Esta história pertence ao Projeto Songfics
Redes Sociais



164 leituras

Seja um
Autor VIP
www.espacocriativo.net/VIP

26ª Temporada

All I Want
Kodaline



Algum Lugar Além do Rio

Escrito por Fe Camilo

« Anterior


PRÓLOGO

  The Pretty Reckless tocava no máximo volume dentro do seu Beetle 1973 enquanto cantava – lê-se gritava – a letra da música a plenos pulmões enquanto dirigia pela longa e instável estrada de Pikes Peak.
  - You make me wanna die, I’ll never be good enough. You make me wanna diiie and everything you love will burn up in the liiiiight, and every time I look inside your eeeeeyes… you make me wanna die!
  O teto de seu Beetle conversível estava aberto, permitindo que o vento batesse em seu rosto, esvoaçando seus cabelos. As árvores densas que margeavam ambos os lados da estrada pareciam convidá-la a observar a paisagem enquanto sentia o cheiro e as cores da natureza cercear seus sentidos. Um chiado estranho na transmissão de seu rádio logo chamou sua atenção antes que a voz masculina começasse a falar.
  - Interrompemos nossa transmissão para informar aos ouvintes que uma forte tempestade se aproxima das regiões montanhosas de Colorado, especificamente nas regiões Leste/Oeste entre Woodland Park e Pikes Peak. Algumas vias da Rodovia US-24 já foram interditadas pelas autoridades locais e recomendamos que os montanhistas, alpinistas e outros viajantes que estejam pela região procurem abrigo imediatamente. Segundo as previsões do tempo, há possibilidade de formação de tornado e – devido a periculosidade das montanhas nesse clima – é essencial que todos estejam abrigados antes que a tempestade se inicie.
  Ao ouvir o anúncio o rosto de perdeu a cor imediatamente, e mesmo depois que a voz no rádio foi substituída por algum rock alternativo dos anos 90, sua atenção se dispersava para a única pergunta que martelava em sua mente: onde poderia se proteger da tempestade?
  O plano de para o final de semana era simples: passar alguns dias sozinha no meio das montanhas de Woodland Park no chalé herdado por sua avó - um momento necessário para que pudesse relaxar e repensar os rumos que sua vida havia tomado e que a deixava tão insatisfeita. Pelos seus cálculos, ainda havia ao menos uma hora até chegar na cabana alugada, mas com as vias interditadas, não havia outra rota possível. A garota já havia passado por esse caminho inúmeras vezes, sabia que não havia nada além de montanhas e cabanas esparsas pelo trajeto.
  - Pelas previsões passadas pelas autoridades locais, a tempestade deve iniciar entre os próximos vinte a trinta minutos, portanto – repito – é fundamental que procurem abrigo o mais rápido possível. – a voz masculina voltou a falar ao fim da música.
   passou a olhar inquieta para o céu acima, notando as nuvens densas que se formavam sobre si; e com nova determinação em seu olhar, acelerou o carro enquanto observava ao redor com atenção redobrada. Após dez minutos reparou em uma cabana que mais parecia uma mansão despontando no topo de uma estrada adjacente em meio à floresta. conseguia ver as luzes acesas dentro da casa, e logo ela iniciou a subida em direção à cabana, uma parte de si preocupada em pedir ajuda para completos estranhos, enquanto outra parte pensava que nada seria pior do que ser atingida por um raio ou ficar presa no meio do nada com um tornado seguindo em sua direção.
  Alguns minutos depois, em frente à porta de madeira e com sua mala ao lado, pensava em todas as possíveis repercussões de se abrigar com estranhos, mas ao sentir alguns pingos começarem a cair em seu cabelo, imediatamente iniciou as batidas.
  - Let’s rock n’ roll. – murmurou para si mesma antes de moldar a melhor expressão “princesa em apuros” no seu rosto. Ela ouviu alguns sons de dentro da cabana, mas demorou alguns segundos antes que alguém viesse atendê-la.
  - Olá...? – se viu presa em um dos olhos mais lindos que já havia visto em sua vida, e somente depois de perceber o questionamento  no olhar do rapaz conseguiu se desvencilhar do transe, reparando um pouco mais em suas feições e percebendo que aquele rosto era familiar demais.
  - Wow! Você é o John O’Callaghan?!

