Am I Supposed To Be Happy?
Escrito por Taah Oliveira | Revisado por Natashia Kitamura
N.A. Coloque essa música pra carregar clique aqui
Muita gente pensa que vida de modelo é fácil. Que é só colocar uma roupa diferente e fazer uma pose estranha ou andar numa passarela se sentindo a tal e pronto. Pois eu te digo que não, principalmente quando se é uma das promessas da nova geração e filha de uma das maiores top models da história dos EUA. Muito prazer, , 22 anos e filha de . Eu deveria estar feliz por isso?
Bem, sempre tive uma vida muito boa. Cresci cercada de mimos, tinha tudo o que queria a tempo e a hora e acompanhava a minha mãe onde quer que ela fosse, seja em desfiles, sessões de foto ou festas beneficentes em prol de alguma instituição de caridade que ela ajudava. Por conta disso, aprendi a lidar muito bem com o assédio da imprensa e as cobranças de comportamento da parte dos meus pais, que exigiam que eu fosse a perfeição em pessoa. Enquanto eu era criança e no começo da adolescência, tudo transcorreu como eles queriam e eu fui o exemplo perfeito de filha: Educada, simpática, estudiosa, não fazia nada de errado, não gostava de sair... Até que fiz 16 anos, e foi quando percebi que era hora de deixar de ser a 'filha da top model' pra me tornar uma garota normal.
Pra começar, mudei o visual radicalmente: Meu cabelo curto e castanho deu lugar a fios compridos e num tom de vermelho intenso. Depois foi a vez das roupas, e eu contei com a pequena ajuda de Jay Manuel pra ir do visual patricinha arrumadinha do Upper East Side a roqueira descolada da Times Square. Por ultimo, decidi que não teria mais tutores - como tinha sido até agora –, e ao invés disso, iria para uma escola normal. Meus pais, a principio, não concordaram muito com toda essa mudança, mas depois de uma boa conversa com a minha tia materna Rosalie, que mora em Jacksonville e várias vezes me convidou pra passar uma temporada com ela, eles liberaram a minha viagem. É claro que isso teve um preço, e ficou acertado que eu terminaria o Ensino Médio em Jacksonville, retornando a Nova York em seguida, pra me dedicar à carreira de modelo. Como não havia outra escolha, concordei e fiz as malas, rumo a uma nova vida.
Minha chegada a Jacksonville foi tranquila. A casa da minha tia era das mais aconchegantes e eu me senti super à vontade com ela, o tio Bobby e a Katherine, minha prima. Nós temos a mesma idade e ela havia prometido que iria me apresentar a todos os seus amigos. No primeiro dia, nós apenas passeamos pela idade, conhecendo os pontos turísticos e conversando sobre futilidades. De vez em quando, um ou outro conhecido da Kathy passava e acenava pra gente; Quando resolvia parar pra conversar, ela logo tratava de me apresentar e sempre dava um jeito de não me deixar de fora do assunto. Dessa forma, o fim de semana passou.
Segunda-feira, meu primeiro dia de aula no Jacksonville High School. Acordei cedo, tomei um bom banho e me arrumei - a roupa escolhida por mim para a 'aula de estreia' foi uma calça jeans estilo boyfriend com a barra dobrada, regata branca por baixo de um casaquinho de lã cinza e sapato Oxford de salto também cinza, além de uma bolsa Prada chumbo divina. Meu cabelo ficou solto mesmo, ao natural, já que não estava com paciência de pensar em nada pra fazer com ele. Ao terminar de me arrumar, desci e fui tomar café; Meia hora mais tarde, eu, Kathy e tio Bobby chegamos ao Jacksonville High School.
Ao passar pelo enorme portão de metal, percebi que esse era um colégio como qualquer outro freqüentado pela elite, pelo menos nos filmes que eu costumava ver: Enorme, com uma quadra de esportes, teatro, piscina coberta, um campo de futebol, muitas salas e é claro, cheio de panelinhas. Em cada canto do pátio via-se um grupo diferente e eles nunca pareciam se misturar, pelo menos essa foi a minha primeira impressão. Katherine, percebendo minha distração, decidiu me trazer de volta ao mundo real.
- Ei prima, não se assuste. Esse colégio é bem esquisito mesmo, com o tempo você acostuma. - ela disse.
- Não to assustada, to apenas observando. É a primeira vez que eu piso num colégio na minha vida.
- Ta falando sério? - ela perguntou, espantada.
- Aham.
- Achei que Nova York tivesse colégios muito bons.
- E tem. O negócio é que os meus pais acharam melhor que eu fosse educada em casa, com tutores, por conta da carreira da minha mãe. Se eu freqüentasse uma escola, teria que estar presa em um único lugar e os dois viviam viajando; Como não gostavam de me ter longe deles, resolveram contratar professores particulares para que eu pudesse ir a todos esses lugares sem ter que deixar de estudar. Por isso eu nunca assisti a uma aula numa sala de aula.
- Nossa, deve ser super chato estudar sozinha.
- Muito. É por isso que eu resolvi vir morar com vocês, pra experimentar o gostinho de ter uma vida normal, longe dos holofotes de Hollywood.
- Então vamos lá que eu vou te apresentar aos meus amigos. Eles são meio doidos, mas gente boa.
- Você acha que eles vão gostar de mim?
- Claro que vão, sua boba. - Kathy disse, rindo, e nós seguimos até um grupinho que se encontrava em um banco perto da sala do Grêmio Estudantil. - Bom dia galera!
- Bom dia Kathy! - o grupo respondeu, em uníssono.
- E aí, o que manda de novo, Wright? Quem é essa garota aí contigo? - um garoto de cabelos loiros e olhos azuis perguntou. Ele me lembrou muito o Tom Felton, que interpreta o Draco Malfoy em Harry Potter.
- De novo eu não mando nada Luke, e já que você perguntou sobre a garota ao meu lado, vou apresentá-la a vocês. Essa é , minha prima. , esses são, da esquerda pra direita, Duke Kitchens, Selena Freedman, Wendy Lovato, Timothy O?Bryan, Elias Reidy, Kimberly Jordan, Joey Westwood, Jon Wilkes, Luke Sanderson e ... ta faltando um. Cadê o Ron? - ela perguntou.
- Atrasado como sempre. - a garota que Kathy disse ser a Kimberly respondeu, revirando os olhos. - Mas você, dona Katherine, não disse que tinha uma prima famosa.
- Como assim Kim, do que você ta falando? - Jon se intrometeu.
- Como assim, do que eu to falando? Em que planeta você vive, Wilkes? - ela perguntou, como se tivesse ouvido um absurdo.
- Planeta Terra, ué. - ele respondeu, como se fosse óbvio.
- Ah, mas não é mesmo. Se fosse, saberia que essa garota à nossa frente é filha de uma das maiores top models do país.
- É verdade, ?
- É.
- E como você veio parar aqui em Jacksonville?
- Digamos que eu cansei de ser a filha perfeita e resolvi viver a minha vida. Tava na hora de desgrudar um pouco da barra da saia da minha mãe.
- Bom, já que é assim, seja muito bem-vinda. - Jon disse e me abraçou. Os outros fizeram o mesmo e, antes que pudéssemos começar a conversar, o sinal bateu, indicando o início da primeira aula.
O primeiro tempo passou sem problemas ou constrangimentos, já que o professor de Matemática dispensou apresentação e foi logo seguindo com a aula. Na hora do intervalo, encontrei Kathy e ela me levou até a mesa em que seus amigos costumavam se reunir. Ao chegar lá, percebi que havia mais alguém além das pessoas que eu já conhecia.
- Ei Kathy, quem é aquele ali? - perguntei, apontando para o desconhecido.
- Ronnie Winter. Você não o conheceu mais cedo porque ele chegou atrasado.
