e embaraçosa a que ela tinha visto, mas não era nem a primeira vez que a loira o viu beijando outra garota. Tudo bem, ele sabia que havia passado, e muito, de poder dizer que eram só uns beijos, mas, mesmo assim, não tinha reais motivos para se explicar ou para sentir-se culpado.
  Ok, então o viu naquela situação, e aí?
  O que aquilo significaria, além de uma conversa um tanto constrangedora entre eles se ela resolvesse fazer algum comentário? Ela deixaria de ser sua amiga por isso? Ele duvidava muito.
  Ele deixaria de ter alguma chance com ela?
  — Não é como se eu tivesse alguma, de qualquer forma… — Disse em voz baixa, frustrado.
  Terminou de abotoar sua camisa e encostou-se na parede gelada, respirando fundo e acalmando as batidas aceleradas do coração.
  — Como vou esquecê-la sem sair com outras garotas? — Tornou a resmungar, embora ainda sentisse um aperto em seu peito, aquela sensação de culpa presente. — Bem, azar. Não é como se eu precisasse explicar qualquer coisa… — Virou-se, voltando a andar em direção ao seu Salão Comunal para buscar seu malão. — Por Merlin! — Parou de novo, pensando se deveria ir atrás dela, frustrado com si mesmo por toda aquela indecisão — Não tenho motivos para me desculpar… Então por queeee...? — Passou a mão pelos cabelos, bufando. — Azar, eu disse que desisti! Eu resolvi desistir!

  Cedrico estava na fila para o embarque junto dos amigos quando a viu junto de Harry Potter, ambos rindo enquanto conversavam. O loiro ficou parado por alguns instantes, apenas olhando para os dois. Por que Potter estava sempre tão próximo? Por que ela sempre ria junto a ele? Por que eles sempre acabavam sozinhos?
  “Mione disse que parte do motivo foi por Harry estar com ciúmer porque eu passo muito tempo com você e te contei antes de falar pra ele!”
  Respirou fundo ao lembrar-se daquela frase dita meses antes, quando a garota explicou melhor como foi a conversa com Hermione, quando voltaram a se entender após contar sobre Sirius Black.
  Se Potter sentisse ciúmes pelos mesmos motivos que Cedrico…
  Diggory continuou encarando de longe e, após algum tempo, Harry virou-se para os lados, parecendo procurar alguém e seu olhar caiu sobre Cedrico o encarando de longe. Falou com , apontando com a cabeça na direção do lufo. virou-se pouco, seus olhares se encontraram, mas não pareceu feliz ao vê-lo. Apenas acenou, sorrindo pequeno antes de virar-se para o moreno novamente, antes de entrarem no trem.
  Cedrico suspirou passando a mão pelos cabelos bagunçados, não era como se ele estivesse em alguma posição de cobrar algo, se ela queria sair com Potter… Se ela quisesse beijar Harry Potter, o problema era inteiramente dela e ele não se importaria com isso, porque Cedrico Diggory estava determinado a se “desapaixonar” por Black!

  Passou a viagem toda em sua cabine com os amigos, saindo apenas para usar o banheiro e para comprar um sanduíche quando sentiu fome, conversaram, jogaram algumas partidas de Xadrez Bruxo e Snap Explosivo.
  Cedrico dizia para si mesmo que estava tudo bem, não tinha nada com que se preocupar, embora uma parte de sua mente parecia empenhada em sabotá-lo, lembrando-o da expressão de quando o viu com Danielle.
  Bufou, dando-se por vencido;
  — Ok, só converse como se nada tivesse acontecido… — Falou em voz baixa enquanto pegava seu malão e coruja, desembarcando em Londres. — Tchau, boas férias, só isso. — Murmurou, esperando na plataforma para despedir-se dos amigos antes de procurar pelos pais que, para sua felicidade (ou não) estavam junto dos Tonks.
  Abraçou os dois e cumprimentou educadamente Ted, Andrômeda e Ninfadora, e juntos esperaram pela loira que não demorou a aparecer, despedindo-se dos amigos.
  — Finalmente! Achei que tivesse ficado em Hogwarts! — Dora comentou animada quando a prima se aproximou.
  — Sentiu saudades de mim? — Perguntou ao abraçá-la, repetindo o gesto com os tios, antes de virar-se para cumprimentar os Diggory, ficando um tanto constrangida quando a mãe de Cedrico a abraçou.
  Encarou o rapaz por um instante, enquanto suas famílias voltavam a conversar;
  — Boas férias, — Disse em voz baixa, as mãos nos bolsos da calça, a garota concordou, dizendo o mesmo, sorrindo leve — Escuta, sobre antes… — Começou, detestando-se por fazer aquilo, mas achando necessário — Eu…
  — Não precisa se explicar, Diggory — avisou, não parecendo muito animada em dar continuidade ao assunto — Não tenho nada a ver com as garotas que você sai, não é? — Reforçou, Cedrico sentiu como se tivesse levado um soco.
  — Sei que não é da sua conta, — concordou quase grosseiro, vendo-a encará-lo — mas queria confirmar que estamos, ok.
  — Sim, é claro! — Falou, sorrindo pequeno, embora ele notasse a indiferença em seu olhar — Acredito que nós dois possamos sair com quem quisermos sem que isso atrapalhe nossa amizade, não é? A propósito, você ainda tem uma marca de batom no pescoço, sabia? Boas férias, Diggory!

●●●

  Cedrico estava deitado em seu quarto, não tinha conversado muito com seus pais desde que chegaram em casa, alegando estar muito cansado. Ainda não entendi o motivo de sentir-se culpado com o que tinha acontecido, eles não tinham compromisso nenhum e ela mesma havia deixado claro que eram amigos e apenas isso. Frustrou-se ainda mais ao lembrar que a garota tinha dado uma indireta sobre começar a sair com outros caras, o que, teoricamente, era natural, mas não deixava de irritá-lo.
  Será que agora ela tinha mesmo resolvido começar a aceitar convites para encontros? Em pouco tempo talvez estivesse namorando…
  Seria tudo muito mais fácil se nem mesmo estivesse apaixonado por ela… Nem queria estar, preferia quando só saia com algumas garotas aleatoriamente, sem compromissos, sem gostar muito de nenhuma delas, apenas uma leve atração… Talvez nem estivesse apaixonado por ! No fundo poderia mesmo ser uma atração e ele só estivesse frustrado por não conseguir sair com ela, como havia feito com outras garotas que esteve interessado ao longo dos últimos dois anos… Queria tanto que fosse apenas aquilo!
  E nem mesmo sabia porque estava apaixonado por ela, quer dizer… Suspirou ao pensar na loira. O que ela poderia ter de tão especial e diferente das outras?
  Ele nem havia a beijado! Como poderia garantir realmente que as coisas não mudariam depois? E se o beijo não fosse bom? Já havia tido alguns bons beijos e nem por isso se apaixonou por nenhuma garota. Parecia tão incoerente gostar de alguém que nem havia saído!
  Encarou o teto, pensativo.
  Eles nem eram muito parecidos, não tinham tantas coisas em comum… era mais nova, vivia quebrando as regras, Diggory odiava fazer qualquer coisa que fosse fora das normas. Ela era impulsiva e ele pensava mil vezes antes de tomar qualquer decisão. Eles eram tão diferentes!
  Mordeu a língua, talvez ele realmente não estivesse apaixonado. Talvez eles só fossem bons amigos, mas se tivessem um encontro seria tudo horrível! Não deveriam ser um bom par… Diggory não estava apaixonado, tinha certeza!
  E então pensou mais uma vez na garota e em vários dos momentos que passou com ela ao longo daquele ano; todas as vezes que se preocupou e que sentiu aquela vontade de tê-la por perto. Que sentiu-se mal apenas por ver que a loira não estava bem, a necessidade que sentia de ajudá-la sempre que podia. A raiva sempre que tinha algum cara por perto e, principalmente, todas as vezes que sentia o peito esquentar ou o estômago revirar apenas por ela sorrir em sua direção.
  Ao mesmo tempo que eram tão diferentes, a garota parecia completá-lo de alguma forma que ele não saberia explicar.
  Fechou os olhos, suspirando profundamente; Cedrico poderia passar o verão inteiro tentando se convencer do contrário ou imaginando motivos para que ela não combinasse com ele, mas no fundo sabia que estava completamente apaixonado por .
  E sabendo disso, seu objetivo para as férias era deixar aquele sentimento de lado. Eram apenas amigos e era daquele jeito que seguiriam, não fazia o menor sentido ele querer manter um sentimento que sabia não ser recíproco. Ela não o via da mesma forma e seria idiota de sua parte ter esperanças de mudar qualquer coisa.
  Bufou, virando-se para o lado e encarando o malão intacto no canto do quarto, levantando-se da cama para tirar suas coisas de dentro dele. Abriu e começou a separar suas coisas, deixando as roupas limpas em cima da cama e jogando as sujas no chão. Deixou os livros na mesa mais ao canto, para separá-los mais tarde junto com os pergaminhos e penas, sem saber quais poderia usar no próximo ano.
  — Somos amigos, Cedrico… — Resmungou, imitando a voz da loira. — Então por que me olhou daquele jeito? — Questionou-se pouco depois, segurando dois livros na mão enquanto relembrava o momento em que o viu com outra garota — Por que saiu correndo e depois nem quis falar comigo direito? Se não faz diferença com quem saio… — Passou a língua pelos lábios finos, encarando o nada — Ciúmes? — Negou com a cabeça pouco depois, achando-se idiota por imaginar que ela sentiria ciúmes dele. — Dane-se, superei, estou em outra. Azar. Vida que segue.
  Ouviu um barulho ao puxar o cachecol amarelo e preto em mãos, notando algo rolar para baixo de sua cama. Suspirou, abaixando-se para pegar o que quer que fosse. Ao tatear o chão, sua mão fechou-se sobre um objeto redondo e Cedrico logo viu a pequena esfera com seu presente de Natal dado por . Viu que o vidro havia rachado na queda, rindo da infeliz coincidência; só porque seu relacionamento com a garota estava quebrado, não significava que o mesmo poderia acontecer com o seu presente.
  — Relacionamento, uhum — negou, deixando o objeto sobre sua cama -, relacionamento vai ser o dela com Potter daqui uns meses, isso sim. Mas não importa! Já passou! — Tornou a dizer em voz alta, respirando fundo.
  Contudo, e se ela realmente resolvesse sair com Potter? Os dois já eram extremamente próximos e Potter tinha ciúmes de quando estava com o loiro… Respirou fundo, negando com um aceno;
  — Não importa, se quiser sair com ele, que saia. Tomara até que se casem! — Resmungou — Grande Harry Potter, o Menino-Que-Sobreviveu, uau. Potter tem uma Firebolt, Potter é o Apanhador da Grifinória; bem, mas caiu da vassoura e eu peguei o Pomo antes! — Dizia sozinho, amargurado. — Vai nos comparar e vai ficar com aquele irresponsável, isso sim.

●●●

   estava em seu quarto, após horas de conversa com a família. Tinha ficado acordada até tarde no dia anterior, contando a eles sobre Sirius e o que havia acontecido durante o ano letivo.
  Ouviu sua coruja piar e virou-se para a ave em seu poleiro, Zoe começou a limpar suas penas antes de aconchegar-se para dormir.
  A garota tornou a olhar para o teto, vendo as estrelas que brilhavam no escuro coladas, era uma das coisas que mais gostava no quarto. Havia ganho de Ted anos atrás; “É um enfeite de Trouxas, sabe? Mas achei que você fosse gostar de ver o céu estrelado antes de dormir.”
  Estava divagando sobre tomar banho naquela hora ou descansar mais um pouco e deixar o banho para depois do jantar, quando viu a porta do quarto abrindo e uma cabeleira rosa entrando.
  — Olá! – Disse Dora parecendo um pouco triste, jogou-se na cama junto da prima, que rolou para o lado para dar mais espaço para a mais velha.
  — Oi! – Sorriu um tanto sonolenta. – Achei que só chegasse mais tarde...
  — Pois é... – Ela suspirou, seu cabelo tomando uma cor mais apagada – Tenho uma notícia boa e uma ruim...
  — O que aconteceu? – sentou-se cruzando as pernas e encarando a prima que continuava deitada de barriga para cima, olhando as estrelas no teto.
  — Você vai para a Copa Mundial! – Sorriu para a mais nova. piscou duas vezes, um sorriso largo aparecendo em seu rosto.
  — Brilhante! – Exclamou empolgada.
  — Mas eu terei que trabalhar e não poderei ir com você...
  — O quê?
  — Me colocaram para proteção extra, sabe? Por causa do excesso de bruxos que vem pra Copa, fiquei com a parte de revista, por assim dizer...
  — Mas... Mas... Não pode... Quer dizer, você é Auror! Não pode fazer essas tarefas... Simples. Não quero ir sem você, não vou sem você, Ninfadora! – Reclamou cruzando os braços.
  A mulher sentou-se, encarando a prima.
  — Primeiro; É a Copa Mundial, você vai! – A Auror começou a enumerar com os dedos, seu cabelo tornando-se vermelho tomate – Segundo, nunca, sob hipótese nenhuma, me chame de Ninfadora! Não esqueça que, diferente de você, eu posso usar minha varinha em casa.
   riu dando língua, Dora rolou os olhos, seu cabelo voltando para a cor rosa de sempre.
  — E como eu vou sem você? Ted resolveu ir junto? – Perguntou confusa após rir da pequena ameaça.
  — Não, ele disse que ‘tá muito velho pra essa agitação toda e não tem mais coluna para acampamentos… — As duas riram imaginando a cena — Ainda estamos pensando sobre a possibilidade de você ir com alguém, os Weasley vão?
  — Não faço ideia... Sei que o pai do Rony tentaria uns ingressos, mas não sei se eles conseguiram mesmo...
  — Tudo bem, depois conversarei com Arthur no Ministério... Acho que posso descolar mais alguns se eles precisarem…
   bocejou concordando com a cabeça e voltando a deitar, Dora a olhou por alguns segundos.
  — O que aconteceu?
  — Como assim?
  — Bem, você me disse em todas as suas cartas que estava muito bem com o Diggory, ontem você mal quis falar com ele na Estação, o que aconteceu? Ele parecia chateado...
  — Não sei do que você está falando... – Comentou em voz baixa, encarando o teto.
  — Eu acho que você sabe bem. – Arqueou a sobrancelha, encarando a mais nova.
  — Não foi nada, só estava um pouco cansada e queria vir para casa, foi um ano estressante, sabe? Mas não temos nenhum problema. – Deu de ombros, ainda sem encarar a mais velha.
  — Por que será que você não me convenceu? – Dora deu um leve sorriso antes de se levantar, andando em direção à porta – Quando quiser conversar sobre seu namorado estou do outro lado do corredor, priminha!
  — Ele não é meu namorado! — Resmungou em voz alta, irritada.
  — Oh, então é esse o problema? — Perguntou divertida, tornando a aproximar-se — O que foi? Vocês terminaram?
  A loira rolou os olhos, negando com a cabeça;
  — Não terminamos nada, porque ele nunca foi meu namorado, sempre fomos amigos. Só isso.
  — E você gostaria de ser mais do que amiga! — Concluiu ao sentar-se na cama.    ficou em silêncio por alguns instantes;
  — Não. Não sei, talvez… — Enrolou-se, sem saber ao certo o que dizer — Bem, mas não faz diferença, faz?
  — Ele pelo menos sabe que você gosta dele? — Questionou interessada.
  — Não importa se ele sabe ou não, porque Cedrico está ocupado saindo com todas as outras garotas de Hogwarts!
  — Nossa, ele é disputado assim mesmo ou você está exagerando como sempre?
  A mais nova bufou, sentando-se na cama e abraçando os joelhos;
  — Infelizmente, dessa vez é verdade. Perdi as contas de com quantas garotas ele já saiu… E olha que eu só o vi com algumas, então deve ter muito mais!
  — E nenhuma delas era você… — A outra solidarizou-se, colocando uma mão sobre o braço da prima — Ele nem mesmo te chamou para sair ou algo do tipo?
  Ela negou com um aceno, chateada;
  — Dora, entenda uma coisa: Cedrico Diggory está no quinto ano e deve ser o cara mais popular daquela Escola, ele pode sair com qualquer garota. Ele nunca chamaria uma terceiranista como eu para sair, sendo que pode ter encontros com garotas do sexto ou sétimo.
  — Não sei, pelo o que você me disse nas cartas, ele parecia se importar muito com você…
    — Porque somos amigos, ok? Ele provavelmente me vê como uma irmã mais nova ou algo do tipo. — Resmungou, olhando para o lado.
  — Bem, talvez ele não te olhasse apenas como amiga se soubesse que você gosta dele, não é? — Sugeriu, vendo-a negar com um aceno;
  — E o que eu diria? “Oi, Cedrico, reparei que você sai com várias garotas, e aí quando vai querer me beijar?” — Bufou, encostando a cabeça na parede fria e olhando para o lado — Estou falando sério, Dora, você deveria ter visto ele com aquela garota de ontem, nunca, nem em um milhão de anos ele iria querer sair comigo. Eu nem sei beijar!

●●●

   estava assistindo um programa Trouxa que passava na televisão da sala, sentia o cheiro de bolo vindo da cozinha na qual Andrômeda terminava de preparar o lanche. Ouviu o barulho da campainha, mas antes que pudesse pensar em levantar, Andy já estava caminhando em direção à porta, um tanto sorridente.
  A garota ouviu um barulho vindo da janela e, quando se virou, viu uma arara entrar pela sala, parando ao seu lado no sofá.
  — ? – Virou-se ao ouvir seu nome chamado por Andy. Vendo uma mulher de cabelos claros sorrir docemente para ela e, pouco mais atrás parecendo completamente sem graça, Cedrico Diggory.
  — Olá, querida! – Rachel sorriu, aproximando-se, a loira se levantou andando até a mulher e cumprimentando-a com um abraço. Cedrico deu um sorriso pequeno, sem saber realmente o que dizer, ficando vermelho quando seus olhares se encontraram.
  — Oi! – A garota deu um sorriso amarelo, acenando de longe.
  — Tudo bem? – Perguntou com as mãos no bolso, ela apenas concordou com a cabeça.
  — Não acredito! Uma arara? – Ouviram Andrômeda comentar risonha, balançando a cabeça com as mãos na cintura. – Sirius se superou dessa vez!
  A mais nova abriu a boca olhando assustada para a mãe de Cedrico, mas a mulher piscou gentilmente;
  — Ced já me falou sobre isso, não se preocupe!
  A ave piou de seu canto, mexendo a pata com um pedaço de papel amarrado. aproximou-se do sofá, ainda ouvindo Andy conversar com os Diggory;
  — Aceitam um chá?
  — Seria ótimo, eu te ajudo!
  — Sinta-se em casa, Cedrico!
  O garoto sorriu para a mulher, vendo-a ir junto de sua mãe para outro cômodo, assistiu terminar de soltar a carta da arara, estendendo o braço para a mesma, que se agarrou com força abrindo as asas vermelhas. A loira virou-se com a carta em mãos, vendo Cedrico sorrir levemente para ela, ainda sem saber o que dizer;
  — Vou colocá-la com Zoe, pode sentar... Gosta de televisão? – Perguntou apontando para o aparelho. O lufo franziu o cenho ao reparar na caixa em que duas pessoas apareciam em formas pequenas. Olhou surpreso, que mágica era aquela?
   riu de leve da expressão dele, andando em direção às escadas no instante seguinte.
  Diggory ainda olhava um tanto intrigado para o aparelho quando as duas mulheres apareceram quase quinze minutos depois, continuava sem entender como aquilo era possível sem algum tipo de magia.
  — Cadê a ? – Andrômeda questionou, olhando para os lados.
  — Foi responder a carta de Sirius, eu acho...
  — Oras, poderia muito bem fazer isso depois! – Ralhou a mulher sentando-se na poltrona, enquanto esperava o bolo ficar pronto.
  — Ela deve sentir falta do pai, não é nada demais, Andrômeda! — Rachel abanou a mão antes de sentar-se ao lado do filho e as duas começarem a conversar sobre receitas e outras banalidades que Cedrico não fez questão de entender.
  Passados mais alguns minutos começou a olhar para a escada tentando não parecer entediado, embora torcesse para a garota descer logo, mesmo que não fossem conversar ela poderia pelo menos estar ali com ele para não ficar sozinho ouvindo tudo aquilo. Contudo, talvez também fosse bom ela demorar a aparecer, porque ele não sabia como iniciar um assunto com ela e não era como se estivesse animada para fazê-lo… Haviam combinado antes de saírem de Hogwarts que trocariam cartas com regularidade, mas com quase três semanas de férias, Cedrico - embora tivesse pensado várias vezes, não havia mandado (nem recebido) nenhuma coruja.
  Talvez devesse perguntar sobre Sirius, sabia que renderia alguns minutos de conversa, o homem deveria estar em algum lugar tropical para enviar uma arara ao invés de coruja; Sorriu sozinho imaginando Sirius Black na praia, com os cabelos e barbas compridos ao vento.
  A garota deixou o pergaminho dobrado ao lado da cama, colocando a pena na mesa e fechando o tinteiro, a ave agora dormia no poleiro da coruja, que não parecia muito feliz com mais um pássaro extravagante ao seu lado; Já havia aguentado um papagaio e uma harpia nas semanas anteriores. passou por ela, acariciando levemente suas penas e então foi para à porta, vendo Cedrico sentando no canto do corredor assim que passou pela mesma;
  — Se perdeu?
  O loiro deu de ombros, um tanto constrangido.
  — Andrômeda disse para eu subir e conversar com você já que o assunto delas não era tão legal, mas... Bem... A porta estava fechada...
   suspirou andando até ele e sentando ao seu lado, encostando-se na parede gelada.
  — Você poderia simplesmente bater, sabe?
  — Achei que você poderia não querer conversar comigo... – Deu de ombros, esticando as pernas.
  A loira permaneceu em silêncio por alguns segundos, apenas olhando para o rapaz que encarava a parede à sua frente. Aquele silêncio parecia à certeza de tudo o que ele desejava que não acontecesse.
  — Não sei, eu... – Interrompeu-se em voz baixa, sem saber o que dizer.     Cedrico sentiu como se alguém tivesse acabado de azará-lo.
  — ! Cedrico! Venham comer bolo! – Ouviram Andy chamar no andar de baixo.
   levantou-se no mesmo instante, estava com fome e não sabia exatamente como puxar um assunto, aquilo a daria tempo para pensar e escolher melhor as palavras, não era como se ela pudesse admitir que estava morrendo de ciúmes, aquilo era ridículo.
  Esperou que ele também levantasse para descerem juntos, mas quando olhou para Cedrico ele simplesmente virou-se andando para as escadas sem dizer nada.