CAPÍTULO 1

  John abriu a porta genuinamente curioso para saber quem seria capaz de ter encontrado a cabana praticamente em meio ao nada, ainda mais quando uma tempestade se aproximava. O rapaz não esperava encontrar um rosto delicado com olhos amendoados e uma expressão vulnerável o encarando de volta.
  - Olá...? – disse em um misto de cumprimento e pergunta, reparando que o vento que balançava seu cabelo e os pingos de chuva que já começavam a cair faziam com que um cheiro de limão exalasse de seus fios. A garota finalmente pareceu se dar conta de quem ele era e com ar perplexo perguntou:
  - Wow! Você é o John O’Callaghan?!
  - O próprio.  – respondeu com um sorriso – Você é...?
  A garota continuou o olhando com surpresa por alguns segundos antes de perceber que a chuva já começava a molhar seu vestido branco.
  - Hã...eu sou a ! Desculpa incomodar, mas eu estava a caminho de Woodland Park e, por conta da tempestade, fiquei presa no caminho. Será que eu poderia me abrigar aqui até a tempestade passar? – perguntou com um sorriso inocente e tentando fazer a sua melhor versão de olhos do gatinho do Shrek. – Prometo que vou ficar quietinha sem te incomodar, você nem vai perceber que eu estou aí.
  John notou o corpo se demarcando sob o vestido branco molhado e se esforçou para não encarar, embora um pensamento involuntário de que sua cintura se encaixaria perfeitamente em suas mãos adentrasse seu pensamento.
  A garota agradeceu internamente a todos os Deuses do universo pela ajuda e entrou timidamente porta adentro, notando com tristeza que sua roupa já molhava o chão com pingos constantes.
  - Desculpa, prometo que seco tudinho. – prometeu com um sorriso culpado, enquanto John apenas deu de ombros.
  - Pode ir tomar um banho e trocar de roupa, se quiser. Tem um banheiro no fim do corredor à esquerda.
   virou-se na direção do rapaz mais uma vez e mergulhou em seus olhos novamente sentindo algum tipo estranho de acalento naquele olhar, mas antes que ele achasse que ela era uma louca obsessiva se moveu na direção indicada logo depois de agradecer.
  - Muito obrigada! Assim que sair do banho, seco tudinho.
   
  John permaneceu na pequena sala de estar, escrevendo algumas frases soltas em seu caderno enquanto Billy Joel tocava em baixo volume na rádio, e somente desviou seu olhar quando reparou na garota saindo pelo corredor com um pijama surrado do Stitch que a cobria  da cabeça aos pés.
  - Hey! – o cumprimentou com um sorriso tímido, recebendo um aceno como resposta. – Onde posso pegar pano para limpar a bagunça que fiz?
  - Eu já sequei enquanto você estava no banho, não se preocupe. – respondeu distraído com os escritos no papel.
  - Muito obrigada, de verdade. – agradeceu novamente. – Posso dar uma olhada por aí?
  - Fique à vontade. – John deu de ombros.
   passou a explorar a cabana/mansão com alegria, já havia notado que no mesmo corredor onde tomara banho havia dois quartos. Ao lado direto da sala de estar tinha uma cozinha enorme, e fez questão de fuçar os armários e geladeira para ter  certeza de que estava abastecida, pretendia fazer algo para retribuir pela benevolência do cantor. Subiu as escadas de madeira e  ficou surpresa ao notar que os três quartos na parte de cima da casa eram suítes, e ainda havia uma área coberta que mais parecia um spa com um ofurô bem no centro.
   logo encontrou a suíte que estava sendo ocupada por John, com diversas roupas espalhadas, e se deu a permissão de escolher uma suíte para si antes de descer escada abaixo e sentar-se em uma poltrona de frente para onde o cantor permanecia com seus rabiscos. Ele a ignorou, a princípio, mas a insistência da garota em manter os olhos fixos nele logo o desconcertou a ponto de parar o que fazia e desviar os olhos questionadores en sua direção.
  - Precisa de algo mais?
  - Não, nadinha. - respondeu prontamente, embora fosse evidente que ela tinha algo a dizer.
  - O que é? - John insistiu, deixando seu caderno de lado.
  - Só estava me perguntando... o que John O' Callaghan faz aqui no meio do nada? - perguntou com os olhos brilhando de curiosidade. não fazia o tipo tiete,  mas precisaria viver em Marte para não conhecer The Maine, e gostava de algumas músicas da banda.
  - De vez em quando alugo uma cabana como essa e me permito ficar um tempo distante de tudo, focar em mim e escrever. - respondeu com uma sinceridade não planejada, algo naquela garota lhe trazia uma calma inesperada.
   assentiu, compreendendo mais do que ele poderia imaginar.
  - E você? - ele retrucou, genuinamente interessado em desvendá-la.
  - Mesma coisa. Minha avó tinha um pequeno chalé nas montanhas de Woodland Park, eu sempre vou visitar quando preciso ficar a sós com meus pensamentos.
  John podia perceber o quão natural era para a garota dizer a verdade, sem receios de ser honesta com um desconhecido completo, e isso o intrigava mais do que gostaria de admitir.
  - Eu notei que tem algumas coisas na dispensa... posso cozinhar enquanto estiver aqui, como uma retribuição por me deixar ficar. - acrescentou repentinamente.
  - Se você quiser. - John deu de ombros. O rapaz trouxera os mantimentos por ordem de sua mãe que empacotou tudo e recomendou que se alimentasse corretamente enquanto estivesse distante, mas ele planejava comer qualquer coisa que fosse rápida e simples, como de costume.
  - Eu quero! - disse entusiasmada, um sorriso leve e sincero dominando seus lábios. John se prendeu naquele sorriso por alguns segundos, notando que - involuntariamente - ele passara a sorrir também.
  Desviando o olhar da garota, pegou seu caderno e voltou a escrever distraidamente, enquanto ambos se mantinham em um silêncio confortável, como se a presença um do outro fosse algo natural.

