Back To December
Escrito por Marii Luck | Revisado por Luanna
Capítulo 1
"These days I haven't been sleepin',
(Eu não tenho dormido bem esses dias)
Stayin' up playing back myself leavin',
(Fico acordada lembrando de como eu fui embora)
It turns out freedom ain't nothing but missin' you
(Acontece que a liberdade não é nada além de saudades suas)
Wishing that I realized what I had when you were mine
(Eu queria ter percebido o que eu tinha quando você era meu)"
Uma hora e meia.
Havia uma hora e meia que eu estava com o telefone na mão, com o número dele selecionado e o dedo no botão "ligar". Mas eu não tinha coragem... O que eu diria? O que ele diria, depois de quase um ano? E se ele realmente não quisesse ter mais nada haver comigo?
Já tinha se passado quase um ano desde que eu o deixei. Mas foi só no outono que eu percebi o quanto o amava. O problema é que ele já estava longe, era tarde demais. Minha patética insegurança havia destruído a única coisa quase real que eu já tinha construído para mim.
Eu me sentia culpada por tê-lo deixado. Ele me amou tanto... E eu só consegui dizer Adeus a ele. Ele me dava flores... E eu as deixava morrer. Ele me amava, e eu tantas vezes chorava por outro nos braços dele. Ele sempre fora tão compreensivo com a minha dor. Só então eu enxergava que os meses que passamos juntos foram os melhores de minha vida. Mas agora, tudo tinha mudado.
Eu queria tanto ligar.
Eu precisava ouvir a voz dele mais uma vez.
Apertei o botão de ligar, num impulso forte. Eu ouvia o telefone chamando, mas ninguém atendia. Depois de um tempo, aquela doce voz tão conhecida atendeu.
- Alô? - eu simplesmente travei e não consegui responder nada, deixei a linha muda - Alô?
- Nate? Eu... Eu... - eu não conseguia dizer nada que não fosse compreensível.
- , eu sei que é você, diz algo... - eu continuei gaguejando, sem dizer nada e ele suspirou.? Olha, se alguma hora você quiser ligar e dizer algo, vou esperar... Tchau. - ouvi a linha caindo e num acesso de raiva joguei o aparelho na parede, as lágrimas descendo pelo meu rosto.
- IDIOTA! VOCÊ É UMA RETARDADA! - eu gritei para mim mesma.
Quando eu finalmente conseguia coragem para ligar para o cara que eu amava, eu não conseguia sequer dizer uma palavra compreensível. Um ato de extrema idiotice da minha parte, novamente. Eu sempre estregava tudo.
Eu deixei as lágrimas escorrerem e sentei num canto do quarto. A dor já era comum, estava sempre ali. Eu olhava as paredes e móveis ao meu redor. Fotos dele, fotos nossas. Eu era uma estúpida.
- "Eu sabia que isso ia acontecer... Você nunca gostou de mim, nunca. Aquele cara te machucou tanto que você já não consegue sentir nada de verdade por alguém que não seja ele... É triste mas é verdade. E você nem pensou no que poderíamos ser."
Eu ainda podia ouvir as exatas palavras que ele disse quando eu o deixei. Aquelas palavras ecoavam há meses na minha cabeça, eram uma tortura diária. Eu queria tanto vê-lo, queria tanto poder ir até ele e consertar tudo. Mas eu sabia, no fundo eu sabia, que era um erro. Ele tinha reconstruído sua vida.
Mas depois que eu o deixei, o vazio que ficou em meu coração era tão grande que chegava a ser quase insuportável. Latejava a cada vez que o nome dele era pronunciado... Ou pensado. Eu não sabia porque só agora entendia o quanto eu precisava dele.
Mas a verdade é que agora eu podia realmente dar uma chance a ele, ele fez tanto por mim. Em todos aqueles momentos de minha vida em que eu pensei que tudo estivesse perdido, ele estava lá. Ele me levantou, me reergueu. E é claro que isso deixaria alguma marca em mim... Deixaria um vínculo tão forte que nada poderia apagar.
Em um certo momento, eu me levantei e sequei as lágrimas. Tirei meu pijama velho e lavei o rosto. Não, eu não podia deixar a dor me derrubar. Peguei minha bolsa e saí do meu apartamento. Prendi meu cabelo e coloquei um boné para disfarçar a sujeira e bagunça em que ele se encontrava.
