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Temporada #001

Amnesia
Anahí



Amnésia

Escrito por Geo

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Londres, 23 de Abril de 2018 07:00 AM

  Existe algo mais doloroso do que as lembranças? Eu desconheço se existir. Já faz pouco mais de dois anos que eu cometi a maior burrada da minha vida, perdi a mulher que eu amava e hoje só me resta as mais dolorosas lembranças. É triste cruzar com a pessoa que você ama na rua e ela nem fazer conta de você, te apagar completamente da memória, como se você nunca tivesse existido na vida dela, mas eu não a culpo, na verdade, o culpado sou eu.
  Deixe eu contar para vocês um pouco do meu drama, eu me chamo , tenho 25 anos e desde sempre fui sem noção, até encontrar ela, sou formado em administração, mas não trabalho em nada da área, é tipo um diploma sem serventia, não me interesso muito por nada de administrar empresas. Voltando para o meu drama, é o seguinte, há dois anos, eu conheci uma garota chamada , bom, estava na padaria perto da minha casa e encontrei com ela lá, ela estava com uma amiga que também era minha conhecida, a , não vou dizer que foi amor a primeira vista, porque não foi, mas com o passar dos dias eu me vi completamente apaixonado, e estou assim até hoje. Não demorou muito para a gente se envolver, e tipo, foram longos seis meses, longos e magníficos seis meses, até o bosta aqui, fazer uma besteira grande, eu terminei, terminei o que nem tinha começado ainda, a causa do término? Vocês vão entender logo mais.
  Tudo começou em uma maldita noite de farra, sai com alguns amigos e ela também saiu com algumas amigas, eu só não contava que eu fosse beber tanto e que ela acabasse indo para o mesmo lugar que eu, no final, tudo isso levou a uma série de garotas beijadas por um totalmente bêbedo, ela viu tudo e pronto, acabou tudo, eu sei que fui burro, mas agora não tem mais volta, ela falou que não suportava traição e por mais que eu estivesse bêbedo, nada justificaria, desde então ela me apagou da mente dela, simplesmente apagou.
  Amanhã é dia 24 de Abril, o dia em que ela completa 25 anos, e o que eu mais queria era estar perto dela, junto com ela comemorando essa data, do mesmo jeito que a gente comemorou seu primeiro aniversário quando estávamos juntos, é muito angustiante saber que nada tem volta, que tudo que vivemos foi esquecido, como se ela tivesse amnésia.
  Depois de tanto perguntar para , a melhor amiga dela, consegui descobrir onde que ela iria comemorar o aniversário. Se eu vou? Mas é claro que sim, não sei nem o que vou fazer caso ela perceba que estou lá, mas não quero mais ficar longe dela, eu vou tentar me reaproximar, vou tentar reconquistar ela, eu preciso dela, e no fundo sei que ela ainda sente algo por mim, não acho que ela tenha conseguido me apagar da vida dela nem que esteja com outra pessoa, não consigo nem pensar nessa possibilidade, não quero que ela tenha encontrado alguém que fez com que ela me apagasse da mente, eu não posso e nem vou aguentar isso.
  Talvez eu pudesse escrever um poema para ela e ler na frente de todos no The Dermas, o bar que ela vai com os amigos comemorar, não é o bar mais frequentado de Londres, mas é um lugar legal, um pouco cafona, mas legal. Não sei se consigo escrever um poema, nem se consigo recitar um, já procurei algo que se encaixasse, que mostrasse como eu estou me sentindo sem ela, mas não consigo encontrar nada legal, nada que pareça realmente com tudo. Tem também a possibilidade de dar flores com chocolate para ela, mas é bem provável que ela jogue tudo na minha cara, eu estou totalmente perdido nisso.