  Diggory estava quieto, apenas olhando e sorrindo vez ou outra quando sua mãe ou Andrômeda mencionavam seu nome. estava sentada no outro sofá quase de frente para ele, mas Cedrico não fazia questão de olhá-la. Parecia ocupado olhando para suas próprias mãos ou para o aparelho em que podia ver aqueles pequenos Trouxas, do tamanho de Tronquillhos conversando sobre algum assunto que parecia importante.
   se sentou ao seu lado pouco depois, erguendo um pouco o volume do aparelho, aparentemente um jardineiro Trouxa tinha sido assassinado em algum vilarejo próximo. Diggory não se mexeu quando reparou que ela estava ao seu lado, ainda não tinha certeza de como seriam as coisas, e, naquele momento, não queria conversar com ela da mesma forma que ela parecia não querer falar com ele - achava que se dissesse qualquer coisa estragaria qualquer chance de manterem a amizade; Não podia admitir o que sentia e nem que a simples ideia de saindo com qualquer outro cara o atormentava o verão todo.
  A garota esperou que as duas mulheres terminassem de comer, enquanto pensava em uma forma de explicar a Cedrico o que passava por sua cabeça; tinha medo de dizer claramente tudo o que pensava, imaginando que ele se afastasse. Não queria perdê-lo, não queria perder a amizade que havia crescido entre eles no último ano, e tinha medo que isso acontecesse no momento em que lhe dissesse o que havia descoberto nas últimas semanas. Nem mesmo sabia se queria realmente contar o quanto gostava dele, sabia que ele não seria maldoso a ponto de rir dela ou qualquer coisa parecida, mas a ideia de que ele provavelmente a olharia com pena - afinal que chances ela teria com Cedrico Diggory? - parecia muito pior do que não dizer nada.
  No entanto, reparou que se não fizesse nada o perderia da mesma forma. Já estava perdendo na verdade, e nem mesmo era culpa dele; Cedrico não era culpado por ela ter ficado com ciúmes ao vê-lo com outra garota. Respirou fundo, ignorando a pontada no peito ao pensar que ela não era uma das garotas com quem ele queria sair.
  Aproveitou que sua tia e Rachel estavam andando para a cozinha de novo para virar-se para o rapaz;
  — Podemos conversar?
  Cedrico não respondeu no mesmo segundo, aguardou alguns instantes considerando aquela proposta. Talvez ela só estivesse sendo educada...
  — Tudo bem, pode falar! – Olhou-a de lado, ela balançou a cabeça puxando-o pela mão escada acima.
  No segundo em que a mão dela tocou a sua, sentiu seu coração parar por um momento e então acelerar, fazia semanas que não a tinha tão perto e só então percebeu o quanto havia sentido sua falta, por mais que negasse o tempo inteiro e tentasse se distrair de mil formas diferentes. Soube naquele instante que realmente não importava a distância que tivesse entre eles, aquilo não seria suficiente para esquecer o que sentia.
   sentiu o rosto esquentar na região das bochechas quando o puxou pela mão, envergonhada demais para sequer olhar em sua direção. A mão grande e quente de Cedrico fechou-se firmemente sobre a sua e era uma sensação boa, mas sentia-se constrangida; era ele quem sempre a puxava para os lados, era sempre ele quem a abraçava primeiro, raramente o contrário. Respirou fundo e abriu a porta de seu quarto, esperou Diggory entrar e então soltou a mão do Monitor, sentindo-se estranha por um segundo.
  Cedrico também sentiu algo afundar em seu peito, porém nada demonstrou, andando até o poleiro no canto do quarto próximo a janela e acariciando a coruja, a qual piou baixo em sua direção, encarando a arara vermelha comer sua ração.
  Diggory virou-se quando a menina fechou à porta, vendo-a andar até a cama e sentar na beirada, o rapaz aproveitou que ela estava distraída, perdida nos próprios pensamentos, para olhá-la melhor;
   estava com um corte de cabelo diferente, bem mais curto desde que a tinha visto em Kings Cross, e o loiro parecia mais claro que o habitual. Ela também parecia ter um ar mais tranquilo do que no ano anterior, reparou que ela já não tinha olheiras como quando a conheceu. A garota estava bonita como sempre, mesmo que vestindo algo tão simples quanto um shorts preto e uma regata azul, junto com umas pulseiras coloridas no braço. Mordeu o lábio inferior por um instante, deixando seu olhar recair sobre suas pernas amostra, notando que era a primeira vez que a via com roupas curtas. Sentiu-se um tanto idiota por nunca ter dado muita atenção ao corpo dela, provavelmente devido ao número de roupas e capas que usavam na escola. Virou-se para o lado quando percebeu que já estava olhando a um bom tempo para o tamanho de seus seios, bem mais evidentes com a regata do que quando a garota usava o uniforme. Sentiu o rosto esquentar e o corpo formigar ao notar.
  Vendo que ainda demoraria para ela dizer alguma coisa, aproveitou aqueles momentos de silêncio para olhar em volta, reparando em todos os detalhes do quarto relativamente grande; A maioria das paredes eram brancas, exceto a que ficava atrás da cama que era um vermelho escuro, parecido com o da Grifinória. Na mesma havia uma flâmula da Casa e outra de Hogwarts, e dois cordões coloridos que estavam presos ao teto com várias fotos presas nos mesmos;
  Uma pequena rindo com Dora enquanto faziam bolas de sabão no quintal. Na próxima à garota estava junto com Ted e Andrômeda, em alguma festa ele presumiu devido as roupas elegantes, fazia uma careta divertida enquanto o casal sorria animado. Na terceira ela estava junto ao pessoal da Grifinória em seu primeiro ano em Hogwarts, após a cerimônia de encerramento. Tinha uma em que estava com Hermione e Gina Weasley, as duas garotas sorriam, mas Granger parecia muito concentrada nos estudos para prestar atenção em outra coisa. Na foto abaixo ela estava com Harry e Rony, os três faziam caretas assustadas segurando mandrágoras, ao mesmo tempo em que pareciam rir da situação.
  No cordão seguinte ela tinha uma foto mais velha, um tanto manchada, de quando era bem pequena, segurando um cachorro de pelúcia e rindo de algo que não aparecia na imagem. Na seguinte, uma imagem tão velha quanto a outra, não parecia ter mais de um ano e estava no colo de Sirius, o qual estava com os cabelos e barba bem mais curtos do que Cedrico lembrava-se de já ter visto em algum jornal, os dois riam e ele apontava para quem tirava a foto. Diggory sorriu ao ver as fotos da garota mais nova, então olhou para as duas últimas; usava o uniforme de Quadribol e segurava a Taça que a Grifinória havia ganho no último ano, enquanto os colegas de time riam junto a ela. Na última foto, e nesse momento algo esquentou no peito do rapaz, a loira estava junto dele, ambos sentados no chão da estufa de Herbologia com Lobo (ou Sirius, melhor dizendo) no meio dos dois, latindo para a câmera enquanto o casal gargalhava ao segurá-lo. Cedrico lembrou-se sorrindo daquele dia e de como havia sido difícil para ele conseguir bater a foto, pois o cachorro não parava de se mexer, saindo quase sozinho em todas as outras fotos que ele tirou.
  Tornou a olhar pelo quarto, vendo a escrivaninha ao lado do poleiro com alguns livros de Hogwarts e vários pedaços de pergaminho, penas e dois tinteiros. Em um dos pergaminhos, já enrolado e pronto para ser enviado, leu Almofadinhas. Tinha um pergaminho aberto e inteiramente escrito, supôs ser o que ela tinha acabado de receber de Sirius. Na parede ao lado havia um guarda-roupas grande e colado atrás da porta havia um pôster de uma banda que ele sabia que gostava; Marina and the Bezoar. Sorriu leve, voltando a virar para a garota que olhava pela janela.
  — Então...? – Perguntou baixo, ela o olhou por alguns segundos. Cedrico fez uma leve careta ao reparar que pela primeira vez desde que se conheceram não fazia ideia do que ela sentia. Sempre foi muito bom em descobrir como ela estava apenas olhando-a nos olhos, mas naquele momento não conseguia lê-los, não conseguia descobrir o que estava a incomodando.
  Ela piscou pouco depois, sorrindo tranquilamente.
  Foi então que ele reparou o quão calma parecia naquele momento, e não pôde deixar de sorrir junto ao reparar no olhar carinhoso dela. Novamente sentiu algo esquentar em seu peito, gostava daquela sensação.
  — Então... Não sei bem o que dizer – deu de ombros, um leve ar de riso e vergonha misturados. Cedrico concordou com a cabeça, também sem saber como continuar ou mesmo começar, uma conversa. — Não quero perder você. – Confessou simplesmente.
  A loira sentiu o rosto queimar assim que notou que havia dito aquilo em voz alta.
  Mordeu o lábio inferior, olhando para baixo incapaz de encarar os olhos cinzas do rapaz.
  Por que tinha dito aquilo?
  Não que não fosse verdade, mas não queria parecer boba e nem admitir que realmente sentiu ciúmes quando o viu com outra garota. Cedrico e ela não tinham nada, eram apenas amigos, nem mesmo queria ficar com ciúmes dele, mas não era como se conseguisse evitar. Ou como se pudesse evitar o que sentia sempre que ele estava por perto, o que, ela admitia tristemente, demorou muito tempo para entender o que significava. Talvez se não tivesse o visto beijando aquela garota nem mesmo teria se dado conta do quanto gostava do lufo, porque parte de si ainda parecia querer dizer-lhe que não era nada demais, apenas uma atração, pois Diggory era lindo.
  No fundo ela sabia que não era só isso e aquilo a deixava ainda mais triste, estava apaixonada por Cedrico Diggory, o cara mais popular de Hogwarts, o qual deveria ter mil encontros por ano com garotas muito melhores do que ela.
  Cedrico sorriu vendo-a com as bochechas vermelhas, era algo adorável em sua opinião. Demorou alguns instantes para notar o que ela havia dito e o que aquilo significava, então notou a expressão triste em seu rosto e não entendeu o que poderia ter acontecido.
  Não tinha nada que ele detestasse mais do que vê-la triste ou chorando, Diggory sentiu uma vontade enorme de abraçá-la e dizer o quanto ela era importante para ele e foi exatamente isso o que ele fez; Quando se deu conta já estava agachado em frente a loira, com os braços envolta do corpo dela, o rosto entre seus cabelos soltos. O perfume doce da garota se fez presente pouco depois e segundos mais tarde Cedrico sentiu os braços dela apertarem-no contra si, o rosto escondido em seu pescoço.
  — Eu não quero nunca ficar longe de você ou perder isso. – Declarou, ainda a abraçando apertado.

ONZE

  Cedrico sorriu sozinho pensando naquela possibilidade e virou-se animado em sua direção cutucando-a de leve na cintura, enquanto ela terminava de prender o pergaminho na coruja - a qual não parecia muito feliz com a nova viagem, achava que a falta de entusiasmo dava-se ao fato da arara continuar cochilando no poleiro;
  — Encontre ele, ok? – Sussurrou acariciando as penas pardas da ave, Zoe olhou-a com seus grandes olhos – Tome cuidado, te vejo em breve! – Sorriu antes de levá-la até a janela, estendendo o braço no qual o pássaro estava agarrado.
  A coruja piou baixo antes de abrir as asas e soltar-se, indo em direção ao céu azul. A loira ficou algum tempo ali com o rapaz ao seu lado ainda sorrindo por algum motivo que ela não tinha entendido;
  — E então, qual o motivo dessa animação toda? – Questionou virando-se para o lufano, os braços cruzados sobre o peito.
  — Você vai para a Copa Mundial!
  — Dora conversou com o pai de Rony, vou com os Weasley, parece que Hermione e Harry também estão indo com eles. — Contou ao sentar-se em sua cama, encostando na parede.
  Cedrico deu um sorriso amarelo sentando-se mais ao canto, algo o incomodou naquela frase e ele sabia exatamente o que era.
  — Qual o problema? – Perguntou ao vê-lo momentaneamente sério.
  Ele deu de ombros, sem encará-la.
  Quando disse que Ninfadora não iria com ela, considerou que talvez os Tonks a deixassem ir com ele e seu pai, afinal as famílias se conheciam e pareciam ter ficado bastante próximas nos últimos tempos, mas ela iria com os Weasley o que seria completamente compreensível, afinal eles se conheciam há anos e a garota era amiga dos ruivos. Mas Harry Potter estaria junto.
  Por alguma razão sempre que pensava no moreno próximo dela sentia raiva e uma vontade de azará-lo sem qualquer motivo racional, pois Potter não tinha feito nada que fizesse Cedrico detestá-lo, mas era o que Diggory sentia sempre que os via juntos. Não queria que algo ruim acontecesse com ele, obviamente, mas preferia quando o garoto estava longe de . Oh, sim, todo aquele papo de desistir da garota e preferir manter apenas a amizade havia ido ralo abaixo assim que ela disse que não queria perdê-lo.
  Só precisava pensar em um bom modo de chamá-la para sair.
  — Cedrico? – Chamou estalando os dedos em frente ao rapaz, ele piscou assustado e então virou-se para ela. – Não vai dizer o que aconteceu?
  — Achei que você poderia ir comigo e com meu pai. – Falou chateado.
  — Bem, Dora já combinou com os ruivos agora, mas podemos nos encontrar por lá, não é?

●●●>

  — Que horas você acordou? – Harry perguntou ao abraçar a amiga.
  — Não tenho certeza se estou realmente acordada… Talvez seja algum tipo de sonho... – Deu de ombros, rindo leve com o amigo.
  Todos ali pareciam fazer a mesma pergunta internamente, menos Arthur Weasley; diferente dos adolescentes, o homem parecia pronto para uma maratona. Rony, por outro lado, era o que estava em pior estado, parecia quase um sonâmbulo reclamando o tempo todo sobre o horário e, principalmente, do cansaço;
  — Alguém me explica por que precisamos esperar tanto tempo para fazer o exame para aparatar? – Questionou o ruivo entre bocejos.
  Sr. Weasley não deixou-se abater com o desânimo dos mais novos, muito pelo contrário, achou que conversas ajudariam a todos ficarem mais acordados e perguntava o tempo todo sobre objetos Trouxas para Harry e Mione, que eram os mais familiarizados, embora também conhecesse algumas coisas devido ao seu tio que era um Nascido-Trouxa igual a amiga.
  — Ufa, fizemos um bom tempo! – Informou Arthur ao chegar próximo ao topo do morro, secava os óculos no suéter enquanto sorria para os garotos. Todos sentiam-se aliviados com a notícia, não estavam mais em condições de continuar andando. – Agora só precisamos da Chave do Portal... Não deve ser grande... – Disse olhando pelos lados do terreno.
  Ninguém entendeu o que aquilo significava, por isso continuaram parados tentando normalizar a respiração e descansar o máximo possível.
, Harry, Rony e Mione sentaram-se ao chão, seguidos pelos gêmeos e Gina logo depois.
  — Aqui, Arthur! Aqui filho, os encontramos!
  Ouviram um grito vindo de um ponto um tanto afastado e viraram-se para olhar, vendo dois homens altos aproximando-se deles, um carregava alguma coisa de formato estranho na mão esquerda.
  Quando estavam há poucos metros do grupo, reconheceram pelo menos uma das pessoas.
  — Esse é Amos Diggory, pessoal! – Informou o Sr. Weasley, apertando a mão direita do homem, o qual segurava uma bota velha na outra. – Imagino que conheçam o filho dele, não? Cedrico!
  Hermione sorriu olhando diretamente para , que fingiu não reparar na amiga.
  — Olá! – Cumprimentou o loiro, sorrindo para todos, até chegar seu olhar na garota, sentada ao chão encostada entre Harry e Fred. olhou-o por sobre o ombro e sorriu, Cedrico apenas acenou com a cabeça antes de virar-se para seguir os mais velhos até o local certo para a Chave do Portal.
  Entre uma risada e outra, Amos pareceu notar que Harry Potter estava entre eles e não deixou de lembrar a todos do último jogo de Quadribol entre Lufa-Lufa e Grifinória. Por mais que estivesse com raiva de Potter, embora continuasse a lembrar que o mais novo não havia feito nada contra ele para que continuasse sentindo-se daquela forma, Cedrico não deixou seu pai aumentar tanto aquela história, ainda não achava justo o que tinha acontecido naquele jogo, mas não era como se Amos se importasse com aquilo.

  Sentiram como se alguma força os puxasse para dentro da terra, uma grande força invisível. Por poucos segundos o ar faltou em seus pulmões até estarem caídos de cara no chão duro e uma voz distante gritar algum número, anunciando que haviam chegado. Caminharam por mais alguns minutos até avistarem uma enorme aglomeração de bruxos de todos os lugares do mundo.
  Tendas e barracas por todos os lados, crianças gritando pelos cantos e alguns bruxos voando em suas vassouras pelos acampamentos, berrando uns com os outros.
Ninfadora deveria estar ali em algum lugar, fazendo a guarda e garantindo que nenhum Trouxa se aproximasse da área.
  Ouviam línguas diferentes e alguns bruxos que pareciam brigar defendendo as cores da Irlanda ou da Bulgária. Faixas com nomes dos jogadores, gritos de apostas e muitas outras coisas, não conseguiam prestar atenção em tudo o que acontecia por mais que se virassem para todos os lados, os olhos brilhando de expectativas e animação; O que poderia ser melhor que a Copa Mundial de Quadribol?
  Por um momento Cedrico parou de olhar para um grupo de irlandeses que dançava em uma tenda próxima e virou-se para mostrar a , mas então notou que ela havia ficado um pouco mais atrás, conversando com Potter enquanto ambos riam apontando para um grupo de búlgaros. A garota o olhou, ainda rindo e apontou com a cabeça para o grupo, Cedrico sorriu amarelo não dando muita atenção, a raiva pulsando em seu corpo ao tempo que ele tentava se lembrar de que não tinha direito de cobrar nada da garota. Ela alcançou-o pouco depois, enquanto todos continuavam a seguir Amos e Arthur por entre os bruxos, procurando seus acampamentos.
  — Ei! – Chamou, puxando-o pela camisa, Cedrico virou-se ao tempo que os Weasley passavam por eles, junto com Harry e Mione, os dois continuaram seguindo-os um pouco mais devagar. – Olha! – Apontou para um bruxo mais velho, o qual parecia bastante contente por não precisar usar suas calças.
  Cedrico virou-se para o outro lado tentando não sorrir ao ouvir a risada da garota, mas desistiu assim que ela o chamou e ele encarou o sorriso que tanto gostava. Riu junto puxando-a para perto e passando o braço esquerdo por seus ombros, logo sentindo o braço direito dela abraçar-lhe pela cintura, e logo Cedrico mostrou um grupo de anões que discutiam calorosamente com um grupo de bruxos, visivelmente bêbados.
  No meio do caminho pararam em uma tenda com vários objetos da Copa querendo algumas lembranças e, quando todos pareciam distraídos olhando para as opções, Diggory a puxou para o lado, a garota ainda segurava uma bandeira da Irlanda em mãos, decidindo-se se deveria comprá-la.
  — Podemos dar uma volta antes do jogo? – Pediu em voz baixa.
  — Cedrico? ? Vamos, temos que encontrar nossa área! – Ouviram Arthur chamar um pouco à frente, os dois se viraram e começaram a andar até eles. antes parou na tenda e deixou dois galeões pelo chapéu em forma de trevo e cachecol da Irlanda que comprou, deixando a bandeira de lado.
  Despediu-se de Amos que a abraçou gentilmente;
  — Foi muito bom rever você, ! Espero que te veja com mais frequência em breve! – Piscou, sorrindo largamente dela para o filho. A loira reparou que Cedrico ficou vermelho e olhou para o próprio chapéu que comprou, fingindo estar distraído com o formato.
  — Também foi bom rever o senhor – sorriu educada, acenando com a cabeça antes de acompanhar os amigos. – Te vejo à tarde, Ced!
  O lufo sorriu ainda sentindo o rosto quente.

●●●

  Amos Diggory baixou o jornal que lia para encarar o filho quando o viu se arrumando. O rapaz havia tomado banho e passado perfume, no momento ajeitava o cabelo com as mãos, arrumando-os como podia enquanto olhava seu reflexo no pequeno espelho pendurado na tenda.
  — O que está fazendo? – Cruzou os braços, divertido.
  — Vou dar uma saída pai, volto logo, ok? – Avisou pronto para sair da barraca, pegando um punhado de seu dinheiro e colocando no bolso na calça.
  — E posso saber por que não pode esperar até a hora do jogo para ver a menina? Está assim tão desesperado de saudades?
  Cedrico parou no mesmo lugar, virando-se assustado para o mais velho.
  — Que…? O quê? – Perguntou visivelmente sem graça.
  — Ora, ora, Ced. Você não pensou que poderia enganar seu velho pai, pensou? – Riu, dobrando o jornal e colocando-o em cima da mesa, cruzando os braços ao encarar o mais novo.
  — Não sei do que está falando, pai. – Disse olhando para o outro lado, sentindo o rosto esquentar.
  — Eu percebi o jeito que você olhou para ela quando voltaram de Hogwarts, Ced, e apenas confirmei quando vi vocês dois juntos hoje. – Amos olhou-o por sobre os óculos – É como eu olhava para sua mãe quando tinha sua idade.
  Cedrico respirou fundo, fechando os olhos.
  Passou a mão pelo cabelo nervosamente e então soltou todo o ar preso em seus pulmões.
  — Imaginei que você me diria que gosta dela antes de eu mesmo descobrir... Mas entendo se estiver com vergonha do seu pai... – O Diggory mais velho pareceu chateado, embora, por alguns segundos Cedrico tenha ficado em dúvida se ele realmente estaria sentido ou apenas fazendo drama.
  Por fim sentou-se ao lado dele, ainda sem saber direito o que dizer.
  — Não é vergonha de você, pai, sabe disso, mas... – Suspirou – Não faço ideia do que eu deveria fazer... Quer dizer… É diferente, sabe?
  — Ela já sabe? – Questionou o mais velho, inclinando-se para frente de modo a olhar diretamente para os olhos do filho.
  Cedrico negou com a cabeça.
  — Você sabe se ela gosta de você?
  Novamente ele negou.
  — Talvez você devesse contar, Ced. Diga o que sente e então com a resposta dela você vai descobrir o que deverá fazer.
  — E se ela não sentir o mesmo, pai? Eu tentei de todas as formas que sei chamá-la para sair no último ano, fiz tudo o que sempre faço com todas as garotas e nada deu resultado! Resolvi que só manteria a amizade e esqueceria todo o resto, porque tenho certeza que ela só me vê como amigo... — Suspirou frustrado, esfregando o rosto com as mãos — Mas aí a gente se viu de novo e pronto… Tudo o que eu levei semanas tentando esquecer voltou, sei lá, cinquenta vezes pior. — Encostou a testa na mesa, os olhos fechados — Às vezes penso que ela gosta de mim ou que poderia gostar se eu contasse, sabe? Mas em outras eu acho que ela gosta de Harry Potter… E se for isso mesmo? E se ela gostar dele? — Virou-se para encarar o mais velho — Ou se gostar de qualquer outro cara? — Negou nervoso — E se eu me declarar e ela não corresponder e nunca mais falar comigo? Já tem outros garotos a chamando para sair, pai, e se ela aceitar? Que é que eu vou fazer se ela chegar um dia e falar que está saindo com alguém?
  Pela primeira vez pode colocar suas dúvidas em voz alta e ao fazer isso percebeu que parecia ainda mais desesperado do que quando apenas pensava nas possibilidades.
  Amos riu, negando com um aceno.
  — Tem muitos ‘e se’ nessas suas dúvidas. Você só vai saber o que é verdadeiro ou não quando perguntar a ela, caso contrário vai passar mais um ano cheio de caraminholas na cabeça – sorriu, colocando uma mão em seu ombro, tentando tranquilizá-lo.
    — Eu não sei o que fazer, pai. – Admitiu olhando para as próprias mãos. — Nunca tinha acontecido isso antes, sabe? — Suspirou olhando para o homem, fazendo uma careta — Eu simplesmente não sei como agir quando ela está por perto. Quero dizer um monte de coisas, mas não consigo. Me sinto tão estúpido e tudo o que eu tento não funciona!
  — Sempre nos sentimos estúpidos quando estamos apaixonados. – Amos concordou – Quando fui convidar sua mãe para nosso primeiro encontro, acabei derrubando meu suco de abóbora em seu uniforme... Ela realmente não parecia nada feliz... – Deu de ombros rindo com a lembrança, Cedrico sorriu — Não é porque o que você está acostumado a fazer para conquistar outras garotas não funciona com ela que significa que não tenha interesse em você! E se quer saber minha opinião, achei que a menina sorriu para você tanto quanto você sorriu para ela — arqueou a sobrancelha, encarando-o por um instante. — Diga que gosta dela, filho, talvez ela sinta o mesmo e vocês dois estão perdendo todo esse tempo por insegurança.
  Cedrico concordou em meio a um suspiro, abraçando o pai antes de sair da barraca.

●●●

  Mione tinha acabado de sair da tenda enquanto Harry, e Rony conversavam, olhando para os bruxos que passavam por eles.
  — Já podemos ir? – Perguntou ao se aproximar.
  — Tudo bem, aproveitamos que precisamos pegar água e já damos uma volta por aí, deve ter coisas legais e... Caracas! Olhem aquele homem de volta! – Apontou o ruivo para o mesmo senhor que viram na entrada, andava animado entre o acampamento apenas de saia, um outro bruxo corria atrás dele.
  — Já disse que gosto de sentir o vento nessa área! – Disse apontando para a saia, enquanto acenava para as pessoas.
  — Muito apropriado! — Ralhou Mione balançando a cabeça, os outros três riam da situação.
  — Vamos logo – chamou Harry começando a andar, mal tinham dado cinco passos quando ouviram um grito;
  — Tonks! – A garota virou-se, vendo Cedrico correr até eles com a respiração levemente descompassada.
    — Tudo bem com você? – Perguntou quando ele se aproximou o suficiente, vendo-o fazer uma careta.
  — Podemos ir agora? – Questionou, acenando com a cabeça para os outros três.
  — Você não vai conosco? – Harry virou-se olhando diretamente para a amiga.   Por um momento pensou em sugerir que Cedrico os acompanhasse, mas no fundo sabia que ele e Harry não se gostavam muito; sempre que podiam davam alguma indireta para reclamar um do outro.
  — Vai lá, , nos vemos mais tarde, só vamos buscar água mesmo – Mione sorriu para ela.
  Potter franziu o cenho, negando com a cabeça.
  — Também vamos olhar o acampamento!
  — É, quero comprar aquele boneco do Krum que eu vi o garotinho brincando... – Rony apontou para uma tenda mais à frente, alheio a conversa.
  Hermione rolou os olhos, puxando os dois pela mão.
  — Tudo bem, tenho certeza que eles também vão ver um monte de coisas legais, até mais tarde, Cedrico! – Acenou com a cabeça enquanto arrastava os amigos.
  Diggory sorriu, gostava de como Hermione era perspicaz.
  — Mas… A gente… — Harry começou, suspirando quando Mione o puxou com mais força e ainda um tanto contrariado, começou a segui-la, virando-se por sobre o ombro para olhar a loira que havia ficado para trás com Diggory.
  — Vamos? – Cedrico ofereceu o braço, fazendo pose de galã.
  A garota riu balançando a cabeça antes de acompanhá-lo para o outro lado, ignorou o braço e puxou-o pela mão andando mais rápido.
  — Vem logo, Diggory, tem muita coisa pra vermos antes do jogo!

