A New Life in NY
Escrito por Sam | Revisado por Mariana
Capítulo 01 - Goodbye L.A.
POV
Eu tenho dezesseis anos, moro em Los Angeles desde que nasci, meus pais se divorciaram quando eu tinha quatro anos, até ai a minha vida não parece tão diferente das demais garotas da minha idade.
Como eu disse meus pais se divorciaram e desde então eu só vejo meu pai uma vez por ano, ele é deputado e vive em Washington, por isso fica difícil dele vir me visitar. Minha mãe tem sua própria marca de roupas, a Designers, ela viaja muito devido aos desfiles e ao Ateliê que fica em Nova York. Por eles estarem sempre longe, eu fico aqui na minha cobertura sozinha, quer dizer, eu tenho a Anne. A Anne é a governanta, está com a gente desde que eu nasci. Ela é a pessoa mais adorável e doce que já existiu, é impossível odiá-la e é a única que esteve sempre ao meu lado.
Eu não tenho amigos, só aquelas garotas da minha sala que andam comigo por interesse, querendo ganhar alguma popularidade, estou feliz de finalmente sair daquela escola e não ter mais que aguenta-las. Sim, eu vou sair da escola, estou me mudando para Nova York, isso vai facilitar o trabalho da minha mãe e ela não vai mais ter que ficar viajando tanto.
Estou feliz de sair de L.A., sem mais o calor sobrenatural que essa cidade possui e sem meninas insuportáveis. Nova York, o lugar perfeito para viver: o inverno, as melhores marcas e lojas espalhadas por todo lado, pessoas que sabem se vestir... Espero que lá eu consiga achar amigos de verdade. O melhor? A Anne vai se mudar comigo!
Acordei cedo, fiz minha higiene pessoal, fui ate o meu closet para escolher uma roupa e estava quase pronta. Hoje era o ultimo dia em L.A.. Estava terminando a maquiagem quando alguém bateu na porta:
– Entra.
– Srta. , tem alguém lá embaixo querendo te ver.
– Ok, já estou descendo, Anne.
Dei uma ultima olhada em tudo, sentiria saudades daquela casa. Me dirigi até a sala de visitas que ficava no andar de baixo e estava lá parado no fim das escadas, com um buquê de peônias e uma caixinha verde da Tiffany’s parecendo um príncipe. era meu namorado, a única coisa que fazia L.A. não ser tão ruim assim, ele era ator, provavelmente o seu único defeito, eu não gostava de todas aquelas fãs loucas correndo atrás dele.
– Amooor! - falei correndo até ele e o abracei fazendo com que quase derrubasse tudo o que estava segurando.
– Heeeey. - ele disse sorrindo e tentando de equilibrar, eu o soltei e ri. - Isso é para você. - me entregou as flores.
– As minhas preferidas. - disse as cheirando e peguei a caixinha.
Assim que a abri ele disse:
– Lembra? Nosso primeiro encontro que eu te levei para patinar?
Sorri lembrando de tudo, era um colar com pingentes de patins. Coloquei o colar em suas mãos e me virei fazendo um rabo de cavalo com o cabelo para que ele pudesse colocar o colar em mim.
– Eu adorei. - disse passando o dedo pelo pingente enquanto ele beijava minha nuca.
– Vou sentir a sua falta. - ele falou me abraçando.
– Também vou sentir a sua falta.
Nos olhamos por algum tempo e nos beijamos.
– Por favor, não vá, você pode vir morar comigo.
– , você sabe que não é tão simples assim, é o trabalho da minha mãe, eu tenho que ir.
– Prometa que nunca vai esquecer-se de mim.
– Eu nunca vou me esquecer de você. - eu não gostava de fazer promessas, porque eu nunca as cumpro, mas talvez essa eu pudesse cumprir.
O celular tocou e ele teve que ir, nos despedimos e ele saiu correndo dali, provavelmente era o agente dele então nem me dei o trabalho de perguntar quem tinha ligado.
Estava no jatinho da minha família com Anne e minha mãe esperando ele decolar e senti meu celular vibrar. Era uma mensagem e eu não conhecia o numero, era uma foto, uma foto dele saindo de uma balada com uma mulher que eu não sabia quem era e em seguido outra foto do mesmo numero, mas dessa vez estava beijando aquela mulher. Nesse momento meu coração disparou, a raiva e não a dor tomou conta de mim, eu podia sentir meu rosto queimar de tanto ódio.
Me levantei e fui sentar longe da Anne, eu não queria ficar perto de ninguém. Então meu celular tocou, eu não conseguia acreditar que ele tinha coragem de me ligar. Atendi.
– ? - Eu não sabia o que dizer.
– , você está ai? Eu posso explicar... Por favor, fale alguma coisa. Eu sinto muito.
Respirei fundo e juntei toda a força que existia em mim para conseguir falar:
– Quer saber? Eu não preciso disso. Não consigo acreditar que você fez isso comigo! Todo esse tempo mentindo para mim, tentando esconder algo que você sabia que eu ia descobrir.
– Mas eu te amo...
– Você me ama? - eu dei sorriso irônico. - Sério? Você brincou comigo, para você o amor é só um jogo. Eu achei que te conhecia, mas agora a única coisa que eu sei é o seu nome.
– Acredite em mim, por favor.
– Você sempre me pediu isso e eu sempre acreditei. Acreditei que você me amava, que eu era a única pra você. E sobre ela? Se não fosse nada porque você tentaria me esconder? Eu não posso mais acreditar em você. Tudo o que tínhamos foi queimado e não sobrou mais nada. É isso, está terminado.
– ...
– Eu nunca mais quero te ver ou ouvir a sua voz, não me interessa mais o que você fez ou faz ou que você tem a me dizer, não me ligue ou insista, fui clara? Acabou.
Desliguei, eu estava devastada. Minha mãe e Anne me olhavam preocupadas só que resolvi ignorá-las. Disse para mim mesma em pensamento:
– Respira... Respira... Respira fundo... Eu estou melhor sem ele.
E meus pensamentos foram interrompidos pelo meu celular. Era ele. Ver o nome dele na tela só me deixou com mais raiva. Peguei o celular e joguei em um canto qualquer e ele quebrou. Seria melhor assim, chegando em NY eu compraria um celular novo e mudaria o meu numero, desse jeito sem mais as garotas insuportáveis de L.A. e principalmente: sem . Peguei o colar que ainda estava usando, arranquei do meu pescoço e joguei no meio de algumas bolsas que tinham na poltrona que ficava do lado da que eu estava.
Capítulo 02 - Hey Upper East Siders
Finalmente estava em Nova York. Assim que chegamos havia um carro a nossa espera, nosso novo motorista seria James, eu lembro dele das vezes que eu vim para cá quando era mais nova com a minha mãe, era ele que nos buscava e levava ao aeroporto. Lembro até de uma vez que vim com Anne, ele tinha uma quedinha por ela e quem sabe agora que vamos morar aqui eles não fiquem juntos.
Chegamos ao Upper East Side e como sempre minha mãe havia escolhido a cobertura. Era linda, mais do que a de L.A., ela sempre arrasava na decoração, as paredes eram todas brancas e algumas em um tom champagne, os papeis de parede eram lindos, os móveis do andar de baixo eram todos de madeira bem escura, haviam varias flores (ninguém ama mais flores do que a minha mãe), subi as escadas e o meu quarto era simplesmente perfeito: todo branco, azul e com detalhes em dourado, na parede havia um quadro de Audrey Hepburn e o meu closet era bem maior que o antigo quase enlouqueci. O único defeito era o vaso de peônias na mesa ao lado da cama, eram as minhas flores favoritas, mas naquele momento elas só me lembravam do .
Desci até a sala de estar onde minha mãe estava:
- Então, o que achou? - ela perguntou.
- Preciso realmente responder? - falei super feliz e animada.
Ela riu:
- Sabia que ia gostar.
- Quando as aulas vão começar? - disse me lembrando que teria que ir para a escola.
- Amanhã mesmo, filha.
Passei o resto do dia fazendo compras, ela conhecia os melhores lugares para ir. De noite quando estava me arrumando para dormir meu novo celular vibrou, era estranho já que quase ninguém tinha esse número. Era uma mensagem de alguém chamada Gossip Girl:
"Hello Upper East Siders, último dia de ferias e eu descobri que rostos novos e interessantes apareceram por aqui, amanha saberemos mais sobre eles. Será que algum deles poderá ameaçar o reinado de Queen B? E as notícias sobre nossa elite: S está desaparecida as ferias inteiras e C foi visto com varias mulheres em seu novo iate que ele ganhou em uma aposta.
You know you love me xoxo Gossip Girl"
Quem é Gossip Girl? Quem é Queen B, S e C? Como ela conseguiu o meu número? Estava cansada demais e fui dormir, amanhã eu teria que acordar cedo. Depois eu pensaria nisso.
Levantei, abri as cortinas e fiquei encarando por algum tempo aquela vista linda, então um vendo gelado invadiu meu quarto, eu estremeci e em seguida fiquei sorri por não ter mais aquele calor insuportável de Los Angeles. Caminhei até o banheiro, tomei banho, fiz toda minha higiene pessoal e fui escolher o que vestir. Peguei uma saia curta da última coleção da minha mãe, uma meia-calça escura e grossa, peguei uma blusa branca de mangas curtas, coloquei por cima um cardigã neutro que tinha algumas pedras, calcei meu Louboutin, escolhi uma bolsa Louis Vuitton e por fim um sobretudo vermelho. Fiz uma maquiagem simples, dei uma ultima olhada no espelho ajeitando o meu cabelo e desci as escadas indo até a sala de jantar onde o café da manha já estava na mesa.
- Bom dia, mãe. - disse me sentando.
- Bom dia filha, acordou cedo. - ela falava enquanto sorria por ver que eu usava algo de sua marca.
- É o primeiro dia de aula, não quero me atrasar.
Tomei meu café e me despedi dela, desci e James me esperava encostado na limosine em frente ao prédio.
- Bom dia James!
- Bom dia Srta. . - disse enquanto abria a porta para que eu pudesse entrar.
Estava um pouco nervosa, não sabia o que podia me esperar na minha nova escola, a Constance Billard.
Cheguei, James abriu a porta e eu desci, e o celular de todos começou a tocar, inclusive o meu. Era aquela Gossip Girl de novo:
"Hello Upper East Siders, é o primeiro dia de aula e olha só quem veio para a Constance, , mas ela prefere , isso mesmo, filha de e nós amamos as roupas dela não é mesmo? Ela era a rainha de seu antigo colégio em L.A., o que será que nossa Queen B fará com ela? E atenção garotos parece que ela esta solteira.
You know you love me xoxo Gossip Girl"
OMG eu não acredito nisso ela sabe o meu nome, ela sabe do ! E parece que todo mundo recebeu essa mensagem, todo mundo estava me encarando, mas eu sou e nada me intimida, nem essa Gossip Girl. Entrei na Constance quando eu senti alguém vindo atrás de mim:
- Hey, você é nova aqui, será que posso te ajudar?
Olhei para trás e um garoto lindo me encarava:
- E quem é você? - ele deu um sorriso torto.
- Eu sou Chuck Bass. E você é a , certo?
- Parece que todo mundo já me conhece. Mas eu prefiro que me chamem de .
- Então , posso te ajudar?
- Não, obrigada. Foi um prazer te conhecer. - sorri e me virei para continuar andando.
- Foi um prazer conhecer você também. E quando precisar de ajuda é só falar, estarei esperando.
- Eu vou me lembrar disso. - olhei para ele que sorria e fui embora.
Estava caminhando enquanto olhava que aula eu teria agora e acabei trombando com alguém.
- Ai meu Deus! Me desculpe, eu não tinha intenção...
Ela não me deixou terminar minha frase:
- Está tudo bem, não precisa se desculpar. Você é ?
- Sim.
Ela era uma menina com cabelos loiros bem claros e estava usando uma tiara azul.
- Prazer, eu me chamo Jenny. Jenny Humphrey.
- Prazer. - falei enquanto reparava no cara de cabelos pretos que estava ao lado dela.
- Esse é o meu irmão mais velho, Dan. - disse apontando para o cara que havia acabado de reparar.
- Eu sei me apresentar, Jenny. Prazer, Dan Humphrey.
- Desculpa. - ela disse revirando os olhos.
- É um prazer.
- Amei seus sapatos!
- E eu amei sua tiara. - nós rimos enquanto Dan se sentia deslocado com a nossa conversa.
Nos falamos até o sinal tocar e nos despedimos.
Dan tinha a minha idade e adorava escrever, eles moravam no Brooklyn e Jenny era apaixonada por moda. Era tudo o que eu sabia sobre eles.
Fui até a minha sala e me sentei em uma mesa no fundo. E quem entra pela porta? Sim, Chuck Bass. E ele veio em minha direção e apoiou as mãos na minha mesa.
- Então, já precisa da minha ajuda?
- Não. Ainda não. - corrigi.
Chuck insistia em querer conversar.
- Por que você veio para Nova York? Não gostava de viver em Los Angeles?
- Se eu soubesse que aqui existiam pessoas como você, eu teria ficado em L.A.
- Por que você é tão má educada?
- Por que você quer falar comigo?
- Porque eu gostei de você. - ele deu sorriso malicioso e eu revirei os olhos - Mas pelo visto você não gostou de mim e por quê? Eu sou Chuck Bass e todo mundo gosta de mim! Por que você não gostaria? Eu sou Chuck Bass!
Ele falou e fez uma cara de indignado, eu ri.
- E daí que você é Chuck Bass? Eu te conheço á menos de uma hora e eu já ouvi três vezes a frase "Eu sou Chuck Bass". Eu entendi o seu nome na primeira vez, não precisa ficar repetindo.
- Você não me respondeu.
- O quê?
- Por que você é tão má educada?
- Eu não sou má educada!
- É sim.
Nós rimos.
- Então por que se mudou?
- O ateliê da minha mãe fica aqui em NY, por isso eu vim pra cá, vai evitar que ela viaje tanto.
- Entendi.
- Você sabe que a Constance é só para garotas, não sabe? O sinal já tocou, é melhor ir embora.
- Eu vou, mas não pense que vai conseguir se livrar de mim tão fácil.
Dei um sorriso falso e fiz um sinal com a mão para que ele saísse, logo depois a professora entrou na sala.
No intervalo fui comprar um iogurte e encontrei Jenny.
- Heey!
- ! Quer se sentar com a gente?
- Claro.
Esperei que ela comprasse o seu iogurte e fomos até a mesa que Dan estava.
- Oi Dan.
- Oi .
Então eu resolvi esclarecer todas as minhas dúvidas com a Jenny:
- Então, qual é a dessa tal de Gossip Girl?
- Ela tem um blog e ela posta fofocas e os podres da elite de Manhattan.
- E quem é Queen B?
- Queen B é a Blair, ela é a rainha na escola, ela manda e desmanda em quem ela quiser menos na Serena que é a melhor amiga dela.
Enquanto esclarecia minhas duvidas com ela, Dan olhava pro lado, encarando alguém, me virei tentando acompanhar o olhar dele e Jenny riu.
- Para quem o Dan esta olhando? - perguntei curiosa.
- Para aquela loira rindo nas escadas.
- E quem é ela?
- Serena van der Woodsen. - era uma loira, alta, parecia uma modelo - Sabe, o Dan é apaixonado por ela já faz muito tempo, só que ele não tem coragem de ir falar com ela.
Assim que ela terminou, ele se virou para nós:
- Jenny!
- Hey Dan, calma! Eu não vou contar pra ninguém. E aquela de cabelos castanhos é a Queen B?
- Sim, é ela.
Me virei para eles e decidi mudar de assunto, mas algo ou melhor, alguém não deixou:
"Hello Upper East Siders,
mal chegou na escola e C já foi correndo atrás dela, será que uma nova paixão e um novo coração partido sugiram? Vocês conhecem C, não é? E parece que ela não tem a intenção de se tornar a nossa nova rainha, ela esta andando com a Litlle J e com o Lonely Boy. É, parece que a realeza se juntou a ralé.
You Know you love me xoxo Gossip Girl."
E claro, todos estavam olhando para a nossa mesa e para o Chuck, que estava perto das escadas.
- Se não quiser mais andar com a gente...
- Jenny! Você acha que eu não vou mais falar com você por causa disso? Ninguém me intimida, e não vai ser essa Gossip Girl que vai fazer isso.
Ela sorriu e eu continuei:
- Então, por que vocês não vão pra minha casa hoje? Não queria passar o resto do dia sozinha.
- Nós vamos adorar, não é mesmo Dan? - ela disse dando uma cotovelada nele.
- Sim, claro.
Eu sorri, finalmente tinha amigos. Então depois das aulas encontrei os Humphrey e James já nos esperava. Finalmente chegamos ao Upper East Side. Pegamos o elevador e subimos.
- Você mora na cobertura? OMG! - Jenny disse enquanto o elevador se abria.
- Vamos até o meu quarto.
Subimos as escadas e eu podia ver pela cara da Jenny que ela estava encantada com tudo o que via.
- Seu quarto é lindo!
- Obrigada. - sorri.
Estávamos sentados na cama quando alguém bateu na porta:
- Pode entrar.
- Oi filha.
- Oi mãe, esses são Jenny e Dan.
- É um prazer conhecê-los.
- Sra. ! É um prazer conhecê-la também.
- É um prazer. - Dan falou.
Ela se despediu e logo depois Anne trouxe um lanchinho para nós com macarons:
- Jenny você quer ver meu closet?
- Claro!
Abri a parta e ela entrou, deixei-a ali vendo tudo e fui conversar com o Dan que estava na cama:
- Então Dan, você gosta mesmo da Serena?
- Gosto. - ele ficou envergonhado - Por quê?
- Por nada.
- Mas e você? A Gossip Girl disse que está solteira, por quê?
- Eu estava namorando até alguns dias atrás, mas ai eu descobri que ele beijou outra e eu terminei tudo. É por isso que não é bom namorar atores, eles sabem esconder as coisas.
- Eu sinto muito.
- Não, estou melhor sem ele.
- Não vejo o porquê ele te traiu, você é linda.
Dan POV
- Obrigada. - ela deu um sorriso tímido colocando uma mecha de cabelo atrás da orelha.
Quando vi já estava me aproximando dela e nos beijamos. Ela era realmente linda.
Nos separamos e eu disse:
- Desculpa.
- Tudo bem.
- Sabe, você é diferente. Não é igual as outras garotas ricas da Constance.
- Obrigada, quer dizer, acho que isso foi um elogio.
Nós rimos e Jenny saiu do closet.
- Perdi alguma coisa?
Eu não sabia o que responder, então falou:
- Little J, quer fazer compras comigo amanhã?
- Sério? É claro!
- E que tal a gente pedir pizza?
- Ótima ideia. - Jenny respondeu e eu apenas concordei com a cabeça - Eu ligo.
E ela saiu correndo até o telefone. Decidi que era a hora de falar:
- Sobre o beijo...
Ela me interrompeu:
- Está tudo bem, Dan. Esse beijo nunca existiu, ok?
POV
Já fazia duas semanas que estava indo para a escola e naquele dia as minhas duas primeiras aulas eram de História, mas faltava algum tempo para elas começarem então me sentei em um banco, peguei um livro na minha bolsa e comecei a lê-lo. Até então eu não tinha visto a Jenny e nem o Dan.
- Olha só quem está aqui. - ouvi uma voz rouca dizer.
Fechei o livro e olhei para ele:
- Chuck Bass, acho que você esta me seguindo. Não acredito que vou ter que te aguentar hoje de novo.
Todos os dias ele dava um jeito de me achar e ir falar comigo.
- Eu não estou te seguindo. É coincidência... Ou talvez destino.
- Então foi pura coincidência. Eu não acredito em destino, isso é para perdedores.
Ele deu um sorriso torto, eu tinha que admitir, ele era lindo e aquele sorriso fazia com que qualquer garota quisesse beijá-lo... O meu celular vibrou interrompendo meus pensamentos, peguei-o e eu tinha recebido uma mensagem:
"Hello Upper East Siders,
Como não podia faltar, esta noite terá a festa anual de Chuck no Empire Hotel, ele sempre faz questão de começar o ano gerando muitas fofocas com suas festas e algo me diz que esse ano não será diferente. Então pegue o seu melhor sapato e a sua melhor roupa, mas não garanto que vocês continuaram com ela por muito tempo. Vocês sabem como as festas de C sempre terminam, não é?
You know you love me xoxo Gossip Girl"
Assim que acabei de ler apenas olhei para ele e falei:
- Festa?
- Sim e você é a minha convidada de honra.
- E quem disse que eu vou?
- Eu disse. Você vai à minha festa ou vai ter que sofrer as consequências.
- Isso é uma ameaça?
- Não sei, você acha que isso é uma ameaça?
Ele deu seu riso malicioso. Odiava admitir isso, mas eu amava o sorriso dele.
- Mas eu não vou nessa festa.
- Você vai. - Chuck apenas disse isso e se virou indo até um garoto de cabelos castanhos lisos e que tinha olhos azuis.
Os dois começaram a conversar e a me encarar, eu apenas revirei os olhos para C e voltei a ler o meu livro.
Não li nem uma folha e alguém veio falar comigo:
- Oi. - ouvi a voz de uma garota, só que não era a Jenny.
Fechei meu livro desistindo de ler, pelo visto eu não ia conseguir mesmo.
- Oi. - sorri. Era uma garota de cabelos castanhos com alguns cachos nas pontas, ela vestia um sobretudo verde, meia-calça, uma tiara e Louboutins.
- Você é , , certo?
Eu apenas concordei com a cabeça olhando as três garotas vestidas igual à ela que nos encarava.
- Eu sou Blair Waldorf.
- É um prazer conhecê-la. - disse pensando um pouco da onde eu conhecia aquele sobrenome - Você é filha de Eleanor Waldorf, certo?
Disse colocando o livro em minha bolsa e me levantando.
- Sim. - ela sorriu.
Então uma garota loira, alta e bronzeada do outro dia veio em nossa direção:
- Oi B. - disse a abraçando.
- Oi S. - ela retribuiu o abraço.
Ela se virou para mim:
- Oi! , não é? É um prazer conhecê-la. Meu nome é Serena.
Eu sorria para mim e eu fiz o mesmo:
- O prazer é todo meu.
- Nós vamos nos sentar nas escadas. Você quer vir?
Blair me perguntou, dei uma olhada em volta para ver se achava Jenny ou Dan, mas não os vi:
- Claro!
Fomos até as escadas e as três garotas vestidas igual à Queen B nos seguiram.
- Então você e o Chuck...?
Blair me perguntou e eu ri:
- Não!
- Vocês o conhecem?
- Eu, a Blair, Nate e Chuck, nós praticamente fomos criados juntos, nos conhecemos dede que nascemos. - Serena me explicou.
Logo depois Chuck chegou acompanhado daquele garoto de olhos azuis que me cumprimentou:
- Oi, acho que ainda não fomos apresentados. Eu me chamo Nate.
- Prazer, meu nome é , mas pode me chamar de .
Blair pegou seu celular e se levantou ajeitando o cabelo:
- É melhor irmos meninas, se não vamos nos atrasar.
Todos desceram as escadas e cada uma seguiu seu caminho. Fui direto para a aula de História.
- Hey !
Ouvi alguém falar enquanto chegava perto de mim e me virei:
- Serena!
- Pelo visto temos aula de História juntas. Eu acabei me atrasando semana passada e não vim.
Ela sorriu e eu retribui o sorriso. Entramos na sala e nos sentamos no fundo.
- Então qual é daquelas garotas que estavam com a gente nas escadas e que não falavam? - perguntei tentando puxar assunto.
- Ah, isso é coisa da Blair, ela manda e as três obedecem. Mas então o que você está achando de NY?
- Essa cidade é perfeita.
- Eu tenho que te levar á algumas lojas incríveis que tem aqui.
- Eu vou adorar!
- Você vai à festa do Chuck?
- Eu não sei. - a verdade é que eu não queria ir, teria um monte de gente que eu não conhecia e o Chuck, por mais que seja lindo e tenha o sorriso mais sedutor que já existiu, me dava medo, ele ás vezes parecia um tarado. Mas é claro que eu não ia dizer nada disso para ela.
- Por favor, ! Vamos!
- Tudo bem.
Eu e minha boca grande, custava dizer não?
O sinal tocou para o intervalo. Sai da escola e encontrei Jenny.
- Little J, por onde você andou?
- Eu e o Dan nos atrasamos e pelo visto você já arranjou novos amigos. - ela disse em um tom seco.
- O quê?
- Eu devia saber alguém da elite só anda com quem faz parte da elite. Achei que você fosse diferente.
- Jenny!
Eu tentei chamá-la, mas ela continuou andando e me ignorou.
- Hey!
- Blair, Serena. - disse desanimada dando um sorriso fraco.
- Por que você estava conversando com aquela menina, ela é do Brooklyn, não é? Bom, não me interessa. Vamos para escada.
Ok, eu tinha acabado de perder a única pessoa que foi legal comigo no primeiro dia. Pelo visto nem o Dan vai mais olhar na minha cara...
- O que você vai fazer hoje á tarde?- Serena me perguntou atrapalhando meus pensamentos.
- Acho que nada. Por quê?
- Que tal irmos fazer compras e eu te mostro aquelas lojas?
- Seria ótimo. - sorri, compras sempre me deixavam melhor - Você vai, Blair?
- Infelizmente não vou poder. E pode me chamar de B e a Serena de S.
Elas sorriram e eu fiz o mesmo.
- Onde está o Nate? - B perguntou irritada enquanto tomava seu iogurte. S me contou na aula que eles namoravam e viviam brigando.
Depois das aulas, Serena entrou na minha limousine e fomos até a minha casa para pegarmos a minha bolsa. Estávamos no meu quarto quando ela decidiu começar a conversar:
- Sabe , posso te chamar assim?
- É claro!
- Bom, a Gossip Girl disse que você está solteira, você não tinha namorado em L.A.?
- Sim, eu tinha. Mas nós terminamos antes de me mudar para NY.
Falei enquanto pegava minha bolsa e me sentava ao seu lado na cama.
- E você o amava?
- Eu não sei, quer dizer, eu achei que o amava só que...
Não queria falar sobre aquilo, entretanto ela insistiu:
- Só que o quê?
- Bem, eu descobri que ele estava me traindo e eu terminei tudo. Agora eu o odeio. Mas por que, S?
- É que eu vejo todo mundo se apaixonando... E eu queria um cara que gostasse de mim e não partisse meu coração, sabe? Porque eu já tive tantos namorados, mas todos eles me magoaram... E até o Chuck parece estar se apaixonando...
A única coisa que eu conseguia pensar era em como fazer ela e o Dan se encontrarem, eu tinha que fazer aquilo acontecer... Espera! Ela disse que o Chuck estava se apaixonando? Eu ouvi direito? Como assim? E por quem?
- Você vai encontrar o cara certo.
Ela sorriu e eu resolvi continuar:
- Como assim o Chuck está se apaixonando? Quer dizer ele é Chuck Bass, por mais que eu não saiba muito dele, ele é o galinha da escola.
- Mas as pessoas podem mudar, não podem?
- E quem seria a razão para ele mudar?
Ela só me olhou e disse:
- Então, vamos?
Capítulo 03 - Lose Control
Chegamos das compras e Serena ia se arrumar em casa para irmos à festa do Chuck.
Escolhemos nossas roupas, nos maquiamos e estávamos prontas. S estava usando um vestido curto e dourado, com muitas pedras no busto e scarpins pretos. Eu escolhi um vestido preto com um decote bem profundo e Louboutins azuis com pedrarias.
Demos uma ultima olhada no espelho, pegamos nossas bolsas e saímos. Passamos na casa da Blair e fomos direto para o Empire. B estava usando um vestido vermelho com lábios da mesma cor e saltos nude.
James abriu a porta para sairmos, entramos no elevador do hotel que nos levou até o salão da festa. O lugar estava cheio, a música fazia você sentir seu coração saltar com a batida, bebidas para todos os lados, pessoas se agarrando em qualquer lugar que você olhasse:
– Oi garotas. - Chuck apareceu do nada - Sabia que viria.
Ele sorriu olhando para mim:
– Não se anime, Chuck.
Ele ergueu as sobrancelhas olhando para o meu decote.
– Acho que alguém está me chamando, tchau pra vocês. - ouvi B dizer.
– Vou com você. - S falou enquanto saia andando atrás dela.
– Aquelas duas me pagam. - pensei.
– Aceita um drink?
– Não.
– Isso não é resposta, .
Ele disse colocando as mãos em minhas costas e me levando até o bar, me sentei em um dos bancos e ele fez o mesmo:
– Você está linda.
– Obrigada. - sorri, então o barmen chegou com nossas bebidas. Ele virou o copo para tomar o resto do drink que já estava em sua mão e pegou o copo do balcão.
– Você não acha que está bebendo demais?
– Bebida nunca é demais para mim, eu sou Chuck Bass.
Revirei os olhos.
– Por que escolheu o Empire para fazer a sua festa?
– Porque eu sou dono do Empire.
– Então você mora aqui?
– Sim, na cobertura, quer conhecê-la? - ele disse olhando meu decote novamente.
– Não, obrigada. Dá pra olhar nos meus olhos?
Ele riu desviando os olhar.
– Desculpa, é que eu não consigo me concertar com você usando esse vestido.
– Eu não devia ter vindo.
– Eu ainda vou fazer você gostar de mim.
– Acho difícil.
Peguei minha bebida e tomei tudo de uma vez, o barmen logo depois apareceu com mais dois copos e eu bebi tudo em apenas um gole.
– Quero dançar. - falei colocando o copo de volta no balcão.
Me levantei e fui até a pista de dança, estava tocando Just Wanna Dance e C estava atrás de mim.
The night is on cruise control
We're makin it up as we go along
Just wanna lose control
Looks like I'm not the only one
Are you ready to ride?
(make my body move)
Are you ready to ride?
(make my body move)
Are you ready to ride?
(something sexy) (sexy)
Eu apenas deixei a música me levar, estava dançando e Chuck apenas me olhava com um copo na mão. Fui até ele que estava apenas alguns passos de distancia de mim:
– Por que você não larga esse copo? - disse com o rosto bem próximo ao dele.
– Me dê um bom motivo para fazer isso.
– Eu sou um bom motivo?
Ele sorriu entregando o drink para uma pessoa que passava ao nosso lado naquele momento.
– Eu sabia que você não iria resistir. - ele deu um sorriso safado.
– Cala a boca e vem. - o puxei pelo blazer que ele usava até um canto da pista de dança.
We're gonna go boom boom boom all night
The dj's on fire, the partys endless
(are you ready to ride?)
I wanna go boom boom boom all night
My body's on fire
the partys endless
(are you ready to ride?)
I wanna go boom boom boom all night
Boom boom boom all night
(are you ready to ride?)
Eu não sabia o que estava acontecendo comigo, era a bebida? Eu não sou acostumada a beber, mas eu não tinha bebido muito aquela noite, um ou dois drinks. Era a musica? Ou era ele? Que me fazia querer perder o controle?
Estávamos dançando e Chuck colocou o braço em volta da minha cintura e me puxou para mais perto dele, eu senti meu coração acelerar mais do que já estava e o meu sangue começou a ferver. Eu não conseguia entender o que estava sentindo, eu nunca tinha me sentido assim antes. Ele aproximou seu rosto e apenas alguns centímetros separavam nossos lábios, eu não aguentei e o beijei. Eu não acreditava naquilo, eu tinha acabado de beijar Chuck Bass? O cara que eu conheço apenas á duas semanas e mesmo assim já o odeio? Não podia ser.
(are you ready to ride?)
I'm not gettin any sleep tonight
We wont get done until its alive
I'd be movin my body
Till i set it on fire
Not gettin any sleep tonight
Não sei quanto tempo durou aquele beijo, mas mesmo depois que nossos lábios se separaram ele não queria me soltar.
– O convite ainda está de pé. - ele disse.
– Que convite? - perguntei confusa.
– Quer conhecer minha suíte?
Não deu tempo que eu pudesse responder e nem de dar um tapa no meio da cara daquele tarado que era o Chuck.
Just wanna lose control
Apenas quero perder o controle
Looks like I'm not the only one
Parece que eu não sou a única
Nate passou ao nosso lado furioso e nós dois o encaramos:
– Nate, o que aconteceu? - C disse me soltando, dava para perceber a preocupação no tom de sua voz.
N apenas olhou para o outro canto da pista de dança e acompanhamos seu olhar.
– É a Blair?
Falei sem acreditar no que via. Ela estava lá se agarrando com alguém que eu não sabia quem era.
– Vocês terminaram? - agora foi a vez de Chuck se perguntar.
Nate se virou para nós:
– O que aconteceu com vocês? Estão cegos? Que tipo que perguntas são essas? - ele disse indignado - Eu vou até lá.
– NÃO, NATE! - C gritou aquilo como se fosse uma ordem tentando impedi-lo, mas ele fingiu que tinha ouvido.
– Quem é ele? O cara com a Blair?
– É primo do Nate, eles cresceram juntos, mas por atitudes desse tipo eles pararam de conversar.
– O que ele vai fazer?
– Ele está bêbado, vai se machucar, eu tenho que ir até lá...
Ele não acabou de falar e saiu correndo empurrando quem estivesse na frente e eu o segui.
– O que você acha que esta fazendo com a minha namorada? - N gritou puxando o cara pelo braço, fazendo com que ele e B parassem de se beijar.
– Ex você quis dizer.
– Para de querer me provocar, Blair.
A essa altura algumas pessoas já tinham se juntado ali perto para ver o que estava acontecendo, mas como estávamos no canto do salão e o lugar era muito grande não tinha muita gente.
– Nate, vamos embora agora. - C disse em vão porque ele voou em cima daquele homem que eu não conhecia, dando um soco em seu olho.
– Você perdeu o controle? - Queen B disse ficando no meio dos dois.
– Quem perdeu o controle aqui é você.
B olhou para ele como se quisesse dizer: "Fale mais alguma coisa e você morre!"
– Chuck, eles vão se machucar. - falei apavorada.
– , o que está acontecendo?
Serena chegou.
– Ah não! Diz que a B não ficou com o primo no Nate. - S olhou para mim como se estivesse implorando para que aquilo não fosse verdade.
Olhei em volta e havia mais pessoas e a maioria com o celular tirando fotos ou filmando.
Finalmente o primo do Nate que eu ainda não sabia o nome falou:
– Hey priminho! Calma aí. Brigas são para defender o que é nosso e pelo o que eu sei ela não é mais sua. - ele disse em tom sarcástico.
– Se ela não é mais minha, sua é que ela não vai ser.
Ele falou enquanto ia para cima do primo, Nate o empurrou e ele caiu no chão batendo a cabeça.
– Henrique! - Blair gritou.
Então esse era o nome dele.
Henrique se levantou com os olhos cheios de raiva e empurrou N, que tropeçou no garçom que derrubou todas as taças da bandeja, as quebrando.
– Chuck, faça alguma coisa! - Serena gritou.
Nate levantou com a cabeça sangrando por causa dos cacos de vidro, ele colocou a mão no lugar onde sangrava e quando viu o sangue apenas olhou para o primo e correu até ele. N ficou em cima de Henrique e começou á socá-lo. Mas ele conseguiu inverter a situação e pegou Nate pela gola da camiseta e o laçou contra a parede, ele bateu a cabeça muito forte ficando atordoado.
– HENRIQUE, VOCÊ ESTÁ LOUCO?- B disse e correu até N.
– Espera aí, eu achei que você gostasse de mim e não dele.
– É tão fácil te iludir. - Blair respondeu voltando a olhar para Nate muito arrependida.
– Você me paga! Mas eu não bato em mulheres por isso eu vou te atingir de outra forma.
– Do que você está falando? - Chuck resolveu falar.
– Não se meta Bass. Isso não tem nada a ver com você.
– Tem sim.
– Fica fora disso, Bass, e eu não vou falar de novo.
– Chuck, não faça nada, você vai se machucar. - eu disse o encarando.
Mas eu não obtive resposta.
– Eu ainda não acabei com você, priminho.
Agora eu entendi como ele vai atingir a B de outra forma, atingindo o Nate.
– PARA COM ISSO! JÁ CHEGA! - ela gritou.
Henrique estava indo em direção a Nate que estava se apoiando na parede e Chuck simplesmente saiu do meu lado e foi até Henrique antes que ele pudesse tocar em alguém.
– Quer brigar com alguém? Então briga comigo.
– Bass, você é surdo ou o quê? Volta lá pro seu lugar pra continuar beijando aquela vadia e me deixa em paz. - ele olhou para mim.
– EU NÃO ACREDITO EM UMA COISA DESSAS! Ele me chamou de VADIA? - apenas pensei abrindo a minha boca porque eu não conseguia acreditar no que eu tinha acabado de ouvir!
– NÃO CHAMA ELA ASSIM! - C gritou.
Tudo estava ficando cada vez mais surreal, agora ele estava me defendendo?
– E por que não deveria? Ela é mesmo uma vadia.
– Você não a conhece!
Chuck disse isso e em seguida deu um soco bem no nariz dele. Confesso que adorei aquilo, mesmo assim não queria que ele corresse o risco de se machucar para me defender.
– Qual é o seu problema? Bass, ela só mais uma garota como qualquer outra, é gostosa, mas ela não vale tanto assim.
Ele o ignorou e deu outro soco no nariz dele e dessa vez bem mais forte que Henrique levou a mão até o rosto gemendo de dor e quando ele tirou a mão tinha sangue escorrendo.
– Se é isso o que você quer...
Henrique pegou uma cadeira das mesas que tinham ali perto e jogou com toda a força em cima de C que caiu em cima dos cacos de vidro. Mas ele logo se levantou e pegou um dos cacos correu até o primo do Nate e cortou o braço dele.
– , vou tentar achar os seguranças do hotel. - Serena disse saindo do salão.
Aquela briga já tinha ido longe demais.
– Chuck, por favor, para! - eu implorei, mas ele fingiu que eu não estava ali.
Resolvi tentar de novo:
– Por favor! Para com essa briga, Chuck! Por mim...
E foi o que ele fez, apenas pegou Henrique e o jogou no chão, deixando-o ali. Até então ele estava de constas para mim e quando ele se virou havia um corte enorme em seu rosto e outros dois em sua mão esquerda, estava sangrando muito.
– Ai meu Deus, você se machucou muito...
Eu não conseguia falar direito, eu não suportava ver sangue e muito menos sentir o cheiro de sangue, eu comecei ficar com enjôo, mas me segurei.
– Está tudo bem...
– NÃO! Não está tudo bem! Você está sangrando!
– Não é nada, . - ele insistiu.
E quando eu fui o abraçar para agradecer por ele ter me defendido, Henrique se levantou:
– Não acabou, Bass!
Ele se virou e Henrique o empurrou contra a parede, assim como fez com Nate. Chuck, ainda atordoado, deu um soco na barriga dele:
– Isso foi pelo Nate.
Deu outro soco no mesmo lugar:
– Isso foi pela Blair.
Então Chuck com joelho bateu no meio das pernas dele:
– E isso foi pela .
Mesmo gemendo de dor Henrique pegou aquela mesma cadeira e jogou novamente em cima de C com toda força que havia restado nele.
– Isso não vai ficar assim, Bass.
Chuck não conseguiu responder, a cadeira dessa vez tinha atingida também seu maxilar e ele estava com a mão não machucada na boca.
– É ele! - Serena apontou para o primo do Nate e os seguranças e levaram para fora.
– Obrigada S, se os seguranças não tivessem chegado agora eu nem sei o que poderia ter acontecido.
– Não foi nada, mas o Chuck precisa de ajuda.
– Deixa comigo. - respondi.
– Qualquer coisa me liga.
– Ok.
Sai correndo até ele enquanto os seguranças faziam com que aquela aglomeração de gente saísse de perto de nós.
– Chuck...
Mal conseguia falar, eu não aguentava vê-lo daquele jeito. Me agachei para ficar próxima dele, ele havia caído por causa daquele idiota.
– Você precisa ir para o hospital.
– Não preciso, eu estou bem.
Ele falou devagar, dava para perceber que seu rosto doía muito.
– Tudo bem se você não quer ir ao hospital, mas eu vou chamar um médico. Se levanta, você não pode ficar no chão.
Coloquei meus braços em sua volta para que ele pudesse se apoiar em mim. Nós saímos da festa com todos nos encarando, entramos no elevador e eu apertei no botão do ultimo andar e entramos na suíte dele:
– Onde fica a sua cama?
– Virando o corredor. - ele disse apontado.
Fiz com que ele deitasse:
– Está confortável?
– Estaria mais se você deitasse comigo.
– Nem assim você cansa?
– Porque deveria? Eu consigo tudo o que eu quero então eu vou continuar tentando.
– Quem disse que você consegue tudo o que você quer?
– Ninguém precisa dizer, eu sei disso. Você veio na minha festa, consegui um beijo seu e consegui fazer você conhecer a minha suíte.
– Mas se eu não tivesse vindo você não estaria tão machucado assim. Desculpa...
Eu olhei para o chão:
– E... E obrigada por me defender. - sorri para ele.
– Não foi nada.
– Como assim? Aquilo significou muito. Mas chega de conversa, qual é o número do seu médico?
– Deve estar ai na agenda. - ele apontou para a escrivaninha - Mas você vai ligar para ele agora?
– Qual é o problema? Você precisa de um médico!
Peguei a agenda e liguei para o medico que logo chegou. Fiquei na sala enquanto ele via como Chuck estava.
A porta do quarto abriu e o medico veio até mim:
– Então, como ele está?
– Ele esta bem, só com um pouco de dor e alguns machucados, mas logo vão sumir.
– Obrigada. - sorri.
Nos despedimos e fui até onde Chuck estava:
– Como se sente? - disse enquanto reparava no curativo em sua mão.
– Bem.
Me sentei na cama o encarando:
– Desculpa...
– Pelo o quê?
– Por você ter se machucado por minha culpa...
– Eu não podia deixar aquele cara falar de você assim e nem ver ele batendo no meu melhor amigo. Isso não foi culpa sua.
– Claro que foi! Se eu não tivesse vindo...
– Eu me machucaria do mesmo jeito, - ele me interrompeu - agora para de se culpar.
Eu dei sorriso fraco para ele.
– Está doendo muito?
– Você está se preocupando demais com alguém que você não suporta.
– Cala a boca, Chuck.
Ele riu para mim, como eu podia amar tanto aquele sorriso?
– Quer alguma coisa?
– Um uísque.
– Vou pegar um copo d’água.
Me levantei e fui até o bar que ficava praticamente grudado com a sala, havia um balcão e atrás dele várias prateleiras com todo tipo de bebida, alguns copos e um frigobar. Abri o frigobar e peguei um pouco de água, quando meu celular tocou:
“Hey Upper East Siders,
Uma festa nunca é uma festa sem um penetra, e parece que o priminho mais odiado causou muita confusão no Empire. Ele estava beijando ninguém menos que Queen B e, é claro, N não podia deixar por isso mesmo. Mas vocês sabem quem foi o herói da noite? C. Ele se envolveu na briga não apenas por seu melhor amigo, mas também por . Isso mesmo, será que o sapo resolveu virar príncipe?
You know you love me xoxo
Gossip Girl”
Capítulo 04 - I'll make you be mine
– Hey! Já passou da hora de acordar.
– Aaahn... O quê? - disse confusa.
Tentei abrir os olhos, mas a luz do meu quarto estava muito forte, o que era estranho.
– O... O que eu estou fazendo aqui?
Eu mal conseguia falar. Ali não era o meu o quarto, ali nem se quer era a minha casa. Eu o encarava sem entender muita coisa, estava sentido uma dor de cabeça muito forte, então ele estendeu a mão e me entregou uma xícara enorme:
– Toma, você deve estar precisando.
– O que é isso? - consegui pronunciar ainda com muito sono e peguei a xícara de sua mão.
– Café, o que mais seria?
– Não sei. Eu espero qualquer coisa vindo de Chuck Bass.
Ele riu.
Me levantei da cama e bebi todo o café.
– Está se sentindo melhor?
- Sim. Obrigada.
Eu ainda estava com sono e com dor de cabeça. Eu não me lembrava de nada depois da mensagem da Gossip Girl.
Olhei para cama e depois para mim, ele apenas riu:
– Não se preocupe, você está vestida. E não, não aconteceu nada.
– Desculpa, é que eu... eu não me lembro de muita coisa que aconteceu ontem...
– Qual é a última coisa que você se lembra?
– De receber uma mensagem da Gossip Girl.
Ele me olhou preocupado:
– Bom... ontem, depois da briga e de você ter insistido em cuidar de mim mesmo eu dizendo que estava bem...
Ele parou e ficou encarando o chão, como se estivesse pensando em uma forma de me contar o que tinha acontecido.
– Eu me lembro disso, e...
–... Você recebeu a mensagem da Gossip Girl e em seguida sua mãe te ligou...
Eu o olhei confusa:
– Me ligou? Mas por quê?
– Ela te ligou para te falar que... que seu pai sofreu um acidente.
– Um... um acidente? Que tipo de acidente?
– O carro que ele estava capotou.
– E como... como...- eu não conseguia falar, não conseguia pensar direito, não conseguia segurar as lágrimas - como ele está, Chuck?
– Sua mãe disse que tinha sido grave e ele teria que passar por uma cirurgia, mas ela ligou uma hora atrás e disse que ele já está melhor, só que ainda está inconsciente.
Agora era eu que encarava o chão, se é que ainda existia chão ali. Meu mundo havia desabado, eu sei que só via meu pai uma vez por ano, mas ele ainda era o meu pai.
– Então depois que você soube disso, você quis beber e você bebeu muito...
A esse ponto da conversa eu não ouvia mais nada do que C falava, não aguentei e comecei a chorar.
– Chuck...
Eu não conseguia se quer montar uma frase.
– Vai ficar tudo bem.
– E se não ficar?
– Vai ficar. - ele me abraçou.
– Eu preciso vê-lo. Eu... eu tenho que ir para Washington.
– Eu sei, eu sei disso. Liguei para a sua casa e... Anne, acho que esse é o nome dela, já mandou suas malas e tem um jatinho esperando por nós.
O olhei e eu não conseguia acreditar naquilo:
– Chuck Bass, você esta sendo gentil? Obrigada.
Troquei de roupa, lavei o rosto e subimos até o teto do Empire, onde o jatinho Bass estava.
Chegamos ao hospital, vi minha mãe sentada e fui até ela, enquanto Chuck conversava com um médico.
– Mãe... como ele está?
– O vai ficar bem, não se preocupe, querida.
Ela me abraçou e chorei de novo. Eu queria ser forte, queria não chorar, mas eu não conseguia.
– Você acredita mesmo nisso? Que ele vai ficar bem?
– Acredito.
Dei um sorriso fraco para ela:
– Então eu também acredito.
Ela sorriu para mim e Chuck chegou:
– Parece que a imprensa já sabe o que aconteceu com o deputado.
– Como assim?
– Tem alguns fotógrafos ai fora. - ele respondeu se sentando.
Me sentei ao seu lado e minha mãe saiu dali dizendo que ia beber água. Dava para ver como ela estava estressada com tudo aquilo.
– Obrigada... por vir comigo. Você deveria voltar, você ainda esta machucado.
– São só alguns arranhões. Você se preocupa demais, só que... eu gostei de você ter se recusado comigo ontem.
Sorri para ele que fez o mesmo.
Minha mãe voltou e se sentou em nossa frente:
– ... tem alguém te procurando.
– Quem?
Me virei acompanhando o olhar dela. E não! Não! Qualquer pessoa menos essa, por favor! Mas, já era tarde demais, ele havia me visto e eu não tinha forças para sair correndo dali e nem para brigar com ele ou xingá-lo.
– . - ele veio correndo até mim.
– Oi . - disse seca - O que você está fazendo aqui?
– Eu fiquei preocupado com você e com o seu pai.
– E por que você ficaria preocupado?
Me levantei, saí de perto deles e ele me seguiu.
– , nós precisamos conversar... mas agora não é a hora certa.
– Eu não tenho nada para conversar com você.
– Só que eu tenho.
– Eu te odeio, !
Dei as costas para ele e estava saindo do hospital para tentar fugir não só dele, mas talvez de tudo o que estava acontecendo.
Quando estava chegando na porta de vidro, vi os paparazzi e dei meia-volta esbarrando nele.
– O que você quer?
– Que você me perdoe.
– Isso não vai acontecer. - e fui em direção ao banheiro, mas ele me seguiu:
– , para! - meus olhos já estavam cheios de lágrimas - Para de me seguir, para de achar que nós vamos voltar, porque nós não vamos. Você mesmo disse que agora não é a hora certa... meu pai... não está bem. Para.
Ele chegou mais perto:
– ...
– Eu não gosto que me chamem assim...
Eu encarava o chão.
Ele se aproximou mais ainda, ergueu o meu rosto com os dedos e me beijou. Eu tentei me separar, mas ele era enorme comparado a mim.
– Nunca! Nunca mais faça isso!
Fui até a minha mãe e me sentei ao seu lado:
– O que aconteceu?
– Como assim?
– Com o Chuck.
– O que tem ele?
– Ele acabou de sair daqui.
– Pra onde ele foi?
– Ele não disse. Aconteceu alguma coisa para ele sair daqui desse jeito?
– Não, quer dizer, eu acho que não...
Nisso o médico chegou:
– ?
– Sim, somos a família dele. - respondi me levantando.
Mesmo depois do divórcio minha mãe quis continuar com o sobrenome do meu pai, já que esse era o nome que ela havia dado à sua marca.
– ? A filha dele?
– Isso. - confirmei.
– Bom, seu pai está muito machucado e não pode fazer muito esforço, mas ele está acordado e quer falar com você e depois com a Sra. .
– Comigo? - minha mãe disse surpresa.
– Então isso significa que ele está bem?
– Sim, não cem por cento, mas logo vai ficar. - sorri para ele.
Eu podia sentir o chão de novo, era como se nada mais pudesse me atingir.
Segui o médico até uma porta e ele a abriu fazendo um sinal para que eu pudesse entrar.
– Oi filha. - ele disse com uma voz fraca.
– Oi pai...
Eu queria muito chorar, mas eu não podia. Quando eu era pequena meu pai sempre brigava comigo quando eu chorava, ele dizia que pessoas como nós não tinham esse direito. Só que eu não consegui segurar as lágrimas, era impossível segurá-las.
Eu ri para ele chorando:
– Eu te amo... desculpa se eu nunca te disse isso.
– Eu também te amo.
Pude ver uma lágrima escorrer pelo seu rosto.
– Lembra que você me dizia que nós não temos direito de chorar?
– Então alguém devia nos prender, estamos desobedecendo às regras. - nós sorrimos.
– Eu senti saudades, pai. Você nunca mais ligou...
– Desculpa ... Eu também senti saudades.
Nos encaramos e me abaixei apara abraçá-lo no meio de todos aqueles fios e aparelhos.
– Eu te amo... - ele sussurrou no meu ouvido - nunca se esqueça.
Sorri para ele.
- Pai...
– O paciente não pode se cansar muito. - ouvi o médico dizer enquanto abria a porta.
– Eu te amo... Tchau.
Fui pegar um pouco de água e veio atrás de mim.
– ... Eu sinto muito pelo o que eu fiz... - me virei para ele - por favor, me perdoa.
– É bom mesmo que você esteja arrependido. Eu já te perdoei, mas isso não significa que nós vamos voltar. Você borrou minha maquiagem tantas vezes e hoje foi o último dia que você sentiu o gosto do meu batom. Tudo que eu te disse aquele dia continuar sendo verdade. Agora vai embora.
Eu o odiava agora, mas eu já o amei e muito, tanto que me permitir sofrer por ele.
Flashback on
Era sábado, 5h da manha em L.A. e eu estava deitada em minha cama encarando o teto. Não conseguia dormir por mais que tentasse, a imagem da noite passada não saia de minha mente e aquilo me incomodava, mas o pior era que eu sabia que logo aquilo estaria estampado em alguma revista podre de fofocas.
era ator com fãs em todo o mundo, a imprensa sempre querendo saber os passos que ele dava e eu odiava isso, odiava não poder ter privacidade com ele, ver garotas que eu não conhecia me xingarem e ler que eu só estava com ele pela fama e dinheiro, até porque eu não precisa disso.
Na noite passada nós tínhamos brigado por causa de todas essas coisas, entendia o quanto era difícil, e eu compreendia que essa era a vida dele; tão movimentada, exposta e parecia que estava em chamas o tempo todo. Mas era quase impossível evitar discussões toda vez que nos encontrávamos. Entretanto, ontem perdemos o controle, gritamos um com o outro e dissemos tudo o que deveriam ter permanecido apenas em pensamento, palavras que machucaram. Eu sai pela porta se perguntando coisas como: "Todo o sofrimento vale a pena?"
Não existiam respostas, ou pelo menos, eu não conseguia encontrá-las.
De repente ouvi batidas pesadas na porta, me levantei da cama e caminhei até a sala.
Era ele e eu não sabia o que dizer ou fazer, me fazia tão bem e tão mal ao mesmo tempo.
Ele se aproximou o suficiente para que pudesse ouvir o meu coração bater, e ele batia na mesma velocidade que o dele.
Nos beijamos e eu não conseguia dizer não, no momento que eu ouvisse sua voz me pedindo para voltar, eu voltaria.
Flashback off
Estava de volta à NY. Assim que o elevador se abriu fui direto para o meu quarto tomar banho.
Sai do banheiro, coloquei uma roupa bem confortável e me joguei na cama. Não queria sair dali nunca mais, estava tão cansada. Mas me lembrei de Chuck, como ele tinha se preocupado comigo e porque ele havia saído do hospital sem mais nem menos, eu precisava conversar com ele. Tentei ligar, mas ninguém atendeu.
Alguém bateu na porta me desviando dos meus pensamentos:
– Filha, sua prima ligou.
– A Megan?
– Isso, ela está vindo para NY.
– Sério?
– Ela vai passar algum tempo aqui.
– E quando ela chega?
– Na próxima semana.
Eu amava a Megan, nós fomos praticamente criadas juntas, ela sempre ia para L.A. para passar as férias com a gente.
– Você apareceu! - ouvi uma voz atrás de mim falar enquanto eu entrava na Constance.
– Nate!
– Eu fiquei sabendo, está tudo bem com o seu pai?
– Está sim. - ele sorriu para mim – Nate, você sabe onde está o Chuck? Eu precisava falar com ele.
– Acho que ele acabou de chegar. - N me respondeu apontando para a limo que estava estacionando.
– Obrigada. – sorri - Vou falar com ele.
– A gente se vê.
– Chuck! - disse indo em sua direção.
– ... oi.
– Tem algo de errado?
– Por que teria? - ele falou erguendo uma das sobrancelhas.
– Não sei... você foi embora do hospital ontem sem se despedir.
– Você não precisava mais de mim.
– Como assim?