"She had the most amazing... smile!" (Into your arms – The Maine)

CAPÍTULO 2

  Algumas horas depois, levava a sério seu comprometimento de preparar as refeições enquanto John a acompanhava de perto, em parte para ajudá-la de alguma forma, e em parte para conhecer um pouco mais sobre ela, sua curiosidade havia sido aguçada e agora não havia volta.
  - De onde você é? - perguntou enquanto pegava duas taças e servia um pouco de vinho para ambos, ao mesmo tempo em que colocava o macarrão na água fervente.
  - Eu sou de uma cidade minúscula na Inglaterra da qual você provavelmente nunca ouviu falar. Mas já faz algum tempo que moro em Geórgia. E você é de algum lugar no Arizona, certo? - perguntou de volta, tomando um gole do vinho e soltando um leve gemido de apreciação antes de se concentrar em separar os ingredientes para o molho.
  - Sim, Phoenix. Qual a sua profissão? - continuou com as perguntas entre um gole e outro de vinho.
  - Sou uma ilustradora de livros infantis. - respondeu com um sorriso.
  - Sério? - questionou intrigado. - Acho que nunca conheci uma pessoa com essa profissão.
  - Somos discretos. - afirmou em tom de zombaria, antes de completar - E, deixe-me adivinhar... você é o vocalista de uma banda famosa internacionalmente. - brincou, arrancando uma risada do rapaz. E, enquanto tomava mais um gole, pensou que adorava o som daquela risada e gostaria de ouvi-la mais vezes.
  - Isso é injusto, sinto que você sabe muito mais de mim do que eu de você. - John comentou com um franzido na testa.
  - Eu só sei as informações gerais que todo mundo sabe... - afirmou - que tal perguntar o tipo de coisa que quase ninguém sabe? - sugeriu.
  John pensou por alguns segundos, incerto se teria a coragem de revelar seus segredos para alguém que mal conhecia. Mas ao olhar nos olhos doces e gentis da garota à sua frente percebeu que gostaria de saber os segredos dela.
  - Eu começo! - exclamou entusiasmada enquanto o cheiro de especiarias dominava o ar. - Quando você parou de fazer xixi na cama?
  John instantaneamente caiu na gargalhada com a pergunta estranha, e sentiu que havia conseguido exatamente o que queria, ouvir aquela risada novamente.
  - Aos sete... ou oito, talvez. Não me lembro com certidão. - o rapaz respondeu sinceramente, antes de fazer a primeira pergunta que veio a sua mente. - Qual era o seu sonho de infância?
  - O meu sonho de infância era ser uma apanhadora de estrelas. - respondeu simplesmente enquanto se concentrava em experimentar o molho que preparava.
  John a olhava como se ela fosse completamente doida, então ela logo tratou de complementar sua resposta.
  - Quando eu era criança, minha avó tinha esse livro de cabeceira que era um de seus favoritos "o apanhador de sonhos". Eu não fazia ideia do que se tratava, mas na minha imaginação fértil, eu pensava em algo mágico, e sempre pensava que se havia um apanhador de sonhos, também deveria haver um apanhador de estrelas, e era isso que eu queria ser. Imagina só, ter uma estrela para chamar de sua? - concluiu com o olhar distante, relembrando a memória de infância.
  John virou uma dose completa de vinho em um único gole, absorto em cada detalhe do rosto à sua frente e se dando conta de que era única. Nunca havia conhecido ninguém como ela, e - caso baixasse suas guardas - ela poderia se tornar mais do que especial.
  O jantar logo ficou pronto, e foi um jantar regado à vinho e perguntas estranhas e inesperadas, mas no fim da noite, ambos haviam deixado de ser completos estranhos, e se tornaram algo mais, algo que ainda não conseguiam nomear.

"I'm unsure of almost everything, but I know I only wanna talk to you". (I only wanna talk to you – The Maine)