Entrei em meu carro e acelerei. No centro havia um sorveteria conhecida e ótima, obviamente meu destino. Eu tentava disfarçar que a verdadeira razão de eu ir lá, era porque nós sempre nos encontrávamos lá... Mas na verdade, isso não importava, não mais. Não para ele.
Entrei e fui até o balcão, onde uma jovem sorridente logo me atendeu.
- Por favor... Eu quero um de chocolate com calda de morango. Kiwi e morango por cima. - eu disse sorrindo e a mulher logo apareceu com meu pedido e eu a paguei.
Fui me sentar naquela mesinha do canto, onde a gente sempre se sentava. Eu poderia ficar ali o resto do dia, olhando para a janela e pensando em como as coisas estavam diferentes. No quanto eu queria os braços dele ao meu redor como antes.
Flashback ON
- Chocolate é o meu sabor preferido. - Nate falou colocando uma colher cheia de sorvete na minha boca, enquanto mantinha um braço ao redor da minha cintura.
- O meu também. - eu dei um selinho nele. - Não acha que está me mimando demais?
- Talvez. Mas eu realmente não me importo em te mimar. - ele riu e mordiscou minha orelha, me fazendo arrepiar.
Estar nos braços dele era uma sensação inigualável, fazia eu me sentir completa, me sentir feliz de novo. Era tão quente e aconchegante, tão natural. Como se fosse onde eu deveria sempre estar.
- Faz tanto tempo que não te vejo sorrir assim. - ele disse enquanto eu aconchegava minha cabeça em seu peito - Eu não trocaria esse seu sorriso por nada no mundo. - Nate sorriu e acariciou meu cabelo. Ele beijou o topo da minha cabeça e colocou mais sorvete na minha boca.
- Estar com você é tão... natural, tão bom. Você me faz sentir tão especial. Você cura todas as feridas que eu tenho. Quando estou com você, tudo some, só existem eu e você. Você me faz sorrir.
- Te ver feliz me faz feliz. Eu te amo... Você não imagina o quanto. - eu me afastei e olhei nos olhos dele. Dentro de mim, eu queria encontrar as palavras que eu devia dizer agora, palavras perdidas há tanto tempo.
- Eu também te amo. - ele encostou os lábios nos meus e mais uma vez tudo ao nosso redor desapareceu.
Flashback OFF
- ! ? - acordei de minhas lembranças com alguém estralando os dedos na frente do meu rosto até que eu acordasse - Parece que precisa de ajuda com esse sorvete...
Meu olhar se iluminou ao ver que na minha frente, o sorriso mais doce e bonito do mundo se abria para mim. Nataniel Archibald estava parado na minha frente com uma feição que eu desconhecia completamente.
- Nataniel? Que surpresa... É eu... Eu acho que preciso... Peguei mais sorvete do que aguento! - eu disse rindo, um pouco sem graça.
- Posso me sentar com você?
- Claro! - Eu sorri e ele se sentou do meu lado.
Era estranho tê-lo sentado ao meu lado depois de tantos anos. Era doloroso ver aqueles olhos e saber que eles não eram mais meus, que jamais seriam meus novamente, por minha culpa.
Desculpe pela ligação mais cedo... Eu estava nervosa por causa de uns problemas. - ele sorriu e pegou a colher da minha mão.
- Não se preocupe... - ele pegou um pouco de sorvete e tomou. - Estou acostumado, sabe.
- O que está fazendo aqui? Quero dizer, não que eu esteja achando ruim, é só que... O que você está fazendo aqui?
- Eu te vi aqui sozinha e com cara de choro, resolvi ver se estava tudo bem... Eu tenho a noite livre mesmo. - ele me entregou a colher e eu peguei um pouco de sorvete.
- Não vai sair com a Blair? Vocês estão sempre juntos...
- Ela tem alguns compromissos de família. - ele deu de ombros - Tirei a noite pra descansar, apesar de o Chuck querer me arrastar para alguma festa... Preciso de um tempo para mim.
- Que bom que arrumou tempo para descansar. Mas me conte como vai sua vida? Sua família? - ele sorriu torto - Como vai a sua mãe? Já tem um tempão que eu não a vejo.
- Todos ótimos, e eu mais ocupado que nunca com todos aqueles compromissos inadiáveis. - eu tentei sorrir, mas acho que pareceu mais uma careta.
- Eu estava com saudades. - eu disse involuntariamente.