   ria enquanto Cedrico terminava de contar sua história, ambos estavam sentados embaixo de uma árvore um pouco afastados da aglomeração de bruxos.
  — Monty disse que foi uma aposta, mas não tenho certeza... De qualquer jeito, Winter não pareceu nenhum pouco feliz e ele terminou na Ala Hospitalar...
  — Ele parece o tipo de pessoa que sempre vai concordar com uma aposta, mesmo sabendo que não irá ganhá-la! – A menina comentou, deitando-se no gramado. — Fico surpresa de vocês conversarem com ela, achei que vocês também não gostavam de sonserinos...
  Cedrico riu, concordando;
  — De forma geral eu não gosto mesmo, mas Sophie até é passável. Embora eu prefira evitar ficar muito perto dela... Lembra aquela história da Bosta de Dragão na minha mochila?
  — Foi ela? — perguntou surpresa, vendo-o concordar com um aceno. — O dia que quiser posso devolver o presente, é só avisar! — Piscou, escutando-o rir dizendo que pensaria no caso.
  Diggory então olhou-a deitada de olhos fechados.
  — Sou tão chato a ponto de você dormir ao meu lado? – Perguntou fingindo-se de ofendido, colocando a mão no peito e olhando para o lado.
  — Quem é o dramático de nós dois, agora? — Riu, escutando-o a acompanhar pouco depois — Só estou cansada... Tive que acordar cedo para ir até a casa do Rony e ontem Dora e eu ficamos um bom tempo falando sobre a Copa, então quase não dormi…
  — Ela está por aqui, não? – Comentou olhando para os lados como se fosse encontrar a mulher de cabelos coloridos entre a multidão.
  — Sim, mas não sei em qual área exatamente... – Respondeu tornando a abrir os olhos, viu Cedrico sentado com as pernas esticadas e os braços apoiando seu tronco, os cabelos jogados levemente para trás e o ar despojado que raramente via em Hogwarts, sorriu sozinha ao reparar nisso. Sempre achava ele sério demais quando se encontravam nos corredores, em parte devido sua função como Monitor, mas sempre que estavam juntos ele parecia levemente mais relaxado.
  — Por que está me olhando desse jeito? – Tornou com a sobrancelha arqueada, um sorriso nos lábios finos.
  — Você está parecendo muito tranquilo hoje, quase não franziu o cenho enquanto conversávamos...
  — Como é? – Pediu sem entender, a loira riu ao reparar no cenho franzido dele, apontando com a mão para a própria testa, imitando-o.
  — Sempre que te vejo na escola você está muito sério, mas quando estamos conversando você parece diferente... Não o aluno-modelo de sempre sabe?
  O rapaz riu, voltando a olhar para o acampamento.
  — Normalmente me sinto mais relaxado quando estamos conversando, com menos responsabilidades, entende? – Deu de ombros, sentindo o coração acelerar aos poucos. – É como se eu não precisasse me preocupar tanto com as coisas....
  — Quer dizer que, aos poucos, estou te transformando em um irresponsável?
  Diggory gargalhou, dando língua antes de voltar a olhar pra frente.
   permaneceu um minuto inteiro em silêncio, pensando sobre o que ele havia dito.
  — E por que se preocupa tanto? – Questionou seguindo o olhar perdido dele, acompanhando algumas crianças brincando ali perto, carregando bandeiras dos dois times. Diggory passou a língua pelos lábios finos, dando de ombros.
  — Não sei, tudo eu acho... Quadribol, aulas, meu trabalho como Monitor, agora tenho que estudar para o NIEM’s... — VOCÊ!, ele quis completar a própria frase, mas apenas respirou fundo.
   fez careta ao ouvir, sentia-se cansada só com as aulas e o Quadribol, não imaginava como seria ter tarefas extras.
  — Você poderia deixar de ser Monitor, não?
  — Eu gosto, é um pouco cansativo, mas é legal... E desse jeito posso ficar fora do dormitório por mais tempo, não é? – Arqueou a sobrancelha, sugestivo.
  — Não sou Monitora e também fico depois do horário! – Piscou, sorridente.   Cedrico gargalhou.
  — Porque está comigo, caso contrário teria problemas.
  Ela riu concordando, vendo-o deitar ao seu lado, fechando os olhos por breves momentos até encará-la novamente e sorrir.
  — O que foi?
  — Nada, preciso de motivos para sorrir?
  — Eu diria que sim, mas não vou discordar de você nunca mais, você poderia me deixar de castigo em Hogwarts...
  O lufo soltou um ‘hey’ antes de rir e se virar para abraçá-la, ficando parcialmente por cima da garota. Sentiu seu corpo aquecer-se quando ela riu colocando a mão em seu braço que estava apoiado no chão, dando-lhe suporte para não cair por completo em cima dela, deixando o outro braço sobre sua cintura, mantendo-a por perto.
  — Estou brincando, Ced!
  Ele fez careta ao ouvir o apelido, detestava quando o chamavam daquele jeito, então o questionou pela expressão derrotada.
  — Não gosto do meu nome, menos ainda do apelido.
  — Acho Cedrico um nome bonito, combina com você, Cedrico Diggory. É legal! – Sorriu docemente para ele, o rapaz sorriu de volta. — Significa algo como guerreiro, não é? Líder? — Arriscou pensativa.
  Diggory apenas concordou com a cabeça, embora não estivesse muito convencido.
  — Obrigado. – Agradeceu antes de inclinar-se levemente e dar-lhe um beijo, um tanto demorado, na bochecha. — Também gosto do seu nome, mais ainda do sobrenome! — Piscou, vendo-a rir. — Vai mesmo começar a usá-lo?
  — Bem, não totalmente, porque significaria que eu tenho contato com meu pai e o Ministério não pode saber disso por hora… — Respondeu um tanto chateada com a situação inteira — Mas quem realmente me importa já sabe sobre, então não tem problema.
  — Quer dizer que eu sou importante, é? — Questionou com a sobrancelha arqueada.   A garota riu em sua direção e Diggory notou quando ela corou levemente;
  — Eu diria que é uma das pessoas mais importantes que eu tenho.
  Cedrico abriu um sorriso enorme;
  — Você sabe o quanto gosto de você, não é? — Disse olhando em seus olhos, vendo-a concordar com um aceno, o sorriso ainda brincando em seus lábios.
  Sentiu o coração acelerar e uma onda quente espalhar-se por seu peito, as mãos pareceram formigar por um instante e sua boca secar.
  — Também gosto de você, Diggory!
  — Acho bom que goste mesmo — falou brincando, embora sentisse o peito apertar.
  Virou-se para o lado tornando a afastar-se da loira ao pensar mais uma vez sobre o assunto. Queria apenas declarar-se ou chamá-la para sair, mas tinha medo de ser precipitado e estragar a amizade que tinham. Respirou fundo, passando a mão pelos cabelos e olhando para o lado contrário, evitando por alguns instantes encará-la. Achava cada vez mais difícil ficar perto dela e não poder dizer o que sentia, já não bastava o ciúme irracional que mal disfarçava, não queria arriscar-se em fazer algo errado ou ser imprudente.
   franziu o cenho ao notar a mudança da expressão do loiro, acompanhou seu olhar e, pouco depois, viu um grupo de garotas a alguns metros de onde estavam. Sentiu o peito apertar e uma vontade de chorar, mas respirou fundo controlando-se para não deixar transparecer nada. Não poderia culpá-lo por olhar para outras garotas, só queria que algum dia ele a olhasse daquela forma. Sentou-se, abraçando as próprias pernas, olhando mais uma vez para o grupo de garotas. Mordeu o lábio inferior e olhou para si mesma, o que elas tinham de tão diferente dela?
  Diggory passou a mão pelos cabelos, já menos frustrado com sua situação, voltando seu olhar para a loira e notando-a com a cabeça baixa, uma expressão chateada.
  — Algum problema?
   pensou por alguns instantes, antes de tomar coragem para dizer em voz baixa;
  — Posso te perguntar uma coisa? — Virou o rosto minimamente para encará-lo, vendo-o concordar com um aceno — O que faz você achar uma garota bonita?
  Cedrico piscou devagar, tentando entender o que ela dizia.
  — Por que a pergunta? — Tornou curioso.
   deu de ombros tornando a olhar para baixo, puxando a grama com a mão, constrangida demais para olhá-lo.
  — É de forma geral — respondeu baixinho —, e como você é o único cara que eu conheço que já teve dezenas de encontros, imaginei que seria uma boa pessoa para me responder...
  Cedrico engoliu em seco, passando a língua pelos lábios e desviando o olhar por um instante; Ela estava mesmo pedindo dicas de como conseguir um encontro? Justo pra ele? Sentiu o estômago embrulhar, passando a mão pelos cabelos antes de responder;
  — Não sei... Quer dizer, são várias coisas... — Enrolou-se, pensando sobre o assunto — Acho que depende de pra quem você pergunta... — Suspirou, fechando os olhos por um instante — Gosto mais quando é alguém com quem eu posso conversar ou que seja legal de alguma forma...
  A loira o olhou de lado, rindo irônica ao negar.
  — Claro, porque você conversa bastante com elas...
  Diggory sentiu o rosto esquentar;
  — Não é bem assim — respondeu sem jeito —, é uma das primeiras coisas que me atrai — falou baixo, mantendo o olhar nas tendas mais à frente — não só isso, claro, mas às vezes em que saí mais de uma vez com alguma garota foi porque em algum momento ficamos conversando sobre assuntos aleatórios.
  Black concordou, apoiando o queixo sobre as pernas. Aquilo não chegava a ajudá-la, eles já conversavam sobre tudo o tempo todo.
  Permaneceram em silêncio por alguns instantes, Cedrico pensando se deveria ou não perguntar se ela estava interessada em alguém com medo da resposta que ela poderia dar. questionava-se se deveria ser mais direta em sua pergunta: Como poderia pensar em conquistá-lo sem saber do que ele gostava? Lembrou-se de algumas das garotas com quem o tinha visto, não havia um padrão específico para que pudesse se basear.
  Diggory respirou fundo mais uma vez, tornou a olhá-la, notando a expressão insegura em seu rosto.
  — Não precisa se preocupar — disse baixo, embora sentisse como se pudesse morrer a qualquer instante — tenho certeza de que qualquer cara gostaria de sair com você.
   riu nasalado negando com a cabeça, mantendo o olhar baixo; Era ainda pior quando ele tentava consolá-la sem saber que era justamente dele que ela queria receber atenção.
  — Você é legal — começou a dizer, virando pra frente —, é engraçada, joga Quadribol muito bem — enumerava, sabendo que tudo aquilo era verdade, mas ao mesmo tempo frustrado com si mesmo por dizer aquilo para convencê-la de que ela seria boa o suficiente para alguém, quando achava que ela era muito melhor que qualquer cara na Escola — e é bonita também.
  A garota mordeu o lábio inferior o olhando de lado;
  — Você acha? — Perguntou insegura.
  Cedrico a encarou no instante seguinte, achando absurdo que ela não soubesse daquilo.
  — Tenho certeza — concordou —, acho você uma das garotas mais bonitas que conheço. — Foi sincero, notando o sorriso tímido que ela dava.
  — Por quê? — Tornou, sentindo o rosto esquentar assim como o peito. Será que aquilo era verdade mesmo ou ele só estava sendo legal por serem amigos?
  Diggory riu, dando de ombros sem saber exatamente por onde começar;
  — Hm... Seus olhos — começou ao encarar-lhe — são bonitos, seu cabelo é legal — apontou, sem saber direito como explicar sem dar na cara que estava interessado nela. Até considerou dizer naquele instante, mas não sem antes descobrir de quem ela gostava. — Você tem um rosto bonito e... Seu sorriso. Realmente gosto do seu sorriso.
   riu constrangida, colocando uma mexa do cabelo atrás da orelha e olhando para o lado, as bochechas mais vermelhas do que nunca, o coração batendo acelerado.
  — De verdade — Cedrico falou quase em um sussurro — acho você incrível e linda também.
  Black o olhou por alguns instantes, sorrindo de canto para o loiro;
  — Você sabe que é o garoto mais bonito de Hogwarts, não é? — Perguntou baixo, vendo-o arquear a sobrancelha.
  — Pelo o que sei, esse cargo é do Rogério Davies. — Argumentou divertido, vendo-a rir.
  — O “melhor beijo de Hogwarts” — disse aos risos, lembrando-se do comentário recorrente sobre o rapaz da Corvinal.
  — Ih, você também? — Cedrico resmungou ao tempo que a olhava de soslaio; estava interessada no Daves? Por Merlin, se fosse aquilo mesmo Diggory se jogaria no Lago Negro! De todos os caras de Hogwarts, justo Rogério?
  — Só estou dizendo o que eu ouvi pelos corredores — respondeu —, talvez ele seja o melhor beijo de Hogwarts e é bonito mesmo, mas ainda acho você mais bonito que o Rogério. E mais legal também.
  Diggory sorriu largamente ao ouvir aquilo, passando a mão pelos cabelos e jogando-os para trás;
  — É bom ser reconhecido!
   riu ao seu lado, Cedrico sentiu-se um tantinho mais confiante ao saber que ela o considerava o cara mais bonito de Hogwarts. Significava que ela estava interessada nele? Não, mas pelo menos ela o achava bonito, talvez ainda tivesse alguma chance.
  Virou-se para dizer mais alguma coisa, mas esqueceu-se de tudo por um instante ao notar a proximidade em que estavam, baixando o olhar para o sorriso dela e inclinando-se alguns centímetros. Antes que sequer notasse o que fazia, já tinha encostado seus lábios nos dela.

  Era uma pressão mínima, por um instante nenhum dos dois soube o que fazer.
  Quando Cedrico finalmente resolveu agir e transformar aquilo em um beijo de verdade, ouviram um barulho alto de um canhão explodindo em algum canto, afastando-se assustados. Viraram-se para olhar na direção do acampamento e logo perceberam que não era nada além de um torcedor animado com a Copa.
  Nenhum deles soube o que dizer ou fazer, permanecendo em silêncio por incontáveis minutos.
  Diggory xingava mentalmente devido a interrupção do que deveria ser a melhor coisa que já tinha acontecido com ele, sentia o corpo absurdamente quente e as mãos tremerem fechando-as em punhos. Engoliu em seco, olhando de canto para a garota sem saber se deveria tentar mais uma vez.
  Black olhava para baixo com o rosto extremamente vermelho, tentando ritmar sua respiração. Nem mesmo acreditava que aquilo tinha mesmo acontecido;
  Cedrico Diggory tentou beijá-la!
  Seu coração batia acelerado e sentia o rosto quente, mordeu o lábio inferior olhando para o lado, não sabendo como encarar o loiro naquele instante; Será que ele realmente gostava dela daquele jeito ou apenas deixou-se levar pelo momento?
  Respirou fundo e fechou os olhos, sentia as mãos formigarem e o estômago estranho; uma sensação parecida com uma vontade de vomitar, mas ao mesmo tempo boa.
  — Eu… — posso te beijar? Cedrico pensou, encarando-a de lado, mas a garota não se virou para olhá-lo, constrangida demais para aquilo. Por fim respirou fundo, fechando os olhos — Acho melhor voltarmos, está quase na hora do jogo…
  Andaram lado a lado pelo acampamento no mais completo silêncio, nem mesmo se olhavam. Diggory ainda sentia uma vontade enorme de pará-la e beijá-la de verdade, sem importar-se com o que aconteceria depois, mas a parte consciente de si sabia que não seria uma boa ideia; nem mesmo conseguia olhá-lo, o que aconteceria se ele a beijasse?
  Entraram na fileira em que a garota estava acampada com os Weasley e Cedrico encostou em sua mão chamando sua atenção;
  — Eu…— Começou sem saber como continuar, suspirou dizendo baixo — Nos vemos depois?
   apenas concordou antes de dar as costas, andando apressada para a tenda.
  Diggory passou a mão pelos cabelos completamente frustrado, virando-se de volta para o próprio acampamento.

●●●

  Ludo Bagman anunciava animadamente os nomes dos jogadores à medida que eles apareciam velozmente no céu escuro. A cena das Veela, mascotes do time búlgaro, quase renderam um ‘pequeno’ acidente entre os garotos; Rony gritava aos quatro ventos o quanto as amava, Harry além de gritar estava pronto para pular da arquibancada para mostrar-se corajoso, assim como Cedrico, o qual declarou seu amor eterno já se pendurando nas grades para saltar. A cena fez com que , Hermione e Gina rolassem os olhos para os garotos, dizendo algo como “Patéticos” antes de virarem-se para ver a entrada dos irlandeses.
  — Troy! – gritou apontando para o jogador. — Eu não acredito que estou respirando o mesmo ar que ele! Por Merlin eu vou morrer, olha como ele é perfeito!
  Cedrico e Harry a olharam surpresos por alguns instantes, rindo em seguida;
  — E você tem coragem de nos chamar de patéticos? — Potter questionou cruzando os braços, divertido.
  — Vocês, por acaso, estão me vendo tentando saltar para provar meu amor eterno? Eu acho que não!
  Os dois garotos desfizeram o sorriso no mesmo instante, virando-se para o lado. Rony continuava com um ar confuso para prestar atenção em mais alguma coisa.
  — Connoly! — Gina berrou ao lado, ao virar-se a loira viu os dois jogadores circulando pelo campo, brincando um com o outro.
  — Quem é aquele? — Mione perguntou apontando para outro jogador irlandês.
  — Ryan, ele é o melhor goleiro da Liga! — explicou vendo a amiga concordar com a cabeça, enquanto ajustava o binóculo para olhá-lo melhor. — Bela escolha, Granger! — Piscou para a outra, vendo-a rir sem graça.
  — Eu não estou ouvindo isso… — Cedrico negou com a cabeça rolando os olhos, Harry concordou a contragosto.
  — Vocês não estão em posição de julgar, sabe? — Gina encarou os dois, que sorriram amarelo.
  Diggory e Potter pela primeira vez em muito tempo começaram a conversar entretidos com as possibilidades do jogo, ignorando as três garotas elogiando os jogadores irlandeses.
  — A partida vai... Começar! – Anunciou Bagman e no mesmo instante o Pomo foi solto, seguido pelos Balaços e pela Goles.

●●●

  A garota não soube precisar o momento exato que tudo havia começado, em um instante lembrava-se de estar comemorando a vitória da Irlanda, principalmente os gols de Troy enquanto implicava com Rony que não parava de falar de Vitor Krum. Depois o Sr. Weasley mandou todos dormirem antes de voltarem para casa na manhã seguinte, mas algo aconteceu entre um momento e outro;
  Gritos e barulhos altos vinham de fora da barraca, altos demais para serem apenas os irlandeses comemorando, Arthur gritou saindo apressado junto com Carlinhos, Gui e Percy, mandando os outros correrem para a Chave de Portal e ficarem juntos.
  Lembrava-se de começar a correr, tão assustada quanto todos a sua volta, pois pessoas encapuzadas riam enquanto lançavam feitiços nos Nascidos-Trouxas e queimavam barracas por todos os lados. Era apenas uma gritaria, um tumulto enorme, bruxos tentando aparatar, porém impossibilitados devido aos feitiços da área.
  A família Trouxa dona do acampamento estava sendo erguida no ar pelos homens encapuzados e outros bruxos tentavam ajudar a pará-los. Bruxos do Ministério apareciam por todos os lados e, em determinado momento, achou ter visto Dora correndo junto com meia dúzia de Aurores. Estava ao lado dos amigos quando se desequilibrou com um puxão e quase caiu, virando-se em tempo de ver Harry ser carregado pela multidão desesperada. Gritou pelo amigo, mas em pouco tempo o perdeu de vista.
  Procuraram por Potter pelo o que pareceram horas até Mione dar um grito apontando para cima; Um clarão apareceu no céu e em seguida a Marca Negra estava ali. Grande e iluminada. A caveira com uma cobra enrolada, a marca de Voldemort.
  Acharam Harry pouco depois e logo foram encontrados por todo o Ministério, incluindo o Sr. Weasley e Ninfadora, os quais correram até os quatro.
  Dora falou com Arthur durante algum tempo quando todos já estavam juntos próximo a barraca, Gui, Carlinhos e Percy voltaram junto com os gêmeos e Gina, que tinham seguido diferentes caminhos.
  — Vou levá-la para casa, Arthur, depois vou direto para o Ministério, vai ser uma semana cheia... – Suspirou olhando a Marca que continuava no céu embora vários bruxos estivessem tentando apagá-la.
  — Precisa de alguma ajuda? – Prontificou-se Carlinhos - o ruivo havia estudado com Dora em Hogwarts, tendo os dois até mesmo saído algumas vezes antes dele mudar-se para estudar dragões na Romênia. Dora sorriu, negando com a cabeça.
  — Infelizmente acho que nesse momento não vai dar, vão querer apenas gente do Ministério trabalhando...
  — Vou procurar o Sr. Crouch ele deve precisar de ajuda! – Disse Percy decidido, Ninfadora rolou os olhos assim como os irmãos do ruivo.
  — Crouch vai ter muito o que explicar, foi muito suspeita essa baboseira sobre o Elfo dele, não acreditei em nenhuma palavra! – Respondeu ao cruzar os braços, Percy pareceu chocado.
  — Está insinuando alguma coisa, Ninfadora? – Perguntou furioso.
  A mulher arqueou a sobrancelha, de todos os Weasley, Percy era o único de quem não gostava, era sempre muito arrogante quando se encontravam no trabalho.
  — Com certeza algo que você não poderia entender, não é mesmo? Afinal os assuntos realmente importantes só passam pelos Aurores – falou sorrindo ironicamente.
  Carlinhos e Gui seguraram a risada, olhando para os lados. Percy olhou uma última vez para a mulher antes de entrar na barraca, o rosto vermelho de raiva.
  — Desculpe o jeito, Arthur… — Disse coçando o pescoço, sem graça.
  — Não se preocupe, você fez o que todos estávamos querendo... – Gui piscou para a mulher.
  — Diga por você – Carlinhos começou –, eu ainda quero azará-lo!
  — Meninos! – Sr. Weasley chamou atenção, não conseguindo brincar com toda aquela situação. – Tem certeza que não prefere que eu leve para casa?
  — Obrigada, mas acho que mamãe já deve estar surtando a essa hora. É melhor eu levá-la antes que a mulher resolva aparatar por aqui achando que vai capturar sozinha os Comensais. – Negou com a cabeça, um leve sorriso no rosto.
  Arthur concordou antes de entrar na barraca e chamar a garota. Gui, Carlinhos e Dora conversaram por mais um tempo enquanto terminava de pegar suas coisas. Por mais complicada que estivesse a situação, Ninfadora sempre era capaz de arrancar algumas risadas, era uma das coisas que faziam as pessoas gostarem dela e sempre quererem-na por perto. Gui era o único que sabia do ‘namoro’ do irmão com a Auror e tinha feito muito gosto, ainda lamentava que não tivesse dado certo pois eram um ótimo casal.
   despediu-se dos amigos, dizendo que tentaria conversar com eles antes de voltarem para Hogwarts e seguiu com a prima até uma Chave de Portal. Estava preocupada, tinha visto Amos mais cedo quando foram acusados de terem conjurado a Marca Negra, mas não conseguiu perguntar sobre Cedrico, não sabia se ele estava bem, nem mesmo sabia o que tinha acontecido no meio de toda a confusão, era provável que o loiro estivesse sozinho… E, mesmo em meio a toda aquela confusão, sentiu o rosto esquentar ao lembrar-se do lufo.

●●●

  Soube por Ninfadora na manhã seguinte que Diggory estava ok, após a prima conversar com Amos no Ministério. No decorrer da semana, Dora mal parava em casa devido ao excesso de trabalho. E ainda era possível ler matérias de Rita Skeeter — a qual toda a família tinha raiva — no Profeta Diário, sobre a ineficiência do Ministério em prender os responsáveis pela Marca Negra, a qual ainda estampava a matéria parecendo tão assustadora quanto a real.
  — Estão falando da Dora! – anunciou. Ted, o qual lia a outra metade do jornal, deixou o folhetim de lado e Andrômeda veio apressada da cozinha, secando as mãos com um pano de prato. – “Em busca de informações encontramos com uma Auror que chegava ao Ministério, mas quando questionada sobre a procura aos Comensais da Morte que apareceram na Copa e conjuraram a Marca d’Aquele-Que-Não-Deve-Ser-Nomeado, a garota de cabelos coloridos e um tanto arrogante não quis dar-nos detalhes, dizendo apenas que “Isso é assunto de Auror, não de jornalistas”.
  Parece que, além de não conseguirem garantir a segurança durante a Copa Mundial, o Ministério também não tem ninguém que possa acalmar a comunidade bruxa dos recentes acontecimentos, pois todos com quem encontramos recusam-se a nos darem informações. Resta-nos esperar que esses mesmos funcionários que parecem tão superiores, apenas por trabalhar no Ministério, sejam bons o suficiente para capturar os responsáveis por toda a bagunça causada até agora.”

  — Essa mulher não tem limites! – Ralhou Andy, olhando feio para a foto da jornalista, que aparecia logo abaixo do artigo.
  — É o que todos estão dizendo, que o pessoal do Ministério não está trabalhando nem nos dando as informações necessárias. – Argumentou Ted – Skeeter apenas aproveita-se da situação para criar boatos e matérias infundadas que causam ainda mais problemas do que já temos.
  — De qualquer forma, Dora não pode espalhar o que sabe por aí, arruinaria qualquer plano deles para capturar os Comensais... – acrescentou dobrando o jornal e tomando um gole de seu suco. – Andy, não chegou o correio?
  — Ainda não, querida... – A mulher sorriu – Zoe deve voltar logo com a carta de Sirius, não se preocupe – piscou para a mais nova, a qual concordou com a cabeça terminando de comer seu bolo de chocolate.
  Ted levantou-se andando até o sofá poucos minutos depois, ouvindo um leve barulho no vidro da sala antes de ligar a televisão, viu uma coruja parada do lado de fora da janela fechada. Abriu a mesma, dando espaço para o pássaro entrar na sala, logo pousando no encosto da cadeira ao lado de , a garota olhou curiosa por um segundo; tinha certeza que não seria de Sirius, seu pai gostava de chamar atenção! Olhou bem para a coruja reconhecendo-a como sendo de Cedrico.
  Retirou o pergaminho preso na pata da ave antes de levá-la até seu quarto, colocando-a no poleiro vazio para que pudesse descansar e comer por algum tempo, enquanto lia o bilhete enviado por Diggory;

,
Não consegui conversar com você naquela noite e acabamos ficando preocupados por causa dos problemas, papai está enlouquecendo com o que aconteceu na Copa, assim como todo mundo...
Dora disse que você está bem, mas queria ter certeza!
Nos vemos domingo na Estação, ok?
Se cuide!
Afetuosamente, Cedrico.”

  — Afetuosamente… — Rolou os olhos, mantendo um sorriso nos lábios.   Encarou o bilhete em mãos com a caligrafia caprichada do rapaz, suspirou deixando-o sobre a escrivaninha e encarando a coruja, a qual tomava um pouco d’água.
  Deitou-se em sua cama, olhando para o teto. Os dois não haviam conversado sobre o que quase aconteceu antes do jogo e, ao mesmo tempo em que se sentia extremamente constrangida ao lembrar-se do ocorrido, sentia as mãos e o lábio formigarem.
  Cedrico Diggory realmente tentou beijá-la!
  Parte de si achava que não deveria manter-se tão esperançosa quanto aquilo, pois possivelmente tinha sido só o calor do momento, ainda mais por ele estar sempre saindo com outras garotas, poderia ter apenas aproveitado o impulso como faria com qualquer outra. Contudo, ainda tinha aquele fundinho de esperança de que aquilo poderia significar mais, mesmo que Cedrico não sentisse o mesmo que ela - o que duvidava que ele sentisse, só de saber que ele já havia olhado para ela de outra forma a fazia sorrir sozinha.
  E se ele a chamasse para um encontro?
  E se, em algum momento, eles realmente se beijassem?