CAPÍTULO 3

  Na manhã seguinte, acordou primeiro e preparou um café reforçado com ovos, bacon e torradas. Estava quase finalizando a preparação da bancada que servia como mesa quando sentiu a presença de John atrás de si.
  - Bom dia, Arizona! – brincou fazendo referência à confissão feita na noite anterior da estranha obsessão que o rapaz teve por Hairspray na adolescência.
  - Bom dia, Geórgia. – retribuiu se aproximando da garota e dando um beijo em seu rosto que surpreendeu a ambos.
  Os dois se sentaram e comeram em silêncio ouvindo o barulho torrencial da chuva do lado de fora.
  - Quais sãos seus planos para o dia? – John questionou genuinamente curioso, ele simplesmente queria saber tudo sobre .
  - Humm... yoga, leitura, ilustrações e – se você permitir – eu adoraria experimentar aquele ofurô incrível no andar de cima. – fez os seus olhos de gatinho do Shrek mais uma vez, rezando para que desse certo como da primeira vez.
  O rapaz riu da tentativa da garota em parecer desolada, e achou fofo que ela recorresse à essa artimanha enquanto ele concluía que não havia nada que ela pedisse sorrindo que ele não fizesse chorando.
  - Claro, pode ficar à vontade, a casa é sua enquanto estiver aqui. – afirmou com convicção recebendo como prêmio o sorriso lindo de em retorno.
  - E você? – perguntou a garota, curiosa por entender a rotina de uma celebridade.
  - Escrever letras que podem ou não ser úteis, dormir, escrever mais um pouco... eu vou aonde a minha imaginação me levar. – concluiu com um sorriso que – reparou – deixava seus olhos ainda mais límpidos e brilhantes.
  Ambos terminaram o café da manhã em um silêncio confortável e John se ofereceu para lavar a louça, mas foi impedido por uma garota furiosa e comprometida a cumprir sua promessa de retribuir pela gentileza do cantor.

  Duas horas depois ambos estavam na sala de estar. John escrevia em seu caderno como havia dito que faria e estava estranhamente deitada no carpete em frente à poltrona na qual estava sentada alguns minutos atrás. A garota lia um livro que havia ganhado no ano passado, e depois de já ter feito ioga, meditação, tomado banho e iniciado e parado a leitura pelo menos três vezes por estar desconfortável com a posição em que estava, teve de admitir para si mesma que o motivo de seu desconforto tinha nome e sobrenome: John O’ Callaghan.  
   desviou seu olhar para o rapaz e notou que ele parecia concentrado escrevendo em seu caderno, o que lhe atiçava ainda mais a curiosidade. Era simplesmente insuportável ficar lendo enquanto poderia estar conversando e se divertindo com o rapaz, exatamente como fizera na anterior. Estar em sua presença não era somente natural, mas também viciante, e tão gostoso quanto aquela dose extra de chocolate inesperada dentro de um brownie.
  Desistindo de ler o livro, o jogou sobre a poltrona, suspirando irritada. Ela simplesmente não podia se dar ao luxo de alimentar o que quer que fosse que ela estava sentindo pelo rapaz magrelo e alto a poucos metros de si. Como se sentindo o desconforto de , John deixou de lado o caderno em que escrevia e a fitou com atenção.
  - O livro não é tão interessante quanto imaginava? – perguntou ao notar o sinal de frustração em seu rosto.
  - Que tal se fizermos algo um pouco mais divertido?  - sugeriu a garota sem se importar em responder a pergunta de John.
  - Como o quê? – John arqueou a sobrancelha intrigado.
  - Hum... como... o chão é lava! – exclamou entusiasmada, se levantando do chão em um supetão.
  - Você tá falando sério? – o rapaz riu sem acreditar em seus ouvidos.
  - Não poderia estar falando mais sério. – afirmou convicta – E saiba que sou extremamente competitiva. – complementou.
  John se levantou e guardou seu caderno na estante ao canto da sala antes de se posicionar fingindo uma pose de batalha.
  - Então é guerra! – exclamou pulando sobre o sofá. – Mas devo te avisar, eu jogo sujo. – brincou com uma piscadela que imediatamente achou sexy, mas reprimiu o pensamento com maestria.
  Ambos passaram horas disputando entre jogos, quando se cansaram de ‘o chão é lava’, foram para poker e – apesar da insistência de John – se recusou veemente a transformar o jogo em um strip poker para ficar mais interessante. Ela definitivamente não precisava da imagem de John quase sem roupa crava em sua mente, mas John pensava que era exatamente essa imagem de que gostaria de ter.
  No fim da tarde, depois de comerem uma pizza de pepperoni com muito queijo feita por , ambos estavam prestes a se dedicar a seus afazeres novamente. pretendia fazer algumas ilustrações pendentes que trouxera consigo enquanto John desejava voltar ao seu caderno de letras, mas os planos foram arruinados pela queda de energia na cabana.
  Um encarou ao outro com uma pergunta clara evidente em seus rostos ‘o que fariam agora?’. John foi até a gaveta na estante e voltou com algumas velas as quais acendeu sobre a mesa de centro, iluminando piamente o local.
  - E então, dormir mais cedo? – sugeriu John embora ele conseguisse pensar em formas bem mais prazerosas de aproveitar a escuridão.
  - Eu tenho uma ideia bem melhor. – disse com um ar de mistério, dando uma piscadela para o rapaz que a encarou sem acreditar que ela tivesse o mesmo pensamento que ele nutria. Sem conseguir conter, ele se aproximou um pouco mais, reparando nos olhos amendoados sombreados pela luz das chamas, e descendo seu olhar para a clavícula exposta pela regata que ela vestia.
  - E que ideia seria essa? – perguntou enquanto pegava uma mecha de seus cabelos que escapara de seu rabo de cavalo e a colocando por detrás de sua orelha.
  - Histórias de terror! – exclamou empolgada, correndo na direção da cozinha e deixando John perplexo na sala de estar. A garota voltou alguns minutos depois carregando uma garrafa de vodca e dois copos consigo, se sentando no carpete sem notar a frustração no rosto do rapaz, que logo se junto a ela, sentando-se ao seu lado.
   serviu duas doses generosas de vodca e ofereceu uma à John antes de oferecer o copo para brindarem enquanto dizia “à uma noite aterrorizante!”. O rapaz ainda a olhava confuso, sem compreender de onde ela tirava ideias tão absurdas, mas entrou na brincadeira, tomando a dose em um só gole.
  - A regra é simples. Tomamos uma dose no início e no fim de cada história. Eu começo! – anunciou , pigarreando para preparar a sua voz antes de assumir um tom misterioso para iniciar sua narração. – Um pai colocava seu filho para dormir a noite quando seu filho pediu “papai, veja se tem algum monstro debaixo da minha cama”. O pai olha debaixo da cama apenas para entreter o garoto, mas vê seu filho - ou uma réplica do seu filho -  deitado ali embaixo e o encarando, os olhos arregalados de medo, e então ele sussurra “papai, tem alguém na minha cama”.
   serviu uma nova dose assim que finalizou a história, brindando uma vez mais e virando o gole de uma só vez enquanto sua risada ecoava pela sala semiescura. John a olhava admirado, jamais se imaginaria em uma situação como aquela com nenhuma pessoa, mas não queria nada mais do que passar qualquer momento que fosse fazendo o que quer que fosse com outra pessoa que não fosse ela.
  Os dois continuaram contando histórias e bebendo noite adentro, e – em determinado momento – estavam tão bêbados que as histórias de terror se tornaram piadas e, depois, se transformaram em histórias engraçadas pelas quais passaram até que ambos se deitaram no carpete, sem forças para subir até suas suítes, mas cansados demais para continuar no ritmo que estavam. se deitou no peito de John e sentiu os braços do rapaz a abraçarem em retorno, e assim eles dormiram (lê-se: desmaiaram) noite adentro.