Ele não me respondeu, apenas encarou o chão.
– De qualquer modo... obrigada mais uma vez, por tudo.
– Está tudo bem, - ele voltou a me encarar - eu tenho que ir agora. - disse se virando e indo embora.
– !
– Blair, Serena! - estava feliz em vê-las.
– Está tudo bem? - B perguntou olhando Chuck que estava entrando na St. Jude’s.
– Eu não sei, ele... - nossos celulares tocaram e eu não pude acabar de falar:
“FLAGRA: Chuck Bass perdendo algo que ninguém sabia que ele tinha, seu coração.”
E em seguida outra mensagem:
“Hello Upper East Siders,
Sabem quem foi para Washington com ontem? Ninguém menos que C, mas enquanto o coração do deputado voltava a bater o dele parava. foi vista por C beijando outro. Coitadinho. Parece que ninguém consegue tudo o que quer na vida, nem mesmo Chuck Bass.
You know you love me xoxo
Gossip Girl”
Ai. Meu. Deus.
Como assim?
Não fazia sentido.
Eu apenas fiquei encarando meu celular, com a boca aberta e paralisada.
– ? - ouvi S falar preocupada.
Isso me fez voltar à realidade:
– A Gossip Girl está louca?
– Louca ela sempre foi. Mas ela nunca mente.
– O Chuck... ele... - falei tentando entender - Sério? - falei sem acreditar. Ok, agora sim é que eu precisava conversar com ele – O Chuck é um galinha e nós somos amigos. - respondi enquanto caminhávamos para entrar na Constance.
– Exatamente por ele ser uma galinha ele não fica correndo atrás de garotas que não querem ele, porque existem outras que querem.
Fiquei encarando as duas sem acreditar em nada.
Eu tinha que falar com C naquele momento, só que o sinal já havia tocado.
Olhei meu celular e só faltavam 10 minutos para a aula acabar. Assim que eu saísse da sala eu iria imediatamente procurá-lo. Mas o que eu ia dizer? O que se diz em uma situação como essa? Eu nem se quer acreditava que ele podia gostar de mim, quer dizer, ele é Chuck Bass! Ele é o tipo de pessoa que não se apaixona por ninguém, muito menos por mim.
O sinal tocou, peguei minha bolsa e meu casaco o mais rápido que pude e sai correndo da escola:
– Consegui te achar! - disse agarrando a manga de seu casaco antes que ele entrasse na limo.
– O que você quer?
– Conversar e agora.
- Conversar sobre o quê?
– Como sobre o quê? Sobre você ter saído sem dar satisfações do hospital ontem, sobre o que a GG falou, sobre como nada faz sentido... - falei tão rápido que ele me encarou preocupado - Então podemos conversar? Em particular?
– Entra. - ele disse abrindo espaço para que eu pudesse entrar na limosine.
Estávamos sentados um do lado do outro, mas nenhum de nós tinha coragem de falar alguma coisa. Aquele silêncio estava me matando:
– Chuck... - ele olhou para mim - você me odeia? É por causa do que você está tão distante?
– Por que você se importa?
– Porque eu... eu gosto de você.
Ele me olhou confuso, erguendo uma das sobrancelhas.
– Eu disse que eu consigo tudo o que eu quero.
– Chuck eu estou falando sério. Me diz o que está acontecendo.
– Já que você quer tanto saber: sim, eu fui embora ontem por que eu vi você beijando aquele cara. Feliz agora?
Aquilo tudo não fazia o mínimo sentido.
– Você gosta de mim?
– Você é minha amiga, que eu achei que não gostava de mim até alguns segundos atrás, mas é minha amiga.
Eu ri e ele continuou:
– Eu não te entendo, você diz que me odeia e depois me beija. Diz que nunca vai gostar de mim e depois me preocupa comigo. Qualquer garota, no seu lugar, já estaria apaixonada por mim, mas você não.
I make good girls go bad
I know your type
(Eu conheço o seu tipo)
Yeah, daddy's little girl
(Yeah, filhinha do papai)
Just take a bite (one bite)
(Apenas uma mordida (uma mordida))
Let me shake up your world
(Me deixe balançar o seu mundo)
Cuz just one night
(Porque apenas uma noite)
Couldn't be so wrong
(Não pode ser tão errada)
I'm gonna make you lose control
(Eu vou fazer você perder o controle)
Me aproximei dele e o beijei passando meus dedos em seu peito, ele agarrou meu cabelo e apertou o botão para fechar a janela entre nós e o motorista.
– Tem certeza?
She was so shy
(Ela era tão tímida)
'til i drove her wild
(Até eu a conduzi-la)
Ele me perguntou e eu coloquei a ponta do meu dedo em sua boca para que ele não falasse mais nada. Me inclinei para cima dele, enquanto tirava seu casaco.
Chuck tirou a blusa e eu fiz o mesmo. Comecei a beijá-lo com mais intensidade e ele percorria as mãos pelas minhas pernas.
Meu sangue estava fervendo, meu coração acelerava cada vez mais. Porque ele, só ele me fazia sentir desse jeito? Eu não sabia o que estava acontecendo comigo, eu não era assim, eu nunca agi ou me senti assim. Eu o queria, eu queria Chuck Bass, cada parte dele. Eu queria pertencer à ele. Eu não consegui me controlar.
I know your type
(Eu conheço o seu tipo)
Boy you're dangerous
(Garoto você é perigoso)
Yeah you're that guy (that guy)
(Yeah você é aquele cara (aquele cara))
I'd be stupid to trust
(Eu seria estúpida de confiar)
But just one night couldn't be so wrong
(Mas apenas uma note não pode ser tão errada)
You make me wanna lose control
(Você me faz querer perder o controle)
Ele passou aquelas mãos enormes pela minha barriga e começou a beijar meu pescoço puxando meu cabelo cada vez mais forte.
– Eu quero ser sua. - sussurrei em seu ouvido.
Ele me tirou de seu colo e ficou em cima de mim.
– Eu vou fazer você ser minha.
Acordei, me virei para ficar de lado encarando a parede como sempre faço todas as manhãs, mas eu não me deparei com a parede azul do meu quarto, ali nem era o meu quarto, pelo visto já estava virando um hábito eu dormir fora de casa.
– Bom dia!
– Bom dia...
– Te acordei?
– Não... que horas são?
– 7h. - Chuck me respondeu olhando o relógio.
– Huum... nós temos que ir para a escola.
– Ou... nós podemos ficar aqui e repetir o que aconteceu ontem. - ele deu sorriso malicioso e me beijou.
– Não... Chuck, para.
Tentei me livrar dele e sai da cama segurando um lençol.
– Hey! Por que esse lençol? Eu já vi cada parte de você.
– Cala a boca Chuck! - revirei os olhos.
– Tem certeza que quer ir para a escola?
– Tenho!
Peguei minhas roupas que estavam jogadas no chão e as vesti:
– Prefiro você sem elas.
– O quê? Estamos atrasados, vamos logo.
Descemos até o térreo do hotel e a limo já nos esperava. Não falamos nada até chegarmos à Constance e a St. Judes.
Fomos direto as escadas onde B e S já estavam:
– Vocês chegaram juntos? - Blair perguntou.
– , você não usou o mesmo sapato, meia-calça e sobretudo ontem? - Serena quis saber.
Mas o sinal tocou e eu não tive que responder nada.
Caminhamos até a aula de Inglês e nos sentamos, como sempre, nos fundos.
Assim que a professora entrou na sala nossos celulares começaram a tocar:
“Bom dia Upper East Siders,
Parece que um novo casal está se formando aqui. Será que a nossa novata conseguiu o cara que muitas garotas passaram anos tentando ter? É isso mesmo o que você estão achando: estou falando de C e e eles passaram a noite inteira juntos. Pelo visto eu me enganei, C consegue tudo o que quer. Mas será que vai ter seu coração partido? Coitadinha da , pelo visto ela não conhece muito bem Chuck Bass.
You know you love me xoxo
Gossip Girl”
Claro, todos estavam olhando pra mim e cochichando.
– Guardem seus celulares agora! - a professora começou a gritar.
Eu me afundei na minha carteira enquanto B e S me encaravam.
Capítulo 05 - After all he is Chuck Bass
Foi um erro. Eu sei disso.
Mas por que ele me faz sentir assim?
FlashBack On
Ah ótimo! Todo mundo sabe o que aconteceu. Todo mundo sabe que eu dormi com Chuck Bass.
A escola inteira estava me encarando enquanto eu atravessava o pátio em direção a ele.
– Chuck, podemos conversar? Em particular? - ele me encarou erguendo uma das sobrancelhas, confuso.
– De novo? Tudo bem. - ele disse dando as costas para mim e indo em direção a saída da escola e eu o segui - Vamos?
Chuck apontou para a limo enquanto o motorista abria a porta para entrarmos.
Eu estava vendo toda a situação do dia anterior se repetir.
– Eu só quero conversar!
– Eu sei e em particular, certo? Mas eu não vou andando até lugar algum. Entra logo.
A limo estacionou na frente do Empire e nós fomos até o bar do hotel. Ele se sentou em um dos bancos e eu fiz o mesmo. O lugar estava praticamente vazio, então decidi começar a falar:
– Chuck... eu não aguento mais a Gossip Girl, ela não tinha o direito de fazer isso, agora todo mundo sabe.
– E? - ele disse entediado enquanto fazia um sinal para o garçom trazer uma bebida.
– E? E o que, Chuck?- estava indignada, ele realmente achava que aquilo não era nada?
Ele não me respondeu, apenas pegou o drink que o garçom havia acabado de trazer e começou a beber.
Fiquei encarando-o por algum tempo:
– Não. - dei um sorriso irônico - Sério?
Ele me olhou como se eu estivesse louca, mas continuei:
– Você não se importa nenhum pouco dela ter postado aquilo?
– Por que me importaria? - ele deu mais um gole no uísque.
Foi aí que eu percebi como fui idiota. Eu não conseguia acreditar nisso. Eu nem sabia como colocar aquilo em palavras.
– ...Você... você só quis provar que consegue tudo o que quer, não é? ... Ontem não significou nada pra você... - revirei os olhos tentando ao máximo segurar as lágrimas que queriam escorrer e mordi os meus lábios - Por que eu não percebi antes? Você é Chuck Bass, pra você tudo é apenas um jogo... Você não se envolve com ninguém, se trata apenas da conquista... Certo?
Ele se quer olhou pra mim. Aquilo era o suficiente para eu saber a resposta.
Me levantei e peguei a minha bolsa Prada preta.
– Tchau Chuck.
Sai dali o mais rápido que pude, mas eu estava um pouco longe de casa e não dava para ir andando com os meus saltos. Tentei chamar um táxi e logo um parou.
– Para o Upper East Side, prédio... - falei meu endereço.
Eu queria tanto chorar e ao mesmo tempo matar alguém. Eu nunca devia ter ido conversar com ele, eu nunca devia ter se quer entrado naquela limousine no dia anterior e nada disso teria acontecido.
Flashback off
Era sábado, 3h da manhã, o sol parecia que nunca ia nascer e eu não conseguia nem fechar os olhos. Estava deitada na minha cama encarando o teto e ouvindo Cobra Starship no meu iPhone.
Mas eu não conseguia prestar atenção na música, na minha mente à única coisa que se passava era o rosto de Chuck, aquele sorriso... Eu amava tanto aquele sorriso, eu amava a forma como ele me olhava, o jeito que ele falava, o modo dele se vestir... Não, eu não quero pensar nisso, eu não quero admitir isso para ninguém, nem para mim mesma... só que eu amava tudo nele, essa era a verdade. Eu sei, não fazia nem um mês que eu tinha começado a estudar na Constance, eu o conhecia há tão pouco tempo e é errado gostar de alguém que você convive á apenas algumas semana, não é? É errado gostar de alguém como Chuck Bass, afinal ele é Chuck Bass.
Talvez, no meu inconsciente eu goste de sofrer, por isso eu só me apaixono pelos caras que eu sei que vão me magoar... ok, isso é loucura... Eu estou apaixonada por Chuck Bass? Não, não pode ser, nunca. Nós só ficamos aquele dia e foi só isso. Mas a quem eu estou tentando enganar? Odeio ter que me lembrar desse detalhe... foi a minha primeira vez...
- Filha? - ouvi minha mãe dizer bem baixinho enquanto abria a porta.
Tirei meus fones e me sentei na cama enquanto ela fazia o mesmo:
– Mãe o que você está fazendo aqui? Não era para você estar em Paris? Achei que você tinha ido para lá direto de Washington e só voltava na segunda.
– Eu sei, e eu fui para Paris, mas eu disse que voltava no sábado e não na segunda. E o que você esta fazendo acordada até essa hora?
– Eu não consigo dormir...
– Por quê?
– Não é nada mãe.
– Não adianta mentir pra mim.
– Não estou mentindo mãe. Não é nada, serio.
Ela me encarou esperando uma resposta sincera, mas eu não falei nada.
– É algum garoto?
– Mãaeee! Já disse que não é nada, ok?
– Ok, calma. Ah, antes que eu me esqueça, sua prima chega ainda hoje.
Eu sorri e ela se levantou e foi em direção da porta:
– Boa noite.
– Boa noite mãe. - ela saiu.
Pelo menos algo bom, ver Magan seria ótimo.
– MEGAN! - gritei enquanto descia as escadas da cobertura e ela saia do elevador com algumas malas.
Megan tinha cabelos bem curtos e pretos, tinha pele bronzeada e olhos grandes e claros, era alta e tinha um sorriso enorme. Nós sempre nos demos muito bem e ela tinha a mesma idade que eu.
Ela me viu e logo sorriu:
– Hey prima, senti sua falta. - ela largou as malas no chão e me abraçou.
– Também senti. - retribui o abraço.
– Megan, querida, é bom te ver. - minha mãe falou atravessando a sala em nossa direção.
– É bom te ver também, tia.
– Vem, vamos para o seu quarto. - puxei seu braço indo em direção à escadaria.
Subimos e paramos em frente à porta do quarto que ficava ao lodo do meu:
– Espero que você goste da decoração. - falei abrindo a porta para entrarmos.
– Como eu não ia amar? - ela disse enquanto olhava tudo.
– Que bom que você gostou. - ri feliz.
O quarto era bem parecido com o meu, só que menor. Era na verdade o quarto de hóspedes, mas eu e minha mãe havíamos mandado decorá-lo especialmente para Megan. As paredes eram todas em um tom lilás e branco, no centro ficava a cama com muitas almofadas de todas as cores e algumas flores enfeitavam a escrivaninha e a penteadeira.
– Vai ser ótimo esse tempo que nós vamos passar juntas. - ela falou enquanto Anne e James entravam trazendo as malas.
– Sim, vai ser ótimo. - concordei.
– ? - ouvi alguém me chamar bem baixinho enquanto batia na porta do meu quarto.
– Sim?
– Achei que você estava dormindo.
– Oi Megan.
Ela entrou e se sentou na poltrona que ficava ao lado do closet.
– Então o que você vai fazer hoje à noite?
– Acho que nada.
– Que tal a gente pedir comida chinesa e colocarmos as fofocas em dia?
– Amei a ideia.
Peguei o telefone e fiz o pedido em um restaurante que ficava aqui perto no Upper East Side. Meia hora depois já havia chegado.
Pegamos a comida e fomos até o quarto dela.
– Então quais são as novidades? - ela me perguntou.
– Nem tenho.
– Ah, vamos lá , é claro que você deve ter.
Olhei para o chão e fiquei o encarando por algum tempo me lembrando de Chuck e como eu fui idiota.
– , você esta bem?
Isso me fez voltar à realidade.
– Sim, estou. É só que...
– Quê?
– Não é nada.
– Não venha me dizer que não é nada, está acontecendo alguma coisa sim - tá, eu não sei mentir - É algum garoto?
Ok, isso já é demais. Por que todo mundo acha que é um garoto? Por acaso isso está escrito na minha cara? Só pode.
– O quê? Por que você acha isso?
– Está na sua cara que você está assim por causa de algum garoto - eu sabia! Talvez eu devesse usar mais maquiagem...
– Nããão! Não é por causa de um garoto!
– Então qual é a razão?
– É que... Que... Ah não interessa. Não há nada de errado comigo.
– , você não consegue mentir pra mim.
Suspirei desistindo de tentar esconder qualquer coisa dela.
– Tá bom! É um garoto, feliz agora?
– O que ele fez? Você quer que eu dê um murro no meio da cara desse canalha?
Eu queria, a verdade era que eu queria, mas eu não podia falar isso para ela.
– Megan! Não!
Ela sempre amou brigar, desde pequena ela armava brigar com os outros, até com os meninos.
– Tem certeza?
Não, eu não tenho certeza.
– Tenho.
Ok, acho que eu estou começando a aprender a mentir.
– Mas o que aconteceu?
Ou talvez eu ainda não saiba mentir tão bem assim.
Eu contei tudo para ela, absolutamente tudo. Desde o primeiro dia de aula até a nossa última conversa.
Depois que eu acabei ela estava boquiaberta:
– Por isso eu não queria contar. Estou morrendo de vergonha pelo o que aconteceu.
– Mas você sabe que pra mim você pode contar - sorrimos uma para a outra - E você gosta dele?
– Não - parece que mentir meio que virou algo automático -, afinal ele é Chuck Bass, que tipo de pessoa sã gostaria de Chuck Bass?
O tipo de pessoa que é igual a mim.
Conversamos a noite inteira, mostrei a Gossip Girl para ela, rimos, choramos e comemos muito, principalmente macarons.
– Srta. ?
Abri os olhos enquanto Anne tentava me acordar.
– Anne... O que foi?
– Se a Srta. não se levantar vai se atrasar.
– Me atrasar para o quê? Ainda é domingo - disse um pouco sonolenta.
– O Brunch da Sra. Waldorf, a Srta. Blair havia te convidado, não lembra?
Passei a mão pelo lençol procurando o celular, já eram 9h.
– OMG! O BRUNCH! - disse me levantando em um pulo – ACORDA, MEGAN!
– O quê? - ela respondeu bem baixinho, ainda com os olhos fechados se afundando do travesseiro.
– Vamos logo! - tentei puxá-la da cama sem sucesso algum.
– Ir aonde em um domingo de manhã?
– Ir a um brunch.
– Mas eu nem fui convidada - ela disse se sentando na cama desanimada.
– Eu estou te convidando. Agora vai se arrumar.
Vesti meu robbie de seda branca e fui até o meu quarto para tomar banho e me arrumar.
Cerca de uma hora depois já estava pronta; estava usando uma saia salmão, uma blusa branca com alguns detalhes em azul, varias pulseiras, alguns colares e uma sandália de salto em um tom claro, fiz uma maquiagem simples e ondulei as pontas do meu cabelo.
Fui até o quarto de Megan e ela estava acabando de passar o batom.
– Pronta? - perguntei.
– Sim - ela disse enquanto colocava os brincos e vinha em minha direção.
– Ótimo, vamos.
Descemos as escadas, entramos no elevador e apertei o botão do térreo. James já estava nos esperando em frente ao prédio.
Entramos na limousine e fomos até o Plaza, o brunch seria em um dos salões do hotel.
Descemos da limo e entramos.
A porta do elevador se abriu, caminhamos pelo hall, entramos no salão e logo Blair nos viu e veio até nós.
– ! Que bom que você veio - ela me abraçou.
– Oi Blair! Essa é minha prima, Megan, espero que você não se importe, é que ela chegou ontem.
– Oi Megan! Prazer, Blair Waldorf.
– O prazer é todo meu.
O lugar estava cheio, havia amigos, familiares, sócios de Eleanor e pessoas que nem B sabia quem era.
– Onde a Serena está? - Blair falou olhando ao redor a procura de S - Ela sempre se atrasa - ela revirou os olhos e soltou um suspiro.
– Se acalme, ela vai aparecer - falei.
Dei uma olhada nas pessoas para ver se ela estava e vi Chuck, vestindo um smoking e com um copo na mão nos encarando.
– Chuck! - Blair falou fazendo um sinal para que ele viesse até onde estávamos.
Ele tinha mesmo que estar aqui? Tudo o que eu não precisava naquele momento era vê-lo. Quando a Anne me acordou, eu devia simplesmente ter virado para o outro lado e voltado a dormir.
– Oi Blair, e...
– Megan - minha prima respondeu.
– É um prazer Megan, eu sou Chuck, Chuck Bass - ele beijou a mão dela e aquilo me queimou por dentro, mas eu me segurei e não demonstrei nenhum sentimento sobre aquilo - Você é daqui? Acho que nunca te vi.
– Eu sou de Boston, vou passar algum tempo aqui com a .
– Com a ?
– Nós somos primas.
Ele sorriu.
– Garotas, que tal nós irmos até o terraço? Aqui está muito cheio - B disse.
– Claro - respondemos.
– E você fica, Chuck - eu amo a Blair! Ela me salvou de ter um ataque de loucura e pular em cima do Chuck e bater nele.
Fomos até o terraço, quando chegamos o lugar não estava vazio. Serena e Nate estavam se agarrando desesperadamente ali.
Eu não conseguia acreditar no que eu estava vendo.
– Serena? - Blair disse boquiaberta.
Só ai eles perceberam que estávamos lá.
– Blair? - S falou arrependida saindo de cima de N.
– Eu não acredito. Eu não acredito que você fez isso comigo Serena. Eu até podia esperar isso do Nate, mas não de você, não dá. Minha melhor amiga.
Ela falou sem gaguejar ou se abalar ou sem se quer uma lagrima nos olhos. Eu realmente a admirava, por isso ela era Queen B, ela era tão forte e inabalável.
Nate se levantou abotoando a camiseta.
– B... Eu... Eu não quis te magoar, você é a minha melhor amiga.
– Não me chame de B, só minhas amigas podem me chamar assim e você não é minha amiga, não mais.
– Blair, por favor... - Nate finalmente se pronunciou.
– O sonho do seu pai de ter a junção dos Archibald e dos Waldorf nunca vai se realizar, Nate.
Ela deu as costas para eles e saiu dali.
Eu e Megan nos entreolhamos, sem saber o que fazer.
– , por favor fala com a Blair, eu sinto muito pelo o que aconteceu.
– Serena, eu acho que você é que tem que falar com ela.
– , ela nunca mais vai querer olhar na minha cara. Por favor.
– Tudo bem, eu posso tentar - suspirei enquanto Megan olhava com cara de desaprovação para N.
Me virei para ir embora e Megan me seguiu.
Capítulo 06 - You Hurt Me
- Blair? - disse batendo na porta de seu quarto, mas ninguém me respondeu - Blair, sou eu, . Abre a porta, por favor.
Depois do que aconteceu no brunch, B havia sumido, decidi vir atrás dela e Megan voltou para o nosso prédio.
Ouvi alguns passos e a porta se abriu.
- O que você quer, ?
- Saber como você está.
- Eu não preciso que você se importe comigo.
- Não precisa, só que eu me importo.
Ela olhou o chão e voltou a me encarar, deu um leve suspiro e abriu espaço para que eu pudesse entrar.
Ela se sentou na cama e eu fiz o mesmo.
- Blair... - eu não sabia o que falar.
- , ela não podia ter feito isso comigo.
- Eu sei...
Apesar de tudo, B não tinha derramado uma lágrima, estava apenas com o rosto triste, mas logo ela mudou sua expressão:
- Isso não vai ficar assim. Ninguém mexe com Blair Waldorf, nem mesmo Serena Van der Woodsen.
- B... Vocês sempre foram amigas, não se esqueça disso.
- Você está do lado dela?
- Não foi isso o que eu quis dizer.
- Ótimo... Agora você é a minha única amiga, .
Nossos celulares tocaram:
"Hello Upper East Siders,
Fiquei algum tempo sem contar nada para vocês, mas agora estou de volta e ai estão as fofocas: foi vista saindo do Empire chorando, será que nossa Princess vai ser apenas mais uma para Chuck Bass? Ah , tantos príncipes e você foi se apaixonar logo pelo sapo? E hoje nossa amada Queen B foi embora do brunch Waldorf mais cedo, o que será que aconteceu? Tem alguma coisa a ver com Nate?
You know you love me xoxo
Gossip Girl"
Nos entreolhamos e guardamos os celulares.
Eu não havia parado em casa o dia todo, era bom finalmente poder deitar na minha cama e descansar, mas já faziam horas que eu estava tentando dormir sem sucesso; eu não queria ir para a escola amanhã, ver o Chuck e todos os alunos da Constance que ficariam me encarando pelo o que a Gossip Girl falou.
Peguei o meu celular e já eram 5h30min, me levantei e desci as escadas até a cozinha.
Abri a geladeira procurando algo para comer, peguei um pote de sorvete, coloquei muita calda de chocolate por cima e me sentei em um dos bancos do balcão. Então meu iPhone acendeu, era uma mensagem do meu pai:
"Querida estou indo para NY agora, vou ficar ai apenas dois dias, já fiz reservas no Rouge Tomate às 20h, fique pronta."
Fazia tempo que eu estava em NY e desde então eu não havia ido ao Rouge Tomate, era o meu restaurante preferido aqui no Upper East Side. Toda vez que meu pai vinha para cá eu também vinha e ele sempre me levava a esse restaurante, por isso esse lugar era tão importante para mim. Desde pequena era tão raros os momentos em que eu podia estar com ele e dessas raras vezes a maioria foram no Rouge Tomate.
Decidi já começar a me arrumar para ir à escola; fui até o meu quarto, fiz toda a minha higiene pessoal, me maquiei, escolhi uma roupa, calcei um dos meus Manolos, peguei minha bolsa Dior, vesti meu sobretudo Valentino e estava pronta.
Fui até o primeiro andar e Anne estava começando a colocar a mesa para o café da manhã:
- Bom dia, Srta. .
- Bom dia, Anne - falei me sentando.
Tomei um copo de suco e comi alguma fruta, olhei o relógio da parede e ainda estava cedo, mas decidi ir para a escola assim mesmo.
- Anne, pode dizer para o James que eu já vou para a Constance.
- Claro.
Dei uma ultima olhada no espelho e senti meu celular vibrar, era a Serena:
", me encontra hoje depois da aula?"
"Claro"
"No Joe The Art Of Coffee?"
"Ótimo"
Respondi enquanto entrava no elevador, eu já havia ido nesse café, era um lugar lindo.
A porta do elevador se abriu e James estava me esperando parado em frente ao prédio. Entrei na limo e logo estava na Constante Billard.
Sai do carro e fui até as escadas, me sentei e decidi continuar lendo aquele livro de dias atrás.
Toda vez que desviava os olhos das páginas via pessoas me encarando assim como eu havia premeditado, então vi Dan e Jenny chegando na escola e decidi ir até eles.
Guardei o livro, me levantei ajeitando meu casaco e caminhei até a entrada onde eles conversavam:
- Oi... - disse meio sem graça.
- - Jenny me cumprimentou sem a mínima vontade de conversar.
- Oi - Dan sorriu para mim.
- Desculpa ter vindo aqui, acho que você não quer falar comigo, é só que...
- O quê? As suas amiguinhas ricas não chegaram e você veio aqui porque somos sua segunda opção? - Little J me interrompeu.
- Jenny! - ele a repreendeu.
- Não... É só que eu queria convidar vocês para o meu aniversário.
Ela pareceu surpresa.
- Nós vamos sim - Dan respondeu.
Eu sorri:
- Que bom, vou esperar por vocês! Eu envio os convites depois.
- , o que você está fazendo? - Blair disse enquanto se aproximava de mim - Quem são esses?
- Esse é o Dan e essa é a Jenny - os apresentei.
- Ah, vocês são do Brooklyn. Vem .
Ela deu as costas para eles e saiu andando.
Abri a minha boca na tentativa de falar algo que fizesse eles não ficarem bravos, mas o Lonely Boy me interrompeu:
- Vai - ele olhou para B e depois voltou a me olhar como se sentisse pena de mim e sorriu, eu fiz o mesmo e me despedi:
- Vejo vocês... Blair, espera!
- Vamos logo, ! Temos muita coisa para fazer.
- Tipo? - perguntei confusa.
- Como assim tipo? - ela me olhou indignada - O seu aniversário! Ele tem que ser o melhor aniversário que toda a Constance e a St. Judes já viu. E eu vou te ajudar a tornar isso realidade. Onde estão aquelas meninas? - B revirou a olhos - Precisamos fazer uma lista. Vamos até as escadas.
Nos sentamos e logo as três seguidoras dela apareceram:
- Da próxima vez cheguem mais cedo.
Elas apenas balançaram a cabeça.
- Então, , me diga o que você tem em mente.
- Eu estava pensando em um baile de mascaras - ela abriu um sorriso enorme.
- Perfeito!
Olhei o relógio da sala de aula e faltavam apenas 5 minutos para o sinal tocar. Eu teria que inventar alguma desculpa para a Blair, ela nunca poderia saber que eu ia me encontrar com a Serena. Seria difícil escapar, já que ela não consegue parar de falar no meu aniversário.
O sinal bateu e fui direto para a saída antes que alguém pudesse me ver:
- Para o Joe The Art Of Coffee, James.
Alguns minutos depois já estava no café, desci do carro, entrei no Joe Coffee e me sentei em uma das mesas. Não demorou muito e meu telefone tocou:
- Oi Blair... É que meu pai chega hoje em NY por isso eu fui embora tão rápido... Ok... Eu sei... Depois a gente fala sobre isso... Assim que puder eu te ligo... Tchau.
Foi mais fácil do que eu pensei e logo S chegou:
- Oi - ela disse se sentando.
- Oi.
- Vocês vão querer tomar o quê? - o garçom falou.
- Um expresso.
- Dois - ela disse.
Ele anotou o pedido e saiu.
- , eu sei que o que eu fiz não foi nem um pouco certo, mas eu estou muito arrependida.
- Serena, você acha que a Blair liga se você está arrependida ou não? Você a magoou.
Eu não queria dizer aquilo, mas eu tive.
- Eu não sei mais o que fazer...
- Há quanto tempo vocês vem escondendo isso dela?
- Há algum tempo, foi a primeira e única vez que aconteceu.
- S, eu já tive um namorado que me traiu e é claro que foi horrível, pra B está sendo a mesma coisa. Eu superei muito fácil, só que ela não vai conseguir; porque talvez nem doeu tanto assim perder o Nate, mas perder você... Serena, você era a ultima pessoa no mundo que ela esperaria uma traição, você era a melhor amiga dela.
Ela penas abaixou seu olhar cheio de lagrimas e os nossos cafés chegaram.
Eu sabia o quanto estava sendo difícil, o quanto ela estava arrependida, mas eu também sabia que a Blair estava sofrendo, por mais que ela não demonstrasse.
- ... Por favor, não me odeie, eu não posso perder todas as minhas amigas.
Eu olhei nos fundos de seus olhos:
- Não se preocupe - sorri e ela retribuiu o sorriso - Vamos mudar de assunto, meu aniversario é semana que vem e eu quero que você vá.
- Eu vou adorar - ela ficou um pouco mais feliz.
Acabamos de tomar nosso café e fomos embora. Cheguei em casa, tomei banho, sequei meu cabelo e ouvi meu celular tocar, era o Chuck:
- Alô.
- ?
- Chuck, - meu coração disparou ao ouvir a voz dele - o que você quer?
- O que está acontecendo?
- Como assim?
- Por que a Blair saiu do brunch daquele jeito? Por que ela nem olha mais cara da Serena? O Nate também está estranho. O que está acontecendo?
Megan entrou no quarto e se sentou na cama em silencio me esperando terminar de falar ao telefone.
- ... Eu não sei se eu posso te contar.
- Desliga esse telefone - a voz de uma mulher falou ao fundo.
- ...
- Quer saber? Eu não vou te contar nada. Se você quiser saber pergunta para outra pessoa, eu estou ocupada agora. Tchau.
Desliguei e eu estava morrendo por dentro, eu nem sabia o que eu estava sentindo. Eu nunca havia sentido isso antes.
Um calor percorreu meu corpo, eu senti meu rosto queimar, eu senti raiva e dor ao mesmo tempo, meu coração estava apertado e eu não sabia o que fazer. Megan me olhou preocupada:
- O que foi, ? - ela se levantou e veio até mim - era o Chuck?
Eu apenas fiquei encarando o chão e ela me abraçou. Eu senti a maior vontade de chorar, mas me segurei.
- Está tudo bem, Megan.
- , pode me contar o que está acontecendo.
- Não é nada. Eu tenho que me arrumar, vou jantar com meu pai hoje.
- O tio está na cidade?
- Sim - ela sorriu vendo a felicidade nos meus olhos - Então você tem que se trocar - Megan abriu a porta do closet.
Escolhi um par de sapatos Georgina Goodman, um vestido Dolce&Gabbana preto e uma pulseira Cartier dourada e brincos combinando que meu pai havia me dado no Natal passado, fiz uma maquiagem simples e estava pronta.
Logo Anne me chamou para avisar que meu pai já me esperava lá embaixo. Me despedi de Megan e desci até o térreo.
- Oi pai - o abracei.
- Oi filha - ele retribuiu o abraço - É bom te ver. Você está linda.
- Obrigada.
Entramos no carro em direção ao Rouge Tomate.
O motorista abriu a porta e saímos.
Assim que chegamos, sentamos na nossa mesa de sempre e fizemos o pedido que fazemos todas as vezes.
Capítulo 07 - Sad Birthday, Dear... xoxo
– Sr. ?
– Sim? - meu pai respondeu se levantando da mesa do restaurante.
– É bom ver o Sr.
– ... ? - o garoto assentiu- É bom te ver também. Já faz muito tempo desde a última vez que nos vimos. Como você mudou!
O tal sorriu e me olhou.
– ?
– Oi... - falei um pouco sem graça enquanto meu pai o convidava para se juntar a nós.
Fiquei encarando-o na tentativa de me lembrar quem ele era.
– Hey, o que você fez com a minha chatinha? Cadê aquela garota mimada, brava e baixinha que eu conhecia anos atrás?
– Filho... do senador ? - perguntei me lembrando.
– Não acredito que você se esqueceu de mim - ele fez cara de magoado.
– Idiota- ri e dei um tapa em sua cabeça.
– Ai!
– Não exagera.
sorriu:
– É bom ter a minha chatinha de volta.
– Vocês formam um belo casal.
– PAAAI! - o repreendi.
– O que foi? - meu pai agiu como se não tivesse dito nada demais - Bom, o que te trás à Nova York?
– Faculdade.
– Pensei que estava estudando em Washington.
– E estava, mas recentemente me transferi para NY.
– Você está morando aqui?- sorri.
Meu pai trabalhou a vida inteira com política, eu ia muito para Washington antes do divorcio e lá eu conheci , ele é filho do melhor amigo do meu pai. Por mais que ele fosse quatro anos mais velho, sempre nos demos muito bem.
Depois da separação, eram raras às vezes em que eu encontrava , a ultima vez que o vi foi há seis anos.
Acordei bem cedo para ir a Constance, Blair queria me encontrar antes da aula para falar sobre a festa do meu aniversario.
Enquanto me arrumava fiquei pensando em , foi bom reencontra-lo. Ele estava tão lindo, quer dizer, ele sempre foi, mas ele havia mudado, não era mais aquele garoto desajeitado com cabelo levemente ondulado sempre caído em sua testa.
– Srta. ?
– Anne?
– O Sr. está aqui - ela disse abrindo a porta.
– O ? Já vou descer.
Passei meu batom, peguei minha bolsa, meu casaco e desci as escadas: - !
– ! Espero não estar encomendando, é só que eu... - ele parou de falar, parecia que estava tão nervoso, olhou o meu casado que eu segurava - Bem, eu não tinha o seu número, mas você está de saída? Desculpa, eu não devia...
– Calma, eu só estava indo para escola, a Constance Billard - falei calmamente.
– Eu poderia te dar uma carona?
– Claro! - respondi animada.
Pegamos o elevador até o térreo e caminhamos em direção à entrada onde James me esperava:
– James, vou para a escola com e volto com a Blair, está de folga hoje.
– Obrigada Srta. - ele sorriu para mim.
– Vamos? - perguntou abrindo a porta de seu Lamborghini.
– Vamos - sorri e entrei no carro.
Ele entrou, colocou a chave eu o observava, quando ele tinha mudado tanto? Seis anos não podia ser tanto tempo.
– Está tudo bem? - perguntou me desviando de meus pensamentos, percebendo que eu o encarava enquanto tirava o carro de onde estava.
– Está sim - falei abaixando meu olhar com um pouco de vergonha.
Ele riu, o que me fez ficar mais sem graça ainda:
– Você fica mais linda ainda quando está com vergonha - ele disse enquanto dirigia.
só deve estar de brincadeira comigo e continuou:
– , sou eu! Ainda sou o mesmo cara que brincava de boneca com você.
Agora foi a minha vez de rir.
– Eu tinha cinco ou sete anos! - protestei.
– É, mas eu tinha 9 ou 11 anos, eu queria jogar futebol ou qualquer outra coisa, menos brincar de boneca - nós rimos.
– Mas eu sempre conseguia tudo o que eu queria de você.
– Eu nunca consegui dizer não para você... - o que ele queria dizer com isso? - Senti sua falta, .
O encarei:
– Também senti.
Ficamos em silencio, não tinha nada mais a se dizer, só que como eu não conseguia ficar quieta:
– Você queria me falar alguma coisa? Quer dizer... Você veio me procurar...
– Eu... eu queria... eu queria te chamar para sair.
– Eu adoraria.
– Sério? - ele pareceu um tanto surpreso.
– E por que eu não aceitaria?
– Aam... Eu não sei - ele deu um sorriso tímido - eu pensei que... Talvez você tivesse namorado - ele pareceu não gostar do que acabara de dizer.
Pelo menos nisso ele não mudou, simplesmente não conseguia esconder nada, ele era tão transparente.
Sorri;
– Não. Eu tinha, mas é passado.
Ele pareceu feliz.
Chegamos à Constance. estacionou, desceu do carro o contornado para abrir a porta para eu descer. Ele estendeu a mão e eu a segurei saindo do Lamborghini:
– Obrigada - agradeci.
– Não foi nada - respondeu fechando a porta e andamos até a calçada na frente da escola.
– Talvez nós possamos ir ao Per Se...
– Seria ótimo.
– Sexta-feira à noite?
– Sexta? É que... Você já tem compromisso nesse dia - ele me olhou confuso - sexta você vai na festa do meu aniversario.
Ele sorriu e eu continuei:
– Vai ser um baile de mascaras e você é o meu convidado de honra.
– E eu estarei lá com o maior prazer.
– Então no sábado?
– Claro, eu passo às 8h no sábado para te pegar.
– Vou te esperar.
– Posso te ligar?
– Claro - falei o meu número para que ele pudesse anotar.
Olhei em volta e vi Chuck nos encarando com os olhos formando uma linha reta e nem mesmo quando ele percebeu que eu o havia visto parou de observar.
– - me virei para a voz que vinha atrás de mim.
– Oi B - ela se aproximou.
– Oi - ela olhou para depois para C do outro lado da rua.
– Prazer, .
– Blair Waldorf.
– Bem, , eu tenho que ir. Eu te ligo. Vejo você depois - ele se despediu me dando um beijo no rosto - Foi um enorme prazer te conhecer, Srta. Waldorf - ele beijou sua mão e entrou no carro indo embora.
Ela me olhou:
– Da onde você conhece?
– É uma longa história, Blair.
– Hum... - ela olhou para Chuck - não estamos com tempo, mas você vai me contar tudo hoje à tarde enquanto fazemos compras. – concordei - Vamos logo! Temos muita coisa para fazer!
Acordei com o alerta do meu iPhone avisando que havia um novo post no blog da Gossip Girl, me levantei tentando ser o mais quieta possível para não acordar Blair, nem Megan. Elas haviam dormido ali no meu quarto e assim nós nos fazíamos o cabelo, unha, maquiagem com os mesmos profissionais que ficariam em casa o dia inteiro devido a minha festa.
Peguei meu celular e desci as escadas indo até a cozinha. Abri a geladeira e peguei um copo de leite, me sentando em um dos bancos do balcão para ler o novo post:
"Good morning everyone of Upper East Side
Chegou o dia tão esperado, pelo menos por mim foi, o aniversario de . Ouvi dizer que ela convidou todo mundo e confesso, ela me surpreendeu convidando até mesmo o C; que, segundo algumas fontes, o clima entre eles não está nada bem. Mas, é claro, não importa o que tenha acontecido com os dois, se depender da Princesa da Constance (a atual protegida da nossa Rainha) ninguém nunca saberá, só que eu existo exatamente para isso: expor tudo o que você tente esconder.
E vocês já estão sabendo da última? Me parece que já seguiu em frente com o filho do Senador, coitadinho do C, acho que agora ele perdeu a garota e sabe o que dizem: "Nossos sonhos, assim como nossos pesadelos, podem virar realidade." E o seu pior pesadelo ainda está por vir, não só para C, mas para toda a elite. Aguardem... Talvez o pesadelo possa começar hoje à noite, como um presente para você, ... Espero que esteja ansiosa para a sua festa, porque eu estou. Sad Bithday, dear !
And who am I? That's one secret I never tell.
You know you love me.
xoxo Gossip Girl"
Seja lá o que ela tinha para hoje à noite, eu não me importava. Eu tinha muita coisa para fazer acontecer nessa festa e a GG não ia estragar nada.
– Srta. ? Já acordada?
– Bom dia, Anne! - disse a olhando enquanto ela entrava na cozinha - Acordei com o alarme do meu celular.
– É melhor voltar a dormir, tem muita coisa que a Srta. precisa fazer hoje.
– Exatamente por eu ter muita coisa para fazer é que eu não posso voltar a dormir.
Sorri e me levantei:
– Feliz aniversário, Srta. .
– Obrigada, Anne - a abracei.
Voltei para o meu quarto, olhei o relógio e ainda eram 7h:
– Acordem, preguiçosas! - era cedo, mas eu não ia ficar acordada sozinha.
– O quê? - Megan falou se enfiando de baixo das cobertas.
– ... é cedo... - B resmungou se virando para o outro lado.
Revirei os olhos e decidi começar tudo sozinha. Tomei banho, troquei de roupa, penteei o cabelo e encontrei minha mãe saindo de seu quarto:
– Bom dia, querida...
– Bom dia, mãe!
Ela, Blair e Megan já havia me dado parabéns assim que deu meia noite. Elas fizeram questão de ficarem acordadas para isso.
A porta do elevador se abriu com um monte de gente e varias maletas saindo de dentro dele. Eles começaram a se espalhar pela casa e quando vi, a minha casa não era mais a minha casa, era um spa ou algo parecido.
O tempo passou muito rápido, faltavam poucas horas para a festa e eu já estava fazendo meu cabelo; quando James entrou e entregou um pacote para Anne. Ela leu o bilhete e veio em minha direção:
– Srta. , isso é para você - ela me estendeu as duas mão que seguravam uma caixa da Tiffany's.
– De quem é?
Ela não respondeu e eu peguei o presente. Havia um papel branco, com detalhem em dourado e com as iniciais C.B.
– Eu não quero... É do Chuck.
– Abre! - Megan e B falaram.
– Mas eu não quero.
– Mas abre! - minha mãe apareceu nas escadas.
– Tudo bem... - disse sem a mínima animação.
Peguei o papel para ler o que estava escrito:
",
Estava na Tiffany's a procura de um presente a sua altura, não encontrei, mas espero que goste desse. Talvez te lembre alguém.
Feliz aniversário
Chuck."
Lembrar alguém? Quem?
Puxei a fita branca que envolvia a caixinha e a coloquei de lado junto com o cartão. A abri e havia o colar mais lindo que eu já podia ter visto em toda a minha vida. Era um colar com um diamante amarelo enorme no centro e outros pequenos diamantes normais completando a jóia:
– É... É o... O colar quê... - eu não conseguia acabar a frase - que Audrey Hepburn usou...
Eu não acreditava.
Aquele colar havia sido usado por Audrey Hepburn! O famoso diamante amarelo da Tiffany's era meu agora! Como? Era a única coisa que vinha na minha cabeça. Ninguém conseguiria aquele colar, ele tinha valor inestimável em todos os sentidos. Eles nunca o venderiam. Mas venderam. Por quê?
– Ele gosta de você - Megan falou.
– E muito - a mulher que fazia meu cabelo completou admirando a preciosidade que estava em minhas mãos.
– Não podia existir melhor presente que esse, ! - Blair disse.
– E vai combinar perfeitamente com o seu vestido - minha mãe veio até mim.
Eu não entendia o Chuck, na verdade, ninguém entendia. Afinal ele é Chuck Bass, vindo dele, nada era obvio.
Acabei meu cabelo, unha e maquiagem; fui até meu quarto para me vestir. Era um vestido exclusivo que minha mãe havia feito ara mim, sandálias que Christian Loubutan fez questão de criar para o meu aniversário como presente e... O colar de Audrey Hepburn. O que mais qualquer garota poderia querer no aniversario? Na verdade tinha uma resposta que eu apenas resolvi ignorar essa coisa, ou alguém, na minha cabeça.
Desci até o primeiro andar e todos me esperavam:
– Você está linda, filha.
– Você é suspeita, mãe. A Anne também.
Elas riram.
– Está perfeita.
– Não tem nada que poderia melhorar.
Minha prima e B falaram.
Fomos até o térreo para pegar a limosine e irmos para o Palace Hotel.
Chegamos e a maioria dos convidados já estava lá. Sai do carro, coloquei minha máscara e todos fizeram o mesmo.
Entramos.
Todos estavam olhando para mim, e essa era justamente a intenção.
Ali era o maior salão de festas do Palace Hotel e o lugar era realmente enorme. Havia três bares que estavam repletos de pessoas irreconhecíveis por causa das mascaras, tinham luzes vindas do chão que iluminava algumas partes do teto, a musica fazia seu coração bater junto à ela, estava... Perfeito.
Estava olhando ao redor quando vi Serena, infelizmente eu não fui a única. Blair se pronunciou:
– O que ela está fazendo aqui? Vá chamar os seguranças agora - ela ordenou para suas seguidoras.
– NÃO! Você para com isso e vocês três ficam! A festa é minha e ninguém expulsa ninguém daqui. B, eu não acredito que você vai deixar que a sua amizade com a Serena acabe por causa de um cara. Nem o Nate vale tudo isso.
Ela fingiu que não escutou e se virou indo até um dos bares. Revirei os olhos e caminhei em direção de S:
– Oi, que bom que você veio! - a abracei.
– Parabéns!
– Obrigada. Fiquei feliz de te ver!
– Acho que a Blair não gostou... - ela ficou triste.
– Não liga para ela, você sabe como a B é. Ela logo vai aceitar que a amizade de vocês é mais importante do que tudo isso. Tenha paciência.
– Você tem razão - ela deu um sorriso fraco e sincero.
– Agora vem!
– Pra onde? - a puxei.
– Quero que conheça uma pessoa.
– Quem?
Atravessamos metade do local até que encontrei Jenny:
– Você veio!
– Sim - ela riu - Feliz aniversario!
– Obrigada! Deixa eu te apresentar: Jenny, Serena; Serena, Jenny.
– É um prazer - S a cumprimentou.
– Cadê o Dan? - perguntei.
– Ele estava aqui até agora pouco, mas foi até o bar.
– Vou buscá-lo - sai dali e deixei as duas conversando.
Estava andando pelo salão quando senti alguém me tocar no ombro. Me virei:
– Oi... Am...
– Dan - ele riu e tirou a mascara - Parabéns!
– Obrigada.
– Quase não te reconheci com a marcara - ri.
– Dan, quero que conheça alguém - ele me olhou confuso - Vamos!
O levei até onde as duas estavam:
– Dan, Serena; Serena, Dan - falei.
– Prazer - ela disse.
– Pra... prazer - ele gaguejou.
– Eu preciso ir... Am... Eu... Bom, eu tenho que ir ali. Você vem comigo, Jenny? - perguntei.
– Claro! Estava louca para ir ali - ela respondeu e rimos iguais duas loucas.
– Você me deve essa - brinquei enquanto passava ao seu lado.
Ele riu me agradecendo.
Saímos dali e fomos até uma das mesas:
– Obrigada por vir, Jenny - ela sorriu e eu fiz o mesmo - Eu nunca fui falsa com vocês, eu... Eu só queria fazer amigos. Eu quero ser sua amiga e da Blair e da Serena também. A S é a pessoa mais simpática que possa existir, a B... Bom, ela é um pouco difícil...
– Está tudo bem.
– ? - ouvi alguém me chamar.
Me virei:
– - sorri.
Era impossível não reconhecê-lo, nem a mascara era o suficiente. Aqueles olhos, eu os amava.
– Feliz aniversario! - ele me abraçou.
Meu Deus, como ele era enorme.
– Obrigada. - ele me soltou - esta é a Jenny - os apresentei.
– Oi.
– Oi... Am, , eu vou pegar alguma coisa para eu comer... A gente se vê.
– Ok.
– Você está linda... Como sempre.
O abracei:
– Obrigada por estar aqui.
Ele riu e retribuiu o abraço.
– Liz... Eu... - o encarei - eu... Amo você.
– Eu também te amo, , você é o meu melhor amigo.
POV
– Você está linda... Como sempre. - falei e ela me abraçou.
Meu Deus, como ela era pequena perto de mim, tão frágil... Eu queria poder estar sempre do lado dela para protegê-la.
"Se ela soubesse o que eu sinto" é o único pensamento que eu tenho tido desde o dia no restaurante, na verdade, desde que eu tenho 10 anos eu me pergunto isso. Mas ela era bem mais nova do que eu, naquela época ela poderia não entender:
– ... Eu... Eu tenho que te falar uma coisa. - ela me encarou.
– Fala.
– Eu... Amo você.
Consegui falar e ela sorriu:
– Eu também te amo, , você é o meu melhor amigo.
Eu não acreditava! Levou muito tempo para eu dizer isso, anos na verdade e agora que eu disse... Eu tenho que deixar as coisas bem claras:
– Não... , eu amo você não como apenas amiga...
POV
– Não... , eu amo você não como apenas amiga... Quando eu imagino um futuro perfeito, é ao seu lado, com a nossa casa, nossos filhos, nossa vida... - o olhei confusa.
O que ele estava dizendo?
– A hundred plus years... and there's only one thing I've ever been sure of... You... Hey, look at me... I'm not asking you for anything... When I say "I love you" it's not because I want you, or because I can't have you... it has nothing to do with me. I love what you are... what you do... how you try... I've seen your kindness and your strength... I've seen the best and the worst of you and ... I understand with perfect clarity exactly what you are. You're the one, .
(Há cem anos ou mais, e só há uma coisa que eu já tive certeza... Você... Hey, olhe para mim... Eu não estou lhe pedindo nada... Quando eu digo "Eu te amo" não é porque eu quero você, ou porque eu não posso te ter... Não tem nada haver comigo. Eu amo o que você é... o que você faz... como você tenta... Eu vi a sua bondade e a sua força... Eu vi o melhor e o pior de você e... Eu entendo com perfeita clareza exatamente o que você é. Você é a única, ).
Estava paralisada, eu amava essa frase, era do meu seriado favorito quando eu era pequena e eu não acreditava que ele ainda se lembrava. E... ele gostava de mim?
– Você gosta de mim? - foi tudo o que eu consegui dizer.
– Eu amo você. Desde que você tinha 6 anos e eu 10.
– ... eu...
Ele se aproximou lentamente de mim e eu pude sentir seu perfume, aquele cheiro era embriagante. Ele ficava cada vez mais próximo até que nossos lábios se tocaram.
Eu estava beijando... o ? Aquilo era loucura.
E em um segundo nada mais existia; a música, as pessoas, os gritos, as conversas; não estavam mais ali. Era apenas eu e ele. Mas não era parecido com o que Chuck me fazia sentir... era diferente, muito diferente... não existia fogo ou faíscas, eu me sentia confortável, bem, como se nada pudesse me atingir.
Nos separamos:
– Você quer namorar comigo?
– Eu... - eu não sabia qual era a resposta certa - Sim, eu quero.
Acho que talvez eu deva começar a gostar de quem gosta de mim.
Ele abriu o maior sorriso que eu já vi, os olhos dele brilhavam e... Agora ele era o meu namorado.
– Tem certeza?
Eu ri:
– Claro que tenho.
– Não acredito que eu demorei tanto tempo.
Eu e somos namorados, era uma ideia estranha, mas eu estava amando.
– Temos que contar para todo mundo! - falei animada o beijando.
– Sim! - como ele era lindo - Vou pegar uma bebida para nós.
– Ok, eu te espero aqui.
– Ai.Meu.Deus! - Megan apareceu atrás de mim.
A olhei:
– O me pediu em namoro!
Ela começou a me abraçar:
– Parabéns! Parabéns! Parabéns! Deve ser o melhor dia da sua vida! Ah tenho que ir contar isso para a Blair! OMG!
Eu ri.
– Bom, acho que é melhor eu nem te falar - ela me largou.
– Falar o quê?
– O Chuck, ele pediu para eu vir aqui te falar para você ir encontrá-lo no terraço do hotel.
– Eu vou, preciso agradecer pelo presente. Diz ao que eu já volto.
– Ok.
Coloquei minha mascara e subi até o terraço do hotel.
– Chuck?
– , você veio - ele se virou para mim e sorriu.
– Sim, eu... Eu quero te agradecer pelo presente.
– Não foi nada.
– Foi sim. Como você conseguiu esse colar? Eles nunca o venderiam.
– Eu sou Chuck Bass. Pra mim eles venderiam.
– Estou falando serio.
– Bom, digamos que metade de Manhattan deve algum favor para os Bass e às vezes favores fazem a gente conseguir muita coisa.
– Ok então Chuck Bass. Muito obrigada, mesmo. Eu amei o presente.
– Fico feliz que você tenha gostado.
Ele se aproximou e eu desviei.
– .
– Chuck. - já que ele falou o meu nome, falei o dele também.
– Está brava comigo?
– Por que estaria? - me fingi de desentendida.
– Eu não sei...
– Bom, eu tenho que voltar para a festa... - ele me segurou pelo braço antes que eu pudesse ir.
– Fica, por favor.
– Por quê?
– Porque... eu.. eu... - ele não conseguia falar.
– "Eu sou Chuck Bass" não vale. - eu disse e ele encarou o chão - Então?
C me largou.
– Você sente alguma coisa por mim? - perguntei e ele me olhou, mas não respondeu.
Dei um sorriso irônico:
– Chuck... De qualquer forma, eu estou namorando o agora. Tenho que voltar, ele está me esperando.
Ele pareceu confuso e nervoso, ignorei isso e peguei o elevador para voltar ao salão. Assim que entrei vi Nate e B conversando, S e Dan rindo, vindo em minha direção e Megan dançando descontroladamente, eu ri.
– Hey amor - ele me deu um beijo e me entregou um drink.
– Obrigada.
– Está tudo bem?
– Está sim.
Então os celulares de todos começaram a tocar:
– O que está acontecendo? - ele me perguntou.