●●●

  A garota tinha acabado de atravessar o portal quando sentiu alguém puxá-la para o lado, abraçando-a apertado. Tranquilizou-se no instante seguinte quando notou ser Cedrico.
  — Você me assustou! – Reclamou abraçando-o de volta, o loiro riu contra seu pescoço desculpando-se em voz baixa.
  — Estava preocupado, não te vi depois daquele dia... – Explicou afastando-se gentilmente, ainda segurando-a entre seus braços.
  — Estou bem, Diggory, você se preocupa muito, esqueceu-se que sou filha de um assassino foragido? Precisa de mais do que meia dúzia de Comensais que nem foram para Azkaban para me assustar! – Deu de ombros, fazendo pouco caso.
  Cedrico riu concordando antes de ajudar a empurrar seu carrinho para próximo do trem.
  — Falando nisso, conseguiu uma resposta de Sirius? – Perguntou ao tempo que chegavam próximo a Rachel e Andrômeda.
  — Me respondeu ontem, depois te conto. — Disse baixo antes de pararem e a mãe de Cedrico virar-se para eles.
  — Olá, querida – Rachel sorriu a abraçando. – Fico feliz que esteja bem, ficamos preocupados, Ced estava desesperado!
  — Mãe! – Cedrico reclamou sentiu o rosto ficar vermelho no mesmo instante, queria ter uma Capa da Invisibilidade e sumir por anos.
  — Ele se preocupa muito, posso me cuidar sozinha – sorriu para a mulher, tentando ignorar a sensação de milhares de borboletas em seu estômago.
  Diggory manteve o olhar para o lado enquanto sentia o rosto quente, parte pelo comentário de sua mãe, mas também por ter momentaneamente se esquecido do que havia acontecido antes do jogo por estar preocupado com a garota. Contudo, agora que a viu pessoalmente e confirmou que ela estava realmente bem, a primeira coisa que se lembrou ao vê-la sorrir foi o beijo que quase aconteceu.
  Sentia o coração acelerar só de pensar no momento e do que poderia ter acontecido se não tivessem sido interrompidos. Olhou-a de canto vendo-a conversar com as duas mulheres, pelo menos não parecia mais tão constrangida ao seu lado a ponto de não falar com ele. Cedrico estava determinado a conversar com o mais breve possível, a convidaria para sair assim que tivesse uma oportunidade, pois só assim ele saberia se teria uma chance com ela ou se seria melhor seguir em frente.
  Quando já estavam despedindo-se de Andrômeda e Rachel, ouviram um grito e a loira virou-se sorridente para o amigo.
  — Nos falamos depois, Monitor! — Sorriu para Cedrico, afastando-se dele e seguindo para a cabine com os amigos assim que entraram no trem.
  Diggory suspirou frustrado vendo-a abraçar Harry Potter por tempo demais em sua opinião.
  Passou a mão pelos cabelos antes de procurar os amigos, precisava mesmo chamá-la para sair o mais rápido possível, pois não aguentaria dividi-la com Potter por mais um ano.

DOZE

  No final da primeira semana das aulas, Diggory estava conversando com os amigos na mesa da Lufa-Lufa no Salão Principal enquanto tomava seu café da manhã quando viu aproximando-se com Hermione, amarrando os cabelos loiros em um rabo-de-cavalo alto. As duas estavam apenas alguns passos de distância, quando outro garoto da Grifinória aproximou-se delas.
  — Tonks?! — Chamou fazendo-a se virar para olhá-lo, Hermione aproveitou para sentar-se.
  — Ah, oi, Simas, e aí?
  — Tudo bem, fora as aulas do Snape, né? — Sorriu, vendo-a concordar de imediato — Escuta, eu estive pensando… — Começou sorrindo confiante — O que acha de nos vermos em Hogsmeade?
  Cedrico cuspiu o suco que tomava, engasgando-se ao ouvir a conversa. Monty virou-se assustado para o amigo, alheio ao que acontecia, dando-lhe palmadinhas nas costas até ele dizer que já estava ok.
   franziu o cenho, confusa.
  — Bem, acho que já nos vemos o tempo todo nas aulas, não? Mas claro, acredito que a gente se veja lá também… — Deu de ombros, preparando-se para sentar ao lado da amiga, que segurava a risada.
  — Não, eu quero dizer… Você quer sair em um encontro comigo?
  Cedrico olhou por sobre o ombro, não conseguindo ver a expressão da garota já que ela estava de costas para ele.
  — Ah… Entendi… — Sorriu sem graça.
  Simas pareceu mais confiante ao continuar.
  — É, sabe, eu ouvi falar de um lugar legal que eles têm lá, pensei que você pudesse gostar de ir conhecer. O que acha? Quer sair comigo?
  A garota o olhou extremamente constrangida, sem saber como negar o pedido. Aproveitou-se de quando viu Minerva deixando o Salão para mudar de assunto.
  — Ih, olha a McGonagall! Você não queria falar com ela, Mione? — Perguntou rápido para a amiga, que concordou apressada ao entender o que acontecia. — Nos vemos na aula, Simas! — sorriu antes de puxar a amiga para fora do Salão. Hermione mal teve tempo de pegar a torrada que tinha no prato antes de correr com a loira.
  — Ah... Tá! Espero sua resposta! — Simas falou, pouco mais alto ao ver as duas colegas se afastando.
  Cedrico fechou os olhos, sentindo o estômago afundar.
  — Você vem, Ced? — Emmett chamou ao levantar-se para a aula de Feitiços, o loiro concordou, não demorando a segui-lo. Olhou de canto para Finnigan que conversava animado com o amigo. Suspirou frustrado ao passar a mão pelos cabelos, mal prestando atenção no que Montgomery dizia.
  Hermione olhou para a amiga com a sobrancelha arqueada, esperando uma explicação.
  — Ah, o que foi? Eu não sabia o que dizer, precisava me preparar melhor. Fui pega desprevenida, não foi? Quem é que chama alguém pra sair assim tão cedo?
  Granger riu ao concordar.
  — Ok eu entendo, mas e o Cedrico? — Questionou curiosa, vendo-a olhá-la sem entender — Você não disse que ele tentou te beijar na Copa Mundial?
  — É, bem, mas não é como se ele tivesse feito... — Respondeu chateada com a situação — E nem comentou mais nada sobre o assunto, nos vimos algumas vezes essa semana e ele nunca nem tentou dizer nada… De repente ele mudou de ideia… E o Simas é até legal… Talvez não seja uma má ideia aceitar o convite... Não é como se eu fosse beijá-lo ou qualquer coisa do tipo.
  Hermione suspirou, terminando de mastigar.
  — Bem, mas olha só, o ano nem começou direito e você já tem um encontro! Está fazendo sucesso entre os garotos, , imagina só depois que os alunos das outras escolas chegarem? — Comentou aos risos, vendo-a rolar os olhos e apontar para a metade restante da torrada.
  — Mione, me dá um pedaço? Estou morrendo de fome!

●●●

  Não estava sendo totalmente proposital, mas nos dias que se passaram Cedrico mal falou com a loira, vendo-a poucas vezes pelos corredores e apenas a cumprimentando com um sorriso, sem realmente saber como reagir. Sentia-se extremamente frustrado por saber que ela, provavelmente, estaria em um encontro e que ele havia perdido sua chance de chamá-la primeiro.
  E, além disso, sentia-se pior ainda sempre que pensava que ela talvez pudesse gostar do colega. Não tinha como Cedrico ser mais claro do que o dia que tentou beijá-la e, se mesmo assim ela ainda parecia interessada em sair com outro garoto, talvez ela realmente não quisesse sair com ele.
  Tudo bem que eles não tinham conversado sobre aquilo, porque das poucas vezes que estiveram sozinhos Diggory ficou inseguro e preferiu fingir que nada aconteceu, assim como ela. Não sabia como puxar o assunto e ainda não se sentia preparado para fingir que estava tudo bem se ela lhe desse um fora.
  Havia resolvido que o faria de qualquer jeito, afinal, teoricamente, ele não sabia sobre o encontro dela com Simas Finnigan, só de lembrar do rapaz já sentia uma enorme vontade de azará-lo, mais ainda depois de ter visto os dois conversando no jardim.
  — Caramba — ouviu a voz de Monty —, acho que é a primeira vez que não te vejo responder alguma provocação da Winter — Cedrico virou-se em tempo de ver a colega ainda rindo junto de um grupo da Sonserina. — O que aconteceu com você esses dias? Nem saiu pra fazer sua ronda de Monitor ontem...
  Diggory deu de ombros, descendo as escadas para seguirem até a aula de Herbologia. Emmett ficou em silêncio por alguns instantes, o cenho franzido tentando lembrar de algum problema que o loiro pudesse ter comentado e ele não prestou atenção.
  — Não me diga que é a Tonks? — Perguntou de repente, vendo-o travar a mandíbula e olhar para o lado. Montgomery começou a rir, negando com um aceno — Já foi melhor ein, Ced? O que foi que aconteceu com o arrasa corações de Hogwarts?
  — Me chamaram? — Viraram-se ao ouvir uma voz próxima, ambos rolando os olhos ao verem Rogério Davies aproximar-se, jogando os braços por seus ombros e ficando no meio dos dois amigos.
  — Cara, você não tem alguma garota pra perseguir? — Cedrico questionou emburrado, a última coisa que precisava era de Rogério fazendo piadas ao seu lado.
  — Diggory, meu querido, pra sua informação é justamente o contrário! — Piscou, sorrindo de lado — E por que todo esse mau-humor? — Tornou estranhando a atitude pouco amistosa do colega.
  — Ced está triste porque não consegue chamar uma garota para sair — Monty respondeu, só então reparando na expressão enraivecida do melhor amigo. — O quê? Era segredo?
  Rogério gargalhou, apertando o ombro do loiro conforme andavam.
  — Como foi que isso aconteceu? Quem te disse não?
  — Ninguém me disse não — respondeu a contragosto — eu ainda não a convidei.
  — E por que não? — Os dois perguntaram ao mesmo tempo, parando para encará-lo.
  Diggory suspirou, passando a mão pelos cabelos antes de olhar para os dois.
  — É complicado.
  — Aposto que não é — Daves rebateu de imediato — vocês que complicam as coisas, por isso eu não tenho concorrência nesse lugar! — Riu, negando com um aceno no instante seguinte — Se quer chamar uma garota para sair, apenas chame. Qual a pior coisa que poderia acontecer?
  — Ela dizer não, talvez? — Cedrico respondeu o óbvio, encarando o corvino com um sorriso debochado.
  — Não que eu goste de elogiar outros caras — Rogério começou, passando a mão pelos cabelos —, mas, sinceramente, depois de mim você é, provavelmente, o que mais conseguiria encontros na escola, sem ofensas — adicionou ao olhar para Montgomery, que rolou os olhos, negando com um aceno — Qual a chance real de uma garota dizer não?
  — Ced está preocupado porque não é qualquer garota — o moreno tornou a dizer, logo recebendo um olhar enfezado do amigo.
  — Quem é? — O corvino perguntou olhando diretamente para Emmett, que deu de ombros não se importando tanto com o drama de Diggory.
  — Tonks!
  — Ué, mas vocês já não estavam juntos? — Questionou confuso, encarando o loiro com o cenho franzido — Lembro até do Jordan comentando durante o jogo de Quadribol... E aqueles encontros noturnos que…
  — Não, não estamos juntos — negou frustrado — somos apenas amigos.
  — Ah! — Rogério exclamou ao entender a situação — Está com medo de levar um fora e perder a amizade?
  Cedrico concordou olhando para o lado e vendo um grupo de terceiranistas passarem por eles.
  — Com licença — Daves chamou as três garotas que o olharam confusas, corando assim que os reconheceram — será que podem me responder uma pergunta?
  — O que está fazendo? — Diggory perguntou apressado, puxando-o pelo braço.
  — Relaxa, tenho tudo sob controle! — Avisou, voltando a olhar para as meninas — Como se chamam?
  — Chloe — a morena com a capa da Corvinal apontou para si mesma — essas são Evie — indicou a outra corvina — e Gina — apontou para a ruiva da Grifinória.
  — Ah, Weasley! — Monty sorriu para a ruiva que riu constrangida.
  — Rogério — Daves disse apontando para ele mesmo — esses são Emmett e Cedrico.
  — Sabemos quem vocês são, acho que Hogwarts toda sabe! — Chloe disse dando risadinha. O sorriso do corvino alargou, virando-se para os amigos.
  — Pois bem, queria fazer uma pergunta importante para as senhoritas — disse, passando os braços pelos ombros de Evie e Gina — Se nós as chamássemos para sair, vocês aceitariam?
  — O quê? — O grupo todo gritou, as meninas completamente surpresas e constrangidas, os dois lufanos confusos.
  — Só quero saber, ué. — Daves deu de ombros para os amigos — E então?
  As três se entreolharam com os rostos corados, Chloe foi a primeira a responder.
  — Claro que sim!
  — Todos nós? — Rogério insistiu, a morena concordou de imediato. — E vocês duas?
  Gina e Evie coraram violentamente, acenando com a cabeça sem conseguir olhá-los.
  — Incluindo o Cedrico, né? Aí, ó! Tá vendo? Nada com o que se preocupar! — Rogério sorriu feliz da vida.
  — É essa a sua lógica? — Monty questionou com as sobrancelhas levantadas.
  — Bem, digamos que se não der certo com ela, Diggory tem mais opções em Hogwarts. Aumenta a sua autoestima e melhora o seu humor! — Deu de ombros, vendo o loiro bufar.
  — Ficar longe de você já melhora meu humor! — Respondeu antes de olhar para o relógio de pulso — E agora estamos atrasados pra aula. Mandou bem, Daves!
  — Ei, eu só estou tentando ajudar — o moreno reclamou, afastando-se das meninas e encarando o mais velho — Não tenho culpa se você tem medo de garotas — Acusou, começando a andar junto com o lufano.
  Emmett olhou para as garotas que continuavam com expressões confusas.
  — Esqueçam que isso aconteceu, tá? — Pediu rindo — Mas obrigado pela ajuda. Se vocês fossem mais velhas, com certeza as chamaria para sair! — Falou piscando antes de acenar com a mão e correr atrás dos amigos.
  — Só estou dizendo que você está sendo burro — Rogério dizia conforme andavam — Só convide a garota pra sair... — Então sorriu esperto — Se não convidar, eu mesmo convido.
  — O quê? — Parou de repente, fazendo o moreno trombar com ele por estar um passo atrás.
  — Não fiz antes porque achei que vocês estavam juntos — deu de ombros — se vocês não estão, não seria nada mal ir para Hogsmeade com ela...
  — Só pode ser brincadeira! — Diggory fechou a cara.
  Rogério gargalhou, colocando uma mão em seu ombro.
  — Relaxa, cara, não faria isso! Mas não posso dizer o mesmo sobre outros caras: se você não convidá-la, alguém, com certeza, vai!

●●●

  Gina parou na frente do quarteto, ignorando por completo a presença do irmão e de Harry, embora tivesse sorrido para ele por um instante, antes de puxar Hermione e pelos braços.
  — Preciso conversar com vocês, urgente! — Disse, já as puxando pelo corredor.
  — Aconteceu alguma coisa? — Rony perguntou preocupado, vendo-a negar.
  — Nada que seja da sua conta, ok? — Respondeu por sobre o ombro, carregando as duas consigo.
  — Gina, a gente ainda tem aula — Mione argumentou, embora a seguisse.
  — Que foi que aconteceu? Não me deixa curiosa! Você descobriu qual é o evento que Dumbledore ‘tava falando? — questionou interessada, logo vendo a ruiva negar.
  — Não, não! Vamos ter que esperar até amanhã pra descobrir!
  Pararam em frente a uma das grandes janelas do castelo e as duas garotas deixaram as mochilas e livros que carregavam no parapeito.
  — E então? — Perguntaram ao mesmo tempo.
  Gina Weasley suspirou, passando a mão pelos cabelos vermelhos;
  — Aí, vocês não vão acreditar no que eu descobri hoje mais cedo! Estava na biblioteca procurando um livro para o trabalho do Flitwick, — explicou em voz baixa, ansiosa — e tinha um grupo de garotos lá, né? Nada fora do normal, pois bem, quem eram esses garotos? Simas, Colin e Jordan. — Completou, ignorando quando elas fizeram menção de tentar adivinhar — E aí eu acabei escutando um pouco da conversa, porque, bem, eu quis mesmo, fiquei curiosa com os cochichos! — Deu de ombros, jogando os cabelos para trás — E o Lino estava dizendo que duvidava que fosse verdade que o Simas iria num encontro com você, — apontou para , que arqueou as sobrancelhas — e que só valeria se eles realmente vissem vocês dois juntos, precisava ser na Madame Puddfood e deveria seguir todas as regras, porque tem que ser um encontro como eles colocaram na aposta e só valeria mais pontos se tivesse um beijo!
  — Aposta? — As duas questionaram chocadas.
  — Sim! Parece que tem uma garota de cada ano que “vale mais pontos” que as outras, — explicou, revoltada — descobri essa parte porque fui questionar o Colin e ele acabou me contando achando que assim eu sairia com ele!
  — Então é a que vale mais pontos no quarto ano? — Hermione questionou e, embora achasse aquilo tudo ridículo, sentiu-se um tantinho chateada ao saber que não havia sido escolhida.
  — Parece que ficou entre vocês duas, mas como você está sempre estudando, acharam que seria mais difícil de conseguir um encontro com você! — Explicou, vendo-a concordar, parecendo um pouco mais feliz ao saber.
  — Espera, além de tudo estão dizendo que eu sou fácil? — A loira escancarou a boca.
  — Ah, essa parte é por causa do Cedrico, todo mundo continua achando que vocês dois estavam juntos ano passado… — Sorriu pequeno, vendo-a rolar os olhos.
  — E se fosse verdade? Agora eu sou fácil porque, supostamente, saí com um cara? Ah, mas era só o que me faltava! — Cruzou os braços, indignada.
  — E eu que nem sai com ninguém para ter levado fama? — A ruiva concordou, bufando.
  — Não acredito que eles fizeram uma coisa assim! — Mione negou com a cabeça.
  — Espera até ouvir a pior parte; — fez suspense, vendo-as a olharem ansiosas — não são só eles participando, é basicamente uma aposta na escola toda para todos os garotos de todas as Casas! Eles só precisam marcar uma lista e alguém para confirmar se está dentro dos limites. Ou seja, deve ter um monte de outras garotas aceitando convites sem nem saberem o que está acontecendo! Se duvidar, até Harry e Rony estão participando ou no mínimo, sabem sobre a aposta.
  — Será possível que todos os garotos sejam idiotas nesse nível? — Black cruzou os braços, negando com um aceno.
  — Não sei se todos, mas a grande maioria. — Gina concordou, e então lembrou-se do que tinha acontecido mais cedo — Sabe com quem eu falei hoje? Rogério Davies, Emmett Montgomery e Cedrico Diggory — disse o último encarando a amiga —, melhor dizendo, eles falaram comigo.
  — Não me diga que estavam tentando te chamar pra essa aposta?
  — Não, não — a ruiva negou rindo o comentário de Granger —, Rogério me parou quando eu estava indo pro intervalo junto com a Evie e a Chloe e...
  — Quem?
  — As meninas da Corvinal com quem eu ando às vezes! — Explicou, vendo-as concordarem pouco depois. — Enfim, Rogério perguntou se nós aceitaríamos sair com qualquer um deles, não entendi bem o que estava acontecendo, mas parece que o Cedrico está com problemas pra chamar alguém pra sair!
  — Sério? Você sabe quem é?
  — Ah, por favor! — Hermione empurrou-a pelo ombro — Com certeza é você!
  — Eu não acho, não — suspirou, passando a mão pelos cabelos — se fosse comigo já teria chamado!
  — Talvez esteja com vergonha...
  — Com vergonha? O Diggory? — Riu nasalado — Cedrico chamaria a própria sombra para um encontro!
  — Talvez... — A ruiva deu de ombros —, mas vocês já viram aqueles três juntos? Por Merlin, é difícil dizer quem é o mais bonito!
  — Deixa só o Harry escutar isso — caçoou, vendo a amiga corar no mesmo instante.
  — Como se ele se importasse...
  — É o que a gente disse: garotos são todos idiotas!
  — E nós estamos atrasadíssimas pra aula! — Hermione gritou de repente, puxando pelo braço e despedindo-se de Gina.
  — Até depois, Ruiva!

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  Cedrico respirou fundo antes de aproximar-se da garota que o esperava nos jardins. Cumprimentou com a cabeça alguns alunos que passaram por ele, ouvindo a risadinha de uma das garotas:
  — Bem, realmente, se nada der certo eu tenho opções… — Disse em voz baixa, querendo sentir-se mais confiante com aquilo. — Ei — falou mais alto assim que viu , sentando-se ao seu lado em um dos degraus da escada, beijando-lhe a bochecha. Notou quando ela ficou vermelha — Como vai?
  — Tudo bem e você? — Perguntou, voltando sua atenção para um grupo de alunos tentando fazer amizade com os estudantes da Durmstrang.
  — Aham, — acenou, passando a língua pelos lábios, pensou se seria melhor continuar um assunto qualquer ou ir direto ao ponto que gostaria. Virou-se para olhá-la e, quando a garota o encarou, ele perdeu parte da coragem — o que acha do Torneio Tribruxo?
  — Ah, não é como se eu pudesse participar, — deu de ombros, não se importando muito com o evento — então só acho que será legal assistir e espero que não seja ninguém da Sonserina o Campeão de Hogwarts.
  Diggory riu concordando e então olhando para frente, passando os braços pelos joelhos.
  — Estive pensando em colocar meu nome no Cálice de Fogo.
  A loira o encarou surpresa, não respondendo de imediato.
  Cedrico sentiu-se nervoso com a forma que ela o olhava, o cenho franzido e o silêncio como resposta. Imaginou se ela estivesse pensando que era uma piada ou se achasse a ideia ridícula e precisasse pensar em algo para dizer. Por fim, a garota suspirou, olhando para o jardim.
  — Não sei, Ced… Não vai ser como jogar Quadribol, parece realmente perigoso…
  — Eu sei que sim, — concordou com um aceno, passando a língua pelos lábios finos — mas acho que eu gostaria de tentar…
  Ela negou tornando a encará-lo;
  — Você ouviu o Dumbledore, não pode achar ou tentar, Cedrico. Precisa ter certeza. Se colocar seu nome no Cálice é para valer, não vai poder mudar de ideia depois! — Lembrou-o, séria.
  Cedrico ficou pensativo por um instante.
  — Eu realmente gostaria de participar do Torneio!
   sorriu pequeno em sua direção;
  — Deveria colocar seu nome, tenho certeza que Hogwarts não poderia encontrar um Campeão melhor!
  — Acha mesmo que eu tenho chances?
  — Não vejo ninguém melhor do que você!

●●●

   estava sentada no degrau da escadaria principal, roía a unha sem perceber, o olhar perdido em algum ponto. Assustou-se quando alguém mexeu em seu cabelo antes de sentar-se ao seu lado. Cedrico parecia mais sorridente do que quando se despediram horas atrás para terminarem suas atividades antes do jantar.
  — Demorei? Tive que fazer uns garotos do segundo ano pararem de tentar treinar feitiços um com o outro...
  Ela negou com a cabeça.
  — Não sei se é uma boa ideia, Cedrico. – Disse em tom preocupado, ainda olhando para um ponto distante.
  — Do que está falando? – Questionou confuso.
  — Do Torneio Tribruxo, não sei se é uma boa ideia você colocar seu nome no Cálice...
  — Mas você disse...
  — Eu sei! – Cortou rapidamente, Cedrico encostou-se na escada apoiando os cotovelos do degrau de cima e esticando as pernas – Mas é perigoso, Hermione disse que já teve gente que morreu neste Torneio.
  O rapaz sorriu de lado, negando com a cabeça.
  — Você ouviu o Crouch, esse ano teremos novas regras. – Encarou-a confiante.
  — Cedrico Edmund Diggory, mudar a regra para “só alunos acima de 17 anos podem colocar seu nome” não é uma grande ajuda, sabe? Não significa que você não vai se machucar só por ser mais velho.
  Diggory riu puxando levemente a gravata frouxa no uniforme da menina.
  — Fico feliz em saber que se preocupa comigo, , mas eu realmente acho que não deve ser assim tão ruim, esse discurso do Dumbledore e do Crouch parece mais aqueles para “se você não for corajoso, não coloque seu nome”, para eliminar a maioria, sabe?
  — E se não for isso? – Replicou nervosa. – E se for sério? E se realmente for tão perigoso como disseram?
  — Bem, então vou precisar me esforçar mais para ganhar! – Piscou sorridente.
  A garota bufou virando para o outro lado, sabia o quanto ele era corajoso e bom em feitiços, mas não queria que Cedrico se arriscasse daquele jeito, era tão desnecessário.
  Diggory respirou fundo, vendo que a garota não o olhava, abraçava as próprias pernas, mantendo o cenho franzido e a expressão preocupada. Pensou por alguns minutos, pesando os prós e contras daquela ideia. Por fim, suspirou mais uma vez tornando a olhá-la.
  — ... – Ele chamou calmamente, ela o olhou após alguns segundos – Se você me pedir, eu não coloco meu nome no Cálice, mas eu realmente gostaria que você estivesse ao meu lado. Se eu for escolhido... — Suspirou — Se eu for escolhido quero entrar para vencer e gostaria de ter seu apoio.
  A garota o olhou por alguns segundos, a dúvida em sua mente; desde que ele tinha dito que tinha vontade de participar do Torneio ela não conseguiu pensar em outra coisa, tinha certeza que a partir do momento que colocasse seu nome no Cálice, Cedrico seria o Campeão de Hogwarts.
  Quem mais poderia ser?
  Cedrico Diggory era tudo o que a Escola representava.
  Seria o Campeão perfeito!
  Contudo, tinha medo do que poderia lhe acontecer, sabia que não eram apenas palavras vazias do diretor: Se Dumbledore dizia que o Torneio não era para tolos, então era verdade. Seria uma disputa perigosa e, mesmo sem saber quais seriam as provas, tinha certeza que qualquer aula de Poções seria muito mais fácil do que esses testes.
  — Não quero que coloque seu nome, Cedrico. – Disse por fim, encarando as próprias mãos, a voz soou falha e um nó cresceu em sua garganta.
  E se ele mudasse de ideia e dissesse que era problema dela?
  E se colocasse seu nome da mesma forma? O que ela poderia fazer?
  Diggory não fez nem falou nada por cerca de dois minutos, ela sabia que ele deveria estar pensando em todas as suas opções antes de tomar alguma decisão. Por fim, ele ficou em pé ao seu lado e, ainda sem dizer nada, colocou a mão no bolso da calça preta do uniforme antes de se ajoelhar na frente dela, um sorriso tranquilo nos lábios. Puxou a mão da garota abrindo-a sobre a sua e deixando um pedaço de pergaminho, o qual tinha seu nome e sobrenome escritos.
  — Não vou participar, . – Avisou passando a mão na bochecha da garota.
  Ela concordou e então, como na primeira vez que conversaram realmente, jogou os braços em torno de seu pescoço, abraçando-o apertado. Diggory fechou os olhos quando sentiu as lágrimas quentes dela caírem em sua pele, passando os braços por sua cintura e costas.
  — Está tudo bem, ok? Não tem problema.
  — Não quero que você se machuque... – Sua voz saiu abafada contra o pescoço do lufo.
  — Não vou participar, , não vou me machucar, ok? Sentarei ao seu lado e veremos as tarefas juntos, tudo bem? – Sussurrou, tentando acalmá-la.
  Ela intensificou o abraço, apertando o pergaminho em sua mão, negou com a cabeça em seguida, afastando-se levemente.
  — Você não deve deixar de fazer alguma coisa só porque eu estou pedindo... – Fungou, olhando para baixo.
  Cedrico tocou com a mão no queixo da menina, levantando gentilmente sua cabeça e encarando-a nos olhos.
  — Você não está me forçando a nada, só deu sua opinião e eu decidi que não vou participar.
  — E se um dia você acordar e pensar que deveria ter participado? — Começou olhando para o lado, nervosa — Que poderia ter ganho o Torneio e o prêmio, mas desistiu porque eu disse que você não deveria? – Preocupou-se, a respiração descompassada – Você vai me odiar o resto da vida!
  Cedrico riu ao negar.
  — Black, eu nunca seria capaz de te odiar, gosto demais de você para isso! – Piscou, sorrindo ao reparar que ela ficou corada.
  — Só não quero que você se machuque…
  — Eu sei, . Está tudo bem, ok? É só você prometer assistir as provas do meu lado!
  Ela riu concordando com um aceno antes de tornar a abraçá-lo, beijando-lhe a bochecha em seguida.