“You’ve been stuck in my brain, wanna play you over and over again”. (Sticky – The Maine)

CAPÍTULO 4

  Na manhã seguinte, e John acordam um nos braços do outro. John é o primeiro acordar e notar que a garota está sobre si, e por alguns minutos ele se permite aproveitar o momento, o calor do corpo dela, o cheiro de limão que exala de seus cabelos e que se tornou um de seus cheiros favoritos do dia para a noite, e os traços tão lindos e delicados. John se permitiu tocar levemente os cabelos de , deslizando os dedos por seu rosto até chegar em seus lábios. A vontade de beijá-la era tamanha que John se forçou a acordá-la para se impedir de fazer algo imprudente.
   abriu os olhos e a primeira coisa que notou foi a dor lancinante em sua cabeça, para em seguida notar que  se encontrava praticamente grudada à John. Como se tivesse levado um choque a garota se sentou rapidamente tentando se recordar da noite anterior. As memórias fluíram como uma avalanche por seu cérebro e a combinação das informações com a ressaca da bebida fizeram com que sua cabeça doesse ainda mais.
  John notou que a garota não parecia tão bem, ele mesmo sentindo o braço dormente e dor nas costas por ter dormido no chão, mas já estava acostumado com vodca o suficiente para não sofrer os efeitos terríveis da ressaca da bebida. se levantou e foi até a cozinha, determinada a fazer um café extraforte, e – enquanto o café coava – caminhou até o banheiro à procura de alguma aspirina que pudesse acalmar a dor infernal em sua cabeça.
  Duas aspirinas e duas xícaras de café depois, já se sentia um pouco mais próxima do seu eu normal, embora ainda sentisse seu corpo moído como se tivesse corrido uma maratona.
  - Que tal um banho no ofurô? – John sugeriu de repente, pegando a garota de surpresa. – Pode ajudar a relaxar seus músculos, e eu posso até te fazer uma massagem, se quiser. – ofereceu tentando disfarçar a ansiedade por uma resposta positiva de .
  Ela ponderou por alguns segundos, mas logo concluiu que os jatos quentes realmente seriam uma alternativa incrível para relaxar o corpo e assentiu em concordância, finalizando sua terceira xícara de café. John tomou mais um gole de seu café também, mas no seu caso, para disfarçar o enorme sorriso que se apossou de seu rosto.