– É a Gossip Girl.
– Quem?
Peguei meu celular:
"Good night everyone of Upper East Side,
And I wish a sad birthday to my dear .
Estão se divertindo esta noite? Porque eu estou, mas nada pode ser tão bom que não possa melhorar ou... Piorar.
Eu disse que o pesadelo começaria esta noite e acho que eu, até mais do você, , estava ansiosa por esse momento. Então se preparem que o que eu vou revelar é algo que nenhum de vocês esperam.
Sabem a nossa doce e inocente ? Se eu dissesse a todos vocês que ela não é tão inocente assim? Porque, acreditem, de inocente não tem nada.
Ninguém sabia muito sobre a vida dela em L.A., então eu tratei de descobrir e quem procura sempre acha. já matou uma pessoa e, é claro que a família dela logo tratou disso, afinal ela é filha de um deputado e da dona de umas das mais respeitadas marcas de roupas.
Quem diria que a nossa doce Princesa seria uma assassina.
Vocês sabem que os meus presentes nunca decepcionam.
Sad bithday... xoxo
Gossip Girl."
Eu não conseguia me mexer, nem ouvir nada, parecia que até a música tinha parado de tocar. Olhei para todas aquelas pessoas que me encaram e eu senti algo me queimar por dentro, não de vergonha... Era raiva.
não estava entendendo nada, ele pegou o celular da minha mão e leu. Ele me odiaria depois disso, é claro que ninguém mais andaria comigo.
Minha respiração estava ofegante, derrubei meu copo no chão que se quebrou em vários pedaços e a bebida escorreu.
Isso não ficaria assim.
Ele me olhou mais preocupado do que qualquer outra coisa, passou o braço em volta da minha cintura e me conduziu para a recepção do hotel:
– Está tudo bem, Liz, respire.
Ele disse enquanto pedia a chave de um quarto.
Pegamos o elevador e subimos até o décimo andar, saímos e caminhamos pelo corredor, ele abriu a porta do quarto e entramos.
– O que está acontecendo? - me perguntou enquanto trancava a porta e se sentava na minha frente, uma poltrona enquanto eu estava na cama.
– Você vai terminar comigo. - falei quase sussurrando.
Eu queria que aquilo tivesse soado como uma pergunta, mas foi uma afirmação para mim mesma, ele não iria me querer depois disso.
– Claro não! Nada ou ninguém vai mudar o que eu sinto.
– Você não me conhece...
– Nós nos conhecemos desde sempre, , como você diz uma coisa dessas?
– Eu cometi erros... Quando eu ia para Washington eu tinha a oportunidade de ser outra garota... uma boa garota. Porque lá ninguém sabia como eu era em L.A.
– ... não importa! Eu te amo.
Olhei em seus olhos:
– Você não sabe o que aconteceu.
– Então me conta.
Flashback On
3 anos atrás, em Los Angeles.
– ! Vem logo! A gente vai se atrasar!
– Já estou indo - acabei de passar meu batom e desci as escadas onde Megan me esperava.
Descemos do prédio e entramos no carro:
– Para Long Beach - ela disse para o motorista.
Nós amávamos ir para Long Beach, andar de iate e aproveitar a praia. Algum tempo depois já havíamos chegado, descemos do carro e fomos até a praia.
Tirei meu vestido que estava por cima do biquíni e coloquei meu shorts jeans.
– Hey garotas - dois caras que nós não conhecíamos falaram.
– Estão sozinhas? - um deles nos perguntou.
– Estamos - Megan respondeu.
– Srtas. ? - um homem mais velho apareceu.
– Sim, somos nós.
– O iate já está pronto.
– Ótimo - respondi.
– Vocês não querem vir com a gente?
Olhei para Megan a repreendendo.
– Claro - o outro falou encarando a parte de cima do meu biquíni.
Revirei os olhos e fomos até o iate.
Entramos e eu fui direto me sentar em umas das cadeiras longas que havia ali e aquele tarado me seguiu:
– Qual é o seu nome?
– Não te interessa - falei colocando meus óculos de sol.
– Ok... - ele olhou minhas pernas.
– Você é linda.
– Eu sei.
O garoto riu, ele parecia bem mais velho.
– Você parece nova demais para estar aqui com apenas uma amiga.
– E se eu for? Você tem algum problema com isso?
– Nenhum.
Ele enfiou a mão no bolso e tirou algo que me pareceu cigarros.
– Quer um?
– O que é isso?
– Maconha, o que mais seria? - disse rindo.
– O que vocês estão fazendo? - Megan veio até nós, acompanhada do outro garoto.
– Nada. Por enquanto. - ele olhou sugestivamente para as minhas pernas de novo.
Ela viu a droga, ele estendeu a mão entregando um e Megan pegou. Eu fiz o mesmo, tirando os óculos.
Ficamos todos sentados com o isqueiro passando de mão em mão. Coloquei aquilo na minha boca, era horrível, tentei soltar a fumaça e acabei me engasgando. Mas continuei. Então eu comecei a ficar tonta, era como se eu nem estivesse ali, meu corpo estava pesado... Eu não estava bem.
Ele me olhou e passou a mão na minha coxa e a apertou tão forte que ficou vermelha. Ele se aproximou e me beijou, tentei empurra-lo, só que ele tinha músculos demais.
– Para!
– Por quê? Eu sei você está gostando. - ele ficou em cima de mim e passou a mão por cima do meu shorts.
– Sai de cima de mim.
Tentei me levantar, o que foi em vão.
– Fica quietinha...
Ele beijou o meu pescoço, depois meu colo, minha barriga e desabotoou o meu shorts:
– Não! - fechei minhas pernas.
– Ah, por favor.
– Eu disse para!
– Ela disse pra você parar! - Megan gritou.
– Eu não quero - ele a empurrou, o que a fez cair no chão.
– Por que você fez isso? - falei alto me levantando.
– Cara, se acalma - o amigo se pronunciou.
– Você fica na sua. Sabe, seria ótimo fazermos sexo com vocês duas, tão crianças e gostosas.
Eu não acreditava no que eu tinha acabado de ouvir. Esse garoto está achando que é quem?
Então eu também vou entrar no jogo. Ele que ache que eu sou criança. Me aproximei e passei as mãos pela barriga dele, ele se virou e me puxou. Sorri. Eu estava drogada, mas nem tanto a ponto de deixar que ele falasse aquelas coisas.
Olhei para Megan e ela me entendeu, se levantou e veio em nossa direção, o amigo dele bufou, aproveitou que o iate estava devagar e pulou para nadar até a praia que estava poucos metros de distancia, ele era o único que não havia fumado.
Ergui minha coxa com toda a força para atingir o meio das pernas dele. Ele gemeu de dor e Megan deu um soco bem em seu olho, ela sempre amou brigar. Dei outro chute no mesmo lugar o que o fez cair no chão. Eu podia até ser nova, mas eu não era indefesa, muito menos minha prima.
O garoto mal conseguia parar em pé, e tudo estava sendo piorado por causa da droga. Ele veio para cima de mim querendo me bater, mas eu o empurrei. O cara não era mais tão forte sentindo dor. Ele se desequilibrou e bateu nas grades que cercavam o iate, e caiu na água.
Nós corremos para ver preocupadas, não era a intenção que chegasse a esse ponto, mas era tarde demais.
Flashback Off
me olhava sem mostrar nenhuma reação enquanto me ouvia:
– ...Então meus pais cuidaram de tudo para que eu não sofresse nenhuma consequência... Eu só queria que tudo isso fosse um pesadelo e eu pudesse acordar - fechei meus olhos com força - Foi um erro... mas eu queria poder pedir desculpas à família dele... - Abri meus olhos tentando segurar minhas lagrimas - isso não vai mudar o que eu fiz, eu sei... mas era o mínimo que eu devia ter feito há três anos... Só que eu estava muito assustada e com medo para tomar qualquer atitude...
– Você não teve culpa, . Se existe alguém que cometeu algum erro nessa história foi ele. Ele te deu droga e você tinha apenas 14 anos, e... - não queria falar o resto da frase - você sabe... Se ele não estivesse drogado, nada teria acontecido. A culpa não é sua.
– Você não entende! Você não estava lá... A culpa foi minha, só minha... Se eu não tivesse o empurrado, só desviado dele... - eu mal conseguia falar - Há três anos isso tem me assombrado... eu me sinto tão culpada... não apenas por ter matado alguém, mas... mas, talvez ainda mais pela dor que eu causei a família dele...
– ...
– , esse não foi o único erro que eu cometi, eu já fui muito irresponsável... Você era a única pessoa que não sabia de nada, era tão bom estar com alguém assim, então a gente não se viu mais e... Aconteceram coisas muito piores, como isso e eu não tinha mais ninguém... e minha mãe quis vir para Nova York, eu achei que eu poderia ser uma nova pessoa, começar uma nova vida em NY, porque aqui ninguém me conhecia, mas agora... Agora tudo vai ser como antes... eu vou voltar a ficar sozinha...
Ele se aproximou de mim:
– Não, você não vai ficar sozinha. Porque eu vou estar aqui.
O olhei surpresa:
– Você não vai me deixar?
– Nunca.
Ele me abraçou.
– Jura? - sussurrei em seu ouvido.
– Juro.
Alguém bateu na porta e nos separamos:
– Quem é?
– Vou ver. Fique ai.
– ?... Onde está a ? ...A GENTE PRECISA VER ELA AGORA! Ela está aqui? - ouvi varias vozes falando ao mesmo tempo.
– ? - Blair virou o corredor e pude vê-la.
– Ah , você está aqui - Serena pareceu aliviada.
Elas se sentaram ao meu lado e então Megan, Nate, e Chuck apareceram.
– Como você está? - Megan perguntou.
– Bem. Eu sou uma , ninguém vai me derrubar... nem a GG.
– , o que ela falou é verdade?
Respirei fundo:
– , talvez seja melhor você ir embora - pegou o celular e ligou para alguém.
– Se você quiser, eu explico para eles.
– Pode ser, Megan.
– Já tem um carro te esperando lá embaixo.
Me levantei:
– Não se preocupe, nós vamos ficar aqui e cuidar de qualquer coisa.
– Obrigada.
Meu novo namorado me acompanhou até a porta do carro.
– ?
– Sim?
– Se importa se a gente deixar para ir ao Per Se outro dia... é só que.. Eu quero ficar sozinha esse fim de semana.
– Como você quiser - dei um sorriso fraco para ele - qualquer coisa, absolutamente qualquer coisa, me liga.
– Sim.
Me levantei, não acreditava que já era segunda e eu não queria ir para a escola, eu não queria ver ou falar com ninguém. Mas eu sabia que seria pior não ir, então me arrumei. Coloquei meu shorts, meia calça vazada, uma blusa preta, casaco de couro, botas de cano curto e um lenço estampado que cobria quase toda a blusa.
Desci as escadas e Megan já estava tomando o café. Me sentei em sua frente:
– Vai para a escola hoje?
– Sim. - respondi colocando suco no copo.
Ela me olhou desconfiada:
– O que você está planejando?
– Eu? Nada. Por quê?
– Por nada... você está estranha...
– Estou apenas... apenas feliz, porque agora eu tenho o .
– E o Chuck?
– O Chuck é passado. Somos apenas amigos agora.
– Srta. , a Srta. Blair e a Srta. Serena estão no prédio.
– Ah, já estou descendo. Tchau Megan, Anne.
Peguei minha bolsa Prada vermelha, vesti um sobretudo bege aberto e entrei no elevador.
Assim que sai vi as duas me esperando:
– Oi meninas!
– Oi.
– Oi.
– Não vão dizer que nunca mais querem ver? - perguntei me aproximando.
– Claro que não! - S disse.
– ... Agora você é uma de nós, não importa o que você fez ou faz, nós estaremos aqui pra você. Todos nós já cometemos erros, um dos meus foi o Nate, mas isso não vem ao caso - B falou e Serena revirou os olhos e suspirou.
Sorri:
– Amigas?
– Sempre.
– Sempre.
– Ainda bem que vocês se reconciliaram.
Entramos na limo para irmos a Constance.
Chegamos, Chuck e Nate vieram em nossa direção:
– Por que todos os caras estão na Constance e não na St. Judes? - perguntei à eles.
– A St. Judes está em reforma. Então os alunos vão se juntar com vocês da Constance.
Revirei os olhos com Chuck me olhando.
Blair estava se segurando para não bater no Nate enquanto ele tentava falar com ela.
– DAN! - S gritou.
Eles se abraçaram:
– O-M-G! PARA TUDO! Espera! Vocês dois? Juntos? Ah, eu consegui juntar vocês! - bati as mãos de alegria parecendo uma criança.
– É, depois que você foi embora sexta, ele veio me procurar e... e bem nós estamos juntos!
– Parabéns! Parabéns! Parabéns!
Abracei os dois.
E é claro que não podia faltar um post da Gossip Girl:
"Hey Upper East Siders,
Todo mundo sabe que não se pode escolher sua família, mas você pode escolher os seus amigos. E num mundo comandado por herança sanguínea e contas de banco, vale a pena ter um amigo. Mesmo que uma melhor amiga possa te levar a ficar irada, não há como negar que ficaríamos um pouco menos ricos sem elas. E Serena, e Blair? Elas são melhores amigas melhor que qualquer um. Até mesmo o maior erro de todos não é forte o suficiente para acabar com a relação delas. Não, isso não é uma lágrima no meu olho. É só alergia. Sem vocês, não sou nada.
Xoxo
Gossip Girl"
Capítulo 08 - The Bad Girl Living Between Hate and Love
– Não! Chuck, você não vai se sentar aqui! - falei tentando impedi-lo.
A St. Judes, que é uma escola apenas para garotos, estava em reformas e os alunos se juntaram à Costance Billard, onde estudam apenas garotas. Só Serena estava gostando disso, já que eu ficava fugindo de Chuck e Blair ignorando Nate.
A professora de Francês entrou na sala enquanto eu discutia com ele:
– Chuck, senta com outra pessoa! Eu não quero você aqui!
– ! - ele se sentou mesmo assim.
Revirei os olhos.
As mesas eram longas, de madeira bem escura e em cada uma ficavam duas pessoas, o N tinha essa mesma aula com nós, por que não se sentavam juntos? Por que C não podia se sentar com qualquer outra pessoa, só comigo?
– Tudo bem? - virei meu rosto, já estressada.
– Não! Eu não estou bem com você me perturbando logo de manhã! E fique quieto, a professora já está na sala.
– , nós estamos sentados na última carteira, ninguém vai nos ouvir.
O olhei como se isso pudesse ser capaz de cortar sua cabeça fora
– Desisto! Chuck Bass, você é insuportável. Sabia? - ele riu - E...
Iria falar algo, entretanto me esqueci, me lembrando de algo que havia acontecido no primeiro dia de aula naquela mesma sala:
– E o quê?
– E que você me prometeu um favor quando meu viu pela primeira vez - ele pareceu interessado - Eu falei que ia me lembrar disso... E, bem, aqui estamos nós.
– Então... o que você quer?
– Não sei... mas eu vou te cobrar, Bass.
– Quando?
Fingi não ouvir e me votei para a frente.
O sinal tocou avisando o término da terceira aula e desde o fim da primeira eu não havia mais visto aquele ser vivo irritante e pretendia continuar desse jeito, já que a cada aula nós trocávamos de sala e nesse dia tínhamos apenas uma juntos. Me levantei rapidamente pegando meu material, casaco e bolsa e saí em direção ao meu armário. Guardei os livros que estava segurando e peguei os de Literatura, que seria a minha próxima aula. Assim que fechei o armário, acabei trombando com alguém que me segurou antes de eu cair de cara no chão e derrubar tudo. Era Chuck.
O corredor enorme, repleto de armários estava vazio; no intervalo todos iam para o pátio, refeitório ou para as escadas, a escola havia se transformado em uma verdadeira bagunça depois que a Constave se juntou com a St. Judes. Agora entendo a necessidade de terem que separar os garotos das meninas.
Nossos rostos estavam próximos o suficiente para que eu pudesse sentir sua respiração, ele estava com os braços envoltos em minha cintura, seu coração dava batidas fortes e pesadas, eu estava ofegante e nos encaramos por algum tempo, não sabia o quanto, mas naquele momento só existiam eu e ele, ninguém mais, nada mais, era apenas isso que importava. Chuck se aproximou lentamente, dividindo sua atenção entre meus olhos e minha boca. Nossos lábios se tocaram, ele apertou um de seus braços contra mim para me deixar o mais perto possível, passou seus dedos em meu cabelo enquanto o eu me envolvia mais naquele beijo.
Aquilo era errado, entretanto eu não ligava, quer dizer, eu ligava, mas sequer conseguia pensar em algo naquele instante. Eu me arrependeria, só que tudo o que importava era Chuck.
Nos separamos, eu estava um pouco atordoada, ainda assim me afastei:
– Isso não devia ter acontecido - falei abaixando a cabeça, tentando me recompor.
– Como se você não tivesse gostado.
Ele continuava o mesmo idiota, revirei os olhos:
– Eu estou com , você não tem o direito de me beijar como se eu fosse só mais uma. Eu não sou só mais uma, Chuck! Eu não sou uma das vadias que você pega todos os dias!
– Eu sei que você não é! - a esse ponto, já estávamos gritando um com o outro.
O olhei derrotada, eu não era capaz de entendê-lo, por mais que eu tentasse.
– Por que você está brincando comigo desse jeito? - perguntei.
– O que você quer dizer com isso? - ele se fez de desentendido.
Eu odiava quando faziam isso comigo.
– Para, ok? Eu odeio quando as pessoas se fazem de desentendidas. Você sabe do que eu estou falando; você brinca comigo, me beija e no segundo seguinte você está sendo um canalha. Eu te odeio, Chuck Bass! Eu te odeio!
Eu estava fora de controle, nós estávamos. Por que ele causava isso em mim? Por que ele despertava o pior de mim?
– Que pena, pois eu não sinto o mesmo.
– Você não me odeia? - bufei - Porque parece o contrário.
– E você poderia me dizer o porquê de achar isso?
Revirei os olhos:
– Se você gostasse de mim, você não estaria me agarrando. Sendo que você sabe que eu estou com o .
– Se eu não gostasse de você, eu te deixaria em paz... - ele parou de falar, parecendo arrependido do que acabara de sair de sua boca.
– Chuck... Você gosta de mim?
– De-defina gostar - ele gaguejou.
O encarei:
– Sário? - revirei os olhos - Quer saber? Chega.
Passei por C e caminhei de volta para a sala de aula. Abri a porta e algumas pessoas já estavam sentadas conversando sobre coisas inúteis. Atravessei um dos corredores formados pelas fileiras e me sentei na última, como sempre. Meu celular vibrou, era o alarme avisando que havia um novo post no blog da Gossip Girl:
"Como vocês estão hoje, Upper East Siders?
Espero que bem, porque algo me diz que esta semana promete muitas fofocas e posts. E o primeiro é sobre nossa linda . Estão sabendo? Ela está de namorado novo! E não, meus amores, não é C. Nossa princesa arrumou um namorado à altura, ninguém menos que um dos solteiros mais cobiçados do mundo (repito: não é o C), , filho do senador , vindo de uma das famílias mais ricas e conhecidas dentro da política, junto aos e aos Archibald. E quem se importa se ele é alguns anos mais velho do que ela? Eles não formam um casal lindo?
Mas eu, particularmente, prefiro C e . E eu acabei de receber um e-mail sobre nosso "casal": os dois foram flagrados discutindo no corredor e o que causou os gritos? Talvez o beijo que ele lhe deu. Coitadinho do , mas como resistir aos encantos de um Bass? A mãe da S que o diga! Parece que a it girl será irmã do nosso bad boy.
And who am I? That's one secret I'll never tell.
You know you love me.
xoxo
Gossip Girl"
Ok, o que foi isso? A mãe da Serena com o pai do Chuck? O mundo de repente não fazia tanto sentido, suspirei, me levantando da mesa para sair da sala, quando passei pela porta o professor chegou:
– Aonde a Srta. está indo, ? - ele sempre chamava os alunos pelo sobrenome.
– Am... não estou me sentindo bem, Sr. Larry, preciso ir à enfermaria - disse enquanto arrumava os livros em minhas mãos.
Ele tinha os cabelos completamente brancos, era baixo e odiava dar aula.
O Sr. Larry revirou os olhos e entrou na sala sem se preocupar comigo.
É claro que eu não estava passando mal, mas eu precisava de uma desculpa para sair da aula e tomar uma atitude. Respirei fundo e saí andando pelo corredor.
Quem eu estava tentando ser? Uma boa ? Eu não era assim em Los Angeles, eu não poderia ser em Nova York. Eu sou uma : eu não deixo as pessoas brincarem comigo, eu brinco com elas. Sempre foi desse jeito e não iria mudar. Uma nova vida? Dei um leve riso com essa ideia. Porque, por mais que eu tentasse, eu não conseguiria. Nova cidade, nova casa, novas pessoas, velhos hábitos.
Estava à procura da sala onde C estaria e depois de passar por várias, o encontrei. Aproveitei que a porta estava fechada e ele havia sentado na primeira carteira e passei em frente a porta e me encostei na parede, onde o professor não pudesse me ver. Encarei C até que ele me notasse:
– O que está fazendo? - li em seus lábios.
– Eu. Quero. Você. Agora. - falei pausadamente com os lábios.
– O quê? - ele fez um sinal com a mão para que o esperasse.
C levantou a mão:
– Sr. Jay? Eu posso ir tomar água?
– Sim, Bass. - ouvi uma voz rouca responder.
– Nate, pegue meu material caso eu não volte. Acho que ela quer me bater - o ouvi e ri.
Ele saiu da sala e eu me virei indo em direção contrária:
– !? - fingi não ouvir e virei o corredor.
Ele correu e agarrou o meu braço:
– Hey! O que está acontecendo? - o olhei - Se você está brava pelo o que aconteceu... Eu... Eu sinto muito. Não vai querer me matar, vai?
– Não. Talvez só judiar um pouco de você.
– O quê?
– Chuck, você não me entendeu? Eu quero você. Agora!
Ele pareceu confuso:
– , você está bem?
– Sim - respondi.
Peguei as duas pontas do seu cachecol e o puxei para perto de mim:
– O que você vai fazer? - me perguntou com um sorriso no rosto.
– O que você acha? - sussurrei.
C ergueu uma das sobrancelhas enquanto eu passava meus dedos pela sua boca. Ele não aguentou e me beijou, agarrando a minha cintura. Me afastei.
– Vem.
O puxei até o banheiro feminino, tranquei a porta e joguei minha bolsa no chão junto com o meu casaco; ele tirou o cachecol, o blazer e a gravata; o empurrei contra a parede e comecei o desabotoar sua camiseta branca; percorri minhas mãos pelo seu peitoral; ele me virou de costas para começar a beijar a minha nuca e abrir a minha blusa; à esse ponto, já haviam roupas jogadas por todo o chão. Ele puxou o zíper da minha saia, o que a fez deslizar pelas minhas pernas; tirei meu sapatos e Chuck me pegou no colo, me colocando em cima de uma das várias pias. Ele me beijou desesperadamente, eu amava a sensação dele tão perto de mim, poder sentir aquele perfume que eu nunca consegui decifrar e que nunca sumia de seu corpo, aquele cheiro era provavelmente o melhor que podia existir em alguém, era como se eu não conseguisse respirar o suficiente para poder sentir aquele aroma.
Chuck POV's
O perfume dela, é o mesmo desde o primeiro dia de aula. Era tão forte que exalava qualquer lugar que ela chegasse e suave ao mesmo tempo. Era embriagante.
Não fazia o mínimo sentido a ter me arrastado até o banheiro, ela deu um ataque minutos atrás por eu tê-la beijado, mas não precisava fazer sentido. Eu estava com ela, eu podia sentir aquele cheiro e tocar em sua pele.
A peguei no colo e coloquei um cima da pia, a beijei passando a mão pelo seu cabelo. Ela era tão linda, eu ainda não havia conseguido me acostumar com seus olhos que não conseguiam mentir, sua boca perfeita, sua voz que nunca conseguia ser irritante. Como podia alguém ser tão doce e me levar à loucura, como a fazia?
POV's
Cheguei em casa, subi as escadas e ia me jogar em cima da cama, mas doze buquês de flores me impediram. Passei meus dedos por elas e sorri, peguei o cartão:
"Eu não sabia se as suas flores preferidas ainda eram peônias, então eu escolhi um buquê delas e outros onze diferentes... Espero que isso te faça sorrir, nem que seja apenas por 3 segundos.
."
Eu estava com o sorriso mais idiota do mundo que ia de orelha à orelha estampado no meu rosto. Abri minha bolsa procurando o meu celular para ligar para ele:
– ?
– , obrigada pelas flores! Eu adorei.
– Eu estou perto da sua casa, por que não vamos tomar um café?
– Claro.
Nos despedimos e fui tomar banho e colocar outra roupa, já que eu ainda estava de uniforme.
Saí do banheiro, sequei meus cabelos e escolhi uma blusa branca larga, um shorts preto e branco nas laterais, um open boot de couro e um blazer creme.
Desci até o térreo pegando minha bolsa Prada preferida:
– Oi - o beijei.
– Oi - ele me abraçou e retribuiu o beijo.
Entramos em seu carro:
– Saiu mais cedo da escola? - ele perguntou despreocupado.
– Sim - respondi torcendo em mente que ele não perguntasse o por quê.
– Por quê? – droga.
O que eu iria falar? Sendo que, na verdade, eu estava matando aula com Chuck e acabei ficando sem coragem de voltar para a aula.
– O professor faltou e... Bom, não tinha ninguém para substitui-lo, então nos liberaram mais cedo.
pareceu aceitar essa desculpa.
Eu sei, o que eu fiz com ele não tem perdão, não sou alguém com coração de pedra, ele não merece isso e hoje foi a primeira e última vez que eu o trairia.
Ele estacionou e abriu a porta para mim. Entramos no café que eu não conhecia, parecia mais um restaurante cinco estrelas. Nos sentamos e fizemos nossos pedidos:
– Sabe, eu ainda não conheço o seu apartamento.
Ele me encarou:
– Gostaria de conhecer?
– Por que não?
sorriu:
– Hoje?
– Hoje - concordei.
Comemos e ele pagou a conta:
– Posso conhecer seu apartamento agora?
– Claro.
Ficamos no carro cerca de meia hora até chegarmos, entramos no prédio e ele apertou o vigésimo quinto andar.
Entramos e comecei a beijá-lo:
– Onde fica o quarto?
Ele me guiou até lá.
Me joguei na cama coberta por um lençol branco, ficou em cima de mim e começou a desabotoar minha blusa delicadamente, botão por botão:
– Você não sabe o quanto eu esperei por isso. - ele falou em meu ouvido.
Estava dormindo e meu celular tocou, me fazendo acordar:
"Hey Upper East Side,
Parece que o príncipe encantado, assim como nos contos de fadas, terá que subir em seu cavalo branco e lutar por sua princesa. Mas, na vida real, o mal vence o bem e a princesa faz a escolha errada. Será que com será assim? Bom, ontem ela e C foram vistos saindo do banheiro, o que aconteceu lá dentro? E uma fonte a viu entrando em um prédio com o filho do senador. Dois caras no mesmo dia? Até eu estou surpresa, nunca esperaria isso da ex-novata. Pelo visto não importa por quanto tempo você tente ser boa, você não pode manter uma garota má escondida.
And who am I? That's one secret I'll never tell.
You know you love me.
xoxo
Gossip Girl."
– ?
– ... Bom dia.
Me virei para ele jogando meu celular dentro da bolsa:
– Está tudo bem?
– Sim, está. Era só a Blair me mandando uma mensagem. – menti sobre o post da Gossip Girl.
– Vamos tomar café?
– Am... eu adoraria, mas tenho que ir embora.
– As aulas só começam daqui duas horas, ainda é muito cedo.
– Eu sei, mas a B disse que precisava me encontrar.
– Ok, eu te dou uma carona.
– Não precisa, eu pego um táxi. – me levantei, recolhi as roupas espalhadas pelo chão e as vesti enquanto ele me encarava.
– O que foi? - perguntei envergonhada.
– Nada. – ele riu - Você é linda.
Sorri e fui em sua direção:
– Sabe onde está meu outro sapato? – falei, apontando para o meu pé esquerdo.
– Ali. – ele apontou para perto da porta do banheiro.
– Obrigada.
Corri até lá, calcei-o, peguei minha bolsa e entrei no banheiro. Parei em frente ao espelho:
– Ah, meu Deus! Eu estou horrível! - pensei.
Abri minha bolsa para pegar uma escova de cabelo e tentar domar aquela tragédia em minha cabeça. Lavei meu rosto, enxaguei minha boca, mas meu cabelo ainda não estava bom o suficiente, então fiz um rabo de cavalo e saí:
– ?
– Aqui na cozinha.
Fui até o corredor que levava até a cozinha. A decoração era toda em cores claras, havia janelas enormes em todos os comados, tinham flores tanto na mesa da sala, quanto na do jantar:
– Gosta tanto assim de flores? – perguntei, me apoiando no balcão enquanto ele mexia na geladeira.
– Na verdade, minha irmã veio aqui uma semana atrás e ela encheu esse lugar de rosas de todos os tipos.
– A Hilary? Como ela está? - disse me lembrando dela.
– Ótima. Eu falei de você.
– Ah, ela deve ter crescido tanto! Queria poder vê-la.
– Hilary disse que estava com saudades. Quem sabe vocês não se veem em breve. Ela sempre vem para NY quando pode. - sorri.
– Agora eu realmente tenho que ir. - o beijei.
Saí do prédio e chamei um táxi para poder ir para casa, tomar banho e ir para a escola. Eu não ligava para o que as pessoas falariam de mim quando entrasse na Constance, porque eu sabia, não importava o que eu fizesse, eles falariam de mim de um jeito ou de outro.
– Para o Upper East Side. – disse para o motorista enquanto entrava no carro.
O caminho inteiro pareceu uma tortura, meu celular não parava de tocar, já havia vinte e uma ligações perdidas, divididas entre Blair, Serena, Megan e Chuck. Confesso que quando vi o nome dele no visor eu quis atender, mas não o fiz.
O táxi estacionou, abri minha bolsa procurando minha carteira:
– Aqui está. – estendi cem dólares - Pode ficar com o troco.
– Obrigado. – ele sorriu e eu desci entrando no prédio.
Peguei o elevador e apertei meu andar. A porta se abriu e me deparei com três garotas de braços cruzados me encarando:
– Oi. – falei.
– Por que você não nos atendeu? - Blair quis saber.
– Desculpa, eu não vi. – menti.
– Eu não acredito que você dormiu com o Bass. – Serena disse.
– Ah, vamos lá, Serena. Você sabe que não foi a primeira vez.
– Mas é diferente, agora você está com o ! Ele não merece ser enganado dessa maneira. – foi a vez de Megan falar.
– Olha, eu não quero falar sobre isso. – revirei os olhos - Desculpa, eu tenho que ir tomar banho. Amo vocês. – joguei um beijo por cima do ombro e subi as escadas.
Após o banho, fiz o de sempre: sequei o cabelo, me maquiei, me vesti, calcei meus sapatos, peguei minha bolsa e desci para tomar o café da manhã.
– Hey! - disse para B, S e Megan, que estavam sentadas na mesa onde o café estava servido.
Me sentei em uma das cadeiras vazias.
– O que está acontecendo?
– Nada, Serena. Nada.
– Você gosta dele!
– Gosto de quem, Blair?
– Do Chuck.
– Não! Claro que não!
Elas continuaram falando, mas eu as ignorei.
A limo estacionou em frente à Constance e James abriu a porta para que eu, B e S pudéssemos descer.
– Oi, Chuck. – falei me aproximando de onde ele estava, encostado na parede perto da entrada com as mãos nos bolsos.
– Oi. Por que você não me atendeu?
– Sobre o que você queria falar comigo?
Ele bufou, eu sabia o quanto C odiava que eu não o respondesse.
– Sobre ontem. Você foi embora muito rápido.
– E?
– Vamos. – ele suspirou e me puxou para perto das garotas para entrarmos na escola.
– Nate! Como você está? – falei vendo-o se aproximar.
– Estou ótimo. – sorri.
Chuck nos olhou estreitando os olhos e Blair também.
– N, podemos conversar?
– Am... claro.
– Agora?
Ele assentiu.
– Nos vemos depois. – me despedi dos outros.
Saímos da escola e caminhamos até onde poderíamos ficar sozinhos:
– Nate, é sobre a B.
– Aconteceu alguma coisa com ela?
– Não... Eu devia pedir para você ir lá e implorar o perdão dela, mas eu não vou. Só seja sincero comigo, você gosta dela?
– É claro que eu gosto.
– E da Serena?
Ele encarou o chão:
– Nós sempre fomos amigos.
– Não foi isso o que eu perguntei.
–... Gosto.
– Você a ama?
– O quê?
– Por que você traiu a Blair? E com a Serena!
– Eu... não sei, .
– Então descubra. Porque eu não aguento mais ver você desse jeito. Eu não aguento mais ver a Blair desse jeito!
– Eu queria que ela me perdoasse. Eu a amo.
– Então diz isso a ela.
– Não é tão fácil.
– Mas não pode ser tão difícil.
Ouvimos o sinal bater e voltamos para a escola.
– Professor? – alguém falou abrindo a porta, mas eu nem me dei ao trabalho de ver quem era.
– Sim?
– A diretora gostaria de falar com a Srta. .
O QUÊ? EU? COMO ASSIM? O que eu fiz de errado? Levantei minha cabeça. Ah, claro! Só podia ser ele, pensei.
– Srta. pegue seu material. – o professor falou e eu obedeci.
Coloquei meus livros um em cima do outro e caminhei até a saída da sala de aula, fechei a porta e o encarei:
– Bass, você não pode me tirar da aula sempre que quiser.
– , você prefere ficar rabiscando seu livro de matemática em vez de ficar comigo?
– Talvez eu prefira.
– Não, você não prefere.
– Você não pode dar a desculpa de que a diretora quer falar comigo todo dia, então trate de arranjar outras. – ele deu o sorriso torto que eu amava tanto.
– Pode deixar.
– Eu te odeio, Bass.
– Eu também te odeio, .
Chuck se aproximou e me beijou, foi tão rápido que não tive tempo de pensar em nada.
– Aqui não. – me afastei dele e ri.
– O que foi? – perguntou confuso.
– Você está todo vermelho por causa do meu batom.
Ele revirou os olhos e ia me beijar novamente, mas virei o rosto:
– Já disse, aqui não, Chuck.
– Então onde?
Olhei o chão pensando um pouco e ele limpou a boca:
– Em minha casa?
– Não tem ninguém lá?
– Minha mãe está no trabalho, Megan foi fazer compras e a Anne não tem problema.
Peguei em sua mão e o puxei para a portaria da escola. Estávamos quase saindo do colégio.
– Espera! – ele me encarou confuso – O porteiro não deixará nós sairmos.
– Isso eu resolvo. – continuamos andando.
C parou em frente ao porteiro e o encarou:
– Podem ir.
Fiquei boquiaberta, aquilo foi muito estranho:
– Ok, o que foi isso? – quis saber quando já estávamos entrando em sua limo estacionada em frente à escola:
– Digamos que eu saiba que ele seja casado com duas mulheres...
– Casado? O quê? Isso é crime, sabia?
Mas era quase a mesma coisa que eu estava fazendo, ou não?
– Por isso mesmo ele não quer que ninguém descubra.
– Você é pior do que eu imaginava.
– Você ainda não viu nada. – Chuck olhou sugestivamente para minha saia.
– Será que você pode esperar até chegarmos?
– Poder eu posso, mas eu não quero.
– Nem sempre a gente pode ter tudo o que quer.
Ele riu:
– Mas eu sou Chuck Bass e o seu argumento é inválido.
Foi a minha vez de rir:
– Convencido.
C passou os dedos pela minha perna lentamente, escorregando até o meio de minhas coxas e entrando a mão por baixo da minha saia:
– Eu disse não. – puxei seu braço – Espera ou você não vai ter nada hoje.
Ele bufou.
Dez longos minutos se passaram até chegarmos em casa. A limo parou, o motorista desceu e abriu a porta para nós dois. Entramos no prédio pegando o elevador para irmos até meu andar.
Assim que chegamos, Chuck me puxou para mais perto e eu joguei minha bolsa e meus materiais no chão da sala. O arrastei até as escadas para irmos ao meu quarto.
Ele me jogou em cima da cama coberta por um grosso edredom branco e alguns travesseiros azuis com detalhes em dourado. C veio para cima de mim e começou a me beijar, dobrei uma de minhas pernas enquanto Chuck percorria sua mão por ela que ainda estava com meia-calça. Ele se levantou e tirou os sapatos, o casaco, a gravata e a camisa que faziam parte do uniforme da St. Judes.
– Meu Deus! – falei em um tom tão baixo que nem eu mesma consegui ouvir direito ao vê-lo vestido apenas com uma calça preta social.
C voltou para cima de mim e começou a tirar minhas roupas, ele começou abrindo o zíper de minha saia, depois a blusa e por último minhas sandálias e a meia-calça.
– ? – ouvi uma voz ao fundo gritar meu nome – ?!
– Ah, meu DEUS! – falei me levantando da cama.
– O que foi? Quem é?
– É o !
– Merda! – ele disse se sentando na cama com o rosto de quem está decepcionado.
– Merda, digo eu!
Eu estava apenas de roupa íntima e não dava tempo de me vestir novamente:
– , VOCÊ ESTÁ AÍ? – meu desespero aumentou um pouco mais.
– Merda, merda, merda! – repeti enquanto vestia meu robe de seda – Fique aí, Chuck! Não faça barulho, não se mexa, sequer respire!
Ele me olhou indignado.
Saí do quarto, fechei a porta indo até as escadas:
– ! O que você está fazendo aqui?
– Am... eu vim deixar um presente para você, mas eu não sabia que você estava em casa, mas eu vi suas coisas jogadas pelo chão.
– É que eu fui para a escola, mas eu me atrasei e não pude entrar. – parei em sua frente – Então eu voltei para casa.
Ele sorriu:
– Então quem sabe nós podíamos ir para o seu quarto. – dei um sorriso falso.
DROGA!
– É que eu não estou me sentindo muito bem, desculpa.
– Tudo bem. É algo grave?
– Não, apenas um mal estar passageiro.
Eu estava mentindo demais.
– Aqui está seu presente. – ele me estendeu uma caixa.
– O que é?
– Abra e veja. – o fiz.
Era uma pulseira Stephen Dweck:
– É linda, eu amei! – me beijou.
Ela era toda de ouro branco e havia dois pingentes de coração, um deles era de ouro em um tom rosado e cravejado de minúsculos diamantes, fiquei os observando por algum tempo:
– Esse – ele apontou para o pingente mais bonito – é o seu coração, bom e mais valioso que o meu, que é este aqui. – apontou para o pingente sem diamantes.
Eu senti um aperto em meu peito, engoli em seco, uma lágrima quis escorrer de meus olhos e de repente minha garganta ficou extremamente seca:
– ... – respirei fundo – Não tenho certeza de que o meu coração seja tudo isso.
– Claro que é. – ele me beijou novamente.
Chuck’s POV
– , VOCÊ ESTÁ AÍ? – aquele idiota do namorado dela gritou.
– Merda, merda, merda! – falou enquanto vestia seu robe.
Que corpo que ela tinha: “Calma, Charles!” falei para mim mesmo em pensamento e ela continuou:
– Fique ai, Chuck! Não faça barulho, não se mexa, sequer respire! – a olhei indignado com o que tinha acabado de ouvir.
saiu do quarto fechando a porta.
Esperei até ela sair e me levantei para segui-la, me encostei na parede que ficava ao lado da grade que cercava o corredor que dava para as escadas, onde eu pudesse ouvi-los e vê-los, mas eles não pudessem me perceber ali.
– ! O que você está fazendo aqui?
– Am... eu vim deixar um presente para você, mas eu não sabia que você estava em casa, mas eu vi suas coisas jogadas pelo chão.
– É que eu fui para a escola, mas eu atrasei e não pude entrar. Então eu voltei para casa.
– Então quem sabe nós podíamos ir para o seu quarto.
Ele não falou isso.
– É que eu não estou me sentindo muito bem, desculpa. – dei um riso.
Eu tinha certeza que eu era muito melhor do que aquele cara.
– Tudo bem. É algo grave?
– Não, apenas um mal estar passageiro.
– Aqui está seu presente.
– O que é?
– Abra e veja.
– É linda, eu amei! – ele a beijou.
Isso era nojento, desviei o olhar:
– Esse – ele apontou para o pingente mais brilhante da pulseira – é o seu coração, bom e mais valioso que o meu, que é este aqui. – apontou para o outro.
– ... Não tenho certeza de que o meu coração seja tudo isso.
– Claro que é. – ele a beijou novamente
Revirei os olhos com aquela besteira. Eu havia dado à ela o colar com diamante amarelo que Audrey Hepburn havia usado.
Não dava para acreditar que minutos atrás ela estava comigo e naquele momento estava se agarrando como esse riquinho mimado, quer dizer, o Nate também é. Mas a diferença era que o Nate era meu melhor amigo e não estava beijando .
Capítulo betado por Mah
Capítulo 09 - I Will Take Care of You
’s POV
O dia de ontem foi horrível! Depois de eu conseguir me livrar do , eu e o Chuck brigamos. É claro que ele estava com ciúmes de me ver com outro.
Flashback on
– Você estava me espionando!
– É claro que não.
– Não foi uma pergunta. – revirei os olhos e passei por ele.
– ! – disse me seguindo - Por que você insiste em continuar com isso? – o encarei - Por que você não termina logo com o filho do deputado?
– Ele tem nome!
– Não importa.
– Vai embora.
– Não antes de você me responder.
– Por que você quer que eu termine com o ?
0
Chuck olhou o chão e suspirou:
– Porque eu tenho certeza que o que você sente quando está com ele não se compara com o que você sente quando está comigo.
– Talvez seja porque eu gosto do e não de você.
– Você sabe que isso é mentira.
– Não é! Agora sai daqui!
Flashback off
“Eu tenho que terminar com o .” Essa tinha sido a única frase que se repetia em minha cabeça desde que eu havia acordado. Eu não queria ter que olhar para o Chuck, eu gostava dele e eu odiava ter que me lembrar disso toda vez que ele chegava perto de mim.
Engoli em seco pensando nisso enquanto estava dentro da limosine indo para a escola, a cada dia aquele lugar estava se tornando pior.
Eu senti o carro estacionando, respirei fundo e olhei pela janela, engoli em seco ao ver aqueles olhos encarando o vidro, tentando descobrir quem estava ali dentro. Afundei o rosto em minhas mãos desejando poder ser outra pessoa e agradecendo pelo vidro ser escuro o suficiente para ele não poder me ver. Abri minha bolsa para pegar meu vidro de calmantes e tomei alguns, não tinha água, apenas champagne, então tomei uma taça.
– Está tudo bem, Srta. ? – James perguntou me olhos através do espelho sem sair do banco do motorista.
– Não. Nada nunca esteve bem.
Arrumei o cabelo e ele abriu a porta para mim:
– Obrigada. – dei o sorriso mais animado que eu consegui.
– Disponha.
– Por que chegou tão tarde?
“Por quê? Porque eu não queria te ver, mas pelo visto não deu certo.” Era o que eu queria dizer, mas me contive.
– Eu me atrasei.
– Você nunca se atrasa. – Chuck falou sem acreditar.
– Eu tenho o direito de me atrasar uma vez na vida, não tenho? Ah, eu esqueci. Na sua cabeça, você tem o poder de controlar tudo o que eu faço, como com quem eu devo namorar ou não, a que horas eu devo chegar na escola. Você é um babaca, Chuck.
– O babaca que você ama.
– Eu nunca disse isso.
– Não precisa.
Revirei os olhos:
– Você é que não consegue ficar sem mim.
– Até parece.
– Você sabe que é verdade. – ele deu de ombros – Podemos conversar? Mas conversar em particular? E quando eu digo conversar, é exatamente isso o que eu quero dizer.
– Tudo bem. – me respondeu desanimado – Vamos matar a primeira aula?
– Você não pode esperar até o intervalo ao menos?
– Se você quer só conversar, o mínimo de beneficio que isso pode trazer é não ter que ir para a aula.
– Você é um péssimo exemplo.
– E quem se importa? Eu sou Chuck Bass.
– Eu não aguento mais ouvir você falando essa frase. – revirei os olhos e ele me puxou para dentro da sua limosine.
– Você nunca dispensa o seu motorista? – perguntei.
– Quando eu viajo. E... falando em viagem, as férias estão chegando.
– Uma ótima razão para nós não podermos fugir da escola hoje.
– Nenhuma razão é boa o suficiente para eu não matar aula. Mas não fuja do assunto, o que você vai fazer essas férias?
– Por que eu te diria? Só para você ir atrás de mim?
– Como se você não fosse gostar de passar as férias comigo.
– Não, eu não ia gostar. – respondi enquanto o carro saia de onde estava estacionado.
– Você ainda não me respondeu.
– Talvez St. Tropez ou Florença, eu ainda não me decidi. E você?
– St. Tropez, provavelmente.
Era a cara dele, quer dizer, St, Tropez: todas as praias, garotas quase nuas e nuas, os barcos... O lugar pode ser definido como o ponto de encontro de filhos de milionárias no meio do ano, já que é bem calor nessa época.
Eu também estava considerando ir para o Brasil, eu só fui uma vez, mas era fim de ano e pelo o que eu sei lá bem estranho, já que é completamente o contrário daqui. Enquanto nosso ano letivo termina em junho ou julho e temos férias, o deles começam em fevereiro e é inverno lá, enquanto o meio do ano aqui é primavera/verão e todos nós queremos ir para a praia. Então eu desconsiderei a ideia.
– Mesmo que passemos as férias no mesmo lugar, eu não quero se quer ver o seu rosto. Então casas ou hotéis o mais distantes possíveis, ok?
– Como quiser. – por alguma razão eu não consegui acreditar nele.
– Eu falei sério.
– Eu também. – não, ele não falou sério.
– Onde vamos conversar? – perguntei me sentindo um pouco tonta e com fome.
– Onde quiser.
– Am... eu não sei. Qualquer lugar que eu possa comer alguma coisa, porque eu realmente estou morrendo de fome.
C me olhou estranhando:
– Fome?
– Não me julgue, ok? Eu não tomei café da manhã hoje.
– Para o Empire. – ele falou para o motorista – Não estou te julgando, é só que... quando eu saio com garotas elas sempre dizem que não estão com fome e pedem água e uma salada, o que torna o fato de eu ter dinheiro entediante, porque eu nunca gasto mais vinte dólares com elas, então muitas vezes elas saem mais baratas do que se eu contratasse prostitutas.
– Hey! Parando por aí, eu não quero saber, e o que você acabou de dizer é horrível! E comigo você não vai ter esse problema, por mim você poderia me levar ao Burger King e eu ainda faria você gastar bem mais que vinte dólares. Ah, o mais importante: ISSO NÃO É UM ENCONTRO, NÓS NÃO ESTAMOS SAINDO, NÓS APENAS ESTAMOS INDO CONVERSAR! E eu não vou julgar essas garotas, porque... se isso fosse um encontro, um primeiro encontro, eu talvez pedisse uma salada, mesmo estando morrendo fome.
– Por que vocês fazem isso?
– Não sei.
– Claro que sabe.
– Porque... porque... eu tenho vergonha de comer na frente de alguém que eu não tenha muita intimidade, a cara pode achar que você é louca ou... eu não sei, ok? Não ri!
Ele deu uma leve risada:
– Você é louca.
– EU NÃO SOU LOUCA! Faz todo sentido!
– Não, . Não faz.
– Tanto faz, eu estou com fome, eu preciso comer. Se eu desmaiar e for parar no hospital e não conseguir acordar e todo mundo estiver chorando incluindo você, sabe de quem vai ser a culpa? SUA! E aí, Bass... você será preso. Você já se imaginou em uma prisão? Sem espelho para arrumar o seu cabelo, sem ternos, sem seu hotel... e aí você vai acabar sozinho, porque a única pessoa que seria boa o suficiente para te visitar lá, seria eu, mas eu não poderia e sabe o por quê? Porque eu estou lá no hospital, tudo porque você não me levou para comer. Tudo por causa disso, mas teria um lado bom. Sabe qual seria? O fato de que toda vez que você dissesse “Eu sou Chuck Bass” – engrossei minha voz para tentar imitar uma voz de homem – um cara muito mal da cadeia e maior do que você e mais gostoso do que você ia te dar uma surra e para piorar, esse cara ia ser o seu colega de cela. E depois de tudo isso, você vai pensar: “Eu devia ter levado ela à um café!” enquanto você está em baixo do sol escaldante, no pátio da prisão com uma bola que parece de boliche amarrada na sua perna e com um machado na mão quebrando pedras.
Ele começou a rir descontroladamente e eu permaneci inatingível.
– Você bebeu hoje? Usou algum tipo de droga? Foi aquele seu namorado?!
– Eu tomei um calmante.
– Quantos você tomou?
– Eu não sei... eu tomei um e depois outro e ai eu tomei mais um e...
– Hey! Vai com calma!
– Ah, eu não sei. E não teve graça o que eu disse.
– Claro que teve! Principalmente a parte do meu colega de cela ser “mais gostoso” do que eu.
– Mas é verdade. Ele seria igual ao Channing Tatum, e o Channing é MUITO gostoso!
– Mais do que eu?
– Ele é maior do que você.
– E eu sou mais rico do que ele.
– Ele te daria uma surra por causa disso e ele continuaria sendo gostoso.
– Então você também me acha gostoso?
– Foi uma pergunta?
– Ah, me acha gostoso. Me sinto lisonjeado com isso.
– Eu nunca disse isso! E eu não gosto que me chamem de ! Hum... sabe o favor que você estava me devendo? Eu ia te pedir outra coisa mais eu me esqueci... mas eu não lembro... então você podia me trazer o Channing, eu ficaria feliz, MUITO feliz - estendi meus braços para tentar demonstrar o quão feliz eu ficaria.
– Você largaria o por ele?
– Ok, isso aí não foi uma pergunta, foi uma afirmação.
Chuck riu.
– E se você estivesse com o Channing, você largaria ele por mim?
– Talvez... talvez... – minha cabeça começou a rodar mais.
– Admite que você gosta de mim, .
Não deu tempo de falar nada, o carro parou e o motorista abriu a porta para que pudéssemos descer.
C saiu e me deu a mão para me ajudar a sair, fiquei parada olhando para a entrada do Empire e estava tudo borrado, fechei os olhos e balancei a cabeça tentando voltar ao normal, mas foi pior e eu de repente eu estava extremamente tonta:
– ?
– Eu não estou bem. – engoli em seco encarando o tapete vermelho que estava abaixo de mim e enfeitava a entrada do hotel. Então, o tapete vermelho começou a aumentar... não, ele não estava aumentado, ele estava se aproximando do meu rosto e muito rápido e antes que eu pudesse tirar qualquer conclusão sobre o motivo do tapete estar querendo me atacar eu senti meu corpo bater contra algo duro, muito duro, algo que estava de baixo do tapete, o chão.
Ai tudo fez mais sentido, ele não estava me atacando, eu estava caindo, meu corpo estava completamente dolorido e eu não tinha forças o suficiente para conseguir me levantar, então fiquei deitada ali, no meio daquela calçada enorme em NY.
– ! – Chuck gritou.
– Srta. ! – o porteiro correu até mim.
C me pegou no colo com o maior cuidado possível e me levou para dentro:
– Ligue para o médico. Imediatamente!
– Chuck? – o chamei meio zonza enquanto entrávamos no elevador.
– Sim? – ele falou preocupado.
– Eu não estou bem.
– É, eu sei. Você disse isso um minuto atrás e depois você caiu.
– Você acha que é fácil se manter em pé com esses saltos? – perguntei com a voz baixa perto de seu ouvido.
– Não, não deve ser fácil. – percebi ele segurar um riso.
– Você não faz ideia! Eles são caros, só que são igualmente desconfortáveis.
- Então por que você os usa?
– Porque são lindos.
– Isso foi superficial, sabia?
– Mas eles são lindos.
– Sabe, eu descobri uma coisa sobre você hoje.
– O quê?
– Você é completamente superficial.
– Por quê?
– Porque você só usa esses sapatos por serem bonitos e aposto que essa é a mesma razão de você ser tão apaixonada por Channing Tatum.
– Olha aqui – falei quase sussurrando – eu não gosto do Channing só por ele ser gostoso, você já viu ele em Dear John? Eu quero um John.
– Sério? Diferente de você, existem garotas por aí que têm bom gosto.
– E o que elas querem?
– Um Chuck Bass.
– Rum... coitadas.
– Por quê?
– Porque você é meu.
– Você parece meio bêbada.
– Talvez...
– E eu sou seu?
– Sim...
– Então por que você quer um Channing?
– Porque sim, eu gosto de querer o que eu não posso ter.
– Você não é uma pessoa normal.
– Tanto faz.
O elevador parou e nós saímos:
– Sabe, eu ainda estou com fome.
– Eu vou cuidar de você.
– Que bom.
C sorriu e entramos em sua cobertura. Ele me colocou deitada em sua cama:
– Está confortável?
– Sim.
– Que bom. Vou ligar para o serviço de quarto.
– Ok. – respondi e virei para o outro lado abraçando o travesseiro.
Meu corpo ainda doía e eu ainda estava tonta, eu não queria sair daquela cama nunca mais.
Respirei fundo, os lençóis tinham o perfume dele, era delicioso.
– O médico já está vindo.
– Médico?
– Sim, você precisa de um. – dei de ombros.
Ele se sentou ao meu lado. Meu Deus, como ele conseguia ficar mais bonito a cada dia? Aqueles olhos, eram penetrantes, eu tinha que parar de encará-lo, mas eu não queria.
– Sabe, eu amo o seu sorriso. – ele ergueu uma das sobrancelhas – não o seu sorriso de tarado, bom eu goste dele também, mas eu amo aquele seu sorriso sincero. Infelizmente você quase nunca sorri assim. – ele sorriu – É, esse ai.
– Você é... uma caixa de surpresas.
– Pode ser uma caixa igual a da Tiffany’s com uma fita branca?
Ele riu:
– Você definitivamente não está bem.
– Eu já disse que não estou.
– Você é bem mais legal quando está drogada de remédios.
– Eu SEMPRE sou legal! Eu sou uma . Os são sempre legais.
– Talvez você seja adotada.
– Você é um completo idiota. – ele passou a mão pelo meu braço – Ai!
– Está doendo muito?
– Um pouco. – suspirei.
– Sr. Chuck? O médico está aqui, ouvi uma voz vinda da sala.
– Mande-o entrar.