- Eu também. E tenho algo pra te perguntar, antes que eu tenha que ir embora, o que é logo. - ele disse sério e minha careta se transformou numa cara triste.
- Pergunte então, nosso tempo está acabando.
- Como você vai? - eu ri e ele sorriu.
- Bem, um pouco cansada... Minha mãe está doente e tive que passar um tempo em Toronto com ela. Agora que voltei, ela me quer de volta... Sabe, ela está ficando velha e desde que papai se foi só sabe reclamar. - eu ri - Vou morar com ela por alguns meses, só até eu convencê-la a vir morar aqui comigo. A mudança está me matando... E tem o colégio. E tem também todas essas coisas que me afetam mais do que deveriam. - eu disse com os olhos cheios de lágrimas.
- Então você vai embora?
- Basicamente... - eu disse limpando as lágrimas que teimavam em escorrer pelo meu rosto. - Eu não quero ir.
- Não chore... Eu ainda odeio te ver triste. - ele disse atenciosamente e meu coração acelerou enquanto as lágrimas escorriam.
- Me perdoa... - eu ri e fechei os olhos, enxugando as lágrimas - Acho que é só isso que eu consigo te dizer, neste momento.
Ele desviou o olhar do meu e por um minuto pareceu que ele ia dizer sim, ia dizer mais uma vez que me ama. Mas quando seu olhar se encontrou com o meu, eu sabia que não ia ser assim, nunca foi. As coisas não eram tão fáceis assim agora que eu já havia estragado tudo.
- Não há nada a perdoar. Eu nunca fiquei com raiva de você. Mas... As coisas mudaram. Apenas isso. Você ainda é a e eu ainda sou o Nate... Ainda somos amigos, apesar da falta de contato. - senti meu coração se despedaçar em mil pedaços e aí sim as lágrimas tomaram proporções maiores - As coisas mudaram, mas isso não significa que eu não queira ser seu amigo. Vem cá. - ele me abraçou e eu me aninhei em seu peito, como nos velhos tempos.
A sensação de aconchego voltou depois de tanto tempo, e eu senti como se tudo estivesse finalmente certo... Amigos. Será que ia me acostumar com isso? Será que isso era real?
Provavelmente não. Eu nunca conseguiria olhá-lo e conseguir ver um amigo. Ele significava muito mais que isso para mim. Mas neste momento eu o amava tanto, que sabia que perdê-lo de novo seria o fim. Neste momento, eu o amava o suficiente para deixá-lo ir, se ele realmente quisesse. Eu sabia que ele queria, e de qualquer jeito, em alguns dias eu iria para o Canadá sem data para voltar.
- Eu te amo... - eu sussurrei com a voz falha e ele suspirou.
Talvez não tivesse adiantado nada ter dito aquilo, mas ele precisava saber. Saber que apesar de tudo, eu ainda o amava, mais do que eu deveria, mais do que eu gostaria. Bem mais do que eu realmente precisava.
- Eu queria que você tivesse percebido isso antes.
- Teria mudado muita coisa... - Eu fechei os olhos e sorri.
Capítulo 2
"And I go back to December, turn around
(E eu volto a dezembro, dou meia volta)
And change my own mind
(E mudo minha própria mente)
I go back to December all the time
(Eu volto a dezembro o tempo todo)
And how you held me in your arms
(E como você me segurou nos seus braços)
That September night
(Naquela noite de setembro)
The first time you ever saw me cry
(A primeira vez que você me viu chorar...)"
No dia seguinte, eu acordei um pouco indisposta. Talvez triste seja a melhor palavra para expressar o que eu estava sentindo naquele momento. Antes eu costumava ser só sorrisos, sempre brincando e fazendo bagunça com minhas amigas. Mas, agora, acabaram-se os sorrisos, brincadeiras. Talvez seja porque o amor se acabou. Bem, não importa mais. Não mais, é tarde demais.
Passei a manhã toda deitada vendo TV e quando olhei para o relógio vi que já eram quase quatro horas, então resolvi me levantar e fazer algo. Algo me dizia que o dia não seria tão ruim, então eu liguei para a Jenny e a chamei para passar à tarde no meu apartamento. Era disso que eu precisava: Amigas, chocolate e talvez alguma comédia estúpida que me fizesse sorrir.
- Jenny? - eu disse quando ela atendeu.
- Meu Deus do céu, hoje é o dia da volta dos que não foram! eu já estava começando a pensar que você tinha passado dessa para melhor! - Jenny disse rindo.