  John preparou ofurô e aguardou ansioso pela garota, se sentindo como um adolescente virgem prestes a perder a virgindade com a garota dos seus sonhos. O rapaz não pretendia muito, mas estava determinado a – de alguma forma – dar o primeiro passo e mostrar para que estava interessado. A garota na qual pensava surgiu alguns minutos depois, no meio do caminho entre o zumbi em que acordara e a jovem alegre e entusiasmada que costumava ser. John reparou nas curvas expostas pelo biquini que ela usava e voltou a pensar em como suas mãos se encaixariam perfeitamente em sua cintura, mas decidiu mudar o foco de seus pensamentos.
  - Como você está se sentindo? – questionou preocupado.
  - Melhor. – respondeu , entrando no ofurô e se recostando no espaço ao lado de John, sentindo a água quente relaxar todos os seus músculos quase que instantaneamente. fechou os olhos se preocupando apenas em relaxar e deixar que seus pensamentos ficassem leves e esperando que a dor de cabeça acompanhasse o mesmo ritmo. John permaneceu ao seu lado, reparando novamente nos detalhes do rosto de , e imaginando se algum dia se cansaria de olhá-la e concluiu que isso seria impossível. Ela tinha um daqueles rostos que parecia mais lindo a cada vez que você reparava nele.
  Os dois permaneceram em silêncio por um bom tempo até que o quebrou murmurando um “obrigada, John”. O rapaz sentiu o coração palpitar um pouco mais forte no peito, e tomou coragem para manter a garota falando.
  - Ajudou de alguma forma?
  - Você nem imagina. – respondeu, um sorriso brotando em seus lábios antes que ela abrisse apenas um de seus olhos e mirasse no rapaz – Mas ainda estou aguardando aquela mensagem supostamente reparadora. – brincou.
  - Vem aqui. – disse John, gesticulando para a que a garota se sentasse por entre suas pernas. achou que ele estava apenas brincando exatamente como ela fizera, mas ao olhar na direção do rapaz notou que ele parecia ter levado a sério. Incerta, se moveu com cuidado até o rapaz, esperando que ele mudasse de ideia, o que não ocorreu. John pegou um dos inúmeros olhos espalhados sobre a prateleira atrelada à parede e espalhou com delicadeza sobre os ombros de antes de iniciar a massagem prometida.
   se sentia estranha. Uma parte de si achava que estavam indo um pouco longe demais, enquanto a outra só queria se recostar sobre o peito de John como fizera na noite anterior e ficar ali por toda a eternidade. As mãos do rapaz sobre seus ombros e costas também não estavam ajudando em nada a fazê-la pensar com clareza, e quanto mais relaxado seu corpo ficava, mais relaxadas pareciam ficar também as restrições mentais que havia imposto para si.
  - Eu comecei a escrever algo ontem... – ouviu o rapaz dizer repentinamente – acho que está ficando bom, de alguma forma. Você quer ouvir?
  - Claro! – exclamou empolgada, recostando a cabeça no ombro de John para observá-lo cantar.
  - Went outside and saw the moon. And it made me think of you. Then the rain it came and came. There you were inside my brain. I’ve been thinking of you… I’ve been thinking of you… - John cantou fitando os olhos de , e notou quando o rosto dela corou ao ouvi-lo cantar. se sentia perdida nos olhos de John, mas a voz do rapaz tão próxima do seu ouvido parecia aprisioná-la. O olhar de John se desviou para os lábios de e antes que ele pudesse se controlar selou seus lábios nos dela.
   ficou surpresa, a princípio, mas logo suas mãos encontraram caminho até o cabelo de John o puxando para aprofundar o beijo.  Ambos ainda estavam presos no encanto do momento, lançando as restrições de lado e fazendo algo pelo qual ansiavam há algum tempo. Tudo pareceu congelar e os dois sentiam-se presos no tempo, em um quadro de Manet, enquanto provavam o sabor um do outro e percebiam com seus corações palpitando forte no peito, o quanto se sincronizavam perfeitamente, a certeza de como seria fácil pertencerem um ao outro.
  John deslizou suas mãos pelo contorno de , suspirando ao sentir a pele macia sob seu toque. Segurou a cintura da garota e puxou para mais perto de si, para que seus corpos grudassem e ela pudesse sentir o quanto a queria. E foi justamente nesse momento que pareceu acordar de um transe, empurrando o rapaz para longe e se levantando da banheira em uma velocidade alarmante,  correndo dali sem se preocupar em pegar uma toalha no caminho.

“Remember the day when started this, and you made the shape of my heart with your hands” (I must be dreaming – The Maine)