Um homem de aproximadamente cinquenta anos entrou no quarto, ele usava uma maleta, óculos, uma calça social clara e uma blusa azul abotoada até o ultimo botão.
– Bom dia.
– Bom dia, Doutor.
– Qual é o problema? – perguntou se aproximando de eu estava.
– Ela se entupiu de calmantes de estômago vazio e pelos sintomas, e acho que ela misturou com álcool.
– E quais são os sintomas? - o medico tirou da maleta uma daquelas coisas que eles colocam no ouvido para ouvir o nosso coração.
– Ela está delirando. Ah, ela desmaiou por alguns segundos e o tombo a deixou dolorida.
C se levantou da cama, mas não se distanciou.
– A Srta. sabe que não pode fazer coisas assim, não é?
– Eu sinto muito. – disse quase chorando.
– Quantos calmantes?
– Eu não sei... talvez cinco... – inclinei minha cabeça para a esquerda - talvez mais... – inclinei minha cabeça para a esquerda - ...depois uma taça de champanhe... – voltei minha cabeça para a esquerda - e eu ainda estou com fome.
– A comida já está chegando. – C falou.
– Está sentindo dor?
– Sim...
– Na onde?
– Em tudo.
– E tontura?
Balancei a cabeça em sinal positivo.
– Você vai ficar bem. – o médico disse tirando algo de sua maleta – Dê esse remédio à ela, mas só depois dela comer e a faça engoli-lo com água.
Chuck assentiu e os dois saíram do quarto.
Pouco tempo depois ele voltou acompanhado de outro homem que usava uniforme e trazia um daqueles carrinhos de hotéis que carregam comida, sorri:
– Comida!
– Pode ir. – o homem colocou o carrinho parado ao lado da cama e saiu – Agora você pode comer.
Havia uma taça de suco, café, leite, waffles com frutas, torradas, geleias, morangos com chocolate, cereais, croissant, queijos, muffins, ovos com bacon e... e MACARONS! Um prato enorme de macarons!
– Ah, macarons! Eu amo macarons! – comecei a comer.
Ele se sentou na poltrona e ficou me olhando.
– O que foi? – perguntei enquanto pegava um muffin.
– Nada. – riu – Só que... o dia mal começou e... e eu já me diverti muito.
– Com o que você se divertiu?
– Com você.
– Comigo? – dei de ombros.
– Você é legal, Bass.
– Eu sei.
– Mas também é tarado. – ele riu.
Abri os olhos, minha cabeça ainda doía, mas eu me sentia muito melhor.
– Acordou?
– Am... sim. – disse coçando meu olho – O que aconteceu?
– Não lembra de nada? Fome, Channing, calmantes, desmaio...
– AH MEU DEUS! Tudo isso aconteceu?! – ele concordou – Ah que vergonha.
– Depois de tudo o que a gente já passou, você não devia ter vergonha de mais nada.
– Eu não estava bem. Nada do que eu falei é realmente verdade.
– Você não sabe mentir, .
– Você que pensa.
– Para mim você não consegue.
– Quem disse?
– Eu.
– Você é um babaca.
– Você disse isso quando estava drogada por remédios, também disse que me achava gostoso e que amava o meu sorriso e... ah, eu tenho um sorriso tarado.
– Porque você é tarado!
– Viu! Tudo o que você disse era verdade.
– Esquece, ok? Eu precisava falar uma coisa com você.
– O quê?
Me ajeitei na cama me sentando:
– Eu sei que você não gosta de se meter na vida do seu amigo, mas você está me devendo um favor e eu preciso da sua ajuda para fazer o Nate e a Blair voltarem.
– E por que você quer fazer isso?
– Porque eu acho que você não está vendo como o Nate está mal, porque eu acho que você não percebeu o quanto eles se gostam e tem que ficarem juntos.
"Hey Upper East Siders,
Não sei se vocês perceberam, mas C e faltaram hoje e sabe onde foram vistos? No Empire. Eles estão cada vez mais próximos, será que dessa vez pode virar algo sério? Quando ela vai largar o ? Quando C vai admitir o que sente? O baile do fim do ano está chegando e quem será o acompanhante de B? De ? De N? De C? Junto com isso também está vindo as féria e para onde a nossa elite vai? Arriscam algum lugar? Eles conheceram novas pessoas? São muitas perguntas que teremos que esperar para serem respondidas. Sinto que estamos vivendo um novo começo, pessoas que brigaram até então decidem se unir para ajudar outras, uma garota loura pode descobrir que está completamente apaixonada por um menino que ela nunca imaginaria gostar e um casal que sempre achamos que seria eterno acaba. O problema de novos começos é que eles precisam de algo para terminar. Alguns finais levam um tempo para se revelarem. Mas quando isso acontece, eles são mais fáceis de ignorar. Alguns começos iniciam tão silenciosamente, que você nem nota quando acontecem. Mas muitos finais vêm quando você menos espera. E o que eles pressagiam é mais negro do que você imagina. Nem todos os começos são para se celebrar. Muitas coisas ruins começam: brigas, época de gripe... E a pior das coisas... Quero começar algo.
And who am I? That's one secret I'll tell. You know you love me.
xoxo Gossip Girl"
Capítulo 10 - Last time, The Truth and Jealousy
Eu não fazia a mínima ideia do que fazer para juntar o Nate e a Blair, mas eu precisava fazer alguma coisa. Então eu pensei: "Quem é a pessoa que mais sabe persuadir alguém?" A resposta foi óbvia: "Chuck Bass" e eu fui obrigada a engolir o meu orgulho e ir pedir ajuda á ele e saiu pior do que eu pudesse imaginar.
Estava sentada na primeira carteira da sala de aula, olhando para a lousa e fingindo estar prestando atenção, quando, na verdade, eu estava pensando no dia anterior. Como eu pude delirar daquele jeito? Pensando bem, isso aconteceu uma vez quando eu estava em LA., mas eu não me lembrei quando estava no carro. Depois da vergonha que eu passei, nunca mais eu bebo e tomo tanto remédio e de estômago vazio:
– Tudo bem, agora eu vou entregar as provas.
– O QUÊ?! PROVA? HOJE? COMO ASSIM? POR QUE NINGUÉM ME CONTOU? UNIVERSO, VOCÊ TEM ALGUMA COISA CONTRA MIM? PROVA? HOJE? NÃO! EU PRECISO PASSAR DE ANO E ISSO NÃO VAI ACONTECER DESSE JEITO! SABE, EU ACHEI QUE AZAR TINHA LIMITES, MAS NÃO TEM! QUANDO VOCÊ ACHA QUE NADA PODE PIORAR, ACREDITE, PIORA! CHEGA DE VIVER! - comecei a gritar em pensamento.
A professora tirou as provas de dentro de um envelope e começou a entrega-las. Suspirei, péssimo dia para sentar na frente.
Peguei as provas e eram de "xiszinho", mas segundo a Sra. Green, eram de múltipla escolha. E quer saber? Tanto faz. Isso mesmo, eu sempre tirei notas boas e uma prova não vai me fazer repetir de ano. Respirei fundo e chutei a prova inteira, eram vinte questões e eu fui a primeira a entregar.
Sai da sala e fui até o meu armário guardar meu material, eu já tinha feito cerca de metade das provas, ainda teria suas semanas até as férias.
Respirei fundo e fechei a porta do armário e me deparei com Chuck me encarando:
– Bom dia.
– Péssimo dia, você quis dizer.
– O que aconteceu?
– Nada. – passei por ele.
– Vai embora? – perguntou me seguindo.
– Vou.
– Vou com você.
Revirei os olhos e continuei andando. Parei na frente da escola e me virei para ele:
– Então, o que nós vamos fazer para juntar a B e o Nate?
– Eu ainda não sei.
– Então pense logo.
– Vai para casa?
– Vou, por quê?
– Porque eu poderia ir com você.
– Não. Esqueceu o que aconteceu da última vez?
– Não é só por causa disso.
– E pelo o que mais seria?
– Por ontem.
– Escuta aqui. Nunca mais, eu disse NUNCA MAIS, toque nesse assunto. Eu quero esquecer que ontem existiu, ok?
Ele se aproximou até nossos rostos ficarem próximos o suficiente para o meu coração disparar:
– Vamos pro Empire, nós podemos estudar juntos.
Dei as costas para ele e caminhei até minha limousine, James abriu a porta para mim:
– Chuck, você não vem?
C sorriu e entramos no carro.
– James, para o Empire. – disse e apertei o botão para fechar a janela entre o motorista e o resto da minha limo.
O que eu estava fazendo? Eu não conseguia ficar longe dele e eu não entendia o porquê. Eu gostava dele, eu sabia disso, mas eu já gostei de outros antes e nem por isso eu perdia a minha cabeça quando estava perto deles. Chuck Bass, o que você fez comigo? Eu queria saber. Eu também queria poder sentir o mesmo pelo e, em falar nele, eu precisava ter uma conversa séria com ele.
Mas e se eu terminasse meu namoro, o que iria ser? Eu ficaria sozinha, essa era a verdade. Eu não sabia o que fazer, eu não podia mais continuar o enganando dessa maneira, mas eu também não queria ficar sozinha. Existe um certo tipo de conforto em saber que se tem alguém lá, esperando por você e eu tinha isso com o . Pensando bem, nosso relacionamento era isso: conforto.
Já com o Chuck era diferente. Eu me sentia bem, mas ao mesmo tempo eu tinha medo do que poderia acontecer em seguida. A forma como ele me olhava, como ele me queria, a forma como ele me fazia sentir a mulher mais desejada do mundo... só ele era capaz de fazer tudo isso comigo.
Eu sei que ele não queria estudar, nem eu:
– Um centavo por seus pensamentos. – ele disse.
– Um centavo é muito pouco.
– Então me diz o que você quer.
– Você não conseguiria.
– Tenta.
– Um beijo do Channing Tatum.
– É isso o que os seus pensamentos valem?
– Exatamente.
– Não está drogada de novo, não é?
– Não. Estou falando sério.
– Você podia pedir algo melhor.
– Não consigo imaginar nada melhor.
– Que pena.
– Eu disse que era um preço muito alto para você pagar.
– Nem tanto.
– Então você conseguiria?
– Você acha que eu não seria capaz?
– Eu tenho certeza.
– Eu consigo tudo. Eu quero saber o que você está pensando e se isso tem um preço, eu estou disposto a pagar.
– Tudo bem. E quando eu vou ter um beijo do Channing? – perguntei segurando o riso.
– É realmente isso o que você quer?
– Sim, se é que você vai conseguir.
– Você realmente acha que eu não vou?
– Acho.
– Basta alguns telefonemas e você verá.
– E quando eu vou ter o que quero?
– Eu não sei. Eu preciso fazer as ligações primeiro.
– Hum. E eu estarei esperando. Não ache que eu vou esquecer.
– Você realmente não está acreditando em mim.
– Claro que não! Por que você iria fazer alguma coisa para me ver beijando outro cara.
– Porque é só um beijo e você já me disse que se estivesse com Channing, largaria ele para ficar comigo.
– O quê? Eu nunca disse isso.
– Disse “talvez”, mas para mim isso é um “sim”. – ri e revirei os olhos – E eu teria muito mais em troca.
– O quê, por exemplo?
– Você ficaria feliz e eu teria os seus pensamentos.
– Isso é o suficiente para você?
– Sim.
Uma sensação estranha percorreu todo o meu corpo, era impossível explicar. Era bom e me dava medo.
Tirei meu casaco e comecei a desabotoei minha blusa, botão por botão, bem devagar. Ele me fitava e aqueles olhos... aqueles olhos faziam cada parte do meu corpo se arrepiar.
Estava só se sutiã na parte de cima, o empurrei para deitá-lo e subi em cima dele:
– Esquece o Channing agora.
– Não tem como eu pensar em mais nada, a não ser em você.
Percorri meus dedos por seu rosto o admirando por algum tempo e o beijei enquanto tirava seu blazer e sua camisa. Nossa respiração estava ofegante e o carro estacionou.
Sai de cima dele e nos sentamos, encostamos nossas costas no banco e nossas cabeças caíram para trás e bufamos demonstrando nosso desapontamento.
– Quer saber? – falei e ele ergueu uma das sobrancelhas sem entender.
Tirei minha saia e depois meus sapatos minha meia-calça:
– Vamos fazer isso aqui, com o carro parado?
– Não, seu idiota. – revirei os olhos.
Coloquei se volta meus saltos e meu sobretudo. Eu estava só de roupa intima e o olhei:
– Vamos?
Ele deu um sorriso de lado voltou a colocar seu blazer e saímos do carro:
– Você é louca.
– Por quê? Assim fica tudo mais fácil.
Sai correndo pela recepção do hotel e ele correu até mim e me agarrou por trás na frente do elevador. Apertei o botão e ele começou a beijar minha nuca:
– Você é a melhor, sabia? Você é perfeita.
– É, eu sei. – respondi erguendo minha sobrancelha.
– Eu quero passar o dia inteiro com você.
– E você vai aguentar? – perguntei o desafiando.
Ele riu:
– Eu sou Chuck Bass.
– Agora para, porque alguém pode nos ver!
Me afastei dele e ajeitei meu casaco.
O elevador se abriu e havia uma garota, mas não qualquer garota. Eu a conhecia. Meu coração deu salto tão forte que todo o meu corpo se estremeceu. Engoli em seco:
– AH MEU DEUS! ! É VOCÊ! COMO VOCÊ ESTÁ LINDA... – ela começou a falar eufórica e eu estava boquiaberta.
– Vocês se conhecem? – Chuck quis saber.
– Si-sim. – gaguejei.
– Está tudo bem, ? – ela perguntou estranhando meu silêncio.
Isso é o que eu ganhava por falar demais quando estava com amigas, quando eu ficava quieta elas sabiam que havia algo errado. Mas ela era uma velha amiga, ela podia não lembrar de mim ou de detalhes sobre mim.
Sim, eu disse que eu não tinha amigos em LA., porque eu não tinha. Ela era uma amiga de outro lugar, assim como a Megan sempre foi minha amiga e era de Boston.
Ele a encarou:
– Desculpa... é que... eu não esperava te encontrar... aqui. Bom... Chuck, essa é a Hilary, irmã mais nova do e... – respirei fundo – Hilary, esse é o Chuck, meu... colega de escola.
Ela sorriu feliz:
– Oi, é um prazer.
– O prazer é todo meu.
Eles cumprimentaram. E a única coisa que eu conseguia pensar era: “MERDA! MERDA! MERDA! QUE DROGA!”
Hilary saiu do elevador:
– UAU! Isso é muito legal! Eu nunca ia esperar te ver aqui!
– Muito menos eu.
– Você está linda, ! Muito mais do que eu me lembrava. Você sabe, você sempre foi linda.
– Você também está maravilhosa.
– Ah, obrigada.
– Quando você chegou à Nova York?
– Hoje de madrugada. Foi de última hora. Eu liguei pro agora pouco e eu resolvi ficar em um hotel porque... Ah, você sabe. Eu não quero atrapalhar vocês.
– Você não ia atrapalhar.
– Nós duas sabemos que sim. Vocês iriam precisar de privacidade. Ah, eu estou tão feliz por vocês dois estarem juntos! Quer dizer, ele sempre gostou de você e eu nunca achei que algum dia ele fosse ter coragem de te dizer o que sentia, mas ele disse e você aceitou namorar com ele e ai o me ligou para contar e eu fiquei muito feliz, muito mesmo. Espero que vocês sejam felizes para sempre.
Ela começou a falar sem parar e eu não conseguia respirar direito. Tantos hotéis para a Hilary ficar e ela escolhe logo esse.
E... ela disse: PARA SEMPE? Ai meu Deus. Será que o acha que vai se casar comigo? Porque isso seria horrível! Eu sou muito nova, na verdade, eu tenho praticamente a mesma idade da irmã dele. O que eu faço? O que eu falo?
– Obrigada, eu acho...
– E o que você está fazendo aqui?
Meu coração parou de bater, talvez isso seja impossível, mas ao menos eu e senti ele parar de bater:
– Nós temos prova amanhã e eu moro aqui no Empire com o meu pai, ele é dono daqui. Então, você sabe, eu pedi para a me explicar a matéria. – C falou e eu me senti mais aliviada.
– Ah sim, ela sempre tirou notas boas. Então eu não vou mais atrapalhar vocês! Vão estudar. Tchau.
– Tchau! – Chuck falou.
– Tchau.
Entramos no elevador e eu esperei a porta se fechar para poder respirar fundo.
– Colega de escola? Sério? – ele disse desapontado.
– Chuck?
– Sim?
– Obrigada.
– Por?
– Por quase acabar com a minha vida e depois me salvar.
– Ahn... de nada... eu acho. Você está bem? – ele me abraçou.
– Não. O que eu estou fazendo com eles? Eu estou enganando o , mas eu não quero enganar a Hilary também. Nós éramos amigas, Chuck. Nós éramos amigas... e eu estou enganando todo mundo.
– ... por que você não termina com o ?
Me afastei:
– E aí eu vou ficar sozinha?
– Você não vai ficar sozinha.
– Eu vou sim! Você não vai querer ficar comigo. Será que você ainda não percebeu? Para você se trata apenas disso: o perigo. Você gosta de ficar comigo porque não é sério, porque... porque é errado. Se eu terminar com o e o que nós temos também acaba e... talvez seja melhor terminar com você, Chuck... Terminar o que nós nem começamos.
– ...
– Não. Eu tenho que fazer o que é certo e trair o não é.
– Ficar ele também não.
Olhei em seus olhos, o elevador se abriu e nós saímos:
– O que você quer?
– Eu... eu quero você.
O beijei, desesperadamente:
– Uma última vez. – sussurrei em seu ouvido.
Fomos até o quarto dele e eu tranquei a porta:
– Eu não fiquei só de roupa intima para nada.
– Às vezes você é uma vadia.
– Eu sei.
– E eu amo quando você é assim.
Abri meu sobretudo e o deixei escorregar por meu corpo até cair no chão:
– Você me quer, Chuck?
– Mais do que tudo?
– Tira a roupa.
Ele me obedeceu e lá estávamos nós, apenas se roupas intimas. Me virei e sai correndo até o quarto dele e C me seguiu. Me joguei em cima das almofadas e travesseiros e ele veio para cima de mim.
Eu também o queria, cada parte de mim o queria.
Me deitei ao seu lado; estava frio lá fora, mas eu estava suando e ele também, estávamos ofegantes e eu estava cansada:
– Você pode buscar qualquer coisa para eu beber?
– Claro.
Eu precisava respirar um pouco, só um pouco. Logo Chuck voltou com dois copos de whisky, peguei um:
– Você não tomou remédios hoje não, certo?
– Relaxa. Hoje não. – ri.
Tomei tudo de uma vez e o coloquei em cima da escrivaninha e ele fez o mesmo.
Meu celular tocou:
– Não atende.
– Eu preciso.
Enrolei um lençol em mim e fui até a sala para pegá-lo no bolso do casaco e atendi voltando para o quarto.
– Oi ! ...Sim, eu a vi ela está ótima... – me sentei na cama – Jantar todos nós juntos? Seria ótimo... Amanhã eu estou livre... Ok, pode ser no Per Se? Nós combinamos de ir até lá há tanto tempo e nós acabamos não indo... Está perfeito, a gente se fala... Beijo.
– Aquele idiota não para de encher. O que foi agora?
– Ele quer ir jantar comigo e com a Hilary, mas esquece isso.
– Você podia ir jantar comigo.
– Chuck...
Tirei o lençol de mim:
– De novo?
– Sim. – respondi.
– Já esqueci quantas vezes eu te perguntei isso hoje. – nós rimos.
Cheguei em casa e já era tarde, muito tarde. Passar o dia com ele não dava certo, eu estava exausta. O elevador se abriu em meu andar e eu suspirei em finalmente estar em casa:
– Por onde você andou o dia inteiro? – minha mãe e Megan apareceram do nada e falaram juntas.
– Eu estava estudando com um amigo. Eu estou muito cansada eu preciso tomar banho, com licença.
Passei por elas e subi as escadas, indo até meu quarto. Tirei meu sobretudo, mas dessa vez eu estava de roupa, eu as vesti na limousine no caminho de volta.
Megan entrou:
– Eu sei que você estava com o Chuck.
– E eu estava e você não sabe o que aconteceu!
– O quê? – ela perguntou interessada.
– Nós íamos pegar o elevador do Empire e sabe quem estava lá dentro?
– QUEM?
– A HILARY!
– A IRMÃ DO ?
– ELA MESMA!
– O-M-G!
– EU SEI! Mas ainda bem que ela não desconfiou de nada.
– , você não pode mais continuar com isso.
– Eu sei.
– Então o que você vai fazer?
– Eu vou terminar com o Chuck, quer dizer, eu já terminei... se é que nós tínhamos alguma coisa.
– Você não entende, não é?
– O que eu não entendo? – perguntei me sentando na cama e ela na poltrona.
– Lembra quando nós éramos crianças e assistíamos Buffy, A Caça Vampiros?
– Claro que eu lembro! Era o meu seriado favorito! E eu fazia você ver comigo. Mas o que isso tem em comum com o que nós estávamos falando?
– Tudo.
– O quê?
– Buffy, ela tinha dois caras.
– Eu sei, o Angel e o Spike. Por quê?
– E você lembra por quem você era apaixonada no seriado?
– Pelo Spike, é claro. E você gostava do Angel, eu lembro que você ficou triste quando ele saiu.
– É... mas a última parte não vem ao caso.
– O que você está tentando dizer? O que Buffy tem com tudo isso?
– Eu tenho que te explicar assim, porque se não você não vai entender. Eu já tentei te falar isso de outro jeito e não deu certo. Então lá vai... Você é a Buffy, . O Angel é o e... o Chuck é o Spike.
– Então?
– Então que a Buffy tinha o Angel, ele era o cara perfeito, sabia fazer tudo e falava as coisas certas; mas também tinha o Spike, o idiota, o bad boy e a Buffy acabou com ele. Ela tinha o garoto ideal e se apaixonou pelo outro.
– Megan...
– , você está apaixonada pelo Chuck e ele por você. Você pode não querer ou não estar pronta, mas você não pode negar que tudo isso é verdade.
– Você está louca.
– Não, eu não estou. Eu só estou te falando o que está acontecendo, o que todo mundo vê, menos vocês dois... e o e a agora, a Hilary.
– Não. Eu não amo o Chuck.
– Sério? Acho que não, porque eu disse que você estava apaixonada, amor é algo maior.
– Megan...
– ... eu, a Blair e a Serena já te dissemos isso e você finge não entender. Colocando dessa forma você conseguiu?
Eu... eu gostava dele... mas não significava que eu estava apaixonada ou... ou tão apaixonada a ponto de dizer “eu te amo”. Porque uma coisa é gostar, outra é estar apaixonada e outra muito diferente (e talvez pior) é amar alguém.
– Eu... eu preciso ir tomar banho e estudar um pouco para a prova de amanhã e dormir, eu estou muito cansada. Depois nós conversamos.
Me levantei e me tranquei no banheiro, eu não queria mais falar com a Megan. O que ela estava pensando?
Respirei fundo e o meu celular tocou:
“Hey Upper East Siders,
Vocês sabem o que dizem: “Não importa qual seja a verdade, as pessoas veem o que querem ver” e isso é exatamente o que está acontecendo com toda a nossa elite. E por que as pessoas tem tanto medo da verdade? Talvez porque a verdade dói ou é horrível de mais. Às vezes, é a verdade que você tenta não entender, ou a verdade que vai mudar sua vida. Às vezes, é a verdade que está chegando há muito tempo... ou a verdade que nunca deveria ver a luz do dia. Algumas verdades podem não ser ouvidas como gostaríamos, mas elas permanecem bem depois de serem ditas. Mas o tipo de verdade que eu mais tenho medo, é aquela que você não percebe, que cai bem no seu colo.
And who am I? That’s onde secret I’ll never tell. You knou you love me.
XOXO
Gossip Girl.”
Eu não entendi o post, quer dizer, parte dele. Ela se referiu ao Nate e a Blair (primeira verdade), a mim e o ao Chuck (terceira) e a Serena e ao Dan (a última). Quer dizer, eu sei o quanto a relação deles está difícil e que a família deles é contra. Mas: “Às vezes, é a verdade que está chegando há muito tempo... ou a verdade que nunca deveria ver a luz do dia.” A quem se refere? Eu não sei.
Eu estava parada em frente ao portão da Constance, esperando o James chegar. Foi mais um dia de prova, em dias assim, nós saímos mais cedo, logo depois de acabar as provas.
–Oi.
Me virei:
– Oi, Chuck.
– Tudo bem?
– Sim e você.
– Estou bem.
– Que bom.
– Vamos pro Plaza? É aqui perto e nós não vamos encontrar ninguém.
– O quê? Chuck, você está querendo ir no concorrente? Não acho que seu pai vá gostar disso.
– Tanto faz. Vamos?
– Não. Eu te disse, ontem era a última vez.
– Mas nós podemos fazer uma ultima vez novamente.
– Não, nós não podemos.
– Podemos sim.
– Não podemos! Acabou, Chuck.
– Você não vai ser feliz com ele.
– E com você eu seria?
– Seria.
– Você nunca ia querer algo sério com ninguém, Charles Bartholomew Bass.
– Eu poderia tentar, . Não duvide de mim.
– Mas eu duvido. Por que você não volta a sair com aquelas garotas que você sempre saiu?
– É isso o que você realmente quer? Que nós sigamos em frente, como se nada tivesse acontecido?
– Sim, é exatamente o que eu quero.
– Então tudo bem.
– Que ótimo.
James chegou e entrei no carro.
Sai do banho com um roupão branco, grosso e que passava dos meus joelhos; tirei o excesso de água do meu cabelo com uma toalha; peguei o secador para fazer escova e depois enrolei as postas com uma prancha. Fiz uma maquiagem mais elaborada: olhos bem esfumados, pelo bem feita e um batom rosa. Entrei em meu closet e escolhi um vestido claro Alexader McQueen, peep toe Christian Loubutan prestos, uma clutch azul com dourado Saint Laurent, algumas joias e meu anel Tifanny’s que eu ganhei da minha avó, e para completar um sobretudo preto Burberry. Estava pronta para ir ao Per Se.
Desci as escadas e Megan mexia em seu celular deitada no sofá:
– Você não vai acreditar, adivinha quem... – ela se virou para mim – , esse vestido é perfeito!
– Obrigada. – sorri para ela e meu celular tocou –?
– Hey, meu amor. Ahn... a Hilary me ligou e ela conheceu um cara hoje e... e ela quer leva-lo hoje para jantar com nós. Mas eu disse que ia perguntar para você primeiro, quer dizer, era para ser só nós três.
– Ah, está tudo bem. Se ela quiser leva-lo é melhor, você já o conhece. Você não quer sua irmã saindo com um cara estranho.
– Você tem toda razão. Daqui a pouco eu passo aí.
– Estou esperando.
– O que aconteceu?
– Nada demais. O que você ia me falar?
– A Serena.
– O que tem ela?
– Ela e o Dan terminaram.
– O quê?
– A GG acabou de postar, você não viu?
– Não! Meu celular está na clutch.
– Eu acho que você devia ligar para ela.
– Eu vou.
Peguei meu iPhone e liguei para S, mas ela não atendeu, então eu tentei outras cinco vezes até que o elevador se abriu e saiu:
– Boa noite, garotas. – ele estendeu a mão para minha prima.
– E aí, ? – Megan falou voltando a deitar no sofá e eu ri.
– Você não muda, não é? Continua sendo chata.
– Você também é chato.
– Eu sei.
– Ainda bem.
Nós rimos:
– Vamos?
Ele passou o braço pelas minhas costas me conduzindo até o elevador:
– Divirta-se.
– Obrigado. – ele disse.
– Estava falando para a , seu panaca.
– Obrigada, Megan.
– Tudo bem, divirta-se também, panaca.
– Hum... obrigado, eu acho. – ele falou segurando um riso.
A porta se fechou:
– Senti sua falta. – sorri – Você está linda.
– Obrigada. Você também não está nada mal. – passei a mão por sua gravata.
– Espero que você realmente não se importe da Hllary...
– Está tudo bem. – o interrompi.
Saímos do prédio e havia um Bugatti Veyron estacionado:
– , esse carro... Custa, tipo, dois milhões de meio de dólares.
– Eu sei.
– Você tinha um Lamborghini Reventon até esses dias, que já é caro.
– Você gasta dinheiro com roupas e sapatos e eu gasto com carros. Gostou desses?
– Muito. É lindo. Na verdade, isso é um batmóvel.
Nós entramos:
– A Hilary vai nos encontra lá?
– Sim.
Aquele carro era incrível, era bom andar em algo tão diferente de uma limousine:
– Você não gosta de limousines?
– Eu prefiro dirigir meu próprio carro, poder sentir ele, ouvir o motor.
– Esse carro é muito incrível!
– Eu sei. – nós rimos.
– Mas eu também gosto da minha limousine.
Logo chegamos ao Per Se, ele abriu a porta para mim e entramos:
– Boa noite. – a recepcionista falou – É um enorme prazer receber o filho do Senador e a filha do Deputado e de , se me permite dizer, eu amo as roupas da sua mãe. – dei um sorriso falso para ela.
Ela pegou nossos casacos e nos conduziu até nossa mesa:
– Espero que tenham uma ótima noite.
– Obrigada.
A moça saiu e ele riu:
– Meu Deus, essas pessoas não cansam de fazer isso. O que um sobrenome não faz.
– Esquece.
– Já querem pedir? – o garçom apareceu.
– Por enquanto não. Estamos esperando mais duas pessoas. Obrigado. – falou.
– A mesa de vocês é essa - a mesma voz da atendente disse atrás de mim.
– Aí estão vocês. – ele se levantou e eu fiz o mesmo.
Me virei e Hilary estava parada segurando a mão de um garoto. Nova York é cheia de caras ricos e lindos, mas tinha que ser esse, é claro.
– É um prazer. – o cumprimentou.
– Prazer.
– Bom, esse é o Chuck. , vocês já se conhecem.
– Como assim? Vocês se conhecem?
– Eles estudam juntos. Na verdade eu o conheci ontem de manhã, quando eles estavam no Empire para estudar. O pai do Chuck é dono do Empire e de vários outros lugares.
– Legal. Por isso você pareceu familiar, você estava no aniversário da .
– Isso.
– Bom, vamos sentar.
Voltei para a minha cadeira, Chuck sentou do meu lado, em minha frente e Hilarry de seu lado.
– Você sabia que eles estavam saindo? – meu namorado quis saber.
– Não. Ele não me falou nada.
– Não tinha como, nós nos encontramos hoje quando cheguei da escola e eu a chamei para ir almoçar.
– Ele é um cavalheiro.
– Eu fico feliz por vocês, não é ?
– É. – engoli em seco.
– Vamos pedir um vinho?
– Ótima ideia. – respondi ao , eu precisava beber.
– Vão pedir agora?
– Sim. Ahn... nós queremos o vinho mais caro da casa. A garrafa inteira, não apenas a taça. – Chuck pediu.
– E para comer?
– O que você nos sugere? – perguntou.
– O salmão está ótimo hoje.
– Eu vou querer. – falei.
– Eu também, então. – C disse.
– Hilary?
– Pode ser.
– Para todos.
O garçom assentiu e se retirou.
– Então, Chuck, você também é amigo da Serena e da Blair?
– Sim, na verdade, eu, elas e o Nate crescemos juntos, somos amigos há muito tempo e nós nunca criamos amizade com outra pessoa até a aparecer.
– Vocês são muito amigos? – ela perguntou.
– Sim, nós cinco somos. – respondi.
– Isso é muito legal.
– Você está bem? – falou comigo.
– Não... é que eu estou preocupada com a Serena.
– O que aconteceu?
– Ela não atende o telefone, na verdade, ela não atende ninguém e me parece que ninguém sabe onde ela está, nem a mãe ou o irmão dela.
– E o Dan, namorado dela? – Chuck me interrogou.
– Eles terminaram. Você está muito desinformado.
– Eu estava ocupado.
– Tanto faz, Charles.
O clima estava tão pesado que eu podia cortar com uma faca.
– Tanto faz, . – o garçom voltou com o vinho e nos serviu – Obrigado.
– Está tudo bem?
– Claro. Nós sempre implicamos um com o outro, ele é como um irmão chato.
– E ela como uma irmã pirralha.
Dei um sorriso rápido e falso sem mostras os dentes e ele fez o mesmo.
Chuck estendeu o braço para pegar uma torrada que estava na mesa e a o braço dele esbarrou na minha taça de vinho e o liquido escorreu até o meu vestido.
– Eu não...
– , eu não quis fazer isso, me desculpa.
– Eu não acredito! Olha o que você fez. Meu Alexander McQueen... O Alexander me deu pessoalmente esse vestido quando eu fui no ateliê dele. Ninguém mais tinha ele. Só sairia na próxima coleção. Meu vestido Alexander McQueen. Você não fez isso. Essa mancha enorme nunca vai sair. Nunca.
– ...
Me levantei e fui direto para o banheiro. Quando eu estava no corredor onde ele ficava e havia espelhos, Chuck agarrou meu pulso.
– Desculpa.
– Sai daqui.
– Não, eu vim te salvar.
Me virei para ele:
– Me salvar? Como você vai fazer isso?
– Eu sou Chuck Bass.
– Você é idiota.
– Eu vim te ajudar e você me chama de idiota.
– Sim, porque você é. Por que você se envolveu com ela? Tudo isso é raiva? Ciúmes? – ele desviou o olhar.
– Você disse que nós não tínhamos mais nada, para mim voltar a sair com as garotas que eu costumava a sair e a Hilary é bonita, por que não ela?
– Isso eu não vou aguentar. Escuta aqui Chuck, você pode achar o que quiser de mim, mas uma coisa eu te garanto: eu não sou a garota que precisa ser salva. Você pode até brincar comigo, mas nunca com alguém que eu goste e caso você a magoe, acredite, você vai se arrepender de ter nascido. Porque eu sei que você vai fazer isso, você vai machuca-la e se um dos não te matarem por causa disso, eu mesmo cuido de você. Nada do que você diga vai me fazer te perdoar por ter vindo aqui... a Hilary não merece um coração partido e diga “Eu sou Chuck Bass” mais uma vez e ninguém nunca mais vai ouvir essa frase. Me entendeu? Eu nunca fui tão sincera, eu te odeio!
Meus olhos estavam cheios de lágrimas, mas eu me segurei. Ele não falou nada, penas tirou o blazer preto que estava usando e me entregou. Peguei-o de sua mão e C se virou, mas antes que pudesse sair dali ele falou por cima do ombro:
– Eu vou conseguir um igual para você, um Alexander McQueen.
“Hey meus moradores do Upper East Side,
Parece que Manhattan está pegando fogo. Tanta coisa em dia só. Como eu disse Lonely Boy e S terminaram e agora ela está desaparecida, B e N tiveram a maior briga hoje e C e ficaram o dia inteiro juntos trancados no quarto dele no Empire, aparece que a sessão de estudo foi ótima, não concordam? Quem ai gostaria de estar no lugar dela? E no dele?
Pois é, mas acho que C saiu dos seus limites. Cada um sabe os seus limites, não é? Mas isso é até alguém que você goste muito te deixar com ciúmes, você seria capaz de fazer qualquer coisa apenas por estar sentindo isso. E sabem por que ciúmes existem? Para nos lembrar que temos que cuidar melhor de quem nós amamos, se não a qualquer momento nós podemos perder essa pessoa.
And who am I? That’s one secret I’ll never tell. You know you love me.
XOXO Gossip Girl.”
Capítulo 11 - I Can’t Stay Way From You Anymore
Peguei o casaco e entreino banheiro feminino. O blazer era bege e fino, não tinha aquele almofadado nos ombros o que foi perfeito; havia uma costura no cotovelo da manga então a puxei para tirá-la, tirei também a gola, mas eu precisava de uma tesoura, então deixei-o em cima da pia e aproveitei que um garçom passava em frente ao banheiro e lhe pedi uma. Com tesoura em mãos voltei para a pia, cortei alguns dedos do comprimento para ficar do tamanho do meu vestido, tirei os botões, desfiei a barra para alguns fios ficarem caídos. Tirei meu sinto, vesti o blazer, dobrei as mangas e para ele não ficar tão largo o prendi no meio da minha cintura com o cinto, mas ainda não estava bom o suficiente, o vestido era muito fechado na parte da frente, então cortei um decote bem aberto e profundo o suficiente para parecer que o blazer era a única coisa que eu usava e a barra do vestido fosse só mais uma parte na mesma peça de roupa, isso cobriria a mancha. Meu Alexander McQueen estava completamente destruído. Respirei fundo me olhando no espelho, ajeitei meu cabelo e voltei para a mesa:
- Uau, ! Esse é mesmo o blazer do Chuck? – Hilary perguntou enquanto eu me sentava.
- Era.
- Não sei por que estou surpresa, afinal você é filha de . – sorri e os dois me olhavam surpresos – Espero que não se incomode com o que eu fiz com o seu casaco.
- Está tudo bem... Ficou... ótimo.
- Obrigada. Passar boa parte da vida em bastidores de desfiles, vendo tantos problemas de última hora acontecerem e os designers terem que resolvê-los em minutos e sempre ficar no meio de toda a loucura que é o Fashion Week, finalmente valeu a pena.
O garçom de antes veio até nós com uma bandeja enorme:
- Boa noite. A casa está muito feliz de receber todos vocês aqui esta noite e principalmente a Srta. , é um prazer enorme para o nosso chefe tê-la aqui. Ele fez questão de oferecer o prato especial de hoje para todos, espero que gostem.
- E quem é o chefe? – perguntei.
- Michael... Michael Murray. Na verdade, é o nosso subchefe, mas está no comando hoje.
- Ahn... Agradeça-o por mim.
Ele assentiu, colocou os quatro pratos em cima da mesa e se retirou:
- Você o conhece? – me interrogou.
- Não... Eu acho que não.
O jantar inteiro fiquei pensando em quem ele seria, eu não me lembrava de já ter ouvido esse nome. Quando acabamos de comer pedi para ir dar meus comprimentos ao chefe, então Michael veio até nossa mesa.
Ele era bem mais jovem do que eu poderia imaginar, tinha cabelos castanhos escuros levemente ondulados e volumosos, olhos azuis e grades, barba por fazer, devia ter um metro e noventa, porque ele era realmente alto, era muito forte e tinha um sorriso enorme:
- Boa noite.
- Boa noite. – todos disseram.
- Parabéns, estava tudo perfeito hoje.
- Obrigada, Srta. .
- Me chame de , por favor. Desculpa perguntar, mas nós já nos vimos antes? Você me parece familiar.
- Na verdade... não.
- Você parece muito novo para estar trabalhando. – Chuck se intrometeu e eu dei uma cotovelada nele por baixo da mesa – Ai! – C me olhou bravo.
- Eu preciso trabalhar para acabar de pagar a minha faculdade.
- Então como conseguiu um emprego no Per Se? – dei outra cotovelada nele – Ai!
Percebi Michael segurar um riso:
- Eu morei algum tempo em Paris, conheci chefes importantes que me deram aulas, decidi me mudar NY para acabar de estudar gastronomia e eles me indicaram para o dono o restaurante.
- Parabéns de novo, a comida não podia estar melhor. Bom, desculpa estar atrapalhando seu trabalho.
- Não foi incomodo algum. Foi um prazer conversar com a Srta., quer dizer... .
- O prazer foi todo meu.
Ele se virou e voltou para a cozinha.
e Chuck pagaram a conta e nós saímos. Hilary entrou na limousine dele eu senti um aperto no peito, engoli em seco e entrei no carro:
- Se incomodaria de me deixar em casa?
- Claro que não, eu sei que você está em semana de prova.
- Obrigada. – respirei fundo desejando que fosse só isso.
- ... vai ter um baile de fim de ano, você vai comigo, não é?
- Claro, não precisa perguntar. – sorri.
Era isso o que eu queria e eu o tinha com ele. Eu sabia que sempre que eu precisasse, ele estaria lá me esperando, ele não exigia nada de mim, eu me sentia confortável e livre para ser quem eu era. Com o Chuck eu não sabia direito como agir, eu ficava tentando ser perfeita, algo nele me deixava fora de mim.
Mais um dia de aula, eu realmente precisava de férias. Respirei fundo me olhando no espelho e desci as escadas para tomar café:
- Bom dia, mãe.
- Só se for para você.
- O que aconteceu?
- Não quero falar sobre isso. – ela bufou e tomou uma xicara enorme de café de uma só vez.
- Ahn... como quiser.
Peguei um copo se suco antes de sentar e fui até a cozinha onde Anne estava:
- O que está acontecendo? – perguntei me sentando em um dos bancos do balcão.
- Vão chegar alguns sócios e compradores importantes da sua mãe amanhã.
- Mas ela não falou nada antes.
- Por que nem ela sabia, eles avisaram de última hora.
- Tipo?
- Tipo hoje um pouco mais cedo.
- E quando eles irão chegar?
- Amanhã. Sua mãe precisa dar um almoço, mas vai ser impossível contratar um buffet de qualidade para mais trinta pessoas e todos os chefes que ela gosta não estão disponíveis. Por isso ela está nervosa.
- Qualquer um ficaria... agora eu preciso ir. Tchau, Anne. – acabei de tomar meu suco e voltei para a sala onde minha mãe estava.
- Eu acho que eu consigo dar um jeito no seu problema.
- O quê?
- Talvez eu consiga, não prometo nada. – falei enquanto entrava no elevador.
Depois da prova eu iria procurar o Michael, nós precisávamos de um chefe, os ajudantes era fácil de arranjar.
James já me esperava em frente ao prédio, sorri ao vê-lo:
- James.
- Srta. . – ele abriu a porta para eu entrar e o fiz.
Só havia mais alguns dias de aula, essa era única coisa que me acalmava, não teria que ver o Chuck por um bom tempo. Meu celular tocou, era ele... Bom, é como dizem: em falar no diabo...
Era uma mensagem:
“Você tem alguma coisa para fazer no sábado?”
“Por quê?”
“Você tem?”
“Não.”
“Ok, agora você tem.”
“Do que você está falando?”
“Você vai sair comigo no sábado. Você não tem opção, passo na sua casa cinco e meia da tarde.”
“Aonde nós vamos em um horário desses?”
“Sem perguntas. Use uma roupa confortável, isso é absolutamente tudo o que você precisa saber.”
Revirei os olhos, acho que ele havia esquecido de ontem no Per Se.
Não aconteceu nada de diferente na Constance: cheguei, vi a B, o N, o C, que não veio falar comigo, o Dan, Jenny, minha aula foi chata, fiz as provas e fui embora. Na verdade, a única coisa estranha foi a Serena, ela mal me deu “oi”, eu não fiz nada de errado com ela, eu acho.
Em vez de ir para casa, fui fazer compras. Eu precisava.
E na onde é melhor lugar para gastar dinheiro em Nova York? Na Madison. E o que tem na Madison? Oscar de la Renta e Giorgio Armani. Mas sapatos e acessórios não tem outro lugar a não ser 5th Avenue, onde tem Chanel, Loubutan, Tiffany’s, Cartier, Dior, Prada...
Depois de ir em todas as lojas que eu pude, decidi ir até o Per Se. Era de tarde, o restaurante não estava aberto ainda, mas eu sei que o pessoal que trabalha na cozinha sempre chegam bem mais cedo:
- James, eu não vou demorar. – falei enquanto saia do carro.
Entrei e eu vi o gerente do restaurante sentado em uma mesa fazendo a contabilidade:
- Boa tarde.
- Boa tarde. Eu poderia falar com o Michael?
- Claro. Eu vou chama-lo. – sorri agradecendo.
- Ahn... Oi!
- Oi! Desculpa estar te incomodando de novo.
- Você não incomoda. – ri.
- Bom... eu vim te oferecer um trabalho. – ele pareceu interessado – Minha mãe precisa dar um almoço amanhã, ela precisa de um chefe e eu pensei em você.
- Obrigado e... claro, eu aceito.
- Sério? Que bom. Eu sei que está em cima da hora, mas você vai ter toda a ajuda que precisar. Muito obrigada, você não sabe o quanto minha mãe vai ficar aliviada. A Anne, nossa governanta, vai te ligar para ver o cardápio. Tudo bem?
- Claro. – ele pareceu feliz.
Era sexta e eu estava atrasada para ir para escola fazer minhas provas. Quem disse que vida de adolescente é fácil, sem duvidas, nunca viveu essa parte da vida.
Me arrumei o mais rápido possível e desci correndo para pegar o elevador enquanto colocava um fino cardigã por cima da blusa branca do uniforme da Constance. Eu sei, é estranho eu não vestir um sobretudo, mas NY havia acabado de entrar no verão e o clima estava cada dia mais quente. É claro que de manhã nunca é realmente calor, sempre tem uma brisa chata que te faz ficar com um pouco de frio.
Minha casa estava um caos, pessoas por todos os lados para fazer o almoço da minha mãe:
- Filha! – ela me chamou antes que eu pudesse entrar no elevador – Não se esqueça de assim que chegar em casa, tirar esse uniforme e colocar o vestido que eu vou deixar em cima da sua cama.
- Tudo bem. – respondi e sai daquela loucura o mais rápido que pude.
Não deu tempo de tomar café da manhã, mas dessa vez eu não tomaria remédios e álcool e também, hoje eu sairia mais cedo da escola devido as avaliações.
Algum tempo depois James estacionou e abriu a porta para que eu descesse:
- Ansiosa para amanhã, ? – Chuck perguntou assim que me viu vindo até mim.
- Como posso estar ansiosa para ir á algum lugar que eu nem sei onde é, Bass?
- De mal humor hoje?
- Não enche. Acho que você se esqueceu do que aconteceu no Per Se.
- O quê? O Chef? Que estava dando em cima de você? Não, eu não esqueci.
- Acorda, o Michael não estava dando em cima de mim.
- Sério? – ele disse cínico.
- E se você quer saber, ele vai em casa hoje.
- Como assim?
- Você ouviu.
- Vocês se encontraram de novo?
- Ontem, na verdade.
- Por quê? – ri da expressão séria que C fez.
- Minha mãe só estava precisando de um Chef para um almoço que ela tem que dar hoje. Não é nada do que você está pensando. Não se preocupe, diferente de você, eu não durmo com todo mundo que aparece em minha frente. E você sabe do que eu estou falando, sobre a Hilary, não ache que eu esqueci. Agora eu tenho que ir. Até amanhã, Chuck... seja lá o que você esteja planejando.
- Só uma coisa – ele segurou meu braço – Qual é o seu conto de fadas preferido?
- O quê? – perguntei achando que não havia escutado direito, mas ele continuou me encarando esperando uma resposta – Ahn... Cinderela...
- Sabia que era. Era só isso.
- Você me dá medo, Charles. – ele me soltou e entrei na Constance.
O sinal tocou, fiz as provas e fui embora. James já me esperava para irmos.
Cheguei em casa e fui direto para meu quarto e um vestido lindo me esperava. O vesti, escolhi um Louboutin preto e dourado que havia comprado no dia anterior e pulseiras Tiffany’s, fiz uma maquiagem para leve para o dia e estava pronta.Desci as escadas e fui até a cozinha para comer alguma coisa:
- Michael! – falei ao vê-lo mexendo no fogão.
- ! É bom te ver.
- É bom te ver também. – disse me sentando em um dos bancos da bancada.
- O que você está cozinhando? Cheira muito bem.
- Estou fazendo o prato principal.
- E o que teremos hoje?
- Raita de tomate e pepino e ceviche acompanhado de camote, como entrada;ensopado de vitela à provençal no prato principal e de sobremesa, crepe suzette.
- UAU! – ele riu.
- Está com fome?
- Você não faz ideia.
Michael pegou um prato e colocou um pouco do que estava em cima do balcão ao lado do fogão:
- Experimenta um pouco de ceviche com camote. – parecia ótimo e minha boca se encheu de água.
Ele me estendeu um garfo e peguei-o, era ótimo.
- Meu Deus! Esse peixe... sem palavras. E... camote é batata? Sabe, eu não entendo nada de cozinha, não me fale nomes difíceis. – ele riu novamente.
- Ainda bem que gostou. – se virou para continuar cozinhando.
- Me fala mais sobre você. Quando surgiu sua paixão pela cozinha, o que te trouxe a Nova York... – falei levando o garfo até a baco.
- Ahn... Eu cresci em Nova Jersey, rodeado por mulheres, minha mãe não gostava muito de cozinha... Na verdade, ela não cozinhava nada. Então, ou eu fazia a minha própria comida ou morria de fome. Acabou que eu me apaixonei pela cozinha e eu queria muito ir para Paris, conhecer melhor a culinária deles, os chefes... mas nós nunca fomos ricos, tínhamos dinheiro suficiente para viver e ir ao cinema uma vez por semana, só que não para ela poder me mandar para outro país e pagar minha faculdade.
- E o que você fez?
- Eu comecei a trabalhar meio turno depois da aula por dois anos, consegui dinheiro suficiente para a passagem, passaporte e visto. Tomei coragem e fui, com pouco dinheiro, mas fui. Chegando lá eu fiquei em um albergue e comecei a procurar por um emprego. Demorou quase um mês até eu conseguir um emprego como garçom em um restaurante. Não era o que eu queria, mas era melhor do que nada, eu precisava ganhar dinheiro para sobreviver. O melhor disso foi que eu pude ver como os chefes de lá trabalhavam, experimentar tipos de comidas diferentes que eu não podia comprar, aprender novas receitas e truques, melhorar meu francês e, principalmente, poder conhecer muita gente. Pessoas que foram muito importantes para eu chegar aonde eu cheguei. Depois de meses morando lá, um cara que trabalhava comigo tinha alugado um apartamento, queria pessoas para dividir o aluguel e eu pude sair do albergue. Por sorte eu consegui uma bolsa em uma faculdade de culinária, não é muito famosa, mas é ótima. Um dos professores era chef e dono de um grande restaurante, ficamos muito amigos e ele precisava de um novo cozinheiro, consegui o emprego e trabalhei com ele até ir embora. Todo esse tempo eu tentei juntar o máximo de dinheiro que pude. Depois de cinco anos lá, eu resolvi vir fazer meu ultimo ano da faculdade em NY e me transferi. Acabei perdendo a bolsa, mas com esse dinheiro e meu emprego eu consigo pagá-la. Devo tudo ao Sr. Tardin, o meu antigo professor, ele já trabalhou no PerSe e é um grande amigo do dono, então que indicou quando soube que eu viria para NY e que eles precisavam de um novo subchefe. – Michael me contou enquanto cozinhava.
- Mas você tem muito talento, parte de conseguir tudo isso foi por merecer. E por que decidiu largar Paris e vir para Nova York?
- Acho que todo mundo já sonhou com essa cidade, não é? Para falar a verdade, gosto mais daqui do que de lá... Tem várias razões para eu ter vindo... Aqui tem muitas oportunidades, uma faculdade de culinária que eu posso pagar, vou poder ficar mais perto da minha mãe, sempre que tenho a oportunidade viajo até lá e... eu vim procurar uma pessoa. Mas e você? Me fala um pouco sobre a sua vida?
- Não tem nada de interessante comparada com a sua. – ele riu.
- A minha não é nada interessante.
- Não? Isso porque você não a minha.
- Então me conta.
- Não tem nada de se aventurar por aí, conhecer várias pessoas e sobre ter um talento. – ele riu de novo – Ahn... Eu nasci em Los Angeles e vivi lá até alguns meses atrás, me mudei devido ao trabalho da minha mãe, porque o ateliê dela é aqui. Na cabeça dela, ela teria mais tempo para ficar em casa por viajar menos, mas ela tem trabalhado mais do que nunca, mal para em casa... Meu pai vive em Washington, eu o vejo pouco... A verdade é que quem me criou foi a Anne. – abaixei o olhar por alguns segundos e me recompus – Ela é uma ótima pessoa, eu tenho sorte de tê-la. Eu também acho que não posso reclamar dos meus pais, eles nunca passaram muito tempo comigo, mas não é culpa deles... Eu nunca tive muitos amigos antes de vir para NY, só a Megan, que é minha prima, e o , que agora é o meu namorado.
- Você não gosta dele? – me perguntou um pouco preocupado.
- É óbvio, não é? Eu queria poder retribuir o que ele sente, mas eu não consigo... Mas tanto faz. – Michel ficou quieto me esperando continuar – Minha vida ficou bem melhor depois que eu vim para essa cidade, conheci várias pessoas e é isso. Nada de interessante.
- Srta. , isso acabou de chegar. – Anne apareceu com uma caixa branca envolvida por uma fita vermelha.
- Obrigada. – ela deixou-a em cima da bancada.
Puxei uma das pontas do laço que se desses, abri a caixa e havia um buquê de peônias brancas e rosas colocadas em cima de papel de ceda vermelho amassado propositalmente para que ficasse mais bonito. Havia um pequeno pedaço de papel brancorepousando em meio as pétalas das flores, o peguei:
“Me perdoa?
C. B.”
Li e um sorriso surgiu involuntariamente em meus lábios. Uma pergunta, duas palavras... tão simples e foi uma das coisas mais doces que já me fizeram.
Conversar o dia anterior com o Michael foi ótimo, ele era inteligente e engraçado, nós poderíamos ser grandes amigos.
Era sábado, o dia do lugar misterioso que Chuck ia me levar. Estava ansiosa, eu admito, talvez ansiosa demais. Olhei o relógio e faltavam duas horas para a o horário marcado, mas decidi começar a me arrumar. Tomei um longo banho, sequei meu cabelo fazendo uma escova, fiz uma maquiagem básica: protetor solar que nunca é demais e lá fora ainda estava sol, BB Cream no lugar da base que dava um aspecto bem mais natural na pele, corretivo, pó, bronzer, blush, iluminador, contornei meus olhos com um lápis preto e usei algumas sombras, mascara para cílios e um batom Yves Saint Laurent.
Entrei em closet para escolher a roupa, Chuck disse: uma roupa confortável. Então escolhi uma calça preta normal, sapatilhas, uma blusa peplum do Óscar de la Renta, um blazer e para completar uma bolsa preta e pulseira Carolina Bucci.
Estava pronta, me olhei no espelho e peguei meu celular e já era quase a hora de C vir me pegar.
Ajeitei o cabelo e desci as escadas indo até a sala:
- Srta. , o Sr. Chuck já chegou e está subindo.
- Tudo bem. – respirei fundo, não sabia o porquê, mas estava com as mãos geladas e não era por causa do frio.
O elevador se abriu e lá estava ele:
- Oi. – disse erguendo as sobrancelhas, eu adorava o ver fazendo isso.
- Oi. – caminhei em sua direção.
- Eu disse para colocar algo confortável.
- E eu estou vestida com roupas confortáveis. – a porta do elevador se fechou.
- Certeza?
- Absoluta. Para onde nós vamos? Acho que agora você já pode me contar.
- Cada coisa em seu tempo.