Londres, 23 de Abril de 2018 08:30 PM

  - Achei esse vestido muito lindo, o que você acha? – estava com mais um vestido se olhando no espelho, a aniversariante sou eu e ela quem surta na escola da roupa perfeita para a noite.
  - Como eu já tinha falado, o primeiro estava ótimo, mas esse daí também está.
  - , aquele era muito basiquinho, aliás, você já escolheu sua roupa?
  - Claro, ao contrário de você, eu não preciso bagunçar todo o meu guarda-roupa para decidir qual a melhor roupa para uma noite no bar cafona da cidade.
  - O The Dermas não é cafona, é um bar muito bom na verdade.
  - Você fala isso porque está de olho no carinha do bar, se não fosse por ele concordaria comigo.
  - Amiga, ele é tão gato, ele deve ter amigos gatos também, você bem que poderia, depois do você nunca mais se envolveu com outro cara, e isso tá errado, muito errado.
  - Você poderia não falar dele, você sabe que não gosto.
  - Olhe, vocês dois são uns bostas, ele ama você e você ama ele, qual o problema de ficarem juntos? Eu sei que ele errou, mas , ele tentou muitas vezes se desculpar, mas foi você quem não quis.
  - , não tinha explicações para o que ele fez, tudo bem, ele estava bêbedo, mas eu não consigo voltar a confiar, quem garante que quando ele voltar a beber não faça a mesma coisa?
  - Olhe, se ele vai fazer a mesma coisa eu não sei, mas ele vai pro The Dermas hoje a noite também.
  - Como assim ele vai você chamou ele?
  - Chamar eu não chamei, mas ele insistiu tanto para saber onde que você iria comemorar o seu aniversário que acabei não segurando e contei tudo.
  - Você não devia ter feito isso, eu falei que não queria ter nenhum contato com ele.
  - Você vem evitando ele há uns dois anos, eu acho que a senhorita devia parar com isso, tá fazendo mal aos dois, ele te ama, , e você também ama ele e eu vou continuar falando isso sim, até você parar com isso e conversar direito com ele.
  - Se ele me amasse ele não teria feito o que fez.
  - , eu não vou insistir mais nesse assunto, você já sabe bem qual a minha opinião.
  - E você já sabe qual é a minha, melhor não insistir mesmo.
  - Tá bem, vamos voltar aqui para minha roupa, eu ainda estou muito indecisa. – e assim voltamos a estaca zero, era a complicação em pessoa no quesito roupas.
  Depois de muito tempo, tipo, muito tempo mesmo, a conseguiu escolher uma roupa, - vamos glorificar de pé minha gente – achei que não sairíamos de casa nunca mais, que menina complicada, só Jesus na causa, mas então, minha preocupação no momento não é a demora na escolha da roupa da , mas sim, na presença do no bar, tudo bem, eu sei que o bar é um lugar público e que não poderei impedir ele de entrar lá, mas eu me esforcei tanto para romper todo o contato que tínhamos, para no final ele ir digamos “comemorar” a minha festa de aniversário comigo. O me fez muito bem, os meses que passamos juntos foram ótimos, eu me apaixonei de verdade por ele só que ele me decepcionou, decepcionou de uma forma não tão esperada e isso me dói até hoje.
  - Acho que você não precisa ficar aflita assim, daqui a pouco todos percebem. – , como sempre, estragando o meu disfarce.
  - Não estou aflita, só não queria cruzar com ele aqui.
  - Mas você vai, querendo ou não, você vai.
  - Nossa, muito obrigada mesmo. - Não sei, mas às vezes eu tenho a impressão de que a gosta muito mais do do que de mim, ele defende ele em tudo, da para acreditar nisso, eu juro que não aguento.
  - Por nada, amiga, agora vamos dançar, porque hoje eu tenho que conquistar aquele barman de jeito.
  - Você não tem jeito mesmo.