CAPÍTULO 5

  Após o beijo inesperado, John foi deixado atordoada no mesmo lugar, tentando encontrar alguma explicação para a garota rejeitá-lo tão repentinamente, será que ele havia lido errado todos os sinais enviados? Será que ele foi o único a fantasiar que os dois fossem mais do que apenas dois estranhos que se conheceram em circunstâncias inesperadas e passaram bons momentos juntos?
  John queria ir atrás de e questioná-la, ter uma resposta concreta para todas as dúvidas que corroíam sua mente, mas a garota se trancou no quarto pelo resto do dia, não dando a menor chance para que ele a visse e tentasse arrancar dela alguma informação por mais dolorosa que fosse. O rapaz se esforçou para se concentrar em qualquer outra coisa, mas não conseguia continuar escrevendo sem pensar na garota a alguns metros de distância.
  Enquanto isso, estava deitada em sua cama, na suíte que havia escolhido para si quando chegara. A garota se perguntava se realmente havia somente dois dias desde que chegara ali, pois como era possível que em tão pouco tempo estivesse sentindo tanto por alguém? Sentia seu coração comprimir no peito ao pensar em John, e ao lembrar-se do beijo... sabia que sua vontade era permanecer naquele ofurô e deixar que ele fizesse o que quisesse com ela, deixar que seus corpos se unissem em um só e que todos os sentimentos reprimidos fossem extravasados, mas sabia que não era o certo.
  Quando notou que já se passava das duas da tarde, a culpa já lhe corroía a ponto de doer fisicamente seu estômago. Havia prometido que cuidaria das refeições enquanto estivesse ali e não havia preparado nada para o almoço. Havia, de alguma forma não intencional, levado John a acreditar que pudessem ser algo mais do que apenas amigos e agora o rapaz deveria estar se perguntando o que havia acontecido para que ela mudasse tão de repente.
  - Desde quando você é uma covarde completa, Wilson? – sussurrou para si mesma, se dando o empurrãozinho que precisava para levantar da cama, colocar um camisão do Mickey que alcançava seus joelhos, sua pantufa do Pluto e sair determinada do quarto.
  John não estava na sala de estar quando ela passou na direção da cozinha e agradeceu a todos os santos por ter um tempinho a mais de preparo emocional antes de falar com o rapaz. Preparou alguns lanches bem recheados de queijo e presunto e utilizou uma receita especial de chocolate quente para usar como um pedido de desculpas. Estava finalizando de montar a “mesa” quando ouviu os passos de John atrás de si.
  - Hey. – cumprimentou com um sorriso sem graça, apontando para a comida servida. – Bon appétit.
  - Mercí. -  respondeu o rapaz simplesmente, antes de começar a comer. Ele não fazia ideia do que dizer e – no fundo – achava que era ela quem deveria ter algo a dizer.
  Ambos comeram seus lanches em silêncio e quando ofereceu o chocolate quente para John, a garota sorriu radiante ao ouvir o gemido de satisfação escapar os lábios de John ao experimentar a bebida.
  - É uma receita especial da minha avó. – explicou ainda com um sorriso no rosto. – Ela costumava fazer sempre que eu não estava me sentindo tão bem, e automaticamente eu me sentia melhor, como mágica. Ela dizia que “uma boa xícara de chocolate quente cura tudo...até um coração partido”.
  John sorriu ao ouvi-la contar a história, feliz por fazer parte – ainda que minimamente – de algo tão especial para ela. E, novamente, o rapaz teve a percepção de que gostaria de fazer parte de tudo que era especial para ela, aliás – sendo bem honesto – gostaria de entender tudo que a fazia tão especial e ser capaz de criar com ela novas memórias únicas para viver pela eternidade, como a que ela acabara de mencionar.
   terminou de tomar seu chocolate com pensamentos diversos atordoando sua mente. A garota tentava desvendar todas as expressões no rosto de John e – embora reconhecesse muitas das emoções no belo rosto do rapaz, as quais espelhavam as suas – sabia que havia muito mais a ser entendido, e muito mais a ser falado, de ambas as partes. Sentia-se presa entre dois caminhos decisivos: em um colocaria todas as cartas sobre a mesa e ouviria tudo que ele tinha a dizer; do outro deixaria que as coisas não ditas fossem enterradas com o tempo, assim como todas as expectativas criadas por aquele encontro programado pelo destino ou pelo acaso.
  John terminou sua bebida e agradeceu antes de seguir até a sala de estar e se sentar no sofá, planejando tentar dispersar sua mente através de suas criações, mas antes que pudesse pegar o caderno ao seu lado foi barrado por que se sentava em seu colo, uma perna de cada lado do seu corpo, e o puxava pelo cabelo para um beijo intenso e apaixonado. Havia muito a dizer, mas nada que não pudesse ser dito como seus corpos, pensaram, cada um à  sua maneira.
  O rapaz entendeu o recado e, sem dar tempo para que ela pudesse se arrepender e mudar de ideia, passou as mãos por suas coxas, seguindo para dentro de seu camisão e o levantando pelo caminho até tirá-lo por completo, tendo a visão perfeita de seus seios completamente nus. Com um sorriso de satisfação, John não perdeu tempo antes de abocanhá-los, um a um, explorando cada um com avidez, enquanto suas mãos apalpavam seu bumbum, a puxando para mais perto e a fazendo se mover sobre seu membro ereto sob a calça.
   sabia que não havia mais volta. Enquanto se entregava completamente à mercê de John e correspondia cada um de seus movimentos com  a mesma intensidade em que os recebia, perdeu completamente a noção de tempo e espaço, se deixando guiar por seus instintos e desejos mais selvagens. Em poucos minutos ambos estavam nus sobre o sofá, explorando cada parte dos corpos um do outro de todas as maneiras possíveis: mãos, lábios, língua, tudo se transformou em ferramenta para que pudessem alcançar o prazer máximo juntos.
  Ambos estavam tão famintos um pelo outro que quando finalmente se uniram como um era como se ansiassem isso por uma vida inteira. Em algum lugar distante de sua mente, pensou que talvez eles se conhecessem de outras vidas, talvez essa paixão que os consumia fosse algo predestinado, mas o pensamento não durou muito quando toda a sua atenção era exigida por cada toque de John em seu corpo.
  Os dois fizeram amor tarde adentro, sem pausa, sem restrições e sem se preocupar que houvesse algo a se pensar ou discutir depois, tudo que importava eram aqueles momentos preciosos em que passavam, e ambos não queriam se importar com  mais nada. Do sofá foram para o chão, e do chão foram para a cozinha, de onde se direcionaram para o ofurô, fazendo questão de reconstruir a memória destroçada da manhã, até que finalmente pararam na suíte de John, onde deram descanso para seus corpos, se permitindo descansar por fim, mergulhados em êxtase e felicidade.