- Para que tanto suspense?
- Porque assim é mais divertido. – ele riu e eu revirei os olhos.
- Só para você. Que horas nós vamos voltar?
- Voltar? Nós nem começamos, .
- Acho que você não sabe, então deixa eu te contar uma coisinha: eu odeio surpresas.
- Que pena. – foi tudo o que ele disse eu bufei cruzando os braços como uma criança mimada que não ganhou o que queria.
- Você fica linda quando está brava.
- Eu sei, eu sou linda o tempo todo.
O elevador se abriu, saímos e entramos na limousine:
- Para o aeroporto.
- AEROPORTO? Charles, o que você está tramando? – falei nervosa.
- Nós vamos pegar um voo particular.
- VOO? Ok, você está brincando, certo? Eu não vou sair de NY, Bass. Eu tenho mais uma semana de prova.
- Hey! Hoje é sábado, nós não vamos muito longe, se quer vamos sair do país. Eu vou te trazer de volta a tempo, ok?
- Eu tenho que estudar, Chuck.
- , você sabe que de todo jeito vai conseguir ir bem nas provas. Você é inteligente.
Bufei de novo:
- Se eu for mal, a culpa é sua.
- Relaxa.
- Nós vamos ficar quanto tempo dentro do avião?
- Pouco.
Ele desviou o olhar.
- Quanto, Bass?
- Ahn... três horas. – disse passando os dedos pelo cabelo sabendo que eu ficaria brava.
- TRÊS? Aonde nós vamos?
- Eu não vou falar, .
- O que eu vou fazer nessas três horas?
- Eu posso te ajudar a se divertir. – ele deu aquele sorriso de segundas, terceiras, quartas e até quintas intenções e o encorei séria – Tudo bem eu não vou insistir... Mas se você quiser... – fechei a cara mais ainda – Ok. Vou ficar quieto.
- Já era hora.
- Tem alguns livros e filmes para você passar o tempo.
Fiquei quieta o caminho inteiro até o aeroporto. Chegamos e um segurança nos conduziu até nosso voo particular.
Entramos no avião que logo decolou. Haviam sofás e poltronas revestidas de couro bege, uma mesinha embutida com macarons de diversas cores. Vi alguns livros em outra mesinha e caminhei até eles, haviam clássicos até livros mais recentes:
- Não sabia que lia esses tipos de livros... – percorri meus dedos por eles os observando – Para falar a verdade, eu nem sabia que você lia algum tipo de livro.
- Engraçadinha você. – deu um riso falso sem mostrar os dentes.
Peguei um livro, me sentei perto dos macarons e respirei fundo, seriam três longas horas.
O livro era grande e chato o suficiente para me fazer dormir:
- Já é hora de acordar. – Chuck falou pegando uma mexa do meu cabelocaída em meu rosto e colocando-a atrás de minha orelha.
- Chegamos?
- Sim.
Me levantei da poltrona, peguei minha bolsa e ajeitei meu cabelo.
- Minha senhora. – C falou parado em frente a porta estendendo a mão para mim.
Franzi a testa:
- Você sabe que talvez a ultima vez que alguém falou isso foi no século XIII, não é? – ele fingiu não ouvir – Você é estranho, Bass.
Coloquei minha bolsa no braço, dei minha mão direita para ele descemos as escadas:
- Bem vinda à Miami.
O olhei:
- Miami? Por que Miami?
- Você logo vai entender. – revirei os olhos.
Havia várias pessoas à nossa espera e dois carros estacionados ali perto:
- Chuck...
- , conheça as pessoas que serão sua fada madrinha hoje.
- Prazer, Srta. . Eu sou a Rose e eu serei a responsável pela maquiagem. – uma mulher de cabelos castanhos disse.
- Prazer, me chamo Ryan e serei o responsável pelo seu cabelo.
- E eu sou Chloe, responsável pelo o que a Srta. irá usar.
- Chuck, o que está acontecendo? – perguntei me virando para ele
- Eu quero que hoje seja um dos melhores dias da sua vida.
- E como você pretende fazer isso?
- Fazendo esta noite se tornar um conto de fadas para você.
- Chuck, do que você está falando?
- Só confia em mim. Você não tem outra escolha, Cinderela.
- Cinderela? – ri.
- Agora vai.
- Você não vem?
- Você vai se arrumar e eu também, em uma hora eu te pego.
- Aonde nós vamos nove e meia da noite?
- Segredo.
- Eu já estou cansada de segredos.
Eu, Rose, Ryan, Chloe e um dos motoristas entramos no carro.
Cerca de dez minutos depois chegamos à um hotel, subimos até o um quarto e lá haviam vários sapatos, joias, maquiagens e produtos para o cabelo.
- Pronta? – os três me perguntaram.
- Sim.
Começamos pelo penteado, depois a maquiagem e finalmente a roupa. Chloe me conduziu até a outra parte do quarto, onde havia um vestido longo pendurado em um cabide. Meus olhos brilharam e meu coração bateu um pouco mais rápido.
Cheguei mais perto e havia um cartão no decote, peguei-o e abri o envelope:
“BibidiBobidiBu! Não é um Alexander McQueen ou o vestido que a Cinderela usou, mas é um Óscar de la Renta.
C.B.”
Dei o cartão para ela e peguei o vestido:
- BibidiBobidiBu?
- Cinderela, é dele.
Escolhi meus sapatos, joias, clutch e um sobretudo Burberry.
Estava finalmente pronta. Me despedi das minhas “fadas madrinhas” e peguei o elevador até o térreo.
Chuck estava parado em frente ao hotel e eu caminhei até ele.
- Você é louco sabia? – disse me aproximando.
- Por quê? Só estou tentando te pedir desculpas e fazer você parar de duvidar de mim.
- Só as flores já eram o suficiente para eu te perdoar.
- Mas aí não tem graça. Flores são muito simples. – revirei os olhos – Você está incrível.
- Obrigada. Agora vamos.
Entramos na limousine e Chuck não para de me olhar, mas eu o ignorei. Meia hora depois finalmente chegamos. O motorista abriu a porta para nós e flashes de câmeras fizeram meus olhos arderem.
Era uma festa de gala e havia muitos fotógrafos. Respirei fundo e caminhamos até a entrada. O lugar não podia estar mais cheio, parei perto da mesa de frios e o encarei:
- Você realmente me fez viajar três horas para me trazer em uma festa que é fácil de ser encontrada em NY?
- Sim. Mas aqui tem uma pequena diferença.
- E qual é?- ele olhou por cima do meu ombro.
- , eu quero que conheça uma pessoa. – me virei para ver quem era e eu não conseguia acreditar – , Channing Tatum e Channing, esta é a .
- Prazer. – ele disse e eu estava de boca aberta.
Me recompus:
- O prazer é todo meu.
- Lembra o que você me disse aquele dia? Por isso eu te trouxe até aqui. Nunca mais duvide mim, . Agora eu vou pegar uma bebida. – ele se virou e foi até o bar.
- Bom, eu acho que eu te devo um beijo.
- Sua esposa não vai ficar brava?
- Ela disse que estava tudo bem, claro que ela não sabia que era tão linda. É fácil ver o porquê do Chuck estar apaixonado por você.
- Apaixonado?
- Dá para ver pela forma como ele te olha... Pronta?
Assenti. Ele se aproximou devagar até nossos lábios se tocarem e eu sei que eu devia estar pensando em algo como : “Ai meu Deus! Eu estou beijando Channing Tatum!” mas eu só conseguia pensar no que ele havia acabado de me falar.
Nos separamos:
- Obrigada. – sorri.
- O prazer foi todo meu.
Olhei para o Chuck, ele virou o copo para tomar o resto da bebida de uma vez e veio até mim.
- Acho que você está me devendo alguma coisa. Esse era o preço pelos seus pensamentos, lembra?
- Vamos lá fora. – o puxei até o jardim do lugar que ficava atrás do salão.
- Então?
- Eu estou pensando que você é o cara mais incrível que eu já conheci e... – engoli em seco, não sabia se ia conseguir dizer aquilo em voz alta – E... Eu não aguento mais ter que ficar longe de você.
- Você vai terminar com o ?
- Vou.
Capítulo 12 - You had no right
Eu falei que ia terminar com o e era exatamente o que eu iria fazer. Odeio ter que admitir isso, mas a Megan estava certa. Esse tempo todo eu vinha tentando ignorar o fato de eu não gostar do meu namorado e que... Por que é tão difícil pensar nisso?... Que eu estou apaixonada por Chuck Bass.
É loucura, certo? Ser apaixonada por Chuck Bass é loucura. O garoto que já dormiu com mais mulheres do que eu possa imaginar e que tem o sorriso mais lindo que eu já vi na vida. É claro, ele é um babaca tarado, mas foi um príncipe comigo no sábado.
Como pode ele me fazer sentir desse jeito? Eu tinha uma necessidade enorme de tê-lo ao meu lado, sentir aquele perfume e ouvir sua voz. Eu estava completamente apaixonada por ele, apaixonada de uma forma que eu nunca estive, nem com o ou com o , uma forma que eu nunca pensei que poderia um dia estar.
Era segunda-feira e eu havia combinado de me encontrar com o para conversarmos. Isso me fazia querer continuar na cama, mas eu não podia mais adiar o que deveria ser feito. Eu queria terminar com ele, era o que eu mais queria naquele momento, mas eu não queria partir o coração dele. Respirei fundo, me levantei para fazer toda minha higiene pessoal e comecei a me arrumar.
- ? – alguém bateu na porta.
- Pode entrar, Megan. – disse saindo do closet colocando meu casaco.
- Por onde você andou? Pode me contar tudo!
- Ah, eu queria... mas eu estou atrasada para a escola.
- Por favor! – ela insistiu.
- Sabe, nem todo mundo estuda em casa como você.
- “Estudar” – ela fez aspas com os dedos – Você sabe que minha mãe nunca gostou que eu me misturasse com pessoas estranhas e por esse motivo eu “estudo” em casa. Minha mãe não para de viajar, então eu decidi vir “estudar” em NY. Eu leio uns livros e tal, mas é um tédio. Então, Srta. , o mínimo que você pode fazer é me contar por onde você anda.
- Precisava fazer esse discurso?
- Precisava.
Revirei os olhos:
- Ok. – respirei fundo – Eu estava com o Chuck.
- Você sabe o que eu acho sobre isso, não é?
- Eu vou terminar com o .
- Sério?
- O que você me disse aquele dia... Você tem toda razão. Eu... Eu estou apaixonada pelo Chuck. Não acredito que estou dizendo isso.
Ela sorriu:
- Fico feliz... por você.
- Obrigada. Mais tarde eu te conto tudo.
- Tudo bem.
Me levantei e desci as escadas, Anne já me esperava com um copo de suco e uma torrada. Bebi rápido, dei mordida e fui para a Constance.
O tempo na limousine pareceu demorar mais do que o costume. O carro estacionou e James abriu a porta para eu sair.
Chuck estava encostado na entrada da escola com as mãos no bolso, assim que me viu sorriu e veio em minha direção:
- Como você está?
- Ótima e você?
- Melhor impossível.
- Senti sua falta.
- Também senti.
Ele se aproximou, mas coloquei um dedo em frente a minha baca para pará-lo.
- Só um beijo, .
- Quando estávamos em Miami, você disse que ia esperar, lembra? Ia esperar eu terminar com o . Nós não faríamos nada até que isso acontecesse.
- Tudo bem. De hoje não passa. – ouvimos o sinal tocar – Você passa no Empire depois?
- Claro. Agora eu tenho que ir para a minha sala fazer prova. – dei um beijo em sua bochecha.
Saí da Constance e entrei na limousine para ir direto ao apartamento do . Senti o carro estacionar e engoli em seco. Desci determinada do carro e peguei o elevador até o andar dele.
- ? – o chamei entrando.
- , estava morrendo de saudades. – correu até mim e me deu um beijo que não significou nada.
- Nós precisamos conversar.
- Claro. Quer beber alguma coisa? – perguntou indo até o sofá e eu o segui.
- Você tem whisky?
- Você sabe que só tem dezessete anos, não é?
- Você tem ou não?
- Vou pegar.
Pouco tempo depois ele voltou com dois copos e me estendeu um que engoli de uma vez só me sentando.
- Agora nós podemos conversar.
- Está tudo bem?
- É exatamente sobre isso que precisamos falar... ... Eu não aguento mais.
- O quê? – me levantei e ele fez o mesmo. – Eu também queria te dizer uma coisa.
- O que é? – perguntei seca.
- Acho que eu só disse isso uma vez, mas foi no meio de uma festa, então... – ele respirou fundo e olhou dentro dos meus olhos – Eu te amo.
- ... Nós temos que terminar.
Eu queria chorar, mas não havia uma lágrima em meus olhos. Meu coração dava batidas pesadas e eu me lembrei de uma vez, quando eu era pequena, minha mãe me disse que nunca devemos dar as costas para alguém que nos ama. Ele me amava e eu estava dando as costas para ele, eu era uma pessoa horrível.
Tirei a pulseira com pingentes de corações que havia ganhado dele e o entreguei.
Achei que eu não tinha direita de falar mais nada, se quer um único adeus. Na verdade, não havia nada a ser dito naquele momento. Apenas saí dali o mais rápido que pude.
Fui direto encontrar o Chuck, era a única coisa que eu queria.
Entrei no Empire e fui até a cobertura onde C morava e ele estava me esperando.
- Então? – me perguntou.
Corri desesperadamente até seus braços e o beijei, e que beijo.
- Isso responde?
- Não precisa falar mais nada.
Fiquei olhando sua boca enquanto falava. Eu o queria.
- Nunca mais faça isso. – Chuck disse ofegante saindo de cima de e deitando ao meu lado na cama.
- Fazer o quê?
- Me fazer ficar tanto tempo sem você.
Me virei de bruços ficando com rosto bem perto do seu:
- Você é muito fofo.
- Sério? – falou decepcionado e eu ri – Fofo? Nunca diga que um cara é fofo. E Chuck Bass é tudo, menos fofo.
- Mas você é fofo. – apertei sua bochecha – E lindo, sexy, tem o sorriso mais perfeito que eu já vi e... Sabia que adoro te ver sem camisa? – ele riu.
- E você é a garota mais doce e gentil e linda que eu já conheci, tem uma risada que adoro... Você é perfeita.
- Eu estou apaixonada por você.
- Eu... eu também estou apaixonado por você. – o beijei – , você quer ir ao baile comigo?
- Sim! – meu celular tocou:
“Hey hey Upper East Siders,
Semana movimentada, concordam? Então aí vão as novidades, parece que um coração foi partido hoje e sabem de quem? Do filho do senador. Acho que finalmente e C se acertaram. É como dizem: do que adiante ter o garoto perfeito se quem te faz feliz é simplesmente aquele que não presta? Cuidado, querida . Você sabe que sonhos todos nós temos, mas uma hora eles acabam, a realidade insiste em interrompê-los. E esse conto de fadas que você quer viver com Chuck Bass é um sonho ou realidade? Estamos esperando para saber.
And who am I? That’s one secret I’ll never tell.
You know you love me.
Xoxo Gossip Girl.”
- ...
- C, esquece. Eu não ligo para o que fala.
- Tem certeza? Quer conversar sobre isso?
Meu celular tocou de novo, era uma ligação do meu pai o que eu achei estranho:
- Desculpa, eu tenho que atender... Oi, pai!...Você está aqui?... Não, é claro que eu estou feliz! Só estou surpresa... Claro que eu tenho tempo para você, eu sempre tenho... A hora que você quiser está bom... Ok, a gente se vê em casa... Tchau... Eu também te amo. – deliguei.
- Seu pai está em Nova York?
- Sim, ele acabou de chegar.
- Eu queria conhecê-lo.
- Sério?
- Sim, a não ser que você veja algum problema nisso.
- É claro que eu quero que vocês se conheçam... É que meu pai não sabe que terminei com o . Eu só preciso contar para ele primeiro.
- Ok.
- Eu também quero conhecer o seu pai.
- Você não vai gostar dele.
- Chuck, ele é o seu pai! Como você diz isso?
- Se você quer, tudo bem. Mas eu te avisei.
- Eu vou assumir o risco.
- O problema é seu.
- Agora eu tenho que ir encontrar o meu pai.
Finalmente cheguei em casa e fui tomar um banho, coloquei uma roupa confortável e desci as escadas:
- Anne, prepare um lanche da tarde? Meu pai esta vindo.
- Claro.
- Filha? – ouvi sua voz.
- Pai! – corri até a sala e o abracei parecendo uma criança – Senti saudades.
- Eu também.
- Tio ! – Megan apareceu nas escadas.
- Megan! Faz tanto tempo desde que te vi! Você cresceu muito! – ele a abraçou também.
- Vamos! A Anne está preparando um lanche da tarde para nós. – puxei os dois e nos sentamos na mesa e logo ela veio com bandejas.
- Então, me conte as novidades.
- Am... Eu fiz um novo amigo esses dias, nesse fim de semana eu fui para Miami e conheci o Channing Tatum, eu terminei com o , comecei a namorar Chuck Bass, que é filho de Bart Bass, eu vou ter um baile daqui alguns dias e eu já estou planejando as minhas férias. – falei rápido sem respirar e Megan me olhou assustada e boquiaberta.
- Espera, repete. – meu pai pediu.
- Tudo?!
- Não, o final.
- Eu estou planejando minhas férias.
- Não essa parte. A parte em que você disse que terminou com o . Por quê? – ele pareceu magoado.
- Pai, eu não... eu não gosto dele do mesmo jeito que ele gosta de mim.
- E quando foi isso?
- Hoje cedo.
- E você está namorando quem?
- O Chuck.
- Chuck do quê?
- Chuck Bass, pai.
Ele pegou o celular e discou um numero:
- Aqui é ... Eu quero que você descubra tudo o que conseguir sobre Chuck Bass... Obrigado. Tchau.
- PAI!
- Eu não posso deixar você namorar qualquer pessoa.
- Ele não é qualquer pessoa! Ele é Chuck Bass! – parei de falar, estava passando muito tempo com C para dizer aquilo.
- Tanto faz. Eu quero conhece-lo.
- Claro.
- Como você pode terminar e começar a namorar com outra pessoa no mesmo dia? Quer saber, não responde.
Megan só observava comendo um pedaço de bolo e achando tudo muito interessante.
- Com licença, Srta. .
- Sim, Anne.
- O Sr. Murray está aqui no portaria.
- Pode mandar o Michael subir.
- Quem? – meu pai perguntou.
- É um novo amigo. Ele já passou por tanta coisa e tem um talento incrível na cozinha, você vai adorá-lo.
Me levantei e fui até a sala espera-lo subir.
- Oi! Eu não quero incomodar, é só que eu estava fazendo cupcakes e trouxe alguns para você.
- Obrigada. – peguei a caixinha que ele me estendeu – Isso foi muito gentil. Entra, por favor.
Michael o fez e levei-o até a mesa.
- Pai, esse é o Michael.
- .
- É... um prazer. Mas agora eu tenho que ir, daqui a pouco eu preciso que estar no Per Se. Tchau.
Ele se virou e saiu rápido parecendo assustado.
Voltei para o meu lugar.
Combinei de sair com o Chuck, ele passaria em casa para me pegar e conheceria meu pai. Fiquei junto com a Megan vendo o ele faria com o C.
- Então você é Chuck Bass?
- Sim, senhor.
- Deixa eu ver se eu acerto... Seu nome é Charles Bartholomew Bass, filho de Bart Bass que é uma família bastante conhecida. Você em 17 anos, estuda na St, Jude’s, mora no Empire, seu melhor amigo é Nathaniel Archibald, que é de ótima família, jogou basquete uma vez com uma roupa ridícula, mas você gosta de lacrosse, bebe e é galinha. Se eu descobrir que você fez minha filha beber, eu mando te matarem. Se eu souber que você a magoou eu mesmo te mato. Ela não é só mais uma da sua lista, entendeu?
- Pai, chega. – o interrompi descendo as escadas.
- Você sabe que eu tenho que fazer isso. É a minha função como pai.
Revirei os olhos:
- Vamos, C. – o puxei até o elevador – Relaxa, ele contratou um detetive para te investigar.
- Sabe, eu descobri uma coisa sobre os .
- O quê?
- Vocês gostam de ameaçar as pessoas. Você, seu pai... estou esperando ameaças da sua prima e da sua mãe.
Era terça, eu já tinha acabado as provas e Chuck queria que eu fosse para o Empire com ele:
- Por favor! Vamos!
- Me leva ao Per Se primeiro.
- O quê?
- Eu preciso falar com o Michael. Ele já deve estar lá.
- E eu preciso de você. Isso não importa.
- Se você não me levar lá primeiro, você não vai ter nada.
Ele bufou:
- Fazer o quê.
- Não reclama.
Entramos na limousine e fomos até o restaurante, eu queria saber o motivo dele ter saído de casa daquele jeito.
C ficou com a cara fechada todo o tempo até o Per Se:
- Me espera aqui.
- Vai sonhando que eu vou deixar minha namorada ficar sozinha com outro cara.
- “Minha namorada”? Adorei ouvir isso. – o beijei.
Sai do carro e ele me seguiu. O lugar estava vazio, fui até a cozinha e vi algo que não era se quer a ultima coisa que eu esperava ver.
Fiquei perto da porta espionando e Chuck atrás de mim:
- Fica longe dela, está me escutando? Eu não quero mais ver você perto da .
- E se eu não quiser? O que você vai fazer?
- É melhor você me obedecer.
- Eu não vou!
- Você vai se arrepender. – meu pai gritou com o Michael.
- O que está acontecendo? – perguntei brava entrando na cozinha e Chuck tentou me segurar o que foi em vão.
- Filha? O que você está fazendo aqui?
- O que é que você está fazendo aqui? – ele ficou quieto – Michael?... Alguém tem que me dizer o que está acontecendo! – me alterei e Chuck segurou meu pulso.
C estava próximo de mim o suficiente para eu poder sentir sua respiração em meu pescoço e isso me acalmou.
- .
- Cala a boca!
- Cala a boca você, pai! Fala, Michael.
- Eu... – ele parecia ter dificuldades para me contar o que estava havendo – Eu sou filho do .
- O quê?... Pai, é verdade?
- ...
- Vamos conversar em particular. – me virei, Chuck me soltou, fui em direção à recepção e ele me seguiu.
- Filha, por favor...
- Não! Como você pôde esconder isso de mim todo esse tempo? Você não tinha o direito de não me contar que eu tinha um irmão.
- Escuta, eu estava namorando sua mãe e eu ia pedir ela em casamento. A mãe do Michael apareceu dizendo que estava grávida e é claro que eu não acreditei, mas ela fez um teste de DNA e... Se a soubesse, ela nunca iria querer se casar comigo. Então uma vez ele ficou muito doente e eles precisavam de dinheiro para os remédios, sua mãe viu a mensagem de outra mulher dizendo que precisava falar comigo e... Eu tive que contar para ela quando você tinha 4 anos...
- Foi... Foi por isso que vocês se separaram. A mamãe pediu o divorcio porque você a traiu. Mas porque ela nunca falou sobre eu ter um irmão?
- Ela não sabe do Michael.
- Todo esse tempo... – balancei a cabeça tentando não pensar nisso – Eu achei que você estava sendo um péssimo pai, você não me ligava, nunca vinha para os meus aniversários, dia de ação de graças ou para o natal, todos os presentes que chegavam em casa eu sabia que era a sua secretária que tinha comprado, você não se dava ao trabalho se quer de escrever um simples “Parabéns” ou “Feliz Natal” no cartão... – eu falava entre lágrimas – Mas você fazia isso só comigo, eu não tinha um irmão ou uma irmã para ir até você e te falar tudo isso... eu achei que eu estava apenas sendo egoísta, pensando só em mim... Só que o que você fez com o Michael... Você não merece ser pai.
- Você não pode falar desse jeito comigo! Eu enviava dinheiro para eles todo o mês. A culpa não é minha que ela pegava o cheque e dava para entidades carentes, mesmo assim eu nunca parei de enviá-los.
- Dinheiro?! Era assim que você se sentia um pouco melhor? Dinheiro não resolve tudo... Por que você o escondeu de mim durante esses anos se o seu casamento já tinha acabado?
- Você não entende... Eu só queria proteger você, . Proteger a nossa família.
- Ele é família, pai! – ele desviou os olhos – Vai embora.
- O quê?
- Você ouviu. Vai embora.
Respirei fundo e enxuguei minhas lágrimas voltando para a cozinha.
- Eu vou te esperar na limousine. – assenti para Chuck.
- Desculpa.
- Você não tem que pedir desculpas, você não tem culpa de nada. – ele tentou me acalmar.
- Então por que eu me sinto tão mal desse jeito?
- Porque você é uma boa pessoa.
- Eu sou tudo, menos uma boa pessoa.
- Viu? Pessoas boas não reconhecem que são. – dei um sorriso fraco.
- Eu sempre quis ter um irmão.
- E eu sempre quis conhecer minha irmã.
- A pessoa que você veio procurar aqui em Nova York, era eu.
- Sim.
O abracei e ele retribuiu o abraço.
- Obrigada por vir me procurar. – falei baixo e lágrimas começaram a escorrer pelo meu rosto.
- Desculpa te deixar desse jeito. Não era a forma como eu queria que descobrisse.
- Não! – me afastei – Está tudo bem. Na verdade, eu estou feliz... E sabe de uma coisa? Nunca percebi isso antes, mas a felicidade está bem na sua frente, basta ver. É como se nós... Como se você e o Chuck fossem às únicas coisas que faltassem para eu ser realmente feliz. E você está bem aqui, na minha frente. Quer dizer, eu sei que você trabalha muito, não vamos poder passar tanto tempo juntos e tudo isso, mas é tão bom ter um irmão. Eu seu que você não vai me abandonar e isso me deixa tão alegre, não é igual ao meu pai... É muito mais fácil alcançar a felicidade do que adotar a felicidade.
“Hey everyone,
Parece que mais alguém acabou de entrar para o Upper East Side. Ele não é nada menos que um . Coitadinha da , tem passado por tanta coisa e agora esse escândalo na família! Um irmão fora do casamento, quem diria, Deputado. E vocês sabem, quando o assunto é família, no fundo ainda somos crianças, não importa o quão velho fiquemos, sempre precisamos de um lugar para chamar de lar. Porque sem as pessoas que você mais ama, você não pode evitar se sentir sozinho. Nós entendemos as razões do Michael procurar nossa princesa.
And who am I? That’s one secret I’ll never tell.
You know you love me.
Xoxo Gossip Girl.”
Capítulo 13 - Is enough for now
- Chuck, lembra que eu queria que você me ajudasse a juntar a Blair e o Nate?
- Claro.
Eu estava me sentindo mal com o que tinha acontecido, por isso eu precisava de algo para me distrair. Me concentrar nisso serio ótimo.
Já estava tarde, mas ele fez questão de ficar comigo o tempo todo desde que havíamos saído do restaurante.
- Então, nós sabemos que os dois estão esperando o outro dar o primeiro passo. - o encarei enquanto estávamos deitados em minha cama e seus braços me envolvendo. Eu não desejaria estar em nenhum outro lugar.
- E?
- E que ela podia receber uma mensagem do N e ele uma da B.
- Como você pretende fazer isso?
- Como nós pretendemos fazer isso, você quis dizer. Você vai pegar o celular do Nate e eu o da Blair.
- Como isso vai dar certo?
- Você vai fingir ser o Nate e mandar mensagens para a B, ela vai responder. Depois eu pego o celular dela e converso com o N fingindo ser ela. Depois nós apagamos as mensagens que não foram eles que enviaram. Simples.
- Tudo bem.
- Amanhã.
- Ok.
- Agora, você precisa ir. Não vai ser legal se a minha mãe te ver aqui.
Cheguei à Constance e C me esperava:
- Bom dia. - disse enquanto eu me aproximava.
- Bom dia. - nos beijamos.
- Eu vou falar com a B e com a S.
- Fica aqui comigo.
- Não, eu tenho passado muito tempo com você e nenhum com elas.
- Posso ir com você pelo menos?
- Pode. - revirei os olhos e caminhei até as escadas.
- Oi. - B falou séria.
- Oi.
- Por que você sumiu?
- Desculpa, eu...
- Você o quê? Estava com o Chuck?
- Estou aqui, caso você não tenha percebido.
- Não estou falando com você.
- Cala a boca, Chuck. - o repreendi.
- Blair, eu sinto muito. Temos tanta coisa para conversar, será que a gente não podia passar o dia juntas?
- Uma festa de estudos. - as seguidoras dela se animaram - Só eu, você e a S. - B as cortou.
- Vai ser ótimo. - sorri.
- Leve suas roupas, você vai dormir em casa hoje.
- O quê? - C se intrometeu de novo.
- Olha aqui, Bass. - ela o encarou - Eu sei que vocês dois estão juntos, mesmo que eu tenha descoberto isso pela Gossip Girl. - “in” direta recebida, Blair - Não muda o fato da ser minha amiga. Você vai sobreviver uma noite sem ela, ok?
- Tá bom, parem de brigar. Agora.
- Hey. - Serena chegou e se sentou ao lado de B.
- Hey. A finalmente teve tempo para nós. - revirei os olhos.
- Fico feliz por vocês dois. Não liguem para ela.
- Obrigada, S. - agradei.
- O quê? Serena, não fale assim comigo. - ela bufou - Hoje eu vou dar uma festa de estudos.
- E quando você decidiu isso?
- Hoje. Agora vamos, garotas.
Ela se levantou e todas a seguiram:
- Não esquece do plano. - sussurrei no ouvido dele.
James estacionou em frente ao prédio da B, peguei o elevador e apertei o botão da cobertura.
- Finalmente você chegou. - as duas apareceram.
Subimos as escadas até o quarto dela e nos sentamos na cama para conversarmos.
- Ok, agora você pode nos contar tudo.
- Ahn... por onde eu começo?
- Que tal pela viajem até Miami? Ou por você ter um irmão?
- Como vocês sabem?
- Eu tenho minhas fontes.
- Foi a Megan. - S revirou os olhos.
Blair a fitou:
- Você está muito abusada hoje, sabia?
- Ok, posso contar? - elas assentiram.
Falei tudo, desde o dia em que eu fiquei drogada devido aos calmantes até eu descobrir a verdade no restaurante.
- UAU. - Serena falou deitando na cama.
- Desculpa ter que falar isso, ... Mas o seu pai... Ah meu Deus!
- Eu sei.
- Vamos falar sobre você e o Chuck agora.
- Ah, S. O que ela vai nos falar? Sobre como ele é na cama?
- Blair! Você é tão insensível!
- Sou realista. Apenas isso.
- , não ligue para ela. Mas nos poupe dos detalhes.
- Por favor.
- Vão me deixar falar? Bom, o Chuck não é tão tarado quanto você acham. - as duas me encararam sérias. - Ok, ele é... Mas o fato é que ele também é fofo, pensa em mim e... e eu gosto dele.
- Nós sabemos disso, só que... - elas se entreolharam e morderam o lábio querendo não dizer aquilo.
- Só que o quê, B e S?
- Só que... o C é um galinha. Você não acha que... - Serena começou a dizer.
- Que ele vai dormir com outra garota? ... Olha, eu sei o que vocês estão pensando, que vocês não querem me ver com o coração partido... Mas ele me deixa feliz como nenhum outro cara consegue... Eu o amo... E eu também sei que não vai ser fácil, mas... Relacionamentos dão trabalho, certo?
- Não... Amor não significa trabalho, acredite. É sobre paixão, química, romance. - B falou.
- É o seu coração disparar porque não esperar para vê-lo.
- Uma de vocês podem parar de lembrar de um relacionamento que terminou, porque vocês foram magoadas e... Admitirem que, talvez, desistiram do amor cedo demais?... Quer dizer, Blair... Todo mundo sabe que você tem que ficar com o Nate e... Serena, por que você terminou com o Dan? O que ele fez? Não pode ser tão ruim para acabar com o que vocês tinham.
- Isso não tem a ver com você, . Você não pode nos dizer com quem ficar.
- Eu sei, B. Só estou falando a verdade.
- Bom, a Dorota está lá embaixo esperando por nós com uma mesa cheia dos melhores doces da cidade, então vamos. – ela disse se levantando e S fez o mesmo - Você não vem, ?
- Sim... Eu só preciso ir ao banheiro.
- Vai nesse do meu quarto. A gente te espera na sala.
- Ok.
Esperei elas saírem, peguei o celular da B que ela havia deixado em cima do criado mudo e me tranquei no banheiro.
“Nate, o baile está chegando e eu quero ir com você. Vamos esquecer tudo o que aconteceu. Você vem falar comigo amanhã?
B.”
Respirei fundo e toquei em enviar.
Era errado? Talvez. Mas era a única maneira deles ficarem juntos e eu sabia o quão importante o baile era para a Blair. Uma rainha deve ter seu rei, certo? N era “o cara” e B “a garota”, só que nenhum dos dois queriam enxergar isso.
Logo veio uma resposta:
“Claro. Estou com saudades.
N.”
Apaguei o histórico da conversa, sai do banheiro e coloquei o celular exatamente onde estava.
Com a missão cumprida desci as escadas para encontrá-las, só faltava a parte do Chuck.
Já era noite, havíamos comido, estudado, fofocado e estávamos todas deitadas em cima de almofadas e com cobertores no chão na sala de TV de Queen B.
- Serena, posso te perguntar uma coisa? - disse rompendo a concentração naquele filme que já havia visto umas cem vezes.
- Sim. - respondeu.
- Por que você estava me ignorando esses dias?
Blair olhou interessada:
- É, S. Por quê?
- Ahn... por nada.
- É claro que é por alguma coisa. Pode falar. - insisti.
- Só vamos esquecer isso, ok?
- Agora eu também quero saber. - B se intrometeu de novo.
- Vocês realmente querem saber? Então tudo bem... O Dan me contou sobre o beijo.
- Que beijo?! - nós perguntamos ao mesmo tempo e Serena me encarou não acreditando que eu estava me fazendo de desentendida.
- Como assim” que beijo”? O beijo entre você e ele.
Olhei para o nada tentando vasculhar algo em minha memória. Quer dizer, fazia tempo que eu e o Dan não nos falávamos direito. Na verdade, nós nos beijamos quando? Ah, quando havíamos acabado de nos conhecer.
Flashback on
Primeiro dia de aula depois das férias, começo de ano, metade do ano letivo.
- Jenny, você quer ver meu closet? - perguntei à ela.
- Claro!
Abri a porta e ela entrou, deixei ela ali vendo tudo e fui conversar com o Dan que estava na cama:
- Então Dan, você gosta mesmo da Serena?
- Gosto - ele ficou envergonhado - Por quê?
- Por nada.
- Mas e você? A Gossip Girl disse que está solteira.
- Eu estava namorando até alguns dias atrás, mas ai eu descobri que ele beijou outra e eu terminei tudo. Eu acho que foi só um beijo. É por isso que não é bom namorar atores, eles sabem esconder as coisas.
- Eu sinto muito.
- Não, estou melhor sem ele.
- Não vejo o porquê ele te traiu, você é linda.
- Obrigada. - dei um sorrido tímido e ele colocou um mecha do meu cabelo atrás da minha orelha.
Dan começou a se aproximar até que nossos lábios se tocaram.
Flashback off
- Espera aí! Você e o garoto do Brooklyn? Sério, ? Olha, tudo bem a Serena. Sabe, ela pega um monte de caras de todos os tipos...
- Hey! - ela cortou B.
- Você mereceu isso pelos cortes que me deu hoje. De todo jeito, , eu não acredito. Ele é do Brooklyn!
- Ele é o meu namorado!
- Correção: ex-namorado.
- Vocês podem parar de brigar e me deixarem falar?! - as interrompi.
- Escuta, quando cheguei na Constance eu não tinha nenhum amigo, muito menos conhecia vocês. Então eu esbarrei no corredor com a Jenny, nós conversamos, ela me apresentou a ele, ficamos amigos, convidei eles para virem em casa e... e quando ela estava vendo o meu closet, eu e o Dan... Nós nos... beijamos. Mas foi só isso, eu disse para ele que não havia significado nada, até porque eu sabia que ele gostava de você e eu também disse que se eu tivesse alguma chance eu apresentaria vocês dois. Não foi nada além de um simples beijo. Nunca passou disso.
- Credo. - B fez cara de nojo e nós a ignoramos.
- Se você terminou com ele por causa disso, saiba que foi à toa. Eu estou com o Chuck, foi dele que eu sempre gostei. - continuei.
- Só que pro Dan não foi só um beijo.
- O QUÊ? - eu não estava entendo mais nada.
Serena respirou fundo e me olhou bem dentro dos meus olhos:
- Você não sente nada por ele, não é?
- Claro que não! Por que você acha que apresentei vocês dois? Porque eu acho que vocês devem ficar juntos.
Ela sorriu:
- Obrigada.
- Pelo o quê? Por ela não gostar dele? S, você é a única garota louca que gosta do Lonely Boy.
- Blair! Chega! - Serena chamou sua atenção.
- Mas por que vocês terminaram? - perguntei novamente.
- Porque... ele gosta de você, . Na hora eu fiquei brava com você, mas você não tem culpa e é minha amiga. Então, eu resolvi ignorar isso.
- Calem a boca! - B começou a gritar - Ah, meu Deus. Espera, eu não acredito!
- O quê?! - perguntamos preocupadas.
- É uma mensagem do Nate!
- O quê? - S disse sem acreditar e feliz.
- Deixa eu ver. - peguei o celular das mãos dela.
“B, eu sinto muito por tudo. Será que você pode me perdoar e aceitar ir ao baile comigo?
N.”
- Responde! - disse entregando o celular para ela.
- Não! Ele vai pensar que estou desesperada. Vou esperar.
Eu e Serena reviramos os olhos.
- Voltando ao assunto, S. - comecei a falar - Talvez o beijo posso ter significado outra coisa para ele, mas o Dan sempre foi apaixonado você. A forma como ele te olha, como ele fala de você, a forma como os olhos dele brilham quando você está chegando. É você quem ele ama. Você tem que voltar com ele. Certo, B?
- Ahn? Não sei. Acho que sim. Sim... Do que vocês estão falando mesmo? - rimos dela.
- Obrigada, .
Depois das provas liguei para o Michael e ele disse que estava de folga, então o chamei para sair comigo,Megan, N, C, B e S.
Decidimos nos encontrar no bar do Empire. Chuck ofereceu e por mais que tenhamos dinheiro, nunca se recusa uma oferta para se beber de graça, isso é o que ele diz.
Fomos todos na mesma limousine e estávamos esperando meu irmão sentados em uma mesa redonda com uma sofá. Como era estranho falar isso: “meu irmão”. Eu não tinha nenhum até semana passada.
- Estou feliz por vocês terem se acertado. - falei para Nate e Blair.
- Já tinha passado da hora. - Megan como sempre muito delicada.
- Eu também estou muito feliz. - Serena sorriu.
- E você também. Não é, Chuck? - chamei sua atenção.
Custava ser legal uma vez na vida, Bass?
- Claro, claro. - disse levando outro copo até sua boca.
Revirei os olhos e resolvi mudar de assunto:
- Então, para onde você vão nas férias?
- Eu e o N estávamos pensando em Paris. - B disse e dava para ver o quão feliz ela estava.
- E você, S? - perguntei.
- Ahn... Eu acho que vou ficar aqui em Nova York. Não quero viajar.
- Na verdade você quer ficar perto do Dan.
- Blair, por favor. - Nate a repreendeu.
- Todo mundo sabe que eu não gosto dele, não tenho que fingir para ninguém que gosto.
Todos reviramos os olhos.
- Michael! - o chamei ao vê-lo entrar no bar do hotel.
Ele me viu e veio até nós sorrindo um pouco tímido.
- Que bom que você está livre hoje. - disse me levantando do sofá e o abracei - Michael, esses são o Chuck, que você já conheceu, Megan, que é nossa prima, Nate, Blair e Serena. - todos se cumprimentaram.
Voltei para o meu lugar e ele se sentou ao meu lado.
Eu queria que todos eles se dessem bem, era importante para mim. E eles se deram.
O Michael era uma boa pessoa, responsável e ele não bebia ou fumava.
Depois que todos haviam ido, fui acompanha-lo até a rua para pegar um taxi:
- ...
- Sim?
- Você gosta dele? Do Chuck?
- Na verdade, muito. - ele desviou o olhar - Por quê?
- Não é nada.
- Fala.
- É só que... Deixa para lá.
- Não, eu não vou deixar. Fala, por favor.
- É que ele não parece certo para você.
- Como assim?
- Ele não parou de beber por um minuto todo esse tempo e ele parece ser o tipo de cara que quer algo sério.
- Como você pode saber?
- Eu não quero que você se machuque.
- Michael, eu sei como o Chuck é. Ele sempre foi galinha, já pegou metade das garotas de NY e que ele é tarado e... e que ele bebe muito. Mas eu gosto dele. Eu decidi largar o para ficar com o C sabendo os riscos que eu estava correndo... Você acha que eu não lutei contra isso? Que eu não quis continuar com o cara perfeito? Com um cara que eu tinha certeza que nunca partiria meu coração?... Eu achava que se eu terminasse o meu namoro, eu ficaria sozinha, o C não iria querer ficar comigo. Mas sabe o que aconteceu? Ele quis algo sério, nós estamos juntos agora e eu não podia estar mais feliz.
- Desculpa, .
- Não, você não tem que pedir desculpas. Você só está preocupado comigo. Até a Blair e a Serena me falaram a mesma coisa e elas são amigas dele... Eu sei que eu posso estar cometendo um erro, um grande erro ficando com o Chuck, mas existem coisas na vida que você sabe que é um erro e que isso vai trazer consequências... só que você precisa fazer isso mesmo assim. Porque algum dia quando eu estiver velha e com filhos e netos e eu não tiver mais tempo para tentar de novo, eu vou olhar para trás e eu quero poder dizer “sim, foi um erro” e não me perguntar “e se...”. Ele me deixa feliz e eu gosto muito dele... Talvez eu não vá sentir isso amanhã, mês que vem ou no próximo ano... Mas é o que eu sinto agora e é o que importa.
- Mas é o suficiente?
- Sim, é o suficiente por enquanto. - Michael sorriu.
- Você não é uma garota rica e mimada como eu pensei.
- Hey! - fiquei ofendida e ele riu.
- Você é independente, inteligente e não liga para nada do que as pessoas vão falar ou pensar sobre você.
- Eu não sou tudo isso.
- Você é. Maior prova disso é escolher ficar com o Chuck com pessoas te dizendo o contrário.
- Devo dizer que parte disso é culpa da Megan, ela me fez enxergar o que eu estava sentindo.
- Ela é uma ótima pessoa.
- Sim, tirando a parte que ela fala tudo o que pensa.
- É bom poder conhecer outra pessoa da família.
- Você sabe que ela está morando comigo, então apareça a hora que quiser.
- Ahn... Talvez sua mãe não vá gostar. Quer dizer, eu sou filho da amante do ex-marido dela.
- Eu contei tudo para minha mãe e ela disse que quer te conhecer. Ela não liga para isso, você não tem culpa do nosso pai ser um idiota. Você vai adorá-la, é claro que minha mãe trabalha muito, mas ela é uma ótima pessoa. Tanto que ela não dá a mínima de ter a Megan em casa, por mais que ela seja sobrinha do nosso pai e não dela.
- Tudo bem. Eu vou te visitar.
- Que bom.
- Agora eu tenho que ir. Tchau.
Nos despedimos e voltei para dentro do Empire e Chuck estava a minha espera parado em frente ao elevador:
- Está tudo bem? - perguntou enquanto eu me aproximava, pude perceber o tom de preocupação em sua voz.
- ...Está. - disse respirando fundo.
- Tem certeza? Você não parece bem.
- Eu estou ótima.
Algo em minha cabeça me dizia que nós nunca terminaríamos juntos. Eu estava completamente apaixonada por ele e se dependesse de mim, ele seria o garoto certo. Mas Chuck Bass não é o tipo de cara que você quer para passar o resto da vida ou o tipo que você quer que seja o pai dos seus filhos. Porque no fundo você sabe que a qualquer momento ele pode partir o seu coração. Isso devia ser motivo para eu me manter na defensiva, nunca me entregar por inteira e eu tentei por muito tempo. Não deu certo, eu não sou forte o suficiente.
Se eu me odeio por causa disso? Sim, mas agora já é tarde demais. E não é porque eu sei como algo vai terminar que eu não posso aproveitar enquanto dura.
“Hey Upper East Side,
Na vida existem muitos mementos românticos e eles fazem a vida valer a pena, mas aqui está o problema: os momentos passam, e esperando bem na esquina deles tem uma cruel, maldita coisa chamada realidade. Às vezes nos perguntamos: por que ela existe? A vida seria muito mais fácil se fosse como nos filmes. Infelizmente nunca será. Mas eu pergunto: isso é motivo para desistir de viver um conto de fadas? Não, não é. Sabem a razão? É que nós nunca vamos desistir de sermos felizes. Nossa princesa é a maior prova disso e eu estou muito orgulhosa dela. Espero que ela esteja feliz, mesmo com a realidade batendo na porta de seu coração.
And who am I? That’s one secret I’ll never tell.
You know you love me.
Xoxo Gossip Girl.”
Capítulo 14 - Is as if everything were falling apart
Era sexta-feira, amanhã seria o tão esperado dia do baile. Finalmente as férias chegariam e como eu precisava delas.
Acordei com um raio de sol que entrava no quarto por uma pequena abertura entre as duas partes da cortina, atingiram meus olhos. Me virei com sono para o outro lado da cama e Chuck estava lá, dormindo profundamente, tão tranquilo como se nada se ruim pudesse acontecer.
As provas já haviam acabado, não teríamos aula, eu já tinha o meu vestido e os sapatos. Uma sexta sem preocupações.
Me levantei, peguei uma camisa branca dele que estava jogada em cima da poltrona, a vesti e me dirigi até o telefone da sala para pedir serviço de quarto.
Logo uma mulher chegou com um café da manhã enorme, me sentei no sofá para começar a comer e C acordou:
- Bom dia.
- Bom dia.
- Eu preciso te falar uma coisa.
- O quê? – perguntei curiosa.
- Só amanhã, depois do baile.
- Nem uma dica?
- Não.
Será que era o que eu estava pensando? Ele diria as três palavras? Se não por que ele esperaria até depois do baile.
Já era sábado, o baile seria daqui alguns minutos, dei uma última olhada do espelho para ver se tudo estava ok e desci as escadas com Chuck já me esperando:
- Você está linda.
- Obrigada.
Eu usava um vestido preto e ele um terno Giorgio Armani.
Ele estendeu a mão para mim e eu a segurei:
- Tenho um presente para você. – ele tirou a outra mão de suas costas que segurava uma caixa Cartier.
- O que é?
C me soltou, abriu o presente lá havia uma pulseira, mas não qualquer pulseira. Era a pulseira Love da Cartier, aquela que o fecho é um pequeno parafuso, significa compromisso e nunca deixar quem você gosta, já que uma vez colocado você não deve mais tirá-la.
- Posso colocar em você?
- Claro.
Era linda, toda de ouro e eu não estava acreditando que ele havia me dado aquele bracelete.
Depois que Chuck o fez, fomos até o térreo e entramos em sua limousine para irmos até o salão onde o baile aconteceria.
Logo o motorista estacionou e abriu a porta para nós. O lugar estava decorado como qualquer outro baile de fim de ano estaria, com flores, mesas, musica alta...
- Quero que essa noite seja perfeita. – ele sussurrou em meu ouvido e sorri enquanto entrávamos no lugar.
- E vai ser.
- Vou pegar algo para a gente beber.
- Você sabe que aqui não vai ter bebida alcoólica, não é?
- Eu dou um jeito. – revirei os olhos.
- !
- Serena! Você está maravilhosa.
- Olha quem fala. – ri.
- Vou procurar o Dan.
- Vocês voltaram?
- Não, mas quem sabe hoje...
- A gente se vê.
- A gente se vê.
Revolvi ir até a mesa de frios pegar algo para comer e Chuck voltou:
- Aqui está. – me estendeu uma taça.
- Obrigada.
Tomei um gole e ele se aproximou para me beijar.
- .
- Blair, será que dá para vir aqui depois? – C brigou com ela.
- Não, não dá. Será que a gente pode conversar? Agora.
- Claro. Já volto.
Caminhamos até a entrada:
- Que história é essa? – B me interrogou.
- Que história?
- Que eu enviei uma mensagem para o Nate? Eu nunca fiz isso.
- Do que você está falando, Blair?
- Você tem alguma coisa a ver com isso.
- Claro que não.
- Não mente para mim. Você ficou sozinha no meu quarto aquele dia. Foi você?
- Não.
- Então diz olhando para mim.
- Nã-não.
- Eu não acredito! Foi você. Por quê?
- Porque alguém tinha que fazer alguma coisa para vocês dois voltarem.
- Não, . Ninguém tinha que fazer nada. É a minha vida e ninguém tem direito de se intrometer nela sem a minha permissão.
- Eu só fiz isso para te ajudar.
- Mas você não me ajudou... Achei que fossemos amigas, só que amigas não fazem isso.
Ela passou por mim:
- Espera! – gritei.
- Não. Não fala mais comigo... Foi um erro ter deixado outra pessoa entrar no nosso grupo.
Fiquei ali parada, encarando o nada, eu não podia ter acabado de ouvir aquilo. Engoli em seco e sai dali, fiquei sozinha do lado de fora encostada na parede de tijolos vermelhos tentando me recuperar.
- ? Está tudo bem? – uma voz perguntou se aproximando.
Levantei a cabeça:
- Dan. A Serena está te procurando.
- Você não me respondeu, está tudo bem?
- Ahn... Está.
- Tem certeza?
- Não.
- O que aconteceu?
- A Blair... Ela está brava comigo.
- Mas logo vocês voltam a se falar. Quer dizer, você também faz parte do NJBC, vocês sempre se perdoam.
- Acho que não dessa vez... Ela disse que... Que foi um erro ter ficado minha amigo... Que foi um erro ter deixado eu me aproximar deles.
- Ela é Queen B, ela fala todo tipo de coisa. Esquece isso.
O olhei e ele me encarava:
- Acho que você devia ir atrás da S e...
Não pude acabar de falar, ele se aproximou tão rápido que não teve como eu reagir e nossos lábios se tocaram.
Eu não estava fazendo aquilo, ele era o namorado da Serena. Bom, ex-namorado, mas não muda nada.
- Dan? ?
Ele me soltou:
- Serena...
- Não acredito que você fez isso comigo, .
- Não, por favor. Vamos conversar.
- Não! Eu não quero conversar com nenhum de vocês dois... Que nojo! Quer saber? Eu cansei. Você a quer, Daniel? Fica com ela logo, eu sou Serena van der Woodsen e eu não vou ficar correndo atrás de ninguém. E você, , faça o que quiser, nós não somos mais amigas. Se é que algum dia nós fomos.
- Você está de brincadeira, Dan? Eu tenho namorado! E você tem a S, por que você ia me querer? Ah, Deus... eu tenho que ir.
Sai dali correndo para o banheiro do salão, mas antes que eu pudesse entrar alguém segurou meu pulso:
- ? Por que você está correndo?
- Me deixa, Chuck.
Eu estava me sentindo horrível, minhas duas melhores amigas não queriam se quer ouvir meu nome.
Ele me largou e percebi o quão cheio aquele lugar estava. Dei meia volta e sai dali andando o mais rápido que pude, atravessei a rua e antes que eu pudesse ir mais longe C me segurou de novo.
- ! Por favor, espera!
- Vai embora, Chuck. – disse me virando para ele.
- Não eu não vou. Eu prometi cuidar de você e é o que vou fazer. O que aconteceu?
Respirei fundo:
- A Blair e a Serena... Nós brigamos.
- Por quê?
- A B descobriu o que eu fiz, que foi minha culpa eles terem voltado.
- Mas a culpa também foi minha.
- Não! Foi só minha.
- Mas e a Serena?
- Não foi nada.
- ...
- O... O Dan me beijou e ela viu.
- O quê?! Eu vou matar aquele...
- Não! – o interrompi – Você não vai. Você vai ficar aqui.
- Eu não vou deixar isso assim.
- Por favor, fica comigo. Você não precisa fazer um escândalo.
- Não agora. Vamos embora? – C perguntou pegando minha mão. Balancei a cabeça assentindo.
Entramos na limousine para irmos até o Empire. Não conversamos o caminho todo e era melhor assim.
O motorista estacionou e nós dois descemos, entramos no hotel e caminhamos até o elevador, ele apertou o botão para a cobertura. A porta se abriu e me deparei com a ultima pessoa que eu precisava ver:
- Hilary... – falei sem graça olhando as duas malas, uma em cada mão – Você está indo embora?
- Estou. – foi apenas o que ela disse.
Aquele silencio estava me matando, infelizmente eu não havia magoado apenas o ao terminar com ele, mas também a Hilary.
Saímos do elevador para que ela pudesse entrar e seguimos até a suíte do Chuck:
- Hey, está tudo bem?
- Claro. – menti.
Ele girou a maçaneta e entramos, finalmente um lugar seguro:
- Então, o que você queria me dizer? – perguntei convicta do que ouviria em seguida.
- Não sei se é o momento certo.
- Por favor, já cansei de esperar.
- Tudo bem... Eu quero que você venha passar as férias comigo em Saint Tropez.
- O quê? – não era o que eu queria ouvir, nem chegava perto.
- Você quer vir para...
- Não, não é isso... eu entendi. – não precisava que ele dissesse novamente, só me machucaria mais.
- Há algo de errado?
- Não...
- Você não sabe mentir, . Eu falei ou fiz alguma coisa errada? – balancei a cabeça negando e C continuou me encarando esperando uma resposta sincera.
Nesse instante milhões de coisas passaram pela minha cabeça. Eu disse que era o suficiente estar namorando o Chuck, mas talvez não era. Engoli em sego ao pensar nisso. Ter Chuck Bass era tudo o que eu queria, só que seria o bastante estarmos juntos se eu não conseguia ter certeza do que ele sentia por mim? Eu precisava ouvir aquelas pequena frase, três palavras, sete letras, apenas isso. Eu tinha certeza que ele me diria, mas ele não o fez.
“Acho que não é o suficiente, .” Uma voz dentro de mim sussurrou. Era como se houvessem jogado uma bomba de realidade dentro de mim.
Respirei fundo:
- Isso é tudo o que você tem para me dizer?
- É.
A decepção doi inevitável, olhei para cima tentando evitar que alguma lágrima escorresse.
- Eu... Eu preciso ir embora.
- Você não vai passar a noite aqui?
- Eu acho melhor não... Na verdade, talvez seja melhor nós passarmos nossas férias separados.
- O que há de errado com você, ?
- Nós só... Nós não podemos ficar juntos.
- Você não está falando só das férias, não é?
- Eu sinto muito.
