A Magia do Natal

Escrito por S.M Adelino | Revisado por Natashia Kitamura

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  Natal, minha época festiva favorita. Presentes, família unida, comida e o mais importante: o nascimento de Jesus. Mas eu não vim falar sobre isso. O Natal não é importante para mim apenas por causa da celebração, mas por causa de alguém mais especificamente, um garoto.
  Três anos atrás, era véspera de Natal e eu ajudava minha mãe na compra natalina. Árvore de natal, pisca-pisca, bolas vermelhas, douradas e brancas para pendurar na árvore, alguns anjinhos e até lacinhos.
  Como eu morava em uma cidade pequena, todos os moradores levavam suas mesas para a rua principal e lá fazíamos a ceia e comemorávamos o natal juntos. Todos da rua já tinham colocado os enfeites em suas casas.
  - Vamos, . Ajude-me com as compras! – gritou minha mãe enquanto eu olhava um caminhão de mudança chegar.
  - Quem está se mudando, mãe? – perguntei pegando uma sacola de compras.
  - Vizinhos novos! – respondeu botando as sacolas que carregava em cima da bancada. – Vou lá falar com eles! – sorriu empolgada.
  - E as compras? – perguntei, mas ela já tinha saído de casa.
  Terminei de tirar as compras do Hyundai Entourage da minha mãe. Mary, minha mãe, conversa animadamente com os vizinhos. Um casal por volta dos 32 anos com um filho, provavelmente, com 16 anos.
  - Se chamam Rose e Richard, vieram de Nova York e têm um filho da sua idade. – falou minha mãe fechando o carro e lançando um sorriso significativo para mim.
  A noite logo chegou e todos da vizinhança, inclusive minha família, colocaram suas mesas e suas ceias para o lado de fora. Pude ver nossos novos vizinhos colocando sua mesa ao lado da nossa. O filho do novo casal sorriu para mim e entrou em sua casa para terminar de buscar o que faltava para completar a mesa.
  Quando deu meia-noite, brindamos, comemoramos, trocamos presentes e, finalmente, comemos a ceia. Depois quando todos já estavam empanturrados e um pouco bêbados, eu sentei no meio-fio enquanto assistia alguns vizinhos retirar seus pertences do meio da rua.
  - Oi. – falou o garoto que, agora, morava ao meu lado. Sorri para ele em resposta. Alguns minutos de silêncio sobressaíram. – Sei lá, mas eu acho que você poderia me dizer pelo menos seu nome?
  - . – respondi. Ele sentou-se junto a mim. – . E o seu?
  - . – estendeu a mão. Apertei-a em um comprimento.
  - Você se mudou a casa ao lado da minha, não é? – ok, eu sabia qual era a resposta, mas não ia deixar a conversa morrer com apenas um “qual é o seu nome?”
  - Sim. – respondeu sorrindo. Seu sorriso era lindo. Quando sorria, uma covinha do lado esquerdo se formava.
  - Provavelmente você irá estudar na minha escola. Boa sorte. – disse entortando a boca e depois sorrindo.
  - Talvez por alguns meses. Meus pais vivem se mudando. Los Angeles, Nova York, Texas… A lista é grande.
  - Espero que eles gostem daqui. Aqui não é tão ruim quanto parece ser. – disse sorrindo abertamente.
  Pude ver pelo canto do olho ele sorrir. Continuamos a conversar quando minha mãe pediu para que eu fosse para casa, pois já estava tarde.
  - Só deixe-me fazer algo antes. – pediu segurando meu pulso.
  Cruzei os braços já que estava um pouco frio e fiquei de frente para ele. Ele olhou nos meus olhos e levantou um pouco a mão seguida vezes como se decidisse o que iria fazer. segurou meu queixo e beijou meus lábios.
  - Eu queria fazer isso o dia todo. – falou sorrindo.
  Sorri de volta e segurei a gola da sua camisa puxando-o para me beijar novamente. O beijo tinha um pouco mais de desejo e luxuria. Nossas línguas faziam uma dança sincronizada.
  - Eu espero que você não vá embora. – respondi dando-lhe um selinho e caminhando calmamente até a porta da minha casa.
  Olhei para trás e continuava parado lá com as mãos no bolso e sorrindo como se tivesse ganhado um milhão de reais. O que a magia no Natal não poderia fazer?

FIM



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