  Algumas horas depois John acordou com uma fome de leão, sua barriga roncando após a maratona que tiveram durante todo o dia. A cama fria denunciava que já havia levantado há algum tempo. Esfregando os olhos para espantar o sono, John visualizou o horário no relógio de cabeceira: 02:03AM. Um envelope ao lado do relógio chamou sua atenção enquanto um presságio negativo dominava sua mente. Abrindo um envelope, John encontrou um retrato seu desenhado, e uma pequena nota escrita:
  “Thanks for the memories”. – Always Yours, .

EPÍLOGO

  Um ano depois e John nunca mais havia ouvido falar de . Ele não sabia nada da garota além do seu primeiro nome e mesmo depois de todas as suas tentativas toscas e inúteis não pôde encontrá-la em nenhuma de suas buscas pelas redes sociais. Ele chegou a cogitar que talvez esse nem fosse seu nome verdadeiro, talvez a sua intenção fosse exatamente essa: entrar e sair de sua vida como um fantasma. 
  John analisou uma vez mais os traços do desenho feito por ela e sorriu amargamente antes de virar uma dose de vodca, havia até mesmo procurado por alguns desenhistas profissionais para tentar descobrir se era possível descobrir um artista apenas através dos traços de um de seus desenhos. Procurara incansavelmente por alguma ilustradora de livros infantis que se chamasse ou e nada também. Às vezes se perguntava se não havia imaginado tudo e – em algum surto psicótico – conseguira criar todas as evidências de que algum dia ela realmente fez parte de sua vida.
  Ouviu o chamado de Jared e desviou sua atenção do desenho em sua mão para notar que todos já estavam prontos para entrar no palco. Guardando o retrato dentro da mochila, logo seguiu a banda palco adentro.
  John se sentia anestesiado, desde que ela entrara e saíra de sua vida como um tornado, nada mais parecia o mesmo. Parecia estúpido se sentir assim por uma garota que talvez tenha mentido até sobre o próprio nome, mas John não conseguia deixar de pensar nela, e não conseguia deixar de sentir que nada lhe causava as mesmas sensações que ela lhe causara. Ela era como um sol radiante depois de meses de dias frios, e ela o aqueceu de tal forma que ele não pensava ser capaz de jamais se sentir assim novamente com outra pessoa.
  O show ocorreu como esperado e – no momento de cantar sua última música – John iniciou seu discurso final.
  -  Boa noite, Geórgia! – gritou ouvindo a plateia responder com euforia. -Algum de vocês por acaso conheceria uma moça chamada ? – perguntou fazendo com que seus amigos se entreolhassem confusos, enquanto a plateia se dividia entre responder ‘sim’ e olhá-lo como se ele tivesse bebido demais antes do show. – Bom, caso vocês a conheçam, digam que essa música é para ela.
  Os primeiros acordes de Thinking of you começaram, e John sentiu o coração apertar mais do que o esperado enquanto cantava, talvez porque estava exatamente no estado em que ela supostamente vivia, era como se ele se sentisse mais próximo dela estando ali. A luz do palco era tão intensa que mal conseguia enxergar a multidão à sua frente, mas nos últimos versos da música, quando a luz do palco pareceu se tornar menos vibrante para anunciar a proximidade do fim do show, John olhou para baixo e reconheceu um rosto em meio a multidão. Pensou estar louco, finalmente havia sucumbido à psicose que o fizera se apaixonar por uma desconhecida, mas ao reparar melhor nos traços percebeu os olhos amendoados lhe encarar de volta com a mesma doçura; a cintura ainda parecia o encaixe perfeito para suas mãos, mas o que realmente fez seu coração palpitar mais forte com a certeza de que era ela, foi o lindo sorriso que ela lhe deu.

“Don’t listen to the voices in your head, listen to your heart”. (Listen to your heart – The Maine)

FIM