- Ah ta. - concordei e encerrei o assunto. Nisso a Wendy me chamou e nós engatamos um animado papo sobre a vida das modelos, os bastidores e tudo o mais. Minutos depois, Selena, Kimberly e Kathy se juntaram a nós e ficamos conversando sobre isso até o sinal bater.
Minha segunda aula, Geografia, foi completamente diferente da primeira. Cheguei à sala e percebi que o único rosto conhecido era o do Ronnie, e coincidentemente, era ao lado dele o único lugar vago. Respirei fundo e fui em direção a ele.
- Er, desculpa perguntar, mas tem alguém sentado aí? - perguntei.
- Não, não, pode se sentar aí.
- Obrigada. A propósito, , muito prazer. - eu disse, estendendo a mão direita a ele, depois que me acomodei.
- Sei quem é, os meus amigos não param de falar sobre você. De qualquer forma, Ronnie Winter, e o desprazer é todo meu. - ele disse, sério, e olhou pra frente, me deixando no vácuo. Nisso a professora entrou e eu fui obrigada a me apresentar para toda a turma - momento tenso, mas tudo bem.
A aula, como eu imaginei, foi horrível. A professora passou um trabalho em dupla e sobrou pro Ronnie fazer comigo. Acontece que ele não foi com a minha cara e nós acabamos discutindo no meio da aula, sendo expulsos e pegando detenção, o que nos rendeu uma tarde inteira na sala de troféus, limpando cada um dos muitos troféus conquistados pela escola ao longo de seus quase cem anos de existência. Lá, durante um bom tempo, o que se ouvia era o barulho dos panos tirando a poeira dos objetos, mas, como eu odeio silêncio, resolvi puxar assunto com o dito cujo, na tentativa de tornar o ambiente um pouco mais agradável.
- Er, Ronnie, né? - disse, meio sem graça.
- Sim. O que você quer? - ele perguntou, todo arrogante.
- Você estuda aqui há muito tempo?
- Por que você quer saber?
- Nada, é só uma curiosidade.
- Pois eu acho que não é da sua conta.
- Aí garoto, qual é a sua? Por que ta me tratando assim? O que foi que eu te fiz? - eu perguntei, largando a flanela no balcão e andando até ele.
- Nasceu!
- Ah, então é assim? Você ta me tratando mal porque não foi com a minha cara?
- Exatamente! Eu simplesmente não suporto garotas como você, mimadas, egoístas, vaidosas, egocêntricas, que se acham melhores que todo mundo só porque tem pais famosos.
- Acontece que você não me conhece, como pode dizer que eu sou mimada, egocêntrica e egoísta?
- , na boa, dá pra calar a boca? Essa sua voz me irrita!
- Sério? Agora mesmo é que eu não calo. - eu disse e comecei a cantar I Kissed a Girl, da Katy Perry, só para irritá-lo, voltando a minha tarefa anterior. Quando eu dei por mim, senti os braços de Ronnie me puxarem com toda a força, grudando nossos corpos num segundo.
- Vamos ver se não. - ele disse, e me beijou em seguida. Foi um beijo inesperado, num misto de raiva e desejo, eu não sei direito, mas foi muito bom!
*Ponto de vista do Ronnie*
Oi, muito prazer, me chamo Ronnie Winter, moro em Jacksonville - Flórida e sou vocalista da banda The Red Jumpsuit Apparatus. A minha vida ia muito bem quando eu adolescente - não era o tipo de cara favorito das garotas, mas nem por isso ficava sozinho; tinha a minha banda, os meus amigos e tudo aquilo que adolescentes normais desejam, até que um belo dia eu cheguei atrasado à escola e só se falava em uma coisa: , a filha de uma modelo famosa, era nossa mais nova aluna.
A principio, achei que ela era daquelas garotas esquisitas que ficam à sombra dos pais, tipo as filhas do Barack Obama, sabe? Mas quando a vi, percebi que era o oposto do que eu imaginava: Ruiva, de cabelos longos, roupas estilosas e tinha cara de ser legal; isso fez com que uma raiva surgisse dentro de mim, sem nenhuma explicação aparente, e eu passei a tratá-la mal.
Nossa segunda aula do dia foi junto e eu me irritei tanto com a , que nós discutimos no meio da classe e fomos expulsos, pegando detenção, o que significou que passamos a tarde juntos, na sala de troféus, limpando aquele bando de trambolhos empoeirados, datados de quase um século atrás. Durante algum tempo, o silêncio predominou naquela sala, e eu vou te falar que estava adorando, até que a bonitona resolveu abrir a boca.
- Er, Ronnie, né? - ela disse, meio sem graça.
- Sim. O que você quer? - perguntei, todo arrogante.
- Você estuda aqui há muito tempo?
- Por que você quer saber?
- Nada, é só uma curiosidade.
- Pois eu acho que não é da sua conta.
- Aí garoto, qual é a sua? Por que ta me tratando assim? O que foi que eu te fiz? - ela perguntei, largando a flanela no balcão e andando até mim.
- Nasceu!
- Ah, então é assim? Você ta me tratando mal porque não foi com a minha cara?
- Exatamente! Eu simplesmente não suporto garotas como você, mimadas, egoístas, vaidosas, egocêntricas, que se acham melhores que todo mundo só porque tem pais famosos.
- Acontece que você não me conhece, como pode dizer que eu sou mimada, egocêntrica e egoísta?
- , na boa, dá pra calar a boca? Essa sua voz me irrita!
- Sério? Agora mesmo é que eu não calo. - ela disse e começou a cantar I Kissed a Girl, da Katy Perry, só para me irritar, voltando a sua tarefa anterior. Quando eu dei por mim, puxei-a com força , grudando nossos corpos quase que imediatamente.
- Vamos ver se não. - eu disse, e num acesso de raiva, beijei-a. Na boa, nunca me passou pela cabeça que uma garota como ela pudesse beijar tão bem; parecia que tínhamos sido feitos um para o outro, nosso beijo se encaixou como peças de um quebra-cabeça ou algo do tipo. Só sei que foi muito bom e ela gostou, pela cara que fez. Fala a verdade, eu sou o cara, não sou?
*Fim do ponto de vista do Ronnie*
Quando o beijo findou, olhei pro Ronnie com cara de surpresa e meio que pedindo explicações.
- Ronnie Winter, por que você fez isso? - perguntei, nervosa.
- Porque eu quis. - foi a resposta obtida.
- Ah, então é assim? Numa hora você diz que me odeia e na outra me beija, simplesmente porque te deu vontade?
- Exatamente. E não vem querendo se fazer de irritada me dando bronca, porque eu sei que você gostou.
- Como você pode estar dizendo uma coisa dessas, seu insuportável?
- A sua cara te entrega, sua idiota. Ta parecendo uma adolescente que acabou de ganhar um beijo do paquera por quem é apaixonada.
- Ah, mas você é um sem-noção mesmo, não é? Como é que eu pude pensar em ser sua amiga?
- Então você queria ser minha amiga? A troco de quê?
- Caso não tenha percebido, eu sou novata aqui e senhor é do mesmo grupo de amigos que a minha prima, portanto, pelos próximos anos nós vamos conviver; achei que seria mais um dos amigos que eu faria enquanto estivesse aqui.
- Entendi. Mas pode ficar tranquila, na frente dos meus amigos vou fingir que te adoro, só pra não criar caso. Só não espere que eu a trate bem longe deles.
- Tudo bem, eu não me importo. - eu disse, voltando a limpar os troféus. Dez minutos depois a coordenadora da detenção chegou, nos liberando e dizendo que da próxima vez teríamos que limpar a sala de material esportivo, mil vezes pior que a sala dos troféus. Se ela tentou nos assustar dizendo isso, sinto muito, mas não adiantou porcaria nenhuma.
Uma semana depois, tudo continuava na mesma: Os alunos do colégio ainda me olhavam estranho, os amigos da Kathy se tornaram meus amigos e a minha relação com o Winter não era das melhores, já que discutíamos quase sempre, fosse por um refrigerante ou por opiniões diferentes sobre determinado assunto.
