Be Strong
Escrito por Julia Fontinelly | Revisado por Larissa Martins
P.O.V.
Eu sabia que estava fazendo errado, mas era impossível com aquelas pessoas me xingando ou me batendo, era simplesmente impossível não fazer isso, as pessoas diziam que eu era louca e já até disseram para minha família me levar num psicólogo. Isso tudo me machucava demais e acabava passando aquela lâmina em meus pulsos. Imagine uma pessoa que não tem amigos, não tem pais que deem atenção (só para o irmãozinho mais novo), uma pessoa que é humilhada em público por tudo e todos. Prazer, essa sou eu! Esse inferno na minha vida começou quando me mudei para cá com 12 anos. Minha vida era perfeita, com amigos, família e todos unidos, mas tudo acabou quando minha irmã resolveu casar e tivemos que sair da nossa pequena cidade do Texas. Logo depois meu irmão mais velho foi embora para o Brasil, ele era o único que me entendia nessa casa.
Estou trancada no meu quarto, minha mãe me botou aqui, só porque não fui à aula hoje. Além de dizer coisas como "Você me enoja" ou "Cadê a que eu conheço?", essas simples palavras me machucam muito, e eu vou correndo para o banheiro e lá deixo meu sangue e lágrimas caírem no chão do banheiro. Eu não estou mais suportando ficar viva, todo dia a mesma coisa de ser humilhada e quase apanhar na escola e quando chegar em casa ficar numa guerra com a própria mãe. Queria estar morta, assim poderia descansar já que ninguém se importa comigo, preferia estar em outra dimensão, assim não seria tão perturbada.
Hoje é uma quarta-feira de frio e neva lá fora. Não queria ir para a escola, não gosto daquele lugar, sempre no final do dia estou no banheiro chorando.
O tempo hoje não estava agradável. O céu estava com nuvens negras, os pequenos floquinhos de neve caíam sobre o chão e o vento corria sem medo lá fora. Quase não consegui dormir essa noite, então me levantei mais cedo e fui direto ver minha roupa para a escola.
- , acorda - A voz da minha mãe ecoou séria.
- Já estou de pé - Respondi no seu mesmo tom.
Ouvi seus passos descendo as escadas e voltei a escolher minha roupa. Optei por uma calça preta, uma blusa de frio branca e meu moletom por cima. Botas UGG pretas e luvas. Desci as escadas de madeira e quase todos já tinham saído, só se encontrava minha mãe que fiz questão de nem dar tchau.
Fechei a porta de casa e fui em direção a minha escola, botei meus fones de ouvido e naquele pequeno mundo meu viajei para longe. Estava caminhando até sentir duas mãos grandes tocarem minhas costas e me empurrar, o que fez eu quase cair, me arrumei de novo e olhei para o lado, vi Justin e sua turma, eles riam muito da minha cara. Na sua "turminha" tinha mais um, o aluno novo que nas aulas de Química, Matemática e Inglês ficava me encarando. Ele nunca veio falar comigo, só me observava de longe e isso era um pouco estranho. Um de seus amigos pegou meu braço e viu meus cortes, droga! Era uma coisa que estava querendo evitar.
- Justin, olha só - Disse, mostrando meus pulsos a ele.
Puxei de volta meus braços, escondi de novo debaixo do moletom e voltei a caminhar depressa.
- Ei , volte aqui, vai para o banheiro se cortar, é? - Disse e todos riram.
Olhei para trás e todos riam, menos o aluno novo que me encarava profundamente com seus olhos marcantes. Comecei a chorar (como sempre) e entrei no portão da escola, todos os olhos foram para mim, alguns se perguntavam “O que houve com ela?”, mas sei que no fundo não estavam nem aí para mim. Me sentei no banco perto da sala do zelador, limpei minhas lágrimas e fiquei esperando o sinal bater para entrar na sala.
Estava chegando em casa de mais um dia no colégio aguentando as pessoas falando de mim e eu não consegui falar nada. De novo aquele menino novo ficou me encarando no período de Matemática. Será que ele tem nojo ou algo contra mim? Pois sempre me olha e nunca vem falar comigo.
- Vamos na festa de 2 anos de casamento da sua irmã hoje à noite, se arrume - Minha mãe disse, jogando o convite na minha mão.
- Que horas? - Respondi, largando o convite de lado.
- Às 21:30.
Foram suas últimas palavras dirigidas a mim, subi para meu quarto e fui ler um pouco.
Fiz minhas coisas do dia a dia e quando era 19:00 fui ver que roupa iria na festa de minha irmã.
Estava quase tudo pronto, passei um pouco de maquiagem, junto botei minhas pulseiras e acompanhei meus pais a casa da minha irmã.
A festa estava muito linda, estava tudo decorado de branco e dourado e flores esparramadas sobre a mesa e chão.
- Oi mana - Ela me abraçou.
- Oi - Sorri fraco.
- Como você está? - Perguntou, analisando-me.
- Bem - Respondi quase num sussurro.
- Fica à vontade, a casa é sua - Me abraçou novamente.