- O que você quer que eu faça.
- Me diz um motivo para eu não te dar as costas e sair por aquela porta.
- Eu... Eu quero que você fique.
Era como se meu coração tivesse levado um golpe forte o bastante para se partir ao meio.
Fechei meus olhos por um segundo com força e encarei o chão, balancei a cabeça de um lado para o outro desejando não estar ali.
- Não, Chuck... Não é o suficiente.
- Por que não é?
Revirei os olhos sentindo medo de alguma lágrima escorrer.
- Adeus. – me virei e andei até a porta, a abri e antes que eu conseguisse sair ele segurou meu pulso como sempre fazia antes de eu ir.
- Não vai. –me voltei para C.
- Você sabe... Três palavras, sete letras... Diz e eu não vou.
Chuck me olhava em silencio:
- Eu... Eu...
Uma lágrima escorreu pelo meu rosto:
- Você não consegue.
- Eu... – ele desviou o olhar para o chão.
- Olhando nos meus olhos.
- Eu... Eu te amo. – ele falou rápido desviando o olhar outra vez e mais uma lágrima caiu.
- Não, você não me ama. Mas obrigada por tentar dizer. – Chuck me largou.
Todo tempo do caminho por aquele corredor, pegar o elevador e atravessar a recepção do hotel demorou mais do que o costume, eu só queria sair dali.
Parei em frente ao Empire e senti o mundo desmoronar aos poucos.
Me aproximei da rua para chamar um taxi, logo um parou:
- Upper East Side, prédio...
Eram férias, eu não tinha que continuar em Nova York (ao menos por um mês. Fugir de tudo isso parecia uma ótima opção.
Talvez fosse tudo o que eu precisasse, ficar longe de todos.
O carro finalmente estacionou, paguei o motorista e entrei indo direto pegar o elevador, apertei o botão para a cobertura, só precisava passar um longo tempo dentro da banheira, colocar uma roupa confortável, me jogar na cama e pensar em um lugar para ir.
A porta se abriu e eu sai:
- Megan? – a chamei estranhando ela não estar espalhada pelo sofá da sala de estar vendo algum blog, lendo uma revista ou um livro.
Resolvi procura-la, passei pelo corredor e a encontrei na outra na outra sala, a de TV. Megan não estava sozinha , ela estava se agarrando com um garoto. Fiquei ali escondida atrás da porta tentando descobrir quem era, quer dizer, como podia minha prima não me contar que havia arranjado um namorado?
Ele estava de costas, até que uma mistura de sentimentos horríveis me invadiram. Engoli em seco:
- ?! – falei entrando.
Eles estavam fazendo isso comigo o tempo todo?! “Ok, eu admito: sou uma vadia, só faço coisas erradas, posso ser burra em vários sentidos, me faço de santa de vez em quando, magoo as pessoas... Mas uma coisa eu não admito: ser traída.”
- ?! – ela disse se afastando dele assustada.
Aquele filho da mãe se virou:
- , não...
- CALEM A BOCA! – explodi, essa era a ultima gota que faltava para eu transbordar – Vocês vão dizer o quê? Que não é o que parece? Ou que não é nada do que eu estou imaginando? Se poupem do clichê. – falei sem gritar, me controlando ao máximo.
- , por favor... – ela me chamou enquanto eu me virava para sair.
- Não me chama assim, Megan. – falei por cima do ombro – ANNE! Meu quarto agora!
Subi as escadas e andei tranquilamente até o meu quarto e Anne apareceu logo atrás de mim sem folego. Dava para perceber pelo seu rosto sua preocupação e o cansaço de ter corrido desesperadamente até ali.
- Sim, Srta. ? – ela entrou e fechei a porta. – Algum problema?
- Me ajuda a arrumar as malas, por favor.
- Claro.
Entramos em meu closet, comecei a pegar algumas roupas e ela pegou duas malas grandes e uma pequena de mão Louis Vuitton.
- , abre a porta. – Megan pediu e eu a ignorei.
Peguei uma blusa branca larga, uma calça preta, uma sapatilha Chanel, um blazer preto, um colar e entrei no banheiro para me trocar. Eu não podia simplesmente viajar com aquele vestido.
Dois minutos depois já estava devidamente vestida, fui ajudar a arrumar as malas.
- Está tudo bem?
- Não, Anne. Nada está bem... Eu sinto como se tudo estivesse desabando.
Peguei a mala menor e passei a mão pela minha penteadeira colocando tudo dentro dela.
- Eu sinto muito... Por favor, vamos conversar... Você é a ultima pessoa que eu quero magoar... Eu te amo, você é a minha melhor amiga, ... Você é muito mais importante para mim do que qualquer garoto... – ela começou a chorar e falar entre soluços – Me perdoa...
Olhei para a porta tentando me controlar.
- Entra logo. – falei a abrindo e logo voltei a trancá-la.
- Olha, eu realmente sinto muito.... Você lembra aquela vez em que eu fui com você para Washington nas férias? Foi a única vez que eu fui lá e que você passou as férias inteira. Nós tínhamos nove ou dez anos e você me apresentou ao ... Eu gostei dele. Na verdade, naquele mês eu me apaixonei por ele... Mas eu era uma criança, só que qualquer um podia ver que ele gostava de você, eu decidi esquecer isso e ficar feliz caso vocês dois ficassem juntos e vocês ficaram. No entanto, você começou a fazer aquelas coisas, brincar com ele e o não merecia ser encanado. Você estava apaixonada pelo Chuck.
- Então você decidiu me falar todas aquelas coisas só para me separar dele... Você, a Blair e a Serena... Elas sabiam, não é?
- Sabiam... Mas nós só falamos tudo aquilo para fazer você ver o que estava sentindo e decidir o que queria, claro que nenhuma de nós quer que ele parta o seu coração... Mas é dele que você gota.
- Estava tão óbvio esse tempo todo. Quer dizer, você sempre implicando com ele, dizendo que era como o Angel de Buffy, o personagem que você era apaixonada e... E era isso o que a Gossip Girl quis dizer com “a verdade que não pode ver a luz do dia” Por que você escondeu isso de mim todo esse tempo? Você sabe que eu não iria lugar, que eu até ajudaria vocês dois a ficarem juntos... Mas você esporou até ele me pedir em namoro, por quê?
- Por que ele nunca ia querer nada comigo.
- Ah, sério? Não foi isso o que eu vi lá embaixo.
- O-oque? Não, . Você não está entendendo. Ele veio aqui procurar você, saber como você estava, o motivo de você ter saído da casa dele aquele dia daquele jeito, que você parecia estranha e se você tinha conseguido um acompanhante para o baile, já que tinha prometido ir com você e, caso você não tivesse, ele iria. Mas você não estava e nós começamos a conversar e... e quando eu vi, eu estava indo para cima dele o beijar.... Espera! A Anne está arrumando suas malas? Você vai viajar? Isso é por minha culpa? Não, ... se alguém tem que ir embora, sou eu.
- Hey! Calma! Respira. Vocês não estavam me traindo?
- Ahn? Você estavam terminados, mas eu sei que não é certo o que eu fiz.
Abracei-a.
- Ah, Megan. Achei que vocês dois tinham um caso.
- Está tudo bem, então? Você não está brava?
- Não. Não com você.
- E por que esse rosto triste e as malas?
- Aconteceram muitas coisas esta noite que não tem a nada a ver com você.
- Quer falar sobre isso?
- Não mesmo.
- Ok.
- Para onde você está indo?
- Não posso contar. Desculpa.
- Devo me preocupar?
- Não, Megan.
- Certeza?
- Certeza. Escuta bem o que eu vou dizer, é importante.
- Pode falar.
- Depois que eu entrar naquele elevador eu quero que você vá até o e agarre ele de novo e de novo, não deixa ele escapar.
- O quê? – ela franziu a testa.
- Você entendeu. Eu quero te ver feliz, isso é o bastante para mim.
Ela me abraçou:
- Você é a melhor pessoa do mundo, por mais que não veja isso.
- Só mais uma coisinha. – ela me soltou – Deixa eu judiar dele só um pouquinho?
- Como assim?
- Deixa?
- Qualquer coisa que você quiser.
- Tudo bem... Eu vou me sentir melhor e ele vai precisar de alguém para consolá-lo, aí você se oferece. Vamos ver se em duas semanas vocês já não estão juntos.
- As malas estão prontas. – Anne disse fechando o ultimo zíper.
- Obrigada, Anne. Ah, Megan.
- Sim?
- Eu vou precisar parecer brava com você e com tudo o que aconteceu, então tira esse sorriso do rosto e finja estar triste, o mais importante: deixa a maquiagem borrada quando descer para ele ver que você chorou. – ela me olhou estranho – Confia em mim. Agora, vamos.
James entrou em meu quarto, pegou as malas e eu peguei minha bolsa. Desci atrás dele que ficou me esperando ao lado do elevador.
estava parado na sala de estar sem saber o que fazer:
- Me desculpa, . Eu... – parei em sua frente.
- Você é mesmo um idiota. – revirei os olhos.
- O quê?
- Eu te trai o tempo todo com o Chuck.
- O namorado da Hilary?!
- Primeiro: ele não era namorado dela, eles só ficaram aquele dia e foi para me fazer ciúmes. Segundo: não envolve sua irmã nisso, ok? Terceiro: você é um panaca, e eu estou pouco me importando se nossos pais são melhores amigos, até porque eu nem sei se posso dizer que tenho um pai. Collins
Dei as costas para ele me sentindo a superior e entrei no elevador com James. Collins
Olhei para minha prima parada no meio na escada boquiaberta. Ergui minha sobrancelha a fazendo lembrar do que havíamos acabado de conversar. Collins
- Para onde, Srta. ?Collins
- Para o aeroporto. Já sei para onde eu vou. – respondi enquanto as portas se fechavam.
“Upper East Siders,
Se tem alguma coisa que eu prendi nessa vida é que, as vezes, coisas entram no seu caminho e você tem uma escolha. Você pode enfrentá-las ou simplesmente fugir, mas você tem que fazer um ou outro para poder seguir em frente. Acho que a escolha mais fácil sempre é correr o máximo que você conseguir sem olhar para trás.
Sei que ás vezes o destino aprece cruel. Te separa da pessoa que você achava ser tudo em sua vida. Mas apesar de cruel, duvidoso e infeliz, de vez em quando o destino não erra, uma história para ser quase perfeita, precisa ter curvas. E o relógio não pode soar sempre a meia-noite, Ciderela.
And who am I? That’s onde secret I’ll never tell.
You know you love me.
Xoxo- Gossip Girl.”
Capítulo 15 - We Always have NY
Eu não conseguia dormir, não importava o quanto eu tentasse. Levantei desistindo, escovei meus dentes, lavei o rosto, penteei o cabelo, vesti um casaco de lã comprido por cima do pijama para cobrir meus braços e um cachecol fino para me proteger do vento que soprava naquela manhã em Hamptons.
Ok, eu sei que qualquer um pensaria que esse não era o melhor lugar para fugir. Mas aqui está minha lógica: os Hamptons é perto demais de NYC para alguém pensar que eu viria para cá me esconder.
Decidi ir até a praia que encontrava as escadas dos fundos da minha casa, assim como as de todos os vizinhos. Estava um pouco frio, só que a areia era quente e agradável; andei até estar perto o suficiente do mar para poder sentir a brisa, afundei meus pés descalços ali e fiquei encarando as pequenas ondas que se formavam. Sorri me lembrando dos momentos que havia passado ali quando criança.
Flashback on (dez anos atrás, com sete anos de idade).
- Eu amo o pôr do sol, gostaria de poder vê-lo todos os dias da minha vida. – disse sentada no píer ao lado de Anne.
- Você não acha que enjoaria?
- Não... Não se pode enjoar de algo que você ama. – suspirei – É tão lindo, Anne. Queria poder tocá-lo.
- Se tocasse se queimaria.
- Eu sei... Mesmo assim, queria poder tocar... só um pouco.
Flashback off
Talvez eu sempre tenha sido assim, deixado tudo me levar pelas aparências, me iludir por algo lindo, mágico e querê-lo, mesmo sabendo que haveriam consequências.
“Acho que já passou da hora de encarar que a vida não é um conto de fadas e que a maioria das coisas dão errado.”
Respirei fundo, um vento forte veio contra mim, o que fez meu cachecol voar. Corri atrás dele segurando meu cardigã para não abrir e mostra meu pijama de seda, mesmo o lugar estando deserto.
O vento não parava e ele continuava voando até que alguém o pegou enquanto caia no chão:
- Acho que isso é seu. – o homem me estendeu a mão e eu o peguei.
- Obrigada. – falei um pouco sem graça o olhando.
Ele era lindo, extremamente lindo. Era alto; tinha músculos; pele levemente bronzeada, daquela cor que só se consegue no verão; cabelos castanhos e lisos; olhos azuis, daqueles que chamam a atenção; um sorriso enorme; dentes perfeitamente alinhados e com toda a certeza era mais velho do eu, talvez estivesse na faculdade.
- Prazer. Meu nome é Ryan. Ryan Herzfeld.
- Prazer, . Mas pode me chamar de .
- Sem sobrenome?
- E isso importa?
- Não. Nenhum pouco... Posso te convidar por uma caminhada pela praia?
- Eu adoraria.
Começamos a andar pela areia clara:
- Você é daqui? Acho que já te vi em algum lugar.
- Não, eu sou de Manhattan. Já faz tempo que não venho para os Hamptons.
- Eu também sou de NY, talvez tenha te visto lá.
- Provavelmente não, eu morava em L.A. até alguns meses atrás... Mas me fala sobre você.
- Estranho, eu tenho a impressão de te conhecer... Bom, o que quer saber?
- Você faz faculdade?
- Sim, de medicina.
- Por quê? – percebi o quão minha pergunta não fez sentido e expliquei – Que dizer, o que te influenciou? Ninguém tira a vontade de se tornar médico do nada.
- Minha família. Meu pai é médico, minha mãe é neurocirurgiã, meu tio e a esposa dele são cardiologistas e meu avô é pediatra.
- Minha vida acabou de se tornar extremamente desinteressante. – rimos.
- Duvido.
- Duvida? Eu não venho de uma família de médicos e nem vou ser um.
- Não é tão interessante quanto você pensa.
- ... Posso te fazer uma pergunta? Se não quiser responder, tudo bem.
- Claro.
- Como você conseguiu esse corte em seu braço?
- Em minha última viajem.
- Para onde?
- Para o Haiti.
- Haiti?
- Sim. Eu fui com o meu pai, ele é um desses médicos sem fronteiras, que vão para países de terceiro mundo e ajudam pessoa que não tem condições e sofreram algum ataque. Nessas viagens acontecem acidentes.
- Eu esperava algo do tipo: “Eu consegui esse corte em uma briga de bar.” – fiz aspas com os dedos.
- Não sou esse tipo de cara.
- Fico feliz por saber disso... Eu tenho que ir agora.
- Espera! Posso ter o seu número, endereço, qualquer coisa?
- Qualquer coisa? – Ryan assentiu.
Me aproximei lentamente e o beijei, só por diversão. Eu não queria nada sério e é disso que se trata o verão.
- Quero que feche os olhos e conte até 20. Agora.
- O quê?
- Conta até 20, sério.
-Você vai correr quando eu o fizer, não é?
- Não!
- Sei que não. – ele foi cínico – Se eu nunca mais te ver novamente?
- Hamptons não é tão grande, você sabe. E mesmo que não voltemos a nos ver nas férias, nós sempre teremos Nova York.
- Casablanca.
- Sim. Só que eles tinham Paris e você sabe que NY é melhor. Muito melhor.
- Sempre teremos Nova York. – sorri.
Ele fechou os olhos:
- 1... 2... 3... 4... 5... – me virei e corri até minha casa pra ficar observando escondida – 18... 19... 20. – seus olhos se abriram e ele riu – EU SABIA! EU AINDA VOU TE ENCONTRAR! NÃO PENSE QUE SE LIVROU DE MIM. – Ryan gritou esperando que eu ouvisse e achei graça de tudo aquilo.
O pude ver olhando para a areia à sua frente onde eu havia deixado meu cachecol e ele o pegou.
Entrei e peguei meu celular, havia vinte e três ligações perdidas e quinze mensagens não lindas. Infelizmente, nenhuma das pessoas que se preocuparam comigo era a que queria.
Fui vendo todas as ligações que eu não. Não responderia ninguém, apenas enviei uma mensagem para minha mãe não ficar preocupada.
Eu tinha que seguir em frente, viver um amor de verão... meu celular tocou rompendo meus pensamentos:
“Hey Upper East Siders,
Como está o primeiro dia das férias de verão? Nova York está fervendo, talvez seja o dia mais quente do ano. Mas diferente daqui, Paris está pegando fogo não por causa do calor, e sim por causa do fogo de S por homens e o de B por compras.
E você souberam? sumiu! O clima está tão pesado entre C, N, B, S e . Será que tudo voltará ao normal? Vamos esperar.
E vocês sabem o que dizem, não é? Quando alguém não atende o telefone, é porque não quer ser encontrado.
I hope everyone have the best summer ever.
And who am I? That’s onde secret I’ll never tell.
You know you love me.
Xoxo- Gossip Girl.”
Chuck’s POV
(Nova York)
Acabei de ler o post e joguei meu celular em cima do balcão, peguei um copo e coloquei whisky, não um pouco como todos fazem, enchi até a boca.
Não conseguia acreditar naquilo, estava tudo ótimo e ela tinha que estragar. Dizer “eu te amo” era realmente necessário?
De todo jeito, eu deveria ter dito. Nunca foi minha intenção magoá-la. Mas eu não sabia se seria o certo. Não que eu não sentisse isso ou que eu sentisse... na verdade, eu nem sabia o que estava sentindo.
Era para ser só mais alguns meses de aula, nada demais, eu achei que seria tudo normal.
Entretanto eu a vi entrando na escola de saltos e andando como se fosse dona do mundo, com aquele olhar despreocupado, sem se importar com nada do que as pessoas falavam a sua volta. Ela era tão diferente, diferente da serena, da Blair, daquelas seguidora que ninguém nunca sabe o nome e de qualquer outra. Naquele momento que a vi pela primeira vez, eu olhei para o Nate e disse: “Ela vai ser minha.” Foi a única coisa em que pensei aquele dia, eu a faria minha, não sabia quanto tempo demoraria, mas eu faria.
Eu sou um Bass, não o tipo de cara que se deixa envolver ou que quer algo sério... Mas ela... Ela era , a garota que me deixa sem saber o que fazer.
Isso é possível gostar de alguém, conhece-la há meses e, mesmo assim, ainda olhá-la e se sentir como na primeira vez que o fez. Talvez eu estivesse louco ou bebendo demais, tinha que ser uma dessas opções.
- Chuck? – ouvi uma faz entrando em minha suíte o que me fez desviar os olhos do balcão que encarava até então.
- Nate, como você está?
- Como você acha? – respondeu desanimado se jogando no sofá – Mas e você?
- Estou bem... Ótimo, na verdade. Quer? – ofereci a bebida.
- Por favor. – peguei outro copo e uma garrafa, me sentei ao seu lado no sofá e o entreguei o whisky.
- Chuck, eu sei que você não está bem.
- Como você pode saber? – bebi tudo e enchi o copo novamente da garrafa de vidro que deixei em cima da mesinha de centro.
- Olha só para você, está pior do que eu. Já viu o tamanho das suas olheiras?
- Qualquer um tem olheiras. – tomei mais um grande gole.
- Mas para serem iguais às suas tem que ficar muito tempo sem dormir e estar com muita ressaca.
- Você sabe por que Chuck Bass não dorme.
- Não, Charles. Eu sei que ninguém veio aqui depois que a saiu e que você está trancado já fazem dois dias.
- Isso não importa.
- É melhor você parar de beber. Você com a maior cara de quem precisa de café forte e um longo banho gelado.
- Nathaniel, Nathaniel... Todo esse tempo e você não aprendeu nada? A melhor forma de curar uma ressaca é bebendo mais.
- Você precisa ir atrás da .
- Não fale o nome dela. Eu não quero pensar nela.
- Mas é a única coisa que está em sua mente.
- ... Como você consegue? - enchi o copo outra vez.
- Consigo o quê?
- Ter uma namorada. – ele riu – Mulheres são problemáticas, loucas e te fazem ficar louco também.
- Eu sei... Logo você se acostuma. – o olhei – Sabe, depois que você se acostuma, vem uma briga, você terminam, a única coisa que pensa é nela, você bebe, sofre e quando acha que está melhor e começou a superá-la, você... Você a vê com outro cara e é como se tudo desmoronasse, como se ela tivesse acabado de espancado seu coração.
- Você viu a Blair com outro?
- É pior do que outro... Ela estava como meu primo, o Henrique.
- Ele ainda não desistiu desde a festa? Odeio aquele idiota não só por você, mas já é pessoal desde aquele dia.
- Não querendo sair do assunto, só que... C, você ama a .
- O QUÊ?
- Você ama !
- Não!
- Sim!
- Não!
- Sim!
- Não!
- Sim!
- Não!
- Sim!
- CHEGA!
- Ok. – ele riu de mim e ignorei – Por que vocês terminaram?
- Porque... Não importa.
- Eu sou o seu melhor amigo, você pode me contar.
- Eu... – encarei a bebida – Não consegui dizer.
- Dizer o quê?
- Dizer as três palavras.
Nate ficou em silêncio, não havia nada para se dizer.
- Que saber o quê? Por que não vamos para os Hamptons como sempre fazíamos? Semana que vem.
Por isso ele era meu melhor amigo, sempre sabia me deixar melhor.
- Semana que vem? Vamos amanhã.
- Esse é o Bass que eu conheço.
POV’s Blair
(Paris)
Ok, talvez viajar para Paris com Serena não tenha sido a melhor das ideias.
Estava sentada em um típico café parisiense, tomando uma xícara de chá, acompanhada apenas pelas minhas ultimas compras e um livro de Charles Dickens. Entretanto eu se quer conseguia prestar atenção ne história, meus pensamentos se dividiam entre Nate, e Chuck.
Eu não queria terminar outra vez com N, mas não foi atitude dele se redimir, quando todos podiam ver que era ele o errado nisso tudo.
A , onde essa garota havia se metido? Por que se esconder dessa forma? Eu estava preocupada, digamos que a é durona, só que não é a pessoa mais responsável do mundo.
E o C? Ele devia estar devastado. Sem duvidas foi a que terminou tudo. Podia até vê-lo sentado no sofá bebendo desde às 6h da manhã.
Ah, a Serena. Ela saia com um garoto diferente a cada fez horas. Era segundo, chegamos domingo e ela já estava no terceiro cara ou quarto cara.
- Excusez-moi.
- Bonjour.
- Estava sentado te olhando e me perguntando como uma garota igual a você pode estar em Paris sozinha. – tão clichê, mas eu não estava em condições de rejeitar um cara lindo como aquele.
Era loiro, olhos verdes e alto.
Ri:
- Como sabe que não sou daqui e não continuou a conversa em francês. Pelo que sei, não tenho sotaque.
- Porque o nome do livro em francês é Les Grandes Espérances e no seu o livro está escrito Great Expectations.
- Prazer, Blair Waldorf.
- Jean Paul Adams.
Ele seria o garoto perfeita para superar o Nate, muito melhor do que o Henrique.
POV’s
(Hamptons)
Decidi ir comprar um café e algo para comer em um lugar não muito longe dali.
Estava passando meu cartão pra pagar meu pedido quando alguém trombou comigo derrubando uma lata de refrigerante em meu short branco:
- Desculpa! Eu realmente sinto muito. Eu sou uma desastrada.
- Está tudo bem.
- Não, não está.
- É, não está nada bem. – ela pareceu extremamente preocupada – Por que você não me mostra onde eu posso comprar um short novo?
- Claro. Ah, eu sou Georgina... Georgina Sparks.
- .
A garota parecia ter minha idade; tinha cabelos longos, castanhos escuros, divididos ao meio e levemente ondulados; olhos claros; usava saltos, o que a deixava bem mais alta do que já era, como se não bastasse eu já ser baixa; estava com um colar enorme; uma calça jeans e uma blusa branca.
Nos sentamos na mesma mesa para comermos, conversamos e depois fomos comprar algumas roupas.
A partir desse dia, Georgina e eu viramos amigas. Aquela amizade que começa no verão e que vocês fazem o que quiserem sem dar satisfações uma para a outra e não se tem motivo para ter vergonha, já que depois das férias, cada uma volta para sua vida e talvez nunca mais se vejam novamente.
Sei que parece um tanto triste começar uma relação que termina junto com o verão e é. Mas, às vezes, é o melhor tipo de amizade que se pode ter, principalmente quando você vê essa época de calor como uma oportunidade de fugir do seu mundo e criar outro.
Porque quando tudo desaba; as pessoas se voltam contra você; o inverso rigoroso piora; o frio nunca te fez sentir tão mal e, até mesmo, a primavera não é capaz de fazer o sol te esquentar... Acredite, o verão sempre chega.
E é por isso que amores e amizades de verão existem. Te dão, todo ano, a chance de ser quem você quer com quem você quiser. Você se sente como de não houvesse o depois e não preciso se preocupar com as consequências, elas não virão se não existir o amanhã. E no verão não existe, era assim que eu sempre pensei desde criança.
Mais tarde voltei para casa e fui a desmontar minhas malas e arrumar as roupas no pequeno closet que havia no quarto. Coloquei as malas em cima da cama e comecei a pendurar as peças em cabides que havia ali. Estava tirando a última blusa da primeira mala e encontrei um colar. Não qualquer colar, um que eu já não via há muito tempo. O peguei e senti meu coração acelerar, engoli em seco e me sentei no chão encostando minhas costas na lateral na cama.
havia me dado em meu ultimo dia em Los Angeles, era uma fina corrente prata com um pingente de patins da Tiffany’s.
Tudo aquilo ainda era um assunto delicado. Eu sei, já fazia um pouco de tempo. Mas ele foi meu primeiro namorado, nós estávamos juntos há anos e terminar do jeito terminamos, foi... Foi como ter uma bomba e o relógio estivesse fazendo “tic-tac” o tempo todo. Eu o ouvia e ignorava. Porque eu odiava despedidas; odiava ferir as pessoas; só que, acima de tudo, odiava me machucar. Não que eu era egoísta, mas ninguém quer se magoado, é a verdade.
Depois do , eu tive dois namorados em tempo recorde, comparando ao resto da minha vida.
Tudo bem, eu nunca disse que me casaria com ele ou que viveríamos juntos para sempre. Nunca fui esse tipo de garota que quando está apaixonada começa a imaginar o futuro que os dois poderiam ter. Nunca gostei de pensar muito nisso, porque não gosto de ser muito positiva sobre a maioria dos assuntos. Pode-se dizer que isso se deve ao meu medo de me decepcionar, mas sempre fez todo o sentido: “Se eu não tenho esperanças sobre algo, não tem como me decepcionar.”
Não funcionava sempre... Todavia, essa era eu e estava tarde demais para querer mudar.
Mesmo assim, , e Chuck não seriam bons maridos ou pais. Eu já estava com 17 anos, era hora de começar a pensar nisso, certo? Minha mãe se casou com 23 anos e ela já conhecia meu pai fazia muito tempo. Confesso, ela poderia ter escolhido melhor, já que ela era do tipo que qualquer homem teria orgulho de falar: “Sabe aquela mulher? Então, eu sou o marido dela.” Uma pena que o Sr. não deu valor para isso.
Peguei meu celular só para entrar em contradição comigo mesma. Queria ligar para o Leo, eu sentia falta de estar com ele. Entretanto, eu sempre me lembrava daquele dia enquanto estava indo para NY e recebi aquelas fotos dele com outra. Meu maior medo, na verdade, era que algum dia essas fotos vazassem e saíssem em todos os sites e revistas de fofocas. Não fazia a mínima ideia de quem havia me enviado aquelas mensagens, provavelmente a garota da foto querendo que nós dois terminássemos e ela conseguiu. Depois disso, eu só o vi uma vez em Washington, quando meu pai estava internado.
Por mais que eu houvesse mudado meu numero, comprado um novo celular e não ter praticamente ninguém mais de Los Angeles em minha lista de contatos, eu me lembrava do número dele, só do dele. Acho que o motivo de mesmo eu seguindo em frente, mas nunca conseguindo realmente superar o , é que nós acabamos de um jeito traumático demais.
Acho que todo mundo já passou por algum momento na vida em que a forma como terminou perturba há muito tempo, porque parece que isso sempre está lá, esperando por todas as ocasiões em que poderá reaparecer. Com dezessete anos eu não sabia disso, mas as coisas que continuam incomodando, elas não acabaram (por mais que você ache que sim) e nunca é tarde demais para colocar um ponto final.
Disquei o número, respirei fundo e apertei em ligar. Meu coração começou a dar batidas longas e pesadas, senti meu estomago doer um pouco e encolhi minhas pernas contra mim. A cada chamada parecia que tudo ficava pior e que eu estava afundando em meu próprio mundo.
- Alô? – não consegui dizer nada ao ouvir sua voz – Alô?
- ?
- ? , é você?! – não consegui distinguir se aquilo fora uma pergunta ou uma afirmação. De todo modo, ele parecia animado.
Não consegui segurar um pequeno sorriso:
- Sim, sou eu.
- Como você está?
- Eu estou bem e você?
- Bem, na medida do possível... Estou muito feliz por ter ligado, mesmo. Quero muito falar com você.
- Eu também quero falar com você.
Enquanto falava ao telefone, fiquei encarando a corrente que eu segurava.
- Eu posso ir até Nova York se quiser. Talvez semana que vem?
- Bom, eu estou em Hamptons. Se quiser vir aqui para conversamos, apenas conversarmos... Tudo bem. Você sabe onde fica a casa da minha mãe aqui.
- Claro.
- Agora eu tenho que desligar.
- Até semana que vem.
Desliguei e nem eu sabia como estava me sentido. Não era como se eu houvesse feito a coisa certa, mas também eu não havia feito a errada.
Era terça-feira, mas era como se todo dia fosse sexta. Como eu amava estar de férias.
Georgina me chamou para irmos até um club para dançarmos e bebermos um pouco.
Ela passou para me pegar e irmos até a festa.
O carro estacionou bem em frente ao lugar; havia uma fila enorme formada na entrada que era iluminada por luzes do teto; se ouvia gritos; inúmeras conversas se misturando; risadas; algumas garotas retocavam o batom esperam algum cara com o nome na lista as chamarem para entrarem e, pelo visto, era isso o que eu e Georgina faríamos.
Descemos:
- Você não tem o nome na lista, não é?
- Como se precisássemos ter nossos nomes em um papel idiota.
- Mas esse papel idiota nos colocaria lá dentro.
- Nós não ficamos mais de três horas nos arrumando para precisar estar na lista para entrar.
- Só que...
- Querida . – ela me interrompeu – Eu sou Georgina Sparks e você, caso tenha esquecido, é . Nós entramos onde queremos, só um dos nossos brincos vale mais do que tudo o que essas garotas estão vestindo e, se eles não nos quiserem, tem outros clubs lá fora que querem.
Meu Deus, como ela era convencida. De todo modo, tudo aquilo era verdade, eu sempre recebia vários convites para ir à vários clubs, festas, inaugurações... Isso é o que se ganha por ter pais influentes e ser uma socialite, eles querem seu nome em seus eventos, é publicidade de graça.
Ainda assim, Georgina era convencida. Chegava a me lembrar alguém que precisava esquecer... mas o fato era que, se ela fosse um homem, eu pegaria.
Ri ao pensar nisso, enquanto era puxada pela mesma até os dois seguranças e o outro cara que decidia quem entrava ou não.
- Você está furando a fila. – chamei sua atenção.
- E? – ela pareceu entediada e eu revirei os olhos – Que ver como eu te faço entrar?
Paramos em frente aos grandes homens de ternos pretos:
- Oi.
- Seu nome, por favor.
- Georgina Sparks e .
Ele olhou outra e outra vez a lista:
- Sinto muito, não vejo o nome de vocês.
Ela riu:
- Acho que não entendeu. Ela é , filha do deputado e futuro senador e , a dona da marca de roupas e acessórios. Todo mundo sabe disso, todo mundo a conhece.
Revirei os olhos de novo e o homem pareceu resistir aos argumentos dela.
Ok, naquele momento meu sobrenome não servia nem para isso?
- Olha aqui – disse calma – Eu sei que é você que decide quem entra ou não. Portanto, a não ser que queira ser demitido quando eu falar com o dono do lugar e alguns jornalistas aparecerem aqui na frente, porque eu vou fazer um escândalo... É melhor nos deixar passar. Você sabe que não existe nada pior que propagando negativa, não é?
Georgina me olhou surpresa e orgulhosa, mesmo que aquilo não fosse motivo para ninguém se orgulhar, para ela era.
Se ser uma valia alguma coisa, essa era a hora dele fazer uma mágica.
Pude perceber o sorriso falso:
- Acho que me enganei. Vocês estão na lista.
- Que bom. – sorri de volta.
Os seguranças abriram espaço para passarmos e o fizemos.
Logo ela arranjou um garoto para pagá-la uma bebida no bar e eu fiquei ali, sentada em uma mesa, sozinha com um Martini de morango.
Queria estar animada para dançar, esquecer um pouco de tudo... Mas não era tão fácil quanto eu queria.
- ? – ouvi uma voz atrás de mim.
Me virei:
- Ryan?!
Ele sorriu um tanto tímido, passando a mão esquerda pela nuca. Senti meu coração começar a bater mais forte do que a musica que tocava poderia fazê-lo bater, uma sensação boa e horrível invadiu meu estomago e um milhão de coisas passaram por minha cabeça ao mesmo tempo.
Esses pensamentos eram sobre como eu estava mal por não ter mais a Serena ou a Blair; depois em Chuck e como ele devia estar se divertindo com outras mulheres; me lembrei de , do modo como o decepcionei e... E no .
- Achei que nunca mais iria te ver.
Por que ele tinha que fazer aquilo? Passar os dedos pelos cabelos e descer até nuca com um sorriso tímido. Ri sentindo meu rosto queimar por causa disso.
Admito, eu tenho uma fraqueza por olhos e sorrisos tímidos.
- Eu disse que Hamptons não era tão grande.
Ele estava muito tímido.
- Desculpa, eu... Eu nunca sei muito bem o que dizer para uma garota bonita.
Ri:
- Essa é uma boa maneira de começar. Senta. – Ryan o fez – Mas você não estava desse jeito antes na praia.
- Foi antes de saber quem você é.
- O quê?
- Eu te ouvi falando com o recepcionista. Você é e eu... Eu não sou ninguém.
- Não importa quem eu sou. Eu só disse tudo aquilo para conseguir entrar, eu não tinha o nome na lista e, pelo visto, você tem o seu... Escuta, sabe por que eu vim para Hamptons? Para fugir. Fugir dos meus ex-amigos; da minha família; do meu ex-namorado e, principalmente, fugir do meu sobrenome. Mas é bem mais difícil do que parece... As pessoas querem vir de uma família influente, só que elas não sobem o quão terrível é. Você carrega, toda a sua vida, de ser o filho de quem é e nunca poder recomeçar por ter pais conhecidos, é um dos piores karmas... Então, se você poder voltar a me ver como antes, eu ficaria feliz. Será que nós podemos começar de novo? Só que sem ligar para quem são nossas famílias ou que tipo de vida temos em NY, ok?
Ela concordou:
- Prazer, Ryan.
- Prazer, .
-x-
Ryan era perfeito, estava cursando faculdade de medicina, saía por aí salvando vidas, não vinha de uma família que a única coisa que importava era manter a imagem e preservar o sobrenome. Era admirável a forma com eu o ouvia falar sobre seus pais e sobre suas viagens através do mundo para levar remédios e cuidados à populações com dificuldades. Mas ele não dizia tudo aquilo para se gabar, essa nunca seria sua intenção; só Ryan conseguia falar daquele modo, com tamanha humildade que era impressionante.
Ele me fazia acreditar que pessoas boas ainda existiam, me fazia ter esperanças nos outros. E, acima de tudo, ele me fez voltar a acreditar na magia que uma paixão pode ter e que finais felizes ainda podem se tornar verdade.
Mesmo hoje, depois de tanto tempo desde aquelas férias, me lembro quando Ryan me disse:
- Alguns acreditam em viagens no tempo, em vida após a morte ou em investir na bolsa. Eu acredito em pessoas e em suas capacidades de mudar o mundo.
Nunca tive palavras para descrever a pessoa incrível que demonstrava ser a cada dia; o quanto me fazia sentir bem e como se nada pudesse me ferir exterior e interiormente.
Capítulo 16 - You picked the wrong guy
’s POV (Hamptons)
- Georgina, escolhe logo! – implorei pela milésima vez.
Estávamos em uma loja de sapatos há umas 2h e nos primeiros vinte minutos eu já havia escolhido o meu e ela continuava indecisa entre uns quinze pares.
- ! Por acaso você acha que é fácil escolher Loubutin? É quase tão complicado quanto decidir para qual faculdade ir.
Revirei os olhos:
- Sério? Nós estamos aqui faz muito tempo e eu estou com fome.
- Sabe, você é pequena, mas come muito.
- Como se você fosse muito maior do que eu.
- Mais alta eu sou.
- Tanto faz... Eu vou comprar alguns macarrons naquele café na esquina. Você me encontra lá depois? – ela continuou olhando para seuspés – GEORGINA!
- O quê? Ah, sim. Claro, claro.
Sai da loja e antes que eu pudesse pisar na rua para atravessar, alguém me segurou pelo pulso, do mesmo jeito que só ele fazia. Meu coração começou a bater mais forte e eu não queria sentir aquilo.
- ? – era a voz dele.
“Ok, eu só posso estar ficando louca.” Pensei. Engoli em seco, era tudo muito real para ser ilusão.
Fechei meus olhos por dois segundo respirando fundo e me virei:
- Chuck?
- O que você está fazendo aqui?
Ele estava vestindo uma bermuda, uma camisa listrada e chinelos.
“Agora eu realmente estou ficando louca. Ele não se veste assim.”
- O que você está fazendo aqui? – retruquei com a mesma questão.
- Eu perguntei primeiro, sabia?
- E daí?
- Foi para Hamptons que você fugiu? Por quê?
- Por quê? POR QUÊ?! Você acha que tem algum direito de querer saber da minha vida?
- O que está acontecendo com você?
- E você se importa?
- Você acha que eu não me importo?
- POR QUE ESTAMOS APENAS CONVERSANDO COM PERGUNTAS?! – explodi, aquilo estava me estressando.
Respirei fundo novamente.
- Nós precisamos conversar.
- Não, nós não precisamos.
- Pode adiar isso o quanto quiser, masvocê sabe que não tem como fugir para sempre.
- O que você quer me falar? Fale agora.
- Eu sinto muito.
- Não, você não sente.
- Escuta aqui... – ele apertou mais meu pulso – Eu estou te pedindo desculpas por aquilo. Não queria te machucar.
- E por que eu deveria te desculpar?
- Porque eu sou Chuck Bass, eu não peço desculpas para os outros, eles pedem desculpas para mim. Mas eu estou aqui, não estou? Parado na sua frente, pedindo para você me perdoar.
- E por que você está fazendo isso?
- Porque... Eu não aguento ver você agindo desse jeito comigo.
Eu o olhava séria:
- Pode me soltar agora? Está doendo. – ele o fez.
- Você ainda está usando a pulseira que eu te dei.
- Porque eu gosto dela.
Ele deu sorriso, aquele que eu amava.
- Ah, acabei decidindo levar cinco pares, porque... – Georgina apareceu falando, mas de repente parou ao chegar ao meu lado.
- Vamos comer alguma coisa. Tchau Charles.
- Georgina? O que você está fazendo com a ?
- Hey! Eu ando com quem eu quiser, entendeu? – chamei sua atenção – Espera... Como você sabe quem ela é?
- Oi, Chuck.
- Alguém pode me dizer por que vocês já se conhecem?!
- Como é que você a conhece, ?
- Nós somos amigas.
- Desde quando?!
- Desde alguns dias.
- Fica longe dela, .
- Hey! Ela mesma disse que anda com quem ela quiser.
- Georgina, não se intromete. Escuta, ...
- Você sabe que eu não gosto que me chamem assim...
- Escuta! A Georgina é louca.
Revirei os olhos.
- Hum, ok. Se ninguém aqui quer me dizer como vocês se conhecem, acho que vou ter que adivinhar... Vocês já transaram. – fiquei esperando alguém dizer alguma coisa.
- Foi só uma vez.
C a olhou querendo cortar sua cabeça fora.
- Charles, não existe ninguém que você nunca tenha levado para a cama?
Quis parecer o mais confortável possível com aquilo.
- A Georgina costumava andar com a Serena. Elas bebiam, usavam drogas... , você não é assim. Fica longe dela.
- Acho que vocês dois precisam conversar. Depois a gente se vê. – ela se virou e foi embora.
- Não sei a razão de se preocupar tanto comigo. Não estamos mais juntos.
- Mas não significa que não me importo com você.
- ...Eu quero seguir em frente, Chuck. Mas você não deixa. Preciso que fique longe... Preciso ir para casa, agora. Não estou me sentindo muito.
- O que você tem?
- Não é nada.
Cheguei em casa e corri para o banheiro, meu estômago estava revirando e eu precisava vomitar. Vê-lo não me fez bem, em todos os sentidos.
Respirei fundo saindo do banheiro e minhas pernas doíam, eu não sabia o porquê. Me encostei na parede e escorreguei até o chão.
O que eu estava fazendo? Por que eu tinha que ser assim? Por que uma vez na vida eu não podia simplesmente fazer algo certo? Chuck foi um erro, talvez o maior e até olhá-lo me fazia passar mal.
fora outro erro, mas esse eu já tinha forças o suficiente para encarar.
O era a ultima coisa que eu queria pensar sobre.
Senti meu celular vibrar interrompendo meus pensamentos:
“Hi everyone,
Bom, Serena acabou de me mandar uma mensagem me ameaçando e dizendo que sabe quem eu sou. Sinceramente, você acha que me engana? Então aqui vão dois recadinhos, primeiro: ninguém sabe quem eu sou; segundo: eu posso acabar com a sua vida e com a de quem mais eu quiser, porque eu sei muito mais do que conto.
Querem me desafiar? Ok, aqui vai a anuncio: sinto muito por quem achou que eu estava brincando quando falei sobre o pesadelo começar no dia do aniversário de com a revelação dela ter jogado um cara de um iate, porque o pesadelo começou. Agora, graças à S, darei continuação.
E as notícias são: fugiu e está muito mais perto do que alguém poderia imaginar, a princesa correu para as areias de Hamptons e já está pegando outro cara. É, a fila anda rápido e acho que devido aos últimos acontecimentos, resolveu seguir os paços da ex-amiga S e ser uma vadia. Porque pegar o , Chuck, Dan e esse novo garoto em tão pouco tempo, não é para qualquer um.
Ah, adivinhem quem mais está em Hamptons? Chuck e Nate. Parece que muita gente resolveu fugir da realidade e ir parar o mesmo lugar.
Mas a melhor novidade é essa: Georgina está de volta! Existe alguém melhor para participar de um pesadelo? Todos sabem que não. E ela está amiga de . imaginem a ironia: a garota que tirou a virgindade de Chuck Bass de amizade com a única que roubouo coração dele, aposto que poucos de vocês sabiam sobre C e G. Vocês conhecem a Sparks e já deu para perceber quem é a idiota da história, cuidado, .
É só isso por enquanto. Mas pode deixar, eu vou infernizar vocês... um por um.
And Who am I? That’s one secret I’ll never tell.
You know you love me.
Xoxo Gossip Girl.”
Depois de ter tomado um remédio e dormido até o dia seguinte, estava me sentindo muito melhor. Me levantei e havia uma mensagem do Ryan em meu celular me perguntando se eu aceitaria andar pela cidade com ele.
“Como se tivesse muito lugar para andar aqui.” Pensei, mesmo assim disse que sim e passei meu endereço.
A tarde chegou, me arrumei, coloquei um leve vestido de verão e saltos (porque eu amava andar de saltos e aquele vestido ficava muito bem com minhas sandálias Prada). Arrumei meu cabelo, me maquiei, escolhi algumas (ou várias) pulseiras e estava pronta.
Me olhei no espelho e meus olhos logo focaram no que havia em meu pulso, o presente dele...
Ouvi a campainha e isso me desviou dos meus pensamentos. Respirei fundo, peguei minha bolsa, desci as escadas e abri a porta.
- Oi. – disse saindo da casa.
- Oi... Você está linda. – dei um sorriso tímido.
- Obrigada. – coloquei as chaves dentro de minha Chanel – Vamos?
- Claro.
- Então, onde pretende me levar? – o questionei curiosa enquanto ele abria a porta do carro para mim.
Ryan deu a volta, se sentou no banco do motorista e colocou a chave na ignição:
- Por que nós não invadimos uma festa?
- O quê?! Achei que você era do tipo bom garoto.
O fiz rir:
- Só por que faço faculdade de medicina?
- Bom, já que você vai ser médico, provavelmente você não fuma ou usa drogas.
- Nem por isso eu não invado uma festa de vez quando. Não sou o cara mais perfeito do mundo.
Sorri:
- Comparado a todos outros que eu conheço... Sim, você é o mais perfeito.
- Então?
- Então vamos invadir uma festa.
Ryan dirigiu por alguns minutos e estacionou perto da praia.
Descemos e estava tirando meus sapatos para andar pela areia, quando:
- O que está fazendo?
- Tirando meus sapatos para conseguir andar na praia?
- Eu te levo.
- O quê?! Não. Definitiva... – ele me pegou com a maior facilidade antes que pudesse terminar minha frase.
Respirei fundo:
- Quem será a vitima hoje?
- Aquele iate. – o vi apontar para um a alguns metros de nós – Tudo bem?
- Claro.
Caminhamos até lá e não havia seguranças ou qualquer coisa que nos pudesse impedir. Ele me ajudou a entrar no barco e finalmente Ryan me soltou:
- Viu? Mais fácil, impossível. Vou pegar uma bebida para nós.
- Não.
- Por quê?
- Ahn... porque eu quero dançar. – o puxei para mais perto – Amo esse musica.
O lugar estava muito cheio, todos estavam vestidos muito bem e metade das pessoas, pelo menos, dançavam.
Infelizmente a musica terminou, eu me encostei nas grades do iate e meu enjoo voltou.
- Agora eu vou pegar alguma coisa para bebermos.
- Eu quero uma água.
- Tem certeza?
- Tenho. – dei um sorriso fraco.
Eu não estava me sentindo bem e não era apenas o enjoo. De repente flashes começaram a vir em minha cabeça... Long Beach, Megan, o iate da minha família, aqueles caras, um deles tentando me agarrar, drogas, eu o empurrei, ele caiu...
Eu me sentia sufocada, precisava sair dali... Mas não podia falar para o Ryan o porquê. Respirei fundo e olhei para o sol que estava se pondo.
- Aqui está sua água.
Me virei:
- Obrigada.
- Você está bem?
- Estou.
- Então por que parece tão assustada?
- Ahn... Não é nada.
- .
- Eu só... Será que podemos sair daqui?
- É claro.
Andamos até a saída, descemos pelo píer, tirei meus sapatos e corri. Corri o máximo que eu pude, o que significa que não foi muito, mas o suficiente para ficar longe do barco.
Parei e pude senti-lo fazer o mesmo atrás de mim. Abri minhas mãos e deixei meu par Prada cair na areia, me sentei ali perto dos meus sapatos, sem ligar se sujaria o meu vestido.
Ryan se sentou ao meu lado e ficou encarando o nada, apenas esperando que eu falasse alguma coisa:
- Sinto muito.
- Pelo o quê?
- Por ser quem eu sou. Alguns anos atrás eu e minha prima estávamos em um iate e... Aconteceu algo. Eu nunca mais pisei em um iate desde então...É melhor pararmos de nos ver.
- Por que está dizendo isso?
- Porque... – meu olhos estavam se enchendo de lágrimas - Porque eu fiz algo muito errado e... se você descobrir, não vai mais gostar de mim.
- Nada pode ser tão ruim a esse ponto. Se você não sabe, quando eu tinha seis anos, uma garota roubou o meu sorvete e a partir desse dia eu me apaixonei por ela. Eu gosto de garotas más.
Sorri:
- Ryan... – eu estava me sentindo a pior pessoa do mundo - Eu fiz algo realmente horrível.
- Escuta, todo mundo já fez coisas horríveis e isso não faz delas pessoas ruins... Não me importo com o seu passado, mas se você me deixar te ajudar a superá-lo... Eu vou fazer tudo o que estiver ao meu alcance. Agora, não me peça para nunca mais te ver... Acho que não sou forte o suficiente para isso.
- Tudo bem se eu não te contar o que aconteceu? Pelo menos não agora?
- Claro.
Chuck’s POV (casa dos Archibald em Hamptons)
Estava sentado o sofá mudando de canal na tentativa de achar algo que prestasse.
- C, é pedir demais para você se decidir logo o que quer assistir?
Olhei para o Nate e voltei a mudar de canal. Ele revirou os olhos:
- Você não vai achar nenhum canal com a . Por que não quer falar sobre tê-la visto? Chuck, um dia ou outro você e a vão ter que se entender, assim como eu e a Blair... Eu só... Sinto falta de quando éramos amigos... Agora, se não atender logo o seu celular, eu mesmo atendo. Quem é que não para de te encher o dia todo?
- A Lily.
- A mãe da Serena? Por quê?
Suspirei desistindo de achar algo na TV:
- Bom, meu pai e ela estavam namorando, agora ele a pediu em casamento... Mas a Lily está levando isso muito a sério... Quer dizer, ela vive querendo saber como eu estou, onde eu estou, com quem eu estou... Eu não sou o filho dela.
- Atende logo, Chuck.
- Não.
- AGORA, CHARLES!
- Tudo bem. – peguei o celular – Por que você tem que ser desse jeito, Nathaniel?
- Atende.
- Oi, Lily.
- Ah, Charles. Você está bem, por que não me atendeu?
Olhei para N e percebi que ela estava se esforçando para fazer parte da minha família, uma família que nunca existiu até sua chegada. Lily era como o Nate, e o mundo sempre vai precisar de pessoas assim. Pessoas que não importam o que, fazem de tudo para manter a família unida.
- Sinto muito, a bateria tinha acabado.
- Como estão as coisas?
- Ótimas.
- Tem certeza?
- Ahn... Tenho.
- Charles, pode me contar o que quer que for.
- Não é nada... É só que... Quando você sabe que encontrou a pessoa certa?
- Não sei se sou a melhor pessoa para te falar isso, mas quando você encontrar a garota certa... Você não vai conseguir parar de pensar nela, ela será sua melhor amiga e a sua parte que faltava. Você mal poderá esperar para passar o resto da sua vida com ela e... ninguém ou nada é o suficiente perto dela.
- E se eu já tiver encontrado essa garota.
- É a não é? Por que não diz a ela como se sente?
- Não, você não entende. É...
- É complicado, é isso o que todo mundo diz. Mas não. Não é... Preciso desligar, depois nos falamos. Tchau, Charles.
- Tchau, Lily.
’s POV
Depois de conversarmos, Ryan me levou em um restaurante incrível e depois me trouxe em casa.
Já havia amanhecido e decidi me levantar cedo para ir a um brunch que algumas pessoas que conheciam minha mãe me convidaram. Então me arrumei, desci as escadas e me deparei com a ultima pessoa que eu precisava ver parada do lado de fora da minha porta de vidro.
Respirei fundo e a abri:
- Chuck, o que você está fazendo?
- Esperando minha amiga. Talvez você tenha a visto. Ela é bonita, acha que pode andar por toda Nova York de saltos, carrega o peso do mundo em suas costas e ainda é a garota mais incrível que eu já conheci.
Balancei minha cabeça:
- Não haja como se nada tivesse acontecido.
- Só me escuta... Sabe o que eu pensei quando vi você entrando pela primeira vez na Constance? Que eu nunca seria o suficiente para você e... mesmo agora, depois de todo esse tempo com você, eu... Eu ainda estou impressionado com o seu coração, a pessoa incrível que você é e... com a sua beleza.
- Chuck...
- Por favor, escuta... Você sabe que eu nunca acreditei nessa coisa de bem e mau, céu e inferno... Mas de uma coisa eu sempre soube, se existisse, eu pararia no inferno. Se alguma vez, em toda a minha vida, eu já tenha imaginado o quanto ir para lá me faria sofrer... Nunca, . Nunca chegou perto do que eu sinto quando você está longe de mim... Só que o que eu sinto quando você me beija, quando eu cheiro o seu perfume... me faz perceber que, na verdade, você é um anjo e é a melhor coisa que já me aconteceu... Eu preciso de você, porque... Por mais que eu venha tentado esconder isso todo esse tempo... Ninguém no mundo me faz sentir tão bem quanto você faz... Eu te amo. Eu sempre te amei desde aquele dia em que você cuidou de mim depois da briga com o primo do Nate. Você é tudo para mim e eu quero que fique comigo.
“Ele disse as três palavras...”
Meu mundo havia parado com cada palavra que ele disse, meu coração batia tão forte que parecia que poderia cair no chão a qualquer momento. Mas eu não sabia o que fazer.
- Eu...
- , com quem está conversando?
Ouvi a voz do vindo das escadas e me virei:
- Não te interessa, . Vá tomar café da manhã na cozinha.
Ele deu de ombros e me obedeceu.
- O que o seu ex faz aqui?
- Era para ele chegar só semana que vem, mas acabou que ele chegou mais cedo... Olha, tanto faz. Não liga para o .
- O que ele faz aqui?
- Eu pedi para ele vir para conversarmos.
- Não acredito nisso...
- Não, você está entendendo errado.
- Não, . Eu não estou... Eu preciso ir.
- Não!
- ? – me chamou novamente.
Eu quis me bater naquele momento.
- A gente conversa outra hora. – Chuck se virou, deu alguns passos, parou e se voltou para mim – Quer saber? Ele é o cara errado. Você escolheu o cara errado... O que está pensando? Aquele cara? Sério? Depois de tudo o que eu fiz? Vai se arrepender. Sabe disso, não é? Mas agora não há nada que você possa fazer, é tarde demais.
Ele foi embora e eu entrei. Tudo o que eu queria tinha acontecido e virado uma tragédia em apenas alguns minutos. Eu, definitivamente, só sabia tomar as decisões erradas.
- ?
- O QUÊ, ?! – ele entrou na sala.
- Está tudo bem?
- Tudo bem? Se está tudo bem?! VOCÊ QUER SABER SE ESTÁ TUDO BEM? NÃO! NADA ESTÁ BEM! NADA... Nós vamos conversar mais tarde, agora eu só preciso ficar sozinha.
Eu não podia explodir daquele jeito, a culpa era minha. E que raiva eu estava sentindo, não só de mim, mas do mundo.