Com o tempo, porém, as coisas foram mudando. Aos poucos eu fui deixando de ser novidade no colégio, minha amizade com os garotos e as meninas se fortaleceu e eu pude, finalmente, ser a garota normal que sempre sonhei em ser. Pude, também, fazer coisas bobas como ir ao shopping, fazer compras sem um segurança ao meu lado, sair com os amigos, ir a uma festa e encher a cara sem ninguém me julgar por isso - sim, eu tomei o meu primeiro porre e a sensação foi das melhores. O problema foi o dia seguinte, mas eu não liguei –, paquerar e levar um fora. Eu pude sentir que agora sim, eu era uma adolescente de verdade.
Minha relação com o Ronnie foi 'da água pro vinho' com o passar do tempo. Após um mês e meio de convivência, nós já não nos odiávamos mais e descobrimos muitas afinidades, nos tornando amigos no fim das contas. Acabei descobrindo também que o Ronnie, além de ter uma banda de rock com o Elias, o Jon, o Joey e o Duke, chamada The Red Jumpsuit Apparatus, não era nem de longe o garoto arrogante e prepotente que eu imaginei que fosse. Na verdade ele se mostrou muito amigo, sincero, divertido e carinhoso, ou seja, com todas as qualidades que eu procurava em um namorado. Isso significa que eu passei a vê-lo com outros olhos, e acho que o mesmo aconteceu com ele, já que tudo mudou, pra melhor.
Já haviam se passado dois meses desde a minha chegada a Jacksonville e eu me sentia em casa, como se tivesse crescido ali, no meio de todos. Por ainda ser verão, resolvemos ir à Jacksonville Beach depois da aula, para dar um mergulho e aproveitar o dia quente, coisa rara em qualquer parte dos EUA, mesmo naquela estação.
Ao chegarmos à praia, os garotos logo correram para o mar, deixando as garotas na areia se bronzeando - ou pelo menos tentando, já que éramos um bando de branquelas e seriam necessários mais uns cinco dias torrando no sol para que conseguíssemos um bronzeado parecido com o das brasileiras. Enfim, ficamos tomando sol por uns quarenta minutos, até que os garotos nos chamaram, dizendo que haviam encontrado uma cachoeira ali perto. Fomos até o local e percebemos que o tamanho da queda nos permitia saltar sem que nada acontecesse; foi aí que a brincadeira começou.
Por algum tempo, todos se divertiram, tirando foto e zoando uns dos outros. Até aí, tudo bem, nada demais, o problema foi quando eu resolvi tomar coragem pra pular - até então somente os garotos e a Didy haviam saltado; Kim, Kathy e eu preferimos ficar só olhando. O salto em si não foi dos piores, mas quando eu tentei volta à superfície, acabei batendo com a cabeça numa pedra e não me lembro de mais nada.
*Ponto de vista do Ronnie*
Desde que a chegou nessa cidade, nós tivemos nossas diferenças, brigamos e tal, mas voltamos às boas depois de um tempo de convivência. Com o passar dos dias ela foi se mostrando uma garota adorável e eu devo dizer que conseguiu me conquistar com aquele jeitinho de menina mimada que ela tinha. Dois meses depois, passamos de amigos a algo mais.
Era verão e nós estávamos numa cachoeira perto de Jacksonville Beach, quando ela resolveu saltar de uma pedra no alto da cachoeira, como quase todos ali fizeram - com exceção da Kimberly e da Katherine. A princípio tudo correu bem, mas eu comecei a me preocupar quando ela não voltou à superfície.
- Gente, cadê a ? - perguntei, preocupado.
- Ela não emergiu? - Luke perguntou.
- Não.
- AI MEU DEUS! - Katherine gritou, apavorada. - A SE AFOGOU E MORREU!
- NÃO! - Kimberly e Wendy gritaram, juntas, e começaram a chorar, assim como a Kathy.
- Caras, acalmem as garotas que eu vou mergulhar atrás da . - eu disse, pulando na água. Nadei por quase um minuto e a encontrei, puxando-a para a margem do mesmo instante. Lá percebemos que ela estava desacordada e com um corte na cabeça; imediatamente ligamos para uma ambulância e ela foi levada ao hospital.
No hospital, foi atendida pela tia, que após fazer alguns exames, constatou que a garota estava em perfeito estado e corte na cabeça foi superficial. Mesmo assim, teria que ficar em observação por 24h e seria liberada em seguida. Confesso que, quando a vi desacordada, com a cabeça machucada, me bateu um medo enorme. Eu estava começando a me apaixonar por ela, não queria que nada de ruim acontecesse, por isso, enquanto esteve internada, não saí do lado dela um minuto sequer.
*Fim do ponto de vista do Ronnie*
Ao acordar, por volta de 9h da manhã, percebi que estava numa cama de hospital e que ninguém mais, ninguém menos que Ronnie Winter estava ao meu lado, dormindo um soninho gostoso. Não quis acordá-lo e chamei a enfermeira por um botão ao lado da minha cama. Assim que ela chegou, perguntei o que havia acontecido e ela me explicou tudo, tim tim por tim tim, acordando o Ronnie, sem querer.
- , como você está? - ele perguntou, ainda sonolento.
- Bem, a enfermeira acabou de me contar tudo. O que você ta fazendo aqui?
- Ah, a Katherine foi pra casa e me pediu pra ficar aqui contigo. Por quê? Eu fiz mal?
- Claro que não, muito pelo contrário. Foi ótimo acordar e te ver aqui. - eu disse, sorrindo, e nós começamos a conversar sobre o que aconteceu. Mais tarde o pessoal apareceu e eu fui liberada.
Ao chegar em casa, encontrei uma sopinha quente me esperando e fui para o quarto. Meus amigos, que até então não desgrudaram de mim, resolveram ir para suas casas, já que no dia seguinte ainda teriam que ir para o colégio. Ronnie, como sempre, foi o ultimo a se despedir e foi aí que aconteceu.
- Er... Tchau . - ele disse, meio sem graça.
- Tchau Ronnie, e obrigada por ter salvo a minha vida. - eu disse, abraçando-o forte.
- Que é isso, não precisa agradecer.
- Precisa sim, você arriscou a sua vida para me salvar. Obrigada mesmo, do fundo do coração.
- Sempre que precisar, é só me chamar que eu venho correndo. - ele disse e eu olhei fundo naqueles olhos castanhos que tanto mexiam comigo, beijando-o em seguida. Nosso beijo dessa vez foi diferente, calmo, carinhoso e até com sentimento.
Após esse episódio, eu e ele começamos a ficar e duas semanas depois estávamos namorando. No inicio ele ficou meio assim por eu ser filha de uma modelo e ele não, mas com o tempo as coisas se acertaram e o Ronnie entendeu que pra mim ele era especial e isso era o que importava.
Mais alguns meses se passaram e o nosso primeiro aniversário de namoro chegou. Nós comemoramos de uma forma bem romântica, na ilha de Creta, na Grécia, durante uma viagem com a galera do colégio - estudar em colégio particular dá nisso. Eles realizam passeios para lugares lindos ás custas dos nossos pais. Enfim, aproveitamos a ilha o dia inteiro e a noite um barco nos esperava, com uma mesa de jantar montada. Após jantarmos, ficamos nos curtindo mais um pouco no barco e voltamos para o hotel, onde aconteceu a nossa primeira vez. Foi um momento muito especial e marcante pra mim, pois foi ali que eu tive a certeza do tamanho do meu amor por ele. Sem falar dos planos que fizemos, de envelhecer juntos, ter muitos filhos e morar na Austrália, cuidando de cangurus. Planos toscos, eu sei, mas quem nunca fez isso?