Londres, 23 de Abril de 2018 10:40 PM

  Já fazia um tempo que eu estava sentado no bar do The Dermas, já tinha avisado o grupinho da se divertindo na pequena pista de dança, não quis me aproximar, até porque ela sempre deixou bem claro que não me queria por perto, estou aqui tomando coragem para pelo menos desejar feliz aniversário para ela, só que eu tenho medo de levar patada, então, o melhor a se fazer é ficar quieto no meu canto. Ela estava tão linda, eu só sabia sorrir e sorrir completamente abobalhado.
  - Olha só se não é o senhor . – , a louça da melhor amiga da , a mesma que também é uma grande conhecida minha de longas datas.
  - Olha só se não é a senhora .
  - Como andas, ? – ela perguntou sorrindo e tomando seu drink direcionando seu olhar diretamente para onde eu olhava a todo instante.
  - Não muito melhor.
  - Vocês dois são uns completos imbecis, se gostam, mas no lugar de ficarem juntos a merda do orgulho fala mais alto. – certeza que ela já tinha exagerado na dose, pode até ser uma pessoa sincera, mas não comigo, ela tomava as dores da e me esculachava, sempre que eu queria tirar algo dela, tinha que dar umas boas doses.
  - Acho que eu já tentei demais.
  - Na verdade você não tentou nada, cara, ela gosta de você e pelo amor, você errou e feio, mas chega disso né, se você gosta mesmo dela então por favor dá um jeito nisso tudo porque o que eu mais quero nessa vida é que minha amiga seja feliz.
  - Eu não sei mais o que fazer, ela nem quer olhar na minha cara.
  - Existe muitas maneiras de reconquistar uma mulher, comece falando o que você sente.
  - Como se fosse fácil falar algo para ela, eu não sei se você se lembra, mas ela não quer nem conversar comigo.
  - Achava você mais esperto, meu caro.
  - Também me achava, mas acabei vendo que não sou.
  - Pois é, você é um merda mesmo, não serve nem para concertar a burrada que fez. – e assim ela sumiu novamente pela multidão de pessoas no meio da pista de dança do The Dermas.
  Sinceramente, eu acho que a está certa, eu não sirvo para nada, eu não devia ter feito a merda que eu fiz, não devia ter aceitado que ela se afastasse assim tão fácil, eu devia ter lutado, ter insistido, até que ela me ouvisse, ouvisse tudo que eu tinha para falar, mas parece que eu perdi todo meu tempo apenas me lamentando por algo que poderia ter solução, mas eu fui tão burro que não tentei, fui fraco, estou sendo fraco, me sinto tão desesperado, porém não sei o que vou fazer, é difícil para mim, muito difícil na verdade.

{...}

  Sabe aquele momento que você fica paralisado? Pronto era exatamente assim que eu me senti, eram meia noite, então queria dizer que já era dia 24 e que enfim era o dia da , todos os seus amigos se voltaram ao redor dela é começou o parabéns, foi aqui que tudo ficou em um silêncio danado na minha cabeça, foi aí que eu percebi o quanto eu a fiz mal e o quanto que ela tá muito mais feliz sem mim.
  Foi nesse momento que eu percebi que ela não sentia a minha falta como eu sentia a dela, ela estava sim, curada da doença que eu plantei em sua vida, e era tão lindo, tão maravilhoso ver o olhar dela para todos ali presente, eu apenas sentir que aquele já tinha deixado de ser o meu lugar há muito tempo, e nada no mundo me faria voltar para lá.
  Digamos que foi muito difícil criar coragem para levantar do banco e sair pela porta do The Dermas, e tudo se tornou mais difícil quando do nada aquele mesmo olhar se direcionou a outra pessoa, a minha pessoa, seu sorriso se desfez, e eu só fiquei mais decepcionado, se existia alguma ponta de esperança me rondando, ela havia voado em pedacinhos bem naquele momento. Se eu tive reação alguma? Claro que não tive, eu apenas larguei de vez aquele banco, e fui embora, sai do bar sem nem saber para onde eu iria, nesse momento eu não sabia nem como voltar para casa, muito menos qual o caminho da minha casa, minha única alternativa foi andar pela rua, e andar, deixei me guiar pelo vento, e por todos os sentimentos sejam eles mais dolorosos.