- Jenny... Tem só três dias que não nos falamos.
- Eu sei! E isso é muito, você sabe, somos melhores amigas e primas.
- Bem, já que está com tantas saudades de mim, estou esperando você. Venha rápido e não se esqueça dos filmes e do chocolate. - eu disse rindo e ela concordou.
- Pode deixar. Nos falamos daqui a pouco. - ela desligou o telefone e eu fui para o banheiro tomar um banho.
Uma das poucas coisas que eu amava no meu apartamento, era tomar banho na enorme banheira que havia na minha suíte. Além de ser extremamente relaxante, fazia eu me esquecer de toda a loucura que minha vida havia se tornado.
Após quinze minutos submersa na água, ouvi batidas na porta e me enrolei na toalha, já sabendo que se tratava de Jenny. Corri e abri a porta, voltando correndo para meu quarto para vestir uma roupa.
- ! - Jenny disse entrando no meu quarto e me abraçando enquanto eu calçava o meu tênis.
- Oi Jenny! - eu disse abraçando minha prima.
- As coisas estão lá na cozinha. E eu não trouxe um filme e sim esmaltes. - mostrou as unhas sem cor - Preciso arrumá-las urgentemente.
- E o mesmo vale pra você! - disse pegando minha mão e vendo minhas unhas arruinadas. Ela balançou a cabeça em negação e abriu meu guarda roupas. - Achei! - ela disse pegando minha maleta de esmaltes.
- Vamos pra sala. Vou na cozinha pegar o sorvete de chocolate e algumas colheres. - Jenny disse correndo para a cozinha.
Assim que entramos na sala, Jenny jogou o pote de sorvete no sofá e ligou a TV. Passava uma reprise de ?Valentine?s Day?, um dos nossos filmes preferidos. Nós sorrimos e abrimos o sorvete, cada uma pegando uma colher e enfiando na boca.
- Então... Por que me ligou, desesperada por companhia? - ela perguntou pegando uma colherada e me entregando o pote de sorvete - É o Nate, certo?
- A gente se viu ontem quando eu fui tomar sorvete, ele se sentou comigo e a gente conversou muito. Ele disse que sentia minha falta, mas que as coisas jamais seriam iguais. Eu contei que ia me mudar e ele disse que acima de tudo eu podia vê-lo como um amigo, que eu poderia contar sempre que precisasse... Foi estranho.
- , isso é ótimo! Quer dizer, em partes. A parte boa é que ele ainda guarda sentimentos por você, apesar de tudo... - Jenny disse enquanto lixava as unhas. - Mas, por outro lado, o coração dele ainda está partido. Você precisa reconquistá-lo aos poucos.
- Do que adianta? Eu estou indo embora e eu sinceramente não planejo voltar. E ele tem a Blair.
- Dê a ele algo para se lembrar. Mande uma mensagem! Combine de saírem mais tarde, só como ?amigos?. - ela fez as aspas no ar e me entregou meu celular, que estava jogado no sofá.
Jenny me olhava sorrindo e eu apenas observava o celular em minhas mãos. Era errado por um lado, mas eu realmente poderia dá-lo algo para se lembrar. E além disso, íamos apenas conversar, ele mesmo tinha dito que éramos amigos.
Suspirei e digitei rapidamente uma mensagem.
"Vai estar muito ocupado mais tarde? Xx ."
- Satisfeita? - perguntei a Jenny.
- Muito! - ela riu e me passou a lixa e o celular tocou em minhas mãos.
"Até agora, não."
Jenny sorriu, me incentivando. Revirei os olhos e peguei uma colher de sorvete enquanto digitava com a outra mão.
"Não estou tendo um bom dia, pensei que talvez pudéssemos nos encontrar, tomar um sorvete e conversar."
"Se não formos demorar muito, tudo bem. Como amigos?"
"Somos amigos, Nate."
"Eu passo na sua casa umas sete horas. Eu realmente não posso demorar lá, mas de qualquer jeito eu prometi que você sempre teria um ombro amigo."
"Não precisa fazer isso por obrigação."
"Acredite, não estou."
- Então, ele vai passar aqui às sete. Vamos tomar um sorvete e conversar.
- Só não me diz que você vai com esse cabelo... - Jenny reclamou e eu ri.
- Nós só temos umas três horas pra te deixar perfeita para esse encontro! - disse correndo para meu quarto para pegar as coisas de cabelo, logo se esquecendo das unhas.