O ano seguinte foi muito corrido para todos nós. Por ser o ano de formatura, as cobranças se tornaram cada vez maiores e a única coisa que importava para a maioria era o que faria a seguir, para que lado iria, qual a profissão que exerceria. Por conta disso, os relacionamentos, inclusive o meu, ficaram em segundo plano. Contudo, não pense que por causa disso nada aconteceu; muito pelo contrário, Lindsay, a garota mais insuportável da escola, tentou armar uma pra me separar do Ronnie, mas acabou se dando se dando mal, já que o que ela fez só serviu pra fortalecer a nossa relação. De qualquer maneira, a formatura chegou e uma outra vida me aguardava a partir daí.
Após a festa fui obrigada a voltar pra Nova York, como combinado anos atrás - não tive nem tempo de me despedir do Ronnie direito, já que os meus pais me levaram para casa o mais rápido possível, devido a uma sessão de fotos que eu teria no dia seguinte.
Os primeiros meses de namoro à distância foram complicados, devo dizer. Devido à correria do dia-a-dia, ficava difícil a gente se falar ou se ver, mas quando acontecia, não havia espaço para discussões ou coisas do tipo; curtíamo-nos ao máximo, conversávamos, trocávamos confidencias, tudo o que um casal normal e apaixonado faz. Porém, com o passar dos dias, o trabalho ocupou todo o meu tempo e os momentos que eu e Ronnie tínhamos pra nos encontrarmos se tornaram cada vez mais escassos; com isso fui obrigada a escolher entre me dedicar à carreira e manter um relacionamento. Foi a decisão mais difícil que tomei na vida, pressionada por todos que me cercavam - principalmente os meus pais, que achavam que se eu não tivesse totalmente focada, não conseguiria alcançar o objetivo de ser uma modelo de sucesso.
Na ultima vez em que eu e Ronnie nos encontramos, não consegui disfarçar a cara de morte e o Ron logo percebeu que havia algo errado. Estávamos vendo um filme no apartamento que eu dividia com outras garotas da Elite Model Management, minha agência, quando ele iniciou a conversa que seria definitiva pra nós naquele momento.
- O que foi, ? Aconteceu alguma coisa? - ele perguntou, me abraçando forte.
- Por que ta perguntando isso?
- Sua cara não está das melhores. É alguma coisa no trabalho que ta te estressando? Diga-me, quem sabe eu posso te ajudar.
- Eu não sei nem por onde começar. Tenho tanta coisa pra te falar, mas ao mesmo tempo to morrendo de medo da sua reação.
- O que quer dizer com isso?
- Eu quero terminar. - disse, depois de respirar fundo.
- Co-como assim? Terminar o quê?
- Eu quero terminar o nosso namoro.
- Por quê? - ele perguntou, com lágrimas nos olhos.
- Porque eu não acho justo te prender num namoro que não tem futuro. A partir de agora eu vou ser obrigada a me manter concentrada no trabalho, vou viver pra isso e não quero que você fique preso a mim, perdendo seu tempo com uma namorada ausente quando deveria estar com alguém que pode estar contigo o tempo que você quiser, pra te acompanhar aos shows, sair pra passear de mãos dadas no parque, ir ao cinema, essas coisas. Eu te amo demais pra te ver infeliz. Quero que a partir de hoje eu seja apenas uma doce lembrança na sua vida e desejo, do fundo do meu coração, que você encontre uma garota à sua altura, que vá cuidar de você e te fazer feliz como eu não pude. - disse, com lágrimas nos olhos.
- Não é possível que você esteja terminando comigo por causa da sua carreira. Achei que eu fosse mais importante que essa sua vida de fama, dinheiro e glamour.
- E é! Nunca duvide do meu amor por você, Ronnie. O problema é que eu to sendo muito cobrada ultimamente. Além de ser boa no que eu faço, tem o acréscimo de ser filha de uma das maiores top models do país, o que torna tudo muito mais difícil; todos esperam muito de mim e se eu não corresponder ás expectativas, vão sair por aí me bombardeando de críticas.
- Isso não justifica nada! - ele disse, com os ânimos exaltados.
- Além do mais, você vai terminar a gravação do Don?t You Fake It e entrar em turnê. Vai conhecer milhares de garotas por aí, doidas pra ficar contigo, e no fim das contas vai ser difícil resistir. - eu disse, ignorando o que ele havia dito.
- Não põe a culpa em mim e nas supostas garotas que eu vou conhecer quando entrar em turnê com a The Red Jumpsuit Apparatus. Você ta terminando comigo porque quer, , assuma logo isso!
- Você não entendeu mesmo, não é? Eu não to terminando contigo porque eu quero, e sim porque eu to sendo pressionada. Tenta se colocar no meu lugar por um segundo e talvez você compreenda o porquê de tudo. - eu disse, enquanto as lagrimas teimavam em cair.
- Isso vai ser meio impossível, mas quer saber? Volta lá pro seu mundinho cor-de-rosa e fashion, cheio de pessoas falsas, que só estão contigo pela sua fama. É com essas pessoas que você merece ficar, e a propósito, desse mundo você nunca deveria ter saído. Passar bem. - ele disse, e saiu.
Na hora, confesso que pensei em jogar tudo pro alto e pedir ao Ronnie que me perdoasse, mas eu tinha feito uma escolha e, por mais que doesse naquele momento, com o tempo ia passar. Pelo menos era o que eu dizia a mim mesmo todos os dias, quando pensava nele e nas coisas que vivemos, mas sabia, lá no fundo, que estava muito enganada.
Durante cinco anos eu segui o meu rumo, fazendo o que todos esperavam que eu fizesse. Ao longo desse tempo, algumas coisas importantes aconteceram: Meus pais tiveram mais um filho - dessa vez um menino, pra alegria do meu pai, que sempre quis ensinar um filho a jogar futebol, o que não aconteceu comigo, óbvio - e pararam de pegar no meu pé; Katherine se formou em Direito e foi trabalhar no escritório do tio Bobby; a banda The Red Jumpsuit Apparatus lançou dois álbuns - Don't You Fake It e Lonely Road –, caindo nas graças dos adolescentes e eu me tornei a top model número 1 do mundo.
Com a carreira consolidada e tendo chegado ao posto máximo que uma modelo poderia alcançar, decidi que era hora de tomar as rédeas da minha vida de novo. Sendo assim, após a Semana de Moda de Paris, resolvi tirar umas férias de aproximadamente três semanas - aproveitando que o próximo desfile seria em Milão, dali a um mês. O lugar escolhido por mim foi Jacksonville; ainda havia alguns assuntos a serem resolvidos por lá e eu tinha que aproveitar essa chance que a vida estava me dando.
No dia 29 de março, fiz as malas e parti pra Jacksonville, que fica a umas sete horas de Nova York, mais ou menos. Cheguei à residência dos Wright por volta de 16h e não havia ninguém em casa a não ser a empregada, Erin. Foi com a ajuda dela que eu preparei um bolo de chocolate com nozes, receita aprendida na Suíça. Lá pelas 18h, quando o bolo ficou pronto, tio Bobby e Katherine chegaram. Kathy, quando me viu, fez a maior festa.
- ! - ela gritou, vindo me abraçar.
- KATHY! - gritei, rindo e retribuindo o abraço.
- O que ta fazendo aqui? Achei que estivesse em algum lugar do mundo tirando fotos ou desfilando.
- Não, eu to de férias. Tava merecendo um tempo só pra mim, longe dos flashes dos fotógrafos.
- E vai ficar quanto tempo?
- Três semanas, mais ou menos. Depois eu volto pra Nova York e começo outra maratona de desfiles, dessa vez em Milão.
- Hum. Que bom que ta aqui, prima. Senti tanto a sua falta.
- Também senti a sua. - nisso o tio Bobby pigarreou.
- Será que a top model não vai dar nem um abraço no tio advogado? - ele perguntou.