Londres, 24 de Abril de 2018 00:10 PM

  No meio de tanta euforia, afinal, chegou o dia do meu aniversário, que na verdade eu acho um dia comum, mas meus amigos discordam, então, simbora comemorar, voltando, no meio de tanta euforia, eu meio que me perdi, me perdi completamente, depois de tantas horas, com receio de encontrar aquela pessoa, eu acabei encontrando, não esbarram Lando, é claro, mas eu o avistei, ele estava no bar, e estava olhando na direção do meu grupinho, ele tinha mudado, não fisicamente, mas seu olhar estava diferente, por alguns minutos eu me peguei aérea, e não tardou para ele perceber e sustentar o meu olhar, mas não pensem que essa troca de olhares durou muito, porque não durou, ele apenas abaixou a cabeça e depois de uns minutos levantou e foi em direção a saída.
  - Você devia falar com ele. – brotou do meu lado, como sempre.
  - Eu discordo.
  - ! Deixa de besteira, você pode estar perdendo o amor da sua vida por uma merda de orgulho, eu já cansei de tentar levantar você, e até ele, mas vocês não me escutam em nada, ele até tenta, mas você só afasta ele, eu sei que o que ele fez é pesado, eu sei o que você sentiu, mas faz tantos anos, as pessoas mudam, escuta o seu coração uma vez na vida, minha mona, principalmente porque hoje é o seu aniversário.
  E depois disso o que ela fez? Isso mesmo, foi embora para o bar, eu não sei como ela sempre faz isso, tem um poder de persuasão que eu nem sei explicar, talvez ela estivesse certa, eu sou sim muito orgulhosa, e evitei o por muito, muito tempo mesmo, e nada nem ninguém conseguiu fazer com que eu mudasse de ideia, eu tenho meus princípios, desde adolescente, eu sempre falei, para todo mundo que nunca perdoaria uma traição, seja ela qual for, tanto de namorado quanto de amigos, e por mais que meu coração estivesse implorando para ter o de volta, meu cérebro trabalhava intensamente me lembrando a cada minuto dos meus princípios.
  Eu estava lutando em uma batalha que até hoje não existe vencedor, quem sou eu para dizer quem seguir, eu sinto a falta dele, mas não consigo voltar atrás, queria muito isso, mas o que eu posso fazer. Depois de uma boa dose de nostalgia eu me encontrava no bar, e para o momento ficar mais tenso começa a tocar a bendita música, música essa que em uma de suas inúmeras cartas ele escreveu dizendo que ela descrevia tudo que ele estava passando, pois é eu lia todas, e posso admitir que sinto falta delas.

Meu coração se desfaz
Meu pulso desacelera
Carrego um fardo pesado
Lembranças que contaminam

  Meus olhos já estavam completamente molhados, eu já não sei me segurar, foram tantos dias, tantos meses segurando toda essa angústia, como na música eu posso dizer que carrego um fardo pesado, todo o meu sentimento contido nele, não sei nem se algum dia eu vou conseguir apagar isso da minha memória, porque por mais que eu tente demonstrar para ele que o esqueci, eu não consigo esquecer, estou sendo uma pessoa que nem eu mesma reconheço, nunca pensei.

Sua ausência é uma tormenta
Que destrói minha alegria
Sou uma lágrima seca
Sou um galho caído

  Faziam anos de tormenta, cada tentativa dele, cada carta, cada esbarrava na rua, era tão difícil fingir que eu nem conhecia ele, é até hoje, tudo que eu guardei durante esses anos eu estou colocando para fora nesse momento, que belo presente de aniversário, tudo que a havia falado rodava na minha cabeça e rodava, só me deixava mais para baixo.