Sorri e entrei para dentro da casa, avistei um sofá e me sentei lá. Pessoas passavam apressadas, crianças corriam na sua brincadeira de pega-pega.
Já tinha se passado uns 30 minutos que estávamos ali e cada vez mais pessoas iam chegando, estava ficando com frio, pois resolvi botar saia e uma blusa bem decotada. Os meus pensamentos voavam longe até ouvir uma voz masculina.
- Você está muito linda hoje.
Virei meu rosto com pressa e vi o menino que estava com Justin e sua turma e que me olhava nas aulas. Ele se sentou do meu lado e me encarou do mesmo jeito de sempre.
- Prazer, meu nome é Shawn, Shawn Mendes - Estendeu a mão.
- Prazer, - Sorri fraco e o cumprimentei.
- Acho que você não devia fazer isso - Disse, olhando meus pulsos cobertos por pulseiras.
- Eu sei, é errado - Olhei o pessoal passando.
- Você é uma menina tão linda e doce - Seus olhos ainda me encaravam.
- Ninguém acha isso - Respondi.
- Eu acho, e é isso que importa - Tocou minha mão que estava no sofá. - Por favor, não se machuque porque um babaca.
Eu o olhei e vi que suas pupilas estavam dilatas.
- Eu paro - Respondi.
Vi um sorriso brotar no seu rosto branquinho, ficamos conversando e pude ver que Shawn era um cara legal e bom de conversar.
- Vamos, ? - Meu pai apareceu.
- Vamos. Tchau, Shawn, prazer em te conhecer - Sorri fraco.
Ele me deu um abraço apertado e eu fui embora com meu pai.
[...]
Já fazia quatro semanas desde aquela conversa com Shawn e eu parei de me mutilar, e começamos a almoçar na escola juntos.
- Quero que vá na minha casa hoje - Shawn me disse.
- Humm, que horas? - Falei, dando uma garfada na minha massa.
- De tarde, vou estar em casa - Disse, pegando sua pasta.
- Ok, que tal eu já ir com você? - Perguntei.
- Ótimo - Ele respondeu.
Bateu o sinal e fomos para a aula de Química, como sempre as mesmas coisas e chatices, mas era só mais um período e então logo fomos para a casa de Shawn.
- Quero te mostrar uma música que escrevi - Disse, entrando na sua casa.
- Não sabia que escrevia música - Sorri para ele.
- Pois é, eu escrevo - Respondeu sorrindo.
- Então posso ver a que você escreveu? - Perguntei, olhando ele pegar seu violão.
- O nome dela é "A Little Too Much".
Suas últimas palavras saíram e logo o som do violão saiu em perfeitas sintonias, a voz de Shawn começou a invadir meus ouvidos e como ele cantava tão bem. Sua voz e a melodia do violão invadiam meus sentidos e o sorriso brotava sobre meu rosto.
- Gostou? - Ele me perguntou.
- Amei - Respondi ainda em transe.
Ele sorriu.
- De onde você tira inspiração para escrever músicas assim? - Perguntei, sentando do seu lado.
- Na verdade, essa tirei de uma menina que conheço - Respondeu, olhando seu violão.
- Gosta dela? - Perguntei com um sorriso fraco.
- Sim, mas ela não - Fez um biquinho.
- Por que não manda uma mensagem para ela dizendo que precisa conversar? - Respondi.
- Tenho medo da reação dela - Shawn disse cabisbaixo.
- Ai, Shawn, para de bobeira - Disse, peguei seu telefone e dei a ele.
- Acha que é o certo? - Me perguntou fazendo careta.
- Claro, o máximo que você vai receber é um "não" - Respondi.
Shawn pegou o telefone ainda hesitando e escreveu as mensagens.
- Pronto - Disse.
- Agora ela vai avisar e... - Fui interrompida pelo meu celular.
Peguei-o e olhei, quando vi meu coração disparou e abri um sorriso.
- Chegou a mensagem? - Shawn me perguntou.
- Aham - Foi o que saiu da minha boca.
- Então? - Me perguntou.
- Claro que sim, Shawn - Respondi o abraçando.
- Sério? - Me perguntou.
- Claro - Sorri.
- Achei que não iria aceitar ser minha namorada - Falou.
- Como se nesses últimos dias você tem sido o dono dos meus pensamentos - Respondi.
- E se você desistir de mim? - Me perguntou assustado.
- Não irei desistir, você é o cara que toda menina sonha - Respondi.
- Então, vamos entrar mesmo nessa aventura? - Me perguntou.
- Shawn, não tinha pensado no que dizer quando aceitasse, né? - Disse rindo.
- Não, na verdade não tinha nem chegado nessa parte - Sorriu junto.
- Bobo, sabe o que você pode fazer? - Perguntei.
- O quê? - Perguntou curioso.
- Me beijar - Sorri.
Sem mais delongas, seus lábios já se encontravam sobre os meus.
- Promete me amar? - Perguntei.
- Prometo te amar - Sorriu.

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