- Oh tio, desculpa. Também tava morrendo de saudade de você. - eu disse e ganhei um abraço de urso que só ele sabe dar.
- Acho bom. - ele disse, rindo.
- Então, o que me contam de novo?
- Eu não conto nada, já a Kathy...
- Ih, tenho muito que te atualizar prima, mas antes vou comer alguma coisa; estou desde as 11h sem nada no estomago e ele já ta reclamando. - Kathy disse, fazendo cara de esfomeada.
- Então aproveite o bolo de chocolate com nozes que eu fiz. - eu disse, apontando para a mesa da cozinha. Tio Bobby foi o primeiro a 'atacar' e pegou um pedaço generoso, devorando-o minutos depois; Katherine fez o mesmo, com a diferença de que ficou com o rosto lambuzado de chocolate. Mais tarde a tia Rosalie chegou do hospital - ela é médica, especializada em neurocirurgia - e se juntou a nós, comendo o que ainda restava do bolo.
No dia seguinte, eu e a Kathy fomos dar uma volta pela cidade, aproveitando para dar um pulo na Jacksonville Beach, onde sentamos na pontinha do píer e começamos a conversar. Enquanto contava a ela sobre como foi legal conhecer John O?Callaghan, um dos meus maiores ídolos, lembranças vieram à tona, mexendo comigo de tal forma que não consegui disfarçar.
- O que foi, ? Por que parou de falar de repente? - Kathy perguntou.
- Desculpa, é que eu me lembrei de algumas coisas e não me senti muito bem.
- Ta falando do Ronnie, não é?
- Aham. Já se passaram cinco anos e mesmo assim eu não consigo superar. Será que isso é normal? Não é possível que, depois de todo esse tempo, eu ainda fique abalada por me lembrar do que a gente viveu nessa cidade, das promessas que um fez ao outro... Tudo bem que eu vim pra cá decidida a ter uma ultima conversa com ele, mas não imaginava que fosse ficar dessa forma. E olha que a gente nem se viu ainda.
- Na boa , não fica se sentindo culpada por ter essa recaída repentina. Vocês tiveram uma história linda, passaram mais de dois anos juntos, é normal que você se sinta balançada por voltar à cidade em que tudo aconteceu.
- Mesmo assim.
- Olha , você sabe que eu te amo e que você é a minha prima preferida, mas eu vou ter que te bater.
- Por quê? - perguntei, assustada.
- Pra ver se você acorda pra vida. Do jeito que fala, parece que é o fim do mundo ainda gostar do Ronnie, e pode apostar que você não é a primeira nem a ultima garota na face da Terra a não ter esquecido o ex-namorado; a única diferença é que elas não são A modelo.
- E de que adianta ser A modelo, ter toda essa fama e ser infeliz?
- Agora eu vou ter que te dar uma surra, sabia? Poxa, você tem tantos amigos, uma família que te ama muito, a carreira dos sonhos de toda adolescente, conheceu lugares maravilhosos fazendo o que gosta e ainda vai dizer que é infeliz? Na boa, não é possível que isso não tenha significado nenhum pra você.
- É, você ta certa, Kathy. Não adianta ficar amarrando o bode por uma coisa que aconteceu no passado. O melhor que eu faço agora é levantar a cabeça e seguir em frente, deixar as lembranças num cantinho esquecido do coração e pensar em descansar, aproveitar as minhas merecidas férias.
- O que não significa que você não deva correr atrás do que quer.
- Como assim?
- Se você gosta do Ronnie e quer ele de volta, não custa nada correr atrás e tentar resolver as coisas. Aproveita que agora você é independente, não tem mais que fazer o que os seus pais esperam, e segue o seu coração.
- Mas como eu vou fazer isso? O Ronnie deve estar em algum lugar desse mundo fazendo show com a The Red Jumpsuit Apparatus.
- É, mas semana que vem ele vai estar em Jacksonville. Pelo que o meu namorado, Luke Sanderson, me contou, eles vão encerrar a turnê aqui e depois ficarão mais alguns dias, passando férias que nem você. Aproveita essa oportunidade que a vida ta te dando. Seja aquela garota que eu conheci sete anos atrás, que fazia o que queria e não estava nem aí pro que os outros iriam pensar; que pegou detenção no primeiro dia de aula e fez Ronnie Winter, o cara mais desligado do planeta, se apaixonar por ela. - Kathy disse e eu apenas concordei. Ficamos ali por mais algum tempo, conversando, e voltamos pra casa.
Uma semana depois, aquilo que eu mais temia aconteceu. Após fazer compras e ir a um jogo de basquete, resolvi dar um pulo no West Píer pra relaxar, e foi aí que o encontrei.
*Ponto de vista do Ronnie*
Quando a terminou comigo, juro que não acreditei. A gente estava numa boa, levando tão bem essa coisa de namoro à distância, que quando ela disse que queria terminar eu desabei. Tudo bem que, mais cedo ou mais tarde, ela ia acabar tendo que se afastar um pouco mais de mim por conta da carreira, só não esperava que fosse acabar com tudo por causa disso. De qualquer forma, os primeiros meses longe dela foram os mais difíceis; eu quase não comia, ficava mal o dia inteiro, não tinha ânimo pra ensaiar e por aí vai, curti AQUELA dor de cotovelo. Porém, um belo dia, eu acordei e disse a mim mesmo que não ficaria mal; a havia feito a escolha dela e eu tinha que seguir com a minha vida. Dessa forma cinco anos se passaram.
Ao longo de cinco anos, o trabalho consumiu a maior parte do meu tempo. A banda entrou em estúdio pra gravar o primeiro álbum, saiu em turnê, teve que lidar com a saída do Elias - que foi morar em Los Angeles com a namorada Kirsten Storms –, lançou os videoclipes de False Pretenses, Your Guardian Angel e Face Down, produziu o disco Lonely Road, gravou o videoclipe de Your Better Pray e entrou em turnê novamente. Como não havíamos feito nenhum show em Jacksonville desde que assinamos com a gravadora, resolvemos encerrar nossa turnê pelos EUA lá.
Chegamos à cidade dia 05 de abril e fomos direto pra casa, descansar e dormir. No dia seguinte, folga. Aproveitei a oportunidade e fui dar uma caminhada pela praia, já que o dia estava fresco e não havia nada pra fazer em casa a não ser jogar videogame com o Duke ou ver o Jon e o Joey se pegando com suas namoradas Cassidy e A.J., respectivamente. Sem querer, cheguei ao West Píer e me deparei com a última pessoa que desejava encontrar naquele momento: . Ela estava sentada bem na pontinha do píer, com os pés balançando no ar, do jeito que gostava de ficar quando íamos até lá ver o sol se por em alguns fins de tarde. Naquele momento, meu coração disparou na velocidade da luz; ela estava mais bonita do que eu me lembrava: Os cabelos cor de fogo que batiam na cintura deram lugar a um cabelo castanho-escuro, na altura dos seios e com um corte moderno, que combinou perfeitamente com seus olhos e seu rosto. Diante disso, não tive outra saída a não ser ir lá. Cheguei de mansinho, para não assustá-la, e fingi estar surpreso por vê-la ali.
- ? - perguntei, depois de respirar fundo.
- Ronnie? - ela perguntou, tão surpresa quanto eu.
- O que ta fazendo aqui?
- Passando as férias, e você?
- Trabalho. Daqui a três dias a minha banda encerra a turnê com um show na cidade.
- Hum, acho que a Kathy comentou algo esses dias.
- Comentou, é? Como ela sabia?
- Luke. Os dois estão juntos e ele avisou a ela que vocês viriam. Como ela é minha prima...
- Saquei. Er, você se incomoda se eu ficar aqui com você? É que o Jon e o Joey estão com as namoradas lá em casa e o Duke provavelmente foi ver a avó, então eu meio que não tenho pra onde ir. - disse, meio sem graça. A verdade é que eu poderia muito bem ter ido pra qualquer lugar, inclusive pra casa da Viola, meu atual passatempo, mas era muito melhor ficar ali, conversando com a .