E o mais triste de tudo
É aceitar que meus lábios imploram por seus beijos
O mais triste de tudo
É que você não volta, não volta, você vai e me esquece

  Logo essa parte, ele me escreveu tanto isso, em toda carta que ele escrevia ele deixava essa estrofe da música, eu me sinto tão perdida, meus sentimentos me sufocam, minhas lágrimas estão me deixando cega, minha garganta está com um nó, um nó tão grande e por mais que eu tente parar esse choro, eu não consigo.

Como se houvesse me amado
E meu nome houvesse apagado
Como se uma vez me houvesse escrito
E sua caneta me houvesse riscado

  Eu sei exatamente tudo que ele sentia, porque eu também sentia, e muitas vezes eu tentei passar isso para ele, não o que eu sentia, mas o oposto, eu tentei passar para ele tudo que eu não sentia, como se realmente eu tivesse riscado ele da minha vida, tivesse sofrido uma grande perda de memória. Acho que as pessoas estão pensando que eu já estou totalmente bêbeda ao ponto de estar nesse pranto todo, mal sabem elas que isso é só a sofrência do amor.


Londres, 24 de Abril de 2018 00:40 PM

  Não me dei conta do tempo que perambulei pelas ruas, só que quando eu percebi eu estava parado na frente do The Dermas, e para ser tão irônico, estava tocando a música que eu defino ser a música da minha fossa, ela simplesmente foi escrita para eu, tenho certeza, porque ela fala tudinho que eu estou passando, e também sentindo.
  Já era um pouco tarde, provavelmente ela nem estivesse mais ali dentro, provavelmente ela foi comemorar com os amigos em outro lugar, se não me engano a comentou que a noite não parava só no bar, teriam outros lugares para ir, eu nem sei porque eu voltei aqui, talvez meu cérebro precise de umas boas doses de vodka para conseguir esquecer essa mulher, pelo menos por algum tempo, pela manhã na ressaca tudo estaria de volta, e pode até ser que pior do que agora.

Quem te curou de mim
E te embriagou de anestesia?
Como se tivesse amnésia
Amnésia