- Não é um encontro. - eu disse enquanto ela me puxava para o quarto.
- Não diga que não é um encontro. - ela disse com raiva e me sentou na cama, soltando meu cabelo e ligando a prancha na tomada.
- Mas não é!
- Não vai ser um encontro até você dizer que é um encontro. - eu suspirei vencida e deixei ela cuidar do meu cabelo.
Capítulo 3
- Estamos quase lá! - Jenny disse em um tom determinado.
- Jenny, você realmente não precisava ter feito isso! - eu me olhei no espelho e meu cabelo estava liso, brilhante e leve como não ficava há um bom tempo.
- Claro que precisava! Você é minha prima, quase minha irmã... Além disso, nós duas sabemos que é só um sorvete, mas também sabemos o quanto significa para você... - ela me abraçou e eu senti meus olhos marejarem.
- Eu amo você... Não sei o que vou fazer sem você no Canadá. - eu disse segurando as lágrimas.
- Eu também amo você, .
Eu vesti uma saia alta com um cinto e uma blusa branca simples. Coloquei um salto baixo e passei uma maquiagem de leve, eu não queria que ele percebesse o quanto me arrumei. Rapidamente nós arrumamos toda a bagunça que tínhamos feito e deixamos meu quarto arrumado.
Nós duas nos sentamos na sala e continuamos conversando enquanto Nate não chegava. Apesar de feliz, eu não podia deixar de sentir medo. Medo de algo dar errado e eu estragar a única chance de Nate se lembrar de mim quando eu estivesse longe.
O telefone fixo tocou e eu corri para atender, quase tropeçando nas caixas que estavam espalhadas pelo chão.
- Alô? - eu disse.
- Srtª , o Sr. Archibald está a te esperar aqui na entrada. - o porteiro disse, como sempre educado. Agradeci e desliguei rapidamente.
- Sorria! - Jenny disse me abraçando rapidamente. - Não estrague tudo e boa sorte.
Eu desci as escadas correndo, afinal um elevador demoraria muito mais e corri para o hall de entrada, meus olhos o procuravam freneticamente. Ele estava escorado na parede, com a chave do carro e um buque na mão. O cabelo penteado para trás e um sorriso despreocupado, como sempre.
Quando ele me viu chegar, abriu um imenso sorriso e abriu os braços para me dar um abraço mais do que confortável. Eu tinha uma sensação tão boa quando eu estava com ele, uma sensação única.
- Que saudade. - eu disse.
- Nos vimos ontem. - ele riu e eu sorri sem jeito.
- De ontem para hoje se passou muito tempo, quase vinte e quatro horas.
- São para você. - ele me entregou o buquê de rosas vermelhas e eu as cheirei, sorrindo. - Espero que não as jogue fora dessa vez, foi difícil comprar sem a Blair saber, ela é muito ciumenta.
- Obrigada. - eu pedi o porteiro para guardá-las na recepção para mim e saí do hotel com Nate.
Parecia que tudo tinha voltado a ser como antes, instantaneamente éramos amigos de novo. Pena que éramos somente amigos. Amigos... Nunca seria o suficiente para mim.
Fomos até o centro em silêncio. A situação era mais do que constrangedora e ambos sabíamos que era errado. Apesar de não ser o encontro, eu era a ex dele, Blair nunca encararia bem aquilo.
Assim que chegamos, Nate desceu primeiro e abriu a porta para mim. Nunca deixou de ser um completo cavalheiro.
- Obrigada. - eu disse baixinho.
- Por nada.
- Como vai o colégio? - perguntei enquanto nos sentávamos.
- Cansativo! Com toda essa coisa de ter notas boas... Isso cansa.
- Bem, se precisar de ajuda com matemática, estou à disposição. Quer dizer, enquanto eu estiver na cidade.
- Quando você vai?
- Em duas semanas. - respondi e vimos a garçonete se aproximar.
- O que vai querer? - garçonete perguntou.
- Um milk-shake de chocolate grande. - eu disse sorrindo.
- Com dois canudos, por favor. - Nate completou, a garçonete sorriu insinuantemente para ele e saiu rebolando, fazendo certo ciúme em mim - Eu tenho certeza de que você não conseguiria tomar todo esse milk-shake. - ri e tentei disfarçar minha raiva.
- Pois é. - eu disse e olhei para fora, tentando disfarçar.