- Não, tudo bem, pode ficar. - ela disse, tão sem graça quanto eu, e nós tentamos iniciar uma conversa agradável. Sabe, não foi uma tarefa muito fácil, mas no fim das contas deu tudo certo e voltamos para casa satisfeitos com o papo que tivemos.
No dia seguinte, meu amigo Duke teve a brilhante idéia de fazer uma pequena reunião pra relembrar os velhos tempos e sobrou pra quem ligar pro povo? Sim, eu mesmo, Ronnie Winter. A principio eu detestei a tarefa, mas depois que vi a reação de uma certa pessoa, mudei totalmente de idéia.
*Fim do ponto de vista do Ronnie*
Quando o Ronnie foi falar comigo no West Píer, confesso que fiquei nervosa, morrendo de medo do que poderia acontecer caso ele resolvesse soltar os cachorros em cima de mim. Porém, a reação dele foi a mais inesperada possível: Conversou comigo como se fossemos amigos de infância que não se veem há muito tempo. Isso me deixou feliz e triste ao mesmo tempo, já que na minha cabeça, o nosso reencontro seria que nem é nos filmes adolescentes, em que o casal fica anos sem se ver e quando se encontra, tudo fica numa boa num passe de mágicas. O que eu esqueci é que não vivo num filme de Hollywood, mas tudo bem.
No dia seguinte, quando eu menos esperava, o telefone tocou. Como estava sozinha em casa - tia Rosalie, tio Bobby e Katherine foram para o trabalho e a Erin tirou o dia de folga - fui atender. Pra minha total surpresa, era o Ronnie, que ligou pra me fazer um convite.
- Alô. - eu disse.
- ?
- Sim, quem está falando? - perguntei.
- Oi . Aqui é o Ronnie, tudo bem?
- Tudo sim, e você?
- Melhor agora. - ele disse, rindo. - Escuta, a Kathy ta em casa?
- Não, ela saiu cedo hoje, dizendo que tinha um caso super importante pra resolver. Por quê?
- É que o Duke teve a idéia de reunir a galera aqui em casa e eu fiquei encarregado de avisar o pessoal.
- Ah ta. Ela costuma chegar por volta de 18h, se você quiser ligar nesse horário...
- Er, eu vou estar meio ocupado aqui, ajudando os caras a arrumar tudo. Você poderia avisar a ela por mim?
- Claro. A que horas vai ser e o que precisa levar?
- Vai começar lá pelas 20h30 e é pra trazer algum petisco, tipo mini-pizza, hambúrguer, nuggets, essas coisas.
- Ok, assim que ela chegar eu dou o recado. - disse, visivelmente chateada. Como assim, os meus amigos vão dar uma festa e eu não vou ser convidada?
- Muito obrigado. E, , se você quiser, aparece por lá. A galera vai adorar te ver de novo! - Ronnie disse e eu tive certeza de que estava sorrindo.
- Pode deixar que eu vou sim. - eu disse, empolgada, e desliguei o telefone. Assim que terminei de encomendar os salgadinhos na padaria mais próxima, comecei a gritar e pular que nem doida de tanta felicidade.
Algumas horas mais tarde, Katherine chegou em casa e eu contei a ela o que havia acontecido mais cedo. Minha prima vibrou muito comigo e nós fomos direto escolher os trajes para a festa - tudo bem que era apenas uma reunião entre amigos, mas eu tinha que estar linda para reconquistar o Ronnie de vez.
Por volta de 20h30, quando já estávamos prontas, o Luke apareceu pra nos buscar. Katherine usava uma calça boyfriend de lavagem clara, regata branca, casaquinho acinturado preto, ankle boot preta de salto alto e anel turquesa. Já eu escolhi um vestido estilo retro salmão, sapato Oxford bege de salto médio e trench coat azul-marinho e anel também salmão.
- Meu Deus, quem são vocês e o que fizeram com a minha namorada e a minha amiga? - Luke perguntou, espantado.
- Por que ta dizendo isso, amor? - foi a vez de Kathy perguntar.
- Vocês estão gatas demais. Desse jeito eu vou ter que ficar de olho nas duas, principalmente na dona .
- E eu posso saber o motivo? - perguntei.
- Você é a top model numero um do mundo, qualquer cara normal gostaria de ter você como namorada.
- É, mas só os melhores conseguem, meu bem.
- Tem certeza?
- Luke Sanderson, você por acaso conhece a lista dos meus ex-namorados?
- Não.
- Então não fala uma coisa dessas.
- A ta certa. Se você soubesse quem essa garota já pegou... - Kathy disse, rindo.
- Quem?
- Ah, só o Daniel Radcliffe, o Taylor Lautner e o Danny Jones do McFLY.
- Nossa , meus parabéns. Só cara legal. - Luke disse, rindo.
- O Danny e o Taylor são sim, mas o Radcliffe tem hora que consegue ser bem insuportável. De qualquer forma, acho melhor irmos andando, ou vamos chegar lá e encontrar todo mundo bêbado. - eu disse e saímos.
Chegamos à casa dos garotos cerca de vinte minutos mais tarde e, além da banda, se encontravam ali o empresário, algumas pessoas da produção e os nossos amigos do colegial. Assim que nos acomodamos, Duke apareceu com cervejas para todos e engatamos um animado papo. A única coisa que me deixou grilada foi a ausência do Ronnie e o fato de que, toda vez que eu perguntava por ele, alguém dava um jeito de mudar de assunto.
Passadas duas horas, quando a maioria ali presente já estava bêbada, Ronnie Winter resolveu aparecer, com uma garota a tiracolo. Foi aí que eu entendi o motivo do atraso; aquela deveria ser a namorada dele e eu, idiota, achei que ele fosse estar sozinho. Assim que o casal se acomodou no sofá de frente para o que eu estava, começou uma sessão de beijos e abraços. Eu até que tentei disfarçar, fingir que não me importava, mas depois de algum tempo o clima pesou e eu me retirei; fui para o quarto do Jon chorar as pitangas. Lá, depois que me recuperei de uma crise de choro, peguei papel e caneta e comecei a escrever. As palavras foram as seguintes;
Nós fizemos planos de envelhecermos juntos,
Acredite, havia sinceridade em todas aquelas histórias que eu contei
Perdidos num simples jogo de gato e rato,
Somos as mesmas pessoas que éramos antes de tudo acontecer?
Pois é, Ronnie Winter, aqui estou eu, , modelo super famosa, chorando por sua causa enquanto você, seu imbecil, está no andar de baixo se pegando com uma garota. Vai ver eu sou uma burra por achar que, mesmo depois de cinco anos, você ainda estaria aqui me esperando. É lógico que eu tinha consciência de que outras garotas passariam pela sua vida, assim como outros garotos passaram pela minha, mas imaginava que quando chegasse a hora de ficarmos cara-a-cara, você estaria livre. Mas tudo bem, o que eu posso fazer? Não sei absolutamente nada sobre esse seu novo relacionamento - e, honestamente, não me interessa saber - mas pelo que parece, essa garota gosta de você; se isso for recíproco, quero que seja feliz. Só acho uma pena não termos conversado uma última vez, eu teria tanta coisa pra te falar.
Se pudesse te colocar na minha frente nesse exato momento, te pediria desculpas por não ter tido coragem suficiente pra enfrentar os meus pais e ficar contigo quando deveria. Sei que aos seus olhos o que eu fiz foi por puro egoísmo e vaidade, mas não foi fácil ter que te dizer que eu queria terminar, quando na verdade o que eu mais desejava era estar junto de você. Se tu soubeste o quão pressionada eu fui pra decidir seguir a carreira de modelo e me afastar de todos vocês, talvez não tivesse dito aquelas coisas no dia em que terminamos. Tudo bem, não poderia exigir de você uma atitude madura, mas custava se colocar no meu lugar por alguns minutos e tentar entender o meu lado? De qualquer forma, agora não adianta eu querer me reaproximar, tentar consertar as coisas entre a gente; você fez sua escolha e é inútil te dizer que eu amo você acima de tudo e que voltei a essa cidade depois de tanto tempo decidida a te reconquistar.