Me tranquei no quarto e chorei, chorei tudo o que eu consegui e mais, só que ainda assim não parecia o bastante.
Acabei dormindo em meio as lagrimas. Acordei na manhã seguinte e era hora de conversar com .
Apenas tomei um longo banho e coloquei shorts jeans e um camiseta branca larga, desci até a cozinha onde ele estava.
- Bom dia, .
- Bom dia... Nós precisamos conversar.
- Tudo bem.
- Olha... Se você veio para Hamptons achando que nós poderíamos voltar, eu sinto muito. Nós não podemos.
- Por que não?
Me sentei na mesa, também estava sentado.
- Porque nós não damos certo juntos.
- Como pode dizer uma coisa dessas? Você não se lembra de tudo o que nós passamos juntos? Você sempre esteve do meu lado e eu do seu. Sei que cometi um grande erro, mas quero que me perdoe.
- E eu te perdôo.
- Então vamos voltar a ficar juntos.
- Não, eu não posso.
- Mas você disse que me perdoou.
- Sim, mas não significa que eu esqueci... Toda vez que eu olho para você, aquelas fotos me vem à cabeça.
- E o que eu posso fazer para mudar isso?
- Não há nada que você possa fazer, ninguém pode fazer nada sobre isso.
- Então por que me chamou aqui?
- Você que quis vir para os Hamptons, eu só disse que queria conversar e eu sei que você vai para NY de vez em quando. Não era minha intenção que você pegasse o primeiro vôo para cá.
- Desculpa...
- ...
- , por favor... Eu ainda te amo.
Toda aquela situação, eu já havia passado por isso antes.
Flashback on – 2 anos antes em L.A.
- Você e o Leonard voltaram? Por quê? – minha mãe me encarava sem entender.
- Ele disse que me amava.
- Mas e quanto a você? Você o ama?
- Eu não sei... Acho que sim. Quer dizer, nós havíamos terminado faziam apenas alguns dias.
- Exatamente, nem deu tempo de você seguir em frente.
- Mas eu prefiro ficar com ele.
- Por quê?
- Porque eu não quero ficar sozinha.
- Querida... sei que quando terminamos um relacionamento ficamos com medo do futuro, mas correr de volta para o passado só por ser familiar, é um erro. Um grande erro.
Flashback off
E minha mãe estava certa, foi um grande erro voltar para ele. Mas eu não iria cometer o mesmo erro de novo.
- Minha mãe me disse uma vez que nunca é tarde demais para colocar um ponto final e seguir em frente, então aqui é o nosso ponto final... Sinto muito, . Nós nunca vamos voltar.
-x-
De noite, depois de ele ter ido embora e eu, mais uma vez, ter ficado sozinha; resolvi ligar para a minha mãe:
- Oi, filha. Está tudo bem aí?
- Está.
- Não, . Não está. O que foi?
- O Chuck... Acho que dessa vez nós não vamos voltar.
- O que aconteceu?
- Eu. O que aconteceu foi “a garota que só sabe fazer a coisa errada” ainda está aqui e eu acho que ela nunca vai embora.
- Você realmente gosta dele, não é?
- Mais do que eu possa demonstrar... Mas não é só ele que me fez chorar ontem. Mãe, o que eu vou fazer sem nenhum amigo? A Blair, a Serena e o Nate nunca mais vão querer olhar para mim de novo.
- Já pensou em pedir desculpas?
- Desculpas não são o suficiente.
- Tem certeza? Às vezes é tudo o que alguém precisa.
Suspirei:
- Posso te fazer uma pergunta?
- Pode.
- Sei que se casou cedo... Mas por que nunca te vi sair com nenhum dos amigos que você tinha na minha idade mesmo depois do divórcio? A culpa é minha?
- Querida... quando se é jovem, você acredita que as amizades são para sempre. Mas, a maioria das vezes não são... Depois que você vira mãe, o bebê não é apenas a coisa mais importante. É a única coisa importante. E a culpa não é de ninguém; não é sua, não é minha ou de algum dos meus antigos amigos... A vida é apenas assim, você cresce, muda, vira pai ou mãe e trabalha o máximo que pode para dar muito mais do que o suficiente para a pessoa que você mais ama no mundo... Sinto muito se às vezes isso me faz uma pessoa ausente.
- Mãe, você é melhor do que eu jamais vou ser.
- Duvido e... não é porque muitas vezes a amizade acaba, que você tem que deixar a sua ser assim.
Capítulo 17 - I need tell you a secret...
“Hello UpperEast Siders,
Em um instante tudo muda. Um dia estamos felizes e no seguinte parece que nunca conseguiremos nos recuperar.
Quando isso acontece, apenas queremos esquecer o passado e ir em direção ao desconhecido, o nosso futuro. Vamos para lugares distantes para tentar nos encontrar, achar um novo amor ou vários amores. Afinal, quem disse que não podemos nos apaixonar mais de uma vez? E em minha opinião podemos nos apaixonar inúmeras vezes só por uma pessoa ou por mais de uma.
Enquanto isso, outros de nós tentam se perder explorando velhos lugares próximos de casa. Mas nem sempre se perder é uma opção. Às vezes, no meio caminho, aparece alguém para te salvar do que parecia que ninguém poderia te tirar ou, simplesmente, quem te salva é alguém que sempre esteve ali para você, como um amigo.
Entretanto os problemas começam quando nos recusamos a mudar e voltamos aos velhos hábitos. Alguém que abriu seu coração e, logo em seguida, voltou a fechá-lo sem nem querer uma explicação da garota que ele acabara de perceber que amava. Duas pessoas teimosas que não conseguem deixar o orgulho de lado para conseguirem seu “felizes para sempre.” E, até mesmo, uma it girl volta a sua antiga vida, por ter medo de estar realmente (e perdidamente) apaixonada, como nunca esteve, por um lonely boy.
E vocês sabem... Prender-se muito no passado, o futuro pode nunca vir.
And Who am I? That’s one secret I’ll never tell.
You know you love me.
Xoxo Gossip Girl.”
-x-
Estava deitada no sofá da casa do Ryan e com a cabeça em seu colo e eu celular vibrou, era uma mensagem privada:
“Engraçado como você nunca demonstrou sentimentos pelo enorme erro que cometeu alguns anos atrás, querida . Não se sente culpada toda vez que coloca a cabeça no travesseiro? Lembranças ainda não te atormentam? Porque, você sabe, matar alguém é crime.
Gossip Girl”
O aperto em meu coração foi instantâneo, engoli em seco e senti meu minha dor de cabeça piorar.
- ? Você está bem? – ouvi ele me perguntar preocupado.
- Estou.
Ryan se levantou com cuidado, colocou uma almofada para eu poder voltar a deitar e sumiu dentro de um corredor mal iluminado. Pouco tempo depois voltou segurando algumas coisas que não identifiquei o que era.
- Você está quente. – ele disse enquanto colocava a mão em minha testa.
- Não precisa se preocupar. Estou bem. – me sentei no sofá.
Ry me ignorou, pegou um dos objetos que trouxera, era um termômetro digital, ele apontou em mim e sua expressão não foi uma das melhores.
- Você está com trinta e nove graus e você sabe que é uma temperatura muito alta, não é? Então significa que tem que parar de mentir sobre estar bem quando não está.
- Mas...
- Não tem “mas.” Por que simplesmente não deixa as pessoas cuidarem de você?
- Porque eu não preciso de ajuda, eu posso me cuidar sozinha.
- Não, ninguém pode viver sozinho. Todo mundo precisa de outros para seguir em frente.
- Vamos apenas voltar a ver o filme? - Ryan havia alugado alguns DVDs para assistirmos.
- Vou te dar um remédio primeiro.
- Ok. – peguei o comprimido de sua mão e tomei com um copo de água – O que está acontecendo?
- Como assim?
- Você passou mal no iate e esses dias você correu para vomitar.
- Não é nada... Só um mal estar.
- Não quer realmente falar sobre isso, não é?
- Não.
- Só me promete que, seja o que for, vai ir à algum médico o mais rápido possível.
-x-
Voltei para casa e, no dia seguinte, fomos tomar café da manhã juntos.
Chegamos a uma linda cafeteria com mesas espalhadas pela calçada e com muitas flores. Nos sentamos e fizemos nossos pedidos.
- E então, está se sentindo melhor hoje?
- Sim... Obrigada.
- Pelo quê?
- Por se preocupar tanto comigo.
- Eu gosto de você e... – Ryan olhou dentro dos meus olhos – Vou entender se disser não, mas... Eu não quero que você seja apenas uma lembrança para mim eu para você depois que as férias acabarem. Não quero ir embora deHamptons sem saber se você estará lá em Nova York esperando por mim quando eu voltar.
- Voltar? Como assim?
- Eu vou viajar com meu pai nessas ultimas semanas de férias. Falei com você sobre isso ontem.
- Desculpa, eu não me lembro.
- Bom, vou ter que faltar alguns dias na faculdade, mas quero muito ir... É pedir demais para me esperar?
- De quantos dias você está falando?
- Vou ficar fora mais de um mês.
Era muito tempo.
- Tem mais alguma coisa que quer me contar? – insisti.
Parecia que havia algo que ele estava tentando me esconder.
- Não é nada.
- Pode me contar.
- ...Eu iria me transferir para uma faculdade em Londres, já fazia algum tempo que eu estava querendo fazer isso e eu finalmente consegui. Mas não quero mais ir.
- Por minha causa? Ryan... Pode me dar um tempo para pensar? Você sabe, não faz muito tempo que acabei de sair de um relacionamento e...
- Está tudo bem.
- Obrigada.
Nate’s POV
Era, sem duvidas, a pior férias que poderiam existir. Não conseguia me lembrar de nenhum verão que passara longe de Blair, era o primeiro. Naquele momento, ela estava em Paris e devia estar se divertindo com outro cara qualquer e gastando o máximo que conseguia todos os dias.
Ouvi o celular de Chuck tocando, sabia que ele havia deixado ali de propósito quando arrumou suas coisas para voltar à Manhattan. Olhei a tela e era a , não era a primeira vez que ela tentava ligar e era ignorada por C.
Resolvi atender:
- ?
- Nate?
- Sou eu. O Chuck deixou o celular aqui e voltou para NY. Se quiser deixar algum recado...
- Não.
- Tem certeza?
- Tenho.
- Ahn... Eu estava indo almoçar. Quer vir comigo?
- Não está bravo?
- Claro que não.
- Então eu adoraria.
’s POV
Tive que usar o telefone fixo, havia esquecido meu celular em algum lugar e não me lembrava onde.
Resolvi ir andando até o lugar combinado, não era tão longe e eu precisava espairecer um pouco.
Assim que cheguei, vi N sentado lendo o cardápio e caminhei em sua direção:
- Oi. – disse me aproximando.
- Hey! É bom te ver.
- É bom ver você também. – me sentei.
- E então, quem é o novo cara que a Gossip Girl falou?
- O nome dele é Ryan. Ele está cursando medicina e um cara incrível.
- Mas?
- Como sabe que tem um “mas”?
- Sempre tem um “mas”.
Suspirei:
- Mas ele quer continuar em Nova York por minha causa. Não quero ser a razão dele desistir de algo tão importante, sabe? Nós nem estamos namorando e eu nem sei se quero algo sério. Eu não fiquei em L.A. pelo e não quero que ele fique por mim.
- Por quê?
- Porque não acho justo.
- Ou, talvez, porque não acredita que essa relação possa dar certo.
- Eu queria acreditar. Eu gosto do Ryan, só que... Não sei... É tão engraçado. Eu amei o fato de ser só um amor de verão, me dava a chance de manter um pé atrás só por precaução.
- Mas com um pé atrás é difícil ver onde se está pisando.
- Você tem razão... Entretanto, se mudar para Londres é o sonho dele e mesmo se ele ficasse em Manhattan, sempre haverá essas viagens para longe. O Ryan sai por aí salvando vidas e é o que ele quer fazer para sempre, como posso competir com isso?
- Não se trata sobre competir.
- De todo jeito... Isso foi a coisa que mais me atraiu, aquela vontade de ajudar, querer mudar o mundo... Por que as coisas que nos atraem em uma pessoa sempre são as que acabam nos separando? Só queria alguém que estivesse lá para mim e eu para ele e que de alguma maneira pudéssemos fazer dar certo... E eu fico pensando em como nunca vou conseguir encontrar o cara certo. Eu apenas queria ter o que a Serena e o Dan tem; o que eu sei que você e a Blair sempre terão; o que eu achei, por um minuto, que eu e o Chuck tínhamos.
- O cara certo está vindo, . E ele está vindo o mais rápido que pode.
- Mas parece que não é rápido o suficiente.
- Você está só por causa dele?
- Não... – encarei o pequeno vaso com flores que enfeitava o centro da mesa – Nate, preciso te contar um segredo.
-x-
Já era a noite e alguém apertou a campainha.
- Ryan? O que faz aqui?
- Você esqueceu seu celular no café hoje e vim te devolver.
- Ah, obrigada e... Não precisava.
- Temos que conversar.
- Claro. – entramos e tranquei a porta.
- Eu vi uma mensagem sem querer.
- Que mensagem?
- De alguém chamada Gossip... Alguma coisa assim.
- Ry...
- Aquilo é verdade?
- Escuta, eu não queria que soubesse...
- Por quê? Por fez isso?
O contei toda a história. É claro que para ele era pior do que foi saber disso para qualquer outra pessoa. Porque nenhum dos meus amigos (ou antigos amigos) queria dedicar toda sua vida salvando outros e eu havia ido contra todos os ideais que ele poderia ter.
- (...) E ele se afogou...
- Foi isso o que aconteceu? – assenti o que o fez parecer aliviado – Achei que... Deixa para lá. Você não teve culpa.
- Claro que tive.
- Não, .
-x-
Cinco dias se passaram e faltavam três para a viagem ao Haiti. Então resolvi voltar para Nova York com Ryan. E, mal sabia eu, ao entrar naquele carro de volta para Manhattan a quantidade de coisas que aconteceriam nas próximas setenta e duas horas.
Foi um longo tempo dentro do carro e finalmente ele estacionou. Mas ali não era o UpperEastSide.
Estávamos em StatenIsland, aquela área da cidade ficava depois do Brooklyn. Ryan havia me levado até lá para ver duas pessoas.
Entrar naquela casa foi a coisa mais difícil que fiz em toda minha vida, mas também foi a melhor.
Não ficamos muito tempo, ele abriu a porta do carro para mim:
- Por que fez isso?
- Porque você não é culpada. O afogamento e tudo o que aconteceu foi um acidente. Só que você precisava ouvir isso deles, dos pais do garoto para acreditar.
“Goodnight, UpperEast Siders,
Todos dizem que o amor de verão é passageiro. Mas de vez em quando o que começa como passageiro, pode levar até a coisa de verdade. Uma simples viagem à praia pode ser tudo o que precisamos para clarear nossas mentes, abrir nossas cabeças e escrever um novo final para uma velha história. Também tem os que são queimados pelo calor. Eles só querem esquecer e recomeçar. Enquanto existem outros que querem que cada momento dure para sempre. Mas o verão é o começo de uma nova temporada, então nós nos encontramos olhando para o futuro.
Vocês ainda não viram nada.
And Who am I? That’s one secret I’ll never tell.
You know you love me.
Xoxo Gossip Girl.”
Capítulo 18 - Those Eyes
’s POV
“Hey Upper East Siders,
está de volta, mas ela não está sozinha. Parece que superar um relacionamento não é grande coisa para nossa princesa.
Ah, vocês sabem o que aconteceu aqui em Nova York desde o baile? Bom, Megan e estão juntos; Lonely Boy continua sendo um Lonely Boy; Georgina Sparks veio para ficar, ela é o nova aluna da Constance Billard e a reforma na St. Judes parece que estar longe de acabar, vamos continuar mais um tempinho juntos.
Agora as novidades de ultima hora: Chuck Bass é um fraco; uma vadia; Serena van der Woodsen medrosa; Dan Humphrey tem déficit de atenção; Blair Waldorf acha que engana alguém e Nate Archibald é um pobre garoto rico.
And who am I? That’s one secret I’ll never tell.
You know you love me.
Xoxo Gossip Girl”
Já havia anoitecido e Ryan foi para casa comigo. Entramos no prédio e subimos até o meu andar, o elevador se abriu e vi Megan andando de um lado para o outro como sempre fazia quando conversava com alguém ao telefone.
- Não vai nem me dar oi? – ela me olhou assustada como se nem percebesse que alguém estava ali.
- AH MEU DEUS! !
A abracei:
- Megan, esse é o Ryan. Ryan, Megan. – eles se cumprimentaram.
- Bom, o Michael está na cozinha.
Fui vê-lo e deixei Ry com ele para poder conversar a sós com minha prima.
Voltei para a sala e me sentei no sofá ao lado dela:
- Então, você e o ... – olhei sugestivamente para ela, o que a fez rir.
- Você é a melhor prima que já existiu, já te disse isso?
- Ahn... Não. Mas não precisa, eu sei.
- E você? Como está?
- Não muito bem... Dessa vez eu e Chuck não temos mais volta e... Eu também tenho passado mal esses últimos dias. Vou precisar ir ao médico.
- Está com gripe ou algo assim?
- Não, não é isso.
Um cheiro forte invadiu o lugar, Michael estava cozinhando algo que para mim não cheirava muito bem. O enjoo voltou e corri para o banheiro do meu quarto. Megan me seguiu e segurou meu cabelo para eu poder vomitar.
Me levantei, enxaguei minha boca e escovei meus dentes. Enquanto isso, ela me encarava com atenção pensando em algo:
- O que foi?
- Nada... É só... , quando foi a última vez que a sua menstruação veio?
- Há mais de um mês.
- Vou até farmácia, você precisa fazer um teste...
- Não, você não vai.
- Por quê?
- Porque eu fiz três testes alguns dias atrás em Hamptons.
- Três?! Então...
-x-
Nate também havia voltado para Manhattan e combinamos de nos encontrar no Central Park West para conversarmos.
Cheguei um pouco mais cedo, me sentei em um dos bancos e resolvi começar a prestar atenção nas conversar ao meu redor, uma em particular me chamou a atenção.
Havia um homem com sua filha passeando por ali e a garotinha de, aproximadamente, cinco anos olhava atentamente os esquilos do outro lado:
- Papai?
- Sim, filha.
- Por que aquele esquilo está correndo atrás daquele ali? – ela apontou para as pequenas criaturas na grama.
- Porque o esquilo está apaixonado pelo outro, e quando amamos alguém, temos correr atrás.
- Então por que um está fugindo?
- Porque está com medo.
- Medo?
- Sim. Amar alguém pode ser, muitas vezes, assustador demais.
- ? – uma voz me desviou da conversa que estava ouvindo.
- Oi Nate.
- Acho que me atrasei um pouco. Desculpa. – ele abriu um sorriso enorme para mim.
- Está tudo bem... Então, o que queria conversar comigo?
- Vou direto ao ponto... Seria ruim ir para Paris atrás da Blair? Você acha que devo esperá-la voltar?
- Voltar?! Não, você já esperou demais. Pegue o próximo voo, você tem todo o meu apoio.
- Obrigado... E você? Por que não vai atrás do Chuck?
- Não é tão fácil.
- Lembra quando você me disse que também não podia ser tão difícil? Eu finalmente tomei coragem, agora é a sua vez.
- Mas...
- , você precisa conversar com ele. Sabe disso.
- E o Ryan?
- Você o ama? Porque você sabe, não pode ter os dois. Precisa escolher.
Pensei em tudo, milhares de coisas passaram pela minha mente em segundos e eu só conseguia chegar a uma única resposta.
“No Upper East Side, se existe algo em que todos parecem ter medo é se envolver... Por que é tão difícil aceitar que se ama alguém? Por que, quando estamos apaixonados, apenas fugimos dessa pessoa? Por que insistimos em colocar tudo á frente do relacionamento?
Fazemos tudo isso porque se apaixonar nos deixa vulneráveis. Nossos corações ficam expostos para ele ou ela os quebrarem.
É claro que sempre vamos temer coisas como essas, mas, às vezes, o sentimento é maior do que o medo e nos abrimos. Alguns de nós dizem algo que demorou muito para ser aceito; uns percebem que a única maneira de ser feliz é deixar o ego de lado e correr atrás de quem se ama; outras precisam ouvir o esteve na sua frente o tempo todo para tomar coragem e ainda tem aqueles que levam um pouco mais de tempo, porém sempre acabarão juntos.
Entretanto, tudo tem consequências. Em algum momento você pode ser deixado com o coração partido. O fato é que namoros vem e vão, todos eles te deixarão uma cicatriz até você achar a pessoa certa, mas entes de ter seu “hapily ever after” ajuda ter amigos, serão eles quem te ajudarão a se recuperar.
Bom, apesar de tudo, se tem algo que eu sempre admirei no UES é que aqui é onde se tem as melhores amizades. Tudo bem que todos vivam brigando, por trás dos escândalos existe algo que ninguém consegue quebrar. E NJBC? Eles são o maior exemplo de amizade, mesmo estando separados agora, sei que voltarão como sempre voltam.
And who am I? That’s onde secret I’ll never tell.
You know you love me.
Xoxo Gossip Girl.”
-x-
Nate’s POV
Resolvi passar no Empire para ver o Charles e, como sempre, ele estava no bar do hotel.
O contei sobre ir para Paris, o que (é claro) ele não achou uma boa ideia. Só que eu não ligava, porque o Chuck podia até ser meu melhor amigo, mas ainda era um idiota. E a havia me apoiado e isso já bastava.
- E quanto a você?
- O que tem eu?
- Por que não vai atrás da ?
- Não, Nathaniel... Tem algo entre nós e sempre terá, talvez se isso fosse um mês atrás eu iria procurá-la.
- E por que agora é diferente?
- Não sei... Só não parece que é o que eu devo fazer. Tudo entre eu e ela sempre pareceu tão urgente... E eu acho que se for para acontecer, vai acontecer. Eu não vou a lugar algum e ela também não. Para que apressar as coisas?
’s POV
“Existem certos momentos na vida em que fazer o certo não é uma opção.”
Lembro do meu pai dizendo isso nas poucas vezes que o vi em minha infância. Nunca fui capaz de compreender aquilo em minha cabeça de oito anos, fazer o certo sempre seria uma opção, não é? Mas ali, andando pela 5th Avenue, olhando todas aquelas lojas e prédios enormes, achei que talvez isso fosse verdade.
Peguei um taxi até o ateliê da minha mãe, conversar com ela me faria bem. Logo o carro estacionou , paguei o motorista e entrei no prédio.
- ! A cada vez que te vejo está mais linda. – Lanie, uma das mulheres mais elegantes que já havia conhecido e que trabalhava na Designers desde que nasci veio até mim – Vou te levar até a .
- Obrigada. – pegamos o elevador, caminhamos por um corredor e ela me deixou na sala.
- Filha, o que faz aqui?
- Vim conversar.
- Aconteceu algo?
- Não, é só que... Você acha que às vezes nós não somos capazes de fazer o certo? – perguntei me sentando.
- Acho que podemos escolher... Isso tem a ver com o Ryan?
- Mais ou menos.
- Ele é uma ótima pessoa.
- Eu sei.
- Você também sabe que como mãe eu amo o fato dele se tornar médico, mas não é dele quem você gosta.
- O quê?
- Está em seus olhos.
- Mas eu posso tentar, quer dizer...
- Não, . Não faça isso com você, não faça isso com ele. Não tente fazer funcionar algo que você sabe que não tinha concerto desde o começo.
- Então eu devo ficar sozinha? - Existe alguém em um certo hotel que merece uma outra chance.
- Mas...
- Não tem “mas”, você o ama e isso tem que ser o suficiente.
- Só que o Chuck é um idiota igual ao meu pai.
- Pessoas têm capacidade de mudar e você precisa acreditar que elas mudam para melhor... Existem milhares de caras como eles e cada um batalha muito para se livrar de garotas, mas eu nunca vi ninguém lutar tanto para manter uma como o Charles.
Ela respirou fundo e continuou:
- Vejo o porquê de ficar com o Ryan. Quer dizer, caras como o Chuck entram, causam um caos... É claro, te fazem sentir viva e tudo parece tão emocionante, mas, eventualmente eles podem te desapontar e aí você se pergunta: “Pra que arriscar?” Só que é aí onde está todo o problema, ninguém pode controlar o que o coração quer.
- Só que agora ele quer seguir em frente.
- Não se você não deixar.
- Como assim?
- O Chuck só vai seguir em frente se você der espaço. Então é hora de se perguntar do que é que tem medo, de que ele espere por você ou não?
- Acho que eu tenho medo de escolher o cara errado e o cara errado parece ser um que dorme toda garota que possa em sua frente... Preciso ir.
Pensei em tudo, mas o que estava em minha mente era o certo? Uma vez na vida seguir o coração poderia estragar tudo?
Não importava. Aquilo estava fora do meu controle, sempre esteve. Só havia uma coisa a fazer, principalmente por uma outra razão.
Independente da escolha que eu houvesse feito, precisaria conversar com os dois e o lugar mais próximo dali era o Empire.
Sai e peguei um taxi. O carro estacionou, paguei-o e desci.
Parei ali na entrada, quantas memórias aquele lugar... Todas as loucuras, todas as vezes que meu coração disparou...
Respirei fundo e entrei, perguntei para a recepcionista onde ele estava:
- O vi entrando no bar.
- Obrigada. – agradeci e corri até lá.
Abri a porta e estava cheio de pessoas de várias idades. Corri meus olhos a procura dele e finalmente o achei, mas não do jeito que eu queria.
C estava se agarrando com uma garota.
“Que novidade.” Pensei.
Uma garota loira oxigenada, alta demais, com curvas demais, com bronzeamento artificial e mais velha do que eu. Ela parecia Kim Kardashian depois de descolorir o cabelo, mas com a altura da irmã dela, a Kloe.
Engoli em seco, meu coração se contorceu e o todo o meu corpo começou a doer. E doía mais do que eu podia aguentar. Senti uma pancada dentro de mim tão forte que me paralisou.
Meus pés, de repente, se sedimentaram no chão. Nada a minha volta parecia existir, eu só consegui ver aquela cena; me senti indefesa sobre tudo aquilo.
Fiquei ali, sem piscar ou ter qualquer reação. Até respirar se tornou difícil. Outro enjoo repentino veio e eu precisava ir ao banheiro.
Isso me chamou de volta para a realidade.
- Srta. ! É um prazer tê-la aqui novamente. Aceita alguma bebida por conta da casa? – ouvi o barman falar.
Me aproximei do balcão.
- Não estou podendo beber. Será que poderia me dizer onde fica o banheiro?
- Claro. Logo ali, virando esse corredor.
- Obrigada.
- Está se sentindo bem?
- Ahn... Não. Minha cabeça está rodando...
- Quer que eu chame o Sr. Chuck?
Não tive tempo de responder, precisei ir até o banheiro. Vomitar, sem duvidas, era uma das piores coisas da vida. Ao menos o Empire era extremamente limpo.
Tudo o que eu queria era correr o máximo que conseguisse, mas eu não conseguia. Na verdade, aqueles poucos passos no corredor foram difíceis de dar.
Me levantei, lavei minha boca, minhas mãos e chorei em silencio me olhando no espelho.
A imagem daquela garota de maquiagem borrada pareceu que jamais iria embora.
Ele já estava se agarrando com uma qualquer cheia de silicone.
Knock knock
Alguém bateu na porta.
- ? – a voz era do Chuck.
Fiquei em silencio. Se ele me visse daquele jeito, ele riria.
Eu era a palhaça da história. Eu era a culpada de tudo ter chegado aonde chegou.
- , você está bem?
Enxuguei minhas lágrimas e limpei meu lápis e meu rímel borrado. Respirei fundo e abri a porta:
- O que você quer?
- O braman me disse que estava aqui e que estava passando mal. Fiquei preocupado.
- Por que ficaria?
- Porque, se você não se lembra, eu prometi cuidar de você.
- Mas da ultima vez pareceu que nunca mais queria me ver.
- Não significa que eu não me importe com você.
- Serio? – revirei os olhos – Por que não volta para aquela com peitos falsos e que tem pernas maiores que tudo. – ele riu – O que tem de engraçado?
- Em uma coisa você está certa, ela tem mais perna do que você tem de altura.
- Olha aqui, para a sua informação... Esquece. Você é ridículo. Estou indo embora. – tentei sair, mas C bloqueou a porta.
- Está tudo bem?
- Está.
- Você sempre mente sobre isso.
- Não estou mentindo.
- Jura?
- Me deixa sair!
- Não antes de me dizer o que te trouxe aqui.
O olhei e aqueles olhos... Aqueles olhos que me faziam ter vontade de largar tudo para poder tê-los todos os dias e que faziam meu coração se quebrar em mil pedaços por saber que isso nunca aconteceria... Aqueles olhos que eu amava tanto.
Eu amava cada única coisa nele. Seu cabelo, seu rosto quadrado, sua barba sempre bem feita, sua mania de só usar ternos, sua boca, seu sorriso torto, seu sorriso tarado, o jeito como seus dedos percorriam meus lábios antigamente... Eu o amava tanto que chegava queimar.
Fechei mais olhos com força desejando não sentir nada daquilo, mas a vida não é como um filme da Disney. Na vida real você chora e nenhuma fada madrinha aparece para te salvar ou transformar trapos velhos em um vestido perfeito, você precisa trabalhar duro para conseguir tudo na vida. Mesmo que o que você queira seja consertar seu coração.
Não que eu quisesse ser como a Cinderela ou como uma princesa frágil.
- Não importa o que me trouxe aqui, porque eu já estou indo embora.
Caminhei em direção a saída o mais rápido possível, mas antes que pudesse pisar fora do bar, Chuck segurou meu pulso:
- Pode parar de fazer isso? – chamei sua atenção.
- Por que você tem que ser assim?
- O quê?
Ele estava ficando louco?
- O que você quer dizer?
- Por que tem que ser tão dona de si mesma?
- O quê?
- Você anda por aí como se não precisasse de ninguém. Odeio isso, odeio você ser tão independente, odeio você agir como se não me quisesse, odeio você mentir quando te pergunto se está bem, odeio ter que te impedir toda vez que vai embora porque eu não quero que você vá e... Eu odeio ser masoquista o suficiente para, no fundo, gostar de tudo isso. – não era só ele que era masoquista.
Nos encaramos até que aquilo se tornou torturante demais para mim suportar:
- Então me desculpe por ser assim.
Puxei meu braço para poder ir embora e andando até a saída tantas coisas percorreram minha cabeça. Ele podia ter me beijado, ter pedido para que eu ficasse... Qualquer coisa para que não fosse, mas ele não fez nada.
Chuck’s POV
Por que ela faz isso? Por que ela sempre vai embora? Quando ela vai perceber que se eu a seguro é porque a quero aqui.
Já corri mais do que podia atrás dela.
Como o Nate disse uma vez: “Se uma relação não dá certo, provavelmente ela não era forte o suficiente para começar.”
’s POV
Meu coração doía, doía mais do que eu pudesse explicar. Sai do hotel e respirei fundo, ainda teria que chamar um taxi.
Era incrível, Nova York pode ser a melhor cidade do mundo, mas não é como nos filmes. Você não vai conseguir um taxi tão fácil, ainda mais se você estiver preciso muito de um. Todos eles vão estar cheios.
Caminhei por aquela longa calçada até estar no máximo dois metros do Empire. Me aproximei da rua olhando para o lado contrario da entrada e nenhum carro parava.
Senti, repentinamente, um impacto enorme contra meu corpo. Se antes minha alma doía, naquele momento meus ossos latejavam e fui levada ao chão.
Tudo aconteceu muito rápido.
- SRTA. ?!
- CHAMEM UMA AMBULÂNCIA AGORA!
- Onde está o Sr. Chuck?
- Alô? Eu preciso de ambulância agora em frente ao Empire Hotel... Não, você não está entendendo, ela é . Você a conhece?... Então a não ser que queria um processo, é melhor ter médicos aqui para nada menos que agora!
- Por que o Sr. Chuck ainda não está aqui?
- A cabeça dela está sangrando...
Eu só conseguia ouvir as vozes, mas não identificá-las.
Eu não tinha forças para me mexer.
Eu queria ele do meu lado... Eu só não conseguia acreditar que eu tinha o perdido para sempre, porque já era tarde demais. Era tarde demais para mim.
Eu deveria tê-lo beijado... Eu deveria ter ficado... Eu deveria ter feito tanta coisa... Mas era como se eu nem estivesse mais ali.
- !
Era ele.
Chuck correu, caiu de joelhos ao meu lado e eu ainda podia ouvi-lo.
- , por favor... Eu não posso te perder, não desse jeito... Não feche seus olhos... Eu te amo.
- Chuck... Eu...
Chuck’s POV
Dispensei aquela garota e pedi mais drinks.
- SR. CHUCK! – me virei – A Srta. ... Ela... O senhor precisa vir aqui fora.
Meu coração se contorceu e minha garganta fechou com medo.
Assim que pisei fora do hotel cada parte de mim se quebrou... Não dava para acreditar... A mulher da minha vida estava estirada naquela calçada como se não fosse nada, como se...
Eu não conseguia respirar direito com aquela imagem... Ela sangrando...
Minha cabeça começou a rodar:
- Um carro bateu nela e... – eu não conseguia prestar atenção no que o porteiro falava.
Tantos sentimentos em frações de segundo...
- !
Corri até ela e eu queria não chora, queria que fosse eu ali, queria dar qualquer coisa para poder voltar no tempo e tê-la feito ficar.
Parei ao seu lado e eu não tinha mais forças, meus joelhos fraquejaram e caí:
- , por favor... Eu não posso te perder, não desse jeito... Não feche seus olhos... Eu te amo.
- Chuck... Eu...
Mas fechou os olhos.
Era hora de ser responsável uma única vez na vida pelo menos.
- Por que a ambulância ainda não chegou?!
- Está vindo.
- Quem quer que seja que estava no carro, quero que ligue para meu advogado e revolva isso. no mínimo eu quero essa no tribunal.
- Claro.
A sirene da ambulância foi se aproximando até que estacionou, enfermeiros saíram de lá e com cuidado a colocaram em uma maca.
- Alguém vai com ela?
- Eu. – falei.
- O senhor é da família?
- Não. Sou um amigo.
- Ok.
Entrei naquele automóvel enorme, eles colocaram alguns aparelhos nela e tudo aquilo parecia um pesadelo que eu tinha que sair... Aquele barulho pausado dos batimentos cardíacos era torturante demais por saber que a qualquer minuto ele poderia se tornar constante.
Perde-la para sempre não era uma opção ou algo que eu estava disposto a enfrentar, porque eu nunca conseguiria.
Aquele barulho, em um segundo, se tornou constante... Nada daquilo podia estar realmente acontecendo.
Capítulo 19 - Nothing else matters
Chuck’s Pov
Eu nunca tinha ficado tanto tempo em um hospital desde... Desde nunca, na verdade.
Não fazia nem uma hora desde que havíamos chegado e eu fiz a coisa mais difícil que eu poderia, qualquer dia, fazer. Parecia estar tão fora do meu alcance, parecia que pesava toneladas a mais do que eu conseguiria aguentar. Mas respirei fundo, respirei fundo de verdade. Respirei para tentar fazer meu sangue voltar a circular, para juntar forças que eu nem sabia de onde estava tirando.
Porque, às vezes, a responsabilidade vem antes de você ou de qualquer coisa que esteja sentindo.
Permaneci sentado, minhas pernas pareciam chumbos, peguei meu celular e liguei para a casa da . Eu precisava avisar a mãe dela sobre o que havia acontecido.
Anne atendeu e, com muita calma e da forma menos pior que eu pude encontrar (se é que existia alguma forma), disse tudo o que acabara de acontecer. Fiz isso, logo em seguida, com o Nate e depois a Serena que estava ao lado de Blair, Megan e... E eu não iria ligar para mais ninguém. Eu não conseguia.
“Eu sou um idiota...” Uma voz torturante em minha cabeça insistia em repetir.
Eu não via razão naquilo, não poderia haver. Se fosse para acontecer algum acidente de carro, que fosse comigo. Eu merecia, eu merecia estar naquela sala de cirurgia sem nenhuma certeza de que sairia de lá bem, eu...
Meus olhos estavam cheios de lágrimas, os batimentos dela haviam parado pouco antes da ambulância estacionar em frente ao hospital e por quê? Não podia esperar só mais um pouco?
Aquela imagem do médico dando choques nela para tentar fazer o coração voltar a bater e nada, nada acontecia. Eu acreditei que tinha a perdido, eu acreditei que aquela briga fora nossa ultima conversa e que “Eu sinto muito” eram as últimas palavras dela que escoariam em minha mente por toda a eternidade.
E lá estava eu, sentado no canto de um sofá naquele hospital, esperando algum medico desesperadamente; necessitando de alguma noticia sobre a cirurgia; precisando que as horas passassem rápido; qualquer coisa.
- Chuck? – uma voz me desviou dos meus pensamentos.
Me voltei para trás e era N.
Esse era o estado em que eu estava, não consigo mais reconhecer nem a voz do meu melhor amigo.
Nate’s POV
- Chuck? – o chamei assim que o avistei.
Estava ofegante, havia corrido até ali o mais rápido que podia.
Mas ele não me escutou:
- Chuck? – disse novamente me aproximando.
- Nate.
E apenas trocamos olhares, não era preciso falar nada.
Me sentei no outro sofá e minha cabeça rodava. Aquilo não podia estar acontecendo, simplesmente não podia.
Aquilo era pesado demais para mim, carregar aquele segredo que me contara em Hamptons.
“Mas os médicos vão saber, eles sempre sabem.” Pensei.
Só que só eu sabia, pelo menos eu achava que era apenas eu. Talvez houvesse mais alguém.
A Sra. chegou ali sem se aguentar em pé acompanhada por Anne e elas foram, desesperadamente, questionar a recepcionista ou enfermeira, eu não pude identificar.
Mas foi quando eu estava prestes a tomar o controle da situação, porque eu sabia que não haviam mais noticias do que C havia falado pelo telefone, ele me surpreendeu.
Anne correu atrás de um médico que vinha no corredor e Chuck se levantou calmamente e foi até , eles apenas trocaram olhares e ela estava à um segundo de chorar:
- Por quê? – ela perguntou com a voz baixa e com dor em seus olhos.
- Vai ficar tudo bem.
- E se não ficar?
- Vai ficar.
- Como pode ter tanta certeza?
- Porque sempre existe uma chance, uma possibilidade... Temos que acreditar nelas.
Serena’s POV
(Paris)
Eu encarava o chão daquele quarto no Hotel Ritz, Blair havia insistido em se hospedar ali devido a toda historia envolvendo Lady Di (já que ela era uma de suas heroínas), e eu senti meu coração se quebrar lentamente.
O celular estava no viva voz e, assim que Chuck desligou, eu não movi um único musculo. Não por não querer, mas porque meu corpo estava paralisado.
Blair me olhou nos olhos e nós duas estávamos prestes a desabar, estávamos tão longe de NY e havíamos sido tão arrogantes com a .
B apenas andou com muita rapidez e em passos firmes até o cofre do nosso quarto enorme em Paris para pegar todos os nossos documentos.
- Vou ligar para o aeroporto, precisa ter algum voo para Nova York. Quer dizer, é Nova York! Precisa ter, certo?
- Acho que sim. – consegui falar enquanto ela se dirigia para a porta.
- Estou indo fechar nossa estadia no hotel.
Por isso ela era Queen B, ela sempre sabia o que fazer mesmo nos momentos em que parece ser impossível par um passo para frente.
Assenti:
- Vou arrumar as malas.
E arrumar malas significava pegar o essencial e tacar dentro da mala. Nunca vou conseguir acreditar no tanto de coisas que abandonamos em baixo da cama e dos móveis para podermos ir embora o mais rápido possível sem que a camareira descobrisse tudo o que deixamos ali e nos fizessem voltar.
B conseguiu duas passagem para um avião que sairia daqui duas horas e entrar nele seria um desafio.
Ryan's POV
(Um dia depois)
Aquilo não estava acontecendo. Eu tinha a visto ontem de manhã, nós conversamos, tomamos café e assistimos a um filme na TV. Então, apenas algumas horas mais tarde lá estava eu em um hospital esperando qualquer noticia sobre minha namorada.
Eu sei, eu me tornaria médico e como tal, deveria saber me controlar e deixar os sentimentos de lado em situações como essa. Mas como fazer isso quando se trata de alguém que você conhece? De alguém no qual você gosta?
Eu era capaz de tomar o controle em todo tipo de situação e achei que estava pronto para me tornar médico, um bom médico, mas era claro que eu não estava.
Chuck's POV
Blair e Serena haviam chegado a Manhattan e foram direto para o hospital, e Anne continuavam no mesmo lugar sentadas, Nate conversava algo com Megan, estava parado perto no bebedouro com um copo vazio em uma das mãos enquanto encarava o chão, Ryan não conseguia se sentar por dois minutos, Jenny e Dan haviam ido comprar café para todos e o Sr. tinha avisado que chegaria em algumas horas.
Todo mundo estava lá, até mesmo Lily havia ido acompanhada pela Eleanor e as duas se sentaram ali perto.
Os Humphreys voltaram com bandejas de isopor cheias de café. Dan me estendeu um copo enorme e peguei, de repente não existia nem um ressentimento entre ninguém ali.
Me levantei e andei até o corredor para ficar sozinho, mas aquilo não ia acontecer.
Parei e me virei pra Lily:
- Charles, como você está?
Ela havia mesmo feito aquela pergunta?
- "Bem" seria a ultima palavra que eu usaria... É só que eu não entendo o porquê e... E eu queria ser forte sobre isso, mas não sou.
- Você precisa ter fé.
- Não acho que depois de dezessete anos sem anos sem ao menos ir á igreja, Deus vá atender as minhas preces.
- Sempre se pode tentar... Bom, vou deixar vocês a sós. - ela falou ao ver Nate se aproximando e tomei mais um pouco de café.
- Estou indo até o restaurante daqui do hospital. Vamos comigo? – ele me convidou.
- Não.
- Chuck, você está há mais de vinte e quatro horas vivendo apenas a base de cafeína. Precisa comer alguma coisa.
- Não preciso, Nathaniel.
- Escuta, eu sei que está se sentindo mal e que isso está acabando com você. Mas não é desculpa para querer ir parar internado. Eu te conheço, você é forte, só que não tanto para aguentar tanta coisa e ficar só no café.
- Eu só estou bebendo café porque não se pode trazer álcool para o hospital.
Ele apenas ficou parado me encarando. Odiava quando Nate fazia isso para eu mudar de ideia.
- Ok. – respondi desistindo.
Pegamos o elevador até o andar onde havia um restaurante, me pareceu mais uma cantina. Só que aquilo não importava.
“Tanto faz.” Pensei.
Blair’s POV
(duas semanas depois)
Ok, eu gritei com a minha mãe por causa disso. Mas ela mereceu. Quer dizer, eu sei que já fazia duas semanas desde o acidente e uma semana que as aulas haviam voltado, só que quem ligava?
Uma das minhas melhores amigas estava na cama de um hospital, cheia de aparelhos mantendo-a viva, em coma e minha mãe me faz vir para a escola?! Entretanto não foi só a minha mãe que fez isso, a mãe da Serena e do Nate também. Só o Chuck estava no hospital e ele não saia de lá, talvez algumas vezes para tomar banho e dormir (por mais que isso tenha acontecido só na segunda semana).
Como se não fosse o bastante, eu estava na aula de educação física. A pior aula que poderia existir e se a professora achava que eu ia me levantar da arquibancada para correr embaixo daquele sol escaldante, ela estava sonhando.
Então eu estava lá, sentada na segunda fileira da arquibancada ao lado da Serena e do Nate encarando o nada e em silencio. Ninguém havia conversado muito nas ultimas duas semanas, porque não tem o que falar. Cada um de nós sabe o que o outro está sentindo e como machuca saber que a não está bem.
O médico havia dito que a cirurgia havia ido bem, entretanto eu ainda não sabia para que era essa cirurgia. Não era como se ela tivesse levado um tirou ou algo assim, mas o Dr. apenas fugiu do assunto quando o questionei. Eu sabia que tinha alguma coisa que eu ainda não sabia e que o Nate e Megan também estavam me escondendo.
“- Você não vai me contar, N?
- Não tem nada que você precise saber.
- Eu não preciso, mas quero saber.
- Blair...
- Tanto faz. Se não vai me falar, então tanto faz.”
Essa tinha sido nos últimos quatorze dias, eu não tinha forças para brigar com ninguém ou insistir em nada.
Nada mais importava e era assim como todos nós nos sentíamos, nada mais importava.
A professora havia nos deixado ali na quadra para jogarmos qualquer coisa com a bola. Sim, esse era o nível de seriedade e importância de E.F.
Revirei os olhos e talvez fosse o meu humor ou só eu que odiasse aquela aula, mas era realmente algo entediante.
- Pegue a bola! – vozes gritavam sem parar.
- Pegue a bola!
- Pegue a bola!
Então essa frase veio em nossa direção e eu queria morrer. Será que todo mundo era tão retardado para não perceber que nós três tínhamos mais com que nos preocupar do quem com uma bola?
- Pegue a bola!
“Agora foi demais.”
- PEGUE A BOLA VOCÊ, SUA FRACASSADA! – explodi.
Então eles pararam de gritar.
Serena e Nate me olharam preocupados, mas eu não me importava, eles tinham ficado quietos e poderia ter um pouco mais de paz. Eu estava ficando louca? Talvez.
Só que alguém podia me culpar? Eu tinha todas as razões do mundo para pirar.
“Upper East Siders,
Todos sabem o que aconteceu, não preciso postar isso no blog.
A escola não é mais a mesma, isso é fato. Nem e-mails com fofocas eu recebo mais.
chegou em Manhattan como quem não quer nada e conquistou os corações de todos nós. Se tornou referencia de estilo, a garota dos sonhos de todos os caras da St. Judes e o tipo de pessoa que queremos ser iguais. Claro, B e S são tudo isso, mas elas estão por aqui desde sempre.
A tem algo diferente, algo que fez com que ela se tornasse parte do grupo intacto há anos que era NJBC, algo que fez com o coração de C batesse mais forte. Sim, todas nós queríamos ter esse algo a mais, só que isso não se consegue, simplesmente já nasce com você.
Acredito que tudo vá ficar bem, porque é preciso acreditar mesmo quando parece impossível encontrar uma luz no fim do túnel.
xoxo
Gossip Girl.”
Chuk’s POV
Quase três semanas, minha olheiras haviam chegado em um estado que dava medo, meus olhos estavam fundos, meu cabelo uma bagunça, minha aparência cansada era obvia para qualquer um.
Já era quatro da tarde de sexta-feira, aquele pesadelo parecia estar disposto a nunca mais ir embora. Olhei a janela, algumas gotas d’agua escorriam pelo vidro, uma suave chuva caía lá fora.
O médico entrou na “sala” onde todos nós estávamos:
- Tenho uma boa noticia. – meu coração acelerou desesperadamente ou ver aquele enorme sorriso em seu rosto e até minha respiração não era capaz de permanecer constante.
- Ela acordou.
’s POV
Minha cabeça doía, eu não sabia onde estava ou por quanto tempo havia dormido, havia vários fios em mim, meu cabelo estava uma droga e eu estava fraca demais para me mexer.A enfermeira levou um suto quando viu que eu estava com os olhos abertos e eu não a culpo, sei que estava horrível.
Ela correu para chamar o médico que veio correndo até o quarto.
- Srta. ?
- Sou eu.
O homem que parecia ter uns quarenta anos, cabelos bem penteados, alto e bem grande abriu um sorriso para mim.
- Se lembra do porque está aqui?
- Só que eu senti algo batendo contra mim e eu... Caí no chão, na frente do Empire, o hotel do Chuck, então...
Minha cabeça começou a rodar e minha garganta ardia de tão seca.
- Não se esforce, ainda está fraca. Mas é ótimo saber que a queda não afetou sua memoria.
- Será que poderia tomar água?
- Claro. – a enfermeira atrás dele saiu para buscar um pouco para mim.
- Eu te conheço... – disse pensativa – Você é aquele médico de quando...
- De quando o Sr. Chuck se meteu em uma briga e você me ligou? Sim, sou eu. E de quando a senhorita misturou álcool e remédios? Também sou eu.
Ele começou a fazer anotações, checar alguns dos aparelhos e eu precisava perguntar algo que eu nem sabia como falar:
- Ahn...
- Pode me chamar de Rick.
- Ok... É que eu queria saber... Se – o médico parou de escrever na prancheta e me olhou.
Ele sabia do que eu estava falando, porque seus olhos ficaram tristes. Coloquei uma das mãos sobre minha barriga.
- Sinto muito.
Meu coração se partiu lentamente e em silencio eu chorei por dentro.
Por quê? Meu Deus, por quê?
Eu sei, eu tinha apenas dezessete anos e ter um filho não era algo que eu planejava ou queria no momento. Mas era o meu filho, eu estava gravida! E eu tinha sobrevivido e ele não. Por quê?
Eu não merecia estar ali. Simplesmente não merecia. A culpa fora toda minha e eu fui salva. Qual é a razão de tudo isso?
Porque eu preferia estar morta do que passar por aquela dor.
Rick se retirou e logo depois voltou com os meus pais. Minha mãe correu desesperadamente até mim e começou chorar:
- Ah meu Deus. Você acordou. – ela me abraçou e aquilo não fez a dor ir embora, mas eu me senti segura. Como mães tem esse poder?
Ok, o que o Sr. Deputado estava fazendo ali? Serio, o quê? Achei que eu tinha sido bem clara aquele dia no Per Se quando...
Ele estava chorando? Chorando de verdade? Meu pai? Eu havia dormido por quando tempo, afinal? Foram anos? Nesse meio tempo aconteceu alguma invasão alienígena ou algo do tipo? Trocaram o Sr. por um ET? Ou eu estava vivendo em um mundo paralelo ao meu em que existe um com sentimentos?
Tinha que ser qualquer coisa naquele gênero. Meu pai chorando? Alguém estava de brincadeira comigo.
- Pai? – falei e ele me abraçou – Está tudo bem?
Isso, por alguma razão (até então desconhecida), fez mais lágrimas caírem de seus olhos. Aquilo, realmente, me preocupou.
- Pai... Sério, está tudo bem?
Ele, finalmente, me soltou.
- Bem? Como pode se importar comigo?
- Porque você é o meu pai. – falei devagar achando que ele tinha pirado de vez e como se fosse a coisa mais obvia do mundo e era a coisa mais óbvia.
- Sinto muito. – o ouvi respirando fundo – E sei que tenho sido o pior pai do mundo. Também sei que eu devia ter te dito isso muito tempo atrás e talvez seja tarde demais, só que... Eu sinto muito e... Querida, você é a pessoa mais incrível que já existiu. Nós nunca passamos muito tempo juntos, mas eu nunca entendi esse seu jeito de se preocupar tanto com os outros. Qualquer um no seu lugar teria pirado, você não.
- Ainda estou brava com você e eu sei disso. Por acaso acha que é fácil não pirar? É a coisa mais difícil e eu preciso lutar contra isso todos os dias... Mas tudo bem.
Então foi a minha vez de chorar. Não queria fazer aquilo na frente dos meus pais, entretanto eu não me importava mais no que eles pensariam ou com quem estivesse ali perto. Eu só queria chorar.
Acho que é isso o que acontece quando se está no fundo do poço, quando acontece algo que faz sua vida não ter tanto sentido... Nada mais importa.
Capítulo 20 - I said I’m sorry
’s POV
Chorei. E quando digo isso significa que chorei por quase uma hora ao lado de Anne e meus pais. Mas não foi o suficiente, parecia que quanto mais eu chorava, mais eu queria chorar.
Meu coração não havia apenas se partido, ele havia sido incinerado. Eu preferia estar morta, eu preferia estar no inferno, eu... Eu preferia qualquer coisa a estar viva.
Quem se importaria se eu morresse? Claro, meus pais e Anne. Entretanto eu não tinha mais amigos, todo mundo me odiava. Então, para quê? Não fazia sentido.
Eu fui uma pessoa tão horrível para ter que passar por isso?
Tudo bem, eu nem tinha pensado como iria ser o meu futuro com um bebê e talvez ninguém vá me entender. Mas eu tinha uma criança dentro de mim, uma vida e eu era responsável por ela.
- Filha... - minha mãe não sabia o que falar.
Eles sabiam, o médico contou e meu coração disparou ao saber disso. Ele havia contado para mais alguém?
- Não. - o Dr. Rick respondeu - Não contei a ninguém, exceto seus pais. Mas tem aquela garota... Megan, eu acho. Ela não parou de me encher, ficou perguntando toda hora sobre isso.
- Quem está aí fora?
- Chuck, - meu coração se apertou ao ouvir aquele nome - Megan, Ryan e Nate, Blair, Serena, Dan e Jenny estão a caminho. Quer que chame alguém?
- Não, mãe. - respondi enquanto parava de chorar.
- Precisamos conversar. - ela disse - A sós.
Todos saíram.
A observei se sentar do meu lado naquela cama de hospital.
- O pai era o Chuck?
- Eu e o Ryan nunca...
- Você precisa falar com ele.
- Não, eu não quero.
- Você precisa.
- Não preciso. - insisti - Eu... Eu perdi. Não vai mudar nada na vida dele.
- Claro que vai.
- Não. O Chuck não se importa, nunca se importaria.
- Mas você está errada.
- Do que está falando?
- Ele veio com você na ambulância, ele que ligou para todo mundo, ele foi a pessoa que passou mais tempo nesse hospital e foi ele que se ofereceu não uma, mas várias vezes para ficar aqui para eu, seu pai ou a Anne podermos ir para casa dormir ou comer ou tomar banho. , ele se preocupou com todo mundo, menos com si próprio. Precisa conversar com ele, precisa contar o que aconteceu... Foram três semanas difíceis. Precisa conversar com todo mundo.
Suspirei:
- Não me obrigue a isso, mãe... Por favor. Eu só quero ficar sozinha.
- Amigos são importantes, filha. Não é porque você perdeu alguém que tem que castigar outras pessoas por isso... Eu sei que seu coração está doendo e que cada parte de você está desmoronando, mas um coração quebrado, assim como um corte, cicatriza... Leva tempo e nem para todo mundo esse tempo é igual, às vezes levam semanas, meses ou anos. Mas não tenha pressa e... Acredite em mim, você nunca vai conseguir se levantar sozinha, ninguém é forte o suficiente para isso. Você tem nove amigos que estão do outro lado da porta há mais de vinte dias fazendo nada, exceto se preocupando com você e sabe por quê? Porque eles só querem te ajudar e você precisa deixa-los fazer isso.
Que raiva, ela tinha razão.
- Chame o Chuck por ultimo. – foi minha única exigência.