  Quando tomei coragem para entrar, a música já estava acabando, e foi como se um baque tivesse me atingido, eu nunca saberia de nada, eu nunca saberia quem tinha curado ela de mim, eu não saberia nada dela. Queria tanto que ela ainda estivesse ali, e que tivesse conseguido ouvir aquela música, se ela leu minhas cartas, creio que vai se lembrar exatamente de como eu escrevia partes delas durante os meus desabafos.
  Foi então que meu mundo meio que parou, quando eu estava quase chegando no bar eu a vi, ela estava de costas, mas estava lá, estava sentada e meio estranha, estava com a mão na cabeça como se estivesse chorando, eu tenho tanto medo de me aproximar e acabar pior do que eu estou agora.
  Tenho medo de afastar ainda mais ela, mas e se ela estiver realmente chorando? O que eu faço, meu Deus, se existisse uma maneira de pelo menos eu me disfarçar e me passar por outra pessoa, mas a vida real não é como os filmes de clichês românticos.
  Depois de alguns minutos de pensamentos eu resolvi ir até lá, já estou indo né e está cada vez mais perto, eu estou cada vez mais perto dela, e como eu previa, sim ela está chorando, da para ouvir os fungados e soluços, não sei como reagir não sei se ela vai querer minha presença, se vai me dar um coice e sair por aí me deixando aqui sozinho, são muitas opções de erros para esse diálogo que eu nem sei se vai acontecer.
  - Talvez isso te ajude. – estendi o guardanapo que havia pegado no balcão do bar quando me sentei no banco. Ela me olhou e parece que só aumentou suas lágrimas, como eu queria poder abraça-la nesse momento.
  - Obrigada. - ela falou depois de um tempo pegando o guardanapo que eu havia colocado na sua frente.
  - Eu não quero atrapalhar, mas não sei você está chorando. – ela não falou nada, apenas fungou no guardanapo. – Aliás, feliz aniversário. – eu sei que ela provavelmente vai sair daqui, mas era aniversário dela poxa, eu tinha que dar os parabéns.
  - Obrigada, novamente. – eu já falei o quanto me irrita esse tipo de conversa?
  Passamos um tempo sem falar nada, apenas sentados um do lado do outro, sem nem emitir nenhum som audível.
  - Eu sinto realmente por tudo, e queria tanto que você algum dia pudesse me desculpar. – falei por fim, não aguentava mais aquele silêncio todo.
  - E eu realmente espero te perdoar algum dia. – ela falou ainda com a voz rouca, por causa do choro.
  - Esperarei por esse dia.
  - Talvez demore muito.
  - Não importa, eu continuarei esperando, não tenho pressa para isso.
  - Você me machucou muito. – ela falou rasgando o guardanapo que eu havia dado, é isso me deixou ainda mais para baixo.
  - Eu sei disso, eu reconheço o meu erro, mas eu tentei consertar.
  - Eu sempre falei sobre esse assunto, eu sempre deixei bem claro os meus princípios, você sabia e mesmo assim fez.
  - Eu sei, eu não posso dar a justificativa da bebida, mas eu queria que você acreditasse em mim.
  - É meio difícil isso.
  - Não se afasta, por favor, eu sinto tanto a sua falta.
  - Eu não vou. – eu juro que pensei ter ouvido errado, e acho que ela percebeu a minha reação porque logo após voltou a falar. – Isso não quer dizer que eu te perdoe, mas eu não vou mais te evitar, isso não me faz bem, nem a você.
  - Sim, eu nem sei o que falar.
  - É, eu também não esperava isso por agora.
  - Eu posso saber o porquê do choro? – eu sei que foi uma pergunta meio inesperada diante de tudo aquilo, mas se ela estava chorando era porque tinha algum motivo, e por mais que fosse algo pessoal, eu estava muito curioso para saber sobre isso.
  - Choque de realidade, não estava esperando por ele também.
  - Ah, entendi. Aquela música que estava tocando, ela é meio especial para mim.
  - Eu sei, não precisa falar, eu lia as suas cartas. – então ela leu, ela leu as cartas que eu mandei.
  - Você leu? Agora eu que realmente não esperava por isso.
  - Pois é, são muitas coisas que nós não esperamos, mas acontece.
  - Eu escrevia elas esperando uma resposta, pelo menos para saber se você ainda me amava, mas como nunca recebi nada de volta, achei que você nem lia.
  - Eu tentava, mas não conseguia.
  - Eu realmente fico feliz por saber disso, pelo menos você sabe tudo que eu ainda sinto, por mais que eu tenha deixado de escrever. – ela apenas concordou e olhou para o celular que estava no balcão.
  - Eu preciso ir agora. – disse já levantando e pegando sua bolsa que estava nas costas do banco que ela estava sentada, não vou mentir que eu fiquei meio decepcionado, mas não podia fazer nada, não posso mudar as coisas.
  - Tudo bem, espero te ver em breve.
  - Você verá. – outra resposta que eu não esperava.
  - Ate mais então. – falei ficando de frente para onde ela estava.
  - Até, . – ela falou e saiu indo para saída do bar, mas parou no meio do caminho e o refez até onde eu estava. – A resposta é sim. – ela disse do nada e viu que fiquei meio sem entender, então completou. – Sim, , eu ainda te amo. – depois disso, quando me dei conta do que tinha acontecido ela já estava passando pela entrega do The Dermas.
  Posso dizer que fiquei totalmente sem reação, porque eu realmente não esperava nada disso, nada que eu tinha pensado ontem pela manhã eu fiz, e no final não fazer nada valeu muito a pena, ela ainda me amava, me amava, e eu sentia que isso só era o começo, um novo começo, agora a pergunta principal, por que eu não fui atrás dela? Isso nem eu sei responder, mas sinto que vai valer a pena esperar, porque quem acredita sempre alcança, e eu acredito muito no nosso amor.

FIM