No começo desse texto que eu nem sei por que estou escrevendo, fiz uma pergunta e a resposta a ela é simples: Nós não somos os mesmos de antes e isso é o que faria a diferença no nosso relacionamento hoje. Ambos passaram por muitas coisas ao longo desses cinco anos, amadureceram e se tornaram pessoas melhores; talvez a bagagem emocional que adquirimos fizesse com que essa história funcionasse dessa vez. Por fim, você é um verdadeiro tolo por estar com essa garota e não comigo. Tenho certeza absoluta de que ela não é nem metade do que eu fui pra você!?
Terminei de escrever esse desabafo e alguns minutos depois o Luke apareceu, me chamando para ir embora. Limpei as lágrimas que ainda teimavam em cair, amassei o papel e joguei em qualquer canto do quarto, saindo em seguida. Já na sala, me despedi de todos, menos do Ronnie e da tal garota. Fingir que tava tudo bem é uma coisa, me passar por amiguinha do casal era pedir demais.
Durante os dois dias seguintes, procurei distrair a cabeça o máximo que pude, indo ás compras, fazendo um curso de culinária, alugando filmes de suspense na locadora... Tudo para manter o Ronnie longe dos meus pensamentos. Entre uma atividade e outra, recebi uma ligação do Jon exigindo a minha presença no show de encerramento da turnê. Sinceramente, eu não estava nem um pouco a fim de ir e me deparar com o Ronnie e a namorada posando de casalzinho feliz e apaixonado, mas o Jon me fez prometer que não perderia o show por nada nesse mundo e eu, como não poderia negar o pedido de um amigo tão querido, decidi ir, nem que fosse pra assistir ao show e voltar para casa.
No dia do show, nem me preocupei muito em parecer linda e elegante. Peguei uma calça jeans skinny escura, uma camiseta preta da banda Fox - uma banda dos anos 60, não muito conhecida –, coturno preto, cordão e anel de caveira, além de uma munhequeira de couro preta, e fui; Katherine e Luke, obviamente, me acompanharam. Kathy, ao contrário de mim, foi toda arrumada, nem parecia que estava indo a um show de rock, afinal, usava um vestido preto de paetê e ankle boot vermelha de salto alto.
Ao chegarmos ao Pontevedra Concert Hall, lugar onde seria realizado o show, fomos direto para o camarim, onde a banda estava - pelo menos foi o que pensamos. Para nossa total surpresa, os garotos da The Red Jumpsuit Apparatus já estavam no palco, tocando Face Down. Nos acomodamos na área reservada para os amigos mais íntimos e assistimos ao show.
Depois de mais ou menos meia hora, quando tocaram os últimos acordes de Your Better Pray, novo single da banda, Ronnie largou a guitarra e pegou o violão, enquanto Duke se dirigia ao piano.
- Galera, essa noite nós vamos tocar uma musica inédita, que foi composta ontem de manhã. O nome dela é Cat and Mouse e eu gostaria que algumas pessoas prestassem atenção à letra. - ele disse, olhando pra mim. Confesso que não entendi porcaria nenhuma, mas resolvi fazer o que ele havia pedido.
N.A. Pode dar o play na música
Softly we tremble tonight,
Picture, perfect fading, smiles are all that's left in site,
I said I'd never leave, you'll never change
I'm not satisfied with where I'm at in life.
Am I supposed to be happy?
With all I ever wanted, it comes with a price.
Am I supposed to be happy?
With all I ever wanted, it comes with a price.
You said, you said that you would die for me...
We made plans to grow old,
Believe me, there was truth in all those stories that I told.
Lost in a simple game cat and mouse
Are we the same people as before this came to light?
With all I ever wanted, it comes with a price.
Am I supposed to be happy?
With all I ever wanted, it comes with a price.
You said, you said that you would die for me...
You must live for me too...
For me too...yeah, yeah...
You said that you would die for me...
With all I ever wanted, it comes with a price.
Am I supposed to be happy?
With all I ever wanted, it comes with a price.
You said, you said that you would die for me...
Quando ele cantou a segunda estrofe, meu coração acelerou. Então ele havia encontrado o meu desabafo e usou uma parte dele pra compor uma música. Porém, já não adiantava mais nada ter escrito tudo aquilo e ele ter ficado sabendo dos meus sentimentos; o Ron agora tinha uma namorada e só me restava assistir ao show, dar um beijo nos garotos e voltar pra Nova York, de onde eu nunca deveria ter saído.
Após mais trinta minutos de puro screamo e post-hardcore, o show foi encerrado. Eu, Luke, Kathy, Didy e Tim, que estávamos na área VIP, esperamos os garotos irem para o camarim e fomos até lá dar um alô. Quando nos viram, fizeram uma festa e fomos conversar sobre o show, que foi super legal. Mais alguns minutos e saímos da casa de shows, indo direto para a casa dos garotos, onde eles tomaram banho e se arrumaram; sairíamos para comemorar o fim da turnê.
Ao chegarmos ao Brother's Bar, encontramos uma área reservada para a banda e nos dirigimos para lá; depois de nos acomodarmos, uma rodada de cerveja foi servida e dessa forma a noite foi passando, em meio a muita conversa e risadas. Uma coisa que eu reparei, durante todo o tempo em que estive com a banda, foi a ausência da namorada do Ron - teoricamente era para ela estar com ele, já que aquela era uma noite importante. Mas, pra falar a verdade, eu não me importei nem um pouco e até dei graças a Deus por ser privada da companhia daquela esquisita.
Num determinado momento da noite, quando a talzinha resolveu dar o ar da graça, percebi que era hora de tirar o meu time de campo e fui me despedir do pessoal.
- Galera, to indo embora. - eu disse, depois de acabar com a minha terceira garrafa de cerveja.
- Mas já, ? Ainda está cedo. - Timothy disse.
- Cedo nada. Amanhã eu acordo ás 8h.
- E eu posso saber por quê? - Katherine perguntou.
- Tenho que voltar pra casa.
- Como assim? Você ainda tem mais uma semana de férias!
- Aconteceu alguma coisa, ? - Ronnie perguntou.
- Não, é que eu não to me sentindo bem.
- E ta sentindo o quê? Se você quiser, eu posso te levar ao médico.
- Não precisa, não é nada demais. Apenas não to me sentindo bem nessa cidade. - eu disse e ninguém ousou comentar. Na verdade, acho que todos sabiam do que eu estava falando.
- E a que horas você vai? - Didy perguntou.
- Lá pelas 9h30. É por isso que eu vou pra casa agora.
- Quando você volta? - Duke quis saber.
- Não sei. Semana que vem eu volto ao trabalho a todo vapor e a minha agenda ta lotada até o fim do semestre. Vai ser difícil, mas eu arrumo um tempinho pra ver vocês, se quiserem.
- Com certeza. E quando tiver dando entrevistas por aí, fala que os seus amigos de Jacksonville têm uma banda de rock muito foda!
- Pode deixar que eu vou dizer que os meus amigos têm a melhor banda de rock do mundo! - eu disse e o abracei. Depois, abracei um por um naquela mesa e já me dirigia à saída do bar, quando alguém me puxou pelo braço. Era o Ronnie.
- Tchau, . - ele disse, meio sem graça.
- Tchau, Ronnie. Foi bom te ver de novo.