Logo a porta se abriu e Megan e Nate entraram. As únicas pessoas que eu havia contado sobre estar grávida.
Eles não pularam de alegria, não gritaram, não comemoraram... Eles só me abraçaram.
- Sinto muito. – Megan sussurrou quase chorando.
- Vai ficar tudo bem. – N falou.
- Vai mesmo? Porque não parece.
- É claro que vai. – minha prima insistiu – Ah, estamos tão feliz por estar aqui, .
- Mais alguém sabe? – perguntei.
- Não. – responderam em coro.
E eu não conseguia ver se aquilo era algo bom ou ruim. Sim, eu não queria que mais ninguém soubesse. Mas eu teria que contar para a S e para B. e eu realmente não estava a fim de fazer isso.
- Tem muita gente ali fora. Estamos indo, não queremos te cansar.
Os dois se despediram e foi a vez de . Depois de tudo o que eu fiz, ele ainda veio.
- Oi. – disse tímido.
- Oi... Por que veio?
- Porque nós costumávamos ser amigos e espero que ainda sejamos.
- Depois de tudo?
A pergunta o fez rir:
- Sim, mesmo depois de tudo e... Tanto faz o que aconteceu. Eu não ligo.
Sorri:
- A Megan é a garota mais sortuda desse mundo... Desculpa as coisas não terem dado certo entre nós, eu realmente queria que tivessem.
- Não precisa se desculpar.
- Não?
- ... Às vezes nós passamos a vida inteira querendo algo e quando finalmente conseguimos, percebemos que... Que aquilo nunca nos pertenceu... O fato é que você e o Chuck nasceram um para o outro, mas são tão teimosos. A coisa mais triste é quando duas almas que se amam tanto não acabam juntas por ambas terem medo.
- ...
- Me escuta, por favor. É evidente que vocês têm algo que muitos passam a vida toda procurando e você está lutando contra isso. Mas confie em mim, priorizar tudo menos o coração é um erro. Nos arriscarmos por amor é o motivo de vivermos, eu me arrisquei com você e quebrei a cara, sei disso. Entretanto, foi um milhão de vezes melhor do que nunca saber como seria... A ultima coisa que quer é olhar para trás e se perguntar “como teria sido”.
- Por que está me dizendo tudo isso?
- Porque é a verdade e porque você juntou eu e a Megan, você sempre faz tudo pelos outros. Agora é a minha vez de fazer algo por você... Não sei qual é a desse Ryan e ele até parece ser uma ótima pessoa...
- E é.
- Mas não é o cara certo... Desculpa estar te falando tudo isso agora.
- Obrigada.
Sussurrei enquanto Michael entrava no quarto:
- Tchau.
- Hey!
- Oi, Mike. E eu antes que diga alguma coisa, eu vou te chamar assim não importa se não gostar.
- Pode me chamar como quiser.
Revirei os olhos:
- Se não sabe brincar, não brinca.
- O quê?
- É sua função de irmão implicar comigo.
- Desculpa, vamos começar de novo. É melhor me chamar pelo nome ou...
- Ou o quê?
- Ou nada.
Rimos.
Eu estava tentando parecer o melhor possível, não queria ninguém triste. Só que tentar agir como se estivesse tudo bem não seria tão fácil.
- Como você está?
Uma vontade de chorar veio imediatamente. Mentir em perguntas como essas não seria possível como era antes.
Lágrimas começaram a escorrer pelo meu rosto e Michael me abraçou. Todo mundo estava me abraçando e eu não ia reclamar, porque eu realmente estava gostando daquilo.
- O que foi?
Contei para ele. Quer dizer, era meu irmão, eu podia confiar.
- Vai ficar tudo bem.
Tentei me recompor antes que outra pessoa entrasse.
- Vamos conversar depois. Pode me ligar a hora que quiser, ok?
Assenti enquanto o vi sair.
- Ah, meu Deus. Nunca mais faça isso comigo, sabe o quanto me deixou preocupada? Sabe o quanto preocupou todo mundo? Você não pode simplesmente quase morrer, quer dizer, você não tem esse direito e...
- Blair? – ela parou de falar – Oi.
Serena riu e B respirou fundo.
- Ah, . – S disse me abraçando – Eu fui uma idiota. Estou tão feliz por estar bem.
Blair também me abraçou logo em seguida e, sabe... As pessoas podiam fazer isso sempre, ficar me abraçando.
- Eu também fui uma idiota.
- Não, a culpa foi toda minha.
- Não, foi nossa. – elas insistiram.
Eu contava? Não contava? Seria melhor contar... Mas eu não queria ter que falar tudo de novo, eu estava cansada. Ok, eu havia dormido por três semanas, mas eu estava cansada.
- Desculpa atrapalhar, mas a paciente precisa descansar. – o médico entrou na sala.
- Está tudo bem. – me intrometi – Preciso conversar com elas.
- Você já recebeu muita gente hoje.
- Por favor.
- Srta. ...
- Sério, por favor.
- Só mais cinco minutos e depois você pode dar um oi para os outros e só.
Concordei e Rick se retirou.
- O que está acontecendo? – B me interrogou – O que todo mundo sabe menos nós?
- Eu... Eu estava gravida e... E o acidente...
- O quê? – Serena disse estupefata.
- Ai. Meu. Deus.
- Por que não contou para nós?
- Vocês estavam do outro lado do mundo e...
Eu estava tão cansada, com sede e eu queria chorar outra vez.
- É do Chuck, não é?
- Sim.
- Precisa contar para ele. – S falou.
- Não agora.
- ? – o médico voltou – Tem mais pessoas que querem te ver.
- Pode entrar. – respondi os vendo ali atrás – Jenny!
Little J me deu um abraço acompanhado de um suspiro de alivio.
- Você nos deu um susto enorme.
- Eu sei. Desculpa. – eu e ela riu – Lonely Boy?
Outro abraço.
- Sinto muito por... Você sabe.
- Tudo bem... Ryan?
Ele correu até mim e me abraçou com aqueles braços enormes dele.
- Você me deixou tão preocupado.
- Você não foi para a sua viajem?
- Como poderia? Você é a minha namorada.
Os olhos do Chuck se abaixaram quando ele disse isso e meu coração doeu ao ver aquele olhar triste.
- Devia ter ido.
Ryan sorriu:
- Nunca faria isso, sabe disso.
Dei sorriso fraco.
- Ahn... – ouvi Serena – Acho que a e o Chuck precisam conversar. Vamos?
E ela meio que puxou o “meu namorado” para fora.
C, que estava encostado perto da porta, ficou ali parado me encarando mesmo depois que todos saíram.
- O que foi? – perguntei.
- Nada.
Sorri:
- Desculpa, sei que estou horrível.
- Não, você não está.
Ele se aproximou de mim:
- Estou sim, não precisa mentir... Seu cabelo está uma droga, Chuck.
- Eu sei. – nós rimos.
Olhei em seus olhos e mesmo não parecendo aquele Bass que eu conhecia, não liguei.
- Por que fez tudo isso? Por que ficou aqui e se preocupou?
- Te contaram.
- Sim.
- Porque eu prometi sempre cuidar de você e foi isso o que eu fiz.
- Obrigada.
- Não precisa agradecer.
- Senti sua falta.
- Não faça isso.
- O quê?
- Você já provou que não quer mais nada comigo, então... Não faça isso, não figa que sentiu minha falta.
- Mas eu senti.
Ele acariciou minha mão e suspirou:
- Eu também senti... Achei que você e o tinham voltado.
- Você não me deixou explicar aquele dia e...
- E está tudo bem. Você precisa descansar, a gente se fala depois. – C se virou para sair e antes de pisar fora do quarto se virou – Fico feliz por estar bem. Agora descanse.
Tentei falar alguma coisa, mas não consegui.
Um mês depois
Tantas coisas aconteceram ou talvez nem foram tantas coisas assim.
Me joguei na cama com fones no ouvindo escutando Pixie Lott e, encarando o teto, comecei a pensar em tudo o que mudou na minha vida desde que acordei do coma.
Uma semana depois de despertar e ficar em observação o médico me liberou para ir para casa. É claro, ir para casa seria bom, mas não ter que ir para a escola. Consegui convencer minha mãe de me deixar faltar por três semanas.
Bom, nesse tempo eu conversei muito com o Michael, a Megan, S e B; algumas poucas vezes com Nate e nenhuma com Chuck. Eu estava fugindo dele, não atendi um telefonema, não respondi uma única mensagem, nada. Nem mesmo nas vezes que ele veio em casa, eu sempre mandava Anne inventar alguma desculpa.
Além disso, eu comecei a fazer terapia com um psicólogo meio louco. Eu não via razão dele ser tão conceituado se tudo o que ele fazia era me mandar achar a solução.
Bom, meu pai está mais presente do que nunca. Todo dia ele faz questão de me ligar para perguntar como eu estou e como foi o meu dia e também está tentando vir para NY toda semana.
Algo estranho foi minha mãe arrumar um namorado. Quer dizer, ela meio que tinha um, mas eles terminaram. Não sei quando, mas terminaram. A Sra. foi bem rápida, já arranjou outro e até que eu o achei legal. Tudo bem que ele me tentou comprar com um lindo par de sapatos Vivier quando voltei do hospital.
- , o James está te esperando lá embaixo para levá-la até a consulta com o Dr. McCord. – Anne me chamou entrando no quarto.
- Estou descendo.
Peguei minha bolsa e entrei no elevador até o térreo para entrar na limo.
Eu não via muita razão em fazer terapia, mas estava sendo obrigada.
James logo estacionou, o consultório não era longe. Entrei no prédio e a recepcionista me mandou sentar e esperar que em um instante seria atendida e foi o que fiz, havia outra escolha?
Esperei uns dez minutos e a mulher me chamou:
- Srta. ? – me levantei e caminhei até a sala.
- , é bom vê-la novamente.
Sorri, porque eu não podia dizer o mesmo.
Sentei-me no sofá e fiquei encarando-o:
- Então, na ultima consulta falamos sobre sua relação com o seu pai, um pouco do Michael e, principalmente, sobre o e a Megan.
- Sim.
- Mas não conseguimos terminar esse ultimo assunto.
- Eu sei.
- Então, chegou um momento que decidiu com quem queria ficar. Mas se amava tanto o Chuck, por que escolheu o ?
- Porque o não me deixaria, o não dorme com toda mulher que passa por ele... Não tem ideia do quão difícil é amar alguém sabendo que partirá seu coração.
- Só que depois você acabou terminando com ele.
- Terminei, porque o Chuck foi a pessoa mais... Incrível comigo e... E chega um momento na vida que você olha em volta e pensa: “Por que não arriscar tudo? Por que não tentar?” Então você tenta e acaba quebrando a cara.
- Ele fez algo que te magoou? Que fez vocês terminarem?
- Sim... Quer dizer, não. Foi o que ele não fez... Ele não disse que me amava e ok, vai parecer idiotice, mas por que ficar com alguém e a cada dia se envolver mais para que a qualquer momento você se decepcione se você nunca teve certeza do que ela sentia por você? Não faz sentido.
- Ele não fazia o risco valer a pena?
Odiava quando o Sr. McCord fazia isso, jogava uma bomba em cima de mim.
- Fazia... É que é tão difícil se envolver, dá tanto medo...
- Por que medo?
- Porque eu não confio nas pessoas, eu tenho sempre a impressão de que elas vão me abandonar.
- Nem todas as pessoas são assim.
- Eu sei disso agora.
- Bem, suas aulas voltam amanhã. Melhor, você é quem volta amanhã. Como está se sentindo sobre isso?
- Pior impossível.
Eu teria que fazer tantas coisas até amanhã, quer dizer, fazer uma única coisa: terminar com o Ryan. Sabe eu devia parar de me envolver com as pessoas só para depois ter que magoá-las.
A consulta terminou e fui me encontrar com ele.
O elevador de abriu e Ry me esperava sentado no sofá.
- Oi. – ele se me viu e se levantou indo até mim.
- Oi. Tudo bem?
- Ahn... É. Ryan, precisamos conversar.
- Sobre o quê?
- Nós...
- Eu também tenho algo para te falar.
- O que é?
- Bom, eu consegui uma bolsa para estudar em Oxford, Inglaterra. Acho que te falei sobre isso. e por que você não vem comigo? É a sua chance de fazer intercambio e...
- A gente precisa terminar.
- O quê?
- A gente precisa terminar.
- Mas... Foi algo que eu disse, ? Algo que eu fiz?
- Não. Você é perfeito, eu... Eu só não posso gostar de você do mesmo jeito que você gosta de mim.
- Mas se você me der outra chance... Deixar eu fazer você me apaixonar por mim.
- Eu não posso... Sinto muito.
Ele pareceu abalado:
- Adeus.
Ryan se dirigiu para sair do apartamento o mais rápido possível e meu coração estava partido.
- Nós vamos nos encontrar de novo? – falei por impulso.
Ele se voltou para mim:
- Se eu tiver sorte.
Sorri:
- Só me prometa uma coisa, você vai encontrar alguém.
- Eu não preciso de ninguém.
- Sim, você precisa. Porque você é uma ótima pessoa, mas tem uma capacidade incrível de se esquecer disso. – o observei enquanto assentia.
- E quanto a você, me prometa que continuará sendo só você. Você é a mulher mais incrível, .
- Não está bravo?
- Nunca poderia ficar bravo com você.
- Adeus.
Eu havia me esquecido como escola conseguia ser entediante. Eu estava contando os segundos para a ultima aula acabar e, finalmente, o sinal tocou.
Peguei minha bolsa e meus cadernos, sai da sala, os coloquei no armário e fui para fora da escola procurando Chuck.
- ! Que bom que voltou.
- Oi, Nate. Sabe onde está o Chuck?
- Ali. – ele apontou para o garoto caminhando em direção contrária a Constance.
- Por que ele está a pé?
- Tem sido assim desde que voltou para a escola. Por alguma razão ele não quer mais andar de limousine.
- Vou até lá.
Corri em sua direção e eu estava usando meu novo par Vivier que ganhei do namorada da minha mãe, não estava muito fácil alcança-lo:
- Hey! Chuck?
Meu coração estava disparado, minha boca seca e fazer aquilo era tão difícil. Eu havia adiado por tanto tempo, entretanto não tinha como enrolar ainda mais. Tudo bem, eu não iria contar ali, no meio da rua, mas apenas conversar com C parecia algo tão fora do meu alcance, tão fora do que eu era forte o suficiente para aguentar.
Tudo isso porque eu havia sobrevivido. Se tivesse acontecido o contrário eu não teria que aguentar aquela dor, eu não teria que encarar o homem que eu amava, eu não teria que terminar com o garoto perfeito, eu não teria que fazer terapia... Eu não teria que fazer tanto coisa.
Ele parou, mas não se virou para mim, respirei fundo e fiquei em sua frente:
- Oi. – falei um pouco ofegante.
- Oi.
- Tudo bem?
- Eu tenho que ir.
C passou por mim e continuou andando:
- O quê? – comecei a segui-lo – Você pode esperar?
Isso o fez parar e se voltou para mim:
- Esperar?
- Sim.
Chuck deu sorriso irônico e ficou sério:
- , eu esperei. Esperei por um mês. Você nunca retornou uma ligação.
- Sei que está com raiva...
- Pode ter certeza que estou. Eu vi você caída naquela calçada com a cabeça sangrando, eu vi você quase morrer naquela ambulância. Sabia disso? Por acaso você sabe como é? Ver a vida de alguém... De alguém no qual você se importa ir embora?
- Por favor... – ele me ignorou e continuou seu caminho – Por favor, não me deixe falando sozinha.
Nada do que eu dissesse o faria parar e aquilo fez meu coração se quebrar ainda mais, então explodi. Explodi porque era insuportável a sensação que havia dentro mim e eu precisava fazer algo antes que fosse tarde demais outra vez.
- Eu sinto muito! – gritei correndo em sua direção – Eu realmente sinto muito, ok? – segurei seu pulso – Mas você acha que é fácil? Eu quase morri e sei que foi difícil para todo mundo... Só que será que você não vê que eu precisei reunir cada grama de coragem para vir até aqui hoje? Que eu estou fazendo terapia? Que passo cada segundo do meu dia querendo estar morta? Então você pode parar de ser tão frio comigo e me dar um desconto? Eu disse sinto muito.
O vi morder o lábio inferior e eu soube que ele iria embora não importasse o que eu fizesse, porque Chuck se recusou a olhar em meus olhos e toda a situação acabou comigo.
O soltei, não havia mais a ser feito ou a ser dito.
- Srta. , precisamos ir. – ouvi James dizer de dentro do carro enquanto acabava de estacionar.
“Hey, Upper East Siders
Como é triste quando as férias acabam e com ela lá se vai o verão. Algo que dizem é que quando o tempo aquece, fica fácil esquecer os problemas. Mas é tudo mentira, assim como contos de fadas.
Problemas continuam sendo problemas esteja frio ou calor, nevando ou um sol escaldante, Manhattan ou Hamptons, Upper East Side ou Paris.
De todo modo, percebemos nas ultimas semanas que os laços que realmente nos une são aqueles que escolhemos. É sempre bom ter amigos, eles são os que fazem a diferença, o que fazem sentido em sei ao desastre.
Mas falando sobre namoros, por que certas pessoas fazem questão de tornar tudo mais complicado do que realmente precisa ser? A vida não espera por ninguém, meu amores, e isso é tudo o que precisam saber. Corram atrás, se arrisquem, se divirtam, partam seus corações, ria, chore... Faça de tudo, a ultima coisa que quer é se arrepender de não ter feito. Acredite, é melhor se arrepender por ter corrido o risco.
Ok, talvez relacionamentos em NY não deem muito certo, mas podemos ser a exceção. Pelo menos, temos que confiar nisso.
And who am I? That’s one secret I’ll never tell.
You kow you love me.
Xoxo Gossip Girl.”
Novamente a escola foi uma tortura. Como um simples prédio podia fazer alguém se sentir tão mal? Eu realmente achava isso incrível.
Todo o resto da semana fora uma tortura. Eu não sobreviveria.
Cheguei em casa de um dia cansativo e, para minha surpresa, lá estava meu pai esperando por mim.
Minha mãe fez questão de que todos jantassem juntos, mas me recusei a ter que me arrumar para sair de casa. Então ela pediu pizza no Ter Giovani, nós éramos ricos, mas pizza era uma das melhores coisas do mundo.
Uma hora depois a pizza chegou e nos sentamos à mesa para comermos como se fossemos uma família normal, ao menos na cabeça da Sra. nós éramos. Eu (a louca que faz terapia), minha mãe, o namorado dela que sempre me dava presentes caros, meu meio irmão, Anne e meu pai, o futuro senador.
Sim, éramos mesmo uma família muito normal. Tanto eu estou apaixonada por um Bass.
Capítulo 21 - Stupid rules
A vida é cruel e eu já tinha percebido isso aos dez anos, quando eu me toquei de que nunca teria meus pais presentes como qualquer criança tem. Fui lembrada anos depois naquele maldito acidente no iate. Aos dezesseis anos eu descobri que o meu namorado de longa data me traía e então, eu realmente achei que poderia recomeçar do zero, que poderia ter uma nova vida em Nova York, fazer tudo certo daquela vez e talvez eu conseguisse ser feliz. Não, eu não fiz nada certo. Eu me envolvi com pessoas maravilhosas que queriam ser meus amigos e decepcionei todos eles, parti o coração de dois homens incríveis, me envolvi com alguém que eu não podia e quebrei a cara, não uma, mas várias vezes.
Ali, trancada em meu banheiro, sentada no chão, chorando em silencio, revisei toda a minha vida. O que me levou ser quem eu me tornara? Por que fiz tantas coisas que iam contra meus princípios? Eu não tinha mais nenhum principio, parecia que eu estava fora do alcance de poder julgar o que era certo ou errado e quando tudo isso começou? Eu não era assim, eu não era mais a que eu conhecia.
E lá estava eu, um pouco mais de um mês após acordar de um coma, com o coração partido por ter perdido alguém que eu nem conhecia, fazendo terapia e me fechando do mundo. Todos os dias eram iguais: escola, casa, me trancar em qualquer lugar para chorar, dormir e tudo de novo.
Aquilo precisava parar, mas como? Eu não sabia e nem queria saber. Tudo me deixava tão cansada e procurar a solução parecia estar tão longe e precisar de tanto esforço, eu não queria me esforçar e só a ideia de ter que fazer alguma coisa que estivesse fora da minha rotina me deixava exausta.
Claro, tudo aquilo, todos aqueles sentimentos, pensamentos... Eu guardava para mim, porque esse sempre fora o meu jeito e essa era uma parte de mim que não mudara com o tempo. Minha mãe não sabia de nada disso e nem meu terapeuta, a Megan, a Anne e nenhum dos meus amigos. Ninguém.
Entretanto, eu finalmente havia tomado uma decisão, uma grande decisão. Não foi do dia para a noite, eu estava considerando aquilo desde que voltei para casa e também não contei para ninguém. Quer dizer, para que contar se ainda não havia chegado a um veredicto? De todo modo ainda esperaria o momento certo para conversar com os meus pais.
Mais um semana. Os dias só passavam por mim e eu nem os via, não fazia nada de útil ou diferente. Sempre adiava tudo. Eu precisava ter aquela conversa logo.
Cheguei em casa, subi para o meu quarto e Megan me esperava. Ela parecia preocupada:
- Oi. – falei colocando minha bolsa em cima na poltrona e me sentando na cama ao seu lado – Aconteceu alguma coisa?
- Na verdade, eu quero falar sobre o que não está acontecendo.
- Do que você está falando? – perguntei confusa.
- , não dá mais para continuar assim. Você nunca sai de casa, mal conversa com os outros.
- Não é verdade. – protestei.
- Você sabe que é.
Suspirei:
- E você queria o quê? Não é fácil para mim...
- Eu sei que não é, e todo mundo está tentando te ajudar.
- Também sei disso.
- Mas não estamos conseguindo, não é?
- Estão... É só que...
- O quê?
- Não é nada... – mas Megan continuou esperando uma resposta sincera – Eu não consigo, é só isso. Eu não consigo continuar vendo o Chuck todos os dias, não consigo contar para ele o que aconteceu, não consigo vê-lo me ignorando a cada segundo... Eu não consigo.
- Já tentou conversar com ele?
- Sim... E foi horrível.
- Mas e se a Serena e a Blair se afastassem dele...
- Não. Eu nunca pediria para ninguém se afastar do Chuck, não é justo. Eu sou a intrusa, eu cheguei depois. Eles se conhecem desde que nasceram praticamente.
- Se você quiser mudar de escola é só falar com a sua mãe.
- Não. Mudar de escola não vai mudar muita coisa.
- Por que não?
- Porque a Blair, a Serena e o Nate continuam amigos dele, nós frequentamos os mesmos lugares, o Empire não fica tão longe daqui... Nós sempre vamos nos encontrar.
- Você poderia... – ela pareceu não querer dizer aquilo – Ir morar com o seu pai.
- Era sobre isso que eu queria conversar com você, mas eu estava pensando um pouco mais longe do que Washington.
- Voltar para Los Angeles? Pensei que odiasse aquele lugar...
- Não, Megan. Mais longe.
- Você não está dizendo ir para... – ela balançou a cabeça em sinal negativo – Por favor, diz que não.
- Sinto muito.
- ...
- Sabe, quando somos criança, nos dizem que ser “adulto” é ter um emprego, casar, ter uma casa, filhos e só. Mas não é assim... Eu sei, eu tenho só dezessete anos, só que a verdade é que o mundo é tão mais estranho do que isso que nos contam, tão mais sombrio, tão mais cruel e insano, Megan... Mesmo assim, precisamos acreditar que é muito melhor do que poderíamos imaginar. Eu quero acreditar, mas não dá se continuar desse jeito.
Nate’s POV
“Tudo bem, respira... Você consegue, é fácil... Respira.... Respira a não ser que queria desmaiar.”
Eu estava nervoso. Quer dizer, eu e a Blair havíamos voltado a conversar, mas e se ela ainda me odiar tanto que se eu pedir para nós voltarmos ela nunca mais olhar na minha cara?
Fechei os olhos por alguns segundos tentando não pensar em coisas como aquelas.
Ela estava sentada nas escadas da escola sozinha, seria aquele momento ou nunca mais.
Caminhei em sua direção e me sentei ao seu lado o que a fez desviar os olhos do livro que estava lendo e me encarar:
- Oi. – a ouvi dizer.
- Oi. Tudo bem?
- Tudo e você?
- É... Blair, será que nós podíamos conversar?
- Não é isso o que estamos fazendo agora?
Sorri:
- Ok... Não fale nada, só me escute. Eu sinto muito.
- Pelo o quê? Ah, desculpa... Era para eu ficar quieta.
- Eu sinto muito pelo... Pelo o que aconteceu com a Serena, sinto muito por ter demorado tanto para vir aqui falar com você e sinto muito não ter te contado sobre a ... Eu não podia. – ela assentiu e eu respirei fundo – Sinto sua falta... Sinto falto de você ao meu lado, de você rindo e me chamando de idiota a cada brincadeira que eu fazia, dos seus ataques de fúria... Sinto do seu perfume, da sua cabeça do meu peito toda quinta à noite quando você ia em casa para assistirmos algum filme... E eu vou entender se disse não, mas você quer voltar comigo?
Blair praticamente pulou em cima de mim para me beijar e quando nos separamos a ouvi sussurrar:
- Você é um idiota, sabia disso? Mas é o idiota que eu amo.
Fomos para minha casa e, finalmente, os filmes nas quintas estavam de volta e as brigas, os gritos e os ataques também, só que eu não me importava. Era tão insignificante perto do que eu sentia quando estava ao seu lado.
No dia seguinte passei no Empire antes de pegar a Blair para sairmos. Era sexta à noite e ele estava em seu quarto no hotel jogando vídeo game de pijama e bebendo, mas eu percebi as quatro tigelas com resto de cereal e as embalagens de fastfood e comida chinesa espalhadas pela cozinha.
- Você? Video game? – foi a única coisa que consegui falar quando entrei.
- Algum problema?
- Sim. Você não joga essas coisas, você é Chuck Bass.
- E?
- Você está muito mal.
- Estou ótimo.
- É sexta à noite, por que não está em alguma festa ou com alguma garota aqui?
- Sexta, sábado, domingo, segunda... Tanto faz. Se eu quiser pegar alguma garota eu faço qualquer dia a qualquer hora. – ele disse em um tom obvio.
- Mesmo assim, isso não explica o vídeo game.
C revirou os olhos:
- Escuta, você vai vir aqui e jogar ou vai ficar reclamando? Porque se for para ficar reclamando...
- Eu não posso ficar muito, vou sair com a Blair.
- Então vocês voltaram?
- Se fosse para a escola ou se me atendesse saberia.
- É que eu não sei onde está o meu celular.
- Precisamos conversar.
- Não, eu sei sobre o que você quer falar e eu realmente não estou a fim de ouvir nada sobre isso.
- Não me importo se quer ouvir ou não. – ele largou o controle e encheu o copo de vodka – A é a garota perfeita e você está estragando tudo.
- O quê? Eu? Você não tem o direito de se intrometer na minha vida e ainda dizer que eu sou o culpado.
- E você está errado, eu tenho sim o direito. Porque eu sou o seu melhor amigo e me importo com você. Agora vai ter que me escutar, lembra quando disse que tudo entre vocês dois era tão urgente e nada podia esperar? É porque tem que ser assim, as coisas não acontecem se você não fizer acontecer, nada vem de graça. Tudo bem que muitas coisas foram por impulso, mas compare com o resta da sua vida e com todas as outras garotas que você ficou... Nesse exato momento a garota perfeita está à apenas algumas quadras daqui enquanto você está sentado no seu sofá como se não se importasse e aqui está o problema... Você é cheio de regras idiotas como não transar com uma garota mais de uma vez, nunca dizer as três palavras sob nenhuma circunstância, jamais estar em um relacionamento, se não conseguir levá-la pra cama em vinte minutos depois que a conversa começar já não vale mais a pena... A te fez quebrar cada uma. Passou da hora de perceber que a pessoa perfeita pra você não é alguém que goste dos seus jogos, que tenhas as suas mesmas regras, que não queira algo sério... A pessoa perfeita joga seus jogos só por gostar de você, quer estar em um relacionamento e quer se sentir segura. Então para de ser tão tapado, deixe essas regras de lado e vá atrás dela... E não vão ser vinte minutos ou quem disser alguma coisa primeiro que vai definir o destino.
- Eu não segui as regras, por isso chegamos onde estamos.
- Chuck, estou cansado dessas regras! Existem muitas! Se todos seguissem essas regras idiotas, a raça humana deixaria de existir. Sim, existem chances de você e a não viverem felizes para sempre. Tem inúmeras chances de tudo acabar mal. E quando acontecer será por uma de um milhão de razões possíveis. Mas não é isso que vai te impedir de tentar. E quando falhar, Deus ajude para não ser por causa de uma dessas regras... Ela não é qualquer uma, precisa dar tudo o que tem e fazer direito.
’s POV
- Oi, mãe. – falei assim que ela saiu do elevador.
- Oi, filha.
A observei tirar seu sobretudo preto e colocá-lo em cima da poltrona junto a sua bolsa e se sentar no sofá ao meu lado.
- Tudo bem? – perguntei.
- Sim, só estou cansada. A temporada de moda está chegando e hoje teve a prova de roupas e os ajustes, escolher os acessórios e essas coisas. – ela suspirou – Vai ao desfile, certo?
- Você sabe que eu não perderia por nada... Mãe, eu preciso falar sobre algo sério com você e...
- ? – meu pai disse voltando da cozinha com duas taças de vinho.
- , o que faz aqui? – eles se abraçaram e minha mãe pegou uma das taças.
- A disse que tinha algo importante para dizer. – os dois me encararam.
- Antes eu quero que vocês saibam que eu não tomei essa decisão do dia para a noite e que se não fosse realmente sério eu não estaria aqui conversando sobre isso. Então não é só uma ideia, eu já me decidi... Mãe, a vovó sempre liga e me convida para passar uma temporada com ela, não é?
- Sim, desde que se mudou para lá quando você tinha sete anos.
- E agora eu tenho dezessete, já faz dez anos que nós só conversamos por telefone... Eu quero ir morar com ela. – minha mãe bebeu todo o vinho de uma vez – Mas não estou dizendo para sempre, é só por alguns meses... Olha, eu sei que pode parecer loucura, eu sei que vocês estão se esforçando muito nas ultimas semanas por mim....
- Por quê? – ela perguntou enquanto se levantava para ir até o pequeno balcão da sala onde havia alguns copos e whisky em uma bandeja .
- Você sabe o porquê.
- Todos os seus amigos estão aqui, eu e a Anne estamos aqui, seu pai pode sempre te visitar aqui...
- Mas o Chuck está aqui.
- Se quer mudar de escola, é só pedir. Não precisa fugir para outro continente.
- Trocar de escola não vai mudar muita coisa.
- , será que é pedir demais para você falar alguma coisa sobre isso?
- Eu não quero que você vá.
- Obrigada por concordar comigo uma vez na vida. – ela bebeu o segundo copo.
- Mas – meu pai continuou o que a fez fuzilá-lo com olhos como se isso pudesse matá-lo – você não toma decisões grandes como essa por impulso e... Se for o que você quer fazer, o que você acha melhor... Tudo bem, eu acho que dar um tempo pode ser bom.
Sorri para ele.
- O quê? – ela começou a gritar - Todo mundo perdeu o juízo? A sua mãe mora na Austrália, ! Na Austrália! Só eu vejo que isso é loucura?
- Não é loucura. – protestei – E daí que é a Austrália?
- É do outro lado do mundo.
- Mas meus avós estão lá, meus tios e primos. Não vejo porque não.
- Minha mãe vai adorar tê-la em casa, .
- Eu sei, mas e a sua terapia?
- Eu não preciso de terapia.
- ... Fugir não é a solução.
- Por favor, eu não vou até o dia do desfile.
- Querida, eu não tenho tempo agora para cuidar de transferência de escola, visto...
- O papai pode cuidar, não pode?
- Claro que posso.
- Tem certeza de que quer mesmo fazer isso? – ela insistiu.
- Tenho.
- Vai abrir mão de toda a vida que você construiu aqui em NY?
- Você sabe a minha resposta.
“A vida é cheia de surpresas, nunca sabemos qual momento vai inspirar o próximo capitulo de nossas histórias, mas será para deixar o passado para trás e estar pronto para novos começos. E é incrível como um único momento pode mudar tanto a sua vida.
Começar de novo pode ser difícil, se dar uma nova chance pode inspirar coisas novas principalmente se estamos tentando seguir em frente. Mas acredito que tudo acontece por uma razão, seja bom ou mal.
A verdade é que todos temos momentos de desespero, mas é a forma como os enfrentamos que fazem de nós quem somos. Às vezes fugimos, nos trancamos em casa ou apenas ignoramos. Entretanto o que as pessoas parecem ignorar é que uma hora ou outra é preciso enfrentar o problema, pode não ser hoje e nem amanhã, só que quanto mais tempo você levar, pior a situação fica.
Agora eu só tenho a dizer que quase sempre fazer o que é certo é a opção mais difícil, ainda assim é o que deve ser feito.
E apenas se lembre: não importa o quão ruim pareça estar o mundo a sua volta ou o quanto você se sinta sozinho, porque depois de tudo sempre haverá Manhattan e ela estará te esperando.
And who am I? That’s one secret I’ll never tell.
You know you love me.
Xoxo Gossip Girl”
Capítulo 22 - Love's a game of easy come and easy go
Serena’s POV
- Oi. – Dan disse se aproximando de mim.
- Eu não quero falar com você.
- Tudo bem.
O encarei formando um linha com os olhos.
- Vou encontrar a e a B.
- Ok.
- Pode me dar licença?
- Claro. – ele respondeu saindo do meio da calçada.
Continuei andando, mas não sozinha. Mesmo assim continuei meu caminho por mais alguns minutos, até que aquilo começou a se tornar ridículo:
- Você está me seguindo? – perguntei enquanto continuava a caminhar.
- Estou.
- Será que dá para parar?
- Não.
- Então vai ficar me perseguindo para sempre?
- Só até você perceber que estou arrependido e que ainda te amo.
’s POV
Eu iria para Austrália, não que minha mãe estivesse feliz com isso, mas eu iria do mesmo jeito.
- , você não pode ir. – Serena e Blair falavam enquanto eu pegava punhados e punhados de roupas e tacava no chão para ver o que levava.
- Vocês sabem que eu não vou mudar de ideia.
- Lá tem cangurus! Você vai mesmo trocar Nova York por cangurus?
- Blair, eu vou para Sydney. Lá é até um pouco parecido com Manhattan se você considerar que quase todo mundo é de outro lugar, é uma das cidades mais caras do mundo e, acredite, não tem cangurus no meio da rua.
- Tanto faz. Você ainda não pode ir. – B continuou.
- Está fazendo tudo isso por causa do Chuck?
- Estou fazendo tudo isso por mim, Serena. Se continuar aqui eu vou enlouquecer.
- Porque você ainda o ama.
Desviei os olhos dela suspirando:
- Ele é tudo... – uma lágrima escorreu – Ele é tudo para mim e, apesar dele nem me olhar mais nos olhos, eu não me importo. Nada o que ele faça consegue mudar isso... Eu o amo mais do que eu aguento e queira Deus que ele nunca saiba disso.
- Ainda assim... Você não pode ir.
- Eu preciso... Só me prometam que não vão me deixar sozinha. Quer dizer, seremos iguais a todo o mundo? Primeiro nos falaremos algumas vezes por semana, depois algumas vezes no mês e, então, serão apenas os feriados?
- ... – B se sentou ao meu lado no chão do closet – Você é uma vadia, é confusa, curiosamente pequena para o tanto que você come...
- Teimosa e convencida. – S completou e eu estava boquiaberta.
- Sim, teimosa e convencida também... Mas se tem uma coisa que você nunca vai ser é sozinha.
As duas me abraçaram.
-x-
Havia passado semanas e tudo estava certo para eu poder me mudar ou quase tudo. Aquela noite seria a estreia a nova coleção da Designers e no dia seguinte eu pegaria o voo.
Claro, minha casa estava uma loucura há dias, não conseguia nem imaginar como deveria estar o ateliê da minha mãe. Eu precisava respirar um pouco, ficar longe daquele amontoado de pessoas e gritos histéricos da Sra. .
Peguei minha bolsa, desci e pedi para o porteiro ligar para um taxi para mim, não havia nenhum passando ali na frente e depois da ultima vez eu não me atrevia a ficar perto demais de ruas movimentadas. E o James, nosso motorista, estava ocupado demais indo de um lado para o outro buscando encomendas de ultima hora que minha mãe havia feito para a festa que haveria depois do desfile.
Sim, haveria uma festa e eu não estava muito animada com isso. Porque todas as festas e, talvez nem precisasse ser realmente uma festa, só o fato de eu estar em um lugar com várias pessoas, parecia fazer algo ruim acontecer.
O taxi logo chegou:
- Para onde?
- Four Seasons. – respondi fechando a porta.
Era quase hora do almoço e com alguma sorte o bar do hotel não estaria tão e cheio e eu poderia comer e beber alguma coisa.
Sem duvidas aquele era o lugar que eu mais gostava em toda Nova York, não apenas por ser o hotel mais lindo de Manhattan, mas também por algumas lembranças que eu tinha dali.
O motorista estacionou, o paguei e desci do carro. Entrei e estava cheio, mas não ao ponto de não ter um lugar para sentar. Olhei em volta e decidi me sentar em um dos bancos da bancada.
- Vai querer beber algo?
- Um cosmopolitan.
Olhei pela janela dali e vi vários prédios enormes, todas aquelas pessoas passando que eram tão iguais e diferentes de mim e senti saudades mesmo ainda não tendo ido embora. Aquele lugar que me fez viver tantas coisas, conhecer e reencontras tanta gente, me fez ficar maravilhada com cada paisagem... Nenhuma outra parte do mundo se compararia.
No sexto drink eu já não estava cem por cento bem, comecei a encarar a bebida e a pensar em...
- ?
Eu não tinha bebido tanto para começar a delirar daquele jeito.
Me virei:
- Chuck? O que está fazendo aqui?
- Queria conversar com você e a Anne disse que você tinha vindo aqui.
Não respondi, me voltei para minha bebida, mas ele insistiu em sentar ao meu lado.
- O que você quer? – perguntei sem olhá-lo.
- Vai me tratar com tanta frieza?
- Talvez você mereça que eu te trate assim.
- Eu estou aqui, um hotel concorrente do Empire, tem que significar alguma coisa para você. – fiquei quieta – Não sei o que há de tão especial aqui para você sair da sua casa só para tomar alguns cosmopolitans.
Ele respirou fundo:
- Sinto muito por ter agido daquele jeito, mas você também me ignorou por muito tempo
.
Não era para ele estar ali e a cada palavra que eu ouvia me fazia meu coração se quebrar um pouco mais. Eu estava a um passo de explodir, de colocar tudo para fora e começar a chorar.
Como alguém conseguia fazer isso comigo? Eu o amava, mas não queria mais amar e vê-lo não ajudava em nada.
Meu coração dava batidas cada vez mais fortes, parecia o relógio de uma bomba e a qualquer momento explodiria.
- Olha... Se nós esquecermos tudo o que aconteceu... – eu via o quanto estava sendo difícil para C falar tudo aquilo, mas eu havia chegado ao meu limite.
- Aí está o problema. – disse por impulso.
- O quê?
- Esse é o problema, eu não posso esquecer.
Abri minha bolsa, tirei uma nota de cinquenta, deixei no balcão para pagar e sai dali.
Eu estava começando a chorar, corri para o elevador até o térreo e comecei a andar pela calçada o mais rápido possível. Só que alguns metros depois alguém me segurou pelo pulso:
- Eu deixei você ir embora aquele dia, mas não hoje. – o ouvi falar ofegante.
- Por favor, vai embora.
- Não.
- Chuck...
- O que está acontecendo? É verdade o que estão falando? Por que tem que ir para o outro lado do mundo? Por que sempre foge de mim?
- Quer mesmo saber? – ele assentiu e meus olhos estavam cheios de lágrimas, só que eu não ia chorar – Porque... Porque eu perdi alguém e eu não consigo continuar aqui olhando para você.
- Do que está falando?
Não havia mais nada a perder:
- Eu estava grávida. – explodi – Por isso fui te procurar aquele dia, por isso eu te ignorei por tanto tempo, por isso comecei a fazer terapia, por isso eu queria ter morrido a ter que passar por tudo isso e é a razão de eu estar indo embora. – parei e respirei fundo para recuperar o folego – Então desculpa ter demorado tanto para te contar e... – olhei a pulseira que ele havia me dado no dia do baile em meu pulso que ele segurava, eu queria tirá-la, mas um fecho com parafuso não é tão simples assim de abrir – Olha... Vamos seguir em frente, ok? Todos os presentes que você me deu eu vou mandar entregar no Empire... E o Four Seasons... É por causa de um filme que eu sempre assistia quando criança.
Puxei minha mão para poder ir embora, mas ele não deixou.
- Todo mundo sabia, não é? Por isso estavam agindo estranho... Se você tivesse me contado passaríamos por isso juntos, . – ele parecia indignado.
- Até parece que você iria querer uma criança atrapalhando a sua vida ou iria querer me aguentar chorando depois que eu voltei para casa...
- É incrível como você não me conhece... É claro que ser pai não é o que ninguém que tenha dezessete anos queira, mas eu nunca te deixaria sozinha em uma situação dessas e... Antes de tudo, nós éramos amigos e era para eu estar com você nesses momentos. Não acredito que pensou que seria de outro jeito.
Abaixei meu olhar:
- Agora não importa mais.
- É claro que ainda importa.
- Não... Eu estou indo embora amanhã e agora já é tarde demais.
- Você não tem que ir.
- E por que eu não iria? Chuck, todas as vezes que você me quis foi quando você não podia me ter, como agora que você sabe que estou indo embora... E aqui está o maior problema de todos: você não gosta de mim, você gosta da conquista.
- Não é verdade.
Seus dedos percorreram meus cabelos e com o outro braço ele envolveu minha cintura me puxando para mais perto, meu coração começou a bater cada segundo mais forte e ao olhar aqueles olhos uma lágrima escapou e logo Chuck a enxugou.
Minha respiração começou a mudar de ritmo enquanto seu rosto, aos poucos, se aproximava do meu, até que nossos lábios finalmente se selaram. Um beijo que eu não sentia há muito tempo, um sentimento que não me invadia há meses e um cheiro de um perfume inesquecível.
Eu o queria, mas ele era Chuck Bass. Aquilo daria certo de alguma forma? Seriamos capaz de fazer funcionar?
Não importava. Naquele momento, naquele local no meio de uma calçada movimentada em Manhattan... Não importava mais nada. Porque enquanto eu estava envolvida naquele beijo, era como se tudo estivesse bem.
Nossos corpos se separaram e, de repente, eu queria ficar ali para sempre.
- Sinto muito... Se você não me contou antes, foi porque eu não te dei razões para confiar em mim e... – então o beijei sem deixá-lo acabar a frase – Precisamos conversar, .
-x-
Ainda faltava algum tempo para o grande desfile, mas lá estava eu: pronta, sentada no sofá fazendo nada, exceto por encarar o teto. E, pela primeira vez, eu reparei que o teto era branco e não em um tom pastel como as paredes da sala de estar. Aquele era meu nível de tédio: reparar na cor do teto.
Era quase inacreditável o quanto minha mãe e a Megan conseguiam demorar para se arrumar. Às vezes eu parecia até o homem daquela casa, já que era sempre a ultima a começar a se arrumar e a primeira a ficar pronta.
Claro, a Sra. perdeu a cabeça quando cheguei em casa uma hora mais tarde do que eu havia prometido que chegaria. Mas ali estava ela ainda começando a fazer a maquiagem e eu entediada esperando as duas.
Quando ela me perguntou o que eu estava fazendo para me atrasar um hora inteira (já que isso, para minha mãe, era muito tempo) eu a ignorei e corri para tomar banho, não podia dizer que fiquei a tarde inteira conversando com o Chuck. Nem eu queria acreditar naquilo.
Foi bom conversar e tirar um peso enorme das costas, ainda assim havia muitos assuntos pendentes e eu não queria pensar sobre esses “assuntos”, por isso estava fazendo coisas inúteis como reparar na cor do teto da sala.
Peguei meu celular pela quinquagésima oitava vez para ver se tinha algo novo e havia um post:
“Hey, Upper East Siders
Erros. Todos nós os cometemos.
Eles geralmente começam com a melhor das intenções como ajudar duas almas gêmeas a ficarem juntas, se distanciar da pessoa de quem você se tornou. Às vezes, nem sabemos que erro cometemos para chegar onde se está ou descobrimos bem a tempo para acertar novamente.
Mas cada erro acontece por uma razão, para te ensinar uma lição que nunca teria aprendido. E, felizmente, nunca mais cometer esse erro... Só que por algum motivo (talvez pela minha sorte) isso não acontece e é claro que no fim eu vou descobrir para contar para vocês.
Bom, vocês sabem o que dizem: “É preciso enxergar quando já se teve o suficiente.” E você, ... Já teve o suficiente ou precisa de um pouco mais? É melhor ser sincera consigo mesma, para não arriscar tudo por nada.
And who am I? That’s one secret I’ll never tell.
You know you love me.
xoxo Gossip Girl”
Respirei fundo e eu precisava comer algo doce que tivesse muitas calorias. Mas como nada na vida é fácil, antes que pudesse ir até a cozinha minha mãe e Megan desceram as escadas. Claro, todas nós estávamos usando Designers, o meu era um conjunto de short com cintura alta e um top de estampas florais em tons sóbrios, um blazer branco e saltos nudes.
Descemos para pegar a limo e ir até o lugar onde o desfile e a festa seriam realizados. Assim que entramos no carro, peguei a garrafa de frisante que havia ali e enchi uma taça para beber. Até que era gostoso, era basicamente um vinho branco com gás.
James estacionou, o que me desapontou um pouco, já que eu queria beber mais.
O lugar estava realmente incrível, com muita luz e uma decoração em cores bem claras, estava quase tudo pronto, as modelos já estavam ali e todos os ajudantes da marca. No outro salão seria a festa e eu corri para lá para ver se o bar já estava funcionando e, para minha tristeza, ainda não estava.
Então, apenas me sentei na beira da passarela entediada com fones ouvindo várias bandas como The Script, Parachute e Poison.
Uma hora depois ou mais de música estrondando os meus ouvidos, de impaciência comigo andando de um lado para o outro, descalça e de ficar ajudando com ajustes e com a organização, o evento estava prestes a começar e eu fui correndo colocar novamente meus sapatos.
Montar um desfile não é fácil. Na verdade, não é nenhum pouco fácil. São meses criando modelos e mais modelos, tirá-los do papel e fazê-los reais, escolher quem irá vesti-los, fazer mais e mais ajustes, achar o lugar perfeito, cuidar da decoração, entre outras coisas. Mas no fim vale a pena cada minuto de ataques de loucura, todos os gritos e momentos de desespero. Porque quando vemos tudo aquilo criar vida, os aplausos, os flashes de câmeras... É mais que recompensador e eu sempre entendi o porquê passar por tanto sufoco para ter uma marca de roupas ao contrário de muita gente.
Quando tudo acabou e as luzes se acenderam, fui parabenizar minha mãe. Daquela vez ela havia se superado.
Todos se dirigiram até onde seria a festa pós lançamento da nova coleção e então consegui encontrar Blair e Nate, Serena e Dan. E aquilo, por mais que fosse egoísta da minha parte, me deixou triste por eu e o C sermos os únicos que não conseguiam se acertar.
Chuck’s POV
Me sentei em uma das mesas com copo de vodka e uma modelo veio falar comigo:
- Oi.
- Oi. – respondi seco.
- Posso me sentar.
- Pode.
- Então, está sozinho hoje?
- Na verdade... – eu tinha que escapar daquela situação – Eu tenho namorada.
E aquilo não era exatamente uma verdade, mas era quase verdade.
Ela riu:
- O quê?
- É exatamente o que você ouviu.
- Desculpa, mas você é Chuck Bass, certo? – assenti – E qualquer um sabe que você não é do tipo que namora e mesmo assim, quem é a pobre garota?
- Eu tenho que ir.
Me levantei e fui procurar N, B, S ou qualquer pessoa.
’s POV
Até que o evento estava passado rápido.
Resolvi pegar mais alguma coisa para beber:
- Vou até o bar. – falei – Querem alguma coisa?
- Não. – todos responderam.
- Eu vou com você. – Chuck disse surgindo do nada.
- Achei que não viria.
- Por que não? Nos divertimos hoje, não foi?
- Sim. – sorri – Quer dançar?
- Claro. – o puxei para a pista.
- Lembra a primeira vez que dançamos?
- Claro, eu levei um soco. Como poderia esquecer. – ri.
- Não tinha que ter feito aquilo para me defender.
- Claro que tinha.
- Nós nem nos conhecíamos tão bem.
- Não fazia diferença... Quer ir até a cobertura daqui?
- Quero.
Subimos as escadas onde deu em uma porta para o telhado. Manhattan era mais linda ainda dali.
- Por que não? – retomei o assunto – Por que não fazia diferença?
- Porque eu sempre... Gostei de você.
- Eu... Eu também sempre gostei de você.
- Mas isso não te impediu de namorar dois caras.
- Do mesmo jeito que isso não te impediu de pegar várias garotas.
Ele suspirou:
- Não quero brigar... E também não quero que você vá embora. – olhei em seus olhos.
- Também não quero ir, mas talvez eu precise.
- Não precisa.
Meus olhos estavam cheios de água e eu sorri:
- Eu te amo... Mas você é Chuck Bass. Entende o quanto isso é complicado? – uma lagrima escorreu pelo meu rosto – Eu quero ficar, eu realmente quero. Mas talvez eu precise dar um tempo em tudo.
- ... Não vai.
- Não me peça isso.
- Por favor... Eu sei que na teoria nós nunca daríamos certo, mas podemos tentar e fazer direito dessa vez.
- Não, nós não podemos.
- Por quê?
- Sabe... Às vezes, nós sonhamos com algo que pareceu tão real. Então você acorda, mas apenas fica deitado com os olhos fechados tentando segurá-lo, porque foi tão bom o que aconteceu nele e você queria apenas poder se sentir assim para sempre... Mas em algum momento você tem que abrir os olhos, deixar aquele sentimento ir embora por mais que você não queira... Bom, você é um sonho, Chuck. O melhor sonho que eu já tive... Só que já passou da hora de abrir os olhos.
- Não. Se isso é um sonho, não temos acordar.
- Nós temos, é por isso que eles dizem que toda rosa tem seu espinho... Vamos apenas aceitar: já tentamos e não acabou nada bem.
- Sempre podemos tentar mais uma vez.
- Não podemos – balancei a cabeça – Pelo meu próprio bem nós não podemos. Eu não aguento mais... Porque algum dia e, não vai demorar, você vai acordar e perceber que não existe razão para estarmos juntos e todos os dias garotas mais velhas e mais bonitas do que eu vão se oferecer e você é Chuck Bass, você não vai resistir... Ficarmos juntos foi um daqueles erros que precisamos cometer, mesmo sabendo que é um erro. Eu realmente te amo, mas hoje não é o suficiente para fazer nós darmos certo... Sinto muito, eu tenho que ir.
“Bad night, Upper East Side
Existem aqueles que pensam que quando as festas acabam, a noite também. Só que descobri que quando o som para e as luzem se acendem, os reais problemas aparecem. É melhor descansar agora, porque quando o sol nasce é quando a realidade fica mais cruel.
Muita coisa aconteceu hoje e nesses momentos eu me pergunto como ainda podem dizer que o amor é algo bom. Alguns dizem que o amor é um rio, alguns dizem que o amor é uma música boba, alguns dizem que o amor está ao nosso redor e que nos eleva para onde pertencemos, alguns dizem que o amor é ouvir risadas durante a chuva... Mas todos nós sabemos que o amor é um sofrimento. Apenas um jogo que vem fácil e vai fácil.
We know... The love always cut us like knife.
And who am I? That’s one secret I’ll never tell.
You know you love me.
xoxo Gossip Girl”
-x-
Eu não havia dormido nada, se quer havia fechado os olhos. Estava com olheiras enormes e com dor de cabeça, pegar um voo tão longo como aquele seria mais que difícil.
Me despedi de todo mundo e eu esta ali, sentada no portal de embarque do John F. Kennedy Airport esperando a chamada para o avião que eu pegaria. A espera parecia interminável ainda mais por estar sozinha, mas fiz questão que meus pais e Anne fossem embora, não queria que percebessem o quanto estava triste.
Era fim de ano e eu estava em um aeroportos, como não lembrar de Simplesmente Amor? O portal de embarque onde tudo acontece: velhos amigos, pais e filhos e casais se reencontram... Entretanto aquilo era um filme, na vida real ninguém vem atrás de você antes de pegar um avião ou te espera sair de um para dizer o quanto te ama.
Respirei fundo, Austrália seria legal... Ainda assim Manhattan sempre seria Manhattan, se é que alguém conseguiria entender essa frase e acho que está certo quem disse que no sétimo dia Deus criou Nova York, não poderia existir um lugar melhor que ali.
“Ultima chamada para o voo com destino a Sydney, Austrália.”
Havia chegado a hora.
-x-
Sydney, Austrália.
Era real, eu estava do outro lado do mundo.
Ok, mais de vinte e uma horas de voo não foi nada bom. Mas havia passado.
Sai do avião e que calor forte. Um sentimento de nostalgia me atingiu, lembrei de L.A. Não era meu lugar preferido no mundo, mas passei por bons momentos lá.
Entrei no aeroporto com um casaco em mãos e minha bolsa. Não fazia a mínima ideia como encontraria meus primos, fazia dez anos que não os via, quão diferentes eles poderiam estar?
- ? – alguém me chamou, mas não consegui achar quem fora – !
Senti braços virem para cima de mim por trás. Quando ele finalmente me largou pude me virar para olhá-lo:
- Chris? – perguntei confusa.
Meu primo estava... Como eu diria? Forte demais? Grande demais?
Era injusto ele saber como eu estava, o quanto eu mudei em tanto tempo e coisas assim por minha avó sempre mostrar revistas e jornais que eu saio e eu não saber como nenhum deles estavam.
Chris riu:
- Isso. Como está?
- Bem. – menti.
- Que bom. Vamos lá pegar as suas malas e... Esses aqui são o Peter, nosso vizinho; o Walter, meu irmão e a Cindy nossa prima.
Começar tudo de novo, uma nova vida. E daquela vez eu faria certo.
FIM
Obrigada por embarcarem nessa jornada comigo, vocês são incríveis. Vejo todos na parte II, certo? Então até A New Life in NY II- We're the lucky ones!
See ya and good luck!
xx Sam."

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