●●●

  Cedrico imaginou que aquele era o momento perfeito para falar com ela; na noite anterior a loira demonstrou o quanto se preocupava com ele e Diggory havia desistido do Torneio por causa dela, não tinha forma melhor de mostrar o quanto era importante para ele.
  E em uma semana seria o final de semana em Hogsmeade, Cedrico precisava agir rápido.
  Aproveitou quando a encontrou saindo da última aula do dia para conversarem, puxando-a para um canto no corredor sem que ninguém pudesse escutá-los.
  — O que foi?
  Respirou fundo, encarando seus olhos e dizendo antes que, mais uma vez, perdesse a coragem.
  — Você gostaria de sair comigo? — Surpreendeu-se com a calma com que havia dito aquilo, principalmente ao reparar no coração acelerado e nas mãos trêmulas nos bolsos da calça — Vamos poder ir à Hogsmeade no próximo sábado — explicou, sorrindo de canto —, eu gostaria de te levar em um encontro, o que acha?
  Sentia que seu coração talvez pulasse para fora do peito, tamanho o nervosismo. Black o olhou por um instante, dando um sorriso pequeno de lado.
  — Para um bolo e chá, talvez? — Perguntou em voz baixa, Cedrico concordou de imediato.
  — Sim, claro. Aceita? — Tornou a sorrir, esperançoso.
   sentiu uma vontade enorme de chorar, ao invés, respirou fundo e negou com a cabeça.
  — Não, obrigada.
  Deu-lhe às costas, afastando-se apressada, não querendo correr o risco que ele a visse chorar.
  Cedrico ficou parado no corredor vendo-a se distanciar, sem saber o que fazer.
  Fechou os olhos no instante seguinte, seu coração parecia pesar uma tonelada ao bater contra seu peito. Passou a língua pelos lábios, olhando para os lados, parecendo perdido.
  Suspirou passando a mão pelos cabelos, voltando cabisbaixo para seu Salão Comunal.

●●●

  Hermione dava-lhe palmadinhas nas costas sem saber realmente o que fazer naquele momento, vendo-a chorar deitada na cama.
  — Tá tudo bem, , vai passar! — Dizia em voz baixa, ouvindo-a fungar baixinho.
  — Eu jamais esperaria isso dele, Mione, eu sabia que se um dia ele me chamasse seria só como mais uma das meninas com quem ele sai, mas por uma aposta? — Disse com a voz embargada.
  Granger suspirou, concordando com a cabeça.
  — Você tem certeza? Quero dizer… Ele tentou te beijar antes, não foi?
  — Mione — a garota virou-se para olhá-la com os olhos vermelhos —, você acha que faz diferença? Cedrico já beijou metade de Hogwarts, você acha que ele se importaria porque quase me beijou? E ele disse que queria me levar para a Madame Puddfood, o que mais seria senão essa aposta idiota?
  — Sinto muito, , de verdade. Queria poder fazer alguma coisa… — Falou triste, vendo-a passar as mãos pelo rosto, respirando fundo para acalmar-se.
  — Não tem o que fazer, Mione, mas também não vou mais chorar por causa dele, nem de nenhum outro garoto. — Irritou-se ao notar que simplesmente não conseguia evitar as lágrimas — Ah, eu quero morrer!
  Jogou-se de volta na cama, escondendo o rosto no travesseiro.
  Hermione pensou por algum tempo em uma forma de animá-la com alguma coisa.
  — Você sabe quem estava na biblioteca hoje? E até falou comigo? — A viu virar-se curiosa, a sobrancelha arqueada — Vitor Krum! Perguntou se eu poderia ajudá-lo com um livro, porque ele não conseguia achar.
  — Tenho certeza que ele não participaria de uma aposta ridícula como essas — resmungou, logo sentando-se e passando a mão pelo rosto mais uma vez —, e aí, o que aconteceu?

●●●

  Diggory frustrou-se mais ainda ao perceber que estava certo desde o começo, além de não querer sair com ele, isso ainda atrapalhou a amizade dos dois, pois agora ela nem mesmo o olhava quando se encontravam pela Escola.
  Viu-a passar com Potter pelo Salão Principal, sentando-se à mesa da Grifinória para o café-da-manhã, suspirou chateado, apoiando a cabeça na mesa.
  — Ced? — Ouviu a voz do amigo, virando-se para olhá-lo — Resolvi seguir seu exemplo e colocar meu nome no Cálice! — Montgomery sorriu confiante para o colega — Já imaginou se um de nós dois é escolhido?
  — Bem, o único que tem chances no momento é você… — Avisou, colocando o cotovelo na mesa e apoiando a cabeça na mão, sentindo-se um fracassado — Não coloquei meu nome.
  — O quê? Por que não? Achei que tivesse feito no começo da semana! — Falou surpreso, sentando-se ao seu lado e pegando um pouco de suco de abóbora.
  — Eu… Meio que mudei de ideia…
  — Pois mude de novo, vamos lá! Você não quer mais a Glória Eterna e um prêmio de mil galeões?
  — Talvez… — Respondeu em voz baixa, pensando sobre o assunto.
  Olhou por sobre o ombro para a mesa do lado, vendo a garota rindo ao lado do amigo.
  — Que foi que aconteceu com vocês dois? — O moreno perguntou, acompanhando o olhar do colega.
  — Eu a chamei para sair e ela não aceitou — contou suspirando — e parece que também não quer mais falar comigo…
  — Você está dizendo que uma garota finalmente te disse não? Uau.
  — Você seria um amigo melhor se não estivesse rindo da minha desgraça! — Rolou os olhos, vendo-o sorrir culpado.
  — Ced, mais um motivo para você colocar seu nome no Cálice: se estiver preocupado com o Torneio não vai ter tempo de pensar no coraçãozinho partido pela loira!
  Diggory negou com a cabeça, rindo nasalado.
  Voltou a pensar sobre participar do Torneio Tribruxo, não o tinha feito quando pediu, pois ela estava preocupada com ele e os dois eram amigos, mas aparentemente ela não queria mais saber dele, então por que deixaria de participar por causa dela?
  No fundo de sua mente uma luzinha se acendeu, imaginando que ela talvez mudasse de ideia se ele fosse escolhido como Campeão de Hogwarts: talvez o achasse corajoso e passasse a olhá-lo com outros olhos.
  — Você é um péssimo amigo, mas até que teve uma ótima ideia!

●●●

  — Diggory?
  Cedrico virou-se vendo Hermione Granger parada ao seu lado, estranhou por um momento.
  — Aconteceu alguma coisa?
  — Sim e não, nada urgente, só precisava conversar com você.— Explicou, vendo-o concordar com a cabeça, dando-lhe espaço para sentar na mesa com ele ao puxar a mochila para o canto.
  — O que foi?
  — Bem, primeiro de tudo, entenda que eu não estaria aqui se não estivesse há dias vendo você todo chateado andando pra cima e pra baixo e, principalmente, . Porque eu odeio ver minha melhor amiga triste, ainda mais por um garoto.
  Diggory respirou fundo olhando para o lado contrário, vendo Madame Pince ralhar com um grupo de garotas que estava fazendo confusão na biblioteca por causa de Krum, o qual olhava na direção dos dois com a expressão fechada.
  — O que você quer que eu faça? Não posso obrigá-la a sair comigo, não é? Seja em um encontro ou como amigos. — Disse em voz baixa, ainda sem olhar para a morena.
  Hermione suspirou ao seu lado.
  — Sinceramente, nunca achei que você fosse esse tipo de garoto, Cedrico. Sempre pareceu muito melhor que os outros e eu tinha certeza que você realmente gostava dela, mas chamá-la para sair dessa forma? Você realmente acha que isso foi certo?
  — Do que é que você está falando? — Virou-se confuso, o cenho franzido — De que forma? Não fui grosseiro ou qualquer coisa, falei normalmente… Ela disse não e parou de falar comigo, não tem nada que eu possa fazer.
  — Quem sabe se desculpar? — Argumentou, levemente irritada.
  — Me desculpar por convidá-la para um encontro? — Questionou com a voz um pouco mais alta, vendo Hermione olhar de lado para a bibliotecária, confirmando se ela não tinha o escutado. — Você só pode estar brincando!
  Granger fechou os olhos por um momento, respirando fundo antes que perdesse a paciência.
  — Você realmente acha certo o que você fez com ela, Diggory? Porque nesse caso, eu realmente prefiro ela triste agora do que mais pra frente.
  — O que eu fiz? — Tornou tão impaciente quanto a garota — Eu a chamei para sair, o que tem de tão errado nisso? Sei que éramos amigos, mas por isso não deveria nunca a convidar para um encontro para saber se ela teria interesse em mim?
  — Como se você não soubesse. Totalmente se aproveitou disso para tirar vantagem!
  — Do que é que você está falando?
  — Você tenta beijá-la na Copa Mundial e depois faz isso?
  Cedrico abriu a boca por um instante, parte de si um tanto envergonhada pela morena saber o que tinha acontecido, outra por ter ficado ainda mais confuso com a conversa toda.
  — Bem, e sabendo que eu tentei beijá-la não esperava que eu a chamasse para sair em algum momento? Pelo que eu sei, Finningan nem a beijou e a convidou para um encontro, não? E ela aceitou. Devem ter aproveitado bastante! — Frustrou-se, tornando a pegar o livro que estava aberto, dando por finalizada aquela conversa.
  Granger o encarou por incontáveis minutos, pensando se deveria ou não terminar o assunto:
  — Ela não aceitou. — Revelou, suspirando. O lufo a encarou de lado — Quer dizer, disse que iria, mas não apareceu. Simas ficou esperando por horas. Passamos o sábado todo rindo disso...
  Diggory sorriu minimamente ao ouvir aquilo: toda sua frustração da semana tinha sido em vão, porque não estava beijando Simas Finningan.
  — Por que não? — Perguntou em voz baixa.
  — Pelo mesmo motivo que disse não para você! É realmente inacreditável o quanto vocês, garotos, podem ser idiotas. Eu realmente ainda não consigo acreditar no que você fez!
  — Do que é que você está falando? O que tem de tão errado em eu tê-la chamado para sair afinal de contas?
  — O problema foi o motivo, Diggory, deveria saber que uma hora ela descobriria!
  Cedrico abriu a boca, ainda mais perdido do que antes.
  — Do que é que você está falando, Hermione? Eu a chamei para sair porque gosto dela, isso é errado agora?
  — Ah, claro, e sua aposta com os outros rapazes não teve nada a ver com isso, não é?
  — Que aposta? — Questionou verdadeiramente confuso, segundos depois seu cérebro pareceu lembrá-lo de uma conversa que havia tido com os colegas semanas antes — Aquela aposta de números de encontros?
  — Parece que lembrou, não foi? — Sorriu de escárnio, vendo-o negar no mesmo instante.
  — Do que é que você está falando? Eu nem estou participando daquilo! — Explicou, passando a mão pelos cabelos — Soube dela por causa do Monty e do Daves, ficamos zoando Parker e os outros caras do nosso ano que estavam participando... Só soube disso muito depois de pensar em chamar para sair, só não o fiz antes porque não tive coragem. Que é que isso tem a ver?
  Hermione o encarou por algum tempo, olhando-o atentamente como se esperasse pegá-lo mentindo.
  — Você realmente não está envolvido com essa aposta?
  — É claro que não, por que eu precisaria disso? Além do mais, a única garota que eu estava interessado em sair esse ano era , mas ela já me dispensou, não foi?
  — Cedrico… — A garota arfou, agitando as mãos — Ela entendeu errado! Simas a chamou para sair por causa dessa aposta!
  — É, que seja, ela aceitou, não foi?
  — Não! — Apressou-se em explicar — Ela inventou uma desculpa na hora para não precisar falar com ele, depois a Gina nos contou sobre essa aposta, só disse que sairia com o Simas para deixá-lo esperando!
  Cedrico arqueou a sobrancelha, pensando sobre o assunto.
  — De qualquer forma, descobrimos sobre a aposta pouco antes de você chamá-la para sair, como você falou em Hogsmeade e na Madame Puddfood, ela achou que era por causa da aposta, já que esses são os termos!
  — O quê? Foi ela que falou de chá e bolos! Eu só a chamei para ir à Hogsmeade, poderíamos ir ao Cabeça de Javali se ela quisesse — respondeu, negando com um aceno.
  — Pois bem, ela entendeu que você estava a chamando por causa da aposta, quando você concordou com ela sobre o lugar, teve certeza. É por isso que tem te evitado, porque ficou magoada pensando que, de todos os garotos, você também tentaria usá-la em uma aposta!
  — Eu nunca faria isso! Que é que tem de errado com ela? — Indignou-se, passando a mão pelos cabelos — Achei que me conhecesse melhor do que isso.
  — Bem — Mione sorriu pequeno, dando de ombros —, como você nunca mais falou do quase beijo de vocês, ela achou que era só coisa do momento, depois apareceu essa história toda de aposta… Um mais um é igual a dois, não?
  Cedrico negou com a cabeça, bufando.
  — Não acredito que… Espera… — Virou-se para Hermione, passando a língua pelos lábios — Se não fosse essa confusão, ela teria aceitado meu convite? Sairia comigo?
  Granger encarou-o por um instante, sorrindo amarelo.
  — Nossa, olha a hora, eu ainda tenho tanto para estudar… Até mais, Cedrico!

TREZE

  O lufano andou direto até a mesa da Grifinória, sentando-se ao lado da loira por um instante.
  — Preciso falar com você, pode ser hoje antes da seleção?
  A garota o encarou, não parecendo muito animada, mas concordou com um aceno.
  — Ótimo, a sala do Professor Binns vai estar vazia, te vejo após o término das aulas, ok? — Sorriu quando ela concordou, beijando-lhe a bochecha antes de levantar-se e se sentar na própria mesa.
  Hermione arqueou a sobrancelha em sua direção, sorrindo para a amiga, apenas rolou os olhos, negando antes de terminar de almoçar.
  Black fingia que não tinha nada a incomodando, mas na verdade estava contando os minutos para suas aulas terminarem e poder encontrar-se com Cedrico, continuava magoada, mas pelo menos seria bom esclarecerem as coisas, pois ela já tinha preparado mentalmente todas as respostas que poderia dar durante a briga (porque sim, ela tinha certeza que eles discutiriam!).
  Quando a última aula de Transfiguração terminou, a garota deixou sua mochila com Harry e seguiu para o segundo andar, para a sala de História da Magia.
  Respirou fundo antes de abrir a porta, já encontrando Diggory sentado em uma das mesas balançando as pernas agitado enquanto a esperava. Sorriu assim que a viu ali, levantando-se no momento seguinte.
  — Oi!
  — Olá, — respondeu cruzando os braços, aproximando-se devagar — o que quer?
  Cedrico mordeu o lábio inferior, tinha considerado seriamente apenas aproximar-se dela e beijá-la como tinha vontade, mas talvez piorasse as coisas, por isso preferiu seguir o plano de se explicar primeiro:
  — Você sabe que eu gosto de você, não é? — Questionou colocando as mãos nos bolsos da calça. A garota arqueou a sobrancelha, olhando-o desconfiada — De verdade, gosto muito da amizade que temos, muito mesmo e, é sério, se você quiser ser sempre apenas minha amiga eu já vou ficar satisfeito, porque os últimos dias que não conversamos têm sido horríveis. — Contou, passando a língua pelos lábios ao tempo que ela sentou-se em uma das mesas próximas — Contudo, a verdade é que eu realmente gosto de você. Muito mesmo. — Enfatizou — Estou desde o ano passado pensando em um jeito de te chamar para sair. Só que todas as vezes que eu tentei não deram certo, foi por isso que eu simplesmente te beijei, ou tentei, na Copa Mundial. — Respirou fundo, sorriu de canto ao vê-la corar olhando para baixo. — Fiquei dias pensando em te chamar para um encontro, mas não sabia se era uma boa ideia porque imaginei que as coisas poderiam ficar estranhas se você dissesse não, ou se algo acontecesse e não desse certo. — Aproximou-se, sentando na mesa de frente a dela — Quando te chamei semana passada era porque eu realmente queria sair com você, não tem nada a ver com aposta ou qualquer outra coisa, eu nem mesmo estou participando disso. — Afirmou, a garota concordou com um aceno embora não dissesse nenhuma palavra — Quando você disse ‘não’, eu achei que você simplesmente não queria sair comigo, porque não tem nenhum interesse em mim, se soubesse que você entendeu tudo errado já teria explicado na mesma hora. Nem me passou pela cabeça aquela aposta. E eu juro pra você, eu nunca te usaria dessa forma. Eu só queria te chamar para um encontro porque eu gosto de você, .
  A loira respirou fundo olhando para os próprios pés, sentia o coração bater acelerado e borboletas no estômago, mas não tinha nenhuma resposta pronta, porque ela estava preparada para uma briga, não para uma declaração.
  — Hm… — Começou, incerta. Cedrico continuou a encarando em expectativa — Você ainda quer…? — O lufo franziu o cenho confuso, o encarou por um instante, completamente sem graça — Sair comigo…?
  Diggory abriu um sorriso.
  — Mais do que qualquer outra coisa na minha vida.
  A loira concordou sem graça, segurando a vontade de rir ao escutar aquilo, olhando para o lado.
  Diggory passou a língua pelos lábios, inclinando-se em sua direção e tocando sua mão com a dela.
  — , você aceita um encontro comigo? Pode escolher o lugar que quiser.
  A garota riu, completamente envergonhada antes de tornar a olhá-lo.
  — É… Tudo bem, vai ser legal…
  O sorriso no rosto de Cedrico alargou, mal conseguia conter a vontade de rir ou de beijá-la, mas esperaria um pouco mais para aquilo.
levantou-se da mesa instantes depois, embora sorrisse e estivesse realmente feliz com aquilo, também estava extremamente sem graça na frente de Diggory.
  — Acho melhor irmos, já deve estar começando… — Apontou para a porta, já virando-se para a mesma. Diggory então pigarreou, lembrando-se de um detalhe importante. — O que foi?
  — Eu… Coloquei meu nome no Cálice de Fogo…

●●●

  Estavam todos no Salão Principal aguardando o anúncio dos Campeões, os alunos estavam agitados e o barulho quase insuportável, os professores e diretores sentados na mesa principal conversavam entre si, sem parecer se importar com a bagunça ao redor.
  Os convidados também conversavam animados, alguns interagindo mais do que outros com os estudantes: os búlgaros ainda demonstravam certa surpresa com tudo o que viam em Hogwarts, enquanto os franceses pareciam fazer pouco caso e olhavam torto para toda aquela agitação, assim como na primeira noite em que chegaram ao castelo, na qual Dumbledore pediu para todos cantarem o hino da Escola.
  Cedrico estava na mesa da Lufa-Lufa como de costume, cercado de seus amigos, tinha um misto de sentimentos em seu peito: parte de si estava extremamente feliz por saber que finalmente conseguiria sair com . Depois de todo aquele tempo conseguiu coragem para se declarar e eles tinham um encontro marcado. Contudo, outra grande parte estava nervosa, ansiosa.
  Não parava de pensar no que poderia acontecer se ele não fosse escolhido pelo Cálice de Fogo.
  , embora estivesse totalmente chocada com o que ele havia feito, disse ter certeza que ele seria o Campeão de Hogwarts, mas e se ele não fosse tão bom quanto ela pensava?
  E se ele não tivesse coragem o suficiente e apenas o Cálice soubesse daquilo?
  A garota poderia ficar desapontada com ele, sabendo que Cedrico não era o que ela esperava.
  Olhou em direção à mesa da Grifinória, logo a encontrando conversando com os gêmeos Weasley, rindo de algo que eles diziam. Respirou fundo, fechando os olhos por um momento.
  Como ele se sentiria se não fosse escolhido?
  Cedrico estava confiante, achava que tinha tudo o que precisava para participar do Torneio Tribruxo, achava que poderia tentar vencer por Hogwarts, pela Lufa-Lufa.
  Sabia que ficaria realmente triste se não fosse selecionado, porque nada do que dissessem seria o suficiente: Por mais que se esforçasse, Cedrico nunca seria bom o bastante.
  Tornou a abrir os olhos, sentindo que poderia vomitar a qualquer instante.
  Seu olhar encontrou com o de Black, a qual sorria em sua direção: “boa sorte”.
  Diggory sorriu de volta, acalmando-se aos poucos.
  Pouco depois, Alvo Dumbledore levantou-se pedindo silêncio absoluto e baixando a iluminação de todo o Salão. Os professores aproximaram-se para olhar, enquanto Argo Filch depositava o Cálice em frente às quatro mesas e o diretor andava até o mesmo.
  A apreensão tomou conta do Salão Principal, ninguém parecia nem mesmo respirar, ninguém se movia, apenas olhavam para o Cálice, o qual começava a soltar faíscas azuladas.
  Menos de um minuto depois um pedaço de pergaminho saiu do mesmo e Dumbledore o pegou no ar.
  — O Campeão de Durmstrang é Vitor Krum! – Anunciou em voz alta.
  Os búlgaros levantaram comemorando, apertando as mãos do Apanhador enquanto ele andava até o mais velho e, então, virou-se em direção a uma sala escondida na câmara atrás da mesa dos professores.
  Novamente o Cálice começou a soltar faíscas azuis e pouco depois o diretor gritou:
  — A Campeã de Beauxbaton é Fleur Delacour!
  Os alunos espalhados com o pessoal da Corvinal não pareceram nem um pouco felizes quando a garota loira levantou-se sorridente, seguindo pelo mesmo caminho de Krum.
  A tensão era ainda maior nesse momento, todos esperavam pelo Campeão de Hogwarts, quem iria representar a Escola? As opções eram tantas, mas no fundo três das quatro Casas torciam para que não fosse ninguém da Sonserina.
  — O Campeão de Hogwarts é... – Começou novamente Dumbledore, Diggory fechou os olhos, prendendo a respiração, seu cérebro não parecia trabalhar assim como o resto dos seus órgãos vitais, seu coração parou por alguns instantes – Cedrico Diggory!
  Uma onda de aplausos e gritos tomou todo o Salão, mesmo os professores da escola aplaudiam o lufano. A mesa da Lufa-Lufa era a mais barulhenta, todos queriam levantar e parabenizar o colega.
  Cedrico virou-se para olhar em outra direção enquanto sentia Montgomery se pendurar em suas costas, olhando para a mesa da Grifinória na qual os alunos o aplaudiam, mas não era deles que ele queria o parabéns:
estava sentada, os cotovelos na mesa e as mãos juntas apoiando o queixo nas mesmas, sorriu para ele quando seus olhares se encontraram.
  Confiava nele, sabia do que ele era capaz, mas estava preocupada e Diggory notou, sorrindo para ela e sussurrando “Vejo você depois” e então foi até Dumbledore.

●●●

  Rolou os olhos quando Harry Potter disse que não tinha colocado seu nome do Cálice, pois era óbvio que ele tinha feito alguma coisa. Não existia outra forma de ter o nome no torneio sem pedir para outro aluno colocá-lo. Sabia que Daves e os gêmeos Weasley haviam tentado um feitiço de envelhecer para enganar o objeto, mas falharam miseravelmente: os três ainda tinham as barbas presentes em seus rostos, mesmo depois de uma semana.
  Seguiram juntos até sair do Salão Principal e chegarem ao começo das escadas, então viram sentada no terceiro degrau, ambos pararam e ela sorriu para os dois.
  — Ótimo, não era suficiente me preocupar com o lufo agora tem você também? – Negou com a cabeça para Harry que sorriu de leve.
  — Não coloquei meu nome, .
  — Eu sei. – Disse sincera.
  Foi naquela troca de olhares entre os dois que Cedrico desejou imensamente quebrar a cara de Potter, mas ao invés disso virou-se começando a andar em direção ao seu dormitório.
  — Boa noite. — Falou simplesmente, dando as costas.
   arqueou a sobrancelha ao vê-lo se afastar devagar, rolou os olhos entediada.
  — Me espera no Salão Comunal, ok? – Pediu baixinho para Harry, o moreno concordou subindo as escadas. ainda teve que correr um pouco para alcançar Cedrico, quase no final do corredor.
  — Agradeceria se você parasse de andar! – Disse ao puxá-lo pelo braço fazendo com que se virasse.
  — Você deveria voltar para seu quarto. – Murmurou sem olhá-la.
  — Estou ocupada tentando dar os parabéns para o Campeão de Hogwarts! – Cruzou os braços, a ironia presente em cada palavra.
  — Um deles, você quer dizer. – Reclamou ao encará-la.
  — Tanto faz – deu de ombros – o Campeão que, de fato, queria participar mesmo quando eu disse que seria milhões de vezes mais feliz se não o fizesse.
  Cedrico franziu o cenho, passando a língua pelos lábios finos.
  — Você realmente acredita que ele não colocou o nome no Cálice? — Questionou, cruzando os braços.
  — Sim, acredito. Se fosse com você eu também acreditaria. — Suspirou, encarando-o por um instante — Você sabe que Potter é meu melhor amigo, Cedrico, sempre soube disso. Talvez você não goste dele ou não confie no que Harry diz, mas eu sim.
  Diggory concordou com um aceno, respirando fundo. A última coisa que precisava era começar um ataque de ciúmes sempre que a visse com Potter, principalmente antes mesmo dele conseguir, de fato, seu primeiro encontro com a garota.
  — Desculpe, só fiquei com raiva quando soube que ele participaria do Torneio.
  — Imagino que sim, talvez eu sentisse o mesmo no seu lugar. — Concordou, passando a mão pelos cabelos — Enfim, vim te dar os parabéns mesmo você não merecendo! — Arqueou a sobrancelha, vendo-o sorrir de lado. — Eu disse que você seria escolhido, não foi? Agora é bom se cuidar para não se machucar ou algo do tipo...
  Cedrico riu escorando-se na parede próxima, cruzando os braços.
  — Não vai querer sair comigo se eu me machucar, é? — Questionou divertido, vendo-a corar.
  — Ah, cala a boca! — Respondeu sem graça, fazendo o sorriso nos lábios dele aumentarem — Boa noite, Diggory.
  — Espera! — Puxou-a antes que a garota lhe desse as costas, inclinando-se em sua direção e beijando-lhe demoradamente a bochecha, próximo aos lábios — Mal posso esperar pelo nosso encontro — piscou, vendo-a concordar tímida —, boa noite, Black!