- O que foi? - ele perguntou chegando mais perto.
- Nada?
- Vamos lá... Eu te conheço, e essa carinha não me engana. Algo te chateou... Foi eu? Eu disse algo errado? - eu me virei para ele.
- Vai me dizer que não percebeu aquela garçonete toda rebolando pra cima de você, hein? - eu disse com raiva e ele riu.
- Eu não tinha reparado, na verdade... A Blair surtaria completamente e provavelmente brigarei com ela.
- É, a Blair... Ela parece ser ciumenta também. Não que eu tenha direito de ter ciúmes de você, afinal de contas, não somos nada um do outro. - eu conclui, forçando um sorriso.
- Está vendo aquele cara ali na outra mesa te olhando? - eu olhei para a mesa em frente e vi um cara me encarando e assenti - Se eu pudesse iria lá e quebraria a cara dele. Apesar de não sermos nada um para o outro e eu não ter o direito de sentir ciúmes de você.
Nós dois ficamos em silêncio, apenas nos encarando. O rosto dele foi se aproximando devagar do meu, eu fechei meus olhos e torci para que isso acontecesse. Eu podia sentir a respiração dele nos meus lábios, e quando eu senti os lábios dele quase encostarem-se aos meus, algo nos interrompeu.
- Aqui está seu milk-shake. - a garçonete disse colocando o pedido a mesa. Meu ódio por ela só aumentava a cada segundo.
- OBRIGADA. - eu disse entre dentes e ela saiu assustada, mas não antes de piscar para o Nate. - É disso que estou falando, Nate! - eu disse apontando para a garçonete e rindo - Nenhuma mulher no mundo consegue não se jogar em cima de você? - nós rimos.
Nós acabamos ignorando a garçonete atiradinha e tomamos nosso milk-shake. Cada um com um canudo, como num daqueles filmes românticos, mas a diferença é que não estávamos juntos.
Capítulo 4
"Then I think about summer,
(Eu pensei no verão)
All the beautiful times,
(E todas as lindas vezes)
I watched you laughin1 from the passenger side
(Que eu vi você rindo do lado do passageiro)
And realized I loved you in the fall
(E eu percebi que eu te amava no outono)
And then the cold came,
(E então veio o frio)
With the dark days when the fear crept into my mind
(Com os dias escuros quando o medo invadiu a minha mente)
You gave me all your love
(Você me deu todo o seu amor)
And all I gave you was goodbye
(E tudo que eu te dei foi um adeus)"
- Um brinde? - ele disse erguendo seu copo de coca cola - À nossa amizade... - ?E tudo que pode nascer dela...? Completei mentalmente.
- À nossa amizade... - eu repeti e bebi um gole.
Meia hora depois, já havíamos pedido refrigerante e começado uma animada conversa sobre... Absolutamente nada. Estávamos apenas falando coisas aleatórias e rindo, como sempre fazíamos juntos.
- Animada para se mudar?
- Nem um pouco... - eu ri - Vai ser horrível ficar se você. - ele ergueu uma sobrancelha - Quer dizer, sem vocês... Você, Jenny, o pessoal do colégio. - eu tentei corrigir o erro, mas não deu tão certo e ele apenas sorriu. - Quer dizer, eu já tenho estado sem você há um bom tempo.
- Você está tão linda hoje... Quer dizer, você é linda sempre, mas hoje está ainda mais... - ele disse e eu senti minhas bochechas corarem. - Acho que é porque não te vejo assim de perto há um bom tempo.
- Obrigada... Você também está lindo.
Nós dois ficamos um pouco sem graça e depois voltamos a conversar normalmente. Ele sorria e sempre me lembrava de como eu estava linda. Ele sempre me fazia sorrir. As vezes era como se tudo que eu precisasse estivesse ali, sorrindo pra mim.
Ele pediu mais uma coca e a garçonete foi buscar sorrindo. Nate dessa vez não captou meu olhar ciumento e logo voltou a conversar normalmente comigo. A mulher chegou com a garrafa de coca e colocou em cima da mesa. Ela sorriu abertamente para nós e colocou um bilhete no bolso da blusa de Nate e saiu sorrindo.
Eu, sem pensar direito, peguei o bilhete do bolso dele com raiva e li em voz alta.
- "Me liga, gato? 38919754" - eu joguei o papel para o lado dele e me levantei com raiva - Quer saber, chega! Cansei de sempre ter que aturar essas garotas dando em cima de você! - eu saí dali com raiva.