- Também foi bom te ver. - ele disse, sorrindo, e me abraçou, meio sem jeito. Retribuí o abraço e saí daquele bar, não conseguindo conter mais as lágrimas. Estava sendo mais difícil do que eu imaginava ter que voltar a Nova York sem ao menos ter tido uma chance de reconquistar o cara que eu amava.
*Ponto de vista do Ronnie*
Quando a se despediu, dizendo que estava indo embora da cidade porque não se sentia bem, eu percebi que na verdade o problema era comigo. Ela tava ali por minha causa e, se nós não estávamos juntos, não havia motivos para ela ficar. Pra piorar a situação, a Viola resolveu dar as caras, depois de ter dito que nunca mais queria me ver - é que ela soube que eu e a conversamos uns dias atrás e veio tirar satisfação, nós acabamos brigando e ela disse que era para eu nunca mais procurá-la. - e o clima pesou. Antes que eu pudesse decidir o que fazer, Tim me chamou num canto e me deu uma bronca.
- Ronnie, você é louco ou o quê? - Tim perguntou.
- Por que ta dizendo isso?
- A ta indo embora por sua causa e você não vai fazer nada? Cara, cai na real!
- O que você quer que eu faça? Que vá correndo atrás dela e a peça pra não ir embora?
- É! Você falou nessa garota desde que chegou, e eu sei que apesar de terem se passado cinco anos, ainda é completamente apaixonado por ela. O que custa consertar as coisas? O Joey me mostrou a carta que ela escreveu anteontem, quando te viu com a Viola, e na boa, se fosse pra mim o que estava escrito lá, duvido que eu a deixava escapar.
- Ela ta indo embora porque quer, não por minha causa.
- Acontece que ela foi obrigada a ir, ou você acha que ela iria suportar ficar no mesmo ambiente que o suposto casalzinho apaixonado? Pelo amor de Deus, Ronnie, deixa de ser criança e corre atrás daquilo que quer! Seja homem pelo menos uma vez na vida!
- Mas e a Viola? Ela é capaz de fazer qualquer coisa pra me separar da se souber que nós estamos juntos.
- Dane-se a Viola. Se ela tentar fazer qualquer coisa, a gente dá um jeito de tirá-la do caminho de vocês. O que eu não quero é ver o meu melhor amigo sendo infeliz por causa de uma bobagem.
- É Tim, você ta certo. Se eu deixar a escapar mais uma vez, acho que morro. - eu disse, depois de pensar um pouco.
- Então não morre, corre lá e fala pra ela tudo o que você sente. Ah, e deixa que da Viola cuido eu. - ele disse e eu apenas concordei. Saí correndo do bar e fui em direção à casa da Katherine, pra onde eu imaginei que ela estivesse indo. Não demorou muito e eu a encontrei.
*Fim do ponto de vista do Ronnie*
Ao sair do Brother's Bar, percebi que uma chuva torrencial se armava e apressei o passo para não ter que tomá-la. Estava quase chegando à casa da tia Rosalie quando ouvi alguém gritar o meu nome.
- ! - olhei pra trás e me deparei com o Ronnie, que respirava ofegante, parecendo que havia corrido.
- Ronnie? O que ta fazendo aqui? - perguntei, quase sem voz.
- Por que você ta fugindo? Já não bastaram cinco anos pra isso? - ele perguntou, depois de se recuperar.
- Como assim? Do que você ta falando?
- Eu não sei se você se lembra, mas eu estava no Brother's Bar quando você disse que não estava se sentindo bem aqui em Jacksonville. Acontece que o problema não é a cidade em si, e sim eu. Ou você ainda não percebeu que eu achei aquela carta que você deixou no quarto do Jon e sei de tudo?
- Percebi sim, quando você resolveu usar uma parte dela pra compor uma música. A propósito, ta feliz agora que já descobriu o meu maior segredo? - perguntei, irônica.
- Muito!
- É? Por quê? Por acaso é porque agora você tem um motivo pra rir junto com a sua namorada?
- Ta falando da Viola?
- Viola é o nome dela? Que falta de criatividade.
- É, mas isso não vem ao caso. O que está em jogo aqui somos nós dois.
- Tem certeza? Por que até dois dias atrás o que aparentemente importava era a Viola.
- , você não mudou nada mesmo, não é?
- Acho que não.
- Ok, se você quer continuar discutindo, sendo irônica e não ouvindo o que eu tenho a dizer, nós vamos ficar aqui a noite inteira. - Ronnie disse, depois de alguns segundos.
- Você ainda tem alguma coisa pra falar comigo? Achei que tivesse feito a sua escolha.
- E eu realmente fiz. A minha escolha, , é você.
- Mas... Mas como? Achei que... - eu disse, gaguejando. O que ele disse havia me tirado do chão e me levado pras nuvens.
- , sempre foi você. Durante esses cinco anos, todas as garotas que passaram pela minha vida não tiveram a menor importância, não chegaram a significar absolutamente nada.
- Achei que não gostasse de garotas idiotas, mimadas, egoístas e famosas. - disse, fazendo um charme.
- Não gosto mesmo, mas você, apesar de ser idiota, mimada, egoísta e famosa, ainda é a garota por quem eu me apaixonei sete anos atrás, que foi capaz de ver em mim alguém especial; você fez eu me sentir importante.
- Tem certeza?
- Absoluta. - ele disse, se aproximando cada vez mais.
- Mas eu to indo embora hoje de manhã.
- Não vai, por favor.
- Me dá um motivo pra eu ficar.
- Você quer um motivo? Pois bem, eu te amo e não quero que vá. Quero poder andar pela cidade de mãos dadas contigo, quero ver os marmanjos babando em você e saber que é minha. Quero te ver dormir, te ver acordar e te ver sorrir. Quero envelhecer ao seu lado, comemorar cada vitória sua e, acima de tudo, ser o cara responsável por te fazer feliz. Sei que pode parecer ridículo, mas essa é a mais pura verdade.
- Eu amo você, sabia? E, muito obrigada por ter me esperado, por não ter desistido de mim.
- Eu seria um idiota se deixasse a garota mais bonita do planeta escapar, ainda mais sabendo que ela é apaixonada por mim.
- Garota mais bonita do planeta, é? Pra quantas você diz isso?
- Só pra você. - eu sorri e nos beijamos com ferocidade, num misto de saudade e desejo. Segundos depois a chuva caiu e nós tivemos que correr pra casa da minha tia. Aproveitamos que estávamos sozinhos e matamos a saudade; tivemos uma noite de amor maravilhosa e inesquecível.
Depois daquele dia, eu e o Ronnie não nos separamos mais. É lógico que não foi um relacionamento perfeito; muito pelo contrário, foi um namoro cheio de altos e baixos, mas posso dizer que apesar de tudo, valeu a pena esperar cinco anos para tê-lo de volta. E hoje, cinquenta anos mais tarde, se alguém me perguntar se eu deveria estar feliz com a vida que tenho, eu digo que sim. Vida de modelo é difícil, temos que abrir mão de algumas coisas no começo, mas quando se tem a pessoa amada ao nosso lado, tudo se torna mais fácil. Essa é a lição que eu aprendi e tento passar todos os dias para a minha filha, Brooke Winter, que está prestes a pisar numa passarela pela primeira vez, se tornando motivo de orgulho para mim e para o Ronnie.
Nunca uma fiction me deu tanta dor de cabeça quanto essa. Sério, eu passei dias e dias pensando numa história legal, de uma banda que eu gosto, e o que saiu foi o que vocês leram. Espero que tenham gostado da história e que passem a gostar da banda também.
Ah, e se quiserem conferir os looks usados pelas personagens, é só acessar meu fotolog.
Invasão da Beta: Posso afirmar que todo esse trabalho que a Tah teve valeu a pena, porque a ideia da fanfic ficou MUITO legal, eu tipo, adorei logo na primeira estrofe de introdução que eu li! Para-para-parabéns, porque ficou maravilhosa! :D

Encontrou algum erro?