●●●

   estava em pé encostada no corrimão de pedra da escadaria principal, a expressão séria durante a leitura do artigo sobre o Torneio Tribruxo no Profeta Diário. Cedrico, que parecia extremamente chateado, estava sentado no degrau em frente olhando para o pessoal que andava pelos jardins. suspirou abaixando o jornal e tornando a entregar para o loiro.
  — Nem mesmo meu nome!
  — Sabe como Skeeter é ridícula, não se pode esperar muito dela, não?
  — É como se eu não existisse. – Negou frustrado.
  — Ei! – Puxou sua gravata fracamente – É claro que você existe, todo mundo que interessa sabe disso, se ela é uma repórter patética e trabalha para um jornal ridículo, não é nosso problema, huh? – Sorriu para ele – Vamos lá, ninguém realmente acredita no que ela escreve!
  — Ninguém? – Arqueou a sobrancelha – , todo mundo acredita nela!
  — Todo mundo é idiota, fazer o quê? – Deu de ombros. – Vem comigo!
  — O que vai fazer? – Perguntou sem levantar-se, embora tivesse pegado a mão dela no mesmo instante em que esticou em sua direção.
  — Nada, mas vamos fazer nada juntos ou podemos pensar em um jeito de sabotar essa mulher, você pode escolher a programação de hoje!
  Cedrico negou com a cabeça, sorrindo triste.
  — Deveria ter imaginado, todas as atenções são dele, não é? Nem Krum foi tão citado...
  — Cedrico... – Chamou seu nome de forma arrastada, sentado ao lado do lufo – Eu não vou dizer que eu sei como você se sente, porque eu não sei. Até porque eu jamais colocaria meu nome naquele Cálice, sou legal demais para me arriscar em uma competição como essa, você sabe... — Piscou, fazendo pose e vendo-o rir baixo -, mas não fica assim por causa dela. Todo mundo aqui sabe que você está participando e sabem o quão legal e maravilhoso você é. Você é um ótimo jogador e Capitão de Quadribol, até fez seu time mais ou menos vencer o meu, que é mil vezes melhor…
  — O que foi que você disse? — Os dois riram antes dela continuar enumerando.
  — Você é o melhor aluno do sexto ano, fez minhas notas melhorarem de uma forma que até McGonagall me elogiou. É um excelente Monitor, mesmo nunca me dando advertência quando eu quebro as regras, não que eu esteja reclamando, é um amigo maravilhoso... Quem realmente importa sabe quem é Cedrico Diggory. – Sorriu passando a mão nos cabelos dele – Você preferia que Skeeter colocasse seu nome e falasse alguma besteira como sempre faz? Fleur foi descrita como “a Campeão bonitinha de Beauxbaton”. Você preferia ser citado como “O Campeão bonito de Hogwarts”? Parece muito vazio ao meu ver, você é muito mais do que isso. E tenho certeza que até a Fleur, mesmo parecendo metida, deve ser mais do que “uma campeã bonitinha”.
  Cedrico suspirou concordando com a cabeça, abrindo um sorriso.
  — Obrigado!
  — Por dizer que você é bonito? – Questionou rindo.
  Cedrico arqueou a sobrancelha estufando o peito, rindo junto dela pouco depois.
  Ficaram em silêncio por alguns instantes até o rapaz bufar e voltar a franzir o cenho.
  — O que foi?
  — Meu pai vai ler isso, não quero nem imaginar...
  — O que quer dizer?
  — Ele não vai ver desse jeito bonitinho que você falou, vai ver que meu nome não está no jornal, apenas o de Harry... – Suspirou passando a mão pelos cabelos – Não duvido que ele mande uma coruja ao Profeta, reclamando da matéria...
  — Diggory?
  — Sim?
  — Eu gosto de você, tá? Se quiser faço uma matéria contando sobre como você é maravilhoso e espalho pela Escola!
  Cedrico gargalhou antes de negar, passando o braço pelos ombros da loira, piscando em sua direção.
  — Você sabendo é suficiente para mim!

●●●

   foi ao encontro do loiro no final do corredor do sexto andar, parecendo um tanto surpresa pelo horário que ele havia marcado: quando se viam após o horário era perto das 20h, não próximo às 22h. Sentou-se no pé da estátua esperando por ele. Encolheu-se ao ouvir passos se aproximando, torcendo para que não fosse Filch ou Snape, respirando aliviada ao notar segundos depois que era Cedrico quem andava apressado.
  — Desculpe a demora, me enrolei com Filch mais cedo e tive que esperar um tempo para conseguir subir sem ser visto. — Explicou-se, passando a mão pelos cabelos desalinhados antes de sorrir em sua direção, animado por vê-la.
  — Sem problemas, mas o que era tão urgente que me chamou esse horário? — Questionou confusa, levantando-se quando ele estendeu a mão.
  — Bem, achei que estava demorando muito para conseguirmos um final de semana em Hogsmeade, então resolvi montar nosso encontro aqui mesmo — sorriu, vendo-a encará-lo assustada. — Algum problema?
  — Não, eu só… — Pigarreou, sem graça — Só não estava esperando isso agora...
  Sentiu-se nervosa por ser algo repentino, não que não estivesse ansiosa para saírem em Hogsmeade, mas era algo que ela poderia se preparar com bastante antecedência, o que não era o caso naquele instante, foi pega totalmente de surpresa.
  Seguiu Cedrico pelo corredor em direção as escadas e logo estavam entrando na Torre de Astronomia, a qual encontrava-se desocupada.
  — Sua ideia de encontro é melhorar minha nota? — Perguntou divertida, escutando a risada rouca dele ao seu lado, ao tempo que abria o alçapão de acesso à sala.
  — Não que fosse uma péssima ideia, não é? — Disse aos risos — Mas só estamos emprestando a sala, porque foi a única ideia que eu tive de verdade… — Sorriu sem graça — Tive aula aqui ontem e a Prof. Sinistra avisou que hoje seria uma noite estrelada e com bastante visibilidade.
   olhou ao redor quando terminou de subir as escadas, de fato, o céu escuro estava incrivelmente estrelado e quase sem nenhuma nuvem aparecendo. Não se lembrava de já ter visto uma noite tão bonita em Hogwarts. Aproximou-se da ponta da Torre, olhando para o terreno da Escola: o Campo de Quadribol mais ao fundo e o Lago Negro com a embarcação de Durmstrang do outro lado. Também conseguia ver o terreno que se estendia na Floresta Negra com suas árvores altas, olhou em direção a cabana de Hagrid, podendo vê-lo andar em direção à Floresta acompanhado de alguém que não conseguia identificar devido à distância.
  — Bonito, não é? — Ouviu a voz de Cedrico ao seu lado quando o lufo também encostou-se nas grades de proteção para olhar o terreno e o céu, inclinando-se sobre a mesma e apoiando os braços.
  — Então é aqui que você vem quando tem um encontro? — Perguntou visivelmente curiosa.
  Diggory arqueou a sobrancelha, olhando-a por um instante antes de negar rindo:
  — Vai soar horrível dizer isso, mas não tenho um terço de preocupação para isso e, acho que você talvez se lembre, não é como se eu fizesse muita questão de procurar algum lugar que não seja a biblioteca ou algum corredor deserto… — Deu de ombros, vendo-a concordar.
  Ficaram em silêncio por um instante, sentindo uma brisa bater em seus rostos ao tempo que ainda olhavam a paisagem.
  — Você realmente acha que eu só quero uns beijos e pronto, não é? — Questionou, olhando-a de perfil. Não parecia triste, apenas constatava o óbvio. A garota deu de ombros sem saber como responder, embora fosse exatamente aquilo que ela pensasse — Bem, queria que soubesse que não é nada disso, a menos que você prefira assim.
  — Não me leve a mal, Ced, mas não tinha como imaginar algo muito diferente, já tendo te visto pelos cantos com várias garotas diferentes… — Respondeu em voz baixa.
  Diggory concordou, sorrindo pequeno.
  — Eu entendo — disse passando a língua pelos lábios, antes de tornar a encará-la —, mas gostaria de te provar o contrário. — A loira o encarou de volta, sorrindo constrangida — Eu realmente gosto de você, , de um jeito que me faz não conseguir me concentrar em mais nada. — Contou, brincando com uma mecha do cabelo solto dela.
  — Talvez você já tenha percebido que também gosto de você, Diggory. — Soprou baixo, vendo-o sorrir largamente em sua direção.
  Encaram-se por mais alguns instantes e sentiu o coração bater acelerado, as mãos formigavam, aguardando que ele tornasse a se aproximar como havia feito dois meses antes durante a Copa Mundial.
  — Com fome? — Ele perguntou pouco depois, controlando-se o máximo que podia para não aproximar-se mais e beijá-la. Era o que mais queria fazer, mas ao mesmo tempo queria ter certeza de que Black saberia que ela não seria apenas mais uma garota com quem ele saia. Queria que entendesse de verdade o quão importante era para ele.
  — Não exatamente, mas não é como se eu não pudesse comer… — Deu de ombros, vendo-o rir e concordar, afastando-se momentaneamente.
   pode vê-lo puxar uma cesta de um canto, a qual ela não havia reparado anteriormente.
  Diggory estendeu uma toalha no chão e a loira aproximou-se para ajudá-lo.
  — Tenho sanduíches e bombas de chocolate, junto de suco de abóbora, achei que não seria uma boa ideia te dar cerveja amanteigada no primeiro encontro, principalmente porque precisaria envolver os gêmeos Weasley para o contrabando! — Piscou, vendo-a gargalhar.
  Sentaram-se lado a lado, conversando sobre coisas aleatórias enquanto comiam. Quando terminaram continuaram sentados sobre a toalha, Cedrico apenas afastou a cesta e o restante da comida que havia sobrado, deixando-lhes com mais espaço. Esticou as pernas, relaxando e apreciando a paisagem e a companhia, cobriu-os com uma coberta que havia trazido consigo, imaginando que poderia esfriar devido ao horário e o local ser totalmente aberto; a última coisa que queria era gripada no dia seguinte.
  Diggory sabia que nunca havia se sentido tão calmo e relaxado quanto naquele momento, o que era engraçado, pois seu coração continuava a bater acelerado, como se tivesse acabado de terminar uma partida de Quadribol.
  — O que acha que vai ser a primeira prova? — Ela perguntou quando começaram a falar sobre o Torneio. Cedrico suspirou, dando de ombros.
  — Nem ideia, mas Dumbledore avisou que testariam nossa coragem, não é? Estou imaginando algo um tanto assustador...
  — Desde que não seja um daqueles Explosivins de Hagrid! — Comentou, coçando o nariz.
  Diggory fez uma careta.
  — Graças a Merlin eles não estão grandes o suficiente para colocarem na prova, a menos que consigam outros…
  — Tá vendo, é por isso que eu falei para você não colocar seu nome! — Suspirou, negando.
  O rapaz concordou com um aceno, não tendo mais nada para responder sobre o assunto.
  Virou-se para encará-la, reparando que a garota olhava para o céu pelas partes abertas da cobertura da Torre, aproveitando para observá-la por mais tempo.
  — Que foi? — Questionou curiosa, o cenho franzido ao notar o olhar dele sobre si.   Cedrico achou que se não fosse naquele momento, talvez nunca mais tivesse coragem.
  — Eu realmente quero beijar você agora — disse simples, a voz pouco mais alta que em um sussurro, inclinando-se em sua direção.
  A garota sentiu o coração bater apressado, ansioso, parecia que sairia por sua garganta, mas não teve tempo de pensar em mais nada, pois no instante seguinte os lábios de Cedrico Diggory estavam sobre os seus.
  Começou apenas com a mesma pressão da outra vez, porque Diggory sentia como se precisasse de alguns segundos para entender o que acontecia e poder fazer algo. Então, lentamente, curvou os lábios sobre os dela, beijando-lhe suavemente por alguns instantes, logo usando a mão que não servia de apoio para seu corpo para brincar com uma mecha do cabelo dela.
pareceu relaxar pouco depois e Cedrico aproveitou para aprofundar o beijo, abrindo um pouco sua boca de encontro a dela, usando a língua após algum tempo.
   não soube o que fazer durante os primeiros instantes, talvez minutos; sentia-se extremamente nervosa com tudo, além de ser uma experiência nova. Contudo, após algum tempo relaxou, apenas correspondendo ao beijo de Diggory, logo sentindo a estranha sensação de ter a língua dele dentro de sua boca, demorando um pouco para acostumar-se com aquilo.
  Sentiu a mão do lufo em seu pescoço, os dedos do rapaz acariciando seu rosto, ao mesmo tempo que a pressionava contra ele com cuidado. Não soube o que fazer com as próprias mãos em um primeiro momento, mas logo passou uma pela cintura dele, puxando de leve sua camisa.
  Cedrico sorriu durante o beijo, mal acreditando que aquilo estava realmente acontecendo depois de tanto tempo. Parou por um segundo, mas logo voltou a encostar os lábios no dela.
  Ficaram assim por alguns bons minutos, até a garota afastar-se momentaneamente, já sem ar. Diggory abriu os olhos mantendo um sorriso no rosto, logo vendo-a fazer o mesmo, embora extremamente constrangida, mordendo o lábio inferior.
  O lufo suspirou, passando a mão pelos cabelos.
  — É realmente bem melhor do que eu tinha imaginado, sabe? — Comentou sorrindo, vendo-a rir sem graça. — Está tudo bem?
  Black concordou, ainda sentindo o rosto vermelho e o corpo quente, aproveitando a breve distância para regular a respiração e as batidas do coração, tornando a recostar-se na grade atrás dos dois, olhando para fora.
  Diggory repetiu o gesto, ainda tentando controlar o sorriso enorme que escapava por seus lábios.
  Após algum tempo de silêncio, no qual ouviam apenas o barulho do vento, Cedrico estendeu lentamente a mão até alcançar a direita de , um tanto trêmula, que estava no colo da garota, entrelaçando seus dedos segundos depois.
  Notou quando ela respirou fundo e um sorriso de canto brotou nos lábios dela.   Continuaram em silêncio de mãos dadas, apenas curtindo a presença um do outro, até repararem que era quase uma hora da manhã e ambos precisavam dormir para as aulas no dia seguinte.
  Começaram a andar lado a lado assim que saíram da Torre de Astronomia, e Diggory não esperou nem três passos para tornar a entrelaçar sua mão com a da garota, gostando da sensação.
  Acompanhou-a até o corredor de acesso ao Salão Comunal da Grifinória, parando pouco antes do último lance de escadas.
  — Nos vemos amanhã? — Perguntou sorrindo, vendo-a rir baixo, ainda bastante constrangida.
  — Já é amanhã, Cedrico!
  — Ok, melhor ainda, te vejo depois! — Piscou, aproximando-se mais uma vez para beijá-la, mas por bem menos tempo do que gostaria, afastando-se pouco depois e encostando suas testas.
  — Foi um ótimo primeiro encontro, obrigada! — A garota sussurrou com o rosto corado.
  Diggory sorriu ainda mais, dando-lhe um selinho demorado.
  — Eu mal posso esperar pelo segundo!

QUATORZE

  Os dois estavam sentados embaixo de uma árvore nos jardins afastados dos outros alunos, os quais, em grande maioria agora usavam bottons em apoio à Cedrico, o que deixava Harry irritado.
  Acostumou-se apenas com Malfoy e o pessoal da Sonserina o incomodando, mas quando toda a escola parecia contra ele as coisas eram ainda piores.
  — Weasley é tão idiota! – comentou ao ver o ruivo passando ao lado de Dino e Simas, não falavam com Rony desde o dia do sorteio, semanas antes. — E ainda está andando com o Simas, aquele insuportável!
  — Você pode falar com ele, sabe? – disse coçando levemente a cicatriz, achava engraçado ela o defender daquela maneira e, ao mesmo tempo, era grato por poder contar com sua amizade, assim como a de Hermione, porém, não passava tanto tempo na biblioteca quanto a amiga. — E eu nunca soube o que o Simas disse depois que você não apareceu no encontro. — Virou-se rindo da garota, que rolou os olhos.
  — Nem abriu a boca, não é? Descobriu antes que eu pudesse azará-lo que eu sabia sobre a aposta, começou a me evitar depois daquele dia. – Negou com a cabeça, voltando a olhar as crianças do primeiro ano tentando fazer alguns feitiços, imaginou que talvez estivessem duelando. – E sobre o Rony; não acho certo, mas até posso entender o resto da escola estar “contra” você – comentou fazendo aspas com os dedos –, mas Rony não acreditar no que você diz é extremamente estúpido!
  — Como eu ano passado quando soube que você era filha do Sirius? – Harry questionou sorrindo pequeno, a sobrancelha arqueada.
  — Exatamente assim, mas ainda envolvia sua família, não é? Agora, não vejo como você participar do Torneio, contra sua vontade, envolve Rony. – Suspirou, ainda prestando atenção nos alunos mais novos.
  — Mione disse que ele deve estar com ciúmes... – comentou dando de ombros, brincando com um pedaço de grama.
   bufou, voltando a encarar o amigo.
  — Pelas barbas de Merlin, ciúmes do quê? De você participar de um Torneio que pode te matar? Ele tem medo até da McGonagall! – protestou exasperada, o moreno riu concordando.
  — Ei, Potter! – Um grupo de alunos da Sonserina parou em frente aos dois apertando os bottons em seus peitos, os quais mostravam “Potter Fede”.
  — Vocês não têm que ir lamber os pés do Malfoy não? Acho que estão atrasados – retrucou a garota ao reconhecer três deles como do grupo de Draco.
  Harry esperou até que se afastassem antes de voltar a falar.
  — Obrigado, mas não dava para esperar muito deles, não é? Sonserina – reclamou dando de ombros, os alunos daquela Casa nunca foram muito simpáticos com ele, embora naquele ano parecessem insuportavelmente piores.
  — Sabe o que mais me incomoda? Você não se importar. Se fosse comigo já tinha usado alguma das Gemialidades Weasley com eles ou talvez algo pior... – comentou considerando essa possibilidade. – Aliás, o que mais me aborrece é ter tanta gente da Lufa-Lufa usando, achei que eles eram mais legais que isso. – Apontou quando alguns alunos de amarelo passaram por eles, xingando Harry. – Vão treinar Quadribol, seus desocupados, quem sabe vocês aprendam a voar!
  — Cedrico, seu namorado, é da Lufa-Lufa e joga Quadribol, lembra? Ele é o Capitão do time. – Riu ao ouvir o que a amiga tinha dito, olhando-a de lado.
  — Mais um motivo, deveria treinar melhor esse time. Esperava mais dele também, achei que falaria com os amigos para não usarem esses negócios! – Encostou-se na árvore, ainda xingando todos que passavam ofendendo Harry. — E ele não é meu namorado.
  — O que? — Riu irônico, olhando-a de soslaio. — Agora vocês estão por aí se amassando por nada?
  A garota negou com a cabeça, sentindo o rosto corar levemente.
  — Não estou me amassando com ninguém, Raio — resmungou. — Foram uns beijos, e só estamos saindo, ele não me pediu em namoro.
  — De repente é porque você está ofendendo o time de Quadribol dele! — argumentou ao vê-la xingar mais uns alunos que passavam, parte de si um tantinho satisfeita em saber que a loira não tinha nada “sério” com Diggory, podiam terminar a qualquer momento. — Está perdendo seu tempo, Mione disse que se eu continuar ignorando, eles param... Mas é um saco – confessou ajeitando os óculos que escorregavam por seu nariz.
  — Granger é muito pacifista. Eu, como filha do Comensal mais perigoso que o mundo bruxo já conheceu – os dois gargalharam –, digo que você deve contra-atacar, fazer alguma coisa. Enfeitiça alguns deles e os outros ficarão com medo. Por Merlin, Potter, você enfrentou cem dementadores ano passado, pode assustar esses idiotas!
  O moreno negou com a cabeça, embora tivesse considerado essa opção.
  — Só arrumaria mais confusão com todos… E eu perderia pontos pra Grifinória, não é? Estou tentando me comportar esse ano. — Piscou fazendo-a rir. — Mas espero que isso pare depois da primeira prova...
  — Vai contar para Cedrico sobre os dragões? – perguntou interessada, olhando-o de canto.
  Potter franziu o cenho ao encará-la confuso.
  — Achei que você já tivesse dito!
  — Eu não, não estou participando do Torneio, quem tem que saber o que diz é você. — Deu de ombros, não querendo se envolver, entretanto, sabia que o amigo não deixaria o lufo no escuro.
  Harry suspirou, negando com a cabeça.
  — Falo com ele na próxima vez que o vir, contanto que vocês não estejam se agarrando…
  — Ah, cala a boca, Potter! — Socou de leve o ombro, escutando sua risada. — De qualquer forma, para quem já matou um basilisco no segundo ano, tenho certeza que dragões serão como uma partida de Quadribol pra você!
  O garoto sorriu um tanto envergonhado, o que, nos últimos meses, não parecia uma surpresa: Harry vinha reparando que sempre ficava vermelho quando o elogiava de alguma forma, sentia o rosto esquentar e as mãos suarem.
  — Foi diferente e não tinha uma plateia para avaliar meu desempenho — respondeu, encarando as próprias mãos e esfregando uma na outra.
  — Não seja tão humilde, Raio! Você se sairá bem, acredito em você!

●●●

  Diggory se despediu dos amigos quando viu a loira voltando do Corujal, chamando-a quando se aproximou o suficiente. parou de braços cruzados, olhando séria para ele.
  — O que foi? – perguntou assim que parou a sua frente.
  — Achei que você seria um pouco mais legal com Harry.
  — Do que está falando? – Inclinou a cabeça para o lado, o cenho franzido.
  — Dos bottons, são horríveis!
  — Já pedi para não usarem, é sério.
   o olhou por alguns instantes, concordando com um aceno antes de voltarem a andar.
  Cedrico deu um sorriso amarelo quando um grupo de garotas passou o cumprimentando, vendo arquear a sobrancelha para as meninas.
  — Suas namoradinhas estão impossíveis esse ano, não? — comentou ácida, fazendo o outro sorrir sozinho ao notar o ciúme presente em sua voz.
  — Não são minhas namoradas, e você sabe bem que não é com elas que eu quero sair. — Piscou, puxando-a pela cintura quando viraram o corredor, empurrando-a gentilmente contra uma pilastra. A loira rolou os olhos com um sorriso de canto nos lábios. — Com ciúmes, Black? — Arqueou a sobrancelha, encarando-a ao tempo que firmava suas mãos na cintura da garota.
  — Nos seus sonhos, Diggory.
  — Meus sonhos são mais divertidos do que isso… — respondeu com um sorrisinho, inclinando-se para juntar seus lábios aos dela.
  Já fazia quase uma semana que eles haviam se beijado pela primeira vez, mas Diggory ainda sentia como se o coração parasse uma batida sempre que seus lábios se encontravam. , aos poucos, sentia-se mais confiante e menos envergonhada para retribuir, e já não ficava tão constrangida quando se separavam, embora as borboletas em seu estômago parecessem mais agitadas do que nunca.
  Separam-se pouco depois, sorrindo um para o outro antes de voltarem a caminhar, Cedrico passou o braço sobre seus ombros e logo sentiu o dela em sua cintura.
  — Soube que andou ameaçando alguns alunos… — comentou passando a língua pelos lábios, a garota apenas concordou. — E falou sobre meu time de Quadribol…? — Arqueou a sobrancelha, vendo-a sorrir sem graça.
  — Juro que na hora não pensei em você, mas não é como se fosse mentira! Todo mundo sabe que só você salva aquele time, Diggory… Apesar que o Monty não é dos piores também... — Sorriu amarelo, vendo-o negar com a cabeça, rindo. — Mas realmente me incomoda a forma que estão tratando Harry, porque eu sei que se fosse comigo me sentiria péssima — explicou —, e se fosse com você eu faria o mesmo, ok?
  O lufano sorriu, beijando-lhe o topo da cabeça.
  — Falo com eles novamente hoje à noite – prometeu, enquanto caminhavam juntos. – Recebeu alguma resposta de Sirius?
  — Não, mas não deve demorar tanto... Cicatriz também enviou uma carta falando sobre o Torneio, Edwiges ainda não retornou, imagino que logo papai deva dar algum sinal...
  Cedrico achou melhor não comentar que estava cansado de ouvir sobre Harry Potter naqueles últimos dias, fosse por causa do Torneio ou por . Sabia que a irritaria se falasse, mas quando ela tornou a reclamar dos bottons, suspirou alto mostrando seu aborrecimento.
  — Sinto muito se isso te incomoda, Cedrico, mas Potter é meu amigo, não gosto de ver todos o xingando dessa forma.
  — E vai azarar todo mundo?
  — Eu poderia — respondeu —, mas ele não quis, algo sobre não podermos mais perder pontos pra Grifinória, já que batemos nossa cota no primeiro ano... – Deu de ombros, vendo-o rir a contragosto. – De qualquer forma, preciso ir, tenho que terminar um trabalho. Depois nos falamos, Campeão! – Ficou na ponta dos pés e beijou-lhe a bochecha antes de se virar.
  — Espera, ! – Puxou-a pela mão antes que se afastasse. — Quer ir comigo à Hogsmeade nesse final de semana?
  Ela o olhou por alguns segundos.
  — Achei que estaria ocupado com seus amigos — olhou para duas garotas do sexto ano que passaram rindo para ele. Segurou a vontade de mandá-las pararem de ser tão oferecidas e tornou a olhar para o lufano –, e claro, suas admiradoras.
  Cedrico sorriu, notando que ela ainda olhava torto para as duas garotas que passaram.
  — A única pessoa com quem quero passar o dia é você, aceita?
  — Nos vemos lá, Diggory! – Concordou sorrindo, mas ele negou ainda segurando firme em sua mão.
  — É um encontro, , te espero aqui amanhã e vamos juntos!
   sorriu, concordando com a cabeça.
  — Tudo bem, te espero às onze horas, não se atrase!