- ? Do que está falando? Não estamos sequer juntos mais! - ele disse vindo atrás de mim.
Eu fui até a porta da sorveteria e vi que caía uma chuva muito forte lá fora. Eu não me importei, apenas sai dali e acabei com meu cabelo, minha maquiagem e minhas roupas.
- , volta! Pare de ser criança! Está chovendo muito, não posso ir atrás de você com essa chuva! - Nate disse da porta do restaurante.
- Eu não te pedi pra ir atrás de mim! Esquece que eu te chamei pra vir aqui, OK? Foi um erro. Você tem a Blair e eu estou indo embora! - gritei, abrindo os braços na chuva - Não somos mais nada um do outro e nem vamos ser, então não sei por que fiz isso. Realmente, eu não tenho o direito de sentir ciúmes de você. Apesar de te amar, eu parti sua porra de coração, não foi? - cega pelo ódio, corri pela calçada molhada, perdendo um dos meus sapatos.
Continuei correndo, as lágrimas raivosas embaçavam minha visão e eu tropeçava e batia em tudo e todos na minha frente.
Cheguei a uma praça vazia, mas nem por isso parei de correr. Quando eu dei um passo senti meu salto agarrar em um buraco e a gravidade me puxar para baixo. Mas antes que eu chegasse ao chão um par de mãos fortes me segurou.
Eu não precisava olhar para saber quem era. Ele me levantou e olhou em meus olhos marejados e irritados.
Não devia ter corrido daquela maneira de lá.
- Eu disse pra não me seguir... Eu sou estúpida. - eu disse chorando.
- Para com isso. - ele limpou as minhas lágrimas com os dedos - Eu tenho um encontro com você hoje e não com nenhuma outra garota, nem a Blair.
- Não é um encontro.
- Poderia ser um. - ele olhava fundo nos meus olhos e era difícil para mim não olhar para ele.
- Eu sinto muito. Não deveria ter gritado com você e ter tido aquela crise estúpida de ciúmes. Você não é meu e apesar de tanto tempo ter se passado, ainda não sei lidar com isso. Você está com a Blair, que é onde deve estar... E eu estou indo embora. - ele enxugou minhas lágrimas e sorriu. - Apenas me dê algo para me lembrar, Nate.
Sem pensar muito, nós colamos nossos lábios e deixamos a chuva ser nossa música. Em perfeita sincronia, nossos lábios se moviam e pediam cada vez mais um pelo outro. Errado ou não, eu iria me lembrar daquilo para sempre.
Minhas mãos puxavam levemente os cabelos dele, e ele colava mais nossos corpos. A língua dele contornava minha boca, me fazendo arrepiar. Ou talvez fosse apenas a chuva, batendo fria em nossos corpos quentes.
- Eu sinto muito Nate, sinto muito mesmo. Eu fui uma burra, não era sua culpa se eu ainda gostava do Chuck. Ele nunca me mereceu, mas você sim... Você me amou! Você fez de mim sua princesa... Eu amo Nataniel Archibald. Eu sempre amei e sempre vou amar. Eu sinto muito por ter estragado tudo e sei que agora é tarde demais... Mas eu só quero me lembrar de você quando eu estiver longe.
Nós continuamos abraçados enquanto a chuva caia pesada sobre nós, mas aquela chuva não importava. As lágrimas teimosas ainda escorriam enquanto Nate tentava enxugá-las. Eu não sei quanto tempo ficamos ali, nos abraçando debaixo daquela tempestade, mas tenho certeza que durou tempo suficiente para ser inesquecível.
"Olá queridos!
Sentiram minha falta?
Não sei se é de conhecimento de todos, mas a pequena resolveu se mudar para o Canadá para cuidar da mãe doente. Ela jura que isso não tem nada haver com seu ex-namorado N, atual namorado da "Queen B". Dizem as más línguas que ela nunca se perdoou por dar um fora em N, alegando amar seu melhor amigo, C, o ex que partiu o coração da pobrezinha em milhões de pedaços.
Agora que a pequena está fora da jogada, parece que finalmente o casal mais promissor da elite entrará nos eixos certos... Mas será que N realmente a esqueceu?
Tudo o que realmente sei é que tão rápido quanto C despedaçou o coração dela, essa não tão pequena cidade esquecerá a pequena .
Eu sei que vocês me amam!
XOXO,
Gossip Girl."

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