●●●

  O casal estava sentado em uma mesa de frente para a janela no Três Vassouras quando um grupo de garotas da Corvinal e Lufa-Lufa apareceu e sentou na mesa ao lado. rolava os olhos e suspirava entediada toda vez que ouvia risadinhas e o nome de Cedrico ser citado por alguma delas. Incomodava-se ainda mais quando notava que ele ficava constrangido e, ao mesmo tempo, sorria pequeno com o que diziam. Era típico de garotos serem idiotas daquele jeito?
  — Ah, Godric não me deu essa paciência toda, não! Vai sentar na mesa delas, Diggory – reclamou quando uma garota teve um ataque de risos, extremamente alto, depois de falarem sobre a partida contra a Grifinória no ano anterior.
  — Estou muito bem acompanhado, obrigado. – Sorriu antes de tomar um gole de sua cerveja.
  — Oi, querida, lembra que foi a Grifinória quem ganhou a Taça de Quadribol ano passado? Pois é, fofa, nós quem estávamos rindo e comemorando, foi ótimo, deveria experimentar algum dia! – Sorriu irônica para a garota, quando elas tornaram a falar do jogo.
  Cedrico arqueou a sobrancelha, encarando-a.
  — O que foi? Não tenho culpa se só o Apanhador da Lufa-Lufa é bom, ué! – Deu de ombros tomando sua cerveja. Cedrico riu, inclinando-se para frente quando a garota abaixou seu copo.
  — Tá sujo aqui, Artilheira! – disse passando a mão próximo aos lábios dela, retirando a espuma da bebida.
  — Hm, obrigada... – respondeu sem graça, olhando pela janela. Virou-se quando ouviu as garotas se afastando, reclamando do quanto ela era mal-educada. – Está vendo isso? É esse o fã-clube que você arranjou, Diggory? – Semicerrou os olhos, encarando-as de longe. – Elas têm cara de que estavam correndo atrás de Krum quando ele chegou.
  O rapaz riu dando de ombros, era bom saber que ele não era o único quem sentia ciúmes.
  — Elas podem correr atrás de quem quiserem, a única garota que eu quero beijar é você.
   engasgou-se com a bebida, precisando de dois tapinhas dele para recuperar-se, ficando vermelha.
  — Por Merlin, Diggory! — Negou com a cabeça, sorrindo pequeno ao olhar para o lado.
  Segundos depois, Cedrico mudou de lugar e sentou-se ao seu lado, embora ainda risse internamente ao vê-la tão constrangida.
  — Estive pensando, o que acha de conhecer meus amigos? Nunca te apresentei para eles, não é? — perguntou animado, passando a mão pelos cabelos.
  — Não sei, Ced — franziu o cenho, fazendo uma careta leve —, eles não parecem gostar muito de mim… E eu nem os culpo, andei xingando metade deles nos últimos dias. — Sorriu amarelo, escutou-o rir ao concordar.
  — Justamente, assim eles descobrem que você não é só a garota metida da Grifinória como eles acham. — Piscou, brincando.
  — Como é?
  — Olha, você não tem a melhor das famas, ok? — Deu de ombros, vendo-a o olhar indignada.
  — Pois saiba que a maioria das pessoas na Grifinória me ama!
  — Tenho certeza que sim. — Riu passando um braço pelo encosto da cadeira da garota. — Mas estou falando sério, , o que acha de conhecê-los? Ou pelo menos o Monty? Ele não para de perguntar se eu tenho vergonha dele e por isso não te apresento, está ficando chato… Porém, não faço questão nenhuma de te aproximar do Daves, aquele lá quanto mais distância melhor!
  A garota riu divertida, lembrando-se das vezes que encontrou Emmett pelos corredores e ele fez alguma piada. Também sabia bem da fama de Rogério, achando engraçado Diggory nem mesmo querer apresentá-los. Coçou o nariz antes de concordar com a cabeça, um tanto incerta sobre a ideia.
  — Tudo bem, eu acho… Mas se começarem a falar de Quadribol, eu não sou responsável pelas minhas respostas!
  Diggory concordou rindo baixo antes de terminar sua cerveja e virar-se em direção à garota.
  — Será que eu posso te beijar agora?

●●●

  O lufano mandou os amigos continuarem andando para a sala enquanto ajoelhava-se e começava a recolher o material, ainda praguejando sobre o ocorrido. Escutou passos apressados no corredor e, ao virar-se, encontrou Harry Potter parando ao seu lado.
  — Minha mochila… — Começou a explicar-se — Simplesmente rasgou… Novinha… — reclamou, recolhendo dois livros manchados de tinta.
  — Dragões — Potter falou rápido olhando para os lados, garantindo que ninguém poderia escutá-los.
  — O que? — Franziu o cenho, levantando-se com os livros e penas em mãos.
  — São a primeira tarefa, têm um para cada – explicou Harry, vendo Diggory o olhar desconfiado.
  — Como você sabe? – Passou a língua pelos lábios, encarando-o por um tempo, a mochila pendendo em seu ombro.
  — Não importa, só quis te avisar. – Deu de ombros, Hagrid teria problemas se contasse que havia sido ele quem lhe avisou sobre a prova.
  — Por quê? – Cedrico continuou desconfiado. E se fosse alguma brincadeira de mau gosto apenas para fazê-lo passar por idiota na frente de e de toda a escola?
  — Krum e Fleur também já sabem, assim ficamos todos iguais, não? – respondeu, começando a irritar-se com tanta desconfiança. – E você é amigo da — arqueou a sobrancelha, irônico —, ela me perguntou se eu te avisaria sobre isso…
  — Ela sabe? – questionou, surpreso. Potter concordou.
  — O que é que a não sabe? — respondeu como se fosse óbvio. — Faz alguns dias que eu soube, achei que ela já tivesse te contado. Depois acabei não te encontrando sozinho…
  Cedrico permaneceu quieto por algum tempo, tentando assimilar a informação.
  — Potter...? Sobre os bottons... Já pedi para não usarem, mas…
  — Tudo bem, sem problemas

●●●

  Estavam sentados juntos no corredor do terceiro andar, encostados na parede enquanto olhavam Pirraça jogar bombas de bosta nos corredores, Filch parecia muito atarefado tentando detê-lo para prestar atenção em alunos fora da cama.
  — Você tem certeza que ele está falando sério, não é? – Cedrico finalmente perguntou, ainda estava apreensivo sobre a primeira prova.
  — E por qual razão ele mentiria? E, principalmente, por que mentiria pra mim? – perguntou entediada. – Você deveria dar mais crédito a ele, sabe? – comentou encostando a cabeça no ombro do rapaz, fechando os olhos por breves segundos, Diggory passou o braço por seus ombros. – Que tipo de prova é essa, afinal? Dragões?! Isso só pode ser brincadeira!
  — Eu sei... – respondeu em um sussurro, ainda não fazia ideia de como mataria um dragão, supondo que era isso que deveria fazer.
  — Alguma ideia? – perguntou preocupada, Diggory negou.
  — Acho que ainda não estou acreditando que isso vai mesmo acontecer... Dragões de verdade!
  — Agora você entendeu, não? Era por isso que não queria que colocasse seu nome. Isso é absurdo! Colocar quatro estudantes para enfrentarem dragões?
  Cedrico respirou fundo, soltando todo o ar de uma só vez.
  — Como se mata um dragão? – questionou por fim, seu cérebro parecia trabalhar três vezes mais rápido, mas ao mesmo tempo, parecia tão lento que era como se ele pudesse escutar seus neurônios tentando achar uma solução para aquele problema.
  Então sentiu-se como se tivesse virado um adivinho: Cedrico podia se ver no dia da prova tentando passar por um dragão e falhando miseravelmente. O animal o golpeava com sua calda e ele perdia sua varinha, sendo atingido pelas chamas e só o que conseguia ouvir era gritando seu nome. Era a última coisa que ele escutaria.
  — Cedrico? Está dormindo de olhos abertos? – A garota balançou-o levemente, Diggory a encarou com os olhos cinzentos apreensivos.
  — Por que eu nunca te escuto quando devo?
  — Porque é idiota, assim como todos os garotos – respondeu, Cedrico concordou com a cabeça, tenso demais para fazer algum comentário. – Vamos lá, Ced, você vai se sair bem, só está nervoso. Tenho certeza que você será brilhante! – falou antes de abraçá-lo, sentindo o rapaz a apertar contra si. – Só tenta não se machucar muito, ok? Não quero ter que te visitar na Ala Hospitalar!
  Cedrico riu baixo, sem diminuir a força do abraço. No fundo, tinha medo de que aquela fosse uma das últimas vezes que faria aquilo. Sentiu quando a garota passou os dedos por seus cabelos, suspirando contra seu pescoço.
  — Vai ficar tudo bem, Diggory, de verdade!

●●●

  Terminou de colocar o uniforme novo, uma calça preta com a listra amarela e uma camiseta metade preta e metade Amarelo-Lufa-Lufa com o símbolo de Hogwarts sobre o peito, seu nome nas costas em cores vermelhas. Respirou fundo e olhou-se no espelho enquanto ajeitava seu cabelo, seu rosto parecia um tanto mais pálido e era possível ver as olheiras que se formaram abaixo de seus olhos, devido às últimas noites mal dormidas.
  Manteve o olhar fixo em seu reflexo tentando manter-se calmo e confiante, mas no instante que saiu de seu quarto e escutou uma salva de palmas dos colegas, sentiu seu estômago embrulhar e uma grande vontade de colocar o almoço para fora. Ao invés disso, respirou fundo e agradeceu as palavras de incentivo, colocando-se para fora do Salão Comunal pouco depois.
  Fez o caminho rotineiro pelos corredores de Hogwarts de forma automática, sem nem mesmo reparar nas pessoas com quem cruzava, apenas acenando com a cabeça quando se direcionaram a ele, a vontade de vomitar tão presente quanto seu nervosismo.
  Sentia as mãos tremerem e a respiração acelerar.
  Desceu as escadas em direção ao jardim, andando para a tenda na qual deveria encontrar com os outros Campeões, já estava em cima da hora da prova e, ao olhar ao redor, pôde ver os estudantes das três escolas dirigindo-se à arena montada para a primeira tarefa.
  Foi só quando avistou um grupo de alunos da Grifinória passarem por ele que Diggory se deu conta de algo importante: Olhou ao redor antes de dar meia volta, na intenção de procurá-la pela escola.
  Seu coração bateu com ainda mais rapidez ao perceber que ainda não a tinha visto naquele dia. Não a encontrou no café-da-manhã e nem na hora do almoço.
  Mal conseguiram conversar na noite anterior, Diggory estava nervoso demais com a prova para dar-lhe muita atenção. Repetia mentalmente todos os feitiços que poderia utilizar, várias e várias vezes, com medo de esquecer de algum deles.
  Nem se despediram direito, porque na hora que estava caminhando com ela em direção à Torre da Grifinória, a gata de Filch apareceu e ele teve que ir para seu Salão Comunal antes de deixá-la em frente ao quadro da Mulher-Gorda. Nem mesmo a havia beijado.
  Seu estômago novamente deu uma volta e suas mãos começaram a suar.
  E se algo desse errado e ele morresse durante a prova?
  E se nem mesmo se despedisse dela?
  Por Merlin, ainda nem havia dito que estava apaixonado por !
  Estava na metade das escadas da entrada quando a Professora Minerva apareceu, puxando-o pelo braço e o arrastando em direção à tenda.
  — Mas, professora... Eu... Eu preciso falar com alguém…
  — Tenho certeza que isso pode esperar, Diggory! – disse ao puxá-lo com certa força.
  — É importante!
  — Creio que a tarefa seja mais importante, depois você conversa com quem quer que seja – falou séria, os lábios crispados.
  Cedrico suspirou contrariado.
  — Professora, e se algo acontecer durante a prova? E se não conseguir conversar com ela depois?
  Minerva parou de andar e olhou-o por um longo tempo.
  — De quem está falando, Diggory?
  O lufano abriu e fechou a boca, as mãos ligeiramente suadas. Olhou para baixo e passou a mão pelo pescoço antes de olhar novamente para a professora, sentindo o rosto esquentar.
  — É... Bem…
  — Diggory! – Ouviu um grito vindo da entrada, virou-se vendo a garota correr em direção aos dois. Abriu um sorriso enorme para ela.
  McGonagall olhou de Cedrico para , o cenho franzido e os lábios crispados.
  — Vocês têm dois minutos, e estarei parada aqui – avisou, Diggory sorriu concordando com um aceno, andando rapidamente até perto da loira.
  — Estou te procurando faz o maior tempo! Snape me deixou de castigo de manhã porque Filch me viu ontem fora da cama e…
  Cedrico a abraçou com força quando chegou até ela, enterrando seu rosto nos cabelos loiros da garota, respirando fundo ao inspirar seu perfume. Mais uma vez sentiu seu estômago dar uma volta, poderia vomitar a qualquer momento, mas não tinha nada a ver com a prova ou com o dragão.
  — Você está bem? – perguntou preocupada, acariciando levemente os cabelos dele.
  — Achei que não te veria antes da prova! – respondeu contra seu pescoço, causando uma onda de arrepios pelo corpo da garota.
  — Eu tentei falar com você... – Repetiu ao soltá-lo. – Você será incrível, tenho certeza disso!
  Diggory olhou brevemente para os lábios dela e suspirou, concordando com a cabeça.
  — Espero que eu saia vivo…
  — Não seja bobo, é claro que você vai ficar bem! – Abraçou-o novamente. – Se você se machucar eu te bato, entendeu?
  — Você tem um jeito bem sutil de se mostrar preocupada, já te disseram isso? – Riu, devolvendo o abraço.
  — Diggory! – a professora gritou a poucos metros.
  O rapaz respirou fundo, soltando todo o ar contra os cabelos da moça.
  — Preciso ir, mas quero falar com você depois da prova, tudo bem? – pediu colocando as mãos no rosto da garota, olhando diretamente para os olhos .
  — Estarei te esperando, Campeão, mas agora se preocupe em passar pelo dragão e não se machucar, ok?
  O lufano aproveitou para beijá-la, sem se importar com a professora a poucos passos de distância; aquela talvez fosse a última vez que ele pudesse fazer aquilo, não perderia a chance.
  — Diggory! — Ouviram Minerva gritar mais uma vez, Cedrico fechou os olhos por alguns instantes, mantendo um sorriso pequeno nos lábios quando se afastaram, acenando com a mão e andando em direção à mais velha.
  — Ei, Diggory? — Cedrico virou-se ao ouvir o chamar. — Da próxima vez que eu disser ‘não faça isso’, você não faz, entendeu?

●●●

  Continuou a encarar a pequena miniatura de dragão, o qual dava pequenos passos pelo chão próximo a seus pés, vez ou outra tossindo um pouco de fumaça. Diggory respirou fundo tentando acalmar-se, sem êxito. Ouviu o barulho do canhão poucos segundos depois e então fechou os olhos por alguns instantes, antes de dar o primeiro passo para fora da tenda.
  Krum e Delacour apenas o olharam saindo, Harry sorriu levemente, parecendo tão nervoso quanto ele próprio.
  Diggory talvez vomitasse antes de terminar o percurso até a saída, sentia-se um tanto enjoado, talvez estivesse um pouco verde, não saberia dizer.
  Podia ouvir os gritos vindo das arquibancadas, e, por um segundo desejou ser um deles, apenas um telespectador pronto para ver o estudante tolo que ousou colocar seu nome no Cálice.
  Respirou fundo mais uma vez antes de sair, repassando mentalmente o feitiço que usaria e todo o plano recém elaborado para aquela prova: seria um tanto prático e simples, sem muitas chances de erro. Pelo menos era isso que ele esperava!
  Ao levantar o rosto, olhou ao redor, as pessoas sentadas, gritando, aplaudindo, bandeiras com seu nome... A bancada dos jurados na área coberta da arquibancada…
  Então olhou para frente, lá estava ele.
  O Focinho-Curto-Sueco era ainda pior do que tinha imaginado, muito maior e muito mais assustador do que a pequena miniatura que cabia em sua mão. Viu a ninhada próxima e, quando o sol bateu no local, quase como se quisesse mostrar para ele a dificuldade da prova, Diggory reparou no brilho do Ovo de Ouro no meio dos outros, protegidos pelo enorme animal com asas.
  Deu passos um tanto vacilantes pelo cercado, tentando recuperar a confiança que um dia existiu.
  Por que foi que ele resolveu colocar seu nome no Cálice de Fogo mesmo?
  Não se lembrava do motivo de ter pensado ser capaz de realizar aquelas tarefas.
  Na verdade, assustou-se ao perceber, Diggory não fazia mais ideia de qual era seu plano!
  Ao olhar para o dragão deitado próximo à ninhada, reparou nos olhos pretos do bicho, focados no intruso. Cedrico respirou fundo, sacando sua varinha - a qual parecia estupidamente pequena e inútil naquele instante, um graveto idiota -, passou a língua pelos lábios dando mais alguns passos dentro do cercado.
  Fechou os olhos por um segundo, recuperando sua concentração antes de apontar a varinha para uma grande pedra, próxima à mesa dos jurados. Gritou o feitiço e então se aprontou para correr o mais rápido que suas pernas compridas lhe permitiam.
  O dragão avançou em direção ao cachorro-pedra, próximo demais de sua ninhada, deixando os ovos desprotegidos por alguns instantes. Cedrico correu como nunca havia feito antes, parecia que sua vida dependia daquilo e, de certa forma, realmente dependia naquele momento.
  Saltou por sobre as pedras em seu caminho, ouvia barulhos vindo das arquibancadas, gritos que ele não compreendia, naquele instante era tudo apenas um borrão sem importância. A única coisa que estava em sua visão era a ninhada, poucos metros à frente.
  Contudo, o dragão mudou de ideia no meio do caminho, a distração criada pelo loiro não funcionou tão bem e, no momento seguinte, Cedrico sentiu a cauda do bicho jogá-lo contra o cercado, um grito passou por sua garganta ao bater as costas contra a parede de pedras.
  Uma forte dor o atingiu, era como se não tivesse mais nenhum osso.
  Seu corpo tremia e, ao mesmo tempo, parecia extremamente mole, o lufano sentiu-se incapaz de se levantar, suas pernas vacilaram quando ele tentou se colocar em pé. O ar parecia rarefeito, não chegando a seus pulmões. Diggory tossiu algumas vezes, sentindo um gosto metálico em sua boca, ao cuspir, notou um bom tanto de sangue. Puxou a respiração com força, sentindo o peito arder com o esforço, por mais uma vez ouviu vários gritos e, ao olhar para frente, percebeu o motivo: O dragão virou em sua direção, os olhos escuros como a noite fixos no lufano, atento aos passos do rapaz. Protegendo seus ovos.
  Cedrico levantou-se com dificuldade, apoiando o corpo no cercado antes de erguer sua varinha, apontando para o lado contrário, transformando outra pedra em cachorro, deixando a ilusão do animal se mexendo e latindo para o dragão, o qual se virou rapidamente para avançar contra a ameaça, a fumaça saindo por seu focinho, abriu as enormes asas e investiu contra o labrador.
  Nesse instante Cedrico tornou a correr, ignorando as dores que o atingiram, ignorando qualquer outra coisa que não fosse aquele Ovo de Ouro.
  Faltando menos de dois metros, Diggory jogou-se contra a ninhada, conseguindo agarrar o objeto e ouvindo os gritos ao redor. Escutou a voz de Bagman no megafone, mas não compreendia o que dizia. Entretanto, Cedrico sentiu pouco depois: Em um piscar de olhos ouviu o grunhido vindo do Focinho-Curto e, no próximo segundo sentiu uma onda quente se aproximar rapidamente de seu corpo. Segurou com firmeza o Ovo, a varinha na outra mão enquanto corria para afastar-se do animal, olhou por sobre o ombro e, no instante no qual saltou para o lado, sentiu a bola de fogo atingir-lhe parcialmente.

  Estava há alguns minutos na barraca, escutando Madame Pomfrey reclamar dos animais utilizados na prova, ao tempo em que ela tratava de seu rosto queimado depois de ter feito o mesmo procedimento no lado esquerdo de seu corpo, visivelmente mais atingindo. Sentia uma ardência toda vez que a curandeira colocava alguma erva sobre os ferimentos, cobrindo-os em seguida com uma pomada laranja.
  — Vai se sentir melhor em pouco tempo, Diggory — avisou, servindo-lhe um tônico.
  Cedrico tomou de uma só vez, sabia que se parasse iria cuspir metade do conteúdo, como já havia feito antes, depois de se machucar no Quadribol. Devolveu o copo vazio para a mulher que logo tratou de se retirar deixando-o sozinho na repartição com a maca improvisada.
  Não muito depois, escutou quando alguém entrou na tenda e logo viu uma sombra aproximar-se pelo lado direito. A garota pareceu soltar o ar preso quando seus olhos focalizaram Diggory, colocando a mão no peito por um instante.
  — Na próxima vez que você cogitar colocar seu nome em um torneio como esse, eu juro que te mato. — Cedrico concordou com um aceno, nem por um instante considerou discutir sobre aquilo. — Como está se sentindo? – perguntou ao aproximar-se, seu olhar correndo por todo o corpo machucado dele.
  — Não vou morrer hoje, Madame Pomfrey já resolveu isso! – Piscou sorrindo, mas logo desistiu quando sentiu o rosto arder com a ação.
   chegou ao seu lado passando os braços por seus ombros, abraçando-o desajeicastanhostadamente devido aos ferimentos. Cedrico sorriu, erguendo o braço direito e passando pela cintura dela, mantendo-a próxima o suficiente por alguns instantes, antes da garota colocar a mão em seu queixo, levantando seu rosto em direção a ela, dando-lhe um selinho demorado.
  Black colocou as mãos na cintura ao afastar-se, uma pose engraçada enquanto balançava a cabeça negativamente.
  — Droga, ele acertou você em cheio! – Suspirou, analisando os ferimentos no peitoral desnudo do outro.
  — Não se preocupe, estarei bem em poucos dias.
  — Está doendo? – questionou sentando-se com cautela ao seu lado. – Que pergunta burra, é claro que está doendo!
  Cedrico riu por poucos instantes, após perceber que o movimento também o incomodava.
  — Arde bastante, mas deve passar logo, nada muito sério.
  — Você foi incrível, sabia?! Fantástico! – elogiou animada.
  — Nem tanto, não é? – Apontou para o curativo. negou com a cabeça.
  — Acidente de percurso, foi brilhante do mesmo jeito!
  Cedrico tentou sorrir, embora achasse que parecia mais uma careta, segurou a mão da garota entre a sua, vendo-a encarar seu corpo machucado com o cenho franzido e o ar preocupado. O loiro mordeu o lábio, talvez fosse uma boa hora para dizer o que sentia.
  — Como está, Diggory? – Madame Pomfrey perguntou, voltando a entrar na divisa. levantou-se da cama para que a mulher pudesse tratar de Cedrico e, ao olhar para o lado, notou que a outra divisa também estava ocupada.
  Deu dois passos, podendo ver Harry sentado na cama ao lado.
  — Potter! – Sorriu andando até ele. – Você foi incrível, Cicatriz!
  Cedrico virou o rosto para o lado ao ouvir a voz animada da garota, logo vendo os dois abraçados. Fez uma careta ao imaginar a troca de olhares entre os dois quando Harry começou a contar sobre alguns momentos de sua prova.
  — Está doendo muito? – Madame Pomfrey questionou ao reparar na expressão que ele fazia, Diggory negou com a cabeça.
  — Harry! – Hermione apareceu, seguida de Rony.
  Os quatro conversaram por algum tempo até voltar para o lado de Cedrico, que se encontrava deitado com os olhos fechados e uma expressão séria em seu rosto.
  — Se sente bem? – Ouviu-a perguntar, tocando-lhe o braço direito, abriu os olhos concordando em silêncio. – Precisa de alguma coisa? – Tentou ser prestativa, vendo-o negar sem dizer nada.
  Como diria alguma coisa para ela naquelas condições?
  Estavam saindo juntos há poucas semanas, mas era claro que continuava próxima a Potter, e Diggory nem mesmo podia dizer nada porque ela talvez se ofendesse.
  — , vão dizer as notas do Harry! – Mione a chamou. – Como está, Cedrico?
  — Bem, obrigado – respondeu educadamente, viu a loira sair dizendo que voltaria em alguns instantes. Não demorou nem três minutos para que voltasse para seu lado, sorrindo ao olhar para ele.
  — Tem certeza que está bem? – questionou, visivelmente preocupada.
  — Estarei em alguns dias, não se preocupe.
  — Você foi realmente incrível, sabia?

QUINZE

  Cedrico ainda tinha o corpo um tanto machucado e o rosto com algumas pequenas queimaduras que já estavam cicatrizando, mas ainda eram bem visíveis, contudo, nada que o atrapalhasse. Andava acompanhado de Monty, Daves e Parker, outro corvino amigo de Rogério, quando passou por um corredor em direção às masmorras para a aula de Poções e encontrou sentada no parapeito da janela com a mochila e alguns livros ao lado. A garota deu um sorriso leve quando o viu, correspondido da mesma forma enquanto ele continuava a caminhar com os colegas, comentando sobre Monty chamar ou não Winter para um encontro.
  Diggory olhou por sobre o ombro, encarava o chão balançando os pés, parecia um tanto preocupada com algo. Já fazia alguns dias que o lufano não conversava direito com a garota, em partes por puro ciúme: Por mais que não quisesse admitir para si mesmo, Diggory estava cada vez mais incomodado ao ver a loira com Potter, especialmente nos últimos dias após a primeira prova, pois os dois pareciam ter muitos segredos e passavam o dobro de tempo juntos. Porém, embora enciumado, Cedrico não deixaria de falar com Black por aquilo, a maior razão do distanciamento foi pela garota estar lotada de trabalhos e passar boa parte de seu tempo livre na biblioteca junto dos três amigos, agora que Weasley voltou a andar com eles.
  Cedrico já havia subido dois degraus quando resolveu voltar, despediu-se rapidamente dos amigos, que soltaram risadas ao entenderem o que acontecia “trocando os amigos por uma garota!”, pode ouvir antes de dobrar o corredor.
  Ao chegar onde a loira estava, viu Draco Malfoy parado à sua frente, ambos discutiam calorosamente, aproximou-se lentamente querendo entender o que acontecia para interromper.
  — Você está sendo uma doninha muito petulante, Draco. – Sorriu para ele, vendo-o ficar vermelho, a raiva estampada em sua face.
  — Eu tomaria mais cuidado se fosse você, não se esqueça que seu pai é um foragido, priminha – disse em tom ameaçador.
  A garota ficou em pé no mesmo instante, sacando a varinha e apontando para o loiro.
  — Olá? – Diggory chamou, atraindo ligeiramente a atenção dos dois. – Você não tem aula, Malfoy?
  Draco tornou a olhar para a garota, batendo na mão em que ela segurava a varinha, fazendo-a baixá-la um pouco:
  — Isso não acabou. Não se esqueça que meu pai tem grande influência no Ministério.
  — E essa é a única razão para ele não ter ido para Azkaban, Draco, mas não esqueça que as coisas mudam – retrucou encarando-o, faíscas piscando em sua varinha. – E lembre-se sempre, seu pai não está aqui, você pode muito bem virar uma doninha novamente ou algo pior.
  — Já chega! – Cedrico parou ao lado da garota cruzando os braços, o tom autoritário de sempre quando cumpria suas funções de Monitor, mesmo que estivesse sendo totalmente parcial (não era como se ele fosse ficar contra a própria namorada e ajudar Malfoy). – Se não quiser levar uma detenção é melhor ir andando.
  Draco virou-se para a loira mais uma vez, fazendo sua cara de desprezo de sempre antes de virar o corredor e andar até sua sala.
  — O que aconteceu? – perguntou vendo-a respirar fundo, guardando sua varinha no casaco.
  — Ele nasceu, foi isso que aconteceu – resmungou agitada. – Acredita nisso? Você ouviu o que ele disse sobre meu pai? Aquele babaca!
  — , não liga pra ele, Sirius está fora do país, não tem como Malfoy ou o pai encontrá-lo. – Colocou a mão em seu ombro, confortando-a.
   negou a cabeça, sussurrando preocupada:
  — Ele está em Hogsmeade!

●●●

  O rapaz esperou que ela se acalmasse depois de ter contado tudo sobre as últimas cartas de Sirius, revelando que ele estava de volta à Inglaterra, perto demais de Hogwarts e do Ministério.
  — E se alguém o reconhecer? – questionou nervosa, jogando-se em uma cadeira na sala de aula vazia, tinha andado de um lado para o outro, mexendo as mãos sem parar enquanto relatava os últimos acontecimentos.
  Ao prestar mais atenção na garota, notou que, mais uma vez, ela parecia um tanto mais pálida e ansiosa do que estava nos últimos meses. Novamente parecia a de quem ele se aproximou no ano anterior: nervosa demais com os próprios problemas para dar muita atenção a outras coisas.
  — , não temos mais Dementadores por aqui e o Ministério baixou a guarda. Ninguém mais está realmente procurando Sirius... E Ninfadora te diria alguma coisa se soubessem dele! – Tranquilizou-a com um sorriso.
  A garota respirou fundo, concordando lentamente.
  — Por que tudo acontece ao mesmo tempo? Você e Harry nesse Torneio, meu pai em Hogsmeade... – Balançou a cabeça. – Vocês vão me enlouquecer desse jeito!
  Cedrico riu levantando-se da mesa em que estava sentado, se abaixando em sua frente.
  — Pare de se preocupar tanto, Sirius é inteligente, esteve aqui o ano passado inteiro e não foi pego, não é? Você estava ao lado dele o tempo todo e não percebeu nada. Seu pai é esperto, sabe se esconder. – Puxou-lhe as mãos fazendo um leve carinho, respirou fundo, concordando fracamente. – E você viu Harry na tarefa, ele foi muito bem. Vai se sair bem nas próximas, creio que ele já fez coisas maiores que enfrentar um dragão, não é? – elogiou-o, mesmo que contra sua vontade. – E eu já sou grande o suficiente para me cuidar.
  — Estou vendo, está bem atraente com essa pasta laranja! – Apontou com a cabeça para o lado ainda machucado de Cedrico.
  — Achei que você tivesse dito que laranja era minha cor! — brincou, arqueando a sobrancelha.
  A garota deu de ombros, sorrindo sacana.
  — Às vezes eu minto, Diggory.

●●●

  O casal andou junto até os jardins, Cedrico segurando-a firme pela mão ao vê-la incerta sobre aquilo.
  — Ei — disse ao encontrar parte dos amigos, um grupo composto por Monty e mais duas garotas e um outro rapaz da Lufa-Lufa que ela não conhecia. Aparentemente Diggory estava mantendo sua palavra de deixá-la o mais longe possível de Rogério Daves, visto que o corvino também era um amigo próximo do loiro e não estava por perto. — Essa é a , esses são…
  — Você sabe que sua namoradinha estava falando mal da gente, não é? — uma das garotas comentou em voz alta, encarando-a com a expressão fechada, olhando-a de cima a baixo.
  Cedrico respirou fundo, tentando ignorar o que a amiga havia dito.
  — Monty e… — Começou a apresentar apressado, logo sendo interrompido mais uma vez.
  — Falou mal do nosso time, também!
  — Ah, a gente já se viu! — Emmett disse sorrindo, levantando-se do banco para cumprimentá-la. — E aí, Grifinória, tudo bem? Infelizmente você conheceu o Ced primeiro, o que é uma pena, porque sou muito melhor do que ele, mas faz parte, não é?
  A garota riu ao cumprimentá-lo; Montgomery era poucos centímetros mais baixo que Cedrico, os cabelos e olhos escuros, o corpo um tanto musculoso para a idade.
  — Não dava para eu tirar você das outras garotas, então tive que me contentar com o Diggory! — respondeu brincando, vendo-o gargalhar.
  — Já gostei dela! — avisou, vendo Cedrico sorrir para ele.
  — Andre, Alice e Bridget. — Terminou, apontando para cada um. Alice acenou com a mão, sorrindo simpática ( considerou que se não fosse a hostilidade da outra garota, talvez elas pudessem sim conversar). Andre sorriu pequeno, parecendo claro que só estava tentando ser educado por consideração a Cedrico, enquanto isso Bridget a olhava de cara fechada.
  — Ainda não acredito que você está saindo com ela, Diggory.
  Cedrico passou a mão pelos cabelos, frustrado.
  — Olha, desculpa — a loira começou antes que o lufano pudesse dizer algo —, mas não é como se eu estivesse mentindo, ok? A defesa de vocês é horrível. Vocês têm uma média absurda de gols concedidos, ano passado eu marquei 3 em cinco minutos e era meu primeiro jogo! — Deu de ombros, encarando a garota.
  — Caramba, eu realmente gostei da sua namorada, Ced! — Montgomery comentou risonho, achando a situação toda divertida.
  — Bem, pelo menos alguém gostou, não é? — Bridget resmungou de seu canto.
  Cedrico perdeu a paciência com a amiga:
  — De repente se você conseguisse conversar numa boa ao invés de ficar reclamando de tudo, Monty não seria o único a ver que ela é legal!
  — Legal, aham, sabemos bem o que você vê de legal nela… — debochou, cruzando os braços.
  — Minha querida, você tem alguma ideia de com quem você está falando? — A mais nova revoltou-se, colocando as mãos na cintura. Diggory apertou-lhe o ombro, olhando-a assustado com medo que ela dissesse algo que não deveria sobre Sirius. A garota respirou fundo, ainda olhando séria para a outra. — Ah, dane-se. Até mais, Cedrico. Tchau, Lufa-Lufa — falou ao olhar para Emmett, que riu acenando com a mão, antes de dar as costas e afastar-se do grupo.
  — Precisava disso? — O loiro virou-se para os amigos. — Caramba, achei que se vocês ao menos conversassem eu não precisaria ficar escolhendo com quem passar o tempo no horário livre, porque ela poderia ficar por aqui. Não estou pedindo para ninguém a amar, mas precisava disso?
  — Eu não me importo de andar com vocês, mas se vocês forem se beijar eu, no mínimo, espero que me encontrem alguém para eu não ficar de vela! — Monty avisou, vendo Cedrico agradecer com o olhar antes de ir procurar a loira.

●●●

  Os quatro estavam terminando de almoçar quando Fleur Delacour apareceu no Salão Principal junto com mais algumas amigas francesas, Rony engasgou-se no mesmo instante, precisando de alguns minutos para recuperar-se da cor vermelho tomate que atingiu seu rosto e pescoço. Mione rolou os olhos puxando seu livro de Runas Antigas.
  — Precisa se controlar, Weasley, não pode ficar assim sempre que ela aparece, está ficando ridículo – comentou antes de tomar seu suco.
  Rony novamente ficou vermelho e Mione não controlou uma gargalhada estridente. Harry e sorriram encarando-se rapidamente, desviando o olhar antes que também rissem.
  Pouco depois, um grupo de garotas da Corvinal entrou no Salão, dentre elas, Cho Chang uma garota bonita de cabelos pretos compridos e olhos puxados de quem não era muito fã por saber que já havia saído com Cedrico e ainda parecia demonstrar certo interesse no loiro.
  — Oi, Harry! – disse ao passar pelo moreno.
  Potter sorriu um tanto constrangido, cuspindo um pouco de seu suco e arrancando risadinhas de todos.
  — Bem, ao que tudo indica, Rony não é o único idiota desta mesa – Hermione comentou sem tirar os olhos do livro.
  — Ei! – os dois reclamaram indignados.
  — Como se vocês não ficassem sem graça na frente de outros caras — Potter protestou, olhando de canto para .
  — Alguma vez já nos viram – Hermione apontou dela para a amiga – babando por algum garoto? Eu acho que não.
  — Somos sutis! – concordou, sorrindo.
  — O que quer dizer? – Potter a encarou com a sobrancelha arqueada.
  — Bem, você não vai me ver dando risadinhas patéticas por causa de um garoto bonito, Cicatriz! – Deu de ombros.
  — E por falar em garotos bonitos... – Mione sorriu apontando com a cabeça, os outros três viraram-se em tempo de ver Cedrico a poucos passos da mesa.
  Ao notar que os quatro o encararam, ele franziu o cenho, curioso.
  — Oi? Hm... – Virou-se para , que segurou uma risada ao olhar para Granger, ao mesmo tempo que Potter negou com a cabeça parecendo um tanto aborrecido voltando a comer. – Podemos conversar? – perguntou olhando para a loira.
   concordou com a cabeça, terminando de tomar seu suco antes de se levantar.
  — Entendeu o que eu quero dizer, Harry? – Piscou para o amigo, Hermione novamente riu alto.
  Cedrico esperou a menina postar-se ao seu lado para andarem em direção à saída, ainda um tanto confuso com o que acontecia, embora não fosse questionar por saber que deveria ser alguma piada interna dos quatro.
  — Eu sinto muito pelo o que aconteceu — Cedrico começou, chateado ao andarem para fora do Salão —, achei de verdade que daria certo.
  — Não, tudo bem, não foi sua culpa. E, é sério, entendo o motivo de não gostarem de mim — deu de ombros, não parecendo muito abalada —, a maioria das pessoas não gosta mesmo.
  — Do que é que você está falando? Você é, facilmente, uma das garotas mais populares dessa Escola, .
  — O que não quer dizer que seja uma coisa boa. Por que as pessoas me conhecem? Porque eu vivo perdendo pontos para Grifinória e fazendo o que não devo. E ultimamente por estar saindo com você também, agora sim as garotas me odeiam! — Passou a língua pelos lábios, vendo-o rir ao negar. — Aliás, você sabia que estou com fama de ser uma garota fácil? E antes mesmo de começarmos a sair! Gostaria de saber quem foi o idiota que começou isso. — Lembrou-se, frustrada.
  Diggory a encarou por um instante, o cenho franzido.
  — Como é? Quem foi que disse isso?
  — Ah, aqueles idiotas da aposta. — Rolou os olhos, Cedrico suspirou passando a mão pelos cabelos.
  — Bom, se isso fosse verdade não teria me dado a metade da dor de cabeça que eu tive para te chamar para sair, não é? — falou, logo sentindo-a bater fracamente em seu ombro. — Falando na aposta, soube o que aconteceu? — questionou rindo, vendo-a negar no segundo seguinte. — McGonagall descobriu e deixou todos eles de castigo pelo mês inteiro, além de ter tirado pontos de todo mundo e, parece, que nenhum deles vai poder sair para Hogsmeade o resto do ano.
  — Como ela ficou sabendo?
  — Winter convenceu Monty a falar sobre isso e dizer quem estava participando. Claro que não sabem que foi ele quem contou ou, possivelmente, já teria sido azarado!
   riu alto, adorando saber daquilo.
  — Como foi que ela o convenceu?
  Diggory deu de ombros, um sorriso pequeno nos lábios.
  — Emmett está tentando sair com ela há algumas semanas, Sophie disse que aceitaria um encontro se ele contasse.
  — Vocês, garotos, são muito fáceis de manipular, não é?
  Cedrico arqueou a sobrancelha ao encará-la, aproveitando quando ela riu para segurar em sua mão e virá-la de frente para ele.
  — Tenho um convite para fazer. — Passou a língua pelos lábios. — Quer ir ao Baile comigo?
  A garota arqueou a sobrancelha, sorrindo pequeno.
  — Olha, era o mínimo você me convidar, viu? Era só o que me faltava você aparecer com outra garota!
  Diggory gargalhou antes de encostar sua testa na dela, inclinando-se levemente em sua direção ao tempo que passava os braços por suas costas e cintura, puxando-a para mais perto.
  — Imagino que isso seja um “sim”?!
  — Só se eu fosse muito louca para dizer não para você. — Piscou, antes de o rapaz curvar-se mais um pouco, puxando-a para um beijo lento.

●●●

  O casal estava sentado à mesa da Grifinória já que boa parte do Salão Principal estava vazia, enquanto conversavam sobre assuntos diversos. Vez ou outra notavam os olhares e cochichos de outros estudantes, mas não se importavam. Era meio óbvio para a Escola toda que Cedrico e estavam juntos já que eles não faziam exatamente questão de esconder; sempre que podia, Diggory entrelaçava suas mãos ou a beijava sem se importar com quem estivesse vendo.
  — Olha o que chegou! — Hermione apareceu sorridente, colocando uma caixa de papelão sobre a mesa, em frente ao casal. — Não acham que ficaram lindos? — perguntou, mostrando-lhes um botton escuro com a sigla F.A.L.E em dourado.
  — O que é “Fale”? — Cedrico questionou curioso.
  Granger encarou a amiga, as mãos na cintura.
  — Você não contou? Como vamos recrutar outros membros se não divulgarmos?
  — Ah, eu esqueci… — Sorriu amarelo, vendo-a rolar os olhos.
  — Na verdade, Diggory, você é exatamente o tipo de pessoa que seria incrível ter como membro do F.A.L.E!
  — Eu posso pelo menos saber o que significa antes de me associar? — Sorriu para a garota, que se sentou animada no banco empurrando a caixa de bottons para o lado.
  — Fundação de Apoio à Liberação dos Elfos! — explicou animada, vendo-o franzir o cenho, curioso. — Você já viu a forma como os Elfos são tratados? É revoltante que ninguém se importe com o trabalho escravo que eles exercem, inclusive aqui em Hogwarts! E pouquíssimas pessoas sabem que temos Elfos Domésticos na Escola, porque ninguém fala sobre e não existe informação nenhuma em nenhum livro, nem em Hogwarts: Uma História!
  Diggory escutou realmente interessado o que Hermione contava, concordando algumas vezes com o que ela dizia. , que já havia escutado o discurso todo da amiga anteriormente, apenas olhava para os dois um tanto entediada.
  — ... E é por isso que eu fundei o F.A.L.E!
  — Não que eu ache que esteja errada, Hermione — o rapaz começou, sem jeito —, mas você já conversou alguma vez com um Elfo Doméstico?
  — Levando em consideração que Mione tem como base apenas o Dobby, não, ela nunca falou com um elfo. — acrescentou quando a amiga abriu a boca para responder.
  — Pois bem, eles são felizes fazendo as coisas dessa forma, se você chegar para um deles falando sobre remuneração eles vão se sentir extremamente ofendidos. Não é da natureza deles, entende? — Tentou explicar de uma forma que mostrasse que ele não era contra, mas que possivelmente ela não tivesse muito sucesso.
  — Eu sei! — concordou no mesmo instante. — Mas é isso que temos que mudar! Se você conhecesse o Dobby, veria que a coisa que ele mais gosta na vida é ser um Elfo Livre!
  Diggory olhou surpreso para a loira ao seu lado, vendo concordar com a cabeça.
  — É bem inacreditável, Dumbledore até paga um salário para ele...
  — Um galeão por semana! — Mione pareceu desgostosa. — Como se isso fosse o suficiente para o tanto que eles trabalham!
  — O próprio Dobby falou que não saberia o que fazer com mais do que isso e é algo simbólico! — A outra argumentou. — Para mostrar que ele é livre e está aqui porque gosta e não para ficar rico.
  Granger suspirou, concordando com um aceno.
  — Pois bem, Dobby é o primeiro passo para uma revolução! Se ele está contente por ser livre e agora trabalha com um… Salário — resmungou a última palavra —, mostrará aos outros elfos que eles também podem ser felizes dessa forma!
  — E é por isso que nenhum deles gosta do Dobby! — Black respondeu, negando com a cabeça. — Mione, você tem ideia que fazem milhões de anos que eles trabalham dessa forma?!
  — Sim, e é exatamente por isso que precisamos fazer algo para mudar as coisas!
  — Não tiro sua razão, Hermione — Cedrico começou atraindo a atenção das duas garotas —, mas é como a disse, eles são acostumados a isso e por algum motivo são felizes dessa forma. Um Elfo livre é basicamente uma vergonha para eles, o que eles mais querem fazer é servir uma família bruxa. Não sei exatamente quando isso começou, mas fazem séculos que as coisas funcionam assim, eles praticamente já nascem com essa vontade de servir aos outros…
  — Você tem um Elfo? — Granger arqueou a sobrancelha para Cedrico, que riu negando.
  — Você sabe o quão rica precisa ser uma família para ter um Elfo Doméstico? — perguntou, olhando-a divertido. — O que não faz sentido nenhum, pois, como você disse, é um trabalho escravo, mas só as famílias mais tradicionais e ricas têm elfos. O máximo que tive em minha família foi de uma tia-avó, mas ela morreu quando eu era criança.
  — O que aconteceu com o elfo? — Mione questionou curiosa.
  Cedrico e se entreolharam, sem saber o que dizer.
  — O que foi?
  — Bem… Ela não tinha nenhum filho, sabe? Ela era sozinha porque o marido havia morrido anos antes…
  — E? Não passou para um de vocês?
  Cedrico negou com um aceno, sem graça ao explicar o que aconteceu, olhando para as próprias mãos.
  — Algumas vezes quando um elfo não tem a quem servir, sabe? Eles… Bem…
  Diggory olhou para a loira ao seu lado, quase pedindo socorro com os olhos.
  — Às vezes eles morrem, Mione… — explicou, olhando triste para a amiga, que abriu a boca chocada.
  — Como assim eles morrem? — perguntou com a voz falha.
  — Eles mesmo se matam ou, quando estão muito velhos, outros bruxos da família o fazem… Não foi o que fizeram com ele, ok? — explicou-se rapidamente quando ela o encarou. — Minha mãe o encontrou morto no jardim.
  Granger respirou fundo, negando com a cabeça, segurando a vontade de chorar.
  — Não acontece com todos os Elfos, Mione — avisou, tentando consolar a amiga —, o meu ainda tá vivo e olha que a minha avó morreu há anos!
  Tanto Hermione quanto Cedrico viraram-se para olhá-la, surpresos com a informação.
  — Você tem um Elfo Doméstico? — Diggory foi o primeiro a se pronunciar.
  — Em teoria — explicou sem jeito —, meus avós tinham, como eles morreram e eu e meu pai somos herdeiros diretos, teoricamente é nosso. — Virou-se para a amiga que ainda a encarava chocada. — Ele não trabalha pra gente! E, se quer saber, ele sempre me odiou, me tratou mal todas as vezes que eu tive que visitar minha avó, e olha que eu era uma criança muito legal!
  Cedrico riu de leve, mas Granger continuou séria.
  — O que aconteceu com ele?
  — Sei lá — deu de ombros —, imagino que ainda esteja na casa, não? Andy não podia libertá-lo por não ser a dona, eu não sabia o que estava acontecendo e, de qualquer jeito, Monstro provavelmente teria se matado se fosse livre… Ou teria ido para os Malfoy. — Pensou por um instante.
  — O nome dele é Monstro?
  — Não fui eu quem escolheu! — defendeu-se, vendo a amiga suspirar.
  — É justamente por isso que precisamos do F.A.L.E, para que coisas assim não se repitam! — Levantou-se decidida, pegando dois bottons na caixa e entregando ao casal. — Não esqueçam de usá-los e, Diggory, vou precisar de dois sicles mais tarde para você se tornar membro, ok?
  — Dois sicles? — questionou confusa. — Por que eu paguei dez galeões?
  Hermione sorriu sem graça, dando de ombros.
  — Eu precisava do dinheiro para fazer os bottons, não é?
  A loira rolou os olhos, rindo fraco ao vê-la sair.
  — É cada uma... Que foi?
  — Nada, só não sabia que você tinha conhecido sua avó… — comentou, pegando o bottom e prendendo em sua mochila que estava ao lado.
  — Ah — deu de ombros, sem graça —, ela morreu quando eu tinha uns seis anos, antes disso Andy me levou para visitá-la algumas vezes, não que eu ache que Walburga fazia muita questão, mas como meu pai estava em Azkaban e meu tio havia sumido, ela não tinha muitas opções, não é? Eu era a única parente direta viva…
  Cedrico negou com a cabeça por um momento.
  — Você tem noção de que nunca fala sobre sua família e, de repente, me passou todas essas  informações em dez segundos?
   riu baixo, concordando com um aceno.
  — Eu sei, normalmente não falo disso com ninguém, só dos Tonks e, agora, do meu pai — explicou-se, coçando o braço. — O que quer saber?
  — Não faço ideia, qualquer coisa que você queira contar, imagino. — Deu de ombros. — Nunca nem me passou pela cabeça que pudesse ter um Elfo!
  — Bem, mas Monstro não gosta de mim, nunca gostou do meu pai porque minha avó e ele viviam brigando quando Sirius era mais novo, então Monstro passou a raiva que tinha do meu pai pra mim sem eu nem ter feito nada. Nunca gostei dele, deve ser a maior exceção de Elfo que existe, só gostava da minha avó e detestava até abrir a porta quando a gente visitava...
  — E como ela era? Sua vó te tratava bem? — perguntou curioso, sorrindo ao saber mais sobre a garota.
  — Não lembro muito bem, sei que a casa era cheia de coisas entulhadas e cheirava a mofo — contou, tentando lembrar-se de outras coisas —, mas ela sempre me dava algum doce quando eu visitava, teve um ano que me deu uma cesta enorme de doces da Dedos de Mel no Natal; Andy ficou louca quando percebeu que eu e a Dora comemos tudo em uma noite, tiveram que nos levar ao St. Mungus porque passamos mal. — Sorriu com a lembrança, escutando-o rir ao seu lado. — Ah, ela também falava direto comigo porque não gostava de Andrômeda e Dora... — Rolou os olhos, negando com um aceno.
  — Por que não?
  — Porque Andy casou-se com Ted, não é? E ele é Nascido-Trouxa, minha família nunca suportou a ideia de Nascidos-Trouxas casando-se com Sangues-Puros, porque sempre achavam que eles queriam roubar nossa magia e essa besteira toda que você deve saber… Então, Andrômeda foi deserdada da família, por isso ninguém gostava mais dela e, obviamente, da Dora.
  — Caramba, isso é absurdo… — Cedrico suspirou, pensando sobre. — Não me espanta você não falar muito sobre isso…
  A garota concordou, dando de ombros.
  — Deixa eu ver… — disse pensativa, continuou instantes depois. — Ninguém sabe o que aconteceu com meu tio, ele era um ano mais novo que meu pai, sumiu do dia pra noite. Andy acha que ele morreu porque era seguidor de Você-Sabe-Quem, mas nunca encontraram um corpo nem nada…
  — Seu tio era um Comensal? — questionou chocado, vendo-a concordar.
  Diggory sabia que os Black eram uma família de Sangue-Puro que gostavam d’As Artes das Trevas, mas não fazia ideia que havia mais Comensais da Morte no meio deles, com exceção, é claro, de Sirius Black.
  — Ele era da Sonserina, foi Apanhador do time — contou —, sumiu poucos meses depois de eu ter nascido; tenho uma foto dele me segurando quando eu era um bebê, Ced, parecia que estava segurando uma bomba! — Negou com a cabeça, rindo. — Mas ninguém soube de verdade o que aconteceu com ele, parece que minha avó ficou extremamente triste porque ele era o orgulho da família, né?
  — E seus pais? Digo, quando ficou sabendo que eles estavam em Azkaban? — perguntou em voz baixa, sem saber se ela gostaria de falar sobre aquele ponto em específico. A garota suspirou, não parecendo muito animada, mas não chegou a negar.
  — Eu tinha uns cinco anos, foi um pouco antes da minha avó morrer, ouvi Andy e Ted falando sobre eles porque eu perguntava o tempo todo quando iriam me buscar, não é? Só sabia que eles estavam viajando e não poderiam me levar. — Passou a língua pelos lábios. — Escutei eles dizendo o quão parecida eu era com meu pai e que não poderiam esconder pra sempre que os dois eram Comensais, porque eu estava crescendo.
  — Bem, pelo menos é legal você saber que é parecida com Sirius, não? — Sorriu de canto, os braços apoiados na mesa.
  — Não exatamente, na época eu não fazia ideia que ele era uma pessoa boa... Então, quando ouvi aquilo, achei que fosse terminar como eles, sabe? Azkaban e todo o resto… — contou em voz baixa, olhando para as mãos.
  Diggory a abraçou de lado, querendo consolá-la.
  — Não posso imaginar como tenha sido e sinto muito por saber que você passou por tudo isso, , mas mesmo que fosse verdade que Sirius era um Comensal, e mesmo que boa parte da sua família não fosse de boas pessoas, não significa que você seria como eles — disse baixinho, vendo-a suspirar. — Você é uma ótima pessoa e tem muita coisa aí dentro — apontou para seu peito — que não muda tão fácil. E, no final, você realmente se parece com Sirius, não é? Pelo tanto que sei dele, é uma pessoa incrível que faria qualquer coisa por você, embora me pareça até mais irresponsável que você! — comentou rindo, vendo-a sorrir concordando.
  — Obrigada.
  — Eu quem agradeço por me contar tudo isso! — Piscou, beijando-lhe a bochecha.

CONTINUA...



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